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Reposição Hormonal Masculina

 

Reposição hormonal no homem. É necessário?

É bastante conhecido que a medida que o homem envelhece ocorrem várias alterações em sua homeostase hormonal. A produção de testosterona total e livre diminuem, sendo que 20% dos homens saudáveis entre 60 e 80 anos apresentam testosterona total abaixo do normal; além disto em todos os homens ocorre aumento da globulina de transporte dos andrógenos (SHBG) e consequentemente diminuição significativa da dehidroepiandrosterona (DHEA) e de sua forma sulfato (DHEAS). Ainda no homem mais velho existe perda do ritmo circadiano da produção de testosterona, a resposta testicular ao estímulo da gonadotrofina coriônica está diminuída, assim como a amplitude dos pulsos de LH; a secreção do hormônio do crescimento diminui 14% por década após a puberdade e finalmente ocorre redução da produção de melatonina.

Muitos autores chamam esta fase da vida do homem de andropausa, androclise, deficiência androgênica do envelhecimento masculino ou deficiência endócrina do envelhecimento masculino e comparam-na à menopausa. Nesta, as repercussões clínicas são muito evidentes na mulher; ocorre a interrupção das menstruações, diminuição significativa da produção de estrógeno; infertilidade e pode surgir osteoporose, atrofia genital, etc.

Quando por alguma razão existe parada da função testicular (por exemplo:orquiectomia evidentes (Manifestações clínicas do hipogonadismo pós-puberal): diminuição da bilateral) aparecem algumas manifestações clínicas libido, disfunção erétil; infertilidade, irritabilidade, dificuldade de concentração, depressão, perda da massa e força muscular, osteoporose, perda dos pelos axilares e pubianos, diminuição do volume e consistência testicular (quando a causa não é a remoção cirúrgica dos testículos), ginecomastia e instabilidade vasomotora. Entretanto a andropausa não se caracteriza como uma entidade clínica marcante. A grande maioria dos homens, embora tenham níveis de testosterona menores do que na juventude, continuam com esta produção dentro da faixa da normalidade.

A andropausa teria início lento e insidioso onde ocorreria diminuição da libido e qualidade das ereções, principalmente noturnas; alterações de humor com diminuição concomitante da atividade intelectual, orientação espacial, fadiga, depressão e raiva, além de diminuição da massa corpórea com decréscimo associado da massa e força muscular, diminuição da densidade mineral óssea resultando em osteoporose, perda de pelos e alterações de pele e aumento da gordura visceral.

Porém alguns dados falam contra a existência de um declínio hormonal significativo como o que ocorre na mulher e que esta situação hormonal seria responsável exclusiva pelos sintomas descritos. Outros possíveis fatores causais são comuns no homem mais velho e poderiam ser considerados como fatores etiológicos para estes sinais e sintomas, entre êles o stress, depressão, doenças, má nutrição, obesidade, medicamentos, drogas, falta de parceria sexual, etc. Além disto a grande maioria dos homens idosos continuam férteis, o que fala contra um desequilíbrio hormonal (cerca de 90% dos homens com mais de 50 anos tem espermatogênese preservada à biópsia testicular).

Não apenas o envelhecimento poderia explicar um nível de testosterona mais baixo. Steroids 1992,57:86-9 encontraram que o nível de testosterona dos residentes, durante período de plantões seguidos, era significativamente mais baixo que o do resto dos funcionários do hospital no mesmo período. Os autores concluiram que o stress era o fator causal desta alteração. Por outro lado Steiger A et al, em trabalho publicado no J Psychiatr Res 1991, 25:169-77 mostraram que o nível de testosterona total de homens com depressão enddógena era baixo antes do tratamento para depressão, normalizando-se após o mesmo.

Depressão e ansiedade são condições bastante comuns na velhice e podem explicar algumas das situações atribuídas à andropausa.

Por outro lado não fica claro se a reposição de testosterona ou outros hormônios corrige os sintomas realcionadas à possível deficiência hormonal do envelhecimento. Existem poucos estudos controlados a este respeito, a maioria são estudos de curta duração, com populações reduzidas e sem uniformidade.

Desta maneira quando deve ser feita reposição hormonal?

A dra Lisa Tenover “andropause” publicado no Endo Metabol Clin N Am, 27:969-983, 1998 sugere os seguintes padrões: quando a testosterona total estiver padrão abaixo da da faixa normal para o adulto jovem, ou entre 7 a 12,2 mM/L (200 a 350 ng/dL) associado a quadro clínico. Testosterona total abaixo de 7mM/L equivale a Brasileiro sobre Disfunção Erétil realizado pela Sociedade Brasileira de Urologia em 1998 considerou no trabalho “Male hormone replacement therapy including 1 a 2 desviões-hipogonadismo e a reposição é obrigatória.

O Consenso que a reposição de testosterona é formal nos casos de hipogonadismo, micro-genital endocrinológica. É recomendada quando há diminuição de libido com testosterona total e/ou livre abaixo do normal (e prolactina normal) e é controversa (aguardam-se estudos controlados para confirmação) quando existe disfunção erétil e testosterona total e/ou livre nos limites inferiores da normalidade e nos casos de osteoporose.

Não existem trabalhos, cientificamente bem elaborados, que mostrem benefícios na reposição do DHEA, DHEAS e melatonina no homem mais velho.

A administração de hormônio de crescimento está associado a incidência maior de diabetes mellitus e neoplasias.

Desta maneira a reposição hormonal deve ser avaliada caso a acso e só está indicada quando os benefícios sejam evidentes e ultrapassem os riscos.

Sidney Glina

Fonte: www.instituto-h-ellis.com.br

Reposição Hormonal Masculina

Fatores psicofisiológicos na terapia de reposição hormonal em homens

Introdução

O climatério masculino, ou andropausa caracterizada por um hipogonadismo, foi descrito pela primeira vez em 1939, como o declínio da testosterona plasmática em homens acima de 50 anos. A partir dos anos 60, trabalhos científicos confirmaram estas descobertas e identificaram uma redução no fluxo sangüíneo nos testículos, com redução significativa na síntese da testosterona (Seidman et al., 2001).

A validade do termo “andropausa” vem sendo discutida devido à sua aparente equivalência ao fenômeno da menopausa (Novák et al., 2002), relativo à queda nos níveis de hormônios sexuais em mulheres, contudo, na mulher essa condição implica na falência dos ovários e no repentino fim de seu ciclo reprodutivo, enquanto no homem a fertilidade é mantida (Vermeulen, 2000). A fim de evitar falsas relações de equivalência, foi sugerido, no Congresso da Sociedade Austríaca de Andrologia, o uso do termo “insuficiência androgênica parcial do homem”, ou PADAM, do inglês “parcial androgen deficiency of the aging male”, em 1994.

Com o avançar da idade, o homem diminui a produção de vários hormônios, principalmente a dos chamados esteróides sexuais. A redução dos níveis de testosterona é natural após os 40 anos de idade, diminuindo cerca de 1% ao ano (Ballone, 2002) e torna-se mais aparente depois dos 50 anos.

Essa queda hormonal pode ou não levar a um quadro de andropausa. Nos casos em que acontece, não há uma faixa de idade determinada para o início dos sintomas, embora eles apareçam freqüentemente entre os 60 e 70 anos de idade. Uma possível precocidade neste processo pode ser explicada através de fatores como estilo de vida, dieta, tabagismo, drogas, álcool e estresse físico ou psíquico (Gomes, 2002), além de doenças crônicas como diabetes, artrite reumatóide, ateromatose, insuficiência hepática, renal ou pulmonar e o uso de medicamentos como antihipertensivos, neurolépticos, cetoconazol e corticóides (Vermeulen, 2000).

Os sintomas relacionados a esse quadro clínico incluem o aumento da proporção de gordura corporal, alterações no perfil lipídico no sangue, diminuição da massa muscular, tendência à osteoporose, sudorese, diminuição da libido, dificuldade de ereção, dificuldade de concentração, problemas de memória, fadiga, apatia, desencorajamento, ansiedade, depressão, queda de pêlos, irritabilidade, insônia e diminuição da sensação de bem-estar (Heinemann et al., 2003)

Não se sabe exatamente se os sintomas da andropausa são acarretados pela diminuição de testosterona, ou se são decorrentes de outras alterações no complexo mecanismo de controle hormonal do organismo. Mais ainda, não se sabe se são uma adaptação fisiológica ao envelhecimento ou um evento patológico (Vance, 2003).

Mecanismo de controle dos hormônios sexuais

O eixo HPG (hipotalâmico-hipofisário-gonadal) é o responsável pela regulação da produção dos hormônios sexuais, o que irá ocorrer através de interações entre o hipotálamo, a hipófise (pituitária) e as gônadas. O GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) do hipotálamo regula a liberação de LH e FSH pela hipófise anterior e os testículos produzem, através das células de Leydig, e secretam a testosterona comandados por estas gonadotrofinas.

Os hormônios sexuais têm diversos efeitos no corpo e também retro-alimental o sistema por atuarem ao nível da hipófise e do hipotálamo (Novák et al., 2002). O hipogonadismo, além de resultar em baixos níveis de testosterona e a elevados níveis de hormônio luteinizante (LH), pode ser, algumas vezes, resultante de alterações neste eixo (Bulcão et al., 2004, para revisão).

Os testículos são os principais responsáveis pela produção de androgênios, ainda que pequenas quantidades sejam secretadas pelas glândulas supra-renais e em outros locais.

A testosterona é o androgênio mais abundante e responsável pela maioria Os sintomas relacionados a esse quadro clínico incluem o aumento da proporção de gordura corporal, alterações no perfil lipídico no sangue, diminuição da massa muscular, tendência à osteoporose, sudorese, diminuição da libido, dificuldade de ereção, dificuldade de concentração, problemas de memória, fadiga, apatia, desencorajamento, ansiedade, depressão, queda de pêlos, irritabilidade, insônia e diminuição da sensação de bem-estar (Heinemann et al., 2003)

Não se sabe exatamente se os sintomas da andropausa são acarretados pela diminuição de testosterona, ou se são decorrentes de outras alterações no complexo mecanismo de controle hormonal do organismo. Mais ainda, não se sabe se são uma adaptação fisiológica ao envelhecimento ou um evento patológico (Vance, 2003).

Manifestações andropausa

A maior parte da testosterona em circulação é a testosterona ligada a uma globulina, a SHBG (globulina de ligação de hormônio sexual), sem efeitos biológicos muito claros. Outra fração que não está destinada a esta ligação é a testosterona livre ou biodisponível, responsável pelos efeitos conhecidos dos andrógenos (Vance, 2003).

Com o envelhecimento, a testosterona que antes circulava livremente, tende a ligar-se às globulinas, aumentando os níveis de SHBG e conseqüentemente diminuindo os níveis de testosterona livre numa proporção em torno de 50% em relação à dos homens mais jovens (Heinemann et al., 2003).

Além desse declínio nas frações de testosterona, o envelhecimento é associado a mudanças em outros sistemas hormonais, incluindo quedas nos níveis de GH (hormônio do crescimento), IGF-1 (fator de crescimento semelhante a insulina do tipo I), melatonina e DHEA (Novák et al.,2002).

Diagnóstico

O critério de diagnóstico para a andropausa é objeto de debate para os médicos especialistas. Uma Conferência de Consenso em Andropausa, realizada em abril
de 2000 e patrocinada pela Sociedade de Endocrinologia, estabeleceu padrões para a avaliação de possível hipogonadismo em homens adultos. O método utilizado para o diagnóstico inclui a dosagem sérica de testosterona pela manhã, níveis de LH e de prolactina. O quadro de andropausa pode ser considerado se o nível sérico de testosterona estiver abaixo de 150ng/dl e os níveis de LH e prolactina estiverem normais (Vance, 2003).

Vance (2003) ainda sugere que a determinação desse valor para os níveis séricos de testosterona é de alguma forma arbitrária e não pode excluir definitivamente a presença de uma lesão hipofisária; neste caso, é recomendada a ressonância magnética da hipófise.

Doenças concomitantes, como depressão clínica, transtornos de personalidade, deficiência cognitiva leve, hipotiroidismo e fibromilagia também podem confundir o diagnóstico, assim como doenças crônicas, estresse, ritmo circadiano e o uso de medicações (Tan e Culberson, 2003).

O complexo conjunto de sintomas derivados do hipogonadismo associado as anormalidades laboratoriais pode ser um forte indicativo da necessidade de terapia de reposição de testosterona.

Reposição hormonal

Nicholls (2003) afirma que o fisiologista francês Charles Edouard Brown-Séquard foi a primeira pessoa a relatar, em 1889, os supostos benefícios da reposição hormonal, ao se sentir rejuvenescido após injetar extratos de testículos de cachorro em si mesmo. Outras tentativas, com o mesmo propósito, foram feitas nas primeiras décadas do século XX. Serge Voronoff começou a transplantar testículos de macaco ou “glândulas de macaco”, e Eugen Steinach argumentou que testículos produtores de esperma seriam convertidos em testículos produtores de hormônios sexuais após ser feita vasectomia.

Essas terapias populares foram mais tarde elucidadas e hoje se sabe que seu sucesso foi devido ao que chamamos de efeito placebo. A quantidade de testosterona nos preparados de Brown-Séquard era quatro vezes menor que a dose necessária para a obtenção de efeitos biológicos; as complexidades de transplantes tornam mais que provável que as glândulas implantadas de Voronoff teriam sido rapidamente rejeitadas e pensa-se que a vasectomia nada tem com a produção de hormônios sexuais. Entretanto, apesar destes tratamentos não funcionarem efetivamente, havia uma verdade por trás destas tentativas.

Recentemente, diversas pesquisas sobre o tema têm sido realizadas e os benefícios da reposição hormonal já podem ser sentidos.

A terapia de testosterona é recomendada somente na presença de um ou mais sintomas atribuíveis ao baixo nível hormonal, dosagens de testosterona mostrando níveis baixos e alterações compatíveis de outros hormônios responsáveis pela regulação dos testículos (SBU, 2004). Anteriormente, esta reposição hormonal se dava através do uso de ésteres de testosterona de longa duração que demandavam injeções intramusculares. No entanto, novas formulações permitem que a testosterona seja inserida de forma menos dolorosa e mais fisiológica (Vance, 2003), utilizando-se aplicação transdérmica com gel, cremes ou adesivos cutâneos, além da possibilidade de ingestão de tabletes de testosterona por via oral.

Os resultados do tratamento devem ser percebidos pelo paciente através de uma melhora do bem-estar geral, estado de alerta, vigor e humor, assim como da libido e da atividade sexual, aumento da massa e força musculares, da densidade mineral óssea e da melhora no perfil metabólico do paciente.

Além da terapia de reposição hormonal, é recomendável uma suplementação com vitaminas, sais minerais e oligoelementos para melhorar a atividade mental; de antioxidantes e aminoácidos para ajudar na liberação de neurotransmissores cerebrais melhorando o interesse sexual e o prazer em geral pela vida (Ballone, 2002).

A decisão final em se utilizar o tratamento de reposição ou não vai depender, no final, do balanço entre os benefícios esperados e eventuais efeitos colaterais, como eritrocitose, edema, ginecomastia (Tan e Culberson, 2003), policitemia, supressão da produção de esperma, piora da apnéia do sono, na alta densidade de lipoproteínas e na concentração de colesterol (Vance, 2003).

Antes de se começar qualquer terapia substitutiva, o paciente deve, com cuidado, ser examinado para certificar-se da ausência de contra-indicações, como problemas hepáticos, já que a testosterona sintética é metabolizada pelo fígado e pode causar danos a este órgão; pessoas com fatores de risco para problemas cardíacos podem ter seu quadro agravado; e indivíduos com câncer de próstata podem sofrer com o crescimento do tumor (SBU, 2004).

Ainda é necessário um estudo a longo prazo para que possamos nos tornar confiantes de que a reposição de androgênios é segura em pacientes com andropausa.

Apesar da segurança a longo prazo ainda não ser determinada, em geral, existe confiança de que pelo menos 3 ou 4 anos de terapia seja seguro (Tan e Culberson, 2003). Antes que médicos possam prescrever terapia de reposição de androgênio para uma grande fração da população de homens idosos, seria ideal que um teste de longo prazo, controlado por placebo (Hoffman, 2001), de terapia de testosterona fosse iniciado. Esses testes nos permitiriam aprender mais sobre a história natural da andropausa, e determinar se essa terapia possui efeitos em fatores como densidade óssea, força muscular e qualidade de vida.

Efeitos da testosterona na cognição

Tan e Culberson (2003) mostraram que a testosterona aumenta a comunicação intercelular entre neurônios através de diferentes tipos de receptores para androgênios presentes em células neuronais.

A testosterona pode ter efeitos não genômicos na serotonina, dopamina, acetilcolina, assim como na sinalização por cálcio.

Estudos foram elaborados para verificar se a testosterona possui papel de manutenção no comportamento sob os aspectos de memória. Nicholls (2001), ao tratar destes aspectos, remete-se ao estudo de Robert S. Tan (2001) no qual a perda de memória aparece como terceiro mais freqüente sintoma ligado à andropausa. Há fortes evidências de que estrógenos e andrógenos teriam um papel protetor contra a neurodegeneração (Bulcão et al., 2004, para revisão).

Outros fatores pesquisados foram velocidade motora, flexibilidade cognitiva, e humor. Os resultados sugeriram que a suplementação de testosterona pode modificar a cognição em homens mais velhos, porém é provável que isso ocorra devido à influência da testosterona sobre o estrogênio.

A testosterona e a libido

Foi demonstrado que a perda da libido e a disfunção erétil são dois processos co-dependentes, porém separados. De forma abrangente, libido tende a ser um evento central e depende de funções cerebrais. Em contraste, a disfunção erétil tende a ser um evento local, comumente causada por uma insuficiência vascular, mas pode também resultar de questões psicológicas incluindo estresse, o que lhe confere alguns componentes centrais. Acredita-se que a testosterona pode, em parte, ajudar na disfunção erétil através de seus efeitos vasodilatadores.

O efeito da testosterona na libido pode ser resultado de sua ação em receptores cerebrais assim como em receptores no pênis.

A libido é melhorada na presença de testosterona se comparada a estudos com placebo. Os efeitos na libido são geralmente aceitos, mas os efeitos nas funções eréteis são mínimos. Corroborando isso, Vermeulen (2000) diz que níveis de testosterona estão proporcionalmente relacionados com a freqüência no intercurso sexual, ou seja, homens com maiores quantidades de testosterona desejam relações sexuais mais vezes do que aqueles com níveis menores do mesmo hormônio.

Aspectos psicológicos associados: depressão e ansiedade

Seidman e colaboradores (2001) sugerem que o hipogonadismo não-tratado pode estar associado ao desenvolvimento de depressão. Neste mesmo caminho, Delhez e colaboradores avaliaram se havia um quadro depressivo em homens que apresentavam sintomas de andropausa, segundo a escala de Carroll. Os resultados encontrados apontaram para uma correlação significativa entre a escala Carroll e a testosterona livre, indicando que seu declínio provavelmente estaria associado aos sintomas depressivos, porém, sintomas de depressão menor, já que não refletiam níveis patológicos. No mesmo estudo (Delhez et al., 2003), a ansiedade foi medida pelo Questionário Geral de Saúde através da dimensão de “ansiedade-insônia”.

Os resultados não mostraram diferenças nos níveis de ansiedade entre sujeitos hipo e eugonadais. Sabe-se que este sintoma faz parte do quadro da andropausa, porém não foi ainda possível comprová-lo através de pesquisa em humanos.

Além disso, a qualidade de vida de indivíduos, durante a andropausa, foi medida através do Questionário Mundial de Qualidade de Vida, da Organização Mundial de Saúde. Apesar de não terem sido encontradas relações entre a qualidade de vida e a deficiência de testosterona, parece que a condição normalmente tem um impacto negativo na qualidade de vida. Por tal motivo, foi sugerida a medição deste item especificamente orientada em fatores vasomotores, sexuais e psicossociais (Delhez et al., 2003).

Conclusões

A andropausa ainda é uma condição muito controversa e pouco conhecida.

Diversos estudos procuram por dados contundentes na busca de uma base sólida para a discussão de cada vez mais questões relacionadas. Infelizmente, ainda não se conseguiu tais comprovações apesar de diversas tentativas, porém um caminho já começa a ser traçado.

Como se pôde observar através deste estudo, conseqüências da deficiência de testosterona parecem ser mais salientes ao nível físico que ao nível psicológico, quando testadas cientificamente.

Ao tratar especificamente da terapia de reposição hormonal, ainda se procura o androgênio ideal, específico para órgãos e alvos, e sem efeitos direcionados a outras funções metabólicas ou fisiológicas.

Fica claro que o papel dos níveis de testosterona é primordialmente importante na caracterização do quadro de andropausa, porém os sinais e sintomas de envelhecimento em homens são, sem dúvida, de origem multifatorial.

Ana Carolina M. Mollea

Ivna C. N. Matheusa

Jeane R. Lucenaa

Lianna Nunesa

Lívia S. Oliveiraa

Alfred Sholl-Francob

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Fonte: :www.cienciasecognicao.org

Reposição Hormonal Masculina

A deficiência androgênica (diminuição da produção do hormônio masculino) acomete um percentual, acima dos 40 anos, ainda não bem definido na literatura.

Durante o envelhecimento ocorre uma diminuição lenta e gradual dos níveis de testosterona. A terapia de reposição com a testosterona é usada por muitos autores quando a avaliação laboratorial repetida confirma este quadro clínico.

Para definir essa alteração típica do processo de envelhecimento, vários nomes foram usados na literatura: climatério masculino, menopausa masculina ou andropausa, etc., nomes usados erroneamente, pois se referem a alterações que ocorrem na mulher, cujo ciclo reprodutivo possui um fim determinado com a falência ovariana.

A Sociedade Brasileira de Urologia (2002) preferiu chamar de deficiência androgênica do envelhecimento masculino (DAEM). A taxa de declínio da testosterona varia de 1 a 2 % ao ano, a partir dos 50 anos de idade.

Numerosas alterações anatômicas ocorrem nos testículos com a idade. O tamanho e o peso diminuem, e há também diminuição das células que produzem a testosterona.

As manifestações clínicas incluem:

1) diminuição do desejo sexual e qualidade das ereções, principalmente as ereções noturnas
2)
mudanças no humor com diminuição da atividade intelectual e orientação espacial
3)
fadiga, insônia, depressão e irritabilidade
4)
diminuição da massa muscular e aumento da deposição de gordura visceral na parte superior e central do corpo
5)
diminuição da quantidade de cabelos e pelos no corpo
6)
alterações da pele como diminuição da espessura e hidratação
7)
diminuição da densidade óssea mineral com resultante osteoporose (Morales, 2000; Morley e Perry, 2000).

O diagnóstico de deficiência androgênica parcial do homem idoso deverá ser estabelecido quando a testosterona total dosada entre as 06:00 e 08:00 horas da manhã estiver abaixo de 300 ng/dl em duas a três oportunidades consecutivas, e a concentração de SHBG (proteína que carrega o hormônio sexual para dentro da célula) elevada.

Um dos métodos mais eficazes de reposição hormonal é o uso do Undecanoato de Testosterona intramuscular. Mas, essa reposição só deve ser efetuada se houver comprovação dos sintomas com os níveis baixos de testosterona livre calculada. Não deve ser usada em homens jovens por risco de infertilidade.

Benefícios do tratamento no envelhecimento masculino incluem uma melhora na sensação de bem estar, libido e força muscular; aumento da massa magra e diminuição limitada da massa gorda corpórea; diminuição da depressão do idoso. Não deve ser usada, no câncer de próstata e de mamas.

Fonte: www.sylviamarzano.com.br

Reposição Hormonal Masculina

O “climatério masculino” foi descrito pela primeira vez em 1939, onde se caracterizou, com análises bioquímicas, o declínio da testosterona plasmática em homens acima de 50 anos. A partir dos anos sessenta, inúmeros trabalhos científicos confirmaram estas descobertas e identificaram uma redução da perfusão sanguínea (fluxo) a nível testicular com redução significativa da biosíntese de andrógenos (testosterona).

O homem e a mulher, após os 50 anos e com o avanço da idade, apresentam diferenças marcantes com relação à sexualidade e à fertilidade.

A mulher apresenta uma série de manifestações clínicas envolvendo os aspectos físicos e psíquicos que caracterizam a síndrome da menopausa.

A reposição hormonal masculina e a abordagem da andropausa tem sido um tema polêmico e controverso nos últimos anos. Vários parâmetros têm sido analisados para definir a necessidade de reposição hormonal e os reais benefícios da terapia.

O interesse em realizar a reposição hormonal tem melhorado o entendimento do sistema endócrino e a inteiração fisiológica dos sistemas hormonais do homem.

Todo processo clínico, fisiológico e as abordagens terapêuticas atuais no homem jovem e no homem idoso com alterações da libido, portador de disfunção erétil, alterações da massa óssea e muscular, alterações da memória e funções cognitivas (humor e funções do conhecimento e da percepção) estão revolucionando a pesquisa, a discussão e o entendimento da andropausa.

Os hormônios masculinos são produzidos nos testículos e nas glândulas suprarenais e dependem da integridade do eixo e sistemas hipotálamo- hipófise-gonadal.

A testosterona é o mais importante andrógeno (hormônio masculino) no homem. O homem adulto e saudável produz aproximadamente 7mg de testosterona todos os dias, o que permite manter os níveis plasmáticos com a concentração normal de testosterona entre 300 e 1.000 ng/dL.

Existem variações na produção diária e os níveis mais altos são observados no sangue, no período da manhã e os níveis mais inferiores são observados durante o período noturno.

A produção pode ser alterada por várias condições clínicas adversas, fatores como uso de alguns medicamentos, obesidade, doenças hepáticas, doenças renais e doenças de algumas glândulas, principalmente a tireóide, diabetes, doenças coronarianas, depressão e tabagismo.

Os níveis normais de testosterona facilitam e promovem o crescimento e a virilização do homem, estando associados a mudanças na composição corporal com distribuição de pêlos (aumento da pilificação) na face, tórax e na região púbica e suprapúbica, aumento da massa muscular e funções sexuais. Existem grandes variações individuais na produção hormonal e variações com a idade. Os hormônios masculinos estão circulando no sangue geralmente ligados às proteínas/globulinas.

Estudos epidemiólógicos têm relacionado os andrógenos de maneira crítica com o desenvolvimento do câncer da próstata. Estudo interessante comparando mulheres americanas brancas e negras durante o início da gravidez (66 dias em média) mostraram que as negras apresentavam níveis séricos de testosterona maiores do que as brancas (em média 114 ng/dL versus 77 ng/dL).

De modo semelhante, jovens negros do sexo masculino têm níveis séricos de testosterona maiores do que os jovens de raça branca. As diferenças raciais detectadas entre esses grupos de homens e mulheres americanos em relação ao metabolismo androgênico (testosterona) paralelamente às diferenças raciais detectadas quanto às doenças cardiovasculares, à mortalidade e a maior incidência de câncer da próstata, sugerem, que ao menos uma parte dessas diferenças se devem a duração e à magnitude da estimulação androgênica endógena.

Efeito dos andrógenos no corpo

Próstata

Os andrógenos promovem o desenvolvimento e o crescimento prostático através dos níveis hormonais crescentes durante a puberdade. Os andrógenos estão envolvidos no desenvolvimento dos tumores prostáticos benignos (hipertrofia prostática benigna). Estudos de autópsia têm uma correlação positiva entre o volume prostático e a idade.

A deprivação de andrógenos causa a morte celular em células tumorais na maioria dos tumores da próstata que são derivadas do epitélio glandular e crescem por estimulação dos mesmos (testosterona).

Existem fortes evidências de que os andrógenos estimulam o crescimento de câncer da próstata, pré-existente, mas é fato desconhecido e inconsistente se a concentração dos mesmos no tecido prostático iniciam o desenvolvimento do câncer da próstata.

Os níveis de andrógenos não aumentam o PSA e nem a sua habilidade em demonstrar o volume do tumor. A literatura evidencia o desenvolvimento do câncer da próstata em atletas e pessoas que estão realizando fisiocultura corporal (aumento da massa muscular) após a utilização de esteróides anabolizantes.

Muitos homens com testosterona baixa, PSA normal e toque retal normal, podem ser portadores de câncer oculto e latente da próstata, que poderão se desenvolver com o uso indiscriminado e abusivo de testosterona, sem orientação e controle médico.

Libido, humor e funções do conhecimento e da percepção (fatores cognitivos) 

os níveis de andrógenos podem influenciar no desejo e na fantasia sexual durante o desenvolvimento e a vida adulta.

Estudos demonstram que a testosterona é um forte preditor da função sexual e exerce uma significativa influência na libido. Em homens com deficiências de testosterona demonstradas laboratorialmente, a reposição da mesma tem aumentado a ousadia, o interesse e a melhoria do comportamento e do desempenho sexual. A correlação entre os níveis de testosterona e o comportamento agressivo ou excesso de tranqüilidade permanecem controvertidos com as informações atuais da literatura.

Os pacientes com distúrbios psiquiátricos quando apresentam uma deficiência de andrógenos e os mesmos são administrados (reposição), há uma correlação de melhoria da disposição, performance energética, melhoria da memória, da auto-imagem corporal e do bem estar social.

Desempenho sexual e função erétil – Vários pontos ainda são controversos e pouco entendidos em todo o universo da ação hormonal e o desempenho erétil. Homens castrados ou hipogonádicos apresentam ciclo sexual caracterizado por grandes períodos refratários, desinteresse, queda da libido e impossibilidade de apresentar uma tumescência peniana normal.

Vários estudos demonstram que os andrógenos não são absolutamente essenciais para a demonstração e o desempenho da função erétil. Isto está evidenciado em homens com baixos níveis de testosterona e um bom desempenho da função peniana erétil. Entretanto, homens com baixos níveis demonstráveis de testosterona plasmática podem melhorar a função e o desempenho sexual quando são tratados adequadamente através da terapia de reposição hormonal.

A maioria dos homens normais apresentam TPN (tumenscência peniana noturna) que são representadas por três a cinco ereções no período noturno com duração de 25 a 35 minutos cada uma. Estudos monitorados da TPN têm evidenciado uma melhoria significante da função erétil durante as terapias com a reposição hormonal. A disfunção erétil pode ser de origem psicogênica ou orgânica (vascular, neurológica, hormonal), precisa ser corretamente investigada e tratada.

Estudos e investigações recentes têm demonstrado que a TPN e a estimulação visual erótica, sugerem que são testosterona dependente com a habilidade de iniciar, apresentar rigidez otimizada e maior duração da ereções.

Até a presente data, uma análise crítica da literatura tem sido falha em estabelecer uma clara associação entre os níveis de disfunções eréteis e os níveis plasmáticos dos hormônios (testosterona, dihydrotestosterona e outros andrógenos), embora os homens hipogonádicos, utilizando terapias de reposições hormonais, na grande maioria das análises apresentem uma significante melhoria de suas disfunções eréteis e desempenho sexual.

Reprodução

Os andrógenos estimulam a diferenciação pré natal e o desenvolvimento puberal dos testículos, epidídimo, pênis, vesícula seminal e próstata.

A testosterona é um fator regulador do crescimento e desenvolvimento das células testiculares, interferindo no fluxo sanguíneo e na produção do fluido seminal.

A espermatogênese (produção de espermatozóides), é dependente dos níveis testiculares de testosterona. Entretanto, a terapia com altas doses de testosterona pode inibir os fatores de liberações da gonodotrofina endógena e causar oligospermia (diminuição do número de espermatozóides) e ou azoospermia (ausência de espermatozóides).

Outras ações corporais e efeitos fisiológicos dos hormônios masculinos

Os andrógenos são importantes na regulação da fisiologia e na composição do organismo, influenciando e interagindo com a produção da massa óssea, evitando a osteoporose, fraturas patológicas e deformidades no desenvolvimento.

A reposição hormonal estimula a produção de hemáceas (glóbulos vermelhos do sangue) e a agregação plaquetária, facilitando a formação de coágulos.

Os andrógenos de uma maneira geral exercem sua ação no perfil lipídico das pessoas. Assim, após a puberdade eles provocam o decréscimo do colesterol HDL e aumento no colesterol LDL e triglicérides. Alguns investigadores têm referido que a supressão androgênica (de testosterona) aumenta a concentração de HDL, melhorando o perfil lipídico.

Preparações hormonais e reposições

A testosterona é bem absorvida após a sua administração oral, porém é rapidamente metabolizada (degradada) em sua passagem pelo fígado. Os esteres de testosterona são incorporados sob a forma de depósitos oleosos com prolongada duração de suas ações.

Os tratamentos com os esteres de testosterona devem ser monitorados clinicamente com observância das respostas clínicas e análises dos níveis plasmáticos.

Após injeções das referidas substâncias, os níveis sobem rapidamente por cerca de 24 horas, em seguida declinam gradualmente nas próximas semanas.

As injeções intramusculares apresentam uma longa média vida, com manutenção da concentração dos níveis de disponibilidade e ação farmacocinética por aproximadamente 3 meses.

A reposição abusiva, sem controles e prolongada por via oral pode também provocar danos hepáticos (colestases, hepatites tóxicas e tumores malignos e benignos do fígado).

Além das reposições citadas temos também disponíveis os dispositivos cutâneos, também chamados de patches, que podem ser usados nas superfícies cutâneas e os sistemas de liberação transdérmicos, utilizados na região da pele escrotal, com poucos efeitos colaterais, restauração dos níveis plasmáticos, ação farmacocinética e seus efeitos biológicos quatro horas após a sua aplicação. Uma outra maneira e ainda em fase experimental é a utilização de injeções intramusculares de micro esferas de testosterona que realizam uma liberação lente e gradual do produto.

A utilização da via sublingual e outras formas de testosterona permanecem ainda em fase de pesquisa e análise da efetividade da molécula, as vias de absorção e a vida média de biodisponibilidade do produto.

Todo paciente com suspeitas de alterações hormonais e interessados em administração de reposições deverá ser rigorosamente investigados por clínicos, endocrinologistas e urologistas. Não devem fazê-lo de maneira espontânea pelos balcões das farmácias, pois isto representa grande risco à saúde e o agravamento de patologias importantes.

Os andrógenos ideais para realizarmos uma terapia de reposição devem obedecer as liberações fisiológicas do organismo, reproduzir os perfis farmacocinéticos, reverter os sinais e sintomas apresentados por sua deficiência, serem monitorizados de rotina através de exames laboratoriais, evitar o uso abusivo potencial (principalmente em fisicultores corporais, para o ganho de massa muscular e a utilização anabolizante na prática esportiva). Precisam ser facilmente biodisponíveis, com indicações médicas precisas e respeitando o receituário médico orientado.

A reposição hormonal ideal deve obedecer a uma série de ítens já colocados, que precisam ser analisados, desde a sua fisiologia normal até a real necessidade de reposição.

Pacientes com perda da libido, persistente disfunção erétil, queda no desempenho físico e intelectual deverão se submeter a uma completa análise urológica, pois apenas 1 a 2% da disfunção erétil é atribuída a problemas hormonais. Os homens que apresentarem sinais e sintomas clínicos deverão se submeter a exames e confirmarem a real necessidade da terapia de reposição. Os mesmos apresentam melhoras no aspecto energético, na libido e no desempenho após dias ou semanas do início da terapia.

Os pacientes devem ser monitorizados várias vezes durante o ano, preferencialmente a cada quatro meses e serem alertados quanto a possibilidades de retenção de líquidos, hipertensão arterial, ginecomastia (aumento da glândula mamária) e crescimento da próstata.

Durante a reposição hormonal/terapia androgênica, deverão ser realizados rotineiramente exames de sangue, dosagem do PSA livre e total, perfil lipídico, perfil hormonal, toque retal para análise do tamanho, limites, consistência, sensibilidade e presença ou não de nódulos anormais na próstata que eventualmente precisarão ser biopsiados.

Pacientes com antecedentes familiares de câncer de mama e próstata deverão ser seguidos e monitorizados rigorosamente.

Gilvan Neiva Fonseca

Fonte: www.urocentro.com.br

Reposição Hormonal Masculina

Você já ouviu falar em Andropausa?

Vários sintomas associados ao envelhecimento masculino são causados pela falta de testosterona. O problema conhecido como “andropausa”, pode ser resolvido com reposição hormonal.

A testosterona é o hormônio mais importante do processo de formação e amadurecimento dos órgãos sexuais masculinos. Produzida nos testículos a substância é essencial para conservar a força masculina e a densidade dos ossos, a energia física e mental e os impulsos sexuais.

A “andropausa” pode acontecer depois dos 40 anos ou mesmo antes disso. Caracteriza-se pela perda da libido, cansaço, aumento da gordura abdominal - podendo favorecer a síndrome metabólica – que aumenta o risco de diabete e doenças cardiovasculares, dificuldade para obter e manter ereções, irritabilidade excessiva, depressão, insônia, baixa atividade intelectual, redução da massa e da força muscular, diminuição da quantidade de pêlos corporais e ossos frágeis.

Ela afeta cerca de 25% dos homens entre 50 e 60 anos e 40% dos que tem entre 60 e 80 anos, no entanto, a doença ainda é pouco conhecida.

A “andropausa”, ou “Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino” (DAEM), é bem diferente da menopausa, que ocorre nas mulheres entre 45 e 55 anos. Nelas os ovários deixam de funcionar de uma hora para outra, fazendo com que os níveis de hormônio estrogênio despenquem. Neles a função dos testículos cai gradativamente após os 30 anos, provocando uma redução anual de cerca de 1% de concentração de hormônio testosterona no sangue. Mas o tratamento tanto para as mulheres quanto para os homens consiste na reposição hormonal. Agora existe nas drogarias também em versões injetáveis do “undecanoato” de testosterona, medicamento lançado recentemente no Brasil, que promete estabilizar os níveis do hormônio masculino com apenas uma aplicação a cada dois ou três meses.

Os homens costumam associar os sintomas da “andropausa” ao envelhecimento e convivem com o problema sem conhecê-lo. Apenas 5% de todos os que apresentam o problema estão recebendo tratamento adequado. E muitos só se dão conta de que algo está errado quando sua vida sexual já está comprometida.

O diagnóstico da “andropausa” é simples. O 1º passo é elencar os sintomas e descartar outras doenças que poderiam causá-lo. Em seguida é feito um exame físico capaz de revelar alguns sinais importantes, como a diminuição da massa muscular e a redução da quantidade de pêlos no corpo.

A última providência é o exame laboratorial, que mede a concentração de testosterona no sangue. Se estiver baixa é bom repetir o teste, pois costuma haver uma flutuação da quantidade do hormônio no organismo. Caso o resultado seja o mesmo no segundo exame, a reposição pode ser uma alternativa.

Quando chegar a hora de optar pelo melhor tipo de reposição vários fatores devem ser levados em conta, como o preço do medicamento, a freqüência das aplicações e o efeito colateral.

O “undecanoatao de testoterona injetável” estabiliza os níveis de hormônios no sangue, evitando altos e baixos perigosos para o paciente. Ele libera testosterona de forma mais lenta que os outros produtos injetáveis. No entanto as experiências com esse medicamento ainda são insuficientes.

Segundo médicos, os pacientes apresentam uma melhora significativa quando fazem a terapia de reposição hormonal. O resultado já aparece alguns dias após o tratamento. Por outro lado, é importante ter cautela com a administração de testosterona. Antes de prescrever o hormônio, é preciso ter certeza de que o paciente não tem nenhum trauma na próstata, pois a reposição hormonal pode aumentar o problema, e os riscos. Só depois do exame de toque e da medição de uma proteína conhecida como PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico), que acusa a existência de uma boa parte dos tumores, é que o tratamento é liberado.

E por fim quando a reposição hormonal é indicada é importante monitorar os pacientes cuidadosamente.

Prós e contras de cada método

Vantagens
Desvantagens
Injetável Os medicamentos mais comuns são baratos, cerca de 30 reais por aplicação. E os mais avançados, como o “undecanoato de testosterona” podem durar até três meses Os mais baratos têm dois inconvenientes, os efeitos duram pouco – não mais que um mês _ e a concentração de hormônio flutua muito após a aplicação. Os mais caros saem por mais de 300 reais
Gel Elevam a taxa de testosterona no sangue e não produzem reações na pele. Alguns géis especiais driblam dois efeitos colaterais de outros tipos de reposição: o aumento das mamas e da próstata A aplicação tem que ser feita diariamente nos ombros e no abdômen. E como os produtos são importados o preço é alto, de 200 a 300 reais por mês
Adesivo Assim como os géis, são absorvidos rapidamente, normalizando os níveis de hormônios. E a aplicação não precisa ser diária, pode ser feita 2 a 3 vezes por semana Podem produzir irritação na pele. As versões para aplicação escrotal precisam de áreas depiladas. E o custo do tratamento também fica entre 200 e 300 reais
Implante subcutâneo É a forma mais cômoda do tratamento, pois o efeito de uma aplicação dura até seis meses, sem grandes variações nas taxas de testosterona A incidência de rejeição é alta, cerda de 10% dos pacientes expulsão os implantes ou desenvolvem infecções
Comprimido É fácil de usar- basta ingerir É preciso tomar de dois a três comprimidos por dia para estabilizar os níveis de hormônio. E alguns remédios podem causar complicações no fígado

Milena Nogueira Lessa

Fonte: www.faac.unesp.br

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