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Relações Ecológicas

 

Interações ou Relações Ecológicas

Relações harmônicas ou positivas - são benéficas e ambos os associantes ganham ou um ganha mas o outro não é prejudicado.
Relações desarmônicas ou negativas -
são prejudiciais, pois um dos associantes ganha e o outro é prejudicado.
Relações intra-específicas ou homotípicas -
ocorrem entre indivíduos da mesma espécie.
Relações interespecíficas ou heterotípicas -
ocorrem entre indivíduos de espécies diferentes.

Colônia

Ocorre entre indivíduos da mesma espécie, ligados(unidos) fisicamente entre si.

Temos colônias isoformas ( indivíduos semelhantes na forma e nas funções executadas - colônias de bactérias: estafilococos e estreptococos e colônia dos corais ) e colônias heteromorfas ( com indivíduos diferentes na forma e nas funções - exemplo a obelia e a caravela, representantes dos celenterados ).

Sociedades

Ocorre entre indivíduos da mesma espécie, livres ( independentes entre si ) , com divisão de trabalho ( tarefas ) , com castas ( cada gupo de indivíduos contribui para o bem estar e desenvolvimento de outro ).

São exemplos de sociedades: alguns insetos, como as abelhas, os cupins, as formigas , além da espécie humana.

Os organismos ( seres ) que vivem em sociedade são denominados de sociais.

Nas abelhas encontramos três castas:

Rainha
Operárias e
Zangões.

Mutualismo

Relação entre espécies diferentes onde ambas são beneficiadas e não podem viver separadamente , antigamente denominada de simbiose. Exemplos- líquens ( associação de algas e fungos ) , protozoários ( vivem no intestino de cupins) e triconinfas ( digere a celolose da madeira produzindo glicose que é utilizada pelo cupim e pela triconinfa ).

Protocoperação

Forma de mutualismo em que os associantes podem, eventualmente, viver separados, sem risco de sobrevivência.

Exemplos - Crustáceo paguro(ermitão ou bernardo-eremita) e as anêmonas-do-mar. O paguro tem um abdome longo e mole, apreciado como alimento por predadores, refugia-se em conchas abandonadas de moluscos, sobre as quais se fixam as anêmonas, que possui células urticantes nos seus tentáculos, afugentando os preadores do paguro e a anêmonas aumentam a disponibilidade de alimento , conforme o paguro se desloca. Na pele do gado, parasitas( carrapatos , bernes ) e certas aves que os retiram e os comem .

Inquilinismo

Associação entre indivíduos de espécies diferentes, onde um ser vivo utilizado do outro, como moradia ( suporte ou abrigo ).

Exemplos - O peixe Fierasfer(peixe agulha) refugia-se no interior do pepino-do-mar(equinodermo). As epífitas ( as bromélias e as orquídeas ) que vivem sobre os troncos de árvores(suporte e abrigo), não se caracterizando como exemplo de parasitismo.

Comensalismo

Envolve indivíduos de espécies diferentes, na qual um deles se alimenta das sobras ou restos da alimentação do outro, sem qualquer prejuízo.

Exemplos - Tubarão e o peixe-piloto , tubarão e a rêmora ou peixe-piolho.

Amensalismo ou antibiose

Associação em que uma espécie libera substâncias tóxicas que inibem o crescimento ou não deixa a outra espécie se reproduzir.

Exemplos - Fungos(Penicillium) inibem a reprodução de bactérias , a maré vermelha( dinoflagelados aumentam em grande quantidade, liberando substâncias tóxicas na água marinha, matando muitas espécies deste ambiente ).

Parasitismo

Relação entre o parasita( obtém benefícios para si mesmo ) e o hospedeiro ( prejudicado ). O parasita pode intoxicar, deformar e até mesmo matar o hospedeiro.

Exemplos- pulga, carrapato, sanguessuga, piolho, lombrigas, solitárias, protozoários, parasitas ecto ou endo dos seres vivos(hospedeiros).

Predatismo

Relação entre o predador( o que captura e mata ) e a presa ( que lhe servirá de alimento )de espécies diferentes. O predatismo é um fator limitante do crescimento das populaçvões naturais( limita o crescimento excessivo das populações ). Exemplos- cobra e sapo , leão e antílope , urso e peixe.

Canibalismo

É uma relação entre indivíduos da mesma espécie.

Competição

Luta por algum componente do ambiente. Temos competição intra-específica e interespecífica. Animais competem pelo território , pelo alimento , pelos parceiros da reprodução, enquanto os vegetais completem pelos nutrientes do solo , luz , água, etc. A competição é um dos fatoes limitantes do crescimento das populações naturais.

OBSERVAÇÃO

Mimetismo ou camuflagem

Não é uma forma de relação ecológica, mas um mecanismo que algumas espécies utilizam para fugir ou escapar da ação dos seus predadores naturais. Temos mimetismo de forma e cor. Exemplos- camaleão, peixe pedra, inseto graveto, falsa coral , etc.

Fonte: www.geocities.com

Relações Ecológicas

A distribuição e abundância das espécies pode ser determinada, também, pelos fatores bióticos que envolvem as ações dos seres vivos entre si, criando condições favoráveis à existência ou suprimindo-as. As ações e influências recíprocas dos seres vivos são denominadas relações ecológicas.

Essas relações podem envolver indivíduos de uma mesma espécie - sendo então chamada intraespecífica - ou indivíduos de espécies diferentes, conhecida como relação interespecífica.

Outro modo de distinguir as relações ecológicas refere-se às conseqüências para os participantes.

Com esse critério, há dois grupos de relações: as harmônicas (onde nenhum dos participantes é prejudicado) e as desarmônicas (onde pelo menos um dos participantes é prejudicado).

Quadro apresentando as principais relações ecológicas onde + significa vantagem para o participante, - desvantagem e 0 neutralidade.

Relação Indivíduo 1 Indivíduo 2
Harmônicas    
Cooperação + +
Mutualismo + +
Comensalismo + 0

Desarmônicas

Predação + -
Parasitismo + -
Competição - -
Amensalismo 0 -

RELAÇÕES HARMÔNICAS Cooperação

É uma associação onde ambos os participantes se beneficiam, sem supor uma profunda dependência recíproca. Isso significa que podem viver separadamente, sem a cooperação. Também é chamada de protocooperação.

Um dos exemplos mais citados e conhecidos de cooperação é a relação entre o caranguejo paguro, também chamado de bernardo-eremita, com a anêmona.

O paguro possui um abdômen mole e muito "apetitoso" para os peixes carnívoros. Sendo assim, ele o protege escondendo-o dentro de conchas vazias, usando-as como uma "armadura". Como proteção adicional ele apanha, delicadamente, uma anêmona que vive nas rochas e a coloca sobre a concha. Os tentáculos da anêmona são uma ameaça aos predadores, pois possuem substâncias paralisantes e urticantes. Para a anêmona a vantagem consiste em poder aproveitar-se dos restos alimentares do caranguejo e pode ser deslocada para novos ambientes ampliando suas possibilidades de captura de alimentos.

Outro exemplo de cooperação, muito folclórico e freqüentemente citado em tiras de quadrinhos, é a do crocodilo do Nilo com o pássaro-palito. O crocodilo permanece imóvel com sua boca aberta, permitindo que o pássaro-palito entre nela e coma os restos alimentares e pequenos vermes parasitas, que incomodam o réptil. Para o pássaro a vantagem está em ter uma fonte garantida de alimentos e a presença do crocodilo que afasta vários predadores. O crocodilo não teria muita vantagem em matar o pássaro-palito pois perderia um "médico" que elimina os parasitas.

Sobre as árvores podem ser encontrados os pulgões que perfuram a casca para extrair seiva elaborada, rica em açúcar. O excedente, ele elimina em gotas pelo orificio retal. Isso atrai à formigas que se alimentam delas e, para garantir a permanência dessa fonte alimentar, protegem os pulgões do ataque de outros insetos.

Em alguns casos, as formigas chegam a "pastorear" os pulgões, carregando-os para novas árvores ricas em seiva elaborada. Formigas e pulgões possuem relação de cooperação. A formiga (escuro) protege o pulgão em troca de gota de substância açucarada que libera pelo orificio retal.

Cooperação intraespecífica

Animais da mesma espécie, principalmente quando tem grande semelhança genética, estabelecem entre si relações de cooperação, de modo a garantir a perpetuidade da espécie e conseguir explorar recursos alimentares de modo mais eficiente do que se o fizessem sozinhos, como acontece com os leões e também com os lobos que, em grupo, capturam presas maiores, rendendo mais carne para cada um.

Quando o alimento é abundante, muitos pássaros (como o pardal) alimentam-se em bando. Isso envolve a vantagem de maior proteção contra o ataque surpresa dos predadores, pois num grupo numeroso há sempre um indivíduo que percebe antes o perigo e dá o alarme, emitindo um canto ou simplesmente fugindo de maneira chamativa.

Entre os orificio retal (tanto o branco, como o preto) existe um revezamento entre os indivíduos do bando.

Enquanto a maioria está caçando insetos entre a vegetação, um ou dois deles estão sobre um galho, numa posição de melhor visibilidade e podem emitir dois tipos de canto de alarme: um quando o predador é uma ave de rapina, outro quando a ameaça vem pelo solo.

Existem duas formas de cooperação intraespecífica que são permanentes e altamente complexas: colônias e sociedades.

As colônias são associações de indivíduos da mesma espécie que vivem anatomicamente ligados entre si. Podem ser homomorfas ou heteromorfas.

Colônias homomorfas são as mais simples, envolvendo indivíduos iguais entre si, sem nenhuma especialização. São encontradas entre algas verdes (ex: Volvox, Spyrogira), bactérias (ex: estafilococos), esponjas, celenterados (corais) e crustáceos (cracas).

Colônias heteromorfas envolvem indivíduos diferentes por se especializarem em algumas funções, ocorrendo uma divisão do trabalho. São encontradas nos celenterados, cujo melhor exemplo é a Obelia. Nela, os gastrozóides são indivíduos especializados na nutrição; os gonozóides encarregam-se da reprodução.

As sociedades são associações de indivíduos de uma mesma espécie onde há: divisão de trabalho em casta, hierarquia e comunicação. No reino animal, somente os insetos sociais (formigas, abelhas e cupins) organizam verdadeiras sociedades com essas três características. Os biólogos tendem a considerar as outras formas de organização social, encontradas nos animais (bandos, cardumes, vespeiros), como sendo proto-sociedades.

Entre os insetos sociais, o trabalho é dividido entre várias castas (3 nas abelhas e formigas e 4 nos cupins) morfologicamente diferenciadas e facilmente reconhecíveis. A função reprodutiva fica restrita ao controle de um único indivíduo, a rainha, que representa o ponto superior na escala hierárquica. Pela hierarquia há uma coordenação e ordem nas atividades da sociedade.

A comunicação ocorre principalmente por meio de substâncias químicas odoríferas: os feromônios. São um tipo de hormônio que, ao invés de atuar nos órgãos do próprio corpo, são lançados ao exterior para induzir certos comportamentos dos outros membros da sociedade. A rainha virgem, nas abelhas por exemplo, libera um ferormônio que desencadeia o comportamento sexual nos zangões.

A autoridade hierárquica da rainha - principalmente entre as abelhas - depende e é reconhecida pela produção de feromônios. Quando fica velha e diminui a produção dessa substância, a rainha pode ser morta e substituída por outra mais jovem. Entre as formigas, os feromônios são usados para sinalizar as trilhas que levam ao formigueiro, identificar os indivíduos e delimitar o território do formigueiro.

Sociedades animais e humanas

O uso do termo "sociedade" para referir-se a certas formas de associação cooperativa intraespecífica que ocorrem entre os insetos pode gerar alguma confusão; uma vez que esse termo é empregado em analogia às sociedades humanas mais avançadas - por falta de outro melhor ou mais específico - que são qualitativamente distintas. Vejamos algumas diferenças, tomando como termo de comparação a sociedade ocidental moderna.

Nos insetos sociais existe uma divisão de trabalho que está associada a uma diferença morfológica (casta) onde não há mobilidade (passagem de uma casta para outra). Já, as sociedades humanas caracterizam-se pela grande flexibilidade e permeabilidade, de modo que um indivíduo pode mudar de grupo social ou de trabalho. Além disso, as sociedades humanas são muito mais ricas e complexas, apresentando inúmeras funções diferentes. As características morfológicas individuais dos seres humanos não determinam, ainda que possam induzir ou facilitar, um determinado papel dentro da divisão do trabalho. Uma pessoa com mais de dois metros de altura potencialmente poderá vir a ser um jogador de basquete, mas não o será necessariamente!, principalmente se não for treinado para isso.

A hierarquia, na sociedade de insetos, é rígida e a autoridade da casta dirigente (a rainha) é indiscutível e total, determinando todos os aspectos da vida da sociedade. A substituição da rainha somente ocorre com a morte desta. Na sociedade humana, por outro lado, ainda que haja uma organização hierárquica, seus membros podem gozar de relativa autonomia nas ações e mesmo questionar as atitudes dos ocupantes dos escalões superiores. A própria determinação dos dirigentes da sociedade humana, quando esta é avançada e aberta, não ocorre por processos biológicos (alimentação diferenciada - como nas abelhas - ou geneticamente, como nas formigas) mas com a livre escolha por parte de seus membros.

Entre os insetos sociais, a comunicação segue padrões rígidos e faz-se por meio de sinais olfativos (feromônios), acústicos (ruídos da vibração das asas) ou visuais (movimentos e posturas do corpo). Os sinais - usados pelos animais - são uma forma natural, concreta unívoca e desarticulada de transmitir uma mensagem. Unívoca porque cada tipo de sinal significa uma única informação que desencadeia um padrão fixo de comportamento.

Um ferormônio de alarme, por exemplo, liberado por uma abelha somente informa que algum perigo ameaça a colméia e provoca apenas um tipo de comportamento: o agressivo.

Dizer que os sinais são desarticulados significa afirmar que a combinação deles não gera novas e diferentes mensagens. Como se vê, a comunicação animal é simples, limitada e rudimentar. A comunicação entre seres humanos - por ser feita com uma linguagem simbólica - é mais rica e complexa do que os sinais empregados pelos insetos sociais.

No seio da sociedade humana, parte da comunicação realiza-se por meio de uma linguagem simbólica conceitual, uma forma de expressão da inteligência humana.

O símbolo (representado pelas letras do alfabeto) é um meio de transmissão de informações artificial, convencional, ambíguo e articulado. Por si só, a letra do alfabeto nada significa, nenhuma mensagem significativa veicula. Mas combinando-se, articulando-se, várias letras - segundo regras convencionada dentro da sociedade - elas formam palavras que significam um conceito ou uma idéia. A comunicação humana pode ser ambígua na medida em que as palavras podem ter significados diferentes, conforme o contexto.

Finalmente, uma diferença marcante entre os dois tipos de organização social está na extrema dinamicidade da sociedade humana; ao passo que, durante milênios, a estrutura social e as formas de comunicação dos insetos permanece rigidamente inalterável. O estudo da História demonstra como num prazo de poucas gerações nossas estruturas sociais podem mudar drasticamente, tornando-a mais adaptada às circunstâncias ambientais. Nessa flexibilidade (associada com a prodigiosa e particular inteligência) reside o potencial de evolução cultural e do progresso coletivo da espécie humana, que pode fazer de nós guardiões e salvadores do mundo natural ou seu cruel carrasco.

Mutualismo

É, também, uma associação onde ambos os participantes beneficiam-se, mas com uma profunda dependência mútua, de modo que um não pode viver sem o outro. Muitos autores a chamam, também, de simbiose e os membros participantes desta relação recebem o nome de simbiontes.

Um caso, ecologicamente bem sucedido, de mutualismo é o líquen. É formado pela combinação, altamente específica, de uma espécie de alga com uma de fungo.

A alga realiza a fotossíntese produzindo alimentos para si e para o fungo. Este, por sua vez, participa dando proteção com o seu corpo, retendo umidade e sais minerais para serem fornecidos à alga.

Um mutualismo importante inclusive para a agricultura é o que existe entre bactérias do gênero Rhizobium e as raízes de leguminosas (plantas como o feijão, cujas sementes alojam-se em vagens). Essas bactérias transformam o nitrogênio do ar (importante nutriente que não é absorvido, pelo vegetal, na sua forma gasosa) em nitratos e nitritos que serão aproveitados pela planta. Em troca, a bactéria recebe um local protegido para viver (os nódulos da raiz) e matéria orgânica produzida pela planta.

Graças a esse mutualismo, as leguminosas conseguem sobreviver em solos pobres em nitrogênio e, inclusive, enriquecê-lo quando morrem e são decompostos.

Por este motivo costuma-se incluir essas plantas no rodízio de culturas, já que são usadas para a adubação verde: a adubação do solo com o corpo da leguminosa depois de colhido seus grãos.

Líquenes: uma simbiose indicadora de poluição

A associação mutualística entre algas e fungos, na formação do líquen, possui propriedades importantes que a torna capaz de ocupar ambientes inóspitos como rochas nuas, cascas de árvores, paredes e telhados em regiões de clima desértico ou gélido; desde que suficientemente iluminado.

Isso é possível pela extrema simplicidade estrutural de seu corpo, que não é muito exigente em termos de fatores abióticos, e pela grande capacidade de armazenamento de água e nutrientes pelo fungo. Um líquen tem, geralmente, um conteúdo hídrico de 2 a 10% de seu peso. Mas, após uma chuva, pode absorver de três a trinta e cinco vezes o seu peso em água.

Estas vantagens tem uma grave contrapartida: a grande sensibilidade à poluição atmosférica, principalmente devida ao dióxido de enxofre (SO2). Podendo armazenar e concentrar, com grande eficiência, substâncias a partir de soluções bastante diluídas, os líquenes podem intoxicar-se com este poluente muito mais facilmente que outros vegetais, mesmo que não se encontre em altas concentrações na atmosfera. Ele provoca a acidificação das células, a destruição da clorofila da alga e a coagulação de várias proteínas.

A principal fonte de dióxido de enxofre é a queima de carvão e petróleo para aquecimento, siderurgia e produção de energia elétrica.

Outros poluentes, comuns em grandes centros urbanos, também afetam os líquenes. São os óxidos de nitrogênio, ozônio e fluoretos (produzidos por indústrias de alumínio); cujos mecanismos de ação não foram totalmente elucidados.

Devido a essa particular sensibilidade aos poluentes atmosféricos, os líquenes têm sido apontados como bons bio-indicadores para o monitoramento dos níveis de poluição através de três técnicas: mapeamento por zonas, transectos e transplantes.

No mapeamento por zonas, faz-se um levantamento da distribuição e abundância das várias espécies de líquenes, montando-se um mapa da área estudada onde podem ser detectados os locais mais poluídos, pela ausência de líquenes ou pela presença unicamente das espécies mas resistentes.

O método do transecto consiste em se traçar, a partir de uma fonte poluidora conhecida, uma linha (chamada de transecto) que acompanhe a direção predominante dos ventos. Ao longo desse transecto, com espaçamento determinado, faz-se uma análise da flora liquênica. Com isso pode-se ter uma idéia do grau de dispersão dos poluentes e até onde se estendem os seus efeitos.

A técnica do transplante envolve retirar líquenes de locais sabidamente menos poluídos e recolocá-los em outro local, onde se queira medir a poluição.

Posteriormente, verifica-se a resposta dos líquen àquela nova condição.

Costuma-se considerar vários parâmetros: danos aparentes e sua extensão; tempo de exposição até a morte; mudanças de coloração e grau de acidez. Na técnica de transplante, discos de líquenes podem ser postos em suportes giratórios que - com o vento - permite que eles tenham exposição uniforme ao sol.

O controle da poluição atmosférica a partir de líquenes tem como principal vantagem a sua facilidade técnica, pois não exige equipamentos caros e sofisticados, nem profissionais altamente treinados como acontece com os métodos químicos de monitoramento. Por isso, pode ser usado em maior extensão, cobrindo maiores áreas geográficas. Além do mas, os líquenes são afetados pelo valor médio de poluição e não por uma alta acidental ou esporádica.

No entanto, possui a desvantagem de realizar medidas com menor precisão e exigir detalhados estudos prévios para se conhecer o grau de sensibilidade de cada espécie usada. Além disso, os líquenes podem ser afetados por outros fatores ecológicos (não poluentes) como iluminação, clima local e tipo de substrato (meio sobre o qual crescem); o que exige algum critério e conhecimento da ecologia dos líquenes - na elaboração dos manuais de instrução para seu uso como bio-indicadores - para não se chegar a resultados errados.

Comensalismo

É a associação onde um dos participantes (o comensal) tira proveito da existência e comportamento de outro, sem prejudicá-lo.

Um exemplo típico é a rêmora, peixe que possui uma ventosa no alto da cabeça, com a qual adere-se ao corpo do tubarão e "pega uma carona". Assim, desloca-se sem gasto de energia, além de aproveitar-se das sobras alimentares do tubarão, que simplesmente ignora a sua presença.

A barata é um comensal da espécie humana, alimentando-se do lixo que produzimos.

Outros comensais nossos são algumas aves insetívoras, como o anu, bem-te-vi e boiadeiro (Machetornis rixosus) que seguem - em "procissão" - ao trator que realiza o revolvimento do solo, deixando expostas as minhocas e muitos insetos.

Inquilinismo

É o tipo de comensalismo onde o proveito tirado (pelo chamado inquilino) é um local de abrigo ou suporte para o crescimento.

O peixe-agulha, que tem esse nome por ser muito fino, protege-se dos predadores alojando-se no interior do corpo de esponjas ou holotúrias (pepino-do-mar), sem prejudicá-las nem favorecê-las.

O paguro, ao ocupar uma concha previamente construída pelo molusco já morto, caracteriza-se como um inquilino. O tuim é o inquilino que aproveita o buraco na árvore criado pelo pica-pau para construir seu ninho.

Epifitismo

Quando alguns vegetais - como os musgos, orquídeas, bromélias e samambaias - necessitam apoiarem-se no tronco de alguma árvore maior para poderem crescer sem, no entanto, parasitarem-na, os ecólogos chamam essa relação de epifitismo; sendo epífita a espécie que obtêm o proveito.

Alguns estudiosos consideram o epifitismo simplesmente como um caso especial de inquilinismo. Outro caso especial é a foresia. Ocorre quando a espécie menor (inquilina) é transportada pela maior, como no citado exemplo da rêmora com o tubarão.

RELAÇÕES DESARMÔNICAS

Predação

É a associação onde uma espécie (predadora) alimenta-se de outra (presa) destruindo total ou parcialmente o corpo desta.

Geralmente o predador é maior que sua presa, tem população e ninhada menos numerosa e vive mais tempo.

A seleção natural atua sobre os predadores forçando-lhes a adaptação no sentido de aumentarem a eficiência na caça. Isso envolve aprimorar a capacidade de aprendizado para fixar os locais onde as presas são mais abundantes, a técnica de caça que melhor funciona e determinar critérios mais adequados de escolha do tipo de presa que forneça mais energia.

Sobre as presas, a seleção natural atua no sentido de aprimorar os mecanismos de defesa que podem envolver:

Desenvolvimento de "armas" no corpo, como espinhos, unhas ou secreções irritantes.

Comportamento de fuga eficiente, que pressupõem a capacidade de localizar e reconhecer antecipadamente o predador e desempenhar grandes velocidades.

Produção de substâncias químicas que tornam o corpo com gosto ruim ou mesmo venenoso. Um exemplo é o sapo, cuja glândula de veneno localiza-se na cabeça, atrás dos olhos. Ele não tem capacidade de ejetá-lo; saindo, somente, quando é mordido pelo predador.

Mimetismo que é a capacidade de confundir-se - pela cor ou forma do corpo - com o meio ambiente ou imitar a aparência de outro ser vivo. Desse modo, podem passar desapercebido pelo predador.

Curva predador-presa

Para que num habitat coexistam, por um longo período, as populações de presa e predador é necessário que haja um delicado equilíbrio no tamanho das populações envolvidas. Se a população de predadores crescer muito, provocará a diminuição imediata na população de presa. Com isso, haverá menos alimento e os predadores terão menos filhotes ou mesmo começarão a morrer.

Diminuindo a população do predador, mais presas sobreviverão e deixarão prole mais numerosa. Em pouco tempo, com a abundância de alimento, a população de predador voltará a crescer, fechando o ciclo que, enquanto se repetir, manterá ambas populações em equilíbrio.

Esse ciclo estável é representado pela chamada curva predador-presa que descreve as variações no tamanho das populações (N) em função do tempo (t); com 4 fases sucessivas.

A variação no tamanho populacional do predador, em conseqüência das variações na população de presa foi chamada, pelo biólogo canadense C. S. Holling, de resposta numérica. Por meio dela, o predador controla a quantidade de presas existentes no habitat.

Qualquer desvio abrupto no tamanho de uma das populações envolvidas provoca o risco da eliminação de ambas ou, pelo menos, do predador.

Predação prudente

A existência do predador depende da presença de uma quantidade mínima de presas. A predação desenfreada pode, de imediato, ser vantajosa por garantir maiores ganhos energéticos para o predador; mas pode reduzir, perigosamente, a população da presa a um número do qual não conseguirá recuperar-se, ameaçando a existência futura do próprio predador.

Com base nessa premissa, alguns ecólogos especularam que os predadores manteriam sistema de controle sobre seu nível de predação, para não eliminar completamente a sua presa. Deste modo, quando a população de presas abaixasse até um limite crítico, os predadores reduziriam sua caça. Esse comportamento foi chamado de predação prudente.

Holling demonstrou, em 1959, que vertebrados predadores, como camundongos e musaranhos que caçam pupas de insetos no feno, capturam uma baixa porcentagem de presas quando é escassa. Porém, quando a densidade (número de indivíduos por área) de presas aumenta, elas são capturadas numa porcentagem maior, desenvolvendo uma preferência pela qual o predador forma para si uma imagem da presa com a qual a reconhece mais facilmente no meio ambiente. A isso o etólogo (estudioso do comportamento animal) Niko Tinbergen chamou de imagem de procura. Ela envolve uma maior experiência e habilidade em caçar essa espécie.

Em densidades muito elevadas, a porcentagem de presas capturadas decai, até que o predador esteja capturando um número fixo de presas, que não aumentará com a densidade de alimento disponível. Tal limitação é decorrente da saciação do predador - que passa a ignorar novos eventos de encontro com a presa - e do gasto de tempo e energia, progressivamente maior, na manipulação da presa antes do consumo.

Este tipo de comportamento tende a produzir uma curva característica (relacionando densidade de presas com número delas capturadas) e em forma de "S", chamada de resposta funcional do predador.

Canibalismo

É a predação que envolve indivíduos da mesma espécie.

Costuma ser interpretado como um mecanismo de seleção natural - que aprimora a espécie ao eliminar os indivíduos menos fortes e ágeis -, com o qual se controla a população e se diminui a competição entre membros da mesma espécie. Tal seria o caso da clássica experiência da grande população de ratos mantidos num espaço pequeno onde, a partir de um momento, os filhotes e ratos menores eram predados pelos maiores.

A fêmea do louva-a-deus devora a cabeça do macho durante a cópula. Com isso, ela corta o nervo que inibiria o comportamento sexual masculino e obtêm maiores garantias de sucesso na reprodução.

É sabido que a fêmea de muitas espécies de pássaros destrói os ovos ou devora os filhotes quando adquirem um cheiro diferente, ao serem manuseados por mãos estranhas. Esse comportamento canibalístico é entendido como sendo um mecanismo de defesa contra a "invasão" de filhotes parasitas, como o chupim e como sendo uma forma de recuperar o "investimento" - em energia e nutrientes - feito pela fêmea ao criar os filhotes.

O homem-predador: uma ameaça às espécies

Como foi visto, muitos predadores parecem ser prudentes ao decidir quantas presas caçarão. Apenas o homem - por incrível que pareça - parece não ter essa capacidade.

Já é de longa data que a ação predatória do ser humano têm levado à extinção de espécies, inclusive úteis para si. Registros paleontológicos parecem indicar que uma das primeiras vítimas do homem teriam sido os mamutes, eliminados completamente há milhares de anos. Alguns cientistas procuram afirmar que as populações pré-históricas não teriam sido o principal responsável pelo seu desaparecimento; mas, certamente, eles teriam ajudado bastante...

Nos séculos XVII e XVIII, os búfalos das pradarias da América do Norte e o pau-brasil da Mata Atlântica praticamente desapareceram, vítimas das caçadas e derrubadas indiscriminadas. Parece mentira, mas até recentemente, o maior matador de búfalos - responsável pela matança de milhares deles -, Bufalo Bill, era considerado um herói nos EUA!

Neste século, apenas para citar um exemplo, corremos o risco de ver desaparecerem as baleias; quando seus produtos naturais já eram substituídos pelos sintéticos. Tal não ocorreu pela ação pronta e decidida de muitos grupos ambientalistas, que as tomaram como bandeira na luta pela vida na Terra.

Movidos pela pressão da sociedade e pela ameaça de falência da indústria de produtos derivados das baleias, por verem sua "matéria prima" diminuir progressivamente, as nações caçadoras realizaram convenções internacionais e estabeleceram cotas de produção; agindo, finalmente, como predadores prudentes,

Como se explica que o ser humano, dotado de tamanha inteligência, possa agir dessa forma?.

Uma possível e desapaixonada explicação baseia-se no hábito alimentar da espécie humana. Sendo onívoros - comedores de vegetais e animais - e generalistas, os homens ao atuarem como predadores não dependem de uma única espécie de presas. Deste modo, não sofreram uma forte pressão seletiva para desenvolverem um comportamento típico de predador prudente. Além do mais, a própria inteligência garante-lhe a possibilidade de encontrar modos mais eficientes para caçar e alternativas para o desaparecimento da presa preferida.

Vemos, então, que a inteligência sendo para nós um grande e maravilhoso dote, pode significar para as outras espécies uma terrível ameaça quando não empregada de acordo com adequados critérios éticos e morais.

Parasitismo

É a associação onde uma espécie (parasita) alimenta-se de outra (hospedeira) consumindo parte do seu corpo e raramente causando a morte. Sob este ponto de vista, animais que se alimentam de partes dos vegetais (os herbívoros), sem levá-los à morte, podem ser considerados como parasitas.

Geralmente, o parasita é menor que o hospedeiro, tem população e ninhada mais numerosa e vive menos tempo.

A ação do parasita pode causar os seguintes prejuízos ao hospedeiro:

Histólise, ou seja, a destruição de tecidos provocando formação de feridas que permitirão a instalação de outros parasitas. A ferrugem do café que ataca as folhas dos cafeeiros e produz grandes prejuízos econômicos, é causada pelo fungo parasita Hemileia vastatrix.

Desnutrição, ao terem absorvidas substâncias nutritivas (sangue, seiva elaborada), que diminui a capacidade reprodutiva do hospedeiro.

Deformações por excesso ou falta de crescimento provocada pela reação à presença do parasita ou por suas secreções. Um exemplo, entre os vegetais, é a formação de galhas.

Intoxicação causada por produtos eliminados pelo parasita. No ser humano, a liberação de toxinas pelos protozoários Plasmodium provoca - como reação à intoxicação - as febres típicas da malária. As galhas, nas folhas ou pedúnculos, são deformações causadas pelo ataque de afídeos, insetos da ordem dos pulgões e cigarras.

Tipos de parasitas

Os parasitas podem ser classificados segundo vários critérios.

Quanto à localização nos hospedeiros podem ser:

Ectoparasitos: quando vivem na superfícies externa do hospedeiro, como a pulga e o piolho.
Endoparasitos:
quando penetram no corpo do hospedeiro, como os vírus, bactérias, protozoários e os vermes.

Quanto ao número de hospedeiros utilizados são divididos em:

Monogenéticos, se o ciclo de vida completa-se num único hospedeiro. É o caso da lombriga (Ascaris lumbricoides).
Digenéticos,
se o ciclo de vida envolver dois ou mais hospedeiros, como acontece com a malária.

Os vários hospedeiros usados pelo mesmo parasita são classificados em definitivos e intermediários. No hospedeiro definitivo, o parasita realiza a reprodução sexuada. No hospedeiro intermediário, a reprodução é assexuada. No caso citado da malária, o protozoário parasita Plasmodium tem ao homem como hospedeiro intermediário, enquanto que o mosquito Anopheles é definitivo.

Os vegetais parasitas podem ser classificados em dois grupos: holoparasitas e hemiparasitas.

Os holoparasitas (holo = total) são desprovidos de folhas e, portanto, são incapazes de realizar a fotossíntese e fabricar seu próprio alimento. Conseqüentemente, sugam do hospedeiro a seiva elaborada. Como adaptação, possuem raízes sugadoras ou haustórios. Um exemplo é o cipó-chumbo (Cuscuta sp.) que pode chegar a cobrir árvores inteiras. O cipó-chumbo é uma holoparasita que depende da fotossíntese de outras plantas para sobreviver. Ele chega, com seus fios amarelos a cobrir totalmente as árvores.

Os hemiparasitas (hemi = metade) possuem folhas e absorvem do hospedeiro apenas a seiva bruta, uma vez que não conseguem retirar do solo a água e os sais minerais. Produzem a sua própria seiva elaborada através da fotossíntese. É o caso da erva-de-passarinho, recebendo este nome porque suas sementes são transportadas no intestino dos pássaros que a depositam, sobre a árvore hospedeira, ao defecar.

Epidemia e endemia

O ataque dos parasitas sobre a população dos hospedeiros pode provocar endemias e epidemias.

Nas endemias, a porcentagem de afetados pala parasitose não varia com o tempo constituindo-se, no caso humano, num grave problema social.

No Brasil existem três parasitoses endêmicas mais importantes, atingindo as regiões mais pobres: esquistossomose, malária e doença de Chagas.

Nas epidemias, ocorre um crescimento rápido da porcentagem de afetados que volta a diminuir algum tempo depois. Um bom exemplo é a gripe, onde o parasita é um tipo de vírus.

A parasitose é considerada como sendo uma infecção quando os parasitas são vírus ou organismos unicelulares e infestação quando são pluricelulares.

Coevolução parasita-hospedeiro

A seleção natural molda as espécies parasitas tornando-as mais eficientes na busca e na exploração do hospedeiro, de modo a não levá-lo a morte, que pode representar o fim do recurso alimentar e a ameaça à própria sobrevivência.

Os hospedeiros, por outro lado, são induzidos pela seleção natural a desenvolverem sofisticados mecanismos de defesa contra o parasitismo que, por sua vez, atua como um fator seletivo sobre os parasitas.

Esse processo de contínua adaptação do parasita às mudanças no hospedeiro e vice-versa, é denominado coevolução do sistema parasita-hospedeiro, e pode ser comparado à "corrida armamentista" que existe entre as grandes potências onde, cada uma, procura desenvolver uma nova arma que anule ou supere a do adversário.

Um caso de coevolução mais detalhadamente estudado é o do relacionamento entre larvas de borboletas parasitando plantas, comendo suas folhas.

Os ecólogos Ehrlich e Raven descobriram que grupos aparentados (do ponto de vista evolutivo e de classificação) de borboletas tendem a alimentar-se de grupos aparentados de espécies vegetais, indicando que há uma especialização do inseto ao hospedeiro. Notaram, também, que cada grupo de plantas era atacado por um número limitado de espécies herbívoras.

Ehrlich e Raven concluíram que são os compostos secundários, produzidos pelo hospedeiro, que desempenham o principal papel na determinação do padrão de utilização da planta pelos animais. Os compostos secundários são substâncias químicas tóxicas de vários tipos (polifenóis, terpenos e alcalóides) que produzem aroma ou odor desagradável, queimadura, envenenamento ou mesmo a morte de quem as consome.

Estas moléculas orgânicas são denominadas secundárias porque não estão diretamente relacionadas com os processos metabólicos principais: fotossíntese, respiração e crescimento. No reino vegetal foram encontradas cerca de 30.000 variedades diferentes desses compostos, sendo que cada espécies possui apenas alguns deles.

Isso explica a incrível diversidade das plantas e a grande especialização nos herbívoros que são levados a desenvolver, ao longo do processo evolutivo, mecanismos químicos de "desintoxicação" específicos para os compostos secundários encontrados na planta hospedeira.

Anemia falciforme na África: um exemplo de adaptação ao parasitismo.

A anemia falciforme é uma doença hereditária humana, encontrada especialmente em populações de várias partes de África, Índia e países mediterrâneos. As pessoas afetadas produzem a molécula de hemoglobina com um aminoácido trocado. Em conseqüência disso, os glóbulos vermelhos ficam deformados, com a forma de foice (falciforme) e pouco eficientes no transporte de oxigênio, quando sua quantidade é pequena nestas células.

Como a doença é provocada pela presença de um alelo mutante que diminui as chances de sobrevivência do portador, quando ocorre em dose dupla (homozigose), seria de se esperar - segundo as leis da Genética - que ele desaparecesse da população ou existisse numa pequena parcela dela.

Entretanto, encontraram-se regiões da África Ocidental onde sua freqüência atinge 40%. A razão disso foi descoberta por A. C. Allinson, em 1964, ao notar que a distribuição do alelo mutante coincidia com a distribuição da malária falciparum, provocada por um parasita do sangue, o protozoário Plasmodium falciparum.

Ao penetrar no glóbulo vermelho, o protozoário consome oxigênio, provocando sua deformação. Os glóbulos vermelhos falciformes são, então, atacados mais rapidamente pelos leucócitos, que os destroem juntamente com os parasitas que eles contêm. Deste modo, o Plasmodium não se espalha no organismo pela circulação. Entre as pessoas de hemoglobina normal, a porcentagem de vítimas de malária é superior e muitas delas perecem dessa doença.

Assim, possuir o alelo para anemia falciforme representa, nas regiões onde a malária é endêmica, uma vantagem adaptativa contra o parasitismo. Isso é confirmado pelo fato de que na população negra norte-americana, que não está sujeita à malária a cerca de 300 anos, a freqüência desse alelo é a metade da encontrada nas populações da África Ocidental, de onde saíram para serem levados aos EUA.

Escravagismo

O escravagismo (ou dulose) deve ser entendido como um caso de parasitismo onde uma espécie se aproveita do trabalho de outra (hospedeira ou escrava), ou seja, do seu tempo e energia de modo que o potencial reprodutivo do hospedeiro torna-se menor ou nulo.

Freqüentemente alguns exemplos de relações ecológicas são erroneamente confundidos com escravagismo ou não são considerados como tais. A relação entre formigas e pulgões não pode ser considerada como escravagismo porque os pulgões são beneficiados pelas formigas, ainda que estas tenham um certo "controle" sobre os pulgões, levando-os de um lado para o outro. Na verdade, trata-se de uma cooperação.

Um exemplo claro de escravagismo - e bem adequado à definição proposta - é o realizado pelo chupim no ninho de outros pássaros, principalmente tico-tico, quando aproxima-se furtivamente a deposita lá um de seus ovos. Ao nascer, o filhote do chupim, por ser maior que os do hospedeiro, recebe mais alimento e atenções dos "pais adotivos" que não se dão conta da "fraude". Conseqüentemente, os "filhos verdadeiros" não se desenvolvem ou mesmo morrem de fome. Inclusive não é raro que o filhote do chupim jogue para fora do ninho a prole dos hospedeiros.

Como exemplo mais chocante de escravagismo e do uso da "força bruta" na natureza temos as formigas escravagistas. São várias espécies, entre elas a formiga-sanguinária (Formica sanguinea), que costumam atacar formigueiros de outras espécies, matando ou expulsando as operárias. Depois disso, capturam as larvas e pupas das vítimas e as levam para o seu formigueiro, onde trabalharão como operárias sem poderem de lá sair ou reproduzirem-se.

Várias espécies de formigas escravagistas substituíram o uso da violência, nos seus ataques, por sinais químicos. São as chamadas substâncias de propaganda que induzem o pânico entre as operárias do formigueiro atacado, facilitando a penetração e o seqüestro das larvas e pupas. A vantagem do emprego deste tipo de "guerra química" reside na conservação de recursos; já que as operárias atacadas não são mortas e retornam ao formigueiro para criarem novas proles que, posteriormente, poderão vir a ser escravas.

Combate às parasitoses

A maior parte das doenças que aflige a humanidade resulta da ação de organismos parasitas, tais como: vírus, bactérias, protozoários e vermes.

Até há pouco tempo atrás, esses parasitas tinham sua distribuição limitada a poucas regiões. Mas com o aumento das viagens e das comunicações rápidas entre os povos, as doenças localizadas numa única nação são, agora, causas potenciais de epidemias universais (pandemias). Exemplo vivido foi a disseminação do vírus da gripe espanhola em 1918-19, causando milhares de mortes. A pandemia ocorreu antes que os métodos de controle e o conhecimento do vírus causador da gripe fossem conseguidos.

Atualmente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) está empenhada em coordenar esforços para evitar a propagação de muitas doenças e diminuir a sua incidência nas áreas onde é endêmica.

No Brasil, muitas doenças erradicadas nos países desenvolvidos são - no início da década de 90 - ainda endêmicas:

Esquistossomose, causada pelo verme Schistosoma mansoni e transmitida pelo caramujo Biomphalaria, atinge 16 milhões de brasileiros, grande parte no Nordeste.

Malária, causada pelo protozoário Plasmodium e transmitida pelo mosquito Anopheles, aflige 10 milhões de pessoas e, só em 1989, houve mais 600 mil novos casos, a maioria na Amazônia e no Centro-Oeste.

Doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo barbeiro, afeta 6 milhões de brasileiros, a maioria proveniente da zona rural, em 19 Estados e 2.000 municípios.

Dengue e febre amarela, causadas por vírus e transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Reapareceu em 1986 e já se espalhou pela região Sudeste estando presente em 80% dos municípios paulistas.

Leishmaniose, causada pelo protozoário Leishmania e transmitida pela mosca da areia (Phlebotomus), antes restrita ao Nordeste, espalha-se pelo Sul.

O combate às parasitoses humanas exige dois tipos de medidas: as profiláticas e as terapêuticas.

As medidas profiláticas são preventivas e consistem, principalmente, na vacinação das populações ameaçadas; no combate aos vetores (animais transmissores) e no saneamento básico.

Por saneamento básico entende-se o conjunto de ações do Poder Público voltadas a melhorar a qualidade de vida e a higiene da população. Elas envolvem a instalação de redes de água e esgoto, coleta de lixo, construção de habitações adequadas e campanhas educativas. É importante que todos os cidadãos tenham consciência de que estas obras constituem-se numa obrigação do Estado e não uma mera liberalidade. São ações de preservação do meio ambiente humano.

As medidas terapêuticas são curativas, isto é, procuram recuperar a saúde e eliminar o parasita uma vez estabelecido no hospedeiro.

Competição

É a associação onde os dois participantes (competidores) utilizam um mesmo recurso limitado, que pode ser alimento, espaço ou parceiro sexual (quando os envolvidos são da mesma espécie).

A competição pode ocorrer entre indivíduos de uma espécie (competição intraespecífica) ou de espécies diferentes (competição interespecífica).

Para que exista competição não é preciso que os competidores se ataquem fisicamente ou mesmo se vejam. Tartarugas que comem, durante o dia, um determinada fruta e morcegos que se alimentam dessa mesma fruta durante a noite são competidores. O mesmo vale para abelhas européias e mamangavas que sugam néctar - em horários distintos, porém próximos - de uma mesma planta.

No entanto, o uso de um recurso ou fonte ambiental, quando é abundante, não caracteriza a competição. Assim, por exemplo, animais terrestres que utilizam oxigênio na respiração (salvo em ambiente pequenos e fechados) não são competidores.

Nicho ecológico

A competição, entretanto, ocorrerá quando os competidores tiverem sobreposição de nichos ecológicos. Nicho ecológico foi definido pelo ecólogo Charles Elton como sendo a faixa de recursos ambientais utilizado pelo indivíduo que determina o seu papel no ecossistema. Habitats semelhantes em regiões diferentes são ocupados por animais similares. Eles têm as mesmas "profissões" dentro do habitat. Elton aplicou o termo "nicho" a esta equivalência de ocupações.

Para uma andorinha, por exemplo, o seu nicho fica delimitado pelo tamanho e espécie de insetos dos quais se alimenta, como também pelo tipo de local utilizado para montar seu ninho (cavidades em pedras e construções). O nicho da andorinha pode ser visualizado por este gráfico que mostra a faixa de tamanho de insetos utilizados na sua alimentação.

A presença, no mesmo habitat da andorinha, de outra ave insetívora, como o siriri (Tyrannus melancholicus) que nidifica apenas em árvores poderá significar uma competição se a faixa de tamanho de insetos capturados pelo siriri (o seu nicho) coincidir, em parte ou totalmente, com o da andorinha.

Como pardais costumam fazer ninhos no mesmo tipo de local que a andorinha, ainda que não se alimentem basicamente de insetos, se viverem no mesmo habitat, serão competidores que disputarão não alimento, mas espaço.

Conseqüências da competição

Para entender como a competição afeta os seres vivos, o microbiologista russo Gause realizou, em 1932, um experimento envolvendo duas espécies de lêvedo: Saccharomyces cerevisiae (que produz a cerveja) e o Schizosaccharomyces kephir.

Ele observou o crescimento das colônias desses organismos (medidos em termos de volume) em duas situações: isoladas e misturadas.

Dos resultados obtidos ele pode concluir que a competição é uma relação desvantajosa para ambos os participantes e que afeta diretamente o ritmo de crescimento populacional, com intensidade diferentes para cada espécie. No caso estudado, S. kephir revelou-se como menos competitiva e mais sensível à presença de uma competidor. Isso deixa claro que a competição pode ter um efeito controlador no tamanho das populações.

Dois anos depois, Gause repetiu o mesmo experimento com duas espécies semelhantes de protozoários: Paramecium aurelia e Paramecium caudatum.

Desta vez, notou que o efeito da competição era mais drástico, principalmente quando o recurso usado em comum era escasso; uma das espécies (a com menor capacidade competitiva) era excluída do habitat.

Com base nestes resultados, Gause formulou o "Princípio da Exclusão Competitiva" - também conhecido como "Princípio de Gause" - que afirma: "duas espécies não podem ocupar o mesmo nicho por muito tempo".

A validade das idéias de Gause somente puderam ser comprovadas em laboratório, pois a competição em grau intenso dificilmente pode ser observada na natureza; pois ocorrendo é de se supor que uma das espécies competidoras já tenha sido excluída e, portanto, a competição deixou de existir.

Como a competição é desvantajosa para os dois envolvidos, na natureza existem mecanismos que a diminuem, deixando "marcas" da competição passada entre os seres vivos. Mesmo alguns exemplos anteriormente citados só existem por serem temporários ou pelos recursos serem abundantes.

Um desses mecanismos redutores de competição é chamada de deslocamento de caracteres. Por ele, os competidores especializam-se em parcelas diferentes dos recursos disponíveis, de modo a diminuir a sobreposição dos nichos. Como conseqüência dessa especialização, há uma mudança morfológica nos envolvidos.

Um exemplo, dos mais estudados, de deslocamento de caracteres é fornecido pelos tentilhões das Ilhas Galápagos (no Pacífico), por onde passou Darwin e começou a pensar na sua Teoria da Evolução. Nestes pássaros granívoros, do gênero Geospiza, o tamanho do bico é proporcional ao tamanho das sementes preferidas.

Nas ilhas onde cada uma das duas principais espécies - Geospiza fortis e Geospiza fuliginosa - vive isolada e sem competidores, ambas possuem bicos do mesmo tamanho. Mas nas Ilhas Charles e Chatham, onde as duas espécies ocorrem simultaneamente, o tamanho do bico (e portanto a faixa de recursos utilizados) é claramente diferenciado, revelando uma competição ocorrida no passado.

O deslocamento de caracteres, ao estimular a diferenciação entre as espécies e, especialmente, entre as subespécies, torna-se uma das forças promotoras da evolução, uma vez que estimula a diversidade e o polimorfismo, "matérias-prima" da seleção natural.

Outro mecanismo redutor da competição é a partição de recursos. Trata-se da separação dos competidores no espaço (ocupando parcelas diferentes do habitat) ou no tempo (explorando os recursos em horários ou estações diferentes), de maneira que não usem simultaneamente os mesmos recursos.

O ecólogo norte-americano Robert MacArthur mostrou como cinco espécies semelhantes de mariquitas (aves insetívoras do gênero Dendroica) poderiam coexistir numa mesma floresta de coníferas sem haver exclusão competitiva. A razão é que havia, entre elas, uma partição espacial dos recursos de modo que cada uma explorava uma parte diferente da árvore.

Em florestas tropicais, várias espécies semelhantes de formigas especializaram-se por explorar e montar suas colônias em alturas diferentes nas árvores, que se tornam organizadas como edifícios, com um "andar" para cada espécie.

A partição de recursos pode ser também temporal, como ocorre entre beija-flores e morcegos nectarívoros (sugadores de néctar). Ambos alimentam-se das mesmas flores; as aves durante o dia e os morcegos à noite, em horários bem determinados e espaçados. A competição não se faz sentir porque entre as visitas dos dois tipos de animais, as plantas fabricam nova cota de néctar suficiente para ambos.

A competição, além de ser um importante "motor" da evolução, é responsável pela organização das comunidades e chegando, em alguns casos, a produzir uma clara estratificação das espécies sésseis, chamada zonação. Trata-se da disposição dos organismos segundo faixas horizontais paralelas, onde cada espécie predomina numa das faixas (estratos).

Isso pode ser observado nas florestas tropicais, onde os estratos correspondem a alturas diferentes da vegetação, e nos costões rochosos do litoral.

Alelopatia

Alguns organismos, principalmente vegetais, que não conseguem deslocar-se para evitar a competição defendem-se produzindo, e liberando no solo, substâncias químicas tóxicas a seus potenciais competidores, chamados agentes alelopáticos. Com isso, garantem uma área de terreno em torno de si livre de competidores e com recursos (água, nutrientes, iluminação) suficiente para sua sobrevivência. A ação do antibiótico penicilina, produzido por alguns fungos, inibindo o crescimento de bactérias ao seu redor é um exemplo clássico de alelopatia.

A exclusão de competidores pela produção de substâncias tóxicas foi chamada, pelo pesquisador alemão Hans Molisch, de alelopatia. O interesse por esta forma de ação ecológica começou no século passado, quando os agrônomos procuravam explicar a "doença da terra"; pela qual um solo tornava-se improdutivo - mesmo com o emprego de fertilizantes - depois de se plantar nele o mesmo vegetal por vários anos. Descobriu-se, então, que substâncias alelopáticas eram produzidas pelas raízes das plantas e impediam o desenvolvimento de novas culturas.

As substâncias alelopáticas - quimicamente identificadas com terpenos, fenóis, taninos e alcalóides - não são produzidas somente pelas raízes. Também o são pelas folhas e contaminam o solo aonde caem. Tal é o caso do pinheiro, sob cuja copa poucas plantas conseguem crescer.

A alelopatia é um fator responsável pela organização espacial das populações vegetais. O espaçamento natural - extremamente regular, como se houvessem sido plantados - entre arbustos do chaparral (ambiente semelhante à caatinga) californiano é causado pela alelopatia.

Os agrônomos têm intensificado seus estudos sobre a ação das substâncias alelopáticas, com vistas a empregá-las no controle de ervas-daninhas, no lugar de herbicidas altamente tóxicos. Já se tem usado, com sucesso, uma cobertura de mucuna-preta (Stipolobium sp) sobre o solo para evitar a tiririca. A cobertura morta de aveia, combinada com azevém - com sucesso em algumas regiões brasileiras - consegue manter o solo limpo de ervas por algum tempo.

Competição intraespecífica

Para a competição entre indivíduos da mesma espécie valem os mesmos princípios e conseqüências já citados, para a competição interespecífica; tendo, no entanto, algumas nuanças que a distingue.

É na competição intraespecífica - principalmente quando o recurso em disputa é um parceiro sexual - que o confronto assume aspectos mais dramáticos, chegando à violência física e à luta.

Como a luta é desvantajosa mesmo para o vencedor, que sai freqüentemente enfraquecido e torna-se presa fácil para os predadores, a seleção natural promoveu - principalmente entre espécies mais evoluídas como aves e mamíferos - o desenvolvimento de dois mecanismos comportamentais muito comuns e eficientes para minimizar a competição. São a ritualização das lutas e a territorialidade.

A ritualização é a exibição de um comportamento padronizado, altamente complexo, que simula o combate por meio de posturas agressivas e ameaçadoras e movimentos de ataque ou fuga. O animal que realiza a ritualização com mais força acaba por demonstrar sua superioridade e promover a fuga do adversário.

Associado com a ritualização, em muitas espécies, dá-se a territorialidade, o empenho em defender uma área para excluir possíveis competidores da mesma espécie. Manter um território - desde que não envolva custos energéticos proibitivos - é um comportamento altamente adaptativo, pois garante a disponibilidade de alimentos, a posse de abrigo contra predadores e intempéries, o espaçamento entre os indivíduos que dificulta a disseminação de doenças e aumenta a possibilidade de acasalamento. Em muitos pássaros, a fêmea escolhe o macho que possui o melhor território.

O comportamento territorial é mais típico em vertebrados, com exceção dos anfíbios; se bem que ocorra, esporadicamente, em alguns invertebrados como formigas, grilos, libélulas e caranguejos.

Os animais territoriais usam diversos meios para marcar o seu território e avisar aos possíveis "invasores" que aquela área lhe pertence. Formigas e alguns mamíferos utilizam feromônios. Os cães o fazem urinando. Os pássaros utilizam o canto em "pontos estratégicos".

Normalmente, são muito agressivos no centro do seu território e na sua periferia a ameaça é menos intensa, igualando-se as tendências de ataque com as de fuga ante o oponente.

Amensalismo

É a associação onde uma espécie, chamada amensal, é inibida no crescimento ou na reprodução, ou mesmo morta, pela ação ou produção de substâncias tóxicas por outra espécie, denominada inibidora.

O amensalismo é diferente da alelopatia porque as espécies envolvidas não são potenciais competidores e a espécie inibidora não obtêm nenhuma vantagem com o prejuízo da espécie amensal. Pode-se dizer que o dano sofrido pelo amensal trata-se de uma "fatalidade", decorrente da falta de adaptações às modificações impostas no ambiente pela outra espécie.

A maré-vermelha é um fenômeno tradicionalmente citado como exemplo de amensalismo. Consiste na intoxicação da água marinha, acarretando a morte de muitos animais de diferentes espécies, por substâncias produzidas pela alga flagelada Gonyaulax quando ocorre uma explosão populacional.

Outro exemplo pode ser a destruição de pequenas plantas e animais esmagados pela passagem de uma manada de elefantes ou mesmo a morte coletiva de pingüins da Antártida, que se jogam no mar em pânico pela aproximação de um animal, erroneamente tomado por um predador.

Fonte: paginas.terra.com.br

Relações Ecológicas

Relações Intra-espécies Colônias

São associações harmônicas entre indivíduos da mesma espécie que necessitam anatomicamente desta relação, com o prejuízo de morte sobre a separação da colônia. Em uma colônia nem sempre existe a divisão específica de trabalho, todos desempenhando apenas funções vitais para o grupo. Neste caso, as colônias são chamadas de isomorfas. No caso das colônias que possuem indivíduos com funções específicas e mesmo formas distintas, estas são chamadas de heteromorfas.

Isto é o que acontece com as colônias de celenterados nas quais existe uma parte da colônia que é responsável apenas pela alimentação: os gastrozóides e aqueles que são responsáveis apenas pela reprodução os gonozóides.

Exemplo: colônias de esponjas, colônias de celenterados.

Sociedade

As sociedades são associações entre indivíduos de mesma espécie em que existem funções cooperativas muito bem definidas, e o grupo com seus componentes pode se separar a qualquer momento e compor um novo grupo diferente do que o originou.

As sociedades também podem ser isomorfas ou heteromorfas. Quando isomorfas, todos os indivíduos podem desempenhar qualquer papel, não havendo uma distribuição de trabalho muito bem definida.

São também chamadas sociedades irregulares. A sociedade isomorfa desaparece se qualquer um dos fatores que geraram a aproximação dos indivíduos do grupo desaparecer.

Exemplos desse tipo de sociedade são: a espécie humana, os cardumes de peixes, alcatéias de lobos, as manadas de herbívoros. As sociedades heteromorfas ou regulares são compostas por indivíduos com diferenças morfológicas e divisão de trabalho bem específica. Não é difícil perceber em sociedades assim a divisão em castas, como é o caso das abelhas formigas.

Canibalismo

É uma interação desarmônica entre indivíduos de mesma espécie na qual um dos indivíduos mata e devora outro de sua espécie. É manifestação comum entre alguns tipos de aranhas e escorpiões que após o ato sexual matam o macho. Fêmeas de louva-a-deus também devoram seus machos. Nos animais superiores, esse tipo de comportamento é raro sendo que na espécie humana apenas em casos de extrema fome ou ritual pode haver esse tipo de comportamento. Em alguns casos, o canibalismo, por ser um fator de controle populacional, mantém o tamanho definido de uma população dentro do ecossistema, sendo encarado como um tipo de competição.

Competição intra-específica

A competição entre específica, como o nome já diz, ocorre entre seres de mesma espécie e pode delinear uma população, principalmente em seu tamanho.

Quando um ambiente não permite a migração de indivíduos e o alimento começa a diminuir, naturalmente os mais velhos e os menos aptos serão prejudicados e vão acabar morrendo por falta de alimento.

Relações interespecíficas Mutualismo obrigatório

Neste caso, há uma associação entre indivíduos de espécies diferentes, que é obrigatória para que a vida. No exemplo clássico dos líquens, temos os fungos fazendo o papel de absorção, e das algas fazendo o papel de fotossíntese, sendo que, se houver separação dos dois indivíduos, nenhum dos dois pode sobreviver. Outros exemplos de mutualismo são o boi e as bactérias na pança, o cupim e a triconinfa.

Protocooperação

Também é uma associação entre indivíduos de espécies diferentes, na qual há benefício para ambas as partes. É muito semelhante ao mutualismo só que, nesse caso, não existe um comprometimento anatômico entre os indivíduos, podendo-se a qualquer momento separá-los e garantir-se à sobrevivência de ambos. Sua coexistência não é obrigatória.

Exemplos: o paguro-eremita e as anêmonas do mar, o pássaro anu e o boi, o pássaro palito e os crocodilos.

Inquilinismo

Neste tipo de relação interespecífica, um dos indivíduos utiliza o outro como hospedeiro temporário, porém não há qualquer tipo de prejuízo para a parte que o hospeda. É que esse é um tipo de associação muito parecido com o comensalismo, diferindo deste apenas por não haver cessão de alimentos para o inquilino.

São exemplos de inquilinismo o peixe agulha e a holotura, as orquídeas e bromélias com troncos de árvores.

Comensalismo

É a associação entre indivíduos de espécies diferentes, na qual um deles aproveita os restos alimentares ou metabólicos do outro sem causar a este qualquer tipo de prejuízo. Modernamente, acredita-se que espécies que são parasitas ou que foram parasitas no passado tendem a tornar-se comensais. Esta mudança seria um modo evolutivo de se conseguir uma relação duradoura.

Exemplos: a rêmora e o tubarão, Entamoeba coli e o homem.

Competição inter específica

É uma interação desarmônica entre seres de espécies diferentes que habitam um mesmo local geográfico e disputam o mesmo nicho ecológico. A competição difere do predatismo, pois neste caso, podem estar competindo duas espécies de herbívoros ou duas espécies de carnívoros sem que necessariamente uma devore a outra.

Predatismo

É uma interação desarmônica na qual um indivíduo geralmente maior persegue mata um ou mais indivíduos de outra espécie para se alimentar. A presa pode morrer durante a sua ingestão ou antes. O predador é sempre um consumidor.

Parasitismo

No parasitismo, há a espoliação de um indivíduo chamado de hospedeiro. Nesses casos, o parasita é geralmente menor que seu hospedeiro e, quando o ataca, habitando o lado externo, é chamado de ectoparasito (carrapatos), e quando se fixa ao hospedeiro internamente é chamado de endoparasita (E. histolytica). Sua definição é muito semelhante à do predatismo, porém, neste caso, é necessário, geralmente, um grande número de parasitos para matar um hospedeiro.

Fonte: www.iesambi.org.br

Relações Ecológicas

Na natureza, as diversas populações que formam uma comunidade estabelecem entre si relações menos ou mais íntimas, como por exemplo:

RELAÇÕES INTRA-ESPECÍFICAS: Relações estabelecidas entre indivíduos pertencentes à mesma espécie.
RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS:
Relações estabelecidas entre indivíduos pertencentes à espécies diferentes.
RELAÇÕES HARMÔNICAS OU POSITIVAS:
Não há prejuízo entre os organismos e pelo menos uma espécie é beneficiada. ]
RELAÇÕES DESARMÔNICAS OU NEGATIVAS:
Pelo menos uma espécie é prejudicada.

EXEMPLOS DE RELAÇÕES INTRA-ESPECÍFICAS E HARMÔNICAS:

COLÔNIAS: os indivíduos associados se encontram unidos através de um substrato comum, revelando um pequeno grau de liberdade em termos de locomoção e independência fisiológica. Ex. bactérias, poríferos (esponjas), celenterados (caravelas, mãe d’água).
SOCIEDADES:
os indivíduos cooperam uns com os outros, apresentando profundo grau de interdependência, que se locomovem, quando muito, dentro da própria colônia, abandonam o local de moradia para coletar alimentos. Ex. abelhas, saúvas e cupins. Nestes casos os indivíduos se organizam em castas, isto indica que nestas sociedades há uma nítida divisão de trabalho.

EXEMPLOS DE RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS E HARMÔNICAS:

INQUILINISMO

Apenas uma espécie é beneficiada sem, entretanto, prejudicar a outra espécie associada. Um exemplo são as orquídeas e as bromélias, que são epífitas, com as árvores, elas se instalam no tronco das árvores, sem tirar proveito, não são parasitas, logo, não prejudicam a hospedeira.

COMENSALISMO

Apenas uma espécie é beneficiada sem, entretanto, prejudicar a outra espécie associada. Neste caso a espécie beneficiada denomina-se comensal, ela obtêm restos alimentares da espécie hospedeira. Ex. a rêmora com o tubarão.

MUTUALISMO

As duas espécies envolvidas são beneficiadas. Os benefícios, entretanto podem estabelecer ou não um estados de interdependência fisiológica. No mutualismo obrigatório, quando as separações das espécies envolvidas acarreta, para elas, um sério desequilíbrio metabólico, podendo levá-las à morte.

Ex.: liquens com algas e fungos, cupins e protozoários, ruminantes e microrganismos, bactérias e raízes de leguminosas. No mutualismo não-obrigatório, também conhecido atualmente como PROTOCOOPERAÇÃO, as vantagens entre as espécies podem ser dispensadas sem causar danos. Ex.: pássaro-palito e crocodilo, pássaros e gado.

EXEMPLOS DE RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS E DESARMÔNICAS:

ANTIBIOSE OU AMENSALISMO

Uuma das espécies envolvidas bloqueia o crescimento ou reprodução da outra espécie, através da liberação de substâncias químicas tóxicas.

Um exemplo de antibiose, podemos citar a relação do fungo Penicillium notatum e certas bactérias: o fungo libera penicilina, antibiótico que impede o desenvolvimentos de bactérias suscetíveis a essa substância.

PREDATISMO

Uma das espécies envolvidas mata bruscamente o outro para devorá-lo.

Ex.: leão e o cervo.

PARASITISMO

Qquando um parasita se aloja no interior ou na superfície do hospedeiro, para se nutrir.

Ex.: a erva-de-passarinho sobre uma árvore, o cipó-chumbo sobre uma árvore, lombrigas em um intestino, piolhos em uma cabeça, pulgas em um animal, etc.

EXEMPLO DE RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS OU INTRA-ESPECÍFICA E DESARMÔNICAS:

COMPETIÇÃO

Caracteriza-se pela disputa de alimentos e/ou espaço entre os indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes.

Ex.: animais que brigam para conquistar a fêmea ou território.

Fonte: www.concordia-saoleo.com.br

Relações Ecológicas

Na natureza, os seres vivos estabelecem relações entre si. Essas relações são variadas e estão associadas à manutenção do equilíbrio ecológico de uma determinada região.

Tipos de relações ecológicas

Relações intra-específicas: são aquelas realizadas entre indivíduos da mesma espécie.
Relações inter-específicas:
são aquelas realizadas entre indivíduos de diferentes espécies.
Relações harmônicas ou positivas:
são aquelas onde os indivíduos não tem nenhum tipo de prejuízo.
Relações desarmônicas ou negativas:
são aquelas onde, pelo menos, um dos indivíduos acaba tendo prejuízo.

Esquema resumido das relações ecológicas

Relações Ecológicas

Relação harmônica intra-específica

Sociedade 

União entre indivíduos da mesma espécie, que não são dependentes fisicamente, em que há divisão de trabalho.

Ex.: insetos sociais como abelhas, cupins e formigas. 

Colônias 

União física entre indivíduos da mesma espécie, podendo formar um conjunto. Observa-se que nesta relação não existem tarefas tão definidas como na relação de sociedade.

Ex.: Os corais são formados por indivíduos semelhantes entre si que são unidos por esqueleto calcáreo sobre o qual cresce a parte viva.

Canibalismo 

Ocorre quando seres de uma espécie comem outros seres da mesma espécie.

Ex.: A fêmea de algumas aranhas pode devorar o macho após o acasalamento.

Algumas espécies de escorpiões podem se alimentar de outros da mesma espécie.

Competição 

Indivíduos da mesma espécie disputam recursos insuficientes oferecidos pelo mesmo ecossistema. Os organismos podem competir por água, alimento, luz, local para construir seus ninhos, ou parceiros para reprodução.

Ex.: Os leões.

Relação harmônica inter-específica

Protocooperação

Relação em que todos os participantes são beneficiados, podendo viver de modo independente, sem a necessidade de se unir.

Ex.: Associação entre a anêmona-do-mar e o paguro (bernardo-eremita ou ermitão), que ocupa o interior de conchas abandonadas de moluscos.

Ex.: Pássaro palito que se alimenta dos restos alimentares do jacaré.

Comensalismo

Relação positiva para um indivíduo e neutra para outro Um ser que vive junto a outro, mas sem o prejudicar. A espécie beneficiada (comensal) obtém restos de alimentos da espécie hospedeira.

Ex.: O peixe-piolho (rêmora) fica grudado no tubarão para se locomover, se proteger de predadores e, principalmente, para se alimentar dos restos da comida do tubarão.

Mutualismo

É uma relação interespecífica em que os participantes se beneficiam e mantém relações de dependência tão intimas a ponto de algumas vezes não poderem sobreviver separados.

Ex.: Associação de fungos com raízes de certas plantas, formando as micorrizas. Os fungos facilitam a absorção dos minerais do solo, beneficiando as plantas.

Inquilinismo

É uma associação em que apenas uma espécie é beneficiada, mas a outra não é prejudicada. Neste caso a espécie beneficiada obtém abrigo (proteção) ou ainda suporte no corpo da espécie hospedeira.

Ex.: Orquídeas que vivem no alto das árvores, encontram condições ideais de luminosidade para o seu desenvolvimento sem prejudicar a árvore hospedeira.

Parasitismo

É a associação em que o parasita se aloja em seres de outra espécie (hospedeiros). O parasita é beneficiado obtendo alimento do seu hospedeiro. Um parasita se diferencia de um predador por ser menor que sua presa (hospedeiro) e por geralmente não matá-lo.

Ex.: Pulgas, carrapatos, etc.

Predatismo

É a relação que ocorre quando o predador, espécie caçadora, alimenta-se da presa, que normalmente está situada em um nível trófico abaixo do predador na cadeia alimentar. Assim, consumidores primários são presas dos secundários e estes, por sua vez, são presas dos terciários.

Ex.: As capivaras (consumidores primários) são geralmente presas de outros animais, como a onça-pintada que está no topo da cadeia alimentar.

Silvana Guimarães

Feliciano Jandiroba

Fonte: www.portinari-ba.com.br

Relações Ecológicas

Outras formas de interações são caracterizadas pelo prejuízo de um de seus participantes em benefício do outro. Esses tipos de relações recebem o nome de desarmônicas ou negativas.

Tanto as relações harmônicas como as desarmônicas podem ocorrer entre indivíduos da mesma espécie e indivíduos de espécies diferentes. Quando as interações ocorrem entre organismos da mesma espécie, são denominadas relações intra-específicas ou homotípicas. Quando as relações acontecem entre organismos de espécies diferentes, recebem o nome de interespecíficas ou heterotípicas.

Relações Intra-específicas Harmônicas Sociedades

As sociedades são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados de um modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Os indivíduos componentes de uma sociedade, denominados sociais, se mantêm unidos graças aos estímulos recíprocos. São exemplos de sociedades as abelhas, os cupins e as formigas.

Colônias

Colônias são associações harmônicas entre indivíduos de uma mesma espécie, anatomicamente ligados, que em geral perderam a capacidade de viver isoladamente. A separação de um indivíduo da colônia determina a sua morte.

Quando as colônias são constituídas por organismos que apresentam a mesma forma, não ocorre divisão de trabalho. Todos os indivíduos são iguais e executam todas as funções vitais. Essas colônias são denominadas isomorfas. Como exemplo, podem ser citadas as colônias de corais (celenterados), de crustáceos do gênero Balanus (as cracas), de certos protozoários, bactérias, entre outros.

Quando as colônias são formadas por indivíduos com formas e funções distintas, ocorre uma divisão de trabalho. Essas colônias são denominadas heteromorfas.

Um ótimo exemplo é o celenterado da espécie Phisalia caravela, popularmente conhecida por “caravelas”. Elas formam colônias com indivíduos especializados na proteção e defesa (os dactilozóides), na reprodução (os gonozóides), na natação (os nectozóides), na flutuação (os pneumozóides), e na alimentação (os gastrozóides).

Relações Intra-específicas Desarmônicas Canibalismo

Canibalismo é uma relação estabelecida por seres de uma espécie que comem outros seres de sua própria espécie. Em situação de completa falta de alimento, por exemplo, ratos podem comer seus próprios filhotes. Outro exemplo é o da aranha popularmente conhecida como viúva-negra, que logo após o acasalamento, devora o macho.

Relações Interespecíficas Harmônicas Mutualismo

O mutualismo é uma relação entre indivíduos de espécies diferentes, onde as duas espécies envolvidas são beneficiadas e a associação é necessária para a sobrevivência de ambas. Um bom exemplo desta relação é a associação de algas e fungos formando os liquens. Outro exemplo é a relação entre os cupins e os protozoários. Os cupins, ao comerem a madeira, não conseguem digerir a celulose, mas em seu intestino vivem os protozoários, capazes de digeri-la.

Os protozoários, ao digerirem a celulose, permitem que os cupins aproveitem essa substância como alimento. Dessa forma, os cupins atuam como fonte indireta de alimentos e como “residência” para os protozoários.

Protocooperação

Na protocooperação, embora as duas espécies envolvidas sejam beneficiadas, elas podem viver de modo independente, sem que isso as prejudique.

Um dos mais conhecidos exemplos de protocooperação é a associação entre a anêmona-do-mar e o paguro, um crustáceo semelhante ao caranguejo, também conhecido como bernardo-eremita ou ermitão. O paguro tem o corpo mole e costuma ocupar o interior de conchas abandonadas de gastrópodes. Sobre a concha, costumam instalar-se uma ou mais anêmonas-do-mar (actínias).

Dessa união, surge o benefício mútuo: a anêmona possui células urticantes, que afugentam os predadores do paguro, e este, ao se deslocar, possibilita à anêmona uma melhor exploração do espaço, em busca de alimento.

Inquilinismo ou Epibiose

O inquilinismo é um tipo de associação em que apenas um dos participantes se beneficia, sem, no entanto, causar qualquer prejuízo ao outro. Nesse caso, a espécie beneficiada obtém abrigo ou, ainda, suporte no corpo da espécie hospedeira, e é chamada de inquilino. Um exemplo típico é a associação entre orquídeas e árvores. Vivendo no alto das árvores, que lhe servem de suporte, as orquídeas encontram condições ideais de luminosidade para o seu desenvolvimento, e a árvore não é prejudicada. Outro exemplo é o do fierasfer, um pequeno peixe que vive dentro do corpo do pepino-do-mar (Holoturia). Para alimentar-se, o fierasfer sai do pepino-do-mar e depois volta. Assim, o peixe encontra proteção no corpo do pepino-do-mar, o qual, por sua vez, não recebe benefício nem sofre desvantagem.

Comensalismo

O comensalismo é a associação entre indivíduos de espécies diferentes na qual um deles aproveita os restos alimentares do outro sem prejudicá-lo. O animal que aproveita os restos alimentares é denominado comensal. Exemplo de comensalismo muito citado é o que ocorre entre a rêmora e o tubarão. A rêmora ou peixe-piolho é um peixe ósseo que apresenta a nadadeira dorsal transformada em ventosa, com a qual se fixa ao corpo do tubarão. A rêmora além de ser transportada pelo tubarão, aproveita os restos de sua alimentação. O tubarão não é prejudicado, pois o peso da rêmora é insignificante. Os alimentos ingeridos pela rêmora correspondem aos desprezados pelo tubarão. Um outro exemplo é o das hienas, que se aproveitam de restos deixados pelo leão.

Relações Interespecíficas Desarmônicas Amensalismo ou Antibiose

O amensalismo ou antibiose consiste numa relação desarmônica em que indivíduos de uma população secretam substâncias que inibem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de outras espécies.

É o caso bem conhecido dos antibióticos, que, produzidos por fungos, impedem a multiplicação das bactérias. Esses antibióticos são largamente utilizados pela medicina, no combate às infecções bacterianas. O mais antigo antibiótico que se conhece é a penicilina, substância produzida pelo fungo Penicillium notatum.

Outro caso de amensalismo é conhecido por maré vermelha. Sob determinadas condições ambientais, certas algas marinhas microscópicas, do grupo dos dinoflagelados, produtores de substâncias altamente tóxicas, apresentam intensa proliferação, formando enormes manchas vermelhas no oceano. Por essa razão, a concentração dessas substâncias tóxicas aumenta, provocando grande mortalidade de animais marinhos.

Sinfilia ou Esclavagismo

A sinfilia é a interação desarmônica na qual uma espécie captura e faz uso do trabalho, das atividades e até dos alimentos de outra espécie. Um exemplo é a relação entre formigas e os pulgões. Os pulgões são parasitas de certos vegetais, e se alimentam da seiva elaborada que retiram dos vasos liberinos das plantas.

A seiva elabora é rica em açúcares e pobre em aminoácidos. Por absorverem muito açúcar, os pulgões eliminam o seu excesso pelo orifício retal. Esse açúcar eliminado é aproveitado pelas formigas, que chegam a acariciar com suas antenas o abdômen dos pulgões, fazendo-os eliminar mais açúcar. As formigas transportam os pulgões para os seus formigueiros e os colocam sobre raízes delicadas, para que delas retirem a seiva elaborada. Muitas vezes as formigas cuidam da prole dos pulgões para que no futuro, escravizando-os, obtenham açúcar.

Predatismo

Predatismo ou predação é uma relação desarmônica em que um animal captura e mata um indivíduo de outra espécie, para alimentar-se.

Todos os carnívoros são animais predadores. É o que acontece com o leão, o lobo, o tigre, a onça, que caçam veados, zebras e tantos outros animais.

O predador pode atacar e devorar também plantas, como acontece com o gafanhoto, que, em bandos, devora rapidamente toda uma plantação. Nos casos em que a espécie predada é vegetal, costuma-se dar ao predatismo o nome de herbivorismo.

Raros são os casos em que o predador é uma planta. As plantas carnívoras, no entanto, são excelentes exemplos, pois aprisionam e digerem principalmente insetos.

PARASITISMO

Parasitismo é uma relação desarmônica entre seres de espécies diferentes, em que um deles, denominado parasita, vive no corpo do outro, denominado hospedeiro, do qual retira alimentos.

Embora os parasitas possam causar a morte dos hospedeiros, de modo geral trazem-lhe apenas prejuízos.

Quanto à localização no corpo do hospedeiro, os parasitas podem ser classificados em ectoparasitas (externos) e endoparasitas (internos).

Os exemplos mais comuns de ectoparasitas são os piolhos, os carrapatos, o cravo da pele, o bicho-de-pé e o bicho da sarna, além de outros. Como exemplos de endoparasitas, há o plasmódio e o tripanossomo, protozoários causadores, respectivamente, da malária e da doença de Chagas. São exemplos, também, os vírus, causadores de várias doenças, desde a gripe até a febre amarela e a AIDS.

Relações Intra-específicas e Interespecíficas Desarmônicas

Competição

A competição compreende a interação ecológica em que indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes disputam alguma coisa, como alimento, território, luminosidade, entre outros. Logo, a competição pode ser intra-específica ou interespecífica. Em ambos os casos, esse tipo de interação favorece um processo seletivo que culmina, geralmente, com a preservação das formas de vida mais bem adaptadas ao meio ambiente, e com a extinção de indivíduos com baixo poder adaptativo. Assim, a competição constitui um fator regulador da densidade populacional, contribuindo para evitar a superpopulação das espécie

Colônias: Agrupamento de indivíduos da mesma espécie que revelam um grau de interdependência e se mostram ligados uns aos outros, sendo impossível a vida quando isolados do conjunto, podendo ou não ocorrer divisão do trabalho.

Podemos classificar as relações entre seres vivos inicialmente em dois grupos: as intra-específicas, que ocorrem entre seres da mesma espécie, e as interespecíficas, entre seres de espécies distintas. É comum diferenciar-se as relações em harmônicas ou positivas e desarmônicas ou negativas. Nas harmônicas não há prejuízo para nenhuma das partes associadas, e nas desarmônicas há.

Antes de tratarmos de cada tipo de relação entre os seres vivos, iremos esclarecer o significado de dois termos: habitat e nicho ecológico.

Noções sobre habitat e nicho ecológico

É clássica a analogia que compara o habitat ao endereço de uma espécie, e o nicho ecológico à sua profissão. Se você quer encontrar indivíduos de uma certa espécie no ambiente natural, deve procurá-los em seu habitat. As observações que você fizer sobre a "maneira como ele vivem", serão indicações do nicho ecológico.

O pescador experiente sabe onde encontrar um certo tipo de peixe, que isca deve usar, se deve afundá-la mais ou menos, em que época do ano e em qual período do dia ou da noite ele terá maior chance de sucesso. Ele deve saber muito, portanto, do habitat e nicho ecológico dos peixes que mais aprecia.

RELAÇÕES INTRA-ESPECÍFICAS HARMÔNICAS

Relações que ocorrem em indivíduos da mesma espécie, não existindo desvantagem nem benefício para nenhuma das espécies consideradas. Compreendem as colônias e as sociedades.

Colônias

Agrupamento de indivíduos da mesma espécie que revelam profundo grau de interdependência e se mostram ligados uns aos outros, sendo-lhes impossível a vida quando isolados do conjuntos, podendo ou não ocorrer divisão do trabalho.

As cracas, os corais e as esponjas vivem sempre em colônias. Há colônias com divisão de trabalho.

É o que podemos observar com colônias de medusas de cnidários (caravelas) e com colônias de Volvox globator (protista): há alguns indivíduos especializados na reprodução e outros no deslocamento da colônia (que é esférica) na água.

Sociedades

As sociedades são agrupamentos de indivíduos da mesma espécie que têm plena capacidade de vida isolada mas preferem viver na coletividade. Os indivíduos de uma sociedade têm independência física uns dos outros. Pode ocorre, entretanto, um certo grau de diferenciação de formas entre eles e de divisão de trabalho, como sucede com as formigas, as abelhas e os térmitas ou cupins.

Nos diversos insetos sociais a comunicação entre os diferentes indivíduos é feita através dos ferorônios - substâncias químicas que servem para a comunicação.

Os ferormônios são usados na demarcação de territórios, atração sexual, transmissão de alarme, localização de alimento e organização social.

CONPETIÇÃO INTRA-ESPECÍFICAS

É a relação intra-específica desarmônica, entre os indivíduos da mesma espécie, quando concorrem pelos mesmos fatores ambientais, principalmente espaço e alimento. Essa relação determina a densidade das populações envolvidas.

Canibalismo

Canibal é o indivíduo que mata e come outro da mesma espécie. Ocorre com escorpiões, aranhas, peixes, planárias, roedores, etc. Na espécie humana, quando existe, recebe o nome de antropofagia (do grego anthropos, homem; phagein, comer).

RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS HARMÔNICAS

Ocorrem entre organismos de espécies diferentes. Compreendem a protocooperação, o mutualismo, o comensalismo e inquilinismo.

Comensalismo

É uma associação em que uma das espécies — a comensal — é beneficiada, sem causar benefício ou prejuízo ao outro.

O termo comensal tem interpretação mais literal: "comensal é aquele que come à mesa de outro".

A rêmora é um peixe dotado de ventosa com a qual se prende ao ventre dos tubarões. Juntamente com o peixe-piloto, que nada em cardumes ao redor do tubarão, ela aproveita os restos alimentares que caem na boca do seu grande "anfitrião".

A Entamoeba coli é um protozoário comensal que vive no intestino humano, onde se nutre dos restos da digestão.

Inquilinismo

É a associação em que apenas uma espécie (inquilino) se beneficia, procurando abrigo ou suporte no corpo de outra espécie (hospedeiro), sem prejudicá-lo.

Trata-se de uma associação semelhante ao comensalismo, não envolvendo alimento.

Exemplos:

Peixe-agulha e holotúria

O peixe-agulha apresenta um corpo fino e alongado e se protege contra a ação de predadores abrigando-se no interior das holotúrias (pepinos-do-mar), sem prejudicá-los.

Epifitismo

Epífias (epi, em cima) são plantas que crescem sobre os troncos maiores sem parasitá-las. São epífitas as orquídeas e as bromélias que, vivendo sobre árvores, obtêm maior suprimento de luz solar.

Mutualismo

Associação na qual duas espécies envolvidas são beneficiadas, porém, cada espécie só consegue viver na presença da outra. Entre exemplos destacaremos.

Liquens

Os liquens constituem associações entre algas unicelulares e ceros fungos. As algas sintetizam matéria orgânica e fornecem aos fungos parte do alimeno produzido. Eses, por sua vez, retiram água e sais minerais do substrato, fornecendo-os às algas. Além disso, os fungos envolvem com suas hifas o grupo de algas, protegendo-as contra desidratação.

Cupins e protozoários

Ao comerem madeira, os cupins obtêm grandes quantidades de celulose, mas não conseguem produzir a celulase, enzima capaz de digerir a celulose. Em seu intestino existem protozoários flagelados capazes de realizar essa digestão.Assim, os protozoários se valem em parte do alimento do inseto e este, por sua vez, se beneficia da ação dos protozoários. Nenhum deles, todavia, poderia viver isoladamente.

Ruminates e microorganismos

Na pança ou rúmen dos ruminantes também se encontram bactérias que promovem a digestão da celulose ingerida com a folhagem. É um caso idêntico ao anterior.

Bactérias e raízes de leguminosas

No ciclo do nitrogênio, bactérias do gênero Rhizobium produzem compostos nitrogenados que são assimilados pelas leguminosas, por sua vez, fornecem a essas bactérias a matéria orgânica necessária ao desempenho de suas funções vitais.

Micorrizas

São associações entre fungos e raízes de certas plantas, como orquídeas, morangueiros, tomateiros, pinheiros, etc. O fungo, que é um decompositor, fornece ao vegetal nitrogênio e outros nutrientes minerais; em troca, recebe matéria orgânica fotossintetizada.

Protocooperação

Trata-se de uma associação bilateral, entre espécies diferentes, na qual ambas se beneficiam; contudo, tal associação não é obrigatória, podendo cada espécie viver isoladamente.

A atuação dos pássaros que promovem a dispersão das plantas comendo-lhes os frutos e evacuando as suas sementes em local distante, bem como a ação de insetos que procuram o néctar das flores e contribuem involuntariamente para a polinização das plantas são consideradas exemplos de protocooperação.

Como exemplos citaremos:

Caramujo paguro e actínias

També conhecido como bernardo-eremita, trata-se de um crustáceo marinho que apresenta o abdomên longo e mole, desprotegido de exoesqueleto. A fim de proteger o abdomên, o bernardo vive no interior de conchas vazias de caramujos. Sobre a concha aparecem actínias ou anêmonas-do-mar (celenterados), animais portadores de tentáculos urticantes. Ao paguro, a actínia não causa qualquer dano, pois se beneficia, sendo levada por ele aos locais onde há alimento.

Ele, por sua vez, também se beneficia com a eficiente "proteção" que ela lhe dá.

Pássaro-palito e crocodilo

O pássaro-palito penetra na boca dos crocodilos, nas margens do Nilo, alimentando-se de restos alimentares e de vermes existentes na boca do réptil. A vantagem é mútua, porque, em troca do alimento, o pássaro livra os crocodilos dos parasitas.

Obs.: A associação ecológica verificada entre o pássaro-palito e o crocodilo africano é um exemplo de mutualismo, quando se considera que o pássaro retira parasitas da boca do réptil. Mas pode ser também descrita como exemplo de comensalismo; nesse caso o pássaro atua reirando apenas restos alimentares que ficam situados entre os dentes do crocodilo.

Anu e gado

O anu é uma ave que se alimenta de carrapatos existentes na pele do gado, capturando-os diretamente. Em troca, o gado livra-se dos indesejáveis parasitas.

Esclavaismo ou sinfilia

É uma associação em que uma das espécies se beneficia com as atividades de outra espécie.

Lineu descreveu essa associação com certa graça, afirmando: Aphis formicarum vacca (o pulgão, do gênero Aphis, é a vaca das formigas).

Por um lado, o esclavagismo tem características de hostilidade, já que os pulgões são mantidos cativos dentro do formigueiro.Não obstante, pode-se considerar uma relação harmônica, pois os pulgões também são beneficiados pela facilidade de encontrar alimentos e até mesmo pelos bons tratos a eles dispensados pelas formigas (transporte, proteção, etc). Essa associação é considerada harmônica e um caso especial de protocooperação por muitos autores, pois a união não é obrigatória à sobrevivência.

COMPETIÇÃO INTERESPECÍFICAS

Relações interespecíficas desarmônicas entre espécies diferentes, em uma mesma comunidade, apresentam nichos ecológicos iguais ou muito semelhantes, desencadeando um mecanismo de disputa pelo mesmo recurso do meio, quando este não é suficiete para as duas populações.

Esse mecanismo pode determinar conrole da densidade das duas populações que estão interagindo, extinção de uma delas ou, ainda, especialização do nicho ecológico.

Amensalismo ou Antibiose

Relação no qual uma espécie bloqueia o crescimento ou a reprodução de outra espécie, denominada amensal, através da liberação de substâncias tóxicas.

Exemplos:

Os fungos Penicillium notatum eliminam a penicilina, antibiótico que impede que as bactérias se reproduzam.

As substâncias secretadas por dinoflagelados Gonyaulax, responsáveis pelo fenômeno "maré vermelha", podem determinar a morte da fauna marinha.

A secreção e eliminação de substâncias tóxicas pelas raízes de certas plantas impede o crescimento de outras espécies no local.

Parasitismo

O parasitismo é uma forma de relação desarmônica mais comum do que a antibiose. Ele caracteriza a espécie que se instala no corpo de outra, dela retirando matéria para a sua nutrição e causando-lhe, em conseqüência, danos cuja gravidade pode ser muito variável, desde pequenos distúrbios até a própria morte do indivíduo parasitado. Dá-se o nome de hospedeiro ao organismo que abriga o parasita. De um modo geral, a morte do hospedeiro não é conveniente ao parasita.

Mas, a despeito disso, muitas vezes ela ocorre.

Predatismo

Predador é o indivíduo que aaca e devora outro, chamado presa, pertencente a espécie diferente. Os predadores são geralmente maiores e menos numerosos que suas presas, sendo exemplificadas pelos animais carnívoros.

As duas populações - de predadores e presas - geralmente não se extinguem e nem entram em superpopulação, permanecendo em equilíbrio no ecossistema.

Para a espécie humana, o predatismo, como fator limiante do crescimento populacional, tem efeito praticamente nulo.

Formas especiais de adaptações ao Predatismo

Mimetismo

Mimetismo é uma forma de adaptação revelada por muitas espécies que se assemelham bastante a outras, disso obtendo algumas vantagens.

A cobra falsa-coral é confundida com a coral-verdadeira, muito temida, e, graças a isso, não é importunada pela maioria das outras espécies. Há mariposas que se assemelham a vespas, e mariposas cujo colorido lembra a feição de uma coruja com olhos grandes e brilhantes.

Camuflagem

Camuflagem é uma forma de adaptação morfológica pela qual uma espécie procura confundir suas vítimas ou seus agressores revelando cor(es) e/ou forma(s) semelhante(s) a coisas do ambiente. O padrão de cor dos gatos silvestres, como o gato maracajá e a onça, é harmônico com seu ambiente, com manchas camufIando o sombreado do fundo da floresta. O mesmo se passa com lagartos (por exemplo, camaleão), que varia da cor verde das folhas à cor marrom do substrato onde ficam. Os animais polares costumam ser brancos, confundindo-se com o gelo. O louva-a-deus, que é um poderoso predador, se assemelha a folhas ou galhos.

Aposematismo

Aposematismo é o mesmo que coloração de advertência. Trata-se de uma forma de adaptação pela qual uma espécie revela cores vivas e marcantes para advertir seus possíveis predadores, que já a reconhecem pelo gosto desagradável ou pelos venenos que possui.

Muitas borboletas exibem os chamados anéis miméticos, com cores de alerta, que desestimulam o ataque dos predadores.

Uma espécie de coloração de advertência bem conspícua é Dendrobates Ieucomelas, da Amazônia, um pequeno sapo colorido com listras pretas e amarelas e venenoso.

Relação Indivíduo 1 Indivíduo 2
Harmônicas    
Cooperação + +
Mutualismo + +
Comensalismo + 0

Desarmônicas

Predação + -
Parasitismo + -
Competição - -
Amensalismo 0 -

 

0: espécies cujo desenvolvimento não é afetado
+: espécie beneficiada cujo desenvolvimento torna-se possível ou é melhorado
–: espécie prejudicada que tem seu desenvolvimento reduzido.

Fonte: members.tripod.com

Fonte: www

Relações Ecológicas

Relações Intra-específicas Harmônicas

Sociedades

As sociedades são associações entre indivíduos da mesma espécie, organizados de um modo cooperativo e não ligados anatomicamente. Os indivíduos componentes de uma sociedade, denominados sociais, se mantêm unidos graças aos estímulos recíprocos. São exemplos de sociedades as abelhas, os cupins e as formigas.

Colônias

Colônias são associações harmônicas entre indivíduos de uma mesma espécie, anatomicamente ligados, que em geral perderam a capacidade de viver isoladamente. A separação de um indivíduo da colônia determina a sua morte.

Quando as colônias são constituídas por organismos que apresentam a mesma forma, não ocorre divisão de trabalho. Todos os indivíduos são iguais e executam todas as funções vitais. Essas colônias são denominadas isomorfas. Como exemplo, podem ser citadas as colônias de corais (celenterados), de crustáceos do gênero Balanus (as cracas), de certos protozoários, bactérias, entre outros.

Quando as colônias são formadas por indivíduos com formas e funções distintas, ocorre uma divisão de trabalho. Essas colônias são denominadas heteromorfas.

Um ótimo exemplo é o celenterado da espécie Phisalia caravela, popularmente conhecida por “caravelas”. Elas formam colônias com indivíduos especializados na proteção e defesa (os dactilozóides), na reprodução (os gonozóides), na natação (os nectozóides), na flutuação (os pneumozóides), e na alimentação (os gastrozóides).

Relações Intra-específicas Desarmônicas

Canibalismo

Canibalismo é uma relação estabelecida por seres de uma espécie que comem outros seres de sua própria espécie. Em situação de completa falta de alimento, por exemplo, ratos podem comer seus próprios filhotes. Outro exemplo é o da aranha popularmente conhecida como viúva-negra, que logo após o acasalamento, devora o macho.

Relações Interespecíficas Harmônicas

Mutualismo

O mutualismo é uma relação entre indivíduos de espécies diferentes, onde as duas espécies envolvidas são beneficiadas e a associação é necessária para a sobrevivência de ambas. Um bom exemplo desta relação é a associação de algas e fungos formando os liquens. Outro exemplo é a relação entre os cupins e os protozoários. Os cupins, ao comerem a madeira, não conseguem digerir a celulose, mas em seu intestino vivem os protozoários, capazes de digeri-la. Os protozoários, ao digerirem a celulose, permitem que os cupins aproveitem essa substância como alimento. Dessa forma, os cupins atuam como fonte indireta de alimentos e como “residência” para os protozoários.

Protocooperação

Na protocooperação, embora as duas espécies envolvidas sejam beneficiadas, elas podem viver de modo independente, sem que isso as prejudique.

Um dos mais conhecidos exemplos de protocooperação é a associação entre a anêmona-do-mar e o paguro, um crustáceo semelhante ao caranguejo, também conhecido como bernardo-eremita ou ermitão. O paguro tem o corpo mole e costuma ocupar o interior de conchas abandonadas de gastrópodes. Sobre a concha, costumam instalar-se uma ou mais anêmonas-do-mar (actínias).

Dessa união, surge o benefício mútuo: a anêmona possui células urticantes, que afugentam os predadores do paguro, e este, ao se deslocar, possibilita à anêmona uma melhor exploração do espaço, em busca de alimento.

Inquilinismo ou Epibiose

O inquilinismo é um tipo de associação em que apenas um dos participantes se beneficia, sem, no entanto, causar qualquer prejuízo ao outro. Nesse caso, a espécie beneficiada obtém abrigo ou, ainda, suporte no corpo da espécie hospedeira, e é chamada de inquilino. Um exemplo típico é a associação entre orquídeas e árvores. Vivendo no alto das árvores, que lhe servem de suporte, as orquídeas encontram condições ideais de luminosidade para o seu desenvolvimento, e a árvore não é prejudicada. Outro exemplo é o do fierasfer, um pequeno peixe que vive dentro do corpo do pepino-do-mar (Holoturia). Para alimentar-se, o fierasfer sai do pepino-do-mar e depois volta. Assim, o peixe encontra proteção no corpo do pepino-do-mar, o qual, por sua vez, não recebe benefício nem sofre desvantagem.

Comensalismo

O comensalismo é a associação entre indivíduos de espécies diferentes na qual um deles aproveita os restos alimentares do outro sem prejudicá-lo. O animal que aproveita os restos alimentares é denominado comensal. Exemplo de comensalismo muito citado é o que ocorre entre a rêmora e o tubarão. A rêmora ou peixe-piolho é um peixe ósseo que apresenta a nadadeira dorsal transformada em ventosa, com a qual se fixa ao corpo do tubarão. A rêmora além de ser transportada pelo tubarão, aproveita os restos de sua alimentação. O tubarão não é prejudicado, pois o peso da rêmora é insignificante. Os alimentos ingeridos pela rêmora correspondem aos desprezados pelo tubarão. Um outro exemplo é o das hienas, que se aproveitam de restos deixados pelo leão.

Relações Interespecíficas Desarmônicas

Amensalismo ou Antibiose

O amensalismo ou antibiose consiste numa relação desarmônica em que indivíduos de uma população secretam substâncias que inibem ou impedem o desenvolvimento de indivíduos de populações de outras espécies.

É o caso bem conhecido dos antibióticos, que, produzidos por fungos, impedem a multiplicação das bactérias. Esses antibióticos são largamente utilizados pela medicina, no combate às infecções bacterianas. O mais antigo antibiótico que se conhece é a penicilina, substância produzida pelo fungo Penicillium notatum.

Outro caso de amensalismo é conhecido por maré vermelha. Sob determinadas condições ambientais, certas algas marinhas microscópicas, do grupo dos dinoflagelados, produtores de substâncias altamente tóxicas, apresentam intensa proliferação, formando enormes manchas vermelhas no oceano. Por essa razão, a concentração dessas substâncias tóxicas aumenta, provocando grande mortalidade de animais marinhos.

Sinfilia ou Esclavagismo

A sinfilia é a interação desarmônica na qual uma espécie captura e faz uso do trabalho, das atividades e até dos alimentos de outra espécie. Um exemplo é a relação entre formigas e os pulgões. Os pulgões são parasitas de certos vegetais, e se alimentam da seiva elaborada que retiram dos vasos liberianos das plantas.

A seiva elabora é rica em açúcares e pobre em aminoácidos. Por absorverem muito açúcar, os pulgões eliminam o seu excesso pelo ânus. Esse açúcar eliminado é aproveitado pelas formigas, que chegam a acariciar com suas antenas o abdômen dos pulgões, fazendo-os eliminar mais açúcar. As formigas transportam os pulgões para os seus formigueiros e os colocam sobre raízes delicadas, para que delas retirem a seiva elaborada. Muitas vezes as formigas cuidam da prole dos pulgões para que no futuro, escravizando-os, obtenham açúcar.

Predatismo

Gafanhoto

Predatismo é uma relação desarmônica em que um animal captura e mata um indivíduo de outra espécie, para alimentar-se.

Todos os carnívoros são animais predadores. É o que acontece com o leão, o lobo, o tigre, a onça, que caçam veados, zebras e tantos outros animais.

O predador pode atacar e devorar também plantas, como acontece com o gafanhoto, que, em bandos, devora rapidamente toda uma plantação. Nos casos em que a espécie predada é vegetal, costuma-se dar ao predatismo o nome de herbivorismo.

Raros são os casos em que o predador é uma planta. As plantas carnívoras, no entanto, são excelentes exemplos, pois aprisionam e digerem principalmente insetos.

Parasitismo

Parasitismo é uma relação desarmônica entre seres de espécies diferentes, em que um deles, denominado parasita, vive no corpo do outro, denominado hospedeiro, do qual retira alimentos.

Embora os parasitas possam causar a morte dos hospedeiros, de modo geral trazem-lhe apenas prejuízos.

Quanto à localização no corpo do hospedeiro, os parasitas podem ser classificados em ectoparasitas (externos) e endoparasitas (internos).

Os exemplos mais comuns de ectoparasitas são os piolhos, os carrapatos, o cravo da pele, o bicho-de-pé e o bicho da sarna, além de outros. Como exemplos de endoparasitas, há o plasmódio e o tripanossomo, protozoários causadores, respectivamente, da malária e da doença de Chagas. São exemplos, também, os vírus, causadores de várias doenças, desde a gripe até a febre amarela e a AIDS.

Relações Intra-específicas e Interespecíficas Desarmônicas

Competição

A competição compreende a interação ecológica em que indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes disputam alguma coisa, como alimento, território, luminosidade, entre outros. Logo, a competição pode ser intra-específica ou interespecífica. Em ambos os casos, esse tipo de interação favorece um processo seletivo que culmina, geralmente, com a preservação das formas de vida mais bem adaptadas ao meio ambiente, e com a extinção de indivíduos com baixo poder adaptativo. Assim, a competição constitui um fator regulador da densidade populacional, contribuindo para evitar a superpopulação das espécies.

Fonte: www.portalmeioambiente.org

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