A anorexia é uma doença psiquiátrica classificada como um tipo de transtorno alimentar. Sua idade mais comum de início é na adolescência e tem nas mulheres suas principais vítimas. Elas têm de 10 a 20 vezes mais chances de desenvolver esse transtorno do que os homens. Trata-se de uma ocorrência mais comum em países desenvolvidos e em profissões que exigem magreza, como modelos e bailarinas.
Anorexia nervosa é um transtorno caracterizado por perda de peso intencional, induzida e mantida pelo paciente. A doença está associada a uma psicopatologia específica, que compreende um medo exagerado de engordar e de ter uma silhueta arredondada, intrusão persistente de uma idéia supervalorizada. Dessa forma, os pacientes impõem a si mesmos um baixo peso. Nos casos de anorexia, existe comumente desnutrição de grau variável, que se acompanha de modificações endócrinas e metabólicas secundárias e de perturbações das funções fisiológicas.
Comumente, como critério de diagnóstico, o indivíduo tem de pesar menos que 85% do peso considerado normal para sua idade e altura ou, seguindo uma orientação alternativa e algo mais rígida, exige que o indivíduo tenha um índice de massa corporal (IMC) (calculado como peso em quilogramas/[altura em metros]2) igual ou inferior a 17,5 kg/m². A anorexia não apresenta uma causa específica, mas algumas hipóteses ajudam a entendê-la. Estas hipóteses podem ser divididas em três grupos: fatores biológicos, da parte física do organismo; fatores sociais e psicodinâmicos. Provavelmente, boa parte desses fatores atue em conjunto para o desencadeamento da doença.
Alguns fatores biológicos têm sido observados em estudos com pacientes anoréxicos, entre eles: aumento de sulcos e ventrículos cerebrais, “espaços” existentes dentro do cérebro, podendo ser mensurado por meio de exames de imagem cerebral, como a ressonância nuclear magnética (RNM). Há, ainda a sugestão de um componente genético, uma vez que existe uma maior concordância em gêmeos idênticos. Outro sinal biológico é a diminuição de um neurotransmissor chamado noradrenalina, também descrita em pacientes com anorexia.
Entre os fatores sociais, destaca-se o apoio para as suas práticas na ênfase que a sociedade dá à elegância e exercícios; problemas de família, que levam o indivíduo a, com a doença, tentar alterar para si a dinâmica tensa dos seus lares; história familiar de depressão, transtornos alimentares ou dependência de álcool. Já nos fatores psicodinâmicos, a anorexia parece ser uma reação às demandas adolescentes por maior independência e aumento no funcionamento social e sexual. Assim, eles substituem suas preocupações adolescentes normais por preocupações com alimentos e ganho de peso.
O tratamento dessa doença necessita de uma série de exames laboratoriais (função tireoidiana, hemograma, função renal, hepática, glicose e eletrólitos). A duração é variada, bem como o resultado. Da mesma forma que há pacientes que evoluem para a recuperação espontânea, há os que morrem por inanição. O índice de mortalidade por anorexia chega a 18%. Em até 50 % dos casos, os pacientes têm sintomas de bulimia nervosa, que é um outro transtorno alimentar caracterizado por episódios de comer de forma compulsiva, seguidos por medidas compensatórias, como o vômito ou uso de laxantes e diuréticos. O tratamento pode envolver hospitalização, principalmente em estágios mais avançados.
É importante frisar que a maioria dos pacientes não só esconde a doença, como rejeita o tratamento psiquiátrico. Por isso, a família e os amigos têm papel importante para a adesão e conseqüente sucesso do tratamento. Entre as psicoterapias, a terapia psicanalítica parece ser pouco efetiva a curto prazo. Isso porque, como essa doença pode ter uma evolução rápida, podemos não ter tempo para ela. As terapias cognitivo-comportamentais parecem ser mais úteis a curto prazo. A terapia familiar também pode ser útil.
A anorexia nervosa deve ser encarada como uma doença bastante séria e perigosa, que deve ser evitada e combatida amplamente. As populações mais sujeitas devem ser monitoradas periodicamente, como no caso das modelos, para evitar desfechos tristes como temos visto. Mas é sempre importante ressaltar que a anorexia não é uma doença exclusiva de pessoas que usam a silhueta do corpo como parte fundamental de sua profissão, mas também pode ocorrer com qualquer outra pessoa, por isso devemos ficar atentos e, aos primeiros sinais, procurar ajuda especializada.
Fonte: www.unb.br
Anorexia nervosa é um transtorno alimentar no qual a busca implacável por magreza leva a pessoa a recorrer a estratégias para perda de peso, ocasionando importante emagrecimento. As pessoas anoréxicas apresentam um medo intenso de engordar mesmo estando extremamente magras. Em 90% dos casos, acomete mulheres adolescentes e adultas jovens, na faixa de 12 a 20 anos. É uma doença com riscos clínicos, podendo levar à morte por desnutrição.
Perda de peso em um curto espaço de tempo.
Alimentação e preocupação com peso corporal tornam-se obsessões.
Crença de que se está gordo, mesmo estando excessivamente magro.
Parada do ciclo menstrual (amenorréia).
Interesse exagerado por alimentos.
Comer em segredo e mentir a respeito de comida.
Depressão, ansiedade e irritabilidade.
Exercícios físicos em excesso.
Progressivo isolamento da família e amigos.
Desnutrição e desidratação.
Hipotensão (diminuição da pressão arterial).
Anemia.
Redução da massa muscular.
Intolerância ao frio.
Motilidade gástrica diminuída.
Amenorréia (parada do ciclo menstrual).
Osteoporose (rarefação e fraqueza óssea).
Infertilidade em casos crônicos.
Não existe uma causa única para explicar o desenvolvimento da anorexia nervosa. Essa síndrome é considerada multideterminada por uma mescla de fatores biológicos, psicológicos, familiares e culturais. Alguns estudos chamam atenção que a extrema valorização da magreza e o preconceito com a gordura nas sociedades ocidentais estaria fortemente associada à ocorrência desses quadros.
A preocupação com o peso e a forma corporal leva o adolescente a iniciar uma dieta progressivamente mais seletiva, evitando ao máximo alimentos de alto teor calórico. Aparecem outras estratégias para perda de peso como, por exemplo: exercícios físicos excessivos, vômitos, jejum absoluto.
A pessoa segue se sentindo gorda, apesar de estar extremamente magra, acabando por se tornar escrava das calorias e de rituais em relação à comida. Isola-se da família e dos amigos, ficando cada vez mais triste, irritada e ansiosa. Dificilmente, a pessoa admite ter problemas e não aceita ajuda de forma alguma. A família às vezes demora para perceber que algo está errado. Assim, as pessoas com anorexia nervosa podem não receber tratamento médico, até que tenham se tornado perigosamente magras e desnutridas.
O tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar formada por psiquiatra, psicólogo, pediatra, clínico e nutricionista, em função da complexa interação de problemas emocionais e fisiológicos nos transtornos alimentares.
Quando for diagnosticada a anorexia nervosa, o médico deve avaliar se o paciente está em risco iminente de vida, requerendo, portanto, hospitalização.
O objetivo primordial do tratamento é a recuperação do peso corporal através de uma reeducação alimentar com apoio psicológico. Em geral, é necessário alguma forma de psicoterapia para ajudar o paciente a lidar com sua doença e com as questões emocionais subjacentes.
Psicoterapia individual, terapia ou orientação familiar, terapia cognitivo-comportamental (uma psicoterapia que ensina os pacientes a modificarem pensamentos e comportamentos anormais) são, em geral, muito produtivas.
Para o quadro de anorexia nervosa não há medicação específica indicada. O uso de antidepressivos pode ser eficaz se houver persistência de sintomas de depressão após a recuperação do peso corporal.
O tratamento da anorexia nervosa costuma ser demorado e difícil. O paciente deve permanecer em acompanhamento após melhora dos sintomas para prevenir recaídas.
Uma diminuição da pressão cultural e familiar com relação à valorização de aspectos físicos, forma corporal e beleza pode eventualmente reduzir a incidência desses quadros. É fundamental fornecer informações a respeito dos riscos dos regimes rigorosos para obtenção de uma silhueta 'ideal', pois eles têm um papel decisivo no desencadeamento dos transtornos alimentares.
Fonte: ibahia.globo.com