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Células-Tronco

 

Células-Tronco
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1 INTRODUÇÃO

As células-tronco são células não especializadas com grande potencial de autorenovação, capaz de originar diferentes tipos de tecidos no organismo.

São divididas em células tronco-adultas e células-tronco embrionárias.

Utilizadas há décadas, o exemplo mais conhecido é o transplante de medula óssea para tratar leucemia e outras doenças do sangue; a técnica funciona porque a medula está cheia de células-tronco sanguíneas. Até agora, em todas essas terapias foram usadas as células-tronco adultas – um termo adequado, visto que a fonte seria uma pessoa adulta.

Estas são encontradas nas células de cordão umbilical, da placenta e medula óssea.

O principal objetivo das pesquisas com células-tronco é usá-las para recuperar tecidos danificados por essas doenças, como leucemia entre outros traumas, e oferecem baixo risco de rejeição nos tratamentos médicos, porém já que as células adultas utilizadas dão origem a células do mesmo tipo, pode haver risco de aparecimento de tumores, por isso é essencial monitorar constantemente o desenvolvimento das células tronco aplicadas nos pacientes.

As células-tronco embrionárias são aquelas extraídas ainda na fase embrionária e são uma fonte potencialmente mais adequada porque nenhuma de suas células se especializou ainda. Através do método da clonagem terapêutica, várias lesões e doenças degenerativas seriam resolvidas.

O Procedimento envolve a retirada de células de um embrião de uma semana (blastocisto), uma massa microscópica de 50 a 100 células. Os embriões normalmente são doados por casais que se submeteram à fertilização in vitro e que os descartariam.

Ao contrário das células-tronco adultas, as embrionárias não podem ser usadas diretamente em tratamentos médicos porque causam câncer.

Na tentativa de controlar as objeções éticas à destruição de embriões humanos para fins de pesquisa, alguns cientistas vêem explorando fontes alternativas de célulastronco embrionárias.

As pesquisas genéticas e os tratamentos com células-tronco recebem fortes críticas de diversos setores da sociedade, em especial dos religiosos. Por considerarem os embriões como sendo uma vida em formação, religiosos conservadores afirmam que manipular ou sacrificar embriões de seres humanos constitui um assassinato. Em países mais conservadores, as pesquisas estão paradas ou limitadas à utilização das células adultas.

A questão que se coloca nos debates é justamente neste sentido: “Devemos evoluir a medicina e buscar a cura de doenças a qualquer preço”. Apesar de muitos cientistas desconsiderarem movimentos contrários à utilização de embriões humanos em pesquisas, a influência desses grupos, religiosos ou não, não é pequena. Sua atuação e opinião contrárias influenciam muitos países católicos, e fazem grande diferença para a formulação de legislações e decisões políticas.

O argumento contra a utilização de embriões humanos em pesquisa científica, que parte dos católicos, é de que os embriões devem ser considerados como seres humanos, pois a vida começaria no momento da concepção. Algumas ONGs também defendem a oposição à pesquisa com embriões baseando-se nesse argumento.

Soma-se a ele a afirmação de que é possível realizar pesquisas com células-tronco que não utilizem embriões humanos. Cada vez mais os embates trazidos pelas novas tecnologias colocam em evidência os limites e a liberdade do fazer ciência, e trazem à tona uma série de rupturas de conceitos e interesses de distintos grupos da sociedade. Estão em jogo interesses políticos, religiosos, científicos e econômicos. A articulação dessa série de interesses sinaliza mais claramente para o fato de que a ciência não é neutra, nem objetiva, e que as decisões em torno de suas aplicações e rumos certamente não poderão ser puramente científicas.

Tivemos como principal objetivo, mostrar as inúmeras evoluções da ciência, com o uso das células-tronco, tanto as adultas quanto as embrionárias. Também visamos mostrar os diversos pontos de vista a respeito desse assunto como, por exemplo, dos pacientes e da comunidade científica. Além disso, o posicionamento dos principais países que realizam estudos com células-tronco também está relatado neste trabalho.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Foi realizada uma revisão bibliográfica em artigos científicos, na mídia e em diversos materiais de divulgação com objetivo de obter resultados e opiniões de pesquisadores de diversos países com relação à utilização de células-tronco para fins medicinais, e a legalização do uso de células-tronco em determinados países. Obtivemos também depoimentos de pessoas, que quando doentes, não hesitaram no uso dessas, também chamadas, células-mãe.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Parecer de pesquisadores de diversos países

Brasil

*Mayana Zatz: 55 anos, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP (Universidade de São Paulo).

“Acho muito importante [a participação da sociedade na tomada de decisões], porém eu noto que existe uma grande desinformação. Quando nós falamos de embriões, muita gente acha que nos referimos à fetos, com perninhas e bracinhos. Mas nos referimos a montinhos de células menores que a cabeça de um alfinete, a embriões que têm um potencial de vida baixíssimo. O mesmo aconteceu quando se pensou em fazer transplantes de órgãos. Também houve uma revolta na sociedade, mas hoje muitas vidas são salvas”.

Estados unidos

*Jong-Hoon Kim, do National Institute of Neurological Disorders and Stroke.

"Nós esperamos que o uso de células-tronco venha a se tornar uma das melhores formas de cura de certas doenças, mas eu penso que ninguém sabe ao certo quando isso pode acontecer".

Canadá

*Michael Rudnicki: diretor do Sprott Center para Pesquisa de Células-Tronco no Ottawa Health Research Institute (OHRI).

“Creio que a esperança esteja em compreender o controle e a trajetória molecular das células”

Japão

*Shinya Yamanaka: pesquisador da Univeridade de Kyoto.

“Eu acredito que as células-tronco seja uma das descobertas mais excitantes da ciência. Algumas pessoas já podem voltar a sonhar”.

3.2 Legislação dos principais países para utilização de células-tronco

Recentemente, alguns países criaram leis que estabelecem as regras para a pesquisa com células-tronco extraídas de embriões humanos, a chamada clonagem terapêutica.

Reino Unido

Desde o início de 2002 permite a pesquisa com células-tronco embrionárias especialmente criadas para esse fim. Também autoriza a clonagem terapêutica, desde que a partir de embriões de no máximo 14 dias de vida. Duas equipes já receberam o sinal verde para clonar embriões humanos com fins terapêuticos.

Coréia do Sul

Em fevereiro de 2004, uma equipe sul-coreana foi a primeira do mundo a conseguir clonar embriões humanos e deles extrair células-tronco embrionárias. No entanto, apenas no final do ano passado o governo de Seul definiu oficialmente sua política para o setor. A pesquisa com embriões e a clonagem terapêutica foram aprovadas.

Japão

Embora não haja uma lei regulamentando o assunto, o Ministério da Saúde autorizou, em julho do ano passado, as pesquisas com células embrionárias e a clonagem terapêutica.

Brasil

A Lei de Biossegurança legaliza a pesquisa com células-tronco embrionárias se extraídas de embriões excedentes, não utilizados para fins reprodutivos por casais com problemas de infertilidade, desde que se encontrem congelados há três anos. É preciso consentimento do casal que gerou os embriões para que eles sejam destinados à ciência. Embriões inviáveis para a reprodução humana também podem ir para a pesquisa. Proíbe-se a clonagem terapêutica.

Estados Unidos

Desde agosto de 2001, o presidente George Bush só destina verba federal a estudos feitos com as poucas linhagens de células-tronco embrionárias que haviam sido criadas até aquela data. Mas os estados têm autonomia para criar leis próprias e a iniciativa privada também pode bancar as pesquisas. No ano passado, a Califórnia aprovou US$ 3 bilhões para estudos com células embrionárias e clonagem terapêutica.

França

Em agosto de 2004, uma revisão da lei de bioética autorizou, por um período de cinco anos, o início de pesquisas com células embrionárias a partir de material excedente mantido em clínicas de reprodução artificial. A clonagem terapêutica permanece vetada.

Alemanha

Autoriza a pesquisa com células embrionárias, desde que as linhagens estudadas sejam trazidas do exterior e tenham sido criadas antes de 1º de janeiro de 2002.

É preciso requerer uma autorização para importar as linhagens. A rigor, a lei inviabiliza o desenvolvimento dessa área de pesquisa.

Portugal

Reina um vazio jurídico sobre a questão. Na prática, as pesquisas com células embrionárias não estão autorizadas.

Inglaterra

Foi o primeiro país a liberar, em agosto de 2000, os experimentos com células-tronco de seres humanos. No restante da Europa, o assunto ainda é motivo de restrições éticas. Países como Austrália e Israel já se posicionaram a favor das pesquisas.

A Lei Judaica - (Halachá)

Não faz objeção ao uso de um embrião em estágio tão primário. De acordo com o presidente da Comissão Bioética do Conselho Rabínico da América, um óvulo fertilizado in vitro não tem "humanidade". Sem a implantação em um útero permanece um zigoto ou pré- embrião, não sendo vista a destruição do mesmo como um aborto.

3.3 Depoimento de pacientes que defendem o uso das células-tronco

1. Marcelo Yuca – 38 anos, ex-baterista do grupo Rappa, Em novembro de 2000, Yuca ficou paraplégico depois de levar nove tiros.

“Não podemos ficar sob a supervisão da ética católica que proíbe até a camisinha. Que tipo de pudor é esse que veta uma possibilidade não para uma doença, mas muitas?”

2. Hermano Paez Vianna – pai de Herbert Viana, cantor dos Paralamas do Sucesso.

“Se as células congeladas são vida, deveriam ser batizadas e enterradas, em vez de serem jogadas fora. Se é vida, não pode ir apara o lixo”

3. Georgette Vidor – treinadora de ginástica rítmica.

“Fico frustradíssima com a pressão para impedir o avanço das pesquisas. É uma vergonha. Os parlamentares não podem ter falta de conhecimento. Não dá. As religiões não podem agir assim. As pessoas estão perdendo suas vidas. Nem é para mim, porque eu não estou morrendo, mas e os pacientes com distrofia? Eles estão matando essas pessoas”

4 CONCLUSÃO

As pesquisas com células-tronco constituem-se num verdadeiro avanço da Ciência. Mas, com a falta de apoio de certos governos, o preconceito da sociedade e a própria conscientização dos pesquisadores em geral, ainda não se sabe até que ponto é vantajoso a sua utilização. Nota-se desde já que a maioria das pessoas que realmente apóiam o uso de células tronco estavam ou estão doentes, muitas vezes se sujeitando a serem cobaias, acreditando que aquela pode ser a sua única chance de cura, o que muitas vezes é.

O nosso ponto de vista é bem claro quanto a isso, apoiamos totalmente o uso de células-tronco adultas e embrionárias visto já ter salvado tantas pessoas com doenças sem cura. E, ao contrário do que muitos acreditam, os embriões dos quais são retiradas as células-tronco embrionárias não são bebês, são amontoados de células que nem podem ser vistas a olho nu. Não podem ser considerados “uma vida” pois, se fosse assim, as mulheres não poderiam menstruar, pela perda de óvulos, e os homens não poderiam jogar no lixo seus espermatozóides, como o fazem! Se não fosse o trabalho de tais cientistas, o mundo ainda morreria de qualquer doença.

As células-tronco já são uma luz no meio do túnel.

Juliana de Souza Neves Arante¹, Cristiane Tagliari Correa², Daiani da Cruz Hartman³, Juliet Stefani Lourenço de Aguiar, Rafael Macedo,Monique Jaqueline Pereira.

1Orientadora. Bióloga. Mestranda em Educação Científica e Tecnológica. Professora do CASCGO. 2Engenheira química. Doutora. Professora do CASCGO. 3 a 6Alunos do curso Técnico em Agropecuária.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

WIKIPEDIA. Células Tronco. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula-tronco>. Acesso em: 17 ago. 2007.
CIÊNCIA. Células Tronco. Disponível em: <http://www.comciencia.br/reportagens/celulas/01.shtml>. Acesso em: 16 ago. 2007.
COOKSON, Clive. Células Tronco Restauradores da Vida. Disponível em: <Scientific American>. Acesso em: 15 ago. 2005.
MENDES, Cristina. Células Tronco. Disponível em: <http://www.curapelamente.net/Celulastronco.html>. Acesso em: 27 ago. 2007.

Fonte: www.caaq.ufsc.br

Células-Tronco

As células-tronco têm três características importantes que as distinguem de outrostipos celulares. Em primeiro, elas são células não-especializadas, queserenovam pormeio de divisão celular. Outra característica é que são células não-diferenciadas e,portanto,não-especializadas.Por fim,sob certascondiçõesfisiológicaseexperimentais, podem serinduzidas a tornarem-secélulas com funções especiais, taiscomo células contráteis demúsculo cardíaco.

Aterapia celular, baseada na utilização das células-tronco, podeserdefinida como umgrupo detecnologias quedependem da reposição decélulas doentes ounão funcionaisporcélulas saudáveis. Essas novas técnicas estão sendo aplicadas em um amploespectro dedoenças humanas, incluindo muitos tipos decâncer, doenças neurológicas,como Parkinson, injúrias da medula espinhal,diabetes edoenças cardíacas.

Há dezenas detipos diferentes decélulas especializadas no organismo adulto. Todaselas possuem funções específicas para o tecido quecompõem. Porexemplo, célulasespecializadas no músculo cardíaco contraem ritmicamenteenquanto quecélulas dopâncreas produzem insulina.

As células têm um período determinado devida eeventualmentemorrem. A maioriadas células do organismo sedivideeduplica ao longo da vida, mas algumas célulasnão se repõem ou fazem em tão pequeno número que não conseguem reporaquantidadenecessária com rapidezsuficientepara combateras doenças do tecido queas contém.

As células-tronco são células primitivas que dão origem a outros tipos, tambémchamadas deprogenitoras.

Há vários tipos decélulas-tronco:

1. células totipotentessão consideradas as células mestres do corpo, pois contém ainformação genética necessária para criartodas as células do corpo mais a placenta,quenutreo embrião
2.
o próximo estágio dedivisão resulta em células pluripotentes, altamenteversáteisequepodem darorigem a qualquertipo decélulas, exceto a placenta
3.
as células, no estágio seguinte, tornam-se multipotentes, isto é, podem darorigem a vários outros tipos celulares, mas em número limitado. Um exemplo são ascélulas hematopoiéticas, que podem se desenvolver em vários tipos de célulassanguíneas, mas em células cerebrais.

Ao finalda cadeia dedivisão celularestão ascélulas definitivamente diferenciadas e consideradas permanentementecomprometidascom uma função específica.

Os cientistas trabalham com 2 tipos de células-tronco de seres humanos: embrionárias (pluripotentes) e adultas (multipotentes), cujas funções ecaracterísticas são diferentes.

As embrionárias, como o próprio nome sugere, são derivadas de embriões.Especificamente, células-tronco embrionárias são derivadas de embriões que sedesenvolvem de óvulos fertilizados —in vitro“e doados para propósitos de pesquisacom o consentimento dos doadores.

Eles não sãoderivados de óvulos fertilizados no corpo da mulher. Estes embriões tem tipicamente 4 ou 5 dias de idade e são, nomicroscópico, uma bola oca decélulas chamada blastocisto.

Já as adultas são células indiferenciadas encontradas entre células diferenciadas dentro de um tecido ou órgão, podem se renovar e podem se diferenciar para produzir tipos especializados. O papel primário das células-tronco adultas em um organismo vivo é manter e reparar o tecido no qual elas são encontradas.

Alguns cientistas usam o termo célula- tronco somática. Diferentemente das embrionárias, que são definidas pela sua origem (a camada de células interna do blastocisto), a origem das células-tronco adultas em tecidos maduros é desconhecida.

Muitos experimentos ao longo dos últimos anos têm demonstrado que as células tronco de um tecido estão habilitadas para originar tipos celulares de um tecido completamente diferente, um fenômeno conhecido como plasticidade. Exemplos de tal plasticidade incluem células sangüíneas que se tornam neurônios, células hepáticas que podem ser induzidas a produzir insulina e células-tronco hematopoiéticas, que podem se desenvolver em músculo cardíaco.

Os cientistas agora acreditam que pesquisas dedicadas a esse tema poderiam revelar muito mais informações sobre nosso corpo do que aquilo que já é conhecido.

Futuro

O objetivo primário do trabalho com células-tronco é identificar como as indiferenciadas tornam-se diferenciadas.

Os cientistas sabem que —ligar“ e —desligar“ os genes é um passo central do processo. Algumas das condições médicas mais sérias, tal como câncer e defeitos da nascimento, são devidos à divisão celular e diferenciação anormais. A melhor compreensão do controle genético e molecular destes processos poderá informar como tais doenças surgem e sugerir novas estratégias terapêuticas.

A aplicação mais importante das células-tronco humanas é a geração de células e tecidos que poderiam ser utilizados para terapias.

Células-tronco, dirigidas para se diferenciarem em tipos celulares específicos, oferecem a possibilidade de uma fonte renovável de células e tecidos de reposição para tratar algumas doenças, tais como doença de Parkinson, Alzheimer, injúrias da medula espinhal, infarto, queimadura, doenças do coração, diabetes, osteoartrite e artrite reumatóide.

Por exemplo, poderá ser possível gerar células de músculo cardíaco saudáveis no laboratório e, então, transplantá-las em pacientes com doença cardíaca crônica.

Em resumo, as terapias com células-tronco são muito promissoras, mas obstáculos técnicos significantes ainda permanecem e poderão ser melhor compreendidos por meio de intensa pesquisa.

Fonte: www.cib.org.br

Células-Tronco

As células-tronco, também conhecidas como células estaminais, são indiferenciadas (não possuem uma função determinada) e se caracterizam pela capacidade de se transformar em diversos tipos de tecidos que formam o corpo humano.

Estas células são de dois tipos:

1 - Células-tronco adultas: Podem ser encontradas em diversas partes do corpo humano. Porém, são mais utilizadas para fins medicinais as células de cordão umbilical, da placenta e medula óssea. Pelo fato de serem retiradas da próprio paciente, oferecem baixo risco de rejeição nos tratamentos médicos. Apresentam uma desvantagem em relação as células-tronco embrionárias: a capacidade de transformação é bem menor.
2 - Células-tronco embrionárias:
São aquelas extraídas do animal ainda na fase embrionária. Como característica principal apresentam uma grande capacidade de se transformar em qualquer outro tipo de célula. Embora apresentem esta importante capacidade, as pesquisas médicas com estes tipos de células ainda encontram-se em fase de testes.

Cientistas acreditam que no futuro as células-tronco possam ser empregadas na cura de diversas doenças como, por exemplo, mal de Alzheimer, leucemia, mal de Parkinson e até mesmo diabetes. Através do método da clonagem terapêutica, várias lesões e doenças degenerativas seriam resolvidas. Tecidos, músculos, nervos e até mesmo órgãos poderão, em breve, serem reconstituídos com a aplicação deste tipo de tratamento, combatendo diversas doenças crônicas.

Fonte: www.verde.org.br

Células-Tronco

O que são células-tronco?

As células-tronco são células primitivas que dão origem a outros tipos celulares. Possuem capacidade de auto-replicação – isto é, de gerar uma cópia idêntica a si mesma – e potencial de se diferenciarem em vários tecidos.

O que diferencia as células-tronco dos outros tipos celulares?

Em primeiro lugar, elas são células não-especializadas, que se renovam por meio de divisão celular. Outra característica é que são estruturas não-diferenciadas e, portanto, não-especializadas. Por fim, sob certas condições fisiológicas e experimentais, podem ser induzidas a tornarem-se unidades com funções especiais, tais como células contráteis do músculo cardíaco.

Com quais células-tronco os cientistas trabalham?

Os cientistas trabalham com dois tipos de células-tronco de seres humanos: embrionárias (totipotentes) e adultas ou somáticas (pluripotentes), cujas funções e características são diferentes. As embrionárias são derivadas de embriões, que se desenvolvem de óvulos fertilizados “in vitro” e doados para propósitos de pesquisa com o consentimento dos doadores. Estes embriões têm quatro a cinco dias de idade e formam uma estrutura microscópica denominada blastocisto.

As adultas são células indiferenciadas, encontradas entre células diferenciadas dentro de um tecido ou órgão, que podem se renovar e se diferenciar para produzir tipos especializados. O papel primário das células-tronco adultas num organismo vivo é manter e reparar o tecido no qual elas são encontradas. Diferentemente das embrionárias – que são encontradas na camada interna do blastocisto – as células-tronco adultas de tecidos maduros têm origem desconhecida.

Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a medicina?

A aplicação mais importante das células-tronco humanas é a geração de células e tecidos que poderiam ser utilizados para terapias. Ao longo dos últimos anos, muitos experimentos têm demonstrado que as células-tronco são habilitadas para originar tipos celulares de um tecido completamente diferente, um fenômeno conhecido como plasticidade. Exemplos de tal propriedade incluem a capacidade que as células sanguíneas têm de se tornarem neurônios, células hepáticas que podem ser induzidas a produzir insulina e células-tronco hematopoiéticas, que são capazes de se desenvolver em músculo cardíaco.

Há rejeição do organismo às células-tronco?

Um dos obstáculos ao uso da terapia com células-tronco é a rejeição. Se um paciente é injetado com células-tronco retiradas de um embrião doado, seu sistema imunológico pode identificar estas estruturas como invasores estranhos e lançar ataques contra elas. Usar células-tronco adultas pode superar este problema de alguma forma, já que unidades retiradas do paciente não poderiam ser rejeitadas por seu sistema imunológico. Contudo, células-tronco adultas são menos flexíveis que as embrionárias, além de serem mais difíceis de se manipular em laboratório.

Em que situações as células-tronco seriam utilizadas?

As células-tronco pluripotentes podem ser usadas para testar novos medicamentos para segurança e efeito. Uma medicação poderia ser testada num tipo específico de célula para medir sua resposta, um procedimento mais rápido que qualquer teste clínico. Por exemplo, cientistas podem usar uma célula-tronco linha de câncer para investigar uma nova droga antitumor para combater o crescimento do câncer.

Células-tronco também podem ser usadas para reparar tecidos danificados por doença ou ferimento. Este tipo de tratamento é conhecido como terapia baseada em células. Uma aplicação potencial é injetar células-tronco embrionárias no coração para reparar células que foram danificadas por um ataque cardíaco.

Eventualmente, os cientistas podem até desenvolver órgãos inteiros em laboratório para substituir os que foram danificados por doenças.

Em que estágio se encontram as pesquisas de tratamentos com células-tronco?

Apenas nos casos de leucemia e de certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de tumores, verificada em testes com camundongos.

Em que situações os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização assistida?

Por exemplo, o casal tem um problema de fertilidade, procura um centro de fertilidade assistida, juntam-se o óvulo e o espermatozóide e formam-se os embriões.

Normalmente são dez, doze, quinze embriões, alguns de melhor qualidade, mas outros malformados – que não teriam a capacidade de gerar uma vida se fossem implantados num útero e vão direto para o lixo. Esses embriões descartados serviriam como material de pesquisa para fazer a linhagem de células totipotentes.

A segunda hipótese refere-se aos casais que já implantaram os embriões, tiveram os filhos que queriam e não vão mais recorrer aos embriões de boa qualidade, que permanecerão congelados por anos até serem definitivamente descartados.

Em que consiste a clonagem terapêutica?

A clonagem terapêutica é uma técnica que também possibilita a obtenção de células-tronco embrionárias. Consiste em retirar o núcleo de uma célula e colocar num óvulo sem núcleo. Ela começar a dividir-se, obtendo-se células-tronco com a capacidade de diferenciar-se em todos os tecidos humanos. Nesse caso, se uma pessoa sofrer uma lesão num acidente, teoricamente, pode-se conseguir uma medula nova ou qualquer outro órgão com a vantagem de que estes não serão rejeitados porque têm a mesma constituição do organismo do receptor. Existem, porém, aqueles que se opõem à utilização dessa técnica porque acham que ela vai abrir caminho para a clonagem reprodutiva, embora esteja claro que, não havendo a transferência para um útero, nunca se conseguirá produzir um clone.

Mas, a principal limitação é que, no caso de doenças genéticas, o doador não pode ser a própria pessoa porque todas as suas células têm o mesmo defeito genético.

Quais são os argumentos dos cientistas, do ponto de vista ético, para defender o uso das células-tronco?

1. Células tronco embrionárias possuem o atributo da pluripotência, o que quer dizer que são capazes de originar qualquer tipo de célula do organismo, exceto a célula da placenta.
2.
Sabe-se que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida. 3. Embriões de má qualidade, que não têm potencial de gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.
4.
A certeza de que células-tronco embrionárias humanas podem produzir células e órgãos que são geneticamente idênticos ao paciente ampliaria a lista de pacientes elegíveis para tal terapia.
5.
É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Ao utilizar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos de um paciente não estaríamos criando uma vida?

Como é a situação jurídica sobre a pesquisa de células-tronco no Brasil

A controvérsia sobre quando começa a vida também afeta as decisões sobre a liberação das pesquisas com células-tronco no Brasil. A Lei de Biossegurança (lei nº 11.105, de 24 de março de 2005) libera no País a pesquisa com células-tronco de embriões obtidos por fertilização “in vitro” e congelados há mais de três anos. Atualmente, esse embriões são descartados após quatro anos de congelamento, mas os pais devem autorizar expressamente seu uso para efeito de pesquisa.

Dois meses depois de aprovada a lei, em maio de 2005, o então procurador da República Cláudio Fonteles entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra o artigo da Lei de Biossegurança que trata do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas, argumentando que o artigo 5º da Constituição Federal garante o direito "à inviolabilidade da vida humana" e que os embriões são seres vivos.

Em março de 2008, os 11 ministros do STF se reuniram para decidir sobre a questão, mas não chegaram a conclusão alguma. Após dois votos a favor da liberação das pesquisas, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vistas ao processo, prolongando ainda mais as discussões sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias no País.

Finalmente, no dia 29 de maio de 2008, por seis votos contra cinco, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias sem nenhuma restrição, como previsto na Lei de Biossegurança. A lei prevê que os embriões usados nas pesquisas sejam inviáveis ou estejam congelados há três anos ou mais e veta a comercialização do material biológico. Também exige a autorização do casal.

Como é a legislação sobre células-tronco em outros países?

Nos Estados Unidos, o tema esteve no centro dos debates das eleições presidenciais de 2004. Em 2001, o presidente George W. Bush cortou o financiamento público para as pesquisas – permitidas durante o governo Clinton – mas, depois, decidiu permitir o financiamento limitado. Na Alemanha só é permitida a pesquisa com células-tronco importadas de outros países. Na China permite-se todas as pesquisas com embriões, inclusive a clonagem terapêutica.

Na Itália é proibido qualquer experimento com embrião humano. A pesquisa clínica e experimental com embriões é permitida apenas para finalidades terapêuticas dirigidas à saúde do próprio embrião, desde que não estejam disponíveis metodologias alternativas. O Reino unido é o único a permitir o desenvolvimento de embriões humanos especificamente para fins de pesquisa.

Ricardo Del Carlo

Fonte: www.ufal.edu.br

Células-Tronco

1- O que são células-tronco?

Após a fusão das células reprodutivas, começa a se formar um aglomerado de células. Este primeiro grupo de células são chamadas de totipontente por terem a capacidade de originar qualquer parte do organismo de um ser humano, além de terem também a capacidade de formar o acessório tal como placenta e tecidos de sustentação necessário para o desenvolvimento do embrião no útero e portanto podem se transformar em outro indivíduo gêmeo.

Após uns 4 dias, estas células começam a formar uma estrutura esférica, chamada de Blástula, apresentando duas partes, uma interna e outra externa. A parte externa formará a placenta e a parte interna formará o embrião. É na parte interna que estão as células capazes de gerar todas as células do organismo de um indivíduo. Estas células são chamadas de células pluripotentes e são estas as células-tronco ou "stem cells" ou células "mãe" que tanto se fala ultimamente, por terem a capacidade de se diferenciar em células de qualquer tecido, incluindo as do cérebro, coração, fígado, rins, ossos, músculos e pele, por serem esperança de cura para milhões de pessoas portadoras de doenças incuráveis.

Após a segunda semana o processo de diferenciação celular se define, ou seja, as células vão adquirindo posições e funções biológicas específicas, são denominadas multipotentes e cada uma pode dar origem a tipos específicos de células, como por exemplo a todos os tipos de células sangüíneas. A única fonte de células-tronco que pode se transformar em qualquer tecido são as de embriões. As células-tronco encontradas em outras fontes podem já estar com seu processo de diferenciação pré determinado, limitando suas possibilidades terapeuticas.

2- Quais as fontes de células-tronco?

As células-tronco podem ser encontradas em:

a) Vários tecidos humanos, mas em quantidade muito pequena
b)
No sangue do cordão umbilical e na placenta
c)
Em embriões nas fases iniciais da divisão celular.

3- Quais os possíveis usos médicos das células-tronco?

A capacidade de transformação das células-tronco em vários tecidos podem representar tratamento para muitas doenças que afetam milhões de pessoas no mundo. Por exemplo, em portador da doença de Parkinson elas poderia regenerar as funções dos neurônios dopaminergicos e levar o paciente à cura. Outras terapias podem incluir diabete, mal de Alzheimer, derrames, enfartes, doenças sangüíneas, musculares, espinhais, câncer, doenças genéticas e outras. Estas células também poderiam ser usadas para testar os efeitos terapêuticos e colaterais de drogas em tecidos humanos, trazendo mais segurança para a população, diminuindo a fase de experimentação e o sofrimento e sacrifício dos animais usados como cobaia.

4- Porque o sangue do cordão umbilical e placentário (SCUP) pode trazer a cura para milhões de pessoas?

Os cientistas descobriram qualidades "pluripotenciais" das células do sangue da placenta e do cordão umbilical. Este sangue adquiriu grande importância quando identificaram um grande número de células "tronco" hematopoiéticas, que são células fundamentais para o tratamento de pessoas portadoras de leucemia e outras doenças hematológicas. O cordão e a placenta, que hoje em dia é tratado como um "lixo hospitalar", "é uma fonte alternativa viável" para o tratamento de doenças sangüíneas que exigem o transplante da medula e pode ser doado voluntariamente, para pessoas que necessitem do transplante.

A criação de diversos bancos de SCUP no Brasil vai amplia a diversidade genética das amostras, aumentar o número de doadores cadastrados e conseqüentemente, as chances de compatibilidade sangüínea entre os receptores. Outra vantagem é a redução da possibilidade de rejeição devido a imaturidade destas células.

5- O que é clonagem terapêutica?

A discussão ética sobre a clonagem de células humanas corre o risco de tomar o caminho errado, é preciso entender bem a diferença entre a clonagem reprodutiva e a clonagem terapêutica para poder opinar e não cometer o erro de tirar a esperança de cura de milhares de pessoas.

Clonagem Reprodutiva:

Cientistas provaram que é possível criar um clone de um animal. No caso da clonagem humana, a proposta seria substituir o DNA (molécula onde está codificada as informações para construir um indivíduo) de um óvulo humano de uma doadora, pelo DNA do núcleo de uma célula somática que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma criança ou adulto. Esta união reagiria como um óvulo fertilizado e se dividiria como se estivesse sido fertilizado por um espermatozóide, dando origem a um aglomerado de células tronco embrionárias, o embrião. Se este embrião fosse implantado em um útero (que funcionaria como uma barriga de aluguel) poderia dar origem um individuo biologicamente idêntico ao doador do DNA.

As pesquisas com clonagem de animais não tem mostrado grande êxito. A ocorrência de fetos defeituosos ou com mutações patológicas são freqüentes.

Pesquisas realizadas no Japão relataram que camundongos clonados também têm vida mais curta e apresentam problemas como lesões hepáticas, pneumonia grave, tumores e baixa imunidade (O Estado de S. Paulo, 12 de fevereiro de 2002). Segundo os defensores da clonagem humana, através da ultra-sonografia e da análise dos cromossomos seria possível identificar a maioria das malformações fetais, logo no início da gestação e evitar, assim, o seu nascimento. Entretanto, sabemos que existem mais de 7 mil doenças genéticas e que a grande maioria não podem ser detectadas com os recursos atuais de diagnóstico pré-natal.

Clonagem Terapeutica:

Na clonagem terapêutica, pretende-se cultivar as células tronco em laboratório e induzi-las a se diferenciarem no tecido desejado. Podem ser clonadas células do próprio doador, que serviriam para reparar tecidos lesados do seu próprio organismo, evitando assim o risco de rejeição, pois têm exatamente os mesmos genes deste. A clonagem terapeutica poderia ser usada para trazer as células ao estágio embrionário e reparar células doentes.

A Clonagem de células do próprio doador poderia, por exemplo, ajudar a reparar a medula dos paraplégicos vítimas de Traumatismo Raquimedular ou o cérebro das vítimas de Acidente Vascular Cerebral. No caso de doenças genéticas, como as distrofias musculares ou atrofias espinhais, não adianta usar as células do afetado porque o defeito genético está em todas as células. Neste caso, as células-tronco teriam que ser de um doador.

6- Como os embriões congelados podem salvar vidas?

Os embriões obtidos de tentativas de fertilização in-vitro, que existem literalmente às centenas de milhares, congelados em nitrogênio líquido, em clinicas e hospitais que realizam esse procedimento, são PROBLEMAS para alguns e ESPERANÇA de cura para milhares.

O Problema: A fertilização assistida ou fertilização in vitro é uma técnica adotada por casais inférteis. Está técnica quando iniciada há 20 anos, também gerou protestos mundiais e hoje temos milhares de crianças que nasceram graças a essa tecnologia. Nesta técnica o óvulo da mulher e o espermatozóide do homem são fertilizados fora do corpo. Os embriões assim formados se desenvolvem por alguns estágios ainda fora do corpo, e, se viáveis, são implantados no útero (da mesma mulher, ou de outra, a chamada "barriga de aluguel") para crescer.

No laboratório só é possível a multiplicação das células tronco para "fabricar" tecidos. É impossível criar um ser humano sem implantação no útero materno!

Os embriões gerados em excesso são armazenados para fazer outras tentativas, caso as primeiras implantações não funcionem. A probabilidade de que um embrião implantado no útero gere uma vida é de cerca de 10%. Após o congelamento essa probabilidade diminui. Além disso, os embriões melhores são sempre selecionados para implantação. Portanto, aqueles que são congelados já tem uma chance muito menor de gerar uma vida, que pode ser quase zero. Mas isso não significa que eles não possam formar um tecido e com isso salvar uma vida!

Estima-se que existam cerca de 100.000 embriões excedentes armazenados em vários países da União Europeia. O grande problema é que alguns países, por questões éticas e religiosas, proíbem a destruição desses embriões, ou seu aproveitamento para pesquisas científicas.

A Esperança: Centenas de milhões de pacientes em todo o mundo poderão ser curados se as pesquisas com células-tronco puderem avançar.

No Brasil os resultados do censo 2000 mostraram um número maior de portadores de deficiência do que o esperado: 24,5 milhões de pessoas, 14,5% da população brasileira. Pessoas que até então não tinham esperança de cura.

Vários paises já estão desenvolvendo pesquisas com embriões de até 14 dias após a fertilização, doados pelas clínicas de fertilização, com consentimento prévio do casal. Nesta fase, o embrião é um conjunto de células com cerca de um quarto do tamanho de uma cabeça de alfinete (0,2 mm). Essas pesquisas são aprovadas por comitês de ética muito rigorosos. A Associação Americana para o Progresso da Ciência emitiu um relatório sobre a pesquisa com células-tronco, em que recomenda que somente embriões doados pelos seus legítimos pais sejam usados em pesquisas.

Devemos lembrar que os embriões descartados não se tornarão vida humana.

O que é mais ético: uma mulher e seu companheiro decidir doar seus embriões, que nunca se tornarão seres humanos, para centro de pesquisas ajudando a ciência a salvar milhares de vidas ou deixá-los serem jogados no lixo? Para o comitê da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, estudos com células-tronco extraídas de embriões extras produzidos no processo de reprodução assistida são éticos quando podem gerar conhecimentos que tragam benefícios à saúde humana.

Com isso, os casais que possuem embriões congelados e não necessitam mais deles - poderiam emitir um consentimento doando-os para pesquisa. Poderiam até mesmo escolher o centro de pesquisa, após obterem informações sobre o projeto em que o embrião seria utilizado, sobre os benefícios que o projeto trará para a humanidade.

7- O que é a medicina regenerativa?

Uma nova era na medicina está sendo iniciada. Os conhecimentos sobre a capacidade regenerativa tecidual das células tronco abrem caminhos para a sua utilização no reparo de tecidos e órgãos lesados.

Este novo campo de conhecimento, chamado de medicina regenerativa, é a aplicação das células tronco com o objetivo de regular o processo regenerativo do corpo humano, direcionando e ampliação o processo de reparo e a substituição de tecidos lesados.

Cabe aos pesquisadores obedecerem às leis e respeitarem a ética, mas o mundo está diante de técnicas e maneiras de agir impensáveis até aqui, com um potencial de avanços fantásticos. A medicina regenerativa a partir de células-tronco embrionárias é um exemplo disso.

Cabe aos nossos governantes e legisladores avançarem em seus conceitos a fim de adaptarem a legislação aos novos tempos: proibir o que é anti-ético (como a clonagem para fins reprodutivos) mas permitir o que é ético, o que é lógico, o que vai salvar vidas!

Denise Amanajás

Fonte: saci.org.br

Células-Tronco

Células-tronco podem ajudar a combater doenças cardiovasculares e neurodegenerativas

As células-tronco são conhecidas como células-mãe ou células estaminais, pois têm a capacidade de se dividir e dar origem a células semelhantes às progenitoras.

Há dois tipos de células-tronco: as adultas, obtidas a partir de células de cordão umbilical, da medula óssea, da pele e de outros tecidos do corpo e as embrionárias, que, conforme definição da Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/05), são células de embrião que apresentam a capacidade de se transformar em células de qualquer tecido do organismo, tais como ossos, nervos, músculos e sangue.

Devido a essa característica, as células-tronco podem ser úteis nas terapias de combate a doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, diabetes tipo 1, acidente vascular-cerebral, doenças hematológicas, nefropatias e traumas na medula espinhal.

Pela Lei de Biossegurança, fica permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. A pesquisa só poderá ser feita com embriões considerados inviáveis ou embriões congelados a partir da edição dessa lei, depois de completados, no mínimo, três anos de congelamento.

Outra exigência é que, em qualquer dos casos, a pesquisa só poderá ser feita com a concordância do casal, que deverá assinar termo de consentimento livre e esclarecido, conforme norma específica do Ministério da Saúde. A utilização das células-tronco embrionárias humanas em terapia deverá se submeter também às diretrizes do Ministério da Saúde para a avaliação de novas tecnologias.

A Lei de Biossegurança foi aprovada pelo Congresso e sancionada com sete vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 24 de março de 2005. A norma proíbe engenharia genética em organismo vivo ou manejo in vitro, natural ou recombinante de ácido desoxirribonucléico (ADN) e ácido ribonucléico (ARN) – materiais genéticos que contêm informações determinantes dos caracteres hereditários transmissíveis à descendência. É proibida ainda a engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião humano, bem como a clonagem de seres humanos.

Helena Daltro Pontual

Fonte: biblioteca.planejamento.gov.br

Células-Tronco

O que são células tronco?

São células que têm a capacidade de se transformar em outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele.

Tipos de células tronco

Células totipotentes
Células pluripotentes -
embrionárias
Células multipotentes -
adultas

Células Tronco de Tecidos Maduros

São encontradas nos tecidos do corpo de crianças e adultos. Por exemplo na medula óssea, cordão umbilical.
São mais especializadas que as embrionárias e dão origem a tipos específicos de células.
São chamadas multipotentes.
Manter e reparar o tecido no qual estão inseridas.

Células Tronco Embrionárias

São aquelas encontradas em embriões ( blastocisto) com 4 a 5 dias.
Têm a capacidade de se transformar em praticamente qualquer célula do corpo.
São chamadas pluripotentes.

Como são formadas

No decorrer da embriogênese, na medida em que ocorrem sucessivas mitoses vai se formando um conjunto celular denominado blastocisto. O grupamento celular central deste conglomerado apresenta células com capacidade de gerar qualquer outra célula.

APLICAÇÕES MÉDICAS

Células tronco como alternativas no tratamento de doenças e traumas acidentais.
Primeiras aplicações ocorreram com células multipotentes derivadas de tecido adulto.
Experiências concentradas em modelos animais.

Doença de Parkinson

Perda de neurônios produtores de dopamina.
Células tronco embrionárias podem gerar neurônios produtores de dopamina.
Promoção da diferenciação das células tronco embrionárias em neurônios.
Diferenciação em neurônios produtores de dopamina.
Inserção dos neurônios em camundongos.

Resultados

Proliferação normal de células transplantadas.
Apresentação normal eletrofisiológica das células.

Legislação

Brasil:

Lei de Biossegurança – lei nº 11105/05

Permite as pesquisas com células tronco embrionárias, com algumas restrições.
Apenas embriões inviáveis ( não utilizados na fertilização in vitro).
Embriões congelados há mais de 3 anos.
A lei também proíbe a comercialização de material produzido a partir de células tronco.

Legislação em outros países

EUA: É proibida a aplicação de verbas do GOVERNO FEDERAL a qualquer pesquisa que envolva embriões humanos, a não ser para aquelas feitas com células embrionárias obtidas antes de 2001, quando a lei foi aprovada.
Itália:
Proíbe qualquer tipo de pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, bem como a sua importação.
Reino Unido:
 Bem liberal.Permite até mesmo a clonagem terapêutica – os cientistas criam embriões por meio da clonagem para sua posterior destruição.

Fonte: www.geocities.com

Células-Tronco

O que são

As células-tronco são células primárias encontradas em todos os organismos multicelulares que retêm a habilidade de se renovar pode meio da divisão celular mitótica e podem se diferenciar em uma vasta gama de tipos de células especializadas.

As pesquisas no campo das células-tronco humanas se expandiram após estudos realizados pelos canadenses Ernest A, McCulloch e James E. Till na década de 1960.

CATEGORIAS

As três categorias de células-tronco são:

Células-tronco embrionárias: Derivadas de blastócitos
Células-tronco adultas:
Encontradas em tecidos adultos
Células-tronco da medula espinhal:
No embrião em desenvolvimento, as células-tronco podem se diferenciar em tipos de tecidos especializados. Em organismos adultos, as células-tronco e as células progenitoras atuam como um sistema de reparo para o corpo, tornando a repovoá-lo de células especializadas. Como as células-tronco podem rapidamente crescer e se transformar em células especializadas com características consistentes com células de vários tecidos, como músculos ou nervos, seu uso nas terapias médicas tem sido proposta.

Em particular, as linhagens de células-tronco embrionárias, as células-tronco embrionárias originárias de clonagem terapêutica e células-tronco adultas do cordão umbilical ou da medula óssea são candidatas promissoras.

POTENCIAIS

O potencial das células-tronco especifica a sua capacidade de diferenciação (de se transformar em tipos diferentes de células)

Células-tronco totipotentes

Produzidas da fusão de um óvulo e um espermatozóide. São um produto das primeiras divisões do óvulo fertilizado. Essas células podem se diferenciar em células embriônicas e extraembriônicas

Células-tronco pluripotentes

Descendentes das células totipotentes, podem se diferenciar em células derivadas de três camadas de germes

Células-tronco multipotentes

Essas estruturas podem produzir apenas células de uma família restrita de células (por exemplo, as células-tronco hematopoiéticas se diferenciam em glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas etc)

Células-tronco unipotentes

As células podem produzir apenas um tipo celular, mas têm propriedades de autorenovação

CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

As células-tronco embrionárias (ES, pela sigla em inglês) são culturas de células derivadas do tecido do epiblasto da massa interior da célula de um blastócito.

Um blastócito é um embrião em seu estágio inicial -- aproximadamente 4 a 5 dias depois da fecundação, consistindo em de 50 a 150 células.

As ES são pluripotentes e podem se desenvolver em mais de 200 tipos de células do corpo adulto, quando recebem o estímulo necessário. Elas não contribuem com as membranas extraembriônicas ou a placenta. Quando não recebem estímulo para a diferenciação, continuam se dividindo em cultura e cada célula produzida permanecerá pluripotente. Já se passaram 20 anos de pesquisas e não há tratamento aprovado ou testes em humanos para células-tronco embrionárias.

CÉLULAS-TRONCO ADULTAS

As células-tronco adultas são células indiferenciadas encontradas no corpo e que se dividem para repovoar células moribundas e regenerar tecidos danificados.

Também conhecidas como somáticas, podem ser colhidas em crianças e em adultos. Uma grande vantagem da pesquisa com células-tronco adultas é a capacidade que elas têm de se dividir ou se autorenovar indefinidamente, além de seu potencial de diferenciação.

Enquanto o potencial com células-tronco embrionárias permanece teórico, os tratamentos com células-tronco adultas já são usadas com sucesso para tratar muitas doenças. O uso de células-tronco em pesquisas e terapia não é controverso como o das células-tronco embrionárias, pois a produção dessas estruturas adultas não demanda a destruição do embrião. Importantes avanços têm sido feitos nos tratamentos do mal de Parkinson, diabates juvenil e lesões na medula.

Fonte: www.celulas-tronco.com

Células-Tronco

Células-tronco: o que são e o que serão?

A diferenciação celular

Nosso corpo é formado por trilhões de células, organizadas em diversos tecidos. Todas elas se originam de uma única célula – o zigoto - resultado da união de um espermatozóide com o óvulo. À medida que o zigoto se divide e o embrião cresce, grupos de células vão se tornando diferentes em estrutura e função, devido ao processo de diferenciação celular.

Esse processo é controlado pelo DNA, que contém a mesma informação genética em todas as células de nosso corpo. Se a informação contida no DNA é a mesma, como as células podem se tornar tão diferentes?

Isso ocorre porque cada tipo de célula diferenciada possui um conjunto particular de genes ativos. Como conseqüência, o conjunto de proteínas codificadas pelos genes em funcionamento varia de acordo com o tipo celular. Por exemplo, nas células das glândulas salivares devem estar ativos genes que codificam as enzimas secretadas na saliva.

Os genes que determinam a produção das enzimas da saliva não devem estar ativos em outro tecido do corpo. Essa atividade diferencial dos genes começa a ser determinada no embrião e persiste nos tecidos adultos ao longo da vida.

Todas as células têm duas características importantes: o seu grau de diferenciação e a sua potencialidade. Enquanto o grau de diferenciação reflete o quanto uma célula é especializada, a potencialidade refere-se à capacidade que ela tem de originar outros tipos celulares.

Quanto maior a potencialidade da célula, geralmente será menor o seu grau de diferenciação. O zigoto é a célula com a máxima potencialidade, pois ele dá origem a todos os tipos de células. No outro extremo, há células com potencialidade nula, como é o caso dos glóbulos vermelhos, que perdem seu núcleo no processo de diferenciação, perdendo, conseqüentemente, a capacidade de originar células iguais a elas.

Células indiferenciadas: as células-tronco

Células-tronco são células indiferenciadas com capacidade de multiplicação prolongada ou ilimitada, capazes de produzir pelo menos um tipo de célula diferenciada.

Ao se dividirem, as células-tronco podem produzir dois tipos de células: uma indiferenciada, igual à célula original que mantém o estoque desse tipo celular, e outra um pouco diferente, em início de processo de diferenciação.

Elas podem ser classificadas segundo sua capacidade de gerar novos tipos celulares, ou seja, sua potencialidade. Em ordem decrescente de potencialidade estão as células-tronco totipotentes, pluripotentes e multipotentes. O zigoto e as primeiras células que resultam de sua divisão são totipotentes, pois podem originar todos os tipos de células e, se separadas, como ocorre na origem de alguns casos de gêmeos, podem originar até um organismo inteiro.

Células pluripotentes são aquelas que conseguem se diferenciar na maioria dos tecidos, menos em anexos embrionários. São células pluripotentes as células-tronco presentes na massa interna do blastocisto, estrutura que corresponde a um aglomerado com cerca de 200 células, no quinto dia do desenvolvimento do embrião. Células multipotentes têm potencialidade para originar alguns tipos celulares. Um exemplo de células multipotentes é o das células da medula óssea, que dão origem a diversos tipos de células sangüíneas.

Quanto à sua origem, as células-tronco podem ser classificadas em células-tronco embrionárias ou adultas.

As células-tronco embrionárias, atualmente cultivadas em laboratório, são obtidas a partir de um embrião nos estágios iniciais de desenvolvimento, na fase anterior à implantação no útero materno, ou seja, o blastocisto.

As células-tronco denominadas embrionárias estão localizadas no interior do blastocisto, formando a chamada massa interna de células, constituída por cerca de 30-35 células. Já camada de células exterior do blastocisto (o trofoectoderma) vai originar estruturas extra-embrionárias como a placenta e o saco amniótico.

À medida que o embrião se desenvolve, as células-tronco embrionárias do interior do blastocisto se diferenciam em todos os tipos de células do nosso organismo: sangue, pele, músculo, fígado, cérebro etc.

O outro grupo importante de células-tronco são as chamadas células-tronco do adulto. Elas também são versáteis, mas possuem menor potencialidade de diferenciação do que as células-tronco embrionárias. As células-tronco do adulto melhor caracterizadas e mais utilizadas na medicina são as células hematopoéticas da medula óssea. Além da medula óssea, essas células são particularmente abundantes no sangue do cordão umbilical e da placenta dos recém-nascidos. Nesse caso, também são consideradas células-tronco de adulto.

Até pouco tempo atrás, sabia-se da existência de células-tronco apenas em um número reduzido de tecidos do organismo adulto: as células-tronco hematopoéticas; as células-tronco gastrintestinais – associadas à regeneração do revestimento gastrintestinal; as células-tronco responsáveis pela renovação da camada epidérmica da pele e as células precursoras dos espermatozóides (espermatogônias).

Acreditava-se que as células-tronco de adulto estivessem relacionadas apenas à reposição de células dentro do mesmo tecido de origem, mas descobertas recentes apontaram sua surpreendente capacidade de se transformar em outros tipos de tecidos e de reparar tecidos danificados.

Hoje se sabe que as células-tronco de adulto podem estar presentes em vários outros tecidos, sendo as responsáveis pela regeneração parcial destes tecidos no caso de ferimentos ou doenças que os destroem. Até bem pouco tempo, acreditava-se que, uma vez que uma célula-tronco de adulto tivesse sido determinada para se diferenciar em célula de um certo tecido, seu destino não poderia ser mudado e ela não poderia jamais originar célula de um outro tipo de tecido.

Porém, pesquisas têm mostrado que elas são mais flexíveis do que se imaginava. Por exemplo, experimentos realizados com células-tronco do cérebro e de músculo de camundongo mostraram que, se manipuladas em laboratório, elas podem originar células hematopoéticas desses animais.

Terapia celular e as células-tronco

A utilização terapêutica de células-tronco é uma das formas mais promissoras de tratamento de muitas doenças.

Mas, essa não é uma idéia nova: a medicina já faz uso desse tipo de terapia há muito tempo nos transplantes de medula óssea.

O transplante de medula óssea resultou do seguinte raciocínio: como todas as células do sangue e do sistema imunológico são originadas a partir de células-tronco presentes na medula, caso haja algum dano ou problema com esse sistema em uma pessoa, ele pode ser substituído por um sistema saudável.

O transplante é indicado para o tratamento de várias doenças graves que afetam as células do sangue, como anemia aplásica grave (doença em que não há formação das células sanguíneas), algumas doenças hereditárias (exemplo, talassemias) e vários tipos de leucemias (exemplos, leucemia mielóide aguda, leucemia mielóide crônica, leucemia linfóide aguda). Os pacientes são inicialmente tratados com altas doses de quimioterápicos e radiação para eliminar as células da medula óssea doente. O tecido sadio de um doador é então introduzido através de uma veia do receptor e as células migram para a medula.

Um fator importante a ser observado para o sucesso do transplante é a compatibilidade celular. Antes que o transplante ocorra, os tecidos do receptor e do doador em potencial devem ser analisados para verificar a compatibilidade, ou seja, o grau de semelhança, dos antígenos HLA (Human Leukocyte Antigen).

As células do sangue apresentam em sua superfície proteínas específicas, codificadas por um conjunto de genes conhecidos como Complexo Principal de Histocompatilidade – MHC (do inglês, Major Histocompatibity Complex).

Essas proteínas funcionam como antígenos, ou seja, induzem à formação de anticorpos, se transferidas para outro organismo. Nos seres humanos, esses antígenos são denominados HLA. Quanto mais aparentados forem dois indivíduos, mais alelos do MHC eles terão em comum. Se as células tiverem vários desses antígenos HLA diferentes, o sistema imunológico do receptor considera essas células como estranhas e tenta matá-las e as células do doador também tentam eliminar as células do receptor. Esse é o processo de rejeição.

Como não é fácil encontrar um doador compatível, muitas vezes são realizados transplantes em que a compatibilidade HLA entre doador e receptor é parcial. Quando não há acesso a um doador compatível, a solução é procurar em bancos de doadores de medula.

Além da medula óssea, células-tronco de adulto podem ser facilmente obtidas a partir de cordão umbilical, um órgão que liga o feto à placenta e lhe assegura a nutrição por meio de vasos sangüíneos durante a gestação. Imediatamente após o parto, o cordão é pinçado para impedir que o sangue contido em seu interior se perca, e o sangue é retirado com o auxílio de uma agulha. As células vermelhas do sangue são coletadas e a amostra é congelada e armazenada por até 15 anos, sem que haja perda da qualidade das células-tronco.

O uso de células-tronco do sangue de cordão umbilical em transplantes é mais vantajoso do que o de medula óssea, por vários motivos: elas se implantam mais eficientemente, são mais tolerantes à incompatibilidade entre receptor e doador, têm disponibilidade imediata e há possibilidade de realização do transplante sem que o doador seja submetido a qualquer tipo de procedimento cirúrgico. A facilidade de coleta e da análise prévia de antígenos HLA estimulou a criação de Bancos de Sangue de Cordão Umbilical no Brasil.

Quando cultivadas em laboratório, as células-tronco, como as hematopoéticas, por exemplo, podem se diferenciar em células de outros tecidos, tais como fígado, intestino, pele, músculo cardíaco, e células nervosas.

Embora se saiba da existência dessas diversas possibilidades de diferenciação, a maneira como isso ocorre ainda não está clara. Por isso, pesquisadores no mundo inteiro buscam compreender os mecanismos envolvidos na diferenciação celular. A idéia é a de que se possa manipular essas células para que elas venham a fornecer outros tipos celulares.

Novas tentativas interessantes de terapia usando as células–tronco adultas já foram realizadas, principalmente no tratamento de doenças do coração como os infartos do miocárdio. Nesses casos, há morte de parte do tecido cardíaco e as células remanescentes não são capazes de reconstituir o tecido morto.

Experimentos indicam que as células-tronco hematopoéticas introduzidas no sangue são capazes de migrar para áreas doentes e de ajudar a originar novas células de músculo cardíaco e de vasos sangüíneos, mas como isso ocorre exatamente ainda não está claro.

A polêmica sobre o uso de células-tronco embrionárias em terapia celular

De um modo geral, existem três métodos de obtenção de células-tronco em laboratório para finalidades terapêuticas. O primeiro método é o já explicado acima, ou seja, a partir de células-tronco de adulto, como já se faz no transplante de medula óssea ou no tratamento das doenças do coração.

Na segunda possibilidade, está a obtenção de células-tronco embrionárias a partir de um embrião em fase inicial de desenvolvimento, o blastocisto. O uso dessas células, muito comum em pesquisas com animais, tem gerado muita polêmica no caso dos humanos, pois impede o desenvolvimento do embrião. Uma proposta viável seria a utilização dos embriões humanos excedentes produzidos por fertilização in vitro (em laboratório) e que ficam congelados nas clínicas de fertilização assistida. A grande questão é se seria ético utilizar estes embriões para a obtenção de células-tronco que poderão ser usadas na pesquisa de futuras terapias.

A terceira possibilidade seria a obtenção de células-tronco embrionárias geneticamente idênticas às da pessoa que as doou. Esse método de obtenção de células-tronco é popularmente chamado de clonagem terapêutica. Na clonagem terapêutica, um ovócito sem núcleo de uma doadora recebe um núcleo de uma célula somática do indivíduo doador.

Se houvesse desenvolvimento embrionário até a fase do blastocisto, as células-tronco poderiam ser retiradas e utilizadas no estabelecimento de linhagens celulares geneticamente idênticas às células do indivíduo doador. As células obtidas desta maneira poderiam ser empregadas no tratamento de doenças sem que haja problemas de rejeição.

Embora se utilize a palavra clonagem, isto não significa que se deseja obter um organismo inteiro clonado, mas somente as células-tronco embrionárias da fase do blastocisto. Para a obtenção de um organismo inteiro clonado seria necessário que o embrião, no início do desenvolvimento, fosse implantado no útero de uma mulher. Neste caso, a clonagem seria reprodutiva e não terapêutica. Esse foi o procedimento usado para obtenção da ovelha Dolly, clonada em 1997. Ainda não se obteve sucesso nas tentativas de clonagem terapêutica realizadas em humanos.

Mas, se as células-tronco de adulto podem ser tão versáteis, por que não trabalhar somente com elas e deixar as embrionárias de lado, pois estas estão cercadas de polêmica?

A resposta não é simples: as células-tronco de adulto são raras e muito difíceis de serem obtidas nos tecidos onde ocorrem. A sua multiplicação em laboratório é mais vagarosa do que a das células-tronco embrionárias e, em teoria, a sua potencialidade de diferenciação é mais reduzida do que a das células embrionárias, pois já estão em estado mais adiantado de diferenciação celular. Além disso, logo após o seu estabelecimento em laboratório, elas perdem a capacidade de se dividir e se diferenciar. Portanto, ainda não se sabe se as células-tronco de adulto poderão substituir perfeitamente as células-tronco embrionárias.

A situação ideal para a terapia celular seria estabelecer um procedimento para substituir qualquer tipo de tecido lesado ou doente. Para isso, é necessário que se descubra qual o verdadeiro potencial e quais as limitações do uso das células-tronco embrionárias e de adulto. Mas, muita pesquisa é ainda necessária a fim de se conseguir tal processo.

Somente após uma discussão séria que envolva a todos os segmentos da sociedade, que deve estar ciente dos riscos e benefícios de tais atividades, podemos chegar a um consenso sobre a utilização responsável e ética dessas células.

No Brasil, o projeto da Lei de Biossegurança, cujos pontos principais são a regulamentação da produção de alimentos transgênicos e da pesquisa com células-tronco embrionárias foi aprovado em 2005. O projeto permite que células-tronco possam ser obtidas de embriões humanos produzidos por técnicas de fertilização in vitro, desde que estejam congelados há pelo menos três anos e que haja consentimento dos casais doadores. Neste caso, as células poderão ser utilizadas para fins de pesquisa de novos tratamentos.

O mais importante a se ressaltar nesse momento é que a permissão para pesquisas com células-tronco embrionárias não significa a obtenção de tratamentos milagrosos a curto-prazo. O que surgiu de novo nos últimos tempos é a esperança de que esse tipo de pesquisa possa apresentar novidades nos tratamentos de doenças até agora incuráveis com os métodos convencionais, como diabetes, doença de Parkinson, doença de Alzheimer, lesões decorrentes de acidentes e um leque de doenças hereditárias em geral não tratáveis.

O que há de novo sobre terapia com células-tronco?

Algumas tentativas de terapia com células-tronco não embrionárias já foram realizadas em várias partes do mundo. Neurônios obtidos de tecido mesencefálico de fetos foram implantados no cérebro de pacientes com doença de Parkinson. Os neurônios implantados sobreviveram nos receptores, liberaram a dopamina, um neurotransmissor, e melhoraram os sintomas da doença. No entanto, esse tratamento dificilmente será uma rotina pela dificuldade de obtenção de tecidos suficientes para transplantes e por problemas éticos.

O ideal seria obter, a partir de células-tronco embrionárias, neurônios diferenciados in vitro que seriam então implantados em pacientes. Estudos recentes mostraram que essa estratégia é viável em camundongos e até mesmo em primatas.

No Brasil, três grupos de pesquisadores do Rio de Janeiro, da Bahia na Bahia e de São Paulo trabalham para consolidar a possibilidade de que as células-tronco de adulto sejam uma boa opção para tratamento da insuficiência cardíaca grave causada por hipertensão, infartos ou doença de Chagas.

Em alguns experimentos, células-tronco da medula óssea foram retiradas por punção e injetadas no próprio coração.

Em outros casos, células-tronco hematopoéticas foram filtradas do sangue do próprio paciente para aplicação no local lesado. Um hormônio que estimula a liberação das células–tronco da medula óssea para a circulação sangüínea foi empregado nesses casos para aumentar a concentração de células disponíveis para o tratamento. Alguns dos pacientes tratados desse modo apresentaram melhora do quadro clínico após os experimentos. No entanto, os pesquisadores estão conscientes de que ainda é cedo para assegurar a eficiência dessas técnicas, pois poucos casos foram estudados. Mesmo com resultados de sucesso, certamente, ainda serão necessários alguns anos para que esses tipos de tratamento se tornem disponíveis para todos os pacientes porque ainda estão nas fases iniciais dos estudos clínicos.

No Brasil há equipes trabalhando em tentativas de tratar pessoas afetadas por doenças auto-imunes, como por exemplo, o lúpus eritematoso sistêmico, utilizando células-tronco de medula óssea.

Convém ressaltar que todos os experimentos citados acima se basearam na aplicação de células-tronco de adulto. Nenhum experimento terapêutico foi ainda realizado em seres humanos com células-tronco embrionárias. Apenas animais foram submetidos à experimentação com células-tronco embrionárias.

Mesmo os países que aprovaram a utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas sobre tratamento de doenças ainda terão que esperar muito tempo para ver os resultados chegarem à rotina dos tratamentos médicos. Mas, sem dúvida, uma revolução na medicina pode estar se aproximando.

Regina Célia Mingroni-Netto

Eliana Maria Beluzzo Dessen

Bibliografia para consulta

Livro
Pereira, LV. Clonagem, fatos & mitos. São Paulo, Moderna, 2002.

Periódicos
Tianqing Li, Jiawei Zheng, Yunhua Xie, Shufen Wang, Xiuzhen Zhang, Jian Li, Lifang Jin, Yuanye Ma, Don P. Wolf, Qi Zhou, Weizhi Jia. Transplantable Neural Progenitor Populations Derived from Rhesus Monkey Em-bryonic Stem Cells. Stem Cells Vol. 23 No. 9 October 2005, pp. 1295-1303 Oliver Brüstle, Kimberly N. Jones, Randall D. Learish, Khalad Karram, Khalid Choudhary, Otmar D. Wi-estler, Ian D. Duncan, Ronald D. G. McKay - Embryonic Stem Cell-Derived Glial Precursors: A Source of Myelinat-ing Transplants - Science 30 July 1999:Vol. 285. no. 5428, pp. 754 - 756

Revistas
Revista Pesquisa FAPESP - Injeções de vida: clonagem e terapia celular, Marco Antônio Zago Ed 73 03/2002 Revista Pesquisa FAPESP - Coração restaurado, Ricardo Zorzetto, Ed 88 06/2003 Revista Pesquisa FAPESP - As células de mil faces. Ed 89 07/2003 Revista Época – Edição 214, 24 de junho de 2002. Americanos encontram células adultas que dão origem a qualquer outro (Link http://epoca.globo.com/nd/20020623ct_e.htm)

Páginas na Internet
Com Ciência – Clonagem Humana (células-tronco) – Dráuzio Varella (http://www.drauziovarella.com.br/artigos/clonagemhumana.asp) Imuno-hematologia (http://ioh.medstudents.com.br/) Página do Genetic Science Learning Center da Universidade de Utah – http://gslc.genetics.utah.edu/units/stemcells Página do National Marrow Donor Program http://www.marrow.org?MEDICAL/cord_blood_transplantation_basic.html#hla FDA web site: Human GeneTherapy and Role of Food and Drug Administration http://www.fda.gov.cber/infosheets.genezn.htm Página do National Institute of Health http://stemcells.nih.gov/info/basics/basics3.asp de íntron é essencial para o ensino sobre splicing alternativo no ensino superior.

Fonte: www.geneticanaescola.com.br

Células-Tronco

A LEI DA PESQUISA COM CÉLULAS-TRONCO

O STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, órgão do Poder Judiciário Brasileiro, julgou constitucional o dispositivo contido no artigo 5º da Lei nº 11.105/2005, conhecida nacionalmente como “LEI DE BIOSSEGURANÇA”, que em síntese, permite a realização de pesquisa e terapia com células-tronco embrionárias humanas no Brasil, tendo em vista a grande importância cientifica e estratégica para a saúde pública nacional, assinando assim para o mundo o que chamamos de primeiro passo para o avanço da ciência brasileira neste setor. É importante lembrar que os experimentos com animais já realizados indicam um potencial terapêutico inigualável para as células-tronco embrionárias humanas, pois, essas células foram capazes de aliviar, diminuir e/ou curar sintomas de diversas patologias, dentre as quais o mal de Parkinson, além da lesão de medula espinhal. Especificamente falando, segundo os estudiosos do assunto na área médica e cientifica que no caso específico das doenças do mal de Parkinson e da lesão de medula espinhal, há perda de neurônios, incapazes de serem produzidos a partir de células-tronco adultas oriundas da medula óssea, do cordão umbilical e/ou do tecido adiposo, daí a justificativa e da necessidade da ampliação das pesquisas e terapias com células-tronco embrionárias humanas, onde os pesquisadores deverão de agora por diante tentar descobrir o segredo ou origem da cura para tais doenças.

De agora por diante o Brasil passa a integrar da relação nominal dos países que já aprovaram e realizam pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, dentre os quais se inclui: Austrália, Coréia do Sul, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Cingapura, Suécia, Suíça, Taiwan, Finlândia, França, Índia, Islândia, Grécia, Israel, Japão, dentre outros. Vale salientar que os Estados Unidos da América já permitiu tal desde que não seja financiada com dinheiro público federal. Já a Alemanha permite a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas desde que criadas antes de 2002 e o CONGRESSO ALEMÃO encontrase discutindo uma nova legislação ainda mais permissiva nesta área cientifica.

Atualmente, são poucos os países que proíbem a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, são respectivamente: Áustria, Lituânia, Irlanda e Itália. Em todos esses casos, a proibição teve um viés meramente religioso, ex-vi a força da Igreja junto aos congressistas daqueles países. Aqui no Brasil, serão usados apenas os embriões considerados inviáveis, pois, inevitavelmente serão descartados pelas clínicas e/ou laboratórios de fertilização in vitro, levando-se em consideração de que, mesmo se transferidos para o útero materno, não conseguirão se desenvolver. E a chamada Lei de Biossegurança Brasileira permite ainda que embriões congelados há mais de três anos, não implantados no útero, sejam utilizados em pesquisas que busquem o tratamento para doenças hoje incuráveis ao invés de descartados. Desta forma, em ambos os casos é preciso a autorização por escrito dos genitores de tais embriões. As atuais pesquisas com células-tronco adultas não substituem os estudos envolvendo célulastronco embrionárias humanas, agora permitidas. De fato, são contraproducentes para a ciência as discussões baseadas em especulações sobre qual seria o melhor tipo de células-tronco, pois possuem potencial e aplicações distintas, segundo a legislação pátria que trata do assunto que de agora por diante começa a todo vapor a operacionalizar e pesquisar. O tema tem a aprovação quase que total do meio acadêmico brasileiro, inclusive existe especulação de que as maiores promessas estão nos estudos que envolvem a combinação de células-tronco adultas e embrionárias humanas num futuro bem próximo. Desta forma se tem noticia que a grande maioria dos cientistas brasileiros que já trabalham com células-tronco adultas também é a favor das pesquisas com células-tronco embrionárias, concretizando assim, uma esperança para salvar muitas vidas de certas e determinadas doenças, não deixa de ser uma luz no final do túnel. Os animais tidos como irracionais, por serem de espécies diferentes, têm comportamentos distintos dos comportamentos humanos, desta forma, as células de outros mamíferos não podem ser utilizadas para responder todas as questões relacionadas ao desenvolvimento dos seres racionais e/ou humanos. O Brasil encontra-se com nada mais nada menos com dez anos de atraso no tocante aos estudos em termos de pesquisas em células-tronco, pois, desde 1998 que as mesmas foram descobertas, e hoje há inúmeros experimentos com animais indicando que são capazes de exercer efeitos terapêuticos. Daí a grande necessidade da liberação oficial e legal para dar inicio a referida pesquisa, desta forma, será possível progredir para a eventual utilização terapêutica dessas células. Devemos lembrar de que as próprias células-tronco adultas, descobertas na década de 1960, portanto, há mais de 40 anos, têm seu uso rotineiro restrito ao tratamento de doenças do sangue (hematológicas) pelo transplante de medula óssea e/ou sangue de cordão umbilical.

Suas demais aplicações clínicas, por mais anunciadas que sejam, têm caráter experimental, e/ou seja, ainda estão em fase de testes. Aqui no Brasil tudo ainda não passa de um sonho, pois, ainda é impossível afirmar quando um paciente irá entrar num hospital ou casa de saúde e se beneficiar de terapias com células-tronco, adultas e/ou embrionárias humanas, para infarto, diabetes, lesão da medula espinhal, derrame, Parkinson, dentre outras, etc. O que se pode afirmar, mesmo com a liberação aprovada pela decretação da constitucionalidade do referido diploma legal pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, é que nenhuma terapia estará disponível se não houver liberdade para o progresso científico. Portanto, com oficialização da liberdade de pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, agora caberá a ciência via seus pesquisadores fazer valer seus experimentos sem cometer crime de qualquer espécie.

Finalmente, o Supremo Tribunal Federal julgou constitucional o artigo 5º da Lei 11.105/2005 (Lei de Biossegurança) que dispõe o artigo 5° da Lei nº 11.105/2005:

“Art. 5º É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I – sejam embriões inviáveis; ou II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento. §1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores. § 2º Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa. § 3º É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. 15 da Lei no 9.434, de 4 de fevereiro de 1997”.

Que permite a realização pesquisa e terapia com células-tronco embrionárias humanas. Por maioria de votos, os ministros julgaram improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3510, ajuizada pela Procuradoria Geral da República para contestar o uso de embriões humanos para tais finalidades.

Desta forma, votaram pela improcedência da ação os ministros Carlos Ayres Britto (relator), Ellen Gracie, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Joaquim Barbosa, Marco Aurélio e Celso de Mello.

E que votaram igualmente favoráveis às pesquisas, porém com restrições, em diferentes níveis, votaram os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Cezar Peluso e Gilmar Mendes.

Agora caberá aos cientistas e pesquisadores brasileiros dar o retorno que a sociedade quer e espera em nome da vida.

FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR

Fonte: www.academialetrasbrasil.org.br

Células-Tronco

As Células-Tronco e o seu Potencial na Reparação de Órgãos e Tecidos

A elaboração das grandes manchetes que descrevem as futuras terapias destinadas a salvar vidas sempre tem início nos laboratórios de pesquisas biomédicas.

Nos dias atuais, uma surpreendente soma de recursos materiais e humanos é destinada ao estudo das células-tronco e do seu potencial na regeneração de tecidos ou de órgãos irremediavelmente lesados por doenças ou congenitamente malformados.

É surpreendente que apenas recentemente, mais precisamente na transição para o terceiro milênio, a ciência tenha despertado para a extraordinária importância das célulastronco para a espécie humana.

O potencial das células-tronco no tratamento de doenças incuráveis pelos métodos atualmente disponíveis na medicina e na cirurgia, apenas começa a ser conhecido. O mundo científico se volta para os resultados das pesquisas, na esperança de encontrar soluções para os problemas mais intrincados que determinadas moléstias representam.

Como habitualmente ocorre com as novidades que emergem dos laboratórios científicos, a manipulação das células-tronco estimula uma série de discussões que, invariavelmente, incluem considerações de ordem econômica, ética, moral, religiosa e legal. A sociedade, especialmente através de alguns grupos organizados, discute em profundidade os aspectos envolvidos na utilização das células-tronco com finalidade curativa. Como um tema de grande atualidade e em pleno desenvolvimento, é compreensível que ainda não haja um consenso sobre o que deve ou não ser permitido ou proibido. No Brasil, a questão despertou um longo debate que opõe, de um lado, grupos religiosos e, do outro, cientistas e portadores de doenças graves.

É comum imaginar-se que o embrião em disputa seja um feto, como os que se vêem nas imagens de ultra-sonografia, com sistema nervoso, coração, tronco e membros em formação. Na verdade, o material que interessa às pesquisas é o blastocisto, que é constiuído por um aglomerado celular com meio milímetro de tamanho, sem forma definida, composto por aproximadamente 100 a 200 células, disponível cinco dias depois da fecundação.

Nós vamos analisar alguns aspectos relativos às células-tronco e seu emprego ou seu potencial de utilização no tratamento de determinadas doenças, sem considerar o mérito ético, religioso ou legal. Apenas uma ampla discussão pela sociedade e seus legisladores deverá definir os limites que os pesquisadores deverão respeitar na manipulação desse maravilhoso recurso terapêutico.

A CÉLULA -TRONCO TOTIPOTENTE

Uma criança é formada à partir da união de uma célula reprodutora da mãe (o óvulo) e uma célula reprodutora do pai (o espermatozóide). Quando o espermatozóide se une ao óvulo forma-se a célula inicial de um novo ser. Esta célula se divide muitas vezes, originando outras células que, por fim, formam o embrião, cujo desenvolvimento dará origem ao feto.

As células reprodutoras são formadas em órgãos especiais: os ovários, na mulher, e os testículos, no homem. Estas células reprodutoras, ao contrário das demais células do organismo, têm 23 cromossomos diferentes (um de cada par). Após a união do óvulo com o espermatozóide, a célula formada terá 46 cromossomos.

Um óvulo (a célula reprodutora feminina) ao ser penetrado pelo espermatozóide (a célula reprodutora masculina) gera a célula denominada ovo ou zigoto. Esse processo é denominado fecundação. Na atualidade, a fecundação pode ser produzida em laboratório e o zigoto obtido pode ser implantado em um útero com a finalidade de desenvolver a gravidez ou pode, simplesmente, ser congelado para uma eventual gravidez futura. Numerosos embriões obtidos em laboratórios são utilizados em pesquisas com o consentimento do casal doador.

O zigoto fertilizado constitui a primeira célula tronco totipotente, ou seja, uma célula com capacidade de formar qualquer célula existente no ser completamente formado e desenvolvido. Essa célula tronco inicial se divide em duas, que se dividem em quatro, que se dividem em oito e assim sucessivamente até formar um conjunto de células que constitui o blastocisto. As células dos blastocistos são as células tronco embrionárias pluripotentes.

Uma célula-tronco pluripotente, tem a capacidade de desenvolver-se em qualquer tipo celular necessário ao desenvolvimento do feto mas não pode desenvolver células próprias da gravidez, como a placenta, por exemplo.

A célula é a unidade básica da vida. No organismo humano os órgãos são agregados de tecidos que, por sua vez, são agregados de células capazes de desempenhar as mesmas funções.

Theodor Schwan, em 1839, na Alemanha afirmou que todos os seres vivos são formados por células.

O estudo da reprodução celular em culturas de laboratório, permitiu diversas descobertas, como por exemplo o conhecimento do comportamento de tecidos normais ou malignos, a possibilidade de aperfeiçoamento genético de vegetais e o desenvolvimento de várias formas de tratamento dirigidas à infertilidade.

As pesquisas realizadas com células-tronco, também denominadas células-mãe, pela sua capacidade de originar novas células, permitiram explorar uma via terapêutica alternativa, baseada na recomposição de tecidos ou órgãos danificados por trauma ou por qualquer outro tipo de injúria, seja de natureza química, física, metabólica, infecciosa ou funcional.

A reconstrução anatômica (histológica) e funcional de determinados órgãos já é uma realidade, no caso da medula óssea e constitui uma grande promessa, no caso do miocárdio e de outros órgãos e tecidos nobres, à partir do emprego de colônias de células tronco.

Os estudos desenvolvidos à partir das células-tronco representam um grande avanço do conhecimento relacionado ao modo pelo qual um organismo complexo se desenvolve à partir de uma única célula. Representam também um enorme progresso na observação de que células sadias substituem células danificadas nos organismos adultos. Esta promissora área da ciência também levou os cientistas a investigar o potencial de novas terapias basead as em células (ou em reposição celular) para tratar determinadas doenças. Esta metodologia é frequentemente denominada medicina regenerativa ou reparativa e constitui um novo e promissor campo de investigação científica.

É simplesmente fascinante a idéia de que em um futuro próximo poderá ser possível regenerar uma área do coração que tornou-se uma cicatriz fibrosa, como consequência de um infarto do miocárdio, mediante a injeção de células tronco na região afetada.

As células-tronco constituem uma das áreas mais fascinantes da biologia moderna. Entretanto, à semelhança de outras áreas em rápida expansão, as pesquisas com as célulastronco suscitam questões de natureza as mais variadas, para as quais ainda não há respostas satisfatórias.

Os resultados das experiências com clonagem animal e o sucesso obtido com os transplantes de células da medula óssea no tratamento de diversas doenças hematológicas, evidenciaram a importância das células embrionárias e de células que mantém a capacidade de se diferenciar e produzir tipos celulares variados, conforme a natureza do estímulo para a reprodução e as necessidades do organismo. Essas células, de um modo genérico, são chamadas de células-tronco.

AS CÉLULAS-TRONCO

Podemos entender melhor o conceito de células-tronco, ao considerar que todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um espermatozoide e de um óvulo. Esta primeira célula já tem no seu núcleo o DNA (ou ADN - ácido desoxiribonucleico) com toda a informação genética para gerar um novo ser.

Logo após a fusão do espermatozoide e do óvulo, a célula resultante começa a se dividir: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante.

Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de se desenvolver em um ser humano completo. Estas células são chamadas de totipotentes.

São células-tronco totipotentes ou embrionárias, significando que cada uma delas tem a capacidade de se diferenciar em qualquer um dos 216 tecidos (inclusive a placenta e os anexos embrionários) que formam o organismo humano.

Após cerca de 72 horas da fecundação, as divisões celulares sucessivas dão origem a um aglomerado de cerca de 100 células (embrião), denominado blastocisto. Nessa fase ocorre a implantação do embrião na cavidade uterina. As células internas do blastocisto vão originar as centenas de tecidos que compõem o organismo humano - estas células são chamadas células-tronco embrionárias pluripotentes.

Estas células somáticas, ainda iguais, à partir de um determinado momento, passam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, coração, ossos, cérebro, etc...

Uma célula-tronco, portanto, é um tipo especial de célula que tem a capacidade singular de gerar outra célula-tronco ou gerar um tipo de célula especializada.

A maioria das células do organismo é destinada a desempenhar uma função específica ou, em outras palavras as células do organismo desenvolvido são comprometidas com a realização de determinadas funções.

Ao contrário, as células-tronco não são comprometidas e assim permanecem até receberem um "sinal" que indica a necessidade de se transformar em um tipo celular específico.

PROPRIEDADES DAS CÉLULAS TRONCO

As células-tronco tem duas propriedades fundamentais que as distinguem dos demais tipos de células. Em primeiro lugar, elas são células não especializadas que se renovam por longos períodos através da divisão celular. A outra característica é que sob determinadas condições fisiológicas ou experimentais, elas podem ser induzidas a transformar-se em células com funções específicas, tais como as células miocárdicas ou as células produtoras de insulina do pâncreas.

Em outras palavras, podemos dizer que: A célula-tronco é um tipo de célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta propriedade é peculiar, uma vez que as outras células apenas podem originar células do mesmo tecido a que pertencem. Desse modo, podemos dizer que as células do fígado somente podem gerar células do fígado.

A outra capacidade fundamental da célula-tronco é a auto-replicação, que significa que as células-tronco podem gerar cópias idênticas delas mesmas.

Estas propriedades únicas das células-tronco fazem com que os cientistas busquem nelas a possibilidade de encontrar a cura para muitas doenças, através a substituição dos tecidos danificados por grupos de células-tronco.

CLASSIFICAÇÃO DAS CÉLULAS-TRONCO

As células-tronco podem ser classificadas do seguinte modo:

Células-tronco totipotentes ou embrionárias - São as células-tronco capazes de se diferenciar em qualquer tecido do organismo humano. Correspondem às células resultantes das primeiras divisões celulares, após a fecundação. Encontram-se nos embriões.
Células-tronco pluripotentes ou multipotentes -
São as células-tronco que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos humanos, exceto a placenta e os anexos embrionários. Como as anteriores, encontram-se apenas nos embriões.
Células-tronco oligopotentes -
São as células-tronco capazes de diferenciar-se em poucos tecidos. São encontradas em diversos tecidos, como no trato intestinal, por exemplo.
Células-tronco unipotentes -
São as células-tronco que apenas conseguem diferenciarse em um único tecido, ou seja, o tecido a que pertencem. Em linhas gerais, podemos dizer que, quanto mais primitiva na linha de desenvolvimento embrionário, maior é o potencial de diferenciação de uma célula-tronco. As células-tronco funcionam como verdadeiros "curingas" no organismo, porque teriam a função de ajudar no reparo de uma lesão em qualquer tecido. As células-tronco da medula óssea, especialmente, têm uma função importante: regenerar o sangue, porque as células sanguíneas se renovam constantemente.

AS CÉLULAS-TRONCO NA PRÁTICA TERAPÊUTICA

A terapia com células-tronco ainda se encontra em estágio evolutivo e seu potencial é objeto de muita especulação, expectativas e esperanças.

Essa terapia consiste em usar grupos de células-tronco para tratar doenças e lesões através da substituição de tecidos doentes por tecidos formados por células saudáveis. O transplante de medula óssea para o tratamento das leucemias é uma forma de tratamento com células-tronco de eficácia comprovada.

A medula óssea do doador compatível contém as células-tronco hematogênicas que irão formar as novas células sanguíneas sadias.

Há uma grande variedade de aplicações das células-tronco no tratamento de diversas doenças mas, há também, grandes obstáculos a serem vencidos.

Entre as dificuldades técnicas existentes no emprego das células-tronco e a sua aplicação no tratamento de doenças graves que acometem os indivíduos, há uma série de perguntas que ainda não foram satisfatoriamente respondidas.

Um dos principais objetivos do estudo das células-tronco embrionárias é a coleta de informações sobre os eventos complexos que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião humano. É preciso saber como as células-tronco indiferenciadas tornam-se células de determinados tecidos. Sabe-se que a manipulação de genes (introduzindo ou removendo) pode interferir na diferenciação celular. A melhor compreensão dos controles moleculares e genéticos podem contribuir para conhecer como doenças do tipo do cancer e doenças congênitas se originam e como podem, eventualmente, ser mais adequadamente tratadas.

Algumas linhagens de células-tronco podem ser usadas para testar a potência e a eficiência de determinadas drogas, como as que se usam no tratamento de alguns tipos de câncer, por exemplo, e muitas outras drogas potentes, antes da sua indicação para uso em humanos, ainda que em caráter experimental.

Talvez a maior esperença do uso das células-tronco resida na geração de células capazes de serem usadas como terapia substitutiva de células danificadas por doenças, em lugar dos transplantes.

As células-tronco diferenciadas podem ser usadas em doenças como o mal de Parkinson, doença de Alzheimer, doenças e traumatismos da medula espinhal, acidentes vasculares cerebrais e um sem número de outras doenças severas e incapacitantes.

O Brasil inicia, nos dias atuais, um ambicioso programa de emprego de células-tronco ad ultas no tratamento de doenças cardíacas com aproximadamente 40 centros e 1200 pacientes, com a finalidade de comprovar os resultados iniciais favoráveis obtidos em um pequeno grupo de pacientes (14 casos) pelo grupo de estudos constituido por profissionais do Hospital Pró-Cardíaco, do Rio de Janeiro, e do Texas Heart Institute.

Numa primeira fase demonstrou-se que as células-tronco tinham o potencial de regenerar as artérias e aumentar a vascularização das áreas miocárdicas comprometidas e isquêmicas.

Posteriormente, o estudo dos pacientes tratados demonstrou que além dos vasos, as célulastronco utilizadas haviam regenerado o próprio músculo cardíaco fibrosado em consequência de infartos prévios.

Outras equipes estudam o emprego das células tronco na regeneração do pâncreas, em pacientes diabéticos. Outros grupos buscam determinar a eficácia do emprego das células-tronco na regeneração de tecido cerebral e da medula espinhal comprometidos por diversos processos patológicos, congênitos ou adquiridos.

Os estudos com a regeneração de células cerebrais visam buscar a cura ou, pelo menos, a melhora de pacientes portadores de doenças graves, como a doença de Alzheimer ou a doença de Parkinson, além de outras degenerações neurológicas menos frequentes.

'Na maioria das áreas de estudo, os resultados inicialmente obtidos tem confirmado as hipóteses dos cientistas, o que, sem dúvida, assegura a validade do aprofundamento das pesquisas.

A figura 1, abaixo, representa com detalhes um grupo de células-tronco às quais foram 'adicionados fatores de crescimento e outros "insumos" necessários ao desenvolvimento e à reprodução celular.

As células-tronco pluripotenciais tem a possibilidade de reproduzirse e formar células musculares (miocárdicas, de músculos esqueléticos), células sanguíneas e células do tecido nervoso cerebral, além das células pancreáticas produtoras de insulina e muitas outras.

Na verdade, admite-se que as células-tronco podem desenvolver e reproduzir-se em qualquer tipo celular existente no organismo.

CLONAGEM

Podemos definir um clone como um grupo de células ou organismos, originados de uma única célula e que são absolutamente idênticas à célula original. Nos seres humanos, os clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um único óvulo fertilizado. A clonagem é a cópia ou a duplicação de células ou de embriões à partir de um ser já adulto. As cópias possuem todas as características físicas e biológicas do seu progenitor genético.

A clonagem da ovelha Dolly, tão amplamente divulgada pela imprensa, obtida em 1996, na cidade de Edimburgo, no interior da Escócia, serviu para despertar o interesse da sociedade para pesquisas que já eram rotineiramente realizadas em vários centros internacionais.

Não por acaso, contudo, as considerações éticas, jurídicas, morais e religiosas, habitualmente suscitadas diante de todo procedimento inovador, ocuparam o centro das discussões, levando, inclusive os governos a legislar sobre o tema, cujo verdadeiro potencial ainda é desconhecido.

A clonagem é um mecanismo comum de propagação da espécie em plantas e em bactérias.

A clonagem da ovelha Dolly constituiu uma experiência que sugere que a clonagem humana seja possível. Entretanto, os cientistas buscam desenvolver métodos capazes de permitir a clonagem terapêutica, de enorme alcance, frente a numerosas doenças para as quais a medicina contemporânea não dispõe de alternativas eficazes de tratamento.

CLONAGEM TERAPÊUTICA

A clonagem terapêutica, consiste na transferência do núcleo de uma célula para um óvulo sem núcleo. É um passo adiante nas técnicas de culturas de tecidos, que são realizadas há décadas. Ao transferir o núcleo de uma célula de uma pessoa para um óvulo sem núcleo, esse novo óvulo ao dividir-se gera, em laboratório, células potencialmente capazes de produzir qualquer tecido. Isso gera perspectivas fantásticas para futuros tratamentos.

Nos dias atuais, apenas é possível cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido de onde foram retiradas. As técnicas mais avançadas de clonagem tornariam possível a geração de um órgão que serviria para substituir o órgão equivalente cuja função tenha deteriorado.

A clonagem terapêutica teria a excepcional vantagem de evitar os fenômenos de rejeição, se o doador fosse também o próprio receptor. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um infarto, conforme algumas experiências já demonstraram.

Nos portadores de doenças genéticas não seria possível usar as células do próprio indivíduo (porque todas têm o mesmo defeito genético), mas de um doador compatível.

As células-tronco mais bem conhecidas são as células-tronco do tecido hematopoiético.

Os transplantes de medula óssea para o tratamento de diversas doenças hematológicas constitui um transplante de células-tronco com potencial gerador de células do tecido sanguíneo. Para cada 10.000 a 15.000 células da medula óssea há 1 célula-tronco. O transplante de medula óssea, para o tratamento de pacientes portadores de leucemia é um método de terapia celular já conhecido e de eficácia comprovada.

A medula óssea do doador contém células-tronco sangüíneas que vão fabricar as novas células sangüíneas sadias.

CÉLULAS-TRONCO DO CORDÃO UMBILICAL

Nos anos oitenta identificou-se o sangue do cordão umbilical e da placenta dos recém natos como uma fonte rica em células-tronco. Aceita-se que dentre as células-tronco do cordão umbilical haja um percentual de células-tronco pluripotentes e, portanto, capazes de se desenvolver em praticamente todos os tecidos do organismo, exceto a placenta e os anexos embrionários. O sangue do cordão umbilical tem, portanto, um potencial extraordinário no tratamento de numerosas doenças á partir da reposição celular.

Nos dias atuais há um número crescente de instituições que armazenam o sangue do cordão umbilical em ambientes apropriados, constituindo os Bancos de Sangue de cordão umbilical. O material pode representar uma grande fonte de células-tronco para o tratamento das leucemias e de outras doenças letais ou incapacitantes. Quanto maior a reserva de sangue de cordão umbilical, tanto maiores serão as chances de conseguir-se um doador compatível para o tratamento das neoplasias hematológicas. O doador ideal deve ter compatibilidade dos grupos sanguíneos ABO e compatibilidade dos antígenos leucocitários, para assegurar uma ampla magem de sucesso no tratamento. Leucemias e linfomas são habitualmente curadas com a utilização das células-tronco do cordão umbilical.

CÉLULAS -TRONCO EMBRIONÁRIAS

Há uma grande discussão a nível mundial, sobre o emprego de células-tronco obtidas de embriões não utilizados nas clínicas de fertilização e que seriam destruídos. Os opositores argumentam com os riscos de criar-se um mercado paralelo de óvulos ou a destruição de embriões humanos.

Esses argumentos não se justificam, uma vez que as células seriam obtidas mediante a transferência do núcleo ou pelo emprego de embriões descartados e, portanto, sem a nidação ou seja, a implantação em um útero humano. Todo o procedimento é laboratorial e seu potencial terapêutico mais do que justificaria a realização do procedimento. A comunidade científica, certamente, deverá demonstrar a compara ção entre os riscos e os benefícios do procedimento que, como todo procedimento inovador, gera muita discussão e controvérsias.

Pesquisadores coreanos já demonstraram a possibilidade de obter-se células-tronco pluripotentes à partir da técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos, com a colaboração de dezesseis mulheres voluntárias que doaram cerca de 240 óvulos e células "cumulus" (que habitam a redondeza dos óvulos).

Nos dias atuais, a clonagem terapêutica constitui mais uma esperança ou um projeto do que, propriamente uma realidade. A técnica enfrenta severo criticismo de segmentos da sociedade, de órgãos governamentais e de lideranças religiosas. Sob o ponto de vista terapêutico, a clonagem e o emprego das células-tronco constituem um gigantesco avanço que pode caracterizar o desenvolvimento da ciência no século XXI.

A ciência não busca a clonagem de seres humanos ou a criação de "supermercados" contendo os mais diversos órgãos nas suas prateleiras. Os cientistas contemporâneos buscam métodos capazes de curar doenças fatais e para as quais a medicina convencional ainda não encontrou os caminhos da cura ou da prevenção. O caminho a percorrer ainda é longo e tortuoso. Contudo, os primeiros passos já foram dados.

A medicina veterinária, que é menos vulnerável às considerações legais, éticas e religiosas, já obteve progressos enormes no emprego terapêutico das células-tronco.

O trabalho laboratorial bem conduzido, na dependência do tempo disponível pode, inclusive, gerar órgãos completos e absolutamente compatíveis com o receptor a que se destina, eliminando a necessidade do emprego de métodos de qualquer natureza para o controle da rejeição. Este é o papel que a ciência e a sociedade esperam do emprego ético e legal das células-tronco pluripotenciais.

CÉLULAS-TRONCO PARA TRATAMENTO DE AFECÇÕES NEUROLÓGICAS

Em primeiro lugar vamos recordar que a preferência pelo uso das células-tronco embrionárias deve-se ao fato de que um indivíduo adulto não possui células-tronco totipotentes ou pluripotentes. Embora o organismo adulto possa, na verdade, conter algumas células multipotentes, estas células já sofreram algum dano ao seu DNA devido ao processo natural de envelhecimento, que é cumulativo, ao longo dos anos. Essa degeneração do DNA leva à formação de vários tipos de câncer no organismo adulto e, além disso, a duração da vida dessas células é menor do que as células-tronco embrionárias.

Já foi demonstrado experimentalmente que as células-tronco podem se transformar em neurônios. Diversos pesquisadores encontraram uma forma de implantar células-tronco de embriões no cérebro e na coluna de ratos e, desse modo, as células-tronco implantadas desenvolveram novas células nervosas. Esses resultados fazem com que a possibilidade de no vos tratamentos para doenças neurodegenerativas fique mais próxima da realidade.

Ao tratar as células-tronco quimicamente, os cientistas conseguiram transformá-las em neurônios.

As pesquisas em torno das células-tronco estão sendo encaradas pelos cientistas como um instrumento potencialmente capaz de curar uma série de doenças, entre elas, o mal de Parkinson e o de Alzheimer onde as células do cérebro e da medula estão afetadas. Contudo, ainda há muitos estágios a serem superados antes que os tratamentos para os seres humanos possam ser desenvolvidos e aplicados. É preciso, por exemplo, verificar se os novos neurônios podem liberar os neurotransmissores, e então observar se há uma recuperação funcional a longo prazo. Também é necessário verificar se não haverá formação de tumores à partir das células-tronco implantadas.

CÉLULAS -TRONCO E DIABETES

Durante várias décadas os estudiosos do diabetes buscaram meios de substituir as células produtoras de insulina do pâncreas que são destruídas pelo próprio sistema imunitário dos pacientes. Nos dias atuais, isso parece ser possível.

O diabetes constitui um grupo de doenças caracterizado por níveis anormalmente elevados de glicose no sangue circulante. Este excesso de glicose é responsável pela maioria das complicações do diabetes, que incluem a cegueira, insuficiência renal, doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, neuropatias, doenças arterias periféricas e amputações. O diabetes do tipo 1, também conhecido como diabetes infanto-juvenil, tem início precoce e afeta tipicamente as crianças e os adolescentes.

O sistema imunitário interpreta as células produtoras de insulina como sendo estranhas e as destrói. Na ausência de insulina a glicose não pode penetrar no interior das células e se acumula no sangue. O diabetes tipo 2, também conhecido como diabetes adulto, afeta primariamente os indivíduos maduros, sedentários, obesos e com história familiar de diabetes. O diabetes do tipo 2 se caracteriza pela inabilidade do organismo utilizar a insulina eficazmente. Este fenômeno é chamado de resistência à insulina e o resultado é semelhante ao que ocorre com os portadores de diabetes do tipo 1 - acúmulo de glicose no sangue.

Atualmente não existe cura para o diabetes. Os pacientes com diabetes do tipo 1 podem necessitar o uso diário de insulina injetável e realizar testes para verificar seus níveis de glicose. Esse tratamento deve ser mantido permanentemente, por toda a vida, para reduzir a incidência e a severidade das complicações. Os portadores de diabetes do tipo 2, frequentemente conseguem controlar os níveis séricos da glicose mediante uma combinação de dieta, exercício e drogas antiglicemiantes orais.

Indivíduos portadores de diabetes do tipo 1, não raro, são tratados com transplantes de pâ ncreas e, após 1 ano da operação, 83% dos receptores não apresentam sintomas de diabetes e podem abandonar o uso de insulina. Contudo, devem ser mantidos sob rígido esquema de drogas anti-rejeição. A demanda por transplantes, entretanto, supera em muito as disponibilidades de órgãos.

James Shapiro, no Canadá, desenvolveu um interessante protocolo de transplantes de células das ilhotas de Langerhans, que produzem insulina. Esse protocolo está em testes em vários centros mundiais e constitui uma grande evolução, quando comparado com o transplante de todo o pâncreas. Ainda assim, a terapia anti-rejeição é obrigatória.

O pâncreas desenvolve no arco duodenal e, nos mamíferos, é um órgão constituído por 3 classes de células: as células ductais, as células acinares e as células endócrinas. As células endócrinas ou das ilhotas são as mais importantes.

Existem 4 tipos de células endócrinas nas ilhotas de Langerhans: as células beta, produtoras de insulina; as células alfa, produtoras de glucagon; as células delta, secretoras de somatostatina e as células PP que produzem o polipeptídeo pancreático. Os hormônios liberados por cada tipo celular tem importante papel na regulação dos hormônios liberados pelos outros tipos de células das ilhotas.

Cerca de 65 a 90% das células das ilhotas de Langerhans são células beta, secretoras de insulina.

Em busca de tratamentos alternativos para o diabetes, os pesquisadores esperam desenvolver um sistema capaz de produzir e renovar suas células em meios de cultura. Não se sabe ainda se para o tratamento do diabetes é preferível produzir apenas as células beta das ilhotas ou se os demais tipos celulares são também necessários para um melhor controle do diabetes. Alguns estudos mostram que as células beta crescidas em culturas respondem menos ao estímulo da glicose do que os grupos de células contendo todos os tipos celulares das ilhotas de Langerhans. As células das ilhotas respondem ao estímulo da glicose pela produção de insulina em duas fases, uma rápida e outra mais lenta.

Os estudos em desenvolvimento com as culturas de células-tronco para a produção de células das ilhotas pancreáticas de Langerhans são promissores e, apesar das dificuldades em produzir as células, os resultados iniciais mostram que, em um futuro não muito distante, será possível dispor de células capazes de produzir insulina para substituir as células danificadas pelo sistema imunológico, no diabetes do tipo 1, mesmo que, em princípio estas novas células devam ser protegidas com uma terapia capaz de bloquear a resposta imunológica que agride as células nativas.

Maria Helena L. Souza

Decio O. Elias

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Fonte: perfline.com

Células-Tronco

Células-tronco: a medicina do futuro

Introdução

A produção de diferentes tipos de células em laboratório e sua utilização para recuperar tecidos ou órgãos lesados está deixando de ser um sonho. Estudos com células-tronco vêm demonstrando que elas podem se diferenciar em todos os tipos celulares presentes em um organismo adulto, e acredita-se que tal processo será controlado em breve.

Mesmo os debates éticos e religiosos sobre o uso de células-tronco retiradas de embriões perderam o sentido, com a descoberta de que essas células existem em indivíduos adultos e mantêm sua capacidade de diferenciação. Está aberto o caminho para a bioengenharia, que revolucionará a medicina.

As células-tronco

Todo organismo pluricelular é composto por diferentes tipos de células. Entre as cerca de 75 trilhões de células existentes em um homem adulto, por exemplo, são encontrados em torno de 200 tipos celulares distintos. Todos eles derivam de células precursoras, denominadas 'células-tronco'.

O processo de diferenciação, que gera as células especializadas — da pele, dos ossos e cartilagens, do sangue, dos músculos, do sistema nervoso e dos outros órgãos e tecidos humanos — é regulado, em cada caso, pela expressão de genes específicos na célula-tronco, mas ainda não se sabe em detalhes como isso ocorre e que outros fatores estão envolvidos. Compreender e controlar esse processo é um dos grandes desafios da ciência na atualidade.

A célula-tronco prototípica é o óvulo fertilizado (zigoto). Essa única célula é capaz de gerar todos os tipos celulares existentes em um organismo adulto, até os gametas — óvulos e espermatozoides — que darão origem a novos zigotos (figura 1). A incrível capacidade de gerar um organismo adulto completo a partir de apenas uma célula tem fascinado os biólogos desde que o fisiologista alemão Theodor Schwann (1810-1882) lançou, em 1839, as bases da teoria celular.

Células-Tronco
Figura 1: Entender em detalhes como um organismo completo, com inúmeros tipos diferentes de células,
forma-se a partir de apenas uma célula - o óvulo fertilizado (zigoto) - ainda é um desafio para a ciência

Já no início do século 20, vários embriologistas, entre eles os alemães Hans Spemann (1869-1941) e Jacques Loeb (1859-1924), começaram a decifrar os segredos das células-tronco através de experimentos engenhosos com células de embriões. Tais pesquisas revelaram que, quando as duas primeiras células de um embrião de anfíbio são separadas, cada uma é capaz de gerar um girino normal, e que, mesmo após as quatro primeiras divisões celulares de um embrião de anfíbio, o núcleo dessas células embrionárias ainda pode transmitir todas as informações necessárias à formação de girinos completos, se transplantado para uma célula da qual o núcleo tenha sido retirado (célula enucleada).

A originalidade desses experimentos permitiu que Spemann formulasse, em 1938, uma pergunta fundamental para a moderna biologia do desenvolvimento: o núcleo de uma célula totalmente diferenciada seria capaz de gerar um indivíduo adulto normal, se transplantado para um óvulo enucleado?.

Em 1996, o nascimento da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir do núcleo de uma célula adulta diferenciada (uma célula epitelial de glândula mamária), trouxe a resposta.

A continuação dos estudos sobre as células-tronco demonstrou que elas têm as seguintes características básicas: são indiferenciadas e têm a capacidade de gerar não só novas células-tronco como grande variedade de células diferenciadas funcionais.

Para realizar essa dupla tarefa (replicação e diferenciação), a célula-tronco pode seguir dois modelos básicos de divisão: o determinístico, no qual sua divisão gera sempre uma nova célula-tronco e uma diferenciada, ou o aleatório (ou estocástico), no qual algumas células-tronco geram somente novas células-tronco e outras geram apenas células diferenciadas (figura 2).

Células-Tronco
Figura 2: A divisão das células-tronco embrionárias segue dois modelos: o determinístico (A),
que gera sempre uma célula-tronco e uma célula diferenciada, e o aleatório (B),
em que podem ser geradas diversas combinações de células

As células-tronco conhecidas há mais tempo são as embrionárias, que aos poucos, com o desenvolvimento do embrião, produzem todas as demais células de um organismo. Mas nas últimas décadas descobriu-se que tecidos já diferenciados de organismos adultos conservam essas células precursoras.

As células-tronco embrionárias

As células-tronco embrionárias são estudadas desde o século 19, mas só há 20 anos dois grupos independentes de pesquisadores conseguiram imortalizá-las, ou seja, cultivá-las indefinidamente em laboratório. Para isso, utilizaram células retiradas da massa celular interna de blastocistos (um dos estágios iniciais dos embriões de mamíferos) de camundongos. Essas células são conhecidas pela sigla ES, do inglês embryonic stem cells (células-tronco embrionárias), e são denominadas pluripotentes, pois podem proliferar indefinidamente in vitro sem se diferenciar, mas também podem se diferenciar se forem modificadas as condições de cultivo (figura 3). De fato, é preciso cultivar as células ES sob condições muito especiais para que proliferem e continuem indiferenciadas, e encontrar essas condições foi o grande desafio vencido pelos cientistas.

Células-Tronco
Figura 3: As células-tronco embrionárias são denominadas pluripotentes, porque podem proliferar
indefinidamente in vitro sem se diferenciar, mas se diferenciam se forem alteradas as condições de cultivo

Outra característica especial dessas células é que, quando reintroduzidas em embriões de camundongo, dão origem a células de todos os tecidos de um animal adulto, mesmo as germinativas (óvulos e espermatozoides). Apenas uma célula ES, no entanto, não é capaz de gerar um embrião. Isso significa que tais células não são totipotentes, como o óvulo fertilizado.

A disponibilidade de células ES de camundongos tornou corriqueira a manipulação genética desses animais. A possibilidade de introduzir ou eliminar genes nas células ES in vitro e depois reimplantá-las em embriões permitiu gerar camundongos transgênicos (que expressam genes exógenos) e knockouts (que não têm um ou mais genes presentes em animais normais) essenciais para muitas pesquisas (figura 4).

As células-tronco modificadas podem originar até células germinativas nos animais transgênicos adultos, permitindo em muitos casos a sua reprodução. Esses animais têm ajudado a caracterizar muitas doenças humanas resultantes de alterações genéticas.

Células-Tronco
Figura 4: Introduzindo ou eliminando genes nas células ES in vitro e em seguida
reimplantando-as em embriões foi possível gerar camundongos transgênicos (que expressam genes exógenos)
e knockouts (que não têm ou não expressam um ou mais genes presentes em animais normais)

O fato de as células ES reintroduzidas em embriões de camundongo gerarem tipos celulares integrantes de todos os tecidos do animal adulto revela que elas têm potencial para se diferenciar também in vitro em qualquer desses tipos, de uma célula da pele a um neurônio. Na verdade, vários laboratórios já conseguiram a diferenciação de células ES de camundongos, em cultura, em tipos tão distintos quanto as células hematopoiéticas (precursoras das células sanguíneas) e as do sistema nervoso (neurônios, astrócitos e oligodendrócitos), entre outras (figura 5).

Células-Tronco
Figura 5: Estudos em laboratórios de vários países já conseguiram que as
células-tronco embrionárias se diferenciassem, em cultura, em diversos tipos celulares

A capacidade de direcionar esse processo de diferenciação permitiria que, a partir de células-tronco embrionárias, fossem cultivados controladamente os mais diferentes tipos celulares, abrindo a possibilidade de construir tecidos e órgãos in vitro, na placa de cultura, tornando viável a chamada bioengenharia.

Esse sonho biotecnológico tornou-se um pouco mais real em 1998, quando o biólogo James Thomson e sua equipe conseguiram, na Universidade de Wisconsin (Estados Unidos), imortalizar células ES de embriões humanos. No mesmo ano, também foram imortalizadas células embrionárias germinativas humanas (EG, do inglês embryonic germ cells), derivadas das células reprodutivas primordiais de fetos, pelo embriologista John Gearhart, da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) e equipe. Como as ES, as EG também são pluripotentes, ou seja, podem gerar qualquer célula do organismo adulto.

A disponibilidade de células ES e EG humanas abriu horizontes impensáveis para a medicina, mas também trouxe complexos problemas ético-religiosos. Se já podemos imaginar o cultivo de células ES humanas gerando neurônios em cultura, que substituiriam células nervosas danificadas em doenças como as de Parkinson e de Alzheimer, não podemos esquecer que esse cultivo é feito a partir de células retiradas de embriões humanos, e para isso eles precisam ser sacrificados. Além disso, com a disponibilidade de células ES humanas e com as experiências de transferência nuclear, a clonagem de seres humanos tornou-se uma possibilidade cada vez mais real.

Diante de questões tão polêmicas, é preciso que a sociedade como um todo se manifeste, através de seus legisladores, e defina o que é socialmente aceitável no uso de células-tronco embrionárias humanas para fins médicos. Inaceitável é impedir o progresso científico baseado na premissa de que o uso do conhecimento pode infringir conceitos religiosos ou morais. O Congresso dos Estados Unidos parece ter chegado a essa conclusão ao autorizar recentemente o uso de células ES humanas nas pesquisas financiadas pelo National Institutes of Health (NIH).

As células-tronco adultas

Sabe-se, desde os anos 60, que alguns tecidos de um organismo adulto se regeneram constantemente. Isso acontece com a pele, com as paredes intestinais e principalmente com o sangue, que têm suas células destruídas e renovadas o tempo inteiro, em um complexo e finamente regulado processo de proliferação e diferenciação celular.

Os estudos feitos há décadas sobre a hematopoiese (processo de produção de células sanguíneas) a partir de células-tronco multipotentes, localizadas no interior dos ossos, mostraram que elas originam células progressivamente mais diferenciadas e com menor capacidade proliferativa.

Essas células-tronco podem gerar as linhagens precursoras mieloide e linfoide, que terminam por dar origem a todos os nove tipos celulares presentes no sangue, de hemácias a linfócitos. A renovação do sangue é tão intensa que diariamente entram em circulação cerca de 8 mil novas células sanguíneas. É assombroso que o organismo consiga controlar um processo proliferativo tão exuberante, impedindo, em circunstâncias normais, que o número de células produzidas exceda o necessário e que as células liberadas na circulação estejam no estágio correto de diferenciação.

É relativamente recente a constatação de que, além da pele, do intestino e da medula óssea, outros tecidos e órgãos humanos — fígado, pâncreas, músculos esqueléticos (associados ao sistema locomotor), tecido adiposo e sistema nervoso — têm um estoque de células-tronco e uma capacidade limitada de regeneração após lesões.

Mais recente ainda é a ideia de que essas células-tronco 'adultas' são não apenas multipotentes (capazes de gerar os tipos celulares que compõem o tecido ou órgão específico onde estão situadas), mas também pluripotentes (podem gerar células de outros órgãos e tecidos).

O primeiro relato incontestável dessa propriedade das células-tronco adultas foi feito em 1998 por cientistas italianos, após um estudo — liderado pela bióloga Giuliana Ferrari, no Instituto San Rafaelle-Telethon — em que células derivadas da medula óssea regeneraram um músculo esquelético. Embora esse tipo de músculo também tenha células-tronco ('células-satélite'), os pesquisadores usaram células da medula óssea, geneticamente marcadas para identificação posterior. Essas células, quando injetadas em músculos (lesados quimicamente) de camundongos geneticamente imunodeficientes, mostraram-se capazes de se diferenciar em células musculares, reduzindo a lesão.

Em outro experimento, em vez da injeção de células medulares diretamente na lesão muscular, os camundongos imunodeficientes receberam um transplante de medula óssea. Feito o transplante, os pesquisadores verificaram que as células-tronco (geneticamente marcadas, e por isso identificáveis como do animal doador) migraram da medula para a área muscular lesada do animal. Isso demonstrou que, existindo uma lesão muscular, células-tronco medulares adultas podem migrar até a região lesada e se diferenciar em células musculares esqueléticas.

O trabalho, portanto, estabeleceu duas novas e importantes ideias: células-tronco de medula óssea podem dar origem a células musculares esqueléticas e podem migrar da medula para regiões lesadas no músculo. Nesse trabalho, porém, as células-tronco de medula, de reconhecida plasticidade, deram origem a células não medulares mas de mesma origem embriológica, já que tanto o tecido muscular quanto as células do sangue derivam do mesoderma (uma das três camadas germinais que aparecem no início da formação do embrião).

Um resultado ainda mais surpreendente foi relatado em janeiro de 1999 por cientistas liderados por dois neurobiólogos, o canadense Christopher Bjornson e o italiano Angelo Vescovi.

Em seu trabalho, publicado na revista Science, com o título 'Transformando cérebro em sangue: um destino hematopoiético adotado por uma célula-tronco neural adulta in vivo', eles demonstraram que células-tronco neurais de camundongos adultos podem restaurar as células hematopoiéticas em camundongos que tiveram a medula óssea destruída por irradiação.

Esse achado revolucionou os conceitos até então vigentes, pois demonstrou que uma célula tronco-adulta derivada de um tecido altamente diferenciado e com limitada capacidade de proliferação pode seguir um programa de diferenciação totalmente diverso se colocada em um ambiente adequado.

Também deixou claro que o potencial de diferenciação das células-tronco adultas não é limitado por sua origem embriológica: células neurais têm origem no ectoderma e células sanguíneas vêm do mesoderma embrionário.

Ainda em 1999, em outros estudos, células-tronco adultas da medula óssea de camundongos transformaram-se em precursores hepáticos e, pela primeira vez, células-tronco adultas de medula óssea humana foram induzidas a se diferenciar, in vitro, nas linhagens condrocítica (cartilagem), osteocítica (osso) e adipogênica (gordura). Em junho de 2000, um grupo do Instituto Karolinska (Suécia), liderado por Jonas Frisen, confirmou que células-tronco neurais de camundongos adultos têm capacidade generalizada de diferenciação, podendo gerar qualquer tipo celular, de músculo cardíaco a estômago, intestino, fígado e rim, quando injetadas em embriões de galinha e camundongo. Esse resultado quebrou todos os dogmas, indicando que uma célula-tronco adulta é capaz de se diferenciar em qualquer tipo de célula, independentemente de seu tecido de origem, desde que cultivada sob condições adequadas.

Essa pluripotencialidade das células-tronco adultas coloca a questão do uso medicinal dessas células em bases totalmente novas. São eliminadas não só as questões ético-religiosas envolvidas no emprego das células-tronco embrionárias, mas também os problemas de rejeição imunológica, já que células-tronco do próprio paciente adulto podem ser usadas para regenerar seus tecidos ou órgãos lesados. Torna ainda possível imaginar que um dia não haverá mais filas para os transplantes de órgãos, nem famílias aflitas em busca de doadores compatíveis. Em breve, em vez de transplantes de órgãos, os hospitais farão transplantes de células retiradas do próprio paciente.

Não há dúvida de que a terapia com células-tronco será a medicina do futuro.

A luta contra as doenças cardíacas

Reconhecendo o enorme potencial das células-tronco na prática médica, o Laboratório de Cardiologia Celular e Molecular, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciou no ano passado um projeto de pesquisa que objetiva transplantar células-tronco para corações submetidos a infarto experimental.

O infarto do miocárdio é hoje uma das principais causas de mortalidade no mundo. Quando não mata de imediato, o infarto em geral provoca uma lesão que resulta em insuficiência cardíaca — a capacidade de bombeamento do coração fica reduzida, impedindo o paciente de exercer atividades que requerem maior esforço. Quanto maior a área de músculo cardíaco lesada durante o infarto, maior o grau de insuficiência.

Infelizmente, a insuficiência cardíaca é progressiva, de modo que o quadro clínico dos pacientes só piora: 22% dos homens e 46% das mulheres que sofrem infartos evoluem para insuficiência cardíaca congestiva em um prazo de seis anos. Essa doença é grave e sua incidência vem crescendo, tanto que, nos Estados Unidos, a taxa de mortalidade por insuficiência cardíaca aumentou 138% entre 1979 e 1998. É óbvia, portanto, a necessidade de uma terapia — ainda inexistente — que possa dar aos pacientes maior expectativa de vida após o infarto.

Curiosamente, embora haja células-tronco em vários tecidos diferenciados, elas ainda não foram encontradas no coração adulto. No entanto, a já citada pluripotencialidade das células-tronco hematopoiéticas e neurais permite imaginar que tais células, se cultivadas em ambiente adequado, poderiam originar células cardíacas. Isso foi confirmado em fins de 1999, quando surgiu (no Journal of Clinical Investigation) o primeiro — e até agora único — relato da diferenciação de células-tronco hematopoiéticas em células do músculo cardíaco em cultura, feito por Shinji Makino e colaboradores, na Universidade de Keio, no Japão.

Vários laboratórios, inclusive o da UFRJ, tentam desde então, sem sucesso, reproduzir os resultados da equipe de Makino. O sistema hematopoiético, porém, não é a única fonte de células-tronco para os transplantes cardíacos. Os músculos esqueléticos contêm células-tronco (as células-satélite), que podem se diferenciar facilmente em células desses músculos (e restaurar áreas lesadas), embora não exista relato da transformação de células-satélite em células do músculo cardíaco.

Células-Tronco
Figura 6: Células-satélite retiradas de músculos da perna de ratos e injetadas na corrente sanguínea
de ratos submetidos a infarto migraram para o coração lesado e foram localizadas por microscopia de fluorescência

No Laboratório de Cardiologia Celular e Molecular, e em muitos outros no mundo, é possível isolar e cultivar essas células por longo tempo.

No momento, na UFRJ, cultivamos as células-satélite de ratos sob diferentes condições, tentando induzi-las a se diferenciar em células musculares cardíacas. Uma abordagem que parece mais promissora é a cultura conjunta das células-satélite com células isoladas de corações neonatais dos mesmos ratos.

Há pouco, foi iniciada outra abordagem, empregando o modelo de coração infartado desenvolvido pelo grupo da bióloga Masako Oya Masuda, no Instituto de Biofísica da UFRJ, e o transplante direto para a região infartada do coração de células-tronco de medula óssea (hematopoiéticas) ou células-satélite, marcadas geneticamente para posterior identificação. No ambiente cardíaco, é possível que as células-tronco de medula ou de músculo esquelético recebam os sinais necessários para sua transformação em miócitos cardíacos.

Vários laboratórios no mundo vêm tentando essa abordagem. O primeiro relato de sucesso — artigo publicado a 5 de abril de 2001 na revista Nature descreve, pela primeira vez, a diferenciação de células-tronco medulares em músculos cardíacos, em camundongos infartados (ver 'Células-tronco regeneram coração infartado', em Ciência Hoje nº 171) — é bastante animador, e permite prever para breve o uso terapêutico dessa técnica.

Testes clínicos já vêm sendo feitos: recentemente, um grupo do Centro Cardiológico do Norte, em Saint Denis (França), do qual participa um pesquisador brasileiro, o cardiologista Marcio Scorsin, relatou melhora significativa de um paciente com insuficiência cardíaca em estágio avançado, após o transplante de células-satélite do próprio paciente para o seu coração.

O Laboratório de Cardiologia Celular e Molecular, da UFRJ, desde que conte com os recursos necessários para financiar esses projetos, certamente poderá, em um futuro próximo, oferecer a pacientes brasileiros mais esse recurso da medicina moderna, que cada vez mais depende dos avanços da ciência biomédica. E outros laboratórios nacionais que trabalham com células-tronco também têm condições, se tiverem o apoio adequado, de garantir ao país o domínio dessa tecnologia, de grande importância para a saúde dos brasileiros.

Atualização

Desde o artigo escrito para a Ciência Hoje, em junho de 2001, nosso trabalho avançou muito, tanto na parte da pesquisa básica como da aplicação média dos conhecimentos gerados. Assim, resolvi escrever este breve relato para dar conta dos avanços mais recentes.

Lembrando o final do artigo, eu dizia que, se nosso Laboratório tivesse o apoio financeiro necessário, poderíamos oferecer aos pacientes brasileiros o recurso das Terapias Celulares. O apoio financeiro veio na forma de um programa especial do Ministério de Ciência e Tecnologia, denominado "Institutos do Milênio".

Nós participamos do "Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual" (www.imbt.org.br) e tivemos, também, apoio da FAPERJ, através do programa "Cientista de Nosso Estado". Com isso, aprofundamos nossos estudos de transplante de células da medula óssea para os corações de ratos infartados, nos quais obtivemos resultados excelentes. Monitorando o desempenho cardíaco por eletrocardiografia e ecocardiografia, pudemos demonstrar que, duas semanas após as injeções de células de medula óssea nos corações infartados, já havia melhora significativa na performance cardíaca dos ratos.

Esses resultados nos animaram a propor à Comissão de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde um projeto de terapia celular em pacientes com cardiopatia grave pós-infarto. O responsável por toda a parte clínica do projeto é o Dr. Hans Fernando Dohmann, do Hospital Pró-Cardíaco. O primeiro paciente foi submetido ao transplante de células de medula óssea em dezembro de 2001. A partir de então, mais 13 pacientes se submeteram à terapia celular, todos com quadros gravíssimos de insuficiência cardíaca, e ainda há vários esperando em filas de transplante por um novo coração.

No último dia 16, tive o privilégio de participar de uma reunião no Hospital Pró-Cardíaco, com 12 pacientes que se submeteram à terapia celular. Os relatos sobre a melhoria do estado de saúde e da qualidade de vida desses pacientes nos deram a certeza de que o trabalho de investigação deve continuar e se ampliar para outras doenças crônico-degenerativas.

É óbvio que um trabalho desta envergadura envolve muitas pessoas, tanto na área científica, como da clínica médica. Não é o caso de enumerá-las nesta oportunidade, mas agradecemos o empenho e a dedicação de toda a equipe ao projeto, e, como disse o Dr. Hans Dohmann, não podemos deixar de agradecer, também, aos pacientes que confiaram em nosso trabalho e aceitaram o risco inerente de se submeterem a um tratamento ainda experimental. A eles, o nosso muito obrigado.

Antonio Carlos Campos de Carvalho

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Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

Células-Tronco

Células-tronco são células mestras que têm a capacidade de se transformar em outros tipos de células, incluindo as do cérebro, coração, ossos, músculos e pele.

Células-tronco embrionárias são aquelas encontradas em embriões. Essas células têm a capacidade de se transformar em praticamente qualquer célula do corpo.

São chamadas pluripotentes. É essa capacidade que permite que um embrião se transforme em um corpo totalmente formado. Cerca de cinco dias após a fertilização, o embrião humano se torna um blastocisto- uma esfera com aproximadamente 100 células. As encontradas em sua camada externa vão formar a placenta e outros órgãos necessários ao desenvolvimento fetal do útero. Já as existentes em seu interior formam quase todos os tecidos do corpo. Estas são as células-tronco de embriões usadas nas pesquisas.

Células-tronco adultas

O corpo possui outras células-tronco, que continuam a existir até mesmo na idade adulta. Por exemplo, o sistema hemopoiético (produtor das células sangüíneas), que fica na medula dos ossos, contém células-tronco adultas, que somente conseguem se diferenciar nessas células, e não em outras.

No jargão científico, são células chamadas de multipotentes. Atualmente essas células já são utilizadas para repor a medula óssea destruída por quimioterapia ou radioterapia contra o câncer.

A novidade é que o governo federal norte-americano, que financia 90% das pesquisas básicas e aplicadas realizadas nesta área, resolveu suspender esta semana a moratória que proibia a pesquisa com células-tronco retiradas de embriões abortados. O problema que havia antes com relação essas regrar restritivas é que os grupos pró-vida americanos, que são contra o aborto e a reprodução assistida ("bebês de proveta"), por motivos religiosos ou éticos tinham conseguido influenciar o governo. A única fonte de células-tronco totipotentes e pluripotentes são embriões geralmente obtidos de tentativas de fertilização in-vitro, que existem literalmente às centenas de milhares, congelados em nitrogênio líquido, em clinicas e hospitais que realizam esse procedimento.

Explicando: quando um casal tem dificuldade de ter filhos, uma das técnicas mais usadas é retirar vários óvulos da mulher (geralmente induzidos por poderosas doses de hormônios), e fertilizá-los fora do corpo, usando o esperma do homem. Os embriões assim formados se desenvolvem por alguns estágios ainda fora do corpo, e, se viáveis, são implantados no útero (da mesma mulher, ou de outra, a chamada "barriga de aluguel") para crescer. Os embriões gerados em excesso são armazenados para fazer outras tentativas, caso as primeiras implantações não funcionem (apenas 20% funcionam), mas acaba acontecendo quase sempre que sobrem embriões. Atualmente muitos países proíbem a destruição desses embriões, ou seu reaproveitamento para pesquisas científicas. Isso está gerando um enorme problema, pois depois de 5 a 7 anos em estoque os embriões podem degenerar em qualidade e não podem ser mais aproveitados para doações ou implantações.

Como é evidente que milhões de vidas poderão ser salvas, e outras centenas de milhões de pacientes em todo o mundo poderão ser curados se a pesquisa com células-tronco puder avançar, a decisão do governo norte-americano é muito bem vinda. No entanto, os problemas éticos continuam, pois não podemos perder de vista os limites que impeçam o abuso (imaginem um, apenas: alguma empresa pagar pessoas para doar óvulos e esperma para produzir embriões, que serão em seguida destruídos para aproveitar as células-tronco).

A Associação Americana para o Progresso da Ciência recentemente emitiu um relatório sobre a pesquisa com células-tronco, em que recomenda que somente embriões doados pelos seus legítimos pais sejam usados em pesquisas. É uma saída, mas que vale apenas para os EUA. Limitações éticas rigorosas como essa não costumam ser seguidas por empresas, e muito menos por outros países.

Os cientistas geralmente obtém essas células de embriões descartados em clínicas de fertilidade. Os embriões criados pelo espermatozóide e óvulo de um casal -- e que não são implantados no útero nem destruídos pela clínica -- podem servir como fontes de células-tronco.As qualidades de transformação das células-tronco podem representar tratamentos para muitas doenças que afetam milhões de pessoas no mundo. Por exemplo, uma injeção de células-tronco no cérebro de um portador de mal de Parkinson pode regenerar as funções dos neurônios do paciente e levar à cura. Outras terapias podem incluir diabete, mal de Alzheimer, derrames, enfartes, doenças sanguíneas ou na espinha e câncer.

Com o uso dessas células, os cientistas poderiam testar os efeitos terapêuticos e colaterais de drogas em tecidos humanos, sem ter a necessidade de utilizar animais. As células-tronco poderão também ser usadas no tratamento de problemas genéticos.

Apesar de poder crescer em quantidade ilimitada em laboratório, as células embrionárias podem ser rejeitadas pelo sistema imunológico do paciente quando transplantadas, podendo inclusive gerar tumores. Como as células-tronco adultas oferecem a possibilidade de ser retiradas do próprio paciente, evita-se o risco de rejeição. No entanto, ainda há dúvidas sobre sua capacidade de transformação em outras células. Além disso, sua produção em laboratório na quantidade necessária é mais difícil.

Para algumas pessoas, como grupos religiosos e antiaborto, a destruição de um embrião é o mesmo que matar um ser humano.

Fonte: www.biomania.com.br

Células-Tronco

Células-tronco: Células da esperança

A pesquisa com células-tronco está revelando o conhecimento sobre como um organismo se desenvolve a partir de uma única célula e como as células saudáveis substituem as danificadas em organismos adultos. Esta promissora área da ciência também está conduzindo à possibilidade de terapias celulares para tratar doenças, o que é denominado como medicina regenerativa ou de reparo.

A geração de um organismo pluricelular a partir da simples união dos gametas feminino (óvulo) e masculino (espermatozóide) sempre representou, no estudo da biologia, o maior fascínio e desafio à compreensão.

Pelo processo sexuado de reprodução, todo ser vivo (animal ou vegetal) origina-se de uma única célula, a célula-ovo ou zigoto. Após a união do espermatozóide (menor célula do organismo) com o óvulo (a maior), em sucessivas divisões, por mitose, o zigoto forma o conjunto inicial de células (Figura 1) capazes de originar qualquer parte do organismo.

Células-Tronco
Imagem de um embrião se dividindo

MANUTENÇÃO DA VIDA

De uma geração para outra, a vida mantém-se permanentemente pela reprodução celular.

No ser humano, em aproximadamente quatro dias após a fecundação do óvulo, as células resultantes da mitose começam a formar uma estrutura esférica, a blástula, que se apresentam duas partes: a externa, que dará origem à placenta e a interna, que evolui para o embrião.

Após a segunda semana, o processo de diferenciação celular se consolida, ou seja: grupos distintos de células vão adquirindo posições e funções biológicas com características próprias.

Células com as mesmas funções 'básicas e idêntica morfologia reunem-se para a formação de um tecido específico.

Mesmo com toda a sua complexidade, basicamente o organismo humano apresenta quatro tipos de tecido: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso, que não existem isoladamente, ao contrário, juntam-se uns aos outros, em proporções variáveis, para a constituição dos diversos órgãos e sistemas do corpo.

As células-tronco têm duas características importantes que as distinguem de outros tipos celulares.

Primeiro, elas são células não especializadas que se renovam por períodos longos, por meio de divisões celulares. Segundo, sob certas condições fisiológicas ou experimentais, elas podem ser induzidas a transformar-se em células com funções especiais (Figura 2), como as células do músculo cardíaco ou as células produtoras de insulina do pâncreas.

Células-Tronco
Células-tronco embrionárias podem se transformar em qualquer célula do corpo humano

CLASSIFICAÇÃO DAS CÉLULAS-TRONCO

As células-tronco são classificadas em totipotentes ou embrionárias (células-tronco precursoras) que conseguem se diferenciar em todas as 75 trilhões de células existentes nos diferentes tecidos que formam o corpo humano; pluripotentes ou multipotentes (alguns autores as classificam separadamente, Figuras 3 e 1) são aquelas que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos humanos (menos a placenta e anexos embrionários); oligopotentes, as que conseguem diferenciar-se em poucos tecidos; e unipotentes, as que se diferenciam em um único tecido.

As células-tronco totipotentes e pluripotentes (ou multipotentes) só são encontradas nos embriões. As totipotentes são aquelas presentes nas primeiras fases da divisão, quando o embrião tem até 16- 32 células (até três ou quatro dias de vida). Já as pluripotentes ou multipotentes surgemquando o embrião atinge a fase deblastocisto (a partir de 32 -64 células, aproximadamente a começar do 5°dia de vida).

As células internas do blastocisto são pluripotentes enquanto as células da membrana externa do blastocisto destinam-se a produzir a placenta e as membranas embrionárias.

As células-tronco oligopotentes ainda são objeto de pesquisas e encontram-se no trato intestinal. As unipotentes estão presentes no tecido cerebral adulto e na próstata, por exemplo.

Pesquisadores trabalham primariamente com dois tipos de células-tronco derivadas de animais e humanos: células-tronco embrionárias e células-tronco adultas, que têm funções e características diferentes. Os métodos de obtenção de células-tronco de embriões de ratos são conhecidos há mais de 20 anos.

Em 1998 foi descoberto como isolar célulastronco de embriões humanos e como faze-las crescer em laboratório.

Estas são as chamadas células-tronco embrionárias humanas.

Células-tronco são importantes para os organismos vivos por muitas razões.

Em embriões de 3 a 5 dias (blastocistos) as células-tronco dos tecidos em desenvolvimento dão origem a múltiplos tipos celulares especializados que formam coração, pulmão, pele e outros tecidos. Em alguns tecidos adultos, como a medula óssea, o músculo e o cérebro, discretas populações de celulas-tronco adultas promovem a renovação das célulàs que foram perdidas pelo desgaste natural, lesão, ferimento, ou doença.

PROPRIEDADES DAS CÉLULAS-TRONCO

As células-tronco são diferentes dos outros tipos celulares do corpo.

Independentemente da fonte, possuem três propriedades: não são especializadas, são capazes de se dividir e de renovar-se por longos períodos e podem gerar tipos celulares especializados.

Células-tronco não são especializadas.

Uma das propriedades fundamentais de uma célula-tronco é que não tem nenhuma estrutura tecidoespecífica que permita que execute funções especializadas. Ela não pode participar do bombeamento sanguíneo através do corpo (como uma célula do músculo cardíaco), não pode carregar moléculas de oxigênio através da corrente sanguínea (como uma célula vermelha do sangue), e não pode disparar sinais eletroquímicos a outras células que permitam que o corpo se mova ou fale (como uma célula nervosa).

Entretanto, as células-tronco não especializadas podem dar origem a células especializadas, incluindo células do músculo cardíaco, células do sangue ou células nervosas.

Células-tronco são capazes de se dividir e de renovar-se por longos períodos.

Ao contrário das células musculares, sanguíneas ou nervosas, que normalmente não se replicam, as células-tronco podem replicar muitas vezes. Quando as células se replicam muitas vezes, este processo é denominado proliferação.

Uma popu!ação inicial de células-tronco que proliféra por vários meses em laboratório pode gerar milhões de células. Se as células resultantes continuarem a ser não especializadas,como as células-mãe, pode-se dizer que estas células são capazes de autorenovaçãoa longoprazo.

Células-tronco podem dar origem a células especializadas. Quando célulastronco não especializadas dão origem a células especializadas, este processo é chamado diferenciação. Os sinais celulares internos e externos que disparam a diferenciação celular estão começando a ser elucidados. Os sinais internos são controlados pelos genes da célula, que estão contidos em longas cadeias de DNA, e carregam instruções codificadas para todas as estruturas e funções da célula.

Os sinais externos para a diferenciação celular incluem os sinais químicos secretados por outras células, pelo contato físico com as células vizinhas e por determinadas moléculas do microambiente.

As células-tronco adultas geram tipos celulares do tecido em que residem.

Uma célula-tronco adulta que formará uma célula sanguínea na medula óssea dá origem a vários tipos celulares, como, por exemplo, células vermelhas do sangue, células brancas e plaquetas. Até recentemente, acreditava-se que uma célula que dava origem às células sanguíneas na medula óssea, chamadas de células-tronco hema.topoiéticas, não poderiam dar origem à células de tecidos muito diferentes, tais como células nervosas no cérebro.

Entretanto, pesquisas realizadas nos últimos anos levantaram a possibilidade de que as células-tronco de um tecido podem dar origem a tipos celulares de tecidos completamente diferentes, um fenômeno conhecido como plasticidade (Figura 5).

Exemplos dessa plasticidade: células sanguíneas tornando-se neurônios, celulas do fígado que podem produzir insulina, e células-tronco hematopoiéticas que podem gerar músculo cardíaco.

A possibilidade de utilização das células-tronco adultas para terapias celulares transformou-se em uma área muito ativa de investigação.

Células-Tronco
Células de blastocito de 5-14 dias - Células Pluripotentes

Células-Tronco
Células de tecido fetal, cordão umbilical ou célula-tronco adulta - Células Multipotentes

CÉLULAS -TRONCO EMBRIONÁRIAS

Em humanos, as células-tronco embrionárias são originadas de embriões de ovos fertilizados in vitro e doados para finalidades de pesquisa com o consentimento dos doadores. Não são derivados dos ovos fertilizados presentes no útero de uma mulher.

Os embriões dos quais as células-troncoembrionárias humanas são derivadas possuem tipicamente quatro ou cinco dias (blastocisto), e possuem três estruturas: o trofoblasto, que é a camada de células que cerca o blastocisto; a blastocele, que é a cavidade oca dentro do blastocisto, e a massa interna da célula (Figura 6), que é um grupo de aproximadamente 30 células em uma extremidade da blastocele.

Células-Tronco
Plasticidade de células-tronco. Células cultivadas em laboratório não estão restritas a uma única via de diferenciação. Por exemplo, células-tronco do sistema nervoso central formam os diferentes tipos celulares do cérebro, mas podem também se diferenciar em células-tronco hematopoiéticas. As células-tronco sanguíneas originam os diferentes tipos celulares encontrados no sangue, mas podem também se diferenciar em células-tronco do músculo esquelético e células do sistema nervoso central. Células-tronco embrionárias (célula ES) são pluripotentes e participam da formação de todos os tecidos dos mamíferos, como fígado e pâncreas, por exemplo.

Células-Tronco
Blastocisto de rato com 5 dins de idade.
Camada interna de células indicada pela seta.

CÉLULAS-TRONCO ADULTAS

Célula-tronco adulta é uma célula indiferenciada encontrada entre as células diferenciadas de um tecido ou órgão.

Seupapel em um organismo vivo é manter e reparar o tecido em que se encontram.

Atualmente, o termo célulastronco adultasvem sendosubstituídopor células-tronco somáticas (Figura 7).

Ao contrário das células-tronco embrionárias, que são definidas pela sua origem, as células-tronco adultas são de origem desconhecida.

Células-Tronco
Célula-tronco multipotente da medula óssea precursora de vários tipos de células sangüíneas.

Nos anos 60, pesquisadores descobriram que a medula óssea contém pelo menos dois tipos de células-tronco.

Uma população, chamada células-tronco hematopoiéticas, forma todos os tipos de célula sangüínea do corpo. Uma segunda população, chamada de células do estroma da medula óssea, foi descoberta alguns anos mais tarde e geram osso (Figura 8), cartilagem, gordura e o tecido conjuntivo fibroso.

Células-Tronco
Regeneração óssea após expansão ex vivo de células-tronco derivadas da medula e utilização de partículas de
hidroxiapatita/ fosfato tricálcico como veículo. O composto pode ser transplantado a um defeito
ósseo segmentar e subseqüentemente regenerar in vivo

Também nos anos 60, cientistas que estudavam ratos descobriram duas regiões do cérebro que continham células em divisão, capazes de transformarem-se em células nervosas. Apesar destes trabalhos, a maioria dos cientistas acreditava que as células nervosas não podiam ser geradas no cérebro do adulto.

Apenas nos anos 90 concordaram que o cérebro adulto contém células-tronco e que são capazes de gerar os astrócitos e os oligodendrócitos, que são células não-neurais e neurônios (Figura 9).

Células-Tronco
Neurônios dopaminérgicos derivados de células somáticas do cérebro de camundongos

ORIGEM E FUNÇÃO DAS CÉLULAS -TRONCO ADULTAS

Células-tronco adultas têm sido identificadas em muitos órgãos e tecidos.

Entretanto, há um número muito pequeno delas em cada tecido. Acredita-se que residam em área específica de cada tecido onde podem permanecer sem se dividir por muitos anos até que sejam ativadas por uma doença ou por lesão.

Os tecidos onde foram encontrados indícios de existência de células-tronco adultas incluem o cérebro, a medula óssea, o sangue periférico, os vasos sangüíneos, o músculo esquelético, a pele e o fígado.

Onde as células -tronco podem ser encontradas?

Embriões recém-fecundados(blastocistos) criados por fertilização in vitro aqueles que não serão utilizados no tratamento de infertilidade ("embriões disponíveis") ou desenvolvidos especificamente para pesquisa.
Embriões recém.fecundados
criados por insarção do núcleo celular de uma célula adulta em um óvulo que teve seu núcleo removido (reposição do núcleo celular, "clonagem").
Células germinativas ou órgãos de fetos abortados.
Células sangüíneas do cordão umbilical
no momento do nascimento. Alguns tecidos adultos (comomedula óssea).
Células maduras de tecido adulto
reprogramadas para ter comportamentode célula-tronco

Vantagens do uso das Células Totipotentes Embrionárias X Células Multipotentes Adultas

Obtenção de um número maior de tipos celulares do que no uso da célula-tronco adulta.
Maior facilidade no controle do crescimento e da diferenciação em comparação com a célula-tronco adulta.
Maior abundância em relação à célula-tronco adulta e, conseqüentemente, maior facilidade de isolamento.
Possibilidade de utilização do conhecimento advindo da experimentação com células pluripotentes embrionárias de animais.
Pesquisas com células pluripotentes embrionárias podem acelerar o desenvolvimento das técnicas com células-tronco adultas.

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS E ADULTAS

Tanto as células-tronco embrionárias quanto as adultaspossuem vantagens e desvantagens em relação ao potencial de uso em terapias celulares regenerativas.Naturalmente, as célulastronco adultas e embrionárias diferem em número e tipo de células diferenciadas em que podem se tomar.

As células-tronco embrionárias podem transformar-se em todos os tipos celulares do corpo porque são pluripotentes.

As células-tronco adultas são geralmentelimitadas para diferenciar-se em tipos diferentes de células de seu tecido de origem.

Entretanto, evidências sugerem que existe plasticidadenas células-tronco adultas, aumentando o número de tipos celulares que uma delas pode se transformar.

Células-tronco embrionárias podem crescer facilmente em cultura, enquanto células-tronco adultas são raras nos tecidos maduros e os métodos para expandir seu número em cultura não alcançam muito sucesso. Esta é uma diferença importante, pois, é necessário grande número de células nas terapias de reposição.

Uma vantagem ao usar célulastronco adultas é que células próprias poderiam ser expandidas em cultura e então introduzidas novamenteno paciente.

As células não sofreriam rejeição pelo sistema imune, que é um problema a ser contornado com drogas lmunossupressoras.

CÉLULAS - TRONCO DE EMBRiÕES

As pesquisas com células-tronco embrionárias humanas não são permitidas em todos os países. Essas células além de ser obtidas a partir de embriões excedentes descartados em clínicas de fertilização, por não oferecerem qualidade para implantação ou terem sido congelados por muito tempo (Figura 10),também podem ser obtidas pela técnica de donagem terapêutica.

A terapia celular objetiva tratar doenças e lesões por meio da substituição de tecidos doentes por células saudáveis. Por exemplo, o transplante de medula óssea em pacientes portadores de leucemia.

A medula óssea do doador contém células-tronco sangüíneas que vão diferenciar-se em novas células sangüíneas sadias.

Os cientistas apontam para a hipótese de que a terapia com célula-tronco possa, em algum ponto no futuro, transformar-se na base para o tratamento de doenças como Mal de Parkinson, diabetes e cardiopatias, dentre outras.

Células-Tronco
Cultivo de célula-tronco embrionária

Principais interesses no uso das Células-Tronco

Biogia básica do desenvolvimento: compreensão do desenvolvimento humano normal e anormal.
Estudos das doenças humanas em modelos anirnais:
células-tronco de ratos poderiam incorporar genes humanos mutados (por exemplo: com erros genéticos
Cultura de linhagens celulares especializadas:
utilizadas para estudos de farmacologia e testes toxicológicos, por exemplo, permitindo a verificação de como populações puras de células específicas diferenciadas responde a novos produtos.
Terapia. gênica:
as células-tronco poderiam ser usadas como vetores para entrega de genes. Exemplo: célula-tronco hematopoiética modificada geneticamente tornando-se resistente ao HIV.
Produção de linhagens celulares específicas para transplantação:
dirigir a diferenciação da célula-tronco pluripotente para a produção de populações puras e saudáveis de tipos celulares a serem usados para reparar tecidos doentes ou lesados.

Células-Tronco
Transferência nuclear de célula somática. Um núcleo de célula adulta é injetado (direita) em um ovo de camundongo (acima, centro) que teve seu material genético removido. O ovo é,então estimulado a se desenvolver em um embrião do qual as células-tronco podem ser derivadas em cultura. Se as células-tronco foram originadas desta maneira, usando o núcleo de um paciente, o risco de rejeição do transplante pode ser minimizado.

A clonagem terapêutica, muitas vezes confundida com terapia celular, consiste na transferência do núcleo de uma célula para um óvulo sem núcleo (Figura 11). A grande vantagem é que, ao transferir o núcleo de uma célula de uma pessoa para um óvulo sem núcleo, esse novo óvulo (ao dividir-se) gera, em laboratório, células potencialmente capazes de produzir qualquer tecido.

A clonagem terapêutica evita a rejeição se o doador for o próprio indivíduo. É o caso de reconstituir a medula de um paciente que se tornou paraplégico, ou substituir o tecido cardíaco de um órgão enfartado (Figura 12).

Células-Tronco
O potencial da clonagem terapêutica

CLONAGEM TERAPÊUTICA VERSUS CLONAGEM REPRODUTIVA

A diferença fundamental entre os dois procedimentos consiste em que na transferência de núcleos para fins terapêuticos as células são multiplicadas em laboratório, para formar tecidos. Enquanto a clonagem reprodutiva requer a inserção em um útero.

A clonagem reprodutiva humana, condenada pelos cientistas, consisteem técnica mediante a qual se pretende fazer cópia de uma pessoa. Nela, faz-se a transferência do núcleo de uma célula, que pode ser de um adulto ou de um embrião, para um óvulo sem núcleo. Se o óvulo com esse novo núcleo começasse a se dividir,fosse transferido para um útero humano e se desenvolvesse, ter-se-iauma cópia do indivíduodo qual foi retirado o núcleo da célula.

CLONAGEM - UM ASSUNTO POLÊMICO

Toda nova tecnologia gera polêmicas (Figura 13). Os argumentos dos que se opõem à clonagem terapêutica são no sentido de que ela poderia abrir caminho para a c10nagem reprodutiva e, com isso, gerar o comérCio de óvulos e embriões.

Entretanto, em se tratando de c1onagem, existe um obstáculo intransponível, que é o útero. Basta proibir, para coibir qualquer possibilidade nessa direção, a transferência para oútero de embriões produzidos por c10nagem terapêutica. Quanto ao comércio de óvulos ou embriões, trata-se damesma situação que ocorre hoje em relação ao de órgãos. Qualquer nova tecnologia traz, em seu bojo, riscos e benefícios.

Células-Tronco
Clonagem reprodutiva veterinária

Aspectos éticos do uso das células-tronco embrionárias humanas

Células-tronco embrionárias humanas, pluripotentes, são capazes de gerar qualquer tipo celular do organismo, excetoacéluladaplacenta.
Sabe-se que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, em condições ideais, não geram vida.
Embriões de má qualidade, que não tem potencial de gerar vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos.
A certeza de que células tronco embrionárias humanas podem produzir células e órgãos que são geneticamente idênticos I ao paciente ampliaria a lista de pacientes elegíveis para tal terapia.
É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo?

A ÉTICACOMO USO DEANIMAIS

Termos como quimera ou híbrido são amplamente usados em biologia experimental e a idéia possui alta tradição cultural. A palavra "quimera" representa uma besta mística, uma combinação de leão,'ovelha e serpente (Figura 14). Influências culturais sugerem que a mistura de duas categorias de animais simboliza o demônio.

Esta conotação, provavelmente, tem impactado negativamente a percepção da combinação interespécies. Apesar disto, a produção de quimeras em biologia tem ocorrido por anos.

Pesquisadores em medicina humana tem proposto os limites para os experimentos com quimeras.

Cabe aos comitês de ética veterinária estabelecerem os limites que permitam a manutenção do respeito e da dignidade dos animais utilizados em pesquisa.

Deve-se primar pela utilização criteriosa de animais, inclusive com maior vigilância e transparência.

Células-Tronco
Quimera representando uma combinação humano/não humano

Células-Tronco
A e B: Aspectos anatômicos para coleta. C: Coleta de medula óssea na crista ilíaca direita de cão

Células-Tronco
Aspecto daformação óssea direta (setas), uma.semana após aplicação percutânea de medula óssea autógena, em falha óssea experimental no rádio de coelho. A: medula óssea integral e B: medula óssea concentrada.

Células-Tronco
Auto-enxerto de crista ilíaca associado à medula óssea autógena fresca na união vertebral dorsolaterallombar em coelhos.
Aspectos radiográficos da área de enxertia às nove semanas' de pósoperatório (união óssea bilateral)

Células-Tronco
Matriz óssea homóloga desmineralizada associada à medula óssea autógena fresca na
artrodese vertebral dorsolateral lombar em coelhos.
Aspecto radiográfico às nove semanas após a cirurgia: artrodese bilateral

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a aprovação do Projeto de Lei de Biossegurança pelo Senado Nacional, liberando o uso de embriões humanos para a extração de célulastronco embrionárias, foi gerada enorme expectativa na população, que se pergunta: após a aprovação, quantos pacientes sairão das filas de transplantes? Na verdade, nenhum hoje, e mesmo nos próximos anos, mas provavelmente muitos a longo prazo.

Entretanto, a lei deve ser clara para evitar a utilização dessas células sem a seriedade necessáiia.

Mais do que uma questão científica, religiosa ou política, essa é uma questão filosófica. É óbvio que os cientistas dos diversos países que realizam pesquisas com blastocistos não acreditam que estão destruindo vidas, pois seu objetivo é justamente salvar vidas.

Ao lado dessa discussão filosófica, focando o aspecto científico, a possibilidade de pesquisa e uso clínico das células-tronco embrionárias a partir do blastocisto, pode ser a única chance de salvar a vida de inúmeros pacientes que sofrem de doenças incuráveis e que têm nessas pesquisas a única esperança de sobrevida.

Sendo assim, é importante que seja debatida a possibilidade do uso dessas células do ponto de vista ético e clinicamente eficaz. O destino a ser dado às células-tronco embrionárias, ou pré-embriões congelados, deve ser discutido.

Além disso, deve ser considerada a possibilidade da utilização dessas células no desenvolvimento de pesquisas que possam vir a ajudar no tratamento de diferentes enfermidades.

Só através da discussão e conscientização da comunidade poderemos constituir uma sociedade onde a ética e a ciência possam caminhar na mesma direção para a construção de um futuro melhor.

A pluripotencialidade das células-tronco adultas colocaa questãodo uso medicinal dessas células em bases totalmente novas. São eliminadas não só as questões ético-religiosas envolvidasno emprego das células-troncoembrionárias,mas também os problemas de rejeição imunológica, já que células-tronco do próprio paciente adulto podem ser usadas para regenerar seus tecidosou órgãos lesados.

Toma ainda possível imaginar que um dia não haverá mais filas para os transplantesde órgãos,nem famílias aflitas em busca de doadores compatíveis.

Em breve, em vez de transplantes de órgãos, os hospitais farão transplantes de células retiradas do próprio paciente. Não há dúvida de que a terapia com células-tronco será a medicina do futuro.

Ricardo Junqueira DeI Carlo

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Fonte: www.cfmv.org.br

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