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Fungos

Você já ouviu falar em mofos ou bolores? Em certas condições eles ocorrem em paredes, na roupa, nos sapatos, no pão, nas frutas, etc. E em micoses? São causados por fungos. Frieiras, monilíase ("sapinho") são exemplos de micoses.

Fungos
Cogumelo Dictiop

Ao reino dos fungos pertencem todos os seres conhecidos por mofos, bolores, cogumelos e leveduras. São seres vivos sem clorofila e podem ser unicelulares ou pluricelulares. Não possuem um tecido verdadeiro e suas células apresentam parede celular de quitina. A área da ciência que estuda os fungos é a micologia.

Os fungos pluricelulares geralmente apresentam filamentos microscópicos chamados hifas. Elas se entrelaçam formando uma espécie de massa, que recebe o nome de micélio. No cogumelo-de-chapéu, o micélio apresenta "abas" onde se encontram inúmeras hifas férteis, produtoras de esporos.

Os fungos podem viver de temperaturas que variam de 60 °C a -10 °C. Como heterotróficos, necessitam de alimento preexistente para a sa sobrevivência. Desenvolvem-se bem em lugares úmidos, com pouca luz e com matéria orgânica que usam para se alimentar.

A maioria deles, assim como as bactérias, obtêm alimento decompondo a matéria orgãnica do corpo de organismos mortos. Alguns obtêm alimento de outros seres vivos, com os quais se associam. Assim, os fungos podem ser decompositores, parasitas ou mutualísticos.

Os decompositores (ou saprófitas) são fungos que se nutrem da matéria orgânica do corpo de organismos mortos (ou de partes que podem se destacar de um organismo, como pele, folhas e frutas que caem no solo), provocando a sua decomposição. Certos fungos, por exemplo, causam o apodrecimento de frutas ou de restos de vegetais e animais.

Os parasitas são aqueles que vivem à custa de outro ser vivo, prejudicando-o e podendo até matá-lo. Muitas doenças dos vegetais são provocadas por fungos parasitas, como aqueles que atacam as folhas do café, causando a "ferrugem do café". Nos seres humanos, podemos citar o fungo Candida albicans, que pode se instalar na boca, faringe e outros órgãos, provocando o "sapinho".

Os mutualísticos são aqueles que se associam a outros seres e ambos se beneficiam com essa associação. O líquen, por exemplo, é uma associação entre um fungo e uma alga. A alga, que tem clorofila, faz fotossíntese, produzindo alimento para ela e para o fungo. Este, por sua vez, absorve do solo água e sais minerais, que são, em parte, cedidos para a alga.

Os fungos apresentam reprodução assexuada e sexuada.

O mecanismo de reprodução dos fungos pode ser muito variado e relativamente complexo. Tomaremos como exemplo os cogumelos-de-chapéu e descreveremos sua reprodução de maneira simplificada.

Fungos
Cogumelo Amanita

Nos cogumelos-de-chapéu, os esporos são produzidos no "chapéu", que contém estruturas chamadas de esporângios, formadas por hifas férteis. Uma vez produzidos pelos esporângios, os esporos são eliminados, podendo se espalhar pela ação do vento, por exemplo. Encontrando condições favoráveis, num certo local, os esporos germinam e originam hifas que formarão um novo fungo.

A idéia mais comum que temos a respeito dos fungos é a de que eles crescem e se desenvolvem em lugares úmidos ou sobre alimentos estragados. Por isso, nunca pensamos neles como seres vivos muito importantes para a nossa vida e mesmo para o meio ambiente. Para demonstrar tal importância, vamos estudar agora alguns tipos de fungos.

Os fiomicetos podem ser aquáticos ou terrestres e unicelulares ou pluricelulares. Como exemplo de fiomicetos, podemos citar os do gênero Rhizopus, conhecidos como bolor preto do pão. A maioria dos fiomicetos, assim como dos demais grupos de fungos, vive como decompositores. Assim, contribuem para a reciclagem da matéria na natureza.

Entre os ascomicetos, podemos citar as leveduras, que são muito importantes para a produção de bebidas, como a cerveja, o vinho e o saquê, e para a fabricação de pães e bolos. No grupo dos ascomicentos, inclui-se o fungo Penicillium notatum, que produz um antibiótico poderoso e muito famoso, a penicilina.

Também chamados cogumelos, alguns fungos deste grupo são comestíveis, outros não. Há fungos tóxicos que podem até matar se ingeridos em quantidade. Apenas o conhecimento e a prática podem ajudar na identificação de um fungo tóxico ou não tóxico.

Cogumelos comestíveis - cultivo

O cultivo de champignon - um cogumelo comestível - no Brasil vem crescendo a cada ano e já é feito em grande escala nos estados de São Paulo e do Paraná.

A técnica de cultivo consiste, inicialmente, em germinar esporos em um meio de cultura, composto de ágar, água de batata e algas marinhas. Vão se formar hifas e, mais tarde, micélios. Os micélios, então, são transferidos para outro meio de cultura, onde são sucessivamente repicados, originando novos micélios. Esta etapa dura em torno de um mês.

Num segundo momento, os micélios são transferidos para um novo composto, formado de palha, bagaço de cana e outros componentes orgânicos misturados à terra. Neste composto, após vinte dias, os micélios originarão os primeiros cogumelos, que são colhidos a cada sete dias, durante um mês.

Todas as etapas de cultivo são realizadas em galpões de construção simples, mas inteiramente vedados á luz, com controle de umidade e temperatura.

A produção brasileira atual chega a 7 kg/m², ainda baixa, se comparada com a de países europeus - onde o controle de cultivo é totalmente computadorizado -, que é de 25 kg/m².

Os cogumelos comestíveis contém de 2 a 10% de proteínas e são ricos em vitaminas do complexo B e sais minerais (potássio, cálcio, fósforo e magnésio).

Fonte: biomania.com.br

Fungos

Fungos, juntamente com as bactérias heterotróficas, são os principais decompositores da biosfera, quebrando os produtos orgânicos e reciclando carbono, nitrogênio e outros compostos do solo e do ar. Fungos são organismos não fotossintetizantes que crescem rapidamente e, caracteristicamente, formam filamentos chamados hifas, as quais podem ser septadas ou asseptadas. Na maioria dos fungos as hifas são grandemente ramificadas, formando um micélio. Fungos parasitas geralmente têm hifa especializada (haustório) por intermédio da qual extraem carbono orgânico das células vivas de outros organismos.

Os fungos, em sua maioria terrestres, reproduzem-se por meio de esporos, os quais usualmente têm dispersão pelo vento. Células móveis não são formadas em nenhum estágio de seu ciclo de vida. O glicogênio é o polissacarídeo primário de reserva. O componente principal da parede dos fungos é a quitina.

A maioria dos fungos é saprófita , isto é, eles vivem na matéria orgânica em decomposição. Muitos fungos são economicamente importantes para o homem como destruidores de alimentos estocados e outros materiais orgânicos. O reino também inclui as leveduras, Penicillium e outros produtores de antibióticos, fermentadores de queijos e cogumelos comestíveis.

Características Gerais dos Fungos

A designação de fungos engloba uma grande variedade de organismos que apresentam um talo unicelular e pluricelular, com um núcleo celular, e sem clorofila, pelo que a sua alimentação heterotrófica é do tipo saprófita ou parasita. É característica a presença de filamentos celulares chamados hifas, cujo conjunto constitui uma espécie de tecido próprio dos fungos, o micélio. A membrana celular dos fungos é formada na maioria dos casos, por quitina, e nalguns outros, por celulose.

O micélio é responsável por todas as funções vegetativas do organismo. A obtenção de alimento efetua-se por absorção através das paredes das células, pelo que os elementos nutritivos devem estar em forma de solução. O micélio segrega umas enzimas especiais que atuam sobre as substâncias, liquefazendo-as.

Noutras situações, o micélio emite uns órgãos chamados haustórios, que penetram no tecido dos organismos hospedeiros absorvendo o alimento. Os fungos inferiores, em especial as leveduras, multiplicam-se por gemulação . A multiplicação vegetativa a partir de partes do micélio, é muito vulgar nestes organismos, que se reproduzem por esporos e sexuadamente. Os fungos são um vasto grupo que compreende quase um terço dos organismos existentes na terra e a sua importância para os ecossistemas terrestres é muito grande. Em conjunto com as bactérias e os protozoários, os fungos, em especial os microscópicos, decompõem a matéria orgânica do solo contribuindo para o aumento da sua fertilidade.

CLASSIFICAÇÃO

Os chamados fungos verdadeiros têm a categoria sistemática de Divisão e englobam três classes: arquimicetes, ficomicetes e eumicetes.

Existem, no entanto, outros fungos cujas características apresentam divergências, como são os mixomicetes.

Mixomicetes

São organismos cujo corpo vegetativo é um plasmódio, isto é, um conjunto de elementos plasmáticos unidos e sem parede celular , pelo que se assemelham a uma ameba de grande tamanho. Durante muito tempo, os mixomicetes ocuparam uma posição intermédia entre o reino animal e vegetal, classificando-se desde há algum tempo entre os vegetais com a categoria sistemática de Divisão. O plasmódio contém numerosos núcleos, a sua delgada membrana permite-lhe emitir pseudópodes, com os quais se desloca e como é composto por abundantes carotinóides, tem a cor vermelha ou amarelada. As células contêm também vacúolos.

Alimentam-se de bactérias protozoários e algas microscópicas, que são digeridos no interior de alguns vacúolos, enquanto outros se encarregam de acumular os resíduos e expulsá-los por meio de movimentos pulsativos.

O ciclo reprodutor dos mixomicetes começa quando, em determinadas condições, o plasmódio se fixa ao solo e produz esporângios, contendo no interior numerosos esporos.

Estes dispersam-se e, depois da germinação, formam uma célula flagelada que é capaz de se deslocar sobre uma superfície. A célula perde lentamente os flagelos e converte-se numa espécie de ameba chamada mixameba. Mais tarde as mixamebas unem-se aos pares e dão lugar a um ovo ou zigoto. Por último, vários zigotos desenvolvidos unem-se constituindo uma novo plasmódio.

Arquimicetes

São os fungos mais sensíveis, pois quase não têm micélio e partilham várias características com os mixomicetes. Têm uma fase amebóide e outra flagelada.

Formam plasmódios plurinucleados que produzem esporos ciliados (zoósporos) e gâmetas.

Vivem sobre tecidos vegetais como saprófitas ou parasitas, penetrando no interior das células afetadas, sendo agentes causadores de diversas doenças em plantas cultivadas, como por exemplo, a verruga-negra da batata e a pôtra da couve.

Ficomicetes

Os ficomicetes ou (conforme a etimologia do termo) fungos-algas, recebem esta última designação pela semelhança do seu micélio com o talo de algumas algas. Este micélio, sem membranas transversais, tem o aspecto de um tubo (tubuliforme) às vezes ramificado, e apresenta numerosos núcleos.

Reproduzem-se por meio de esporos flutuantes com um ou dois flagelos (zigósporos), e sexuadamente através da união de gâmetas, que podem ser iguais ou diferentes.

Eumicetes

Esta classe, a dos fungos superiores, é a mais evoluída das três que se consideram.

Possuem um micélio pluricelular bem desenvolvido, internamente dividido por membranas transversais.

Para se reproduzirem, desenvolvem uns corpos frutíferos, bem diferenciados do resto do micélio, que produzem esporângios de dois tipos: células grandes de forma tubular ou globosa situadas no extremo das hifas férteis (recebendo o nome de ascos que contêm no seu interior os ascósporos) e células terminais das hifas, dilatadas, com quatro prolongamentos no extremo, em cada um dos quais se encontra um esporo; estas formações recebem o nome de basídio e os esporos que contêm o de basidiósporos.

Fungos
Basídio

Os fungos com o primeiro tipo de esporângio, ou seja, os ascos, chamam-se ascomicetes, e os segundos basidiomicetes.

Estes dois grupos têm a categoria sistemática de subclasse.

Ascomicetes

Estes fungos, envolvendo cerca de 20 000 espécies, possuem um micélio muito desenvolvido, com hifas e células de um ou vários núcleos.

Nas espécies menos evoluídas, os ascos não apresentam protecção, enquanto as mais desenvolvidas têm uma estrutura de forma globosa ou alongada (ascocarpo) que contém os ascos.

Estes produzem geralmente 4 ou 8 esporos (ascósporos), muito raramente 16 ou 32.

Os ascos reúnem-se, com frequência, numas estruturas chamadas himénios, que contêm as hifas estéreis. Em alguns fungos deste grupo, como as trufas, os ascos encontram-se incluídos numa massa que é, neste caso, um corpo comestível.

Além dos ascósporos, os ascomicetes produzem também outro tipo de esporos, os chamados conídios, que se originam em hifas especiais.

Os ascomicetes incluem espécies parasitas, saprófitas e simbiontes. Algumas delas causam doenças nas plantas, se bem que, por vezes, as substâncias que produzem tenham aplicações médicas, como é o caso da cravagem do centeio (Claviceps purpurea), que contém vários alcalóides.

Fungos
Bolores

Os míldios causam grandes prejuízos na agricultura. A eles pertencem também numerosos bolores dos frutos e géneros como Penicillium, que são produtores de antibióticos. As leveduras são fungos deste tipo que se utilizam nas fermentações alcoólicas para obtenção de vinho e cerveja. Entre os ascomicetes macroscópicos encontram-se alguns comestíveis, como as já mencionadas trufas, muito apreciadas pelo seu aroma, e diversas espécies de cogumelos do género Morchella.

Fungos
Cogumelos

Basidiomicetes

Compreendem cerca de 15 000 espécies de fungos muito evoluídos, incluindo a maioria dos conhecidos "cogumelos", tanto comestíveis como venenosos. O corpo frutífero, estroma, tem a forma de um pé ou estirpe que sustenta um "chapéu" ou umbráculo. O himénio que contém os esporos encontra-se na parte inferior do chapéu.

Os esporos, geralmente em número de quatro, ao caírem num substrato adequado germinam e produzem um micélio primário que irá, por sua vez, produzir outros esporos; em seguida, estes formam um micélio secundário.

Os fungos deste grupo crescem em todas as regiões de clima temperado e quente.

Fungos
Cogumelo de leite

Entre as espécies mais apreciadas em Portugal, podem citar-se: o míscaro-da-terra, Lepiota procera, de cor branca manchada de castanho escuro; o míscaro-amarelo, Tricholoma equestre; o cogumelo de leite, Lactarius deliciosus, avermelhado-claro manchado de verde; os tortulhos, Psaliotta arvensis e P. campestris, cor-de-rosa com chapéu tracejado a amarelo; o boleto-bom ou pão-de-ló,Boletus edulis, de chapéu castanho escuro e pé esbranquiçado. A espécie Amanita phalloides, com o chapéu amarelo e o pé branco tracejado de amarelo, é um dos cogumelos mais venenosos, sendo mortal.

Pertencem também aos basidiomicetes as ferrugens, que causam grandes prejuízos nas culturas de cereais.

A Importância dos Fungos

Nem bichos, nem vegetais, os fungos são tão esquisitos que formam um reino parte na natureza. Versáteis, entram tanto na fabricação de queijos quanto no controle de qualidade de produtos industriais.

Eles mofam pães, estragam sapatos e tingem paredes com manchas verdes. Ao mesmo tempo fontes de remédios — sobretudo antibióticos — e provocadores de doenças, também são mundialmente consumidos na forma de pratos nobres, como as raríssimas e caras trufas e o champignon. Pioneiros entre as formas de vida na Terra, são tão diversos entre si e diferentes de todos os outros seres do planeta que, depois de muita controvérsia sobre sua classificação, acabaram considerados um reino à parte na natureza. Os fungos, essas esquisitas criaturas que crescem tanto em organismos vivos como nos mortos, começam a ser cobiçados para ajudar empresas brasileiras no controle de qualidade de produtos industrializados.

De inconvenientes, os bolores e mofos tornaram-se mais um instrumento dos cientistas nas pesquisas com medicamentos, desinfetantes, inseticidas e, mais recentemente, anticorrosivos e simplificadores dos mecanismos de produção de álcool. Isso fez crescer o interesse de várias indústrias pelos fungos, fato que está causando furor nas micotecas, os laboratórios que os criam; armazenam e distribuem, classificando-os segundo sua origem e características peculiares. À medida que cresce a procura, aumenta a quantidade de tipos explorados. "Na busca desenfreada para conhecê-los melhor, eles ganharam casa própria e pedigree", compara o biólogo e micologista Mário Gatti, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Com 1 942 tipos diferentes, a micoteca da Fiocruz é a maior coleção brasileira do gênero.Existem no mundo cerca de 300 bancos de fungos. O mais completo deles é o da American Type Culture Collection (ATCC), nos Estados Unidos. Ali estão disponíveis mais de 50 000 micro-organismos diferentes, metade composta de fungos, bactérias e protozoários, que serviram de base para quase todas as coleções conhecidas. Acostumada a fornecer amostras para pesquisas universitárias e testes de esterilidade de medicamentos e cosméticos, a "fábrica" de fungos da Fiocruz conquista novos clientes. No ano passado, o número de pedidos de amostras de fungos dobrou em relação ao ano anterior.

Mário Gatti, um dos curadores dessa micoteca, associa o crescimento à vigência do Código de Defesa do Consumidor. "As empresas estão mais preocupadas com a garantia da qualidade de seus produtos", acredita.Entre a clientela dos bancos de fungos, os maiores consumidores dos microorganismos comercializados no planeta foram os fabricantes de medicamentos e cosméticos. Empresas como Johnson & Johnson e Glaxo empregam fungos nos testes laboratoriais para controlar a qualidade de seus produtos. O processo implica contaminar propositadamente amostras do que se quer testar com fungos, principalmente o Aspergillus niger, encontrado em abundância na natureza. São feitas então análises periódicas para constatar se a população de fungos aumentou ou diminuiu.

Se diminuiu até não sobrar quase nenhum, significa que o conservante daquele produto é eficiente. "Nossos produtos nas prateleiras precisam manter a mesma capacidade de preservação do produto recém-fabricado'', avalia Lenir Garcia, gerente de microbiologia da Johnson & Johnson.

Na busca de seu principal alimento, o carbono, alguns fungos são odiados porque degradam materiais largamente utilizados pela indústria, como plásticos e metais. Para saber se seus produtos vão durar além das portas da fábrica, os responsáveis pelo controle de qualidade das empresas colocam-nos em contato com os fungos existentes lá fora. É isso que faz há cinco anos o Instituto Militar de Materiais Bélicos (Imbel) para medir a resistência à corrosão dos componentes de seus apareIhos radiotransmissores e detonadores de explosivos. Ulysses D'Elia, o biólogo responsável por este trabalho, coloca as peças a serem examinadas junto com uma batata comum numa câmara lacrada, onde também é introduzido um pool de fungos especialmente selecionados. "Em terra, no mar ou no ar, os equipamentos têm de agüentar as mais variadas intempéries, possíveis de acontecer em qualquer região do Brasil", conta D'Elia. Dentro da câmara, são simuladas durante 28 dias todas as condições ambientais a que os aparelhos estarão submetidos. “A batata funciona como um termômetro, que mostra se os microorganismos estão sendo ativos. Em caso positivo, os fungos tomarão toda a batata", explica D'Elia. Experiências semelhantes também são realizadas pelo Instituto de Pesquisas da Marinha, em testes de resistência à corrosão dos equipamentos de navios e submarinos.Enquanto a capacidade deteriorativa dos fungos é problema para alguns, outros têm nesta característica um grande aliado. É o caso da produção de álcool combustível. que pode se tornar muito mais simples se nela forem aplicados alguns estudos realizados pelos cientistas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo. Liderada pelo bioquímico egípcio Hamza El-Dorry, esta equipe se utiliza do fungo Trichoderma reesei, descoberto durante a Segunda Guerra Mundial, para degradar celulose (a matéria-prima do papel) até a obtenção de glicose, que depois de fermentada se transforma em álcool. Na década de 40, esse fungo foi estudado em caráter de urgência por laboratórios americanos, pois desintegrava em poucos dias o tecido das barracas de campanha do Exército, armadas em campo de batalha.Os pesquisadores da USP já isolaram o gene do fungo que determina suas características glutonas. Agora, os esforços se concentram em conhecer como ele produz a enzima que degrada a celulose para inserir esse gene na levedura convencionalmente utilizada para transformar a glicose em álcool. "Estamos criando um processo único e integrado, que permite a obtenção de álcool até do bagaço da cana-de-açúcar, de madeiras e papéis jogados no lixo", preconiza El-Dorry. As leveduras também são empregadas na fabricação de cereja, vinhos e fermento para pães e bolos. Alguns fungos são ainda a peça fundamental de queijos finos.

Dizer que um queijo está embolorado não significa necessariamente que ele esteja estragado.

Pelo contrário: o sabor dos queijos roquefort, gorgonzola e camembert depende do trabalho dos fungos. No dois primeiros tipos, o gosto picante e o forte aroma somente são obtidos por meio da perfuração de suas massas já prontas, onde são introduzidos bolores que ali se desenvolvem com a presença de ar.

Os queijos camembert passam por um banho de imersão numa solução de mofo para chegarem à textura cremosa característica. Crescendo de fora para dentro de cada queijo, os fungos formam na parte externa aquela fina superfície dura e branca. Tanto as manchas verdes como a película branca são muito diferentes do bolor de um queijo estragado. Os bolores, como o Penicillium citrino, secretam substâncias potencialmente tóxicas, como a citrinina, que atacam células do fígado.Antes que cheguem à mesa, vários alimentos podem tomar contato com fungos ainda na lavoura. Em Brasília, o Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está elaborando um catálogo com mais de 300 fungos isolados para pesquisas na área de controle biológico de lavouras, ou inseticidas biológicos.

Marcos Rodrigues de Faria, um dos engenheiros agrônomos envolvidos no projeto, explica como são feitos os testes para criação dos bioinseticidas: "Pegam-se as larvas do inseto contra o qual se quer combater. Elas são mergulhadas em uma suspensão líquida contaminada com algum fungo, geralmente Beauveria bassiana ou Metarhizium amisopliae. Se ele for capaz de matar a larva, será utilizado como inseticida".Aproveitar todo o potencial dos fungos não foi um caminho fácil de ser percorrido pelos estudiosos. Pesquisados em várias frentes desde o final dos anos 20, quando chegaram a público as descobertas do bacteriologista Alexander Fleming, só na década de 60 se chegou a um acordo sobre a identidade desses organismos. "Fungo não é vegetal nem animal, apesar de ter características de plantas e de animais", afirma Pedrina Cunha Oliveira, farmacêutica e bioquímica que estuda esses seres desde 1964. Responsável pelo departamento de micologia da Fiocruz, ela ensina que "o fungo é considerado animal porque seu alimento de reserva é o glicogênio, e não o amido, como em todas as plantas".

Mas também era considerado planta pela sua própria morfologia: "Se olhado num microscópio, o fungo parece uma flor. Mesmo assim, eles não produzem cloroplastos, portanto não fazem fotossíntese".

Esta diferença em relação aos outros seres é que levou à criação do reino Fungi, um dos cinco reinos da natureza. Os outro quatro são o Animalia, dos animais; Plantae, dos vegetais; Monera, de organismos unicelulares como as bactérias; e Protista, dos organismos unicelulares como os protozoários.

Saber com exatidão quais são esses seres que jogam ora contra, ora a favor do homem foi só o começo: "A história dos fungos é linda e foi pouco estudada", diz Pedrina. "Seu potencial encontra se em aberto."

Antibiótico por acaso

Enquanto alguns fungos provocam espirros, outros salvam vidas. Prova dessa benevolência dos membros do reino Fungi é a descoberta que o bacteriologista Alexander Fleming (1881-1955) fez em 1928. Ele trabalhava num laboratório em Paris, na França, quando descobriu um ser alienígena desenvolvendo-se no meio das bactérias Staphylococcus com as quais realizava pesquisas. Em vez de ficar irado com o intruso, Fleming decidiu estudá-lo e o identificou como sendo esporos do fungo Penicillium notaram que estavam “acidentalmente" inibindo o desenvolvimento das bactérias. Ele acabava de descobrir a penicilina, o primeiro de uma série de antibióticos que revolucionaram a Medicina.

Fonte: br.geocities.com

Fungos

Os fungos podem ser encontrados em praticamente qualquer ambiente, onde participam de maneira muito importante na degradação de matéria orgânica animal e vegetal.

São também responsáveis por diversas doenças nas plantas e podem destruir alimentos e materiais como madeiras e tecidos.

Os fungos têm grande relevância para a medicina, pois algumas espécies produzem substâncias como antibióticos, esteróides, ácidos orgânicos etc. Também têm grande valor para a indústria alimentícia, não só alguns deles são comestíveis como agem como fermentadores de alimentos como vinho, cerveja, pão, queijo etc.

Os fungos não precisam parasitar o homem para sobreviverem, apenas poucas espécies atacam eventualmente o organismo humano causando, em geral, micoses, intoxicações ou envenenamentos.

Ascomiceto

Fungos
Aspergillus sp.

Fungos
Penicillium sp.

Ascomicetos são fungos da subdivisão Ascomycotina. São assim chamados porque no processo de reprodução sexuada (também há a maneira assexuada) formam sacos, conhecidos no meio científico como ascos (daí a origem do nome), que depois transformam-se em esporos.

Nas duas imagens, duas espécies de ascomicetos. A da esquerda pertence ao gênero Aspergillus, agentes oportunistas que podem se desenvolver em pessoas com baixa resistência imunológica (como doentes com leucemia ou aids), causando a aspergilose, doença caracterizada por micoses que geram lesões nos ouvidos, pele, pulmões ossos e meninges. Já a da direita pertence ao gênero Penicillium, responsáveis pela produção da penicilina, substância antibiótica responsável por uma revolução médica após os anos 40.

Fonte: www.fiocruz.br

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