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Alucinógenos

Ação no Corpo Humano

Euforia, distorções visuais, viagens boas ou ruins são alguns dos efeitos desse tipo de droga. Mas os perigos para o organismo existem e o consumo descontrolado pode levar à depressão, parada cardíaca e até à morte.

O QUE SÃO?

São substâncias químicas que causam alterações do estado mental. Usualmente, provocam distorções de sensações.

No grupo dos alucinógenos não-naturais, estão: o LSD (derivados do ácido lisérgico) e o ecstasy (metilenodioxidometano)

Ecstasy

O principal componente do ecstasy é uma substância chamada metilenodioxidometano (MDMA), uma mistura de estimulante e alucinógeno. A semelhança com qualquer remédio em forma de comprimido, como aspirina, facilita o consumo e dificulta a apreensão

O ecstasy começou a ser usado como inibidor de apetite em 1914. Na década de 60, passou a ser consumido para finalidades não-médicas. Comprovado cientificamente seu efeito de alteração da consciência, foi adotado por psicoterapeutas americanos em tratamentos de pacientes com dificuldades de expor seus conflitos

O usuário fica em estado de euforia com efeito de sete horas

Danos ao cérebro

Estudos em cérebros dos cadáveres de usuários de ecstasy comprovaram danos nas células nervosas. Essas pessoas apresentavam maior tendência à paranóia, epilepsia e comportamento violento

Depressão

Quando o efeito da droga passa, depois de aproximadamente sete horas, o sentimento de prazer e felicidade dá lugar a uma profunda depressão. O organismo estranha quando volta ao estado normal. O corpo pede mais

Febre

O maior perigo imediato é o aumento da temperatura. Com vários comprimidos, a pessoa pode ter uma febre superior a 41ºC, provocando a coagulação do sangue, convulsões e parada cardíaca

Desidratação

O aumento de temperatura permite que o corpo transpire muito e, com isso, perca líquido. Em raves lotadas, alguém que passa seis horas em pé ou dançando pode perder até três litros

LSD

É um composto químico semi-sintético produzido em laboratório. Este forte alucinógeno se apresenta de diversas maneiras, como um pó branco, em tabletes, na forma líquida ou em papel impregnado com a droga (que é a forma mais comum).

Foi descoberto acidentalmente pelo cientista suíço Hoffman. A partir disso, a dietilamida do ácido lisérgico (LSD) foi utilizada em experiências terapêuticas como em tratamento de doentes mentais. Hoje, sabe-se que ela não tem utilidade médica. Pequenas doses provocam grandes alterações.

Alterações visuais e alucinações. A duração da ‘‘viagem’’ depende da quantidade ingerida.

Aumento da freqüência cardíaca: As súbitas distorções perceptivas e visuais podem provocar uma aceleração dos batimentos do coração.

Riscos de aborto e má formação fetal: Os descendentes de mulheres que regularmente usam o LSD durante a gravidez têm alto risco de apresentar deformidades

Comportamentos perigosos: podem ocorrer casos de comportamento violento com tendência suicidas e de auto-mutilação

Depressão: Pode ocorrer uma diminuição da motivação e do interesse ou prolongada depressão e ansiedade devido a uma viagem ruim

EFEITO NO CÉREBRO

1 - Depois de entrar na corrente sangüínea, a droga age sobre as células nervosas que liberam uma substância chamada serotonina
2 -
A rede nervosa é constituída de mais de 12 bilhões de neurônios. A comunicação entre eles é que nos permite pensar e viver. A ligação entre um neurônio e outro é feita por meio dos neurotransmissores
3 -
A serotonina é um neurotransmissor que regula o estado de humor, boa parte dos sentidos, das emoções e da coordenação motora
4 -
O aumento da quantidade de serotonina superestimula a rede nervosa provocando várias alterações, mas principalmente uma sensação de prazer e felicidade
5 -
Quando o efeito passa, os níveis de serotonina caem e o organismo estranha, podendo entrar em depressão. O usuário então passa a querer mais droga, para recuperar a sensação de prazer. É vício.

Abuso de Drogas

Antigos textos literários e religiosos mostram que, em todas as épocas e lugares, os seres humanos deliberadamente usaram (e abusaram de) substâncias capazes de modificar o funcionamento do sistema nervoso, induzindo sensações corporais e estados psicológicos alterados.

Em seu livro " Uma História Íntima da Humanidade", Theodore Zeldin afirma que "a fuga para dentro de estados alterados de consciência, para a sedação ou a exaltação, foi uma ambição constante por toda a parte, em todos os séculos. Não houve civilização que não procurasse fugir à normalidade com a ajuda do álcool, tabaco, chá, café e plantas de todas as espécies."

A busca por agentes modificadores das funções nervosas é considerado por alguns autores, como Ronald Siegel, um impulso tão potente como os impulsos que levam à satisfação de necessidades fisiológicas, podendo mesmo suplantá-los.

Segundo o referido autor:

O nosso sistema nervoso está preparado para responder aos intoxicantes químicos quase da mesma maneira que responde às recompensas da alimentação, da satisfação da sede e do sexo. Através de toda a nossa história como espécie, a intoxicação funcionou como os impulsos básicos da sede, da fome ou do sexo, por vezes obscurecendo todas as outras atividades. A intoxicação é o quarto impulso.

Fonte: www.santalucia.com.br

Alucinógenos

Cogumelos e Plantas Alucinógenas

A palavra alucinação significa, em linguagem médica, percepção sem objeto; isto é, a pessoa que está em processo de alucinação percebe coisas sem que elas existam. Assim, quando uma pessoa ouve sons imaginários ou vê objetos que não existem ela está tendo uma alucinação auditiva ou uma alucinação visual.

As alucinações podem aparecer espontaneamente no ser humano em casos de psicoses, sendo que destas a mais comum é a doença mental chamada esquizofrenia.

Também podem ocorrer em pessoas normais (que não têm doença mental) que tomam determinadas substâncias que são chamadas de substâncias ou drogas alucinógenas, isto é, que "geram" alucinações. Estas drogas são também chamadas de psicoticomiméticas por "imitarem" ou "mimetizarem" um dos mais evidentes sintomas das psicoses - as alucinações.

Alguns autores também as chamam de psicodélicas. A palavra psiocodélica vem do grego (psico=mente e delos=expansão) e é utilizada quando a pessoa apresenta alucinações e delírios em certas doenças mentais ou por ação de drogas. É óbvio que estas alterações não significam expansão da mente.

Isto porque a alucinação e o delírio nada têm de aumento da atividade ou da capacidade mental; ao contrário são aberrações, perturbações do perfeito funcionamento do cérebro, tanto que são característicos das doenças chamadas psicoses.

Grande número de drogas alucinógenas vêm da natureza, principalmente de plantas. Estas foram "descobertas" pelos nossos antepassados que, ao sentirem os efeitos mentais das mesmas, passaram a considerá-las como "plantas divinas", isto é, que faziam com que quem as ingerisse recebesse mensagens divinas, dos deuses.

Assim, até hoje em culturas indígenas de vários países o uso destas plantas alucinógenas tem este significado religioso. Com o progresso da ciência várias substâncias foram sintetizadas em laboratório e desta maneira, além dos alucinógenos naturais hoje em dia têm importância também os alucinógenos sintéticos, dos quais o LSD-25 é o mais representativo. Estes últimos serão objeto de outro folheto.

Há ainda a considerar que alguns destes alucinógenos agem em doses muito pequenas e praticamente só atingem o cérebro e, portanto, quase não alteram qualquer outra função do corpo da pessoa: são os alucinógenos propriamente ditos ou alucinógenos primários. O THC (tetrahidrocanabinol) da maconha, por exemplo, é um alucinógeno primário e será analisado em outro folheto.

Mas existem outras drogas que também são capazes de atuar no cérebro produzindo efeitos mentais, mas somente em doses que afetam de maneira importante várias outras funções: são os alucinógenos secundários. Entre estes últimos podemos citar uma planta, a Datura, conhecida no Brasil sob vários nomes populares e o remédio Artane® (sintético).

Os vegetais alucinógenos que ocorrem no Brasil

O nosso País principalmente através de sua imensa riqueza natural, tem várias plantas alucinógenas.

Os mais conhecidos estão citados a seguir:

Cogumelos

Alucinógenos
Cogumelos

O uso de cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já era usado pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o "cogumelo sagrado" é usado por alguns pajés.

Ele recebe o nome científico Psylocybe mexicana e dele pode ser extraído uma substância de poderosa ação alucinógena: a psilocibina.

No Brasil ocorrem pelo menos duas espécies de cogumelos alucinógenos, um deles é o Psylocibe cubensis e o outro é espécie do gênero Paneoulus.

Jurema

O vinho de Jurema, preparado à base da planta brasileira Mimosa hostilis, chamado popularmente de Jurema, é usado pelos remanescentes índios e caboclos do Brasil. Os efeitos do vinho são muito bem descritos por José de Alencar no romance "Iracema". Além de conhecido pelo interior do Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de candomblé por ocasião de passagem de ano, por exemplo. A Jurema sintetiza uma potente substância alucinógena, a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos efeitos.

Mescal (mescalina) ou Peyolt (Peiote)

Trata-se de um cacto, também utilizado desde remotos tempos na América Central, em rituais religiosos. Trata-se de um cacto que produz-se a substância alucinógena mescalina. Não existe no Brasil.

Caapi e Chacrona

São duas plantas alucinógenas que são utilizadas conjuntamente sob forma de uma bebida que é ingerida no ritual do Santo Daime ou Culto da União Vegetal e várias outras seitas. Este ritual está bastante difundido no Brasil (existe nos Estados do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, etc.) tendo o seu uso na nossa sociedade vindo dos índios da América do Sul. No Peru a bebida preparada com as duas plantas é chamada pelos índios quíchuas de Ayahuasca que quer dizer "vinho da vida".

As alucinações produzidas pela bebida são chamadas de mirações e os guias desta religião procuram "conduzi-las" para dimensões espirituais da vida.

Uma das substâncias sintetizadas pelas plantas é a DMT já comentada em relação à Jurema.

Efeitos no cérebro

Já foi acentuado que os cogumelos e as plantas analisadas acima são alucinógenos, isto é, induzem alucinações e delírios. É interessante ressaltar que estes efeitos são muito maleáveis, isto é, dependem de várias condições, como sensibilidade e personalidade do indivíduo, expectativa que a pessoa tem sobre os efeitos, ambiente, presença de outras pessoas, etc., como a bebida do Santo Daime.

As reações psíquicas são ricas e variáveis. Às vezes são agradáveis ("boa viagem") e a pessoa se sente recompensada pelos sons incomuns, cores brilhantes e pelas alucinações. Em outras ocasiões os fenômenos mentais são de natureza desagradável, visões terrificantes, sensações de deformação do próprio corpo, certeza de morte iminente, etc. São as "más viagens".

Tanto as "boas" como as más "viagens" podem ser conduzidas pelo ambiente, pelas preocupações anteriores (o usuário contumaz sabe quando não está de "cabeça boa" para tomar o alucinógeno) e principalmente por uma pessoa ao lado. Esse é o papel do "guia" ou "sacerdote" nos vários rituais religiosos folclóricos, que, juntamente com o ambiente do templo, os cânticos, etc., são capazes de conduzir os efeitos mentais para o fim desejado.

Efeitos no resto do corpo

Os sintomas físicos são pouco salientes, pois são alucinógenos primários. Pode aparecer dilatação das pupilas, suor excessivo, taquicardia e náuseas/vômitos, estes últimos mais comuns com a bebida do Santo Daime.

Aspectos gerais

Como ocorre com quase todas as substâncias alucinógenas, praticamente não há desenvolvimento de tolerância; também comumente não induzem dependência e não ocorre síndrome de abstinência com o cessar do uso.

Assim, a repetição do uso dessas substâncias tem outras causas que não o de evitar os sintomas da abstinência. Um dos problemas preocupantes com o uso desses alucinógenos é a possibilidade, embora rara, da pessoa ser tomada de um delírio persecutório, delírio de grandeza ou acesso de pânico e, em virtude disto, tomar atitudes prejudiciais a si e aos outros.

Fonte: www.viverbem.fmb.unesp.br

Alucinógenos

Alucinógenos ou psicodislépticos ou psicotomiméticos são drogas que, mesmo em pequena quantidade, provocam alucinações (ver, ouvir, sentir coisas que não existem) e delírios (idéias falsas, absurdas até, que o indivíduo acredita serem reais).

Não estimulam ou deprimem o funcionamento do Sistema Nervoso Central, mas o perturbam. "Psicodisléptico" significa "que dificulta a função mental", e "psicotomimético", "que simula psicose" (o termo médico para os quadros de "loucura").

LSD

O LSD é uma droga sintética, obtida em laboratório. A sigla é a abreviatura do alemão Lysergische Säure Diethilamine, ou dietilamina do ácido lisérgico, em Português. Inicialmente, foi chamado LSD-25, e às vezes ainda é chamado assim. Seu nome "de rua" mais conhecido é, simplesmente, "ácido".

O primeiro a provar os efeitos mentais do LSD, em 1943, foi o seu descobridor, o químico suíço Albert Hoffmann, ao ingerir acidentalmente uma pequena quantidade da substância.

Como Hoffmann estava interessado em obter derivados dos alcalóides do Ergot ou esporão do centeio, um fungo parasita dos grãos de centeio e trigo, descreveu o ocorrido e se ocupou da ergotamina, ainda um veneno mas menos perigosa.

Alguns estudiosos ao lerem a descrição vívida de Hoffmann se animaram com a possibilidade de contar com uma droga que provocasse psicose para pesquisa, sendo que o LSD ainda é uma droga usada para provocar artificialmente psicoses em animais.

No entanto, outras pessoas com fins menos nobres anteviram as possibilidades do LSD, e ele foi quase que imediatamente lançado como droga de abuso.Nos anos sessenta, com o movimento Hippie, que endeusou um modo "psicodélico" de vida, o LSD teve seu auge.

Foi cantado em músicas, como nas iniciais e na letra da canção "Lucy in the Sky with Diamonds", de John Lennon, de 1974, cuja letra fala em céus de goiabada, flores de celofane crescendo, táxis de jornal, pessoas-de-balanço (uma figura de linguagem com cavalos-de-balanço) e um carregador de malas feito de plasticina, uma espécie de massa de modelar; enfim, o nome é apropriado, pela desconexão do pensamento refletida na música.O LSD provoca alucinações visuais vívidas, consideradas bastante "divertidas" pelos usuários.

Mas também provoca "bad trips" ("más viagens"), com depressão, paranóia, desespero, pânico, alucinações atemorizantes. Estas podem assustar o usuário, principalmente se não houver o reforço social ao uso da droga.É difícil pegar algum livro sobre drogas que não dê demasiada ênfase na frase "O LSD não provoca dependência física."

Esta frase é usada pelos usuários e simpatizantes para tentar demonstrar que o LSD é somente uma droga "recreativa", e não uma droga de dependência. Alguém se expor a algo que, sabidamente, vai lhe misturar os pensamentos, lhe fazer ver coisas, lhe fazer ter pensamentos e sensações estranhos, que o retiram do estado em que se sentir um Ser Humano, é dependência segundo a lógica.

O que os cientistas afirmam é que os comportamentos de dependência física não foram observados em animais de laboratório. Ratos não pressionam alavancas que lhes injetam LSD até morrer, demonstrando uma dependência evidente, como fazem com a cocaína; no entanto, freqüentemente ratos expostos ao LSD desde a primeira vez se tornam incapazes de pressionar uma alavanca ou fazer qualquer coisa "produtiva" para um rato...Com o final dos anos 70, o LSD se tornou uma droga "ultrapassada", substituída por outros alucinógenos mais modernos.Ocasionalmente, ainda se vê o uso esporádico no Brasil, principalmente em dependentes de múltiplas drogas.

ALUCINÓGENOS NATURAIS

Várias plantas de famílias botânicas bem diferentes entre si possuem alcalóides alucinógenos, com efeito semelhante ao do LSD.Índios Yaqui, Tarahumara e Huichol, oriundos do sul dos EUA e norte do México, usam os botões do cacto Peyote, Lophophora williamsi, em cerimônias religiosas próprias, havendo uma religião, o Peyotismo, dedicado ao pequeno cacto, rico em mescalina, um potente alucinógeno.

Principalmente nos anos 60 e 70, muitos escritores e artistas experimentaram a mescalina, alegadamente como fonte de "inspiração". As tribos dos planaltos mexicanos usam várias espécies de cactos alucinógenos sagrados para eles, do gênero Psilocybes sp. O alcalóide alucinógeno isolado foi a psilocibina.

A tribo Nahuatl chama estes cogumelos de teonanacatl, "carne de deus". Também nos "loucos" anos 60, poder-se-ia dizer que era moda entre escritores e artistas experimentar psilocibina.

No Brasil, temos alguns cogumelos que são colhidos no campo com o fito de preparar chás alucinógenos. Como a identificação das espécies é difícil, e existem cogumelos bastante venenosos, por vezes o efeito tóxico obtido não é somente psíquico.Também no Brasil, temos o Santo Daime, o centro de um culto baseado na região amazônica.

Os índios da região tomavam um chá que chamavam huasca ou ayahuasca, obtido da raiz do cipó-mariri, Banisteriopsis caapi, o qual parece ser a base do chá.

Uma outra planta, conhecida como chacrona, parece que também faz parte da infusão. Alucinógenos naturais como a harmina e a harmalina ocorrem nestas plantas.

O primeiro efeito sentido são náuseas e vômitos. Alguns repórteres que participaram dos rituais, inclusive com filmagens mostradas na TV, não tiveram visões, mas sentiram náuseas, vômitos e diarréia. Isto leva a pensar que pelo menos parte dos sintomas são influenciados pelo ritual, ou que os alcalóides possuam um efeito "retardado" em termos de dependência, como a maconha.

Não obstante, o que interessa na prática é se existe prejuízo à vida dos usuários e à sua comunidade, em termos físicos, sociais, psíquicos ou outros, e se existe um comportamento de busca da droga, apesar deste prejuízo.

Não interessa muito, na prática, se a dependência é mais social ou mais bioquímica...Algumas tribos indígenas da bacia Amazônica inalam uma preparação de uma leguminosa, conhecida como epena (Piptadenia peregrina e Virola calophylla), rica em DMT (dimetiltriptamina), um alcalóide alucinógeno de ação intensa e fugaz.

NOVA SAFRA DE ALUCINÓGENOS SINTÉTICOS

Com o avanço da tecnologia humana, também as drogas de dependência evoluem (ou involuem?), provocando dependência física mais profunda ou mais rápida, e efeitos perturbadores maiores, ou mais uma série de involuções.

Toda uma safra de novas drogas apareceu nos últimos 10 anos; algumas já eram velhas conhecidas da ciência, sendo que duas em especial foram fracassos em terapia medicamentosa, acabando por ser "redescobertas" como drogas de dependência; muitas, não se sabe bem de onde vieram.

Aparecem novas drogas todos os dias, com características novas, que desafiam qualquer classificação. Alguns destes novos alucinógenos têm efeitos estimulantes do SNC também, e algumas chegam ao bizarro de modificar seu comportamento conforme o usuário. Foram colocados entre os alucinógenos por terem efeito alucinógeno, mas também poderiam ser relatados entre as drogas estimulantes do SNC. Aparecem em um dia, e poucas semanas depois, já se alastraram, pois os sistemas de distribuição de drogas de dependência também evoluíram.

Têm nomes químicos somente, que não chegam a ser abreviados por nomes mais facilmente lembráveis; acabam conhecidos somente "de nome" pelos médicos, ou melhor, "de abreviatura". Nas ruas, ganham apelidos que mudam de local para local, a ponto de haver confusão entre estas novas drogas.

Terapeutas e pesquisadores não tem mais experiência ou tempo para conhecer cada um destes compostos em suas características, sendo que pesquisadores diferentes às vezes relatam opiniões definitivamente contrárias entre si. O médico de pronto-socorro nas grandes cidades dos EUA tem que atender pessoas intoxicadas "com alguma droga, ou com várias drogas, possivelmente das novas", o que dificulta qualquer ação terapêutica.

Muitas vezes, a intoxicação nem é diagnosticada.Estas drogas são ainda de aparecimento muito isolado no Brasil, produto de importação. Algumas, nem são relatadas, talvez por problemas de comunicação. No entanto, se seguirem o exemplo do crack, logo algumas delas se tornarão conhecidas por aqui.

A fenciclidina surgiu na década de 50, como um anestésico geral... que foi abandonado para uso humano pelos seus efeitos psicológicos e comportamentais potenciais.

Podia ser um anestésico relativamente fraco, mas seus efeitos colaterais eram muito severos para uso humano: alucinações ao acordar, agitação, convulsões e arritmias. Foi relegada à anestesia veterinária. Em poucos anos, no entanto, estava à venda de forma ilegal para "fazer volume" e adulterar alucinógenos como o LSD, mescalina e até a maconha.

Os usuários habituais de outros alucinógenos não apreciavam os efeitos psicológicos severos da fenciclidina. Esta droga somente se popularizou entre adolescentes durante os anos 70, vendida nos EUA sob nomes de rua sugestivos como "pó-de-anjo" ou "combustível de foguete".

A droga se espalhou durante os anos 80 e 90, retomando, para acompanhar suas irmãs mais novas, a sigla PCP. É um problema de saúde pública nos EUA hoje, inclusive por ser facilmente sintetizada em laboratórios improvisados, apesar de ser uma "arilcicloexilamina".

Mais do que qualquer droga, os usuários da fenciclidina mostram efeitos diferentes à droga, até mesmo radicalmente contrários. Tem profunda ação sobre o pensamento, a percepção de tempo, o senso de realidade, e o humor; estados oníricos (o usuário sente como se estivesse sonhando e não conseguisse acordar), depressão e euforia são relatados.

Aspectos negativos do efeito da PCP incluem desorientação, confusão, ansiedade, irritabilidade, estados paranóides e comportamento perigosamente violento.

Hostilidade e beligerância (a atitude de "procurar" briga) podem permanecer longo tempo após a droga não ser mais encontrada no sangue em exames de laboratório.

Usuários crônicos podem desenvolver uma psicose aguda, a qual o mais experiente dos psiquiatras pode confundir com uma forma grave de esquizofrenia, a mais grave doença psiquiátrica. Como os depressores do SNC, a PCP produz um sentimento de isolamento, de descaso pelo mundo, e insensibilidade à dor.

A combinação de ausência de dor, sintomas psicóticos e agitação produzem, muitas vezes, comportamento bizarro por vezes marcado por conduta violentamente destrutiva.

A morte por ocorrer como resultado de depressão respiratória e perturbações da função cardíaca.Duas potentes drogas de efeito tão desconcertante quanto o da fenilciclidina são as metanfetaminas.

O nome "metanfetaminas", não obstante sua origem química, pode ser entendido como que dizendo algo como "além das anfetaminas": são drogas relacionadas às anfetaminas, mas que perderam parte do efeito estimulante e se tornaram alucinógenos sintéticos.

O "Êxtase" (MMDA), quimicamente portador do horrível nome de 4-metileno-di-óxi-anfetamina, foi inicialmente desenvolvido há cerca de 70 anos como um inibidor de apetite, sendo abandonado por seus efeitos colaterais.

É um alucinógeno de curto efeito alucinógeno, de mais curto ainda efeito estimulante, e produtor de freqüentes sintomas negativos a longo prazo (depressão, apatia, desânimo, desinteresse...)O "Ice" apareceu no final dos anos 80, sendo chamado já desde o berço de "a droga dos anos 90".

É uma forma muito pura de metoxianfetamina, uma metanfetamina que pode ser tanto inalada como injetada intravenosamente. Os efeitos psicológicos duram por horas após a aplicação intravenosa (o que não é comum!), e são aterradoramente potentes. Diferentemente do crack, que necessita da importação da cocaína, o "ice" pode ser fabricado em fundos de quintal com substâncias inespecíficas adquiríveis em qualquer loja de produtos químicos.

Existem outros alucinógenos sintéticos, todos classificados com a fenilciclidina no grupo das arilcicloexaminas. O estudo destes DET, DPT, DOM/ STP é mais uma aula de nomenclatura química internacional que algo de fins práticos. Estas drogas ainda não são um problema de Saúde Pública no Brasil. Quando o forem, o que se teme que ocorra até o início de 2001, provavelmente novas mudanças já terão ocorrido, em termos químicos e médicos.

Fonte: anovavida.tripod.com

Alucinógenos

Considerações iniciais Os alucinógenos são um grupo de substâncias psicoativas caracterizadas por causarem em quem as consome:

Alterações do estado de consciênciaAlterações e distorções da sensopercepçãoAlterações do pensamentoAlterações do humor

São também conhecidas como:

Drogas psicomiméticas, pois podem induzir sintomas semelhantes aos da esquizofrenia, ou mesmo do transtorno bipolar.Drogas psicodélicas, pois podem induzir alterações sensoperceptivas, afetivas e do julgamento, que só podem ser vividas em sonhos, ou então, em transes de rituais religiosos.

Epidemiologia

Em 1991, 8,1 % da população americana usaram drogas alucinógenas pelo menos uma vez no ano. O grupo de jovens de 26 a 34 anos de idade liderou o uso deste tipo de drogas. No Brasil, segundo dados da SENAD, a Secretaria Nacional Antidrogas, 0,6 % da população brasileira consumiu drogas alucinógenas.

Pequeno histórico

Os alucinógenos naturais são usados desde antigamente para fins religiosos, recreacionais ou em rituais, com o objetivo de produzir experiências místicas. Quem sintetizou o LSD foi o químico suíço Albert Hoffman em 1938 e somente em 1943, ao ingeri-lo acidentalmente Hoffman viveu seus efeitos alucinógenos, e, a partir de então, passou a ser usado como droga. Durante a liberação social, sexual e mesmo cultural, da década de 60, o uso de alucinógenos foi bastante difundido.

Tanto assim que o LSD, os cogumelos alucinógenos, a psilocibina e a mescalina passaram até a ser cogitados como possíveis auxiliares da psicoterapia, com o objetivo de promover “insight” nas sessões terapêuticas. Porém, devido à imprevisibilidade de seus efeitos nos pacientes, deixaram rapidamente de ser empregados para fins terapêuticos, passando a serem proibidos de comercialização e considerados como drogas ilegais.

No início da década de 70, o MDMA, metilenodioximetanfetamina, uma anfetamina modificada, passou a ser investigada como droga facilitadora da psicoterapia, e também, por causar efeitos indesejáveis nos pacientes, foi abandonada, e depois considerada ilegal. Hoje é conhecida como droga do amor, êxtase ou ecstasy droga muito usada em festas raves e em baladas de jovens e de adolescentes.

Classificação

Os alucinógenos podem ser classificados em: Naturais e Sintéticos

Alucinógenos naturais

São conhecidas aproximadamente 50 espécies de plantas que possuem propriedades alucinógenas, e no Brasil cerca de umas dez espécies de alucinógenos naturais, que são consumidas para diversos objetivos e finalidades.

As principais plantas brasileiras com propriedades alucinógenas são:

Os cogumelos alucinógenos
A jurema
O cocapi e chacrona, produtos principais do chá do Santo Daime, usado no culto da união vegetal.

Outras plantas alucinógenas bastante usadas no mundo:

A Psilocibina: com fórmula química dimetil-4-fosforiltriptamina, é obtida a partir da “Psilocybe mexicana,” e, mais outras, 100 espécies relacionadas aos mesmos tipos destes cogumelos.
A Mescalina:
com fórmula química 3,4,5-trimetoxifeniletilamina, é obtida a partir do cacto peyote ou mesial, de nome científico, “Lophophora Williamsii, bastante usada em cerimônias e rituais religiosos pelos indígenas da América do Norte.

Alucinógenos sintéticos

As principais substâncias alucinógenas sintetizadas artificialmente são o LSD, o MDMA ou o ecstasy, o DMT e os anticolinérgicos. O LSD, de fórmula química, dietil-amida do ácido lisérgico é considerado um dos mais potentes dos alucinógenos. Foi sintetizado em 1938, a partir de um fungo conhecido como “ergot” (“Claviceps purpurea”). O LSD é incolor, inodoro e possui propriedades psicoativas somente na sua forma isômera d-LSD.

 Os derivados anfetamínicos, também conhecidos como “designer drugs” e, entre elas, se destacam:

O Ecstasy, que é um derivado anfetamínico, possui fórmula química 3,4-metilenodioximetanfetamina, foi sintetizado em 1914 pela Merck, na Alemanha. É bastante consumido em festas raves, discotecas e danceterias, baladas de jovens, nas quais prevalece a música “techno”, e onde é vendido e consumido livremente, por grande parte dos seus freqüentadores.

Alguns usuários acreditam que o “ecstasy” possa possuir propriedades afrodisíacas, daí ser chamado de droga do amor, fato que nunca foi confirmado por estudos médicos. O que se observou, na realidade, com os usuários e usuárias, foi uma dificuldade para se atingir o orgasmo e a ejaculação. Muitos até relatam que passam a ter, com o uso do MDMA, ejaculação precoce.

Além de ser alucinógeno, o MDMA é também uma potente droga estimulante, com efeitos semelhantes aos da cocaína.

Causa aos consumidores: boca seca, sudorese intensa, bruxismo, aumento da freqüência cardíaca, aumento da pressão arterial, náuseas e vômitos, alucinações visuais e auditivas. Pode causar morte por elevação da temperatura corpórea, que chega a atingir valores acima de 42 º C, seguida de convulsões e insuficiência renal, causada pelo consumo exagerado de água.

A elevação da temperatura do corpo e o desconforto que traz ao usuário, o obrigam a .tomar até quatro litros de água durante o consumo da droga.

O uso do MDMA pode também causar nos usuários: fadiga, depressão e ansiedade, visão turva, manchas roxas na pele, movimentos descontrolados da cabeça e do pescoço, inapetência, dificuldades respiratórias.

O custo no Brasil de uma pílula de ecstasy no ano 2005 é de cerca de R$ 30,00 a 50,00, ou seja de US$ 15,00 a 25,00, bem menor que aquele de há cerca de 10 anos, quando chegou a custar US$ 100,00 por pílula.O MDA, de fórmula química 3,4-metilenodioxianfetamina, foi sintetizado pela primeira vez em 1910, e bastante usado entre os anos de 1960 e 1970.

Difere do MDMA, o ecstasy,  pela falta de um grupo metil.MDE ou MDEA que é um alucinógeno não muito consumido, nem muito popular, sendo conhecido como “Eve”. Muitos o consideram como uma versão mais fraca e menos ativa do MDMA ou ecstasy.DMT de fórmula química dimetiltriptamina é um alucinógeno obtido pela manipulação das sementes da “Piptadenia peregrina”. PCP ou fenciclina, também conhecida como pó de anjo, foi sintetizada na década de 50 para ser usada cmo anestésico. PCP é o diminutivo de PeacePill ou pílula da paz, sendo usado como droga coadjuvante de outras drogas, pois melhora os efeitos destas nos circuitos de recompensa cerebral.

O PCP pode ser ingerido oralmente ou fumado juntamente com maconha. Seu tempo de ação é longo, por ser solúvel nas gorduras do corpo humano, podendo durar até cinco ou mais dias.

Seus efeitos físicos são: falta de coordenação motora, elevação da pressão sanguínea, vertigens, elevação da freqüência cardíaca nistagmo, ou seja, movimentos involuntários dos olhos, salivação, náuseas, vômitos, diminuição do controle sobre os esfíncteres.

Seus efeitos psicológicos principais são: diminuição das percepções, paranóia, perdas rápidas da memória, agressividade, comportamentos de violência e perda de sensação de dor.

A recuperação dos efeitos do PCP sobre o corpo humano é lenta e gradual, mas pode ser total.

Anticolinérgicos: são substâncias que bloqueiam a ação da acetilcolina no SNC (Sistema Nervoso Central) e, em doses elevadas, podem causar delírios e alucinações de bastante intensidade. Conforme o usuário, a percepção desses efeitos pode depender da personalidade e do ambiente no qual é consumida.

Algumas plantas com propriedades anticolinérgicas são do gênero Datura, como a saia branca, a tromboteira ou a zabumba, plantas que produzem a atropina e a escopolamina. Os principais medicamentos anticolinérgicos são o tri-hexafenidil, a diciclomina e o biperideno. Os efeitos psíquicos podem durar até 2 a 3 dias.

Os principais efeitos físicos associados aos anticolinérgicos são midríase, taquicardia, boca seca, dificuldades com a micção e diminuição da motilidade intestinal. Em doses elevadas pode apresentar hipertermia de 40 a 41° C, convulsões, hiperemia (vermelhão) facial e no pescoço.

Estrutura química

Os alucinógenos são derivados de dois grupos químicos:

Derivados da indolalquilamina, como, por exemplo, o LSD, a psilocibina e o DMT.
Derivados da fenilalquilamina, como por exemplo, a Mescalina, o MDMA, o MDA.

Vias de administração

O LSD é vendido sob a forma de mata-borrão, selos, estampas, tabletes, cápsulas ou cubos com açúcar. O uso intravenoso é mais raro. O DMT é um dos poucos alucinógenos que pode ser fumado, inalado e injetado. O MDMA é consumido sob a forma de cápsulas de grande porte, bastante coloridas, marcadas com o selo do fabricante, ou na forma de pó, que pode ser aspirado.

Duração de Ação

Os efeitos destas drogas no corpo humano duram, em média:

LSD entre 6 a 24 horas Mescalina entre2 a 6 horas DMT entre 1 e 2 horas MDMA entre 4 a 8 horas

Percepção dos Efeitos dos Alucinógenos

Por serem drogas alucinógenas, seus efeitos dependem de várias circunstâncias, podendo haver “boas viagens” ou “más viagens” as bad trips, à semelhança do que ocorre com a cannabis.

Assim, é importante serem citadas as seguintes variáveis que contribuem para os efeitos das drogas no corpo humano:

Personalidade prévia do indivíduo e sua sensibilidade individual à droga
Potência e pureza do alucinógeno
Expectativas pessoais e o estado emocional do usuário
Ambiente ou “o setting” em que se dá o uso da drogas

Alterações da sensopercepção causadas pelo uso de alucinógenos

Estas alucinações são na sua maioria visuais, com visualização de objetos cintilantes, brilhantes, bastante coloridos que se movem diante do usuário. Objetos movendo-se sob a forma de ondas, formas geométricas, figuras e algumas vezes de pessoas estranhas e objetos bizarros. Outros tipos de alucinações menos comuns são tácteis e auditivasÉ importante lembrar que as distorções sensoperceptivas produzidas pelo uso de alucinógenos ocorrem sempre com um estado de consciência preservado, portanto, sem alterações dos níveis de consciência e de atenção.Outras alterações sensoperceptivas compreendem percepção do tempo alterada, perda da sensibilidade na determinação de tempo e de espaço.

Reações Prolongadas pelo uso de alucinógenos

Os usuários crônicos, principalmente de LSD e MDMA, o ecstasy, podem apresentar algumas condições psiquiátricas induzidas pelo uso de alucinógenos, tais como:

Estados psicóticosEstados ansiosos e depressivosDistúrbios de personalidadeDistúrbios de sono

Já as principais alterações psíquicas associadas ao uso prolongado de alucinógenos são do tipo:

Alterações sensoperceptivasAlterações comportamentaisAlterações cognitivasAlterações afetivas
Alterações do estado de consciência

Flashbacks

Os “flashbacks” são reações recorrentes, breves e transitórias, nas quais o usuário volta a viver distorções perceptivas parecidas àquelas que viveu em intoxicações anteriores, decorridas várias semanas, meses ou até anos após o último uso da droga. Essas experiências ocorrem de forma inesperada e imprevisível e causam prejuízo no funcionamento social, acadêmico e ocupacional dos usuários, mesmo se este não usou a droga nos últimos tempos.

Efeitos Terapêuticos

O Ministério da Saúde do Brasil não reconhece e não recomenda indicações clínicas para os alucinógenos. Sua produção e comercialização são proibidas em todo o território nacional.

Síndrome de Dependência

Até o momento não foi possível identificar uma dependência fisiológica ou a presença de “craving” com o uso de drogas alucinógenas. O uso destes tipos de drogas a longo prazo não é comum. Contudo, quando são empregadas com o objetivo de lidar com os “problemas da vida” podem levar a um padrão de uso compulsivo, caracterizando uma síndrome de dependência A grande maioria dos usuários faz uso recreacional ou ocasional. Mesmo entre os usuários crônicos o uso raramente é superior a duas a três vezes por semana.

Tratamento

É importante o terapeuta verificar se o uso de alucinógenos se dá junto com outras drogas de abuso. Este fato quase sempre é observado neste tipo de pacientes.

Atualmente, já aparecem nos consultórios, pacientes abusadores apenas de alucinógenos, e é interessante que se providencie ao paciente todo o apoio que vai precisar, pois terá que deixar de lado o social em que tem vivido. Baladas e festas raves, amigos usuários, terão que ser deixadas de lado, e o paciente ser desafiado a viver uma nova vida sem drogas.

No caso de haver concomitância com comorbidades do tipo depressão, ansiedade, episódios maníacos, esquizofrenia, passa a ser necessário um tratamento medicamentoso do paciente.

Pacientes intoxicados por drogas alucinógenas como MDMA, PCP ou LSD devem ser observados atentamente para que não entrem em hipertermia, pois, em muitos casos ela pode levar o paciente a óbito.

Fonte: www.profdouglas.com.br

Alucinógenos

Alucinógenos Sintéticos

Perturbadores ou Alucinógenos sintéticos são substâncias fabricadas (sintetizadas) em laboratório, não sendo, portanto, de origem natural, e que são capazes de promover alucinações no ser humano.

Vale a pena recordar um pouco o significado de alucinação: "é uma percepção sem objeto".

Isto significa que, mesmo sem ter um estímulo (objeto) a pessoa pode sentir, ver, ouvir. Como exemplo, se uma pessoa ouve uma sirene tocando e há mesmo uma sirene perto, esta pessoa está normal; agora se ela ouve a sirene e não existe nenhuma tocando, então a pessoa está alucinando ou tendo uma alucinação auditiva.

Da mesma maneira, sob a ação de uma droga alucinógena ela pode ver um animal na sala (por exemplo um elefante) sem que, logicamente, exista o elefante; ou seja, a pessoa está tendo uma alucinação visual.

O LSD-25 (abreviação de dietilamina do ácido lisérgico) é, talvez, a mais potente droga alucinógena existente. É utilizado habitualmente por via oral, embora possa ser misturado ocasionalmente com tabaco e fumado. Algumas microgramas (e micrograma é um milésimo de uma miligrama que, por sua vez, é um milésimo de um grama) já são suficientes para produzir alucinações no ser humano.

O efeito alucinógeno do LSD-25 foi descoberto em 1943 pelo cientista suiço Hoffman, por acaso, ao aspirar pequeníssima quantidade de pó num descuido de laboratório.

Eis o que ele descreveu: "Os objetos e o aspecto dos meus colegas de laboratório pareciam sofrer mudanças ópticas.

Não conseguindo me concentrar em meu trabalho, num estado de sonambolismo, fui para casa, onde ! uma vontade irresistível de me deitar apoderou-se de mim.

Fechei as cortinas do quarto e imediatamente caí em um estado mental peculiar, semelhante à embriaguez, mas caracterizado por imaginação exagerada. Com os olhos fechados, figuras fantásticas de extraordinária plasticidade e coloração surgiram diante de meus olhos".

O seu relato detalhado das experiências alucinatórias levou a uma intensa pesquisa desta classe de substâncias, culminando, nas décadas de 50 e 60, no seu uso psiquiátrico, embora com resultados pouco satisfatórios.

O MDMA (MetilenoDioxoMetAnfetamina), conhecido popularmente como ÊXTASE foi sintetizado e patenteado por Merck em 1914, inicialmente como moderador de apetite.

É uma droga de uso relativamente recente e esporádico no Brasil. Além de seu efeito alucinógeno, caracterizado por alterações na percepção do tempo, diminuição da sensação de medo, ataques de pânico, psicoses e alucinações visuais, provoca efeitos estimulantes como o aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial, boca seca, náusea, sudorose e euforia.

Em resumo o MDMA é a droga que, além de produzir alucinações, pode também produzir um estado de excitação, o que é duplamente perigoso. Dado que este produto é ainda pouco usado no nosso meio (e seus efeitos! psíquicos não diferem muito dos do LSD) ele não mais será mencionado neste folhetim.

Efeitos no cérebro

O LSD-25 atua produzindo uma série de distorções no funcionamento do cérebro, trazendo como conseqüência uma variada gama de alterações psíquicas.

A experiência subjetiva com o LSD-25 e outros alucinógenos depende da personalidade do usuário, suas expectativas quanto ao uso da droga e o ambiente onde ela é ingerida. Enquanto alguns indivíduos experimentam um estado de excitação e atividade, outros tornam-se quietos e passivos. Sentimentos de euforia e excitação ("boa viagem") alternam-se com episódios de depressão, ilusões assustadoras e sensação de pânico ("má viagem"; bode).

LSD-25 é capaz de produzir distorções na percepção do ambiente --- cores, formas e contornos alterados--- além de sinestesias, ou seja, estímulos olfativos e táteis parrecem visíveis e cores podem ser ouvidas.

Outro aspecto que caracteriza a ação do LSD-25 no cérebro refere-se aos delírios.

Estes são o que chamamos: "juízos falsos da realidade", isto é, há uma realidade, um fato qualquer, mas a pessoa delirante não é capaz de avaliá-la corretamente.

Os delírios causados pelo LSD costumam ser de natureza persecutória ou de grandiosidade.

Efeitos no resto do organismo

O LSD-25 tem poucos efeitos no resto do corpo. Logo de início, 10 a 20 minutos após tomá-lo, o pulso pode ficar mais rápido, as pupilas podem ficar dilatadas, além de ocorrer sudoração e a pessoa sentir-se com uma certa excitação. Muito raramente tem sido descritos casos de convulsão. Mesmo doses muitos grandes do LSD não chegam a intoxicar seriamente uma pessoa, do ponto de vista físico.

Efeitos tóxicos

O perigo do LSD-25 não está tanto na sua toxicidade para o organismo mas sim no fato de que, pela perturbação psíquica, há perda da habilidade de perceber e avaliar situações comuns de perigo.

Isto ocorre, por exemplo, quando a pessoa com delírio de grandiosidade julga-se com capacidades ou forças extraordinárias, sendo capaz de, por exemplo: voar, atirando-se de janelas; com força mental suficiente para parar um carro numa estrada, ficando na frente do mesmo; andar sobre as águas, avançando mar a dentro.

Há também descrições de casos de comportamento violento, gerado principalmente por delírios persecutórios como, por exemplo: o drogado atacar dois amigos (ou até pessoas estranhas) por julgar que ambos estão tramando contra ele.

Ainda no campo dos efeitos tóxicos, há também descrições de pessoas que após tomarem o LSD-25 passaram a apresentar por longos períodos (o maior que se conhece é de dois anos) de ansiedade muito grande, depressão ou mesmo acessos psicóticos.

O flashback é uma variante deste efeito a longo prazo: semanas ou até meses após uma experiência com LSD, a pessoa repentinamente passa a ter todos os sintomas psíquicos daquela experiência anterior e isto sem ter tomado de novo a droga.

O flashback é geralmente uma vivência psíquica muito dolorosa pois a pessoa não estava procurando ou esperando ter aqueles sintomas, e assim os mesmos acabam por aparecer em momentos bastante impróprios, sem que ela saiba porque, podendo até pensar que está ficando louca.

Aspectos Gerais

O fenômeno da tolerância desenvolve-se muito rapidamente com o LSD-25; mas também há desaparecimento rápido da mesma com o parar do uso. O LSD-25 não leva comumente a estados de dependência e não há descrição de síndrome de abstinência se um usador crônico cessa o uso da droga.

Todavia, o LSD-25, assim como outras drogas alucinógenas, pode provocar dependência psíquica ou psicológica, uma vez que a pessoa que habitualmente faz uso destas substâncias como "remédio para todos os males da vida", acaba por se alienar da realidade do dia-a-dia, aprisionando-se na ilusão do "paraíso na Terra".

Situação no Brasil

Esporadicamente sabe-se do uso de LSD-25 no Brasil, principalmente por pessoas das classes mais favorecidas do país. Embora raramente, a Polícia apreende, vez por outra, partidas da droga trazidas do Exterior.

O Ministério da Saúde do Brasil não reconhece nenhum uso do LSD-25 (e de outros alucinógenos) e proíbe totalmente a produção, comércio e uso do mesmo no território nacional.

Fonte: www.unifesp.br

Alucinógenos

CLASSIFICAÇÃO

Podemos encontrar as substâncias alucinogênicas entre alguns representantes das plantas (dicotiledôneas) e dos fungos (ascomicetes ou basidiomicetes).

FUNGOS ALUCINOGÊNICOS

Amanita muscaria: é um cogumelo com cerca de vinte centímetros de altura, de coloração vermelha, amarela ou branca. Possui ácido ibotêmico e muscimol. É encontrado principalmente em florestas do hemisfério norte. Sem uso terapêutico, este cogumelo pode ser utilizado como inseticida natural ou na forma de chá.

Seus efeitos aparecem rapidamente, possuindo três estágios: excitação agradável e extremo aumento da força e agilidade; alucinações; delírios, seguidos de sono profundo.

Psilocybe mexicana: Contém o princípio ativo da psilocibina. Seu principal agente ativo está relacionado à serotonina, um neurotrasmissor que está presente no cérebro. Os sintomas psíquicos predominam e são semelhantes aos produzidos por outros alucinógenos. Além disso, provoca hiperexcitabilidade do sistema nervoso autônomo como taquicardia, sudorese, ligeira hipertermia, rubor facial , náusia , vômito. É encontrado na América do Norte, central e do Sul, Europa e Ásia.

PLANTAS ALUCINOGÊNICAS

Lophophora williansii: é conhecida como cactos peiote, nativa do Norte do México e áreas vizinhas. É ingerida fresca ou seca. Na forma seca os botões de mescalina se conservam psicoativos durante muitos anos, podendo serem umedecidos quando engolidos ou dissolvidos em água – na forma de chá. Os efeitos da mescalina são acompanhados de efeitos colaterais desagradáveis, bem como náuseas e vômitos. As alucinações duram de uma a duas horas.

Myristica fragrans: conhecida como noz-moscada, pode ser ingerida em grandes quantidades para produzir alterações a nível de consciência. A ingestão oral de dois frutos de noz-moscada produzem, após várias horas, uma sensação de peso nos braços e pernas, despersonalização, sensação de irrealidade e apreensão, juntamente com alterações fisiológicas como: boca seca, taquicardia, sede e rubor.

Nepeta cataria: é conhecida como erva-de-gato. A planta contém uma série de substâncias, incluindo tanina e drogas semelhantes à atropina. Usualmente é fumada, podendo provocar intoxicação semelhante à da maconha. Causa dor de cabeça rápida acompanhada de alucinações visuais, euforia e alterações no humor.

Banisteriopsis caapi: é conhecida como trepadeira, sendo igualmente usada como rapé, infusão ou sorvida em forma de fumaça. Contém o alcalóide dimetiltriptamina, e é utilizada como alucinógeno pela seita Santo Daime criada em 1930 no Acre. É encontrada desde a região dos rios amazônicos até o sopé dos andes no Equador. Após dois minutos de sua ingestão são provocados: palidez, tremor, transpiração e fúria; após dez minutos cessa o excitamento, havendo, porém, extrema exaustão, alterações de temperatura, medo ou coragem, visão turva, alucinações, fantasias, ânsia e horror.

Atropa belladonna: é nativa da Europa e usada como chá. Seu fruto, semelhante à cereja, é venenoso e tem propriedades calmantes e sedativas. Seus efeitos são de excitação inicial precedida de euforia e sonolência. Seus sintomas podem aparecer em forma de boca e garganta secas, vertigens, midríase, voz alterada , taquicardia, perda involuntária de fezes e urina.

Datura sp: é conhecida como saia branca, saia-de-noiva, trombeteira, ou figueira do inferno. É muito comum no Brasil, sendo também encontrada no Hemisfério Norte. Há muitos séculos é usada como remédio ou alucinógeno. O sono causado pela planta pode durar até vinte dias e, em caso de doses elevadas, torna-se fatal.

Os efeitos periféricos são: pele seca e quente, midríase, boca seca, retenção urinária, taquicardia e hipertermia. Os efeitos sobre o sistema nervoso central envolvem confusão mental, irritabilidade, delírios e alucinações, durando por muitas horas.

Fonte: www.ceamecim.furg.br

Alucinógenos

Alucinógenos
Drogas alucinógenas

As drogas alucinógenas ou "psicodélicas" apresentam a capacidade de produzir alucinações sem delirio.

O LSD, dietilamina do ácido lisérgico, .tornou-se o protótipo de drogas alucinógenas devido à extensão de seu uso, porque ele representa uma família de drogas que são semelhantes e por ter sido exaustivamente estudado.

O grupo de drogas do tipo LSD inclui, o LSD ( derivado do ácido lisérgico), mescalina (fenilalquilamina), psilocibina (indolalquilamina) e compostos a eles relacionados.

Embora sejam diferentes do ponto de vista químico, estas drogas compartilham de algumas características químicas e de um número maior de características farmacológicas.

O LSD é um composto químico semi-sintético que não ocorre na natureza. Essa droga também tem semelhança química com neurotransmissores do tipo noradrenalina, dopamina e serotonina. Os efeitos simpaticomiméticos podem causar midríase, taquicardia, piloeresão e hiperglicemia.

O LSD interage com diversos tipos de receptores de serotonina no cérebro. Parece alterar a metabolização da serotonina o que é indicado pelo aumento das concentrações cerebrais de seu principal metabólito, o ácido 5-hidroxiindolacético. Apresenta atividade agonista no receptor serotonina

O mecanismo da ação alucinogênica do LSD e análogos, envolve 3 fases:

1) antagonista da serotonina
2)
redução na atividade do sistema rafe
3)
agonista do receptor de serotonina pós-sináptico. Atua em múltiplos locais no SNC, desde o córtex e tálamo cerebral, onde atuaria em receptores serotoninérgicos do tipo 5-HT2

São características as alterações sensoriais, cuja intensidade depende da dose utilizada, indo de simples aberrações da percepção de cor e forma dos objetos até a degradação da personalidade. As características das alucinações variam de indivíduo para outro, presumivelmente de acordo com sua personalidade e com os tipos de interesse que desenvolve. As alucinações podem ser visual, auditiva, tátil, olfativa, gustativa ou percepção anestésica na ausência de um estímulo externo.

Há distorção do espaço, e os objetos visualizados agigantam-se ou se reduzem, inclusive partes do próprio corpo. Pode ocorrer o fenômeno da despersonalização, com a sensação de que o corpo ou uma de suas partes estão desligados. Altera-se a sensação subjetiva de tempo, e minutos podem parecer horas.

Nas fases de alucinações mais intensas podem ocorrer ansiedade, desorientação e pânico. Muitos apresentam depressão grave com tentativa de suicídio.

Foram descritos inúmeros casos de psicoses duradoura (dias ou meses) ou mesmo permanente, após o uso da droga, e o reaparecimento espontâneo de alucinações, ansiedade e distorção da realidade.

Alterações Químicas no Cérebro

Certas características parecem ser comum a todas as drogas que levam ao abuso:

O desejo é similar para todas as que produzem dependência, embora diferentes grupos de drogas tenham diferenças no efeito fisiológico e comportamental,

Fatores ambientais influenciam não somente o efeito agudo da droga, mas também a probabilidade de eventual dependência, bem como a sua recaída.

Há uma predisposição genetica para a dependência.

Na continua exposição à droga, o desejo de consumi-la aumenta, embora em muitos casos a capacidade da droga em produzir euforia apresente uma gradativa diminuição.

Para muitas drogas o desejo não ocorre durante a síndrome de abstinência, mas quando o efeito máximo da droga começa a declinar.

É fácil compreender a grande variedade de efeitos para diferentes classes de drogas, porque cada classe afeta diferentes sistemas de neurotransmissores, no entanto, a dependência é uma condição comum a todas as drogas.

Robinson e Berridge em 1993, demonstraram que diferentes classes de drogas psicoestimulantes e o abuso de drogas levavam a um aumentam da concentração extracelular de dopamina no núcleo accumbens, uma área do sistema dopaminérgico mesolímbico, incluindo as drogas: cocaína, anfetamina, opióide, álcool, cafeína, barbitúrico e nicotina.

Como foi descrito por Nastler (1994) a dopamina atua na proteína G, alterando os níveis de AMPc no núcleo accumbens. O AMPc ativa várias proteínas quinases que regulam fatores de transcrição como CREB (elementos que se ligam à proteína em resposta ao AMPc). Estes fatores de transcrição ligam-se a regiões especificas no DNA promovendo aumento ou diminuição na velocidade de certas transcrições genicas.

O stress agudo e principalmente crônico contribui com a liberação intensa de glicocorticóides, que são conhecidos por aumentarem a sensibilidade do núcleo accumbens ao abuso de drogas, porque facilita a liberação da dopamina neste núcleo.

A base genetica da dependência afeta múltiplos genes localizados no genoma.

A transcrição da ativação do receptor dentro do sistema dopaminérgico parece levar a ativação de gens especifico (C-fos), que ativam a proteina (proteína relacionada Fos) que pode ter um papel neuroadaptativo para administração repetidas de drogas.

Nova análise genética como a manipulação do genoma molecular ajuda a identificação de elementos que podem conferir vulnerabilidade para abuso de drogas e dependência.

Manifestações Clínicas dos Alucinógenos

Por razões de brevidade não discutiremos as manifestações clínicas determinadas por cada droga ou grupo de drogas. Limitar-nos-emos a apresentar aqui a classificação geral utilizada pelos psiquiatras, através de um manual de diagnósticos chamado DSM-IV, para os distúrbios relacionados com substâncias.

De acordo com a presente edição do DSM (Diagnostic and Statistic Manual), os distúrbios relacionados com substâncias dividem-se em dois grupos:

Os distúrbios por uso de substâncias
Dependência de substâncias
Abuso de substâncias
Distúrbios induzidos por substâncias
Intoxicação por substâncias
Privação de substâncias
Delírio (delirium) induzido por substância
Demência persistente induzida por substância
Distúrbio amnéstico persistente induzido por substância
Distúrbio psicótico induzido por substância
Distúrbio afetivo induzido por substância
Distúrbio de ansiedade induzido por substância
Disfunção sexual induzida por substância
Distúrbio do sono induzido por substância

Os critérios DSM-IV para abuso e dependência de substâncias são apresentados nas tabelas seguintes:

Critérios DSM-IV para abuso de substâncias

A. Padrão desadaptativo de uso de substância levando a comprometimento ou sofrimento clinicamente significativos, manifestado por um ou mais dos seguintes itens, ocorrendo dentro de um período de 12 meses:

1. Uso recorrente da substância resultando em fracasso no preenchimento de expectativas no trabalho, escola ou lar (por exemplo: repetidas faltas ao trabalho ou desempenho deficiente relacionados ao uso de substâncias; faltas, suspensões ou expulsões da escola relacionados com substâncias; negligência dos filhos e das atividades domésticas)
2.
Uso recorrente da substância em situações perigosas (por exemplo: dirigir automóvel, operar máquinas, estando prejudicado pelo uso de substâncias).
3.
Problemas legais recorrentes relacionados com o uso de substâncias (por exemplo: prisões por conduta imprópria relacionadas a substâncias).
4.
Uso continuado de substância apesar de problemas sociais ou interpessoais, persistentes ou recorrentes, causados ou exacerbados pelos efeitos de substância (por exemplo: discussões com o conjugue sobre as conseqüências da intoxicação, brigas).

B. Os sintomas nunca satisfizeram os critérios para dependência a substância para esta classe de substância.

Critérios DSM-IV para dependência de substâncias

1. Tolerância - Definida por um dos dois seguintes:

1a. Necessidade de quantidades marcadamente aumentadas da substância para alcançar intoxicação ou o efeito desejado.
1b.
Efeito marcadamente diminuido com o uso continuado da mesma quantidade de substância.

2. Síndrome de abstinência manifestada por:

2a. Síndrome de abstinência característica para a substância
2b.
A mesma substância, ou outra semelhante, são usadas para aliviar ou prevenir os sintomas da abstinência.

3. A substância é freqüentemente tomada em quantidades maiores ou por períodos de tempo superiores ao que era.
4.
Há desejo persistente ou esforços fracassados de cortar ou controlar o uso da substância
5
. Uma grande quantidade de tempo é gasta com atividades necessárias a obter a droga, a usa- la ou a recuperar-se de seus efeitos.
6.
Abandono ou redução de atividades sociais, profissionais ou recreativas importantes devido ao uso da substância.

Padrão desadaptativo de uso de substâncias, levando a comprometimento ou sofrimento clinicamente significativos, manifestado por três ou mais dos seguintes itens, ocorrendo em qualquer momento de um mesmo período de 12 meses:

O uso da substância é continuado, apesar do conhecimento de ter um problema físico ou psicológico, persistente ou recorrente, que, provavelmente, foi causado ou piorado pela substância.

Especificar se:

COM DEPENDÊNCIA FISIOLÓGICA: Evidência de tolerância ou abstinência, isto é, presença do item 1 ou 2
SEM DEPENDÊNCIA FISIOLÓGICA:
Sem evidência de tolerância ou abstinência, isto é, nem o item 1 nem o item 2 estão presentes.

Psicoestimulantes

Os psicoestimulantes abrangem um grupo de drogas de diversas estruturas e que têm em comum ações como aumento da atividade motora e redução da necessidade de sono.

Estas drogas diminuem a fadiga, induzem a euforia e apresentam efeitos simpaticomiméticos (aumento das ações do sistema nervoso simpático).

Compreendem as seguintes drogas: anfetamina e cocaína.

As Anfetaminas

É o grupo mais comum das drogas psicoestimulantes. Representado pela dextroanfetamina (ou simplesmente anfetamina), metanfetamina, fenmetazina. Mais recentemente foram introduzidas a metilenodioxianfetamina (MDA) e metilenodioximetanfetamina (MDMA - "ecstasy"). Estas últimas drogas tem mais efeitos próprios da anfetamina do que alucinógenos.

Os derivados anfetamínicos podem agir de diversas maneiras, mas provavelmente agem principalmente aumentando a liberação de neurotransmissores.

As drogas semelhantes à anfetamina são classificadas como agonistas de ação indireta das sinápses noradrenégicas, dopaminergicas e serotoninérgicas. Estas ações resultam tanto da inibição da recaptação dos neurotransmissores como da inibição da enzima monoamino oxidase (MAO).

A anfetamina é agonista de ação indireta das aminas, especialmente noradrenalina e dopamina:

Inibição competitiva do transporte de noradrenalina e dopamina e em altas doses inibe também a recaptação de serotonina.

Libera dopamina e noradrenalina independente de Ca++ ,(causa liberação do neurotransmissor independente do despolarização do terminal nervoso).

Inibe competitivamente a enzima MAO.

As drogas semelhantes à anfetamina revelaram um padrão típico de abstinência, manifestado por sinais e sintomas que são o oposto daqueles produzidos pela droga. Os usuários privados da droga ficam sonolentos, tem apetite voraz, ficam exaustos e podem vir a apresentar depressão psíquica. A tolerância desenvolve-se rapidamente de modo que os usuários abusivos podem tomar doses maiores em comparação àquelas usadas como anorexígenos por exemplo.

A Cocaína

A cocaína é um alcalóide extraído da planta do gênero Erythroxylon, arbusto cultivado em regiões andinas e amazônicas.

A dependência à cocaína depende de suas propriedades psicoestimulantes e ação anestésica local. A dopamina é considerada importante no sistema de recompensa do cérebro, e seu aumento pode ser responsável pelo grande potencial de dependência da cocaína.

A cocaína sob a forma de cloridrato, é administrada por diferentes vias. Pode ser aspirada, sendo absorvida pela mucosa nasal. A cocaína causa vasoconstrição de arteríolas nasais, levando a uma redução vascular o que limita a sua absorção. O uso crônico freqüentemente acarreta necrose e perfuração do septo nasal, como conseqüência da vasoconstrição prolongada. Injetada por via venosa induz efeito extremamente rápido, intenso e de curta duração. Mais recentemente, tem-se popularizado o uso por via pulmonar, sendo a droga inalada com dispositivo tipo cachimbo ou em cigarros. Nesse caso, é empregado o crack, que é a base livre, preparada por alcalinização de cloridrato e extraindo-o com solvente não polares. Embora parte do alcalóide seja destruida pela temperatura alta, a cocaína é prontamente absorvida pelos pulmões, atingindo concentrações sanguíneas máximas em poucos minutos, e comparável com a administração venosa, porém por um tempo reduzido. A injeção venosa raramente é usada pela possibilidade de intoxicação por dose excessiva. Esta via é a mais responsável pelas alterações cardiovasculares e arritmias.

A potência e a pureza da cocaína disponível variam amplamente.

A meia-vida plasmática da cocaína é curta, de modo que os efeitos após uma dose única persiste apenas uma hora ou um pouco menos. Em consequencia disto, a vivência de euforia pode ser repetida muitas vezes no decorrer de um dia ou uma noite.

A cocaína aumenta dopamina e noradrenalina em doses normais e o aumento da serotonina só ocorre em altas doses, porque atua inibindo à recaptação para estes neurotransmissores. Em geral há um consenso neste mecanismo de ação, mas é controversio se a cocaína atua como um inibidor competitivo ou não competitivo no transporte desta proteína.

A capacidade da cocaína induzir alterações do humor depende da quantidade de dopamina e noradrenalina liberada no cerébro.

O efeito psicoestimulante varia na intensidade de moderado à tóxico com o aumento da dose.

Muitos dos efeitos descritos exibem tolerância, sendo que o efeito estimulante de suprimir o apetite desenvolve-se dentro de poucas semanas.

Após o uso contínuo pode desencadear-se estado de psicose tóxica, com alucinações visuais e auditivas, delírio, idéias paranóides e tendências suicidas.

A cocaina quando ingerida com álcool, leva a formação de um metabólito conjugado cocetileno, que tem propriedades psicoativa e uma meia-vida maior que a cocaína e o etanol ingeridos separadamente, seu acumulo leva rapidamente a um quadro de intoxicação.

Os efeitos cardiovasculares são complexos e são dose dependente.. O aumento da noradrenalina aumenta a resistência periferica total, levando a um aumento da pressão arterial. Esta vasoconstricção reduz a capacidade da perda de calor pela pele e contribui para uma hipertermia. Os efeitos anestésicos locais interferem com a condução miocardiaca levando a arritmias cardíacas e convulsões.

Como complicações do uso crônico desta droga temos a psicose paranóide e edndocardite bacteriana devido ao uso de seringas contaminadas.

As intoxicações por doses excessivas de cocaína em geral são rapidamente fatais como arritmias, depressão respiratória e convulsão.

Por que as Pessoas usam Drogas? Mas por quê os intoxicantes são tão procurados? Quais as razões que levam as pessoas a utilizá-los?

A nosso ver podem ser enquadradas em quatro grupos básicos:

1. Para reduzir sentimentos desagradáveis de angústia e depressão.

Estes sentimentos seriam :

Gerais, decorrentes da própria condição humana. A angústia do ser humano diante da vida foi muito bem descrita pelos filósofos da corrente existencialista. Para eles o ser humano, sem saber porquê e para que, é jogado no mundo hostil ou indiferente.
Durante sua vida o ser humano é permanentemente ameaçado pelo aniquilamento, confrontado com o absurdo, tendo apenas uma certeza em relação ao seu futuro - a sua inevitável morte, que ocorrerá em data e condições desconhecidas. De acordo com os conceitos existencialistas poderíamos, pois, definir a vida como uma aventura trágica, absurda e ilógica, que sempre termina em morte.
Considerando a situação existencial do homem alguns autores afirmam que não é de se estranhar que ele se angustie e sim que ele se angustie tão pouco.
Específicas, próprias de cada indivíduo - originadas por experiências traumáticas ou condições patológicas. Constituiriam exemplos o uso de drogas por veteranos de guerras ou por pessoas com fobia social ou depressão.

2. Para exaltar sensações corporais e provocar gratificações sensoriais de natureza estética e, especialmente, eróticas. Dizem os usuários de drogas que a música soa melhor, as cores são mais brilhantes e o orgasmo se torna mais intenso, durante o uso de sua droga preferida.

3. Para aumentar rendimentos psicofísicos, reduzindo sensações corporais desagradáveis, como dor, insônia, cansaço ou superando necessidades fisiológicas como o sono e a fome. Durante o império Inca a folha de coca era mascada por mensageiros e carregadores para aumentar sua resistência e velocidade.

É freqüente o uso de anfetaminas por choferes de caminhão que desejam encurtar a duração de suas viagem.

Um exemplo curioso foi o caso de um psicopata, visto por um de nós, internado por intoxicação anfetamínica. Empregado de um traficante de drogas, este rapaz passara a usar os anfetamínicos para permanecer mais tempo acordado e poder vender mais drogas, ganhando assim o reconhecimento de seu chefe.

Dores crônicas e insônia persistente constituem causas bem reconhecidas de abuso de analgésicos e hipnóticos diversos.

4. Como meio de transcender as limitações do corpo e o jugo da espaço-temporalidade, unindo-se à realidade por trás de todos os fenômenos ou, mais limitadamente, a alguma entidade espiritual qualquer, capaz de conferir-lhe, pelo menos temporariamente, poderes especiais.

São bem conhecidos os relatos de uso de cactos e fungos por diversas nações indígenas, em ocasiões especiais, como uma forma de unir-se a seus deuses ou antepassados. Também documentados estão o uso de drogas pelos shamans durante suas atividades curativas e a ingestão de álcool por médiuns possuidos por entidades espirituais nos rituais de cultos afroamericanos. Comumente nestes casos o uso das drogas faz-se somente em situações bem definidas, culturalmente aceitas e reconhecidas, não comprometendo o desempenho social das pessoas. Por outro lado, muitos usuários de drogas, como por exemplo alguns hippies dos anos 60, procuraram em drogas diversas (principalmente alucinógenos) um substituto para experiências religiosas.

Diferentes Tipos de Drogas de Abuso

Ao longo da história da humanidade diversos agentes farmacológicos tem sido utilizados com finalidades intoxicantes. Incluem-se neles extratos vegetais, produtos de fermentação e, mais modernamente, diversas substâncias sintéticas.

Os diferentes efeitos psicológicos dos diversos agentes foram sistematizados e classificados (em 1924) por Louis Lewin em seu livro " Phantastica: Narcotic and Stimulating Drugs".

Segundo ele, os agentes até então conhecidos poderiam ser enquadrados como:

Euforiantes

Caracterizariam-se por diminuir ou interromper percepções ou emoções desagradáveis, com pouco efeito sobre a consciência.

Induzem um estado de conforto mental. Nas palavras de Restak:

"Graças aos euforiantes, as dificuldades e frustrações do presente podem ser trocadas por mundos substitutos criados pela própria mente, mundos nos quais os problemas desaparecem, as ansiedades são acalmadas e os desejos saciados."

Lewin incluiu neste grupo o ópio e seus derivados e a cocaína. Este último agente, na opinião de Restak, atualmente seria retirado deste grupo pela maioria dos estudiosos de psicofarmacologia e incluído no grupo dos excitantes.

Fantasticantes

Também chamadas de "drogas de ilusão", que provocam alterações sensoperceptivas como alucinações e ilusões (principalmente visuais), cujo exemplo é a mescalina, extraída do cacto peyote (cujo nome científico é Anhalonium lewinii). Neste grupo poderíamos também incluir o LSD, a harmina (encontrada na ayahuasca, intoxicante utilizado pelos índios sul americanos e extraída de dois vegetais - B. caapi e B. inebrians), o haxixe e os alcalóides anticolinérgicos hiosciamina, atropina e escopolamina.

Inebriantes

Causam excitação comportamental e alterações perceptivas, cognitivas e afetivas. Neste grupo estão o éter, o clorofórmio, o cloreto de etila e a droga mais usada em todos os tempos e locais, o álcool.

Hipnóticos

Substâncias utilizadas com a finalidade específica de provocar sono, tal como os barbitúricos e, mais recentemente, alguns tipos de benzodiazepínicos.

Excitantes

Provocam excitação cerebral e estimulação comportamental, sem alterar a consciência. Aqui estão a cafeína, as anfetaminas e, de acordo com os atuais conhecimentos, a cocaína.

Neurofarmacologia do Álcool e o Alcoolismo

O álcool é um depressor de muitas ações no Sistema Nervoso Central, e esta depressão é dose-dependente. Apesar de ser consumido especialmente pela sua ação estimulante, esta é apenas aparente e ocorre com doses moderadas, resultando da depressão de mecanismos controladores inibitórios. O córtex, que tem um papel integrador, sob o efeito do álcool é liberado desta função, resultando em pensamento desorganizado e confuso, bem como interrupção adequada do controle motor.

O etanol se difunde pelos lipídios, alterando a fluidez e a função das proteinas. Altas concentrações de álcool pode diminuir as funções da bomba Na+ K+/ATPase no transporte de elétrons, este efeito compromete a condução elétrica.

Estudos com alcoólatras mostram que alguns deles começam a beber em função de pressões sociais ou como resposta a situações estressantes em suas vidas. Uma vez iniciado o comportamento de consumo de bebidas, a recompensa psicofisiológica induzida pelo álcool, por condicionamento, tende a fixar esta forma de se comportar. Outros, ao contrário, parecem ser levados por uma compulsão interna ao uso e abuso de bebidas alcoólicas.

Tipo I

Ocorre tanto em homens quanto em mulheres; requer influências genéticas e ambientais; tem início tardio na vida; apresenta maiorpossibilidade de recuperação

Tipo II

Ocorre principalmente em homens; origem predominantemente genética; começa na adolescência ou início da idade adulta; está intimamente associado com comportamento criminoso; apresenta menor probabilidade de recuperação

Parece que o mesmo ocorreria em relação a outras substâncias psicoativas.

Distinguem-se, pois, fatores inatos, genéticos, e fatores aprendidos, adquiridos, no abuso de drogas.

A influência de fatores genéticos sobre o alcoolismo já fora pressentida na Antiguidade. Plutarco mencionava que "os bêbados geram bêbados" .

Em seu livro "Alcohol and the Addictive Brain", Kenneth Blum sumariza os resultados de décadas de estudos sobre genética x alcoolismo ressaltando que:

Gêmeos monozigóticos de alcoólatras têm risco muito maior de desenvolver alcoolismo do que gêmeos dizigóticos;
Filhos de alcoólatras têm possibilidades 4 vezes maiores de tornarem-se alcoólatras do que os filhos de não alcoólatras, mesmo que separados de seus pais biológicos ao nascer e educados por pais adotivos não alcoólatras;
Filhos de pais não alcoólatras têm baixo risco de alcoolismo mesmo quando adotados e criados por pais adotivos alcoólatras;
Há um risco de alcoolismo de 25 a 50% entre filhos e irmãos de homens com alcoolismo grave.

Os alcoólatras e seus descendentes apresentam diversas anormalidades neurobioquímicas, tais como:

Maior resistência aos efeitos depressores do álcool;
Maior freqüência alfa no EEG após consumo de álcool;
Menor resposta da freqúência alfa ao EEG;
Baixos níveis médios do principal metabólito da serotonina (5HIAA-Ácido 5 hidróxi-indol-acético) no líquido céfalo-raquidiano;
Maior sensibilidade do sistema pituitário de beta-endorfinas à administração do álcool;
Padrões comportamentais semelhantes aos observados em pessoas com disfunção leve dos lobos frontais (impulsividade, déficits da atenção, hiperatividade e deficiente controle emocional).
Em artigo publicado, em uma edição de 1996, da revista American Scientist, Blum e colaboradores propõem como base fisiopatológica para o abuso de drogas, o que chamam de síndrome de deficiência da recompensa.

Sistemas Cerebrais de Recompensa a Drogas

O sistema de recompensa para cocaína e anfetamina inclui neurônios dopaminérgicos situados na área tegmental ventral, conectados ao núcleo accumbens e outras áreas, tais como o córtex pré-frontal.

O sistema de recompensa para opiáceos, além das estruturas antes mencionadas inclui também áreas que usam como neurotransmissores opiáceos endógenos, tais como o núcleo arqueado, a amígdala, o locus ceruleus e a área cinzenta periquedutal.

O sistema de recompensa ao álcool, além dos neurônios dopaminérgicos da área tegmental ventral e núcleo accumbens, inclui também estruturas que usam o ácido gama-aminobutírico(GABA) como transmissor, tais como o córtex, cerebelo, hipocampo, colículos superiores e inferiores e a amígdala.

Causas do Abuso das Drogas

Estudos com alcoólatras mostram que alguns deles começam a beber em função de pressões sociais ou como resposta a situações estressantes em suas vidas. Uma vez iniciado o comportamento de consumo de bebidas, a recompensa psicofisiológica induzida pelo álcool, por condicionamento, tende a fixar esta forma de se comportar. Outros, ao contrário, parecem ser levados por uma compulsão interna ao uso e abuso de bebidas alcoólicas.

Neurofarmacologia do álcool

Só recentemente foi possível entender os mecanismo neurobiológico responsável por diversas manifestações clínicas do alcoolismo. O etanol afeta diversos neurotransmissores no cerébro, entre eles o neurotransmissor inibitório, o ácido gama-aminobutirico (GABA).

A interação entre etanol e o receptor para o GABA se evidencia em estudos que demonstram haver redução de sintomas da síndrome de abstinência alcoólica através do uso de substâncias que aumentam a atividade do GABA, como os inibidores de sua recaptação e os benzodiazepínicos, mostrando a possibilidade do sistema GABAérgico ter efeito na fisiopatologia do alcoolismo humano.

O etanol potencializa as ações de receptor GABA através de um mecanismo que é independente do receptor benzodiazepínico.

As vias neuronais que utilizam GABA desempenham importante ação inibitória sobre as demais vias nervosas. O receptor para o GABA encontra-se associado ao canal de cloro e ao receptor de benzodiazepínicos, formando um complexo funcional. Quando o GABA se acopla ao seu receptor, promove o aumento na frequência de abertura dos canais de cloro, permitindo assim a passagem de maior quantidade do íon para o meio intracelular, tornando-se ainda mais negativo e promovendo, assim, hiperpolarização neuronal.

Baixas concentrações alcoólicas promoveriam facilitação da inibição GABAérgica no córtex cerebral e na medula espinhal.

Os efeitos a exposição crônica ao etanol poderia explicar alguns dos fenômenos observados no alcoolismo, como a tolerância e a dependência.

A rápida tolerância ao aumento do influxo de cloro mediado pelo GABA inicia-se já nas primeiras horas e estabelece-se durante o uso crônico do álcool.

O álcool seletivamente altera a ação sináptica do glutamato no cérebro. O sistema glutamatérgico, que utiliza glutamato como neurotransmissor, e que é uma das principais vias excitatórias do sistema nervoso central, também parece desempenhar papel relevante nas alterações nervosas promovidas pelo etanol. O glutamato é o maior neurotransmissor excitatório no cérebro, com cerca de 40% de todas as sinápses glutaminergicas.

As ações pós-sinápticas do glutamato no sistema nervoso central são mediadas por dois tipos de receptores: Um tipo é o receptor inotrópico que são os canais ionicos que causa despolarização neuronal. O 2o tipo de receptor glutamato é o metabotrópico ( visto que suas respostas necessitam de passos metabólicos de sinalização celular), enquanto as ações intracelulares são mediadas pela proteína G.

Um dos receptores glutamatos inotrópicos tem duas famílias separadamente identificadas tanto nas características farmacológica, biofísica e molecular conhecidas como o receptor NMDA (n-metil-D-aspartato), voltagem dependente, que sustenta as correntes associado a canais de ions permeáveis ao cálcio ao sódio e ao potássio e a segunda família de receptores inotropicos glutamato, o receptor AMPA/Ka (agonista preferencial é a a -amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazol propiato).

O glutamato participa da plasticidade sináptica e potencialização longo-tempo (LTP) parecendo ter um papel critico na memória e na cognição.

O efeito eletrofisiológico predominante do etanol é reduzir a neurotransmissão glutaminergica excitatória. Observou-se que baixas concentrações do etanol são capazes de inibir a ação estimulante mediada pelo NMDA sobre células hipocampais em cultura.

O etanol inibe a corrente do receptor NMDA em concentração associadaos com a intoxicação em vivo.

Estes achados poderiam também participar da gênese de dependência física ao álcool, através de processo inverso ao observado pelo GABA, ou seja, uma vez retirado o etanol, as vias glutaminérgicas produzem superexcitação do SNC , gerando convulsões, ansiedade e delirium.

O influxo de ions cálcio para a célula desempenha importante função na liberação dos neurotransmissores na fenda sináptica como também, na atividade de segundo mensageiro celular. O etanol, em concentrações de 25mM parece inibir a passagem de cálcio através dos canais iônicos, diminuindo a liberação de neurotransmissores.

Este também poderia ser um dos mecanismos de produção da dependência e da tolerância, uma vez que retirada o álcool, esses canais ionicos aumentariam o fluxo de cálcio e, como consequencia a neurotransmissão, gerando os sinais e sintomas da síndrome de abstinência.

Mecanismos Cerebrais no Abuso de Drogas

Quando uma pessoa usa uma droga psicoativa e o efeito por ela produzido é de alguma forma agradável, este efeito adquire para aquela pessoa o caráter de uma recompensa.

Como o comprovam estudos experimentais realizados por psicólogos comportamentalistas, todos os comportamentos que são reforçados por uma recompensa tendem a ser repetidos e aprendidos. E as sucessivas repetições tendem a fixar não só o comportamento que conduz à recompensa, mas, também, estímulos, sensações e situações indiferentes eventualmente associados a esse comportamento. Os usuários de drogas referem, por exemplo, que o ver certos lugares ou pessoas, o ouvir certas músicas, etc., desencadeando-lhes a vontade de usar sua droga preferencial.

Usando tomografia com emissão de pósitrons (PET), a Dra. Edythe D. London e seus colegas do Centro de Pesquisa em Adição, em Baltimore, obtiveram imagens mostrando que em pessoas que haviam usado cocaína, deixas associadas ao uso da cocaína, disparavam aumento no metabolismo da glicose em regiões cerebrais associadas com a memória e o aprendizado (córtex pré-frontal lateral, amígdala e cerebelo).

Estamos ainda longe de saber todas as alterações na química e, consequentemente, na estrutura cerebral que fundamentam a recompensa e servem de reforço aos diversos comportamentos, inclusive ao uso de drogas. Entretanto, estudos recentes indicam que há uma cadeia de reações, envolvendo diversos neurotransmissores, que culmina com a liberação do neurotransmissor dopamina em uma região do cérebro chamada núcleo accumbens.

Tratamento do Abuso das Drogas

A definição de adicção à droga do National Institute of Drug Abuse (NIDA) como "uma doença cerebral crônica, recidivante, que se expressa comportamentalmente e ocorre em um contexto social" reflete as dificuldades existentes na terapia desta condição. O tratamento destes pacientes envolve medidas farmacológicas e psicoterápicas para auxiliá-los a reestruturar os seus comportamentos.

É certo que os conhecimentos atuais sobre as alterações neurobioquímicas que ocorrem como causa ou conseqüência do abuso de drogas, auxiliaram a desenvolver drogas e estratégias de tratamentos mais eficazes. O uso de substâncias modificadoras da transmissão opióide, como a naltrexona, ou da GABAérgica/glutamatérgica, como o acamprosato, por exemplo, favorecem a manutenção da abstinência em pacientes alcoólatras. A naltrexona abole a recompensa provocada pela ingestão do álcool e o acamprosato reduz o desejo de beber.

Estamos, no entanto, muito aquém do necessário. Uma esperança futura reside na terapia genética. Se chegarmos a identificar os genes responsáveis pelas alterações neurobioquímicas que levam ao abuso de drogas, talvez possamos corrigí-las.

Será que em alguma época futura a humanidade poderá livrar-se de todas as drogas? Ou será mais razoável imaginar que poderemos chegar a desenvolver drogas psicoativas perfeitas, com poucos efeitos colaterais deletérios, tal como o soma descrito por Aldous Huxley em seu livro Ädmirável Mundo Novo", capaz de proporcionar uma notável sensação de bem estar, acalmando até mesmo as angústias existenciais? Só o tempo dirá!

Fonte: www.adroga.casadia.org

Alucinógenos

A grande família das drogas alucinógenas compõe-se de diversos tipos de cogumelos, da família Agaricácea e de inúmeras plantas capazes de provocar alucinações e também de muitas substâncias sintéticas produzidas em laboratório.

Conhecidos há mais de 2000 anos, os cogumelos eram muito utilizados desde os vickings em rituais bélicos (Amanita muscaria), pelos índios Algonkin da América do Norte e até no México pelos índios nativos, sendo que o "cogumelo sagrado" ainda hoje é usado pelos pajés (Psilocybe) em cerimônias religiosas.

Os cogumelos utilizados no México têm o nome científico de Psylocybe mexicana e dele se extrai uma substância com grande poder alucinatório que e a psilocibina.

As plantas alucinógenas são de utilização restrita, sendo que em nosso meio, o fato mais representativo foi a descoberta feita entre os anos 1849 e 1864, quando o botânico inglês Richard Spruce, viajando em exploração pela Amazônia brasileira, equatoriana e venezuelana, começou o estudo científico sobre a planta Ayahuasca (denominado de daime).

Essa planta era muito utilizada desde o início do séc. XVI pelos nativos da Amazonia em rituais com finalidades religiosas, mágicas, bruxaria e tratamento de doenças. Os cogumelos já tiveram em torno de 6000 espécies identificadas, sendo que menos de 2% apresentam efeitos alucinógenos. No Brasil existem dois gêneros de cogumelos alucinógenos, o Psylocibe cubensis e o Paneoulus sp.

A Amanita muscaria, além dos efeitos alucinógenos produzidos pelas substancias muscimol e ácido ibotênico, podem levar a morte por ação das drogas muscarina, falotoxina e amatoxina. A psilocibina possui um efeito alucinógeno semelhante ao LSD e serotonina. Além destes alucinógenos naturais, mais raros, são disponíveis para consumo os produtos sintéticos, como o LSD, PCP e o Ecstasy.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DOS ALUCINÓGENOS?

Alucinação é a percepção auditiva ou visual de coisas ou objetos, sem que eles façam parte de um cenário real. Desta forma, quando alguém ouve um som imaginário ou diz estar vendo algum objeto que não existe, essa pessoa está tendo uma alucinação, auditiva ou visual. As drogas que produzem estas manifestações são menos comuns e mais caras que a cocaína e maconha.

Os alucinógenos mais utilizados são os sintéticos LSD-25 (dietilamida do ácido lisérgico), o PCP e a Ecstasy, elaborada com (ecstasy ou êxtase) com seu produto básico que é a metilenodioximetanfetamina (MDMA).

Entre as plantas, as mais utilizadas no Brasil são as que fazem parte do no ritual do Santo Daime, ou culto da União Vegetal, que são a Chacrona e o Caapi, de cujas folhas se extrai um alcalóide, a harmina e também o DMT (dimetiltriptamina).

O QUE É O ECSTASY?

O princípio ativo do ecstasy é o mesmo do LSD, a Metilenodioxidometaanfetamina (MDMA). Sua forma de consumo é por via oral, através da ingestão na forma de um comprimido. Os usuários normalmente consomem o ecstasy em ambientes festivos, com bebidas alcoólicas, o que intensifica ainda mais os seus efeitos e agrava os riscos de complicações.

Os principais efeitos do ecstasy são uma euforia e um bem-estar intensos, que chegam a durar 10 horas, prorrogando por muito, a capacidade de um individuo participar de um evento festivo sem descanso.

A droga age no cérebro aumentando a concentração de duas substâncias: a dopamina, que alivia as dores, e a serotonina, que está ligada a sensações amorosas.

Por isso, a pessoa sob efeito de ecstasy fica muito sociável, com uma vontade incontrolável de conversar e até de ter contato físico com as pessoas. O ecstasy tem a capacidade de provocar também alucinações visuais em pessoas suscetíveis.

Os efeitos danosos causados pela droga ao usuário são muitos, como ressecamento da boca, náuseas, vômitos, coceiras, reações musculares como câimbras, contrações oculares, espasmo do maxilar, fadiga, depressão após cessar o efeito da droga, dor de cabeça, visão turva, manchas roxas na pele, movimentos descoordenados dos membros, perda do apetite ou apetite exagerado, seguido de vômitos e insônia prolongada.e corpórea que ele provoca no usuário.

A droga causa freqüentes crises de elevação da pressão sangüínea, que pode provocar febres de até 42 graus. A febre alta pode ainda levar a uma intensa perda de líquidos, com conseqüente desidratação que pode causar a morte do usuário do ecstasy. Associado ao uso abusivo de bebidas alcoólicas, o ecstasy pode provocar choque cardiovascular e ate levar a parada cardiorrespiratória.

O QUE É O LSD?

A Dietilamida do Acido Lisérgico (LSD) e um alucinógeno obtido de forma sintética, com estrutura química semelhante a serotonina, similar aos alcalóides do ergot, que são obtidos através dos fungos Claviceps purpúrea, que são encontrados nos grãos de trigo.

O LSD foi sintetizado pela primeira vez em 1938, quando se constatou que seus efeitos são similares aos vistos na Esquizofrenia, onde ocorre um aumento dos efeitos da dopamina natural. Isto levou a concluir que a ação do LSD esteja envolvida com a ação da dopamina Isto permitiu concluir também, que a Esquizofrenia poderia se uma doença com bases químicas.

A partir da década de 60, o LSD passou a ser utilizado como droga, nos períodos áureos da influencia da cultura hippie e do professor de Harvard, Timothy Leary.

O LSD se caracteriza pela sua rápida absorção intestinal, com grandes efeitos em baixíssimas doses, que duram vários dias e indução ao vicio rapidamente. Os efeitos sensíveis do LSD, inicialmente são a taquicardia, aumento da temperatura e dilatação das pupilas (efeito simpático); na seqüência, passa a apresentar distorções da percepção sensorial e alucinações visuais e auditivas, com perda da sensibilidade dolorosa. Alguns usuários podem persistir com os efeitos alucinatórios por muito tempo, simulando um quadro esquizofrênico.

O QUE É O PCP?

O PCP (fenciclidina), também conhecida como pó de anjo, porco ou pílula da paz, foi sintetizado na década de 60, usado como um anestésico veterinário, não encontrada no Brasil.

Como propriedade fundamental e capaz de produzir uma anestesia dissociativa sem depressão do sistema nervoso central. Durante o uso pode produzir alucinações, delírio, rigidez muscular e convulsões. Como droga, pode ser ingerido pela boca, injetado, aspirado ou inalado ou ainda misturado ao fumo ou maconha (super grama ou barco do amor). O efeito e muito similar ao álcool; doses elevadas produzem convulsões, coma e morte.

Como alucinação, produz a sensação de que o individuo sai do próprio corpo, com alucinações visuais e auditivas. Pode provocar reações de violência como sinal de intoxicação. Sua ação e desempenhada sobre receptores específicos (sigma e NMDA).

COMO SE MANIFESTAM AS INTOXICACOES POR ALUCINOGENOS?

As manifestações comuns de intoxicação com Alucinógenos geralmente apresentam alguma das seguintes condições:

Presença de histórico de uso habitual ou recente de um alucinógeno

Evidencia de alterações de comportamento ou psicológicas mal-adaptativas e clinicamente importantes como, por exemplo, manifestações de medo de perder o juízo, ansiedade extrema ou depressão profunda, idéias de referência, ideação paranóide, julgamento prejudicado ou funcionamento social e laborativo incapacitado, os quais desenvolveram-se durante ou logo após o uso de produtos alucinógenos

Modificações das percepções ocorrendo em um estado de plena vigília e alerta, como por ex., alucinações, delírios, ilusões, intensificação subjetiva de percepções sensoriais, despersonalização, desrealização, sinestesias, que tenham se apresentado durante a utilização ou logo após o uso de produtos alucinógenos

Presença de dois ou mais dos seguintes sinais/sintomas, que se se manifestaram durante ou logo após o uso de alucinógenos: sudorese profusa, dilatação das pupilas, taquicardia, visão turva, palpitações, tremores de extremidades, falta de concentração intelectual, reações de agressividade descabida, convulsões.

TRATAMENTO

Inexiste disponível nenhum medicamento específico para a dependência de uso dos alucinógenos. O principio básico do tratamento e a abstenção total do uso, com apoio profissional, educativo e social. O tratamento da intoxicação segue os padrões aplicados em cada condição de complicação das drogas, seja ou não em emergência, conforme a sintomatologia e gravidade do caso.

Fonte: www.rafe.com.br

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