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Fungos

 

 

Fungos
Cogumelo

Os fungos são organismos eucarióticos cujos núcleos são dispersos em um micélio (conjunto de hifas) contínuos ou septados. Não possuem plastos ou pigmentos fotossintéticos e sua nutrição é obtida por absorção. São saprofíticos, parasitos facultativos ou biotróficos. São estudados na área da microbiologia, embora muitos de seus representantes possuam frutificações de grandes dimensões como é o caso dos cogumelos Agaricales, Polyporales e dos Gasteromycetos.

São predominantemente filamentosos, mas algumas espécies são leveduriformes. Na área da micologia médica e veterinária, bem como na micologia industrial, são conhecidas inúmeras espécies de fungos leveduriformes. Entretanto, na área da Patologia Vegetal são raros os representantes que apresentam essas características. Portanto, a quase totalidade dos fungos fitopatogênicos apresentam o sistema vegetativo filamentoso (hifas) e ramificado (conjunto de hifas = micélio).

Os fungos fitopatogênicos podem apresentar frutificações de duas naturezas, ou seja, a da forma teleomórfica, antigamente denominada "forma perfeita" ou sexuada e frutificações assexuadas ou clonais, antigamente denominadas "forma imperfeita" e hoje, anamórfica. Na maioria das vezes, para cada espécie existe urna forma anamórfica e uma forma teleomórfica. Exemplificando, o fungo Glomerella cingulatta, agente causal de doenças denominadas "antracnose", tem como forma anamórfica Colletotrichum gloeosporioides; o fungo Mycosphaerella melonis, agente causal do "gummy stem bligth" das cucurbitáceas, tem como forma anamórfica Ascochyta cucumis; o fungo Colletotrichum gossypii, agente causal da antracnose do algodoeiro, tem como forma teleomórfica Glomerella gossypii, e assim por diante. Assim, conclui-se que os fungos, em geral, podem possuir, ao contrário do que ocorre em outras áreas da biologia, dois nomes científicos para uma mesma entidade biológica. Um da forma teleomórfica (Glomerella gossypii) e outro da forma anamórfica (Colletotrichum gossypii).

Nos países tropicais e sub-tropicais onde existem extremos de temperaturas menores, a grande maioria dos fungos fitopatogênicos se manifesta sob a forma assexuada ou anamórfica e apenas raramente algum desses fungos manifesta a forma sexuada ou teleomórfica.

No caso particular dos fungos causadores de ferrugem, uma mesma entidade pode ter mais de uma forma anamórfica, ou seja, três nomes científicos diferentes, um para a forma teleomórfica, um para a forma anamórfica clonal ou uredinial e outro para a forma anamórfica zigótica ou ecial. Exemplificando, o fungo Uromyces asclepiadis, que causa ferrugem em Asclepias curassavica — "oficial de sala" ou "erva de rato" — tem Aecidium asclepiadis como nome da forma zigótica ou ecial e Uredo asclepiadis para a forma clonal ou uredinial. Nesses casos, o nome da entidade como um todo, ou seja, o holomorfo, é o nome da forma teleomórfica (U. asclepiadis), e os outros (A. asclepiadis e U. asclepiadis), são considerados sinonímia.

Como já referido anteriormente, nesses últimos anos, com a introdução de novas técnicas fora do contexto morfológico aplicadas na ciência taxonômica, como análise de proteínas, açúcares e muitas outras técnicas biotecnológicas, como sondas de DNA, caracterização molecular, análises genômicas, muitas modificações têm sido introduzidas no sistema de classificação dos fungos. Alterações que no passado eram lentas hoje aceleram-se trazendo vários problemas aos fitopatólogos. Existe, portanto, um certo conflito entre os micólogos puros, que trabalham com todos os níveis de classificação, e os fitopatologistas, micólogos que se preocupam mais com os níveis genéricos, específicos e sub-específicos dos patógenos com que trabalham. Apenas para dar uma idéia da aceleração das modificações recentes nos conceitos taxonômicos e hipóteses de classificação, apresentamos aqui uma relação das teorias de classificação dos fungos referidas na oitava e última edição da obra Ainsworth & Bisby's "Dictionary of Fungi" preparada pelo International Mycological Institute, Inglaterra, em 1995.

Relação: Bessey (1950), Kriesel (1969), Ainsworth et al. (1973), V. Arx (1981), Dictionary of Fungi (1983), Kreisel (1988), Cavalier & Smith (1991), Kendrick (1992), Barr (1992), Margulis (1993), Moore (1994), Dictionary of Fungi (1995).

Entre as modificações mais significativas havidas recentemente, especialmente com a aplicação das técnicas biotecnológicas, está a transferência dos Oomycetos, que incluem importantes patógenos, como Pythium e Phytophthora, do reino dos fungos para o reino Chromista.

A nova edição do Dictionary of Fungi considera dentro do reino em que eram incluídos os fungos no sistema de classificação anteriormente aceito e sugerido por Moore, em 1994, três reinos: Protozoa (onde se incluem alguns patógenos como, por exemplo, espécies dos gêneros Plasmodiophora e Spongospora), Chromista (onde são incluídos os fungos Oomycota, como as Peronosporales) e reino Fungi (fungos verdadeiros, incluindo Ascomycota, Basidiomycota, Chytridiomycota e Zigomycota).

Segundo as várias considerações dos micólogos, os Oomycota, hoje incluídos no reino Chromista, diferem dos fungos verdadeiros em relação a várias características estruturais, bioquímicas, fisiológicas e moleculares. Esse reino engloba organismos aquáticos marinhos ou de água doce e terrestres, saprófitas, parasitos facultativos ou biotróficos. Embora de longa data incluídos entre os fungos, já faz bastante tempo que se reconhece compreenderem organismos que diferem em muitos aspectos dos fungos verdadeiros. De forma bastante simplificada, enumeramos a seguir algumas dessas diferenças, hoje amplamente reconhecidas e referidas na obra acima citada, edição 1995.

Principais diferenças entre Oomycota e fungos verdadeiros

Oomycota (Reino Chromista): (Pythium, Phythophthora, Peronospora, Pseudoperonospora, Plasmopara, Bremia, Albugo, Sclerospora, etc.)

Fungos verdadeiros (Reino Fungi)

(Todos os fungos verdadeiros - Ascomycetos, Basidiomycetos, Zigomycetos)

A1 - Fase somática ou vegetativa diplóide B1 - Fase somática ou vegetativa, haplóide ou dicariótica.
A2
- Paredes celulares compostas por ß1-3 e ß1-6 glucanas e celulose. B2 - Paredes celulares constituídas basicamente por quitina.
A3
- Mitocôndrias achatadas. B3 - Mitocôndrias apresentando cristais tubulares.
A4
- Sistema de retículos tubulares móveis conectados com pequenos vacúolos. B4 - Sistema vacuolar tubular fino móvel conectado com grandes vacúolos.
A5
- Zoosporos presentes em vários membros do grupo apresentando dois flagelos, um anterior, o tinsel, táctil e sensitivo e outro posterior, o chicote, para mobilidade. Semelhantes aos de certas algas clorofiladas como as Xanthophytas. B5 - Ausência de zoosporos. Alguns membros apresentando aplanosporos (Zigomycota).
A6
- Sintetizam lisina por vias diferentes dos fungos verdadeiros. B6 - Sintetizam lisina por vias diferentes dos Oomycota.
A7
- Falta de síntese dos esteróis ou sintetizam apenas o fucosterol. B7 - O esterol sintetizado é o ergosterol.
A8
- Linha evolutiva distinta dos fungos verdadeiros conforme codificação do RNA ribossôrnico. B8 - Linha evolutiva distinta dos Oomycota conforme codificação do RNA ribossômico.

Sistema vegetativo (generalidades)

Conforme comentado anteriormente, os sistemas vegetativos dos fungos podem ser constituídos por células individualizadas que se dividem por brotação (também denominado micélio gemulante ou leveduriforme) ou são filamentosos (hifas - micélio).

A grande maioria dos fungos verdadeiros são filamentosos, não formam tecidos verdadeiros mas são encontradas diversas modificações do sistema somático, como:

1 - Anastomose: Que é a fusão ou união de hifas por pareamento.
2- Ansas ou grampos de conecção:
São alterações do sistema de septação encontradas principalmente em certos estágios dos ascomicetos e no sistema hifálico de vários basidiomicetos superiores. Estão, geralmente, associadas a um mecanismo de garantia para a manutenção do estado dicariótico.
3- Haustórios:
Organelas de morfologia variável, formadas no interior da célula do hospedeiro e destinadas à absorção de nutrientes, encontradas em um grande número de fitopatógenos biotróficos, inclusive ferrugens, oídios e míldios.
4- Clamidosporos:
Células com paredes espessadas ricas em nutrientes e substâncias de reserva intercalares no micélio somático ou em células de esporos clonais (conídios) de certos fungos. São destinados a garantir sobrevivência da espécie em condições ambientais adversas.
5- Rizomorfas:
São feixes de hifas filamentosas e paredes espessas semelhantes a raízes, de onde provém o seu nome. São também destinadas a garantir a sobrevivência da espécie.
5- Esclerócios:
Formações caracteristicamente pletenquimatosas (oriundas da fusão das paredes das hifas), irregulares ou esféricas, produzidas por certos ascomicetos (Sclerotinia, Claviceps, etc. ) ou estados anamórficos de certos basidiomicetos. Como exemplo podem ser tomados os gêneros Rhizoctonia e Sclerotiurn relacionados com os basidiomicetos e incluídos em micélia sterilia por não apresentarem conídios.
6- Estroma:
Tecidos pletenquimatosos geralmente associados a frutificações assexuadas ou sexuadas de um grande número de fungos.

Sistema reprodutivo

Considerando que a grande maioria dos fungos fitopatogênicos mais importantes é constituída por formas anamórficas ou imperfeitas e que apenas para uma minoria foi estabelecida uma conexão anamórfica-teleomórfica, nestas notas daremos ênfase apenas às modificações havidas recentemente neste grupo.

Na sistemática dos fungos, que no passado eram incluídos na Classe Deuteromicetos ou fungos imperfeitos, era aplicada uma metodologia denominada artificial porque os dados morfológicos (formas) ou fisiológicos (coloração etc.), utilizados para a separação respectiva, nada tinham a ver com a filogenia.

Alguns comentários sobre esse tema de fungos de produção assexuada já foram considerados anteriormente no item Hipóteses de Classificação dos Fungos. Os micólogos puros e ecléticos tendem, freqüentemente, a dar grande importância ao desafio de delimitar táxons que representem a maior exatidão possível das afinidades filogenéticas ou de parentesco. Mesmo considerando que estes limites não existem na natureza, na qual houve uma evolução contínua e sem intervalos que autorizem uma separação ou limitação de grupos, é entendível que essa tarefa seja realizada por uma questão de necessidade de referência e de entendimento entre os componentes de uma comunidade, a Científica. Por outro lado, os fitopatologistas tendem a valorizar a praticidade na arquitetura dos sistemas de classificação e a valorizar a estabilidade na aplicação dos nomes dos fungos fitopatogênicos. Um número elevado de fitopatologistas reclamam não haver qualquer esforço no sentido de conciliar os interesses de ambas as partes para que se chegue a um lugar comum.

A antiga classe "Deuteromycetes", ou fungos imperfeitos, é um bom exemplo de um grupo bastante complexo no que se refere a este conflito de interesses entre micólogos e fitopatólogos. No entanto, nas edições mais recentes dos livros-texto de micologia mundialmente mais utilizados por estudantes de nível superior, a abolição desta "classe" tem sido aceita. Esta tendência também foi adotada na recente edição de 1995 do "Dictionary of the Fungi" editada pelo considerado "Imperial Mycological Institute" da Inglaterra, instituição que abriga uma respeitável equipe de micólogos reconhecida internacionalmente. Esta atitude conflita amplamente com o que contêm recentes livros-texto da área de Fitopatologia, trazendo uma certa ou enorme confusão na taxonomia e sistemática dos fungos fitopatogênicos. O alcance destas alterações, sob o ponto de vista prático, entretanto, é pouco significante. Em substituição à Classe Deuteromicetos foi introduzido o termo fungo mitospórico aos fungos para os quais não foi possível uma correlação com qualquer estado meiótico ou teleómorfico e que se reproduzem somaticamente por simples mitoses.

Assim, fungos mitospóricos que já tiveram essa relação estabelecida com os ascomicetos ou basidiomicetos (teleomorfos) podem ser denominados anamorfos ou estados anamórficos desses grupos. De uma forma geral, para a maioria dos ascomicetos e basidionicetos, os estados anamórficos são desconhecidos; para vários deles os estados anamórficos não foram ainda reconhecidos e em outros, provavelmente antigos anamorfos, parecem ter perdido sexualidade e a fonte de variabilidade, substituída por outros mecanismos como a mutação e o ciclo parassexual.

A meta fundamental dessas mudanças sugeridas pelos micólogos teve por objetivo, simplesmente, eliminar qualquer possibilidade de que a existência de uma categoria taxonômica formal para fungos cuja sexualidade é desconhecida pudesse sugerir ou incutir a idéia incorreta de que esse grupo taxonômico pudesse abrigar formas com alguma afinidade de parentesco. Outros fatores que interferiram na praticidade do sistema taxonômico dos fungos imperfeitos têm a ver com o entusiasmo e a dinâmica dos micologistas puros na aplicação de técnicas modernas que, à exceção da microscopia eletrônica de varredura, que resultou em ampliar a aplicação de elementos morfológicos já tradicionalmente utilizados na sistemática, levaram a uma grande sofisticação na busca da pureza filogenética dos táxons. Referimo-nos à microscopia eletrônica, à biologia molecular e s análises proteicas e genômica. Estas são técnicas de alta sofisticação, inacessíveis à grande maioria dos fitopatólogos. Mesmo a conidiogênese, estudo da maneira como se originam os conídios, que é uma técnica menos complexa utilizada para separar vários gêneros de fungos, exige equipamentos de utilização complexa como as microscopias de fluorescência, eletrônica e eletrônica de varredura. A grande maioria desses equipamentos inexistem em um laboratório comum de fitopatologia. Entretanto, a nosso ver, como a morfologia é um reflexo da herança genética e, conseqüentemente, dos genomas, os mesmos impasses que hoje existem nas análises morfológicas existirão no futuro, quando as técnicas de biotecnologia sofisticadas estiverem em plena utilização.

Existirão apenas diferenças nos pontos de separação de um todo que é inseparável porque no processo de evolução a natureza não os separou. Quanto ao esquema atualmente utilizado para deuteromicetos e que no passado compreendia várias Ordens (Moniliales, Melanconiales, Sphaeropsidales, etc.) e Famílias (Moniliaceae,

Dematiaceae, Stilbelaceae, Tuberculariaceae, Melanconiaceae e Sphaeropsidaceae, etc.), foram reduzidos a três grupos artificiais derivados daqueles previamente utilizados, no passado, como nomes taxonômicos formais, ou seja:

1. Coelomycetes

incluindo fungos produtores de conídios em estruturas ou corpos de frutificação (conidiomatas) denominadas picnídios e acérvulos (antigamente incluídos nas famílias Sphaeropsidaceae e Melanconiaceae), respectivamente;

2. Hyphomycetes

Não formadores de conidiomatas ou corpos de frutificação, mas de conidióforos, nome dado a hifas especializadas e produtoras de conídios com formas e arquitetura variável.

Este grupo compreende fungos:

a)- moniliaceous, com hifas e conídios hialinos ou palidamente coloridos;
b)-
dematiaceous, com hifas e conídios fortemente pigmentados;
c)-
stilbelaceous, produzindo um tipo de estrutura de feixes de hifas férteis, produtoras de conídios hialinos ou coloridos, denominada sinêmio ou corêmio.

3 - Micelia Sterilia

Grupo no qual não há produção de conídios. A multiplicação é realizada através de esclerócios irregulares (Rhizoctonia) ou esféricos (Sclerotium), ou ainda pela fragmentação das hifas do micélio somático.

Os Coelomicetos e Hyphomicetos têm sido relacionados como formas anamórficas dos ascomicetos e Micelia Sterilia, com basidiomicetos.

Fonte: www.geocities.com

Fungos

Fungos, juntamente com as bactérias heterotróficas, são os principais decompositores da biosfera, quebrando os produtos orgânicos e reciclando carbono, nitrogênio e outros compostos do solo e do ar. Fungos são organismos não fotossintetizantes que crescem rapidamente e, caracteristicamente, formam filamentos chamados hifas, as quais podem ser septadas ou asseptadas. Na maioria dos fungos as hifas são grandemente ramificadas, formando um micélio. Fungos parasitas geralmente têm hifa especializada (haustório) por intermédio da qual extraem carbono orgânico das células vivas de outros organismos.

Os fungos, em sua maioria terrestres, reproduzem-se por meio de esporos, os quais usualmente têm dispersão pelo vento. Células móveis não são formadas em nenhum estágio de seu ciclo de vida. O glicogênio é o polissacarídeo primário de reserva. O componente principal da parede dos fungos é a quitina.

A maioria dos fungos é saprófita , isto é, eles vivem na matéria orgânica em decomposição. Muitos fungos são economicamente importantes para o homem como destruidores de alimentos estocados e outros materiais orgânicos. O reino também inclui as leveduras, Penicillium e outros produtores de antibióticos, fermentadores de queijos e cogumelos comestíveis.

Características Gerais dos Fungos

A designação de fungos engloba uma grande variedade de organismos que apresentam um talo unicelular e pluricelular, com um núcleo celular, e sem clorofila, pelo que a sua alimentação heterotrófica é do tipo saprófita ou parasita. É característica a presença de filamentos celulares chamados hifas, cujo conjunto constitui uma espécie de tecido próprio dos fungos, o micélio. A membrana celular dos fungos é formada na maioria dos casos, por quitina, e nalguns outros, por celulose.

O micélio é responsável por todas as funções vegetativas do organismo. A obtenção de alimento efetua-se por absorção através das paredes das células, pelo que os elementos nutritivos devem estar em forma de solução. O micélio segrega umas enzimas especiais que atuam sobre as substâncias, liquefazendo-as.

Noutras situações, o micélio emite uns órgãos chamados haustórios, que penetram no tecido dos organismos hospedeiros absorvendo o alimento. Os fungos inferiores, em especial as leveduras, multiplicam-se por gemulação . A multiplicação vegetativa a partir de partes do micélio, é muito vulgar nestes organismos, que se reproduzem por esporos e sexuadamente. Os fungos são um vasto grupo que compreende quase um terço dos organismos existentes na terra e a sua importância para os ecossistemas terrestres é muito grande. Em conjunto com as bactérias e os protozoários, os fungos, em especial os microscópicos, decompõem a matéria orgânica do solo contribuindo para o aumento da sua fertilidade.

CLASSIFICAÇÃO

Os chamados fungos verdadeiros têm a categoria sistemática de Divisão e englobam três classes: arquimicetes, ficomicetes e eumicetes.

Existem, no entanto, outros fungos cujas características apresentam divergências, como são os mixomicetes.

Mixomicetes

São organismos cujo corpo vegetativo é um plasmódio, isto é, um conjunto de elementos plasmáticos unidos e sem parede celular , pelo que se assemelham a uma ameba de grande tamanho. Durante muito tempo, os mixomicetes ocuparam uma posição intermédia entre o reino animal e vegetal, classificando-se desde há algum tempo entre os vegetais com a categoria sistemática de Divisão. O plasmódio contém numerosos núcleos, a sua delgada membrana permite-lhe emitir pseudópodes, com os quais se desloca e como é composto por abundantes carotinóides, tem a cor vermelha ou amarelada. As células contêm também vacúolos.

Alimentam-se de bactérias protozoários e algas microscópicas, que são digeridos no interior de alguns vacúolos, enquanto outros se encarregam de acumular os resíduos e expulsá-los por meio de movimentos pulsativos.

O ciclo reprodutor dos mixomicetes começa quando, em determinadas condições, o plasmódio se fixa ao solo e produz esporângios, contendo no interior numerosos esporos.

Estes dispersam-se e, depois da germinação, formam uma célula flagelada que é capaz de se deslocar sobre uma superfície. A célula perde lentamente os flagelos e converte-se numa espécie de ameba chamada mixameba. Mais tarde as mixamebas unem-se aos pares e dão lugar a um ovo ou zigoto. Por último, vários zigotos desenvolvidos unem-se constituindo uma novo plasmódio.

Arquimicetes

São os fungos mais sensíveis, pois quase não têm micélio e partilham várias características com os mixomicetes. Têm uma fase amebóide e outra flagelada.

Formam plasmódios plurinucleados que produzem esporos ciliados (zoósporos) e gâmetas.

Vivem sobre tecidos vegetais como saprófitas ou parasitas, penetrando no interior das células afetadas, sendo agentes causadores de diversas doenças em plantas cultivadas, como por exemplo, a verruga-negra da batata e a pôtra da couve.

Ficomicetes

Os ficomicetes ou (conforme a etimologia do termo) fungos-algas, recebem esta última designação pela semelhança do seu micélio com o talo de algumas algas.

Este micélio, sem membranas transversais, tem o aspecto de um tubo (tubuliforme) às vezes ramificado, e apresenta numerosos núcleos.

Reproduzem-se por meio de esporos flutuantes com um ou dois flagelos (zigósporos), e sexuadamente através da união de gâmetas, que podem ser iguais ou diferentes.

Eumicetes

Esta classe, a dos fungos superiores, é a mais evoluída das três que se consideram.

Possuem um micélio pluricelular bem desenvolvido, internamente dividido por membranas transversais.

Para se reproduzirem, desenvolvem uns corpos frutíferos, bem diferenciados do resto do micélio, que produzem esporângios de dois tipos: células grandes de forma tubular ou globosa situadas no extremo das hifas férteis (recebendo o nome de ascos que contêm no seu interior os ascósporos) e células terminais das hifas, dilatadas, com quatro prolongamentos no extremo, em cada um dos quais se encontra um esporo; estas formações recebem o nome de basídio e os esporos que contêm o de basidiósporos.

Fungos
Basídio

Os fungos com o primeiro tipo de esporângio, ou seja, os ascos, chamam-se ascomicetes, e os segundos basidiomicetes.

Estes dois grupos têm a categoria sistemática de subclasse.

Ascomicetes

Estes fungos, envolvendo cerca de 20 000 espécies, possuem um micélio muito desenvolvido, com hifas e células de um ou vários núcleos.

Nas espécies menos evoluídas, os ascos não apresentam proteção, enquanto as mais desenvolvidas têm uma estrutura de forma globosa ou alongada (ascocarpo) que contém os ascos.

Estes produzem geralmente 4 ou 8 esporos (ascósporos), muito raramente 16 ou 32.

Os ascos reúnem-se, com frequência, numas estruturas chamadas himénios, que contêm as hifas estéreis. Em alguns fungos deste grupo, como as trufas, os ascos encontram-se incluídos numa massa que é, neste caso, um corpo comestível.

Além dos ascósporos, os ascomicetes produzem também outro tipo de esporos, os chamados conídios, que se originam em hifas especiais.

Os ascomicetes incluem espécies parasitas, saprófitas e simbiontes. Algumas delas causam doenças nas plantas, se bem que, por vezes, as substâncias que produzem tenham aplicações médicas, como é o caso da cravagem do centeio (Claviceps purpurea), que contém vários alcalóides.

Fungos
Bolores

Os míldios causam grandes prejuízos na agricultura. A eles pertencem também numerosos bolores dos frutos e géneros como Penicillium, que são produtores de antibióticos. As leveduras são fungos deste tipo que se utilizam nas fermentações alcoólicas para obtenção de vinho e cerveja. Entre os ascomicetes macroscópicos encontram-se alguns comestíveis, como as já mencionadas trufas, muito apreciadas pelo seu aroma, e diversas espécies de cogumelos do género Morchella.

Fungos
Cogumelos

Basidiomicetes

Compreendem cerca de 15 000 espécies de fungos muito evoluídos, incluindo a maioria dos conhecidos "cogumelos", tanto comestíveis como venenosos. O corpo frutífero, estroma, tem a forma de um pé ou estirpe que sustenta um "chapéu" ou umbráculo. O himénio que contém os esporos encontra-se na parte inferior do chapéu.

Os esporos, geralmente em número de quatro, ao caírem num substrato adequado germinam e produzem um micélio primário que irá, por sua vez, produzir outros esporos; em seguida, estes formam um micélio secundário.

Os fungos deste grupo crescem em todas as regiões de clima temperado e quente.

Fungos
Cogumelo de leite

Entre as espécies mais apreciadas em Portugal, podem citar-se: o míscaro-da-terra, Lepiota procera, de cor branca manchada de castanho escuro; o míscaro-amarelo, Tricholoma equestre; o cogumelo de leite, Lactarius deliciosus, avermelhado-claro manchado de verde; os tortulhos, Psaliotta arvensis e P. campestris, cor-de-rosa com chapéu tracejado a amarelo; o boleto-bom ou pão-de-ló,Boletus edulis, de chapéu castanho escuro e pé esbranquiçado. A espécie Amanita phalloides, com o chapéu amarelo e o pé branco tracejado de amarelo, é um dos cogumelos mais venenosos, sendo mortal.

Pertencem também aos basidiomicetes as ferrugens, que causam grandes prejuízos nas culturas de cereais.

A Importância dos Fungos

Nem bichos, nem vegetais, os fungos são tão esquisitos que formam um reino parte na natureza. Versáteis, entram tanto na fabricação de queijos quanto no controle de qualidade de produtos industriais.

Eles mofam pães, estragam sapatos e tingem paredes com manchas verdes. Ao mesmo tempo fontes de remédios — sobretudo antibióticos — e provocadores de doenças, também são mundialmente consumidos na forma de pratos nobres, como as raríssimas e caras trufas e o champignon. Pioneiros entre as formas de vida na Terra, são tão diversos entre si e diferentes de todos os outros seres do planeta que, depois de muita controvérsia sobre sua classificação, acabaram considerados um reino à parte na natureza. Os fungos, essas esquisitas criaturas que crescem tanto em organismos vivos como nos mortos, começam a ser cobiçados para ajudar empresas brasileiras no controle de qualidade de produtos industrializados.

De inconvenientes, os bolores e mofos tornaram-se mais um instrumento dos cientistas nas pesquisas com medicamentos, desinfetantes, inseticidas e, mais recentemente, anticorrosivos e simplificadores dos mecanismos de produção de álcool. Isso fez crescer o interesse de várias indústrias pelos fungos, fato que está causando furor nas micotecas, os laboratórios que os criam; armazenam e distribuem, classificando-os segundo sua origem e características peculiares. À medida que cresce a procura, aumenta a quantidade de tipos explorados. "Na busca desenfreada para conhecê-los melhor, eles ganharam casa própria e pedigree", compara o biólogo e micologista Mário Gatti, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Com 1 942 tipos diferentes, a micoteca da Fiocruz é a maior coleção brasileira do gênero.Existem no mundo cerca de 300 bancos de fungos. O mais completo deles é o da American Type Culture Collection (ATCC), nos Estados Unidos. Ali estão disponíveis mais de 50 000 micro-organismos diferentes, metade composta de fungos, bactérias e protozoários, que serviram de base para quase todas as coleções conhecidas. Acostumada a fornecer amostras para pesquisas universitárias e testes de esterilidade de medicamentos e cosméticos, a "fábrica" de fungos da Fiocruz conquista novos clientes. No ano passado, o número de pedidos de amostras de fungos dobrou em relação ao ano anterior.

Mário Gatti, um dos curadores dessa micoteca, associa o crescimento à vigência do Código de Defesa do Consumidor. "As empresas estão mais preocupadas com a garantia da qualidade de seus produtos", acredita.Entre a clientela dos bancos de fungos, os maiores consumidores dos microorganismos comercializados no planeta foram os fabricantes de medicamentos e cosméticos. Empresas como Johnson & Johnson e Glaxo empregam fungos nos testes laboratoriais para controlar a qualidade de seus produtos. O processo implica contaminar propositadamente amostras do que se quer testar com fungos, principalmente o Aspergillus niger, encontrado em abundância na natureza. São feitas então análises periódicas para constatar se a população de fungos aumentou ou diminuiu.

Se diminuiu até não sobrar quase nenhum, significa que o conservante daquele produto é eficiente. "Nossos produtos nas prateleiras precisam manter a mesma capacidade de preservação do produto recém-fabricado'', avalia Lenir Garcia, gerente de microbiologia da Johnson & Johnson.

Na busca de seu principal alimento, o carbono, alguns fungos são odiados porque degradam materiais largamente utilizados pela indústria, como plásticos e metais. Para saber se seus produtos vão durar além das portas da fábrica, os responsáveis pelo controle de qualidade das empresas colocam-nos em contato com os fungos existentes lá fora. É isso que faz há cinco anos o Instituto Militar de Materiais Bélicos (Imbel) para medir a resistência à corrosão dos componentes de seus apareIhos radiotransmissores e detonadores de explosivos. Ulysses D'Elia, o biólogo responsável por este trabalho, coloca as peças a serem examinadas junto com uma batata comum numa câmara lacrada, onde também é introduzido um pool de fungos especialmente selecionados. "Em terra, no mar ou no ar, os equipamentos têm de agüentar as mais variadas intempéries, possíveis de acontecer em qualquer região do Brasil", conta D'Elia. Dentro da câmara, são simuladas durante 28 dias todas as condições ambientais a que os aparelhos estarão submetidos. “A batata funciona como um termômetro, que mostra se os microorganismos estão sendo ativos. Em caso positivo, os fungos tomarão toda a batata", explica D'Elia. Experiências semelhantes também são realizadas pelo Instituto de Pesquisas da Marinha, em testes de resistência à corrosão dos equipamentos de navios e submarinos.Enquanto a capacidade deteriorativa dos fungos é problema para alguns, outros têm nesta característica um grande aliado. É o caso da produção de álcool combustível. que pode se tornar muito mais simples se nela forem aplicados alguns estudos realizados pelos cientistas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo. Liderada pelo bioquímico egípcio Hamza El-Dorry, esta equipe se utiliza do fungo Trichoderma reesei, descoberto durante a Segunda Guerra Mundial, para degradar celulose (a matéria-prima do papel) até a obtenção de glicose, que depois de fermentada se transforma em álcool. Na década de 40, esse fungo foi estudado em caráter de urgência por laboratórios americanos, pois desintegrava em poucos dias o tecido das barracas de campanha do Exército, armadas em campo de batalha.Os pesquisadores da USP já isolaram o gene do fungo que determina suas características glutonas. Agora, os esforços se concentram em conhecer como ele produz a enzima que degrada a celulose para inserir esse gene na levedura convencionalmente utilizada para transformar a glicose em álcool. "Estamos criando um processo único e integrado, que permite a obtenção de álcool até do bagaço da cana-de-açúcar, de madeiras e papéis jogados no lixo", preconiza El-Dorry. As leveduras também são empregadas na fabricação de cereja, vinhos e fermento para pães e bolos. Alguns fungos são ainda a peça fundamental de queijos finos.

Dizer que um queijo está embolorado não significa necessariamente que ele esteja estragado.

Pelo contrário: o sabor dos queijos roquefort, gorgonzola e camembert depende do trabalho dos fungos. No dois primeiros tipos, o gosto picante e o forte aroma somente são obtidos por meio da perfuração de suas massas já prontas, onde são introduzidos bolores que ali se desenvolvem com a presença de ar.

Os queijos camembert passam por um banho de imersão numa solução de mofo para chegarem à textura cremosa característica. Crescendo de fora para dentro de cada queijo, os fungos formam na parte externa aquela fina superfície dura e branca. Tanto as manchas verdes como a película branca são muito diferentes do bolor de um queijo estragado. Os bolores, como o Penicillium citrino, secretam substâncias potencialmente tóxicas, como a citrinina, que atacam células do fígado.Antes que cheguem à mesa, vários alimentos podem tomar contato com fungos ainda na lavoura. Em Brasília, o Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está elaborando um catálogo com mais de 300 fungos isolados para pesquisas na área de controle biológico de lavouras, ou inseticidas biológicos.

Marcos Rodrigues de Faria, um dos engenheiros agrônomos envolvidos no projeto, explica como são feitos os testes para criação dos bioinseticidas: "Pegam-se as larvas do inseto contra o qual se quer combater. Elas são mergulhadas em uma suspensão líquida contaminada com algum fungo, geralmente Beauveria bassiana ou Metarhizium amisopliae. Se ele for capaz de matar a larva, será utilizado como inseticida".Aproveitar todo o potencial dos fungos não foi um caminho fácil de ser percorrido pelos estudiosos. Pesquisados em várias frentes desde o final dos anos 20, quando chegaram a público as descobertas do bacteriologista Alexander Fleming, só na década de 60 se chegou a um acordo sobre a identidade desses organismos. "Fungo não é vegetal nem animal, apesar de ter características de plantas e de animais", afirma Pedrina Cunha Oliveira, farmacêutica e bioquímica que estuda esses seres desde 1964.

Responsável pelo departamento de micologia da Fiocruz, ela ensina que "o fungo é considerado animal porque seu alimento de reserva é o glicogênio, e não o amido, como em todas as plantas".

Mas também era considerado planta pela sua própria morfologia: "Se olhado num microscópio, o fungo parece uma flor. Mesmo assim, eles não produzem cloroplastos, portanto não fazem fotossíntese".

Esta diferença em relação aos outros seres é que levou à criação do reino Fungi, um dos cinco reinos da natureza. Os outro quatro são o Animalia, dos animais; Plantae, dos vegetais; Monera, de organismos unicelulares como as bactérias; e Protista, dos organismos unicelulares como os protozoários.

Saber com exatidão quais são esses seres que jogam ora contra, ora a favor do homem foi só o começo: "A história dos fungos é linda e foi pouco estudada", diz Pedrina. "Seu potencial encontra se em aberto."

Antibiótico por acaso

Enquanto alguns fungos provocam espirros, outros salvam vidas. Prova dessa benevolência dos membros do reino Fungi é a descoberta que o bacteriologista Alexander Fleming (1881-1955) fez em 1928. Ele trabalhava num laboratório em Paris, na França, quando descobriu um ser alienígena desenvolvendo-se no meio das bactérias Staphylococcus com as quais realizava pesquisas. Em vez de ficar irado com o intruso, Fleming decidiu estudá-lo e o identificou como sendo esporos do fungo Penicillium notaram que estavam “acidentalmente" inibindo o desenvolvimento das bactérias. Ele acabava de descobrir a penicilina, o primeiro de uma série de antibióticos que revolucionaram a Medicina.

Fonte: br.geocities.com

Fungos

1. Introdução

Micologia

É o ramo da Biologia que estuda os fungos, ela engloba o estudo de um grande número de seres pluricelulares ou macroscópicos ou unicelulares ou microscópicos. Estes últimos, principalmente os micro-fungos parasitas, pertencem ao domínio da Microbiologia.

Definir os exatos limites do grupo é virtualmente impossível. Atualmente, os biologistas usam o termo FUNGO para incluir: "os organismos aclorofilados, nucleados, produtores de esporos, que geralmente se reproduzem sexuadamente à assexuadamente e cujas estruturas somáticas filamentosas e ramificadas são envolvidas por paredes celulares contendo celulose ou quitina ou ambas."

Os fungos incluem organismos muito diversificados e em muitos casos pouco relacionados. Apresentam algumas características comuns aos vegetais e outras aos animais, sendo que sua posição entre os seres vivos foi polêmica durante muitos tempo.

No sistema de cinco reinos, proposta por Wittaker (1969) para a classificação dos seres vivos, o grupo adquiriu identidade própria: Reino Fungi (grego: sphongos = esponja; latin = fungus).

Alexopoulos & Mimus (1979) adotaram a posição do reino para o grupo, mas com outra terminologia: Reino Mycetae (grego: mykes = cogumelo).

A taxonomia dos fungos tem sido tratada, classicamente, em livros textos de botânica. Micologia é relativamente recente (cerca de 250 anos), se comparada com a Botânica e Zoologia. Muito grupos de fungos são conhecidos somente a 30-40 anos. Os fungos são popularmente pouco conhecidos. Poucas pessoas têm consciência da importância dos fungos em nosso dia a dia. Basta lembrar que a Micologia tem ramificação, aplicações e disciplina na Medicina, Veterinária, Bioquímica, Genética, Citologia, etc.

2. Características Gerais

Os fungos são encarióticos, diferem, portanto, das bactérias, algas azuis e proclorofíceas. Como já foi mencionado anteriormente, os fungos não possuem clorofila e nesta característica constituem um grupo bastante homogêneo; não há exceções.

Excetuando-se os raros casos, possuem paredes celulares definidas, são geralmente imóveis, porém podem possuir estágios reprodutivos móveis, reproduzindo-se assexuadamente através de esporos, na maior parte dos casos. Não possuem caule, raízes ou folhas, nem um sistema de condução sofisticado como as plantas superiores. A forma varia desde um simples talo esférico sem qualquer outro acessório e que se transforma totalmente em um esporângio na maturidade, até a forma filamentosa multicelular (micelial), ramificada ou não. Os núcleos são relativamente fáceis de serem observados e as estruturas somáticas, com raras exceções, demonstram possuir restrita ou nenhuma divisão de trabalho.

O crescimento do filamento - a hifa - é apical, porém as outras partes do fungo possuem potencialidades de crescimento. Assim um pequeno fragmento de quase qualquer parte do fungo é suficiente para dar início a um novo talo.

De modo geral as estruturas somáticas são diferentes das estruturas reprodutivas e estas possuem uma diversificação de formas nas quais se baseia a classificação desses organismos. Poucos são os fungos que podem ser identificados na ausência de seus estágios sexuados.

Neste caso devem ser colocados na classe formal: Deuteromycetes.

3. Nutrição e Crescimento

Os fungos são aclorofilados e heterotróficos. Possuem pigmentos responsáveis pelas cores variadas que apresentam mas nenhuma capaz de absorver energia para síntese de carbohidratos a patir de CO2. Assim, são heterotróficos, mas se nutrem por obsorção, ao contrário dos animais, por ingestão. Excetuam-se os representantes da classe Nyxomicetes que também se nutrem por ingestão.

Os fungos dependem de água líquida para seu crescimento e desenvolvimento. A maioria também depende do oxigênio para a respiração, sendo, portanto, aeróbicos. Muitos entretanto, são anaróbicos facultativos, isto é, respiram na presença de oxigênio e fermentam na ausência.

Conforme a nutrição, os fungos são classificados em duas categorias: s aprófitas (ou sapróbios) e parasitas. Os saprófitas se alimentam de matéria orgânica animal ou vegetal morta e os parasitas vivem dentro de ou sobre organismos vivos (animais ou vegetais), deles retirando seus alimentos.

Entretanto, nem sempre se pode fazer uma clara distinção entre parasitas e saprófitas.

Entre os parasitas, pode-se distinguir 3 níveis de parasitismo:

a) Parasita obrigatório: É aquele que só pode viver sobre um hospedeiro. Ex.: Erysiphe sp.
b) Saprófita facultativo:
Normalmente vive como parasita e deste modo atinge seu maior desenvolvimento. Entretanto, dependendo das circunstâncias pode viver como saprófita. Ex.: Phytophtora infestans (parasita de batata) pode se desenvolver em meio de ágar, em laboratório.
c) Parasita facultativo:
É aquele que geralmente é saprófita, mas pode se tornar parasita. Isto ocorre, por exemplo, com certas espécies da Fusarium que habitam o solo vivendo como saprófitas. Se um hospedeiro vegetal (plântulas, por exemplo) adequado for colocado no solo, o fungo passa a atacá-lo, vivendo agora como parasita.

Os fungos vivem exclusivamente como saprófitas, são chamados saprófitas obrigatórios . São incapazes de infectar plantas ou animais vivos.

São exemplos destes: Rhizopus ("bolor preto do pão"); Penicillium ("bolor azul").

Os fungos podem viver ainda em simbiose com outros organismos. O exemplo mais notável são os líquens, nos quais uma determinada espécie de fungo vive em simbiose com uma alga.

Outro exemplo é o da micorriza, onde o fungo vive associado às raízes de plantas superiores. As hifas do fungo funcionam como pelos absorventes, retirando água e sais da solução de solo, transferindo-os às raízes da planta. Esta, por sua vez fornece substâncias elaboradas ao fungo.

Para o seu desenvolvimento, necessitam de carboidratos. Estes são necessários para a construção do corpo do fungo e como fonte de energia. Num fungo típico, 50% do peso seco são representados por Carbono. Dos carboidratos, os fungos utilizam glicose, frutose, maltose. A sacarose é também boa fonte de carbono para algumas espécies. Alguns fungos utilizam proteínas, lipídios e certos ácidos orgânicos como fontes de energia.

O crescimento, entretanto, é sempre melhor quando o fungo se encontra sobre um substrato que contém um carboidrato apropriado.

Além do carbono, os fungos necessitam de Nitrogênio. Para conseguí-lo, eles se utilizam de fontes orgânicas ou inorgânicas daquele elemento. As principais fontes orgânicas são as proteínas, peptídios e aminoácidos. Na natureza, os fungos decompõem proteínas, e outras matérias para obterem seu suprimento de Nitrogênio. Muitos fungos, entretanto, obtém o Nitrogênio a partir de fontes inorgânicas, como nitratos e sais de amonia.

Hidrogênio e Oxigênio são obtidos na forma de água que representa cerca de 85-90% do peso total do micélio.

Entre os macronutrientes, os fungos requerem além do Nitrogênio, Enxofre, Fósforo, Potássio e Magnésio. Estes elementos são obtidos a partir de sais inorgânicos ou de outras fontes como sulfatos para o Enxofre e fosfatos para o Fósforo.

Para o seu completo desenvolvimento, utilizam ainda micronutrientes como: Ferro, Zinco, Cobre, Manganez, Boro, Cobalto e Molibdênio.

Como os outros organismos, necessitam de diminutas quantidades de Vitaminas . Muitas espécies sintetizam suas próprias vitaminas; outras obtem, ou aos seus precursores, a partir de substratos.

Tais vitaminas incluem: tiamina (B1 ), piridoxina (B6) e riboflavina (B2). Poucas espécies usam também ácido nicotínico e ácido pantotênico, sendo que a grande maioria, contudo, requer a tiamina.

Quanto à temperatura, a maioria dos fungos cresce bem entre 0ºC e 35ºC, mas o ótimo fica na faixa de 20ºC a 30ºC. Podem ocorrer casos extremos de tolerância tanto à altas como baixas temperaturas.

Quanto ao pH, os fungos preferem meio ácido para o seu crescimento, ficando o ótimo no redor de 6.

O fator luz não é importante para o seu desenvolvimento, mas um pouco de luz é essencial para a ocorrência de esporulação em muitas espécies. A luz também toma parte na dispersão dos esporos, sendo que os esporângios de muitos fungos são positivamente fototrópicos e descarregam seus esporos em direção luz.

Tipicamente, o talo de um fungo consiste de filamentos ramificados em todas as direções, sobre ou dentro de substrato que exploram como alimento. Tais filamentos se denominam HIFAS (grego: hiphe = tecido, trama). O conjunto de hifas se chama MICÉLIO (grego: mykes = fungo). Cada hifa pode ou não estar interrompido por septos. O micélio que contém septos é chamado septado e o que não apresenta septos em suas hifas, é dito cenocítico (grego: Koinos = comum; Kytos = cavidade).

As septadas podem apresentar septo completo, com poro simples ou poro doliporo.

O micélio pode ser classificado em dois tipos de acordo com o arranjo das hifas: Prosênquima e pseudoparênquima . O micélio do tipo prosênquima caracteriza-se por sua aparência distintamente filamentosa, enquanto no pseudoparênquima a estrutura filamentosa não pode ser reconhecida, isto é, lembra um parênquima. Os fungos parasitas emitem hifas especiais por entre as células do hospedeiro ou para dentro delas, sugando-lhes os nutrientes através de uma estrutura denominada HAUSTÓRIO. (Latim: haustor = o que bebe).

Fonte: www.estudanet.hpg.ig.com.br

Fungos

A biotecnologia consiste no uso de sistemas celulares para o desenvolvimento de processos e produtos de interesse econômico ou social. Entre os sistemas celulares, os fungos são de grande interesse biotecnológico. Talvez sejam eles, dentre os seres vivos, os que mais têm contribuído com produtos e processos de importância fundamental para o bem-estar da população. Mas, que são os fungos e o que eles fazem? É o que será visto a seguir.

O que são os fungos?

Os fungos, também chamados de bolores, mofos ou cogumelos, estão interferindo constantemente nas nossas atividades diárias. Eles são tão importantes que hoje constituem um reino à parte, lado a lado com os reinos vegetal e animal. Fica difícil definir os fungos tal é a sua diversidade. No entanto, eles possuem algumas características em comum que os distinguem dos outros seres vivos.

Em geral, eles apresentam filamentos, as chamadas hifas, com paredes rijas, ricas em quitina, o mesmo material que reveste insetos como besouros; têm características heterotróficas, isto é, não possuem clorofila e, portanto, necessitam de material orgânico para viver, sendo sua nutrição feita por absorção de nutrientes graças à presença de enzimas que são por eles produzidas e que degradam produtos como, por exemplo, celulose e amido.

Por outro lado, os fungos são eucarióticos, isto é, possuem um núcleo típico no interior de suas células, comparável ao das plantas e animais. Reproduzem-se por via sexual ou assexual e assim possuem divisões celulares do tipo mitose e meiose, tendo sempre como produto final os esporos que são órgãos de reprodução, resistência e disseminação. Na verdade, o reino dos fungos é um dos mais numerosos. Estima-se que existam pelo menos um milhão e quinhentas mil espécies de fungos espalhadas pelo mundo. Isso é muito mais do que todas as espécies vegetais e animais somadas, excluindo-se os insetos.

E por incrível que pareça, apenas cerca de 70.000 espécies de fungos foram até hoje descritas, ou seja, menos de 5% das possivelmente existentes. Se entre esses cinco por cento de espécies, já existem muitas de grande importância, como as que entram na fabricação de alimentos, incluindo bebidas, de ácidos orgânicos, de fármacos e inúmeros outros produtos, pode-se imaginar o que se espera com a descoberta de novas espécies com distintas propriedades potencialmente de valor biotecnológico.

Em particular no Brasil, que é o país que possui a maior biodiversidade do mundo, a busca de novas espécies de fungos deverá produzir resultados extremamente interessantes do ponto de vista biotecnológico. Mas para o leigo, o que fazem os fungos? Na maioria dos casos, eles são vistos pela população como prejudiciais, uma imagem que é dada pelas poucas espécies dentro do reino que causam as micoses do homem e animais ou as que são responsáveis por doenças em plantas cultivadas.

Outras pessoas associam os fungos com os bolores ou mofos que invadem paredes úmidas das residências, artigos de couro ou ainda cobrem os alimentos, como frutas e grãos armazenados. De uma forma mais favorável, eles podem ser associados culinária, como é o caso dos cogumelos de chapéu usados em sopas, pizzas e nos strogonoffs. Essa é a imagem que o grande público tem sobre os fungos.

O que é esquecido é que eles são também os responsáveis pela produção de antibióticos como a penicilina, a griseofulvina ou a cefalosporina, de vitaminas como a riboflavina, de esteróides, de ácido cítrico, usado na fabricação de refrigerantes, medicamentos, balas e doces, de enzimas tipo celulases, quitinases, proteases, amilases e muitas outras de valor industrial, de etanol, usado como combustível nos automóveis, como solvente e desinfetante, ou ainda nas fermentações alcoólicas, produzindo bebidas como o vinho, a cerveja, o saquê e os destilados. Eles também entram na panificação, na fabricação e maturação de queijos como o gorgonzola, o camembert e o roquefort, em alimentos exóticos orientais, entre muitos outros produtos.

Também de grande importância agrícola e ecológica, são eles que mantêm um equilíbrio, decompondo restos vegetais, degradando substâncias tóxicas, auxiliando as plantas a crescerem e se protegerem contra inimigos, como outros microrganismos patogênicos, insetos-pragas da agricultura ou herbívoros. Enfim, os fungos constituem um reino que, se extinto, ocasionaria também o desaparecimento da maioria das espécies atualmente existentes, inclusive a humana, uma vez que sem os fungos os ciclos biológicos não seriam completados. Não é por acaso que eles são considerados como de grande importância para a genética e a biotecnologia, como será visto a seguir.

A genética de fungos e as novas tecnologias

Os fungos têm contribuído com enorme soma de conhecimentos para um melhor entendimento dos processos genéticos. Como se sabe, a genética é a ciência da hereditariedade ou transmissão de características de pais para filhos ou de ascendentes para descendentes. Como já mencionado, sendo eucarióticos, além de reproduzirem-se rapidamente, eles puderam ser usados, com eficiência, na resolução de problemas genéticos. Foi utilizando fungos filamentosos e leveduras que se descobriu em 1941 que genes produziam enzimas e outras proteínas.

Veio a seguir uma avalanche de conhecimentos derivados do uso de fungos, como sistemas genéticos que não só confirmaram as regras da ciência da hereditariedade, mas também contribuíram para a consolidação da biotecnologia como um todo. Foi por meio de técnicas genéticas clássicas, como busca da variabilidade natural, selecionando-se linhagens mais apropriadas, e pelo uso de mutantes e de cruzamentos entre linhagens, que se conseguiu realizar o melhoramento genético de muitos fungos de valor industrial. O exemplo mais típico e de maior sucesso foi o do melhoramento genético do fungo produtor de penicilina, como será visto mais adiante. Apesar dessa enorme contribuição, a moderna biotecnologia, com as novas tecnologias, como a fusão de protoplastos e a tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética, só foi usada de forma mais rotineira, em fungos, a partir de meados dos anos 70 e início dos anos 80.

Com os processos de fusão de protoplastos e de transformação genética, foi possível a manipulação genética dos fungos, permitindo com que novas características de valor biotecnológico fossem adicionadas a espécies já utilizadas comercialmente, aumentando assim o seu potencial biotecnológico. Alguns fungos, principalmente leveduras, que são aqueles que se reproduzem por brotamento, como Saccharomyces cerevisiae, já vêm sendo usados desde a Antiguidade na fabricação de produtos alimentícios, como o pão; outros fungos vêm sendo também empregados na fabricação de produtos de uso diário, como é o caso do ácido cítrico produzido por Aspergillus niger.

Sabe-se assim que esses fungos não causam qualquer problema, sendo eles próprios, ou seus produtos, ingeridos pela espécie humana e outros mamíferos. Desta forma, esses fungos constituem-se em hospedeiros ideais para albergar genes provenientes de outros organismos. A produção de hormônios, como a insulina ou o hormônio de crescimento humano, ou, ainda, a produção de outros tipos de fármacos, como o interferon, usado contra alguns vírus, pode ser levada a cabo tendo fungos como hospedeiros de genes responsáveis pela produção dessas substâncias. Em bactérias, hospedeiros tradicionais de genes clonados, as proteínas não são modificadas de maneira apropriada, como ocorre em seres eucarióticos, como os fungos. Além do mais, há um maior conhecimento no uso de fungos em fermentações industriais devido a sua grande utilização na produção de antibióticos e etanol. Finalmente, o rendimento em peso por litro do produto desejado é, em geral, maior, quando fungos são utilizados como hospedeiros de genes clonados. De tudo isso, pode-se concluir que cada vez mais eles tendem a ocupar um papel de destaque na biotecnologia. Fica difícil descrever aqui todas as aplicações biotecnológicas que os fungos apresentam. No entanto, alguns exemplos serão dados para que o leitor tenha ciência da importância dos fungos em biotecnologia. No presente artigo, alguns exemplos foram escolhidos pelo seu valor econômico ou histórico ou por serem derivados de trabalhos realizados no Brasil.

A produção de antibióticos

Um dos exemplos mais impressionantes de melhoramento genético, utilizando técnicas de genética clássica, incluindo seleção e mutação, ocorreu no fungo filamentoso Penicillium chrysogenum. Quando Fleming relatou, pela primeira vez, em 1929, o grande valor potencial desse fungo produtor da penicilina no combate a doenças infecciosas causadas por bactérias, estava longe de imaginar que sua linhagem, que produzia menos de 2mg do antibiótico por litro de meio de cultivo, teria sua produção melhorada em milhares de vezes. Por seleção natural, foram obtidas linhagens com produção de 60mg/litro. Graças a técnicas de indução de mutações e seleção de mutantes, além da melhoria das condições de cultivo, os aumentos foram constantes até atingir o valor de 7g/litro. Atualmente, estima-se que existam linhagens industriais de Penicillium capazes de produzir mais de 50g/litro, ou seja, um aumento de 25.000 vezes em relação linhagem original de Fleming.

Esse exemplo demonstra a importância das técnicas clássicas no melhoramento genético de microrganismos de valor industrial. Aliás, foi com a produção de antibióticos que a biotecnologia teve seu início efetivo na década de 40, adquirindo em seguida a importância que tem atualmente, quando acrescida das modernas tecnologias, especialmente a do DNA recombinante. É na indústria de antibióticos que existem outros exemplos comparáveis ao descrito para a penicilina, tanto utilizando fungos como bactérias.

A produção de ácidos orgânicos

Diferentes ácidos orgânicos são produzidos industrialmente por fungos. Dentre estes fungos, destaca-se o Aspergillus niger, responsável pela produção de vários compostos úteis, incluindo o ácido cítrico. Exemplos de melhoramento genético empregando-se técnicas de genética clássica e molecular nesse fungo têm sido descritos. No Estado de São Paulo, uma linhagem industrial utilizada para produção de ácido cítrico em cultura de superfície, isto é, em bandejas contendo meio de cultura líquido com sacarose como fonte de carbono, foi melhorada no laboratório do Setor de Genética de Microrganismos do Instituto de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), em Piracicaba, resultando em um aumento na produção de até 30% de ácido, em relação à cultura original. Foram utilizadas técnicas de mutação, seleção e fusão de protoplastos.

Quando as linhagens melhoradas foram levadas à indústria, ocorreram aumentos consideráveis na produção de ácido cítrico. Esse é um dos exemplos brasileiros que demonstram que os princípios genéticos na biotecnologia, quando racionalmente aplicados, podem levar, com poucos custos, a ganhos substanciais na indústria.

A produção de etanol

O Brasil tem larga experiência na produção de álcool combustível. O Programa Nacional do Álcool desencadeado no final dos anos 70, decorrente da crise do petróleo, gerou uma série de tecnologias próprias, tornando o nosso país líder mundial nesse sentido. Não poderia deixar de ocorrer, portanto, o desenvolvimento de processos visando à produção de linhagens melhoradas da levedura Saccharomyces cerevisiae, responsável pela produção de etanol.

Linhagens mais produtivas, com características desejáveis para produção de etanol e com monitoramento na indústria por técnicas de marcação molecular, foram desenvolvidas em vários laboratórios, salientando-se mais uma vez os da ESALQ/USP, em Piracicaba. Por tecnologia do DNA recombinante, os laboratórios de pesquisa das universidades de Brasília e da USP desenvolveram em conjunto linhagens de leveduras contendo genes de amilases capazes de utilizar o amido, por exemplo de mandioca ou batata-doce, na produção de etanol. Essas leveduras manipuladas geneticamente estão sendo aperfeiçoadas e poderão desempenhar um importante papel na produção de etanol. A tecnologia do DNA recombinante tem sido também usada por esses e outros laboratórios brasileiros e do exterior na clonagem e seqüenciamento de genes de interesse industrial em fungos.

A biotecnologia na enologia

Um outro exemplo, também brasileiro, é o do melhoramento via fusão de protoplastos com produção de híbridos, empregando-se espécies diferentes de leveduras utilizadas na fabricação do vinho. Por fusão de protoplastos, foi obtido um híbrido entre as leveduras Saccharomyces cerevisiae e Schizossaccharomyces pombe reunindo características favoráveis dos dois gêneros de fungos em uma só célula. Esta, multiplicada e retrocruzada com a linhagem original de Saccharomyces cerevisiae, resultou em linhagem capaz de utilizar uvas ácidas, como as que ocorrem em certas safras na região Sul do país, na produção de vinhos finos, sem necessidade de utilização de fermentações mistas (duas espécies de leveduras) ou, o que seria pior, adição de açúcar. Esse trabalho resultou em patente que está em vigor, e a levedura melhorada desenvolvida na Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Rio Grande do Sul, já está sendo utilizada com sucesso na produção de vinhos de alta qualidade.

O controle biológico de insetos por fungos

Assim como os fungos podem eventualmente causar doenças em plantas e mamíferos, também os insetos podem ser atacados por certos fungos. Se usados convenientemente, eles podem ser empregados no controle de insetos-pragas de plantas cultivadas ou mesmo de insetos vetores de doenças. O Brasil, possuindo um clima tropical em grande parte de seu território e com vastas áreas cultivadas, tem dificuldades na utilização do controle químico de insetos, que se torna até inviável e antieconômico em certas condições, além de causar desequilíbrios biológicos e problemas de intoxicação.

A solução é então o uso e aplicação de técnicas na produção de "inseticidas microbianos" que possam, se não substituir, pelo menos diminuir o uso de agroquímicos com vantagens econômicas e de preservação do ambiente. O Brasil talvez seja o país onde as pesquisas e a utilização em larga escala de fungos entomopatogênicos, isto é, os que atacam insetos, têm tido maior sucesso. Melhoramento genético clássico, desenvolvimento de marcadores moleculares, clonagem de genes e outros estudos têm sido realizados em um esforço conjunto abrangendo diversas instituições. Assim, vários centros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a ESALQ/USP, a UNICAMP, o Centro de Biotecnologia da UFRGS, a Universidade Estadual de Londrina, a UCS a UFPernambuco, além de empresas privadas, têm trabalhado com fungos como o Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e Nomuraea rileyi aplicando tecnologias clássicas e modernas para um melhor conhecimento da biologia e genética desses fungos e no desenvolvimento de linhagens mais eficientes no controle biológico de insetos.

Controle biológico de doenças de plantas e fungos endofíticos Como no caso do controle biológico de insetos por fungos, existem também exemplos de fungos que atuam como controladores de doenças de plantas. Novamente o emprego racional dos mesmos pode prevenir doenças causadas por microrganismos fitopatogênicos. A utilização desses controladores naturais restringe também a aplicação abusiva de fungicidas. As técnicas de produção massal desses controladores biológicos, a otimização dos processos de aplicação e o melhoramento genético dos fungos empregados, tornando-os mais eficientes, vêm sendo desenvolvidos em laboratórios do Brasil e exterior.

Exemplos de interesse têm sido obtidos em alguns centros de pesquisa da EMBRAPA no Sul e Sudeste do país. Recentemente tem sido verificado que fungos e bactérias encontrados internamente em vegetais, particularmente em suas partes aéreas como folhas e ramos, têm enorme importância no controle de doenças de plantas e também de insetos.

Uma boa quantidade da população de microrganismos que existe no interior de plantas é constituída por fungos que são denominados de fungos endofíticos. Eles, além de controlarem doenças e pragas, podem possuir outras propriedades, como alterar o metabolismo das plantas, impedindo formação de sementes ou produzindo hormônios que causam modificações no desenvolvimento dos vegetais. Existem, também, casos de incremento de produção em plantas, graças à presença desses endofíticos. O estudo de fungos endofíticos é feito em países de clima temperado; entretanto, são escassos os trabalhos com plantas tropicais.

Devido a isso, vários laboratórios do Brasil (ESALQ/USP, UNESP, em Botucatu-SP, Universidade Federal de Goiás, Fiocruz, no Rio de Janeiro, Universidade Federal do Amazonas e outras) têm isolado e encontrado novas características de valor biotecnológico em fungos endofíticos. A sua manipulação genética tem sido feita no intuito de serem clonados genes de interesse, de tal modo que sua reinoculação em plantas cultivadas poderá levar à introdução nos vegetais de características novas e de interesse biotecnológico.

CONCLUSÕES

Os exemplos citados não esgotam nem de longe o potencial que os fungos apresentam em biotecnologia.

A visão que se pretendeu dar por meio dos exemplos selecionados foi de que a genética, o melhoramento genético e a biotecnologia em fungos, embora já tenham produzido resultados realmente assombrosos, como no caso do melhoramento para produção de antibióticos, ainda têm muito mais a oferecer. É evidente que, no Brasil, um número maior de micologistas, geneticistas de fungos e biologistas moleculares tem que existir para conseguir estudar não só as espécies já conhecidas como também toda a biodiversidade ainda inexplorada no grande reino dos fungos.

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Fonte: www.ufv.br

Fungos

COGUMELOS

Os fungos, também conhecidos como cogumelos, são organismos uni ou pluricelulares, destituídos de pigmentos fotossintetizantes. Dotados de parede celular, sua reprodução normalmente envolve a participação de esporos, como ocorre entre as plantas. Mas armazenam glicogênio e apresentam nutrição heterótrofa, como os animais. E, enquanto os animais são heterótrofos por ingestão, os fungos são heterótrofos por absorção.

Fungos
Cogumelo

Os fungos são tão distintos das algas, briófitas e plantas vasculares, quanto o são dos animais.

Tradicionalmente são agrupados com as plantas, mas pertencem a um Reino distinto, Fungi, constituindo um dos cinco principais grupos de organismos vivos, como já foi falado.

Juntamente com as bactérias, os fungos vêm a ser os seres encarregados da decomposição na biosfera, sendo suas atividades tão necessárias à existência permanente do mundo que conhecemos quanto as dos seres produtores de alimento. A decomposição libera gás carbônico na atmosfera e devolve ao solo compostos nitrogenados e outros materiais, que poderão ser novamente usados por vegetais e eventualmente por animais. Foi estimado que os 20 cm superiores da terra fértil possam conter perto de 5 toneladas de fungos e bactérias por hectare.

Os fungos constituem um grupo de microrganismos que tem grande interesse prático e científico para os microbiologistas.

Suas manifestações são familiares: crescimentos azuis e verdes em laranjas, limões e queijos; as colônias cotonosas (aspecto de algodão), brancas ou acinzentadas, no pão e no presunto; os cogumelos dos campos e os comestíveis, entre tantos. Todas representam vários organismos fúngicos, morfologicamente muito diversificados. De um modo geral, os fungos incluem os bolores e as leveduras. A palavra bolor tem emprego pouco nítido, sendo usada para designar os mofos, as ferrugens e o carvão (doença de gramíneas). As leveduras se diferenciam dos bolores por se apresentarem sob a forma unicelular.

Os fungos podem viver como saprófagos, quando obtêm seus alimentos decompondo organismos mortos; como parasitas, quando se alimentam de substâncias que retiram dos organismos vivos nos quais se instalam, prejudicando-os; ou podem estabelecer associações mutualísticas com outros organismos, em que ambos se beneficiam. Em todos os casos, no entanto, os fungos liberam enzimas digestivas para fora de seus corpos e estas atuam diretamente no meio orgânico no qual eles se instalam, degradando moléculas simples, que são então absorvidas pelo fungo. Os fungos saprófagos são responsáveis por grande parte da degradação da matéria orgânica, propiciando a reciclagem de nutrientes, como já foi comentado.

Os fungos são importantes nas fermentações industriais, tais como na fabricação da cerveja, do vinho e na produção de antibióticos (penicilina), de vitaminas e ácidos orgânicos (ácido cítrico). A fabricação de pães e o amadurecimento de queijos também dependem da atividade saprofítica dos fungos.

Como parasitas, os fungos causam doenças vegetais, humanas e animais, embora a maior parte das micoses seja menos severa que as bacterioses ou as viroses.

Pelas, diferenças que apresentam tanto em relação aos vegetais como aos animais, modernamente os fungos são enquadrados num reino “somente deles": o reino Fungi.

O ramo da Biologia que se encarrega do estudo das aproximadamente 10 000 espécies de fungos conhecidas chama-se Micologia.

Na espécie humana são conhecidas diversas micoses, doenças causadas por fungos.

Entre elas podemos considerar: o sapinho ou a candidíase, causada pelo fungo Candida albicans; a frieira ou pé-de atleta, provocada pelo fungo Tinea pedis; a blastomicose sul-americana, micose grave que pode ocasionar a morte por lesões na pele e em órgãos internos, como os pulmões; a dermatose pitiríase (do grego pityron = farelo), caracterizada pela produção de escamas epiteliais que se esfarelam.

Características próprias dos fungos

Os fungos são microrganismos eucarióticos quimiorganotróficos. Reproduzemse, naturalmente, por meio de esporos, com poucas exceções. Além disso, a maioria das partes de um fungo é potencialmente capaz de crescimento; um minúsculo fragmento é suficiente para originar um novo indivíduo. Os fungos não têm clorofila, são filamentosos em geral e comumente ramificados. Os filamentos apresentam paredes celulares constituídas por quitina ou celulose, ou ambas. São imóveis, em sua maioria, embora possam demonstrar células vegetativas móveis.

A maior parte entre todas as classes de fungos produz esporos de dois modos: sexuada e assexuadamente. Os esporos produzidos sexuadamente têm núcleos derivados das células parentais e estas, como os esporos, são, geralmente, haplóides. Dois núcleos de células parentais se fundem para formar um núcleo diplóide zigótico, do qual, por divisão celular redutora (meiose zigótica), originam-se os núcleos dos esporos haplóides. Os esporos sexuados e as estruturas que os contém são usualmente distinguíveis, sob o ponto de vista morfológico, dos esporos assexuados, os quais são formados por simples diferenciação do talo em desenvolvimento (o talo é o fungo individual completo, incluindo as porções vegetativas ou não-sexuadas e todas as estruturas especializadas). Os esporos são muito importantes na classificação dos fungos, sendo as classes diferenciadas pelas características morfológicas dos estágios sexuados e dos esporos.

Os fermentativos: álcool, bebidas, pães, bolos

Na fabricação do álcool e de bebidas alcoólicas, como o vinho e a cerveja, é fundamental a participação dos fungos do gênero Saccharomyces, que realizam fermentação alcoólica, convertendo açúcar em álcool etílico. Esses fungos, conhecidos também como leveduras, são anaeróbicos facultativos, já que realizam respiração aeróbica em presença de gás oxigênio e fermentação na ausência desse gás. Por isso, na fabricação do vinho, por exemplo, evita-se o contato do suco de uva com o ar; assim, em vez de realizar a respiração aeróbica, o fungo processa a fermentação alcoólica, liberando álcool etílico e permitindo a obtenção do vinho.

Antibióticos e queijos

Na indústria de antibióticos, os fungos também têm papel de destaque. Afinal, foi do Penicillium notatum que Alexander Fleming, em 1929, extraiu a penicilina, antibiótico responsável pela salvação de milhares de vidas durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, muitos outros antibióiicos largamente aplicados são conseguidos a partir de culturas de fungos.

O gênero Penicillium, além de abranger espécies fornecedoras de penicilina, compreende outras que são indispensáveis na manufatura de queijos como o roquefort e o camembert.

Liquens

Os liquens resultam da associação entre algas unicelulares (azuis ou verdes) e fungos (principalmente ascomicetos). Nessa interação, as algas constituem os elementos produtores, isto é, sintetizam matéria orgânica e fornecem para os fungos parte do alimento produzido; estes, com suas hifas, envolvem e protegem as algas contra a desidratação, além de lhes fornecer água e sais minerais que retiram do substrato.

Denomina-se mutualismo à interação biológica onde as duas espécies são beneficiadas, como as algas e os fungos que constituem o líquen.

Fonte: www.valerio.bio.br

Fungos

Os fungos podem ser encontrados em praticamente qualquer ambiente, onde participam de maneira muito importante na degradação de matéria orgânica animal e vegetal.

São também responsáveis por diversas doenças nas plantas e podem destruir alimentos e materiais como madeiras e tecidos.

Os fungos têm grande relevância para a medicina, pois algumas espécies produzem substâncias como antibióticos, esteróides, ácidos orgânicos etc. Também têm grande valor para a indústria alimentícia, não só alguns deles são comestíveis como agem como fermentadores de alimentos como vinho, cerveja, pão, queijo etc.

Os fungos não precisam parasitar o homem para sobreviverem, apenas poucas espécies atacam eventualmente o organismo humano causando, em geral, micoses, intoxicações ou envenenamentos.

Ascomiceto

Fungos
Aspergillus sp.

Fungos
Penicillium sp.

Ascomicetos são fungos da subdivisão Ascomycotina. São assim chamados porque no processo de reprodução sexuada (também há a maneira assexuada) formam sacos, conhecidos no meio científico como ascos (daí a origem do nome), que depois transformam-se em esporos.

Nas duas imagens, duas espécies de ascomicetos. A da esquerda pertence ao gênero Aspergillus, agentes oportunistas que podem se desenvolver em pessoas com baixa resistência imunológica (como doentes com leucemia ou aids), causando a aspergilose, doença caracterizada por micoses que geram lesões nos ouvidos, pele, pulmões ossos e meninges. Já a da direita pertence ao gênero Penicillium, responsáveis pela produção da penicilina, substância antibiótica responsável por uma revolução médica após os anos 40.

Fonte: www.fiocruz.br

Fungos

Fungos, grupo formado por diversos organismos unicelulares ou pluricelulares que se alimentam através da absorção direta de nutrientes.

Os alimentos dissolvem-se por causa das enzimas que eles secretam; em seguida, são absorvidos através da fina parede da célula e distribuem-se por difusão simples no protoplasma.

Junto com as bactérias, os fungos são os causadores da putrefação e decomposição de toda a matéria orgânica.

Existem fungos em qualquer parte onde existam formas de vida.

Alguns são parasitas de organismos vivos e produzem graves doenças em plantas e animais. Certos fungos vivem em simbiose com algas formando estruturas características chamadas líquens. A disciplina científica que estuda os fungos chama-se micologia.

Os fungos figuravam nas antigas classificações como uma divisão do reino das Plantas; mas, atualmente, muitos cientistas os consideram um grupo completamente separado dos outros, que evoluiu a partir de flagelados sem pigmentos. Ambos os grupos se incluem no reino Protista. Também se classifica os fungos como um reino à parte, devido à complexidade de sua organização. Existem cerca de cem mil espécies de fungos conhecidas.

Os fungos são, em sua maioria, constituídos por fibras finas que contêm protoplasma, chamadas hifas. Em geral, elas são separadas por divisórias que recebem o nome de septos. Em cada hifa existe um ou dois núcleos e o protoplasma se move através de um pequeno poro situado no centro de cada septo. A proliferação de hifas, por alargamento das pontas ou por ramificação, chama-se micélio.

Quando o micélio se desenvolve, pode chegar a formar grandes corpos frutíferos, tais como os cogumelos e a bufa-de-lobo. A maior parte dos fungos se reproduz por esporos, diminutas partículas de protoplasma rodeadas pela parede celular.

Os esporos são formados de duas maneiras. No primeiro processo, originam-se depois da união de dois ou mais núcleos, o que ocorre dentro de uma ou de várias células especializadas. Os quatro tipos de esporos que se produzem desta maneira (oósporo, zigósporo, ascósporo e basidiósporo) definem os quatro grupos principais de fungos.

Os oósporos se formam pela união de uma célula macho e outra fêmea; os zigósporos formam-se pela combinação de duas células sexuais similares. Os ascósporos, que costumam dispor-se em grupos de oito unidades, ficam contidos em bolsas chamadas ascos. Os basidiósporos, por sua vez, reúnem-se em conjuntos de quatro unidades dentro de estruturas com dentículos chamadas basídios.

O outro processo mais comum de produção de esporos implica na transformação das hifas em numerosos segmentos sem a união prévia de dois núcleos.

Os principais tipos de esporos reprodutivos formados assim são: oídios, conídios e esporogônios. Estes últimos originam-se no interior de receptáculos, parecidos com vesículas, chamados esporângios.

A maioria dos fungos produz esporos sexuais e assexuais.

Os fungos são utilizados em diversos processos industriais, como a fermentação alcoólica, o processo de elaboração do pão, a fabricação de cola líquida, de tintas e corantes e a elaboração de antibióticos.

Os micólogos englobam os fungos em quatro filos (divisões) principais: oomicetos (Oomycota), zigomicetos (Zygomycota), ascomicetos (Ascomycota) e basidiomicetos (Basidiomycota) e seus indivíduos formam, respectivamente, oósporos, zigósporos, ascósporos e basidiósporos.

Muitas espécies são classificadas, de forma arbitrária, em um quinto filo: os deuteromicetos (Deuteromycota), também chamados fungos imperfeitos. Nesse grupo se incluem as espécies das quais se desconhece a forma pela qual produzem esporos.

"Fungos do lodo" (protistas semelhantes a fungos)

Estes protistas têm algumas semelhanças significativas com as amibas, como o alimentar por fogocitose, ou a quitina presente nas paredes celulares.

Reino Fungi

Os fungos tratam-se de microorganismos eucariontes, podendo ser uni ou pluricelulares (mais frequente) que não possuem clorofila, pelo que não podem sintetizar o seu próprio alimento a partir da matéria orgânica, ocorrendo assim que a sua alimentação se dá heterotroficamente, sendo: do tipo saprófito, caso apenas transformem a matéria orgânica em matéria inorgânica, através do lançamento de enzimas pelas hifas que degradam a matéria orgânica; ou simbiótico, caso dependam de um outro indivíduo para sobreviver, quer seja com benefício mútuo (como é o caso das cianobactérias que entram em simbiose com certas algas, obtendo glicose em troca de azoto), quer seja com benefício apenas para o fungo - parasita.

Quando saprófitos, os fungos vivem sobre a matéria orgânica, entre a qual lançam as suas hifas, que vão proceder à digestão extracorporal descrita, fazendo passar os nutrientes por todo o organismo do fungo.

Existem dois tipos de fungos: os bolores e as leveduras. Os bolores são caracterizados por crescerem em micélios, que se trata de uma espécie de tecido próprio dos fungos, constituído por filamentos celulares, chamados hifas. É de salientar que as hifas, podendo ser ou não septadas, possuem um citoplasma contínuo que pode conter vários núcleos. Quando as hifas septadas possuem um núcleo, são denominadas monocarióticas, mas quando possuem dois núcleos, são dicarióticas. Por sua vez, as hifas não septadas são sempre multinucleadas (hifas asseptadas cenocíticas).

Os fungos podem reproduzir-se sexuada ou assexuadamente. Quando se reproduzemn assexuadmente, podem fazê-lo através se fragmentação (cada fragmento do micélio origina novo fungo), gemiparidade (quando, nos unicelulares, se forma uma protuberância com um núcleo ligada à célula-mãe, que depois se liberta ou não), embora o processo mais frequente seja a esporulação. N aesporulação, formam-se estruturas, denominadas esporors, que são obtidas através de mitoses, e que ficam encerradas em esporângios (cuja ruptura provoca a libertação dos esporos) - endósporos obtidos pelo processo endogénico - ou se formam por gemulação sobre hifas especializadas, formamndo rosários que utilizam a membrana da hifa - exósporos obtidos por processo exogénico.

Tanto os esporos endósporos como os exósporos são libertados em determinadas alturas do ano, sendo transportados por vários agentes naturais para outros locais, onde vão germinar.

Por sua vez, para que a taxa de variabilidade aumente, é necessário ocorrer reprodução sexuada.

Nos fungos, que são organismos haploides, passa-se o seguinte: duas hifas de micélios diferentes, designadas estirpe + e estirpe -, formam na sua extremidade um gametêngio, os quais se vão fundir, após o que vai ocorrer fusão dos núcleos. Forma-se então o zigósporo, estrutura que possui uma parede bastante resistente, e no qual vai ocorrer uma meiose, dando de novo origem a células haplóides, ao que se vai seguir a formação de micélio a partir destas estruturas.

Os fungos foram inicialmente considerados plantas, mas cedo se notou as granmdes diferenças existentes entre estes doi stipos de organismos, nomeadamente a organização estrutural, a reprodução, e a nutrição (enqunato nas plantas é por fotossíntese, nos fungos é por absorção).

Os fungos possuem uma grande importância económica atualmente. As leveduras, por exemplo, são seres unicelulares que sob determinadas condições, podem desenvolver hifas densas. A ocorrência de fermentação nestes organismos permitiu a sua utilização na indústria, nomeadamente na fermentação do vinho e da cerveja.

Líquenes

Os líquenes não são mais do que uma associação entre bactérias (cianobactérias) ou algas (clorófitas) e as hifas de fungos simbiontes. Nestas associações, uma hifa especializada penetra na célula da alga, se for o caso, e retira nutrientes, enquanto fornace proteção e sais minerais áquela. No caso das cianobactérias, o fungo utiliza o axoto atmosférico criado por aquelas. Crê-se terem sido os líquenes que primeiro colonizaram o ambiente terrestre. Esta associação de organismo é sensível à a«poluição atmosférica, logo é mais provável encontrar-mos um destes organismos num local não poluido.

Micorrizas

Também estes são associações entre fungos e as raízes das plantas.

Trata-se de uma simbiose com benefício mútuo, pois enquanto o fungo absorve água, com a sua estrutura esponjosa que penetra na raíz, e sais minerais, que partilha com a planta, esta fornece ao fungo açúcares a aminoácidos. Há uma maior taxa de spbrevivência em plantas que se associam a fungos do que as que não o fazem. É de salienter que se acredita que esta simbiose é já de longa data, pois foram encontrados fósseis de plantas que se encontraram em simbiose com fungos.

Haustórios

Este trata-se também um caso de fungo simbiote, mas desta vez parasita. As hifas destes fungos penetram nas células das plantas, captando o seu alimento, e por vezes provacando a sua morte.

Os fungos parasitas são um dos maiores pesadelos dos agricultores, pois são responsáveis pela destruição de culturas de pêssegos, milho, ameixas, damascos, entre outros.

Há também exemplos de fungos parasitas do corpo humano, como é o exemplo do Tricophyton, que provoca o pé-de-atleta.

Fonte: www.coladaweb.com

Fungos

Os Fungos: a sua vida e como influenciam a nossa...

Fungos
Fungo na grama de jardim

Os fungos são organismos extraordinários que a ciência colocou num reino próprio (Reino Fungi), possuindo uma enorme capacidade de adaptação e colonização dos mais diversos meios. Para o bem e para o mal, os fungos estão para ficar!...

No dia-a-dia convivemos com numerosos fungos ou com seus produtos e nem damos conta! Os vinhos, queijos, podridões dos frutos ou a doença vulgarmente chamada "pé-de-atleta" parecem, à primeira vista, ter pouco em comum, contudo todos resultam da atividade de fungos. Os fungos estão presentes em quase todos os nichos ecológicos, são um grupo muito diversificado e numeroso. Estão descritas cerca de 69000 espécies de fungos embora estejam estimadas 1500000 espécies diferentes por todo o mundo!

O maior fungo conhecido, talvez também o maior e mais velho organismo vivo, é Armillaria ostoyae. Um exemplar descoberto no ano 2000, na Floresta Nacional de Malheur (Oregon, Estados Unidos), ocupa uma área subterrânea de 900 hectares. Este fungo vive enterrado e só se torna visível com as chuvas de Outono.

Nessa época, surge à superfície na forma de cogumelos, junto a árvores que o fungo ataca e mata.

Os primeiros registos de fungos datam de 300 a 200 a.C., são estatuetas representativas de cogumelos. Os fungos, principalmente os cogumelos, sempre desempenharam um papel importante nas mitologias das civilizações primitivas, a sua associação com o mundo sobrenatural ainda hoje está presente nas culturas e tradições de muitos povos. O uso de cogumelos alucinogénicos ou a mística dos fungos bioluminescentes ilustram exatamente esse tipo de situações. Os fungos bioluminescentes são vulgares nas florestas tropicais, onde crescem nas árvores em decomposição, mas também se encontram com frequência nos bosques das regiões temperadas. A sua luminosidade é provavelmente uma adaptação que ficou do tempo em que os fungos tinham que se livrar do oxigénio em excesso existente na atmosfera, que não podiam utilizar. Alguns cientistas, contudo, pensam também que a sua luminosidade atrai insetos à noite, o que ajuda na dispersão dos esporos. As jovens de alguns povos das regiões tropicais utilizam cogumelos brilhantes como pintura do corpo, na esperança que ela atraia potenciais parceiros.

Embora nem sempre nos apercebamos, podemos afirmar que dificilmente passa um dia em que todos nós não somos beneficiados ou prejudicados direta ou indiretamente pelos fungos! Eles são fontes extremamente valiosas de compostos químicos, como os antibióticos, mas também possuem um grande potencial no controlo biológico de muitas pragas e doenças consideradas graves. O exemplo mais famoso é o antibiótico descoberto por Alexander Fleming em 1928, a Penicilina. Este antibiótico, ainda hoje muito utilizado, foi inicialmente produzido comercialmente a partir do Penicillium chrysogenum. O uso da penicilina foi generalizado com a II Guerra Mundial, em que desempenhou um papel determinante, salvando muitas vidas.

Os fungos são também muito utilizados na nossa alimentação. O cogumelo que comemos mais frequentemente é o Agaricus brunnescens, mas são várias as espécies cultivadas para consumo. Para além do seu sabor, os cogumelos têm um elevado valor nutricional e alguns têm ainda propriedades medicinais e até afrodisíacas. No entanto, é importante não esquecer que nem todos os cogumelos são comestíveis, muitos deles são extremamente venenosos! Vários fungos são utilizados na produção de alguns dos nossos alimentos, como o queijo Roquefort produzido pelo Penicillium roquefortii, o pão ou a cerveja que resultam da fermentação de açucares pela levedura Saccharomyces cerevisae.

Os fungos conseguem utilizar muitos substratos diferentes como fonte de alimento, incluindo tecidos, madeiras, vários produtos derivados de petróleo e, claro, a grande maioria dos nossos alimentos. Apesar de todos os esforços para proteger e conservar os alimentos, alguns fungos podem causar estragos por apodrecimento mas também produzir substâncias muito tóxicas, as micotoxinas, em produtos vegetais que consumimos diretamente ou para consumo animal.

Estas substâncias podem causar graves doenças a nível renal, respiratório, neurológico ou hepático e mesmo vários tipos de cancro.

Uma grande variedade de fungos pode infectar diretamente os animais, inclusive os humanos, causando micoses. Estas doenças vão desde irritações superficiais na pele a infecções mais graves que podem envolver os músculos, ossos e órgãos internos. Algumas destas doenças podem ser fatais, especialmente para pessoas com o sistema imunitário debilitado. Contudo, são vários os fungos que vivem associados a animais sem lhes causar quaisquer problemas em condições normais, por exemplo, as leveduras das mucosas humanas ou os fungos que vivem em simbiose com insetos.

Outro grave problema provocado por fungos são as doenças de plantas que causam graves prejuízos na agricultura. A maioria das plantas estão sujeitas ao ataque de diferentes fungos patogénicos cujas consequências vão desde o desenvolvimento de sintomas quase insignificantes à morte das plantas atacadas.

No entanto, nem todos os fungos associados a plantas são prejudiciais: as micorrizas resultam da associação de um fungo com as raízes de plantas em que ambos são beneficiados: o fungo usa a planta como fonte de alimento mas em contrapartida fornece nutrientes e proteção contra algumas doenças e poluição.

Os líquenes são outro exemplo da associação de fungos com algas que é boa para os dois organismos.

Os cogumelos desde sempre chamaram a atenção dos naturalistas mas foi com a invenção do microscópio, no século XVII, que teve início o estudo sistemático dos fungos. Foi o Padre Antonio Micheli, um botânico italiano, que em 1729 incluiu pela primeira vez observações sobre fungos no seu livro Nova Plantarum Genera. Nasceu, então, a Micologia como a ciência que estuda os fungos, sua forma, estrutura, processos vitais, modo de vida, ecologia, origem, classificação e distribuição. A micologia tem muitas aplicações, que vão desde o combate de doenças provocadas por fungos até à biotecnologia, incluindo o desenvolvimento de antibióticos, a fermentação do vinho e da cerveja, a cozedura e a produção de corantes.

Tradicionalmente classificados como plantas, os fungos são hoje classificados num reino próprio, por serem tão diferentes na sua estrutura, no modo como se desenvolvem e no modo como se alimentam. Embora definir os limites exatos deste grupo seja uma tarefa muito difícil, há características gerais comuns a todos os fungos.

São organismos eucarióticos (as suas células contêm núcleos envoltos por uma membrana nuclear), unicelulares (as leveduras) ou desenvolvendo-se em finos filamentos (as hifas) que se estendem e ramificam nas pontas, formando uma rede ou micélio. Embora cada hifa apenas possa ser visualizada ao microscópio, são comuns os "fofos" micélios dos bolores vulgares. Alguns fungos mais simples não são mais do que redes de tubos contínuos de material celular (citoplasma e outros organitos) com vários núcleos individualizados encerrados numa parede celular. Em contraste com isto, alguns fungos mais complexos possuem hifas mais organizadas e especializadas formando, por exemplo, os conhecidos cogumelos.

As hifas podem crescer a uma velocidade de 0.035mm por minuto, o que não é pouco: são 2.1mm por hora ou 5cm por dia!

Os fungos não possuem clorofila como as plantas verdes, pelo que não conseguem utilizar a energia solar para produzir o seu próprio alimento (são organismos heterotróficos). Alimentam-se dissolvendo e digerindo matéria orgânica e mineral do meio onde vivem. Para isso possuem um sistema de enzimas digestivas que segregam sobre os seus alimentos, absorvendo depois os produtos solúveis diretamente através das hifas.

Esta característica é determinante para uma das principais atividades dos fungos: são decompositores juntamente outros microrganismos, desempenhando assim um papel crucial no ciclo natural da vida. Ao decomporem substâncias de animais e vegetais mortos eles conseguem extrair nutrientes que repõem na natureza de forma disponível a ser utilizada por outros organismos, que são então reciclados numa nova geração de vida vegetal e animal. Esta é ainda uma das características que lhes confere a capacidade de colonizar e sobreviver em condições adversas à maioria dos seres vivos. Há aproximadamente 50 espécies de fungos carnívoros. Por exemplo, o Arthrobotryx anchonia captura nemátodes, pequenos vermes muito abundantes no solo. Para esse efeito, possui umas armadilhas em forma de anel que estrangulam a presa.

A reprodução dos fungos faz-se pela produção de esporos. Um esporo é uma célula única, muitas vezes rodeada de um revestimento protetor, a partir da qual se pode desenvolver um novo organismo.

O processo de formação dos esporos é muito variável e determinante do modo de vida e classificação dos fungos. Alguns esporos são formados a partir de um único indivíduo, sem que haja formação de células sexuais (reprodução assexuada), por segmentação das suas hifas ou pela produção de hifas especializadas que formam estruturas reprodutoras de aspecto muito diversificado que produzem uma enorme quantidade de esporos geneticamente idênticos. Outros envolvem a união de dois núcleos compatíveis, do mesmo indivíduo ou de indivíduos diferentes, provenientes de células sexuais formadas em estruturas especializadas (reprodução sexuada). Os esporos formados por este tipo de reprodução irão dar origem a indivíduos geneticamente diferentes dos seus progenitores, o que pode ser uma vantagem em termos de adaptação às condições do meio. Alguns fungos reproduzem-se dos dois modos (por reprodução assexuada e sexuada) ao longo do seu ciclo de vida. Existem fungos que perante condições adversas produzem esporos de resistência, com uma camada protetora e tecidos de reserva alimentar no seu interior, que lhes permite aguardar pelas condições adequadas ao seu desenvolvimento.

Estas são as principais características dos fungos, que os individualizam num reino próprio (Reino Fungi) e lhes confere uma enorme capacidade de adaptação e colonização dos diferentes ambientes terrestre. Para o bem e para o mal, os fungos estão para ficar!...

Fonte: www.naturlink.pt

Fungos

Você já ouviu falar em mofos ou bolores? Em certas condições eles ocorrem em paredes, na roupa, nos sapatos, no pão, nas frutas, etc. E em micoses? São causados por fungos. Frieiras, monilíase ("sapinho") são exemplos de micoses.

Fungos
Cogumelo Dictiop

Ao reino dos fungos pertencem todos os seres conhecidos por mofos, bolores, cogumelos e leveduras. São seres vivos sem clorofila e podem ser unicelulares ou pluricelulares. Não possuem um tecido verdadeiro e suas células apresentam parede celular de quitina. A área da ciência que estuda os fungos é a micologia.

Os fungos pluricelulares geralmente apresentam filamentos microscópicos chamados hifas. Elas se entrelaçam formando uma espécie de massa, que recebe o nome de micélio. No cogumelo-de-chapéu, o micélio apresenta "abas" onde se encontram inúmeras hifas férteis, produtoras de esporos.

Os fungos podem viver de temperaturas que variam de 60 °C a -10 °C. Como heterotróficos, necessitam de alimento preexistente para a sa sobrevivência. Desenvolvem-se bem em lugares úmidos, com pouca luz e com matéria orgânica que usam para se alimentar.

A maioria deles, assim como as bactérias, obtêm alimento decompondo a matéria orgãnica do corpo de organismos mortos. Alguns obtêm alimento de outros seres vivos, com os quais se associam. Assim, os fungos podem ser decompositores, parasitas ou mutualísticos.

Os decompositores (ou saprófitas) são fungos que se nutrem da matéria orgânica do corpo de organismos mortos (ou de partes que podem se destacar de um organismo, como pele, folhas e frutas que caem no solo), provocando a sua decomposição. Certos fungos, por exemplo, causam o apodrecimento de frutas ou de restos de vegetais e animais.

Os parasitas são aqueles que vivem à custa de outro ser vivo, prejudicando-o e podendo até matá-lo. Muitas doenças dos vegetais são provocadas por fungos parasitas, como aqueles que atacam as folhas do café, causando a "ferrugem do café". Nos seres humanos, podemos citar o fungo Candida albicans, que pode se instalar na boca, faringe e outros órgãos, provocando o "sapinho".

Os mutualísticos são aqueles que se associam a outros seres e ambos se beneficiam com essa associação. O líquen, por exemplo, é uma associação entre um fungo e uma alga. A alga, que tem clorofila, faz fotossíntese, produzindo alimento para ela e para o fungo. Este, por sua vez, absorve do solo água e sais minerais, que são, em parte, cedidos para a alga.

Os fungos apresentam reprodução assexuada e sexuada.

O mecanismo de reprodução dos fungos pode ser muito variado e relativamente complexo. Tomaremos como exemplo os cogumelos-de-chapéu e descreveremos sua reprodução de maneira simplificada.

Fungos
Cogumelo Amanita

Nos cogumelos-de-chapéu, os esporos são produzidos no "chapéu", que contém estruturas chamadas de esporângios, formadas por hifas férteis. Uma vez produzidos pelos esporângios, os esporos são eliminados, podendo se espalhar pela ação do vento, por exemplo. Encontrando condições favoráveis, num certo local, os esporos germinam e originam hifas que formarão um novo fungo.

A idéia mais comum que temos a respeito dos fungos é a de que eles crescem e se desenvolvem em lugares úmidos ou sobre alimentos estragados. Por isso, nunca pensamos neles como seres vivos muito importantes para a nossa vida e mesmo para o meio ambiente. Para demonstrar tal importância, vamos estudar agora alguns tipos de fungos.

Os fiomicetos podem ser aquáticos ou terrestres e unicelulares ou pluricelulares. Como exemplo de fiomicetos, podemos citar os do gênero Rhizopus, conhecidos como bolor preto do pão. A maioria dos fiomicetos, assim como dos demais grupos de fungos, vive como decompositores. Assim, contribuem para a reciclagem da matéria na natureza.

Entre os ascomicetos, podemos citar as leveduras, que são muito importantes para a produção de bebidas, como a cerveja, o vinho e o saquê, e para a fabricação de pães e bolos. No grupo dos ascomicentos, inclui-se o fungo Penicillium notatum, que produz um antibiótico poderoso e muito famoso, a penicilina.

Também chamados cogumelos, alguns fungos deste grupo são comestíveis, outros não. Há fungos tóxicos que podem até matar se ingeridos em quantidade. Apenas o conhecimento e a prática podem ajudar na identificação de um fungo tóxico ou não tóxico.

Cogumelos comestíveis - cultivo

O cultivo de champignon - um cogumelo comestível - no Brasil vem crescendo a cada ano e já é feito em grande escala nos estados de São Paulo e do Paraná.

A técnica de cultivo consiste, inicialmente, em germinar esporos em um meio de cultura, composto de ágar, água de batata e algas marinhas. Vão se formar hifas e, mais tarde, micélios. Os micélios, então, são transferidos para outro meio de cultura, onde são sucessivamente repicados, originando novos micélios. Esta etapa dura em torno de um mês.

Num segundo momento, os micélios são transferidos para um novo composto, formado de palha, bagaço de cana e outros componentes orgânicos misturados à terra. Neste composto, após vinte dias, os micélios originarão os primeiros cogumelos, que são colhidos a cada sete dias, durante um mês.

Todas as etapas de cultivo são realizadas em galpões de construção simples, mas inteiramente vedados á luz, com controle de umidade e temperatura.

A produção brasileira atual chega a 7 kg/m², ainda baixa, se comparada com a de países europeus - onde o controle de cultivo é totalmente computadorizado -, que é de 25 kg/m².

Os cogumelos comestíveis contém de 2 a 10% de proteínas e são ricos em vitaminas do complexo B e sais minerais (potássio, cálcio, fósforo e magnésio).

Fonte: biomania.com.br

Fungos

Fungos são microrganismos eucariontes, aclorofilados (não fotossintéticos), absortivos, imóveis, possuidores de parede celular e células com baixo grau de diferenciação. Além disso possuem quitina na parede celular e armazenam glicogênio. Estima-se que exista mais de 1,5 milhão de espécies fúngicas no mundo, embora apenas aproximadamente 70.000 tenham sido descritas.

É possível dividir os fungos didáticamente em dois grandes grupos gerais:

MACROFUNGOS

Representados pelos COGUMELOS, importantes como alimento e em toxicologia (tóxicos e alucinógenos). Recentemente muitas pesquisas estão encontrando indícios de atividade imunomoduladora neles. Embora ainda não totalmente aceita e comprovada (mas fartamente explorada no bom e no mal sentido por várias pessoas), essas atividades são uma promessa interessante para uso terapêutico complementar.

MICROFUNGOS

Representados pelos BOLORES e LEVEDURAS, com inúmeros aspectos importantes para o homem.

Para se ter uma visão mais genérica do papel dos fungos, veja o quadro abaixo.

Principais aspectos positivos e negativos dos fungos:

Aspectos positivos Aspectos negativos
Micorrizas

Biomassa

Controle biológico

Maiores decompositores do planeta

Biotransformadores (queijos, cerveja, vinho, pão, missô, molho de soja, etc.)

Produtores de antibióticos, enzimas, vitaminas, hormônios de crescimento vegetal.

Doenças (micoses) no homem, animais e plantas

Micotoxicoses

Alergias

Biodeterioração

Fonte: www.microbiologia.vet.br

Fungos

Embora os fungos sejam tradicionalmente estudados em Botânica, eles formam uma linha evolutiva independente das plantas; aliás, a comparação de seqüências de RNA ribossômico, mostra que eles são mais relacionados aos animais. Atualmente, enquadram-se no Reino Fungi (ou Eumycota).

Os fungos não formam tecidos verdadeiros e são extremamente simples, podendo ser unicelulares (levedos, como o Saccharomyces) ou filamentosos.

Nos fungos constituídos de filamentos, o conjunto de filamentos que compõem o talo é denominado micélio e as unidades individuais são as hifas, que podem ser cenocíticas (sem septos transversais, com núcleos dispersos) ou septadas (com septos transversais); estas últimas podem ter um núcleo haplóide ou dois núcleos pareados sendo, portanto, diplóides.

O micélio pode ser classificado em prosênquima (quando se distingue perfeitamente sua estrutura filamentosa) e pseudoparênquima (quando essa estrutura não pode ser reconhecida, lembrando um tecido parenquimático, como o das plantas).

Os fungos costumam ser agrupados entre os vegetais por seus mecanismos reprodutivos, embora muitas vezes apresentem características como parede celular, como as plantas (porém, esta é composta de quitina, ao invés de celulose), e sua substância de reserva seja o glicogênio (ao invés do amido, característico dos vegetais).

Além disso, não possuem clorofila ou outro pigmento fotossintético e, portanto, são heterotróficos. Sua nutrição se dá por absorção. O micélio se espalha sobre o hospedeiro, secretando certas enzimas que decompõem as moléculas do substrato em moléculas menores; os produtos solúveis são absorvidos pelas hifas.

A reprodução pode ser:

a) Vegetativa, ocorrendo por: Gemação ou brotamento, fissão (divisão transversal, seguida pela separação das células filhas) ou fragmentação das hifas.
b) Espórica (assexuada):
Os fungos terrestres produzem esporos do tipo aplanásporos, no interior de esporângios (endósporos) ou na extremidade de esporangióforos (exósporos - ex. conídios).
c) Gamética (sexuada):
É a menos comum, mas é importante para a variabilidade genética. Envolve isogamia e heretogamia. Gametângios masculinos e femininos podem ocorrer em indivíduos distintos, chamados heterotálicos (sexos separados) ou em um único, chamados homotálicos.

A fertilização pode se dar por diversas formas:

c.1) Conjugação de planogametas: União de gametas móveis.
c.2) Espermatização:
O gameta feminino permanece no talo (micélio) e o masculino se desprende, aderindo-se ao feminino.
c.3) Somatogamia:
Contato entre as hifas somáticas.
c.4) Conjugação de gametângios:
Fusão de gametângios diferenciados.

Além do papel de decompositores, o grupo inclui os fermentos, os bolores, as trufas, e os antibióticos.

Ocorrem nos mais variados ambientes, tanto aquáticos, quanto terrestres; esporos muito resistentes são comuns no ar, podendo ser coletados numa placa de petri com meio de cultura adequado exposto por alguns segundos. Embora a temperatura ideal para seu desenvolvimento esteja entre 20 e 30°C, alguns suportam temperaturas próximas a 200°C. O PH ideal é o ácido, ao contrário do que acontece com as bactérias, que se adaptam melhor ao PH alcalino.

Nos atuais sistemas de classificação, o reino Fungi engloba quatro filos: Chytridiomycota (predominantemente aquáticos, com hifas cenocíticas e células reprodutivas móveis flageladas), Zygomycota (a maioria tem micélio cenocítico; formam esporos de resistência sexuados, os zigósporos), Ascomycota (com hifas septadas e caracterizados também pela presença de uma estrutura saculiforme de origem sexual e meiótica , o asco, que contém ascósporos) e Basidiomycota (representados pelos populares cogumelos, caracterizam-se pela presença de hifas septadas com doliporo e pelo basídio, estrutura produzida no ápice de uma hifa dicariótica; é a estrutura onde ocorre a meiose e contém basidiósporos)

Deuteromicetos

São os chamados fungos conidiais. Não podem ser incluídos em nenhum dos filos citados, pois formam um conjunto artificial de cerca de 15.000 espécies, nas quais somente a reprodução assexuada é conhecida. Embora o estádio sexuado de alguns representantes de dois gêneros (Penicillium e os Aspergillus) seja conhecido, eles são incluídos entre as outras espécies destes gêneros, pela semelhança morfológica com as outras espécies.

São conhecidos como fungos ou bolores que crescem em grande variedade em substratos orgânicos úmidos, como os alimentos em geral, como frutas, arroz, feijão, etc.

Algumas espécies de Penicillium são responsáveis pela produção de penicilina ou queijos; outras produzem micotoxinas (aflatoxinas) em grãos mal estocados.

Esse gênero também está presente na produção industrial de ácido cítrico e saquê.

Fonte: professores.unisanta.br

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