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Câncer de Fígado

 

 

O que é o Fígado ?

O fígado é o maior órgão do corpo humano. Ele pesa cerca de 1,5 quilo e se localiza no lado direito, no quadrante superior da cavidade abdominal , protegido pelas costelas.

O fígado se divide em dois lobos (partes). O lobo direito é seis vezes maior que o esquerdo. O órgão é totalmente recoberto pelo peritônio e é irrigado pela artéria hepática, recebendo sangue venoso do baço e intestinos pela veia porta. Abaixo do lobo direito situa-se a vesícula biliar, uma bolsa de 9 cm, aproximadamente, que tem a capacidade de coletar cerca de 50 ml de bile produzida pelo fígado.

O fígado, junto com o baço e a medula óssea são os órgãos responsáveis pela hematopoese, formação e desenvolvimento das células sanguíneas. São também denominados órgãos hematopoiéticos.

As funções do fígado são as seguintes:

Integração entre os vários mecanismos energéticos do organismo.
Armazenar e metabolizar as vitaminas.
Fazer a síntese das proteínas plasmáticas.
Desintoxicação de toxinas químicas produzidas pelo organismo.
Desintoxicação de toxinas químicas externas ao organismo.
Filtragem mecânica de bactérias.
Controlar o equilibrio hidro-salínico normal.
Secreção da bile.

As múltiplas funções do fígado

Ele executa mais de 500 funções no organismo humano - mesmo quando é cortado pela metade.

Ele participa do processo de digestão, armazena vitaminas, anula o efeito de drogas, estoca energia, produz compostos necessários à coagulação do sangue - apenas para citar alguns de seus trabalhos mais conhecidos. É de se imaginar que um órgão assim tão importante deva ser extremamente complexo, de difícil tratamento. E ele é, de fato.

O fígado ainda representa um intrincado desafio para a medicina. Tanto que ainda não existe remédio capaz de reavivar as funções de um fígado que já entrou em falência. Uma vez mortas, as células hepáticas (de hepar, palavra grega para fígado) não se recuperam. Contudo, se é difícil curar um fígado doente, a incrível versatilidade de um fígado saudável tem dado esperança de vida a milhares de pessoas em todo o mundo.

Ele é um dos órgãos mais propícios ao transplante, causando menos rejeição do que outros já rotineiramente transplantados, como coração ou rins.

Outra característica peculiar desse órgão é sua capacidade de continuar funcionando mesmo quando é cortado ao meio: o fígado é capaz de se regenerar, voltando ao tamanho normal.

Assim, um mesmo órgão pode ser usado para salvar a vida de duas pessoas. Ou um simples pedaço do fígado de uma pessoa saudável pode salvar a vida de outra. Por isso, é na área dos transplantes que os hepatologistas têm obtido as maiores conquistas.

No Brasil, façanhas desse tipo já fazem parte da rotina dos grandes hospitais. Os médicos Eduardo Carone e Paulo Chap Chap, hepatologistas do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, pioneiros nessa área, dominam a técnica do split liver, em que um fígado é cortado em duas partes e transplantado em duas pessoas, geralmente um adulto e uma criança.

Sem seqüelas

Em 1995, eles já haviam realizado o primeiro transplante intervivos do Brasil, técnica em que uma pessoa saudável doa um pedaço de seu fígado para outra.

Como o órgão se regenera, o doador não sofre seqüelas: "O fígado funciona mesmo se lhe forem extirpados 80% de seu volume e volta ao normal em dois ou três meses", tranqüiliza Carone.

Foi o que ocorreu recentemente em um transplante realizado pelo médico Hoel Sette Jr., da clínica Pró-Fígado, de São Paulo: "Um rapaz doou um de seus rins e 70% de seu fígado ao pai doente. Após 15 dias de internação, ambos já estavam em casa", comemora ele.

Contudo, nem todas essas técnicas estão sendo capazes de eliminar a angustiante fila de espera dos transplantes, que chega a durar até dois anos, enquanto uma hepatite fulminante pode matar no prazo de três a quatro semanas.

A urgência é tanta que, cada vez mais, os médicos estão sendo forçados a transplantar órgãos que, em condições normais, seriam rejeitados: são fígados pertencentes a pacientes que sofreram parada cardíaca, ou permaneceram por muito tempo na UTI, ou, ainda, contaminados por vírus de hepatite. Eles estão sendo usados nos casos em que o receptor não pode esperar mais, geralmente em pacientes de câncer, cirrose avançada ou hepatite fulminante.

Troca rápida

Por enquanto, substituir o mais rápido possível o órgão falido é o máximo que a medicina pode fazer para salvar a vida desses pacientes. Mas, segundo Paulo Chap Chap, já existem linhas de pesquisa que apontam para a produção do chamado fígado bioartificial, um equipamento semelhante à máquina de diálise, usada pelos pacientes de insuficiência renal.

Dotada de membranas com células hepáticas, ela é capaz de exercer temporariamente as funções do fígado, enquanto o paciente aguarda um transplante.

Também tenta-se construir células do fígado em laboratório e estuda-se até o uso do órgão de animais, especialmente porcos. É claro que nada disso ocorrerá a curto prazo, devido à própria complexidade do órgão.

"O fígado tem múltiplas funções metabólicas", explica Chap Chap. "Como um grande laboratório, ele produz uma imensa quantidade de substâncias químicas envolvidas em atividades vitais do organismo."

Os especialistas enumeram em cerca de 500 as funções do fígado, das quais se destacam:

Estocagem da energia

O fígado ajuda a regular as taxas de glicose (açúcar) no sangue, estocando-a na forma de glicogênio. Quando o nível de glicose no sangue está baixo - horas após uma refeição, por exemplo -, ele converte o glicogênio em glicose e devolve-o ao sangue para que atinja partes do corpo que dele necessitem. O cérebro é um desses órgãos que requer um abastecimento regular de glicose.

Armazenagem de vitaminas e sais minerais

Ele estoca vitaminas lipossolúveis, como A, D, E e K, a hidrossolúvel B12 (fator antianêmico) e minerais como ferro e cobre, que são adquiridos pela alimentação.

Limpeza do sangue

Tem ação reguladora da composição do sangue. Juntamente com o baço, elimina os glóbulos vermelhos envelhecidos, sendo capaz de filtrar cerca de 1,2 litros de sangue por minuto. Quando o organismo precisa de sangue, recorre às reservas do fígado, pois a quantidade de sangue que aflui a este órgão é um quarto do total que circula no corpo.

Síntese de gorduras

O fígado sintetiza lipoproteínas, colesterol e fosfolipídios, que são os componentes essenciais das membranas plasmáticas. As células do fígado também usam colesterol para a produção da bile, substância química com capacidades digestivas.

Síntese da bile

Uma das principais funções do fígado é a secreção da bile, um líquido alcalino e amargo contendo água, bicarbonato de sódio, sais biliares, pigmentos, colesterol e bilirrubina, entre outros elementos.

Cerca de um litro de bile é secretado pelo fígado todos os dias. Ela é estocada na vesícula biliar, em uma forma altamente concentrada até que seja exigido para quebrar gorduras. Os sais biliares atuam como detergentes, emulsionando as gorduras e fragmentando as suas gotículas, para aumentar sua superfície de exposição às enzimas e, assim, facilitar a transformação química necessária à perfeita absorção pelo organismo.

Não por acaso, o fígado é o maior órgão interno do corpo humano, perdendo em extensão apenas para a pele, que é um órgão externo. Pesa cerca de um quilo e meio na idade adulta. Crianças têm geralmente um abdômen grande por causa do tamanho do fígado, desproporcionalmente volumoso.

Na maioria das crianças, ele ocupa cerca de 40% da cavidade abdominal e é responsável por aproximadamente 4% do total do peso corporal. Em um adulto, representa cerca de 2,5% do peso total.

Aparentemente lisa, na realidade a superfície desse órgão é composta por 50 mil a 100 mil pequenos lóbulos, cada um dos quais com uma veia central no seu interior. De cada veia irradiam-se centenas de células, entretecidas numa rede de microscópicos canalículos biliares e vasos sangüíneos chamados de sinusóides, que transportam às células hepáticas o sangue carregado de oxigênio e nutrientes.

Sexo seguro

A manutenção da saúde desse complexo órgão independe, ao contrário do que muita gente pensa, da dieta adotada. Não é, por exemplo, uma dieta rica em gorduras que irá provocar distúrbios do fígado, embora moderação na ingestão de alimentos gordurosos seja uma medida sábia para a saúde em geral.

Mas, especificamente no caso do fígado, o que se deve evitar é, em primeiro lugar, o abuso do álcool, responsável por grande parte dos casos de cirrose diagnosticados no Brasil (leia quadro).

Combater a hepatite é outra medida preventiva fundamental.

Os vírus que causam as hepatites dos tipos B e C eventualmente evoluem para uma cirrose ou um câncer de fígado. E seu portador pode viver anos contaminado - e contaminando outras pessoas - até que apareçam os primeiros sintomas. Segundo Paulo Chap Chap, estima-se que 1,5% da população seja portadora do vírus da hepatite C.

Esse dado foi aferido com base na porcentagem de contaminação encontrada nas doações aos bancos de sangue. A hepatite B pode ser evitada com vacinação.

Contra o vírus C ainda não há uma vacina eficaz.

Contudo, como sua contaminação é semelhante à da aids (pelo sangue e esperma), sua prevenção também é a mesma: sexo seguro, sempre. "A prevenção da aids, com a melhora da qualidade dos bancos de sangue e o uso dos preservativos, também está nos ajudando a evitar doenças do fígado", comemora o hepatologista Eduardo Carone.

Fonte: geocities.yahoo.com.br

Câncer de Fígado

O fígado é o maior órgão do corpo humano. Fica situado do lado superior direito do abdome, conectado ao intestino delgado (duodeno).

O fígado desempenha diversas funções, como converter alimentos em energia, filtrar o sangue e estocar vitaminas e glicose.

O fígado produz a bile, uma substância necessária no processo de digestão alimentar.

Tipos de câncer de fígado Tumores malignos de fígado podem ser de dois tipos bem distintos:

Câncer primário - que tem sua origem no próprio fígado;
Câncer secundário ou metastático - que migrou de outra região do corpo e se alojou no fígado.

O câncer primário de fígado pode ser:

Hepatoma ou carcinoma hepatocelular - desenvolve-se a partir das células do fígado (hepatócitos);
Carcinoma de ducto biliar -
origina-se das células do ducto biliar.

Causas

A maioria das pessoas que desenvolve hepatomas é portadora de cirrose hepática. Esta doença pode ter diferentes causas, sendo que o excesso de ingestão de álcool é a mais freqüente.

Hepatite B e C (infecções virais do fígado) também podem causar cirrose.

É importante lembrar que apenas uma pequena parcela de pessoas que têm cirrose desenvolverá câncer de fígado. O carcinoma de ducto biliar ocorre com menor freqüência. Embora suas causas ainda não sejam conhecidas, sabe-se que doenças como colite ulcerativa são fatores de risco.

Sintomas

Nos estágios iniciais, o câncer de fígado não costuma apresentar sintomas. Algumas pessoas podem sentir um certo desconforto ou até mesmo dor abdominal, devido ao aumento do volume do fígado. Esse crescimento anormal pode causar dor no ombro direito, por comprimir os nervos do diafragma, que são ligados aos nervos do ombro direito.

Perda de peso, náusea, falta de apetite, calafrios e febre alta também podem ser sinais de câncer de fígado.

Quando o ducto biliar é bloqueado, a quantidade de bílis no sangue aumenta, provocando icterícia. A pele e a parte branca dos olhos ficam amareladas. Outros sinais de icterícia são urina escura e fezes muito claras.

Há casos em que ocorre um acúmulo de fluido biliar no estômago, causando inchaço abdominal.

Todos esses sintomas podem ter diferentes causas, que não o câncer, mas devem ser investigados e tratados adequadamente.

Como é feito o diagnóstico

Se há sinais, o médico pode solicitar exames por imagem, como tomografia computadorizada ou ultra-som abdominal. Pode-se fazer uma biópsia por punção, retirando uma amostra de tecido hepático através de uma agulha inserida no abdome. Esse procedimento costuma ser feito com o paciente sob anestesia local e demora cerca de 30 minutos. Posteriormente, o tecido será examinado pelo patologista, à luz do microscópio, para verificar a presença de células cancerosas.

O médico poderá optar pela laparoscopia. Esse exame é feito com um instrumento chamado laparoscópio, que consiste em um tubo com uma luz em sua extremidade. Para este exame é preciso fazer um pequeno corte no abdome para introduzir o laparoscópio. Uma amostra de tecido do fígado poderá ser retirada durante a laparoscopia, que também é realizada

A angiografia também é uma alternativa para o diagnóstico. Durante este exame, um tubo (cateter) é inserido num vaso sangüíneo que conduz ao fígado.

No cateter é injetado um contraste para que se possa observar o vaso sangüíneo no fígado, através de um raio-x. Esse exame pode ajudar o médico a determinar se o câncer é primário do fígado ou se é metástase de um que teve origem em outra parte do corpo.

Certos exames de sangue, como alfa-fetoproteína, ou AFP, também podem ajudar a detectar se o câncer é primário do fígado.

Tratamentos

Quando o tumor está restrito a uma parte do fígado, a remoção cirúrgica é o tratamento mais adequado, seguida ou não de quimioterapia.

O fígado tem a capacidade de regenerar-se, voltando a crescer mesmo quando ¾ dele são retirados.

Se mais do que ¾ do fígado já estão tomados pelo câncer ou quando já se espalhou para outras partes do corpo, a quimioterapia costuma ser a opção de tratamento para controlar o avanço da doença.

A radioterapia não tem efeito para a maioria dos hepatomas, mas pode ser um recurso auxiliar para o tratamento de alguns casos de carcinoma de ducto biliar.

Fonte: www.abcancer.org.br

Câncer de Fígado

O fígado é a maior víscera do organismo, localiza-se predominantemente no quadrante superior direito do abdome. Superiormente, relaciona-se com o diafragma e a cavidade torácica; e inferiormente com o estômago, duodeno e cólons. Tem duplo suprimento sangüíneo.

O sangue arterial, rico em oxigênio, é proveniente da artéria hepática, já o sangue venoso, que leva todo o sangue dos intestinos e do baço é proveniente da veia porta. É dividido em lobo direito e lobo esquerdo, segundo parâmetros anatômicos.

Sua divisão funcional, que não corresponde à anatômica, é baseada na ramificação dos vasos sangüíneos que irrigam o fígado e do sistema de ductos biliares, que são responsáveis pelo transporte da secreção hepática (bile) para o intestino.

Assim, funcionalmente é dividido em fígado direito e fígado esquerdo que são subdivididos nos seguimentos hepáticos.

Fisiologia

O fígado é um órgão essencial para manutenção da vida. Participa de múltiplas funções destacando-se o controle da produção de energia através do metabolismo e armazenamento de vitaminas, carbohidratos, proteínas e lipídeos.

Também participa na metabolização e excreção de compostos exógenos e endógenos circulantes como pigmento biliar, drogas e esteróides.

Além disso, desempenha papel importante na defesa imunológica e como reservatório de sangue. Outra característica importante do fígado é a sua capacidade de regeneração.

Tumores Hepáticos

Epidemiologia

Os tumores hepáticos podem ser benignos ou malignos. São tumores raros que muitas vezes achados acidentalmente durante exames radiológicos ou cirurgias.

Dos Tumores benignos o hemangioma é o mais comum, está presente em 0,4 à 7,3% das necropsia. Podem ocorrer em qualquer idade sendo mais comum na terceira e quarta décadas de vida e nas mulheres, numa proporção de 4,5 mulheres para 1 homem. Este acontecimento parece estar relacionado aos hormônios femininos.

Outros tumores benignos menos comuns são: adenoma hepatocelular e hiperplasia modular focal.

Os tumores malignos podem ser primários ou secundários. Os tumores hepáticos primários são aqueles que se originam do próprio parênquima hepático. Os secundários, que são os mais comuns, representam aqueles que são disseminados à distância (metástases) de tumores localizados em outros órgãos. Os tumores que mais freqüentemente se disseminam são os tumores de pulmão e os localizados no trato gastrointestinal.

A disseminação faz-se principalmente através dos vasos linfáticos e sangüíneos. Assim, devido à sua rica irrigaçõa sangüínea, o fígado passa a ser alvo do aparecimento frequente de metástases.

O hepatocarcinoma ou Carcinoma Hepatocelular é o tumor primário maligno mais comum do fígado, é um dos tumores mais freqüentes da espécie humana.

Apresenta grande variação na sua distribuição geográfica: sua incidência é muito alta na África, China e Sudeste Asiático: maior que 20 casos por 100.000 habitantes, alta no Japão: de 10 à 20 casos por 100.000 habitantes por ano, intermediária na Polônia, Alemanha, Áustria e França: 5 à 10 casos por 100.000 habitantes por ano e incidênica baixa na Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Áustralia e América Latina: menos de 5 casos por 100.000 habitantes por ano.

Predomina no sexo masculino na proporção de 8 para 1 nas regiões de maior incidênica e 3 homens para cada mulher nas áreas de menor incidênia. É encontrado em todas as idades, sendo em média de idade é menor nas regiões de alta incidência e de idade acima de 40 anos nas regiões de menor incidência.

Fatores de Risco

O hepatocarcinoma está associado à cirrose hepática em 40 à 90%, especialmente à macronodular, comum nas áreas de maior incidência, de etiologia viral, devido à sua maior atividade regenerativa. A cirrose alcoólica, micronodular, mais comum nos países ocidentais com menor incidência de hepatocarcinomas, tem uma associação menor com esse tipo de tumor

Um dos principais fatores de risco, é a infecção crônica pelos vírus da hepatite B e C. O risco de desenvolvimento tumoral pode ser de 30 à 100 vezes maior nos índividuos infectados cronicamente pelo vírus B.

Outro fator de risco, são as Aflatoxinas que são carcinógenos potentes produzidos por um fungo chamado Aspergillus flavus. Essas toxinas podem contaminar alimentos, principalmente, grãos e cereais que após sua ingestão são metabolizados no fígado.

Existem relatos da associação desses tumores com os anticoncepcinais orais, sendo que ainda não houve uma comprovação dessa associação e alguns autores acreditam mais numa relação coincidental do que causal. Já, a associação com anabolizantes em altas doses estar associado à Hepatocarcinomas com características especiais. Algumas doenças metabológicas crônicas como Hemocromatose, Tirosinemia e etc., podem ter algum papel no aparecimento desses tumores.

Quadro Clínico

Os sintomas aparecem numa fase tardia da doença, geralmente quando o tumor já se encontra numa fase avançada. São manifestações clínicas variadas e inespecíficas como perda de peso, falta de apetite e cansaço.

A dor abdominal no quadrante superior direito do abdome é um dos sintomas mais comuns, cerca de um terço dos pacientes podem apresentar com coloração amarelada da pele, mucosas e esclera, condição essa denominada de ícterícia. Esses sintomas, podem se sobrepôr à aqueles presentes nos cirróticos e até agravá-los, o que pode ser um sinal da presença do tumor nesses pacientes.

No exame físico, o aumento do fígado ou a presença de tumor palpável no lado direito do abdome foi o achado mais importante. Outros sinais, como acúnulo de líquido na barriga (ascite), dilatação dos vasos sanguíneos na parede abdominal (circulação colateral), aumento do baço (esplenomegalia), vermelhidão nas palmas das mãos (eritema palmar), tremores das mãos (flapping) e etc., podem ser identificados, principalmente nos cirróticos.

Diagnóstico

Dos exames laboratoriais a dosagem de Alfafetoproteína é a que mais auxilia no diagnóstico do Hepatocarcinoma. É uma substância secretada pelo fígado durante o período fetal e que após o nascimento para de ser produzida.

Alguns tumores hepáticos e tumores testiculares podem produzir essa substância que é detectada no sangue o que ajuda o médico no diagnóstico. No hepatocarcinoma está aumentada em até 70% das vezes. Esse aumento é mais comum nos pacientes cirróticos e nos pacientes com tumores maiores. Também pode estar elevada em doenças benignas como nas doenças crônicas e hepatites.

Os exames de função hepática são importantes para podermos quantificar a reserva funcional hepática de cada paciente, ou seja, quanto de fígado bom o paciente ainda tem, para podermos programar melhor o tratamento.

Os métodos de imagem são importantes para o diagnóstico e principalmente no planejamento terapêutico dos pacientes. São métodos complementares cada qual com suas vantagens e desvantagens. Com os avanços tecnológicos lesões de até 0.5cm podem ser identificadas.

Os principais métodos são: ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, cintilografia hepática e angiografia.

Deve-se sempre pesquisar a existência de focos da doença à distância (metástases) solicitando RX de tórax, para avaliar os pulmões, e tomografia de crânio e cintilografia óssea na dependência das queixas do paciente. Como regra geral a biopsia nos tumores hepáticos deve ser realizada somente em casos selecionados, devido ao risco de sangramento e disseminação da doença. A videolaparoscopia pode ser um dos métodos utilizados para a biopsia e avaliação da extensão da doença no fígado e na cavidade abdominal.

Detecção Precoce

Pacientes que apresentam algum dos fatores de risco para o desenvolvimento do Hepatocarcinoma devem ser seguidos com atenção especial para a chance de detecção precoce do tumor na sua fase inicial e assintomática o que melhora em muito as chances de cura. Sendo assim, pacientes cirróticos, portadores de hepatites B ou C e aqueles com doenças crônicas do fígado merecem exames de rotina com ultrassonografia e dosagem de Alfafetoproteína para o diagnóstico precoce desses tumores.

Tratamento

Existem várias modalidades de tratamento: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e técnicas abaltivas como crioterapia, alcoolização, radiofreqüência e outras. O tipo de tratamento que é escolhido está na dependência da condição clínica do paciente (reserva hepática), do tamanho, da localização e da extensão local e a distância do tumor.

O tratamento cirúrgico é o que oferece a melhor chance de cura. Consiste na remoção de parte do fígado onde está localizado o tumor com uma margem de segurança, procedimento chamado de remanescente do fígado tem a capacidade de se regenerar o que ajuda na recuperação funcional do fígado. No entanto, de acordo com a reserva funcional hepática do paciente, sabe-se até quanto do fígado pode ser retirado sem que acarrete uma insuficiência hepática no pós-operatório. Em alguns casos bem selecionados, pode-se retirar todo o fígado e fazer um transplante hepático.

Os tratamentos ablativos são reservados para tumores localizados em pacientes sem condições de serem submetidos à cirurgia devido à problemas clínicos graves ou à baixa reserva funcional hepática. A quimioterapia consiste na aplicação de drogas que inibem a formação e proliferação de células tumorais.

Pode ser usada pela via sistêmica: quando é aplicada numa veia sistêmica periférica ou central que levam a droga para o coração que bombeia para todo o organismo inclusive o fígado. Também pode ser administrada diretamente na circulação hepática colocando-se um cateter na artéria hepática através de punção per cutânea auxiliadas por técnicas de angiografia ou por colocação cirúrgica.

O tratamento com quimioterapia está indicado quando se tem múltiplos hepáticos, acometendo os dois lados do órgão, tumores volumosos que invadem os vasos que irrigam e drenam o fígado e quando se tem doença extra hepática, ou seja, metástica. A quimioterapia direto na artéria hepática tem menos efeitos colaterais do que a sistêmica, pois menor quantidade da droga chega nos outros tecidos, por isso sua melhor indicação é para tumores avançados limitados ao fígado. Para doença metástica, a quimioterapia sistêmica é melhor indicada, já que por essa via circula em doses adequadas no fígado e nos outros tecidos onde se encontram as metástases.

A radioterapia tem um papel limitado no tratamento desses tumores. Sua indicação se restringe à diminuição de tumores volumosos para depois serem submetidos à ressecção cirúrgica ou outro tratamento combinado.

Fonte: www.hcanc.org.br

Câncer de Fígado

Epidemiologia

O Câncer Primário do Fígado no Brasil não consta entre os dez mais incidentes, segundo dados obtidos dos Registros de Base Populacional existentes.

Sua taxa de incidência padronizada por 100.000 habitantes varia de 1,07 em Belém, em 1988, a 9,34, em Porto Alegre, em 1991 em homens; em mulheres de 0,28, em Belém, em 1988, a 7,04 em Goiânia em 1990.

O sudeste da Ásia, Japão e África do Sul apresentam uma incidência particularmente alta de carcinoma hepatocelular, enquanto que nos Estados Unidos, Grã Bretanha e região norte da Europa é raro encontrar este tipo histológico de tumor, observando-se taxas inferiores a 1 por cada 100.000 habitantes.

O carcinoma hepatocelular ocorre em uma frequência três vezes maior, em homens do que em mulheres. A faixa etária, com maior predomínio nos Estados Unidos e Europa, está localizada entre a 6ª e 7ª década, enquanto que, nas áreas de grande incidência, o tumor ocorre em pacientes mais jovens, entre a 3ª e 5ª década.

O carcinoma hepatocelular representa a quase total maioria dos tumores primários do fígado, sendo responsável pela ocorrência de 80%. Nas crianças, o tumor primário mais comum é o hepatoblastoma.

A forma fibrolamelar do carcinoma hepatocelular acomete pacientes mais jovens (5-35 anos) e, quando ressecável, o seu prognóstico é tido por alguns como melhor em comparação com os outros hepatocarcinomas.

O colangiocarcinoma é responsável por 5% dos casos de tumor primário do fígado e ocorre geralmente entre a 6ª e 7ª década de vida. Estudos de necrópsia mostraram que pacientes que morrem de alguma forma de câncer podem apresentar metástase para o fígado em até 35% das vezes durante o curso da doença.

Os tipos que mais comumente dão metástase para o fígado são: o carcinoma do pâncreas, o carcinoma colo-retal, o carcinoma de estômago, o carcinoma da mama, o carcinoma do esôfago e o carcinoma do pulmão.

Estima-se que 23% dos casos novos de pacientes com câncer colo-retal apresentem-se já com metástase hepática isolada. Estes casos são tratáveis com cirurgia e a cura pode ser obtida com sobrevida de até 5 anos em até 30% dos casos.

Fatores etiológicos

Cerca de 50% dos pacientes com carcinoma hepatocelular apresentam cirrose hepática, que pode estar associada ao etilismo ou hepatite crônica, cujo fator etiológico predominante é a infeccão pelo vírus da hepatite B.

Em áreas endêmicas a esquistossomose e a ingestão de alimentos contaminados por aflatoxinas B1 (derivados do aspergillus flavus), também são considerados como fatores de risco.

O colangiocarcinoma está relacionado com afecções inflamatórias das vias biliares, principalmente com a infestação por um trematódio (clonorchis sinensis), bastante freqüente nos países asiáticos e africanos.

O potencial carcinogênico das substâncias químicas como o cloreto de vinil, os arsenicais inorgânicos e o Thorotraste (solução de dioxido de tório) está associado ao angiossarcoma.

Manifestações Clínicas

Os sinais e sintomas dos pacientes com o carcinoma hepatocelular são: dor abdominal (40 a 60%), massa abdominal, distensão (30 a 40%), anorexia, mal estar, icterícia e ascite (20%). Alguns pacientes poderão evoluir com ruptura espontânea do tumor caracterizada por dor súbita no hipocôndrio direito de forte intensidade, seguida de choque hipovolêmico.

Diagnóstico

A maioria dos pacientes apresenta alguma anormalidade dos níveis das bilirrubinas, fosfatase alcalina e transaminases. Em pacientes sabidamente cirróticos, o aumento brusco da fosfatase alcalina, seguida de pequena elevação das bilirrunbinas e transaminases, é sugestivo de malignidade.

A alfafetoproteína sérica se apresenta elevada em 75% a 90% dos pacientes com carcinoma hepatocelular. O tipo fibrolamelar não está associado a altos níveis deste marcador. Nos tumores metastáticos colo-retais, pode-se notar em geral um aumento exacerbado da dosagem do antígeno carcinoembrionario (CEA).

Nos pacientes de alto risco, a identificação precoce do carcinoma hepatocelular poderá ser realizada facilmente através da dosagem de alfafetoproteína sérica e ultrassonografia hepática. A exatidão da ultrassonografia na identificação de pequenos tumores aumentou de 25% para 90% nos últimos 10 anos.

A tomografia computadorizada quando realizada com contraste endovenoso, consegue identificar lesões neoplásicas do fígado com exatidão de 75% a 90%. Porém, lesões menores do que 3 cm têm a sua detecção prejudicada devido a isodensidade do parênquima hepático normal.

O exame através da Ressonância Nuclear Magnética (RNM) não apresenta grande diferença em relação ao estudo pela Tomografia Computadorizada, quanto à capacidade de identificar os tumores hepáticos primários ou metastáticos. Este exame pode definir um pouco melhor a extensão do tumor nos pacientes com cirrose hepática, assim como demonstrar os vasos principais sem a necessidade de administração de contraste venoso.

A laparoscopia permite uma visualização direta e a biópsia do tumor, além de avaliar a presença ou ausência de disseminação peritoneal. Sua eficácia aumenta quando associada à ultrassonografia videolaparoscópica, aumentando o índice de ressecabilidade dos pacientes selecionados para a laparotomia.

A colangioressonância, a colangiotomografia, a colangiografia endoscópica retrógrada ou percutânea transhepática podem ser úteis no diagnóstico e no planejamento do tratamento dos tumores das vias biliares.

Tratamento Cirúrgico

Indicamos o tratamento cirúrgico nos tumores hepáticos primários, na ausência de metástases à distância e nos tumores hepáticos metastáticos em que a lesão primária foi ressecada ou é passível de ser ressecada de maneira curativa.

A eficácia e segurança na ressecção hepática são fundamentadas no conhecimento da anatomia e compreensão da fisiologia do fígado. A indicação de uma cirurgia de ressecção hepática, dependerá do estado clínico do paciente. Somente pacientes com a classificação de Child A são candidatos a ressecção hepática segura.

Em estudos realizados por Hughes a única contra-indicação absoluta para a ressecção da doença metastática hepática é a impossibilidade de uma garantia de margem de ressecção livre de doença, presença de comprometimento linfonodal e/ou impossibilidade da ressecção da lesão primária. A ultrassonografia intra-operatória pode auxiliar muito na correta indicação cirúrgica.

Métodos de controle da perda sanguínea intra-operatória

Podemos diminuir a necessidade de hemotransfusão durante a ressecção hepática utilizando técnicas de exclusão vascular, hipotermia, hipotensão controlada, aspiração ultrassônica, coagulação com argônio ou simplesmente nos atendo às técnicas convencionais de ressecção.

Tratamento Adjuntivo

A radioterapia nos tumores hepáticos é limitada pela baixa tolerância do parênquima hepático à radiação. A dose tolerada fica abaixo da necessária para uma efetiva ação antitumoral e controle da lesão, mas acarreta alívio temporário de sintomatologia. É necessário avaliar os riscos de lesão do parênquima hepático normal, limitando assim o emprego desta terapêutica.

A droga mais ativa até o momento (quimioterapia) é a Doxorubicina. Para o tratamento de tumores primários as taxas de respostas giram em torno de 10%. O fluoracil por via sistêmica é a droga mais comumente utilizada de forma isolada ou em associação no tratamento de doença colo-retal metastática com respostas em torno de 20% a 30%.

A quimioterapia intra-arterial possibilita maior concentração da droga no fígado com menor efeito tóxico sistêmico. Por esta via o Floxuridine (FUDR) tem sido a droga mais empregada no tratamento do câncer colo-retal metastático para o fígado.

Na quimioembolização emprega-se a combinação de drogas e partículas (ex: cisplatinum e lipiodol), que são infundidas até que haja uma estagnação do fluxo arterial para o tumor, determinando um aumento da concentração local da droga com simultânea isquemia e necrose.

Fonte: www.infocancer.hpg.ig.com.br

Câncer de Fígado

O fígado é um dos órgão mais acometidos por metástases de tumores de outros sítios primários. Aqui iremos abordar somente os tumores originários do fígado

O fígado é um dos maiores órgãos do nosso corpo e sua função é vital para a digestão e processamento dos nutrientes vindo dos alimentos.

Entre as principais funções temos:

Coleta e filtra sangue do intestino.
Processa e armazena nutrientes necessários absorvidos pelo intestino.
Altera quimicamente (metaboliza) alguns nutrientes antes deles poderem ser utilizados pelo restante do corpo para obter energia, reparar e construir novos tecidos.
Produz fatores de coagulação sanguíneos.
Remove resíduos tóxicos do organismo.
Ajuda a equilibrar a glicemia adequada.
Os tipos de tumores primários do fígado são nomeados de acordo com o tipo de célula da onde se desenvolve o tumor.

E são:

Carcinoma hepatocelular - corresponde a o tumor mais comum, que se origina na célula hepática, com 84% dos tumores de fígado.
Colangiocarcinomas -
originam-se nas vias biliares e correspondem a 8% dos tumores primários de fígado
Angiossarcomas -
originam-se dos vasos sanguíneos hepáticos e representam 8% dos casos.

Incidência

O câncer do fígado é o oitavo câncer mais comum no mundo. No Brasil, ela tem uma importância relativa menor, uma vez que ele não figura entre os dez mais incidentes. Essa doença afeta mais homens do que mulheres. Em 2003, aproximadamente 17300 novos casos (11700 homens e 5600 mulheres) de cancer hepático serão diagnosticados nos EUA. A cada ano, estima-se que 14400 pessoas morrerão pela doença. A incidência e mortalidade do câncer hepático têm aumentado no mundo, principalmente em alguns países da Ásia e África.

Mortalidade

Cerca de 4% das mortes por câncer no Brasil, anualmente, são causados por câncer de fígado.

Fatores de risco

Os tumores hepáticos são mais freqüentes em indivíduos com mais de 60 anos de idade.

Apesar de alguns fatores ambientais aumentarem o risco de desenvolver o câncer hepático (por exemplo, exposição á certos produtos químicos e ingestão de alimentos com aflatoxinas) os maiores riscos são a infecção crônica do fígado pelo vírus da hepatite B ou C e cirrose hepática.

Hepatite Viral

Os três tipos mais comuns de hepatite são a hepatite A, B e C. O vírus A não costuma dar infecções crônicas e não está associado ao câncer de fígado. Pessoas infectadas pelo vírus B tem 100 vezes mais chance de desenvolver o câncer hepático. A hepatite viral B ou C é transmitida através de contato com sangue infectado ou outros fluidos corporais, como no contato sexual. A prevenção pode ser feita através de vacinação, no caso da hepatite B. Ainda não existe vacina para a hepatite C.

Cirrose

A cirrose ocorre quando as células do fígado são destruídas e são substituídas por um tecido cicatricial. A maioria dos casos de cirrose são consequência do uso abusivo de bebidas alcoólicas. Outras causas incluem, hepatites virais, a hemocromatose (doença onde ocorre excesso de ferro no fígado) e alguns casos mais raros de doenças crônicas do fígado.

Prevenindo o cancer hepático

A prevenção seria principalmente através da prevenção da hepatite B e C e da cirrose hepática. Vacinação contra hepatite B, tomar medidas contra o alcoolismo e cuidados no banco de sangue e no manuseio de materiais pérfuro-cortantes como agulhas seriam as principais medidas preventivas.

Sinais de alerta

Geralmente não existem sinais e sintomas, precocemente, ocorrendo quando a doença já está avançada.

Os principais são:

Dor: na parte superior direita do abdomen, que pode se irradiar para o ombro direito; próximo ao ombro direito, região escapular; nas costas

Perda de peso

Aumento do volume abdominal, com ou sem massa endurecida abaixo da costela do lado direito, indicando um aumento do fígado.

Fraqueza e mal-estar generalizado

Icterícia (pele e mucosas amareladas)

Os tumores têm sido diagnosticados mais precocemente em pacientes que estejam em alto risco de desenvolvê-las, como os portadores de cirrose ou com infecção crônica de hepatite B ou C. Em pessoas sem estas características, esses sintomas em geral são também relacionados com outras doenças benignas. O câncer de fígado só passa a ser considerado como hipótese quando os sintomas demoram muito tempo para passar, ou então pioram abruptamente.

Diagnóstico

Pessoas com sintomas devem procurar um médico. Durante a consulta o medico realizará o exame físico para detector alterações no fígado, baço, inchaços e procurer por sinais de icterícia.

O medico poderá pedir uma exame sanguíneo chamado de dosagem de Alfa-fetoproteína, qoe pode estar positive em 50 a 70% dos indivíduos portadores de tumores hepáticos. O medico poderá pedir exames de hepatite B e C e outros exames como enzimas hepaticas par aver como o fígado está trabalhando.

Outros exames poderão ser realizados para ver se o cancer não se espalhou para outras areas do organismo.

Ultrassom de abdomen - usado para avaliar o fígado, baço, linfonodos e rins.

Tomografia Computadorizada - usa raios-x para crier detalhes do fígado vasos sanguíneos e outros órgãos. Pode ser usado um contraste injetado pela veia que torna o fígado e os tumores mais claros.

Ressonância Nuclear Magnética - usa ondas eletromagnéticas para fazer desenhos detalhados das estruturas do nossos corpos. Às vezes é capaz de diferenciar um tumor benigno de tumor maligno.

Laparoscopia - Utiliza um tubo fino e iluminado para visualizar o interior do abdomen, que é inserido através de uma pequena incisão.

Biopsia - remove um pequeno fragmento de tecido para exame microscópico. Os outros exames podem sugerir o diagnóstico de câncer porém a biópsia é o único exame que dá certeza. A biópsia pode ser realizada durante a laparoscopia, por aspiração de agulha fina ou usando uma agulha grossa.

Como se espalha

O câncer de fígado pode se espalhar para outras áreas através do sistema linfático ou sangüíneo. A maioria das metástases ocorre nos pulmões e nos ossos. As células tumorais podem também se espalhar pela cavidade abdominal, causando acúmulo de líquido (ascite) ou massas, em qualquer parte do abdômen.

Estadiamento

Para os tumores originários no fígado, exames podem ser realizados para determinar o tamanho dos tumores e se o câncer se espalhou para outras áreas do corpo. Os médicos especialistas utilizam estas informações para definir o estágio do câncer. Este fato auxilia na decisão do tratamento e pode ajudar a predizer um prognóstico.

Estágio I: É o estágio menos invasivo, onde o tumor não atinge vasos sanguíneos, linfonodos ou outros órgãos.

Estágio II: O tumor compromete vasos sanguíneos próximos, mas ainda não atingiu linfonodos regionais ou outras partes do corpo.

Estágio IIIA: O tumor ainda não saiu do fígado, porém a área de tumor é maior que no estágio I ou II e freqüentemente invade vasos sanguíneos próximos.

Estágio IIIB: O tumor atinge órgãos próximos ao fígado, mas não atinge linfonodos ou outras partes do corpo.

Estágio IIIC: Qualquer tamanho de tumor que já tenha atingido os linfonodos da região porém não outras partes do corpo.

Estágio IV

Qualquer tamanho de tumor que já tenha se espalhado em outras parte do corpo.

No tumor hepático, além do estadiamento, o grau de funcionamento hepático também interfere na decisão do tipo de tratamento, devido à possíveis infecções crônicas e cirrose que podem deixar o fígado sem reservas para agüentar uma cirurgia, por exemplo.

Além do estadiamento, o tumor é classificado em:

Localizado e ressecável: O tumor está em uma área de fígado, deixando outras áreas saudáveis e pode ser removido cirurgicamente.
Localizado e Não-ressecável:
O tumor é encontrado em uma parte do fígado, porém não pode ser retirado cirurgicamente.
Avançado:
O tumor já compromete grande parte do fígado e/ou outros órgãos como pulmões e ossos.
Recorrente:
O câncer voltou após tratamento. Pode voltar no fígado ou em outro órgão.

Tratamento

A cirurgia, radioterapia e quimioterapia podem ser usadas para tratar os tumores hepáticos.

O tipo de tratamento selecionado para cada paciente depende de alguns fatores como:

Se o tumor está limitado ao fígado
Se o tumor está limitado à área onde se iniciou ou se espalhou por todo o fígado.
O estado geral do doente.

Cirurgia

Existem dois tipos principais na abordagem ao câncer hepático. A área afetada é removida ou um transplante de fígado pode ser feito. Quando apenas um porção do fígado é retirado, a cirurgia é chamada de hepatectomia.

A hepatectomia pode ser realizada somente se:

O câncer está limitado a uma parte do fígado e
Se o fígado está funcionando bem. A porção que permanece do fígado supre as funções de todo o fígado e pode em alguns casos, regenerar até o tamanho normal em algumas semanas.

Outras vezes um transplante de fígado pode ser cogitado. Este procedimento só pode ser feito se o câncer está confinado no fígado e existir um doador compatível.

Radioterapia

É a técnica que utiliza raios X de alta energia para matar células tumorais ou reduzir o tamanho do tumor. Ela não é muito empregada em tumores hepáticos, sendo usados mais para aliviar alguns sintomas como dor e sangramento.

Quimioterapia

A quimioterapia faz uso de medicamentos para matar as células cancerosas. O paciente pode receber uma droga ou uma combinação delas. O tratamento dos tumores hepáticos é basicamente cirúrgico, porém ela é possível em uma pequena parcela dos pacientes. Existem alguns tratamentos paliativos, isto é, que melhoram sintomas, mas não aumentam o tempo de sobrevida do paciente. Entre estes tratamentos estão a alcoolização das lesões, a embolização e a quimioembolização.

Câncer de fígado avançado

O câncer avançado que já comprometeu outros órgãos não possui cura, porém os médicos podem usar tratamentos para diminuir a velocidade de progressão da doença e promover melhora dos sintomas. O tratamento para o câncer avançado pode incluir quimioterapia, radioterapia ou ambos. Cuidados paliativos para controle da dor e outros sintomas podem ser feitos para deixar o doente mais confortável.

Sobrevivência

O prognóstico é extremamente reservado. A sobrevida em cinco anos é de aproximadamente 1% a 7%.

O Câncer Primário do Fígado no Brasil não consta entre os dez mais incidentes, segundo dados obtidos dos Registros de Base Populacional existentes. Sua taxa de incidência padronizada por 100.000 habitantes varia de 1,07 em Belém, em 1988, a 9,34, em Porto Alegre, em 1991 em homens; em mulheres de 0,28, em Belém, em 1988, a 7,04 em Goiânia em 1990.

O sudeste da Ásia, Japão e África do Sul apresentam uma incidência particularmente alta de carcinoma hepatocelular, enquanto que nos Estados Unidos, Grã Bretanha e região norte da Europa é raro encontrar este tipo histológico de tumor, observando-se taxas inferiores a 1 por cada 100.000 habitantes.

O carcinoma hepatocelular ocorre em uma frequência três vezes maior, em homens do que em mulheres. A faixa etária, com maior predomínio nos Estados Unidos e Europa, está localizada entre a 6ª e 7ª década, enquanto que, nas áreas de grande incidência, o tumor ocorre em pacientes mais jovens, entre a 3ª e 5ª década. O carcinoma hepatocelular representa a quase total maioria dos tumores primários do fígado, sendo responsável pela ocorrência de 80%. Nas crianças, o tumor primário mais comum é o hepatoblastoma.

A forma fibrolamelar do carcinoma hepatocelular acomete pacientes mais jovens (5-35 anos) e, quando ressecável, o seu prognóstico é tido por alguns como melhor em comparação com os outros hepatocarcinomas. O colangiocarcinoma é responsável por 5% dos casos de tumor primário do fígado e ocorre geralmente entre a 6ª e 7ª década de vida.

Estudos de necrópsia mostraram que pacientes que morrem de alguma forma de câncer podem apresentar metástase para o fígado em até 35% das vezes durante o curso da doença.

Os tipos que mais comunente dão metástase para o fígado são: o carcinoma do pâncreas, o carcinoma colo-retal, o carcinoma de estômago, o carcinoma da mama, o carcinoma do esôfago e o carcinoma do pulmão.

Estima-se que 23% dos casos novos de pacientes com câncer colo-retal apresentem-se já com metástase hepática isolada. Estes casos são tratáveis com cirurgia e a cura pode ser obtida com sobrevida de até 5 anos em até 30% dos casos.

Cerca de 50% dos pacientes com carcinoma hepatocelular apresentam cirrose hepática, que pode estar associada ao etilismo ou hepatite crônica, cujo fator etiológico predominante é a infeccão pelo vírus da hepatite B.

Em áreas endêmicas a esquistossomose e a ingestão de alimentos contaminados por aflatoxinas B1 (derivados do aspergillus flavus), também são considerados como fatores de risco.

O colangiocarcinoma está relacionado com afecções inflamatórias das vias biliares, principalmente com a infestação por um trematódio (clonorchis sinensis), bastante freqüente nos países asiáticos e africanos.

O potencial carcinogênico das substâncias químicas como o cloreto de vinil, os arsenicais inorgânicos e o Thorotraste (solução de dioxido de tório) está associado ao angiossarcoma.

Os sinais e sintomas dos pacientes com o carcinoma hepatocelular são: dor abdominal (40 a 60%), massa abdominal, distensão (30 a 40%), anorexia, mal estar, icterícia e ascite (20%). Alguns pacientes poderão evoluir com ruptura espontânea do tumor caracterizada por dor súbita no hipocôndrio direito de forte intensidade, seguida de choque hipovolêmico.

Nos tumores metastáticos colo-retais, pode-se notar em geral um aumento exacerbado da dosagem do antígeno carcinoembrionario (CEA).

Nos pacientes de alto risco, a identificação precoce do carcinoma hepatocelular poderá ser realizada facilmente através da dosagem de alfafetoproteína sérica e ultrassonografia hepática. A exatidão da ultrassonografia na identificação de pequenos tumores aumentou de 25% para 90% nos últimos 10 anos.

A tomografia computadorizada quando realizada com contraste endovenoso, consegue identificar lesões neoplásicas do fígado com exatidão de 75% a 90%. Porém, lesões menores do que 3 cm têm a sua detecção prejudicada devido a isodensidade do parênquima hepático normal.

O exame através da Ressonância Nuclear Magnética (RNM) não apresenta grande diferença em relação ao estudo pela Tomografia Computadorizada, quanto à capacidade de identificar os tumores hepáticos primários ou metastáticos. Este exame pode definir um pouco melhor a extensão do tumor nos pacientes com cirrose hepática, assim como demonstrar os vasos principais sem a necessidade de administração de contraste venoso.

A laparoscopia permite uma visualização direta e a biópsia do tumor, além de avaliar a presença ou ausência de disseminação peritoneal. Sua eficácia aumenta quando associada à ultrassonografia videolaparoscópica, aumentando o índice de ressecabilidade dos pacientes selecionados para a laparotomia.

A colangioressonância, a colangiotomografia, a colangiografia endoscópica retrógrada ou percutânea transhepática podem ser úteis no diagnóstico e no planejamento do tratamento dos tumores das vias biliares.

Indicamos o tratamento cirúrgico nos tumores hepáticos primários, na ausência de metástases à distância e nos tumores hepáticos metastáticos em que a lesão primária foi ressecada ou é passível de ser ressecada de maneira curativa. A eficácia e segurança na ressecção hepática são fundamentadas no conhecimento da anatomia e compreensão da fisiologia do fígado. A indicação de uma cirurgia de ressecção hepática, dependerá do estado clínico do paciente. Somente pacientes com a classificação de Child A são candidatos a ressecção hepática segura.

Em estudos realizados por Hughes a única contra-indicação absoluta para a ressecção da doença metastática hepática é a impossibilidade de uma garantia de margem de ressecção livre de doença, presença de comprometimento linfonodal e/ou impossibilidade da ressecção da lesão primária. A ultrassonografia intra-operatória pode auxiliar muito na correta indicação cirurgica.

Podemos diminuir a necessidade de hemotransfusão durante a ressecção hepática utilizando técnicas de exclusão vascular, hipotermia, hipotensão controlada, aspiração ultrassônica, coagulação com argônio ou simplesmente nos atendo às técnicas convencionais de ressecção.

A radioterapia nos tumores hepáticos é limitada pela baixa tolerância do parênquima hepático à radiação. A dose tolerada fica abaixo da necessária para uma efetiva ação antitumoral e controle da lesão, mas acarreta alívio temporário de sintomatologia. É necessário avaliar os riscos de lesão do parênquima hepático normal, limitando assim o emprego desta terapêutica.

A droga mais ativa até o momento (quimioterapia) é a Doxorubicina. Para o tratamento de tumores primários as taxas de respostas giram em torno de 10%. O fluoracil por via sistêmica é a droga mais comumente utilizada de forma isolada ou em associação no tratamento de doença colo-retal metastática com respostas em torno de 20% a 30%.

A quimioterapia intra-arterial possibilita maior concentração da droga no fígado com menor efeito tóxico sistêmico. Por esta via o Floxuridine (FUDR) tem sido a droga mais empregada no tratamento do câncer colo-retal metastático para o fígado.

Na quimioembolização emprega-se a combinação de drogas e partículas (ex: cisplatinum e lipiodol), que são infundidas até que haja uma estagnação do fluxo arterial para o tumor, determinando um aumento da concentração local da droga com simultânea isquemia e necrose.

Fonte: members.tripod.com

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