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Cisticercose

Aspectos Epidemiológicos

O complexo Teníase/Cisticercose constitui-se de duas entidades mórbidas distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio, em fases diferentes do seu ciclo de vida. A teníase é provocada pela presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata, no intestino delgado do homem.

A cisticercose é uma entidade clínica provocada pela presença da forma larvária nos tecidos de suínos, bovinos ou do homem.

Agente Etiológico

Taenia solium e a Taenia saginata pertencem à classe Cestoidea, ordem Cyclophillidea, família Taenidae e gênero Taenia. Na forma larvária (Cysticercus cellulosae _ T. solium e Cysticercus bovis _ T. saginata) causam a teníase. Na forma de ovo a Taenia saginata desenvolve a cisticercose no bovino, e a Taenia solium no suíno ou no homem.

Reservatório e Fonte de Infecção

O homem é o único hospedeiro definitivo da forma adulta da Taenia solium e da Taenia saginata.

O suíno ou o bovino são os hospedeiros intermediários (por apresentarem a forma larvária nos seus tecidos).

Modo de Transmissão

O homem que tem teníase, ao evacuar a céu aberto, contamina o meio ambiente com ovos eliminados nas fezes, o suíno ou o bovino ao ingerirem fezes humanas (direta ou indiretamente), contendo ovos de Taenia solium ou Taenia saginata, adquirem a cisticercose.

Ao alimentar-se com carne suína ou bovina, mal cozida, contendo cisticercos, o homem adquire a teníase. A cisticercose humana é transmitida através das mãos, da água e de alimentos contaminados com ovos de Taenia solium.

Período de Incubação

O período de incubação para a cisticercose humana pode variar de 15 dias a muitos anos após a infecção. Para a teníase, após a ingestão da larva, em aproximadamente três meses, já se tem o parasita adulto no intestino delgado humano.

Período de Transmissibilidade

Os ovos de Taenia solium e de Taenia saginata podem permanecer viáveis por vários meses no meio ambiente, principalmente em presença de umidade.

Susceptibilidade e Imunidade

A susceptibilidade é geral. Tem-se observado que a presença de uma espécie de Taenia garante certa imunidade, pois dificilmente um indivíduo apresenta mais de um exemplar da mesma espécie no seu intestino; porém não existem muitos estudos abordando este aspecto da infestação.

Aspectos Clínicos

Descrição

O complexo teníase/cisticercose é uma zoonose e manifesta-se no homem sob duas formas clínicas:

Parasitose intestinal - Teníase

Causa retardo no crescimento e no desenvolvimento das crianças, e baixa produtividade no adulto. A sintomatologia mais freqüente são dores abdominais, náuseas, debilidade, perda de peso, flatulência, diarréia ou constipação. O prognóstico, é bom. Excepcionalmente é causa de complicações cirúrgicas, resultantes do tamanho do parasita ou de sua penetração em estruturas do aparelho digestivo tais como apêndice, colédoco e ducto pancreático.

Parasitose extra-intestinal Cisticercose

Infecção causada pela forma larvária da Taenia solium cujas manifestações clínicas estão na dependência da localização, tipo morfológico, número e fase de desenvolvimento dos cisticercos e da resposta imunológica do hospedeiro.

Da conjunção destes fatores resulta um quadro pleomórfico, com uma multiplicidade de sinais e sintomas neurológicos (Trelles & Lazarte - 1940; Pupo et al - 1945/46; Brotto - 1947; De la Riva - 1957; Canelas - 1962; Lima - 1966; Takayanagui - 1980; 1987), inexistindo um quadro patognomônico.

A localização no sistema nervoso central é a forma mais grave desta zoonose, podendo existir também nas formas oftálmica, subcutânea e muscular (como o tecido cardíaco). As manifestações clínicas variam desde a simples presença de cisticerco subcutâneo até graves distúrbios neuropsiquiátricos (convulsões epileptiformes, hipertensão intracraniana, quadros psiquiátricos como demência ou loucura), com seqüelas graves e óbito.

Tratamento

O tratamento da teníase poderá ser feito através das drogas: Mebendazol, Niclosamida ou Clorossalicilamida, Praziquantel, Albendazol. Com relação à cisticercose, até há pouco mais de uma década e meia, a terapêutica medicamentosa da neurocisticercose era restrita ao tratamento sintomático. Atualmente, praziquantel e albendazol têm sido considerados eficazes na terapêutica etiológica da neurocisticercose. (TAKAYANAGUI - 1987; 1990-b). Há questionamentos sobre a eficácia das drogas parasiticidas na localização cisternal ou intraventricular e na forma racemosa, recomendando-se, como melhor opção, a extirpação cirúrgica, quando exeqüível (COLLI - 1996; COLLI et al - 1994-b; TAKAYANAGUI - 1990-b; 1994).

Levando-se em consideração as incertezas quanto ao benefício, a falibilidade e os riscos da terapêutica farmacológica, a verdadeira solução da neurocisticercose está colocada primordialmente nas medidas de prevenção da infestação (OPS - 1994).
3. Diagnóstico Laboratorial

Teníase

Geralmente tem ocorrência sub-clínica, sendo muitas vezes não diagnosticada através de exames coprológicos, devido à forma de eliminação deste helminto, é mais comumente realizado através da observação pessoal da eliminação espontânea de proglótides. Os exames parasitológicos de fezes são realizados pelos métodos de Hoffmann, fita gomada e tamização.

Cisticercose

O diagnóstico é realizado através de biópsia tecidual, cirurgia cerebral, testes imunológicos no soro e líquido cefalorraquiano ou exames de imagem (RX, tomografia computadorizada e ressonância magnética).

Dentre os exames laboratoriais que permitem diagnosticar a cisticercose no homem destacam-se:

Exame do líquido cefalorraquidiano, o qual fornece elementos consistentes para o diagnóstico, pois o parasita determina alterações compatíveis com o processo inflamatório crônico.

Provas sorológicas, com resultados limitados, pois não permitem localizar os parasitas ou estimar a carga parasitária, além de que, a simples presença de anticorpos não significa que a infecção seja atual. As provas mais utilizadas são:

ELISA, com sensibilidade aproximada de 80%;

Imunoeletroforese, que embora não forneça resultados falso-positivos, revela apenas 54% a 87% dos pacientes com cisticercose; e,

Imunofluorescência indireta, altamente específica, mas pouco sensível.

Exame radiológico, realizado mediante imagens dos cistos calcificados, cujo aspecto é relativamente característico- a calcificação só ocorre após a morte do parasita.

Tomografia computadorizada, que auxilia na localização das lesões, notadamente ao nível do sistema nervoso central, tanto para os cistos viáveis, como para os calcificados.

Exame anatomopatológico, realizado ante-mortem, quando eventuais nódulos subcutâneos, permitem biópsia e a análise histopatológica, ou post-mortem, quando da realização de autópsia ou de necropsia.

Vigilância Epidemiológica

Notificação: a notificação da teníase/cisticercose poderá fornecer dados epidemiológicos mais precisos sobre a prevalência populacional e permitir o mapeamento geográfico das áreas mais afetadas para melhor direcionamento das medidas de controle.

Medidas de Controle

Trabalho Educativo da População: como uma das medidas mais eficazes no controle da teníase/cisticercose deve ser promovido extenso e permanente trabalho educativo da população nas escolas e nas comunidades.

A aplicação prática dos princípios básicos de higiene pessoal e o conhecimento dos principais meios de contaminação constituem medidas importantes de profilaxia. O trabalho educativo da população deve visar à conscientização, ou seja, ao corte dos hábitos e costumes inadequados e à adoção de novos, mais saudáveis, por opção pessoal.

Bloqueio de Foco do Complexo Teníase/Cisticercose: o foco do complexo teníase/cisticercose pode ser definido como sendo a unidade habitacional com pelo menos:

Nos indivíduos com sorologia positiva para cisticercose

Um indivíduo com teníase

Um indidíduo eliminando proglótides

Um indivíduo com sintomas neurológicos suspeitos de cisticercose

Nos animais com cisticercose (suína/bivina).

Serão incluídos no mesmo foco outros núcleos familiares que tenham tido contato de risco de contaminação.

Uma vez identificado o foco, os indivíduos deverão receber tratamento com medicamento específico.

Fiscalização da Carne:

Essa medida visa reduzir ao menor nível possível a comercialização ou o consumo de carne contaminada por cisticercos e orientar o produtor sobre medidas de aproveitamento da carcaça (salga, congelamento, graxaria, conforme a intensidade da infecção) reduzindo a perda financeira, com segurança para o consumidor.

Fiscalização de Produtos de Origem Vegetal:

A irrigação de hortas e pomares com água de rios e córregos que recebem esgoto deve ser coibida através de rigorosa fiscalização, evitando a comercialização ou o uso de vegetais contaminados por ovos de Taenia.

Cuidados na Suinocultura:

O acesso do suíno às fezes humanas e à água e alimentos contaminados com material fecal deve ser coibido: esta é a forma de evitar a cisticercose suína.

Isolamento:

Para os indivíduos com cisticercose ou portadores de teníase, não há necessidade de isolamento. Para os portadores de teníase, entretanto, recomenda-se medidas para evitar a sua propagação: tratamento específico, higiene adequada das mãos, deposição dos dejetos garantindo a não contaminação do meio ambiente.

Desinfecção Concorrente:

É desnecessária, porém é importante, o controle ambiental através da deposição correta dos dejetos (saneamento básico), e rigoroso hábito de higiene (lavagem das mãos após evacuações, principalmente).

Fonte: br.geocities.com

Cisticercose

É uma doença causada pelas larvas da Taenia adquiridas através da ingestão de alimentos e água contaminados com os ovos do verme e pode ser grave.

No intestino, os ovos se transformam em larvas que podem se deslocar para várias partes do corpo, tais como: músculos, cérebro, pulmões, olhos e coração causando convulsões, distúrbios mentais, cegueira e até a morte.

Sintomas

Os primeiros sintomas são: dores de cabeça, convulsões e dificuldade para andar.

Prevenção

Comer carnes e seus derivados bem cozidos e adquiridos em estabelecimentos comercias sujeitos à fiscalização sanitária.

Usar somente água filtrada ou fervida para beber.

As verduras devem ser bem lavadas antes de consumidas.

Dar destinação adequada às fezes humanas, através de medidas de saneamento básico: fossas sépticas e rede de esgoto.

Lavar as mãos antes das refeições, de preparar alimentos e após o uso do sanitário.

Fazer exames periódicos de fezes, procurando tratamento, quando necessário.

Os porcos devem ser criados longe de valas de esgoto, águas e solos contaminados por fezes humanas.

Fonte: www.saude.rj.gov.br

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