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Especiação

ESPECIAÇÃO - FORMAÇÃO DE NOVAS ESPÉCIES

Desde a origem da vida no planeta Terra, os seres vivos existentes sofreram diferenciação através de variações genéticas com a ocorrência de mutações gênicas.

A seleção natural possibilita a sobrevivência de indivíduos que possuem caracteres que melhor os adaptam às diferentes condições ambientais.

Com alterações ambientais, são mudadas as formas de seleção natural sobre as populações, provocando, conseqüentemente, alterações na composição genética das populações.

As contínuas alterações ambientais, ao longo dos tempos, provocam alterações dos seres vivos, que podem levar a dois fatos principais:

a) Extinção da espécie (que é a regra!) ou

b) Formação de novas espécies a partir das pré-existentes (que é a exceção à regra).

Podemos dizer que as conseqüências do processo evolutivo são:

- adaptação das populações às condições ambientais.

- formação de novas espécies (especiação)

O Conceito de Espécie

A espécie é a unidade básica do sistema de classificação de Lineu.

Espécies são grupos de populações naturais que se cruzam real ou potencialmente e que são reprodutivamente isolados de outros grupos semelhantes.

Raça são populações isoladas com características diferentes entre si, mas pertencentes a uma mesma espécie.

Os indivíduos de uma mesma raça ou subespécie possuem capacidade de se cruzarem, produzindo descendentes férteis.

O processo de formação de raças se dá por isolamento geográfico, que de algum modo não podem mais se encontrar e cruzarem-se. Neste período ocorre o acúmulo de características diferentes e atuação de seleção natural.

As raças ou subespécies são sempre alopátricas, isto é, vivem em regiões diferentes, durante o seu processo de formação.

Se durante o isolamento geográfico começam a surgir alterações genéticas até o ponto dos indivíduos serem incompatíveis reprodutivamente, estarão formadas novas espécies.

O mecanismo da especiação está representado na figura a seguir:

Especiação

 

Estágios de processo de especiação geográfica (de a origem da diversidade - Bryan Shorrocks)

Os mecanismos de isolamento reprodutivo, que é a última etapa do processo de especiação, podem ser de dois tipos:

a) mecanismos de pré-cruzamento ou pré-zigóticos.

b) mecanismos de pós-cruzamento ou pós-zigóticos.

Exemplos de isolamento pré-zigótico

a) Isolamento ecológico ou de hábitat

Quando as populações vivem em áreas diferentes na mesma região geral.

b) Isolamento sazonal ou temporal

As épocas de floração ou cruzamento ocorrem em estações diferentes.

c) Isolamento sexual ou ecológico

Quando a atração mútua entre os seres de espécies diferentes é fraca ou nula.

d) Isolamento mecânico

Quando há ausência da correspondência física da genitália ou as partes das flores evitam a transferência de pólen.

e) Isolamento gamético

Em organismos de fecundação externa, os gametas masculino e feminino não são atraídos um pelo outro e os de fecundação interna, quando os gemetas de um indivíduo de uma espécie são inviáveis nos dutos sexuais de outro indivíduo de uma espécie diferente.

Exemplos de isolamento pós-zigótico

a) Inviabilidade do Híbrido

Os zigotos híbridos têm viabilidade reduzida ou são inviáveis.

b) Esterilidade do Híbrido

Os hibridos de F1 de um ou de ambos os sexos não produzem gametas funcionais.

c) Degeneração do Hibrido

Quando os indivíduos de F2 ou os híbridos têm viabilidade ou fertilidade reduzida.

A seguir está uma representação diagramática das possíveis seqüências de eventos no modelo de especiação geográfica e a representação da formação de uma barreira entre duas populações e os possíveis eventos que ocorrem se esta barreira desaparecer.

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Se a barreira desaparecer e estas populações entrarem em contacto novamente, acontecerá: uma incompatibilidade (A) ou uma compatibilidade (B) entre estas populações.

A - Incompatibilidade:os membros das duas populações são incapazes de trocarem genes entre si. Neste caso as populações são consideradas espécies diferentes, podendo ocorrer:

Especiação

Representação diagramática das possíveis seqüências de eventos no modelo de especiação geográfica. (Segundo P. E. Vanzolini, Zoologia sistemática geográfica e a origem das espécies. Publicação do Instituto de Geografia-Universidade de São Paulo.)

Fonte: biomania.com

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Definição

Divisão de uma espécie em duas reprodutivamente isoladas.

Restrição

Não é aplicável a espécies sem reprodução sexuada.

O evento crucial: isolamento reprodutivo.

Membros de espécies diferentes possuem diferenças genéticas, ecológicas, comportamentais e morfológicas.

Nenhum desses critérios, porém, é suficiente para fornecer uma definição universal de espécie.

Muitas espécies, no entanto, diferem por serem reprodutivamente isoladas (conceito biológico de espécie).

Precisamos, portanto, compreender como surgem as barreiras reprodutivas entre uma nova espécie e seu ancestral (=compreender a especiação).

Antes, porém: uma nova espécie pode ter as seguintes relações geográficas com seu ancestral:

a) Isolamento geográfico (alopatria)
b) Existir em um continnum geográfico
c) Existir dentro da mesma área (simpatria)

Mecanismos de Isolamento Reprodutivo: características que fazem com que espécies, quando simpátricas, mantenham conjuntos gênicos distintos.

Uma classificação dos mecanismos de isolamento nos animais (Mayr, 1993):

Mecanismos pré-copulatórios - impedem cruzamentos inter-específicos

a. Parceiros em potencial não se encontram (isolamento sazonal ou de hábitat)
b. Parceiros em potencial encontram-se, mas não copulam (isolamento etológico)
c. A cópula é tentada, mas não há transferência de espermatozóides (isolamento mecânico)

Mecanismos pós-copulatórios - reduzem o completo sucesso dos cruzamentos inter-específicos

Pré-zigóticos

a. A transferência de espermatozóides ocorre, mas o ovo não é fertilizado (mortalidade gamética, incompatibilidade, etc)

Pós-zigóticos

b. O ovo é fertilizado, mas o zigoto morre (mortalidade zigótica por incompatibilidade de cariótipos, etc.)

c. O zigoto produz uma F1 de híbridos inviáveis ou com viabilidade reduzida (inviabilidade do híbrido)

d. Os zigotos dos híbridos da F1 são completamente viáveis, mas parcial ou completamente estéreis ou ainda produzem uma F2 deficiente (esterilidade do híbrido)

Alguns exemplos de mecanismos de isolamento levando à especiação

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Padrões de vôo e emissão fluorescente diferenciada em distintas espécies de vagalumes

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Padrões de canto diferenciado levando à especiação em pássaros.

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Barreira geográfica (Grand Canyon) levando à especiação em Sciurus sp.

MECANISMOS DE ESPECIAÇÃO

Duas classificações das formas potenciais de especiação nos organismos sexuados:

A - COM BASE NA GEOGRAFIA E NÍVEL (MAYR, 1963).

1. Hibridização (manutenção dos híbridos entre duas espécies)

2. Especiação instantânea (por meio de indivíduos)

A. Geneticamente: Macrogênese (mutação única conferindo isolamento reprodutivo)
B. Citologicamente:
b.1. Mutação cromossômica (i. é, translocação)
b.2. Poliploidia

3. Especiação gradativa (por meio de populações)

A. Especiação alopátrica (geográfica)
B. Especiação parapátrica (semi-geográfica)
C. Especiação simpátrica

B - COM BASE NO ASPECTO GENÉTICO DA POPULAÇÃO (TEMPLETON, 1982)

Variação brusca

A. Manutenção do híbrido (seleção para o híbrido)
B. Recombinação do híbrido (seleção para os recombinantes seguindo-se a hibridização)
C. Cromossômica (fixação da mutação cromossômica por deriva e seleção)
D. Genética (evento fundador em uma colônia)

Divergência

A. Hábitat (seleção divergente, sem o isolamento pela distância)
B. Clinal (seleção sobre uma clina -gradiente-, com o isolamento pela distância)
C. Adaptativa (surgimento de uma barreira extrínseca, seguida por microevolução divergente).

ESPECIAÇÃO ALOPÁTRICA

Evolução de barreiras reprodutivas entre populações que estão geograficamente separadas.

A barreira física reduz o fluxo gênico (migração) entre as populações.

Esta barreira pode aparecer por mudanças geológicas e geomorfológicas (rios, cursos d'água, cadeias de montanhas, deriva continental, vulcões,etc) ou por eventos de dispersão (deslocamento de populações para locais distantes, dispersão provocada pelo vento, correntes marinhas, etc.)

Alopatria é definida por uma severa redução do movimento dos indivíduos ou de seus gametas entre as populações, e não necessariamente significa uma maior distância geográfica (ex: curso de rio, cânion, etc).

Todo biólogo evolucionista concorda que a especiação alopátrica ocorre e muitos sustentam que ela é o principal modelo de especiação em animais (Mayr 1963, Futuyma e Mayer 1980, Coyne 1992).

As populações isoladas se diferenciam adquirindo distintas variações (mutações) e alterando frequências alélicas por deriva ou seleção natural até que ocorra isolamento reprodutivo, de maneira que, se estes grupos voltarem a viver em Simpatria, não serão "compatíveis" reprodutivamente.

Dois tipos principais de Especiação Alopátrica:

A. Especiação Vicariante

Ocorre quando duas populações são divididas pelo surgimento de uma barreira extrínseca.

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Especiação Vicariante (Alopátrica estrita)

Especiação Peripátrica (ou “efeito fundador” - ver detalhe no final desta página)

Ocorre quando há formação de uma colônia periférica a partir da população original, por dispersão e, após várias gerações, ocorre isolamento reprodutivo.

Comum em eventos de colonização de ilhas a partir do continente. Neste caso a diferenciação se dá mais acentuadamente na colônia filha, com menor número de indivíduos, sendo que a população original no final da especiação será a mais parecida com a espécie ancestral.

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Especiação Peripátria (Alopátrica com efeito fundador)

Evidências para a especiação alopátrica:

a. Correspondência entre descontinuidade biológica e topográfica. Ex.: i) animais aquáticos mostram uma maior diversidade regional em regiões montanhosas onde há sistemas de rios isolados. ii) Em ilhas, espécies que são homogêneas em termos de variação continental podem divergir em aparência, ecologia e comportamento.

b. O Registro fóssil mostra o aparecimento súbito de uma espécie distinta, sugerindo que ela invadiu a partir de uma outra região, na qual ela surgiu (Eldredge, 1971).

c. Experimentos de laboratório demonstram que o isolamento reprodutivo incipiente pode se desenvolver entre populações isoladas de Drosophila sp. e Musca domestica.

Zonas Híbridas

Locais em que as populações diferindo em várias ou muitas características intercruzam-se, em maior ou menor extensão.

Tais zonas são interpretadas como local de contato secundário entre as populações que se diferenciaram em alopatria, mas que não alcançaram um status pleno de espécie. Algumas zonas híbridas no entanto são vistas entre espécies (ver abaixo em especiação Parapátrica).

Ex.: duas raças (subespécies) do gafanhoto Caledia captiva:

Formam uma zona híbrida de aproximadamente um quilômetro de largura por 200 quilômetros de comprimento, no sudeste da Austrália.

Diferem em pelo menos nove rearranjos cromossômicos

Formam F2 e retrocruzamento com híbridos inviáveis.

ESPECIAÇÃO PARAPÁTRICA

Ocorre sem que haja isolamento geográfico. Neste modelo, as populações se divergem por adaptação a ambientes diferentes dentro de um continuun na faixa de dispersão da espécie ancestral.

A adaptação a ambientes/nichos distintos que ocorrem ao longo da grande faixa de dispersão da espécie ancestral parece ser a mais importante etapa neste processo de especiação. Muitas vezes pode ser criada uma zona híbrida entre as duas espécies "incipientes" derivadas, cujos híbridos podem possuir diferentes graus de viabilidade ou fertilidade. Esta zona híbrida pode funcionar como barreira ao fluxo gênico entre as duas espécies que se estão se diferenciando.

ESPECIAÇÃO SIMPÁTRICA

É um modelo que não envolve isolamento geográfico em populações habitando a mesma área restrita. Se dá quando uma barreira biológica ao intercruzamento se origina dentro dos limites de uma população, sem nenhuma segregação espacial das "espécies incipientes" (que estão se diferenciando).

A maioria dos tipos existentes para este modelo de especiação é controvertida.

Uma exceção é o da especiação instantânea, por poliploidia, que ocorre em plantas.

Especiação
Especiação poliplóide nas plantas Clarkia sp. (em Simpatria)

Se uma simples mutação ou alteração cromossômica (tal como poliploidia) confere um isolamento reprodutivo completo em um passo, a reprodução não terá sucesso, a não ser que haja um endocruzamento (autofertilização ou cruzamento com irmãos, que também podem carregar a nova mutação).

Entre animais, o endocruzamento é raro, mas ocorre em grupos como Chalcidoidea (himenópteros parasitas).

Muitos modelos de especiação simpátrica baseiam-se em seleção disruptiva, como no caso de dois homozigotos para um ou mais locos que estão adaptados a diferentes fontes de recursos e há variação de múltiplos nichos.

A especiação simpátrica é teoricamente possível, mas provavelmente ocorre apenas sob certas condições excepcionais. Depende basicamente de fatores genéticos tais como: formação de híbridos "deletérios" entre distintos genótipos da população original, favorecimento pela Seleção do acasalamento entre determinados genótipos (acasalamento preferencial), etc.

Exemplos de especiação simpátrica mais estudados em animais referem-se à formação das espécies de Ciclídeos dos lagos de crateras africanos (Tanganika, Vitória, Malawi, etc.).

TEORIAS GENÉTICAS DE ESPECIAÇÃO

Durante a especiação, as populações divergem em direção a equilíbrios genéticos diferentes e incompatíveis

As teorias genéticas sobre como as populações passam a ocupar picos adaptativos diferentes e incompatíveis são de dois tipos:

a. Divergência Gradual: as forças de seleção experimentadas por duas populações espacialmente isoladas diferem de modo que elas gradativamente se movem em direção a picos adaptativos diferentes.

b. Deslocamento de Pico: supõe que o ambiente das duas populações é o mesmo, mas que quaisquer das duas constituições genéticas são favorecidas pela seleção (processo adaptativo estocástico).

Especiação
Dois modelos genéticos de especiação

Efeito do Fundador do ponto de vista genético

Alteração nas freqüências gênicas por deriva genética, que promovem uma cadeia de mudanças genéticas em outros locos. Isto se dá no caso de colonizações envolvendo um número pequeno de indivíduos (efeito fundador), também chamado de gargalo de garrafa ou efeito "bottleneck" (figura 9 abaixo), comum em processos de especiação Alopátrica por Peripatria.

-Segundo Mayr, a evolução numa espécie de ampla distribuição é provavelmente um processo lento, porque o conjunto gênico co-adaptado resiste à mudança e porque o fluxo gênico entre as suas populações se opõe à divergência.

Por outro lado, a evolução em colônias recém-fundadas (peripatria) provavelmente é mais rápida e pode favorecer alterações que determinem a origem de novas espécies e novos gêneros. O número pequeno de indivíduos nesta população fundadora pode fixar diferentes alelos, que pode levar a uma crescente divergência da população ancestral com o passar das gerações.

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Efeito gargalo de garrafa (bottleneck)

Fonte: www.icb.ufmg.br

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A formação de novas espécies

Até este momento, vimos como os seres vivos se modificam ao longo do tempo, alterando sua estrutura genética. Vimos que essas modificações ocorrem ao acaso, e que a partir delas os espécimes melhores adaptados ao ambiente tem mais chance de sobreviver e deixar descendentes. Agora imaginemos uma população vivendo em um ambiente que sofre modificações. Os indivíduos desta população não são idênticos entre si, apresentam diferenças resultantes da variabilidade genética.

Como dissemos, o ambiente está se modificando. Como resultado, apenas os indivíduos mais aptos à este novo ambiente sobrevivem, deixando descendentes. Ao longo do tempo, a nova população não será igual à população original, pois as modificações na estrutura genética foram tais que acabaram por criar uma nova espécie. Assim, temos uma espécie ancestral que acaba por gerar uma nova espécie filha. Todos os indivíduos da população original ocupavam o mesmo ambiente, ou seja, podiam trocar genes livremente entre si, através da reprodução. Isso fez com que as modificações fossem uniformemente distribuídas por todos os indivíduos, ao longo de gerações, gerando ao final do processo apenas uma espécie filha.

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Agora pensemos no seguinte: imaginemos a mesma população original, onde todos os indivíduos são intercruzantes. Suponha que por qualquer motivo essa população acabe se separando em dois grandes grupos, que agora ficam isolados um do outro. Cada grupo desta população original ocupa agora um ambiente com características diferentes, com recursos diferentes.

Com o passar do tempo, cada grupo irá evoluir no sentido de se adaptar ao ambiente que ocupa. Ou seja, as modificações não serão iguais entre os dois grupos, pois o ambiente exige que cada grupo desenvolva determinadas adaptações.

O resultado deste processo é a formação de duas novas espécies, cada uma ocupando um ambiente próprio. No gráfico vemos que um ancestral dos primatas gerou toda uma descendência. Este fenômeno, onde duas ou mais espécies filhas se desenvolvem a partir de uma espécie ancestral é chamado de especiação.

Mas o que é afinal a especiação?

A formação de novas espécies é o fator básico para a geração da enorme diversidade do mundo vivo. Toda a organização de classificação (famílias, classes, ordens, etc) baseia-se apenas nas diferentes espécies e no grau de parentesco entre elas. Mas para que possamos constatar que uma nova espécie se formou, é preciso que saibamos diferenciar duas espécies.

Ou seja, quais são os limites que nos permitem afirmar que um animal não pertence à mesma espécie que outro? Sabemos que dentro da mesma espécie podem haver diferenças, geradas pela variabilidade genética. Então, quando podemos afirmar que tais diferenças não implicam em variabilidade dentro da mesma espécie, mas sim em uma nova espécie?

Isso é na verdade um ponto bastante polêmico na Biologia. Na verdade, temos vários conceitos para o termo "espécie". São definições de acordo com o ponto de vista biológico, classificatório, ecológico, dentre outros. Então vamos adotar um conceito de espécie; para nós, "espécies são grupos de populações naturais que se cruzam entre si real ou potencialmente e que são reprodutivamente isoladas de outros grupos deste tipo" (Mayr, 1942).

Assim, se indivíduos da mesma espécie podem cruzar entre si, mas nunca com indivíduos de outras espécies, então podemos constatar que a carga genética daquela população é compartilhada apenas por aqueles indivíduos. Ou seja, cada espécie possui um patrimônio genético que lhe é próprio.

A especiação ocorre justamente por causa desta capacidade reprodutiva. Como os indivíduos podem trocar material genético, gerando descendentes com diferentes graus de variabilidade, ao longo do tempo a espécie tende a se modificar, alterando seu patrimônio genético. Agora, a especiação ocorre quando uma espécie original acaba por gerar duas ou mais espécies filhas. Isso pode ocorrer, por exemplo, se a população cresce demais e passa a ocupar novas áreas. Cada grupo desta população ocupa uma nova área, e assim se desenvolve isoladamente.

Você pode perguntar, "mas não pode haver reprodução entre estes dois grupos?" Bem, só podemos garantir que não haverá troca de material genético entre os dois grupos quando entre eles houver o que chamamos de "barreiras". As barreiras separam de alguma maneira os grupos da população original. Como exemplo podemos citar os animais de uma população que passam a ocupar ilhas dentro de um arquipélago. A barreira então é o mar, que impede que grupos de uma ilha troquem material genético com grupos de outra ilha. Assim, em cada ilha teremos, ao final de um determinado tempo, uma nova espécie. É por isso que Charles Darwin encontrou diferentes raças de jabutis gigantes nas Ilhas Galápagos; cada raça ocupava uma determinada ilha, e se encontrava em meio ao processo de especiação.

Bem, mas os mecanismos de isolamento (as barreiras) podem ser outros: imagine uma espécie que ocupa uma imensa área territorial. Com o passar do tempo, esta área se modifica, e se torna inóspita para aquela espécie. Apenas poucas "manchas" dentro da área original continuam sendo adequadas para aquela espécie. Então, temos uma separação de diferentes grupos, cada um ocupando uma mancha, separados apenas por uma região inóspita. A barreira seria no caso essa área inóspita, e cada mancha seria considerado um "refúgio". Voltaremos a falar sobre barreiras mais à frente.

Após um certo tempo de isolamento, os indivíduos de cada área terão características próprias. Mas como saber se já estamos falando de espécies diferentes? Bem, de acordo com a nossa definição, os indivíduos da mesma espécie tem possibilidade de cruzarem, real ou potencialmente. Assim, se colocados em contato, e seus membros não tiverem a capacidade de cruzar gerando descendentes férteis, então estaremos falando de espécies diferentes. Há casos em que espécies diferentes se cruzam, gerando um indivíduo híbrido. Este híbrido, entretanto, será estéril, não terá a capacidade de se reproduzir.

Mas se o híbrido gerado tiver a capacidade normal de se reproduzir, e seus descendentes também se reproduzirem normalmente, então os ancestrais deste híbrido pertencem à uma mesma espécie, de acordo com nossas definições originais.

O processo de especiação

Durante o processo de especiação podem se formar grupos intermediários, ou seja, populações que já são bastante diferentes geneticamente mas que ainda tem capacidade para se reproduzir gerando descendentes férteis. A estes grupos denominamos raças ou subespécies.

Isto só pode ocorrer se as duas populações estiverem de alguma maneira separadas; a troca de material genético entre elas pode até ocorrer, mas em regiões restritas. Claro, se a troca de material genético ocorresse livremente entre todos os indivíduos não teríamos a formações de diferentes raças, pois a população compartilharia um mesmo patrimônio genético. Mesmo dentro das raças a variabilidade persiste. Ou seja, um indivíduo é diferente de outro, mas faz parte da mesma raça (ou subespécie). A formação de raças é o primeiro passo para a especiação. Se o isolamento persistir, é provável que as diferenças continuem a se desenvolver, até que não permitam mais a reprodução entre as duas populações. Assim, teremos agora não mais duas raças dentro de uma mesma espécie, mas sim duas novas espécies distintas.

Tipos de isolamento

Já comentamos o caso em que barreiras físicas impediam a troca de material genético entre duas populações. Agora iremos analisar mais detalhadamente estas barreiras, que podem ser de natureza geográfica ou reprodutiva. Na verdade, para que se inicie o processo de especiação é preciso que estes dois grupos estejam fisicamente separados um do outro; falamos então em isolamento geográfico. Com a formação de duas novas espécies, não há mais a capacidade de cruzamento entre indivíduos das duas populações, mesmo que eles estejam em contato; falamos então em isolamento reprodutivo.

O Isolamento Geográfico

No isolamento geográfico as duas populações encontram-se separadas por algum tipo de barreira física. Estas barreiras podem ser de diversos tipos, como por exemplo rios, serras, montanhas que separam dois grupos, vales etc. A condição é que esta barreira separe as duas populações de modo que estas perdem a capacidade de contato. Assim, as populações ficam separadas por esta barreira. Ao final de um período de tempo, se as duas populações forem colocadas em contato, duas coisas podem acontecer:

1. Os membros das duas populações conseguem cruzar entre si, aumentando a variabilidade genética de uma única espécie

OU

2. Os membros das duas populações não conseguem mais cruzar entre si, o que caracteriza a formação de duas novas espécies.


No segundo caso, o tempo que estas duas populações permaneceram isoladas uma da outra foi suficiente para que aparecesse o isolamento reprodutivo.

O Isolamento Reprodutivo

É muito fácil compreender o conceito de isolamento reprodutivo. Este tipo de isolamento é o que impede que o patrimônio genético de espécies diferentes sejam compartilhados. Assim as espécies se preservam e continuam a evoluir, seguindo as leis de adaptação ao meio ambiente. Os indivíduos de espécies diferentes podem até cruzar, porém ainda assim estarão isolados reprodutivamente. Isso porque existem diferentes níveis onde este isolamento se evidencia: em alguns casos, espécies diferentes não se cruzam pois a diferença estrutural entre elas não permite tal fato; em outros casos, espécies diferentes podem até se cruzar, mas o espermatozóide não fecunda o óvulo, ou o embrião é inviável, ou o híbrido resultante é estéril. Em certos casos o híbrido pode até mesmo gerar descendentes, mas estes serão muito fracos e estéreis.

Bem, além disso existem vários fatores que impedem que os indivíduos de diferentes populações se cruzem.

Vamos tentar falar algo sobre alguns deles:

Habitat: as duas populações ocupam a mesma região, mas tem habitats diferentes: imagine duas populações de insetos em uma floresta, uma que se alimenta (e vive) na copa das árvores e outra que o faz no solo. Estas duas populações estão isoladas, e não trocarão genes entre si.

Comportamental

O comportamento reprodutivo é fundamental para muitas espécies. Você já ouviu falar na corte? É um tipo de "dança" reprodutiva realizada pelo casal. Em diversas espécies só ocorre a copulação após um período de corte, que varia de acordo com a espécie. Se uma população se modificou a ponto de alterar seu comportamento de corte, provavelmente estará isolada de uma outra população. Outros comportamentos que não o de corte também influem para o isolamento reprodutivo.

Sazonal

Imagine que diferentes populações ocupem a mesma área. Nada impede que elas se intercruzem, a não ser por um pequeno detalhe: a época da reprodução. Por exemplo, uma das populações pode ter o período reprodutivo de fevereiro a junho, e a outra população pode ter um período reprodutivo que vai de agosto a dezembro. Assim, estas duas populações estariam completamente isoladas uma da outra, no sentido reprodutivo.

Estrutural

Neste caso a fecundação se torna impossível, pois as estruturas reprodutoras entre as duas populações são muito diferentes.

Quanto ao híbrido: se membros das duas populações copulam, podem ocorrer diversos fatos, no caso de isolamento reprodutivo:

1. Os genes estão modificados a ponto de inviabilizar o híbrido; o zigoto até se forma, mas morre em seguida

2. O híbrido se forma e nasce, é normal em todos os aspectos, porém é infértil, não tem a capacidade de gerar descendentes

3. O híbrido se forma e nasce, é normal e fértil. Porém os descendentes deste híbrido são fracos e estéreis.

Estes são alguns aspectos do isolamento. Todos eles podem ser observados no mundo todo, ao observarmos espécies que são próximas e que tem reconhecidamente um mesmo ancestral comum.

Fonte: www.ib.usp.br

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