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Arara

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Devido o grande território da América do Sul, o Brasil possui uma biodiversidade considerada a maior do planeta. O país ocupa em seus ricos domínios uma enorme variedade de flora e fauna, no qual equivale a 20% de espécies do globo (MMA, 2017). Em vista disso, possui também uma grande diversidade de aves. No país registrou cerca de 1919 espécies, no qual 277 são endêmicas (PIANCENTINI et al., 2015).

A ordem Psittaciformes inclui diversas espécies de aves, como papagaios, periquitos, araras, entre outras. São divididas em três famílias: Cacatuidae, Strigopidae e Psittacidae (SOUSA,2014; OLAH,2016).

A Família Psittacidae possui 86 espécies catalogadas no país (CBRO, 2015) ocorrida em maior número e com o maior índice de espécies ameaçadas de extinção em relação a todas as famílias de aves. (COLLAR, 2000). As araras são pertencentes à Família Psittacidae, Ordem Psittaciformes, e dos gêneros Ara, Anodorhynchus, Cynopsitta, Primolius, Orthopsittaca e Diopsittaca.

As araras são aves de grande porte, medem em cerca de 80 cm de comprimento e podem chegar a 1,5 kg. Chamam atenção por sua exuberância e penas multicoloridas, além de sua vocalização estridente e alta capacidade cerebral, e também são monogâmicas, ou seja, têm somente um parceiro para a vida toda.

Possuem características morfológicas  peculiares que facilitam  sua identificação. Seu bico curvado, grosso e forte, auxiliando em sua alimentação, no qual inclui frutos e sementes. Também possuem uma musculatura mandibular desenvolvida e uma língua negra e espessa.  Possuem pés com quatro dedos, com dois para frente e dois para trás. Isso facilita em sua locomoção e a escalada em árvores, são muito articuláveis e servem de sustentação para o corpo do animal. Também os utilizam na alimentação,manejando os alimentos que consomem.

As araras estão localizadas desde o Sul da América do Norte (México) até a América do Sul. São distribuídas em seis gêneros, totalizando em 16 espécies. O Brasil possui representantes de todos os gêneros, totalizando 13 espécies, como pode ser visto abaixo:

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Anodorhynchus: com 3 espécies: Anodorhynchus hyacinthinus, Anodorhynchus leari e Anodorhynchus glaucus (respectivamente).

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Cyanopsitta: com 1 espécie Cyanopsitta spixii

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Ara: com 4 espécies, Ara Ararauna, Ara chloropterus, Ara macao e Ara severus (da direita para a esquerda, respectivamente).

Orthopsittaca: com 1 espécie: Orthopsittaca manilata.
Orthopsittaca: com 1 espécie:  Orthopsittaca manilata.

Primolius: com 3 espécies, Primolius maracanã, Primolius auricollis e Primolius couloni.
Primolius: com 3 espécies, Primolius maracanã, Primolius auricollis e Primolius couloni.

Diopsittaca: com 1 espécie, Diopsittaca nobilis.
Diopsittaca: com 1 espécie, Diopsittaca nobilis.

As espécies A. leari (arara-azul-de-lear) e Cyanopsitta spixii (ararinha-azul) são endêmicas, ou seja, são encontradas somente no Brasil. A. hyacinthinus (arara-azul-grande) possui a maior população no Brasil, pois estão praticamente extintas no Paraguai e na Bolívia.

O país também possui quatro representantes do gênero Ara, A. chloropterus (Arara-vermelha), A. macao (Araracanga), A. araraúna (Arara-canindé) e a A. severus (Maracanã-guaçu). Outras quatro espécies consideradas araras grandes e também estão inseridas nesse gênero são encontradas em outros países, como: Ara ambígua (Buffon’s Macaw) que ocorre na América Central em Honduras, Nicaragua, Costa Rica e Panamá com uma sub-espécie quayaquilensis, no qual ocorre na Colômbia e Equador; Ara militaris (Military Macaw) que ocorre do México até o norte da Bolívia, com três sub-espécies: militaris, boliviana, mexicana; Ara glaucogularis (Blue-throated Macaw) e Ara rubrogenys (Red-fronted-Macaw) que ocorrem somente na Bolívia.

Reprodução

As araras possuem baixa taxa reprodutiva, normalmente as fêmeas geram em cerca de dois filhotes, podendo somente um dos filhotes sobreviver. Eles passam a maior parte do tempo no ninho, sendo cuidados pelas fêmeas enquanto os machos são responsáveis pela alimentação. Nesse período, a possibilidade de predação é grande, por tucanos, gralhas ou outras aves e também algumas espécies de mamíferos, como o gambá. Os filhotes são alimentados pelos pais até os seis meses, pois são frágeis e precisam de cuidados. Aos três meses o corpo está coberto por penas e geralmente ocorre as primeiras tentativas de vôo.

Infelizmente mesmo com os predadores naturais, são as ações antrópicas, (ações causadas pelo homem) como captura de aves para o comércio ilegal e a degradação ambiental são os principais motivos que ameaçam a sobrevivência das espécies ( BEISSINGER & BUCHER, 1992; WRIGHT et al, 2001). A captura desses animais para o tráfico tornou-se um negócio altamente lucrativo, devido as vendas desses animais. (GUSSET et al., 2014). Outros fatores como o desmatamento de matas nativas (do local) e a introdução de espécies exóticas (que não são do local) podem causar efeitos negativos como a redução de espécies de árvores e consequentemente a redução da população de aves. No Brasil ocorreu o declínio de várias espécies devido  a captura para o abastecimento do comércio ilegal e a caça de subsistência em lugares mais carentes como a Caatinga, Amazônia e Pantanal. (Bianchi, 1998).

No país encontram-se ameaçados de extinção os seguintes psitacídeos: o papagaio-charão (Amazina pretrei), o chauá (Amazona rhodocorytha), o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), a jandaia-amarela (Aratinga solstitialis) a ararajuba (Guaruba guarouba), a maitaca-de-barriga-azul (Pionus reichenowi), tiriba-grande (Pyrrhura cruentata) a tiriba-de-peito-cinza  (Pyrrhura griseipectus), a tiriba-de-pfrimer (Pyrrhura pfrimeri), a curica-urubu (Pyrilia vulturina), o apuim-de-costas-pretas (Touit melanonotus) e o apuim-de-cauda-amarela (Touit surdus). Enquanto a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) encontra-se extinta na natureza, a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) é considerada criticamente em perigo (CR),segundo a IUCN. Porém muitos pesquisadores a consideram extinta por não ser avistada na natureza por mais de 80 anos e também por não terem indivíduos em cativeiro. (IUCN,2015;WIKIAVES,2015a, 2015b). Existem também espécies no qual foram ameaçadas de extinção, porém atualmente passaram para a categoria Quase Ameaçadas (NT), como o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e do sabiá-cica (Triclaria malachitacea) (ICMBIO,2015;IUCN,2015). Para a conservação do papagaio-de-cara-roxa foram tomadas medidas de conservação, como o monitoramento e ninhos artificiais. Essas medidas foram importantes para essa mudança (ICMBIO,2015). Para o sabiá-cica, suspeita-se que um leve declínio tenha ocorrido devido à perda de habitat. Através de alguns estudos e projetos  mostra-se que melhores medidas precisam ser tomadas para evitar que suas populações retornem a entrar em risco de extinção. (BIRDLIFE INTERNATIONAL,2014).

Para a conservação dos psitácideos  são fundamentais estudos na área da biologia e ecologia, seja no habitat natural ou em cativeiro. Desenvolver técnicas de manejo e reprodução em cativeiro, qualificação de tratadores e técnicos, incentivo aos programas de pesquisa e educação ambiental que promovem ações e estratégias que servem como base para serem desenvolvidas em criadores científicos ou comerciais, instituições de pesquisa e zoológicos. Também ajudam na conservação em longo prazo ( DIEGUES,2008; ZACARIOTTI et al., 2013).

Mariana Bianchini

Referências

BEISSINGER, S. R.; BUCHER, E. H. Can parrots be conserved through sustainable harvesting? BioScience, v. 42, n. 3, p. 164-173. 1992.

BIANCHI, C. A. C. Biologia Reprodutiva da arara-canindé (Ara ararauna, Psittacidae) no Parque Nacional das Emas, GO. Dissertação de Mestrado. Brasília: Universidade de Brasília. 1998.

BIRDLIFE INTERNATIONAL. IUCN Red list for birds. 2014. Disponível em: <http://www.birdlife.org/datazone/species/search>. Acesso em: 21 mar 2014.

CBRO. Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Listas das aves do Brasil. 12ª ed. 2015.

DIEGUES, S. O papel dos zoológicos paulistas na conservação da diversidade biológica. Trabalho de Conclusão de Curso. Rio Claro: Universidade Estadual Paulista. 2008.

GUSSET, M.; FA, J. E.; SUTHERLAND, W. J. The horizon scanners for zoos and aquariums. Zoo Biology, v. 35, p. 375-380. 2014.

ICMBIO. Papagaio-de-cara-roxa sai da lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. 2015. Disponível em:<http://www.icmbio.gov.br/cemave/destaques-e-noticias/74-papagaio-de-cararoxa-sai-da-lista-nacional-de-especies-ameacadas-de-extincao.html>. Acesso em: 16 fevereiro. 2018.

IUCN. The IUCN red list of threatened species. 2015. Disponível em: <http://www.iucnredlist.org>. Acesso em: 16 fevereiro. 2018.

MMA – Ministério do Meio Ambiente. Biodiversidade Brasileira. Disponível em: http://www.mma.gov.br/biodiversidade/biodiversidade-brasileira>. Acesso em: fevereiro de 2018.

OLAH, G. et al. Ecological and socio-economic factors affecting extinction risk in parrots. Biodiversity and Conservation, v. 2, p. 205-223, 2016.

PIACENTINI, V. Q., et al. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee / Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 23, n. 2, p. 91- 298, 2015.

SOUSA, M. M. R. R. Protocolo de criação à mão de psitaciformes para a Baby Station do Loro Parque. 2014. 42 f. Relatório de Estágio Final (Mestrado Integrado em Medicina Veterinária) – Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2014.

ZACARIOTTI, R. L.; BONDAN, E.; DURRANT, B. A importância da conservação ex situ para a preservação de espécies ameaçadas de extinção e/ou endêmicas. Herpetologia brasileira, v. 2, n. 2, p. 33-35. 2013.

WIKIAVES. Arara-azul-pequena. 2015a. Disponível em: <http://www.wikiaves.com.br/arara-azul-pequena>. Acesso em: 16 Janeiro. 2018.

WIKIAVES. Ararinha-azul. 2015b. Disponível em: <http://www.wikiaves.com.br/ararinha-azul>. Acesso em: 16 fevereiro. 2018.

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