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Bulimia

 

As pessoas que sofrem de bulimia nervosa ingerem grandes quantidades de alimentos e depois utilizam métodos compensatórios, como por exemplo, vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios muita intensa para evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar.

Diferente do que ocorre na anorexia nervosa, na bulimia não há perda de peso e por isso, médicos e familiares têm dificuldade de detectar o problema. “A doença é mais freqüente em adolescentes do sexo feminino”, diz o psiquiatra do Hospital e Maternidade Brasil, Dr. Marcos Nigro.

Pessoas com bulimia têm vergonha de seus sintomas, portanto, evitam comer em público e evitam lugares como praias e piscinas onde precisam mostrar o corpo.

“Existe uma alteração do esquema corporal, na percepção; as pessoas se vêem obesas”, explica o médico. À medida que a doença se desenvolve, essas pessoas só se interessam por assuntos relacionados à comida, peso e forma corporal.

Causas

A bulimia nervosa, assim como a anorexia, é uma síndrome que envolve uma mistura de fatores biológicos, psicológicos, genéticos e culturais. A ênfase na aparência física e a questão da nova estética com destaque para a magreza excessiva podem ter um papel importante. Problemas familiares, baixa auto-estima e conflitos de identidade também são fatores causadores desses quadros.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da doença são:

Ingestão exagerada de alimentos em curtos períodos de tempo sem o aumento correspondente do peso corporal
Vômitos auto-induzidos por inversão dos movimentos peristálticos ou colocando o dedo na garganta
Uso de laxantes e diuréticos indiscriminadamente
Dietas severas intermediadas por repentinas perdas de controle que levam ingestão compulsiva de alimentos
Distúrbios depressivos
Ansiedade, comportamento obsessivo compulsivo
Obsessão por exercícios físicos
Comer escondido dos outros.

O diagnóstico de bulimia nervosa requer episódios com uma freqüência mínima de duas vezes por semana, por pelo menos três meses.

Esses episódios podem levar a algumas complicações médicas, como por exemplo, inflamação na garganta pelos efeitos do vômito, face inchada e dolorida por causa da inflamação das glândulas salivares, cáries dentárias, desidratação, desequilíbrio eletrolítico, vômitos com sangue, dores musculares e câimbras.

Tratamento

O tratamento multidisciplinar é o mais adequado: psicoterapia individual ou em grupo, farmacoterapia e abordagem nutricional em nível ambulatorial.

As medicações antidepressivas para estabilização do humor (ansiedade, depressão, sintomas obsessivos) também têm se mostrado eficazes no controle da bulimia. “É importante frisar que a abordagem puramente psiquiátrica no tratamento não é suficiente. É necessária uma terapia multidisciplinar”, ressalta o psiquiatra. A abordagem nutricional visa estabelecer um hábito alimentar mais saudável.

“Raramente a paciente procura ajuda. A iniciativa é sempre de outras pessoas, normalmente familiares”, afirma o médico. A orientação e/ou terapia familiar é necessária já que a família desempenha um papel muito importante na recuperação do paciente.

Fonte: www.hospitalbrasil.com.br

Bulimia

A bulimia nervosa é um distúrbio caracterizado por episódios repetidos de comer compulsivo seguido pela purgação (vômito auto-induzido ou ingestão de laxantes e/ou diuréticos), dieta rigorosa ou prática excessiva de exercícios para contrabalançar os efeitos do comer compulsivo.

Como ocorre na anorexia nervosa, a maioria dos indivíduos que sofrem de bulimia nervosa são do sexo feminino, apresentam uma grande preocupação em relação à forma e ao peso corpóreo e pertencem às classes sócio-econômicas média e alta. Embora a bulimia nervosa tenha sido retratada como uma epidemia, somente cerca de 2% das estudantes universitárias, como a população de maior risco, são bulímicas verdadeiras.

Sintomas

O comer compulsivo (consumo rápido e impulsivo de grandes quantidades de alimento acompanhado por uma sensação de perda de controle) é acompanhado por uma angústia intensa e também por purgação, dieta rigorosa e prática excessiva de exercícios.

A quantidade de alimento consumido em uma vez pode ser bastante grande ou pode não ser maior que a de uma refeição normal.

O estresse emocional muitas vezes desencadeia a ingestão excessiva, a qual geralmente é realizada em segredo.

Um indivíduo deve apresentar esse comportamento pelo menos duas vezes por semana para que a bulimia nervosa seja diagnosticada, mas pode ocorrer com maior freqüência. Apesar dos bulímicos preocuparem-se com a obesidade e alguns são obesos, o seu peso corpóreo tende a oscilar em torno do normal.

O vômito auto-induzido pode provocar erosão do esmalte dos dentes, aumento das glândulas salivares das bochechas (glândulas parótidas) e inflamação do esôfago.

O vômito e purgação podem reduzir a concentração de potássio no sangue, produzindo arritmias cardíacas.

Foram descritos casos de morte súbita após a ingestão repetida de grandes quantidades de ipeca para a indução do vômito.

Raramente, os indivíduos que apresentam esse distúrbio comem tanto durante um episódio de comer compulsivo que leva à ruptura do estômago.

Em comparação com os indivíduos que apresentam anorexia nervosa, aqueles com bulimia nervosa tendem a ser mais conscientes de seu comportamento e sentem remorso ou culpa. Eles apresentam maior tendência a admitir suas preocupações ao médico ou a um outro confidente. Geralmente, os bulímicos são mais extrovertidos e mais propensos a um comportamento impulsivo (p.ex., abuso de drogas ou álcool e depressão manifesta).

Diagnóstico e Tratamento

O médico suspeita da bulimia nervosa quando um indivíduo demonstra uma preocupação evidente sobre o ganho de peso e apresenta oscilações importantes do peso corpóreo, especialmente quando existem evidências do uso excessivo de laxantes.

Outros indícios incluem o aumento das glândulas salivares das bochechas, cicatrizes nos nós dos dedos pelo uso dos dedos para a indução do vômito, erosão do esmalte dos dentes causada pelo ácido gástrico e uma concentração baixa de potássio no sangue.

O diagnóstico somente é confirmado quando o indivíduo descreve o comportamento de comer compulsivo e purgação.

As duas modalidades de tratamento são a psicoterapia e o tratamento medicamentoso.

A psicoterapia, a qual geralmente é melhor realizada por um terapeuta com experiência em distúrbios alimentares, pode ser muito eficaz.

Um medicamento antidepressivo freqüentemene pode ser útil no controle da bulimia nervosa, mesmo quando o indivíduo não apresenta uma depressão evidente.

No entanto, o distúrbio pode retornar após a interrupção da droga.

COMER COMPULSIVO

O comer compulsivo (binge eating) é um distúrbio caracterizado pelo consumo exagerado de alimentos que não é acompanhado por uma purgação.

Neste distúrbio, o consumo exagerado de alimentos contribui para uma ingestão excessiva de calorias.

Ao contrário da bulimia nervosa, o comer compulsivo é mais comum em indivíduos obesos e torna-se mais prevalente com o aumento do peso corpóreo.

Os indivíduos que apresentam comer compulsivo tendem a ser mais velhos do que aqueles com anorexia nervosa ou bulimia nervosa e a proporção de homens é maior (quase 50%).

Sintomas

Os indivíduos que apresentam esse distúrbio sofrem por causa dele.

Aproximadamente 50% dos comedores compulsivos obesos apresentam depressão, enquanto que apenas 5% dos obesos sem esse distúrbio são deprimidos.

Embora esse distúrbio não acarrete os problemas físicos que podem ocorrer na bulimia nervosa, ele é um problema para aquele que está tentando perder peso.

Tratamento

Como o comer compulsivo foi identificado apenas recentemente, não foram desenvolvidos programas terapêuticos padrões para o mesmo.

A maioria dos indivíduos com esse distúrbio são tratados com programas convencionais de perda de peso utilizados no tratamento da obesidade, os quais dão pouca atenção ao comer compulsivo, embora 10% a 20% dos participantes desses programas apresentem esse problema.

A maioria dos indivíduos aceita essa situação porque estão mais preocupados com a obesidade do que com o comer compulsivo. Os tratamentos específicos para o comer compulsivo encontram-se em fase de desenvolvimento e baseiam-se no tratamento da bulimia nervosa.

Eles incluem a psicoterapia e o tratamento medicamentoso (antidepressivos e inibidores do apetite). Embora ambos os tratamentos sejam razoavelmente eficazes no controle do comer compulsivo, a psicoterapia parece ter efeitos mais duradouros.

Fonte: www.msd-brazil.com

Bulimia

Assim como a anoréxica, a pessoa bulímica tem a auto-estima altamente ligada à sua aparência, que também percebe de forma totalmente distorcida.

Mais de 90% dos casos ocorrem em mulheres: a doença começa no final da adolescência ou início da idade adulta e atinge de 1% a 3% delas.

Mas, enquanto o anoréxico vai parando de comer, o bulímico tem crises em que come, às escondidas e exageradamente, doces e alimentos altamente calóricos – até 15 mil calorias numa refeição. Depois da crise, sente culpa, vergonha e medo de engordar, o que o leva a provocar vômito ou usar laxantes, diuréticos ou enemas, a jejuar ou a exagerar nos exercícios físicos, para aliviar o desconforto e o medo de engordar. O bulímico percebe sua falta de controle e sofre com isso.

Sintomas

As pessoas bulímicas em geral estão no peso normal, mas têm depressão, ansiedade e fobia social. Cerca de um terço abusa do álcool e dos estimulantes, na tentativa de controlar o apetite.

As mulheres podem parar de menstruar. O vômito pode levar à perda dos dentes e a inflamação no esôfago.

Evolução

A compulsão periódica por comida freqüentemente começa durante ou após uma dieta.

Também como na anorexia, o risco de desenvolver a doença é maior para os parentes em primeiro grau de pessoas bulímicas, anoréxicas ou com outro transtorno psicológico. A bulimia pode durar vários anos, tornando-se crônica ou intermitente, com fases de saúde e recaídas. O resultado da doença a longo prazo é desconhecido.

Comer compulsivo

À semelhança das bulímicas, as pessoas com o transtorno de comer compulsivamente perdem o controle durante os freqüentes ataques e só conseguem parar de comer quando se sentem fisicamente desconfortáveis.

Mas, ao contrário das bulímicas, não usam métodos purgativos para eliminar os alimentos ingeridos, nem têm preocupação irracional com o peso e a forma do corpo. A maioria é obesa, e cerca de 30% fazem controle alimentar e de peso com acompanhamento médico.

É considerada portadora desse transtorno a pessoa que tem ataques de comer compulsivo pelo menos duas vezes por semana, por um período mínimo de seis meses, em que:

Come muito mais rápido que o normal;
Come até sentir-se desconfortável fisicamente;
Ingere grandes quantidades de comida, mesmo estando sem fome;
Come sozinha, com vergonha da quantidade de comida ingerida;
Sente-se culpada e/ou deprimida após o episódio, o que a faz comer de novo.

Esse quadro está relacionado a outras graves doenças psiquiátricas, como depressão e transtornos de ansiedade, e atinge 2% da população.

Fonte: www.senado.gov.br

Bulimia

A Bulimia Nervosa é um distúrbio alimentar grave.

Caracteriza-se por episódios de ingestão compulsiva que consistem em comer, num curto período de tempo, uma quantidade anormalmente grande de comida, com a sensação de perda de controlo. Nestes episódios as doentes ingerem habitualmente comida que consideram "proibida" (como doces e hidratos de carbono).

Estas doentes têm ainda comportamentos compensatórios como vomitar, usar laxantes, diuréticos ou outros medicamentos, fazer jejum e exercício físico excessivo.

Os episódios de ingestão compulsiva habitualmente começam durante ou após uma dieta restritiva.

Estes episódios originam reações emocionais negativas que muitas vezes precipitam os comportamentos de purga (vómitos, laxantes, diuréticos).

As bulímicas quando têm os episódios de empanturramento e os comportamentos de purga sentem muita vergonha e culpabilidade. Habitualmente mantêm a sua doença em segredo (mesmo em relação aos seus familiares mais próximos) e procuram tardiamente ajuda especializada.

Estas doentes manifestam insatisfação com o seu corpo e desejos de serem mais magras. Habitualmente têm um peso normal (ou ligeiramente acima ou abaixo do peso normal), mas acham-se gordas, especialmente em determinadas partes do corpo.

Estas doentes apresentam uma auto-estima baixa, tendem a ser perfeccionistas, tímidas, pouco auto-afirmativas e a ter dificuldades no relacionamento interpessoal.

A Bulimina Nervosa pode associar-se com sintomatologia depressiva e ansiosa, isolamento social, comportamento impulsivo e comportamentos aditivos (por ex., abuso de álcool e drogas).

História Protótipo / Padrão

Este distúrbio frequentemente começa no fim da adolescência ou no início da idade adulta e é mais frequente nas mulheres do que nos homens. A prevalência da BN em adolescentes e mulheres jovens da população geral é aproximadamente de 0.5 a 1% (valores subestimados).

Pensa-se que existe um conjunto de fatores (individuais, familiares e socioculturais) que podem predispor a pessoa para o desenvolvimento duma BN. O começo da BN parece também estar associado com determinados acontecimentos de vida precipitantes.

O perfil típico duma doente bulímica é o de uma mulher jovem, com história pessoal ou familiar de obesidade e de distúrbios do humor, que acha que tem excesso de peso e começa a fazer uma dieta.

Apesar de perder algum peso, não fica satisfeita com essa diminuição ponderal e desenvolve uma preocupação exagerada com o seu peso e forma corporal. Isto leva-a a fazer dietas cada vez mais restritivas. Seguem-se os episódios de empanturramento, quando perde o controlo sobre a ingestão alimentar. O seu medo de engordar é tão grande como a sua atração pela comida. Então, perturbada pela sua falta de controlo e pela possibilidade de ficar gorda decide induzir o vómito e usar laxantes para poder comer grandes quantidades de comida sem ganhar peso.

Entre os episódios de empanturramento faz também uma dieta bastante restritiva. Os episódios bulímicos agravam-se. E o seu problema tende a tornar-se crónico, com flutuações frequentes na gravidade dos sintomas.

Comer Compulsivo

Distúrbio de Ingestão Compulsiva

O distúrbio de ingestão compulsiva é um síndrome persistente e frequente de ingestão compulsiva, que não é acompanhado por comportamentos compensatórios regulares necessário para o diagnóstico de bulimia nervosa.

A ingestão compulsiva no distúrbio de ingestão compulsiva é definido como a ingestão de uma grande quantidade de comida sendo superior à que a maioria das pessoas comem num período de tempo semelhante e sob as mesmas circunstâncias, com a sensação de perda de controlo sobre o ato de comer durante o episódio.

Os episódios de voracidade estão associados a certas condições, nomeadamente comer muito mais rápido do que o normal; comer só porque tem vergonha do quanto come; comer até se sentir desagradavelmente cheio; comer muito apesar de não ter fome; sentir-se triste, ou culpabilizado depois de comer.

Depois da ingestão compulsiva a jovem apresenta marcado mal estar geral em relação aos episódios e estes aparecem , em média, pelo menos, duas vezes por semana.

A evidência tem indicado que a terapia cognitvo-comportamental; psicoterapia interpessoal e tratamento antidepressivo, tem utilidade no tratamento do distúrbio de ingestão compulsiva. A terapia mais bem estudada e com resultados promissores é a terapia cognitivo-comportamental. Esta baseia-se na premissa que a dieta crónica no esforço de controlar o peso promove e mantém o comportamento de ingestão compulsiva. A terapia cognitivo-comportamental tem como objetivo focar-se em diminuir a restrição alimentar e modificar pensamentos maladaptativos, crenças e valores relacionados com a alimentação, forma e peso.

Fonte: www.huc.min-saude.pt

Bulimia

É uma disfunção alimentar associada à anorexia nervosa, com um diferencial: a pessoa bulímica tende a apresentar períodos em que se alimenta em excesso, seguidos pelo sentimento de culpa por causa do ganho de peso. Para "compensar" o ganho de massa, o bulímico exercita-se de forma desmedida, vomita o que come e/ou faz uso excessivo de purgantes e diuréticos.

Além dos mesmos danos à saúde causado pela anorexia, a bulimia nervosa tem outras complicações, tais como: danos severos ao esôfago, às glândulas salivares e aos dentes, por causa do ácido estomacal, presente no vômito, que corrói tais órgãos, o que em alguns casos pode levar à morte.

Pacientes bulímicos costumam envergonhar-se de seus problemas alimentares e, assim, buscam ocultar seus sintomas. Dessa forma, as compulsões periódicas geralmente ocorrem sem o conhecimento dos pais, dos amigos ou das pessoas próximas.

Após a Bulimia ter persistido por algum tempo, os pacientes podem afirmar que seus episódios compulsivos não mais se caracterizam por um sentimento agudo de perda de controle, mas sim por indicadores comportamentais de prejuízo do controle, tais como dificuldade a resistir em comer em excesso ou dificuldade para cessar um episódio compulsivo, uma vez que iniciado.

Esses pacientes podem "jejuar" por um dia ou mais ou exercitar-se excessivamente na tentativa de compensar o comer compulsivo.

A Bulimia Nervosa é um Transtorno Alimentar que se caracteriza pela ingestão de grandes quantidades de alimentos (episódios de comer compulsivo ou episódios bulímicos), seguidos por métodos compensatórios, tais como vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar.

Diferentemente da anorexia nervosa, na bulimia pode não haver perda de peso, e assim médicos e familiares têm dificuldade de detectar o problema. A doença ocorre mais frequentemente em mulheres jovens, embora possa ocorrer, raramente , em homens e mulheres com mais idade.

O que se sente?

Ingestão compulsiva e exagerada de alimentos.
Vômitos
autoinduzidos, uso de laxantes e diuréticos para evitar ganho de peso.
Alimentação excessiva, sem aumento proporcional do peso corporal.
Depressão.
Obsessão por exercícios físicos.
Obsessão por exercícios físicos.
Comer
em segredo ou escondido dos outros.
Complicações médicas
Inflamação na garganta (inflamação do tecido que reveste o esôfago pelos efeitos do vômito).
Face inchada e dolorida (inflamação nas glândulas salivares).
Cáries e lesão sobre o esmalte dentário. Desidratação.
Desequilíbrio eletrolítico.
Vômitos
com sangue.
Dores musculares e câimbras.

Causas

Assim como na anorexia, a bulimia nervosa é uma síndrome multideterminada por uma mescla de fatores biológicos, psicológicos, familiares e culturais.

A ênfase cultural na aparência física pode ter um papel importante. Problemas familiares, baixa autoestima e conflitos de identidade também são fatores envolvidos no desencadeamento desses quadros.

Como se desenvolve?

Muitas vezes, leva tempo para se perceber que alguém tem bulimia nervosa.

A característica principal é o episódio de comer compulsivo, acompanhado por uma sensação de falta de controle sobre o ato e, às vezes, feito secretamente.

Os comportamentos direcionados a controle de peso incluem jejum, vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, enemas, diuréticos, e exercícios físicos extenuantes.

O diagnóstico de bulimia nervosa requer episódios com uma frequência mínima de duas vezes por semana, por pelo menos três meses. A fobia de engordar é o sentimento motivador de todo o quadro. Esses episódios de comer compulsivo, seguidos de métodos compensatórios, podem permanecer escondidos da família por muito tempo.

A bulimia nervosa acomete adolescentes um pouco mais velhas, em torno dos 17 anos.

Pessoas com bulimia têm vergonha de seus sintomas, portanto, evitam comer em público e evitam lugares como praias e piscinas onde precisam mostrar o corpo. À medida que a doença se desenvolvolve, essas pessoas só se interessam por assuntos relacionados à comida, peso e forma corporal.

Como se trata?

A abordagem multidisciplinar é a mais adequada no tratamento da bulimia nervosa, e inclui psicoterapia individual ou em grupo, farmacoterapia e abordagem nutricional em nível ambulatorial.

As técnicas cognitivo-comportamentais têm se mostrado eficazes.

As medicações antidepressivas também têm se mostrado eficazes no controle dos episódios bulímicos.

A abordagem nutricional visa estabelecer um hábito alimentar mais saudável, eliminando o ciclo "compulsão alimentar/purgação/jejum".
A orientação e/ou terapia familiar faz-se necessária uma vez que a família desempenha um papel muito importante na recuperação do paciente.

Como se previne?

Uma diminuição na ênfase da aparência física, tanto no aspecto cultural como familiar, pode eventualmente reduzir a incidência desses quadros.

É importante fornecer informações a respeito dos riscos de regimes rigorosos para obtenção de uma silhueta "ideal", já que eles desempenham um papel fundamental no desencadeamento dos transtornos alimentares.

Que é a bulimia?

É o transtorno alimentar caracterizado por episódios recorrentes de "orgias alimentares", no qual o paciente come num curto espaço de tempo grande quantidade de alimento como se estivesse com muita fome. O paciente perde o controle sobre si mesmo e depois tenta vomitar e/ou evacuar o que comeu, através de artifícios como medicações, com a finalidade de não ganhar peso.

Generalidades

Existe uma tendência popular em achar que a bulimia é o contrário da anorexia.

A rigor o contrário da anorexia seria o paciente achar que está muito magro e precisa engordar, vai ganhando peso, tornando-se obeso e continua a julgar-se magro e continua comendo. Isso seria o oposto da anorexia, mas tal quadro psiquiátrico não existe. Na bulimia o paciente não quer engordar, mas não consegue conter o impulso para comer por mais do que alguns dias.

O paciente com bulimia tipicamente não é obeso porque usa recursos extremos para eliminar o excesso ingerido.

Enquanto a comunidade psiquiátrica mundial não reconhecer o binge como uma patologia à parte seremos obrigados a admitir que há 2 tipos de pacientes com bulimia: os que tentam eliminar o excesso ingerido por vômitos ou laxantes e os pacientes bulímicos que não fazem isso e acabam engordando, esse segundo tipo pode vir a constituir num outro transtorno alimentar, o Binge.

Os pacientes com bulimia geralmente apresentam 2 a 3 episódios por semana, o que não significa que no resto do tempo esteja bem. Na verdade esses episódios só não são diários ou mesmo mais de uma vez ao dia porque o paciente está constantemente lutando contra eles. Esses pacientes pensam em comer o tempo todo. A média de fracassos na tentativa de conter o impulso são duas vezes por semana.

Como é o bulímico?

Basicamente é um paciente com vergonha de seu problema, com sentimento de inferioridade e auto-estima baixa.

O paciente reconhece o absurdo de seu comportamento, mas por não conseguir controlá-lo sente-se inferiorizado, incapaz de conter a si mesmo, por isso vê a si como uma pessoa desprezível. Procura esconder dos outros seus problemas para não o desprezarem também. Quando existe um bom motivo como ganhar muito dinheiro o paciente pode até sujeitar-se a expor seu problema, como vimos no programa Big Brother primeira edição de 2002 na TV Globo.

Os pacientes bulímicos geralmente estão dentro do seu peso ou um pouco acima. Tentativas de dieta estão sempre sendo realizadas. Tentativas de adaptar os afazeres e compromissos rotineiros com os episódios de ingestão e auto-indução de vômito tornam seu estilo de vida bizarro, pois os episódios devem ser feitos às escondidas, mesmo das pessoas íntimas. Uma alternativa para a manutenção de seu problema escondido é a opção pelo isolamento e distanciamento social, que por sua vez gera outros problemas. Assim como a anorexia a Bumilia geralmente ocorre no adolescente, predominantemente nas mulheres.

Os assuntos das conversas preferidos são relacionados a técnicas de emagrecimento. É comum o comportamento de esconder alimentos para futuros episódios.

É interessante notar que a bulimia não constitui uma completa perda do controle. O paciente consegue planejar seus episódios, esperar para ficar sozinho e guardar alimentos, por exemplo. Essa incapacidade parcial é intrigante para os leigos. Muitas vezes os maridos das pacientes julgam que a paciente faz tudo porque quer e critica a esposa aumentando sua culpa. Essa atitude deve ser evitada, pois além de não ajudar, atrapalha diminuindo ainda mais a auto-estima da paciente que sucumbe aos esforços por tratar-se. A bulimia muitas vezes sucede aos episódios de anorexia.

Tratamento

Os antidepressivos tricíclicos já foram testados e apresentaram respostas parciais, ou seja, os pacientes melhoram, mas não se recuperam completamente.

Carbamazepina e lítio também foram testados com uma resposta ainda mais fraca. Os antidepressivos IMAO também apresentam uma melhora similar a dos tricíclicos, porém melhor tolerado pelos pacientes por terem menos efeitos colaterais. Mais recentemente os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina vêem sendo estudados com boas respostas, mas não muito superiores às dos tricíclicos. Os estimulantes por inibirem o apetite também apresentaram bons resultados, mas há poucos estudos a respeito para se embasar uma conduta terapêutica.

Muitos pacientes só com psicoterapias apresentam remissão completa. Não há uma abordagem especialmente recomendada. Pode-se indicar a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, terapias de grupo, grupos de auto-ajuda, psicoterapias individuais.

Problemas Clínicos

Os repetidos episódios de auto-indução do vômito geram problemas noutros sistemas do corpo.

Ao se vomitar não se perde apenas o que se comeu, mas os sucos digestivos também. Isso pode acarretar desequilíbrio no balanço dos eletrólitos no sangue, afetando o coração, por exemplo, que precisa de um nível adequando dessas substâncias para ter seu sistema de condução elétrica funcionante.

As repetidas passagem do conteúdo gástrico (que é muito ácido) pelo esôfago acabam por ferí-lo podendo provocar sangramentos. Casos extremos de rompimento do estômago devido ao excesso ingerido com muita rapidez já foram descritos várias vezes. O intestino grosso pode sofrer conseqüências pelo uso repetido de laxantes como constipação crônica, hemorróidas, mal estar abdominal ou dores.

Fonte: www.ademirguerreiro.ne

Bulimia

As características essenciais da Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas e métodos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso.

Além disso, a auto-avaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo, tal como ocorre na Anorexia Nervosa.

Para qualificar o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses.

Uma compulsão periódica é definida pela ingestão, num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria sob circunstâncias similares. O médico deve considerar o contexto no qual a compulsão periódica ocorreu; durante uma celebração ou uma ceia festiva, por exemplo, o que seria considerado um consumo excessivo em uma refeição comum é considerado normal.

Trantornos Alimentares
Aspectos Culturais
Síndrome do Gourmet
Transtorno Alimentar Noturno
Pica
Síndrome de Pradrer Willy
Comedores Compulsivo
Obesidade

A primeira atitude da paciente com bulimia é esconder sua doença. Até do médico. Por isso, a família da paciente com bulimia costuma ser a última a saber do transtorno.

Como ocorre na anorexia, a bulimia se caracteriza por importante distorção do esquema corporal. A paciente se vê gorda, com gordurinhas imaginárias aqui e ali.

Essa idéia distorcida não é corrigida pela argumentação lógica de todas as pessoas de sua intimidade, mesmo que se façam comparações racionais, mostrem-se fotos ou outros argumentos sensatos.

Concomitantemente surge uma preocupação obsessiva com os alimentos, com as calorias, com o peso, gramas e miligramas.

A simples idéia ou visão de alimentos mais gordurosos causa enjôo e náusea. Mas não é raro que essas pessoas tenham "crises" de comer vorazmente para, em seguida, provocarem vômito.

As complicações mais comuns da Bulimia podem ser:

Dores musculares e câimbras
Inflamação na garganta pelos efeitos do vômito
Cáries dentárias
Desidratação e desnutrição
Desequilíbrio eletrolítico, com franqueza e desmaios
Vômitos com sangue
Face inchada e dolorida por inflamação das glândulas salivares

Toda essa obsessão com alimentos e calorias, embora doentia, tem importante reforço em nossa cultura. Atualmente a sociedade frugal é obsessivamente preocupada com tudo o que diga respeito ao peso, gordura, calorias, etc.

A quantidade de revistas que tratam exclusivamente da "boa forma" e das dietas e alimentações pretensamente balanceadas reforçam a preocupação doentia das pessoas com esses transtornos alimentares.

Não é raro que a Bulimia se dê concomitante com a Anorexia. Nesse caso, além da recusa alimentar, caso haja ingestão de comida (em qualquer quantidade) haverá provocação de vômito.

A Bulimia prevalece em adolescentes do sexo feminino, geralmente em torno dos 17 anos, arrastando-se pela vida adulta. Essas pessoas costumam ter vergonha de seus sintomas e, por isso, evitam comer em público e lugares onde precisam mostrar o corpo (praias e piscinas).

De qualquer forma, associada ou não à Anorexia, a Bulimia é um quadro grave e de difícil tratamento. Veja na coluna abaixo alguns dados importantes.

Um "período limitado de tempo" refere-se a um período definido, geralmente durando menos de 2 horas. Um episódio isolado de compulsão periódica não precisa ser restrito a um contexto. Por exemplo, um paciente pode começar um episódio em um restaurante e continuá-lo ao voltar para casa.

O ato de ingerir continuamente pequenas quantidades de comida durante o dia inteiro não seria considerado uma compulsão periódica.

Embora varie o tipo de alimento consumido durante os ataques de hiperfagia (comer muito), ele tipicamente inclui doces e alimentos com alto teor calórico, tais como sorvetes ou bolos.

Entretanto, as compulsões periódicas parecem caracterizar-se mais por uma anormalidade na quantidade de alimentos consumidos do que por uma avidez por determinados nutrientes, como carboidratos.

Embora os pacientes com Bulimia Nervosa, durante um episódio de compulsão periódica, possam consumir mais calorias do que as pessoas sem Bulimia Nervosa consomem durante uma refeição, a proporção de calorias derivadas de proteínas, gorduras e carboidratos é similar.

Os pacientes com Bulimia Nervosa tipicamente se envergonham de seus problemas alimentares e procuram ocultar seus sintomas. As compulsões periódicas geralmente ocorrem em segredo, ou dissimuladas tanto quanto possível. Um episódio pode, ou não, ser planejado de antemão e em geral (mas nem sempre) é caracterizado por um consumo rápido.

A compulsão periódica freqüentemente prossegue até que o paciente se sinta desconfortável, ou mesmo dolorosamente repleto. A compulsão periódica é tipicamente desencadeada por estados de humor disfóricos, estressores interpessoais, intensa fome após restrição por dietas, ou sentimentos relacionados a peso, forma do corpo e alimentos. A compulsão periódica pode reduzir temporariamente a disforia, mas autocríticas e humor deprimido freqüentemente ocorrem logo após.

Um episódio de compulsão periódica também se acompanha de um sentimento de falta de controle. Um paciente pode estar em um estado frenético enquanto leva a efeito a compulsão, especialmente no curso inicial do transtorno. Alguns pacientes descrevem uma qualidade dissociativa durante ou após os episódios de compulsão periódica.

Após a Bulimia Nervosa ter persistido por algum tempo, os pacientes podem afirmar que seus episódios compulsivos não mais se caracterizam por um sentimento agudo de perda do controle, mas sim por indicadores comportamentais de prejuízo do controle, tais como dificuldade em resistir a comer em excesso ou dificuldade para cessar um episódio compulsivo, uma vez iniciado.

0 prejuízo no controle associado com a compulsão periódica da Bulimia Nervosa não é absoluto, já que, por exemplo, um paciente pode continuar comendo enquanto o telefone toca, mas interromper o comportamento se um colega ou o cônjuge ingressar inesperadamente no mesmo aposento.

Outra característica essencial da Bulimia Nervosa é o uso recorrente de comportamentos compensatórios inadequados para prevenir o aumento de peso.

Muitos pacientes com Bulimia Nervosa empregam diversos métodos em suas tentativas de. compensarem a compulsão periódica.

A técnica compensatória mais comum é a indução de vômito após um episódio de compulsão periódica. Este método purgativo é empregado por 80 a 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa que se apresentam para tratamento em clínicas de transtornos alimentares. Os efeitos imediatos do vômito incluem alívio do desconforto físico e redução do medo de ganhar peso.

Em alguns casos, o vômito torna-se um objetivo em si mesmo, de modo que a pessoa come em excesso para vomitar ou vomita após ingerir uma pequena quantidade de alimento. Os pacientes com Bulimia Nervosa podem usar uma variedade de métodos para a indução de vômitos, incluindo o uso dos dedos ou instrumentos para estimular o reflexo de vômito.

Os pacientes em geral se tornam hábeis na indução de vômitos e por fim são capazes de vomitar quando querem. Raramente, os pacientes consomem xarope de ipeca para a indução do vômito.

Outros comportamentos purgativos incluem o uso indevido de laxantes e diuréticos.

Aproximadamente um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa utiliza laxantes após um ataque de hiperfagia.

Raramente, os pacientes com este transtorno utilizam enemas após os episódios compulsivos, mas este quase nunca é o único método compensatório empregado.

Os pacientes com Bulimia Nervosa podem jejuar por um dia ou mais ou exercitar-se excessivamente na tentativa de compensar o comer compulsivo.

Exercícios podem ser considerados excessivos quando interferem significativamente em atividades importantes, quando ocorrem em momentos ou contextos inadequados ou quando o paciente continua se exercitando apesar de lesionado ou de outras complicações médicas.

Raramente, os pacientes com este transtorno podem tomar hormônio da tiróide na tentativa de prevenir o aumento de peso.

Os pacientes com diabete melito e Bulimia Nervosa podem omitir ou reduzir as doses de insulina, para reduzir o metabolismo dos alimentos consumidos durante os ataques de hiperfagia.

Os pacientes com Bulimia Nervosa colocam uma ênfase excessiva na forma ou no peso do corpo em sua auto-avaliação, sendo esses fatores, tipicamente, os mais importantes na determinação da auto-estima.

As pessoas com o transtorno podem ter estreita semelhança com as que têm Anorexia Nervosa, em seu medo de ganhar peso, em seu desejo de perder peso e no nível de insatisfação com seu próprio corpo. Entretanto, um diagnóstico de Bulimia Nervosa não deve ser dado quando a perturbação ocorre apenas durante episódios de Anorexia Nervosa.

CAUSAS

Pouco se conhece a respeito das causas da Bulimia Nervosa.

Possivelmente exista um modelo onde múltiplas causas devem interagir para o surgimento da doença, incluindo aspectos socioculturais, psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos e genéticos.

Influência cultural tem ido apontada, atualmente, como um forte desencadeante; o corpo magro é encarado como símbolo de beleza, poder, autocontrole e modernidade. Desta forma a propaganda dos regimes convence o público de que o corpo pode ser moldado.

Assim, a busca pelo corpo perfeito tem se manifestado em três áreas: nutrição/dieta, atividade física e cirurgia plástica. Nos EUA o números de lipoaspiração passou de aproximadamente 55.900 casos em 1981 para 101.000 em 1988.

Distúrbio da interação familiar, eventos estressantes relacionados à sexualidade e formação da identidade pessoal são apontados como fatores desencadeantes ou mantenedores da bulimia. Postula-se que alterações de diferentes neurotransmissores podem contribuir para o complexo sintomático, notadamente dos mesmos neurotransmissores envolvidos na depressão emocional.

TIPOS

Os seguintes subtipos podem ser usados para especificar a presença ou ausência regular de métodos purgativos como meio de compensar uma compulsão periódica:

Tipo Purgativo

Este subtipo descreve apresentações nas quais o paciente se envolveu regularmente na auto-indução de vômito ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.

Tipo Sem Purgação

Este subtipo descreve apresentações nas quais o paciente usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.

"Segundo estatísticas, das pessoas que sofrem de anorexia e bulimia, apenas um terço consegue se recuperar e cerca de 20% morrem em função do estado agudo de desnutrição. A magreza excessiva provoca complicações renais, hormonais e gástricas e até parada cardíaca. A bulimia ocorre quase que exclusivamente em mulheres jovens. Menos de 10% dos pacientes são homens.

Algumas garotas chegam a manifestar ausência de menstruação por mais de três meses. Muitas meninas que sofrem dessas doenças demoram a descobrir e, quando descobrem, negam estar doentes.

Para a psicoterapeuta Olga Inês Tessari as meninas não estão se aceitando como realmente são. Estimuladas pelas modelos das revistas e televisão, elas vão em busca de um padrão físico diferente do que possuem geneticamente."

A pessoa com Bulimia tem comportamento social visível e atitudes emocionais visíveis perfeitamente normais. Isso quer dizer que não se pode perceber esses pacientes tão facilmente.

O máximo que se pode notar, enquanto não aparece a desnutrição ou outras complicações, é o hábito suspeito de correr para o banheiro depois de comer.

Existem duas grandes dificuldades no tratamento da Bulimia e da Anorexia: a demora em procurar o atendimento médico e a falta de aderência do paciente. Na realidade, a primeira reflete a recusa da família em aceitar a doença e a segunda a recusa do paciente.

A recusa da família deve-se, principalmente à influência de parentes, leigos que acham tanto a Anorexia como a Bulimia algum simples capricho, uma teimosia ou algo que vai passar...

Ainda tem casos onde os pais optam por alguma coisa "mais natural", algo "que não faça mal" ou a famosa frase "onde já se viu a Bia ter que tomar esses calmantes..." Enfim... a ignorância também pode matar.

TRANSTORNOS ASSOCIADOS

Os pacientes com Bulimia Nervosa tipicamente estão dentro da faixa de peso normal, embora alguns possam estar com um peso levemente acima ou abaixo do normal. O transtorno ocorre, mas é incomum, entre pacientes moderada e morbidamente obesos.

Há indícios de que, antes do início do Transtorno Alimentar, os pacientes com Bulimia Nervosa estão mais propensos ao excesso de peso do que seus pares.

Entre os episódios compulsivos, os pacientes com o transtorno tipicamente restringem seu consumo calórico total e selecionam preferencialmente alimentos com baixas calorias (diet) evitando alimentos que percebem como engordantes ou que provavelmente ativarão um ataque de hiperfagia.

Os pacientes com Bulimia Nervosa apresentam uma freqüência maior de sintomas depressivos (por ex., baixa auto-estima, insegurança) ou Transtornos do Humor (particularmente Transtorno Distímico e Transtorno Depressivo Maior).

Em muitas ou na maior parte dessas pessoas, o distúrbio do humor começa simultaneamente ou segue o desenvolvimento da Bulimia Nervosa, sendo que com freqüência atribuem sua perturbação do humor à Bulimia Nervosa.

Também pode haver maior freqüência de sintomas de ansiedade (por ex., medo de situações sociais) ou Transtornos de Ansiedade. Esses distúrbios do humor e de ansiedade comumente apresentam remissão após o tratamento efetivo da Bulimia Nervosa.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes.

O uso de estimulantes freqüentemente começa na tentativa de controlar o apetite e o peso.

É provável que 30 a 50% dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais freqüentemente Transtorno da Personalidade Borderline).

Evidências preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação.

CARACTERÍSTICAS DA CULTURA, DA IDADE E DO SEXO

A Bulimia Nervosa ocorre, conforme relatado, com freqüência aproximadamente similares na maioria dos países industrializados, incluindo os Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália, Japão, Nova Zelândia e África do Sul. Poucos estudos examinaram a prevalência da Bulimia Nervosa em outras culturas.

Em estudos clínicos da Bulimia Nervosa nos Estados Unidos, os pacientes com este transtorno eram principalmente brancos. mas o transtorno também foi relatado entre outros grupos étnicos.

Em amostras clínicas e populacionais, pelo menos 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa são mulheres, como também ocorre na Anorexia Nervosa. Alguns dados sugerem que os homens com Bulimia Nervosa têm maior prevalência de obesidade pré-mórbida do que as mulheres com o transtorno.

A prevalência da Bulimia Nervosa entre mulheres adolescentes e adultas jovens é de aproximadamente 1-3%; a taxa de ocorrência deste transtorno em homens é de aproximadamente um décimo da que ocorre em mulheres.

A Bulimia Nervosa começa ao final da adolescência ou início da idade adulta. A compulsão periódica freqüentemente começa durante ou após um episódio de dieta. 0 comportamento alimentar perturbado persiste por pelo menos vários anos, em uma alta porcentagem das amostras clínicas.

0 curso pode ser crônico ou intermitente, com alternância de períodos de remissão e recorrência de ataques de hiperfagia. 0 resultado da Bulimia Nervosa a longo prazo é desconhecido.

EPIDEMIOLOGIA

A taxa de prevalência da bulimia nervosa é de 2 a 4% entre mulheres adolescentes e adultas jovens.

A grande maioria dos pacientes com bulimia nervosa é do sexo feminino, na proporção de 9:1. O início dos sintomas vai dos últimos anos da adolescência até os 40 anos com idade média de início por volta dos 20 anos.

Algumas profissões em particular parecem apresentar maior risco, como é o caso dos jóqueis, atletas, manequins e pessoas ligadas à moda em geral, onde o rigor com o controle do peso é maior do que na população geral. Semelhante anorexia nervosa. Aspectos socioculturais são importantes na medida em que a doença parece também mais comum em classes econômicas mais elevadas..

CURSO

A idade média para o início da Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos aos 14 e aos 18 anos.

O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital estressante, como sair de casa para cursar a universidade, casamento, rompimento conjugal, etc.

O curso e evolução da Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns pacientes se recuperam completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de ganho de peso seguido de recaída e outros vivenciam um curso crônico e deteriorante ao longo de muitos anos.

A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso e para a correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos. Dos pacientes baixados em hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa é em torno de 10%. A morte ocorre, com maior freqüência, por inanição, suicídio ou desequilíbrio eletrolítico.

Existe um risco aumentado de Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com o transtorno. Um risco maior de Transtornos do Humor, principalmente depressão, também foi constatado entre os parentes biológicos em primeiro grau de pacientes com Anorexia Nervosa.

Abaixo, transcrição de parte de um texto interessantíssimo publicado no site Vida e Saúde:

"A anorexia e a bulimia estão entre as principais causas de morte de mulheres jovens em todo o mundo, e a maioria das vítimas são adolescentes em período de formação física e psicológica que colocam em risco suas vidas pelo temor obsessivo de engordar.

Exemplos famosos de anorexia em jovens não faltam: recentemente ganhou destaque na imprensa aconteceu na China, onde uma estudante de 15 anos que media 1,65 m e pesava 54 kg começou uma dieta que acabou levando à sua morte, pesando menos de 30 kg.

A doença não escolhe classe social e chegou a círculos privilegiados, como no caso da filha do presidente francês Jacques Chirac e da princesa Victoria, da Suécia. Entre as vítimas mais velhas, é preciso lembrar a modelo Kate Moss, que já foi hospitalizada por anorexia, e a princesa Diana, bulímica assumida.

Mas, além de chegar à moda e ao poder, círculos em que a absessão com a aparência é constante, a anorexia e a bulimia têm tirado o sono de milhares de famílias anônimas em todo o mundo, que vêem suas filhas sempre às voltas com dietas e programas de beleza, e nem sempre sabem reconhecer o limite entre a preocupação com a beleza e a distorção da auto-imagem. Por isso, em geral, as famílias só detectam o problema quando a situação já é de emergência, o que traz maiores os riscos de que a doença seja fatal. veja tudo

Critérios Diagnósticos Bulimia Nervosa

A. Episódios recorrentes de compulsão periódica.

Um episódio de compulsão periódica é caracterizado por ambos os seguintes aspectos:

1. - ingestão, em um período limitado de tempo (por ex., dentro de um período de 2 horas) de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria durante um período similar e sob circunstâncias similares
2. - um sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio (por ex., um sentimento de incapacidade de parar de comer ou de controlar o que ou quanto está comendo)

B. Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso, como auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes, diuréticos, enemas ou outros medicamentos, jejuns ou exercícios excessivos.
C. A compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem, em média, pelo menos duas vezes por semana, por 3 meses.
D. A auto-avaliação é indevidamente influenciada pela forma e peso do corpo
E. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa.

Tipo Purgativo: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o paciente envolveu-se regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.
Tipo Sem Purgação: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o paciente usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

TRATAMENTO

A grande maioria dos pacientes bulímicos deve ser tratada em nível ambulatorial, exceto nos casos onde o desequilíbrio metabólico exige uma intervenção mais intensiva. É interessante o tratamento ambulatorial pois, em geral, os pacientes são mulheres jovens estudantes ou com empregos, donas de casa e com filhos pequenos, onde o afastamento seria prejudicial.

Quando necessária, a internação ocorre por complicações associadas como: depressão com risco de suicídio, perda de peso acentuado com comprometimento do estado geral, hipopotassemia seguida de arritmia cardíaca e nos casos de comportamento multiimpulsivo (abuso de álcool, drogas, automutilação, cleptomania, promiscuidade sexual).

Alguns autores preconizam a prescrição de um plano de alimentação regular. Um diário de alimentação, pensamentos, sentimentos e comportamentos experimentados em cada situação. Este diário deverá ser discutido com o paciente de forma tranqüila e franca.

A psicoterapia pode ser de linha cognitiva e/ou comportamental e deve ajudar o paciente no entendimento dos seus aspectos dinâmicos assim como orientá-lo em questões práticas, por exemplo: planejando antecipadamente os horários quanto às atividades e refeições; tentar comer acompanhado; não estocar alimentos em casa; pesar-se apenas na consulta médica, etc.

Os antidepressivos têm demonstrado maior eficácia na diminuição dos episódios bulímicos; esses incluem antidepressivos tricíclicos, ou ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina), como por exemplo a fluoxetina e a fluvoxamina, mesmo na ausência de depressão coexistente. Outras medicações foram usadas sem resultados promissores.

Fonte: www.psiqweb.com.br

Bulimia

O que é?

Na bulimia nervosa as pessoas ingerem grandes quantidades de alimentos (episódios de comer compulsivo ou episódios bulímicos) e depois utilizam métodos compensatórios, tais como: vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar.

Diferentemente da anorexia nervosa, na bulimia não há perda de peso, e assim médicos e familiares têm dificuldade de detectar o problema.

A doença ocorre mais freqüentemente em mulheres jovens, embora possa ocorrer mais raramente em homens e mulheres com mais idade.

Características:

Ingestão compulsiva e exagerada de alimentos
Vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e diuréticos para evitar ganho de peso
Alimentação excessiva sem aumento proporcional do peso corporal
Depressão
Obsessão por exercícios físicos
Comer em segredo ou escondido dos outros

Complicações médicas:

Inflamação na garganta (inflamação do tecido que reveste o esôfago pelos efeitos do vômito)
Face inchada e dolorida (inflamação nas glândulas salivares)
Cáries e alteração dos esmaltes dentários
Desidratação
Desequilíbrio eletrolítico
Vômitos com sangue
Dores musculares e câimbras

Causas

Assim como na anorexia, a bulimia nervosa é uma síndrome multideterminada por uma mescla de fatores biológicos, psicológicos, familiares e culturais. A ênfase cultural na aparência física pode ter um papel importante .

Problemas familiares, baixa auto-estima e conflitos de identidade também são fatores envolvidos no desencadeamento desses quadros.

Como se desenvolve?

Muitas vezes, leva tempo para se perceber que alguém tem bulimia nervosa. A característica principal é o episódio de comer compulsivo, acompanhado por uma sensação de falta de controle sobre o ato e, muitas vezes, feito secretamente.

Os comportamentos direcionados a controle de peso incluem jejum, vômitos auto-induzidos, uso de laxantes, diuréticos,e exercícios físicos extenuantes.

A fobia de engordar é o sentimento motivador de todo o quadro. Esses episódios de comer compulsivo seguidos de métodos compensatórios podem permanecer escondidos da família por muito tempo.

A bulimia nervosa acomete adolescentes um pouco mais velhas, em torno dos 17 anos. Pessoas com bulimia têm vergonha de seus sintomas, portanto, evitam comer em público e evitam lugares como praias e piscinas o¬nde precisam mostrar o corpo. A medida que a doença vai se desenvolvendo essas pessoas só se interessam por assuntos relacionados a comida , peso e forma corporal.

Como se trata?

A abordagem multidisciplinar é a mais adequada no tratamento da bulimia nervosa e inclui psicoterapia individual ou em grupo, farmacoterapia e abordagem nutricional a nível ambulatorial.

As técnicas cognitivo-comportamentais têm se mostrado eficazes. As medicações antidepressivas também tem se mostrado eficazes no controle dos episódios bulímicos.

A abordagem nutricional visa a estabelecer um hábito alimentar mais saudável, eliminando o ciclo "compulsão alimentar/purgação/jejum".

A orientação e/ou terapia familiar faz-se necessária uma vez que a família desempenha um papel muito importante na recuperação de paciente.

Como se previne?

Uma diminuição na ênfase na aparência física tanto cultural como familiar pode eventualmente reduzir a incidência desses quadros.

É importante fornecer informações a respeito dos riscos de regimes rigorosos para obtenção de uma silhueta "ideal", já que eles desempenham um papel fundamental no desencadeamento dos transtornos alimentares.

Fonte: www.psicobesidade.com.br

Bulimia

Principais características da bulimia nervosa

Episódios de gula (consumo rápido de grandes quantidade de comida num curto período de tempo).
Um sentimento de falta de controlo sobre o comportamento alimentar.
Vómito auto-provocado.
Uso de laxativos e diuréticos.
Dieta, jejum ou exercício rigoroso para prevenir o aumento de peso.
Persistência de preocupações quanto à forma do corpo e peso.

Comportamentos associados à bulimia

Preocupação constante com comida e/ ou peso.
Auto-criticismo severo.
Valor próprio determinado pelo peso.
Frequentes idas à casa de banho após as refeições.
Restricções dietéticas ao comer em público.
Comportamentos impulsivos ( com álcool, gastar dinheiro, tomar decisões, relações)

Consequências físicas da bulimia

Desequilíbrio electrolítico, com mau funcionamento cardíaco e renal que poderá ser provocado pela purga ( vómito,
laxativos)
Dificuldade em concentrar-se em tarefas, mudanças de humor devido a um desequilíbrio químico.
Glândulas inchadas, enfatuamento das bochechas ou derrames sanguíneos por baixo dos olhos.
Decadência dentária inexplicável e problemas nas gengivas.
Queixas de dores de garganta.
Arranhões ou escoriaçõesvermelhas na parte de cima das mãos ou nos nós dos dedos.
Dores no peito, caimbras musculares, fadiga.

A bulimia nervosa tem geralmente início na fase final da adolescência e 90 a 95 % das pessoas que sofrem desta doença são mulheres. É possível que haja mais homens com bulimia mas possivelmente não procuram tratamento.

Homens e mulheres que pratiquem desporto e dança, façam de modelo ou tenham outro tipo de atividade que dê ênfase a uma forma corporal esguia, constituem um grupo de alto risco de se tornarem bulímicos.

A bulimia nervosa é normalmente associada ao consumo exagerado de alimentos e pode ou não ser acompanhada de comportamentos de purga (vómito auto-provocado ou o uso de laxativos, diuréticos ou clisteres) Uma pessoa com bulimia pode também jejuar ou fazer exercício para perder peso, mas acaba vulgarmente por manter um peso normal e pode mesmo ganhar algum. Um ciclo contínuo de gula e purga torna mais lento o metabolismo do corpo.

Durante um episódio de gula o corpo absorve gordura e calorias, aumentando por isso a probabilidade de ganhar peso.

O ciclo gula-purga começa muitas vezes em alturas de transição da independência pessoal (como por exemplo mudar de liceu, passar a viver na universidade, deixar a casa da família) quando a tensão psicológica é elevada e talvez não haja outro escape para o conflito emocional. Tem sido verificada uma incidência elevada de comportamentos bulímicos em estudantes femininas de institutos superiores (17% de todas as alunas).

As complicações que conduzem à morte são menos frequentes na bulimia mas se não houver tratamento, a bulimia pode transformar-se numa doença progressiva em que as atividades diárias e pensamentos da pessoa se concentram cada vez mais em torno da comida.

O tratamento da bulimia nervosa é semelhante ao da anorexia nervosa e deverá ser específico às necessidades do indivíduo.

O tratamento pode ser feito com internamento ou em programas diários para pacientes não internados e através de psicoterapia individual ou de grupo. Medicamentos como o Prozac têm demonstrado diminuir o número de episódios de gula e reduzir a depressão associada à bulimia.

Os terapeutas utilizam várias abordagens que incluem a intervenção cognitivo-comportamental, terapia familiar e terapias psicodinâmicas ou de expressão artística.

Fonte: www.sheenasplace.org

Bulimia

Desde a primeira descrição de bulimia nervosa em 1979, por Gerald Russel, o conhecimento do quadro tem avançado rapidamente graças à proliferação de grupos de estudos em vários países.

A Bulimia é caracterizada pela ingestão compulsiva e rápida de grande quantidade de alimento, com pouco ou nenhum prazer, alternada com comportamento dirigido para evitar o ganho de peso, como vomitar (95% dos pacientes), abusar de laxantes e diuréticos, excesso de exercícios físicos ou períodos de restrição alimentar severa, sempre com medo exagerado de engordar.

O termo bulimia vem do grego buos = boi e limos = fome, designando um apetite de comer um boi inteiro ou quase.

Desde a descrição inicial, os episódios bulímicos e os comportamentos para evitar o ganho de peso passaram a descrever um novo grupo de pacientes com transtorno alimentar, que não correspondia aos critérios diagnósticos para obesidade ou anorexia nervosa.

Atualmente pelos critérios do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - APA 1994) a bulimia nervosa ocorre entre 1 a 3% das mulheres adolescentes e adultas jovens, sendo a taxa de ocorrência em homens de aproximadamente 1/10 (um décimo) da que ocorre em mulheres. Vinte a 30% de homossexuais masculinos apresentam a doença, e ex-atletas e ex-obesos parecem apresentar maiores riscos (Cordás et ali, 1998). A bulimia nervosa começa no final da adolescência ou início da idade adulta.

Os episódios bulímicos, de ingestão compulsiva, com perda de controle, de grande quantidade de alimento em curto prazo de tempo ou mais raro, um longo ritual de várias horas ou uma noite inteira, ocorrem geralmente às escondidas e são seguidos de sensação de culpa, vergonha e desejo de auto punição.

Durante os episódios a pessoa não sente prazer e tem sentimento de incapacidade de parar de comer ou de controlar o que ou quanto come está comendo, chegando a ingerir de 2 mil a 5 mil calorias em um único episódio. Já foi relatada a ingestão de 15 mil calorias em um único episódio bulímico (Russell, 1990).

Fonte: www.masci.com.br

Bulimia

O que é a bulimia?

É o transtorno alimentar caracterizado por episódios recorrentes de "orgias alimentares", no qual o paciente come num curto espaço de tempo grande quantidade de alimento como se estivesse com muita fome. O paciente perde o controle sobre si mesmo e depois tenta vomitar e/ou evacuar o que comeu, através de artifícios como medicações, com a finalidade de não ganhar peso.

Generalidades

Existe uma tendência popular em achar que a bulimia é o contrário da anorexia. A rigor o contrário da anorexia seria o paciente achar que está muito magro e precisa engordar, vai ganhando peso, tornando-se obeso e continua a julgar-se magro e continua comendo. Isso seria o oposto da anorexia, mas tal quadro psiquiátrico não existe.

Na bulimia o paciente não quer engordar, mas não consegue conter o impulso para comer por mais do que alguns dias. O paciente com bulimia tipicamente não é obeso porque usa recursos extremos para eliminar o excesso ingerido.

Enquanto a comunidade psiquiátrica mundial não reconhecer o binge como uma patologia à parte seremos obrigados a admitir que há 2 tipos de pacientes com bulimia: os que tentam eliminar o excesso ingerido por vômitos ou laxantes e os pacientes bulímicos que não fazem isso e acabam engordando, esse segundo tipo pode vir a constituir num outro transtorno alimentar, o Binge.

Os pacientes com bulimia geralmente apresentam 2 a 3 episódios por semana, o que não significa que no resto do tempo esteja bem. Na verdade esses episódios só não são diários ou mesmo mais de uma vez ao dia porque o paciente está constantemente lutando contra eles. Esses pacientes pensam em comer o tempo todo. A média de fracassos na tentativa de conter o impulso são duas vezes por semana.

Como é o bulímico?

Basicamente é um paciente com vergonha de seu problema, com sentimento de inferioridade e auto-estima baixa. O paciente reconhece o absurdo de seu comportamento, mas por não conseguir controlá-lo sente-se inferiorizado, incapaz de conter a si mesmo, por isso vê a si como uma pessoa desprezível.

Procura esconder dos outros seus problemas para não o desprezarem também. Quando existe um bom motivo como ganhar muito dinheiro o paciente pode até sujeitar-se a expor seu problema, como vimos no programa Big Brother primeira edição de 2002 na TV Globo.

Os pacientes bulímicos geralmente estão dentro do seu peso ou um pouco acima. Tentativas de dieta estão sempre sendo realizadas. Tentativas de adaptar os afazeres e compromissos rotineiros com os episódios de ingestão e auto-indução de vômito tornam seu estilo de vida bizarro, pois os episódios devem ser feitos às escondidas, mesmo das pessoas íntimas. Uma alternativa para a manutenção de seu problema escondido é a opção pelo isolamento e distanciamento social, que por sua vez gera outros problemas.

Assim como a anorexia a Bumilia geralmente ocorre no adolescente, predominantemente nas mulheres. Os assuntos das conversas preferidos são relacionados a técnicas de emagrecimento. É comum o comportamento de esconder alimentos para futuros episódios.

É interessante notar que a bulimia não constitui uma completa perda do controle. O paciente consegue planejar seus episódios, esperar para ficar sozinho e guardar alimentos, por exemplo.

Essa incapacidade parcial é intrigante para os leigos. Muitas vezes os maridos das pacientes julgam que a paciente faz tudo porque quer e critica a esposa aumentando sua culpa. Essa atitude deve ser evitada, pois além de não ajudar, atrapalha diminuindo ainda mais a auto-estima da paciente que sucumbe aos esforços por tratar-se. A bulimia muitas vezes sucede aos episódios de anorexia.

Tratamento

Os antidepressivos tricíclicos já foram testados e apresentaram respostas parciais, ou seja, os pacientes melhoram, mas não se recuperam completamente.

Carbamazepina e lítio também foram testados com uma resposta ainda mais fraca. Os antidepressivos IMAO também apresentam uma melhora similar a dos tricíclicos, porém melhor tolerado pelos pacientes por terem menos efeitos colaterais. Mais recentemente os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina vêem sendo estudados com boas respostas, mas não muito superiores às dos tricíclicos. Os estimulantes por inibirem o apetite também apresentaram bons resultados, mas há poucos estudos a respeito para se embasar uma conduta terapêutica.

Muitos pacientes só com psicoterapias apresentam remissão completa. Não há uma abordagem especialmente recomendada. Pode-se indicar a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, terapias de grupo, grupos de auto-ajuda, psicoterapias individuais.

Problemas Clínicos

Os repetidos episódios de auto-indução do vômito geram problemas noutros sistemas do corpo.

Ao se vomitar não se perde apenas o que se comeu, mas os sucos digestivos também. Isso pode acarretar desequilíbrio no balanço dos eletrólitos no sangue, afetando o coração, por exemplo, que precisa de um nível adequando dessas substâncias para ter seu sistema de condução elétrica funcionante.

As repetidas passagem do conteúdo gástrico (que é muito ácido) pelo esôfago acabam por ferí-lo podendo provocar sangramentos.

Casos extremos de rompimento do estômago devido ao excesso ingerido com muita rapidez já foram descritos várias vezes. O intestino grosso pode sofrer conseqüências pelo uso repetido de laxantes como constipação crônica, hemorróidas, mal estar abdominal ou dores.

Fonte: www.psicosite.com.br

Bulimia

Pessoas com bulimia nervosa ingerem grandes quantidades de alimentos e depois eliminam o excesso de calorias através de jejuns prolongados, vômitos auto-induzidos, laxantes, diuréticos ou na prática exagerada e obsessiva de exercícios físicos.

Devido ao "comer compulsivo seguido de eliminação" em segredo, e ao fato de manterem seu peso normal ou com pouca variação deste, essas pessoas conseguem muitas vezes esconder seu problema das outras pessoas por anos.  

Assim como a anorexia, a bulimia caracteristicamente se inicia na adolescência. A doença ocorre mais freqüentemente em mulheres, mas também atinge os homens.

Indivíduos com bulimia nervosa, mesmo aqueles com peso normal, podem prejudicar gravemente seu organismo com o hábito freqüente de comerem compulsivamente e se "desintoxicarem" em seguida.

Sintomas comuns da bulimia

Interrupção da menstruação.
Interesse exagerado por alimentos e desenvolvimento de estranhos rituais alimentares. 
Comer em segredo. 
Obsessão por exercício físico. 
Depressão. 
Ingestão compulsiva e exagerada de alimentos. 
Vômitos ou uso de drogas para indução de vômito, evacuação ou diurese. 
Alimentação excessiva sem nítido ganho de peso. 
Longos períodos de tempo no banheiro para induzir o vômito. 
Abuso de drogas e álcool.

Personalidade: pessoas que desenvolvem bulimia quase sempre consomem enormes quantidades de alimentos, geralmente sem valor nutritivo, para diminuir o estresse e aliviar a ansiedade. Entretanto, com a extravagância alimentar, surgem a culpa e depressão.

Pessoas com profissões ou atividades que valorizam a magreza, como modelos, bailarinos e atletas, são mais suscetíveis ao problema.

Tratamento

Quanto mais cedo for diagnosticado o problema, melhor. Quanto mais tempo persistir o comportamento alimentar anormal, mais difícil será superar o distúrbio e seus efeitos no organismo.

O apoio e incentivo da família e dos amigos podem desempenhar importante papel no êxito do tratamento.

O ideal de tratamento é que a equipe envolva uma variedade de especialistas: um clínico, um nutricionista, um psiquiatra e um terapeuta individual, de grupo ou familiar.

Comer-compulsivo

É um dos transtornos alimentares que se assemelha à bulimia, pois caracteriza-se por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos e, no entanto, difere da bulimia, pois as pessoas afetadas não produzem a eliminação forçada dos alimentos ingeridos (tomar laxantes e/ou provocar vômitos).

Pessoas com esse transtorno sentem que perdem o controle quando comem. Ingerem grandes quantidades de alimentos e não param enquanto não se sentem "empanturradas".

Geralmente apresentam dificuldades em emagrecer ou manter o peso. Quase todas as pessoas com esse transtorno são obesas e apresentam história de variação de peso. São propensas a vários problemas médicos graves associados à obesidade, como o aumento do colesterol, hipertensão arterial e diabetes.

É um transtorno mais freqüente em mulheres. 

Sintomas

Comer em segredo.
Depressão. 
Ingestão compulsiva e exagerada de alimentos. 
Abuso de drogas e álcool.

Tratamento

O êxito é maior quando diagnosticados precocemente. Precisa de um plano de tratamento abrangente, em geral, um clínico, nutricionista ou um terapeuta, para lhe dar apoio emocional constante, enquanto o paciente começa a entender a doença de uma forma de terapia que ensine os pacientes a modificar pensamentos e comportamentos anormais, que em geral, são mais produtivas.

Na calada da noite

A ingestão exagerada e compulsiva de alimentos, característica da bulimia e do comer compulsivo foi batizada, em inglês, com o nome de binge eating (orgia alimentar). Elas geralmente ocorrem na calada da noite, longe do olhar de censura de outras pessoas, e são acompanhadas por uma sensação subjetiva de perda de controle, seguida de culpa.

Assim como ocorre na compulsão pelo álcool, pelas drogas, pelo sexo, ou em outras formas de dependência, as causas profundas do comer compulsivo continuam a ser um mistério para os estudiosos.

Indivíduos obesos têm maior risco de doenças cardíacas e alguns tipos de câncer (estômago/intestino)

Fonte: www.afh.bio.br

Bulimia

O QUE É ?

A bulimia é um transtorno alimentar aonde as principais características são os episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios para evitar o ganho de peso. As pessoas que sofrem de bulimia vivem em um circulo vicioso de compulsão-purgação.

Na sua maioria os pacientes com bulimia estão dentro da faixa de peso normal, embora alguns possam estar com um peso levemente acima ou abaixo deste.

Existem indicações de que antes do início do transtorno alimentar, os pacientes com bulimia estão mais propensos ao excesso de peso.

A bulimia apresenta uma prevalência no sexo feminino, 90 a 95%. A doença se manifesta mais tarde do que na anorexia, por volta dos 18 a 20 anos

Os episódios de compulsão consistem no consumo de uma grande quantidade de alimentos freqüentemente ricos em calorias. Os tipos de alimentos variam mas geralmente são ricos em gordura e/ou açúcar.Os episódios de compulsão alimentar ocorrem em segredo, por isso raramente são presenciados por outras pessoas. Alguns deste episódios são previamente planejados, mas geralmente ocorrem de forma impulsiva.

Entre os episódios compulsivos, os pacientes restringem seu consumo calórico total e selecionam preferencialmente alimentos com baixas calorias, evitando alimentos que percebem como "engordativos". O "gatilho" das compulsões na bulimia, pode incluir depressão, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, aborrecimentos, dietas restritivas e/ou prolongadas, e insatisfação e/ou distorção da imagem corporal.

A compulsão alimentar "camufla" temporariamente os sentimentos negativos, mas este estado é rapidamente seguido por sentimentos de culpa.

A bulimica sente vergonha dos seus ataques de compulsão (binge), e entende seu comportamento como uma falta de controle, o que é uma das razões para a baixa auto-estima: "Existe alguma coisa "errada" comigo, sou "imperfeita", porque não consigo me controlar". É difícil para alguém que sinta desta forma procurar ajuda. Daí o prazo, e a demora de até dez anos, para que uma pessoa que sofra de bulimia busque ajuda.

"Hungry Ghost"Os comportamentos compensatórios são uma forma de "conter" os efeitos ( o aumento de peso) das crises de compulsão. O comportamento compensatório mais comum são os vômitos.

Na bulimia os vômitos são provocados seguidamente os episódios de compulsão. Os vômitos auto-induzidos representam o comportamento compensatório mais comumente utilizado pelos pacientes que sofrem de bulimia.Os vômitos são provocados seguidamente aos episódios de compulsão. Alguns pacientes podem chegar a vomitar até 20 vezes por dia. Os vômitos se tornam tão "comuns" que pacientes se tornam capazes de vomitar quando querem.O ato de purgar reduz temporariamente o desconforto físico causado pela sensação de "estufamento" gástrico, alem de amenizar o medo de ganhar peso pelas crises compulsões.

Algumas podem até mesmo ansiar pelo comportamento purgativo da mesma forma que apreciam a sensação de "libertação" que este comportamento temporariamente oferece. Outros comportamentos compensatórios utilizados para "prevenir" o ganho de peso são o uso abusivo de laxantes, diuréticos, dietas restritivas, jejuns, medicamentos e "formulas" anorexigênos, e a prática exagerada de exercícios. A "necessidade" de se exercitar chega a interferir de modo significativo nas atividades pessoais e profissionais da pessoa. O paciente pode dar preferência a pratica de atividade física em detrimento de encontros sociais e/ou profissionais.

As bulimicas semelhante as anoréxicas, estão envolvidas de forma obsessiva com a forma e peso dos seus corpos. Uma pessoa com bulimia poderá checar seu peso e forma de maneira obsessiva. Esta "checagem" pode se manifestar através de pesagens freqüentes (varias vezes ao dia), observação de si mesmas no espelho, e medição de varias partes do corpo com fitas métricas ou com as próprias mãos. Para as bulimicas, a auto estima esta diretamente vinculada ao seu peso e forma corporal.

As complicações medicas mais comuns da bulimia incluem arritmias cardíacas, sangramentos do esôfago, distúrbios eletrolíticos, problemas gastrintestinais e dentais. As complicações medicas da bulimia podem ser tão severas quanto as da anorexia. Da mesma forma que a anorexia, a bulimia pode levar a morte, se não tratada de maneira adequada.

Histórico

Ao longo da história o significado da palavra bulimia tem seguido diferentes trajetórias.Brenda Parry-Jones em seu trabalho de revisão sobre a terminologia histórica dos transtornos alimentares refere que o termo "bulimia" remonta a antiga Grécia, a palavra derivaria do termo grego"bous", boi e "limos" , fome. Durante o período medieval e moderno tem servido para designar episódios de "voracidade insaciável", "mórbido", com um "apetite canino", como ou sem a presença de vômitos e acompanhado de outros sintomas.

Stunkard em 1990 realizou uma revisão histórica do conceito de bulimia, e destacou, como em 1743 James descreveu no Dicionário Médico da Universidade de Londres, um quadro clinico que denomina "True Boulimus" (verdadeira bulimia, em uma tradução livre), caracterizado por intensa preocupação com a comida, e pela ingestão voraz em um curto espaço de tempo, seguidos de períodos de jejum, e destacou uma segunda variante "Caninus Appetitus" aonde os episódios de voracidade são seguidos pelo comportamento compensatório de vomito.

Galeno descreveu a "Kinos orexia", ou fome canina como sinônimo de bulimia, considerando-a como conseqüência de um estado de animo anormal, posteriormente esta definição apareceu nos dicionários médicos dos séculos XVIII e XIX na forma de curiosidade médica.No século XIX Blanchez no Dicionário de Ciências Médicas de Paris (1869) também descreveu ambos os quadros.No final dos anos 70, foi descrita como a síndrome de atrações/purgações ou bulimarexia. A denominação bulimia apareceu pela primeira vez em 1980, finalmente em 1987 se adotou o tremo bulimia nervosa.

Vemos portanto que a bulimia não é um transtorno novo, já que aparece reconhecido há a séculos na literatura, mas até os finais dos anos 70 quando se diferencia como identidade psicológica independente. Russell em 1979 foi o primeiro a fazer uma descrição completa do quadro clinico, em estabelecer os primeiros critérios diagnósticos para este transtorno, e introduzir o termo "Bulimia Nervosa". Um ano mais tarde a American Psychiatric Association (APA) incluiu este transtorno no Manual Diagnóstico DSM-III(1980).

Russel em 1979 definiu 3 características fundamentais:

Os pacientes sofrem impulsos fortes e incontroláveis de comer em excesso
Buscam evitar o aumento de peso, com vômitos e/ou abuso de laxantes ( ou outros medicamentos)
Medo mórbido e engordar

Em 1983 Russel acrescentou outro critério diagnostico:

A exigência de um episódio anterior, manifesto ou critico de Anorexia Nervosa. Desde então se incluiu uma nova questão que continua sendo muito debatida na atualidade. A possível relação entre os diferentes distúrbios alimentares. Não é raro que um a paciente com anorexia nervosa evolucione, no futuro, para uma bulimia nervosa, existem autores que falam em um "continuum" entre ambos distúrbios. A partir deste momento, se promoveu amplamente a investigação dos distúrbios alimentares, o que permitiu uma melhor delimitação dos distintos quadros clínicos que hoje me dia são reconhecidos nas classificações atuais.

SUBTIPOS

As pessoas que sofrem de bulimia se classificam em dois subtipos:

Purgativo:

Após o episodio de compulsão alimentar a pessoa provoca Dali, Salvador: "Explosão" o vômito, ou abusa de laxantes e/ou diuréticos.

A ingestão de laxantes e diuréticos, contrariamente as opiniões amplamente divulgadas por quem faz uso deles com a finalidade de emagrecer, não impede em absoluto a absorção dos alimentos. O trato digestivo se acostuma progressivamente aos laxantes, e é necessário aumentar as doses cada vez mais, para poder obter os efeitos comparáveis aos anteriores. Este comportamento causa complicações físicas como retenção de água, edemas, e inclusive alterações no tubo digestivo. da mesma forma os diuréticos, tanto tomados sozinhos como associados aos laxantes, não exercem mais que um impacto mínimo e transitório sobre o peso corporal. Simplesmente favorecem a perda de água, e provocam a longo prazo, perturbações biológicas graves.

Os vômitos são um método muito freqüente entre os bulimicos. Não é utilizado sempre da mesma maneira: alguns vomitam varias vezes ao dia, praticamente depois de ingerir cada alimento, e outros só o utilizam em momentos de crise. Este "processo" é física e emocionalmente custoso, e pode provocar tanto a repetição das crises (na antiguidade os romanos conheciam bem esta técnica de provocar o vomito para poder continuar com suas "orgias" alimentares), quanto o aumento da sua intensidade (as vezes chega-se a comer uma quantidade maior de comida para facilitar o vomito).

Inicialmente o vomito diminui as barreiras fisiológicas e psicológicas contra a compulsão. Alem disso, os vômitos, sobretudo se são crônicos, não impedem o organismo de absorver uma proporção considerável das calorias ingeridas. As conseqüências somáticas mais comuns dos vômitos são: desordens do tipo eletrolítico (desidratação, falta d de potássio, e alterações no ritmo cardíaco), hipertrofia das glândulas parótidas (causando "inchaço no rosto), caries dentarias (erosão do esmalte pelos ácidos gástricos), e esofagites (deglutição dolorosa).

Não Purgativo:

Após o episodio de compulsão a pessoa deixa de comer durante um tempo, podendo até permanecer em jejum por algum tempo, e/ou praticar exercícios físicos intensos.

As dietas (jejuns e/ou dietas restritivas), ou a idéia de eliminar para sempre certo tipo de alimento, que na idéia da pessoa engordam. são usados como métodos compensatórios. Dados demonstram que este tipo de dietas provocam o efeito "yo-yo" ( a perda de peso é seguida de um aumento importante no mesmo), e provocam um aumento de peso alongo prazo, juntamente com alterações endócrinas ("dismenorréia", menstruações difíceis e dolorosas).

Os medicamentos que diminuem o apetite, ou anorexigenos, contem em sua maioria anfetaminas, que, alem de produzir inapetência (falta de apetite), perturbam o sono, provocam agitação, dependência e numerosos efeitos secundários não desejados.

A prática de exercitar-se excessivamente pode ter conseqüências graves, em particular afetando as articulações e o sistema cardiovascular.

Todas estas tentativas de compensação são na realidade ilusórias e bastante perigosas, para resultados mínimos. Elas podem desencadear crises, mantendo um circulo vicioso entre domínio absoluto e perda de controle, e entre restrições e crises.

Os pacientes que se enquadram no subtipo purgativo geralmente apresentam mais sintomas depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os pacientes do subtipo não purgativo

As bulimicas semelhante as anoréxicas, estão envolvidas de forma obsessiva com a forma e peso dos seus corpos. Uma pessoa com bulimia poderá checar seu peso e forma de maneira obsessiva. Esta "checagem" pode se manifestar através de pesagens freqüentes (varias vezes ao dia), observação de si mesmas no espelho, e medição de varias partes do corpo com fitas métricas ou com as próprias mãos. Para as bulimicas, a auto estima esta diretamente vinculada ao seu peso e forma corporal.

As complicações medicas mais comuns da bulimia incluem arritmias cardíacas, sangramentos do esôfago, distúrbios eletrolíticos, problemas gastrintestinais e dentais. As complicações medicas da bulimia podem ser tão severas quanto as da anorexia. Da mesma forma que a anorexia, a bulimia pode levar a morte, se não tratada de maneira adequada.

Sinais Físicos

Inchaço das glândulas parótidas (como se estivesse com caxumba). Devido aos vômitos provocados.
Amenorréia (falta de menstruação) pelo menos 3 ciclos
Queda de cabelo
Perda de dentes (devido ao acido dos vômitos)
Vômitos provocados (geralmente logo depois das refeições ou durante o banho). Ficar atento para aquelas que logo após se alimentarem vão ao banheiro.
O peso não está muito abaixo nem muito acima do normal, se bem que oscila com facilidade
Calos no dorso dos dedos, principalmente indicador.Essas calosidades são chamadas de sinal de Russsell, que as descreveu em 1979. (o uso constante dos dedos para provocar os vômitos provoca lesões devido ao atrito com os dentes)
Desmaios e fraqueza, devido ao uso de laxantes e diuréticos que provocam um desequilíbrio eletrolítico (perda de sais minerais como potássio).

Sinais Psicológicos e Comportamentais

Mudanças bruscas de humor (irritabilidade, agressividade, apatia )
Aumento de interesse pela imagem e/ou peso.Grande obsessão pelo peso, constantemente se acham gordas e tem verdadeiro pânico de engordar .Por isso se preocupam excessivamente quando outras pessoas fazem algum comentário sobre seu aspecto físico.
Quando comem com amigos e familiares, se alimentam pouco e somente com alimentos de baixas calorias.
Aumento no controle do peso (se pesar constantemente e/ou se medir com a fita métrica)
Isolamento social e/ou familiar.
Os ataques de compulsão (binge) são “escondidos”, mas geralmente a pessoa deixa “sinais” como embalagens de chocolates, salgadinhos, etc... Escondidos no quarto em gavetas ou armários. Quando estão sozinhas se alimentam de todos os alimentos "proibidos", com isso os pais podem perceber que uma grande quantidade de alimentos "desaparece" de casa. Também podem gastar muito dinheiro com a alimentação fora da casa”.
Uso de laxantes e/ou diuréticos; muitas vezes também estão “escondidos” em bolsas, gavetas ou armários.
Comportamentos compensatórios como exercícios exagerados com a finalidade de perder peso, podem caminhar muitas horas ou não usar elevadores somente escadas.
Obsessão pela comida e ligação com a cozinha, constantemente fala sobre dietas e sobre a quantidade de calorias dos alimentos. Muitas vezes gosta de cozinhar para a família, pode colecionar receitas e gosta de controlar a comida que existe m casa, fazendo listas de compras, ou, comprando os alimentos.
Consideram que o aspecto físico tem muito valor como meio para conseguir êxito em qualquer área da sua vida
Podem apresentar uma preocupação excessiva com relação a organização e a ordem; intensificando assim as atividades relacionadas a limpeza da casa e/ou com estudos e trabalho.
Idas freqüentes ao banheiro logo após as refeições

Importante: A presença de um ou mais sinais não indica necessariamente que a pessoa sofra de algum tipo de distúrbio alimentar. Por isso não rotule antecipadamente.

Observe sua filha/o durante um tempo antes de tomar conclusões precipitadas. Caso não haja alterações no quadro, procure um profissional especializado; isto é muito importante já que um dos fatores que contribuem para a manutenção de um distúrbio alimentar é a heterogenia (má intervenção médica e/ou psicológica).

Transtornos Associados

Salvador Dali: "Esferas"Os pacientes com Bulimia Nervosa apresentam uma freqüência maior de sintomas depressivos (por ex., baixa auto-estima, insegurança) ou Transtornos do Humor (particularmente Distimia e Transtorno Depressivo Maior).

Em muitas ou na maior parte dessas pessoas, o distúrbio do humor começa simultaneamente ou segue o desenvolvimento da Bulimia Nervosa, sendo que com freqüência atribuem sua perturbação do humor à Bulimia Nervosa. Também pode haver maior freqüência de sintomas de ansiedade ou Transtornos de Ansiedade.

Em cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente envolvendo álcool e estimulantes.

Bibliografia

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Fonte: www.gatda.psc.br

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