A Anatomia Vegetal trata de temas relacionados à morfologia externa e principalmente interna. Ela pode ser utilizada como ferramenta para estudos ecológicos, econômicos e outras áreas tanto da Botânica quanto de outra ciência. A anatomia da planta reflete a situação ambiental, e pode ser algumas vezes um bioindicador. Para ter todas essas ferramentas à mão é necessário conhecimento básico da estrutura interna e externa do vegetal.
Essas descrições estão listadas abaixo:
A raiz faz parte do eixo da planta. É
em geral subterrânea e exerce funções de fixação da planta ao substrato e
de absorção de sais minerais (FERRI, 1990). Duas outras funções associadas
às raízes são as de armazenamento e condução
(RAVEN et al., 2007). A primeira raiz de uma planta com sementes desenvolve-se
a partir do promeristema da raiz (meristema apical) do embrião,
a qual desenvolverá a raiz pivotante, em geral denominada
raiz primária. Nas gimnospermas e angiospermas eudicotiledôneas a raiz pivotante
e suas raízes laterais, várias vezes ramificadas, constituem o sistema
radicular. Nas monocotiledôneas, a primeira raiz vive por apenas
um curto período de tempo e o sistema radicular da planta é formado por raízes
adventícias que se originam do caule (ESAU, 1974).
O ápice da raiz é recoberto pela coifa, que reveste e protege
o meristema apical e ajuda a raiz a penetrar no solo. A coifa é coberta por
uma bainha viscosa ou mucilagem, que lubrifica a raiz durante
sua penetração no solo (RAVEN et al., 2007). Algumas regiões da epiderme
das raízes são especializadas para a função de absorção:
são os pelos absorventes, expansões tubulares das células
epidérmicas da zona pelífera, sendo esta mais desenvolvida
nas raízes mais jovens (ESAU, 1974).
O córtex ocupa a maior parte da área no crescimento
primário (figura abaixo) em muitas raízes e é formado basicamente
por células parenquimáticas. As células corticais geralmente
armazenam amido (ESAU, 1974). A camada mais interna dessa
região é formada por células compactamente arranjadas, constituindo a endoderme.
Tais células apresentam poderosos reforços de suberina e/ou
lignina, os quais dificultam as trocas metabólicas entre
o córtex e o cilindro central, podendo ser arranjados em estrias de
Caspary ou reforços em “U” e “O” (GLORIA & GUERREIRO, 2003).
Algumas células não apresentam tais reforços (células de passagem),
permitindo a permuta de substâncias nutritivas (FERRI, 1990). O cilindro vascular
da raiz é constituído de periciclo – que desempenha funções
importantes, como a formação de raízes laterais –, câmbio vascular
nas plantas com crescimento secundário, tecidos vasculares primários (xilema
e floema) e células não-vasculares. O centro do órgão pode ser ainda preenchido
por células parenquimáticas, denominadas de parênquima medular
(RAVEN et al., 2007).

Esquema de raiz em crescimento primário em corte transversal
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O crescimento secundário (figura abaixo) em raízes, bem como nos caules, consiste na formação de tecidos vasculares secundários a partir do câmbio vascular e de uma periderme originada no felogênio (câmbio de casca). O câmbio vascular se inicia por divisões das células do procâmbio, que permanecem meristemáticas e estão localizadas entre o xilema e floema primários. Logo a seguir, as células do periciclo também se dividem e as células-irmãs internas, resultantes desta divisão, contribuem para formar o câmbio vascular. Um cilindro completo de câmbio da casca (felogênio), que surge na parte externa do periciclo proliferado, produz súber para o lado externo e felogênio para o lado interno. Estes três tecidos formados: súber, felogênio e feloderme constituem a periderme (RAVEN et al., 2007).

Esquema de raiz em crescimento secundário em corte transversal
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A associação do caule com a folha constitui
o sistema caulinar, originado a partir do desenvolvimento
do embrião (RAVEN et al., 2007). Diferente da raiz o caule divide-se
em nós e entrenós, com uma ou mais folhas
em cada nó. Dependendo do grau de desenvolvimento dos entrenós, o caule pode
assumir aspectos diferentes (ESAU, 1974).
As duas principais funções ligadas ao caule são suporte e
condução. As folhas, os principais órgãos fotossintetizantes
da planta, são sustentadas pelo caule, que as coloca em posições favoráveis
para a exposição à luz. As substâncias produzidas nas folhas são transportadas
para baixo pelo floema do caule para os sítios onde são necessárias, tais
como regiões em desenvolvimento de caules e raízes. Ao mesmo tempo, a água
e os nutrientes minerais são transportados de forma ascendente (para cima)
das raízes para as folhas através do xilema do caule (RAVEN et al.,
2007).
O meristema apical do sistema caulinar origina meristemas primários como os
encontrados na raiz: protoderme, procâmbio e meristema fundamental, que se
desenvolvem no corpo primário (figura
abaixo) da planta originando: epiderme, tecidos
vasculares (xilema primário e floema primário) e tecido fundamental, respectivamente
(RAVEN et al., 2007).
O córtex do caule geralmente contém parênquima com cloroplastos.
Os espaços intercelulares são amplos, mas às vezes limitados à parte média
do córtex. A parte periférica deste frequentemente contém colênquima,
disposto em cordões ou em camadas mais ou menos contínuas. Em algumas plantas,
é o esclerênquima e não o colênquima que se desenvolve como
tecido de sustentação. A parte mais interna do tecido fundamental, a medula,
é composta de parênquima, que pode conter cloroplastos (ESAU, 1974).

Esquema de caule em crescimento primário em corte transversal
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O crescimento secundário (crescimento em espessura) (figura abaixo) resulta da atividade de dois meristemas laterais: o câmbio vascular e o câmbio da casca, originados a partir dos meristemas primários, procâmbio e meristema fundamental de forma respectiva. O câmbio vascular será responsável pela produção de xilema e floema secundários no caule, resultando na formação de um cilindro de tecidos vasculares, dispostos radialmente. Comumente, muito mais xilema secundário do que floema secundário é produzido no caule, como acontece na raiz (RAVEN et al., 2007), causando a destruição da região medular (ESAU, 1974). Com o crescimento secundário o floema é empurrado para fora e suas células de parede fina são destruídas. Somente as fibras de parede espessa permanecem intactas. Como na maioria das raízes lenhosas, a formação da periderme ocorre após o inicio da produção de xilema e floema secundário. Substituindo a epiderme como revestimento de proteção, a periderme consiste em: feloderme, felogênio (câmbio da casca) e súber (felema) (RAVEN et al., 2007).

Esquema de caule em crescimento secundário em corte transversal
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Os caules podem apresentar diversas modificações e desempenhar funções distintas de acordo com suas necessidades adaptativas, como os aéreos a exemplo das gavinhas (auxiliam no suporte), os subterrâneos no caso dos tubérculos e bulbos (armazenamento de nutrientes) e os suculentos (armazenamento de água) (RAVEN et al., 2007).
A palavra folha deriva do latim
folia e refere-se a expansões laterais do caule. As folhas são em geral clorofiladas
e com crescimento limitado (OLIVEIRA & AKISUE, 2003).
O embrião, em especial a gêmula do embrião, é o ponto de origem das primeiras
folhas do vegetal. As folhas subsequentes originam-se como expansões laterais
exógenas dos caules. Caule e folha possuem origem comum, diferindo estruturalmente
na disposição relativa dos tecidos. Além disso, a folha difere-se do caule
em seu desenvolvimento devido as suas funções (OLIVEIRA & AKISUE, 2003).
A folha completa possui limbo (lâmina), pecíolo
e uma base que pode ser provida de estípulas e/ou bainha
(OLIVEIRA & AKISUE, 2003). Folhas sem pecíolo são chamadas de sésseis.
As folhas podem ser simples (limbo completo) ou compostas
(limbo dividido) (RAVEN et al., 2007). São constituídas pelos seguintes
tecidos: epiderme, parênquimas e tecidos vasculares (OLIVEIRA & AKISUE,
2003).
As células epidérmicas da folha estão muito justapostas e cobertas pela cutícula,
uma camada lipídica que reduz a perda de água. Os estômatos
podem ocorrer em ambos os lados da folha ou somente em um lado, comumente
o inferior. Os tricomas são anexos epidérmicos presentes
em muitas folhas. Podem ser glandulares, produzindo compostos
químicos de defesa e atração de polinizadores ou ainda tectores,
promovendo defesa física do vegetal (OLIVEIRA & AKISUE, 2003). Coberturas
espessas de tricomas e resinas secretadas por alguns deles, podem diminuir
a perda de água pela folha (RAVEN et al., 2007).
Existem ainda células epidérmicas diferenciadas em folhas de algumas espécies
vegetais, as células buliformes, responsáveis pela movimentação
destes órgãos como enrolamento, fechamento etc. (RAVEN et al., 2007).
O mesofilo é composto basicamente por células parenquimáticas,
sendo permeado por numerosas nervuras (feixes vasculares), que são contínuas
com o sistema vascular do caule (RAVEN et al., 2007). Ele pode ser
homogêneo (células parenquimáticas indiferenciadas) ou diferenciado em paliçádico
e lacunoso (OLIVEIRA & AKISUE, 2003), como pode ser visto
na Figura abaixo:

Esquema de folha em corte transversal
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As folhas podem ser muito diferenciadas em formas e funções no vegetal (RAVEN et al., 2007).
Exemplos:
Catáfilos ou Escamas: folhas suculentas que ocorrem em caules subterrâneos e armazenam substâncias nutritivas.
Brácteas: folhas com cores diferenciadas que atraem polinizadores exercendo importante papel na reprodução.
Antófilos ou folhas florais: sépalas e pétalas.
Espinhos: folhas modificadas que protegem o vegetal contra herbivoria e diminuem a superfície de contato com o ambiente, reduzindo assim a perda de água por transpiração.
Gavinhas: folhas muito finas que se enrolam em algum suporte para fixação do vegetal ou maior absorção de luz.
Fatores ambientais, especialmente a luz, podem ter efeitos sobre as folhas. Espécies que crescem sob alta intensidade luminosa podem ter folhas mais espessas e menores que as que crescem na sombra (RAVEN et al., 2007).
Referências
ESAU, K. Anatomia das plantas com sementes. São Paulo: Edgard Blucher, 1974/200. 293 p.
FERRI, M. G. Botânica: Morfologia nterna das Plantas (Anatomia). São Paulo: Edições Melhoramentos, 1970.
GLORIA, B. A.;
GUERREIRO, S. M. C. Anatomia Vegetal. Viçosa: UFV, 2003.
438 p.
OLIVEIRA F.; AKISUE G. Fundamentos de Farmacobotânica.
2ª ed., Atheneu, 2003.
RAVEN P. H.; EVERT R. F.; EICHHORN S. E. Biologia Vegetal. 7th ed. Editora Guanabara Koogan S. A., Rio de Janeiro, 2007.
Fonte: www.cb.ufrn.br