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Acne

1 INTRODUÇÃO

Acne

A acne é uma condição inflamatória crônica da unidade pilossebácea, doença considerada extremamente comum que geralmente tem início na puberdade.

Torna-se menos evidente no final da adolescência. Segundo dados americanos a acne afeta 80-85% dos indivíduos com idades compreendidas entre os 12 e os 25 anos, caindo este número para 8% nos indivíduos entre os 25 e os 34 anos, e para 3% entre os 35 e os 44 anos (USATINE et al.,1999).

No sexo feminino, a acne pode persistir até a terceira década, ou ate mais. É predominante em mulheres (BORELLI, 2007), chamada de acne da mulher adulta, seria uma desordem sensível às alterações hormonais no ciclo menstrual e também por anormalidades ovarianas ou supra-renais, ou metabolismo androgênico que requer avaliação especifica (KEDE et al., 2004). No sexo masculino a doença é considerada mais grave (HABIF, 2001).

Por ser considerado um processo normal do desenvolvimento, há um atraso na procura de ajuda médica que pode levar ao desenvolvimento de cicatrizes tanto a nível cutâneo como a nível psico-social.

As lesões inflamatórias são dolorosas e os episódios de exarcebação da acne podem provocar uma baixa auto-estima, perda de autoconfiança, isolamento social e mesmo depressão.

Por estas razões é muito importante a instituição de um tratamento adequado e precoce, que reduza a frequência e gravidade das exarcebações, bem como o número de cicatrizes (VAZ, 2003).

O ácido retinóico tem ação queratolítica e esfoliante em nível celular, é usado no tratamento de acne, para acelerar o turnover da epiderme (Borges, 2006) reduzindo a atividade da glândula sebácea e conseqüentemente supressão do Propionibacterium acnes, prevenindo formação de comedões e a formação de lesões de acne (KEDE et al., 2004).

2 ACNE

A acne é uma doença inflamatória crônica da unidade pilossebácea (MINELLI et al., 1998). É uma doença extremamente comum, a maior incidência de casos é visto na puberdade e, posteriormente a essa fase, a incidência diminui. A razão dessa diminuição é desconhecida, já que não houve relato de redução da secreção sebácea nem mudança na composição dos lipídeos nessa fase.

A acne incide em 30 a 66% dos adolescentes, com pico entre 14 e 17 anos nas meninas e entre 16 e 19 anos nos meninos. Entretanto, particularmente no sexo feminino, a acne pode persistir ate a terceira década ou mais. É predominante em mulheres, tem caráter familiar e é transmitida por genes autossômicos dominantes (BORELLI, 2007; HABIF, 2001), a causa básica da acne envolve vários agentes na sua etiologia (BORELLI, 2007).

3 ETIOPATOLOGIA

A etiopatogenia da acne é multifatorial, na qual os principais fatores são a genética; hipersecreção sebácea; hiperqueratinização; e colonização bacteriana (HASSUN, 2000).

3.1 genética

A hereditariedade é importante devido ao tamanho e a atividade da glândula sebácea. Quando os pais já apresentaram quadro clínico de acne, existe uma maior chance dos filhos apresentarem essa patologia. Em gêmeos idênticos a incidência da doença é alta, considerando tanto a distribuição quanto severidade (STEINER, 2002).


3.2 Hipersecreção Sebácea

Associada à oclusão do canal folicular, a hipersecreção sebácea é um fator fundamental da formação da acne, as glândulas sebáceas estão diretamente sob influência dos hormônios. Na puberdade, a ação principalmente dos andrógenos, produzidos pelos ovários, testículos e adrenais, influenciam uma maior produção de sebo que é composto de colesterol, cera, ésteres, esteróides, esqualeno e triglicérides que aprisionados pela hiperqueratinização da camada córnea, ocasionam a formação dos comedões (BORELLI, 2007).


3.3 Hiperqueratinização

A hiperqueratinização que, quando localizada na região superior do folículo piloso, favorece a obstrução do ducto, causando retenção dos produtos originados na glândula sebácea. (LIMA, 2006).


3.4 Colonização Bacteriana

A presença dos microorganismos é determinante para a formação da acne. Essas bactérias, apesar de fazerem parte da flora bacteriana normal, proliferam-se com facilidade em presença de material oleoso, triglicerídeos, hidrolisando e liberando ácidos graxos livres comedogênicos e irritantes. Essa irritação leva à inflamação e ao extravasamento para derme. A bactéria Propionibacterium acnes ou P. acnes é a mais comum, mas podemos encontrar em menor número o P. parvum (GOMES et al., 2005).

4. QUADROS CLÍNICOS

Essa doença é caracterizada por grande variedade de lesões que podem comprometer a face, ombros, porção anterior do tórax e/ou posterior.

Os quadros clínicos são divididos em graus (BORELLI, 2007):

Acne não inflamatória ou acne de grau I.

Acne pápulo-pustulosa ou acne de grau II.

Acne nodulocística ou acne de grau III

Acne conglobata ou acne de grau IV.

Acne fulminante ou acne de grau V.

4.1. Acne não Inflamatória ou Acne Grau I

É caracterizada pela presença dos comedões abertos e ou fechados. O comedão aberto aparece como pequena pápula com um ponto enegrecido na sua porção central, resultante da presença de melanina local. Os comedões fechados, em contraste com os abertos, são difíceis de serem visualizados, aparecem como pápulas pálidas sem orifício central visível (BORELLI, 2007).

4.2. Acne Pápulo-Pustulosa ou Acne Grau II

Caracteriza-se pela presença de comedões abertos, pápulas com ou sem eritema e pústulas. O quadro tem intensidade variável com relação ao numero de lesões (BORELLI, 2007).

4.3. Acne Nodulocistica ou Acne Grau III

Caracterizam-se pela presença de pápulas, pústulas, nódulos. A nomenclatura nodulocistica deveria ser abandonada já que cistos verdadeiros raramente são vistos. Em seu lugar, deveríamos empregar o termo acne nodular grave (BORELLI, 2007).

4.4. Acne Conglobata ou Acne Grau IV

Caracterizam-se pela presença de pápulas, pústulas, nódulos purulentos numerosos e grandes, abscessos e fistulas que drenam pus. É a forma grave de acne, mais freqüente em homens, que pode acometer face, pescoço, tórax anterior e/ou posterior e estender-se na região glútea (BORELLI, 2007).

4.5. Acne Fulminante ou Acne Grau V

Forma rara em que, associada aos quadros de acnes de graus III ou IV, surgem febre, artralgia, leucocitose, necrose e até hemorragia de algumas lesões (BORELLI, 2007).

5. OUTROS TIPOS DE ACNE

5.1. Acne Rosácea

Caracteriza-se pelo aumento da permeabilidade e rubor, pacientes geralmente de 30 a 50 anos apresentam telangiectasia, pápulas e pústulas, não há comedões na rosácea (HABIF, 2001).

5.2. Acne Neonatal

Formado por pápulas e pústulas em recém nascidos (HABIF, 2001).

5.3. Acne por Esteróide

Apresenta comedões e pústulas no tórax e há cinco semanas após o esteroide ter sido usado (HABIF, 2001).

6. ácido retinóico

O ácido retinóico (Fig. 1) de uso tópico é chamado tretinoína (termos que serão usados como sinônimos) e foi utilizado a partir da década de 1960 em distúrbios da queratinização e, e em seguida, no tratamento da acne. Mais recentemente passou a ser utilizados em pacientes com fotoenvelhecimento e na forma de peelings, para obtenção de uma descamação superficial (MAIO, 2004).

Tem ação queratolítica e esfoliante em nível celular, estimulando a síntese de colágeno novo. É tradicionalmente usado no tratamento de acne, para acelerar o turnover da epiderme e prevenir a formação de comedões, também pode ser usado no tratamento de estrias e de melasma. Em alopecias é usado principalmente associado ao minoxidil, com finalidade de aumentar a absorção desses (BORGES, 2006).

Como o acido retinóico produz eritema descamação e é fotossensibilizante, deve ser usado à noite. Durante o dia recomenda-se o uso de fotoprotetores (BORGES, 2006).

A vitamina A é uma molécula de 20 carbonos que consiste em um anel cicloexenil (C6H10), uma cadeia lateral com duas ligações duplas arranjadas em configuração trans e um grupo alcoólico final. É também chamada de all-trans- retinol. A ocidação do grupo alcoólico distal resulta na formação de um aldeído (all-trans-retinaldeido), que pode ser então oxidado a acido carboxílico, o acido all trans retinóico ou tretinoina (MAIO, 2004).

Acne

Estrutura química do ácido retinóico

A isotretinoina é um tratamento sistêmico que começou a ser utilizada em 1979, para tratar acne cística e conglobata, ela atua na redução da secreção sebácea, ocasionando atrofia das glândulas sebáceas, com conseqüente diminuição da proliferação bacteriana, particularmente do Propionibacterium acnes. Possui ainda atividade antiinflamatória.

É uma droga teratogênica sendo que todas as pacientes assinam um termo de consentimento, e terão de usar métodos contraceptivos durante todo o tratamento. Os efeitos colaterais mais comuns são os tegumentares, como secura labial,quilite, secura das mucosas nasal, oral e ocular, eritema e/ou dermatite na face, epistaxe, prurido, eflúvio telógeno, conjutivite e dermatite asteatósica. As reações sistêmicas são eventuais: mialgias, artralgias, cefaléia e obstipação.

7. EFEITOS BIOLÓGICOS

Os retinóides apresentam diversos efeitos biológicos, afetando o crescimento e a diferenciação celulares (MAIO, 2004).

Atua diminuindo o tamanho da glândula sebácea, diminui a produção de sebo e normaliza a queratinização folicular. Com estes efeitos diminuem as condições de proliferação bacteriana. Esta indicada desde acne pápulo-pustulosa resistente a outros tratamentos até a acne inflamatória grave, existe um potencial risco de agravamento da inflamação na acne inflamatória no inicio do tratamento. Na acne da mulher adulta com ou sem hiperandrogenismo também pode ser utilizada (ALCHORNE et al., 2003).

Na epiderme promovem compactação do estrato córneo, aumento da espessura epidérmica, tendo diminuição, ou melhor, distribuição da melanina (MAIO, 2004).

Apresentam atividade comedolítica, alem de normalizar a descamação do epitélio folicular, fator importante na patogênese da acne, tem efeito profilático, ou seja, inibição da formação de novas lesões.

O ácido all-trans-retinóico ou tretinoína é indicado para queratoses actínicas e distúrbios de queratinização. As únicas indicações dermatológicas já comprovadas nos Estados Unidos, são no tratamento de acne e o de foto envelhecimento (MAIO, 2004).

8. PEELING QUÍMICO

O peeling químico, também conhecido como quimioesfoliação ou dermopeeling, consiste na aplicação de um ou mais agentes esfoliantes na pele, resultando na destruição de partes da epiderme e/ou derme, seguida de regeneração dos tecidos epidérmicos e dérmicos. Essas técnicas de aplicação produzem uma lesão programada e controlada com coagulação vascular espontânea, resultando no rejuvenescimento da pele com redução ou desaparecimento das ceratoses e alterações actínicas, discromias pigmentares, rugas e algumas cicatrizes superficiais (BORGES, 2006).

A tretinoína é um agente para peelings superficiais, logo não são indicados para dano actínico severo ou seqüela de acne. Entretanto, promovem algum grau de melhora maior que a simples renovação epidérmica, seu efeito comedolítico pode promover melhora e prevenção de acne (MAIO, 2004).

Alguns autores sugerem que o principal mecanismo de ação do peeling de ácido retinóico não seria por necrose, e sim pela estimulação da proliferação celular (PERSONELLE, 2000).

Com tudo o ácido pode causar efeitos adversos que são eles, irritabilidade da pele, eritema, descamação, ressecamento e prurido reação temporária chamada de dermatite por retinóides.Os retinóides sistêmicos são teratogênicos, podendo causar malformação no feto ou aborto (MAIO, 2004).

8.1. Aplicações e Cuidados

Aplicação deverá ser feita apenas em consultórios médicos.

A pele tem que ser desengordurada com água e sabão neutro, suave e líquido.

Classicamente utiliza-se glicolanolica (etanol e propilenoglicol) de tretinoína de 1 à 5% (com gaze e pincel).

Aplicar e deixar agir sempre em menor tempo aumentando gradativamente, 30 minutos, para peles extremamente sensíveis até 8 horas.

Para acne corporal e estrias pode ser deixado até 12 horas em contato com a pele.

O agente deve ser retirado com água e sabão neutro no horário previsto pelo médico, e enxugado com cautela. Não se deve utilizar cosméticos, apenas o uso do protetor solar.

Após 48 horas inicia-se o processo de descamação e dura em média 5 dias (é semelhante à queimadura de 1º grau).

Área dos olhos e canto da boca é a região que o paciente apresenta maior sensibilidade com eritema e ardência, ressecamento e sensação de repuxamento (nessas áreas pode usar creme de hidrocortisona a 1% com autorização do médico).

Pode ocorrer agravamento das lesões após a 1º sessão, essa possibilidade deve ser alertada ao paciente. Isso ocorre em razão de lesões em fase inflamatória inicial, que após o peeling formam pústulas com resolução ao fim desse período.

A freqüência da aplicação do acido retinóico vai de acordo com o tipo da pele, podendo ser a cada dois ou três dias, semanais ou ate mesmo a cada três semanas para quem tem hipersensibilidade (MAIO, 2004).

9. metodologia

O presente trabalho baseia-se no uso do ácido retinóico no tratamento da acne e foi realizado baseado em revisão de literatura através de livros, artigos, revistas e sites da internet.

10. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A eficácia do ácido retinóico no tratamento da acne é comprovada, mas é preciso de cuidados especiais com o início do tratamento. Vários autores falam dos variados efeitos causados durante o uso do ácido retinóico e da isotretinoína,

Ácido Retinóico é derivado da vitamina A na sua forma ácida, indicado para rejuvenescimento cutâneo, tratamento de cicatrizes, manchas escuras e acne. A prescrição do ácido deve ser feita apenas por médico dermatologista, sua aplicação pode ser realizada em casa, com concentrações em cremes e loções de 0,01% a 0,1%. Em concentrações altas, de 2% a 10% vai agir como peeling químico superficial, médio e profundo, ideal para retirar manchas após verão. Ele não é recomendado para pessoas hipersensíveis, pois essas podem apresentar irritação avermelhada nos locais de aplicação, manchas escuras também podem ocorrer em caso de exposição ao sol, trata-se de uma substância fotossensível, portanto é obrigatório o uso de protetor solar durante o dia.

A isotretinoína é teratogênica, e por esse motivo as mulheres têm que fazer uso de contraceptivos, no inicio do uso da isotretinoína pode ocorrer exarcebações da acne que pode ser tratada com uso de antibióticos tópicos ou sistêmicos. O tempo de tratamento varia de quatro a seis meses.

11. CONCLUSÃO

A acne ocorre devido à hiperqueratinização folicular e hipersecreção sebácea, sendo esta patologia uma das causas de distúrbios psicológicos e até mesmo exclusão social. Há inúmeros métodos e tratamentos para atenuá-la. Sabendo que o acido retinóico tem função queratolítica podemos concluir que ele atua atenuando o tamanho da glândula sebácea, diminui a produção de sebo e normaliza a queratinização folicular. Com estes efeitos diminui as condições de proliferação bacteriana.

A isotretinoina usada sistemicamente tem efeito realmente eficaz se tratando de acne nódulo-cística, apesar de seus efeitos colaterais, é ela a mais indicada para acnes severas. O ácido retinóico seria mais indicado para melhorar o aspecto da pele, proporcionando com uso a longo prazo melhor textura da pele, diminuindo ou ate mesmo abolindo com as manchas causadas pela acne e pelo sol.

12. REFERÊNCIAS

ALCHORNE, M.M.A.; PIMENTEL, D.R.N. Acne. Revista Brasileira de Medicina, 2003.

-BORELLI, S. Cosmiatria em Dermatologia. Usos e aplicações, 2007.

-BORGES, F.S. Dermato-funcional. Modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas, 2006.

-GOMES, R.K.; GABRIEL, M. Cosmetologia: descomplicando os princípios ativos. Ed Livraria Médica Paulista, 2005.

-GUIRRO, E.; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-funcional, Edição, Editora, 2002.

-HABIF, T.P. Doenças da Pele. Diagnóstico e tratamento, 2001.

-HASSUN, K. M. Acne: etiopatogenia. An. Bras. Dermatologia, São Paulo, 2000.

-LIMA, L.A.F. A Acne na mulher adulta. Ver. Med, Sta. Casa de Maceió, 2006. http://www.santacasademaceio.com.br/legba/bancoDeMidia/arquivos/revistacient.pdf.

-KEDE, M.P.V.; SABOTAVICH, O. Dermatologia Estética, 2004.

-MAIO, M. Tratado de Medicina Estética, V. II, 2004.

-MINELLI, L.; NEME, L. Acne Vulgar. Rev. Bras. Med. São Paulo, 1998.

-USATINE R.; QUAN.; Strick R. Acne Vulgar: Atualização terapêutica, 1999.

-PERSSONELLE, J.C. Ácido Retinóico. Estética Clínica e Cirúrgica, 1º edição, Rio de Janeiro, 2000.

Fonte: www.apmcg.pt

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