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Narceja

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Gallinago gallinago

Características

Pequena ave limícola, com uma plumagem que lhe garante passar despercebida a olhos menos atentos. A Narceja -comum tem cerca de 25 cm de comprimento, dos quais 6 ou 7 dizem respeito ao bico. Aliás, este enorme bico é uma das características mais notáveis da Narceja . Como quase todas as limícolas, possui patas relativamente compridas, embora este aspecto nem sempre seja evidente, porque mantém-se muito tempo agachadas. A plumagem é de tons castanhos, com listas amareladas, e branca no ventre. Os belos desenhos que as penas coloridas formam conferem a esta ave um mimetismo notável, que faz com que raramente possamos ver as Narceja s nos seus habitats preferidos, antes que elas levantem vôo à nossa aproximação.

Habitat

Zonas húmidas, campos de cultivo e pastagens alagadas, arrozais, nas margens de lagoas costeiras, nas beiras de valas ou em pequenos açudes com margens não muito fechadas. Também surge em salinas, orlas de sapais e margens de ribeiras e rios.

Ocorrência

Em todo o Brasil, Américas e Europa.

Narceja

Hábitos

Tanto surgem isoladas como em pequenos grupos, só esporadicamente sendo possível observar-se algumas dezenas de aves juntas em locais de maior concentração.Quando levantam, muitas vezes à curta distância do observador, emitem um grito de alarme característico, repetido duas ou três vezes. Têm um vôo rápido e uma silhueta característica, com o longo bico e as asas bem pontiagudas. Mas os sons que produz nos vôos nupciais crepusculares são inconfundíveis. F azem vôos nupciais a grande altura, com subidas e descidas abruptas, enquanto deixam as penas exteriores da cauda, espetadas para fora, vibrar com o vento. Estas produzem um som característico, difícil de descrever, e que se ouve sobretudo ao crepúsculo.

Alimentação

Utilizam o seu longo bico para sondar a lama ou a turfa mole, sentindo, com ele, os movimentos dos pequenos animais de que se alimentam, sobretudo larvas de insetos, minhocas e outros vermes. Presas menos frequentes são outros pequenos invertebrados, como crustáceos, gastrópodes, aranhas ou insetos adultos.

Reprodução

Podem realizar uma ou duas posturas. O ninho é escondido num prado húmido, muito bem disfarçado na vegetação, sendo quase impossível de encontrar, mesmo quando o observador se encontra quase sobre ele. A postura compõe-se de 3 ou 4 ovos em forma de pêra e finamente marcados por inúmeros pontos e linhas. O período de incubação dura 18 a 20 dias. As crias abandonam o ninho poucas horas após a eclosão, estando desde logo aptas a caminhar e a apanhar os alimentos sem qualquer ajuda dos adultos. No entanto, seguem o progenitor, que as guia para as melhores zonas de alimentação e as protege de eventuais predadores. Ao fim de cerca de 20 dias começam a voar.

Ameaças

É uma espécie comum e não ameaçada na generalidade da sua área de distribuição. Porém vem sofrendo com a caça, a destruição do habitat e poluição. É uma espécie cinegética, muito caçada durante o outono e inverno no hemisfério norte.

Fonte: www.vivaterra.org.br

Narceja

A Narceja -comum é uma pequena ave limícola, com uma plumagem que lhe garante passar despercebida a olhos menos atentos. Mas os sons que produz nos voos nupciais crepusculares são inconfundíveis, parecendo autênticos “balidos caprinos”.

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS

A Narceja -comum Gallinago gallinago é uma limícola (sub-ordem Charadrii) pertencente à família Scolopacidae. Tem cerca de 25 cm de comprimento, dos quais 6 ou 7 dizem respeito ao bico. Aliás, este enorme bico é uma das características mais notáveis da Narceja . Como quase todas as limícolas, possui patas relativamente compridas, embora este aspecto nem sempre seja evidente, porque mantém-se muito tempo agachada. A plumagem é de tons castanhos, com listas amareladas, e branca no ventre. Os belos desenhos que as penas coloridas formam conferem a esta ave um mimetismo notável, que faz com que raramente possamos ver as Narceja s nos seus habitats preferidos, antes que elas levantem voo à nossa aproximação. Quando levantam, muitas vezes a curta distância do observador, emitem um grito de alarme característico, repetido duas ou três vezes. Têm um voo rápido e uma silhueta característica, com o longo bico e as asas bem pontiagudas. Tanto surgem isoladas como em pequenos grupos, só esporadicamente sendo possível observar-se algumas dezenas de aves juntas em locais de maior concentração.

Nas zonas de criação é possível ouvir-se os seus cantos nupciais (um tick-a, tick-a, tick-a, por vezes repetido incansavelmente), frequentemente emitidos por uma ave poisada sobre uma árvore ou num poste de uma vedação. Para além disso, fazem voos nupciais a grande altura, com subidas e descidas abruptas, enquanto deixam as penas exteriores da cauda, espetadas para fora, vibrar com o vento. Estas produzem um som característico, difícil de descrever, e que se ouve sobretudo ao crepúsculo.

DISTRIBUIÇÃO E ABUNDÂNCIA

A Narceja -comum está representada por diversas subespécies na Europa, Ásia, África, América do Norte e do Sul. Em Portugal, durante o Inverno, a Narceja encontra-se um pouco por todo o território nacional, onde exista habitat favorável. É relativamente rara no interior norte e centro, e no arquipélago da Madeira. Encontra-se em maior número no litoral centro e sul, sobretudo nas zonas baixas de grandes bacias hidrográficas, como a do Tejo e a do Sado. Durante a época de reprodução está circunscrita à região da Serra do Barroso no Continente, e a algumas ilhas do arquipélago dos Açores.

ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO

A Narceja é uma espécie comum e não ameaçada na generalidade da sua área de distribuição europeia. Infelizmente o mesmo não se pode dizer em relação ao seu estatuto em Portugal. As populações invernantes são numerosas e a sua conservação não é motivo de preocupações. Por outro lado, a população nidificante em Portugal Continental tem vindo a decrescer marcadamente ao longo de grande parte do século XX, e é provável que a espécie esteja à beira da extinção neste sector da sua área de distribuição. Os motivos que levaram a este decréscimo populacional não são bem conhecidos, mas estão certamente ligados com a drenagem de pastos húmidos e alterações nas práticas agrícolas tradicionais nas montanhas onde nidificava. A população dos Açores é mal conhecida e considerada Vulnerável no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses.

Narceja

A Narceja -comum é uma espécie cinegética, muito caçada durante o Outono e Inverno.

HABITAT

No Inverno frequenta uma grande diversidade de zonas húmidas. É particularmente abundante em pauis, campos de cultivo e pastagens alagadas, arrozais, nas margens de lagoas costeiras, nas beiras de valas ou em pequenos açudes com margens não muito fechadas. Também surge em salinas, orlas de sapais e margens de ribeiras e rios. Na época de reprodução frequenta lameiros e pastagens húmidas em zonas elevadas, assim como terrenos mal drenados, ricos em plantas herbáceas e turfa (este último habitat encontra-se só nos Açores).

ALIMENTAÇÃO

As Narceja s utilizam o seu longo bico para sondar a lama ou a turfa mole, sentindo, com ele, os movimentos dos pequenos animais de que se alimentam, sobretudo larvas de insecto, minhocas e outros vermes. Presas menos frequentes são outros pequenos invertebrados, como crustáceos, gastrópodes, aranhas ou insectos adultos.

REPRODUÇÃO

A época de reprodução em Portugal Continental é (ou pelo menos era, em meados do século XX) muito prolongada, sendo possível encontrar ninhos com ovos de Maio a Agosto. As Narceja s podem realizar uma ou duas posturas. O ninho é escondido num prado húmido, muito bem disfarçado na vegetação, sendo quase impossível de encontrar, mesmo quando o observador se encontra quase sobre ele. A postura compõe-se de três ou quatro ovos em forma de pêra e finamente marcados por inúmeros pontos e linhas. O período de incubação dura 18 a 20 dias. As crias abandonam o ninho poucas horas após a eclosão, estando desde logo aptas a caminhar e a apanhar os alimentos sem qualquer ajuda dos adultos. No entanto, seguem o progenitor, que as guia para as melhores zonas de alimentação e as protege de eventuais predadores. Ao fim de cerca de 20 dias começam a voar.

MOVIMENTOS

As Narceja s migradoras de passagem e invernantes chegam a Portugal já em Agosto, permanecendo a maioria até Março ou Abril. São originárias de uma vasta área que vai da Islândia à Escandinávia e à Europa Oriental, passando pelas Ilhas Britânicas e pela Europa Central. Nada se sabe sobre o estatuto migratório das populações nidificantes no Barroso. As Narceja s açorianas são, muito provavelmente, residentes, permanecendo todo o ano naquele arquipélago.

LOCAIS DE OBSERVAÇÃO

O Outono e o Inverno são as melhores épocas do ano para procurar esta espécie. É relativamente fácil de encontrar em áreas ricas em terrenos alagados, pauis ou arrozais. As lezírias do baixo Tejo ou os arrozais dos vales do Mondego ou do Sado são regiões particularmente propícias. Açudes ou outras pequenas zonas húmidas no meio do Alentejo também são muito favoráveis. Nos Açores, as Narceja s encontram-se sobretudo nos terrenos mais elevados, muitas vezes nas cristas ou nas caldeiras dos antigos vulcões.

CURIOSIDADES

O som produzido pelas aves em voo durante as paradas nupciais é deveras curioso e está, certamente, na origem de uma série de nomes vernáculos que a Narceja tinha nas suas áreas de criação nos maciços barrosenhos. Assim, porque às populações serranas aquele som lembrava sem dúvida a voz de uma cabra, foi baptizada de Bode, Cabra-do-ar, Cabra-do-monte ou Cabra-velha, conforme as aldeias ou regiões.

BIBLIOGRAFIA

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Coverley, H. W. (1932b). Breeding of Snipe in Portugal. Ibis 2: 684-685.

Farinha, J.C. e Costa, H. (1999). Aves aquáticas de Portugal. ICN, Lisboa.

Reis Júnior, J.A. (1924). Notas ornitológicas – A reprodução em Portugal da Gallinago g. gallinago. Anais do Instituto de Zoologia da Universidade do Porto. 35-39.

Rufino, R. e Neves, R. (1991). Snipe on wet grasslands in Portugal. In Hötker, H. (ed.). Waders breeding on wet grasslands. Wader Study Group Bull. 61 (suppl.): 31-32.

Santos Júnior, J.R. (1978-79). As Narceja s e a sua criação em Trás-os-Montes. Cyanopica Vol. II Fasc. 1: 69-82.

Snow, D.W. e C.M. Perrins. (1998). The Birds of the Western Palearctic. Concise Edition. Oxford University Press, Oxford.

Paulo Catry

Fonte: www.naturlink.pt

Narceja

Gallinago gallinago

Familiar entre os observadores de aves que frequentam as zonas húmidas, durante o Outono/Inverno, é nos locais de reprodução, exibindo-se em sonoras e espectaculares paradas aéreas que faz por merecer o epíteto de «Rainha dos ares».

Identificação

De tamanho idêntico ao do melro-preto, porém, o seu bico, pescoço e patas compridos definem-na de imediato como limícola. Na parte superior, o tom geral da plumagem é escuro e ricamente estriado, numa variada gama de castanhos, sendo a garganta, o abdómen e a parte inferior das asas brancos. O seu voo, irregular e ziguezagueante é, geralmente, denunciado por um «tchuak» seco e tenso a fazer lembrar uma bota da borracha a sair da lama.

Abundância e calendário

É uma invernante comum, ocorrendo de norte a sul, potencialmente em todas as zonas húmidas, preferindo arrozais, pauis, terrenos alagados e lameiros. Ocorre sobretudo entre Setembro e início de Abril. Outrora, embora localizada, era uma nidificante relativamente abundante, estendendo-se a sua área de distribuição, desde a zona leste do Gerês até à Veiga de Chaves. Actualmente apenas existe uma pequena população reprodutora no Planalto da Mourela e em alguns lameiros dazona de Montalegre.

Onde observar

Ocorre sobretudo nos vales dos grandes estuários e rias, assim como em várzeas com restolho de arroz e milho, e pequenos sistemas lagunares e albufeiras.

Entre Douro e Minho

Embora pouco abundante, pode ser encontrada no estuário do
Cávado.

Trás-os-Montes

Oúnico local de reprodução regular no nosso país encontra-se nesta região, mais concretamente nos planaltos da vertente oriental da serra do Gerês.

Litoral centro

A ria de Aveiro e os pauis e arrozais do baixo Mondego, são os melhores locais nesta região para encontrar a Narceja-comum. Tambémpode ser vista na lagoa de Óbidos, nomeadamente no sector mais oriental.

Beira interior

Trata-se de uma espécie rara nesta região, existindo registos na albufeira de Idanha e nas margens do Pônsul.

Lisboa e Vale do Tejo

É uma espécie comum no estuário do Tejo, sobretudo na Ponta da Erva e no paul da Barroca, onde podem facilmente ser vistas. Também na várzea de Loures é uma espécie frequente, bem como nos pauis de Mugee de Magos.

Alentejo

Ocorre no estuário do Sado, na lagoa de Santo André, e em albufeiras do interior, como a lagoa dos Patos, as zonas de São Cristóvão eElvas e a albufeira do Caia. Embora menos comum, está também presente nos arrozais deMontes Velhos e Foros da Caiada e ocorre junto à barragem da Póvoa.

Algarve

Pode ser observada na Quinta do Lago e no Ludo, assim como nos arrozais de Estombar, na ria de Alvor, na lagoa dos Salgados e no paul de Budens.

Fonte: www.azoresbioportal.angra.uac.pt

Narceja

Narceja

Ave migratória fora do período reprodutivo e que mede 26,5 a 30,0cm e pesa aproximadamente 136g.

O macho apresenta comportamento reprodutivo que consiste de um vôo picado, de cerca de 15 m, com uma queda veloz e com som característico, emitido pela passagem de som entre as rêmiges (tipos de penas).

Ativa durante a noite. alimenta-se de artrópodesGrupo de invertebrados caracterizados pela presença de um esqueleto externo.

A palavra artrópode significa “patas articuladas”. Ex.: insetos, aranhas e escorpiões, lacraias e piolhos-de-cobra. de hábitos subterrâneos. O ninho é construído no brejo, em meio à moitas de capim.

A fêmea põe 2 ou 3 ovos de cor oliva, com manchas escuras e uma coroa de linhas negras espiraladas, medindo 40 x 27mm. A maior parte da incubaçãoAto de chocar os ovos. (que dura 22 dias) e a alimentação dos filhotes fica a cargo da fêmea. Habitam brejos, banhados e áreas úmidas próximas a rios e lagos.

Espécie

Gallinago gallinago

Distribuição Geográfica

Ocorrem em todo o Brasil, América do Sul e do Norte, Europa e Ásia.

Fonte: sistemas.vitoria.es.gov.br

Narceja

Narceja

Identificação

Enorme bico pontiagudo, plumagem em tons castanhos com listras amareladas e tons brancos no ventre, conferem à Narcejaum mimetismo notável, razão pela qual não é facilmente observável.

Voz

Emite um grito de alarme característico repetido duas ou três vezes.

Habitat

Pântanos, lodaçais, prados húmidos de vegetação rasteira e densa, margens de lagos, valas, zonas costeiras, etc.

Comportamentos

Como a sua plumagem lhe permite uma camuflagem perfeita, quando se sente ameaçada agacha-se tornando-se praticamente invisível. Quando dentro de água pode imergir quase totalmente, tornando-se extremamente difícil de a distinguir de uma pedra.

Voo

Voo rápido e silhueta característica de longo bico e asas pontiagudas.

Nidificação

O acasalamento é precedido de um vistoso ritual, em que o macho ziguezagueia erraticamente acima do terreno, descendo depois a pique 10 ou 20 metros. Durante este voo picado, as penas exteriores da cauda encontram-se abertas, emitindo um som assobiado. A postura consiste geralmente de 3 a 4 ovos, num ninho térreo, bem escondido, no meio de densa vegetação.

Dieta

Alimenta-se essencialmente de invertebrados e, ocasionalmente, de plantas aquáticas.

Fonte: www.azibo.org

Narceja

Gallinago gallinago

Taxonomia

Família: Scolopacidae
Espécie: Narceja(Linnaeus 1758).
Código da Espécie : A153
Estatuto de Conservação: Global (UICN 2004): LC (Pouco preocupante).
Nacional (Cabral et al. em publ.): População nidificante – CR (Criticamente em Perigo).

População invernante

LC (Pouco preocupante). Espanha (Madroño et al. 2004): População nidificante – EN (Em Perigo). População invernante – LC (Pouco preocupante). SPEC (BirdLife International 2004):

Não SPEC (Espécie com estatuto de conservação favorável, não concentrada na Europa). Protecção legal: Decreto-Lei nº 140/99 de 24 de Abril, Transposição da Directiva Aves 79/409/CEE de 2 de Abril de 1979, com a redacção dada pelo Decreto-Lei nº 49/2005 de 24 de Fevereiro. Decreto-Lei nº 316/89 de 22 de Setembro, transposição para a legislação nacional da Convenção de Berna – Anexo III Fenologia: Invernante; Migrador de passagem; Nidificante no noroeste de Portugal, desconhecendo-se se é residente ou migradora

Distribuição:Global

Norte e Centro da Europa, Ásia e América do Norte. A sub-espécie (Gallinago gallinago gallinago) que ocorre em Portugal distribui-se desde as Ilhas Britânicas, Escandinávia e Oeste da Europa, abrangendo o Norte e Centro da Eurásia até ao estreito de Bering (Del Hoyo et al. 1996, Hagemeijer & Blair 1997). Nacional:

Em Portugal continental os indivíduos invernantes distribuem-se principalmente ao longo de toda a faixa ocidental e interior sul do país.

A distribuição actual da população nidificante é muito restrita, encontrando-se apenas no Noroeste do território, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Tendência Populacional

A nível europeu a espécie é considerada como não ameaçada, apresentando no entanto declinios pontuais em vários países (BirdLife International/European Bird Census Council 2000).

A população do oeste da Europa tem mantido valores estáveis durante as últimas décadas (Wetlands International 2002). Em Espanha, durante a última década, a sua população tem também mantido valores estáveis (Salvadores et al. 2003).

Em Portugal continental a população invernante parece sofrer variações apreciáveis em certos locais, provavelmente em consequência da variabilidade dos movimentos realizados em direcção a áreas mediterrânicas, quando as condições meteorológicas no Norte e Leste da Europa são mais rigorosas (Moore 1998). Sobre a população nidificante não existem dados pormenorizados da sua tendência de declínio. Contudo, a área de distribuição tem diminuído durante as ultimas décadas (Santos 1979, Rufino 1989, Pimenta & Santarém 1996, ICN em prep.).

Abundância

As dificuldades de detecção da espécie limitam a obtenção de dados sobre a dimensão da população, pelo que não são conhecidos os números de invernantes. Quanto à população nidificante, existempoucas estimativas fiáveis, admitindo-se que contenha menos de 50 indivíduos maturos. A nidificação foi raramente confirmada durante as últimas décadas. Desde a última confirmação de nidificação nos finais da década de 1970 (Santos 1979) o mais recente registo de nidificação confirmada foi em 2003, ano em que se detectaram 3 ninhos (Pimenta & Santarém em prep).

Requisitos ecológicos

Habitat

No continente, os habitats utilizados para nidificação são caracterizados por solos comelevado conteúdo de matéria orgânica, rico em invertebrados e com cobertura herbácea. Por essa razão prefere zonas húmidas de altitude, nomeadamente matos higrófilos, turfeiras e lameiros abandonados (lameirões).

Alimentação

A sua dieta é essencialmente constituída por invertebrados.

Reprodução

Espécie monogâmica em que ambos os sexos apresentam elevado grau de promisquidade. Os ninhos são construídos pela fêmea e constituídos por uma pequena escavação feita no solo em áreas de vegetação baixa. Ambos os progenitores cuidam das crias que são nidífugas (Cramp & Simmons 1983). Na Peneda-Gerês os ninhos têm a forma de uma taça bem escondida no interior de junco, um pouco acima do solo.

Ameaças

A população nidificante é ameaçada principalmente por factores intrínsecos, nomeadamente a sua densidade baixa e distribuição restrita. A sua dependência de habitats de nidificação específicos torna esta população muito vulnerável à perda ou degradação de habitat (por acção do Homem), nomeadamente a alteração do regime de gestão dos locais de nidificação conhecidos.

A drenagem, visando a transformação das zonas húmidas em áreas de pastagem ou de cultivo, a extracção de água, o abandono dos sistemas pastoris tradicionais, o sobrepastoreio e o fogo têmlevado à degradação do habitat de nidificação.

Objectivos de Conservação

Manter a população Invernante.
Manter as rotas migratórias.
Aumentar a população reprodutora.
Manter os casais nidificantes existentes.
Promover a recolonização de áreas de distribuição histórica da população nidificante.
Conservar as áreas de habitat potencial (dispersão e nidificação).

Orientações de Gestão

Promover a manutenção de prados húmidos nomeadamente os lameiros extensivos de montanha nas áreas de nidificação.

Condicionar a drenagem de zonas húmidas nas áreas mais importantes de nidificação da espécie.

Promover a manutenção dos sistemas de pastoris tradicionais, mediante a aplicação de medidasagro-ambientais em áreas prioritárias para espécie.

Estabelecer uma estratégia conjunta Portugal/Espanha visando a conservação da espécie.

Promover estudos sobre a distribuição e abundância da população nidificante procurando entender igualmente os movimentos e áreas concretas de que dependem ao longo do ano.

Monitorizar os parâmetros populacionais da espécie (avaliação das tendências na distribuição e tamanho da população nidificante).

Outra informação relevante

A Narcejatem actividade essencialmente crespucular e nocturna. Este comportamento associado à suacoloração criptica tornam-na muito difícil de detectar.

Como a população nidificante em Portugal está muito dependente dos esforços de conservação emEspanha, a protecção das restantes zonas de nidificação na Galiza são essenciais para a viabilidade da população portuguesa, nomeadamente a expansão do Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés (Espanha) (Marti & Del Moral 2003).

Bibliografia

Bannerman DA & Bannerman WN (1966). Birds of the Atlantic Islands (Azores), Vol. III. Oliver & Boyd, Edinburgh and London. BirdLife International / European Bird Census Council (2000). European bird populations: estimates and trends. BirdLife Conservation Series nº 10, BirdLife International, Cambridge. BirdLife International (2004). Birds in Europe: Population Estimates, Trends and ConservationStatus. BirdLife Conservation Series nº 10, BirdLife International, Cambridge. Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (em publ.). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa. Costa H, Araújo A, Farinha JC, Poças MC & Machado AM (2000). Nomes Portugueses das Aves do Paleárctico Ocidental. Assírio & Alvim, Lisboa. Costa LT, Nunes M, Geraldes P & Costa H (eds.) (2003). Zonas Importantes para as Aves em Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa. Cramp S & Simmons KEL (eds.) (1983). Handbook of the Birds of Europe, the Middle East and North Africa, (Waders to Gulls), Vol. III. Oxford University Press, Oxford. Del Hoyo J, Elliott A & Sargatal J (eds.) (1996). Handbook of the Birds of the World (Hoatzin to Auks), Vol. 3. Lynx Edicions, Barcelona. Hagemeijer EJM & Blair MJ (eds.) (1997). The EBCC Atlas of European Breeding Birds: TheirDistribution and Abundance. T & A D Poyser, London. ICN (em prep). Novo Atlas das Aves que Nidificam em Portugal. Dados provisórios. Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa. Não publicado. Madroño A, González C & Atienza J C (eds.) (2004). Libro Rojo de las aves de España. DirecciónGeneral de Conservación de la Naturaleza , Ministerio de Medio Ambiente / Sociedad Española deOrnotología / BirdLife, Madrid. Moore CC (1998). Narceja-comum Gallinago gallinago. In: Atlas das Aves Invernantes do Baixo Alentejo.Pp.194-195. Elias GL, Reino LM, Silva T, Tomé T & Geraldes P (coords.). SociedadePortuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa.

Fonte: www.icn.pt

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