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Clonagem

 

Clonagem
Clonagem

Clonagem é o desenvolvimento de uma cópia geneticamente idêntica de um indivíduo.

Gêmeos univitelinos (idênticos, gerados a partir da divisão de um embrião) são clones naturais.

Quando foi desenvolvida?

Em 1996, pela equipe do escocês Ian Wilmut. O anúncio oficial veio em 1997, com a apresentação da ovelha Dolly, o primeiro clone de um mamífero adulto do mundo.

É possível clonar pessoas?

Teoricamente sim. Porém, a tecnologia de clonagem ainda é nova e não oferece segurança. Para que a ovelha Dolly nascesse foi necessário fazer 277 tentativas.

Hoje, já há dezenas de animais clonados, mas quase todos têm saúde frágil.

Quais são os pais biológicos de um clone?

Os mesmos da pessoa cujo DNA foi copiado.

Qual é a diferença entre a clonagem reprodutiva e a terapêutica?

Enquanto a primeira almeja a criação de bebês que sejam cópias de uma determinada pessoa, a segunda tem objetivos médicos. Não se trata de criar um bebê, e sim colônias de células. O propósito da clonagem terapêutica é a multiplicação de células de uma pessoa para uso no desenvolvimento de tecidos e órgãos. A clonagem terapêutica promete acabar com as filas de transplantes

Fique por dentro da clonagem

Clonar ou não humanos?

Saiba como é feita a clonagem e confira os avanços na manipulação de células para encontrar a cura de doenças

A ovelha Dolly, nascida em 1997, sobrevivente das 29 gestações, não é perfeita: tem cromossomos de adulto

Clonagem
Ovelha Dolly

Vitória é o nome do primeiro clone nascido no Brasil. O bezerro foi gerado a partir da célula de um embrião e a pesquisa foi realizada no Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargem) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Vitória nasceu no dia 17de março de 2001, na Fazenda Sucupira, da Embrapa, perto de Brasília.

Na Europa, a grande discussão sobre clonagem não envolve animais, mas sim humanos. A questão tem dividido opiniões e levantado um turbilhão de dúvidas. O burburinho começou quando médicos italianos e americanos anunciaram que irão clonar um ser humano para tentar auxiliar casais que não podem ter filhos.

O método que eles utilizarão será o mesmo da criação da ovelha Dolly, nascida há quatro anos na Escócia. "A Dolly não foi um sucesso", afirma Lygia da Veiga Pereira, doutora em Genética Molecular Humana e professora da USP. "Testar conhecimentos com humanos é muito perigoso." Para ela, deveria haver mais pesquisas antes da decisão de gerar um bebê. Até hoje, 98% das tentativas em animais fracassaram, índice absurdamente alto para arriscar vidas humanas. "E se o bebê clone nascer com algum defeito grave? O que fazer com ele? Vão matar, como fazem com os animais?"

Como nasceu a ovelha Dolly

Para entender o processo da clonagem, é preciso saber um pouco de genética.

Existem dois tipos de células: as germinativas (reprodutivas - óvulos e espermatozóides) e as somáticas, que são todas as outras. A clonagem é feita a partir desses dois tipos de células.

Cada animal doa uma célula: um cede o núcleo (DNA) de uma célula somática, recebido pelo outro animal em uma célula germinativa, o óvulo. Na Dolly, o núcleo foi retirado de uma célula da glândula mamária. "Um óvulo possui somente metade das informações genéticas. A outra parte vem do espermatozóide", esclarece Lygia. Por isso, na clonagem, o DNA precisa ser retirado de uma célula somática, que possui todas as informações genéticas do animal a ser clonado - as do óvulo e as do espermatozóide.

Durante uma gravidez normal, o óvulo vai multiplicando-se em várias células que copiam o material genético completo para fazer um ser humano. Em certa etapa, essas células idênticas diferenciam-se. Algumas ligam genes de célula de pele, outras as de sangue e assim por diante. O que os cientistas ainda não conseguiram entender é por que uma célula de glândula mamária, no caso da Dolly, conseguiu voltar à sua antiga função e tornar-se, de repente, uma célula-mãe que gerou outro ser vivo.

Clone é como um gêmeo idêntico

Um clone é uma cópia exata de uma planta ou animal, com todas as características genéticas do ser original, inclusive os defeitos.

Não é preciso um laboratório ou equipamentos caros para criar um clone. É sabido que é possível obter várias mudas idênticas geneticamente apenas plantando ramos retirados de alguns tipos de plantas (como uma roseira, por exemplo). A sua mãe e avó já devem ter feito isto algumas vezes. Várias industrias que trabalham com produção de papel usam esta técnica para conseguir mudas de árvores que produzam bastante celulose e que sejam resistentes a pragas.

Alguns animais possuem um extraordinário poder de regeneração. A planária, verme platelminto, pode ter sua cabeça cortada e mesmo assim não morrerá, pois a cabeça pode regenerar um corpo novo e vice versa. Podemos ter assim um clone deste animal no laboratório do Santa Úrsula durante nossas aulas de biologia.

A técnica de clonagem ainda não foi totalmente dominada pelos cientistas.

Dos 276 óvulos que receberam o DNA de uma ovelha adulta, apenas 29 sobreviveram para serem colocados no útero das ovelhas. Destes 29 embriões, somente Dolly conseguiu nascer saudável. Os outros clones, que foram abortados, tinham anormalidades.

Dolly continua bem, mas com um único defeito: as pontas de seus cromossomos - material que está dentro das células -, os chamados telômeros, são curtas demais para sua idade. Isso aconteceu porque o DNA tirado da ovelha que originou Dolly era de um adulto.

Como o telômero encurta com o passar do tempo e Dolly herdou o código genético de um adulto, essa deficiência foi notada. Seus cromossomos indicam uma idade que Dolly ainda não alcançou.

Quando a técnica é permitida A professora Lygia Pereira e outros cientistas defendem apenas a clonagem terapêutica, que é a aplicação do conhecimento da técnica para curar e tratar doenças sem gerar um bebê. Os cientistas acreditam que todas as células do nosso corpo têm informações para fazer um ser vivo.

Quando eles conseguirem entender como funcionam nossas células, será possível consertar órgãos e tecidos danificados. "As células de um rim doente, por exemplo, ainda têm a receita para fazer um rim saudável", explica Lygia.

"Por que as pessoas não regeneram partes do corpo como as lagartixas quando têm seu rabo cortado?"

A clonagem, por meio da manipulação de células de um embrião humano, é um caminho para chegar a uma resposta.

Os cientistas acham que deve haver cautela para que essa manipulação não crie um tráfico de óvulos, necessários para gerar os embriões.

Maiores riscos

Especialistas alertam para os riscos de uma clonagem humana, com base nas experiências realizadas com animais:

Dos 100 primeiros embriões clonados implantados em mães de aluguel, quase todos serão abortados espontaneamente por causa de anomalias físicas ou genéticas.
Três ou quatro desses 100 fetos poderão sobreviver. A maioria será enorme e nascerá com cerca de 6,5 quilos - um bebê normal pesa, em geral, por volta de 3 quilos - e morrerá nos primeiros dias de vida por problemas cardíacos ou circulatórios, pulmões subdesenvolvidos, diabetes ou insuficiências imunológicas.
Caso um dos bebês sobreviva, ele terá a marca da maioria dos animais clonados:
um umbigão resultante de um cordão umbilical maior que o normal que, inexplicavelmente, se desenvolve na gestação dos clones. (AE)

Fonte: www.escolavesper.com.br

Clonagem

Até a década de 70, o DNA era o componente celular mais difícil de ser analisado. Sua sequência de nucleotídeos de enorme tamanho e monotonia química era geralmente analisada por meios indiretos como a sequência de proteínas e análise genética. A partir da década de 70 novas tecnologias foram desenvolvidas permitindo o isolamento e a purificação de genes específicos num processo chamado de clonagem gênica. Na verdade, muitas destas técnicas são provenientes da Microbiologia, Bioquímica, Imunologia e Genética Microbiana e permitiram que a análise do DNA ganhasse um novo enfoque. O DNA tornou-se então, a molécula mais fácil de ser analisada, sendo possível isolar regiões específicas, obtê-las em grande quantidade e determinar a sua seqüência numa velocidade de milhares de nucleotídeos por dia.

A Tecnologia do DNA recombinante, como se convencionou denominar este conjunto de técnicas, tem uma ampla aplicação. Ela pode ser usada para estudar mecanismos de replicação e expressão gênica, na determinação da seqüência de um gene e conseqüentemente da proteína que ele codifica, ou no desenvolvimento de culturas microbianas capazes de produzir substâncias úteis tais como a insulina humana, hormônio de crescimento, vacinas e enzimas industriais em grandes quantidades. Sua aplicação comercial ou biotecnológica parece ter um potencial inesgotável. Como conseqüência do desenvolvimento desta tecnologia é atualmente possível realizar investigação de paternidade e o diagnóstico de doenças genéticas e infecciosas através da análise de DNA.

Toda vez que um ser é gerado a partir das informações contidas num único indivíduo, por reprodução assexuada, acontece uma clonagem. Na agricultura, o homem clona vegetais há séculos. A viabilidade da produção rotineira de clones animais, e mesmo humanos, além de ainda exigir maior conhecimento científico e novas experimentações, envolve também implicações e éticas.

O êxito repetido da clonagem de animais torna mais próxima a possibilidade de clonar humanos Passado quase um ano e meio desde o anúncio da clonagem de Dolly, a população de mamíferos clonados a partir de células adultas não-reprodutivas é de 1 ovelha britânica, dois bezerros japoneses, 50 ratos norte-americanos, alguns desses últimos, clones de clones.

Conceito de clonagem molecular

A origem do termo clonagem vem da Genética Bacteriana que considera uma colônia de bactérias como um clone porque todos os indivíduos são geneticamente idênticos à bactéria inicial.

A técnica central da metodologia do DNA recombinante é a clonagem molecular, a qual consiste no isolamento e propagação de moléculas de DNA idênticas.

A clonagem molecular compreende pelo menos dois estágios importantes: primeiro o fragmento do DNA de interesse chamado de inserto é ligado a uma outra molécula de DNA chamada de vetor para formar o que se chama de DNA recombinante. Segundo, a molécula do DNA recombinante é introduzida numa célula hospedeira compatível, num processo chamado de transformação. A célula hospedeira que adquiriu a molécula do DNA recombinante é agora chamada de transformante ou célula transformada. Um único transformante, em condições ideais, sofre muitos ciclos de divisão celular, produzindo uma colônia que contém milhares de cópias do DNA recombinante. Portanto, a palavra clone vem do grego "Klon", que significa broto e clonagem é o processo de produção assexuada, a partir de uma célula-mãe, de uma ou mais células geneticamente idênticas entre si e à original, que são os clones.

Meios de obtenção de clones

A clonagem pode ser feita, basicamente, de duas formas: separando-se as células de um embrião em seu estágio inicial de multiplicação celular, ou pela substituição do núcleo de um óvulo por outro proveniente de uma célula de um indivíduo já existente.

A primeira forma, separação provocada das novas células de um embrião, produzirá novos indivíduos exatamente iguais, quanto ao patrimônio genético, porém diferentes de qualquer outro já existente. É um processo semelhante ao que ocorre na natureza quando da geração de gêmeos univitelinos, que tem origem a partir de um mesmo óvulo e de um mesmo esermatozóide. Este tipo de procedimento já foi realizado, de forma experimental, com embriões humanos, em 1993, pelo Prof. Jerry Hall, da Universidade George Washington, de Washington/EEUU. Foram utilizados embriões gerados para fertilização in vitro, onde foram constatadas malformações genéticas, devidas a penetração múltipla de espermatozóides no óvulo, e por isso não seriam implantados. Foram divididos 17 embriões, nos estágios de duas a oito células, resultando em 48 novos embriões. Todos os embriões gerados foram destruídos ao final do experimento, com um estágio máximo de desenvolvimento de 32 células.

A segunda forma, que reproduz assexuadamente um indivíduo igual a outro previamente existente, pela substituição do material nuclear, também denominada de duplicação, foi proposto, teoriamente, pelo Prof. Hans Speman (1869-1941), em 1938. O Prof. Speman, biólogo alemão, ganhou o Prêmio Nobel de 1935 pelas suas contribuições no estudo da evolução dos seres vivos. O primeiro experimento com sucesso já foi realizado em 1952, pelos Drs. Robert Briggs e Thomas J. King, do Instituto Carnegie/Washington-EEUU. Eles obtiveram os primeiros clones de rãs, por substituição de núcleos celulares. Durante muitos anos isto foi testado em diferentes espécies animais, especialmente mamíferos.

Etapas distintas no processo de clonagem

Aprimeira etapa consiste na escolha do DNA a ser usado no processo de clonagem. A segunda etapa consiste na ligação das moléculas de DNA em um vetor apropriado e na introdução em uma célula hospedeira. A terceira etapa consiste no isolamento do gene de interesse por meio de um arsenal de técnicas genéticas, bioquímicas e imunológicas.

A capacidade de gerar cópias (clones) praticamente infinitas de uma determinada sequência é o fundamento da Tecnologia do DNA Recombinante.

O nome "DNA recombinante" refere-se a combinações novas de DNA criadas entre sequências de DNA humanas (ou outras) de interesse e moléculas de DNA bacterianas (ou outras) capazes de duplicação ilimitada no laboratório.

Enzimas de Restrição

Em 1953 foi descrito um estranho fenômeno no qual a eficiência da replicação de um bacteriófago (vírus de bactérias) dependia da célula hospedeira na qual ele estava inserido. Algum tempo depois percebeu-se que a inabilidade de certos fagos crescerem em determinadas linhagens bacterianas era devido a presença de nucleases altamente específicas que clivavam o seu DNA. Isto pode ser encarado como um sistema de defesa bacteriano que degrada DNA que lhe é estranho (restrição). A bactéria protege seu próprio DNA desta degradação "camuflando-o" através da metilação de algumas bases específicas (modificação). Como conseqüência, este sistema é frequentemente descrito como fenômeno da restrição/modificação e existe em um grande número de bactérias.

As enzimas de restrição ou endonucleases de restrição são divididas em várias classes, dependendo da estrutura, da atividade e dos sítios de reconhecimento e clivagem. As enzimas do Tipo II, as mais importantes na Tecnologia do DNA Recombinante, são proteinas monoméricas ou diméricas e clivam o DNA no mesmo sítio do seu reconhecimento. O sítio de reconhecimento deste tipo de enzima é normalmente uma seqüência palindrômica, isto é, ela tem um eixo de simetria e a seqüência de bases de uma fita é a mesma da fita complementar, quando lida na direção oposta

Estas enzimas reconhecem seqüências específicas de 4 a 8 pares de base (pb) na molécula de DNA e fazem dois cortes, um em cada fita.

Há 2 tipos distintos de clivagens:

a) os dois cortes ocorrem no eixo de simetria da seqüência e specífica, gerando extremidades abruptas, ou
b)
os cortes são feitos simetricamente, porém, fora do eixo de simetria, gerando extremidades coesivas.

Atualmente, mais de 1000 enzimas de restrição já foram identificadas. A nomenclatura desenvolvida foi baseada na abreviação do nome do microrganismo do qual a enzima foi isolada. A primeira letra representa o gênero e as outras duas a espécie, seguido de um algarismo romano (ou outra letra) que indica a ordem da descoberta ou a linhagem da qual ela foi isolada. Por exemplo, a enzima de restrição denominada de EcoRI é purificada de uma Escherichia coli que carrega um fator de transferência de resistência RI, enquanto que a Hind III é isolada da Haemophilus influenzae, linhagem d III.

O interesse por estas enzimas de restrição aumentou em 1973 quando se percebeu que elas poderiam ser usadas para fragmentar o DNA deixando extremidades de fitas simples de DNA que permitiam a ligação dos fragmentos. Isto significava que a recombinação poderia ser efetuada em tubos de ensaio. Além disto, DNA bacteriano poderia recombinar com DNA humano ou de qualquer outra espécie, abrindo a possibilidade de clonar genes humanos ou isolar proteínas de culturas bacterianas.

Uma importante conseqüência da especificidade destas enzimas de restrição é que o número de clivagens feito por cada uma delas no DNA de qualquer organismo é definido e permite o isolamento de fragmentos deste DNA. Portanto, cada enzima de restrição gera uma família única de fragmentos quando cliva uma molécula de DNA específica. Enzimas que reconhecem sítios de restrição compostos por 4 pares de bases clivam o DNA em média a cada 256 nucleotídeos (44=256). Aquelas que reconhecem sítios com 6 e 8 pb clivam o DNA em média a cada 4096 e 65536 pb, respectivamente. No entanto, esta média pode sofrer variações significativas, dependendo principalmente da composição de bases do DNA analisado. Por exemplo, a enzima NotI reconhece um sítio de restrição contendo 8pb, incluindo nucleotídeos CpG, que raramente ocorre no DNA de mamíferos.

A família de fragmentos gerados por digestão com enzima de restrição é geralmente detectada pela separação destes fragmentos por eletroforese em gel de agarose. Os fragmentos migram em função de seus pesos moleculares sendo que os menores migram mais rapidamente

Construção do DNA Recombinante

Uma enzima de restrição particular reconhece somente uma seqüência única de bases. DNAs de origem diferente sob a ação da mesma enzima de restrição produzem fragmentos com o mesmo conjunto de extremidades fitas simples. Portanto, fragmentos de dois diferentes organismos (por exemplo, bactéria e homem) podem ser ligados por renaturação das regiões de fita simples. Além disto, se a ligação for "selada" com a enzima DNA ligase, depois do pareamento de bases, os fragmentos serão ligados permanentemente. A técnica de DNA recombinante tem um interesse especial se uma das fontes de DNA clivado for um plasmídeo.

Considere como exemplo uma molécula de DNA de plasmídeo que tem somente um sítio de clivagem para uma determinada enzima de restrição. A mesma enzima é usada para clivar DNA humano. Se os fragmentos de DNA humano são misturados com o DNA plasmidial linearizado, permitindo a ligação entre eles, uma molécula de DNA plasmidial contendo DNA humano pode ser gerada. Este plasmídeo híbrido pode ser inserido numa bactéria por transformação e então o inserto será replicado como parte do plasmídeo. Geralmente antibióticos são acrescentados ao meio da cultura para selecionar somente as linhagens que portam os plasmídeos (o plasmídeo usado para esta finalidade porta resistência a pelo menos um antibiótico).

DNA ligase

Conforme mencionado anteriormente esta enzima promove a ligação dos fragmentos de DNA em vetores previamente clivados por endonucleases de restrição.

A DNA ligase requer um grupo OH livre na extremidade 3' de uma das cadeias de DNA e um grupo fosfato na extremidade 5' da outra cadeia .Como exemplo temos a E.coli e o fago T4 codificam uma DNA ligase capaz de selar fragmentos de DNA com dupla fita. DNA ligase isolada de E.coli e de outras bactérias requer NAD+, enquanto que a isolada do bacteriófago T4 requer ATP como cofator.

Clonagem na agricultura

Clonagem: Um método natural de reprodução. Muito se fala sobre a clonagem, como se fosse algo realmente fantástico. O fato de se ter conseguido a clonagem de animais superiores, como é o caso da ovelha Doli, é que foi a grande novidade, pois os tecidos dos animais superiores são formados por células com funções altamente especializadas, que não podem retornar à função de reprodução. Entretanto, muitos seres vivos, principalmente os animais unicelulares e praticamente todos os vegetais, são naturalmente reproduzidos por meio de clonagem.

A clonagem consiste em se obter uma cópia idêntica do organismo que se quer reproduzir. Ou seja, o descendente possui exatamente a mesma carga genética do progenitor.

Como exemplo de clonagem natural de organismos inferiores citam-se os vírus, fungos e bactérias. Mas, é entre os vegetais que se tem os melhores exemplos da utilização de técnicas de clonagem no desenvolvimento de práticas culturais aplicadas comercialmente em larga escala. Em alguns casos, como alho, inhame e banana, as plantas domesticadas sofreram tão forte adaptação ao longo da sua utilização milenar, que perderam a capacidade de se reproduzirem por meio sexuado, reproduzindo-se somente por meio de bulbos e rizomas.

A grande vantagem de se utilizar técnicas de propagação de plantas por meio de clonagem - o que em Agronomia se denomina de propagação vegetativa - é obter lavouras uniformes com todas as plantas idênticas, para produzirem frutos com as mesmas características em termos de tamanho, formato, sabor, composição química etc. A prática mais comum é a utilização de bulbos, rizomas, rebentos, tubérculos e segmentos de caule, que são partes de algumas espécies que se especializaram como estruturas de reprodução vegetativa. Algumas plantas como a da batata-doce, cana-de-açúcar e batatinha podem ser reproduzidas por mais de uma forma de propagação, mesmo que comercialmente a escolha de uma das formas seja a mais recomendável. A batata-doce, por exemplo, pode ser propagada por meio de segmentos de sua rama (segmento do caule) e brotações que crescem a partir de raízes tuberosas.

Além da utilização das estruturas naturais de propagação, para diversas espécies foram desenvolvidas técnicas especiais como enxertia, alporquia, mergulhia, cultura de meristema e outras, que utilizam geralmente gemas ou brotos que crescem nas axilas das folhas ou nas extremidades dos ramos.

Dentre essas técnicas, a mais conhecida é a enxertia, que consiste em unir partes de duas plantas. A planta receptora é denominada de cavalo ou porta-enxerto, que pode ser produzida por qualquer sistema reprodutivo, inclusive o processo vegetativo, desde que tenha compatibilidade com a planta que irá fornecer a parte a ser enxertada. A parte da planta de interesse comercial é denominada de enxerto, que é fixado no porta-enxerto por diversos processos, tendo como princípio a junção firme dos tecidos das duas plantas, que crescem unidos e formam uma nova planta a partir da brotação do enxerto. Neste caso, todas as brotações que se originam na planta porta-enxerto são removidos, para que a nova planta tenha somente a característica que se deseja. Não é comercialmente interessante, mas por meio desse processo pode-se ter em uma mesma planta, mais de um tipo de fruto. Como exemplo, pode-se ter em uma mesma planta, ramos que produzam mexericas, laranjas, tangerinas ou qualquer outra fruta cítrica.

Uma técnica bastante sofisticada, que representa uma tecnologia de alto nível aplicável à agricultura, é denominada de cultivo in vitro para produção de mudas livres de doenças. Esta técnica consiste remover um Segmento mínimo de tecido meristemático do ápice da brotação da planta e cultivá-lo assepticamente em meio-de-cultura in vitro. Estes tecidos crescem a uma taxa relativamente acelerada, permitindo extrair a estrutura reprodutiva antes que as suas células sejam invadida por microrganismos, principalmente bactérias e vírus. Desta forma obtém-se uma planta "limpa" que é propagada intensivamente por meio de outros processos, em condições protegidas da contaminação, até atingir a quantidade desejada. Este processo é utilizado em biofábricas.

Conclusão

Percebemos que ainda não temos o domínio completo das técnicas de clonagem, que não temos uma legislação específica e principalmente no que estes avanços podem influir no nosso ambiente. Sendo assim, devemos agir com completa consiência pois ainda não somos capazes de avaliar os possíveis danos ou avanços que a engenharia genética pode causar.

Fonte: www.ufv.br

Clonagem

O que é a clonagem?

Mais do que um tema abordado em produções fictícias, como as novelas, a clonagem transformou-se em um assunto polêmico atualmente, após o clone de um embrião humano realizado por um laboratório norte-americano.

Assunto este que nos faz pensar: qual o limite do ser humano? O termo clonagem designa as técnicas de duplicação utilizadas em genes, células, tecidos, órgãos e seres vivos.

Como funciona o processo de clonagem?

As cópias possuem todas as características físicas e biológicas de seu pai genético. Os cientistas isolaram uma célula e retiraram dela o seu núcleo, assim, juntou-se uma célula a outra e, em seguida, ocorreu a duplicação de ambas, e assim sucessivamente até constituírem um ser.

Por que clonar?

Imagina-se que tal necessidade advém da vontade de reproduzir características de excelência de determinados exemplares de uma espécie em outros menos dotados. Este tipo de clonagem reprodutiva é amplamente aplicada na agricultura e na pecuária, obtendo-se, por exemplo, vacas que produzem mais leite e melhor carne.

DOLLY: o primeiro clone

Embora Dolly parecesse, inicialmente, igual a outras ovelhas do interior da Escócia, havia uma diferença fantástica, Dolly não foi gerada de forma natural, mas produzida artificialmente em laboratório, a partir de uma única célula da mama de uma ovelha adulta. Não houve cruzamento ou, ao menos, inseminação artificial.

Dolly é um clone de outra ovelha, uma cópia de outro ser de sua espécie.

Clonar humanos, eis a questão...

Com o sucesso da clonagem animal, começaram a surgir os esperados rumores e preocupações sobre a possibilidade de clonar seres humanos. Tal reação é natural por parte da sociedade, principalmente, quando os avanços da biotecnologia ameaçam mudar a ordem da natureza. Manipular o desenvolvimento natural de um ser humano e desvendar os segredos escondidos nos genes, de alguma forma, agridem as crenças mais profundas que temos com relação às leis naturais, ou às leis de Deus, leis estas que não devem sofrer a interferência humana.

O Brasil e a clonagem

O Ministério da Agricultura anunciou, há pouco tempo, o nascimento do primeiro animal clonado brasileiro, a bezerra Vitória da raça Simental, nascida na Fazenda Sucupira, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A bezerra Vitória é resultado de núcleos transferidos de um embrião de cinco dias coletado de uma vaca Simental pela técnica de transferência de embriões clássica.

Qual a necessidade da clonagem no Brasil?

Alguns estudos de simulação demonstraram que a combinação da clonagem com as demais técnicas de multiplicação animal podem beneficiar programas de conservação e melhoramento animal, possibilitando, também, a reprodução de raças de animais ameaçadas de extinção no território nacional.

A clonagem pode salvar vidas?

Ao longo da vida, o corpo humano pode deixar de funcionar normalmente, cuja falta de determinado composto pode acarretar no aparecimento de doenças graves.

Para exemplificar tal situação, a baixa ou a não produção de insulina pelo corpo pode causar diabetes; tal substância não se compara à forma comercializável. A obtenção de órgãos para transplante é um campo onde a clonagem pode ser extremamente útil, porém, sem certeza absoluta. Em ambos os casos, aplica-se a clonagem terapêutica a serviço da humanidade, porém, há muito o que se pesquisar para provar que tais aplicações são realmente satisfatórias.

Elisabete Almeida

Fonte: www.geocities.com

Clonagem

Clonagem humana: manipulando a vida

As pesquisas com células-troncos são consideradas atualmente o avanço mais importante na história da medicina. O motivo é que essas células são versáteis e possuem o potencial de serem transformadas em células de substituição para o cérebro, coração, músculos, rins, fígado e outras partes do corpo.

Há duas origens de células-troncos: de pessoas adultas e embriões. Embora pesquisas nessa área possam trazer vários benefícios médicos importantes, há muitas dúvidas com relação ao uso dessas células.

O maior interesse dos cientistas é nas células de embriões. Mas qual a mãe que ofereceria o próprio embrião (filho) para ser utilizado em experiências de laboratório? As pessoas se sentem incomodadas com a questão, mas os cientistas afirmam que não há outro meio de se alcançar cura para determinadas doenças. Assim, para “evitar” maiores controvérsias, eles querem criar embriões através da clonagem para “salvar” outras vidas. Além disso, eles alegam que um embrião humano criado em laboratório é diferente de um embrião se desenvolvendo na barriga de uma mãe.

Na verdade, os clones na fase inicial de desenvolvimento não são diferentes em espécie ou natureza dos embriões normais na mesma fase de crescimento. Cada um é uma pessoa, uma vida humana, com sexo e com uma constituição genética específica.

Eis a verdade biologicamente precisa do que aconteceria se eu me submetesse a um “tratamento” com células-troncos extraídas de embriões criados através da clonagem:

Meu DNA seria extraído de uma de minhas células somáticas. O núcleo de um óvulo de uma mulher seria removido. Meu DNA, que contém 46 cromossomos, seria introduzido na parte do óvulo que antes continha o núcleo. O óvulo geneticamente modificado seria então estimulado a iniciar o desenvolvimento como embrião. O embrião criado seria em essência meu irmão gêmeo idêntico. Os pais biológicos dele seriam meus pais. Quando meu irmão fizesse 14 dias de vida, ele seria destruído a fim de que fossem extraídos dele as células-troncos. Essas células-troncos então seriam levadas a se diferenciar no tipo de órgão que eu preciso para meu tratamento médico. Uma linha dessas células já diferenciadas seria mantida e cultivada até que houvesse órgãos suficientes para introduzir em meu corpo. Assim, os órgãos do meu irmão gêmeo seriam introduzidos em mim, para tratar da minha doença.

Portanto, o ato da clonagem não ocorre quando o bebê nasce. O clone é criado quando o núcleo de um óvulo humano é removido e implantado com material genético tirado da pessoa que está sendo clonada. O óvulo é então estimulado e reage como se tivesse sido fertilizado. Quando esse processo começa, já existe um clone humano.

Depois disso, é só uma questão do que se fará com a vida humana que se criou: pesquisas que a destruirão (clonagem terapêutica) ou implantação num útero (clonagem reprodutiva).

A FALSA DISTINÇÃO ENTRE “CLONAGEM REPRODUTIVA” E “CLONAGEM TERAPÊUTICA”

A fim de que a clonagem humana não seja proibida, os “especialistas” declaram que há uma diferença entre “clonagem reprodutiva” (que eles dizem estar dispostos a proibir) e a chamada “clonagem terapêutica” (que eles insistem em que não deve ser proibida). De acordo com esse argumento, a clonagem reprodutiva consiste em implantar um embrião clonado no útero de uma mulher voluntária com o objetivo de gerar uma criança e trazê-la ao mundo. Os defensores da clonagem dizem que não querem isso. O que eles querem é que as leis permitam que se possa fazer experiências “médicas” com os embriões clonados.

Mas essa distinção é falsa. Um clone usado em pesquisas não é diferente em espécie ou natureza de um clone destinado para implantação num útero. Em outras palavras, já é um ser humano.

A pergunta que fica no ar então é: Qual será o destino da vida humana criada através da clonagem? O ato de apenas proibir clones para uso reprodutivo deixaria as empresas de biotecnologia livres para produzir todos os clones humanos que quiserem, sem limite algum — contanto que depois os destruam, em vez de deixá-los nascer.

A distinção entre clonagem “reprodutiva” e “terapêutica” é inteiramente sem sentido e só serve para confundir as pessoas. A clonagem “cria” um embrião, um ser humano novo. Isso é um fato cientifico e biológico. A distinção tem a finalidade de desviar a atenção das pessoas da crueldade envolvida.

Num conhecido noticiário do Brasil, o jornalista falou sobre clonagem, mas no final teve todo o cuidado de frisar: “Mas é clonagem para ajudar na cura de doentes e deficientes”. É como se ele percebesse que o público se revoltaria com o que os pesquisadores estão fazendo com os embriões clonados e procurasse desculpá-los apaziguando a consciência de todos com uma atitude tipo “mas é para o bem de todos, então não há motivo para ninguém se preocupar”.

Até mesmo o ator americano Christopher Reeve, conhecido mundialmente pela série cinematográfica “Super-Homem” e que ficou tetraplégico ao sofrer um acidente, se manifestou em apoio às experiências com embriões clonados.

O Sr. Reeve acha que o ser humano pode fazer na vida real um papel maior do que Super-Homem: decidir o que só Deus deveria decidir. Em seu desespero por cura física, ele cometeu dois erros. Sendo evangélico, alguns anos atrás ele veio ao Brasil para visitar um terreiro de candomblé no Rio, na esperança de alcançar uma cura por meio sobrenatural.

Como não recebeu nada dos orixás, agora ele recorre a outro meio: apoiar experiências com embriões vivos. Se essas fossem realmente a única opção para os doentes, então, para quem é consciencioso e honesto, a única escolha seria não recorrer aos orixás nem se envolver em experiências que conduzem à eliminação de uma vida humana inocente. No entanto, opções. Podemos aceitar os tratamentos médicos legítimos, que não desrespeitem o valor da vida dos outros.

Podemos também nos abrir para o mundo sobrenatural, mas não como fez o Sr. Reeve. Jesus é sobrenatural e ele tem o poder de curar. Sempre podemos recorrer a ele.

O Sr. Reeve se iludiu com a idéia da clonagem “terapêutica”. Não há nenhum tratamento médico que exija a clonagem de seres humanos. Mas, de acordo com os noticiários, há a necessidade de liberdade para se criar embriões clonados em laboratórios, a fim de que os pesquisadores possam utilizá-los como fontes de células-troncos. A vida humana assim seria tratada como um produto, de onde seriam removidas partes para vários tipos de utilização. No processo, uma vida humana inocente, que foi brutalmente submetida por cientistas a uma criação não natural, seria impedida de continuar viva.

É desnecessário matar embriões humanos a fim de se extrair células-troncos. Os cientistas sabem disso. Essas mesmas células podem ser tiradas de cordões umbilicais doados, sem mencionar o fato de que se pode utilizar as células-troncos de pessoas adultas, sem nenhum sacrifício de vidas. Mas os cientistas insistem em que eles desejam os embriões… Quais serão suas reais intenções?

A AMEAÇA DE QUE NÃO HAVERÁ AVANÇO MÉDICO SEM A CLONAGEM

Os defensores da clonagem alegam que tudo o que a medicina precisa para alcançar um futuro miraculoso são as células-troncos tiradas de clones humanos. A clonagem de embriões humanos provavelmente já está ocorrendo em alguns laboratórios secretos do mundo, dizem os cientistas. No fim, eles confessam, é inevitável que alguém em algum lugar irá em frente para fazer experiências com clones humanos.

Richard Lynn, professor emérito de psicologia da Universidade de Ulster, Alemanha, afirma que a sociedade de hoje, em sua aceitação da tecnologia reprodutiva, precisa examinar se deve continuar condenando os nazistas do passado, que faziam experiências nessa área. As experiências eugênicas dos nazistas foram condenadas porque envolviam seres humanos vivos, que eram eliminados. Do mesmo jeito, as pesquisas com embriões humanos envolvem a eliminação de seres humanos vivos.

Um fato interessante é que o homem que a revista Time considera como o grande responsável pelo crescente entusiasmo dos americanos a favor da clonagem é Randolfe Wicker, um conhecido ativista gay durante muitos anos. Ele fundou o Fronte Unido dos Direitos da Clonagem e é porta-voz da Rede de Clonagem Reprodutiva. Wicker… diz que quer ser clonado.

Especialistas que dizem que a clonagem “terapêutica” é para curar doenças estão apenas querendo confundir quem não conhece a questão. A menos que se veja os seres humanos como criados conforme a imagem de Deus e favorecidos por ele com o direito de viver, será impossível impedir que cientistas e médicos façam o que quiserem com quem quiserem. Seu único compromisso será fazer com que tudo pareça lógico, benéfico e agradável para toda a sociedade.

Declarações importantes sobre a clonagem:

“As pesquisas de clonagem de animais, plantas e até genes, tecidos e células humanas (excetuando os embriões) podem ser benéficas e não representam nenhum problema moral intrínseco. No entanto, quando as pesquisas voltam a atenção para seres humanos, precisamos nos assegurar de que a dignidade humana não seja minada na busca do progresso humano. Experiências com seres humanos, separadas de considerações morais, poderiam progredir mais rapidamente num nível técnico — mas às expensas de nossa humanidade. Proibir a clonagem humana ajudará a dirigir os empreendimentos comerciais médicos para pesquisas que beneficiarão os seres humanos, sem produzir, explorar e destruir nosso semelhante para ganhar esses benefícios. Criar uma vida humana com o único objetivo de se utilizar partes de seu corpo e destruí-la é a utilização mais injusta da clonagem humana — não sua desculpa mais elevada”.

— Testemunho de Richard M. Doerflinger diante da Subcomissão para assuntos de saúde da Câmara dos Deputados dos EUA, 20 de junho 2001.

A clonagem humana constitui experiências sem ética na futura criança, sujeitando-a a risco enormes de anormalidades no corpo e desenvolvimento. Ameaça a individualidade atrelando deliberadamente o clone com um genótipo que já viveu. Além disso, sua vida sempre será comparada à vida anterior. Confunde a identidade negando ao clone um pai e uma mãe e tornando-o gêmeo de sua cópia mais velha. Representa um passo gigantesco na transformação da procriação em produção industrial… E é uma forma radical de despotismo dos pais e abuso contra crianças — mesmo quando é cometido livremente e em pequena escala.

Permitir a clonagem humana significa dizer sim ao perigoso princípio de que temos o direito de determinar e projetar a constituição genética de nossos filhos. Se não desejamos viajar por esse caminho eugênico, é necessário que se proíba de modo eficaz a clonagem de seres humanos, e proibir agora, antes que surjam eventos inesperados… Se permitirmos que embriões humanos clonados sejam produzidos e se tornem disponíveis em laboratórios e centros de reprodução assistida, será virtualmente impossível controlar o que se fará com eles… será impossível impedir a clonagem reprodutiva… Por todas essas razões, a única abordagem legalmente certa e eficaz na prática é impedir a clonagem humana no começo, enquanto estão produzindo clones embriônicos. Tal proibição é com justiça caracterizada não como interferência nas pesquisas cientificas, mas como uma tentativa de impedir a fabricação e comercialização nojenta, indesejada e prejudicial à saúde de clones humanos.

— Leon Kass, diretor do Conselho de Bioética da Presidência dos EUA e professor da Universidade de Chicago.

Eles estão com razão. Não há necessidade de se manipular e destruir embriões por causa das células-troncos. Estudos que utilizam células-troncos não embrionárias, extraídas com ética e segurança do sangue dos cordões umbilicais, medula óssea, células do cérebro e gordura já são realidade. Esses estudos clínicos oferecem benefícios sólidos para pacientes que sofrem de doenças do coração, doenças do sangue e outras problemas de saúde.

Células-troncos de pessoas adultas têm sido usadas, com bastante sucesso, em pacientes: para tratar deficiências de cartilagem em crianças; restaurar a visão de pacientes cegos; aliviar esclerose múltipla e artrite reumática e servem como auxílio em muitos tratamentos de câncer.

PROBLEMAS REAIS COM A CLONAGEM

O uso das próprias células-troncos do paciente é preferível, em vez de se usar as células-troncos de embriões, pois evita o problema de o corpo rejeitar células de outras pessoas. Há evidências dos benefícios das células-troncos de pessoas adultas, porém o mesmo não ocorre com células de embriões. Os estudos mais recentes em animais revelam que as células-troncos de embriões são instáveis e imprevisíveis e podem levar à morte prematura ou grave anormalidade. Há o mesmo problema entre os seres humanos.

O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, entrevistou Panos Zavos, da Universidade de Kentucky:

ZH — E qual é o índice de esses clones nascerem sadios?
Zavos — Em média 30%.
ZH — E o que acontecerá com os outros 70%?
Zavos — Não sei o que acontecerá aos outros 70%.

O Professor Ian Wilmut, um dos criadores de Dolly, a primeira ovelha clonada, revelou que todos os animais clonados do mundo têm defeitos genéticos e físicos.

O Dr. Wilmut examinou todos os estudos de animais clonado ao redor do mundo e constatou que os animais estavam sofrendo de uma grande variedade de anormalidades, inclusive tamanho excessivo de certos órgãos, deficiências do coração, obesidade, problemas pulmonares e sistemas imunológicos funcionando mal. A ovelha Dolly, embora fosse tão nova, passou a ter artrite mais cedo do que se esperava.

O Professor Wilmut concluiu: “Há evidências abundantes de que a clonagem pode e sai errado e não há justificativa para se acreditar que isso não vai acontecer com os seres humanos [clonados]”.

A chamada clonagem “terapêutica” ou de “pesquisa” fabrica seres humanos a fim de se obter células-troncos, um processo que mata os embriões humanos.

Pesquisas com células-troncos de embriões de animais vêm sendo realizadas há anos, e não se descobriu benefício médico algum. A clonagem humana é perigosa para pacientes. As células-troncos de embriões clonados não são normais, e há elevado risco de mutação. Além disso, as células-troncos de embriões parecem experimentar crescimento incontrolável e assim se tornar cancerosas. A clonagem é perigosa para a medicina.

O primeiro princípio importante da ética médica é: “Não fazer mal”.

Explicando essa ética, o Código de Nurembergue, elaborado em resposta às experiências letais que médicos e cientistas nazistas realizavam em seres humanos, afirma: “Não se deve permitir experiências quando se sabe antecipadamente que causarão morte ou problema físico grave”.

Em contraste, cientistas americanos informam que transformaram células-troncos de medulas ósseas de pessoas adultas virtualmente em todos os tipos de células no corpo, aumentando a esperança de que poderiam ser usadas para criar uma fonte infinita de células para tratar doenças.

O jornal Correio Brasiliense, de Brasília, trouxe uma importante notícia: “Cientistas dos EUA publicam estudos que comprovam a capacidade das células adultas de se diferenciar em qualquer tecido do corpo.”

Tudo isso traz uma pergunta intrigante: Por que os meios de comunicação mostram muito mais interesse em notícias sobre as experiências com embriões do que com as notícias sobre os sucessos reais das pesquisas que utilizam somente células-troncos de pessoas adultas? Se o alvo da notícia é esclarecer sobre o que a ciência está fazendo para avançar os tratamentos médicos, então por que os noticiários dão muito mais visibilidade e cobertura para as experiências com embriões, quando está provado o valor das pesquisas com as células-troncos de adultos?

Não é segredo que os membros dos meios de comunicação, em sua maioria, têm inclinações políticas liberais. Na questão do aborto e do homossexualismo, por exemplo, quase sempre eles ficam do lado que aprova essas práticas, pois lhes falta uma base moral adequada para defender o que é certo. É com essa falta de base moral que eles lidam com a questão da clonagem. Outra explicação do motivo por que a imprensa dá um espaço tão pequeno e superficial para as pesquisas envolvendo células-troncos de adultos é a obsessão dos meios de comunicação com as “credencias” dos que defendem a destruição de embriões para a extração de células-troncos. Quando cientistas sem princípios éticos afirmam que as células-troncos de embriões oferecem maior futuro para os tratamentos médicos do que as células de adultos, os jornalistas dão uma olhada no curriculum vitae deles e aceitam deles qualquer opinião, sem questionar.

O Dr. James Dobson disse, referindo aos especialistas em “ética” que muitas vezes são consultados para comentar e decidir questões importantes como a clonagem. Ele revela o que pensam realmente alguns deles.

O Dr. Dobson afirmou:

Sabemos que há um desrespeito quase total para com o valor da vida humana em alguns círculos pós-modernos. O Dr. Peter Singer é um especialista em ética e professor na Universidade de Princeton.

Veja o que ele escreveu: “Muitas vezes, não é, de forma alguma, errado matar uma criança quando ela sai do útero”.

Ele disse, e observe as palavras dele agora: “O fato simples é que matar um bebê jamais equivale a matar uma pessoa”.

COMO ENTENDER A QUESTÃO DA CLONAGEM

O especialista em ética Dr. Scott Rae do Seminário Teológico Talbot, EUA, disse: “Não há motivo por que não possamos ou não devamos usar as células-troncos de pessoas adultas…

Mas há um problema que vemos no ato de tirar células-troncos de embriões humanos: equivale a matar uma pessoa a fim de beneficiar outra”. O Dr. Rae compara a conduta de alguns médicos de hoje aos médicos nazistas que, sem consentimento, faziam experiências em judeus, sob a alegação de trazer benefícios médicos para a sociedade. É claro que é impossível obter o consentimento necessário de uma pessoa clonada que está no estágio embrionário.

O que a Bíblia tem a dizer?

A Palavra de Deus não trata diretamente da clonagem humana, mas esclarece as seguintes questões:

O que significa o fato de que somos seres humanos?

A Palavra de Deus ensina que fomos criados conforme a imagem de Deus (Gênesis 1:26-28). O ser humano é totalmente diferente de todo o restante da criação, pois só ele foi criado com sua imagem e semelhança.

Quando a vida humana começa?

A Bíblia mostra que a vida humana começa na concepção: “De fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido”. (Salmos 51:5 BLH) A história da própria vida humana de Jesus começou quando o anjo disse a Maria que ela conceberia e teria um filho (Mateus 1:18-24; Lucas 1:26-38) Assim, Jesus no começo veio a morar num óvulo fertilizado de Maria.

Qual deve ser a resposta cristã com relação à clonagem humana?

Reconhecemos que é importante buscar cura para doenças como o câncer. Contudo, não precisamos matar. Crianças são bênção, não produtos industriais que podem ser usados e destruídos conforme a vontade de quem os possui. Crianças são presentes de Deus para nós.(Salmo 127:3).

Como a Palavra de Deus vê os pesquisadores e médicos que acham que estão acima de Deus?

“…a sabedoria dos sábios perecerá, a inteligência dos inteligentes se desvanecerá”. Ai daqueles que descem às profundezas para esconder seus planos do Senhor, que agem nas trevas e pensam: “Quem é que nos vê? Quem ficará sabendo?” Vocês viram as coisas pelo avesso! Como se fosse possível imaginar que o oleiro é igual ao barro! Acaso o objeto formado pode dizer àquele que o formou: “Ele não me fez”? E o vaso poderá dizer do oleiro: “Ele nada sabe”? (Isaías 29:14b,15-16 NVI).

O que se deve fazer então com relação à clonagem? A coalizão da Americans to Ban Cloning (Americanos a favor da Proibição da Clonagem) está promovendo uma campanha para que a clonagem humana, para todos os propósitos, seja proibida no mundo inteiro.

A clonagem humana tem de ser proibida porque:

A clonagem humana representa a utilização e a comercialização de seres humanos como se fossem produtos de consumo.
A clonagem humana criaria uma classe de seres humanos que existiriam não como fins em si mesmos, mas como meios de realizar os objetivos dos outros.
Será impossível proibir legalmente a clonagem como meio de se produzir seres humanos nascidos vivos, a menos que se proíba também a clonagem para todos os propósitos — inclusive o uso da clonagem para produzir embriões humanos como fontes de células-troncos ou para outros tipos de experiências. Classificar o uso de células-troncos e experiências com embriões como "clonagem terapêutica" é algo perigoso e enganador, pois já está provado que a clonagem não é necessária na produção de terapias humanas
A clonagem humana explora experiências com seres humanos e representa perigos desnecessários para a vida e a saúde da criança e da mãe.
A clonagem humana destrói a ordem social e confunde o significado da paternidade e as relações familiares da criança clonada.
Os seres humanos têm o direito de não serem criados como objetos de experiências.
A clonagem humana poderá levar à reprodução de pessoas vivas ou mortas sem seu conhecimento ou envolvimento.
A clonagem humana é uma afronta à inerente dignidade e individualidade da vida humana.
A clonagem humana representaria, tecnologicamente, a porta de entrada para a realização de mais manipulações e controle genético de seres humanos.
A clonagem humana engana as pessoas enlutadas pela perda de um cônjuge, um amigo ou parente ao prometer o que não poderá cumprir:
trazer de volta um ente querido já falecido.

O Presidente George Bush, dos EUA, declarou sabiamente: “A vida é uma criação, não uma mercadoria. Nossos filhos são presentes que precisamos amar e proteger, não produtos que devemos projetar e fabricar. Permitir a clonagem seria dar um importante passo para nos transformarmos numa sociedade em que seres humanos são desenvolvidos para a obtenção de órgãos como peças sobressalentes, e crianças são projetadas de acordo com as especificações dos clientes. Isso não é aceitável”.

Julio Severo

Fonte: providafamilia.org

Clonagem

Clonagem humana: algumas premissas para o debate jurídico

Introdução

Partindo da evidência de que o conhecimento do genoma humano e suas aplicações futuras repercutirão enormemente na sociedade humana, sabe-se que muitas discussões terão lugar acerca do impacto das novas biotecnologias na vida e na natureza como um todo.

Poucas questões repercutem de modo tão intenso na sociedade moderna, gerando tanta preocupação e debate quanto as possibilidades oferecidas pela engenharia genética e sua utilização sobre as células germinais humanas, células tronco e embriões e, especialmente a possibilidade de “duplicação” do ser humano.

Se a questão da clonagem humana parece tão tormentosa, pelo menos, nunca se verificou tão evidente a urgência em se estabelecer instâncias de reflexão e discussão sobre a maneira pela qual os cientistas buscam a realização de seus intentos e, de que forma, aqueles que os financiam pretendem aplicar as descobertas no atendimento às expectativas de uma sociedade ansiosa em evitar as doenças e os males que atingem a saúde ou que, invariavelmente, repercutem na qualidade de vida das pessoas.

Reconhecendo que nem tudo que é cientificamente possível de ser realizado é, portanto, eticamente aceitável, tal linha de raciocínio nos conduz à reflexão que se consolidou a partir da necessidade em se reconhecer o valor ético da vida humana e recolher subsídios para conciliar o imperativo do desenvolvimento tecnológico e a proteção da vida e da qualidade de vida.

O grande desafio enfrentado pela Bioética é conciliar o saber humanista com o saber científico na busca da felicidade do ser humano.

Afinal parece ser este o objeto de desejo que buscamos da ciência: a realização de nossas expectativas de vida longa e saudável. 

A possibilidade da clonagem humana traz à discussão o papel da ciência e da engenharia genética, e as chances de que se possa estabelecer um domínio completo sobre o processo reprodutivo colocando-se em primeira ordem os interesses individuais. Interesses esses passíveis de ser realizados por uma pequena parcela da população que pensa poder satisfazer seus desejos de vida eterna ou de continuidade através da “prole cientificamente programada.”

Portanto, sendo realidade que as fronteiras biológicas estão sendo derrubadas, deve-se refletir sobre o papel do Direito na tentativa de evitar a utilização indiscriminada da ciência quando não jungida aos princípios éticos consensuais, oferecidos pela reflexão Bioética.

Esta breve abordagem tem o intuito de oferecer alguns subsídios para o debate sobre tema tão complexo e sério quanto o da possibilidade da clonagem humana, a partir dos princípios constitucionais e de normativas internacionais que visam assegurar a proteção da vida humana e de suas características intrínsecas relacionadas à dignidade, inviolabilidade, e identidade do ser humano.

Para traçar algumas considerações a partir do Direito, será abordada a proteção da pessoa humana na Constituição Federal de 1988, e, em seguida, a proteção do patrimônio genético da humanidade, demonstrando-se que a construção jurídica possui previsões que se aplicam diretamente aos avanços da ciência e, especialmente, à engenharia genética envolvendo a clonagem de seres humanos.

1. A proteção da pessoa humana na Constituição Federal de 1988

A Constituição brasileira assegura, em vários artigos, a proteção do ser humano, seja fazendo referência ao princípio da dignidade da pessoa humana, seja protegendo a vida, a saúde, garantindo a igualdade, a liberdade, a segurança e, as condições dignas de sobrevivência por meio da proteção à maternidade e à infância. Igualmente, estende-se a proteção ao ambiente ecologicamente equilibrado e à sadia qualidade de vida a ser assegurada à geração presente e futura.

O valor fundamental a ser tutelado é, portanto, o da dignidade da pessoa humana, que constitui um legado incontestável da filosofia Kantiana. O ser humano é um fim em si mesmo e, jamais, deve constituir um meio para atingir determinado fim.

Erigido como preceito constitucional, o princípio da dignidade humana é a base ou o fundamento de todo o pensamento bioético e, constitui o ponto de partida para a formulação das leis bioéticas, ou do denominado Biodireito.

Os poderes da biomedicina conferem a possibilidade de transformação programada da vida planetária sendo que, todas as possibilidades que estavam no plano teórico ou potenciais, neste momento estão em fase de plena possibilidade de realização. Dentre elas, especialmente se apresenta, a conquista da técnica que possibilitará a clonagem humana.

A referida técnica de clonagem poderá ser utilizada para fins terapêuticos, a partir da utilização de células tronco-embrionárias, para evitar ou tratar doenças, ou ainda a clonagem reprodutiva, que visa dar origem a um outro indivíduo com carga genética idêntica a outro pré-existente.

Se a clonagem terapêutica parece possível de ser aceita pelas promissoras perspectivas já comprovadas, mesmo que envolva a polêmica bioética sobre a possibilidade de experimentação sobre embriões humanos, a possibilidade de produção de órgãos para transplantes, sem que exista o risco de rejeição, resolverá um dos mais sérios problemas que afligem as pessoas que estão no estado de sofrimento, aguardando a perspectiva de viver sem grandes riscos ou limitações físicas.

Entretanto, a clonagem humana sob o prisma reprodutivo, apresenta-se como um grande dilema, tendo em vista que a viabilidade da realização da duplicação do ser humano implica na certeza de se programar o nascimento de uma criança sob medida, negando-se a sua identidade, o que acarretaria sérios problemas na ordem das relações familiares com reflexos importantes no âmbito psicológico.

Nesse sentido, a inquietação sobre a condição humana após ou, a partir das possibilidades de clonagem, representa uma indagação necessária, sendo que nenhuma resposta da Bioética é peremptória, evitando o domínio ou a hegemonia de qualquer cultura sobre uma outra. As soluções devem ser construídas provisoriamente e, a partir de concepções diferentes acerca da vida e do papel das intervenções da ciência na natureza.

A maior preocupação mundial é a questão da saúde e da qualidade de vida do homem. A discussão ecológica e a preocupação com o meio ambiente e a proteção dos recursos ecológicos vinculam-se diretamente à sobrevivência do ser humano e aos Direitos Humanos.

Se a pesquisa genética avançou incomparavelmente nestes últimos anos, é justamente porque objetiva encontrar soluções para por um fim a um número impressionante de doenças hereditárias raras e de doenças comuns e avassaladoras como diabetes, doenças cardiovasculares, doenças neuropsiquiátricas, câncer e Aids.

Portanto, se o avanço da ciência não pode ser contido por simples tabus ou preconceitos sociais, tendo em vista os grandes interesses sociais envolvidos, entretanto, deve-se adotar um critério de prudência e de responsabilidade para a aceitação das novas intervenções sobre o ser humano e sua descendência.

A primeira base de sustentação que oferecerá condições para que o Estado intervenha nas pesquisas e descobertas científicas, será a consagração do princípio da dignidade da pessoa humana, que fundamenta invariavelmente o debate filosófico, tendo sido incorporado pelo discurso jurídico e referido nas mais variadas legislações.

1.1 O princípio da dignidade da pessoa humana: fundamento do Biodireito

Partindo do pressuposto que o estado democrático de Direito brasileiro funda-se no princípio da dignidade da pessoa humana, intui-se que toda discussão jurídica sobre a possibilidade de clonagem humana e, a eventual elaboração de lei específica sobre o tema deve levar em consideração esse preceito, que é estendido a todo ser humano.

A lei parece ser o instrumento privilegiado para orientar o desenvolvimento das ciências da vida. Nesse sentido, o Biodireito representa um ramo novo e revolucionário cujo interesse repercute em todo o mundo, requerendo um conhecimento transdisciplinar constantemente atualizado e dinâmico, conforme o ritmo dos avanços científicos.

A discussão que fundamenta a formulação do Biodireito assenta-se sobre o princípio da dignidade da pessoa humana.

De tal maneira que na expressão de FERRAZ: “o reconhecimento e a afirmação da dignidade humana, conquanto seja esta um direito fundamental, sofre o impacto diário das contingências dos apetites espúrios ou das degradações culturais. Em verdade, tem-se aqui uma luta permanente, que perpassa toda a história da humanidade e que registra ora animadores progressos, ora dolorosos recuos.”

Por essas razões, o tema da engenharia genética humana deve ser tratado à luz dos compromissos jurídicos fundamentais, fixados na Constituição Federal. Nesta perspectiva, é importante reiterar a importância em fundamentar-se as discussões do Biodireito sob o prisma dos princípios constitucionais que asseguram proteção ao ser humano, à biodiversidade, que proíbem a comercialização de órgãos e funções do corpo humano, garantindo a proteção à vida e à liberdade de cada cidadão.

1.2 O direito à vida, à igualdade, à identidade

O compromisso do Estado brasileiro e, das pessoas, para com a vida e a liberdade de cada um está assegurado pelo art. 5º do texto constitucional, garantindo-se o direito à igualdade; o direito à vida; o direito à liberdade; o direito à segurança, que envolve o direito à integridade física e moral. E, mais adiante o art. 196 reconhece a saúde como um direito de todos e dever do Estado, sendo que para possibilitar a realização deste direito, deve o Estado criar políticas públicas para reduzir o risco de doença e de agravos e, oportunizar o acesso universal igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.

A proteção do direito à vida está assegurada pela C.F. de 1988, de modo que além da proteção à dignidade da pessoa humana, protege-se o bem jurídico fundamental que é a vida, compreendida em seu sentido biológico, o direito de vir a ser, de estar no mundo.

Embora o texto não tenha feito referência ao estágio da vida humana, referindo-se ao embrião ou nascituro, a proteção à maternidade e a priorização dos direitos da infância estão protegidos expressamente pela Constituição.

Não havendo consenso sobre o estatuto jurídico do embrião, no Brasil sua proteção é garantida pela proibição de ser utilizado como material genético disponível em experiências, ou com objetivo de mercantilização. O tema toma maior vigor frente a certas legislações que autorizam a destruição de embriões e mesmo, a sua utilização para fins de pesquisa.

Portanto, se a vida é o bem maior a ser protegido, o homicídio é considerado crime, punido severamente pela lei penal. O aborto também é considerado crime no Brasil, mas há duas possibilidades legais que o tornam lícito, no caso de risco de vida da mãe ou, na hipótese de gravidez decorrente de estupro. Cabendo lembrar que a proibição não evita a prática do aborto clandestino, realizado em clínicas, sem nenhuma fiscalização ou punição dos envolvidos. Por outro lado, existem propostas de alteração da lei penal visando incluir outros casos permissivos de aborto, entre eles, o caso de má formação fetal grave e incurável. A questão merece uma discussão junto à sociedade no sentido de se pensar a configuração do aborto no país, no momento da reformulação do Código Penal.

Por outro lado, o corpo humano não pode ser objeto de atividade mercantil, pelo princípio da indisponibilidade do corpo humano, conforme prevê o artigo 199, parágrafo 4º da Constituição. A extra-comercialidade seria a garantia da realização do princípio da integridade e da dignidade da pessoa humana. Deste modo, a doação de órgãos, de sangue, tecidos, leite materno, deve ser estimulada, mas a prática remunerada de qualquer destes elementos do corpo humano, deve ser considerada como um caso grave de ilicitude penal e civil, do mesmo modo que a remuneração pela cessão de útero, nos casos de maternidade por substituição.

Com relação à doação de órgãos em vida, só é cogitável a autorização, no caso de órgãos duplos ou tecidos regeneráveis, parcial ou totalmente, que não comprometem as funções vitais, as aptidões físicas e que não provoquem deformação do corpo do doador.

O direito à identidade faz parte integrante dos direitos personalíssimos, ou seja, têm importância intrínseca e pertence a todo ser humano, indistintamente. No que consiste especialmente a clonagem com fins reprodutivos põe-se em discussão a afronta direta ao direito à identidade, do direito do indivíduo em conhecer sua origem, de reconhecer-se como ser único e irrepetível. Se por um lado, pelo olhar da genética o indivíduo clonado é idêntico ao seu clone, do ponto de vista da subjetividade, da personalidade, cada ser humano é único. Portanto, a discussão se estabelece quanto ao direito do clone a sua identidade específica e o acesso a suas origens e a identificação do parentesco.

Decorre do princípio da igualdade entre todos os homens não receber tratamento discriminatório e, no caso da clonagem reprodutiva, esse princípio é voluntariamente atingido por meio da instrumentalização do ser humano, concebido pela técnica da clonagem e que, pelos motivos acima descritos, não terá garantido dos direitos fundamentais assegurados a toda pessoa humana.

2. Do direito ao patrimônio genético

A proteção do patrimônio genético da humanidade representa a garantia de que não ocorrerão alterações que possam vir acarretar possibilidades de transferência a outras gerações das alterações implementadas nos genes, tendo em vista a impossibilidade de prever os riscos futuros destas intervenções. A possibilidade de melhoria dos genes não justifica, neste momento, o risco não calculável de que tais intervenções não acarretem prejuízos às gerações futuras.

Esse direito está diretamente vinculado à idéia de proteção à biodiversidade e ao ambiente ecologicamente equilibrado, devendo dispor a humanidade de uma natureza íntegra e preservada das ingerências inconscientes do mundo científico.

Na técnica da clonagem reprodutiva, conforme JUNGES: “o perigo deste tipo de procedimento é empobrecer a diversidade genética, pois através da mixagem dos caractéres, introduzem-se novidades nas combinações possíveis entre os genes. Diminuir estas possibilidades significaria perder um patrimônio de biodiversidade que levou milhões de anos para se constituir e não se tem as condições de aferir as conseqüências, a longo prazo, desta nivelação e, aprender a controlá-las em poucos anos.

A produção normativa é vasta levando a perceber que as discussões sobre os temas do Biodireito perpassam pela necessidade de cumprimento das leis já existentes e a realização dos direitos fundamentais do cidadão, que estão inseridos na Carta Constitucional de 1988. A grande preocupação é a necessidade de elaborar-se um juízo crítico com relação aos efeitos sobre o homem, a sua descendência e o meio ambiente, quando da adoção de novas biotecnologias.

Para garantir a proteção dos direitos fundamentais do homem e da mulher, o Direito deve intervir para reprimir abusos, como as experiências sobre o homem; para estabelecer regras de conduta a certas categorias profissionais, a partir dos códigos de ética médica; para garantir o direito dos indivíduos e a perenidade da espécie humana - patrimônio genético indisponível e a biodiversidade. O Direito deve assegurar o respeito e a proteção aos Direitos do Homem, às regras das Nações Unidas, às resoluções da Organização Mundial da Saúde e do Conselho da Europa.

2.1 Os instrumentos de proteção aos direitos das gerações futuras

Reconhece-se o esforço dispensado para a elaboração e discussão de diversos instrumentos internacionais de proteção à vida, à dignidade humana, ao meio ambiente e à diversidade biológica.

A Declaração Ibero-latino-americana sobre ética e genética elaborada em Manzanillo em 1996, revisada em Buenos Aires em 1998, revela a importância da Declaração Universal da Unesco sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos de 1997, do Convênio do Conselho da Europa sobre Direitos Humanos e Biomedicina enfatizando a necessidade em garantir-se o respeito à dignidade, à identidade e à integridade humanas e aos direitos humanos reafirmados em documentos jurídicos internacionais.

A legislação internacional, para ser respeitada, condiciona a incidência interna esteja assegurada em cada um dos países signatários. Contrariamente, pode-se prever novas maneiras, extremamente aviltantes, por certo, de se fomentar a espoliação das nações desenvolvidas sobre as subdesenvolvidas, nas complexas relações norte-sul.

Conforme prevê a Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos da Unesco (1997):

artigo 1- O genoma humano subjaz à unidade fundamental de todos os membros da família humana e também ao reconhecimento de sua dignidade e sua diversidade inerentes. Num sentido simbólico, é a herança da humanidade.

artigo 2

a) Todos têm direito ao respeito por sua dignidade e seus direitos humanos, independentemente de suas características genéticas.

 b) Essa dignidade faz com que seja imperativo não reduzir os indivíduos a suas características genéticas e respeitar sua singularidade e sua diversidade. O genoma humano, que evolui por sua própria natureza, é sujeito a mutações. Ele contém potencialidades que são expressas de maneira diferente segundo o ambiente natural e social de cada indivíduo, incluindo seu estado de saúde, suas condições de vida, nutrição e educação.

O artigo 10 refere que:

Nenhuma pesquisa ou aplicação de pesquisa relativa ao genoma humano, em especial nos campos da biologia, genética e medicina, deve prevalecer sobre o respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais e à dignidade humana dos indivíduos ou, quando for o caso, de grupos de pessoas.

Logo adiante o artigo 11 explicita:

Não serão permitidas práticas contrárias à dignidade humana, tais como a clonagem reprodutiva de seres humanos. Os Estados e as organizações internacionais competentes são convidados a cooperar na identificação de tais práticas e a determinar, nos níveis nacional ou internacional, as medidas apropriadas a serem tomadas para assegurar o respeito pelos princípios expostos nesta Declaração.        

No Senado brasileiro tramita o Projeto de Lei n. 285 de 1999, de autoria do Senador Sebastião Rocha, que visa regulamentar a experimentação técnico-científica na área da engenharia genética, vedando os procedimentos que visem à duplicação do genoma humano com a finalidade de obter clones de embriões de seres humanos. A proposta considera crime a utilização da engenharia genética para a obtenção de clones de embriões ou de seres humanos, aplicando a pena que vai de 6 a 20 anos aos patrocinadores, cientistas e responsáveis técnicos dos estabelecimentos.

Entretanto, já há disposição que proíbe a clonagem, pois a Lei 8.974/95, em seu artigo 13 tipificou como infração penal punida com penas privativas de liberdade a manipulação genética de células germinais humanas e a intervenção em material genético humano vivo, para fins não terapêuticos, do mesmo modo que constitui crime a produção, o armazenamento ou a manipulação de embriões destinados a servir como material biológico disponível. Ademais a própria Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, criada através desta lei, emitiu instrução normativa n.8 de 9 de julho de 1997 sobre manipulação genética e clonagem de seres humanos, proibindo as manipulação genética de células germinais e totipotentes bem como, os experimentos de clonagem radical através de qualquer técnica clonagem.

Considerações Finais

A simples condenação da possibilidade da clonagem humana e de qualquer investigação que tenha esta técnica como uma finalidade, representa um cerceamento ao avanço científico, movido por discursos emocionais sem que se veja objetivamente as possibilidades promissoras que podem se tornar realidade.

No entanto, deve ser considerado um “interdito bioético” a simples defesa da clonagem humana reprodutiva para buscar a produção em série de indivíduos identicamente iguais e isso, independentemente de qualquer argumento político, sanitário ou mesmo social, pois, o ser humano deve ser respeitado na sua singularidade e não deve ser instrumentalizado, no sentido de retomar-se o pesadelo da proposta de eugenismo, defendida pela ideologia nazista.

Portanto, essa condenação não se estende a possibilidade de multiplicação clonal celular de tecidos humanos que têm uma perspectiva outra que a clonagem reprodutiva. Nas experiências de clonagem reprodutiva não se poderá prever ou evitar os riscos de que as manipulações biológicas venham a repercutir sobre a saúde do indivíduo clonado, do mesmo modo que sua descendência poderá herdar seqüelas dos referidos procedimentos.

A revolução científica - através da engenharia genética, pode modificar as características do gênero humano e trazer repercussões, ainda insondáveis, em nossas gerações futuras. A contribuição da Bioética está em tentar responder a muitas questões médicas, sociais, políticas, econômicas e jurídicas que envolvem a discussão sobre a noção de humanidade, compreendida de uma forma global.

Cabe à sociedade fixar determinados limites, criando um enquadramento bem definido em matéria de práticas biomédicas, fundamentado no princípio da responsabilidade. Cabe aos cidadãos de hoje, promover a saúde e bem estar de todos e, ao mesmo tempo, defender os direitos daqueles que comporão as gerações futuras. Este é o papel do Biodireito.

Maria Claudia Crespo Brauner

Referências bibliográficas

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Fonte: www.ufrgs.br

Clonagem

Clonagem é a cópia ou duplicação de células ou de embriões a partir de um ser já adulto

Clonagem

O processo: O segredo de Wilmut

Veja como o cientista construiu um embrião simplesmente obrigando uma célula especializada a passar fome.

A história começa com a célula da mama que ia virar um clone. Antes disso, foi preciso interromper o seu ciclo normal de reprodução.

Acompanhe a experiência:

Clonagem

Clonagem

Clonagem

Clonagem

1. A célula começa o ciclo bem jovem. Apesar de ser um bom momento para clonar, todas as tentativas até hoje deram errado.
2.
Na segunda fase do ciclo, a célula fica pronta para dividir-se em duas. As clonagens a partir daqui também não funcionaram.
3.
Terceira fase. A divisão já vai acontecer e dar origem a uma outra célula da mama. As chances de clonagem são mínimas.

Veio então o grande lance. A célula jovem recebeu uma dieta bem magra de sais, que são o que ela come.

O seu núcleo (azul) foi acomodado dentro de um óvulo (verde) tirado de uma outra ovelha.

Vantagens

Facilidade em estudar qualquer enfermidade genética.
Possibilidade da fabricação de drogas e terapias genéticas.
Cultivo de órgãos isolados para transplante.
Reprogramação de células para auto-restauração.

Desvantagens

O processo ainda é ineficiente.
Alteração da integridade do genoma humano.
Diminuição ou impedimento da variabilidade genética.
Questões éticas e religiosas.

Luis Antônio Tofolo Júnior

Fonte: Colegio São Francisco

Clonagem

A palavra clone deriva etmologicamente do grego “klón”, que significa broto e pressupõe, portanto, a existência de um indivíduo gerador e a ocorrência de reprodução assexuada. Esse termo tem sido aplicado tanto a células quanto a organismos, de modo que um grupo de células que procedem de uma única célula também recebe esse nome.

Toda vez que um ser é gerado a partir de células ou fragmentos de uma mesma matriz, através de um processo de reprodução assexuada que resulta na obtenção de cópias geneticamente idênticas de um mesmo ser vivo (microrganismo, vegetal ou animal), acontece uma clonagem. A clonagem pode ser natural ou induzida artificialmente.

Ela é natural em todos os seres originados a partir de reprodução assexuada, ou seja, na qual não há participação de células sexuais (gametas), como é o caso das bactérias, da maioria dos protozoários e algumas leveduras. Esse é o meio mais freqüente e natural de reprodução dos vegetais inferiores, mas até vegetais superiores podem multiplicar-se naturalmente desse modo. É o caso das gramas dos jardins ou do morangueiro, cujos nós dos ramos laterais rentes à terra formam raízes, gerando plantas independentes. Ao fazerem mudas de plantas, os agricultores e jardineiros estão produzindo clones. A clonagem é, às vezes, o único meio de fazer a multiplicação de uma planta. É o que acontece com a bananeira e, geralmente, com a parreira e a cana-de-açúcar. Se alguém corta um pedaço do tronco de uma bananeira e o joga no canteiro, outra vai brotar espontaneamente. Ou seja, a célula especializada do tronco é capaz de gerar um ser idêntico a si a partir de seu próprio material genético. Outras espécies, como a estrela-do-mar, certos moluscos e crustáceos, também reproduzem-se assim. Para esses seres, a clonagem é rotineira. A clonagem natural também pode ocorrer em mamíferos, como no tatu e, mais raramente, nos gêmeos univitelinos, que são parte de um clone. Nos dois casos, embora haja reprodução sexuada na formação do zigoto, os descendentes idênticos têm origem a partir de um processo assexuado de divisão celular.

A clonagem induzida artificialmente é uma técnica da engenharia genética aplicada em vegetais e animais, ligada à pesquisa científica. Nesse caso o termo aplica-se a uma forma de reprodução assexuada produzida em laboratório, de forma artificial, baseada em um único patrimônio genético. A partir de uma célula-mãe ocorre a produção de uma ou mais células (idênticas entre si e à original) que são os clones. Os indivíduos resultantes desse processo terão as mesmas características genéticas do indivíduo “doador”, também denominado original.

A clonagem induzida em vegetais baseia-se na plantação e na criação de enxertos, nos quais são implantados brotos de plantas selecionadas em caules de outros vegetais. Essa técnica é utilizada em larga escala em muitas culturas comerciais, com a finalidade de aumentar a produção, melhorar a qualidade e uniformizar a colheita.

A clonagem induzida em animais pode usar como matéria-prima células embrionárias ou células somáticas (todas as células do corpo com exceção das reprodutivas) que são introduzidas em óvulos anucleados (sem núcleo) artificialmente (este último processo é conhecido como transferência ou transplante nuclear, e foi o processo utilizado na "clonagem" da ovelha Dolly, tão propagada pela mídia).

Os indivíduos resultantes da clonagem têm, geralmente, o mesmo genótipo, isto é, o mesmo patrimônio genético. Dizemos ‘geralmente’ porque, durante a reprodução assexuada, pode ocorrer alguma alteração do material genético (mutação), gerando um ser com patrimônio genético diferente do existente no original.

Na ausência de mutação, portanto, os clones são geneticamente idênticos.

É importante ressaltar, porém, que identidade genética não significa identidade na aparência física ou psicológica, porque todo ser vivo é resultado da interação do genótipo com o ambiente. Infelizmente, há uma tendência generalizada a enfatizar apenas a importância do genótipo (ou, o outro extremo, enfatizar apenas a influência do ambiente...), como se todos os seres, inclusive os humanos, nada mais fossem que seu patrimônio genético (ou, no segundo caso, como se os genes não fossem tão importantes na manifestação de certas características, essa visão é comum principalmente quando se trata de características psicológicas) . Essa é uma noção errônea, e apesar de alguns estudos recentes indicarem que as caracteríticas dos seres vivos, inclusive as características psicológicas humanas possam ser influenciadas pelos genes, não dispomos ainda de dados sobre essa influência. O certo é que nós podemos ter genes para todas as características, mas a manifestação desses genes é condicionada pelo ambiente, pelo que o organismo é resultado da interação genes x ambiente, e menosprezar qualquer dos dois é provavelmente um equívoco.

Fonte: www.scientia.hpg.ig.com.br

Clonagem

A Clonagem é um mecanismo comum de propagação da espécie em plantas ou bactérias. De acordo com Webber (1903) um clone é definido como uma população de moléculas, células ou organismos que se originaram de uma única célula e que são idênticas à célula original e entre elas. Em humanos, os clones naturais são os gêmeos idênticos que se originam da divisão de um óvulo fertilizado. A grande revolução da Dolly, que abriu caminho para possibilidade de clonagem humana, foi a demonstração, pela primeira vez, de que era possível clonar um mamífero, isto é, produzir uma cópia geneticamente idêntica, a partir de uma célula somática diferenciada. Para entendermos porque esta experiência foi surpreendente, precisamos recordar um pouco de embriologia.

Todos nós já fomos uma célula única, resultante da fusão de um óvulo e um espermatozóide. Esta primeira célula já tem no seu núcleo o DNA com toda a informação genética para gerar um novo ser. O DNA nas células fica extremamente condensado e organizado em cromossomos. Com exceção das nossas células sexuais, o óvulo e o espermatozóide que têm 23 cromossomos, todas as outras células do nosso corpo têm 46 cromossomos.

Em cada célula, temos 22 pares que são iguais nos dois sexos, chamados autossomos e um par de cromossomos sexuais: XX no sexo feminino e XY no sexo masculino. Estas células, com 46 cromossomos, são chamadas células somáticas. Voltemos agora à nossa primeira célula resultante da fusão do óvulo e do espermatozóide.

Logo após a fecundação, ela começa a se dividir: uma célula em duas, duas em quatro, quatro em oito e assim por diante. Pelo menos até a fase de oito células, cada uma delas é capaz de se desenvolver em um ser humano completo. São chamadas de totipotentes.

Na fase de oito a dezesseis células, as células do embrião se diferenciam em dois grupos: um grupo de células externas que vão originar a placenta e os anexos embrionários, e uma massa de células internas que vai originar o embrião propriamente dito. Após 72 horas, este embrião, agora com cerca de cem células, é chamado de blastocisto. É nesta fase que ocorre a implantação do embrião na cavidade uterina. As células internas do blastocisto vão originar as centenas de tecidos que compõem o corpo humano. São chamadas de células tronco embrionárias pluripotentes.

A partir de um determinado momento, estas células somáticas - que ainda são todas iguais - começam a diferenciar-se nos vários tecidos que vão compor o organismo: sangue, fígado, músculos, cérebro, ossos etc. Os genes que controlam esta diferenciação e o processo pelo qual isto ocorre ainda são um mistério. O que sabemos é que uma vez diferenciadas, as células somáticas perdem a capacidade de originar qualquer tecido. As células descendentes de uma célula diferenciada vão manter as mesmas características daquela que as originou, isto é, células de fígado vão originar células de fígado, células musculares vão originar células musculares e assim por diante. Apesar de o número de genes e de o DNA ser igual em todas as células do nosso corpo, os genes nas células somáticas diferenciadas se expressam de maneiras diferentes em cada tecido, isto é, a expressão gênica é específica para cada tecido. Com exceção dos genes responsáveis pela manutenção do metabolismo celular (housekeeping genes) que se mantêm ativos em todas as células do organismo, só irão funcionar em cada tecido ou órgão os genes importantes para a manutenção deste. Os outros se mantêm "silenciados" ou inativos.

O processo de clonagem reprodutiva

A grande notícia da Dolly foi justamente a descoberta de que uma célula somática de mamífero, já diferenciada, poderia ser reprogramada ao estágio inicial e voltar a ser totipotente. Isto foi conseguido através da transferência do núcleo de uma célula somática da glândula mamária da ovelha que originou a Dolly para um óvulo enucleado. Surpreendentemente, este começou a comportar-se como um óvulo recém-fecundado por um espermatozóide. Isto provavelmente ocorreu porque o óvulo, quando fecundado, tem mecanismos, para nós ainda desconhecidos, para reprogramar o DNA de modo a tornar todos os seus genes novamente ativos, o que ocorre no processo normal de fertilização.

Para a obtenção de um clone, este óvulo enucleado no qual foi transferido o núcleo da célula somática foi inserido em um útero de uma outra ovelha. No caso da clonagem humana reprodutiva, a proposta seria retirar-se o núcleo de uma célula somática, que teoricamente poderia ser de qualquer tecido de uma criança ou adulto, inserir este núcleo em um óvulo e implantá-lo em um útero (que funcionaria como uma barriga de aluguel). Se este óvulo se desenvolver teremos um novo ser com as mesmas características físicas da criança ou adulto de quem foi retirada a célula somática. Seria como um gêmeo idêntico nascido posteriormente.

Já sabemos que não é um processo fácil. Dolly só nasceu depois de 276 tentativas que fracassaram. Além disso, dentre as 277 células "da mãe de Dolly" que foram inseridas em um óvulo sem núcleo, 90% não alcançaram nem o estágio de blastocisto. A tentativa posterior de clonar outros mamíferos tais como camundongos, porcos, bezerros, um cavalo e um veado também tem mostrado uma eficiência muito baixa e uma proporção muito grande de abortos e embriões malformados. Penta, a primeira bezerra brasileira clonada a partir de uma célula somática morreu adulta, em 2002, com um pouco mais de um mês. Ainda em 2002, foi anunciada a clonagem do copycat o primeiro gato de estimação clonado a partir de uma célula somática adulta. Para isto foram utilizados 188 óvulos que geraram 87 embriões e apenas um animal vivo. Na realidade, experiências recentes, com diferentes tipos de animais, têm mostrado que esta reprogramação dos genes, para o estágio embrionário, o qual originou Dolly, é extremamente difícil.

O grupo liderado por Ian Wilmut, o cientista escocês que se tornou famoso por esta experiência, afirma que praticamente todos os animais que foram clonados nos últimos anos a partir de células não embrionárias estão com problemas (Rhind, 2003).

Entre os diferentes defeitos observados nos pouquíssimos animais que nasceram vivos após inúmeras tentativas, observam-se: placentas anormais, gigantismo em ovelhas e gado, defeitos cardíacos em porcos, problemas pulmonares em vacas, ovelhas e porcos, problemas imunológicos, falha na produção de leucócitos, defeitos musculares em carneiros.

De acordo com Hochedlinger e Jaenisch (2003), os avanços recentes em clonagem reprodutiva permitem quatro conclusões importantes:

1) a maioria dos clones morre no início da gestação;
2)
os animais clonados têm defeitos e anormalidades semelhantes, independentemente da célula doadora ou da espécie;
3)
essas anormalidades provavelmente ocorrem por falhas na reprogramação do genoma;
4)
a eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação da célula doadora.

De fato, a clonagem reprodutiva a partir de células embrionárias tem mostrado uma eficiência de dez a vinte vezes maior, provavelmente porque os genes que são fundamentais no início da embriogênese estão ainda ativos no genoma da célula doadora (Hochedlinger e Jaenisch, 2003).

É interessante que, dentre todos os mamíferos que já foram clonados, a eficiência é um pouco maior em bezerros (cerca de 10% a 15%). Por outro lado, um fato intrigante é que ainda não se tem notícias de macaco ou cachorro que tenha sido clonado. Talvez seja por isso que a cientista inglesa Ann McLaren tenha afirmado que as falhas na reprogramação do núcleo somático possam se constituir em uma barreira intransponível para a clonagem humana.

Mesmo assim, pessoas como o médico italiano Antinori ou a seita dos raelianos defendem a clonagem humana, um procedimento que tem sido proibido em todos os países. De fato, um documento assinado em 2003 pelas academias de ciências de 63 países, inclusive o Brasil, pedem o banimento da clonagem reprodutiva humana.

O fato é que a simples possibilidade de clonar humanos tem suscitado discussões éticas em todos os segmentos da sociedade, tais como: Por que clonar? Quem deveria ser clonado? Quem iria decidir? Quem será o pai ou a mãe do clone? O que fazer com os clones que nascerem defeituosos?

Na realidade, o maior problema ético atual é o enorme risco biológico associado à clonagem reprodutiva. No meu entender, seria a mesma coisa que discutir os prós e os contras em relação à liberação de uma medicação nova, cujos efeitos são devastadores e ainda totalmente incontroláveis.

Apesar de todos estes argumentos contra a clonagem humana reprodutiva, experiências com animais clonados têm nos ensinado muito acerca do funcionamento celular. Por outro lado, a tecnologia de transferência de núcleo para fins terapêuticos, a chamada clonagem terapêutica, poderá ser extremamente útil para obtenção de células-tronco.

A técnica de clonagem terapêutica para obtenção de células-tronco

Se em vez de inserirmos em um útero o óvulo cujo núcleo foi substituído por um de uma célula somática deixarmos que ele se divida no laboratório teremos a possibilidade de usar estas células - que na fase de blastocisto são pluripotentes - para fabricar diferentes tecidos. Isto abrirá perspectivas fantásticas para futuros tratamentos, porque hoje só se consegue cultivar em laboratório células com as mesmas características do tecido do qual foram retiradas. É importante que as pessoas entendam que, na clonagem para fins terapêuticos, serão gerados só tecidos, em laboratório, sem implantação no útero. Não se trata de clonar um feto até alguns meses dentro do útero para depois lhe retirar os órgãos como alguns acreditam. Também não há porque chamar esse óvulo de embrião após a transferência de núcleo porque ele nunca terá esse destino.

Uma pesquisa publicada na revista Sciences por um grupo de cientistas coreanos (Hwang e col., 2004) confirma a possibilidade de obter-se células-tronco pluripotentes a partir da técnica de clonagem terapêutica ou transferência de núcleos (TN). O trabalho foi feito graças a participação de dezesseis mulheres voluntárias que doaram, ao todo, 242 óvulos e células "cumulus" (células que ficam ao redor dos óvulos) para contribuir com pesquisas visando à clonagem terapêutica. As células cumulus, que já são células diferenciadas, foram transferidas para os óvulos dos quais haviam sido retirados os próprios núcleos. Dentre esses, 25% conseguiram se dividir e chegar ao estágio de blastocisto, portanto, capazes de produzir linhagens de células-tronco pluripotentes.

A clonagem terapêutica teria a vantagem de evitar rejeição se o doador fosse a própria pessoa. Seria o caso, por exemplo, de reconstituir a medula em alguém que se tornou paraplégico após um acidente ou para substituir o tecido cardíaco em uma pessoa que sofreu um infarto. Entretanto, esta técnica tem suas limitações. O doador não poderia ser a própria pessoa quando se tratasse de alguém afetado por doença genética, pois a mutação patogênica causadora da doença estaria presente em todas as células. No caso de usar-se linhagens de células-tronco embrionárias de outra pessoa, ter-se-ia também o problema da compatibilidade entre o doador e o receptor. Seria o caso, por exemplo, de alguém afetado por distrofia muscular progressiva, pois haveria necessidade de se substituir seu tecido muscular. Ele não poderia utilizar-se de suas próprias células-tronco, mas de um doador compatível que poderia, eventualmente, ser um parente próximo. Além disso, não sabemos se, no caso de células obtidas de uma pessoa idosa afetada pelo mal de Alzheimer, por exemplo, se as células clonadas teriam a mesma idade do doador ou se seriam células jovens. Uma outra questão em aberto diz respeito à reprogramação dos genes que poderiam inviabilizar o processo dependendo do tecido ou do órgão a ser substituído. Em resumo, por mais que sejamos favoráveis à clonagem terapêutica, trata-se de uma tecnologia que necessita de muita pesquisa antes de ser aplicada no tratamento clínico. Por este motivo, a grande esperança, a curto prazo, para terapia celular, vem da utilização de células-tronco de outras fontes

Terapia celular com outras fontes de células-tronco

a) Indivíduos adultos

Existem células-tronco em vários tecidos (como medula óssea, sangue, fígado) de crianças e adultos. Entretanto, a quantidade é pequena e não sabemos ainda em que tecidos são capazes de se diferenciar. Pesquisas recentes mostraram que células-tronco retiradas da medula de indivíduos com problemas cardíacos foram capazes de reconstituir o músculo do seu coração, o que abre perspectivas fantásticas de tratamento para pessoas com problemas cardíacos. Mas a maior limitação da técnica, do autotransplante é que ela não serviria para portadores de doenças genéticas. É importante lembrar que as doenças genéticas afetam 3-4% das crianças que nascem. Ou seja, mais de cinco milhões de brasileiros para uma população atual de 170 milhões de pessoas. É verdade que nem todas as doenças genéticas poderiam ser tratadas com células-tronco, mas se pensarmos somente nas doenças neuromusculares degenerativas, que afetam uma em cada mil pessoas, estamos falando de quase duzentas mil pessoas.

b) Cordão umbilical e placenta

Pesquisas recentes vêm mostrando que o sangue do cordão umbilical e da placenta são ricos em células-tronco. Entretanto, também não sabemos ainda qual é o potencial de diferenciação dessas células em diferentes tecidos. Se as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical proporcionarem os resultados esperados, isto é, se forem realmente capazes de regenerar tecidos ou órgãos, esta será certamente uma notícia fantástica, porque não envolveria questões éticas. Teríamos que resolver então o problema de compatibilidade entre as células-tronco do cordão doador e do receptor. Para isto será necessário criar, com a maior urgência, bancos de cordão públicos, à semelhança dos bancos de sangue. Isto porque sabe-se que, quanto maior o número de amostras de cordão em um banco, maior a chance de se encontrar um compatível. Experiências recentes já demonstraram que o sangue do cordão umbilical é o melhor material para substituir a medula em casos de leucemia. Por isso, a criação de bancos de cordão é uma prioridade que já se justifica somente para o tratamento de doenças sangüíneas, mesmo antes de confirmarmos o resultado de outras pesquisas.

c) Células embrionárias

Se as células-tronco de cordão tiverem a potencialidade desejada, a alternativa será o uso de células-tronco embrionárias obtidas de embriões não utilizados que são descartados em clínicas de fertilização. Os opositores ao uso de células embrionárias para fins terapêuticos argumentam que isto poderia gerar um comércio de óvulos ou que haveria destruição de "embriões humanos" e não é ético destruir uma vida para salvar outra.

Aspectos éticos

Apesar de todos esses argumentos, o uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos, obtidas tanto pela transferência de núcleo como de embriões descartados em clínicas de fertilização, é defendido pelas inúmeras pessoas que poderão se beneficiar por esta técnica e pela maioria dos cientistas. As 63 academias de ciência do mundo que se posicionaram contra a clonagem reprodutiva defendem as pesquisas com células embrionárias para fins terapêuticos.

Em relação aos que acham que a clonagem terapêutica pode abrir caminho para clonagem reprodutiva devemos lembrar que existe uma diferença intransponível entre os dois procedimentos: a implantação ou não em um útero humano. Basta proibir a implantação no útero! Se pensarmos que qualquer célula humana pode ser teoricamente clonada e gerar um novo ser, poderemos chegar ao exagero de achar que toda vez que tiramos a cutícula ou arrancamos um fio de cabelo, estamos destruindo uma vida humana em potencial. Afinal, o núcleo de uma célula da cutícula poderia ser colocada em um óvulo enucleado, inserido em um útero e gerar uma nova vida!

Por outro lado, a cultura de tecidos é uma prática comum em laboratório, apoiada por todos. A única diferença, no caso, seria o uso de óvulos (que quando não fecundados são apenas células) que permitiriam a produção de qualquer tecido no laboratório. Ou seja, em vez de poder produzir-se apenas um tipo de tecido, já especializado, o uso de óvulos permitiria fabricar qualquer tipo de tecido. O que há de anti-ético nisso?

Quanto ao comércio de óvulos, não seria a mesma coisa que ocorre hoje com transplante de órgãos? Não é mais fácil doar um óvulo do que um rim? Cada uma de nós pode se perguntar: você doaria um óvulo para ajudar alguém? Para salvar uma vida?

Em relação à destruição de "embriões humanos", novamente devemos lembrar que estamos falando de cultivar tecidos ou, futuramente, órgãos a partir de embriões que são normalmente descartados, que nunca serão inseridos em um útero. Sabemos que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida. Além disso, um trabalho recente (Mitalipova et al., 2003) mostrou que células obtidas de embriões de má qualidade, que não teriam potencial para gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e portanto, de gerar tecidos.Em resumo, é justo deixar morrer uma criança ou um jovem afetado por uma doença neuromuscular letal para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Um embrião que, mesmo que fosse implantado em um útero, teria um potencial baixíssimo de gerar um indivíduo? Ao usar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos em uma pessoa condenada por uma doença letal, não estamos, na realidade, criando vida? Isso não é comparável ao que se faz hoje em transplante quando se retiram os órgãos de uma pessoa com morte cerebral (mas que poderia permanecer em vida vegetativa)

É extremamente importante que as pessoas entendam a diferença entre clonagem humana, clonagem terapêutica e terapia celular com células-tronco embrionárias ou não. A maioria dos países da comunidade Européia, o Canadá, a Austrália, o Japão, a China, a Coréia e Israel aprovaram pesquisas com células embrionárias de embriões há pouco tempo. Essa é também a posição das academias de ciência de 63 países, inclusive o Brasil. É fundamental que a nossa legislação também aprove estas pesquisas porque elas poderão salvar inúmeras vidas!

Mayana Zatz

Bibliografia

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Fonte: www.scielo.br

Clonagem

Em fevereiro de 1997, o escocês Ian Wilmut, um brilhante embriologista de 52 anos, anunciou a primeira clonagem de um animal adulto, uma ovelha. Todo mundo só falou disso, mas explicar que é bom, quase ninguém explicou. Agora você vai entender tudo direitinho.

A notícia da façanha de Wilmut foi uma bomba, uma unanimidade, uma festa e tanto.

Bem, comecemos pelo verbo "clonar", que por sinal ainda não faz parte do Aurélio. Esse neologismo genético significa fazer cópia, artificialmente, de um ser vivo.

Aliás, "clonar", em si, nem é uma novidade. Cientistas do mundo inteiro andam "clonando" por aí há quase vinte anos. Desde 1978, vários tipos de animais são copiados -- e, se não fosse proibido, já teriam sido anunciados os clones de gente. Mas antes as cópias eram obtidas a partir de embriões -- e embriões, você sabe, são aqueles pequenos ovos gerados a partir do encontro de um óvulo com um espermatozóide. Portanto, a técnica de clonagem partia da multiplicação forçada de embriões. Reproduziam-se num tubo de ensaio diversos embriões de uma matriz, que depois eram colocados nos úteros de várias fêmeas.

O que Wilmut conseguiu de extraordinário foi quebrar dois tabus. Primeiro, eliminou de seu clone a necessidade do encontro de um espermatozóide com um óvulo -- até aqui indispensável para formar o embrião. Wilmut produziu sua criatura usando um óvulo virgem, que nunca havia sido fecundado. Para isso, retirou desse óvulo o seu núcleo original e pôs no lugar os genes de uma célula comum de outra ovelha. Esta é que foi "clonada". Da que era dona do óvulo, coitada, nada restou no filhote.

Aí, veio o segundo e mais espetacular tabu: o cientista escocês fez um embrião com os genes de uma célula comum, ou melhor, especializada. Essa célula especializada veio de uma glândula mamária, uma simples teta. Sua única função na existência era ser mama e nada mais. Por isso, especializada. As células do cabelo são especializadas em ser cabelo, as do fígado, em ser fígado, as da unha, unha. Agora, na Escócia, a carga genética de uma célula corriqueira gerou um inacreditável embrião. Dali nasceria uma ovelha geneticamente idêntica à dona da mama. "Esse resultado mostra como é fascinante o desenvolvimento atual na área da Genética e da reprodução", disse à SUPER o médico Roger Abdel Massi, especialista em reprodução humana. Sim, um verdadeiro milagre, mas científico.

A ousadia de Ian Wilmut foi coroada com o humor típico da cultura britânica, um humor que talvez seja genético. Ele batizou sua cria de Dolly. Uma homenagem, diz o cientista, à cantora americana Dolly Parton, dona de uma silhueta que realça bem a parte do organismo de onde Wilmut retirou sua célula especializada. O escocês, merecidamente, foi a sensação do planeta.

Reviravolta na Teoria da Evolução

Ian Wilmut simplesmente aposentou aquilo que era uma lei sagrada da Biologia, segundo a qual uma célula especializada (de ovelha e da maioria das espécies conhecidas) jamais poderia gerar um novo ser. Com algumas poucas espécies, como a estrela-do-mar e as bananeiras, não é assim. Se alguém corta um pedaço do tronco de uma bananeira e o joga no canteiro, outra vai brotar espontaneamente. Ou seja, a célula especializada do tronco vira embrião e inaugura outra bananeira, idêntica à primeira. Para esses seres a clonagem é rotineira. Mas para a maioria das espécies não há clonagem natural. Apenas os óvulos e os espermatozóides participam da reprodução.

Resumo: sem sexo, elas jamais poderiam se reproduzir.

A evolução passa pelo sexo há cerca de 500 milhões de anos. E ela fica melhor assim. Havendo espermatozóides e óvulos trocando cargas genéticas, as possiblidades de nascerem indivíduos diferentes é maior, pois os genes do pai se misturam aos da mãe num organismo novo.

O que é bom: mais indivíduos diferentes significa mais chance de evolução. Se todos fossem como as bananeiras, os filhotes seriam sempre idênticos aos pais, geração após geração, e a evolução seria muito lenta, causada só por uma ou outra mutação dos genes.

Nas espécies que se reproduzem por óvulos e espermatozóides, que são a maioria, a natureza criou uma sábia proibição: nenhuma outra célula do corpo está autorizada a participar da reprodução. Só as células sexuais cuidam disso.

Foi aí que Wilmut anunciou um revertério assustador, derrubando a velha lei. Ele conseguiu desprogramar uma célula especializada e fazer com que seu núcleo, levado para dentro de um óvulo, virasse um embrião. "Com isso, ganhamos uma capacidade reprodutiva que é típica das plantas", explica o professor Otto Crócomo, da USP, um dos maiores especialistas em clones de vegetais no Brasil. Como é uma máquina complexa, o organismo só funciona direito se cada parte tiver função bem definida e se todas as partes estiverem bem coordenadas. É por isso que as células se especializam durante a gestação. Umas virarão olho, outras fígado etc. Mas, mesmo especializadas, todas as células têm os mesmos genes. Logo, o que Wilmut precisava fazer, era apagar as instruções inscritas nos genes da célula tirada da ovelha adulta, a que seria a mãe de Dolly. Essa célula só sabia ser mama, mas o escocês deu a ela a ordem de ser embrião. Como? É o que você vai ver a seguir.

O que eu vou ser quando crescer?

Veja como as células se especializam, aprendem a executar uma tarefa específica e usam apenas alguns dos seus genes.

Como embrião, a célula ainda não sabe o que vai ser quando crescer. Sua carga genética, o DNA dentro do núcleo, está livre para assumir qualquer função.

O embrião cresce porque as células se multiplicam. Aí elas começam a desligar os genes de que não vão mais precisar.

Uma célula da mama só usa os genes que interessam à sua função, como o que manda fazer uma das muitas proteína do leite.

No final, só ficam ligados os genes que cada célula especializada usa em sua função dentro do organismo.

Como tapear uma célula de ovelha

Para realizar o sonho impossível de fazer de sua célula especializada um embrião, Ian Wilmut apostou num palpite sensacional: a fome.

É um palpite que ainda não está inteiramente comprovado mas, ao menos em teoria, é fabuloso. Vamos a ele. Primeiro, submeteu a célula a uma dieta de sais comuns, como cloreto de cálcio e sulfato de magnésio, o equivalente a um chá com torradas. Com isso, o núcleo teve que reduzir suas atividades a quase zero, entrando num estado letárgico que os embriologistas chamam de quiescente. Nesse estado, a célula interrompe o seu ciclo de crescimento normal.

O truque fez essa quiescência acontecer quando a célula ainda era bem jovem. Essa é a fase G-Zero, muito breve. É o único instante em que os genes, dentro do núcleo, descansam e param de distribuir as ordens de crescimento e multiplicação para a célula. Nessa fase, as operações ficam a cargo de proteínas especiais do citoplasma. A função dessas proteínas é justamente entrar no núcleo e preparar os genes para o início de um novo ciclo de crescimento e reprodução.

Nesse instante preciso, transferindo esse núcleo para um óvulo cujo núcleo havia sido retirado, o cientista deu início a um grande logro. Sem essa tapeação, a experiência iria fracassar. Lembre-se de que óvulos e espermatozóides só têm metade do material genético de uma célula normal. Eles só formam um embrião quando se fundem, somando suas duas metades. Assim formam o embrião. Pois ao receber um núcleo novo, que contém o material genético completo, o citoplasma daquele óvulo vai cair numa ilusão biológica (imagine, só para entender o truque, que os óvulos caiam em ilusões). Então, o citoplasma vai atuar como se o núcleo já fosse um embrião. Suas proteínas, entram lá dentro e reprogramam os genes totalmente, disparando o início do crescimento e da multiplicação celular. Ou seja, o genes também serão cúmplices da ilusão. Em vez de autorizar um crescimento de novas células de mama, o que seria natural, assumem sem problema o papel de embrião. E tem início uma multiplicação celular para formar uma ovelha novinha.

"As proteínas do citoplasma realmente podem ter reprogramado os genes", confirmou à SUPER o embriologista Colin Stewart, do Centro Frederick de Desenvolvimento e Pesquisa do Câncer. Claro que a experiência ainda requer comprovações. Mas, desde já, o embriologista escocês abriu novas portas para a Biologia.

O segredo de Wilmut

Veja como o cientista construiu um embrião simplesmente obrigando uma célula especializada a passar fome.

A história começa com a célula da mama que ia virar um clone. Antes disso, foi preciso interromper o seu ciclo normal de reprodução.

1. A célula começa o ciclo bem jovem

Apesar de ser um bom momento para clonar, todas as tentativas até hoje deram errado.

2. Na segunda fase do ciclo, a célula fica pronta para dividir-se em duas

As clonagens a partir daqui também não funcionaram.

3. Terceira fase

A divisão já vai acontecer e dar origem a uma outra célula da mama. As chances de clonagem são mínimas.

Veio então o grande lance

A célula jovem recebeu uma dieta bem magra de sais, que são o que ela come.

O seu núcleo (azul) foi acomodado dentro de um óvulo (verde) tirado de uma outra ovelha

A fome foi a chave do sucesso, por um motivo muito simples: ela fez o núcleo da célula interromper o seu ciclo e ficar num estado letárgico. E aí, ao ser colocado no óvulo, deixou de lado as instruções para produzir outra célula de mama. Em vez disso, passou a agir como um embrião e gerou uma nova ovelha, a Dolly.

A imaginação entre os mitos e a realidade

Depois de Dolly, a imaginação de todo mundo disparou na linha de clonar gente. Vamos com calma. Muito do que se fala por aí é mito. Primeiro, não é verdade que um cidadão poderia ressuscitar na forma de um clone. Não. Nasceria um ser muito parecido com o primeiro, mas não é aquele primeiro reencarnado. Isto aqui é Genética, não espiritismo.

Mais uma coisa: não dá para clonar morto. A célula tem de estar viva.

Assim, o clone não ficaria igual a quem lhe deu origem. Apenas os genes seriam iguais. Mas clone e clonado são diferentes, assim como são diferentes os gêmeos idênticos, que também têm o mesmo material genético. Há diferenças porque, além dos genes, o ambiente, a cultura, a comida, tudo influi no jeitão do indivíduo.

São perigosas, enfim, especulações de que os genes atuam sobre coisas como as emoções e a inteligência. Não há prova disso. E o mais provável é que a força dos genes, se existir, seja muito inferior à do ambiente. Até gêmeos que crescem juntos acabam tendo personalidades divergentes. As diferenças devem ser ainda maiores no clone de um adulto, pois cresceria em outra época e outro lugar.

Fabricados 277 embriões, só um vingou

Com o impacto da descoberta, diversos detalhes a respeito de Dolly passaram quase em branco. Um deles é que a clonagem funcionou, de maneira geral, muito bem. Afinal, o clone nasceu, e com boa saúde. Na verdade, a experiência deu um resultado fraco, já que Ian Wilmut não tentou clonar só uma ovelha, mas um total de 277. Isso significa que ele conseguiu transformar 277 células comuns em embriões, que foram depois implantados no útero de outras ovelhas, usadas como mães-de-aluguel.

Mas desse conjunto inteiro só um filhote chegou a nascer: Dolly. Além disso, ele fez outras experiências utilizando embriões verdadeiros em vez de células comuns.

A clonagem de embriões já é conhecida, mas ela emprega embriões bem jovens. Wilmut testou estágios mais avançados de desenvolvimento para ver o que acontecia. De 557 tentativas, nasceram sete filhotes. Essas taxas baixas indicam que falta muito para aperfeiçoar a técnica. Outro fato citado pelo cientista em seu artigo científico na revista inglesa Nature é a possibilidade de Dolly não ter nascido de uma célula de mama, mas de algum embrião de verdade infiltrado por ali.

Seria o maior banho de água fria do ano. As chances são remotíssimas, mas a suspeita tem de ser investigada.

Quatro promessas para 2001

Quatro grandes áreas de pesquisa vão ser tremendamente beneficiadas pela clonagem, de acordo com as declarações de Ian Wilmut à imprensa logo após anunciar a clonagem da ovelha. Dessa lista, a mais relevante, do ponto de vista científico, é o estudo do processo de envelhecimento das células.

A razão é simples: sabendo o que se passa dentro das células, os cientistas podem investigar mistérios tão profundos quanto os do câncer. Alguns dos avanços recentes mais importantes no estudo da doença brotaram justamente de investigações detalhadas sobre as moléculas que atuam no processo de envelhecimento celular.

O segundo tópico é mais prático, pois Wilmut diz que agora vai ficar muito mais fácil agir diretamente sobre os genes. O resultado dessa ação precisa é que será possível estudar qualquer enfermidade genética. Na opinião do cientista, o progresso mais rápido acontecerá nas doenças pulmonares das crianças. A quarta

área, bem próxima a esta última, diz respeito à fabricação de drogas e terapias genéticas por meio da técnica dos clones.

A experiência a serviço da Biologia

Aos 52 anos, pai de três filhos, Wilmut é discreto e metódico. Não tem o perfil usual de uma grande estrela da ciência. Há vinte anos faz parte da equipe de 300 pesquisadores do Instituto Roslin, na pequena cidade de mesmo nome. Situado a 10 quilômetros da capital escocesa, Edimburgo, o instituto fica numa grande planície onde a criação de ovelhas é uma atividade econômica importante. Visto de fora, pode ser confundido com um grande estábulo. É natural que, nesse ambiente, a carreira de Wilmut tenha se orientado muito mais para a solução das questões práticas da pecuária, e menos para grandes indagações teóricas da Genética. "A clonagem nunca foi o verdadeiro motor das minhas pesquisas", declarou ele à agência de notícias Reuters logo após o sucesso com Dolly. "Meu primeiro trabalho importante foi conseguir congelar espermatozóides de porco." Mas é evidente que Wilmut acumulou um conhecimento acima do normal sobre o aparelho reprodutor dos animais. Especialmente nos primeiros momentos da gestação, em que os embriões ainda têm a escala microscópica de umas poucas células. Essa experiência parece ter sido decisiva para a façanha de transformar, pela primeira vez na história, uma célula adulta num embrião.

Flávio Dieguez

Fonte: www.universitario.com.br

Clonagem

Como funciona? E deverá ela ser permitida?

A clonagem de seres vivos tem sido um vasto campo de experimentos científicos há várias décadas, porém o tempo só chegou ao público em 1997 quando foi anunciada a primeira clonagem bem sucedida de um mamífero – a ovelha Dolly. Desde então, vários cientistas expressaram o objetivo de clonar um ser humano.

Além da ovelha Dolly, muitos animais já foram clonados, tais como ratos, vacas, outras ovelhas e recentemente, uma gata de estimação chamada Cc.

Alguns países sancionaram leis proibindo a clonagem de seres humanos. Porém para os cientistas quaisquer leis não são um impeditivo. Portanto há pouca chance de se impedir legalmente a clonagem de seres humanos.

Os custos de uma clonagem são bastante elevados, porém recursos financeiros não faltam para o desenvolvimento desta tecnologia para obter fama e uma possível fortuna, ou por razões emocionais: o desejo de duplicar uma pessoa querida que está doente ou que já faleceu.

Aqueles que se opõem à clonagem humana afirmam que a raça humana está tomando um caminho bastante perigoso e possivelmente irreversível que pode trazer graves conseqüências ao mundo. Eles lembram que a tecnologia de clonagem é ainda bastante pobre. A média de sucesso em experiências de clonagem é de apenas 3%. Muitos clones nascem defeituosos e morrem pouco após seu nascimento. Além disso, a duplicação de seres humanos implica em questões éticas e morais.

Neste artigo, explicaremos o processo de clonagem. Vamos também analisar alguns prós e contras da prática. Tentaremos ser objetivos e não defendermos qualquer ponto de visto – apenas apresentaremos argumentos sobre os possíveis benefícios e malefícios da clonagem humana. Você é quem deve decidir se a clonagem de seres humanos deve ou não ser permitida.

A Tecnologia de Clonagem

Em janeiro de 2001, um seleto grupo de cientistas comandado por Panayiotis Zavos, ex-professor da Universidade de Kentucky e por um pesquisador italiano, Severino Antinori, anunciaram o objetivo de clonar um ser humano. Eles e quaisquer outros cientistas que desejem clonar seres humanos provavelmente utilizarão o mesmo procedimento que foi usado para criar a ovelha Dolly. Esta técnica de clonagem é chamada de transferência nuclear da célula somática.

A transferência nuclear da célula somática tem início quando o médico tira o óvulo de uma doadora e remove o núcleo do óvulo. Fazendo isso, ele cria um óvulo desprovido de núcleo. Uma célula contendo DNA é então retirada da pessoa que está sendo clonada. Por meio de eletricidade, o óvulo desprovido de um núcleo é fundido com a célula contendo o DNA do ser humano que está sendo clonado. Forma-se então um embrião, que é implantado na mãe de aluguel, aquela que forneceu o óvulo. Caso o procedimento seja bem-sucedido, a mãe de aluguel dará à luz à uma cópia exata da pessoa clonada (de quem foi retirado a célula com DNA) ao fim de um período normal de gestação.

Este mesmo procedimento foi usado para criar a ovelha Dolly em 1997. Ian Wilmut e seus colegas no Instituto Roslin em Edinburgo, na Escócia, transplantaram o núcleo de uma glândula mamária de uma ovelha Finn Dorsett num óvulo desprovido de núcleo de uma ovelha blackface escocesa. A fusão do núcleo ao óvulo foi realizada por meio de eletricidade que também resultou numa divisão celular. A nova célula, agora dividida, foi implantada no útero de uma ovelha blackface.

Alguns meses depois nasceu a ovelha Dolly. Ela é geneticamente idêntica à ovelha Finn Dorsett e não à blackface, que serviu como sua mãe de aluguel. A clonagem foi bem sucedida, mas foram necessárias 276 tentativas para criar Dolly. Desde então, ela se desenvolveu e se tornou apta a procriar de forma natural.

Os Prós da Clonagem Humana

Nem toda forma de clonagem humana envolve a criação de um ser humano completo. Ao invés de replicar pessoas, o processo de clonagem pode ser usado para ajudar pessoas com sérios problemas médicos. Por exemplo, cientistas poderiam clonar as células de uma pessoa e consertar genes mutantes que causam doenças. Em janeiro de 2001, o governo britânico sancionou leis permitindo a duplicação de embriões humanos com fins específicos na pesquisa de doenças, Parkinson e Alzheimer.

Um dos propósitos da clonagem humana é a clonagem terapêutica, processo pelo qual o DNA de uma pessoa é utilizado para criar um embrião. Ao invés de inserir este embrião em uma mãe de aluguel, suas células são usadas para produzir células-tronco que são capazes de evoluir para diversos tipos de células do corpo. Estas células-tronco podem, portanto, serem utilizadas para criar órgãos humanos, tais como corações, fígados e pele. Estas células-tronco também podem fazer crescer neurônios capazes de curar aqueles que sofrem de doenças como o mal de Parkinson, de Alzheimer ou síndrome de Rett.

1. O DNA é extraído de uma pessoa doente.
2. O DNA é então implantado no óvulo de uma doadora, desprovido de núcleo.
3. O óvulo então divide-se como uma fertilização típica e forma um embrião.
4. Células-tronco são removidas do embrião.
5. Qualquer espécie de tecido ou órgão pode ser formada a partir destas células-tronco para tratar o doente.

Para muitos cientistas, o verdadeiro milagre da clonagem é que este novo tecido humano pode ser desenvolvido em laboratórios para substituir partes do corpo doentes ou danificadas. Como estes órgãos seriam produzidos usando células-tronco do próprio paciente, não haveria mais riscos de rejeição do transplante pelo corpo da pessoa.

A clonagem humana pode também ser utilizada por casais que não conseguem ter filhos, mas que desejam ter filhos que possuam atributos biológicos de pelo menos um dos pais. Os cientistas que trabalham para clonar humanos – os doutores Zavos e Antinori em particular – declararam que ajudar casais inférteis é o objetivo principal de sua pesquisa. O Dr. Zavos afirma que já existem muitos casais dispostos a pagar $50.000 por este serviço. Esta forma de clonagem envolveria a injeção de células de um homem estéril em um óvulo, que seria implantado no útero da mulher. A criança seria então igual ao pai.

O propósito mais polêmico de clonagem humana é o de replicar pessoas que já faleceram. Um casal norte-americano, que não se consola com a morte de sua filha, está oferecendo $50.000 para que um laboratório chamado Clonaid clone sua filha falecida, utilizando células preservadas de sua pele. Se a morte é uma tragédia para a maioria dos seres humanos – tanto de pessoas como de seus animais – alguns vêem na clonagem uma forma de amenizá-la, substituindo a pessoa ou animal de estimação por alguém com exatamente a mesma composição genética.

É um pouco irônico que muitos países do mundo que tentam banir a clonagem humana permitam o aborto. Por que a lei destes países permite que um feto seja destruído, mas não autoriza o sacrifício de embriões para a criação de vidas novas? Este é, contudo, um argumento simplório, pois não leva em consideração as ramificações da clonagem humana em si e apenas argumenta com as lógicas da lei.

A clonagem de seres humanos tem um aspecto social e familiar. Muitos homens e mulheres desejam ter filhos biológicos sem necessariamente estar casados.

Homossexuais, por exemplo, teriam a oportunidade de ter filhos que compartilhem de suas características genéticas. Mas este argumento pode também ser considerado um aspecto negativo da clonagem. Pessoas que acreditam nos fortes valores familiares – que uma criança deve crescer com um pai e uma mãe – considerariam isto uma razão para banir a clonagem humana.

Os Contras da Clonagem

Foram necessárias 276 tentativas para a duplicação da ovelha Dolly. Recentemente, uma gata doméstica chamada Cc foi clonada, após 87 tentativas – menos que no caso de Dolly, mas ainda apresentando uma média baixa de sucesso. (Veja o artigo: Conheça Cc, o primeiro animal doméstico clonado). Será que a sociedade permitiria a morte de tantos embriões e de recém-nascidos até que a tecnologia da clonagem se aperfeiçoasse? O próprio Ian Wilmut disse que os projetos de clonagem humana são um crime irresponsável. A tecnologia de clonagem está ainda em seus estágios iniciais, e quase 98% das tentativas de clones não obtêm sucesso. Os embriões geralmente não são adequados para serem implantados no útero, ou morrem durante a gestação ou pouco antes do nascimento.

Os poucos clones que sobrevivem ao processo costumam não ter vida longa ou saudável. Normalmente têm problemas com órgãos tais como o coração, sofrem de sistema imunológico fraco e morrem pouco após o nascimento. É quase certo que o mesmo venha o ocorrer com os primeiros clones humanos. As crianças poderiam morrer no parto, nascer com deficiências físicas, e provavelmente faleceriam prematuramente. Pode nossa sociedade permitir o sofrimento dos primeiros clones humanos para colher os benefícios quando a clonagem estiver aprimorada? Esta provavelmente é a questão mais difícil a respeito da clonagem humana.

Também existe a polêmica de que a clonagem de seres humanos produziria bebês planejados. As crianças se tornariam como qualquer outra comodidade que adquirimos: tamanho, cor e outros traços seriam pré-determinados pelos pais. O mistério da individualidade humana seria uma coisa do passado. Ademais, crianças que forem clones de pessoas que já faleceram poderão ser consideradas meramente a continuação da vida daqueles que já se foram. Porém, deve-se lembrar que clonagem humana não significa ressurreição. Um clone pode ser idêntico a um ser humano clonado, mas isto não significa que são a mesma pessoa.

Irmãos gêmeos, por exemplo, são duas pessoas diferentes. Se um gêmeo morresse, nenhum pai ficaria intocado porque uma pessoa fisicamente idêntica permanece viva.

Sempre há uma questão religiosa relativa à clonagem de seres humanos. Muitos acreditam que a criação de vida é assunto exclusivo do Criador. Eles acreditam que a vida é uma dádiva Divina, que deveria estar além dos poderes humanos. A Igreja acredita que a alma é criada no momento da concepção, e por isto o embrião merece proteção. Para aqueles que concordam com a Igreja, a tecnologia não-aperfeiçoada da clonagem significa assassinato em massa.

Quando a possibilidade de duplicar seres humanos foi anunciada, muitos temeram que vilões de nossa história seriam trazidos de volta à vida. Mas, a não ser que acreditemos que o mal está presente no gene de uma pessoa, isto não é um motivo de preocupação. Como discutimos acima, a clonagem somente duplica o corpo, não necessariamente o caráter ou personalidade de uma pessoa. A mesma pessoa não voltaria ao mundo, e sim alguém fisicamente idêntico seria criado.

A clonagem de seres humanos pode causar graves efeitos em nossos relacionamentos familiares. Um pai pode ter um filho idêntico a ele, e estar feliz com o fato, mas como isso afetará a relação entre filho e mãe? Ele crescerá e ficará igual a seu pai – o homem pelo qual ela se apaixonou e com quem se casou. O mesmo também vale para uma filha que nasceria fisicamente idêntica à sua mãe. Como isso afetaria o seu relacionamento com o seu pai? Ao analisar os prós e contras da clonagem humana, temos que pensar como isto afetaria outras pessoas em nossa sociedade. Um outro exemplo: um casal tem um filho clonado igual ao pai, e o casal eventualmente se divorcia. A esposa agora odeia seu ex-marido, mas seu filho é fisicamente idêntico ao homem que ela menospreza. Como isso influirá em seu relacionamento?

Conclusão

Neste artigo tentamos abordar o processo de clonagem humana. Também apresentamos alguns argumentos a favor e contra o processo. Existem muitos outros aspectos – científicos, morais e religiosos – a serem analisados. O núcleo da questão é se seres humanos estão preparados para lidar com esta nova tecnologia que pode ser uma grande fonte de benefícios ou malefícios para a humanidade. Todos nós devemos analisar as possíveis conseqüências da clonagem humana, pois ela é sem dúvida, uma das mais controversas e revolucionárias novidades da nossa história.

Fonte: www.10emtudo.com.br

Clonagem

Mais do que um tema abordado em produções fictícias, como as novelas, a clonagem transformou-se em um assunto polêmico atualmente, após o clone de um embrião humano realizado por um laboratório norte-americano. Assunto este que nos faz pensar: qual o limite do ser humano? O termo clonagem designa as técnicas de duplicação utilizadas em genes, células, tecidos, órgãos e seres vivos.

Como funciona o processo de clonagem?

As cópias possuem todas as características físicas e biológicas de seu pai genético. Os cientistas isolaram uma célula e retiraram dela o seu núcleo, assim, juntou-se uma célula a outra e, em seguida, ocorreu a duplicação de ambas, e assim sucessivamente até constituírem um ser.

Por que clonar?

Imagina-se que tal necessidade advém da vontade de reproduzir características de excelência de determinados exemplares de uma espécie em outros menos dotados. Este tipo de clonagem reprodutiva é amplamente aplicada na agricultura e na pecuária, obtendo-se, por exemplo, vacas que produzem mais leite e melhor carne.

DOLLY: o primeiro clone

Embora Dolly parecesse, inicialmente, igual a outras ovelhas do interior da Escócia, havia uma diferença fantástica, Dolly não foi gerada de forma natural, mas produzida artificialmente em laboratório, a partir de uma única célula da mama de uma ovelha adulta. Não houve cruzamento ou, ao menos, inseminação artificial.

Dolly é um clone de outra ovelha, uma cópia de outro ser de sua espécie.

Clonar humanos, eis a questão...

Com o sucesso da clonagem animal, começaram a surgir os esperados rumores e preocupações sobre a possibilidade de clonar seres humanos. Tal reação é natural por parte da sociedade, principalmente, quando os avanços da biotecnologia ameaçam mudar a ordem da natureza. Manipular o desenvolvimento natural de um ser humano e desvendar os segredos escondidos nos genes, de alguma forma, agridem as crenças mais profundas que temos com relação às leis naturais, ou às leis de Deus, leis estas que não devem sofrer a interferência humana.

O Brasil e a clonagem

O Ministério da Agricultura anunciou, há pouco tempo, o nascimento do primeiro animal clonado brasileiro, a bezerra Vitória da raça Simental, nascida na Fazenda Sucupira, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A bezerra Vitória é resultado de núcleos transferidos de um embrião de cinco dias coletado de uma vaca Simental pela técnica de transferência de embriões clássica.

Qual a necessidade da clonagem no Brasil?

Alguns estudos de simulação demonstraram que a combinação da clonagem com as demais técnicas de multiplicação animal podem beneficiar programas de conservação e melhoramento animal, possibilitando, também, a reprodução de raças de animais ameaçadas de extinção no território nacional.

A clonagem pode salvar vidas?

Ao longo da vida, o corpo humano pode deixar de funcionar normalmente, cuja falta de determinado composto pode acarretar no aparecimento de doenças graves.

Para exemplificar tal situação, a baixa ou a não produção de insulina pelo corpo pode causar diabetes; tal substância não se compara à forma comercializável. A obtenção de órgãos para transplante é um campo onde a clonagem pode ser extremamente útil, porém, sem certeza absoluta. Em ambos os casos, aplica-se a clonagem terapêutica a serviço da humanidade, porém, há muito o que se pesquisar para provar que tais aplicações são realmente satisfatórias.

Fonte: www.lincx.com.br

Clonagem

Clonagem Animal

A clonagem animal pode ser feita, basicamente, de duas formas: separando-se as células de um embrião em seu estágio inicial de multiplicação celular, ou pela substituição do núcleo de um óvulo por outro proveniente de uma célula de um indivíduo já existente (neste último caso utiliza-se a técnica de transferência nuclear, que segundo alguns especialistas não trata-se propriamente de clonagem. No entanto, como popularmente o termo tem se aplicado também a esta técnica, neste site não será feita essa distinção)

A primeira forma, separação provocada das células de um embrião, produzirá novos indivíduos exatamente iguais, quanto ao patrimônio genético, porém diferentes de qualquer outro já existente. É um processo semelhante ao que ocorre na natureza quando são gerados gêmeos univitelinos, que têm origem a partir de um mesmo óvulo e de um mesmo espermatozóide. Este tipo de procedimento já foi realizado, de forma experimental, com embriões humanos, em 1993, pelos pesquisadores norte-americanos Jerry Hall e Robert Stillman, da Universidade de George Washington, de Washington/EUA.

A segunda forma, que reproduz assexuadamente um indivíduo igual a outro previamente existente, pela substituição do material nuclear, também denominada de duplicação, foi proposto, teoricamente, pelo Prof. Hans Speman (1869 - 1941), em 1938. O Prof. Speman, biólogo alemão, ganhou o Prêmio Nobel de 1935 pelas suas contribuições no estudo da evolução dos seres vivos.

O primeiro experimento com sucesso já foi realizado em 1952, pelos Drs. Robert Briggs e Thomas J. King, do Instituto Carnegie/Washington-EUA. Eles obtiveram os primeiros clones de rãs, por substituição de núcleos celulares. Durante muitos anos isto foi testado em diferentes espécies animais, especialmente mamíferos. O Prof. Ian Wilmut e seus colaboradores, do Roslin Institute, de Edimburgo/Escócia, associados a empresa PPL, realizaram em 1996, uma substituição do núcleo de um óvulo pelo de uma célula mamária proveniente de uma ovelha adulta. Esse processo é teoricamente simples mas, na prática, é muito difícil e delicado.

Há duas diferenças básicas entre a clonagem induzida em animais feita a partir de células embrionárias e a realizada com células não reprodutivas. Os clones obtidos a partir de células embrionárias são limitados, pois cada ovo oferece somente de 8 a 16 células capazes de gerar embriões. Além disso, como o embrião clone derivou de um ovo, não se pode saber qual é o resultado final, pois ele é o produto de uma fecundação que contém uma combinação gênica desconhecida, que ainda não manifestou as suas características. Quanto aos clones obtidos a partir de células não reprodutivas, o resultado é certo, pois já se conhece o ser adulto que vai originar os clones. Neste caso, pode ser feito um número ilimitado de cópias.

Mais freqüente, a cópia de animais sob medida abre a perspectiva de curar doenças Prossegue a temporada de clones fabricados. Primeiro foi a ovelha Dolly, criada pelo embriologista Ian Wilmut nos laboratórios do Instituto Roslin, na Escócia. Em seguida vieram um par de macacos do Oregon, nos Estados Unidos, a vaquinha francesa Marguerite, que morreu alguns dias após o nascimento, os bezerros malhados Charlie e George e duas novilhas japonesas. A última novidade no campo da replicagem de animais foram 50 camundongos marrons, ou cinco gerações de clones, criados por pesquisadores da Universidade do Havaí. Os 17 meses transcorridos entre o anúncio do nascimento de Dolly - que, por sinal, já é mãe pelo método natural - e o dos ratos havaianos, 11dias atrás, consagraram a técnica de clonagem e alargaram os limites da ciência. Pesquisadores constroem cópias de animais a partir das células de suas matrizes e viram as costas à via normal de reprodução: a sexual.

Logo após a revelação do nascimento dos ratinhos, a empresa PPL Therapeutics, que financiou as pesquisas do criador de Dolly, anunciou sua associação com a ProBio America, sócia da Universidade do Havaí. Estava de olho no futuro e lucrativo mercado que anima essa pesquisa a princípio bizarra, mas com propósitos bem definidos: a clonagem de porcos com genes de outras espécies introduzidos artificialmente em suas células, os chamados transgênicos. Esses animais fariam o papel de uma fábrica viva de órgãos usados como substitutos dos órgãos humanos em transplantes, um filão do mercado mundial avaliado em US$ 6 bilhões por ano. Por enquanto, os xenotransplantes - transplantes de espécies "estrangeiras" - não são feitos por uma razão muito simples. Espécies diferentes não são compatíveis e, ao se misturar, podem favorecer o contágio de doenças ainda desconhecidas. Mas se prevê que, em breve, serão freqüentes.

A outra razão que move a criação desses animais também é econômica e não é nova. A PPL Therapeutics faz pesquisas com um rebanho de vacas, ovelhas e porcos transgênicos visando à produção de remédios para uso humano. É o caso de Polly, uma ovelha clonada que recebeu genes humanos. Quando ficar adulta, seu leite será rico em uma proteína usada para tratar fibrose cística e no fator coagulante 9, essencial no tratamento da hemofilia. Outras duas ovelhas transgênicas produzem o antioxidante EC-SOD, útil em transplantes e cirurgias cardíacas. Não é só: pesquisadores da Universidade do Colorado (EUA) transplantaram células clonadas de bois para o cérebro de ratos, obtendo sucesso no tratamento dos sintomas do mal de Parkinson nesses animais. Não há limites para os avanços que a medicina espera alcançar com os transgênicos. Acredita-se, por exemplo, que as pesquisas ajudarão a entender o processo de multiplicação de células doentes responsáveis pelo câncer.

"Clones e transgênicos são o resultado de técnicas indissociáveis", afirma o geneticista José Antonio Visintin, da Universidade de São Paulo. Enquanto os métodos de mutação genética produzem o animal com as características desejadas, a clonagem o multiplica. "É muito mais fácil fazer clones animais do que criar transgênicos", afirma seu colega Rodolfo Rumpf, da Embrapa. Rumpf e Visintin competem amigavelmente na criação do primeiro clone brasileiro, um bovino da raça nelore. Neste caso, a clonagem será usada com outro objetivo econômico importante: o melhoramento genético dos rebanhos. Ela pode significar o rápido desenvolvimento de vacas capazes de produzir mais leite e carne mais saborosa. A clonagem também poderá ter um fim nobre: salvar espécies ameaçadas, como o urso-panda chinês, o tigre-de-bengala ou o mico-leão-dourado. "Um dos principais clientes da biotecnologia é a preservação genética de animais em via de extinção", diz o pesquisador da Embrapa.

Se a clonagem de animais é possível, por que não a de humanos? A pergunta é natural e já foi formulada por vários cientistas desde a vinda de Dolly ao mundo. O médico americano Richard Seed causou reação ao anunciar no final do ano passado, em um simpósio médico de Chicago, estar apto a fabricar clones humanos dentro de 18 meses. Seed não pôde levar sua proposta adiante, mesmo porque os Estados Unidos, como a maioria dos países, entre eles o Brasil, proibiram experiências com seres humanos. Não haverá clones humanos fazendo companhia a porcos, bois, ovelhas e camundongos. O simples bom senso impede que experiências desse tipo sejam realizadas.

Benefícios para Fins de Cura

"Ocorre que hoje, na ciência, as chances de se ficar famoso são muito reduzidas. A tentação de queimar etapas e fazer logo um clone humano põe em risco uma experiência com consequências éticas enormes."

A clonagem humana, de animais e plantas pode nos trazer muitos benefícios, mas também pode nos trazer muitos problemas se algumas dessas fórmulas caírem em mãos erradas

Utilidades do clone humano

Apenas alguns médicos que trabalham com infertilidade acreditam que poderá ajudar seus pacientes, pois o homem tem células reprodutoras raras que têm uma evolução sutil, já outros acreditam que o clone humano poderá ajudar até casais que não podem ter filhos mesmo por inseminação artificial.

Também é possível que a clonagem seja usada para descobrir, com antecedência, se os embriões têm defeitos genéticos quando ele ainda tiver oito células, a maioria das doenças e deficiências físicas poderão ser de detectadas nesse estágio.

O desenvolvimento e a expansão da técnica da clonagem e da própria engenharia genética abrem a possibilidade para a reprodução de órgãos humanos vitais para transplantes, no caso dos embriões (se for detectado algum problema) o transplante também poderá ser executado.

Outro benefício trazido pela clonagem talvez seja a produção de fator VIII sangüíneo, para o tratamento de pacientes hemofílicos ou outros produtos biológicos semelhantes. Técnicas modernas podem levar as células epiteliais cultivadas a produzirem um determinado DNA e utilizar estas células com o DNA específico como doadoras de material nuclear. Assim, eles incorporam numa ovelha o gene para o fator IX, utilizado no tratamento da hemofilia B e transferiram, junto com o gene do fator IX, um gene da resistência à neomicina. Deste modo, podiam matar, com doses tóxicas de neomicina, as células que não tivessem captado o DNA exógeno. Polly é uma ovelha nascida no verão de 1997 que secreta essa proteína humana no seu leite. Representa um marco importante na produção de proteínas importantes.

A evolução mais recente da genética estaria trazendo outros motivos hoje: utilizar a clonagem para pesquisas e terapias gênicas, além do diagnóstico; busca-se aprimorar o patrimônio genético em vista de um indivíduo e esta conquista pode ser aproveitada também para outras pessoas. A clonagem seria uma solução para se "preservar o patrimônio genético de um indivíduo, que com certeza, pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos humanos". Nesta mesma linha poderia estar a procriação de pessoas com "padrões-genéticos" previamente selecionados, em um movimento de eugenia progressiva.

Em relatório de 1994, a Comissão Nacional de Ética em Reprodução, dos Estados Unidos, recolhia da literatura científica vigente dez principais motivos ou finalidades para clonagem de seres humanos ( incluindo em alguns casos, a necessidade do congelamento de embriões clonados ).

Os motivos e finalidades eram estes:

Para aumentar as chances de gravidez em pessoas submetidas à fertilização in vitro ( Fivet ), as quais produzem pequeno número de embriões para transfer e implantação
Para minimizar o número de procedimento de busca de aácito em pessoas submetidas ao FIVET, proporcionando-lhes mais embriões a serem congelados e, eventualmente, transplantados no caso de falha no ciclo inicial de transfer
Para permitir procedimentos de diagnósticos pré-implantatório em um dos embriões obtidos
Para ( o casal ou pessoa ) Ter gêmeos idênticos com intervalo de tempo
Para permitir a um adulto Ter um gêmeo idêntico crescendo como seu próprio filho/a
Para se manter um embrião, como potencial substituto de uma criança que venha a morrer
Para se manter um embrião idêntico a ser transferido e desenvolvido para quando um gêmeo já nascido tivesse necessidade de órgão ou tecidos para transplante;
Para se manter um embrião idêntico como fonte potencial de tecido fetal, órgão ou ovário;
Para produzir embriões para a venda.

Utilidades do clone animal

A clonagem também poderá ter um fim nobre: salvar espécies ameaçadas, como o urso-panda chinês, o tigre-de-bengala ou o mico-leão-dourado. Um dos principais clientes da biotecnologia é a preservação genética de animais em via de extinção. Só nos últimos três meses, biogeneticistas anunciaram ter identificado (em ratos) genes da inteligência, da dislexia, do diabetes, da narcolepsia.

Já se clonam animais e bactérias, para servirem de reservatórios de proteínas Já se produziu um clone de mosquito cuja a picada deposita uma bactéria transformada, que cura a malária, em vez de transmiti-la.

A clonagem dos animais não é fruto de simples curiosidade científica. Sua finalidade inicial visa a reprodução selecionada de animais sadios e de boa qualidade, o que vem sendo atualmente comercializado em agropecuária. Os avanços recentes abrem outras perspectivas inovadoras que associam a clonagem de animais à produção de medicamentos e mesmo ao fornecimento de órgãos para transplante em humanos.

Também em breve, florestas inteiras poderão ser "guardadas" (os embriões) em armários, para se remapear a vegetação do planeta.

Provável

ANIMAIS DOADORES: Cientistas acham teoricamente possível alterar embriões de porcos, ovelhas e macacos para produzir órgãos idênticos aos de humanos. Dessa maneira, haveria um estoque inesgotável de órgãos para transplantes. Uma experiência será tentada nos próximos cinco anos.

PROBLEMA: A incompatibilidade de proteínas de um órgão desse tipo parece, aos olhos da Ciência hoje, quase insuperável. A maior aposta é mesmo na clonagem de animais alterados geneticamente para produzir medicamentos, como leite medicinal. Ou então para gerar órgãos, como coração, rins, fígado, usados em transplantes.

A ignorância sobre o assunto poderá limitar a pesquisas e assim prejudicar centenas de milhares de pessoas em todo o mundo que necessitam submeter-se a um transplante de córnea, coração, rins ou fígado.

Em um mundo cada vez mais povoado e construído sob bases de exclusão dos benefícios sociais de milhões de seres humanos, parece-nos claro que qualquer ensaio que vise a justificar o "status" de exclusão e opressão deve ser imediatamente rechaçado em nome da sobrevivência do ser humano enquanto espécie no planeta.

O conhecimento da energia nuclear nos permitiu tanto a construção da bomba atômica, quanto o desenvolvimento da tecnologia computadorizada, da ressonância magnética, enfim, de uma série de tecnologia benéfica à humanidade. De forma semelhante, os mesmos conhecimentos que nos permitirão clonar um ser humano, podem ser aplicados em estudos que trarão reais benefícios à humanidade. Continuemos sim, as pesquisas em clonagem, porém, em modelos animais e voltados a aplicações científicas e terapêuticas!

Clonagem de Bovinos

Clonagem de bezerra brasileira foi semelhante à da ovelha Dolly Vitória, uma bezerra da raça simental, é o primeiro animal clonado no Brasil. O animal, que nasceu no último final de semana, é resultado de pesquisas na área de reprodução desenvolvidas pela Embrapa desde 1984. O processo de clonagem de Vitória foi semelhante ao da ovelha Dolly, produzida em 1997 pela empresa PPL Therapeutics, na Escócia.

As células que deram origem à ovelha foram obtidas de glândulas mamárias de uma fêmea adulta, o que torna Dolly igual a sua mãe. As células que originaram Vitória foram obtidas de um embrião de cinco dias, o que faz com que Vitória não seja uma cópia exata dos pais. Na verdade, Vitória é um clone de uma vaca virtual, que não chegou a nascer. O animal nasceu com 50 quilos -considerado pouco abaixo do normal-, mas já engordou dois quilos. Clinicamente a bezerra é perfeita, com todas as atividades vitais normais, o que deixou os técnicos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) confiantes quanto à continuidade da utilização da técnica. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil é o primeiro país em desenvolvimento a dominar a tecnologia de clonagem. De acordo com Rodolfo Rumpf, coordenador do projeto de biotecnologia de reprodução animal da Embrapa, essa primeira etapa -o nascimento de Vitória- é um passo anterior à Dolly, mas que abriu caminho. "Vamos avançar para trabalhar com células somáticas (não-reprodutivas) diferenciadas e realizar uma clonagem semelhante à de Dolly." Para a obtenção de Vitória, a Embrapa partiu de 29 células embrionárias. Após sua fusão com ovócitos (células que se transformam em óvulos) sem núcleo, retirados de vacas mestiças de nelore e simental, três foram transferidas para úteros de vacas receptoras -em dois casos houve mortalidade embrionária. Células de orelha

Segundo Rumpf, já está em gestação na fazenda Sucupira, em Brasília, a mesma onde nasceu Vitória, um bezerro clonado a partir de células da orelha de uma vaca. Caso tudo ocorra bem, em nove meses o Brasil terá um clone obtido por técnica mais semelhante à de Dolly. "É uma tentativa, que pode dar certo ou não.

Com a Dolly foram várias tentativas até dar certo." Precisamente, 277 embriões para uma única ovelha. Nos últimos três anos foram investidos R$ 300 mil no projeto de reprodução animal da Embrapa. Os resultados práticos da clonagem, pretendidos pela Embrapa, serão a regeneração de bancos genéticos, a multiplicação de animais com boas características genéticas, a maximização do potencial genético de uma raça, resgate de material genético em vias de extinção e melhoramento animal. Também está nos planos da empresa a produção de animais transgênicos. A inserção de genes de características desejáveis (como a produção de proteínas de interesse terapêutico no leite) também é uma técnica de baixa eficiência. Neste caso, a clonagem multiplicaria indivíduos transgênicos bem-sucedidos. Estudos da Embrapa indicam que a combinação de clonagem com outras técnicas de multiplicação permitirá obter, em um ano, o ganho genético equivalente a 12 anos de seleção tradicional.

Revolução nos E.U.A.

Gado clonado promete revolucionar mercado de alimentos SYDNEY (Reuters) - O futuro chegou. Leite e bifes de vacas clonadas e de animais nascidos de vacas clonadas encontram-se a apenas um passo de distância. Um rebanho de animais clonados dos EUA acaba de dar início à produção de leite. A China dará à luz seu primeiro animal clonado em janeiro. E uma empresa australiana e neozelandesa pretende fazer cópias de seus melhores animais para aumentar sua exportação, bem como fazer clones de animais da Grã-Bretanha e de outros países para evitar que sua carga genética desapareça por causa de epidemias como a da febre aftosa. A clonagem promete revolucionar a indústria multibilionária de bifes e carnes, afirmam os defensores da técnica. Seus críticos pedem cautela e se dizem preocupados com a saúde e o bem-estar dos animais clonados. A empresa australiana Clone International, que conta com o apoio de um grupo de cientistas empresariais, comprou por uma alta quantia o direito de uso da tecnologia que, em 1997, possibilitou o nascimento do primeiro animal clonado, Dolly, uma ovelha. As vacas e os touros serão os primeiros a serem criados em larga escala com a nova tecnologia. Mas a Clone International também espera clonar o primeiro cavalo do mundo. "A maior parte das pessoas diz então que iremos produzir 50 Phar Laps", afirmou Richard Fry, chefe da Clone International, referindo-se ao cavalo campeão australiano dos anos 30. Não é bem assim. A técnica de Dolly exige um tecido vivo de animal e o Phar Lap já morreu faz tempo.

No mais, até agora, a clonagem de cavalos vem se mostrando extremamente difícil. "Achamos que esse é um mercado enorme", afirma Fry.

Clonagem de Macacos

O primeiro primata geneticamente modificado do mundo, criado por cientistas nos Estados Unidos, teve um gene do animal marinho inserido em seu DNA.

O gene codifica uma proteína verde fluorescente, sem aplicação para pesquisas clínicas. A técnica usada para alterar o genoma do macaco, no entanto, poderá ser reproduzida com genes ligados a doenças humanas, criando-se um novo tipo de cobaia transgênica, muito mais semelhante ao homem do que os já tradicionais ratos modificados de laboratório.

"A única maneira de estudar uma doença causada por um gene defeituoso é reproduzir essa condição genética", explicou, em entrevista ao Estado, o pesquisador Anthony Chan, da equipe da Oregon Health Sciences University, em Portland. "Muitas doenças não podem ser reproduzidas em ratos. Com o macaco transgênico, poderemos estudar doenças de forma muito mais semelhante ao que ocorre nos seres humanos."

O trabalho, chefiado pelo cientista Gerald Schatten, foi publicado hoje na revista Science. - Os macacos usados no experimento são do tipo rhesus, cujo genoma é cerca de 98% idêntico ao do homem (o do rato é 92%). Para chegar ao macaquinho transgênico, batizado de ANDi (DNA inserido, em inglês, ao contrário), os cientistas começaram com 224 óvulos. No código genético de cada um foi inserido como marcador o gene GFP, natural da água-viva, que expressa uma proteína verde fluorescente, facilmente detectada pelos pesquisadores em pêlos e unhas. O vetor usado para transportar o gene e incorporá-lo ao DNA do óvulo foi um retrovírus, que usa o material genético da célula para se reproduzir, mas é inofensivo.

Os óvulos modificados foram então fecundados, produzindo 40 embriões. Esses foram implantados em 20 fêmeas, resultando em cinco gestações. Três bebês nasceram sadios no início de outubro, mas um par de gêmeos foi abortado. Apenas ANDi e os gêmeos incorporaram o gene. A fluorescência, no entanto, obervada sob uma luz especial, só foi detectada nos dois fetos abortados. Em ANDi, a presença do gene foi confirmada por exames de tecidos e urina. "Sabemos que o gene está lá, mas talvez ainda não esteja ativado ou produzindo a proteína em quantidade suficiente", disse Chan. Segundo os cientistas, o aborto dos gêmeos seria uma ocorrência natural, pelo fato de gestações múltiplas serem muito raras em macacos rhesus. O próximo passo será escolher a doença e o gene correspondente que serão estudados em futuros macacos transgênicos.

Clonagem de Porcos

Depois das ovelhas, os porquinhos agora é que foram clonados na Inglaterra. Uma porca com mais de 100 quilos acaba de dar a luz a cinco porquinhas idênticas.

A conquista da medicina é de suma importância para aqueles que vivem na fila dos transplantes esperando por um orgão, uma vez que os porcos poderão ser forncedores genéticamente potenciais. Coração, fígado e outros orgãos dos porquinhos poderão ser usados por seres humanos. Mas, fiquem calmos, isto não transformará ninguém em espírito de porco.

As cinco cópias de uma mesma fêmea nasceram no dia 5 de março, num laboratório da empresa em Blacksburg, no estado americano da Virgínia.. Os nomes não foram escolhidos ao acaso. Millie é uma referência ao novo milênio; Chirsta, ao cirurgião Christian Barnard, autor do primeiro transplante de coração; Alexis e Carrel são uma homenagem ao ganhador do prêmio Nobel de Medicina de1912, Alexis Carrel, cujas pesquisas formaram a base da ciência dos transplantes; e Dotcom (em português, Pontocom) alude à Internet.

O maior empecilho para o uso de porcos em transplantes, a rejeição, poderá ser contornado pela clonagem. Para evitar a rejeição, é preciso alterar geneticamente os porcos. Não se pode ainda mudar todo um animal adulto. Mas alterar uma célula, sim. Isso bastaria para criar um clone transgênico.

Clonagem de Ratos

Cronologia 1966 / Junho Gurdon e Uehlinger relatam que rãs adultas foram desenvolvidas a partir de transferência nuclear de células intestinais de girino em ovos Xenopus enucleados. 1975 / Agosto Gurdon et al. relatam que a transferência nuclear de células de pele de rãs adultas para ovos Xenopus enucleados permite o desenvolvimento de girinos até o estágio de batimentos cardíacos, mas não até o estágio adulto.

Genética

O primeiro macho

Cientistas da Universidade do Havaí clonam mamífero adulto do sexo masculino. É o rato Fibro clonagem deixou de ser uma técnica aplicável exclusivamente às fêmeas. Cientistas da Universidade do Havaí clonaram o primeiro mamífero adulto do sexo masculino. Trata-se de um camundongo batizado de Fibro, uma brincadeira com a palavra fibroblasto, tipo de célula usada na criação do animal. Desde a ovelha Dolly, acreditava-se que apenas as fêmeas poderiam ser clonadas. Num exercício de imaginação envolvendo humanos, uma supermodelo como Cindy Crawford seria capaz de produzir uma cópia de si mesma sem precisar de um espermatozóide.

Bastaria que um óvulo fosse preenchido com material extraído de uma célula mamária. Agora, os pesquisadores Ryuzo Yanagimachi e Teruhiko Wakayama mostram que um macho adulto também pode ser replicado, segundo trabalho publicado na revista Nature Genetics. Em vez de utilizar células relacionadas ao sistema reprodutivo feminino para preencher os óvulos, como havia sido feito até agora, os cientistas criaram Fibro a partir de um pedaço do rabo de um camundongo. Eles colheram 700 óvulos produzidos por ratas e descartaram o núcleo deles. O material foi substituído por células extraídas da cauda do doador.

Apenas 274 embriões resultaram dessa operação e foram implantados em 25 ratinhas que funcionaram como "mães de aluguel".

O índice de sucesso, assim como ocorreu nos outros casos famosos de clonagem, foi baixíssimo. Apenas Fibro sobreviveu. Ele é fértil e em breve cruzará com fêmeas também criadas por clonagem. Resta saber se Fibro envelhecerá precocemente. Há duas semanas, o criador de Dolly, Ian Wilmut, disse que o material genético de Dolly é típico de animais mais velhos. Mas não convenceu Yanagimachi. "O último estudo de Wilmut está sendo criticado por muitos cientistas, porque é prematuro afirmar que Dolly é biologicamente mais velha", diz.

As atenções agora estão voltadas ao estudo dos telômeros, fragmentos de gene envolvidos no processo de envelhecimento. "Estamos medindo o comprimento dos telômeros de cinco gerações de ratas clonadas para esclarecer se elas são mais velhas", explica. O "pai" de Fibro quer provar que não.

A ninhada fluorescente

Cientistas criam camundongos verdes para aperfeiçoar transplante de órgãos

Mais uma invenção para a galeria das experiências genéticas aparentemente bizarras. Cientistas da Universidade do Havaí, em Honolulu, criaram camundongos que exibem um brilho esverdeado quando colocados sob luz ultravioleta. O trabalho publicado na sexta 14 pela revista Science provoca uma irresistível pergunta: qual é a utilidade de uma pesquisa dessas? Por incrível que pareça, a técnica poderá colaborar para a produção, em animais, de órgãos humanos para transplante. Desta vez, os cientistas criaram uma forma de gerar mamíferos transgênicos por meio de alterações nos espermatozóides. Com tratamentos químicos, os técnicos provocaram lesões na membrana que reveste a cabeça dos espermatozóides dos ratos e colocaram dentro deles DNA retirado de uma água-viva.

O gene adicionado é responsável pela produção de uma proteína fluorescente que brilha quando recebe luz ultravioleta. Os espermatozóides alterados foram introduzidos com uma pipeta nos óvulos extraídos das ratas, dando origem aos embriões. O DNA "estrangeiro" ligou-se ao código genético determinado pelos espermatozóides e foi transmitido aos filhotes.

Cerca de um em cada cinco ratinhos nasceu com a curiosa capacidade de produzir a proteína da água-viva. Esse índice de 20% de sucesso é considerado um resultado muito bom pelo veterinário Rodolfo Rumpf, especialista em Biotecnologia da Reprodução na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

"A técnica tradicional para criar animais transgênicos funciona em 4,4% dos ratos e em 0,7% dos bovinos", explica. Pelo método convencional, o DNA "estrangeiro" é injetado no espermatozóide após a fecundação, justamente no momento em que a célula reprodutiva masculina já criou um pró-núcleo que depois junta-se ao pró-núcleo do óvulo para formar o embrião.

Os cientistas do Havaí conseguiram melhores resultados porque fizeram a modificação antes da fecundação. Eles queriam que os ratos transgênicos fossem visivelmente diferentes dos normais e, por isso, optaram por introduzir o gene da proteína fluorescente."Ela prova que a experiência funcionou, mas acreditamos que a técnica também dará certo com outros genes e mamíferos", conta Tony Perry, do departamento de Anatomia e Biologia Reprodutiva da Universidade do Ha- vaí. A idéia é usar o método para transmitir genes humanos a porcos e vacas e reduzir os riscos de rejeição em transplantes. "Se funcionar, daremos uma boa contribuição à medicina", diz. Perry desenvolveu o trabalho com Teruhiko Wakayama e japoneses da Universidade de Osaka. Trata-se do mesmo grupo que virou notícia em julho passado ao criar duas gerações de ratos clonados.

Clonagem de Sapos

1952: Realizada a primeira experiência do gênero, a clonagem de girinos a partir de núcleos de células somáticas. Porém. Todos morreram antes de amadurecerem e se transformarem em rãs. Dez anos depois John Gurdon tenta o mesmo procedimento no Reino Unido e consegue obter clones a partir de células de um sapo adulto. Novamente, girinos nascem, mas morrem antes de atingir a fase adulta.
1966 / Junho:
Gurdon e Uehlinger relatam que rãs adultas foram desenvolvidas a partir de transferência nuclear de células intestinais de girino em ovos Xenopus enucleados.
1975 / Agosto:
Gurdon et al. relatam que a transferência nuclear de células de pele de rãs adultas para ovos Xenopus enucleados permite o desenvolvimento de girinos até o estágio de batimentos cardíacos, mas não até o estágio adulto.

Fonte: col1107.vilabol.uol.com.br

Clonagem

OS RISCOS

O objectivo da investigação da clonagem humana nunca foi clonar pessoas ou criar bebés para no futuro serem dadores de partes ou produtos humanos.

A investigação tem como objectivo obter células estaminais para curar doenças.

No entanto, os resultados das investigações da clonagem humana e em animais relativamente às células estaminais foram publicadas e, à semelhança de todas as descobertas científicas, estas publicações estão disponíveis ao nível mundial.

Era inevitável que um dia este conhecimento fosse mal utilizado. Agora, várias pessoas em todo o mundo anunciaram a sua intenção de clonar um bebé.

Estes indivíduos não trabalham para nenhuma universidade, hospital ou outra instituição governamental. No geral, a comunidade científica mundial opôs-se fortemente a quaisquer hipóteses de clonar um bebé.

Segundo John Kilner, presidente do Centre for Bioethics and Human Dignity nos Estados Unidos, "a maior parte da investigação publicada demonstra que a morte ou a mutilação do clone são os resultados mais prováveis da clonagem de mamíferos".

Ninguém sabe até que ponto é que a clonagem humana avançou realmente para criar um bebé. Em Abril de 2002, o cientista italiano Dr. Severino Antinori fez um comentário improvisado a um jornalista, afirmando que 3 mulheres já estariam grávidas de um embrião clonado. A partir dessa altura saiu das luzes da ribalta e nunca mais confirmou ou negou este comentário.

Os médicos consideram os riscos da clonagem humana muito elevados.

"Submeter os seres humanos à clonagem não é assumir um risco desconhecido, é prejudicar as pessoas conscientemente", afirma Kilner.

A maior parte dos cientistas é da mesma opinião. A grande maioria das tentativas de clonagem de um animal resultou em embriões deformados ou em abortos após a implantação. Muitos cientistas defende que os poucos animais clonados nascidos apresentam malformações que não são detectáveis através de exames ou de testes no útero como, por exemplo, deformações ao nível do revestimento dos pulmões.

Em 1996 foi clonada a ovelha Dolly. Foi o primeiro animal a ser clonado a partir do ADN de uma ovelha adulta, em vez de ser utilizado o ADN de um embrião.

Embora a Dolly pareça suficientemente saudável, pôs-se a questão se ela iria envelhecer mais rapidamente do que uma ovelha normal. Além disso, foram precisas 277 tentativas para produzir a Dolly.

Quem é que aceitaria estas probabilidades numa experiência com bebés humanos?

No entanto, há quem concorde com a clonagem para ter um bebé. Por exemplo, pais que perderam um bebé e que querem substitui-lo, ou pessoas que querem ter os seus próprios filhos mas que não conseguem da maneira tradicional. Por exemplo, nos casos em que um homem não pode produzir esperma, pode fazer com que o seu próprio ADN seja introduzido no ovo da sua parceira, criando um clone dele próprio.

Recorreria à clonagem se esta fosse a sua única possibilidade de ter um filho? E quem é que queria que soubesse? Conseguiria identificar uma criança clonada?

Células Estaminais Humanas

Muitos cientistas consideram que as células estaminais embrionárias são ideais para tratar doenças uma vez que se multiplicam consideravelmente e se podem diferenciar em todas as células e tecidos do organismo.

Para evitar as barreiras éticas e políticas que cercam as células estaminais retiradas dos embriões, os cientistas estão à procura de fontes alternativas.

Medula óssea de adultos Uma fonte promissora de células estaminais poderia ser a medula óssea de um adulto. As células estaminais da medula óssea dos adultos produzem normalmente glóbulos vermelhos e células da medula óssea.

Até há pouco tempo, os cientistas pensavam que era impossível a estas células da medula óssea "voltar atrás no tempo" e reinventarem-se a elas próprias para produzirem tipos de células completamente diferentes como, por exemplo, células do cérebro, células nervosas, do intestino ou da pele.

No entanto, nos Estados Unidos os cientistas identificaram, recentemente, uma célula estaminal da medula óssea de adultos que pensam poder desenvolver-se noutro tipo de células. "É algo de extraordinário", afirma o perito em células estaminais Austin Smith do Centre for Genome Research em Edimburgo, Reino Unido.

Não só as células estaminais retiradas de um adulto com o seu consentimento seriam eticamente aceitáveis para a maioria das pessoas e governos, como seriam também melhores para os pacientes. Imagine que padece de uma doença que está a matar as células do cérebro. As células estaminais poderiam ser retiradas da sua medula óssea, seriam manipuladas no laboratório para se tornarem em células cerebrais e voltariam a ser implantadas no seu cérebro - não existindo, assim, uma rejeição imunitária do transplante.

Caso funcione, esta é uma perspectiva muito entusiasmante. Os primeiros resultados parecem promissores, mas os cientistas não tem conhecimento da versatilidade exacta das células estaminais da medula óssea. Estão muito mais confiantes acerca do que as células estaminais dos embriões possam fazer.

Finalmente, tipos diferentes de células estaminais poderiam resultar mais eficazmente em tratamentos de doenças diferentes, por isso, a maioria dos cientistas optaria por continuar a investigação de ambos os tipos.

Sangue placentário

Uma última opção como fonte de células estaminais é o sangue do cordão umbilical que normalmente é eliminado no parto. Algumas empresas oferecem-se agora para recolher o sangue da placenta e, através de uma taxa, armazenam-no caso a criança venha a adoecer. Estas empresas defendem que as células estaminais recolhidas desta forma podem ser utilizadas para tratar problemas sanguíneos como, por exemplo, leucemia e algumas perturbações genéticas e imunitárias. No futuro, o sangue do cordão umbilical poderá vir a ser uma fonte de células estaminais para curar acidentes vasculares cerebrais, a diabetes, a doença de Parkinson e a distrofia muscular.

A particularidade da recolha destas células é que estas são retiradas sem afectar a mãe ou a criança. São também 100% compatíveis com o bebé caso este venha alguma vez a desenvolver uma doença.

Além disso, estas empresas argumentam que o sangue do cordão umbilical do bebé também poderá também ser uma fonte de células estaminais compatíveis com familiares do bebé - irmãos e irmãs, pais e avós.

Embriões Humanos

Existem actualmente pelo menos 100 000 embriões excedentários armazenados em congeladores por toda a União Europeia.

Estes embriões foram criados como uma fase de rotina dos tratamentos da esterilidade (FIV). Um único ciclo de tratamento de FIV envolve normalmente a fertilização simultânea de vários ovos. De seguida, vários ovos fertilizados são reimplantados na mãe e os restantes são congelados, caso a primeira tentativa de gravidez não seja bem sucedida.

Se a mulher sujeita à FVI engravidar de imediato, o casal pode optar por não utilizar os restantes embriões. Em alguns países, os casais podem optar por doar os embriões para investigação ou pela sua eliminação.

No entanto, nunca chegou a ser tomada uma decisão sobre o destino de alguns embriões armazenados. Nos últimos 20 anos, desde o início da FIV, muitos dos dadores de ovos e esperma mudaram de casa, voltaram a casar e mudaram de nome ou talvez até já tenham morrido. As clínicas de fertilidade podem não conseguir encontrá-los. O destino de muitos embriões armazenados é, por isso, incerto.

Uma segunda fonte de embriões para o fornecimento de células estaminais, ainda mais controversa, seria a criação de embriões somente para investigação ou tratamento. Nunca existiu qualquer intenção de os implantar numa mulher. A criação de um embrião com esta finalidade é considerada por muitas pessoas (e por alguns governos) como eticamente errada.

Contudo, já existem milhões de espermatozóides e milhares de ovos não fertilizados congelados em clínicas de FIV em toda a Europa. Se os espermatozóides fossem utilizados para fertilizar os ovos, existiriam ainda mais embriões para fornecer células estaminais de modo a curar doenças.

Existe uma última forma de obter embriões humanos, nomeadamente a utilização da técnica da clonagem. Tal envolve a criação de um embrião humano que contenha a composição genética completa de alguém que já está vivo. Se implantado no útero da mulher, o embrião podia teoricamente desenvolver-se num clone (uma cópia geneticamente igual) dessa pessoa. Se utilizado para investigação, o embrião poderia fornecer células estaminais para curar doenças.

PERSPECTIVA GERAL

Clonar significa produzir uma cópia geneticamente idêntica de um indivíduo.

Como é que isto se faria? Os cientistas tirariam o seu ADN de uma célula epidérmica e colocavam-no num ovo de uma mulher da qual foi previamente retirado o ADN. Uma faísca de electricidade iria dividir o ovo e após alguns dias teria um embrião geneticamente igual a si.

Tem-se falado muito de clonagem humana na imprensa. Na realidade, a maioria dos cientistas não está interessada em produzir clones humanos. O que os cientistas pretendem é produzir células humanas clonadas que possam ser utilizadas para tratar algumas doenças.

Como?

Imagine que tinha uma doença que estava a destruir lentamente partes do seu cérebro. Os tratamentos actuais apenas reduzem os sintomas enquanto a doença continua a provocar lesões no cérebro. A clonagem oferece a esperança de uma cura.

Os cientistas iriam produzir um embrião clonado utilizando o ADN das suas células epidérmicas. Em seguida, iriam retirar células estaminais deste embrião, transformavam-nas em células cerebrais e fariam um transplante para o seu cérebro.

A clonagem é uma maneira diferente de utilizar células estaminais para curar uma doença. Algumas pessoas preferem esta forma de obter estas células. Afinal, um embrião clonado é uma cópia genética de alguém que está vivo e deu o seu consentimento. Todos temos o direito de decidir o que fazer com o nosso próprio ADN, ou não?

Pelo contrário, um embrião no congelador de uma clínica de fertilização foi criado a partir de uma mistura única de esperma e ovo e esta é uma união que só irá acontecer uma vez, produzindo um conjunto completamente único de genes que tem o potencial de se tornar num indivíduo único.

Fonte: www.bionetonline.org

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