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Colite Ulcerativa

 

É uma doença inflamatória do cólon, intestino grosso, que se caracteriza por inflamação e ulceração da camada mais interna do cólon. Os sintomas incluem caracteristicamente diarréia, com ou sem sangramento retal, e frequentemente dor abdominal. A colite ulcerativa pode afetar apenas a parte inferior do cólon, reto e é, então, chamada de proctite ulcerativa . Se a doença afetar apenas o lado esquerdo do cólon, ela é chamada de colite distal ou limitada . Se ela envolver todo o cólon, é chamada de pancolite .

A colite ulcerativa difere da doença de Crohn porque afeta apenas o cólon e a doença de Crohn pode afetar qualquer área do trato gastrointestinal, incluindo o intestino delgado, podendo haver áreas "poupadas".

A colite ulcerativa afeta apenas a camada mais interna do cólon.

Quais são os sintomas ?

O primeiro sintoma da colite ulcerativa é um amolecimento progressivo das fezes. As fezes geralmente são sanguinolentas e podem associar-se com cólicas abdominais e sensação de urgência para evacuar. a diarréia pode iniciar-se lentamente ou bastante subitamente. Além disso, pode haver lesões cutâneas, dor nas articulações e, em crianças, incapacidade de crescer apropriadamente.

Como se diagnostica?

O diagnóstico de colite ulcerativa baseia-se na história clínica, descrita acima. Inicialmente, a colite ulcerativa precisa ser diferenciada das causas infecciosas de diarréia sanguinolenta. Causas bacterianas e outras causas infecciosas de diarréia devem ser investigadas e excluídas. Em seguida, o paciente geralmente é submetido a uma avaliação do cólon pela sigmoidoscopia, que envolve a introdução de um instrumento flexível no reto e região inferior do cólon, para visualizar a extensão e o grau de inflamação, ou colonoscopia total, um exame semelhante que permite a visualização de todo o cólon.

Quais são os medicamentos usados no tratamento?

Atualmente, não existe cura clínica para a colite ulcerativa, mas o tratamento clínico eficaz pode suprimir o processo inflamatório, permitir a cicatrização do cólon e aliviar os sintomas de diarréia, sangramento retal e dor abdominal. Desse modo, o tratamento envolve medicamentos que reduzem a inflamação anormal no revestimento do cólon e controlam assim os sintomas.

São usados atualmente três classes principais de medicamentos, que são:

Aminossalicilatos

Incluem medicamentos semelhantes à aspirina, como o ácido 5-aminossalicílico (5-ASA, mesalamina, olsalazina) e sulfassalazina. Eles podem ser administrados por via oral ou retal e alteram a capacidade do corpo de criar e manter a inflamação. Assim, sem inflamação, os sintomas como diarréia, sangramento retal e dor abdominal, podem ser muito reduzidos. Esses medicamentos são eficazes no tratamento de episódios leves a moderados e também são úteis na prevenção de recorrências.

Corticosteróides

Incluem a prednisona, metilprednisolona e budesonida. Podem ser administrados por via oral, retal ou intravenosa. Esses medicamentos são usados com doença moderada a grave. Os corticosteróides afetam a capacidade do corpo de criar e amnter a inflamação.

Imunomoduladores

Incluem a azatioprina, 6-mercaptopurina (6-MP) e, recentemente, ciclosporina. Como grupo, eles alteram as células imunológicas do corpo, impedindo-as de interagir no processo inflamatório. São administrados via oral e são usados em pacientes selecionados nos quais os aminossalicilatos e corticosteróides foram ineficazes ou incompletamente eficazes.

Qual o papel da cirurgia no tratamento?

Em uma pequena proporção de pacientes, o tratamento clínico não é completamente bem sucedido ou surgem complicações. Nessas circunstâncias, pode-se considerar a cirurgia que envolve a remoção de todo o cólon e reto, com criação de uma ileostomia ou estoma externo.

A nutrição é importante?

É essencial em qualquer doença crônica, principalmente nas DIIs, que se caracterizam por diarréia e sangramento retal que podem roubar líquidos, eletrólitos e nutrientes do corpo. Alimentos brandos e moles podem causar menos desconforto que alimentos condimentados e ricos em fibras.

O estresse emocional pode desencadear crises de colite ulcerativa?

Como o corpo e a mente estão estreitamente inter-relacionados, o estresse emocional pode influenciar os sintomas de colite ulcerativa ou qualquer doença. Embora problemas emocionais agudos algumas vezes precedam o início da recorrência da colite ulcerativa, não existe nenhuma relação causal entre estresse e essa doença. É muito mais provável que o estresse emocional seja uma reação aos sintomas da própria doença. Os paciente com DII devem receber compreensão e apoio emocional de suas famílias e seus médicos.

É possível ter uma vida normal?

Embora seja uma doença crônica séria, a colite ulcerativa não é considerada uma doença fatal. Quase todos os pacientes continuam a ter vidas normais, úteis e produtivas, mesmo precisando tomar medicamentos e às vezes, hospitalização.

Fonte: www.gadii.com.br

Colite Ulcerativa

1. INTRODUÇÃO

A retocolite ulcerativa é uma doença idiopática caracterizada por episódios recorrentes de inflamação que acomete predominantemente a camada mucosa do cólon1. A doença sempre afeta o reto e também variáveis porções proximais do cólon, em geral de forma contínua, ou seja, sem áreas de mucosa normais entre as porções afetadas2.

Dessa maneira, os pacientes podem ser classificados como tendo a doença limitada ao reto (proctite), proctossigmoidite (quando afeta até a porção média do sigmóide), com envolvimento do cólon descendente até o reto (colite esquerda) e envolvimento de porções proximais à flexura esplênica (pancolite)2.

Muitos pacientes permanecem em remissão por longos períodos, mas a probabilidade de ausência de recidiva por 2 anos é de apenas 20%. As recidivas geralmente ocorrem na mesma região do cólon das outras agudizações2.

A doença pode iniciar em qualquer idade, sendo homens e mulheres igualmente afetados. O pico de incidência parece ocorrer dos 20 aos 40 anos e muitos estudos mostram um segundo pico de incidência nos idosos1.

A América Latina como um todo é considerada uma região de baixa prevalência da doença quando comparada com países como os EUA, Reino Unido e Austrália1.

As manifestações clínicas mais comuns são diarréia, sangramento retal, eliminação de muco nas fezes e dor abdominal. Deve-se sempre excluir causas infecciosas. O diagnóstico é estabelecido pela avaliação da história clínica, exame das fezes, exame endoscópico e achados histopatológicos. Como o tratamento é realizado de acordo com a extensão da doença, a retossigmoidoscopia flexível é útil para definir as porções acometidas, devendo ser realizada de preferência sem preparo do intestino e evitando-se a insuflação excessiva de ar se inflamação acentuada estiver presente. A colonoscopia não é normalmente necessária na fase aguda e deve ser evitada, se possível, pois pode desencadear um quadro de megacólon tóxico1.

A gravidade da doença é melhor avaliada pela intensidade dos sintomas e pode ser classificada pelos critérios estabelecidos por Truelove e Witts3, úteis na definição terapêutica.

As agudizações são classificadas em três categorias:

a) leve: menos de 3 evacuações por dia, com ou sem sangue, sem comprometimento sistêmico e com velocidade de sedimentação globular normal
b) moderada: mais de 4 evacuações por dia com mínimo comprometimento sistêmico
c) grave: mais de 6 evacuações por dia com sangue e com evidência de comprometimentos sistêmicos, tais como febre, taquicardia, anemia e velocidade de sedimentação globular acima de 30. Casos com suspeita de megacólon tóxico também devem ser considerados graves.

O tratamento compreende aminossalicilatos orais e por via retal, corticóides e imunossupressores, e é feito de maneira a tratar a fase aguda e, após, manter a remissão, sendo o maior objetivo reduzir a sintomatologia2.

O tratamento das agudizações leves a moderadas é feito basicamente com aminossalicilatos, orais e tópicos, e com corticóides. A sulfasalazina mostrou-se eficaz no tratamento da retocolite ulcerativa leve a moderada em ensaio clínico randomizado da década de 604. Metanálises dos ensaios clínicos que usaram mesalazina na retocolite ulcerativa ativa mostraram igual eficácia da sulfasalazina e da mesalazina e superioridade em relação ao placebo5-6.

A terapia tópica, com supositórios de mesalazina na proctite e enema de mesalazina para a proctossigmoidite, foi reavaliada em duas metanálises que mostraram que a terapia tópica é superior à oral na doença distal7-8. Enemas de corticóide também são superiores ao placebo na doença leve a moderada, embora sejam menos eficazes que a terapia tópica com mesalazina8,9.

Os pacientes refratários aos aminossalicilatos ou aqueles com doença moderada podem alternativamente usar prednisona na dose de 40 mg/dia, por via oral10.

Sugere-se o tratamento empírico de estrongilóides antes do início do tratamento com prednisona. Os pacientes que não respondem completamente ou que não conseguem reduzir a dose da prednisona sem recorrência podem beneficiar-se do uso de azatioprina10-11.

Pacientes com doença ativa grave ou refratários à terapia oral devem ser tratados em ambiente hospitalar por equipe clínico-cirúrgica treinada e devem utilizar corticóide intravenoso1,3,10. Os que tiverem piora e não melhorarem em poucos dias devem ser considerados para colectomia de urgência ou uso de ciclosporina intravenosa em centro com experiência no seu emprego10,12,13.

Pacientes com um episódio único de proctite não necessitam de terapia de manutenção. Nos demais casos, após a melhora da fase aguda, deve ser iniciada a terapia para prevenção de recorrências.

Em metanálise14 dos ensaios clínicos que utilizaram mesalazina para manutenção da remissão em retocolite ulcerativa, concluiu-se que a mesalazina por via oral é superior ao placebo, mas inferior à sulfasalazina por via oral. Os pacientes com proctite ou proctossigmoidite podem alternativamente ser mantidos em remissão
com supositórios de mesalazina15.

Apesar de ser uma doença mais prevalente nos não fumantes, não se deve encorajar os pacientes a iniciarem a fumar. Também não existem evidências conclusivas de que o uso de adesivos de nicotina possa ser útil no manejo desta doença.

2. CLASSIFICAÇÃO CID 10

K51.- Colite Ulcerativa

3. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

Serão incluídos pacientes com retocolite ulcerativa em uma das situações abaixo:

a) com doença intestinal ativa
b) em remissão clínica.

4. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

Não deverão ser incluídos os pacientes em uma das situações abaixo:

a) menos de 12 anos de idade
b) contra-indicação ao uso dos medicamentos preconizados neste Protocolo
c) discordância dos termos do Consentimento Informado.

5. TRATAMENTO E ESQUEMA DE ADMINISTRAÇÃO

5.1.Tratamento da Proctite e Proctossigmoidite Leve a Moderada

Pacientes com proctite leve a moderada devem ser tratados com um supositório de mesalazina de 1 g por dia7 durante a fase aguda. Pacientes com proctossigmoidite devem ser tratados com enemas de mesalazina de 1 g/dia. Os pacientes intolerantes ou que não tiverem condições de aderir à terapia por via retal podem alternativamente ser tratados como preconizado para a pancolite. Obtida a remissão dos sintomas, os pacientes deverão ser manejados de acordo com o item 5.4 Manutenção da remissão clínica.

5.2. Tratamento da Colite Esquerda e da Pancolite Leve a Moderada

Inicia-se com sulfasalazina 500 mg/dia, por via oral, elevando-se a dose, gradualmente, conforme a tolerância do paciente, para atingir 2 g de 12 em 12 horas (dose diária total de 4 g). Os pacientes que desenvolverem reações alérgicas, discrasias sangüíneas, hepatite, pancreatite, dor abdominal de forte intensidade ou algum outro efeito adverso grave ao uso da sulfasalazina podem utilizar mesalazina na dose de 800 mg de 6 em 6 horas por via oral.

Após melhora, as doses devem ser reduzidas: sulfasalazina, reduzir para 1 g de 12 em 12 h; mesalazina, reduzir para 800 mg de 12 em 12 h.

Nos casos moderados, alternativamente, pode ser usada prednisona na dose de 40 mg por dia, por via oral, sendo que, após a melhora, esta dose deve ser reduzida 5-10 mg por semana até 20 mg por dia, reduzindo-se então 5 mg por semana até 5 mg por dia e, após, reduzindo-se 2,5 mg por semana até a retirada completa. Em casos que responderem apenas parcialmente à prednisona, ou em que não se consiga reduzir a dose do corticóide sem recaídas, deve-se iniciar o uso de azatioprina 2-2,5 mg/kg/dia ou 6-mercaptopurina 1-1,5 mg/kg/dia. Casos refratários a essa terapia devem ser tratados como sendo doença grave.

5.3.Tratamento da Doença Grave

Os pacientes com doença leve a moderada que não responderem às medidas preconizadas acima, da mesma forma que os pacientes com doença grave, devem ser tratados em ambiente hospitalar com hidrocortisona 100 mg IV de 8 em 8 h por 7 a 10 dias10.

Se não houver melhora, esses pacientes devem ser tratados com ciclosporina IV em centros especializados com seu uso ou com colectomia de urgência. Deve-se evitar o uso narcóticos ou de medicações com efeito anticolinérgico. Havendo melhora, a hidrocortisona deve ser substituída por prednisona, sendo então seguido o tratamento preconizado para pancolite leve a moderada.

5.4. Manutenção da Remissão Clínica

Pacientes que tenham tido um episódio único de proctite não necessitam de terapia de manutenção. Os demais devem fazer terapia de manutenção por via oral1,10.

Inicia-se com sulfasalazina 500 mg por dia, por via oral, elevando-se a dose, gradualmente, conforme a tolerância do paciente, para atingir 1 g de 12 em 12 horas (dose diária total de 2 g).

Em casos que desenvolvam reações alérgicas, discrasias sangüíneas, hepatite, pancreatite, dor abdominal de forte intensidade ou algum outro efeito adverso grave ao uso da sulfasalazina pode-se utilizar mesalazina na dose de 800 mg de 12 em 12 horas, por via oral.

Para pacientes que tiverem mais de duas agudizações em um ano ou que não consigam reduzir a dose de corticóide sem nova recidiva pode-se iniciar azatioprina 2-2,5 mg/kg/dia ou 6-mercaptopurina 1-1,5 mg/kg/dia. Para pacientes que necessitam do uso continuado de azatioprina/6-mercaptopurina por longos períodos deve ser considerada a possibilidade de se realizar colectomia, como forma de evitar as complicações do uso continuado10.

Em pacientes com proctite ou proctossigmoidite, alternativamente aos aminossalicilatos por via oral, pode ser feita terapia de manutenção com um supositório de liberação lenta de mesalazina 1g 3 vezes por semana8,10,15,16. Pacientes que tiverem agudização em uso de supositórios 3 vezes por semana devem passar a usá-los diariamente16.

6. SITUAÇÕES ESPECIAIS

6.1. Pacientes Pediátricos

Existem poucos estudos controlados que avaliem o tratamento da retocolite ulcerativa em crianças. O tratamento em pacientes com menos de 12 anos deve ser realizado em centros de referência estabelecidos pelo Gestor Estadual, e qualquer tratamento que difira das linhas gerais deste Protocolo deve ter aval e justificativa de dois especialistas. Deve-se evitar o uso prolongado de corticóides, devendo-se sempre tentar o seu emprego em dias alternados para minimizar o retardo de crescimento induzido por esses medicamentos. Levando-se em conta essas ressalvas e o ajuste das doses pelo peso, o tratamento deve seguir os mesmos princípios do tratamento dos adultos. As doses máximas são as mesmas para adultos em cada situação clínica.

Recomendam-se as seguintes doses17:

Sulfasalazina: 50-75 mg/kg por dia, divididos em 2 a 4 tomadas
Mesalazina: 30-50 mg/kg por dia, divididos em 3 a 4 tomadas
Prednisona: 1-2 mg/kg por dia (dose inicial) divididos em 1 ou 2 doses
Azatioprina: 2-2,5 mg/kg por dia, dose única diária
6-mercaptopurina: 1-1,5 mg/kg por dia, dose única diária
Ciclosporina: 4-6 mg/dia, infusão contínua ou em 2 tomadas diárias.

6.2. Mulheres Grávidas e Nutrizes

A sulfasalazina interfere com o metabolismo normal do ácido fólico, que deve ser suplementado no período pré-concepção. A taxa de malformações com seu uso é quase igual à da população em geral18.

Deve ser utilizada com cautela em pacientes amamentando19.

A mesalazina é considerada segura durante a gestação e pode ser uma alternativa para pacientes em uso de sulfasalazina que estejam planejando gestar. Aconselha-se cautela no seu emprego durante a gestação19.

Os corticóides podem ser usados durante a gestação para controle de doença ativa, parecendo razoável utilizar aqueles mais metabolizados pela placenta, como a prednisona18.

Não há estudos definitivos sobre a segurança da azatioprina durante a gestação, contudo a maioria dos estudos parece demonstrar que ela é segura18. Dúvidas quanto a sua segurança existem também para os usuários homens que estejam planejando ter filhos. O risco deve ser pesado contra a importância de sua manutenção. A medicação deve ser suspensa pelo menos 3 meses antes da concepção nos pacientes (homens e mulheres) que decidirem não se submeter ao risco teratogênico. Pacientes que estejam usando azatioprina não devem amamentar19.

A ciclosporina tem, provavelmente, o mesmo nível de segurança da azatioprina, e sua relação risco-benefício parece ser favorável ao seu uso em pacientes com colite grave refratária ao corticóide como meio de evitar cirurgias de urgência18. Seus níveis séricos devem ser cuidadosamente monitorizados, pois, em níveis elevados, associa-se ao desenvolvimento de dano tubular renal nos conceptos em experimentos animais18. Pacientes que estiverem utilizando ciclosporina não devem amamentar19.

6.3. Pacientes com Bolsa Ileal

Pacientes com bolsa ileal e que estejam sintomáticos devem ser encaminhados a Centros de Referência no tratamento da retocolite ulcerativa.

6.4. Pacientes com Manifestações Extra-Intestinais Significativas

Pacientes com pioderma gangrenoso, fosfatase alcalina elevada, icterícia ou qualquer outro sinal de colestase devem ser encaminhados a Centros de Referência no tratamento da retocolite ulcerativa.

7. APRESENTAÇÃO DOS MEDICAMENTOS

Sulfasalazina: comprimidos de 500 e 800 mg
Mesalazina: comprimidos de 400, 500 e 800 mg; supositórios de 250, 500 e 1000 mg; enemas de
1e3g
Hidrocortisona: frasco-ampola de 100, 300, 500 e 1000 mg
Prednisona: comprimidos de 5, 20 e 50 mg
Azatioprina: comprimidos de 50 mg
6-mercaptopurina: comprimidos de 50 mg
Ciclosporina: cápsulas de 10, 25, 50 e 100 mg; solução oral com 100 mg/ml; ampolas com 50 e
250 mg

8. EVOLUÇÃO E ACOMPANHAMENTO

Não há indicação do acompanhamento da atividade da doença por métodos endoscópicos, pois a melhora endoscópica não é o objetivo primário do tratamento.

Os pacientes devem evitar o uso de antiinflamatórios não-esteróides, que podem agravar as manifestações da retocolite ulcerativa20.

Antes do início da sulfasalazina, deve-se realizar hemograma, testes hepáticos, creatinina e exame qualitativo de urina. Estes exames devem ser repetidos a cada 2 semanas nos primeiros 3 meses, após, mensalmente no segundo e terceiro meses e, a seguir, trimestralmente ou quando clinicamente indicado19.

9. BENEFÍCIOS ESPERADOS

Em pacientes com doença ativa, os benefícios esperados são remissão dos sintomas e manutenção deste estado por pelo menos 6 meses
Em pacientes em remissão, o objetivo é a prevenção de recorrências. Espera-se que os medicamentos em uso sejam capazes de manter a remissão por pelo menos 6 meses para serem considerados efetivos.

10. CONSENTIMENTO INFORMADO

É obrigatória a cientificação do paciente, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso dos medicamentos preconizados neste protocolo, o que deverá ser formalizado por meio da assinatura de Termo de Consentimento Informado.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Jewell DP. Ulcerative colitis. In: Feldman M, Scharschmidt BF, Sleisenger MH. 6th edition. Philadelphia, WB Saunders Co. 1998.
2. Ghosh S, Shand A, Ferguson A. Ulcerative colitis. BMJ 2000;320:1119-23.
3. Truelove SC, Witts L. Cortisone in ulcerative colitis: Final report of a therapeutic trial. BMJ 1955;2:1041.
4. Dick AP, Grayson MJ, Carpenter RG, Petrie A. Controlled trial of sulphasalazine in the treatment of ulcerative colitis. Gut 1964;5:437-42.
5. Sutherlan L, May G, Shaffer EA. Sulphasalazine revisited: a meta-analysis of 5-aminosalicylic acid in the treatment of ulcerative colitis. American College of Physicians 1993;118:540-49.
6. Sutherland L, Roth D, Beck P. Oral 5-aminosalicylic acid for induction of remission in ulcerative colitis. (Cochrane Review). In: The Cochrane Library, Issue 1, 2002. Oxford: Update Software.
7. Marshall JK, Irvine EJ. Rectal aminosalicylate therapy for distal ulcerative colitis: a meta-analysis. Aliment Pharmacol Ther 1995;9:293-300.
8. Cohen RD, Woseth DM, Thisted RA, Hanauer SB. A meta-analysis and overview of the literature on treatment options for left-sided ulcerative colitis and ulcerative proctitis. Am J Gastroenterol 2000;5:1263-76.
9. Marshall JK, Irvine EJ. Rectal corticosteroids versus alternative treatments in ulcerative colitis: a meta-analysis. Gut 1997;40:775-81.
10. Kornbluth A, Sachar D. Ulcerative colitis practice guidelines in adults. Am J Gastroenterol 1997;92:204-11.
11. Adler DJ, Burton K. The Therapeutic Efficacy of 6-mercaptopurine in refractory ulcerative colitis. Am J Gastroenterol 1990;85:717-22.
12. Lichtiger S, Present DH, Kornbluth A, Gelernt Irwin, Bauer Joel, Galler Greg, et al. Cyclosporine in severe ulcerative colitis refractory to steroid therapy. NEJM 1994;330:1841-45.
13. D´Haens G, Lemmens L, Geboes K, Vandeputte L, Acker FV, Mortelmans L, et al. Intravenous cyclosporine versus intravenous corticosteroids as single therapy for severe attacks of ulcerative colitis. Gastroenterology 2001;120:1323-29.
14. Sutherland L, Roth D, Beck P, May G, Makiyama K. Oral 5-aminosalicylic acid for the maintenance of remission in ulcerative colitis (Cochrane Review). In: The Cochrane Library. Issue 1,2002. Oxford: Update Software.
15. D’Arienzo A, Panarese A, D’Armiento FP, Lancia C, Quattrone P, Giannattasio F, et al. 5-Aminosalicylic Acid Suppositories in the Maintenance of Remission in Idiopathic Proctitis or Proctosigmoiditis: a Double-Blind Placebo-Controlled Clinical Trial. Am J Gastroenterol 1990;85:1079-82.
16. Marteau P, Crand J, Foucault M, Rambaud J-C. Use of mesalazine slow release suppositories 1 g three times per week to maintain remission of ulcerative proctitis: a randomized double blind placebo controlled multicenter study. Gut 1998;42:195-99.
17. Baldassano RN, Piccoli DA. Inflammatory bowel disease in pediatric and adolescent patients. Gastroenterol Clin North Am 1999;28:445-58.
18. Katz JA, Pore G. Inflammatory bowel disease and pregnancy. Inflammatory Bowel Diseases 2001:7:146-57.
19. PDR - Physician’s Desk Reference, 55th edition, Medical Economics Company. 2001.
20. Felder JB, Korelitz BI, Rajapakse R, Schwarz S, Horatagis AP, Gleim G. Effects of nonsteroidal antiinflammatory drugs on inflammatory bowel disease. Am J Gastroenterol 2000;95:1949-54.
21. Drug Information for the Health Care Professional. 21th edition, Micromedex – Thompson Health Care. 2001.
22. Campbell S, Ghosh S, Is neutropenia required for effective maintenance of remission during azathioprine therapy in inflammatory bowel disease? Eur J Gastroenterol 2001:13:1073-76.

Fonte: dtr2001.saude.gov.br

Fonte: www

Colite Ulcerativa

Visão geral

Estima-se que mais de 1 milhão de Americanos têm colite ulcerativa ou doença de Crohn, as duas formas mais comuns de doença inflamatória intestinal. Essas condições, que podem ser muito dolorosas e debilitantes, são causadas por um processo inflamatório crônica do trato digestivo.

Colite ulcerativa e Doença de Crohn são muitas similares - tão similares que são frequentemente confundidas. Ambas inflamam o forro do trato digestivo, e ambas podem causar severo ataque de diarréia e dor abdominal.

A Doença de Crohn pode ocorrer em qualquer parte do trato digestivo, frequentemente atacando todas as camadas  dos tecidos afetados. A colite ulcerativa, por outro lado, comumente ataca somente a camada mais interna (mucosa) do intestino grosso (cólon) e do reto.

Ninguém conhece exatamente o que causa a Doença inflamatória intestinal (DII), entretanto o sistema imunológico, fatores genéticos e comportamentais podem estar envolvidos.

Até o momento não existe cura nem para colite ulcerativa nem para doença de Crohn. Mas as novidades são encorajadoras. Pesquisadores identificaram recentemente um gene que, quando defeituoso, pode desencadear doença de Crohn em algumas pessoas. Descobertas como essa podem levar a tratamentos mais efetivos no futuro.

Por enquanto, estão disponíveis várias terapias que podem reduzir dramaticamente todos os sintomas e produzir um longo tempo de alívio.

Sinais e sintomas

Colite ulcerativa e Doença de Crohn têm em comum muitos sintomas, que podem se desenvolver gradativamente ou repentinamente:

Diarréia crônica

A inflamação faz as células das áreas afetadas do intestino secretar uma grande quantidade de água e sal. Como a absorção normal do intestino está prejudicada, o cólon não pode absorver esse excesso de fluido e desenvolve diarréia. Além disso o intestino se contrai mais do que o normal, o que pode contribuir para soltar o intestino.

Dor abdominal e cólica

As paredes do intestino pode ficar inflamadas e inchadas e eventualmente podem engrossar por causa das cicatrizes. Isso pode bloquear o movimento das fezes através do trato digestivo e causar dor, espasmo e vômito.

Sangue nas fezes

O movimento do alimento através do trato digestivo pode fazer o tecido inflamado sangrar. Ou ele pode sangrar por si mesmo. Pode-se notar sangue vivo no vaso sanitário ou sangue escuro misturado com as fezes. E pode haver sangramento sem ser visto (sangue oculto).

Fadiga

Perda de sangue excessiva pode levar a uma anemia e causar extremo cansaço. A doença de Crohn, por causa da inflamação no intestino, pode dificultar a absorção dos nutrientes necessários à manutenção do nível de energia.

Redução do apetite

Algumas vezes a dor abdominal, as cólicas e a reação inflamatória nas paredes do intestino podem interferir com o desejo de se alimentar.

Perda de peso

É muito fácil perder peso se o intestino está inflamado e por isso não se encontra apto a digerir e absorver aquilo que se come.

Febre

Um sintoma comum nos casos severos de Doença Inflamatória do Intestino.

Colite ulcerativa e doença de Crohn também podem ser diferentes em muitos aspectos. Embora a doença de Crohn comumente afete a parte de baixo do intestino delgado (íleo) ou o cólon, ela pode atacar qualquer parte do trato digestivo, da boca até o orifício retal.

Usualmente consiste de inflamação que pode incluir úlceras que se extendem por todas as camadas da parede do intestino. Podem aparecer em muitos locais simultaneamente, intercaladas por áreas de tecido sadio.

A colite ulcerativa, por outro lado, apresenta-se como inflamação restrita ao colon e reto. As áreas afetadas são contíguas e não apresentam tecido normal entre elas. Pode desenvolver pequenas úlceras que sangram, mas estão restritas à camada superficial interna do cólon e reto.

Os sintomas das duas doenças podem variar de leves a severos. Se for o caso de uma leve doença de Crohn não haverá mais que quatro episódios de diarréia por dia, pouca ou nenhuma dor abdominal e o peso poderá se manter normal. Se for severa poderá haver de seis a mais episódios de diarréia por dia junto com forte dor abdominal, perda de peso, febre e outras complicações.

Os sintomas de uma leve colite ulcerativa inclui não mais do que quatro episódios de diarréia por dia, ocasional aparecimento de sangue nas fezes e poucas, dependendo do caso, complicações. Em casos mais severos pode haver de seis a mais episódios de diarréia por dia, aparecimento frequente de sangue nas fezes, febre e outras complicações.

Em geral o curso da Doença Inflamatória Intestinal pode variar muito. Pode permanecer completamente sem sintomas após um ou dois episódios da doença ou pode haver recorrência dos episódios de dor abdominal, diarréia e, algumas vezes, febre ou sangramento.

Causas

Não existe nenhuma certeza do que causa a Doença Inflamatória Intestinal (DII), embora exista um consenso geral sobre o que não causa.

Os pesquisadores já não acreditam que o estresse seja o principal culpado, embora se saiba que ele possa agravar os sintomas.

O pensamento corrente está focado nas seguintes possibilidades:

Sistema imunológico

Alguns cientistas acreditam que a DII possa ser causada por uma bactéria ou vírus desconhecido. O trato digestivo começaria a ficar inflamado quando o sistema imunológico do corpo inicia a batalha contra os microorganismos invasores (¨fogo amigo¨). Também seria possível que a inflamação se originasse do próprio dano causado pelo vírus ou pela bactéria.

Hereditariedade

Quinze a vinte por cento das pessoas com colite ulcerativa ou doença de Crohn tem um dos pais, um dos irmãos ou um dos filhos com o mesmo problema. Os pesquisadores já encontraram um gene que pode ser responsável pela suscetibilidade à DII.

Meio Ambiente

Porque DII ocorre mais frequentemente entre pessoas que vivem em cidades e regiões industrializadas, é possível que fatores ambientais, incluindo dieta rica em gordura ou alimentos refinados possam ser responsabilizados.

Fatores de risco

Doença de Crohn e colite ulcerativa podem atacar em qualquer idade, mas você está mais propenso a desenvolver a Doença Inflamatória Intestinal (DII) se você for jovem. Trinta por cento das pessoas com esta doença estão entre a idade de 10 e 19 anos e a maioria está entre 15 e 35 anos. A média de idade para diagnóstico é de 27 anos.

Um igual número de homens e mulheres têm DII. Embora a raça branca tenha um risco maior de desenvolver a doença, ela pode atacar todos os grupos étnicos.

Os judeus e descendentes de europeus possuem um risco cinco vezes maior do que os outros brancos de desenvolver a doença.

Uma pessoa estará sob alto risco de desenvolver a DII se tiver um parente próximo, como pais, irmãos ou filhos com a doença. Se ambos os pais tiverem DII existe 50 por cento de chance dos filhos desenvolverem a doença.

Morar em uma área urbana ou região industrializada aumenta o risco de desenvolver doença de Crohn ou colite ulcerativa.

Quando procurar ajuda médica

Procure seu médica se você experimentar uma mudança nos seus hábitos intestinais com duração maior que 10 dias ou se você tiver algum dos sintomas de DII, como dor abdominal, sangue nas fezes, episódios de diarréia que não melhoram com medicação usual ou uma inexplicável febre com duração maior que 2 dias.

Embora a doença de Crohn e colite ulcerativa não sejam consideradas doenças fatais, elas são doenças importantes e sérias e podem requerer cirurgia. Em alguns casos podem causar complicações com risco de vida.

Triagem e diagnóstico

O seu médico irá diagnosticar a Doença Inflamatória Intestinal (DII) somente afastando outras possíveis causas para os seus sintomas, incluindo sindrome do intestino irritável, diverticulite e câncer coloretal.

Para ajudar a confirmar o diagnóstico de colite ulcerativa ou doença de Crohn, você deve fazer um ou mais dos seguintes testes ou procedimentos:

Exame de sangue

Seu médico pode solicitar exame de sangue para descartar anemia ou sinais de infecção. Dois novos testes que pesquisam a presença de certos anticorpos podem ajudar no diagnóstico de doença inflamatória intestinal, mas estes testes são precisos em apenas 80% dos casos.

Enema com bário

Este teste permite ao médico avaliar todo o intestino grosso com raios-X. Bário, uma tinta contraste, é colocado em forma de enema dentro do intestino. Algumas vezes também é colocado ar. O bário preenche e reveste todo o forro interno de intestino, criando uma clara silhueta do reto, cólon e porção do intestino delgado. A duração do teste é de aproximadamente 20 minutos e pode ser um pouco desconfortável.

Sigmoidoscopia

Neste procedimento o médico usa um tubo delgado, flexível, com uma fonte luminosa para examinar o sigmóide, a parte final do cólon. Geralmente o teste é feito em poucos minutos. Pode ser um pouco desconfortável e existe um pequeno risco de perfuração da parede do cólon. Como não se pode ver todo o cólon com este exame, pode-se omitir problemas no início do cólon e no intestino delgado.

Colonoscopia

Este é o teste mais sensível para diagnosticar doença de Crohn ou colite ulcerativa. Ele permite ao médico ter uma visão de todo o cólon usando um tubo fino, flexível, com uma fonte luminosa e uma câmera. Durante o procedimento, o médico pode tirar uma pequena amostra da parede do intestino (biópsia) para análise laboratorial.

Algumas vezes esta amostra pode ajudar a confirmar o diagnóstico. Se houver agrupamentos de células inflamatórias chamados granulomas, por exemplo, é provável que você tenha doença de Crohn, já que granulomas  não ocorrem em colite ulcerativa. A duração de uma colonoscopia é de 30 minutos aproximadamente. Você pode receber um suave sedativo para tornar o exame mais confortável. Os riscos deste procedimento incluem perfuração da parede do cólon e sangramento.

Ocasionalmente, doença de Crohn afeta somente o intestino delgado e não o colon. Se o médico suspeitar disso, ele pode solicitar um raio-X com bário do intestino delgado em vez da colonoscopia.

Complicações

Doença de Crohn e colite ulcerativa podem causar uma série de complicações, algumas das quais com consequências bem sérias.

Doença de Crohn

Durante o desenvolvimento da doença de Crohn podem ocorrer uma ou mais das seguintes complicações:

Úlceras

Inflamação crônica pode desenvolver úlceras em qualquer lugar do trato digestivo, incluindo a boca e o orifício retal. É possível encontrar úlceras espalhadas por todo o trato digestivo, mas a grande maioria delas estão na parte final do intestino delgado (íleo terminal), cólon e reto.

Fístulas

Algumas úlceras podem se estender através de toda a parede do intestino criando uma fístula, uma conexão anormal entre diferentes partes do intestino ou entre o intestino e a pele. Quando fístulas internas se desenvolvem os alimentos podem deixar de passar por áreas importantes do intestino, dificultando a absorção. Fístulas externas podem causar drenagem contínua do conteúdo intestinal através da pele. Em alguns casos as fístulas podem ficar infectadas (abcessos), um problema que pode causar risco de vida se não tratado.

Obstrução

Doença de Crohn afeta todas as camadas da parede do intestino. A qualquer momento, parte do intestino pode inchar e estreitar-se, podendo bloquear a passagem do conteúdo digestivo através do intestino delgado. Em alguns casos será necessário uma cirurgia para remover a porção doente do intestino.

Fissura anal

É uma ruptura ou uma fenda no orifício retal ou na pele ao redor do orifício retal onde podem ocorrer infecções. Em geral se acompanha com dor durante as evacuações.

Desnutrição

Diarréia, dor e espasmos abdominais podem dificultar a alimentação ou a absorção dos nutrientes o bastante para deixá-lo desnutrido.

Outros problemas de saúde

Doença de Crohn pode causar problemas em outras partes do corpo da mesma forma que no intestino. Entre eles estão artrite, inflamação dos olhos ou da pele, pedra nos rins e, ocasionalmente, inflamação nos ductos biliares.

Ninguém conhece exatamente o que causa estas complicações. Alguns pesquisadores acreditam que a mesma resposta do sistema imunológico que produz inflamação no intestino pode causar inflamação em outras partes do corpo.

Retocolite ulcerativa

A mais séria complicação aguda da colite ulcerativa é o megacolon tóxico. Isso ocorre quando o colon fica paralisado impedindo o movimento intestinal  e a passagem de gás. Os sintomas são dor e  distenção abdominal, febre e fraqueza. Você pode também ficar desorientado e tonto. Se o megacólon tóxico não for tratado pode haver uma ruptura no cólon causando peritonite, uma condição que oferece risco de vida e requer cirurgia de emergência.

Pessoas com colite ulcerativa ficam mais propensas a desenvolver doença no fígado, ductos biliares e pele e inflamação nas articulações e nos olhos.

Doença Inflamatória Intestinal e câncer de cólon

Tanto a colite ulcerativa quanto a doença de Crohn aumentam o risco de câncer de cólon.

Se você tiver colite ulcerativa o risco aumenta se a duração da doença for superior à 8 anos e estiver espalhada por todo o cólon. O risco será menor se a doença atacar apenas uma pequena porção do cólon.

O mesmo é verdadeiro para a doença de Crohn. Quanto maior for o  tempo de duração da doença  e maior a área  afetada maior a probabilidade de desenvolver câncer de cólon. Mas como o Crohn usualmente não ataca todo o cólon, o câncer é menos comum em pessoas com essa patologia do que naquelas com olite ulcerativa.

Todavia, se você tiver qualquer tipo de doença inflamatória intestinal há mais de 8 anos não deixe de fazer um teste para câncer de cólon a cada 2 anos. O mais efetivo para essa finalidade é a colonoscopia.

Tratamento

A meta do tratamento médico é reduzir a inflamação que provoca os sintomas. Na maioria dos casos, ele deve levar não somente à melhora dos sintomas mas também  a um longo período de remissão. Tratamento para Doença Inflamatória Intestinal (DII) involve geralmente terapia com drogas ou cirurgia.

Os médicos usam várias categorias de drogas que controlam inflamação de diferentes maneiras. Na maioria das vezes as drogas que funcionam bem para algumas pessoas podem não funcionar para outras, por isso pode levar um bom tempo até que se descubra o melhor medicamento para cada caso. Além disso, pelo motivo de que algumas drogas causam sérios efeitos colaterais, é necessário pesar os benefícios e os riscos de qualquer tratamento.

Drogas anti-inflamatórias

As drogas anti-inflamatórias geralmente são o primeiro passo no trtamento das doenças inflamatórias intestinais.

Elas incluem:

Sulfasalazina

Esta droga vem sendo usada no tratamento da doença de Crohn e retocolite ulcerativa nos últimos 60 anos. Apesar dela ser efetiva em reduzir sintomas das duas doenças, ela tem uma série de efeitos colaterais, incluindo diminuição do apetite, náusea, vômito, erupção na pele e dor de cabeça.

Mesalazina e olsalazine

Esses medicamentos costumam ter menos efeitos colaterais que a sulfasalazina. O uso pode ser em forma de comprimidos ou aplicados no reto em forma de enemas ou supositórios. Os enemas devem ser administrados todas as noites por 4 a 8 semanas, ou até que a camada interna do intestino esteja curada. Enemas de mesalazina podem aliviar os sintomas em mais de 80 por cento das pessoas com retocolite ulcerativa localizada na região final do cólon e no reto.

Balsalazide (Colazal)

Esta é uma nova droga, a primeira a ser aprovada para colite ulcerativa nos últimos 10 anos. É uma outra formulação de mesalazina. Colazal libera a medicação anti-inflamatória diretamente no cólon. A droga é similar à sulfasalazina, mas é menos tóxica e produz menores efeitos colaterais. Nas pesquisas clínicas, os efeitos colaterais mais comuns foram dor de cabeça e dor abdominal.

Corticosteróides

Esteróides podem ajudar a reduzir inflamação em qualquer parte do corpo, mas podem causar numerosos efeitos colaterais, incluindo face de "lua cheia", crescimento de pelos na face, suadores noturnos, insônia e hiperatividade.

Efeitos colaterais mais sérios incluem hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, catarata e um aumento da suscetibilidade às infecções. O uso destas drogas por longo tempo em crianças pode retardar o crescimento. Os médicos geralmente usam corticosteróides somente em caso de uma moderada ou severa DII que não responda a outro tratamento.  Eles podem ser melhor tolerados em forma de enema.

Drogas imunosupressoras

Essas drogas também reduzem a inflamação, mas sua ação direciona-se ao próprio sistema imunológico, ao invés de tratar diretamente o processo inflamatório.

Pelo fato dessas drogas serem tão efetivas em tratar DII, os cientistas teorizam que os danos encontrados nos tecidos do sistema digestivo seja causado por uma resposta do sistema imunologico ao invasor vírus ou bactéria ou até mesmo ao seu próprio tecido. Ao suprimir esta resposta imunológica a inflamação também é reduzida.

As drogas imunossupressoras incluem:

Azathioprine (Imuran) e 6-mercaptopurine (6-MP)

Esses imunossupressores são os mais amplamentes usados para o tratamento da doença inflamatória intestinal. Apesar de levarem até 3 meses para iniciarem a fazer efeito, elas ajudam grandemente a reduzir os sintomas das DII em geral e podem curar fístulas causadas pela doença de Crohn.

Infliximab (Remicade)

Esta droga é específica para pessoas com doença de Crohn. Ela funciona neutralizando a proteína produzida pelo sistema imunológico conhecida como fator de necrose tumoral (TNF). Infliximab encontra e remove TNF na circulação sanguínea antes que ela cause inflamação no intestino. Infelizmente Remicade pode aumentar o risco de sérias infecções. O uso desta droga tem sido ligado à  84 casos de tuberculose, 14 dos quais com desenvolvimento fatal. Se você esta usando o Remicade atualmente, fale sobre isso com o seu médico.

Methotrexate

Esta droga, que é normalmente usada para tratar câncer, algumas vezes é usada por pessoas com DII que não respondem bem a outros medicamentos. O efeito colateral mais comum em uso por curto espaço de tempo é náusea. Uso por longo tempo pode resultar em lesão no fígado.

Cyclosporine.

Esta potente droga normalmente é reservada para aquelas pessoas que não respondem bem às outras medicações. É usada para cicatrizar fístulas na doença de Crohn e para melhorar os sintomas da colite ulcerativa.

Antibióticos

Embora os antibióticos não tenham efeito na colite ulcerativa, eles podem curar fístulas e abscessos em algumas pessoas com doença de Crohn.

Típicos antibióticos usados neste caso incluem:

Metronidazole

Um dos antibióticos mais comumente usados para doença de Crohn, metronidazol pode causar sérios efeitos colaterais, incluindo torpor e formigamento nas mãos e pés e, ocasionalmente, dor muscular ou fraqueza. Esses sintomas tendem a desaparecer lentamente, mas em alguns casos nunca cessam totalmente. Outros efeitos colaterais incluem náusea, dor de cabeça, infecção por fungos e diminuição de apetite.

Ciprofloxacin

Esta é uma droga que melhora sintomas em algumas pessoas com doença de Crohn. Ultimamente tem sido preferida ao Metronidazol. Ciprofloxacin pode causar hipersensibilidade à luz e pode retardar crescimento quando dado para crianças.

Adesivos de nicotina

Em testes clínicos, os adesivos de nicotina (os mesmos usados pelos que querem deixar de fumar) parecem produzir por algum tempo alívio nas reagudizações da colite ulcerativa. Os adesivos parecem eliminar os sintomas em 4 pessoas de cada 10 que os utilizam. Mas o efeito funciona por pouco tempo. Os sintomas geralmente retornam em torno de quatro semanas.

Como o adesivo de nicotina funciona ainda não é conhecido. Os pesquisadores acreditam que ele pode proteger o cólon engrossando e aumentando o muco que cobre a parede interna do intestino onde a inflamação geralmente ocorre.

Outros medicamentos

Além de controlar a inflamação, alguns medicamentos podem ajudar a melhorar outros sintomas.

Dependendo da severidade da DII, o médico pode recomendar um ou mais dos seguintes:

Antidiarrêicos: Um suplemento de fibra tal como psyllium, por exemplo, podem ajudar  os sintomas de leve a moderada diarréia tornando mais consistentes as fezes. Para diarréia mais severa, loperamida pode ser efetivo. Narcóticos devem ser usados com muito cuidado pelo fato de aumentarem o risco de  megacólon tóxico.

Laxativos. Em alguns casos pode haver constipação devido ao inchaço do intestino que causa estreitamento. Fale com o seu médico antes de tomar qualquer laxativo. Muitas vezes, mesmo as marcas comuns de laxativos podem ser muito forte para seu organismo.

Analgésicos. Para dor leve o médico pode receitar acetominophen. Não use anti-inflamatório não esteróide tal como aspirina, ibuprofeno ou naproxeno. Eles podem piorar os seus sintomas. De fato, pesquisas têm demonstrado que pessoas com colite ulcerativa que tomam anti-inflamatórios não hormonais têm o dobro do risco de chegarem a tratamento de emergência para problemas digestivos.
Suplemento de Ferro. Se você tiver um sangramento intestinal crônico você pode desenvolver anemia por deficiência de ferro. Tomar suplementos de ferro pode ajudar a restaurar as suas reservas e reduzir este tipo de anemia.

Injeções de Vitamina B-12. Vitamina B-12 ajuda a prevenir anemia, promove o crescimento e o desenvolvimanto normal do corpo e é essencial para a digestão e a assimilação dos alimentos. Ela é absorvida na porção terminal do íleo, uma parte do intestino delgado geralmente afetada pela doença de Crohn. Se a inflamação do seu íleo terminal está interferindo na sua habilidade de absorver esta vitamina, você necessitará de injeções mensais de B-12 por toda a vida. Você também necessitará deste procedimento se o seu íleo terminal foi removido durante uma cirurgia.

Novos tratamentos

Muitos novos tratamentos que prometem aliviar os sintomas da DII com poucos efeitos colaterais estão em diversos estágios de pesquisa.

Um dos tratamentos mais intrigantes já estudados é o uso de hormônio de crescimento humano (HGH) em combinação com uma dieta rica em proteína para tratar doença de Crohn. Em uma pesquisa clínica, as pessoas tratadas com HGH sentiram a redução em seus sintomas após 1 mês de tratamento.

Os benifícios continuaram até o fim da pesquisa. Esta melhora reduziu a necessidade de drogas esteróides e imunossupressoras. Os efeitos colaterais, que incluem edema e dor de cabeça, desapareceram após 4 semanas. Mais pesquisas serão necessárias para confirmar esses achados e para determinar os benefícios e riscos da terapia com HGH a longo prazo para pessoas com doença de Crohn.

Drogas que bloqueiam uma proteína produzida pelo sistema imune, conhecida como fator de necrose tumoral (TNF) estão também sendo testadas para o tratamento de doença de Crohn.

Entre elas podemos citar:

CDP-571

Produtos baseados em anticorpo tais como CDP-571 contém normalmente uma proteína de rato que pode causar reações alérgicas e outras complicações em humanos. Este anticorpo contém menos proteína de rato que a droga infliximab (Remicade) e, portanto, tem o potencial de causar menos efeitos colaterais.

Etanercept (Enbrel)

Esta proteína criada por engenharia genética possui receptores que isolam o TNF.

Thalidomide

Apesar desta droga ser mais conhecida por ter causado severos efeitos de nascimento no passado, ela parece ser efetiva no tratamento da doença de Crohn.

Além dessas drogas, os pesquisadores estão testando versões sintéticas das proteínas que ocorrem naturalmente no organismo, chamadas interleukin 10 e interleukin 12 para o tratamento da doença de Crohn. Também continuam os testes com a medicação anti-coagulante heparina. Ela pode ajudar a controlar a inflamaçao na colite ulcerativa.

Finalmente, uma das primeiras drogas baseadas em gens a emergir como o resultado da mais recente pesquisa genética deverá ser keratinocyte growth factor-2, uma medicação que tem como alvo estimular o crescimento de tecidos sadios em pessoas com colite ulcerativa e feridas crônicas como úlceras de escara que acomete pessoas acamadas.

Cirurgia

Se dieta e mudança do estilo de vida, terapia com drogas ou outro tratamento não aliviam os sintomas, o médico pode recomendar cirurgia para remover a porção lesada do trato digestivo ou para fechar fístulas ou remover tecidos cicatriciais.

No caso de doença de Crohn, cirurgia pode economizar anos de remissão. No mínimo, pode proporcionar uma melhora temporária nos sintomas. Durante a cirurgia o cirurgião remove a porção danificada do trato digestivo e reconecta as secções sadias. Ele pode também fechar fístulas ou remover tecidos aderentes.

Um recente estudo da Mayo Clinic demonstrou que cirurgia laparoscópica usando pequenas incisões pode melhorar os resultados e diminuir o tempo de hopitalização para grande parte de pessoas com doença de Crohn.

Mesmo assim, os benefícios da cirurgia para doença de Crohn são apenas temporários. A doença frequentemente recorre, em geral próximo do tecido reconectado, e algumas vezes em outras partes do trato digestivo.

Por outro lado, se você tem colite ulcerativa, a cirurgia pode eliminar a doença. Mas para que isso aconteça, deverá ser removido inteiramente o cólon e o reto (proctocolectomia). No passado, se você fizesse essa cirurgia você deveria usar uma pequena bolsa através de uma abertura no seu abdome para coletar as fezes.

Mas graças a um procedimento que tem sido usado nos últimos 20 anos - anastomose íleo-retal - a necessidade  de usar a bolsa foi eliminada. Ao invés da bolsa externa, o cirurgião constrói a bolsa a partir do fim do intestino delgado. Então, ela é ligada diretamente ao orifício retal. Este procedimento facilita a excreção das fezes normalmente, com o diferencial de que as fezes ficam mais aguadas e a frequência das evacuações aumenta para 5 ou 7 ao dia devido ao fato de que não existe mais o cólon para absorver a água.

Outros fatores que influem no tratamento

Algumas vezes você deve se sentir desamparado ao enfrentar  doença de Crohn ou colite ulcerativa. Mas uma simples mudança em sua dieta e em seu estilo de vida pode ajudá-lo a controlar os seus sintomas e prolongar o tempo entre as recorrências da doença.

DIETA

Não ha firme evidência de que o que você come possa verdadeiramente causar Doença Inflamatória Intestinal (DII). Mas certos alimentos ou bebidas podem agravar os seus sintomas, especialmente durante a recorrência da doença. Algumas pessoas com colite ulcerativa ou doença de Crohn necessitam restringir sua dieta todo o tempo, outras somente por algum tempo. Para um número reduzido de pessoas a dieta aparenta fazer muito pouca diferença.

É uma boa idéia tentar eliminar de sua dieta qualquer coisa que possa piorar os seus sintomas.

Aqui estão alguma sugestões que podem ajudar:

Limite leite e produtos derivados de leite

Da mesma forma que muitas pessoas com DII, você pode estar  notando que alguns sintomas como diarréia, dor abdominal e gás melhoram quando você limita ou elimina leite e derivados. Você deve ter intolerância à lactose - ou seja, o seu organismo não pode digerir o açúcar do leite (lactose). Sendo assim, tente substituir o leite e derivados por iogurte ou queijos com pouca lactose como o Swiss e o Cheddar. Ou use um produto que contenha a enzima lactase, como Lactaid, que ajuda a quebrar (digerir) a lactose. Em alguns casos, entretanto, você deve eliminar completamente qualquer leite e qualquer  produtos derivado. Se você necessita de auxílio, um nutricionista pode ajudá-lo a escolher uma dieta saudável que seja pobre em lactose.

Consuma alimentos com pouca gordura

Se você tem doença de Crohn do intestino delgado é possível que não esteja apto a digerir ou absorver gordura. Por outro lado a passagem de gordura pelo intestino pode piorar a diarréia. Alimentos que podem ser especialmente problemáticos incluem manteiga, margarina, creme de amendoim, nozes, maionese, abacate, nata, sorvete, frituras, chocolate e carne vermelha.

Experimente com fibra

Para muitas pessoas, alimentos ricos em fibra como frutas, vegetais e grãos integrais são a base para uma dieta saudável. Mas se você tem DII, as fibras podem fazer com que a diarréia, a dor e os gazes piorem. Se as frutas e os vegetais crus incomodam, você pode consumí-las cozidas ou assadas. Você também pode notar que tolera mais alguns tipos de frutas e vegetais do que outros. Em geral pode haver mais problemas com os vegetais da família dos crucíferos, como a couve, o repolho, o brócolos e a couve-flor, e com alimentos muito crocantes tais como maçã e cenoura crua.

Experimente com proteína

Existe alguma evidência de que comer uma dieta rica em proteína, tal como carne magra, frango, peixe e ovos, pode ajudar a melhorar os sintomas de DII.

Evite alimentos problemático

Elimine qualquer outro alimento que possa piorar os seus sintomas. Entre esses podem estar alimentos "gasosos" como feijão, couve e brócolos, frutas e suco de frutas cruas - especialmente frutas cítricas - alimentos condimentados, pipoca, álcool, cafeína, e alimentos e bebidas que contenham cafeína como chocolate e refrigerantes.

Faça pequenas refeições

Você pode se sentir melhor fazendo 5 ou 6 pequenas refeições do que 2 ou 3 refeições copiosas. Beba pelo menos de 8 a 10 copos de líquidos por dia. Água é melhor. Álcool e bebidas que contenham cafeína estimula o seu intestino e pode piorar a diarréia, enquanto bebidas carbonatadas frequentemente produzem gás.

Pergunte sobre multivitaminas

Como a DII pode interferir com a sua habilidade de absorver os nutrientes e porque a sua dieta pode estar muito limitada, você provavelmente necessita tomar um suplemento de  multivitaminas e sais minerais.

Fale com um nutricionista

Se você começar a perder peso ou se a sua dieta está começando a ficar muito limitada, fale com um nutricionista.

ESTRESSE

Embora estresse não possa causar DII, ele pode fazer com que seus sintomas fiquem muito piores e pode desencadear uma recaída. Eventos estressantes podem ser desde uma pequena encomodação até algo pior, perda de emprego ou morte de uma pessoa querida.

Quando você está  sob estresse, seu processo digestivo normal muda. Seu estômago se esvazia mais lentamente e secreta mais ácido. Estresse pode também acelerar ou diminuir a passagem de fezes através de seu intestino. Isso pode, também, por si só, causar mudanças no tecido intestinal.

Embora nem sempre seja possível evitar o estresse, você pode aprender técnicas que ajudem a manejá-lo.

Algumas dessas estratégias incluem:

Exercício

Mesmo exercícios leves podem ajudar a reduzir estresse, aliviar a depressão e normalizar a função do intestino. Fale com o seu médico sobre um plano de exercício que seja apropriado para você.

Biofeedback

Esta técnica de redução de estresse ajuda você a reduzir a tensão muscular e a desacelerar seu próprio coração com a ajuda de uma máquina. Você irá aprender a como produzir essas mudanças em você mesmo. A meta é ajudar você a entrar em um estado de relaxamento em que você possa conviver mais facilmente com o estresse. Biofeedback é geralmente ensinado em hospitais e centros médicos.

Ioga, massagem ou meditação

São técnicas para aliviar o estresse. Você pode ter aula com um professor de ioga e meditação ou praticar em casa usando livros ou vídeo-cassete.

Exercícios de relaxamento progressivo

Esse ajuda a relaxar todos os músculos do corpo, um de cada vez. Comece por contrair os músculos dos pés, então vá largando a tensão aos poucos. A seguir faça o mesmo com outras partes do corpo. Continue até que todos os músculos do seu corpo, inclusive aqueles ao redor dos olhos e couro cabeludo, estejam totalmente relaxados.

Respirando profundamente

A maioria das pessoas respiram expandindo o tórax. Você começa a ficar mais calmo quando respira através do diafragma - o músculo que separa o tórax do seu abdome. Quando você inspira, faça sua barriga se expandir com o ar; quando expira faça ela se contrair naturalmente. Respirar profundamente pode também ajudar a relaxar a musculatura de seu abdome, o que pode levar seu intestino a funcionar melhor.

Hipnose

Estudos tem mostrado que hipnose pode reduzir dor e inchaço abdominal. Um profissional treinado pode ensinar você a entrar em um estado de relaxamento e então levá-lo a imaginar os músculos do intestino calmos e serenos.

Outras técnicas

Reserve pelo menos 20 minutos por dia  para qualquer atividade que você ache relaxante, ouvir música, ler,  jogar no computador ou até mesmo tomar um banho morno.

Doença inflamatória intestinal.  Aprendendo a lutar

Doença de Crohn e colite ulcerativa não afeta apenas o seu físico - elas mexem também com o seu emocional. Se os seus sintomas forem severos, sua vida pode se resumir a estar sempre às voltas com o banheiro. Em alguns casos, estará totalmente impedido de sair de casa. Se conseguir, e algum acidente ocorrer, sua ansiedade somente fará seus sintomas ficarem piores.

Mesmo que os seus sintomas sejam fracos, gases e dor abdominal podem tornar difícil sua presença em público. Você também poderá se sentir embaraçado por suas restrições dietéticas ou constrangido pela natureza de sua doença. Todos esses fatores - isolamento, constrangimento e ansiedade - podem alterar severamente a sua vida. Algumas vezes eles podem levá-lo a depressão.

Uma das melhores maneiras de ter controle sobre essa situação é conseguir o máximo possível de informação sobre a Doença Inflamatória Intestinal (DII). Além do que você conversa com o seu médico, procure por informações em livros e na internet. Será especialmente importante conversar com pessoas que estejam na mesma situação que você. Organizações tais como Crohn's and Colitis Foundation of America (CCFA) estão distribuidas por todas as partes do mundo. Seu médico, enfermeira ou nutricionista poderá localizar um destes locais que esteja próximo de você, ou você mesmo poderá entrar diretamente em contato. Jornais locais geralmente publicam a data e o local de reuniões de grupos de apoio. Se possível, leve sua família com você para esses encontros. Quanto mais eles souberem sobre a sua doença, melhor será a habilidade deles para entender o que você está sentindo.

Embora os grupos de apoio não sejam para todos, eles podem providenciar valiosa informação sobre os seu problema, bem como lhe dar suporte emocional.

Frequentemente os membros destes grupos possuem informação sobre as últimas novidades dos tratamentos médicos e das terapias complementares.  Participar desses grupos é  também uma maneira de ficar mais tranquilo entre pessoas que entendem o que você está passando.

Algumas pessoas encontram essa ajuda consultando um psicólogo ou psiquiatra que esteja familiarizado com doenças intestinais e as dificuldades emocionais que elas causam. Embora não seja fácil viver com colite ulcerativa ou doença de Crohn, as perspectivas são definitivamente alentadoras comparadas com aquelas de alguns anos atrás.

Abordagem complementar e alternativa

Cada vez mais as pessoas estão se interessando por abordagens de saúde não tradicionais, especialmente quando os tratamentos estandardizados  produzem efeitos colaterais intoleráveis ou simplesmente não alcançam a cura desejada. Para canalizar esse crescente interesse, o Instituto Nacional de Saúde (dos Estados Unidos) criou o Centro Nacional para Medicina Complementar e Alternativa (NCCAM) em 1992. A missão do Centro é explorar as terapias não tradicionais dentro de critérios rigorosamente científicos. Em geral, a medicina alternativa se refere a terapias que podem ser usadas em lugar de tratamentos convencionais.

Medicina complementar ou integrativa, por outro lado, geralmente integra terapias usadas em conjunto com os tratamentos tradicionais. Terapias complementares podem incluir acupuntura ou acupressura, massagem, música ou arteterapia, imaginação dirigida, ioga, tai chi e hipnose.

Essas definições, entretanto, não são muito precisas. Algumas vezes acupuntura pode ser usada sozinha para tratar um problema do cólon, por exemplo.

Muitas terapias alternativas e complementares nem sempre são direcionadas somente para um problema do corpo, elas se direcionam para a pessoa como um todo - corpo, mente e espírito. Como resultado, elas podem ser bastante efetivas em reduzir estresse, aliviando os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais e melhorando a qualidade de vida.

Um estudo publicado na edição de  Maio de 1998 do American Journal of Gastroenterology  relatou que 51 porcento de pessoas com doença de Crohn ou colite ulcerativa já usaram algum tipo de terapia alternativa ou complementar. A maioria dessas pessoas citou os efeitos colaterais e a ineficácia das terapias convencionais como as principais razões para procurar cuidados alternativos. Melhora da qualidade de vida e o fato de ser tratado como uma pessoa integral, estiveram entre as motivações mais citadas.

Jairo Bueno

Fonte: www.angelfire.com

Colite Ulcerativa

O que é Doença Inflamatória Intestinal (DII)?

II é uma inflamação crônica do intestino que não é causada por infecções nem por outras causas identificáveis.

Há dois tipos principais de DII: colite ulcerativa e doença de Crohn.

A colite ulcerativa afeta apenas o revestimento do intestino grosso (o cólon), enquanto a doença de Crohn pode afetar qualquer parte do intestino grosso ou delgado e pode causar inflamações não apenas o revestimento, mas também as camadas mais profundas.

A Doença Inflamatória Intestinal é comum?

Estima-se que cerca de 1.000.000 de norte-americanos sofram de DII. Homens e mulheres são igualmente afetados.

A colite ulcerativa pode afligir pessoas de qualquer idade, inclusive crianças pequenas, mas é mais freqüente entre adultos jovens. A maioria dos casos de colite ulcerativa é diagnosticada antes dos 30 anos de idade. Entre 5 e 8% dos pacientes podem ter um membro da família com DII, e entre 20 e 25% podem ter um parente próximo com a doença. No entanto, esta doença pode ocorrer em qualquer grupo étnico e em membros de famílias onde ninguém sofre dessa doença.presentarse en cualquier grupo étnico y en familias donde ningún otro miembro sufre este tipo de enfermedades.

O que causa a colite ulcerativa?

Atualmente, acredita-se que a colite ulcerativa ocorra em indivíduos predispostos devido a fatores genéticos e ambientais. Por razões desconhecidas, o sistema imunológico torna-se excepcionalmente ativo contra o organismo do próprio indivíduo. Ele não ataca apenas o intestino; às vezes, ataca outros órgãos como a pele, os olhos, ou o fígado.

Quais são os sintomas da colite ulcerativa?

Os sintomas mais comuns são:

Diarréia, às vezes com sangue e muco
Dores abdominais
Perda de apetite e de peso
Febres inexplicáveis e cansaço

Como a colite ulcerativa é diagnosticada?

Pode-se suspeitar da colite ulcerativa com base no histórico médico, mas o diagnóstico final depende do resultado dos exames solicitados.

A lista geralmente inclui:

Exames de sangue
Exame de fezes para eliminar a possibilidade de infecção por bactérias, vírus e parasitas
Endoscopia e biópsias do cólon

Ocasionalmente, radiografias e tomografias computadorizadas do intestino

Como é o tratamento contra a colite ulcerativa?

O objetivo do tratamento é diminuir a inflamação que está causando lesões no cólon. Apesar de a cura ainda não ser possível, o controle dos sintomas pode ser muito eficiente para a maioria dos pacientes. O número de medicamentos disponíveis continua a aumentar, e novos tratamentos certamente surgirão no futuro.

Os medicamentos mais usados no tratamento da colite ulcerativa são:

Antibióticos, como metronidazol
Antiinflamatórios como Azulfidine ®, Colazal ®, Asacol ®
Pentasa ®. Estes últimos também podem ser aplicados na forma de enema ou supositório
Esteróides, como prednisona, prednisolona ou budesonida
Imunomoduladores como Purinethol ® ou Imuran ®
Biológicos, como Remicade®, em alguns casos

A colite ulcerativa tem cura?

Sim. A cura para a colite ulcerativa é a remoção completa do intestino grosso. Isso se chama colectomia total. Na maioria dos pacientes, é possível religar o intestino delgado ao orifício retal para que o uso de uma bolsa permanente (ostomia) não seja necessário. Essa segunda cirurgia chama-se “pull through” íleo-retal, e espera-se que proporcione continência e defecação normal.

Fonte: naspghan.org

Colite Ulcerativa

Retocolite ulcerativa idiopática

A retocolite ulcerativa é uma doença idiopática caracterizada por episódios recorrentes de inflamação que acomete predominantemente a camada mucosa do cólon. A doença sempre afeta o reto e também variáveis porções proximais do cólon, em geral de forma contínua, ou seja, sem áreas de mucosa normais entre as porções afetadas.

Dessa maneira, os pacientes podem ser classificados como tendo a doença limitada ao reto (proctite), proctossigmoidite (quando afeta até a porção média do sigmóide), com envolvimento do cólon descendente até o reto (colite esquerda) e envolvimento de porções proximais à flexura esplênica (pancolite).

Muitos pacientes permanecem em remissão por longos períodos, mas a probabilidade de ausência de recidiva por 2 anos é de apenas 20%. As recidivas geralmente ocorrem na mesma região do cólon das outras agudizações.

A doença pode iniciar em qualquer idade, sendo homens e mulheres igualmente afetados. O pico de incidência parece ocorrer dos 20 aos 40 anos e muitos estudos mostram um segundo pico de incidência nos idosos.

A América Latina como um todo é considerada uma região de baixa prevalência da doença quando comparada com países como os EUA, Reino Unido e Austrália.

As manifestações clínicas mais comuns são diarréia, sangramento retal, eliminação de muco nas fezes e dor abdominal. Deve-se sempre excluir causas infecciosas. O diagnóstico é estabelecido pela avaliação da história clínica, exame das fezes, exame endoscópico e achados histopatológicos. Como o tratamento é realizado de acordo com a extensão da doença, a retossigmoidoscopia flexível é útil para definir as porções acometidas, devendo ser realizada de preferência sem preparo do intestino e evitando-se a insuflação excessiva de ar se inflamação acentuada estiver presente. A colonoscopia não é normalmente necessária na fase aguda e deve ser evitada, se possível, pois pode desencadear um quadro de megacólon tóxico.

A gravidade da doença é melhor avaliada pela intensidade dos sintomas e pode ser classificada pelos critérios estabelecidos por Truelove e Witts, úteis na definição terapêutica.

As agudizações são classificadas em três categorias:

a) leve : menos de 3 evacuações por dia, com ou sem sangue, sem comprometimento sistêmico e com velocidade de sedimentação globular normal.
b) moderada: mais de 4 evacuações por dia com mínimo comprometimento sistêmico.
c) grave: mais de 6 evacuações por dia com sangue e com evidência de comprometimentos sistêmicos, tais como febre, taquicardia, anemia e velocidade de sedimentação globular acima de 30. Casos com suspeita de megacólon tóxico também devem ser considerados graves.

O tratamento compreende aminossalicilatos orais e por via retal, corticóides e imunossupressores, e é feito de maneira a tratar a fase aguda e, após, manter a remissão, sendo o maior objetivo reduzir a sintomatologia.

O tratamento das agudizações leves a moderadas é feito basicamente com aminossalicilatos, orais e tópicos, e com corticóides. A sulfasalazina mostrou-se eficaz no tratamento da retocolite ulcerativa leve a moderada em ensaio clínico randomizado da década de 604. Metanálises dos ensaios clínicos que usaram mesalazina na retocolite ulcerativa ativa mostraram igual eficácia da sulfasalazina e da mesalazina e superioridade em relação ao placebo. A terapia tópica, com supositórios de mesalazina na proctite e enema de mesalazina para a proctossigmoidite, foi reavaliada em duas metanálises que mostraram que a terapia tópica é superior à oral na doença distal. Enemas de corticóide também são superiores ao placebo na doença leve a moderada, embora sejam menos eficazes que a terapia tópica com mesalazina. Os pacientes refratários aos aminossalicilatos ou aqueles com doença moderada podem alternativamente usar prednisona na dose de 40 mg/dia, por via oral. Sugere-se o tratamento empírico de estrongilóides antes do início do tratamento com prednisona. Os pacientes que não respondem completamente ou que não conseguem reduzir a dose da prednisona sem recorrência podem beneficiar-se do uso de azatioprina.

Pacientes com doença ativa grave ou refratários à terapia oral devem ser tratados em ambiente hospitalar por equipe clínico-cirúrgica treinada e devem utilizar corticóide intravenoso. Os que tiverem piora e não melhorarem em poucos dias devem ser considerados para colectomia de urgência ou uso de ciclosporina intravenosa em centro com experiência no seu emprego.

Pacientes com um episódio único de proctite não necessitam de terapia de manutenção. Nos demais casos, após a melhora da fase aguda, deve ser iniciada a terapia para prevenção de recorrências. Em metanálise dos ensaios clínicos que utilizaram mesalazina para manutenção da remissão em retocolite ulcerativa, concluiu-se que a mesalazina por via oral é superior ao placebo, mas inferior à sulfasalazina por via oral. Os pacientes com proctite ou proctossigmoidite podem alternativamente ser mantidos em remissão com supositórios de mesalazina.

Apesar de ser uma doença mais prevalente nos não fumantes, não se deve encorajar os pacientes a iniciarem a fumar. Também não existem evidências conclusivas de que o uso de adesivos de nicotina possa ser útil no manejo desta doença.

Fonte: www.igcfoz.com.br

Colite Ulcerativa

Colite ulcerativa é uma doença crônica, recorrente do intestino grosso. Intestino grosso (cólon) é um segmento intestinal de aproximadamente noventa centímetros de comprimento que inicia-se no quadrante inferior direito do abdome, terminando no reto.

Uma de suas funções é a de desidratar as fezes a outra é a de armazenar fezes já formadas até o momento da evacuação.

Quando a colite ulcerativa afeta o cólon, há no revestimento interno do intestino inflamação, e úlceras. A doença pode envolver todo o cólon ou somente o reto, ou mais correntemente, alguma área entre eles.

CAUSAS

A causa é desconhecida.

Alguns pesquisadores acreditam que pode ser um defeito no sistema imunológico em que os anticorpos do próprio organismo ataquem o cólon.

Outros especulam que um microorganismo não identificado seja responsável pela doença. Ë provável que a combinação desses fatores, incluindo hereditariedade, podem estar envolvidos na causa.

QUEM DESENVOLVE A COLITE ULCERATIVA?

Pode ocorrer em ambos os sexos, todas as raças e qualquer faixa etária. Ë uma doença de início na juventude.

SINTOMAS

A doença começa gradualmente, com cólicas e diarréia freqüentemente sanguinolenta.

Em casos severos a diarréia é freqüente e volumosa. Ocorre perda de apetite e perda de peso.

O paciente pode tornar-se fraco e muito doente.

Quando a doença é localizada no reto, a pessoa sente necessidade de evacuar constantemente e elimina pequena quantidade de fezes sanguinolenta. Usualmente os sintomas vêm e voltam, e pode ocorrer de longos períodos sem sintomas. Porém, geralmente os sintomas retornam.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é suspeitado pelos sintomas. Um exame com endoscopia (colonoscopia) é sempre necessário. Este exame revela detalhes característicos da doença. O Raios-X do intestino também pode ser necessário.

COMPLICAÇÕES

Muitas pessoas com a doença respondem bem ao tratamento e conseguem ter uma vida confortável. Entretanto a doença pode tornar-se bastante severa necessitando de internação e Raios-X do cólon. Em raros casos há necessidade de cirurgia de emergência.

A doença pode afetar a parte nutricional, causando retardo no crescimento infantil e do adolescente. Fígado, pele, olhos ou articulações ocasionalmente podem ter problemas mesmo antes de ter sintomas intestinais.

A longo prazo a colite ulcerativa gera uma grande preocupação que é o câncer de cólon.

O risco de desenvolver o câncer de cólon aumenta significativamente quando a doença começa na infância, quando se apresenta pior dos 8 a 10 anos, ou quando há história familiar de câncer de cólon.

Nestas situações é particularmente importante a vigilância do intestino, mesmo quando não haja sintomas. Análise do cólon com biópsias realizadas durante a colonoscopia podem freqüentemente predizer se o câncer de cólon ocorrerá. Nestes casos, a cirurgia preventiva é recomendada.

TRATAMENTO

Há vários tipos de tratamento disponíveis.

CORTICÓIDES

Estas drogas promovem um resultado muito bom. Na fase inicial é utilizada alta dose para trazer a doença sob controle.

Então a droga é paulatinamente reduzida a dose e mantendo uma dosagem baixa por vários dias. Com o tempo o médico tentará descontinuar o uso dessas drogas para evitar seus efeitos colaterais adversos.

OUTRAS DROGAS ANTIINFLAMATÓRIAS

Algumas delas: sulfasalazina e mesalina.

SUPRESSORES DE IMUNIDADE

Um sistema imunológico superativo e provavelmente importante pode causar colite ulcerativa. Certas drogas que suprimem o sistema imunológico podem ser efetivas no tratamento.

Exemplo: Azathioprima, 6-MP, ciciclosporina e methotrexate.

DIETAS E EMOÇÕES

Não há nenhum alimento que possa prejudicar o intestino. Porém na fase aguda, leite e derivados podem aumentar a cólica e causar e a diarréia. Em geral o paciente deve alimentar-se com uma dieta balanceada com quantidade adequada de calorias e/ou vitaminas. O uso de multi-vitaminas também pode ser recomendado. Stress e ansiedade podem agravar os sintomas da doença, mas não se acredita que possam provocar ou causar a doença. Qualquer doença crônica produz sérias reações emocionais. Estas alterações emocionais devem ser trabalhadas com um psicoterapêuta.

CIRURGIA

Para pacientes com a doença por longo tempo em que é difícil ou impossível controlar com medicamentos, a cirurgia é uma opção. Nestes casos raros, a vida do paciente e sua saúde são significantemente afetadas. A remoção do cólon doente cura a doença e haverá retorno a vida normal e saudável do paciente.

Atualmente com a cirurgia não há necessidade o uso de bolsas.

RESUMO

Muitos pacientes com colite ulcerativa vivem normalmente, com vida ativa e com poucas restrições. Embora não haja cura (exceto pela cirurgia), a doença pode ser controlada com a medicação atual. Para alguns poucos pacientes o curso da doença pode ser um pouco mais difícil e complicado. A cirurgia em algumas ocasiões é necessária.

Fonte: www.gastroweb.com.br

Colite Ulcerativa

RETOCOLITE ULCERATIVA INESPECÍFICA

CONCEITO

Doença Inflamatória Intestinal
Inflamação da mucosa muitas vezes acompanhada de úlceras
Etiologia desconhecida
Acomete principalmente reto e cólon esquerdo

PATOGENIA

Processo inflamatório limitado às camadas superficiais
Na biópsia verifica-se micro abscessos nas criptas
As regiões afetadas do cólon apresentam-se em contigüidade, não havendo regiões poupadas, podendo sangrar facilmente.

EPIDEMIOLOGIA

Entre 15-35 anos de idade em ambos os sexos
Novo pico de incidência entre 60 e 70 anos no sexo masculino
Predominância no sexo feminino.

CLASSIFICAÇÃO

De acordo com a gravidade do surto agudo:

Forma leve (60-70% dos casos): BEG, diarréia discreta, períodos de acalmia, anemia discreta e lesões poucos extensas.
Forma moderada (20-25% dos casos):
alteração discreta do estado geral, diarréia com fezes liquidas e geralmente com sangue e pus e raros os períodos de acalmia. Lesões de média extensão e intensidade.
Forma grave (10-15% dos casos):
grave comprometimento do estado geral, evacuações com fezes liquidas ou pastosas com sangue e pus sem período de acalmia. Quase sempre apresentam febre, dor abdominal, astenia, anorexia, emagrecimento, anemia, proteinopenia e desidratação. As lesões são intensas e extensas.

OBS.: É avaliado o número de defecações/dia, sangue vivo nas fezes, temperatura, pulso, hemoglobina (g/dl) e VHS (mm).

De acordo com a evolução clínica:

Forma aguda fulminante (menos que 10% dos casos)
Forma crônica contínua (10-15%)
Forma crônica intermitente (80-85%)

De acordo com extensão anatômica da lesão:

RCUI distal (60-70%): proctite e proctossigmoidite.

RCUI hemicólon esquerdo (15-25%).
RCUI extensa (15%).

QUADRO CLINICO

Depende da extensão e da gravidade da doença:

RCUI distal: São casos leves e moderados, com sangramento retal (muco,pus e tenesmo),dor abdominal em cólica, urgência, incontinência e dor anorretal.
RCUI do hemicólon esquerdo e extenso:
São casos moderados e graves,com febre,anorexia,perda de peso,astenia,diarréia com muco,pus,sangue e tenesmo.Há também dor abdominal,e manifestações extra-intestinais como artrite e eritema nodoso.

AO EXAME

Febre
Emagrecimento
Desidratação
Palidez
Taquicardia
Hipotensão Postural
Dor Abdominal
Manifestações Extra-intestinais e Toxemia.

A forma fulminante corresponde à dilatação colônica aguda maior que 6 cm,geralmente do cólon transverso.

EXAMES LABORATORIAIS

Anemia Hipocrômica Microcítica (Ferropriva)
Elevação do VHS
Hipopotassemia
Hipocloremia
Hiponatremia
Alcalose ou Acidose Metabólica
Leucocitose
Hipoalbuminemia
Trombocitose.

Diagnóstico Diferencial

Com Doença de Crhon: Achado no cólon proximal,o reto é poupado,presença de úlceras profundas, aspecto pavimentoso,inflamação e células gigantes de Langhans.
Com doenças infecciosas e parasitárias:
Salmonelose, shiguelose, Escherichia coli, citomegalovírus, Chlamydias, Herpes simplex, amebíase,esquistossomose e tuberculose
Colite isquêmica
Colite Colagenosa e Linfocítica

Outras enfermidades como mucoviscidose, diverticulite e amiloidose.

COMPLICAÇÕES

Megacólon tóxico (2-4%): com dilatação aguda do cólon maior que 6 cm associada a manifestações tóxicas sistêmicas.Caracteriza-se por toxemia, febre, prostração, taquicardia, desidratação, dor abdominal e distensão com intensa leucocitose.
*Carcinoma do cólon:
O risco de desenvolvimento de adenocarcinoma colorretal está relacionado com a duração (mais de 10 anos) e extensão da doença (pancolite).É agressivo e tem grande capacidade de infiltração.
Extra-intestinais:
Tem complicações reumáticas,de pele e mucosa, oftálmicas, vias biliares, fígado e miscelânica.
Hemorragia maciça

TRATAMENTO

Clínico:

Reposição hidroeletrolítica,correção da anemia,antibióticos (casos graves e fulminantes) com aminoglicosídio+metronizadol + ampicilina ou ciproflaxacina+metronizadol,suporte emocional e nutricional,medicação antidiarréica (anticolinérgicos) e antiinflamatória.

Cirúrgico:

Indicações eletivas: instabilidade clínica e suspeita de câncer (colectomia com anastomose ileorretal, proctocolectomia total com ileostomia definitiva ou proctocolectomia total com anastomose ileoanal e reservatório ileal).
Indicações de urgências: megacólon tóxico,hemorragia e perfuração(colectomia com ileostomia terminal e sepultamento do reto).

Fonte: www2.unoeste.br

Colite Ulcerativa

A Retocolite Ulcerativa (Colite Ulcerativa) é uma doença que afeta o intestino grosso. É descrita como um processo inflamatório que compromete o intestino grosso, fazendo com que a mucosa intestinal se apresente inflamada, vermelha, coberta de muco e com ulcerações.

No início do século 20, a Retocolite Ulcerativa era considerada crônica, irreversível, comprometendo, na maioria das vezes, o reto e o colón sigmóide podendo haver o aparecimento dos pseudopólipos, tidos como seqüelas da moléstia de evolução mais longa. Nessa mesma década, foi descrito a forma fulminante da Retocolite Ulcerativa, com o megacólon tóxico.

Incidência e prevalência

A Retocolite Ulcerativa é uma doença relativamente comum nos países desenvolvidos. Estima-se que a incidência populacional da Retocolite Ulcerativa esteja entre 3 a 7 casos por ano para cada 100.000 habitantes. Isso dá uma prevalência global na população de 30-90 casos por 100.000 pessoas. Nos EUA e nos países do norte europeu, a incidência da Retocolite Ulcerativa fica ao redor de 5 a 10 por ano por 100.000 com prevalência de 50 a 100 casos por 100.000 pessoas da população geral. A incidência familiar da doença varia de 1 a 5%, havendo dados de até entre 15 e 20%.

Na grande maioria dos estudos epidemiológicos percebe-se ligeira preponderância da Retocolite Ulcerativa em pacientes do sexo feminino, sem, no entanto, atingir níveis de significância. Na Inglaterra e no Pais de Gales a freqüência é de 1,5 mulheres para 1 homem.

Causas

A etiologia da Retocolite Ulcerativa permanece desconhecida. É possível, no entanto, discutir algumas hipóteses sobre a própria doença e facilitar reflexões futuras sobre ela.

a. Seria a Retocolite Ulcerativa uma doença ou uma síndrome?
b. Seria a Retocolite uma doença intestinal inflamatória mesmo ou seria um aspecto intestinal inflamatório de outra doença?
c. Seria a etiologia da Retocolite Ulcerativa multifatorial ou única?
d. Seria a Retocolite Ulcerativa uma manifestação secundária de vários fatores superpostos?

A causa infecciosa da Retocolite Ulcerativa, pode ser invalidada devido a menor incidência da Retocolite Ulcerativa nos países subdesenvolvidos, onde seria de se esperar uma maior incidência das doenças de natureza infecciosa. A favor dessa não infecção tem também o fato de se saber que a Retocolite Ulcerativa não se transmite por contágio.

A interferência de aspectos ambientais na eclosão da doença não parece ser provável, já que a incidência da Retocolite Ulcerativa tem sido constante ao longo do tempo e não oscila ao sabor das nuances ambientais. Dentro dessa linha (ambiental), parece também que a relação de hábitos dietéticos com o desenvolvimento e evolução da Retocolite Ulcerativa não pode ainda está estabelecido.

O fator genético, por outro lado, deve ser valorizado. Há uma incidência familiar da Retocolite Ulcerativa maior que na população geral. Essa incidência aumenta de 5 para 10% entre parentes dos pacientes e é significativamente acentuada entre gêmeos homozigóticos. Outra pista genética é a evidente associação entre a Espondilite Anquilosante, uma doença estabelecida por gene autossômico dominante ligado ao HLA-b27, e a Retocolite Ulcerativa.

Ainda, na busca da causa para a Retocolite Ulcerativa, várias hipóteses têm sido aventadas para explicar o envolvimento do sistema imunológico. As alterações imunológicas têm sido demonstradas paralelamente à associação entre a Retocolite Ulcerativa e outras doenças imunológicas, como é o caso, ainda, da Espondilite Anquilosante.

Pesquisas recentes tentam explicar a participação do sistema imunológico na ocorrência da Retocolite Ulcerativa. Não há dúvida de que, muitas vezes, pode se observar algum distúrbio da imunidade no paciente com Retocolite Ulcerativa, demonstráveis em exames de laboratório, como por exemplo, a síntese e secreção de imunoglobulinas, especialmente a IgA. Esse tipo de anormalidade tem sido, também, estabelecido em outras moléstias, como o próprio câncer e a doença celíaca, dando às vezes, a impressão de que os distúrbios imunológicos seriam mais secundários ao prejuízo orgânico global causado pela Retocolite Ulcerativa do que, definitivamente, a causa dela.

Outras investigações interessantes sobre as causas da Retocolite Ulcerativa são aquelas relativas ao papel dos distúrbios psiquiátricos como possível causa primária ou fator secundário agravante.

Os elementos causais de origem psicológica foram destacados no final da década de 40.

Alguns argumentos podem ser apresentados a favor de elementos psicossomáticos na gênese da RCU: em 75% dos casos de Retocolite Ulcerativa pode-se identificar alguma sorte de estresse; a morte devido a Retocolite Ulcerativa foi documentada em macacos em cativeiro, normalmente devido à separação do companheiro.

O estresse é, de fato, desencadeador dos ataques de Retocolite Ulcerativa mas, atrapalhando as investigações, observa-se que tais ataques ocorrem, também, em situações onde não se detecta o estresse. Inversamente, em outras ocasiões, há fortes componentes emocionais sem que desencadeie um ataque da doença.

Portanto, tem sido um consenso, e isso deve ser aceito, que os fatores emocionais devem ser vistos como fortes elementos contribuidores e precipitadores da melhor ou da pior fase da doença, mesmo que não possam ser considerados agentes diretamente causadores.

Entretanto não parece haver uma estrutura psíquica particular, em termos de personalidade, diferenciando os pacientes que são portadores de doença intestinal inflamatória e a população geral.

Os pacientes com Retocolite Ulcerativa não têm freqüência maior de diagnostico de doenças psiquiátricas que o restante da população e, quando existe algum diagnóstico, eles estão em nível semelhante ao observado nos demais pacientes portadores do outras doenças crônicas.

Sintomas

No que diz respeito aos progressos efetuados no campo do diagnóstico e da evolução clínica da Retocolite Ulcerativa, os mais importantes sintomas para o diagnóstico são:

Diarréia (mais de 6 evacuações por dia),
Sangue e muco nas fezes,
Presença de úlceras,
Alterações inflamatórias contínuas e sangramento de contato ao exame endoscópico.
Cólicas abdominais,
Perda de peso,
Febres.

A Retocolite Ulcerativa compromete quase que exclusivamente o intestino grosso, sendo que as lesões se confinam predominantemente ao reto e cólons. Com rara exceção pode comprometer o íleo terminal. Assim sendo, num período de observação prolongado, tem sido possível concluir que a Retocolite Ulcerativa que for confinada apenas ao reto e sigmóide é a de melhor prognóstico do que os casos onde o comprometimento é mais amplo e abrangente.

Depois de instalado o processo inflamatório da Retocolite Ulcerativa, se instala no intestino também uma infecção como agente secundário. Isso parece contribuir, em grande parte, para a sintomatologia febril da doença.

Retocolite e Câncer

Os sintomas da Retocolite Ulcerativa incluem hemorragia retal, diarréia, câimbras abdominais, perda de peso, e febres.

Além disso, pacientes que tiveram Colite Ulcerativa extensa por muitos anos, apresentam um risco maior de desenvolver câncer de intestino grosso.

O risco de câncer nesses pacientes está aumentado em relação a população geral principalmente quando a doença se prolonga para mais de 10 anos, particularmente se os pacientes forem mais jovens. O risco estimado aumenta aproximadamente de 5%, da primeira década, para 20%, na segunda década, e 6% para cada ano subseqüente.

Num estudo populacional envolvendo 3.117 pacientes com Retocolite Ulcerativa observou-se aumento de 15 vezes no risco de desenvolver câncer entre aqueles que apresentavam pancolite (inflamação em todo intestino) e apenas 2,8 vezes nos que tinham comprometimento apenas do cólon esquerdo. A morte por causa do câncer colo-retal é três vezes maior na população com Retocolite Ulcerativa do que na população geral.

Fonte: gballone.sites.uol.com.br

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