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Tardigrada

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Posição Sistemática

Reino: Animalia
Sub reino: Metazoa

Filo Tardigrada

Classe Heterotardigrad
Classe Mesotardigrada
Classe Eutardigrada

Número de espécies

No mundo: 136 (marinhas)
No Brasil: 6 (marinhas)

Latim: tardus = lento; gradus = andar

Nome vernáculo: tardigrado

Os tardígrados marinhos ocorrem nos espaços intersticiais dos primeiros centímetros de areia da zona litoral, no limo orgânico de algas, em carapaças de cracas e outros substratos, incluindo um ectoparasita de invertebrados marinhos (Tetrakentron synaptae), e no sedimento de mares profundos.

Apesar de serem cosmopolitas, incluem algumas famílias com distribuição diferenciada: os Batillipedidae são tipicamente mesopsâmicos e intertidais, enquanto os Halechiniscidae habitam as zonas subtidais. Este tipo de distribuição é relacionado à forma geral do corpo e às adaptações dos apêndices locomotores.

A história do conhecimento dos tardígrados marinhos no Brasil resume-se principalmente aos estudos realizados em São Paulo, em meados deste século, pelo Prof. Dr. Ernst Marcus e por sua esposa, a Sra. Eveline Du Bois-Reymond Marcus (Marcus, 1946; Marcus, E. du B.-R., 1952). Outras contribuições foram dadas por Höfling-Epiphanio (1972). Medeiros (1987) relatou a presença maciça de Tardigrada numa praia da Ilha Anchieta, SP, em seu estudo sobre meiobentos no Brasil. Corrêa (1987) organizou informações sobre técnicas de coleta e preparação empregadas para o filo.

Tardigrada
Tardígrado

Estudos meiofaunísticos realizados em Pernambuco pela Profa. Dra. Verônica da Fonsêca-Genevois e sua equipe forneceram material que foi descrito por Renaud-Mornant (1990). Desde então, pouco foi feito em prol do conhecimento da diversidade dos tardígrados marinhos no Brasil e no estado de São Paulo, a não ser por alguns registros de ocorrência de exemplares do filo em amostragens realizadas em estudos de meiofauna.

A despeito da possibilidade de existir uma grande diversidade de Tardigrada no nosso litoral, permanecemos aquém das expectativas em se tratando de investigações e contribuições para o conhecimento do grupo.

Os tardígrados dulciaqüícolas apresentam grande diversidade morfológica. Enquanto os representantes das ordens Heterotardigrada Marcus, 1927 e Mesotardigrada Rahm, 1937 possuem apêndices sensoriais cefálicos, que são utilizados como caracteres diagnósticos importantes, os representantes da ordem Eutardigrada Marcus, 1927 não os apresentam. Além disto, os Eutardigrada não possuem a cutícula de quitina ornamentada e dividida em placas, caráter muito importante entre a maioria dos Heterotardigrada. Alguns são cosmopolitas, enquanto outros têm distribuição mais restrita. Ocorrem em vários tipos de ambientes, tais como musgos e líquens, na terra, em folhiços, no sedimento ou sobre algas e plantas submersas de lagos, rios, poças etc. Apesar de não possuírem importância econômica, são fundamentais nos estudos de filogenia de Metazoa.

Fonte: www.biomania.com

Tardigrada

Tardígrados? O que são?

Os Tardígrados são animais de pequenas dimensões (0,05 a 1,5 mm) que constituem um filo independente, aparentado com os Artrópodes (grande grupo zoológico que inclui insetos, crustáceos, aracnídeos, miriápodes…).

Os raríssimos registos fósseis de Tardígrados apontam para uma origem há cerca de 600 milhões de anos no Pré-Câmbrico.

Terão sido observados pela primeira vez em 1773 por J. A. E. Goeze, pároco duma pequena localidade alemã (Quedlinburg, Harz), que os designou “Kleiner Wasser Bär”, em português Ursinhos-de-água.

O nome Tardígrado foi atribuído em 1776 por Lazzaro Spallanzani, professor de História Natural na Universidade de Pádua, Itália, vem do latim tardus = lento + gradus = passo, tendo sido inspirado na forma como estes animais se movimentam.

Onde se encontram?

Conhecem-se cerca de 1000 espécies, desde formas marinhas, de água doce e limnoterrestres, isto é, de ambientes semi-aquáticos, tais como as gotículas de água que existem em musgos, líquenes, manta-morta, solo, etc.

Podem encontrar-se em praticamente todos os locais do mundo, mesmo aqueles em que as condições de vida são muito adversas, desde regiões secas a florestas húmidas, altas montanhas, Antártida, etc.

As formas marinhas estão presentes em todos os oceanos, desde zonas costeiras intertidais até profundidades abissais, vivendo em sedimentos mais ou menos finos, rochas e algas.

Também se podem encontrar em estuários de água salobra. Pensa-se que a dispersão dos Tardígrados deverá ser fortemente influenciada pelas correntes e ventos.

Os Tardígrados alimentam-se dos fluidos celulares de bactérias, algas, outros pequenos invertebrados (como nematodes e rotíferos), conhecendo-se apenas uma espécie marinha parasita de holotúrias.

Tardigrada
Um tardígrado da classe Heterotardigrada. Repare-se na cutícula subdividida em placas dorsais

Tardigrada
Um tardígrado da classe Eutardigrada. Repare-se na cutícula lisa e no aparelho bucal visível por transparência

Tardigrada
Habitat típico de tardígrados marinhos

Qual é o seu aspeto morfológico?

Os Tardígrados são caracterizados por possuírem um corpo robusto subdividido em cinco segmentos, o primeiro correspondente à zona cefálica, os restantes, cada um com um par de pés não articulados, chamados lobópodes, constituem o tronco. Cada um dos oito pés termina em dedos, discos adesivos ou garras.

O corpo é coberto por uma cutícula por vezes dividida em placas ornamentadas e pigmentadas. O crescimento, tal como nos Artrópodes, dá-se por mudas (ecdysis).

Há evidências de que os Tardígrados são animais eutélicos, nome dado aos organismos em que, durante o crescimento, não há multiplicação do número de células, mas antes um aumento do volume de cada uma delas.

Apresentam sistema nervoso com órgãos sensíveis à luz e outras estruturas sensoriais; sistema excretor, músculos desenvolvidos, e um aparelho digestivo completo com uma região buco-faríngea sugadora única e muitíssimo complexa. Não têm aparelho respiratório nem sistema circulatório.

A cavidade do corpo (hemocélio) está preenchida por um fluido no qual se movimentam células especiais, os glóbulos cavitares, que desempenham funções respiratórias, circulatórias e, eventualmente, também excretoras. O aparelho reprodutor é constituído por uma gónada ímpar colocada dorsalmente.

Com base nas características morfológicas, o filo Tardigrada foi subdividido em três classes:

HETEROTARDIGRADA,

EUTARDIGRADA e

MESOTARDIGRADA

Os Heterotardigrada são caracterizados por possuírem uma cutícula subdividida em placas; cirros cefálicos e papilas sensoriais e, geralmente, quatro garras, dedos ou discos adesivos em cada lobópode.

Nos Eutardigrada a cutícula, geralmente lisa, não é subdividida em placas, o bolbo bucal apresenta placóides (barras cuticulares dispostas em fi adas) separados, e, em cada lobópode há duas diplogarras (garra com dois ramos, um principal e um secundário).

A classe Mesotardigrada, com características intermédias, é hoje considerada duvidosa. Com efeito, esta classe é representada por uma única espécie descoberta em 1937 numa fonte termal no Japão. Acontece que as preparações microscópicas usadas na descrição original se perderam e não voltaram a ser encontrados novos exemplares dessa espécie.

Aspeto das garras de tardígrados

Tardigrada
Quatro garras separadas típicas dos Heterotardigrada

Tardigrada
Diplogarras típicas dos Eutardigrada. Barra da escala = 10µm

Como se reproduzem?

Nos Tardígrados conhecem-se formas dióicas em que há sexos separados. Nestas formas, os machos fixam-se tenazmente às fêmeas durante a cópula com a ajuda das garras do primeiro par de patas. Há também formas hermafroditas em que os indivíduos têm possibilidade de autofecundação, e formas partenogenéticas.

Nos Tardígrados a reprodução partenogenética designa-se telitoquia. Trata-se de uma forma muito interessante de partenogénese em que não há machos.

As fêmeas produzem ovos que não são fecundados mas dos quais se originam novas fêmeas.

Os ovos são postos isoladamente e podem ter o corion ornamentado com processos mais ou menos complexos, ou então são depositados na velha cutícula no momento da muda. A ornamentação dos ovos constitui uma importante ferramenta taxonômica, pois é diferente de espécie para espécie. Por vezes os indivíduos pertencentes a duas espécies distintas são idênticos mas a ornamentação dos ovos de cada uma dessas espécies é diferente.

O desenvolvimento é direto, quer isto dizer que não há metamorfoses, sendo os juvenis muito semelhantes aos adultos. Estes juvenis são por vezes chamados larvas pois, relativamente aos adultos, apresentam um número mais reduzido de garras em cada lobópode (geralmente duas em vez de quatro) e tanto o ânus como o orifício genital estão ausentes.

Tardigrada
Detalhes do aparelho bucal de quatro espécies diferentes de Eutardígrados. Barra da escala = 10µm

Criptobiose?

Os Tardígrados são os campeões da criptobiose. Com efeito, uma das características mais interessantes deste grupo de animais reside no fato de serem capazes de reduzir drasticamente o metabolismo, mantendo-se num estado de dormência (anabiose) que pode chegar a uma situação em que não se detetam sinais de atividade metabólica (criptobiose), durante períodos de tempo em que as condições ambientais lhes são desfavoráveis.

De acordo com o tipo de condição desfavorável a criptobiose pode assumir diferentes formas: Anidrobiose em resposta à secura; anoxibiose em resposta à falta de oxigénio; osmobiose em resposta a alterações de pressão; e criobiose em resposta a temperaturas extremamente baixas. Desta forma podem sobreviver à secura extrema, a temperaturas da ordem de -270º C.

Os Tardígrados também são capazes de resistir a altas concentrações de substâncias tóxicas (álcool absoluto, por exemplo), ao vácuo a altas radiações, etc.

Podem regressar ao estado ativo ao fi m de cerca de uma dezena de anos em criptobiose (nunca os mais de 100 anos que alguns relatos fantasiosos indicam).

São verdadeiros sobreviventes no tempo e no espaço.

Tardigrada
A extremidade anterior de um tardígrado (Heterotardigrada), sendo visíveis os apêndices cefálicos e algumas estruturas sensoriais,
como os olhos e a clava (dilatação na base dos apêndices). Barra da escala = 10µm

Investigação futura?

Os Tardígrados constituem um grupo animal ainda muito enigmático. O estudo científi co destes animais foi, no passado, muito negligenciado. As causas para este estado de coisas residirão nas difi culdades de estudo, sobretudo de ordem técnica, e no fato de estes animais serem aparentemente destituídos de interesse económico. Contudo, devido às suas particularidades fi siológicas, assiste-se atualmente a um forte avanço na investigação sobre a sua biologia. Com efeito, foram-lhes reconhecidas capacidades únicas, nomeadamente ao nível da reparação do ADN, com potencial aplicação em investigação médica (oncologia e envelhecimento) e biotecnológica. É ainda interessante referir a sua recente utilização como modelo em Astrobiologia. Estes organismos, no âmbito do projeto TARDIS (TARDigrades In Space) e TARSE (TArdigrade Resistance to Space Effects) da Agência Espacial Europeia, participaram em várias missões, tendo sido submetidos a experiências sobre sobrevivência em condições extremas, em espaço aberto, tendo suportado o vácuo, raios cósmicos e radiações ultravioletas mil vezes superiores às da Terra. Apesar destes aspetos tão interessantes e inovadores, há ainda um árduo trabalho a desenvolver no âmbito da investigação mais tradicional, sendo inúmeras as oportunidades de investigação em domínios como a evolução, fi logenia e diversidade, a dinâmica de populações, a zoogeografi a, o comportamento, a fi siologia e bioquímica, etc

Fonte: www.parquebiologico.pt

Tardigrada

FILO TARDIGRADA: DESCRIÇÃO E SISTEMÁTICA

RESUMO

Tardigrada é um grupo de pequenos animais altamente especializados, comumente chamados de ursos-d’água. Movem-se lentamente, rastejando e utilizando os ganchos nas extremidades de suas pernas para fixar-se ao substrato. Apresentam uma distribuição bem diversificada, sendo encontrados numa grande variedade de nichos terrestres, de água doce, e ambientes marinhos por todo o mundo, variando de abismos no fundo do mar às montanhas mais altas. A maioria dos tardígrados alimenta-se do conteúdo de células vegetais, enquanto outros alimentam-se de algas e talvez de detritos, e alguns são predadores de nemátodos e de outros tardigrados.

1.DESCRIÇÃO

Tardigrada é um grupo de pequenos animais altamente especializados, comumente chamados de ursos-d’água. Podem atingir 1,2mm, embora a maioria não ultrapasse 0,5mm.

Movem-se lentamente, rastejando e utilizando os gancos nas extermidades de suas pernas para fixar-se ao substrato (XXX). Apresentam uma distribuição bem diversificada, sendo encontrados numa grande variedade de nichos terrestres, de água doce, e ambientes marinhos por todo o mundo, variando do abismo no mar fundo às montanhas mais altas (RAMAZZOTTI E MAUCCI, 1983; KINCHIN, 1994).

A maioria dos tardígrados alimenta-se do conteúdo de células vegetais, que são perfuradas com um aparelho bucal em forma de estilete, que lembra o dos nemátodos e dos rotíferos herbívoros. Os tardígrados de solo alimentam-se de algas e talvez de detritos, e alguns são predadores de nemátodos e de outros tardigrados (RUPPERT et al., 2003).

São predominantemente dióicos (poucos são hermafroditas), com uma única gônada sacular (testículo ou ovário) acima do intestino. As fêmeas, frequentemente, são mais numerosas, e em alguns gêneros (p.ex., Echiniscus), desconhecem-se machos. O acasalamento e a postura, de 1 a 30 ovos (dependendo da espécie), ocorrem no momento da muda. Dependendo das condições ambientais, os tardígrados aquáticos podem colocar ovos de casca fina quando as condições são favoráveis e ovos de casca mais espessa quando as condições não são favoráveis. O desenvolvimento é direto e rápido (aproximadamente 14 dias), com clivagem holoblástica sem padrão espiral ou radial típico. Podem ocorrer até 12 mudas durante a vida do animal, o qual se estima de 3 a 30 meses (RUPPERT et al., 2003).

Os animais que vivem no musgo entram em criptobiose á medida que o habitar se resseca, podendo permanecer dormentes por 7 anos ou mais. Após repetidos períodos de criptobiose, podem estender sua expectativa de vida para 70 anos ou mais (RUPPERT et al., 2003).

2.Sistemática

Baseado em caráteres morfológicos, o filo é dividido em duas classes importantes: Heterotardigrada e Eutardigrada. Uma terceira classe, Mesotardigrada, baseou-se numa única espécie, Thermozodium esakii Rahm, sendo de classificação duvidosa (T. esakii não existe mais e a localidade, uma fonte termal no Japão, foi destruída num terremoto. Procuras subseqüentes para a espécie foram infrutíferas).

A Classe Heterotardigrada abrange duas ordens: Arthrotardigrada e Echiniscoidea. O Arthrotardigrada é marinho (com uma exceção) e normalmente tem um cirrus mediano na cabeça e pernas telescópicas com 4-6 dedos com garras e/ou complexos discos adesivos; o Echiniscoidea são espécies principalmente terrestres com uma cutícula espessa, mas há espécimes marinhos e de água doce com cutículas delgadas e com pernas telescópicas suportando até 13 garras. A classe Eutardigrada inclui Apochela (terrestre) e Parachela (principalmente terrestre e de água doce, com algumas espécies marinhas); as suas pernas terminam em garras (Schuster et al., 1980).

3.Caráteres Taxonômicos

As duas classes principais são separadas por caráteres taxonômicos das garras e/ou discos adesivos, cutícula, apêndices cefálicos, aparelho de bucal, e estruturas reprodutivas. A classe Heterotardigrada é caracterizada pela presença de céfalo, tronco e apêndices; gonoporo separado do ânus; ausência de túbulos de Malpighi; placóides consistindo de três elementos, estruturas de cutícula (Ramazzotti e Maucci, 1983; Kristensen, 1987). Em contraste, a classe Eutardigrada tem papilas cefálicas só em Apochela (não-homóloga aos apêndices cefálicos em Heterotardigrada); gonóporo e ânus combinados formando uma cloaca; presença de túbulos de Malpighi; placóides consistindo em três jogos de estruturas espessas cuticulares (Ramazzotti e Maucci, 1983; Schuster et al., 1980; Guidi e Rebecchi, 1996).

Carlos Henrique de Oliveira Filipe

Fonte: www.webartigos.com

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