Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Evolução dos Seres Vivos  Voltar

Evolução dos Seres Vivos

 

 

Evolução dos Seres Vivos

A evolução humana

A evolução humana é a morosidade do processo de mudança pelo qual as pessoas se originou a partir de ancestrais simiescos (macaco).

A evidência científica mostra que os traços físicos e comportamentais compartilhados por todas as pessoas se originou a partir de ancestrais simiescos e evoluiram ao longo de um período de cerca de seis milhões de anos.

Um das primeiras definição de traços humanos, o bipedalismo - a habilidade de andar sobre duas pernas - evoluíram mais de 4 milhões de anos atrás.

Outras características humanas importantes - como um grande e complexo do cérebro, a capacidade de fazer e usar ferramentas, e da capacidade de linguagem - desenvolvido mais recentemente. Muitos traços avançados - incluindo expressão complexa simbólica, a arte ea diversidade cultural elaborada - surgiram principalmente durante os últimos 100.000 anos.

Os seres humanos são os primatas. Semelhanças físicas e genéticas mostram que a espécie humana modernos, Homo sapiens, tem uma relação muito estreita com um outro grupo de espécies de primatas, os macacos.

Os seres humanos e os grandes símios (macacos grandes) de África - os chimpanzés (incluindo bonobos, ou os chamados "chimpanzés pigmeus") e gorilas - compartilham um ancestral comum que viveu entre 8 e 6 milhões de anos atrás.

Os seres humanos evoluíram primeiramente na África e grande parte da evolução humana ocorreu naquele continente. Os fósseis dos primeiros seres humanos que viveram entre 6 e 2 milhões de anos atrás vir inteiramente de África.

A maioria dos cientistas reconhecem atualmente cerca de 15 a 20 espécies diferentes de seres humanos primitivos. Os cientistas não concordam, no entanto, sobre como essas espécies estão relacionados ou quais simplesmente morreu. Muitas espécies de humanos primitivos - certamente a maioria deles - deixaram descendentes vivos. Os cientistas também debater sobre como identificar e classificar espécies particulares dos primeiros seres humanos, e sobre quais os fatores que influenciaram a evolução e extinção de cada espécie.

Os primeiros humanos primeiro migraram para fora da África para a Ásia, provavelmente entre 2 milhões e 1,8 milhões de anos atrás. Eles entraram na Europa um pouco mais tarde, entre 1,5 milhões e 1 milhão de anos. As espécies de seres humanos modernos povoada muitas partes do mundo, muito mais tarde. Por exemplo, pessoas veio pela primeira vez para a Austrália provavelmente nos últimos 60 mil anos e para as Américas nos últimos 30 mil anos mais ou menos. Os primórdios da agricultura eo surgimento das primeiras civilizações ocorreu nos últimos 12.000 anos.

O processo de evolução

O processo de evolução envolve uma série de mudanças naturais que causam espécie (populações de diferentes organismos) a surgir, se adaptar ao ambiente, e tornar-se extinta.

Todas as espécies ou organismos ter originado através do processo de evolução biológica. Em animais que se reproduzem sexualmente, incluindo seres humanos, as espécies prazo refere-se a um grupo cujos membros adultos regularmente cruzam, resultando em uma descendência fértil - ou seja, a prole se capazes de se reproduzir. Os cientistas classificam cada uma das espécies com um único nome científico de duas partes. Neste sistema, os humanos modernos são classificados como Homo sapiens.

A evolução ocorre quando há uma mudança no material genético - a molécula química, o DNA - o que é herdada dos pais e, especialmente, nas proporções de diferentes genes em uma população. Genes representam os segmentos de ADN que proporcionam o código de produto químico para a produção de proteínas.

As informações contidas no DNA pode mudar por um processo conhecido como mutação. A forma como os genes específicos são expressos - ou seja, como elas influenciam o corpo ou o comportamento de um organismo - também pode mudar. Genes afetam a forma como o corpo eo comportamento de um organismo desenvolver durante sua vida, e é por isso que as características geneticamente herdadas podem influenciar a probabilidade de sobrevivência e reprodução de um organismo.

Evolução não altera qualquer único indivíduo. Em vez disso, ela muda os meios herdados de crescimento e desenvolvimento que caracterizam uma população (um grupo de indivíduos da mesma espécie que vivem em um habitat particular). Os pais passam mudanças genéticas adaptativas aos seus descendentes, e, finalmente, essas mudanças tornam-se comum em toda a população. Como resultado, os descendentes herdam as características genéticas que aumentam suas chances de sobrevivência e capacidade de dar à luz, o que pode funcionar bem até que o ambiente muda. Com o tempo, a mudança genética pode alterar forma de uma espécie de vida em geral, como o que ele come, como cresce, e onde ele pode viver. A evolução humana ocorreu à medida que novas variações genéticas nas populações ancestrais primeiros favorecidas novas habilidades para se adaptar às mudanças ambientais e por isso alterou o modo de vida humano.

Fonte: humanorigins.si.edu

Evolução dos Seres Vivos

Os primeiros seres vivos surgiram da reação de diversos gases presentes na atmosfera primitiva, principalmente amônia (Nh2), metano (Ch2), hidrogênio (H2) e vapores d'água. Com essas reações, surgiram os seres procariontes. São seres muito simples, com um grau de organização celular muito inferior ao do mais simples ser vivo de hoje e se assemelhavam a bactérias. Essas formas de vida existiram até 1,5 bilhão de anos atrás, quando surgiram os seres eucariontes.

Durante a sua evolução, esses seres tiveram a necessidade de desenvolver uma fonte de energia para suprir seus processos metabólicos. Os cientistas acreditam que a primeira forma de obtenção de energia foi a fermentação, pois se trata do processo mais simples de obtenção de energia. Mais adiante, foi sendo desenvolvida a fotossíntese e a respiração aeróbia. Essa última só foi possível por causa da fotossíntese porque o oxigênio necessário para a respiração aeróbia foi produzido do produto da fotossíntese.

A partir dessas evoluções, surgiram os seres eucariontes, que possuíam uma maior complexidade estrutural do que a procarionte. Esses seres tinham como fonte de energia a fotossíntese e a respiração aeróbia e graças a sua organização celular desenvolveram a meiose e a reprodução sexuada.

Há cerca de 450 milhões de anos atrás, a maior parte das classes de animais marinhos atuais já estava estabelecida. O ambiente terrestre, no entanto, continuava desabitada.

Os primeiros seres a conquistar o ambiente terrestre foram as algas verdes, que deram origem às primeiras plantas terrestres. Atraídos pela alimentação vegetal desenvolvida na terra, alguns animais também se empreenderam a conquistar o ambiente terrestre. Eram seres invertebrados e provavelmente insetos e aracnídeos.

Os primeiros vertebrados a surgirem no ambiente terrestre foram os anfíbios, no final do período Devociano, mas, não a conquistaram totalmente, pois sua reprodução ainda dependia do meio aquático. Foram eles que desenvolveram os pulmões (na fase adulta).

No fim do Período Carbonífero, um grupo de anfíbios originou os répteis.

Duas características garantiram o seu sucesso: a fecundação interna e o ovo adaptado ao meio terrestre. Graças a essas características, os répteis sofreram uma enorme irradiação durante a era Mesozóica, espalhando-se por todos os ambientes.

As aves surgiram (essa hipótese é provável) a partir de um grupo de répteis. Algumas espécimes fósseis de um animal denominado Archaeopteryx, que viveu no período Jurássico, têm formas que revelam a transição de répteis para aves.

Os mamíferos evoluíram a partir de uma linhagem primitiva de répteis. Os mamíferos desse período em de formas pequenas e pouco diversificadas, mas tinham algumas vantagens como o sangue quente e a fecundação e desenvolvimento interno, ou seja, ovovivíparos. Após a extinção dos dinossauros, os mamíferos dominaram a Terra. Os primeiros seres humanos vieram a surgir no período Quartenário.

"PROVAS DA EVOLUÇÃO"

Documento fóssil: Essa são as melhores provas de que nosso planeta foi, no passado, habitado por seres diferentes dos existente atualmente; são restos e as impressões deixadas por esses seres em rochas (principalmente sedimentares) em diversas partes do mundo.
Anatomia comparada:
É o fato de que seres diferentes espécies de seres vivos terem semelhanças anatômicas, como por exemplo o homem, a galinha e a baleia. São seres completamente diferentes, mas são compostos pelos mesmos tipos de ossos, a mesma disposição de órgãos e por alguns de tecidos.
Provas bioquímicas:
A semelhanças entre as proteínas de diferentes seres vivo constitui outra evidencia de evolução.

Por exemplo: a hemoglobina do homem é igual a do chimpanzé (mesma sequência de aminoácidos) e vai diferindo à medida que a comparamos com animais cada vez mais afastados evolutivamente.

Fonte: members.fortunecity.com

Evolução dos Seres Vivos

TEORIA DA EVOLUÇÃO DE CHARLES DARWIN

Evolução dos Seres Vivos
Charles Darwin (foto colorida eletronicamente)

As verdadeiras teorias explicativas do mecanismo da Evolução só surgiram após da avaliação da idade da Terra, em cerca de 4 bilhões de anos por oposição á idade considerada desde o tempo de Aristóteles, que era de cerca de 6.000 anos. Este fato permitiu a existência de uma Teoria da Evolução muito lenta, ao longo de incontáveis gerações de indivíduos.

A Teoria da Evolução de CHARLES DARWIN representou um rompimento definitivo na visão antropocêntrica do Universo. Há quase 150 anos, ao tirar o homem do centro da criação divina, ele abriu caminho para a ciência moderna. Ele foi um herói da razão e um inimigo da superstição e da ignorância; suas idéias mudaram a forma de pensar em inúmeros campos de estudo, da Biologia à Antropologia.

Exceção feita à Bíblia, nenhum livro influenciou mais a filosofia do homem moderno quanto "A Origem das Espécies", de Darwin.

Até sua publicação, em 1859, o pensamento científico não oferecia alternativa à visão religiosa; ao contrário, era inseparável dela: o Criador havia estabelecido as leis que regem o Universo e criado todas as formas de vida na Terra num único dia, tal como são hoje, e imutáveis.

A explicação de Darwin para a Teoria da Evolução pela Seção Natural transformou a nossa compreensão do mundo vivo, assim como as idéias de Galileu, Newton e Einstein revolucionaram o nosso entendimento do Universo físico.

Darwin é o único dos grandes nomes que revolucionaram a maneira de se pensar, cujas idéias ainda servem de base sólida para avanços extraordinários do conhecimento. Até a Teoria da Relatividade de Einstein enfrenta os físicos quânticos; Darwin só tem inimigos fora da ciência!

Darwin era um observador tão criterioso e as conclusões que tirou foram tão primorosas que os avanços científicos dos últimos 150 anos só fizeram comprovar o acerto de suas idéias. A Teoria da Evolução pela Seleção Natural de Darwin fundamenta toda a Biologia contemporânea. Ela permite entender fenômenos tão distintos quanto o crescimento da obesidade mundial, a mutação do vírus da gripe, a base fisiológica das relações afetivas, o aquecimento global, decifrar os nossos genes, assim como entender o registro fóssil da Terra e sua rica biodiversidade. Da anatomia dos dinossauros ao capricho microscópico das proteínas que se dobram dentro de nossas células, todos os fenômenos biológicos obedecem à lei da Seleção Natural.

BIOGRAFIA

Charles Robert Darwin (1809 – 1882) foi um naturalista* britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da Evolução e propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da Seleção Natural e sexual. Esta teoria se desenvolveu no que é agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos na Biologia. [O termo naturalista é empregado para se referir a um indivíduo com interesse ou talento em história natural ou ciência natural, também conhecida como naturalismo ou ciências da natureza, entre as quais a botânica, a geografia, a geologia, a meteorologia, a mineralogia e a zoologia].

Darwin era um médico sem vocação, filho de uma família abastada e com enorme interesse na natureza, em 1831, aprendeu bastante de Botânica, Entomologia e Geologia, sendo recomendado para uma expedição científica a bordo do navio cartográfico Beagle, aos 22 anos (um jovem recém-formado ainda planejando uma carreira eclesiástica). Segundo ele mesmo contou mais tarde, teve de aprender que a Terra foi criada às 9 horas do dia 23 de outubro de 4004 a.C.; que todas as espécies animais haviam sido produzidas ao longo dos seis dias da Criação; e que jamais haviam sofrido mudança em suas características originais. A data da criação do mundo havia sido fixada no trabalho conjunto do arcebispo de Armagh, James Ussher, e do eminente estudioso da religião hebraica John Lightfoot, publicado no final do século XVII. Um disparate, sem dúvida, mas na época aceito sem discussões.

Evolução dos Seres Vivos
Miniatura em escala do HMS Beagle

O capitão e a tripulação do HMS Beagle planejaram inicialmente uma viagem de 2 anos ao redor do mundo. Entretanto, a viagem levou quase 5 anos, de dezembro de 1831 a outubro de 1836, durante os quais Darwin forma a sua coleção, acumula observações práticas e modifica os postulados teóricos básicos da ciência biológica da época. O principal propósito da viagem, patrocinada pelo governo britânico, era pesquisar o litoral e mapear os portos da América do Sul, a fim de atualizar os velhos mapas e proteger os interesses ingleses nas Américas.

Darwin aproveitou cada parada do navio para coletar quanto material pudesse rochas, fósseis, aves, insetos e até animais de grande porte, que ele próprio empalhava; era um exímio taxidermista. De cada porto, despachava pacotes e pacotes para Henslow, na Inglaterra, encarregado de cuidar de sua coleção de naturalista. E ainda encontrou tempo para escrever um diário.

Evolução dos Seres Vivos
Em vermelho rota do Beagle

Foi no Brasil que Darwin teve seu primeiro contato com a exuberante Floresta Tropical, em 05/04/1832. Apesar de ter gostado daquele período e ter admirado bastante a paisagem, a flora e a fauna do país, Darwin anotou em seu diário que não sentia amizade pelos brasileiros. Cenas de violências contra escravos que presenciou não apenas no Rio, mas também em Salvador e no Recife, onde o Beagle passou mais tarde para rever cálculos cartográficos, fizeram-lhe "ferver o sangue nas veias".

Em 23 de julho de 1835 ancoraram em Valparaiso, no Chile, onde Darwin fez uma expedição aos Andes, e encontrou fósseis de conchas a mais de 1.000 metros de altitude. Ficou surpreso com o grande número de espécies de plantas e de animais que, até então, eram desconhecidos. Darwin notou que havia uma rica diversidade dos organismos de zona para zona e dentro da mesma espécie, embora pudessem ser notadas semelhanças, talvez devido a uma origem comum, começara a especular!

Evolução dos Seres Vivos
Ilhas Galápagos

Em setembro de 1835, o Beagle chegou às Ilhas Galápagos, onde Darwin constatou a existência de espécies de árvores, tartarugas e aves diferentes em cada ilha. Foi em Galápagos, que Darwin realmente passou a duvidar da imutabilidade das espécies, principalmente após as observações realizadas.

Uma tarde, caminhando pela ilha Charles, surpreendeu-se com a declaração do governador Nicholas Lawson de que seria capaz de dizer exatamente de qual ilha provinha cada uma das inumeráveis tartarugas que encontravam pelo caminho. "Está sugerindo que cada ilha produz seu tipo especial de tartaruga?", perguntou Darwin. O governador não tinha dúvidas, pois há mais de ano aprendera a identificá-las observando as carapaças, com os gomos mais altos ou mais baixos, a espessura, o colorido, o comprimento do pescoço e das pernas Abismado Darwin perguntou se o governador sabia por que isso acontecia. "Só sei o que os meus olhos me dizem", ou como resposta.

Os olhos do próprio Darwin já haviam visto algo parecido, ali mesmo nas ilhas Galápagos. Ele observara que os tentilhões, pequenos pássaros que lá existem aos milhares, tinham bicos diferentes, maiores ou menores, conforme fosse a ilha de origem.

Assim, de observações quase casuais de um leigo, surgiu a idéia que, devida mente ordenada e desenvolvida, produziu uma das mais extraordinárias revoluções na história do conhecimento humano: a teoria da evolução das espécies pela seleção natural. A seleção natural é uma teoria que explica os mecanismos pelos quais se produz a evolução.

Ele acreditou que a razão de existir pequenas diferenças na descendência, tanto das plantas como dos animais, fazem com que certas espécies vivam mais tempo do que outras. No caso das que possuem vida mais longa, estas gerarão mais descendentes, e este fato permitirá o aparecimento gradual de novos tipos de variações.

"As espécies, ao contrário da crença quase universal, não são estáticas e imutáveis, mas se modificam através de longos períodos de tempo, pela seleção natural, permanecendo vivo o mais apto".

Aos 27 anos, regressa à Inglaterra, levando consigo mais de 1.500 espécies diferentes, centenas das quais eram totalmente desconhecidas na Europa. Já era um naturalista estabelecido. Decide dedicar a sua vida à ciência. Em 1842, com a herança paterna, retira-se para uma casa no campo, onde vive consagrado ao estudo até à morte.

A sua viagem de 5 anos a bordo do Beagle e escritos posteriores trouxeram-lhe reconhecimento como geólogo e fama como escritor. Suas observações da natureza levaram-no ao estudo da diversificação das espécies e, em 1838, ao desenvolvimento da teoria da Seleção Natural. Consciente de que outros antes dele tinham sido severamente punidos por sugerir idéias como aquela, ele as confiou apenas a amigos próximos e continuou a sua pesquisa tentando antecipar possíveis objeções, o que lhe permitiu poder ouvir muitas dúvidas e contestações sobre a teoria que vinha desenvolvendo nos últimos 20 anos. Contudo, a informação de que Alfred Russel Wallace tinha desenvolvido uma idéia similar [ao longo de uma expedição à ilha de Ternate, nas Molucas, havia feito observações semelhantes às de Darwin e chegado às mesmas conclusões], o que forçou a publicação conjunta da teoria em 1858 da obra “A Origem das Espécies”, a qual traz dois capítulos inteiros dedicados a rebater dúvidas e contestações. Mesmo assim, o livro foi duramente criticado, sobretudo por adeptos do Criacionismo [ver sub-capítulo abaixo]; foi acusado de heresia e desacreditado por muitos cientistas. Esse livro – assim como o volume “A Origem do Homem e a Seleção Sexual” (“Descent of Man”) – incitaria uma revolução, mas também tornaria Darwin o cientista mais reverenciado e controvertido de sua época.

Alfred Russel Wallace

Evolução dos Seres Vivos
Alfred Russel Wallace

Darwin deve muito ao naturalista inglês Alfred Wallace: na introdução, o autor chega a afirmar que Wallace, em um ensaio anterior ao seu livro, havia chegado a conclusões quase idênticas às suas.

Darwin é tributário também de Jean-Baptiste Lamarck, muitas vezes mal visto nos bancos escolares, mas consagrado por ele como um dos primeiros a chamar a atenção para a origem das espécies.

Jean-Baptiste Lamarck

Evolução dos Seres Vivos
Jean-Baptiste Lamarck

Naturalista francês; estudou o sistema de classificação de Linné e, graças ao seu trabalho sobre os moluscos da Bacia de Paris, desenvolveu uma teoria evolutiva (teoria dos caracteres adquiridos), agora desacreditada. Foi ele que, de fato, introduziu o termo Biologia. Lamarck defendia a geração espontânea contínua das espécies. Em 1809 (ano em que nascia Darwin), ele publicou um livro chamado Filosofia Zoológica, em que explicava a teoria criada por ele, e que ficou conhecida como Lei do Uso e Desuso.

A idéia do Lamarck era simples: ele achava que as mudanças no ambiente faziam os animais e plantas adquirirem novos hábitos, e que esses novos hábitos "criavam" mudanças no organismo deles! Isto é, Lamarck acreditava que, há muito tempo, as girafas tinham o pescoço curto. Só que, como elas habitavam em um lugar que tinha poucas plantas no chão, elas começaram a esticar o pescoço para comer as folhas mais altas. Com essa "esticação", as girafas foram ficando pescoçudas, ou seja, como elas precisavam usar mais o pescoço, essa parte do corpo delas se desenvolveu.

Além disso, Lamarck também achava que, depois que uma girafa desenvolvia um "pescoção", seus filhotes começavam a nascer pescoçudos também: essa era a Lei da Transmissão de Características Adquiridas!

Hoje, sabe-se que os caracteres adquiridos não são transmitidos aos descendentes...

“A Origem das Espécies” (do original, em inglês, “On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life”), de Darwin, causou sensação não somente na Inglaterra, mas no mundo todo. Os políticos faziam discursos, os pastores pregavam sermões, os poetas escreviam poesias. Todos tinham uma opinião. O livro chegou às livrarias no dia 24 de novembro de 1859. Eram 1.250 exemplares de 502 páginas e foram todos vendidos no mesmo dia. A maior biblioteca circulante do país fez da Origem uma seleção; os viajantes liam o livro no trem. O editor de Darwin apressou-se em imprimir outras 3.000 cópias.

No livro “A Origem das Espécies”, Darwin afronta os preceitos bíblicos que permeavam o Criacionismo ao postular que as espécies sofriam mutações lentas e aleatórias e evoluíam em função da luta pela sobrevivência e da seleção natural - os conceitos mais polêmicos de sua teoria. Para desenvolvê-los, o autor adaptou conceitos de Thomas Malthus elaborados no “Ensaio sobre o princípio da população” [obra na qual Malthus afirma que a população cresce em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos aumenta em progressão aritmética].

Thomas Malthus

Evolução dos Seres Vivos
Thomas Malthus

O economista e demógrafo britânico ficou conhecido, sobretudo, pela teoria segundo a qual o crescimento da população tende sempre a superar a produção de alimentos, o que torna necessário o controle da natalidade.

Darwin formula a doutrina evolucionista, segundo a qual as espécies procedem umas das outras por Evolução. Em virtude da Seleção Natural sobrevivem os indivíduos e as espécies melhor adaptados. Estas idéias revolucionam as concepções biológicas da sua época, e se tornaram a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza. Ele ingressou na Royal Society e continuou a sua pesquisa, escrevendo uma série de livros sobre plantas e animais, incluindo a espécie humana, notavelmente "A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo" (The Descent of Man, and Selection in Relation to Sex, 1871) e "A Expressão da Emoção em Homens e Animais" (The Expression of the Emotions in Man and Animals, 1872).

HOMEM E O CHIMPANZÉ

Evolução dos Seres Vivos
Darwin enfrentou severas críticas por parte de religiosos

Em 1881, Charles Darwin afirmou ser o chimpanzé, um símio (macaco) africano, o nosso parente mais próximo no reino animal. Graças ao desenvolvimento da genética, em 1984, os cientistas tiveram a prova de que Darwin tinha razão. Através do estudo do DNA, a molécula nas células de todos os seres vivos que armazena o código hereditário, consegue-se mensurar o grau de parentesco entre as espécies. Assim, sabe-se desde 1994 que os genomas* de homens e chimpanzés são 98,4% idênticos (os poderes da fala e da razão estão concentrados em 1,6% restantes). Graças a uma técnica especial, a do chamado "relógio molecular", eles deduziram que o nosso último antepassado comum viveu numa época compreendida entre 9 e 7 milhões de anos atrás. O gene dos gorilas, por sua vez, é 2,3% diferente do nosso, e sua separação do ancestral comum de homens e chimpanzés ocorreu há dez milhões de anos.

O ELO PERDIDO

Ainda não se identificou quem foi esse ancestral comum. Seus ossos ainda não foram achados.

Mas há uma profusão de fósseis de seus descendentes compondo uma escada evolucionária que chega até nós. A personagem mais célebre dessa galeria é Lucy, a fêmea de Australopitecus afarensis, espécie de hominídeo que viveu há 3,5 milhões de anos, na África, e já andava em pé. Existem na África e Ásia restos de Homo erectus, os primeiros ancestrais do homem a usar pedras como ferramentas, há 2 milhões de anos. Há por fim os Neanderthais, seres maiores e mais fortes que nós, que habitaram a Europa e a Ásia entre 200 mil anos e 40 mil anos atrás.

Apesar de possuírem uma caixa craniana maior que a nossa, faltava alguma coisa muito importante para torná-los humanos, provavelmente a fala. Essa é atributo dos Homo sapiens, que evoluíram na África há pouco mais de 100 mil anos. De lá saíram para povoar o planeta.

Evolução dos Seres Vivos

Se fôssemos comprimir os 4.6 bilhões de anos da Terra no espaço de um ano, o homem teria surgido apenas em 31 de dezembro, às 23:49 hs.

Assim, após 54 milhões de anos, surgiu algo parecido com um primata.

Desse primata, dois troncos se derivaram: o dos homens e o dos macacos. a mais ou menos 200 mil anos surgiu o Homo sapiens.

Apesar da campanha severa que a Igreja fez contra suas idéias, em reconhecimento à importância do seu trabalho acabou sepultado na abadia de Westminster, próximo a Charles Lyell, William Herschel e Isaac, em 19 de abril de 1882, aos 73 anos.

Depois do enterro, seu filho William comentou: "Você pode imaginar que conversas deliciosas o pai e Sir Isaac vão ter de noite, depois que a abadia fechar e tudo ficar quieto?".

Thomas Huxley (avô de Aldous Huxley escritor inglês, famoso por sua obra “Admirável Mundo Novo”) - considerado na época o melhor geólogo, o melhor botânico e o melhor zoólogo da Inglaterra - se estabeleceu como o "cão de guarda de Darwin" – o mais veemente defensor da teoria evolutiva no palco Vitoriano - sem sua forte advocacia pública o Darwinismo poderia ter morrido desapercebido. O próprio Darwin pouco apareceu, mas Huxley envolveu-se em discussões públicas que se tornaram célebres.

Conta-se que em 1860, diante de setecentos estudantes que lotavam o auditório da Sociedade Britânica para o Progresso da Ciência, em Oxford, tendo sido questionado por Wilberforce se ele descendia de macacos por parte de pai ou de mãe, Huxley murmurou: "O Senhor o deixou em minhas mãos" e respondeu que "preferia ser descendente de um macaco que de um homem educado que usava sua cultura e eloquência a serviço do preconceito e da mentira". Logo se espalhou pelo país a história de que Huxley teria dito que preferia ser um macaco a um bispo.

O PROCESSO EVOLUTIVO

Darwin jamais usou a palavra “evolução”, que logo passou a caracterizar e dar nome à sua teoria.

O que é a Evolução?

A palavra provém do Latim evolutio, significando "desabrochamento". É o processo através no qual ocorrem as mudanças ou transformações nos seres vivos ao longo do tempo, dando origem a espécies novas.

A Teoria da Evolução que atualmente domina é chamada de Síntese Moderna, referindo-se à síntese da Teoria da Evolução de Darwin pela Seleção Natural com a teoria genética de Gregor Mendel

Gregor Mendel

Evolução dos Seres Vivos
Gregor Mendel

Gregor Mendel, criador póstumo da Genética. Estudou a herança das características das ervilheiras desta forma as leis básicas da hereditariedade que é o caráter transmitido por herança

Que as espécies evoluíram a partir de outras espécies, é considerado por 99,99% da comunidade científica como um fato científico. Como as espécies evoluíram é o que se espera que a teoria da evolução explique.

Os ancestrais das girafas, de acordo com o documentário fóssil, tinham pescoço mais curto. O comprimento do pescoço variava entre os indivíduos das antigas populações de girafas. Essa variação era de natureza hereditária. Indivíduos com pescoço mais longo alcançavam o alimento dos ramos mais altos das árvores.

Por isso, tinham mais chance de sobreviver e deixar descendentes. É obvio que a mortalidade seria maior entre os indivíduos menos adaptados ao meio, pelo processo de escolha ou "Seleção Natural" – uma escolha efetuada pelo meio ambiente. O tamanho do pescoço dos ancestrais da girafa variava levemente. Alguns eram compridos e outros, mais curtos. Os animais de pescoço longo alcançavam as folhas mais altas das árvores e levavam vantagem para se alimentar, por isso, tinham mais chances de sobreviver, restando apenas as girafas que melhor se adaptaram ao ambiente. Com o tempo, os animais de pescoço curto desaparecem e só sobraram as girafas de pescoço longo, do jeito que conhecemos hoje. A Seleção Natural, privilegiando os indivíduos de pescoço mais comprido durante milhares de gerações, é responsável pelo pescoço longo das girafas atuais.

Em uma explicação mais detalhada da "Seleção Natural", note que esse processo pressupõe a existência de variabilidade entre organismos de uma mesma espécie (variabilidade entre as girafas). As mutações e a recombinação gênica são as duas importantes fontes de variabilidade. Essa variabilidade pode permitir que os indivíduos se adaptem ao ambiente.

A seleção natural age quer favorecendo os possuidores de uma dada característica que proporcione uma melhor adaptação ao meio, quer eliminando os indivíduos cujas características os coloquem em desvantagem nesse meio, como no conhecido caso das borboletas Biston betularia em Inglaterra, durante a revolução industrial.

Reconstituir as razões destas mudanças é o aspecto mais fascinante do trabalho dos paleontólogos, os cientistas que estudam as nossas origens... [Paleontologia é o estudo da vida passada, baseado no registro fóssil e suas relações com os diferentes períodos de tempo geológicos].

No século XVIII, o estudo dos fósseis revelou a presença de espécies, distintas em cada estrato geológico, que não existiam na atualidade, contrariando a imutabilidade defendida pelo fixismo. O registro fóssil é uma fonte importante para cientistas na investigação da história evolucionária dos organismos. Entretanto, devido a limitações inerentes ao registro fóssil, não existe uma boa sequência de formas intermediárias entre grupos relacionados de espécies. Essa falta de uma sequência contínua de fósseis (de espécies para espécies) no registro é uma grande limitação na investigação da descendência de grupos biológicos. Além disso existem lacunas entre certas linhagens evolutivas. Os fósseis que “tapariam” as lacunas são frequentemente chamados de “elos perdidos”. Esses elos perdidos são esporadicamente encontrados em escavações paleontológicas gradativamente melhorando o registro fóssil.

Os seres humanos evoluíram exatamente como todas as outras espécies. Nós, humanos modernos, somos os únicos descendentes remanescentes de uma antiga e variada família de primatas chamada hominídeos. Todos os outros hominídeos estão atualmente extintos. Análises de DNA humano sugerem que todos os seres humanos modernos são descendentes de pessoas que viveram na África entre 100.000 e 150.000 anos atrás. Estudos adicionais prometem revelar até mais detalhes de nossa rica história.

A Seleção Natural não implica em alguma forma de melhoria "absoluta", rumo a uma perfeição ideal, mas é meramente o resultado do acúmulo de características hereditárias que ao longo do tempo, em dado momento da história das linhagens, foram relativamente vantajosas aos seus portadores em seus respectivos ambientes.

Aparentemente a diversidade é a regra no mundo biológico, sendo, até ao final do século XIX, considerada a sua característica principal. Os biólogos calculam que existam, atualmente, entre 30 a 50 milhões de espécies, das quais apenas 2 milhões foram descritas e denominadas.

A partir do início do século XX os estudos bioquímicos fizeram ressaltar as semelhanças estruturais e fisiológicas dos indivíduos.

Hoje verificamos que a maioria dessas semelhanças – tanto na estrutura física quanto no desenvolvimento embrionário – são expressões de DNA compartilhado: o resultado de uma ancestralidade comum [A ciência que estuda os ancestrais das espécies é a filogenia].

Comparações da sequência genética de organismos revelou que os organismos que são filogenicamente mais próximos tem um grau maior de similaridades em sua sequência genética do que organismos que estão mais filogenicamente distantes. Cientistas dos dias de hoje agora podem responder questões sobre o mundo natural de maneiras que Darwin nunca pôde. Novas ferramentas e tecnologias, como análises de DNA, podem revelar relações não esperadas entre grupos aparentemente distintos.

Métodos acurados de datação de fósseis mostram que a Evolução ocorre em taxas variáveis e que nem sempre é gradual. Estudos sofisticados de populações selvagens fornecem percepções de como novas espécies são formadas.

A evolução não tem um único cronograma. Às vezes, novas espécies ou variedades surgem em questão de anos ou até mesmo dias. Outras vezes, espécies se mantêm estáveis durante longos períodos, apresentando pouca ou nenhuma mudança evolutiva. Entretanto, as características dos organismos que se reproduzem em poucas horas, como as bactérias, podem potencialmente evoluir muito mais depressa do que em organismos cujas gerações são medidas em meses ou anos, como os cavalos.

A evolução às vezes pega atalhos. Um dos mais produtivos é a simbiose, em que duas espécies não relacionadas passam a viver juntas, normalmente em benefício mútuo. Ela ocorre entre plantas, entre animais, entre plantas e animais, e, talvez, até entre animais e sistemas inorgânicos.

"A evolução não é mais uma teoria, como prova o Projeto Genoma" (Sérgio Danilo Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais).

ANTEPASSADOS DO HOMEM

A ordem mostrada abaixo não significa uma ancestralidade direta, mas mostra quais foram os ancestrais do homem moderno.

Australopithecus anamensis

Andava ereto, Seus fósseis foram localizados no Quênia. Bípede, o corpo já não seria mais adaptado à vida nas árvores. (4,8 - 3,8 milhões de anos)

Evolução dos Seres Vivos
Australopithecus anamensis

Australopithecus afarensis

Batizado como Lucy, em homenagem à música dos Beatles, é o mais famoso dos hominídeos. Foi achado na Etiópia. Mais hábeis no caminhar sobre dois pés. (3,9 - 2,9 milhões de anos)

Evolução dos Seres Vivos
Australopithecus afarensis

Australopithecus africanus - Australopithecus Africanus

Robusto e com uma poderosa dentadura, este hominídeo da África do Sul se alimentava de grãos (3 - 2 milhões de anos)

Evolução dos Seres Vivos
Australopithecus africanus - Australopithecus Africanus

Homo habilis

Evolução dos Seres Vivos
Homo habilis

Seus restos procedem da Tanzânia e do Quênia. Desenvolveu as primeiras ferramentas. Provavelmente tinha capacidade de fala rudimentar e produzia instrumentos. 2,4 milhões a 1,5 milhões.

Australopithecus robustus

Evolução dos Seres Vivos
Australopithecus robustus

Encontrado na África do Sul, tinha mãos cujo formato permitia a construção de ferramentas. (2,5 - 1 milhão de anos)

Homo erectus

Evolução dos Seres Vivos
Homo erectus

Muito mais evoluído que os australopitecos, migrou do berço africano para outras regiões. Dominou o uso do fogo, fabricava ferramentas e vivia em cavernas. Há indícios de que já era capaz de dominar o fogo e seus instrumentos de pedra eram mais sofisticados que os dos habilis. 1,8 milhões a 300 mil anos atrás.

Homo neanderthalensis (600 - 30 mil anos)

Evolução dos Seres Vivos
Homo neanderthalensis (600 - 30 mil anos)

Conviveu por milhares de anos com o Homo sapiens moderno. Fóssil achado em Portugal sugere que as duas espécies chegaram a se cruzar. Foi extinto na última idade do gelo. O homem de Neanderthal teria divergido da linha que levou ao homem moderno entre 600 mil e 500 mil anos atrás.

Evolução dos Seres Vivos
Homo sapiens (arcaico)

De cérebro grande, é o ancestral mais próximo dos atuais seres humanos. Viveu principalmente na Europa e na Ásia, há cerca de 500.000 anos. Foi, talvez, o primeiro a sepultar os mortos.

Homo sapiens sapiens

Desde 120 mil anos. Utilização de instrumentos feitos de ossos e chifres e produção artística no interior das cavernas. A civilização começou há cerca de 10.000 anos, com o fim da última idade do gelo e o início da agricultura. As primeiras cidades surgiram há 5.00 anos.

Evolução dos Seres Vivos
Homo sapiens sapiens

Os antepassados humanos de 4 milhões de anos atrás apresentam um grande dimorfismo sexual. Os machos eram duas vezes maiores que as fêmeas. Só a partir de 1,8 milhões de anos a diferença de estatura entre os sexos se tornou insignificante.

CONCLUSÃO

A importância da obra científica de Darwin é definida em quatro pontos pelo antropólogo:

Primeiro, ele viu o mundo vivo como mutável, e não estático, como se acreditava em seu tempo;
Segundo
, propôs a idéia da descendência comum para os membros da mesma espécie (por isso nunca disse, como se acredita erroneamente, que o homem descende do macaco; homens e macacos são ramos diferentes de uma mesma espécie, os mamíferos, que têm, todos, um ancestral comum);
Terceiro
, ele acreditava que o processo de mutação era lento e gradual (hoje há cientistas questionando essa idéia, dadas as descobertas de evidência do surgimento de novas espécies quase que de repente);
Quarto
, estabeleceu que o mecanismo da mudança era a seleção natural.

Fonte: br.geocities.com

Evolução dos Seres Vivos

O que é a evolução?

Evolução é o processo através no qual ocorrem as mudanças ou transformações nos seres vivos ao longo do tempo, dando origem a espécies novas.

Evidências da evolução

A evolução tem suas bases fortemente corroboradas pelo estudo comparativo dos organismos, sejam fósseis ou atuais. Os tópicos mais importantes desse estudo serão apresentados de forma resumida.

Homologia e analogia

Por homologia entende-se semelhança entre estruturas de diferentes organismos, devida unicamente a uma mesma origem embriológica. As estruturas homólogicas podem exercer ou não a mesma função.

O braço do homem, a pata do cavalo, a asa do morcego e a nadadeira da baleia são estruturas homólogicas entre si, pois todas têm a mesma origem embriológica. Nesses casos, não há similaridade funcional.

Ao analisar, entretanto, a asa do morcego e a asa da ave, verifica-se que ambas têm a mesma origem embriológica e estão, ainda associadas á mesma função.

A homologia entre estruturas de 2 organismos diferentes sugere que eles se originaram de um grupo ancestral comum, embora não indique um grau de proximidade comum, partem várias linhas evolutivas que originaram várias espécies diferentes, fala-se em irradiação adaptava.

Homologia

Mesma origem embriológica de estruturas de diferentes organismos, sendo que essas estruturas podem ter ou não a mesma função. As estruturas homólogas sugerem ancestralidade comum.

A analogia refere-se à semelhança morfológica entre estruturas, em função de adaptação à execução da mesma função.

As asas dos insetos e das aves são estruturas diferentes quanto à origem embriológica, mas ambas estão adaptadas à execução de uma mesma função: o vôo. São , portanto, estruturas análogas.

As estruturas análogas não refletem por si sós qualquer grau de parentesco. Elas fornecem indícios da adaptação de estruturas de diferentes organismos a uma mesma variável ecológica. Quando organismos não intimamente aparentados apresentam estruturas semelhantes exercendo a mesma função, dizemos que eles sofreram evolução convergente.

Ao contrário da irradiação adaptativa ( caracterizada pela diferenciação de organismos a partir de um ancestral comum. dando origem a vários grupos diferentes adaptados a explorar ambientes diferentes.) a evolução convergente ou convergência evolutiva é caracterizada pela adaptação de diferentes organismos a uma condição ecológica igual. assim, as formas do corpo do golfinho, dos peixes, especialmente tubarões, e de um réptil fóssil chamado ictiossauro são bastante semelhantes, adaptadas à natação. Neste caso, a semelhança não é sinal de parentesco, mas resultado da adaptação desses organismos ao ambiente aquático.

Analogia: semelhança entre estruturas de diferentes organismos, devida unicamente à adaptação a uma mesma função. São consideradas resultado da evolução convergente.

Órgãos vestigiais

Órgãos vestigiais são aqueles que, em alguns organismos, encontram-se com tamanho reduzido e geralmente sem função, mas em outros organismos são maiores e exercem função definitiva. A importância evolutiva desses órgãos vestiginais é a indicação de uma ancestralidade comum.

Um exemplo bem conhecido de órgão vestigial no homem é o apêndice vermiforme , estrutura pequena e sem função que parte do ceco ( estrutura localizada no ponto onde o intestino delgado liga-se ao grosso).

Nos mamíferos roedores, o ceco é uma estrutura bem desenvolvida, na qual o alimento parcialmente digerido á armazenado e a celulose, abundante nos vegetais ingeridos, é degradada pela ação de bactérias especializadas. Em alguns desses animais o ceco é uma bolsa contínua e em outros, como o coelho, apresenta extremidade final mais estreita, denominada apêndice. que corresponde ao apêndice vermiforme humano.

Embriologia comparada

O estudo comparado da embriologia de diversos vertebrados mostra a grande semelhança de padrão de desenvolvimento inicial. À medida que o embrião se desenvolve, surgem características individualizantes e as semelhanças diminuem. Essa semelhança também foi verificada no desenvolvimento embrionário de todos animais metazoários. Nesse caso, entretanto, quando mais diferentes são os organismos, menor é o período embrionário comum entre eles.

Estudo dos fósseis

É considerado fóssil qualquer indício da presença de organismos que viveram em tempos remotos da Terra. As partes duras do corpo dos organismos são aquelas mais frequentemente conservadas nos processos de fossilização, mas existem casos em que a parte mole do corpo também é preservada.

Dentre estes podemos citar os fosseis congelados, como, por exemplo, o mamute encontrado na Sibéria do norte e os fosseis de insetos encontrados em âmbar.

Neste último caso, os insetos que penetravam na resina pegajosa, eliminada pelos pinheiros, morriam, A resina endurecia, transformando-se em âmbar. , e o inseto aí contido era preservado nos detalhes de sua estrutura.

Também são consideradas fósseis impressões deixadas por organismos que viveram em eras passadas, como , por exemplo, pegadas de animais extintos e impressões de folhas, de penas de aves extintas e da superfície da pele dos dinossauros.

A importância do estudo dos fósseis para a evolução está na possibilidade de conhecermos organismos que viveram na Terra em tempos remotos, sob condições ambientais distintas das encontradas atualmente, e que podem fornecer indícios de parentesco com as espécies atuais. Por isso, os fósseis são considerados importantes testemunhos da evolução.

As Teorias evolutivas

Várias teorias evolutivas surgiram, destacando-se , entre elas, as teorias de Lamarck e de Darwin. Atualmente, foi formulada a Teoria sintética da evolução, também denominada Neodarwinismo, que incorpora os conceitos modernos da genética ás idéias essenciais de Darwin sobre seleção natural.

A teoria de Lamarck

Jean-Baptiste Lamarck ( 1744-1829 ), naturalista francês, foi o primeiro cientista a propor uma teoria sistemática da evolução. Sua teoria foi publicada em 1809, em um livro denominado Filosofia zoológica.

Segundo Lamarck, o principio evolutivo estaria baseado em duas Leis fundamentais:

Lei do uso ou desuso: o uso de determinadas partes do corpo do organismo faz com que estas se desenvolvam, e o desuso faz com que se atrofiem.
Lei da transmissão dos caracteres adquiridos:
alterações provocadas em determinadas características do organismo, pelo uso e desuso, são transmitidas aos descendentes.

Lamarck utilizou vários exemplos para explicar sua teoria. Segundo ele, as aves aquáticas tornaram-se pernaltas devido ao esforço que faziam no sentido de esticar as pernas para evitarem molhar as penas durante a locomoção na água. A cada geração, esse esforço produzia aves com pernas mais altas, que transmitiam essa característica à geração seguinte. Após várias gerações, teriam sido originadas as atuais aves pernaltas.

A teoria de Lamarck não é aceita atualmente, pois suas idéias apresentam um erro básico: as características adquiridas não são hereditárias.

Verificou-se que as alterações em células somáticas dos indivíduos não alteram as informações genéticas contida nas células germinativas, não sendo, dessa forma, hereditárias.

A teoria de Darwin

Charles Darwin ( 1809-1882 ), naturalista inglês, desenvolveu uma teoria evolutiva que é a base da moderna teoria sintética: a teoria da seleção natural. Segundo Darwin, os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados, deixando um número maior de descendentes. Os organismos mais bem adaptados são, portanto, selecionados para aquele ambiente.

Os princípios básicos das idéias de Darwin podem ser resumidos no seguinte modo:

Os indivíduos de uma mesma espécie apresentam variações em todos os caracteres, não sendo, portanto, indenticos entre si.

Todo organismo tem grande capacidade de reprodução, produzindo muitos descendentes. Entretanto, apenas alguns dos descendentes chegam à idade adulta.

O número de indivíduos de uma espécie é mantido mais ou menos constante ao longo das gerações.

Assim, há grande "luta" pela vida entre os descendentes, pois apesar de nascerem muitos indivíduos poucos atingem a maturalidade, o que mantém constante o número de indivíduos na espécie.

Na "luta" pela vida, organismos com variações favoráveis ás condições do ambiente onde vivem têm maiores chances de sobreviver, quando comparados aos organismos com variações menos favoráveis.

Os organismos com essas variações vantajosas têm maiores chances de deixar descendentes. Como há transmissão de caracteres de pais para filhos, estes apresentam essas variações vantajosas.

Assim , ao longo das gerações, a atuação da seleção natural sobre os indivíduos mantém ou melhora o grau de adaptação destes ao meio.

A teoria sintética da evolução

A Teoria sintética da evolução ou Neodarwinismo foi formulada por vários pesquisadores durante anos de estudos, tomando como essência as noções de Darwin sobre a seleção natural e incorporando noções atuais de genética.

A mais importante contribuição individual da Genética, extraída dos trabalhos de Mendel, substituiu o conceito antigo de herança através da mistura de sangue pelo conceito de herança através de partículas: os genes.

A teoria sintética considera, conforme Darwin já havia feito, a população como unidade evolutiva. A população pode ser definida como grupamento de indivíduos de uma mesma espécie que ocorrem em uma mesma área geográfica, em um mesmo intervalo de tempo.

Para melhor compreender esta definição , é importante conhecer o conceito biológico de espécie: agrupamento de populações naturais, real ou potencialmente intercruzantes e reprodutivamente isolados de outros grupos de organismos.

Quando, nesta definição, se diz potencialmente intercruzantes, significa que uma espécie pode ter populações que não cruzem naturalmente por estarem geograficamente separadas. Entretanto, colocadas artificialmente em contato, haverá cruzamento entre os indivíduos, com descendentes férteis. Por isso, são potencialmente intercruzantes.

A definição biológica de espécie só é valida para organismos com reprodução sexuada, já que, no caso dos organismos com reprodução sexuada, já que, no caso dos organismos com reprodução assexuada, as semelhanças entre características morfológicas é que definem os agrupamentos em espécies.

Observando as diferentes populações de indivíduos com reprodução sexuada, pode-se notar que não existe um indivíduo igual ao outro. Execeções a essa regra poderiam ser os gêmeos univitelínicos, mas mesmo eles não são absolutamente idênticos, apesar de o patrimônio genético inicial ser o mesmo. Isso porque podem ocorrer alterações somáticas devidas á ação do meio.

A enorme diversidade de fenótipos em uma população é indicadora da variabilidade genética dessa população, podendo-se notar que esta é geralmente muito ampla.

A compeensão da variabilidade genética e fenotípica dos indivíduos de uma população é fundamental para o estudo dos fenômenos evolutivos, uma vez que a evolução é, na realidade, a transformação estatística de populações ao longo do tempo, ou ainda, alterações na frequência dos genes dessa população. Os fatores que determinam alterações na frequência dos genes são denominados fatores evolutivos. Cada população apresenta um conjunto gênico, que sujeito a fatores evolutivos , pode ser alterado.

O conjunto gênico de uma população é o conjunto de todos os genes presentes nessa população. Assim , quanto maior é a variabilidade genética.

Os fatores evolutivos que atuam sobre o conjunto gênico da população podem ser reunidos duas categorias:

Fatores que tendem a aumentar a variabilidade genética da população: mutação gênica, mutação cromossônica , recombinação
Fatores que atuam sobre a variabilidade genética jás estabelecida:
seleção natural, migração e oscilação genética.

A integração desses fatores associada ao isolamento geográfico pode levar, ao longo do tempo, ao desenvolvimento de mecanismos de isolamento reprodutivo, quando, então, surgem novas espécies.

Fonte: www.biologia-ar.hpg.ig.com.br

Evolução dos Seres Vivos

Teoria Sintética da Evolução

A teoria sintética da evolução apóia-se na análise dos seguintes fatores evolutivos: mutação , recombinação, seleção natural, migração e oscilação genética.

Mutação gênica

As mutações gênicas originam-se de alterações na sequência de bases nitrogenadas de um determinado gene, durante a duplicação da molécula de DNA. Essa alteração pode ser devida a perda, adição ou substituição nucleotídeos , originando um gene capaz de codificar outra proteína.

As mutações gênicas são consideradas as fontes primárias da variabilidade, pois aumentam o número de alelos disponíveis em um locus, condição que incrementa o conjunto gênico da população . Embora ocorram espontaneamente , podem , no entanto ser provocadas por agentes mutagênicos , como radiações e certas substâncias químicas ( LSD, por exemplo).

As mutações ocorrem ao acaso, de modo que não é possível prever o gene a ser mutado nem relacionar a existência de mutação com a adaptabilidade às condições ambientais. As mutações não ocorrem para adaptar o indivíduo ao ambiente ; elas ocorrem ao acaso e, por seleção natural, São mantidas quando são adaptativas ( seleção positiva ) ou eliminadas no caso contrário ( seleção negativa).

As mutações podem ocorrer em células somáticas ou em células germinativas sendo, neste último caso, de fundamental importância para a evolução , pois são transmitidas aos descendentes.

Recobinação genética

Enquanto a mutação gênica é a fonte primária da variação genética, pois através dela é que são formados genes "novos" , a recombinação é um mecanismo que reorganiza os genes já existentes nos cromossomos.

O mecanismo primário de recombinação genética é a reprodução sexuada, que se realiza em duas fases consecutivas:

Gametogênese ( formação de gametas)
Fecundação ( união do gameta masculino com feminino).

Durante a gametogênese , a célula germintiva diplóide sofre meiose, produzindo quatro gametas - células haplóides que contêm um cromossomo de cada par de homólogos. Como se sabe , os cromossomos segregam-se independentemente, o que possibilita grande número de combinações entre os cromossomos , dando origem a várias tipos de gametas. O número de tipos diferentes de gametas produzidos por um indivíduo diplóide é dado por 2n, onde n = lote haplóide de cromossomos.

Na espécie humana , em que n = 23 ( 23 pares de cromossomos), o número de gametas diferentes produzidos por um indivíduo é 223 =8388602, número válido tanto para o homem quanto para a mulher . O número de encontros possíveis entre esses gametas na fecundação é (8388602) 2, cujo valor aproximado é de 70 trilhões de zigotos possíveis . Dessa forma, a probabilidade de dois irmãos serem iguais é praticamente nula.

Todas as considerações feitas até agora não incluíram a ocorrência de crossing-over, que aumenta a variabilidade genotípica uma vez que estabelece novas combinações entre os genes e aumenta o número de tipos diferentes de gametas.

Formados os gametas pode ocorrer:

Fecundação cruzada : união entre gametas de indivíduos diferentes, mas da mesma espécie.
Autofecundação:
união entre gametas masculinos e femininos produzidos pelo mesmo indivíduo.

Populações de indivíduos que apresentam fecundação cruzada têm maiores possibilidades de aumentar a variabilidade genética sem adição de genes novos ( por mutação , por exemplo) do que populações de indivíduos com autofecundação.

A variabilidade genética é importantes pra a sobrevivência da espécie. Nesse sentido , até bissexuados desenvolveram , ao longo de sua evolução , vários mecanismos que dificultam a autofecundação e favorecem a fecundação cruzada , possibilitando desse modo , aumento na variabilidade > Através da recombinação genética uma população pode aumentar sua variabilidade genética sem adição de genes novos, produzindo por mutação ou por imigração de indivíduos de outras populações.

Seleção natural

A seleção natural é o principal fator evolutivo que atua sobre a variabilidade genética da população. Pode-se dizer , simplificadamente, que a evolução é o resultado da atuação da seleção natural sobre a variabilidade genética de uma população.

A ação da seleção natural consiste em selecionar genótipos mais bem adaptados a uma determinada condição ecológica, eliminando aqueles desvantajosos para essa mesma condição.

A expressão mais bem adaptado refere-se à maior probabilidade de, em um determinado ambiente, um determinado indivíduo deixar descendentes. Os indivíduos mais bem adaptados a um ambiente têm chance maior de sobreviver e de deixar descendentes.

A seleção natural tende, portanto, a diminuir a variabilidade genética. Desse modo, quanto mais intensa for a seleção natural sobre uma determinada população, menor será a sua variabilidade, pois apenas alguns genótipos serão selecionados.

A seleção natural atua permanentemente sobre todas as populações . Mesmo em ambientes estáveis e constantes, a seleção natural, que age de modo estabilizador, está presente, eliminando os fenótipos desviantes.

Melanismo industrial

O Melanismo industrial é um fenômeno observado em regiões altamente industrializadas. É caracterizado pelo aumento da frequência gênica de indivíduos com coloração escura; por isso o termo Melanismo. Um exemplo clássico de melanismo industrial é o da mariposa Biston betularia, em regiões industrializadas da Inglaterra.

Antes do incremento da industrialização, a maioria das mariposas apresentava coloração esbranquiçada, sendo raras as de coloração escura. Os indivíduos dessa espécie têm o hábito de pousar sobre troncos de árvores que, em locais não poluídos, são cobertos por liquens, os quais dão ao tronco coloração clara. Nesses locais, ao pousar sobre os troncos cobertos por liquens, as mariposas claras não são tão visíveis quanto as mariposas escuras, que se tornam, assim, presas fáceis de seus predadores- os pássaros.

Com o incremento da industrialização, a fumaça e a fuligem lançadas pelas fábricas provocam a morte dos liquens, deixando os troncos das árvores expostos.

Dessa forma, o substrato utilizado pelas mariposas para pouso adquiriu coloração escura e, com isso, as mariposas claras tornaram-se mais visíveis que as escuras. Com o tempo, a forma escura começou a predominar sobre a clara, devido à atuação de seleção natural.

Como pode ser observado nesse exemplo, a alteração gradativa de uma condição ambiental determinou alteração na frequência gênica de uma população em um determinado sentido, como resposta à seleção natural.

Resistência a antibióticos ou a inseticidas

A resistência de bactérias a antibióticos e de insetos a inseticidas tem aumentado muito nos últimos anos, havendo sempre a necessidade de se desenvolverem novos antibióticos e novos inseticidas.

A resistência a esses produtos ocorre do seguinte modo: os indivíduos estão adaptados a uma determinada condição ambiental; se introduzirmos no meio uma certa quantidade de determinado antibiótico ou de inseticida, haverá grande mortalidade de indivíduos, mas alguns poucos, que já apresentavam mutações que lhes conferiam resistência a essas substâncias, sobreviverão. Estes, por sua vez, ao se reproduzir, originarão indivíduos com características que se distribuem em torno de um outro tipo médio.

Se estes indivíduos forem submetidos a doses mais altas das substâncias em questão, novamente haverá alta mortalidade e sobreviverão apenas aqueles que já tiverem condições genéticas de resistir a doses mais altas de droga, podendo-se observar um deslocamento da média dascaracterísticas no sentido da maior resistência a uma determinada substância.

Anemia falciforme ou siclemia

A Anemia falciforme ou siclemia é uma anomalia que ocorre na espécie humana, determinada por um gene letal em dose dupla. Esse gene condiciona a formação de moléculas anormais de hemoglobina. Essas hemoglobinas "anormais" têm pouca capacidade de transporte de oxigênio e, devido a isso, as hemácias que as contêm adquirem o formato de foice quando a concentração de oxigênio diminui. Por essa razão são chamadas hemácias falciformes.

Entre o gene para siclemia e o seu alelo que determina a síntese de hemoglobinas normais, não há relação de dominância.

Os indivíduos heterozigotos apresentam tanto hemácias e hemoglobinas normais como hemácias falciformes: apesar de ligeiramente anêmicos, sobrevivem, embora com menor viabilidade em relação aos homozigotos normais.

Em condições ambientais normais, o gene para anemia falciforme sofre forte efeito seletivo negativo, ocorrendo com frequência baixa nas populações. Observaram-se, entretanto, altas frequências desse gene em extensas regiões da África, onde há grande incidência de malária.

Essa alta frequência deve-se ao fato de que os heterozigotos para anemia falciforme são mais resistentes à malária. Os "homozigotos normais" correm alto risco de morte por malária e os "homozigotos para a anomalia" morrem de anemia. O heterozigoto, entretanto, apresenta, sob essas condições ambientais, superioridade adaptativa, propiciando a alta taxa de um gene letal na população.

Migração

Migração corresponde à entrada ou saída de indivíduos denomina-se imigração e a saída, emigração.

Através dos processos imigratórios, há possibilidade de serem introduzidos genes novos em uma população. Assim, se indivíduos emigrarem de uma população para a outra da mesma espécie, poderão introduzir ali genes novos e contribuir para o aumento da variabilidade genotípica da população para a qual imigraram.

Através das migrações é estabelecido um fluxo gênico, que tende a diminuir as diferenças genéticas entre as populações de uma mesma espécie.

Oscilação genética ou deriva genética

Este processo ocorre apenas em populações pequenas. Nestas, qualquer alteração ao acaso pode produzir alterações na frequência genotípica, o que não ocorre em populações grandes. Assim, os desvios estatísticos adquirem importância especial quando se verificam em populações pequenas, pois podem até mesmo eliminar determinados genótipos.

Um caso particular de oscilação genética é o princípio do fundador, que se refere ao estabelecimento de uma nova população a partir de poucos indivíduos que emigram da população original. Esse indivíduos serão portadores de pequena fração da variação genética da população de origem e seus descendentes apresentarão apenas essa variabilidade, até que genes novos ocorram por mutação. O princípio do fundador determinar, assim, uniformemente genética e fenotípica. Além disso, essa pequena população sofrerá os efeitos dos vários fatores evolutivos já discutidos, podendo originar indivíduos diferentemente adaptados.

O estabelecimento de populações pelo princípio do fundador parece ser um dos métodos mais comuns de dispersão de inúmeras espécies de animais e de plantas.

Fonte: www.biologia-ar.hpg.ig.com.br

Evolução dos Seres Vivos

Teoria Sintética da Evolução

A Segunda Revolução Darwiniana

O avanço da ciência raramente é constante e regular. Tal avanço, entretanto, não pode ser descrito nos termos de Thomas Khun, como uma série de revoluções separadas por longos períodos de ciência normal.

Preferivelmente, quando estudamos disciplinas científicas particulares, observamos grandes irregularidades: algumas teorias tornam-se da moda, outras malogram; alguns campos gozam de considerável consenso entre seus pesquisadores, outros campos são divididos em vários, com rixas calorosas entre eles. Esta último caso se aplica muito bem a biologia evolutiva do período entre 1859 e 1940.

A oposição à seleção natural continuou inabalada por mais uns oito anos após a publicação da Origem. Salvo uns poucos naturalistas, dificilmente havia um único biólogo, muito menos um biólogo experimental, que tivesse adotado a seleção natural como causa exclusiva da adaptação. Alguns pensaram que a redescoberta das leis de Mendel em 1900 levaria a uma mudança de atitude imediata com relação a seleção natural, mas este não foi o caso. As descobertas da genética deixavam claro, agora, que o material genético era particulado (consequentemente a herança não poderia ser por mistura), e, do mesmo modo que a herança era rígida (isto é, não permitia qualquer herança de caracteres adquiridos). Contudo, os principais Mendelianos ? Bateson, deVries e Johansen ? não adotaram a seleção natural. Eles atribuíam a mudança evolutiva a pressão de mutação.

Pelos anos de 1920 a maioria dos estudantes de evolução pertenciam a uma das três disciplinas biológicas: genética, sistemática, ou paleontologia.

Eles diferiam quanto aos seus interesses e tipo de conhecimento que possuíam. Os naturalistas (tanto sistematas como paleontólogos) não estavam suficientemente familiarizados com os avanços da genética feitos após 1910, e, deste modo, eles argumentavam contra conceitos evolutivos errôneos dos Mendelianos, achando que este era, ainda, o ponto-de-vista da genética. Os geneticistas, por sua vez, ignoravam a rica literatura sobre variação geográfica e especiação; consequentemente, nada nos escritos evolutivos de T.H.Morgan, H.J.Muller, R.A.Fischer, ou J.B.S. Haldane poderia explicar a multiplicação das espécies, a origem de táxons superiores, ou a origem de novidades evolutivas.

Além disso, os dois grupos lidavam com níveis hierárquicos diferentes: os geneticistas com a variação intra-populacional ao nível gênico, os naturalistas com a variação geográfica das populações e das espécies. Quando geneticistas e paleontólogos, ou geneticistas e taxonomistas se reuniam, naquela época, suas respectivas experiências eram tão diferentes que eles aparentemente eram incapazes de se comunicar um com o outro.

Todavia durante os anos 1920 novos fundamentos foram deixados para um eventual consenso que iria surgir. Tanto a herança por mistura, como a herança branda foram definitivamente refutadas pelos geneticistas, durante este período. A ocorrência de mutações espontâneas, também foi firmemente estabelecida, algo que os fisicalistas deterministas do século dezenove foram incapazes de aceitar. Morgan e sua escola, bem como, Edward East e Erwin Baur descobriram que a maioria das mutações tinha apenas pequenos efeitos no fenótipo e não eram como as grandes mutações imaginadas pelos primeiros Mendelianos. Neste período a diferença entre genótipo e fenótipo foi esclarecida e ficou compreendido que, o que é selecionado é o genótipo como um todo e não genes individuais.

Portanto, a recombinação genética em vez da mutação foi vista como a fonte imediata da variação genética disponível para a seleção. A maneira como a seleção atua na população ficou muito mais bem compreendida à luz desses novos conhecimentos.

Inexplicavelmente, em poucos anos chegou-se a um amplo consenso entre geneticistas, sistematas e paleontólogos. O termo "síntese evolutiva" foi introduzido por Julian Huxley (1942) para designar a aceitação de uma teoria evolutiva unificada pelos campos anteriormente rivais dos evolucionistas. Como pôde este inesperado consenso surgir de maneira tão rápida? Duas oficinas foram organizadas em 1974, nas quais uma resposta para esta questão foi procurada (Mayr e Provine 1980). Ficou claro que a síntese de pontos-de-vista opostos foi possível quando um grupo de taxonomistas ? Sergei Chetverikov, Theodosius Dbzhansky, E. B. Ford, Bernhard Rensch e eu mesmo ? ficou familiarizado com a genética pós-Mendeliana (isto é a genética de populações) e desenvolveu um Darwinismo moderno que combinava os melhores elementos tanto da genética como da sistemática. Além disso, George Gaylord Simpson foi responsável por trazer a paleontologia e a macroevolução para a nova síntese. Ele foi capaz de mostrar que o fenômeno estudado pelo paleontólogo ? isto é, a macroevolução, ou evolução acima do nível das espécies ? está consistente com as descobertas da genética moderna e com os conceitos básicos do Darwinismo. O mesmo foi mostrado na Alemanha por Rensch e na América por Stebins.

O novo consenso foi anunciado e promovido pela Genética e a Origem das Espécies (1937), de Dobzhansky, seguido por Evolution: The Modern Synthesis (1942), de Huxley; Systematics and the Origin of Species (1942), de Mayr; Tempo and Mode in Evolution (1944), de Simpson; Neuer Probleme der Abstammungslehre (1947), de Rensch, e Variation and Evolution in Plants (1950), de Stebbins. Estes autores frequentemente se referiam como os arquitetos da nova síntese evolutiva. A seleção dessas obras, entretanto, é um tanto quanto arbitrária; também devemos incluir entre os arquitetos da nova síntese, alguns evolucionistas que publicaram antes de 1937, tais como Chetverikov, Sumner, Stresemann, Fisher, Haldane, e Wright.

A Natureza da Síntese Evolutiva

O que ocorreu durante o período de 1936 à 1950, quando a síntese aconteceu não foi uma revolução científica; mais propriamente houve uma unificação de campos previamente mal divididos.

A síntese evolutiva é importante porque ela nos ensina como uma tal unificação pôde ocorrer: nem tanto por novos conceitos revolucionários, mas mais por um processo de saneamento pela total rejeição das teorias errôneas e das crenças, que haviam sido responsáveis pelas divergências anteriores. Entre as realizações construtivas da síntese estava a descoberta de uma linguagem comum entre os diferentes campos, e um esclarecimento de muitos aspectos da evolução e de seus conceitos básicos.

O período da síntese não foi um período de grandes inovações mas sim de educação mútua. Os naturalistas, por exemplo, aprenderam dos geneticistas que a herança é sempre rígida, nunca branda. Não há nenhuma influência herdável do ambiente, nenhuma herança dos caracteres adquiridos. A tese de Weismann1 foi finalmente adotada depois de mais ou menos cinquenta anos, quando proposta pela primeira vez. Outra descoberta dos geneticistas, os caracteres particulados, foi também, finalmente adotada. Muitos naturalistas até aquela época tinham dividido os caracteres em Mendelianos (particulados), os quais não consideravam evolutivamente importantes, e, graduais ou combinados, os quais, seguindo Darwin, eles consideravam como sendo o verdadeiro material da evolução.

A aceitação destas duas descobertas da genética ajudaram na refutação das três maiores teorias evolutivas que rivalizavam com a seleção natural desde a publicação da Origem (Bowler, 1983). Estas teorias, como temos visto, eram (1) neo-Lamarckistas (a herança dos caracteres adquiridos) e outras formas de herança branda; (2) teorias autogenéticas baseadas na crença de um progresso evolutivo dirigido a um fim determinado (ortogênese, nomogênese, aristogênese e princípio ômega); (3) e as teorias da evolução saltacionais, as quais postulavam a rápida emergência de formas de vida drasticamente novas (mutações deVriesiana). Talvez nenhum autor tenha contribuído mais para a refutação destas três teorias do que G. G. Simpson, com Tempo and Mode (1944) e Meaning of Evolution (1949).

Mas a síntese não foi apenas a aceitação geral, pelos naturalistas, dos princípios da genética de populações. Para compreender as realizações da nova síntese, deve-se apreciar o quão tipológica e saltacionista era a visão evolutiva dos primeiros Mendelianos (Provine 1971). Esta é uma mal interpretação da história típica dos Whig 2, portanto, de cunho liberal ? para igualar o Mendelismo com a genética. Para estar certo, tanto um como o outro concordam na sua rejeição da herança por mistura e da herança branda. Por outro lado, a visão evolutiva de Bateson, deVries, e Johannsen foi rejeitada durante a nova síntese (Mayr e Provine 1980). De fato, o neo-Lamarckismo parecia explicar a evolução melhor do que a teoria saltacionista dos Mendelianos.

A principal realização da síntese, então, foi desenvolver uma visão unificada sobre a natureza da mudança genética.

Darwin, aceitando o conceito geral sobre este assunto, achava que haviam dois tipos de variação: a variação drástica, frequentemente referida como sports e as variações pequenas, representadas pelas variações quantitativas ou graduais. Para Darwin, a variação gradual é que era importante na evolução.

Por contraste, os Mendelianos insistiam que novas espécies originavam-se por mutações drásticas. A pesquisa genética feita por Nilsson-Ehle, East, Castle e Morgan durante o início do século vinte mostrou claramente que variantes drásticas e outras muito pouco diferentes eram apenas os extremos de um espectro que variava continuamente, e que o mesmo mecanismo genético estava envolvido nas mutações de todos os graus de diferença.

Esta descoberta teve importantes consequências. Permitiu uma reconciliação entre os Mendelianos e aqueles que estudavam a herança dos caracteres quantitativos, a construção de uma ponte entre a micro e a macroevolução, e o mais importante foi a refutação do credo do essencialismo. Não há uma essência das espécies, mas cada indivíduo tem um genótipo altamente heterogêneo (o qual varia de indivíduo para indivíduo). A crença em dois tipos de variação foi ainda difundida até 1930, mas a nova maneira de interpretar a variação genética tornou-se completamente vitoriosa durante a nova síntese (Sapp 1987).

A compreensão de que a variação gradual poderia ser explicada em termos de herança Mendeliana (particulada) também levou ao final de qualquer crença na assim chamada herança por mistura. Isto foi auxiliado pela clara distinção entre fenótipo e genótipo, como mostrado por Nilsson-Ehle, East, e outros; uma completa "combinação" de caracteres de fenótipos foi possível a despeito das particularidades discretas de fatores genéticos básicos.

A contribuição dos naturalistas

Por causa dos avanços da genética, algumas vezes afirma-se que síntese evolutiva era meramente a aplicação da herança Mendeliana para a biologia evolutiva.

Esta formulação ignora dois importantes fatores. Um deles é que o geneticista, particularmente o experimental e o matemático, tem que obter tanto do naturalista como o naturalista do geneticista. E, segundo, a estrutura conceitual da biologia evolutiva foi muito enrriquecida pelos conceitos e fatos da história natural que estavam conspicuamente ausentes nos escritos dos geneticistas.

Por exemplo, a evolução, definida pelos geneticistas como "mudança das frequências gênicas nas populações", era vizualizada essencialmente como um fenômeno estritamente temporal.

Isto está refletido na afirmação de Muller: "A especiação não representa qualquer estágio absoluto na evolução, mas ela sucede gradualmente por diferenciações raciais, bem como por diferenciações mais genéricas" (Muller 1940:258). Em todos os seus escritos os geneticistas se concentraram totalmente no componente temporal da evolução. Os paleontólogos, por necessidade, sempre pensaram a evolução em termos de sequências verticais, até unirem suas idéias com a tradição horizontal dos naturalistas (Eldredge e Gould 1972). Uma das mais importantes contribuições dos naturalistas, os herdeiros de Darwin, foi trazer o pensamento geográfico para a nova síntese. O problema da multiplicação das espécies, a existência de espécies politípicas, o conceito biológico de espécie, o papel das espécies e da especiação na macroevolução, e muitos outros problemas evolutivos podem ser tratados somente com o auxílio da evolução geográfica.

A incorporação da dimensão geográfica foi de particular importância para a explanação da macroevolução. Os paleontólogos, por muito tempo estão cientes de uma contradição aparente entre os postulados de Darwin sobre o gradualismo, confirmado pelo trabalho da genética de populações, e as atuais descobertas da paleontologia. Seguindo as linhas filéticas através do tempo parece revelar somente mudanças graduais mínimas mas nenhuma clara evidência para qualquer mudança de uma espécie em um gênero diferente ou para a origem gradual de uma novidade evolutiva. Qualquer coisa verdadeiramente nova sempre parece surgir abruptamente no registro fóssil. Durante a nova síntese, ficou claro que desde que novas saídas evolutivas parecem ocorrer quase que invariavelmente em populações localizadas, não é surpreendente que o registro fóssil não reflita estas sequências. Uma abordagem puramente vertical é incapaz de resolver esta contradição aparente.

Uma contribuição igualmente importante feita pelos naturalistas foi a introdução do pensamento populacional na genética. O Mendelismo era fortemente tipológico a mutação versus o tipo selvagem. E mesmo mais tarde, no pensamento de muitos geneticistas, não apenas Morgan e Goldschmidt mas mesmo Muller em sua pesquisa para o genótipo perfeito, e R.A. Fisher, pode-se detectar um forte componente essencialista. O pensamento populacional, com sua ênfase na singularidade de todo indivíduo da população, foi trazido para a genética por Chetverikov e seus estudantes (incluindo Timofeeff-Ressovsky), por Dobzhansky, e por Baur. Com poucas excessões (por exemplo, a poliploidia), todo fenômeno evolutivo é simultaneamente um fenômeno genético, bem como populacional.

Finalmente, os naturalistas, ou pelo menos alguns deles, tentaram substituir a formulação estritamente reducionista da maioria dos geneticistas por uma mais holística. A evolução, eles diziam, não é apenas uma mudança na frequência dos genes da população, como os reducionistas afirmavam, mas é ao mesmo tempo um processo relacionado aos órgãos, comportamento, e as interações dos indivíduos e populações. Nesta atitude holística os naturalistas concordavam com os biólogos do desenvolvimento.

O Triunfo da Seleção Natural

A síntese foi uma reafirmação da formulação Darwiniana de que toda mudança evolutiva adaptativa é devido a força direcionadora da seleção natural sobre a variação abundantemente disponível. Hoje estamos tão acostumados a formulação Darwiniana, que nos esquecemos como esta formulação é dirente das explanações dos oponentes de Darwin naquela época.

Desde o início os naturalistas, na tradição de Darwin, tem sido os mais fiéis defensores da seleção natural, mas como Darwin, quase todos eles acreditavam simultaneamente numa herança branda. Agora que esta forma de herança estava decisivamente refutada, os maiores defensores da seleção natural estavam entre os naturalistas.

Não há nenhuma boa história sobre a aceitação da seleção natural por geneticistas. Chetverikov, Timofeeff-Ressovsky, e Dobzhansky vinham de uma forte tradição Russa (Adams, 1980). Em nenhum outro país a seleção natural teve uma base de apoio tão difundida como na Rússia. Mas por razões ideológicas e políticas o estabelecimento bem-sucedido da genética foi apagado pelo regime de Stalin e em seu lugar foi colocado o charlatão Lysenko e seus lacaios. Na Inglaterra havia uma forte tradição selecionista na Oxford (Lankester, Poulton, e assim por diante), mas para os Mendelianos clássicos a seleção natural não tinha utilidade, e nos Estados Unidos o pensamento de Morgan tinha muito da tradição Mendeliana. Uma segunda tradição nos Estados Unidos, todavia centrada na Instituição Bussey de Harvard (Castle, East, Wright) ? adotou aparentemente a seleção sem qualquer reserva. Na França, Lwooff do Instituto Pasteur parece ter sido o primeiro selecionista consistente, seguido por Ephrussi, L’Héritier, e Teissier. Mas mesmo agora os selecionistas parecem estar em minoria entre os biólogos Franceses. Em todos os países exceto a USSR, o selecionismo gradualmente cresceu em vigor, nos anos seguintes à nova síntese.

É compreensível que nos primeiros estágios da nova síntese a presença universal da seleção natural fosse muito enfatizada, já que um considerável número de Lamarckistas ainda estava presente entre os velhos evolucionistas. Contudo, logo que este estágio passou desenvolveu-se uma tendência em direção ao reconhecimento de outros fatores. Os biólogos modernos diferem de Darwin e dos primeiros neo-Darwinianos quanto a maior relevância que dão ao papel dos processos estocásticos. O papel da sorte não é apenas durante o primeiro estágio da seleção natural ? a produção de indivíduos únicos e geneticamente novos por meio da recombinação e da mutação ? mas também durante o processo probabilístico que determina o sucesso reprodutivo destes indivíduos. Toda sorte de restrições previne para sempre a realização da "perfeição". Mesmo que a seleção natural seja, de fato, um processo de otimização, a existência de numerosas influências contrárias pode torná-la irrealizável.

A unificação da biologia evolutiva realizada pela síntese retrata esta descrição da seguinte maneira: A evolução gradual se dá pela ordenação da variação genética pela seleção natural, e todo fenômeno evolutivo pode ser explicado em termos dos mecanismos genéticos conhecidos. Isto era uma extrema simplificação, considerando-se que o processo na biologia organísmica de uma maneira geral é altamente complexo, frequentemente envolvendo diversos níveis hierárquicos e soluções pluralísticas. A função da biologia evolutiva após a síntese de 1940 foi converter a teoria, grosseira, da evolução, numa teoria mais realista e refinada.

Não mais restritos à defesa do Darwinismo, os seguidores da síntese evolutiva, no decorrer de uma análise mais detalhada, começaram a desafiar as diferenças que ainda existiam, não apenas entre as tendências reducionistas dos geneticistas e do ponto de vista organísmico dos sistematas e dos paleontologistas, mas também no que concerne a outros aspectos da teoria evolutiva.

Baseado no livro One Long Argument: Charles Darwin and The Genesis of Modern Evolutionary Thought de Ernst Mayr. Harvard University Press. Trad. Antonio Carlos Bandouk.

1 Weismann, a partir de 1881, defendia a tese a favor da herança rígida, ou seja, contra a teoria dos caracteres adquiridos.
2 Membro de um partido político inglês do século XVII e XIX favorável a mudanças socias e políticas

Fonte: www.geocities.com

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal