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Botulismo

 

 

O botulismo clássico é uma intoxicação grave, de origem alimentar, caracterizada por comprometimento agudo e bilateral de pares cranianos, fraqueza e paralisia flácida das vias descendentes.

Causa

Ele é causado pelas toxinas do bacilo anaeróbico Clotridium botulinun.

Transmissão

O botulismo clássico (alimentar) é adquirido através da ingestão de alimentos contaminados com a toxina botulínica. Nos produtos alimentícios preparados ou conservados por métodos que não destroem os esporos do Clotridium botulinun, ocorre a formação das toxinas.

Principais sinais e sintomas

Pode estar acompanhado, inicialmente, de diplopia (visão dupla), boca seca, disfagia (dificuldade de deglutição), disfonia (distúrbio da voz) e fraqueza muscular progressiva, que evolui para paralisia respiratória. Tremores e vômitos também podem aparecer. O botulismo do lactente atinge, principalmente, menores de 1 ano, e, ocasionalmente adultos; caracteriza-se por tremores, hipotonia (flacidez muscular), inapetência (falta de apetite), disfagia e pode evoluir para insuficiência e parada respiratórias.

Evolução

Podem ocorrer complicações como pneumonia por aspiração, infecção e paralisia respiratória, levando ao óbito. O botulismo do lactente é responsável por 5% das mortes súbitas nesse grupo.

Tratamento

O paciente deverá ser encaminhado à Unidade de Tratamento Intensivo, para tratar a insuficiência respiratória aguda e receber tratamento suporte às complicações. Quando disponível, poderá ser utilizada a antitoxina botulínica trivalente. Seu uso não é recomendado em crianças.

Prevenção

É importante não consumir alimentos que estejam em latas com tampas estufadas ou com odor rançoso. As pessoas que preparam enlatados e conservas caseiras devem conhecer as técnicas de conservação: tempo, preparo e temperatura adequada para destruição dos esporos do bacilo do botulismo.

Fonte: www.unimed.com.br

Botulismo

O botulismo é uma intoxicação alimentar pouco comum e potencialmente letal causada pelas toxinas produzidas pela bactéria Clostridium botulinum.

Essas toxinas são os venenos mais potentes que se conhece e podem produzir danos graves dos nervos e músculos. Como elas produzem lesões nervosas, são denominadas neurotoxinas.

A classificação médica do botulismo é feita de acordo com a sua origem. O botulismo de origem alimentar é resultante da ingestão de alimentos contaminados.

O decorrente de uma ferida é resultante de uma ferida contaminada. O botulismo do lactente também é decorrente da ingestão de alimentos contaminados e afeta lactentes.

Causas

A bactéria Clostridium botulinum forma esporos. Como as sementes, os esporos podem permanecer em um estado de latência durante muitos anos e são muito resistentes à destruição.

Em condições ideais (presença de umidade e de nutrientes e ausência de oxigênio), os esporos começam a crescer e produzem uma toxina. Algumas toxinas produzidas pelo Clostridium botulinum são proteínas altamente tóxicas que resistem à destruição por parte das enzimas protetoras do intestino.Quando o alimento contaminado é consumido, a toxina penetra no organismo pelo sistema digestivo, causando o botulismo alimentar.

As conservas caseiras são a fonte mais freqüente do botulismo, embora alimentos comerciais tenham sido responsáveis em cerca de 10% dos surtos.

Os vegetais, os peixes, as frutas e os condimentos são as fontes alimentares mais comuns. A carne bovina, os laticínios, a carne suína e de aves e outros alimentos também foram responsabilizados por casos de botulismo.O botulismo devido a uma ferida ocorre quando esta é contaminada pelo Clostridium botulinum. No interior da lesão, as bactérias produzem uma toxina que é então absorvida para o interior da corrente sangüínea e produz os sintomas.

O botulismo do lactente ocorre mais freqüentemente em lactentes com dois a três meses. Ao contrário do botulismo alimentar, ele não é causado pela ingestão da toxina préformada, mas é resultante da ingestão de alimentos que contêm esporos, que desenvolvemse no intestino do lactente produzindo toxinas.

A causa da maioria dos casos é desconhecida, mas alguns deles foram relacionados ao consumo de mel. O Clostridium botulinum é comum no meio ambiente e muitos casos podem ser decorrentes da ingestão de pequenas quantidades de poeira ou de terra.

Sintomas

Os sintomas manifestamse subitamente, comumente 18 a 36 horas após a entrada da toxina no organismo, embora eles possam manifestarse 4 a 8 horas após a entrada da toxina.

Quanto maior for a quantidade de toxina que entra no organismo, mais precoce será a manifestação da doença. Geralmente, os indivíduos que adoecem nas 24 horas que sucedem a ingestão do alimento contaminado apresentam um quadro mais grave. Os primeiros sintomas comumente incluem a boca seca, a visão dupla, a ptose palpebral e a incapacidade de focar objetos próximos.

As pupilas não contraem normalmente quando expostas à luz durante o exame oftalmológico, inclusive podendo não contrair em absoluto. Em alguns indivíduos, os primeiros sintomas são a náusea, o vômito, as cólicas estomacais e a diarréia. Outros indivíduos não apresentam esses sintomas gastrointestinais, principalmente aqueles que apresentam o botulismo devido a uma ferida.O indivíduo afetado apresenta dificuldade de fala e de deglutição.

A dificuldade de deglutição pode levar à aspiração de alimentos e à pneumonia aspirativa. Os músculos dos membros superiores e inferiores e os respiratórios apresentam uma fraqueza progressiva à medida que os sintomas avançam gradualmente, de cima para baixo.

A incapacidade dos nervos para funcionar adequadamente afeta a força muscular, apesar da sensibilidade ser preservada. Apesar da gravidade dessa doença, o estado mental geralmente permanece inalterado. Em aproximadamente dois terços dos casos de botulismo do lactente, a constipação é o sintoma inicial.

Em seguida, ocorre a paralisia dos nervos e músculos, começando na face e na cabeça e atingindo finalmente os membros superiores, os membros inferiores e os músculos respiratórios. Os nervos de um dos lados do corpo podem ser mais lesados que os do outro lado. Os problemas variam de uma letargia discreta e um tempo prolongado para se alimentar até a perda acentuada do tônus muscular e a incapacidade de respirar adequadamente.

Diagnóstico

No botulismo alimentar, o padrão característico do comprometimento nervoso e muscular pode levar o médico a estabelecer o diagnóstico. No entanto, os sintomas são freqüente e equivocadamente considerados como devidos a causas mais comuns de paralisia como, por exemplo, um acidente vascular cerebral.

Uma provável origem alimentar provê uma pista adicional. Quando o botulismo ocorre em duas ou mais pessoas que consumiram o mesmo alimento preparado no mesmo lugar, o diagnóstico tornase mais fácil, mas ele somente é confirmado através da detecção da toxina no sangue ou da cultura de fezes positiva para a bactéria.

A toxina também pode ser identificada no alimento suspeito. A eletromiografia (um exame que analisa a atividade elétrica dos músculos) revela contrações musculares anormais após a estimulação elétrica em quase todos os casos de botulismo.

O diagnóstico de botulismo devido a uma ferida é confirmado quando a toxina é encontrada no sangue ou quando uma cultura de amostra de tecido da ferida é positiva para a bactéria. A identificação da bactéria ou de sua toxina em uma amostra das fezes do lactente confirma o diagnóstico do botulismo do lactente.

Prevenção e Tratamento

Os esporos são altamente resistentes ao calor e podem sobreviver à cocção por várias horas. Contudo, as toxinas são destruídas imediatamente pelo calor e, conseqüentemente, o cozimento do alimento a 80 °C durante 30 minutos previne o botulismo alimentar.

O cozimento dos alimentos imediatamente antes de seu consumo quase sempre previne a ocorrência de botulismo alimentar, mas os alimentos cozidos de modo inadequado podem causálo quando guardados após a cocção. As bactérias podem produzir algumas toxinas em temperaturas baixas de até mesmo 3°C, a temperatura usual de um refrigerador.

É essencial que o acondicionamento de alimentos (caseiros ou comerciais) seja adequado, assim como o aquecimento dos alimentos enlatados utilizados em casa antes de serem servidos.

Os alimentos enlatados que apresentam qualquer evidência de deterioração podem ser letais e devem ser descartados. Além disso, as latas inchadas ou com vazamentos devem ser imediatamente descartadas. O mel não deve ser dado a crianças com menos de 1 ano, pois ele pode conter esporos.

Mesmo quantidades mínimas de uma toxina que penetra no organismo por meio da ingestão, da inalação ou da absorção pelo olho ou de uma solução de continuidade cutânea podem causar uma doença grave.

Por essa razão, todo alimento que possa estar contaminado deve ser descartado imediatamente e com cuidado. O indivíduo deve evitar o contato com a pele e as mãos devem ser lavadas imediatamente após a manipulação do alimento.

Um indivíduo com suspeita de botulismo deve procurar um hospital imediatamente. Freqüentemente, o tratamento é iniciado antes dos resultados de exames estarem disponíveis.

De qualquer modo, eles devem ser solicitados para confirmação do diagnóstico. Para livrar o organismo de qualquer toxina não absorvida, o médi co pode induzir o vômito, realizar uma lavagem gástrica e pode administrar um laxante para acelerar a passagem do conteúdo intestinal.

O maior perigo do botulismo é o comprometimento respiratório. Os sinais vitais (pulso, freqüência respiratória, pressão arterial e temperatura) são controlados regularmente.

Caso ocorram problemas respiratórios, o indivíduo deverá ser transferido para uma unidade de terapia intensiva e pode ser mantido temporariamente sob ventilação mecânica. A terapia intensiva reduziu a taxa de mortalidade por botulismo de aproximadamente 70% no início deste século para menos de 10% atualmente.

A alimentação parenteral (por via venosa) também pode ser necessária. A antitoxina botulínica não reverte o dano causado, mas pode retardar ou inclusive interromper a deterioração física e mental, o que permite que o corpo vá se recuperando espontaneamente ao longo dos meses.

Assim que o diagnóstico for estabelecido, a antitoxina botulínica é administrada o mais rapidamente possível, pois a probabilidade de êxito é maior quando ela é administrada nas primeiras 72 horas após o início dos sintomas. Atualmente, a antitoxina botulínica não é recomendada no tratamento do botulismo do lactente, mas a sua eficácia para esse tipo de botulismo vem sendo estudada.

Fonte: mmspf.msdonline.com.br

Botulismo

O botulismo é uma forma de intoxicação aguda que resulta da ingestão de uma toxina produzida pelo Clostridium botulinum. A doença caracteriza-se por paralisia muscular descendente progressiva e pode ser fatal.

A doença foi identificada pela primeira vez há mais de 200 anos, por médicos alemães. Era raro nos E.U.A. antes da Primeira Guerra Mundial.

O crescimento subseqüente dos enlatados comerciais neste período levou a um grande aumento dos casos.

O conhecimento do habitar do Clostridium botulinum, dos alimentos mais freqüentemente incriminados e das condições necessárias para a destruição dos esporos do micro organismo, levou a eventual eliminação do botulismo nas industrias comerciais de enlatados, sendo que a maioria dos casos de botulismo clínico, segue-se atualmente ao cosumo de alimentos caseiros em conserva, preservados de maneira inadequada.

No entanto, a necessidade de observação constante é enfatizada por surtos periódicos de botulismo causados por alimentos processados comercialmente.

O - Clostridium botulinum - elabora uma potente toxina durante o seu crescimento e sua destruição. São amplamente distribuídos no solo por todo o mundo. As toxinas tem efeito sobre a transmissão neuromuscular. São destruídos por fervura durante 10 minutos ou à temperatura de 80º graus durante 30 minutos.

O botulismo pode variar desde uma doença leve, até uma doença fulminante que culina com a morte em até 24 horas. Geralmente os sintomas se iniciam dentro de 12 à 36 horas após a ingestão da toxina. Quanto mais precoce os sintomas, mais grave será a doença.

Os sintomas mais comuns são:

Visão dupla
Visão turva
Dificuldade de fala e para engolir
Diminuição da salivação
Paralisia simétrica das extremidades
Debilidade dos músculos respiratórios
Náuseas
Vômitos
Distúrbios da marcha.

Quando há suspeita de botulismo, as autoridades de saúde pública devem ser comunicadas para auxiliarem nos estudos especiais necessários para a confirmação do diagnostico.

Devem ser obtidas amostras de fezes, sangue e conteúdo gástrico, bem como dos alimentos suspeitos e seus recipientes.

O tratamento é hospitalar e com soro adequado, sendo a insuficiência respiratórias a ameaça principal.

A taxa de mortalidade é de 10%.

Ao comprar seus alimentos, não fique atento só aos preços.

Preste muita atenção

As latas enferrujadas e estufadas devem ser descartadas. Conservas e enlatados devem ter procedência conhecida, data de fabricação e de validade afixadas à embalagem.

Consumidor chato costuma ter a vida mais saudável (e mais longa).

Robinson Botelho de Faria

Fonte: www.rampadeacesso.com

Botulismo

Botulismo de origem alimentar

É causado pela ingestão de alimentos contaminados com neurotoxina pré-formada da bactéria C. botulinum.

Produtos alimentares conservados de forma caseira que contêm peixe, vegetais ou batatas, são os mais susceptíveis de estarem envolvidos em surtos de botulismo.

Alimentos com pH ácido raramente são afectados.

Apesar dos esporos de C. botulinum serem termo-resistentes, a toxina é lábil a altas temperaturas, assim, durante a preparação de alimentos a toxina é eliminada, devido ao aquecimento intenso usado para garantir que todo o alimento fica cozinhado completamente.

É o tipo de botulismo mais frequente.

Está associado com alimentos enlatados e conservas, especialmente as caseiras, visto que não são aplicadas medidas padronizadas de eliminação de patogénicos.

Casos mais frequentes de contaminação

Comida preparada de uma forma caseira (fresca ou conservada) – normalmente associada a uma pasteurização inadequada.
Vegetais – muitas vezes associados a envenenamento.
Enlatados: leguminosas, vegetais.
Peixe, ou ovas, provenientes do mar, ou peixe tradicionalmente curado ou fermentado.
Presunto.
Molhos caseiros.

Botulismo a partir de feridas

A causa deste tipo de botulismo envolve perfusão da pele, por várias formas: feridas provenientes de punções, fracturas expostas, lacerações, em abecessos devido a drogas de abuso e incisões cirúrgicas.

Botulismo infantil

É resultado da colonização do tracto intestinal após ingestão de esporos de C. botulinum, uma vez que o tracto intestinal de uma criança com menos de 1 ano não contém ainda uma flora microbiana normalizada, assim como ácidos biliares inibidores do crescimento de C. botulinum, que é evidente num indivíduo adulto.

Neste tipo de botulismo as neurotoxinas mais frequentes são a A e a B.

Ocorre, geralmente, em crianças com menos de 1 ano e está associado à ingestão de mel, devido à prevalência de esporos.

Botulismo infeccioso no adulto

Fatores associados a este tipo de botulismo são a cirurgia ao intestino, doença de Crohn ou exposição a alimentos contaminados, mas sem causar doença, (geralmente não é possível identificar o alimento contaminante responsável, visto que o indivíduo só desenvolve a doença, em média, após 47 dias).

Botulismo de classificação indeterminada

Forma de botulismo mais recente e que se prende com as consequências do uso direto da toxina botulínica, no tratamento de várias paralisias ou desordens da contractura muscular por flacidez.

Por exemplo, o uso de toxina botulínica tipo A para o tratamento de torcicolo, pode causar disfagia devido à penetração da toxina em músculos da faringe, localizados muito próximo do local de administração da injecção.

A penetração da toxina em músculos mais distantes ou a fraqueza muscular devido à distribuição sistémica da toxina são raras.

Fonte: www.ff.up.pt

Botulismo

O que é Clostridium botulinum?

Clostridium botulinum é o microrganismo causador do botulismo. C. botulinum é uma bactéria com formato de bastão, Gram-positivo, produtora de esporos, encontrada no solo e que se multiplica na ausência de oxigênio.

A bactéria forma esporos, responsáveis por sua sobrevivência em estado de dormência. A bactéria pode produzir sete tipos diferentes de toxina botulínica, designados pelas letras A até G. Somente os tipos A, B, E e F causam doença no homem. Os outros tipos causam botulismo em animais.

O que é botulismo?

O botulismo é uma doença grave, causada por uma toxina neurológica produzida por Clostridium botulinum.

Há três tipos:

Botulismo alimentar

Botulismo de feridas

Botulismo infantil.

O botulismo alimentar é causado pela ingestão de alimentos contendo a toxina botulínica. O botulismo de feridas é causado pela toxina produzida em uma ferida infectada com Clostridium botulinum. O botulismo infantil é causado pelo consumo de esporos de Clostridium botulinum, que germinam no intestino e produzem a toxina.

Todas as formas de botulismo podem ser fatais. O botulismo é uma doença neuroparalítica, caracterizada por paralisia simétrica descendente dos nervos motores e autônomos, normalmente começando com os nervos cranianos. A doença pode evoluir e causar paralisia descendente da musculatura respiratória, braços e pernas. A antitoxina botulínica, quando administrada precocemente em casos de botulismo grave, pode prevenir o progresso da doença e reduzir os sintomas.

Como o botulismo é transmitido?

Os alimentos mais frequentemente envolvidos em casos de botulismo são as conservas caseiras, preparadas de maneira inadequada. O botulismo de feridas ocorre quando os esporos de C. botulinum germinam no interior de feridas. O botulismo de colonização intestinal ocorre quando os esporos de C. botulinum germinam e produzem toxina no trato gastrointestinal.

Quais os sintomas do botulismo?

Os sintomas são visão dupla e/ou embaçada, pálpebras caídas, fala difícil, dificuldade de deglutição, boca seca e fraqueza muscular. Crianças com botulismo ficam letárgicas, alimentam-se mal, tem intestino preso e choro fraco, e os músculos ficam relaxados.

Esses sintomas são decorrentes da ação da toxina botulínica que causa paralisia muscular. Se não houver tratamento, os sintomas podem se agravar, resultando em paralisia dos braços, pernas, tórax e músculos respiratórios. No botulismo alimentar, os sintomas aparecem entre 18 e 36 horas após a ingestão do alimento contaminado, mas podem aparecer em apenas 6h ou após 10 dias.

Como o botulismo é diagnosticado?

O diagnóstico médico deve ser baseado na história do paciente e no exame médico. Entretanto, essas pistas normalmente não são suficientes para o diagnóstico adequado. Outras doenças, como síndrome de Guillain-Barré, derrame, e miastenia grave podem ser semelhantes ao botulismo.

Testes especiais, como tomografia cerebral, exame de liquor ou eletromiografia podem ser necessários para o diagnóstico correto. A maneira mais direta de confirmar o diagnóstico é demonstrar a presença da toxina botulínica no soro ou nas fezes do paciente, através da injeção do soro ou das fezes em camundongos e observação do desenvolvimento de sintomas nesses animais. A bactéria pode ser também isolada das fezes das pessoas com botulismo alimentar ou infantil.

Como o botulismo é tratado?

Não se empregam antibióticos para o tratamento do botulismo. Nos diagnósticos precoces, o botulismo alimentar pode ser tratado com uma antitoxina que bloqueia a ação da toxina circulante no sangue.

Essa medida previne uma piora do paciente, mas a recuperação completa leva várias semanas. Os médicos podem tentar remover o alimento contaminado do intestino do paciente através da indução do vômito e de enemas. Os problemas respiratórios que ocorrem em casos graves de botulismo podem exigir que o paciente seja submetido à respiração artificial por várias semanas. A antitoxina botulínica não é empregada para tratar o botulismo infantil.

O botulismo tem complicações?

Sim, o botulismo pode causar a morte por parada respiratória. Um paciente com botulismo grave pode necessitar de respirador artificial e cuidados médicos intensivos durante vários meses. Pacientes que sobrevivem a um episódio de botulismo podem apresentar fadiga e problemas respiratórios por vários anos.

Como o botulismo é prevenido?

O botulismo pode ser prevenido. O botulismo alimentar é causado por consumo de conservas caseiras com baixa acidez, como palmito, aspargo, vagem, beterraba, milho e outros. Entretanto, há casos de botulismo causados por alimentos menos comuns, como alho em óleo, pimenta, tomates, batatas assadas embaladas em papel alumínio, e conservas de peixe.

Pessoas que preparam conservas caseiras devem adotar procedimentos higiênicos rigorosos para prevenir a contaminação dos alimentos. Óleos contendo alho ou ervas devem ser refrigerados. Batatas assadas em embalagem de alumínio devem ser mantidas aquecidas até o consumo ou então refrigeradas.

Como a toxina é inativada pela alta temperatura, as pessoas que consomem conservas caseiras devem fervê-las por 10 minutos antes do consumo. O mel pode causar botulismo infantil porque pode conter esporos de Clostridium botulinum. O botulismo de feridas pode ser evitado através de atendimento médico imediato.

Fonte: www.sfdk.com.br

Botulismo

Uma forma de intoxicação alimentar que pode matar se não tratada a tempo

O QUE É

Forma de intoxicação alimentar, causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, presente no solo e em alimentos contaminados e mal conservados. A intoxicação se caracteriza por um comprometimento severo do sistema nervoso e, se não tratada a tempo, mata.

ALIMENTOS DE RISCO

Os enlatados ou embalados a vácuo são os mais vulneráveis ao Clostridium botulinum, pois a bactéria só se desenvolve em ambientes sem oxigênio.

Botulismo

A INTOXICAÇÃO

1) O alimento é contaminado ainda no solo, por esporos ultra-resistentes. Quando em conserva, o microrganismo se modifica e começa a produzir a toxina. Latas inchadas, que parecem cheias de ar, podem indicar a presença da bactéria.

2) Quando o alimento é ingerido, a toxina é absorvida pelo aparelho digestivo e entra na corrente sangüínea.

Botulismo

3 ) A toxina atinge o sistema nervoso, interferindo na sinapse (comunicação) entre as células nervosas. Sem esta comunicação vital, as funções do organismo começam a ficar debillitadas.

Botulismo

4) Como o sistema nervoso deixa de "avisar" a necessidade de contração muscular , a paralisia dos músculos é freqüente entre os que estão sob efeito da toxina.

Botulismo

SINTOMAS

Os sintomas da intoxicação pela toxina botulínica normalmente aparecem entre doze e trinta horas depois da ingestão do alimento contaminado.

Alguns deles:

Aversão à luz
Visão dupla com dilatação da pupila
Disfonia, dificuldade para articular palavras
Vômitos e secura na boca e garganta
Disfagia, dificuldade para engolir
Paralisia respiratória que pode levar à morte
Constipação intestinal
Retenção de urina
Debilidade motora

TRATAMENTO

Consiste na manutenção das funções vitais e uso de soro antibotulínico. O soro impede que a toxina circulante no sangue se instale no sistema nervoso.

Botulismo

A recuperação da doença é lenta, pois a toxina já instalada entre as células nervosas é destruída pelo sistema de defesa do corpo. Não há remédios ou soro que eliminem a toxina.

O LADO BOM DA TOXINA

Os efeitos terapêuticoas da toxina botulínica vêm sendo estudados há décadas. No início, a substância foi utilizada para tratamento de estrabismo e de espasmos involuntários da musculatura das pálpebras.

Administrada em pequenas doses, a toxina vem sendo usada para tratar doenças relacionadas a contrações musculares indesejáveis.

Botulismo
Antes

Botulismo
Depois

A propriedade da toxina de paralisar músculos é utilizada no tratamento estético para amenizar rugas de expressão na face.

Fonte: www.santalucia.com.br

Botulismo

Os sintomas da intoxicação pela toxina botulínica normalmente aparecem entre doze e trinta horas depois da ingestão do alimento contaminado.

Alguns deles:

aversão à luz visão dupla com dilatação da pupila disfonia, dificuldade para articular palavras vômitos e secura na boca e garganta disfagia, dificuldade para engolir paralisia respiratória que pode levar à morte constipação intestinal retenção de urina debilidade motora.

TRATAMENTO

Consiste na manutenção das funções vitais e uso de soro antibotulínico. O soro impede que a toxina circulante no sangue se instale no sistema nervoso.

A recuperação da doença é lenta, pois a toxina já instalada entre as células nervosas é destruída pelo sistema de defesa do corpo. Não há remédios ou soro que eliminem a toxina.

O BOM DA TOXINA

Os efeitos terapêuticoas da toxina botulínica vêm sendo estudados há décadas. No início, a substância foi utilizada para tratamento de estrabismo e de espasmos involuntários da musculatura das pálpebras.

Administrada em pequenas doses, a toxina vem sendo usada para tratar doenças relacionadas a contrações musculares indesejáveis.

Fonte: www.icb.ufmg.br

Botulismo

O botulismo é uma intoxicação alimentar, causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulismo, que pode ser encontrada no solo e em alimentos contaminados ou mal conservados. 

Existem alimentos que apresentam maior risco de contaminação?

Os produtos enlatados ou embalados à vácuo de forma caseira ou aqueles que não sofreram processo de fabricação adequado são os mais vulneráveis ao Clostridium botulinum, já que ele só se desenvolve em ambientes sem oxigênio.

A bactéria é encontrada principalmente em conservas caseiras de baixa acidez, como palmito, aspargo, vagem, beterraba e milho. Mas também existem casos de intoxicação causada por alimentos menos comuns, como alho em óleo, pimenta e tomate. 

Quais são os sintomas?

Em geral, os sintomas são visão dupla, vômitos, fala difícil e fraqueza muscular. Eles costumam aparecer entre 18 e 36 horas depois da pessoa ter ingerido o alimento contaminado.  

Quais as complicações do botulismo?

O botulismo pde levar à morte por parada respiratória. Em casos graves, o paciente pode precisar de respirador artificial e cuidados médicos intensivos durante vários meses. 

O que fazer para prevenir?

Para se proteger da intoxicação é necessário estar atento a cuidados básicos, como só comprar produtos de origem segura, contendo registro do Ministério da Saúde; nunca levar para casa produtos com embalagem amasssada ou estufada e sem prazo de validade legível; e ferver as conservas, principalmente as caseiras, por 10 minutos antes do consumo. 

Como tratar a doença?

O tratamento consiste basicamente na manutenção das funções vitais e no uso de soro antibotulínico, que impede a toxina circulante no sangue de se instalar no sistema nervoso.

Não há remédios ou soro que eliminem a toxina. Assim, a recuperação é lenta, já que a toxina instalada entre as células nervosas é destruída pelo próprio sistema de defesa do organismo.  

E a toxina pode trazer algum benefício para a saúde?

Os efeitos terapêuticos da toxina botulínica vêm sendo estudado há décadas. No início, a substância foi utilizada para tratamento de estrabismo e espasmos involuntários da pálpebra. Aatualmente ela é muito utilizada no tratamento estético para amenizar as rugas de expressão na face, sob a forma de botox.

Fonte: www.hportugues.com.br

Botulismo

Clostridium botulinum, um bacilo anaeróbico que produz esporos resistentes e é encontrado no solo, nas fezes humanas e de animais e nos alimentos.

A doença pode apresentar-se sob diferentes formas: botulismo alimentar, em lactente, das feridas. A mais comum é o botulismo produzido pela ingestão de alimentos contaminados, na maioria dos casos, alimentos em conserva ou feitos em casa. São exemplos os vegetais, especialmente o palmito, os embutidos, os peixes e os frutos do mar preparados sem respeitar as regras básicas de esterilização.

O botulismo do lactente se manifesta nos primeiros meses de vida, em decorrência da ingestão de esporos do Clostridium, que proliferam no solo ou nos alimentos e liberam toxinas no intestino da criança. Nesse caso, a gravidade vai desde problemas gastrintestinais contornáveis até episódios de síndrome da morte súbita.

O botulismo por feridas tem como causa lesões traumáticas ou cirúrgicas infectadas pelo Clostridium botulinum e o uso de drogas injetáveis.

Incubação e sintomas

O período de incubação varia de algumas horas até oito dias. Sua duração está diretamente associada à quantidade de toxina liberada no organismo.

Os principais sintomas são visão dupla e embaçada, fotofobia (aversão à luz), ptose palpebral (queda da pálpebra), tonturas, boca seca, intestino preso e dificuldade para urinar.

À medida que a intoxicação evolui, o comprometimento progressivo do sistema nervoso se manifesta na dificuldade para engolir, falar e de locomoção. O mais grave de todos os sintomas do botulismo é a paralisia dos músculos respiratórios, que pode ser fatal.

Diagnóstico

 O diagnóstico leva em conta os sinais e sintomas, a resposta ao exame neurológico, o resultado da pesquisa sobre os alimentos ingeridos e a ocorrência de casos de intoxicação em pessoas próximas, que possam ter consumido os mesmos alimentos contaminados.

No entanto, o diagnóstico de certeza só é dado por exames que demonstram a presença da toxina no sangue ou da bactéria nas fezes do paciente.

Tratamento

Paciente com botulismo exige internação hospitalar para terapia de suporte e controle das complicações, especialmente dos problemas respiratórios, que podem ser letais.

O processo de recuperação é lento e depende de como o sistema imunológico reage para eliminar a toxina. Quanto ao uso de medicamentos, antibióticos não são eficazes para reverter o quadro, mas a aplicação de soro antibotulínico pode evitar que a toxina circulante no sangue alcance o sistema nervoso.

Recomendações

Toda atenção é pouca, quando se trata de alimentos enlatados, em vidros, ou embalados a vácuo, porque a bactéria tem predileção por ambientes sem oxigênio

Não os consuma, se notar qualquer irregularidade na embalagem, como lata enferrujada ou estufada ou água turva dentro dos vidros

O preparo de conservas caseiras deve obedecer rigorosamente aos cuidados de higiene para evitar a contaminação pelo Clostridium

Ferver os alimentos enlatados, especialmente palmito, ou as conservas antes de consumi-los, é uma boa dica para destruir toxinas liberadas pela bactéria

O mel pode ser um reservatório da bactéria do botulismo. Só consuma os fabricados por companhias idôneas.

Fonte: www.drauziovarella.com.br

Botulismo

O botulismo é uma intoxicação específica, e não uma infecção, resultante da ingestão e absorção pela mucosa digestiva de toxinas pré-formadas do Clostridium botulinum, que levam o animal a um quadro de paralisia motora progressiva.

Etiologia

O Clostridium botulinum é um bacilo anaeróbio, gram-positivo, formador de esporos, encontrado no solo, água, matéria orgânica de origem animal e vegetal, e no trato gastrointestinal dos animais.

Os esporos são extremamente resistentes, podendo sobreviver por longos períodos nos mais diversos ambientes, proliferando em carcaças ou material vegetal em decomposição, nos quais produz uma neurotoxina que, quando ingerida, causa a doença.

Há oito tipos distintos de toxinas botulínicas (A, B, C1, C2, D, E, F e G) em função de suas diferenças antigênicas, mas todas possuem ações farmacológicas semelhantes. As que mais comumente podem afetar os bovinos são as do tipo C e D, embora haja relatos de casos de botulismo em bovinos no Brasil por toxinas tipo A e tipo B (Schoken-Iturrino et al., 1990; Lobato et al., 1988).

Epidemiologia

O botulismo em bovinos tem sido mais comumente descrito em rebanhos a campo, estando normalmente associado a uma deficiência de fósforo nas pastagens, bem como devido a uma inadequada suplementação mineral, que determina um quadro de depravação do apetite, com osteofagia, nos animais.

Nos alimentos, o esporo passa, em geral, sem causar problemas pelo trato alimentar do animal vivo, mas, em carcaças o esporo encontra condições ideais de anaerobiose para se desenvolver e produzir toxinas, contaminando principalmente os ossos, cartilagens, tendões e aponeuroses que são mais resistentes à decomposição.

Com isso, ao ingerir fragmentos de tecidos ou ossos, outros bovinos adquirem a toxina e, também, esporos, estabelecendo assim a cadeia epidemiológica do botulismo a campo (Langenegger & Döbereiner, 1988).

As condições de risco para animais confinados ocorrem quando estes recebem silagem, feno ou ração mal conservadas, com matéria orgânica em decomposição, ou com cadáveres de pequenos mamíferos ou aves, que criam condições ideais para multiplicação bacteriana e produção de toxina. Smith (1977) denomina de "intoxicação da forragem" o botulismo decorrente do consumo de feno ou silagem contaminados pela carcaça de pequenos animais mortos acidentalmente e incorporados ao alimento durante sua preparação.

Reservatórios de água contaminados por carcaças de roedores ou pequenas aves, também podem ser considerados como possíveis fontes de infecção para bovinos estabulados.

A cama de frango usada na suplementação alimentar de bovinos tem sido relatada como a maior fonte de infecção para animais confinados nos últimos anos, em função da presença de restos de aves (Bienvenu et al., 1990; Hogg et al., 1990; Schoken-Iturrino, 1990; Jones, 1991; Lobato et al., 1994 b).

A possibilidade de surtos de botulismo que apresentem como fonte de infecção águas paradas, associados a períodos de estiagens prolongadas, épocas quentes e altas concentrações de material em decomposição, têm sido mais comumente descritos em aves (Brada et al., 1971), embora haja relatos de casos em búfalos em áreas alagadas no Maranhão (Langenegger & Döbereiner, 1988) e em bovinos de diferentes categorias, em áreas com águas estagnadas, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Dutra et al., 1990).

Patogenia

O quadro clínico é determinado pela ingestão de toxinas pré-formadas que, após serem absorvidas e alcançarem a circulação, ligam-se a receptores no Sistema Nervoso Periférico, bloqueando a síntese e liberação de acetilcolina, que atua como mediadora do impulso nervoso, determinando assim um quadro de paralisia flácida. Não há efeito da toxina no Sistema Nervoso Central.

Sintomas Clínicos

O botulismo é uma intoxicação cujo quadro sintomatológico, no que diz respeito à velocidade de aparecimento dos sintomas e severidade, está diretamente relacionado com a quantidade de toxina ingerida pelo animal. O período de incubação pode variar de algumas horas até dias.

Em relatos de surtos da doença associada a cama de frango, Bienvenu et al. (1990) descrevem a ocorrência de novos casos em um período de até 18 dias após a remoção do alimento contaminado.

A doença pode ser dividida em quatro formas distintas (superaguda, aguda, subaguda e crônica), de acordo com a gravidade dos sintomas e do tempo de vida do animal (Ristic & McIntire, 1981).

Na fase inicial, os animais apresentam graus variados de embaraço, incoordenação, anorexia e ataxia. Tem início então, um quadro de paralisia muscular flácida progressiva, que começa pelos membros posteriores e faz com que os animais prefiram ficar deitados (em decúbito esterno-abdominal) e, quando forçados a andar, o fazem de maneira lenta e com dificuldade (andar cambaleante e lento). O componente abdominal da respiração se torna acentuado e o vazio se torna fundo. Não há febre. Os animais podem sucumbir repentinamente se estressados.

Com o avanço da doença, a paralisia muscular se acentua, impedindo que o animal se levante, embora ainda seja capaz de se manter em decúbito esternal, progredindo para os membros anteriores, pescoço e cabeça, que faz com que a cabeça fique junto ao solo ou voltada para o flanco.

A paralisia muscular afeta a mastigação e a deglutição, levando ao acúmulo de alimentos na boca e sialorréia, além de exteriorização espontânea da língua (protrusão). O animal apresenta diminuição dos movimentos ruminais.

Na fase final o quadro de prostração se acentua, fazendo com que o animal tenha dificuldade para se manter em decúbito esternal, tombando para os lados (em decúbito lateral). A consciência é mantida até o final do quadro, quando o animal entra em coma e morre.

Nos quadros mais agudos, a morte ocorre em um ou dois dias, após o início dos sintomas, geralmente por parada respiratória em função da paralisia dos músculos responsáveis pelos movimentos respiratórios.

Em casos subagudos, o animal sobrevive por três a sete dias, sendo a forma mais comum encontrada a campo. Esta forma apresenta a sintomatologia de forma mais evidente, porque desenvolve-se em um período mais longo.

Já na forma crônica o animal sobrevive por mais de sete dias, e um pequeno número deles pode até recuperar-se após três ou quatro semanas, uma vez que os sintomas não ocorrem de maneira tão acentuada como nas formas anteriores. Apesar do decúbito, os animais podem continuar se alimentando, visto que o apetite se mantém. Animais que se recuperam podem apresentar estertores respiratórios que persistem por algum tempo.

Patologia Clínica

Normalmente não são observadas alterações de cálcio, magnésio e fósforo. Alguns autores têm relatado albuminúria e glicosúria, embora não seja considerado um achado consistente, porque ocorre em somente alguns animais (Blood & Henderson, 1978).

Achados de Necropsia

A maior parte dos relatos afirma que não são observadas alterações específicas. Pode haver presença de hemorragias subendocárdicas ou subepicárdicas, congestão de mucosa ou serosa intestinal, assim como edema, hemorragias e hiperemia em nível de cérebro (Blood & Henderson, 1978; Cardoso et al., 1994).

Diagnóstico

O diagnóstico deve se basear no histórico e no quadro clínico apresentado pelo animal, sendo que sua comprovação requer o auxílio de testes laboratoriais em amostras de material coletadas de animais suspeitos (soro sangüíneo, extrato hepático, líquido ruminal e conteúdo intestinal).

O diagnóstico clínico é importante, uma vez que, nem sempre a comprovação laboratorial é possível, e o atraso na adoção de medidas de controle em caso de surto da doença, em função da espera de resultados laboratoriais, pode acarretar a perda de inúmeros animais.

O Bioensaio consiste na inoculação intraperitoneal de amostras, centrifugadas e filtradas, em camundongos e na observação, durante três a quatro dias, se há manifestação do quadro clínico. Deve-se atentar para o fato de que uma resposta negativa não significa que a doença não tenha ocorrido, pois a toxina pode ter sido absorvida e metabolizada em sua maior parte, principalmente naqueles animais doentes há algum tempo.

Devido às características da toxina e da alta sensibilidade do bovino à mesma, os resultados laboratoriais são, em até mais de 90% dos casos, negativos para a toxina botulínica quando se utiliza material colhido de animais em quadro de intoxicação, inclusive experimental (Dutra & Döbereiner, 1995).

Outros métodos laboratoriais que vêm sendo utilizados são a Prova de Soroneutralização e o Teste de Microfixação de Complemento, que buscam identificar o tipo de toxina presente no material examinado, com auxílio de antitoxinas botulínicas C e D. Este último, segundo Dutra et al. (1993), tem se mostrado bem mais sensível que o Bioensaio.

Diagnóstico Diferencial

Deve ser feito para todas aquelas enfermidades que levam o animal a um quadro de decúbito (raiva, hipocalcemia, encefalites, traumas etc.).

Em função da falta de achados na necropsia, da ausência de comprovação laboratorial dos casos suspeitos e de um eficiente diagnóstico diferencial, muitos casos de botulismo são atribuídos a outras doenças ou síndromes, sendo o inverso também verdadeiro.

Tratamento

O tratamento é indicado nos casos subagudos ou crônicos, nos quais os sintomas se desenvolvem mais lentamente (Blood & Henderson, 1978; Jones, 1991).

Como não há antitoxina disponível no mercado, recomenda-se o tratamento sintomático, que visa dar condições, quando possível, para que o animal resista ao quadro clínico apresentado.

São indicadas soluções hidroeletrolíticas, purgativos (na tentativa de remover a toxina do trato alimentar), hepatoprotetores, vitaminas do complexo B e soluções injetáveis de cálcio e fósforo. Nos casos de decúbito prolongado, deve-se ficar atento para problemas decorrentes desta situação (escaras e atrofias musculares ou nervosas), evitando que os mesmos se acentuem.

O uso de antibióticos é indicado para prevenir ou controlar o aparecimento de infecções secundárias decorrentes do estado de debilidade do animal, embora Jones (1991) alerte para que se evite o uso de antibióticos que possam potencializar o bloqueio neuromuscular (penicilina procaína, tetraciclina ou aminoglicosídeos).

Uma medida importante a ser tomada é a identificação e remoção da fonte de contaminação, assim como a vacinação imediata de todos os animais que estão sujeitos ao mesmo tipo de fonte de infecção (alimento ou água contaminada). Como o período de latência da vacina varia de duas a três semanas, outros casos poderão ainda ocorrer.

Prevenção

A melhor medida preventiva a ser tomada é a vacinação dos animais. A vacina deve ser aplicada em duas etapas, com um mês de intervalo entre as mesmas.

Como a vacina necessita de um período de 16 a 18 dias para conferir proteção efetiva, recomenda-se que a primeira dose da vacina seja feita um mês antes da entrada do animal no confinamento. Embora o nível de proteção das vacinas não seja totalmente satisfatório, este ainda é considerado o método de proteção mais eficaz (Lobato et al., 1994 a).

Animais vacinados podem apresentar a doença quando expostos a uma fonte de contaminação com altas cargas de toxina. Isto se deve ao fato de que o grau de proteção da vacina é efetivo apenas contra determinada quantidade de toxina, além do que, a toxina é pouco imunogênica em casos de contaminação ambiental, não estimulando assim a produção de anticorpos, sendo estes oriundos somente da vacina.

O correto armazenamento do feno, da silagem e da ração, a fim de evitar material em decomposição e os devidos cuidados na alimentação dos animais com cama de frango, são consideradas medidas auxiliares importantes na prevenção do botulismo.

Vale a pena lembrar que as medidas preventivas acima descritas são destinadas aos animais confinados. Nos casos de surtos da doença em animais criados extensivamente, uma correta medida de prevenção do botulismo consiste na adoção de uma mistura mineral de boa qualidade, associada a uma eficaz remoção de carcaças e ossos das pastagens.

A mistura mineral deve estar formulada para atender às necessidades da categoria animal para a qual será destinada, de acordo com as condições de solo e pastagens da propriedade.

É importante também um correto esquema de distribuição, com cochos em quantidade suficiente (1 metro de cocho para 50 animais, no mínimo), de preferência cobertos ou local de fácil acesso para os animais (próximo aos bebedouros, áreas de descanso ou áreas de maior pastejo).

A vacinação pode ser uma alternativa válida em áreas endêmicas, nas quais não se consegue identificar o fator predisponente ao botulismo.

Fonte: www.cnpgc.embrapa.br

Botulismo

Descrição da doença

É uma doença resultante da ação de uma potente toxina produzida por uma bactéria denominada Clostridium botulinum (C. botulinum), habitualmente adquirida pela ingestão de alimentos contaminados (embutidos e conservas em latas e vidros), de ocorrência súbita, caracterizada por manifestações neurológicas seletivas, de evolução dramática e elevada letalidade.

Pode iniciar-se com vômitos e diarréia (mais comum a constipação), debilidade, vertigem, sobrevindo logo em seguida, alterações da visão (visão turva, dupla, fotofobia), flacidez de pálpebras, modificações da voz (rouquidão, voz cochichada, afonia, ou fonação lenta), distúrbios da deglutição, flacidez muscular generalizada [acentuando-se na face, pescoço (cabeça pendente) e membros], dificuldade de movimentos, agitação psicomotora e outras alterações relacionadas com os nervos cranianos, podendo provocar dificuldades respiratórias, cardiovasculares, levando à morte por parada cárdio-respiratória.

Agente etiológico e toxina

O Clostridium botulinum, é um bacilo Gram positivo, que se desenvolve em meio com baixa concentração de oxigênio (anaeróbio), produtor de esporos, encontrado com freqüência no solo, em legumes, verduras, frutas, fezes humanas e excrementos animais.

Estes anaeróbios para desenvolverem a toxina necessitam de pH básico ou próximo do neutro. São descritos 7 tipos de Clostridium botulinum (de A a G) os quais se distinguem pelas características antigênicas das neurotoxinas que produzem. Os tipos A, B, E, e o F (este último, mais raro), são os responsáveis pela maioria dos casos humanos.

Os tipos C e D são causas da doença do gado e outros animais. O tipo E, em seres humanos, está associado ao consumo de pescados e frutos do mar. Alguns casos do tipo F foram atribuídos ao C. baratii ou C. butyricum.

A toxina é uma exotoxina ativa (mais que a tetânica), de ação neurotrópica (ação no sistema nervoso), e a única que tem a característica de ser letal por ingestão, comportando-se como um verdadeiro veneno biológico. É letal na dose de 1/100 a 1/120 ng. Ao contrário do esporo, a toxina é termolábil, sendo destruída à temperatura de 65 a 80º C por 30 minutos ou à 100 º C por 5 minutos.

Modo de transmissão

São descritos os seguintes modos de transmissão para o Botulismo:

1) por ingestão de alimentos - que é a forma mais comum e responsável por surtos esporádicos, através do consumo de alimentos insuficientemente esterilizados, e consumidos sem cocção prévia, que contém a toxina. É conhecido também o botulismo em lactentes (associação com a Síndrome de Morte Súbita do Recém-Nascido) e em crianças mais jovens, desenvolvido à partir da ingestão de esporos nos alimentos, que no intestino, sem microbiota de proteção, desenvolvem e liberam a toxina

2) por ferimentos - a ferida contaminada pelo C. botulinum é lugar ideal para o desenvolvimento da toxina com produção do quadro clínico e patogenia idênticos ao do quadro por intoxicação oral. Nos EEUU, são freqüentes os casos por ferimentos contaminados e em usuários de drogas injetáveis

3) por vias aéreas - através da inalação da toxina, que acaba por atingir a corrente sangüínea, e daí alcança o sistema nervoso central e demais órgãos, exercendo a sua ação patogênica com o mesmo quadro já descrito

4) infecção por via conjuntival (aerossol ou líquido) - a toxina alcança imediatamente a corrente sangüínea, desenvolvendo o quadro típico.

Período de incubação

Os sintomas aparecem entre 2 horas a cerca de 5 dias, em período médio de 12 a 36 horas, dependendo da quantidade de toxina ingerida. É muito raro o aparecimento vários dias após a ingestão do alimento contaminado. Quanto mais toxina ingerida, mais curto o tempo entre a ingestão e aparecimento da doença.

Quanto menor o tempo de aparecimento da doença, maior a gravidade e a letalidade da doença.

Conduta médica e diagnóstico da doença humana

O botulismo é diagnosticado através dos sintomas e sinais, pela detecção e tipo da toxina no sangue do paciente, e pelos testes complementares nos alimentos suspeitos:

A. a anamnese é dirigida buscando verificar os tipos de alimentos ingeridos, tempo de ingestão e aparecimentos da doença, a possível existência de outros casos e fontes comuns de ingestão, além da caracterização dos sinais e sintomas apresentados.

O exame neurológico consiste na pesquisa do grau de capacidade muscular devendo ser realizadas provas exploratórias motoras (de cabeça, pálpebras, membros superiores e inferiores, mãos e dedos, deslocamento corporal no leito) e fonatórias, com registro de intensidade e de localização, a cada 2 horas. A realização de eletromiografia para detecção de denervação precoce (às 72 horas), para diagnóstico, tem sido exame tardio.

B. os exames laboratoriais específicos são a investigação da toxina no sangue do paciente, cuja coleta deve ser o mais precoce possível e antes da administração do soro (antitoxina) específico. A coleta tardia do sangue pode impedir a detecção de toxina no sangue, pois esta vai sendo rapidamente absorvida pelos tecidos. Após 8 dias do início da doença, a toxina não é mais encontrada.

A pesquisa da toxina botulínica nas fezes (conteúdo intestinal) e lavado gástrico pode ser um meio auxiliar importante de diagnóstico. Além da determinação da toxina, o diagnóstico pode ser complementado por cultura de C. botulinum nos casos de botulismo infantil, por ferimentos e por causa indeterminada.

As amostras devem ser transportadas e conservadas sob refrigeração, por tratar-se de toxina termolábil. A coleta de rotina da coprocultura será importante também para diagnóstico diferencial entre algumas doenças transmitidas por alimentos que possam apresentar quadros similares.

C. os exames nos alimentos suspeitos são importantes para detecção da toxina, auxiliando no diagnóstico da doença, e para a tomada de providências sanitárias e medidas de prevenção.

A família deve ser orientada pelo serviço médico para guardar os alimentos devidamente acondicionados e em geladeira para possibilitarem a investigação epidemiológica e sanitária. As amostras coletadas devem ser transportadas sob refrigeração.

D. os cuidados com os familiares (comunicantes) são extremamente importantes para prevenir ou detectar precocemente o surgimento de mais casos de botulismo.

Deve-se identificar aqueles que fizeram ingestão comum dos alimentos, orientá-los quanto ao aparecimento de sinais e sintomas e a procurar urgentemente os cuidados médicos ao primeiro sinal; como ação preventiva, o hospital, em que se encontra internado o paciente, deve examiná-los à procura de manifestações neurológicas, aproveitando os horários das visitas que fazem ao paciente ou marcando consultas prévias.

Quando possível, recomenda-se provocar o vômito, lavagem gástrica ou indução da evacuação intestinal aos que partilharam da mesma comida, para expulsão rápida do alimento.

O uso da antitoxina profilática a pessoas que ingeriram o mesmo alimento não é rotineiramente recomendado, devido ao risco de reações de hipersensibilidade.

Esta medida deve ser muito criteriosa.

E. o diagnóstico diferencial deve ser feito com as demais intoxicações e infecções de origem alimentar a seguir:

Bacterianas

Salmonelas, enterotoxina estafilocócica, enterococus fecais, que evoluem sem sintomatologia neurológica e com manifestações gastroentéricas muito agudas.

Atenção especial deve ser dada à bactéria Campylobacter que pode ser responsabilizada por quadros de paralisia flácida simulando a Síndrome de Guillan Barré. A coprocultura ou hemocultura quando indicada, são de grande valor, nas doenças de origem bacteriana.

Vírus

Enterovírus e o vírus da poliomielite que são síndromes infecciosas, com paralisias periféricas, sintomatologia e sinais meníngeos e alterações de líquor. Testes virológicos são de valor.

Vegetal

Devem ser buscadas as intoxicações denominadas micetismo nervoso, micetismo coleriforme, favismo, síndrome de Kwok ou do "restaurante chinês".

Animal

Mariscos e peixes tropicais, ciguatera poisoning (barracuda), triquinelose.

Química

Pesticidas clorados, pesticidas organofosforados e outros inseticidas, raticidas, etc..

Outros quadros neurológicos

Síndrome de Guillan-Barré, meningoencefalites, polineurites, acidentes vasculares cerebrais, miastenia gravis, neurastenia, araneísmo, hipopotassemia, intoxicação por atropina ou beladona, intoxicação por álcool/embriagues, envenenamento por curare

Tratamento

O tratamento deverá ser feito em unidade de terapia intensiva (UTI), com dois enfoques importantes:

A. Tratamento específico

1) soroterapia específica feita com soro antibotulínico (heterólogo) específico para o tipo imunológico ou polivalente (anti-A, B, E e F).

A antitoxina atua contra a toxina circulante e não contra a que se fixou no sistema nervoso; portanto sua eficácia dependerá da precocidade do diagnóstico. Nos casos tardios a antitoxina poderá não ser mais eficaz

2) anatoxinoterapia - alguns autores preconizam o uso de anatoxina botulínica simultaneamente com a antitoxina.

B. Tratamento geral

Medidas para eliminar a toxina do aparelho digestivo, quando possível, como lavagem do estômago, clisteres, etc.

Observa-se que os doentes que tiveram o quadro inicial com vômitos e diarréias têm melhor prognóstico.

Antibióticos - indica-se o uso de antibióticos para o tratamento de infecção secundária. Segundo a teoria da toxiinfecção de que há o crescimento do C. botulinum no intestino humano e em ferimentos profundos, com produção da toxina, estaria também indicado o uso de antibióticos contra o bacilo além do tratamento com o soro específico.

No Botulismo infantil, a antibioticoterapia deve ser empregada apenas em infecções secundárias, pois a destruição bacteriana intraluminal pode aumentar a absorção de toxina. Aminoglicosídeos podem potencializar os efeitos da toxina.

Ação no mecanismo fisiopatogênico da doença - medicamentos usados para neutralizar o bloqueio muscular têm resultados controversos. A administração de indutores da liberação de serotonina tem efeito antitóxico no botulismo, sendo os mais usados a reserpina e a clorpromazina.

Terapêutica de sustentação – o aspecto mais importante em todas as formas da doença são os cuidados de suporte ao paciente, particularmente respiratórios e nutricionais. Realizar controles freqüentes do meio interno. O controle oftalmológico é fundamental para evitar a ocorrência de lesões da conjuntiva ou córnea, e o controle cardiológico, uma vez que a toxina atinge todos os órgãos, podendo haver a parada cárdio-respiratório e óbito (detalhes sobre o tratamento, veja Manual do Botulismo).

Complicações - o botulismo é uma doença com alta letalidade que exige a internação em unidades de terapia intensiva, por tempo prolongado, dependendo da gravidade do quadro e da precocidade do atendimento médico em relação ao início dos sintomas.

A internação prolongada, a baixa imunidade do paciente decorrente da doença, dos tratamentos realizados e dos procedimentos invasivos deixam-no mais suscetível às infecções hospitalares, além das possíveis complicações decorrentes de paradas cárdio-respiratórias que possam ocorrer. Após a alta hospitalar o doente necessitará de acompanhamento médico e fisioterápico para garantir ou reaprender funções básicas como respirar, andar, falar, escrever, etc..

Freqüência da doença - A incidência da doença é baixa, com alta letalidade se não tratada adequada e precocemente. São conhecidos casos esporádicos ou em grupos de pessoas, em todos os países do mundo, na maioria das vezes relacionados à ingestão de alimento, preparado ou conservado em condições que permitam a produção da toxina pelo bacilo. Alguns casos de botulismo podem estar subnotificados devido às dificuldades disgnósticas.

Conduta epidemiológica

Notificação do caso - o médico ao se deparar com quadros neurológicos abruptos, em adultos geralmente saudáveis, e com história de ingestão de alimentos suspeitos (conservas em latas ou vidros de palmitos, embutidos, ou compotas) deve notificar imediatamente a suspeita de Botulismo ao Serviço de Vigilância Epidemiológica Regional, Municipal, ou Central.

A investigação epidemiológica parte da notificação do caso e deve ser imediatamente realizada pela equipe de Vigilância Epidemiológica cumprindo-se os seguintes passos:

a) levantamento da história do doente e de sua internação nos serviços, obtendo-se esses primeiros dados dos médicos que realizaram o atendimento ao doente, bem como, de seus familiares.

b) Os dados importantes consistem em estabelecer o início preciso da doença, sinais e sintomas, resultados dos exame neurológicos, alimentos consumidos dentro de um período mínimo de 5 dias, relacionando-os por ordem de data de consumo em relação ao início dos sintomas, procurando estabelecer o consumo comum entre o paciente e demais familiares ou outras pessoas, o que todos comeram, o que só o paciente comeu, o quanto foi ingerido de cada alimento, para buscar a responsabilização sobre o alimento suspeito.

c) Acionar imediatamente a Vigilância Sanitária para coleta na casa dos pacientes ou em restaurantes ou outro estabelecimento (dependendo da história do alimento consumido) dos alimentos ingeridos para a análise laboratorial de detecção da toxina nas sobras encontradas. É muito importante que se consiga exatamente recolher os alimentos que foram consumidos pelo paciente, e se não for possível, recolher exemplares da mesma marca que tenha sido ingerida, ainda na casa do paciente ou no estabelecimento suspeito. 3) Vigilância e acompanhamento do paciente e seus familiares (quadro clínico do paciente, resultados dos exames laboratoriais realizados, orientações aos familiares ou pessoas próximas que consumiram o alimento para procurarem o serviço médico frente à sinais e sintomas suspeitos), para detecção precoce de novos casos de botulismo. 4) Preenchimento da Ficha de Investigação de Surtos/Casos de DTAA e envio dos dados aos vários níveis do sistema do informação.

Conduta sanitária

Quando a Vigilância Sanitária for a primeira a ser acionada pelos médicos ou familiares, ou outros meios, esta deve acionar imediatamente a Vigilância Epidemiológica para a iniciar a investigação epidemiológica, em ações integradas e conjuntas.

Dar início à: 1) Coleta de alimentos na casa do paciente ou estabelecimento suspeito onde foi feita a ingestão do alimento, para encaminhamento ao laboratório de análise.

É importante recuperar informações como a marca do produto, onde foi comprado, data de validade (e todas as demais, a partir da descrição detalhada do rótulo, como nome e endereço do fabricante, distribuidor, número de lote, data de fabricação, etc..), quando foi aberto, onde ficava armazenado, etc.. 2) Inspeção sanitária nos locais de fabricação dos alimentos suspeitos para verificação das condições higiênico-sanitárias, controles e técnicas de processamento, origem da matéria-prima, verificação de lotes, datas de fabricação e validade, número de registro no Ministério da Saúde, etc.. recolhendo amostras dos produtos para a análise laboratorial de pH, microbiológica e outras, e tomando as medidas sanitárias perante as infrações já detectadas.

Conduta laboratorial

1) Presença de toxina antibotulínica no sangue do paciente e neutralização da toxina em camundongos - teste em ratos, observando-os para sinais de botulismo e morte, até um período de 96 horas (em média, a morte ocorre em 48 horas).

2) Presença de toxina ou C. botulinum nas fezes e lavado gástrico do paciente - cultura 5 a 7 dias.

3) Detecção da toxina nos alimentos suspeitos - teste em ratos, até 96 horas (em média, a morte ocorre em 48 horas).

Procedimentos laboratoriais

Teste de detecção da toxina no soro do paciente, alimentos e lavado gástrico:

A) no paciente

Coleta de Material - colher 15 ml a 20 ml de sangue total ou 10 ml (no mínimo) de soro, antes da introdução do soro antibotulínico, em frasco sem anticoagulante. Encaminhar (em isopor com gelo reciclável ou gelo comum envolvido em saco plástico) para o Laboratório Central do Instituto Adolfo Lutz - setor de triagem da Bromatologia e Química. Poderá ser também encaminhado material de lavado gástrico ou intestinal (em frasco coletor de fezes) para o mesmo local.

B) no alimento

Se houver, encaminhar as sobras do (s) alimentos suspeito (s). Todo o material, além da identificação específica do produto, deverá ser acompanhado de formulário/receituário contendo dados de identificação do paciente, local de atendimento e endereço completo (incluindo telefone, médico para contato), suspeita diagnóstica, etc..

As amostras de soro são inoculadas diretamente em camundongos. As amostras de alimentos, lavado gástrico e conteúdo intestinal devem ser homogeneizadas em solução de gel-fosfato, mantidas "overnight" em refrigerador. Centrifugação a 2.500 rpm, sob refrigeração.

O sobrenadante deve ser separado em 3 porções: uma delas para inoculação direta; outra para a inativação da toxina, por no mínimo, 85 º C, por 15 minutos, e outra, que sofrerá tratamento por tripsina.

A inoculação é de 0,5 ml, via intraperitoneal, em camundongos (2 por amostra inoculada) de, no máximo, 25 g. É diagnóstico presuntivo de botulismo se os animais inoculados com soros e extratos tripsinizados e/ou não apresentarem sintomas e morrerem no espaço de 96 horas ( 48 horas em média costuma ocorrer a morte), e a porção do extrato tratada termicamente não afetar o camundongo.

É diagnóstico de botulismo se o anti-soro tipo específico proteger o camundongo, conforme metodologia descrita em "Compendium of Methods for the Microbiological Examination of Foods", APHA, 1992 ou "Bacteriological Analytical Manual", AOAC, 1992.

Para a cultura de C. botulinum consultar essas referências citadas.

A manipulação das secreções do paciente e dos restos alimentares, e todo o procedimento de inoculação em ratos requer cuidados e o atendimento aos requisitos de biossegurança. Uma das primeiras condições para o laboratorista realizar o exame é estar devidamente vacinado . A vacina, no momento é fornecida pelo CDC/Atlanta/USA, através do preenchimento de formulário próprio, e solicitação por FAX, mas, será produzida pelo Instituto Butantan do Estado de São Paulo, até setembro de 1999.

Alimentos Associados - Muitos são os alimentos descritos como responsáveis pelo botulismo, tais como embutidos de carnes em geral, ou conservas em lata e vidro de doces, hortaliças, legumes (palmitos, aspargos, cogumelos, alcachofra, pimentões, beringelas, alho, picles, etc.), peixes, frutos do mar, e outros, especialmente acondicionados em embalagens submetidas à vácuo, sem oxigênio, que favorecem o desenvolvimento do microrganismo. Sabe-se que o esporo só é inativado em processo de esterilização industrial em autoclaves a 120 º C.

Sabe-se também que o meio ácido pode inibir o C. botulinum. Assim, os alimentos de natureza ácida impedem o desenvolvimento da toxina. Contudo, alimentos têm um pH acima de 4,5, em condições de higiene inadequadas, em anaerobiose, e esterilizados em temperatura abaixo de 120 º C, constituem-se em alimentos de alto risco.

As conservas de vegetais tenros (palmitos, alcachofras, pimentões, etc.), que pelas características, não suportariam uma esterilização à 120 º C exigem processos cuidadosos de processamento, como lavagem e desinfecção dos alimentos, acidificação adequada, salmoura adequada ou outros, tamanho, etc.. além de técnicas normais de produção dos alimentos, para controle de pontos críticos na produção (HACCP), controles de qualidade, condições higiênico-sanitárias adequadas dos estabelecimentos, licença e registro na Vigilância Sanitária, etc..

No Brasil, em especial a produção de palmito tem sido uma atividade extrativista e artesanal, onde famílias recolhem o palmito da mata selvagem (atividade proibida em lei pelo IBAMA), geralmente cozinhando-o às margens dos rios e envasando-os em vidros, sem qualquer controle de qualidade, critério de acidificação e esterilização, tamanho, controle microbiológico, etc..

Esses produtos, de procedência duvidosa, acabam sendo rotulados por diversos distribuidores ou mesmo fabricantes, chegando às prateleiras dos supermercados e comércio de alimentos em geral, aos restaurantes, etc. e indo para a mesa do consumidor que não tem o hábito de ferver esses alimentos antes do consumo.

As Resoluções ANVS/MS no. 362 e 363, de 29.07.99 (D. O. U. 02.08.99) modificam os critérios relativos à fabricação do palmito em conserva, alimento incriminado nos últimos casos de botulismo.

Conduta Educativa

1) educação sanitária da população em geral, de produtores, manipuladores de alimentos, etc., quanto à higiene, preparo e conservação de alimentos e informações sobre a doença.

2) recomendações específicas de prevenção, para as donas de casa e demais manipuladores de alimentos de que o produto industrializado em e as conservas caseiras que não ofereçam segurança, sejam fervidos ou cozidos por 15 minutos, antes de serem consumidos, uma vez que a toxina é destruída pelo calor.

Devem ser descartados os vidros embaçados, as latas estufadas, etc. porque estes são sinais de contaminação por outros microorganismos, também nocivos à saúde.

Contudo, podem haver conservas, sem estas características, com toxina botulínica, pois a mesma, não altera a cor, o sabor ou o aspecto. Por isso, se não há certeza de garantia de qualidade do produto, a prevenção utilizando-se da fervura prévia será a melhor maneira de se evitar o Botulismo.

Casos de Botulismo nos últimos anos

Não há ainda no Brasil a notificação sistemática do Botulismo, até porque as doenças de origem alimentar são uma preocupação muito recente.

Os sistemas de vigilância epidemiológica registravam apenas as doenças de veiculação hídrica como febre tifóide, cólera, poliomielite, hepatite A, ou surtos de doenças diarréicas, sendo que um levantamento da ocorrência do Botulismo teria que ser feito recorrendo-se à literatura e descrição de casos.

No Estado de São Paulo, nos últimos três anos há o relato de 3 casos confirmados, de origem alimentar, assim ocorridos:

O primeiro caso, em fevereiro de 1997, em que o produto consumido foi uma conserva de palmito em vidro, de marca nacional, de um único frasco, tendo sido detectada a toxina botulínica tipo A, no sangue do paciente e no alimento consumido, e neste o pH encontrado foi de 5,3.

Um segundo caso, em outubro de 1998, em que o produto consumido foi novamente uma conserva de palmito em vidro, de marca boliviana, de um único frasco, tendo sido detectada a toxina botulínica tipo A no sangue do paciente e no alimento, e um pH 4,2 (porém o produto quando foi analisado, apresentava-se em estado putrefato, o que pode ter influenciado para esse pH - sabe-se que, após aberto o produto, pode ocorrer o desenvolvimento de outras bactérias e leveduras que acidificam o meio, mudando, portanto, o real pH anterior).

A inspeção sanitária condenou e interditou o estabelecimento distribuidor e ordenou o recolhimento de todos os produtos desta marca no mercado.

Um terceiro caso, em março de 1999, em que foi detectada a presença da toxina tipo A no sangue do paciente, com história de ingestão de conserva de palmito de marca boliviana, proveniente da mesma região e endereço do local de fabricação da marca anterior responsável por botulismo, mas que por ausência dos restos alimentares do palmito consumido pelo paciente, não foi possível estabelecer a relação direta.

Entretanto, todos os demais alimentos de risco ou medicamentos (cápsula de proteína animal manipulada e fórmulas para emagrecimento) consumidos foram analisados, com resultados negativos.

Mais 3 frascos de palmito da marca em questão, encontrados na casa do paciente, mas ainda não consumidos, foram analisados, sendo encontrado um com pH de 4,6. A inspeção sanitária encontrou irregularidades gravíssimas (ausência de número de lotes, várias datas de validade em rótulos sobrepostos, etc.) recolhendo o produto de várias marcas importadas da Bolívia, além de proibir a importação do produto sem prévia inspeção dos técnicos da Vigilância Sanitária Brasileira (ver site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em http://www.saude.gov.br ).

Com este 3º. caso, a Vigilância Sanitária Nacional determinou a rotulagem de todos os produtos nacionais e estrangeiros, na prateleira e na fábrica, com a advertência ao consumidor para "Ferver o produto por 15 minutos antes de ser consumido", pois, todo o palmito passou a ser considerado suspeito, até a implantação das novas normas de fabricação e do Programa Nacional de Inspeção das Fábricas de Palmito, que têm por finalidade desencadear um controle mais rígido e permanente das Vigilância Sanitárias dos Estados na fiscalização de estabelecimentos produtores, distribuidores e comércio em geral de palmito em conserva.

Fonte: www.cve.saude.sp.gov.br

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