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Depressão pós-parto

 

 

Depressão pós-parto: prevenção e conseqüências

Introdução

A depressão pós-parto é uma patologia derivada de uma combinação de fatores biopsicossociais, dificilmente controláveis, que atuam de forma implacável no seu surgimento.

Lai e Huang (2004) apontaram diversos pontos desta multifatorialidade, incluindo:

Gravidez não desejada
Baixo peso do bebê
Alimentação do bebê direto na mamadeira
Pouca idade da mãe
O fato da mãe não estar casada
Parceiro desempregado
Grande número de filhos
Desemprego após a licença maternidade
Morte de pessoas próximas
Separação do casal durante a gravidez
Antecedentes psiquiátricos anteriores ou durante a gravidez
Problemas da tireóide (simulando de uma série de doenças psiquiátricas)

Após o parto, ocorrem reações conscientes e inconscientes na puérpera, dentro de seu ambiente familiar e social imediato, ativando profundas ansiedades.

Uma das mais importantes é a vivência inconsciente da angústia do trauma do próprio nascimento: a passagem pelo canal do parto, que inviabiliza para sempre o retorno ao útero e empurra o bebê para um mundo totalmente novo e, portanto, temido. Isto inclui a perda repentina de percepções conhecidas, como os sons internos da mãe, o calor do aconchego, o sentido total de proteção, gerando o surgimento de percepções novas e assustadoras (Cox, Connor, & Kendell, 1982; Cox,, Haldin, & Sagovsky 1987).

A secção do cordão umbilical separa para sempre o corpo da criança do corpo materno, deixando uma cicatriz, o umbigo, que marca o significado profundo desta separação. Assim, no inconsciente, o parto é vivido como uma grande perda para a mãe, muito mais do que o nascimento de um filho. Ao longo dos meses de gestação, ele foi sentido como apenas seu, como parte integrante de si mesma e, bruscamente, torna-se um ser diferenciado dela, com vida própria e que deve ser compartilhado com os demais, apesar de todo ciúme que desperta (Laplanche & Pontalis, 1986; Lai & Huang, 2004).

Sendo assim, a mulher emerge da situação de parto num estado de total confusão, como se lhe tivessem arrancado algo muito valioso ou como se ela tivesse perdido partes importantes de si mesma. Tanto quanto na morte, no nascimento também ocorre uma separação corporal definitiva.

Este é o significado mais angustiante do parto, que se não for bem elaborado, pode trazer uma depressão muito intensa à puérpera: o parto é vida e também é morte.

Metodologia

A metodologia utilizada neste trabalho envolveu levantamento bibliográfico especializado, em livros, artigos e base de dados, visando a busca de referencial teórico para referendar o estudo.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas do estado depressivo variam quanto à maneira e intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade da puérpera e da sua própria história de vida, além das mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto (Bernazzani, Conroy, Marks, Siddle, Guedeney, Bifulco et al., 2004).

Além das vivências inconscientes em que predominam as fantasias de esvaziamento ou de castração, as mais intensas são as ansiedades de carência materna - quando a puérpera apresenta forte dependência infantil em relação à própria mãe ou ao marido - e as de autodepreciação, quando se sente incapaz de assumir as responsabilidades maternas, e até mesmo inútil, quando não consegue captar a compreensão do significado do choro do bebê para poder satisfazê-lo. Para poder suportar tais ansiedades, inconscientemente, alguns mecanismos de defesa são colocados em movimento, segundo as características pessoais da puérpera.

Dessa maneira, ela pode apresentar-se cheia de uma energia despropositada, eufórica, falante, preocupada com seu aspecto físico e com a ordem e arrumação do ambiente em que se encontra. As visitas são recebidas calorosamente, e a mãe parece tão disposta e auto-suficiente, como se não precisasse de ajuda externa. Em contrapartida, manifesta alguns transtornos do sono, muitas vezes necessitando de soníferos. Se o ambiente mais próximo não lhe oferecer carinho e atenções, tal estado pode produzir somatizações, como febre, constipação e outros sintomas físicos. Do mesmo modo, se as fantasias inconscientes não puderem ser contidas, surgem as ansiedades depressivas de modo ocasional ou em acessos de choro, ciúmes, aborrecimento, tirania ou em expressões de autodepreciação e de auto-acusação (Nonacs & Cohen, 1998).

A puérpera deprimida, ao contrário da hiperativa, pode apresentar-se com um profundo retraimento, necessidade de isolamento. A prostração e a decepção com sentimentos de fracasso e desilusão têm também aspectos regressivos que se somam aos já produzidos pelo parto, com a re-atualização do trauma do próprio nascimento, fazendo com que a puérpera sinta-se mais carente e dependente de proteção, como que competindo com o bebê as atenções do meio que a cerca.

A sensação predominante neste caso, é de sentir-se apenas a serviço do bebê, como se nunca mais fosse recuperar sua vida pessoal (O’Hara, Neunaber & Zezoski, 1984; Nonacs & Cohen, 1998). O homem também pode apresentar o quadro de depressão puerperal, embora com menor intensidade. A depressão masculina tem origem nos sentimentos de exclusão diante da díade mãe-bebê. É como se ele se percebesse apenas como uma pessoa provedora, que deve trabalhar e satisfazer as exigências impostas pelo puerpério da mulher. A própria vivência emocional do parto e a possibilidade de decepção quanto ao sexo do bebê, num momento em que todos ao seu redor parecem ocupados demais para lhe dar a atenção, muitas vezes encontra saída para suas ansiedades no ambiente externo ao lar. Daí o aumento das atividades e carga horária no trabalho, relações extraconjugais ou mesmo somatizações com ocorrências de doenças ou acidentes com fraturas, para poder também chamar atenção sobre si (Souza & Daure, 1998).

No caso de já existirem outros filhos, estes também podem sofrer impactos emocionais, com a ausência da mãe e o medo de perder seu amor em prol do novo membro da família. O modo como demonstram tais sentimentos freqüentemente incluem a regressão, quando solicitam novamente o uso da chupeta, apresentam transtornos do sono, inapetência, enurese noturna, e até mesmo a negação da própria mãe, como se não precisassem mais de seu amor e cuidados. Neste momento, vinculam-se mais fortemente com o pai ou à pessoa que os está atendendo, fortalecendo na figura materna o sentido de incapacidade, de não conseguir realmente dar conta das antigas e novas responsabilidades (Cox, Haldin & Sagovsky, 1987, Bernazzani et al., 2004).

É muito difícil determinar o limite entre a depressão pós-parto normal e a patológica, chamada de psicose puerperal. A característica principal desta é a rejeição total ao bebê, sentindo-se completamente aterrorizada e ameaçada por ele, como se fosse um inimigo em potencial. A mulher sente-se, então, apática, abandona os próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais, pode sofrer de insônia, inapetência e apresentar idéias de perseguição, como se alguém viesse roubar-lhe o bebê ou fazer-lhe algum mal. Se a puérpera estiver neste quadro de profunda depressão, sem poder oferecer a seu filho o acolhimento necessário, este também entrará em depressão.

Neste caso, as características notadas na criança são: falta de brilho no olhar, dificuldade de sorrir, diminuição do apetite, vômito, diarréia e dificuldade em manifestar interesse pelo que quer que esteja ao seu redor. Conseqüentemente, haverá uma tendência maior em adoecer ou apresentar problemas na pele, mesmo que esteja sendo cuidado (Nonacs & Cohen, 1998).

Se há bloqueio materno em manifestar amor pelo filho, alguém deve assumir a tarefa de cuidar do bebê, para que o mesmo possa sentir-se amado e acolhido, pois sem amor não desenvolverá a capacidade de confiar em suas próprias possibilidades de desenvolvimento físico e emocional. É comum e esperado, na puérpera, a ocorrência de idéias depressivas e persecutórias, retraimento, abandono ou hiperatividade, sem chegar ao nível alarmante da psicose puerperal. O próprio estado regressivo em que se encontra contribui para o surgimento de tais sintomas. Neste ponto, a família e os profissionais de saúde podem colaborar de modo satisfatório, proporcionando confiança e segurança à puérpera, principalmente no tocante às atividades maternas, sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional; assim a depressão pósparto pode diminuir sua intensidade até se transformar em carinho pelo bebê e respeito pelo ritmo de seu desenvolvimento e progresso (Souza & Daure, 1998).

Até alguns anos atrás, quando as famílias eram mais numerosas, era comum o filho mais velho cuidar do mais novo e, desta forma, quando tinham seus próprios filhos, sentiam-se mais capacitados e seguros em assumi-los. Hoje em dia, é mais difícil passar por esta experiência, já que todos na família iniciam no mercado de trabalho muito cedo, e o número de filhos parece ter diminuído consideravelmente. Para suprir tal carência de aprendizagem, algumas maternidades estão implementando o sistema de alojamento conjunto, supervisionado por uma Enfermeira, que proporciona à gestante e ao bebê uma experiência real, facilitando a formação do vínculo precoce entre eles (Stein, Gath, Bucher, Bond, Day & Cooper, 1991).

É importante permitir que a gestante possa expressar livremente seus temores e ansiedades, e um Enfermeiro bem treinado pode dar assistência e orientação, auxiliando a gestante a enfrentar as diversas situações de maneira mais adaptativa, realista e confiante. Trata-se de um trabalho preventivo, se tiver início junto com o acompanhamento no pré-natal e/ou de suporte ante a crise, no caso da depressão pós-parto já instalada.

Os benefícios dessa atuação precoce e preventiva não se restringem ao bem-estar exclusivo das mães. São atitudes que representam também um grande benefício às crianças pois, de acordo com as observações da literatura, existem boas evidências de correlação entre as desordens depressivas das mães e os distúrbios emocionais de seus filhos (Chaudron & Pies, 2003).

Embora as razões para a correspondência entre o estado afetivo das mães e os futuros distúrbios emocionais de seus filhos não estejam ainda bem estabelecidas, alguns autores apresentam possibilidades para tal, incluindo o modo como a mãe deprimida interage com seu filho (Chenioux-Júnior, 1990). São vários os estudos sobre os efeitos deletérios do abandono para a criança e a importância do vínculo mãe - filho na formação do apego. Stein et al. (1991) e Lai & Huang, (2004) descreveram um período sensívelmaterno, imediatamente após o parto, que torna mais intenso o desenvolvimento do vínculo da mãe com seu recém-nascido. Podese acreditar que os transtornos psíquicos da mãe, nesta fase precoce da maternidade, sejam considerados fatores de grande risco para a negligencia física ou emocional em relação à criança e que o grau dessa negligência seria diretamente proporcional à gravidade das condições psíquicas da mãe (Chaudron & Pies, 2003).

Tratamento

O tratamento médico da depressão pós-parto deve envolver, no mínimo, três tipos de cuidados: ginecológico, psiquiátrico e psicológico. Além da preocupação dos profissionais de saúde com o problema, são muito relevantes os cuidados sociais, comumente envolvidos com o desenvolvimento da depressão no período puerperal (Nonacs & Cohen, 1998). Enfatiza-se a necessidade para o tratamento da depressão pós-parto, não apenas objetivando a qualidade de vida da mãe mas, sobretudo, prevenindo distúrbios no desenvolvimento do bebê e preservando um bom nível de relacionamento conjugal e familiar. Embora alguns clínicos ainda defendam o uso de progesterona no período pós-parto, com finalidades curativas ou preventivas, tal conduta tem sido controversa. O trabalho de Harris, Lovett, Smith, Read & Walker (1996) apontaram a inexistência de correlação entre níveis desse hormônio e alterações do humor pós-parto. Seus resultados apontam associação com o cortisol, diminuído precocemente no puerpério em pacientes que desenvolveram depressão pós-parto. Avaliação da função tireoideana deve ser enfatizada e eventuais necessidades de correção são extremamente relevantes.

Psiquiatricamente, o tratamento com antidepressivos tem indicação para os casos em que a depressão está comprometendo a função e o bem estar da mãe. Shou (1998) recomendou a avaliação da relação custo-benefício do tratamento antidepressivo durante e depois da gravidez, e considera-o geralmente de baixo risco.

Atualmente, muitos antidepressivos estão sendo estudados em relação à lactação e os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) foram os menos presentes no leite materno. Entre estes, a serotonina e paroxetina parecem as melhores alternativas (Kulin Pastuszak, Sage, Schick-Bochetto, Spivey, Feldkamp, 1998). Os estudos de Sclar, Robinson, & Skaer (1995) e de Zifko et al. (2003) confirmaram pesquisas anteriores, mostrando que a grande maioria das crianças que se amamentam de mães que fazem uso terapêutico de sertralina tiveram níveis sangüíneos baixíssimos, tanto de sertralina (3 ng/ml) quanto de seu metabólito N-dimetilsertralina (6 ng/ml ou menos). Em relação ao uso de sertralina, paroxetina e fluvoxamina (todos ISRS) durante a gestação, Kulin et al. (1998) e Van Marwijk, et al. (2001) concluíram não haver nenhum aumento de riscos teratogênicos para o feto nas doses terapêuticas habituais.

Entre os cuidados psicológicos para as pacientes com depressão pós-parto têm-se destacado com o sucesso a abordagem cognitivo-comportamental, preferencialmente em grupos de terapia (Meager & Milgrom, 1996).

Conseqüências de falta de tratamento

Godfroid (1997) e Chaudron & Pies (2003) descreveram as conseqüências da depressão pós-parto, dividindo-as em precoces e tardias.

As conseqüências precoces incluem: suicídio e/ou infanticídio (0,2%dos casos), negligências na alimentação do bebê, bebê irritável, vômitos do bebê, morte súbita do bebê, machucados “acidentais” no bebê, depressão do cônjugue e divórcio.

Já as tardias seriam: criança maltratada, desenvolvimento cognitivo inferior, retardo na aquisição da linguagem, distúrbio do comportamento e psicopatologias no futuro adulto. Desta forma, as repercussões de uma depressão pós-parto são múltiplas. A mulher que está sofrendo da síndrome corre o risco de suicídio, como em qualquer outra situação depressiva; as relações interpessoais são perturbadas; o casal - se for o caso - também sofre, o que pode provocar uma ruptura e, por fim, as interações precoces mãe-bebê são alteradas, comprometendo o prognóstico cognitivocomportamental do bebê (Stowe & Nemeroff, 1995; Chaudron & Pies, 2003).

Conclusão

Enfatizamos o aspecto psicológico relevante durante a gravidez e o pós-parto. Um bebê inaugura a família (dito em outras palavras, um casal só passa a ser uma família quando tem um filho). Este fator pode trazer muita alegria, afinal, a sociedade, e de forma mais direta a família ,espera manifestações de alegria e satisfação pela maternidade. Evidentemente, não existe uma fórmula para o sucesso desta empreitada que envolve no máximo três famílias - a família de origem da mulher , a do marido e a que está se formando. Porém, existe amor, atenção, aconchego e compreensão, que podem se transformar numa espécie de continente para a mulher, seja ela primípara, ou não.

Não se trata de criar uma redoma de proteção total, do tipo que impede a respiração e os sentimentos necessários de preocupação, dúvida, ansiedade, alegria, etc., que envolvem uma gravidez e que são absolutamente normais. Trata-se de apoio. Mas, é evidente que este não é um processo que deva envolver a participação de apenas das pessoas próximas a mulher. Os profissionais de saúde como Enfermeiros e Médicos devem estar atentos e, quando necessário, relatar à família que algo que não está bem com a paciente, e viceversa. Acreditamos que só a união de forças entre os profissionais de saúde e familiares pode transformar este momento em uma fase em que a paciente se sentirá mais firme e confiante para expressar seus sentimentos, sentindo-se acolhida e ajudada. Só assim pode-se proporcionar uma melhor superação das dificuldades que a Depressão Pós-Parto, já que seus maiores aliados são o descaso e a subestimação do sofrimento da mulher, quer pela equipe de saúde, quer pela família.

Damiana Guedes-Silva

Marise Ramos de Souza

Vilma Perez Moreira

Marcelo Genestra

Referências

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Fonte: www.unifor.br

Depressão pós-parto

A Depressão Pós-Parto (DPP) é um quadro clínico severo e agudo que requer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, pois devido à gravidade dos sintomas, há que se considerar o uso de medicação. Todo ciclo gravídico-puerperal é considerado período de risco para o psiquismo devido à intensidade da experiência vivida pela mulher. Esta experiência pode incidir sobre psiquismos mais ou menos estruturados. Mesmo mulheres com boa organização psíquica podem se ver frente a situações em que a rede social falha. A DPP acomete entre 10% e 20% das mulheres, podendo começar na primeira semana após o parto e perdurar até dois anos.

Há fatores de risco que vêm sendo estudados e demonstram uma alta correlação com a DPP

Entre eles temos: mulheres com sintomas depressivos durante ou antes da gestação, com histórico de transtornos afetivos, mulheres que sofrem de TPM, que passaram por problemas de infertilidade, que sofreram dificuldades na gestação, submetidas à cesariana, primigestas, vítimas de carência social, mães solteiras, mulheres que perderam pessoas importantes, que perderam um filho anterior, cujo bebê apresenta anomalias, que vivem em desarmonia conjugal, que se casaram em decorrência da gravidez.

A puérpera se beneficia de grupos terapêuticos onde possa compartilhar o seu sofrimento junto a outras mulheres em igual situação e sob orientação de um profissional. Também pode ser recomendado atendimento psicológico individual em casos cuja gravidade perturbaria o grupo ou que manifestem preferência por esta modalidade de atendimento. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável.

Aparecem sintomas como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, doenças psicossomáticas, tristeza profunda, desinteresse pelas atividades do dia-a-dia, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e desinteresse por ele, chegando ao extremo de pensamento suicidas e homicidas em relação ao bebê. O diagnóstico precoce é fundamental e para isso é necessário um acompanhamento em todo ciclo gravídico-puerperal, sendo a melhor forma de evitar, atenuar ou reduzir a duração da DPP. Grupos de gestante têm caráter psicoprofilático e, portanto, ajudam no diagnóstico e tratamento precoces. I., 32 anos, segunda gestação, procura-nos, pois está deprimida desde há última gravidez, ocorrida há 3 anos.

Desde que viu confirmada a gravidez, encontra-se mais prostrada e ansiosa. Não tratou o quadro depressivo há 3 anos, pois se sentia envergonhada. A sogra assumiu as tarefas perante o primeiro neto.

O marido se afastou por achá-la “preguiçosa” e “egoísta”. I. foi encaminhou pelo atual ginecologista. Desde então, I. vem sendo medicada e acompanhada em psicanálise. Participou de atividades junto a outras gestantes e sentiu-se muito compreendida ao ouvir depoimentos parecidos com os seus, mesmo que menos graves. O trabalho junto à família mostrou-se proveitoso. Atualmente, I. busca reaver seu lugar junto à prole, consciente de que precisará de ajuda para poder cuidar dos filhos, mas que isso não é motivo de vergonha.

No caso da Psicose Puerperal encontramos perda do senso de realidade, delírios, alucinações (por volta 0,2 % de casos). Não é recomendável aleitamento. Nos transtornos psíquicos mais graves há que se acionar a rede social da gestante antes do nascimento, para que alguém se incumba de responder às necessidades emocionais do bebê. Para a mulher em surto o bebê não existe enquanto tal. Ele passa a ser espaço vazio preenchido por elementos do psiquismo da mãe, cindidos do real. Por vezes, as fantasias são ocultadas pela paciente, pois ela se encontra em delírio paranóide que inclui todo staff que dela se ocupa.

Os parentes precisam ser alertados, pois há risco de vida para mãe e filho. Muitas gestantes normais trazem fantasias persecutórias em relação ao roubo do bebê ou medos infundados. Isto é esperado e não corresponde ao quadro psicótico, mas apenas a uma projeção de suas próprias fantasias ambivalentes nos outros.

No caso da psicose a angústia é da ordem do insuportável, podendo aparecer rituais obsessivos e pensamento desconexo. Um histórico psiquiátrico com surtos anteriores traz fortes indícios de risco nestes casos. S. nos procurou encaminhada pelo ginecologista para entrar no grupo de gestantes. Primigesta, 30 anos, 6 meses de gestação. S., cuja gravidez transcorre sem dificuldades físicas, apresenta um delírio de contaminação, tem medos relativos à saída do bebê.

Tudo que lê em revistas serve para alimentar seu delírio obsessivo e paranóico. Não recomendamos atendimento grupal neste caso, nem qualquer tipo de orientação de parto, pois todo o uso que S. faz da informação recebida é pernicioso. Por exemplo, se S. lê sobre a contaminação da carne bovina em outro país, imediatamente para de comer carne. S. recebe atendimento psicanalítico e psiquiátrico. Recomendou-se um acompanhamento de orientação aos familiares e uma acompanhante treinada na hora do parto.

O que distingue a DPP da Tristeza Materna (baby blues, post-partum blues) é a gravidade do quadro e o que ele tem de incapacitante, afetando a funcionalidade da mãe e pondo em perigo seu bem-estar e o do bebê. Além da evidente necessidade de cuidados da mulher, acima citados, a DPP é fator de risco para a saúde mental do bebê e, portanto, requer toda a nossa atenção. Culturalmente, a maternidade é vista de forma idealizada e qualquer afeto negativo da mãe para com bebê é julgado como algo da ordem do impensável.

Na psicanálise o tema do ódio materno foi suplantado pela interpretação de que somente os filhos seriam capazes de odiar os pais por rivalidade do pai do mesmo sexo (o famoso complexo de Édipo).

Mesmo para Freud, lidar com este assunto mostrou-se tarefa espinhosa e só em seus escritos finais ele pode confrontar-se com este mito: da mãe capaz de odiar o próprio filho. Existe um tabu cultural em relação ao tema gestação e depressão, como se a mulher devesse estar radiante pelo nascimento de seu filho e ela fosse culpada de uma espécie de “ingratidão”, pois “ela tem tudo e mesmo assim sofre”. Nesta visão, o sofrimento de uma mãe de bebê recém nascido seria decorrente de uma incapacidade de dar valor ao “milagre da maternidade”. O senso comum tende a esconder a real natureza da tarefa de vir a ser mãe.

O processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar no ciclo gravídico-puerperal envolve três grandes momentos que englobam pequenas etapas vividas de forma diferentes para cada sujeito. A transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade.

Cada um destes temas requer uma reordenação psíquica que incide sobre as vicissitudes de cada mulher. A mentalidade, de que a chegada de um filho é isenta de ambigüidade, tende a dificultar o auxílio que estas mães precisam receber. Algumas mulheres não conseguem admitir para si mesmas que merecem ajuda, escondendo dos cônjuges e da família seu estado.

A Tristeza Materna (baby blues), por sua vez, acomete até 80% das mulheres, mas devido ao tabu mencionado pode se imaginar um índice até maior. É um estado de humor depressivo que costuma acontecer a partir da primeira semana depois do parto.

Este humor é coerente com a enorme tarefa de elaboração psíquica citada anteriormente (transformação da filha em mãe, a transformação da auto-imagem corporal, a administração da relação entre a sexualidade e a maternidade). De forma geral, a mulher sente que perdeu o lugar de filha sem que tenha ainda segurança no papel de mãe; que o corpo está irreconhecível, pois se já não é mais de uma grávida tampouco retomou sua forma original; que entre ela e o marido encontra-se um terceiro elemento. O bebê emerge como um outro ser humano aos olhos desta mãe e precisa encontrar um espaço dentro desta configuração anterior (casal) de forma a deixar preservada a sexualidade dos pais. Forma-se o triângulo que remete o casal a suas próprias questões com seus pais. O quadro é benigno, há medida em estas questões possam ser elaboradas, e regride por si só por volta do primeiro mês.

Aparecem sintomas como irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, tristeza, insegurança, baixa auto-estima, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e outros. Apesar de ser comum e normal envolve uma quantidade razoável de sofrimento que pode ser atenuado no compartilhar com outras pessoas que entendam esta condição como natural e até benéfica. Benéfica como? Existe um estado denominado de Preocupação Materna Primária que se refere a um período que vai do fim da gestação até por volta do primeiro mês do bebê, em que a mulher teria uma hipersensibilidade às necessidades do bebê. Este estado tão necessário, caso fosse vivido fora da maternidade, seria considerado esquizóide e, no entanto, é fundamental para a vinculação com a criança. Faz parte deste estado uma certa dose de humor depressivo.

A tarefa de uma mãe de bebê é monótona, desgastante e sem recompensas ou reconhecimento do bebê, a curto prazo. O bebê é impiedoso em suas necessidades e é difícil que a mãe possa atender-lhe se estiver num estado de agitação maníaca, por exemplo. Recebemos na clínica, mães cujo estado de agitação interfere sobre o manuseio do bebê, que tendem a acordá-lo desnecessariamente, pois interpretam o ritmo da criança como lento demais (entenda-se mórbido), mas na realidade, sua aceleração as impede de interpretarem a demanda do filho como normal. Uma mãe em mania tende a manter seu bebê em constante sobressalto. Para ser capaz de se adaptar à rotina de um bebê, de se adaptar à linguagem do recém-nascido, a mãe tem que baixar muito suas expectativas com relação à sua própria privacidade e à agitação do mundo externo. Essa tarefa não encontra similar ao longo da vida de uma mulher e se inicia subitamente.

A perda do status de gestante é muito rápida e dolorosa. Reconhecer o bebê como uma pessoa e não como a imagem idealizada (que precisa ser construída na gestação como formas de desejar o bebê) é como lidar com um casamento arranjado. Mesmo que tenhamos as melhores indicações do noivo ainda assim não o conhecemos e, no entanto, ficaremos a seu inteiro dispor. Precisamos estar atentos às mães que vêem no parto uma coisa em si, com o “pequeno inconveniente” de ter que criar o filho depois.

Atualmente temos visto um “culto ao parto”, uma verdadeira idealização deste momento, que afinal é apenas uma das etapas de uma tarefa infinitamente maior: criar um ser humano. Tarefa esta sem paralelos, pois nos obriga a planejar uma existência para além da nossa própria. O parto tem revelado uma faceta de bem de consumo, sujeito a modismos. Encontramos na clínica de acompanhamento do ciclo gravídico-puerperal uma ênfase muito grande nos tipos de parto sem, por exemplo, qualquer consideração sobre o alojamento conjunto. Ficando a filmagem do parto, a decoração da maternidade, como prioridades, em alguns momentos, no lugar do bebê.

Às vezes, é só a partir da primeira semana que essas mães começam a ser dar conta de que um “outro” chegou em suas vidas. M. 17 anos, internada no Amparo Maternal, primigesta de 7 meses, sente a gravidez como uma forma de adquirir um status de mulher perante uma mãe muito dominadora. Encontra-se surpreendentemente despreocupada com a tarefa de cuidar de um bebê, ainda que em condições sócio-econômicas muito precárias. O prognóstico de formação de vínculo é pouco favorável, pois no imaginário de M. ainda não há um bebê. A partir do trabalho de acompanhamento, M. vai saindo se sua alienação e entrando num humor depressivo. Dentro deste estado passa a poder refletir sobre a real tarefa que a espera e as necessidades deste bebê. O trabalho ajudou-a a criar um espaço psíquico para chegada de um filho, aonde antes só havia uma tentativa de rebeldia em relação à própria mãe.

Na clínica psicológica, encontramos muitas adolescentes que apesar de terem acesso aos métodos de contracepção, acabam engravidando numa tentativa inconsciente de adquirir o status de adultas para escaparem do dilema criança-adulto, próprio desta fase da vida. Também observamos, ainda de forma surpreendente nos dias de hoje, o binômio casamento-gravidez, como símbolo de realização social o que nem sempre vem acompanhado de um desejo real de lidar com a abnegação necessária para se cuidar de um outro ser humano. O que as pessoas próximas podem fazer diante do humor depressivo que comumente se apresenta no pós-parto? Primeiro, a família pode ajudar sendo compreensiva e apoiando a mãe neste momento único, sem cobrar atitudes idealizadas pela mídia.

A mídia tende a glorificar o papel da mãe e tratar o humor depressivo da mulher como da ordem da patologia. Basta vermos as propagandas e matérias veiculadas nos meios de comunicação que encontraremos a mãe que amamenta sem dificuldades ou desconforto, a mãe sentindo-se realizada e completa, sentindo-se linda. No entanto, o que a mãe de um recém-nascido menos sente é completude. Uma gestante pode sentir-se assim e é o que se espera em algumas fases da gestação. Já a mãe de bebê vive exatamente o oposto, ela vive a incompletude, o vazio da barriga, a separação. Ela precisará de um tempo até que possa preencher este espaço. São necessários todo apoio e compreensão para que a mãe recém nascida saiba que não há nada de errado com ela. Ser aceita em sua natureza de mãe ajuda muito a diminuir o mal estar, encurtando o baby blues drasticamente.

O nascimento de um bebê tende a ser recebido pela comunidade que o cerca com grande alegria e isso é o melhor que se pode esperar.

No entanto, nem sempre esta alegria repercuti de forma positiva para a mãe. Que triste paradoxo! Muitas vezes, um único telefonema do profissional de saúde que se ocupa desta mulher pode ajudá-la a compartilhar sua decepção ou seus medos sem sentir-se culpada. Vemos como isto tem um efeito benéfico sobre as mães. Por vezes, damos-lhe uma carta “para ser aberta no pós-parto” com o relato de uma mãe com a qual possam se identificar. Em casos benignos estes simples procedimentos podem ter um grande efeito psicoprofilático. Para isso é importante que as pessoas que lidam com a mãe recebam esclarecimento sobre a natureza deste estado.

Afinal, onde se perdeu a sabedoria há que se buscar informação. Como profissionais, devemos estar cientes das diferenças entre DPP e Tristeza Materna e conhecer os fatores de risco que aumentam a probabilidade de uma DPP (facilitando a observação da evolução de humor da gestante) para podermos intervir precocemente, o que melhora muito o prognóstico. Algumas mães que não deprimem podem não ter percebido o “outro” e continuar estabelecendo uma relação totalmente narcísica com seus bebês. Esses bebês tendem a se fazerem ouvir por meio de sintomas psicossomáticos iniciando um ciclo de adoecimentos.

As somatizações do recém nascido não devem ser subestimadas no que dizem respeito à relação mãe-bebê. Se por um lado, a somatização é o meio fundamental pela qual o bebê sinaliza o desconforto psíquico, por outro lado, não podemos esquecer que este desconforto se estabelece na relação com as pessoas que cuidam dele e reflete o desconforto psíquico da mãe, na grande maioria das vezes. L., 23 anos, primigesta, cujo bebê estava com 30 dias quando nos procurou, relata a reação de desespero de seu bebê ao ser colocado para deitar no carrinho ou “longe do corpo”, mesmo para um passeio diurno, o que a obrigava a mantê-lo permanentemente sustentado por um adulto. L. encontrava-se visivelmente extenuada, pois dormia com o bebê sobre o ventre desde seu nascimento.

Ela encarava esta situação de forma ambivalente, pois se sentia culpada em deixá-lo deitar no carrinho, mas, ao mesmo tempo, não conseguiria permanecer nesta tarefa. Lembrava-se que durante o parto sentiu-se triste na hora de fazer força no período expulsivo. A partir desta reflexão, L. pode ir percebendo sua dificuldade para fazer a separação entre seu corpo e de seu bebê e a culpa por ter “expulso” o filho de si mesma.

O bebê respondeu à elaboração psíquica da mãe, que claramente mudou de postura, “aprendendo” a dormir no carrinho sem sofrimento e posteriormente no berço.

Algumas mulheres podem encontrar uma medida excelente entre todas as transformações exigidas pela maternidade e acabam por ter um quadro muito suave no pós-parto, quase imperceptível. Ser multípara ou ter ao seu lado outras mulheres que já passaram pelo baby blues pode ter um efeito atenuador. Com tempo o psiquismo se encarrega de fazer seleção das memórias mais gratificantes deixando os momentos difíceis caírem no esquecimento.

Fonte: www.portaldeginecologia.com.br

Depressão pós-parto

A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa auto-estima, que aparecem com freqüência e podem combinar-se entre si.

É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado.

Sintomas

Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia
Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas
Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis
Desinteresse, falta de motivação e apatia
Falta de vontade e indecisão
Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio
Pessimismo, idéias freqüentes e desproporcionais de culpa, baixa auto-estima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte. A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio
Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom “cinzento” para si, os outros e seu mundo
Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento
Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido
Perda ou aumento do apetite e do peso

Insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário . habitual) ou, menos freqüentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo)

Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarréia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros

Causas

A depressão é uma doença. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem dentro das células nervosas também estão envolvidos.

Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais muitas vezes são conseqüência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genética. A prevalência (número de casos numa população) da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo apresentam o problema em algum momento da vida.

Tratamento

O tratamento da depressão é essencialmente medicamentoso. Existem mais de 30 antidepressivos disponíveis. Ao contrário do que alguns temem, essas medicações não são como drogas, que deixam a pessoa eufórica e provocam vício. A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente. Alguns pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios.

A psicoterapia ajuda o paciente, mas não previne novos episódios, nem cura a depressão.

A técnica auxilia na reestruturação psicológica do indivíduo, além de aumentar sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse.

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Depressão pós-parto

Conhecida também como depressão puerperal, é uma instabilidade emocional que surge nas primeiras semanas seguidas ao parto e atinge cerca de 10% das mulheres que deram à luz. Para ser caracterizado um quadro de depressão, os sintomas devem persistir por mais de 15 dias.

Causa

Fatores biológicos, psicológicos e sociais podem desencadear o distúrbio, entre eles:

Histórico de problemas emocionais ou depressão antes ou durante a gestação
Problemas no parto ou com o bebê
Isolamento social e/ou familiar
Falta de apoio da família e amigos
Sentimentos de perda de liberdade;
Carreira profissional em risco;Situação traumática ou estresse recente
Ausência do marido ou nenhuma colaboração do companheiro
Dificuldades no casamento
Problemas financeiros
Perfeccionismo e vontade de resolver tudo sozinha sem pedir ajuda.

Principais sinais e sintomas

A depressão pós-parto provoca tristeza profunda, insônia, perda de apetite, excesso ou ausência de cuidados com o bebê, dificuldade em tomar decisões, choro freqüente, perda de memória, sentimento de culpa ou sensação de impotência.

Há situações em que a mãe precisa dividir as tarefas de cuidar do bebê com outras pessoas até a sua recuperação.

Tratamento

O tratamento é feito com terapia psicológica e, dependendo a gravidade, é necessário o uso de medicamentos, somente com indicação médica devido aos cuidados em relação à lactação.

Prevenção

Os apoios da família e do marido nas primeiras semanas após o parto são essenciais para que a mulher se sinta amparada e mais segura. A compreensão e a ajuda das pessoas próximas pode prevenir a depressão pós-parto ou amenizar os seus sintomas, fazendo com que a nova mamãe supere mais rápido o problema.

Fonte: www.unimed.com.br

Depressão pós-parto

Depressão Puerperal (Depressão Pós-Parto)

Introdução

A depressão puerperal (pós-parto) é um problema psiquiátrico / obstétrico que aparece na mulher que deu à luz recentemente e caracteriza-se por insônia, ansiedade, tristeza severa e desesperança, entre outros sintomas. O problema começa em geral entre os primeiros dois e três meses após o parto.

É diferente da angústia comum após o parto em que, em decorrência das alterações hormonais, a mulher tem sentimentos de tristeza passageira (em 50 a 80 por cento das novas mães), mas que em geral acaba por volta da 3ª. semana.

Estima-se que a depressão pós-parto afete de 10% a 15% das mães.

Os fatores de risco identificáveis mais comuns que podem levar uma mulher a desenvolver a depressão pós-parto são:

Antecedentes de depressão, inclusive numa outra gravidez
Mulheres com problemas de saúde durante a gravidez
Um casamento complicado
Mãe solteira
Falta de apoio pela família ou amigos

Dificuldades para aceitar o recém-nascido, especialmente um bebê não desejado,

Mães de bebês que tiveram de ficar hospitalizados após o parto (prematuridade por exemplo).

A causa permanece desconhecida, porém existem evidências que o problema possa estar relacionado às mudanças, depois do parto, nos níveis de hormônios como o estrogênio e a progesterona.

Embora a depressão pós-parto possa afetar seriamente o bem-estar da paciente e seu bebê, menos que 50 por cento das mulheres com depressão pós-parto buscam tratamento médico, seja por não verem o problema como uma doença "real" ou por terem vergonha de seus sintomas.

Quadro Clínico

Insônia (problemas para dormir),
Choro fácil,
Diminuição da vitalidade,
Ansiedade sem uma causa clara,
Preocupação excessiva, freqüentemente sobre assuntos sem importância,
Cansaço extremo que vai além do normal, relacionada ao recém-nascido.
Uma sensação de estar "no limite"
Tristeza, desesperança, baixa auto-estima, sensação de inutilidade e culpa.
Obsessões e compulsões, especialmente sobre a saúde do bebê e seu bem-estar,
Perda de interesse em atividades antes prazerosas, até mesmo a atividade sexual.
Problemas para cuidar de seu bebê.
Alterações no apetite (tanto o excesso quanto a falta).
Dificuldade em se concentrar.
Pensamentos sobre a morte, inclusive suicídio.

Por definição, os sintomas da depressão pós-parto devem estar presentes durante pelo menos duas semanas para cumprirem os critérios para o diagnóstico.

Diagnóstico

O ginecologista irá abordar o problema suspeito por uma série de perguntas sobre a vida da nova mãe e seu bebê na esperança de detectar alguma alteração.

Se o médico acredita que a paciente tem sintomas de depressão pós-parto, e estes sintomas durarem pelo menos duas semanas, ele a encaminhará a um psiquiatra.

O psiquiatra fará a o diagnóstico de depressão pós-parto baseado em critérios clínicos específicos baseados nos pensamentos, sentimentos, ansiedades, padrões de sono, apetite, relações interpessoais e atividades do cotidiano da paciente.

Há ainda a possibilidade dos sintomas serem devidos a uma doença clínica, como a anemia ou o hipotiroidismo. O médico solicitará exames diagnósticos ou encaminhará a mãe a um clínico geral para afastar esta possibilidade.

Prevenção

A mulher grávida pode diminuir seu risco para depressão pós-parto preparando-se com antecedência para as mudanças em seu estilo de vida que a maternidade irá trazer. Não hesite em pedir ajuda de seu parceiro e de outras pessoas que se preocupam com você (família e amigos). Uma gravidez planejada e bem conduzida diminui muito o risco de depressão.

Tratamento

O tratamento da depressão puerperal pode ser conduzida através de:

Psicoterapia

A psicoterapia inclui várias opções de tratamento diferentes. Na psicoterapia cognitiva comportamental o psicólogo pode usar técnicas para ajudar a mãe a desenvolver maneiras mais efetivas de administração da tensão e da ansiedade, como também a adquirir mais amor-próprio. Se os problemas matrimoniais estiverem contribuindo com os sintomas da depressão pós-parto, a ajuda de casais no aconselhamento pode ajudar os novos pais a aprender a comunicar-se melhor e trabalhar uma forma mais confortável de compartilhar os cuidados do bebê.

Medicamentos antidepressivos

É o principal grupo de medicamentos no tratamento da depressão pós parto e incluem:

Quando os sintomas de depressão pós-parto são leves, eles podem melhorar só com psicoterapia, mas se forem mais severos, quase sempre vão precisar de um antidepressivo. Como alguns antidepressivos podem se concentrar no leite, o psiquiatra irá escolher aquele que seja seguro para o bebê, se a mãe estiver amamentando.

Qual médico procurar?

O próprio ginecologista que acompanhou o pré-natal e que deu assistência ao parto pode diagnosticar e recomendar um psiquiatra para dar continuidade ao tratamento. A mãe que começa a notar alterações compatíveis com a depressão pós-parto especialmente ansiedade, sentimentos de intensa tristeza ou desesperança, ou dificuldade para dormir; ou que tem dificuldades em aceitar seu novo bebê, deve procurar seu médico imediatamente.

Prognóstico

Sem tratamento, os sintomas duram normalmente de três a catorze meses.

O prognóstico é excelente, considerando que a maioria das mães com depressão pós-parto se recupera por completo, principalmente se a doença é diagnosticada e tratada precocemente.

Como aproximadamente 50 por cento das mulheres que recuperam da depressão pós-parto desenvolvem a doença em gravidezes futuras, alguns médicos recomendam o uso profilático de antidepressivo imediatamente após o parto para evitar este risco.

Fonte: www.policlin.com.br

Depressão pós-parto

Sintomas

Desânimo insônia, apatia, falta de alegria, de apetite (algumas pessoas tem aumento de sono e de apetite), de desejo sexual, falta de vontade até mesmo de fazer coisas simples tipo tomar banho, assistir televisão ou ler um jornal. Ou seja, basicamente uma diminuição geral do nível de energia da pessoa. Ocorrem pensamentos pessimistas e repetitivos que não saem da cabeça.

A pessoa perde o interesse por coisas que gostava de fazer ou por pessoas com as quais gostava de conviver. Parece que não consegue se concentrar numa leitura ou guardar na memória o que leu.

Às vezes aparecem ataques de ansiedade com sudorese, palpitações e tremor, verdadeiros ataques de pânico, o que não quer dizer que você também tenha a Síndrome do Pânico.

Também podem ocorrer Pensamentos Obsessivos: a pessoa sabe que eles não fazem sentido mas não consegue tirá-los da cabeça.

Por exemplo: poderia fazer mal ao bebê, machucá-lo com objetos pontiagudos ou poderia fazer mal a si mesmo. Esses pensamentos podem fazer parte da Depressão e não quer dizer que a pessoa também esteja sofrendo de DOC.

Problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornam tarefas pesadas e difíceis. Coisas que antes eram agradáveis se tornam sem graça. Muitas vezes aparecem pensamentos de "dormir e não acordar mais". Algumas pessoas se sentem como se estivessem separadas do mundo por uma redoma de vidro. Outras não conseguem nem sentir alegria nem tristeza ("sensação da falta de sentimentos").

Como isso ocorre numa época especialmente trabalhosa, com a chegada do bebê, toda essa a sensação de insuficiência e incapacidade é canalizada para pensamentos fixos de que a mãe não se acha apta para cuidar dele, para a culpa por estar dando trabalho a outras pessoas da família e para as auto-recriminações por não conseguir gostar do bebê como deveria. Mais um fator para aumentar a sensação de culpa, é que as pessoas esperam que a jovem mãe esteja muito feliz nessa fase de sua vida, o que não é o caso durante a DPP. Injustamente acusam a paciente com Depressão de ser "temperamental", mimada, imatura ou despreparada para ser mãe, mal acostumada, etc.

A pele pode ficar ruim, os cabelos fracos, as unhas quebradiças, a boca seca, o intestino mais preso ou mais solto.

O que é esta Depressão

De uma maneira bem simples, seu cérebro é formado por inúmeras células que se comunicam entre si através de substâncias químicas chamadas Neurotransmissores e por algum motivo eles não estão "circulando" como deveriam. Por isso você se sente sem pique, com a concentração e a memória fracas, meio "devagar" (algumas pessoas sentem na verdade agitação, ao invés de apatia) e com alguns dos outros sintomas descritos acima.

Fatores predisponentes (mas não obrigatórios, a depressão puerperal pode aparecer sem nenhuma causa também):

Falta de suporte emocional, familiar e social.
Eventos de vida negativos durante a gravidez ou próximos ao parto.
Problemas pessoais, emocionais da mãe com relação à maternidade.
Gravidez não planejada ou não desejada.
Dificuldades conjugais.
Existência de fases depressivas anteriores.
Existência de doenças psiquiátricas durante a gravidez.
Existência de Depressão em pessoas da família.
Problemas da Tireóide.
Ataques de Pânico após a gravidez.
Bulimia ou de Anorexia.

Uma Depressão Puerperal pode acontecer mesmo que a gravidez e o parto tenham ocorrido sem problemas e nem complicações?

Sim. Embora dificuldades pessoais, emocionais, financeiras, médicas da mulher ou do casal aumentem a probabilidade de ocorrer uma Depressão Puerperal, esta também pode ocorrer sem nenhum fator externo, principalmente no caso da mulher ter tido alguma fase depressiva anterior, ou no caso de existirem casos de Depressão em sua família.

Tratamento

A) Antidepressivos: Muitos Antidepressivos podem ser dados sem que haja necessidade de se interromper o aleitamento. Alguns deles podem até mesmo ser tomado durante a gravidez.
B) Psicoterapia:
A Depressão afeta a pessoa como um todo e quase nenhuma doença se restringe apenas ao seu aspecto físico. Principalmente no caso de existirem muitos fatores de psicológicos, ou fatores da vida da mulher que possam estar provocando, piorando ou perpetuando a Depressão, a Psicoterapia de Apoio e Cognitivo Comportamental são úteis.
As sensações de culpa por estar deprimida, por se achar incapaz de cuidar do bebê, as auto-recriminações por não conseguir se sentir feliz podem ser colocadas nas devidas proporções através de uma Psicoterapia, enquanto a medicação fará o metabolismo cerebral voltar ao normal.
C) Tempo para começar a melhorar:
Quase todos os Antidepressivos precisam de 3 a 6 semanas para fazer efeito. Não interrompa o tratamento por não sentir melhora nos primeiros dias.

Para a família

A Depressão não é sinal de fraqueza de caráter e nem passa somente com "pensamento positivo". A pessoa com Depressão geralmente está indecisa com.

Alguém tem que tomar decisões inclusive para iniciar o tratamento. Ás vezes é necessário pedir ajuda a uma mulher da família, enfermeira ou babá, pois a paciente pode não estar em condições de cuidar do bebê até melhorar da Depressão.

Observações

Algumas vezes o primeiro remédio não produz resultado. Isso não quer dizer que seja um caso grave. Na maioria das vezes basta trocar de medicação.

Mesmo que você já esteja se sentindo bem, não interrompa a medicação. Seu médico deve decidir quando diminuir, interromper ou trocar de medicação.

Decisões importantes com relação a problemas atuais de sua vida devem ser tomadas depois da Depressão ter melhorado. No momento todos os seus pontos de vista estão pessimistas e você pode tomar decisões que não tomaria se não estivesse deprimida.

Uma dúvida freqüente é se a Depressão pode voltar. Pode. A probabilidade de ter uma Depressão após o próximo parto é muito grande. Fora de uma gravidez ou de um período Puerperal também existe o risco, mas é menor.

Se quando parar ou diminuir a dose do antidepressivo os sintomas da Depressão voltarem, não quer dizer dependência da medicação, mas sim que ainda não era hora dessa parada. Antidepressivos não criam dependência. A Depressão é que algumas vezes exige tempo de tratamento mais longo.

Fonte: www.mentalhelp.com

Depressão pós-parto

A depressão pós-parto tem as mesmas características de uma depressão normal, ou seja, a pessoa sente uma tristeza muito grande de caráter prolongado, com perda de auto estima, perda de motivação para a vida, podendo até mesmo tentar o suicídio.

Em casos mais graves da depressão pós-parto, algumas mulheres apresentam tendência ao abandono do recém nascido ou mesmo ao seu extermínio.

Fisicamente, sintomas como alterações gastroinstestinais, com ressecamento de boca, de intestino, dores de cabeça, insônias podem ser indícios de uma depressão. Para ser considerado depressão pós-parto é necessário que ela ocorre até o sexto mês após o parto. Essa depressão é prolongada e normalmente necessita de medicamento e acompanhamento psiquiátrico para controlar, pois não é um caso autolimitante.

Conseqüências

Médicos e familiares devem ficar bem atentos aos sintomas para não se confundirem no diagnóstico. No período pós-parto inicial é comum à mulher passar por um quadro de depressão leve, que não traz maiores conseqüências.

Na literatura americana essa depressão leve é denominada de "blues post partum" e atinge 50% das mulheres. Nesses casos o que ocorre é uma vontade de chorar, um "baixo astral" que começa entre o segundo e o quarto dia após o parto e é auto limitante, logo melhora. Não existe um tempo determinado de duração, geralmente vai de 4 a 5 semanas.

A possibilidade de um "blues post partum" evoluir para um quadro de depressão pós-parto propriamente dito é mínima.

Um caso típico de depressão pós-parto já começa com características mais severas.

Indícios

Saber se a mãe terá ou não depressão após o parto, antes do nascimento do bebê é muito difícil. As mulheres com tendência depressivas anterior à gravidez requerem mais atenção dos familiares. A situação da gestação também é um fator a ser avaliado. Uma gravidez rejeitada, ou uma gestação em que houve problemas mais sérios a nível pessoal pode provocar uma associação do problema com o bebê. Tais fatores também podem desencadear um quadro depressivo caso a mãe acredite que a gravidez foi um mal. Depois do nascimento o que tem de ser observado é a intensidade dos sintomas.

Não existe um trabalho específico para prevenção de depressão pós-parto, mas o pré-natal, além de orientar a mãe e prevenir uma série de doenças e problemas com a mamãe e o bebê, também serve como prevenção de uma depressão pós-parto. Durante o pré-natal os médicos procuram dar segurança à mãe tanto em termos orgânicos como psicológicos. Fazendo com que a gravidez da paciente seja tranqüila e com um grau de informação significativo, considera-se que o pré-natal é um fator de prevenção contra a depressão pós-parto.

A depressão pós-parto tem as mesmas características de uma depressão normal, ou seja, a pessoa sente uma tristeza muito grande de caráter prolongado, com perda de auto estima, perda de motivação para a vida, podendo até mesmo tentar o suicídio.

Em casos mais graves da depressão pós-parto, algumas mulheres apresentam tendência ao abandono do recém nascido ou mesmo ao seu extermínio, afirma.

Fisicamente, sintomas como alterações gastroinstestinais, com ressecamento de boca, de intestino, dores de cabeça, insônias podem ser indícios de uma depressão. Para ser considerado depressão pós-parto é necessário que ela ocorre até o sexto mês após o parto. Essa depressão é prolongada e normalmente necessita de medicamento e acompanhamento psiquiátrico para controlar, pois não é um caso autolimitante.

Afeta 1 em 10 mulheres

Constatando-se a presença da maioria desses sintomas, é importante que se procure um profissional, ou que seja comunicado ao obstetra para que esse providencie o encaminhamento.

Choro incontrolável
Perda de memória
Falta de interesse no bebê
Irritação
Insônia
Sentimento de culpa
Medo de machucar o bebê ou se machucar
Fadiga
Tristeza constante
Alterações de humor exageradas
Confusão
Falta de concentração
Distúrbios de sono ou apetite

A incidência da Depressão no pós-parto é elevada chegando a percentual de 10 a 15% nas mulheres que amamentam. O período de maior incidência está em torno dos primeiros dias do pós-parto, mas esses números são confusos quando se tenta estabelecer diferenças entre Tristeza Materna (Maternity Blues), Depressão Pós-Parto e recorrência de Transtornos Bipolar no puerpério.

A Psicose Puerperal é um quadro delirante, freqüentemente alucinatório, grave e agudo que aparece do segundo dia a 3 meses depois do parto. Atualmente se observa no CID.10 (Classificação Internacional de Doenças) uma tendência à considerá-la, juntamente com a Depressão Pós-parto, como um tipo de Transtorno do Humor, iniciada ou precipitada pelo puerpério.

É prático dividir as alterações psíquicas mais comuns do puerpério em três tipos; a Tristeza Materna (Maternity Blues), a Psicose Puerperal e a Depressão Pós-parto (Cutrona, 1982). A Tristeza Materna atinge até dois terços das puérperas, desenvolve-se nos 10 primeiros dias de pós-parto e se caracteriza por irritabilidade, depressão, labilidade do humor, choro fácil e indisposição.

Sua diferença com Depressão Pós-parto, apesar de não ser bem esclarecida pelos autores, parece ater-se ao grau de severidade e à evolução, bem menor e mais breve (Hapgood, 1988). Nossa opinião pessoal não é assim, e o curso e época de maior incidência entre esses dois quadros parecem ser muito diferentes.

Estudos epidemiológicos têm estimado que mais de 80% das mulheres em idade reprodutiva, de modo geral, experimenta algum sintoma de humor deprimido. A Tristeza Materna (Blues), por sua vez, apresenta uma prevalência de 25 a 85%, dependendo do critério diagnóstico utilizado.

Sintomas desta síndrome se iniciam logo nos primeiros dias do pós-parto, diminuindo pelo décimo quinto dia e se resolvendo logo depois. Uma das características de diagnóstico para Tristeza Materna é que seus sintomas característicos não devem ser considerados suficientes para causar sérios danos para o funcionamento da mulher. E isso é diferente da Depressão Pós-parto. Em algumas mulheres, no entanto, o transtorno inicialmente tido como Tristeza Materna persiste, evoluindo para um quadro mais grave de Depressão Pós-parto.

Entre os quadros de depressão iniciada no puerpério (Tristeza Materna, Depressão Pós-parto, Episódio Depressivo Grave), aquela com características de um Episódio de Depressão Maior apresenta uma prevalência entre 10 e 20%, considerando as mulheres que apresentam sintomas nas primeiras semanas depois do parto. Os casos mais leves duram em torno de 30 dias, e se resolvem espontaneamente, e os mais graves persistem até por dois anos. Os critérios são os mesmos para um episódio de depressão maior, com uma predominância de sintomas disfóricos.

Rodrigo Pessanha

Maria Valésia

Marcela Bernardes

Ailton Desidério

Fonte: www.boasnovas.tv

Depressão pós-parto

Quem tem medo da Depressão pós-parto

O pós-parto ou puerpério é o período que vai desde o momento em que o bebê acaba de nascer até a volta do organismo da mulher às condições anteriores à gestação.

Mas como nada volta a ser exatamente igual a antes, muitos dizem que pós-parto como filho: para sempre. Assim, consideremos os primeiros meses após o nascimento de um filho, nos quais a mulher se recupera da gravidez e parto e inicia o exercício do papel de mãe. Diferentemente da gravidez, tempo em que as mudanças são lentas, as do pós-parto são bruscas.

A barriga esvazia-se, não voltando, contudo, ao que era antes da gravidez e sim ficando ainda aumentada e flácida. Pode haver uma cicatriz de um parto cirúrgico ou de um parto natural com corte ou laceração do períneo. Há grandes mudanças hormonais. As mamas estão muito aumentadas, a mulher está perdendo, pelo órgão reprodutor feminino, os lóquios, uma secreção sanguinolenta, parecida com a menstruação. O sono está interrompido pela amamentação, e há o cansaço natural das tarefas dos cuidados com o bebê e a casa.

As relações familiares e sociais podem ser fonte de conflitos. O pai do bebê pode sentir ciúmes desta relação tão íntima do filho com a mãe e, se há outras crianças, provavelmente lutando por mais atenção da mamãe. Há ainda as relações com a própria mãe e com a sogra, que podem estar apoiando a nova mãe, mas também estar minando sua segurança com sugestões explícitas ou disfarçadas de que elas, que já criaram filhos, sabem muito mais o que fazer com o bebê.

Os palpites mais contraditórios possíveis sobre como cuidar do bebê, às vezes, partem de diversos familiares e também de visitas, que podem ser mais uma fonte de cansaço e preocupação.

Tudo isto provoca as emoções mais diversas: felicidade e orgulho, coexistindo com solidão e ciúmes, porque agora todo mundo só tem olhos para o bebê.

Sensação de que só ela, a mãe, sabe lidar com seu bebê e medo e insegurança de não saber cuidá-lo bem. Impotência e raiva quando não consegue entender seu choro e fazê-lo calar-se. Estranheza quando não o acha nada parecido com o que ela imaginava. São sentimentos normais, mas a mulher sente-se culpada, pois eles não correspondem ao mito social da mãe perfeita.

Assim, o pós-parto, em geral, não é período fácil e caracteriza-se por labilidade emocional, mudanças de humor e crises de choro. Podem ocorrer regressões a padrões infantis, como medo de dormir no escuro ou de ficar só em casa. Estas regressões, se eventuais, podem até ser positivas como uma forma da mulher se identificar com seu bebê. Às vezes, a mulher pode ter idéias estranhas, como medo de machucar o bebê ou causar-lhe algum dano. Isto pode ser fruto da falta de sono contínuo no qual possa sonhar. Quer nos lembremos ou não de nossos sonhos, todos nós sonhamos com situações em que causamos ou vemos ser causado algum mal a pessoas que amamos. É a forma que nossa mente usa para elaborar a agressividade natural que sentimos, mesmo em relação às pessoas que mais amamos. Se estes fenômenos emocionais ocorrem apenas ocasionalmente e por um tempo inferior a quinze dias, dizemos que a mulher está vivendo o que chamamos de blues pós-parto (disforia pós-parto) e que é comum à maioria das mulheres.

Se, ao contrário, se prolongam por mais de quinze dias ou se tornam constantes e intensos, estamos em face de uma depressão pós-parto. E aí é necessário que a mulher seja encaminhada para tratamento psicoterápico e medicamentoso.

O blues pós-parto, comum à maioria das mulheres, pode se transformar em depressão, principalmente se a mulher se sente culpada por não estar correspondendo ao modelo socialmente cobrado de mãe perfeita e feliz.

A família, sua rede social e os profissionais de saúde podem ajudar a mulher neste período, compreendendo seus sentimentos contraditórios, não lhe cobrando um modelo de mãe, respeitando sua forma de cuidar de seu filho, incentivando-a a ter confiança em si própria e ajudando-a nas tarefas domésticas e cansativas, deixando-a livre para curtir seu bebê e para as tarefas que só ela pode fazer, como amamentar.

Fonte: www.gestando.com.br

Depressão pós-parto

Durante o parto e a gravidez, as mulheres apresentam uma vulnerabilidade aumentada para os transtornos de humor(O'Hara, Zekoski et al. 1990).

Tipicamente estas alterações se dividem em maternity blues, depressão pós-parto e psicose puerperal. Destes transtornos, o mais prevalente é a Depressão Pós-parto (DPP), que atinge cerca de 10-15% da população, e acarreta conseqüências substanciais para as mães, crianças e familiares (Watt, Sword et al. 2002).

Apesar dos efeitos devastadores deste transtorno, ele ainda é pouco identificado e parece ser comum em todos os grupos étnicos e culturais (Posmontier and Horowitz 2004). Fatores de risco como eventos estressantes, relação marital precária, pouco apoio social, história de depressão ou ansiedade durante a gravidez, história familiar prévia de depressão ou transtorno disfórico pré-menstrual podem tornar determinadas mulheres mais propensas à DPP (Wisner, Parry et al. 2002).

Um estudo realizado anteriormente revelou a magnitude de fatores como depressão ou ansiedade durante a gravidez, história anterior de transtorno mental, eventos estressantes de vida e precário suporte social como fortes fatores de risco, em contraponto com aspectos neuróticos da personalidade, relação conjugal e fatores obstétricos como moderados ou fracos fatores de risco (Robertson, Grace et al. 2004).

A fim de comparar se os fatores de risco para Depressão pós-parto encontrados na literatura são semelhantes aos fatores encontrados na nossa cultura e avaliar diferenças entre os fatores de risco encontradas em mães deprimidas com bebês de idades diferentes, desenvolvemos esta pesquisa, que pode auxiliar na identificação e na prevenção em nosso meio deste fenômeno freqüentemente encontrado no período pós-parto.

Período pós-parto e o aumento do risco para Transtornos Psiquiátricos

Dados epidemiológicos de diferentes paises têm estabelecido que a taxa de prevalência ao longo da vida de depressão é duas vezes mais alta em mulheres do que em homens (Weissman, Bland et al. 1993). Diferenças biológicas propiciam este aumento de prevalência entre as mulheres, dentre elas as alterações hormonais ocorridas em diversas fases da vida sexual feminina, como o período puerperal.

A distinção entre alterações esperadas no período pós-parto na maioria das mulheres e o surgimento de transtornos mentais que ocorrem nesta época é de particular importância. Para muitas mulheres, ser uma boa mãe significa assegurar ao bebê um ambiente seguro e uma relação harmoniosa. No entanto, algumas mulheres experimentam esta fase com ambivalência, dúvidas em relação ao seu corpo, sua saúde e à saúde do bebê, além de ansiedade antecipatória em relação ao seu estilo de vida e após o nascimento da criança.

Desde o tempo de Hipócrates, a relação entre o período pós-parto e alterações de humor tem sido notada (Miller 2002). Aproximadamente 12,5% de todas as internações psiquiátricas em mulheres ocorrem no primeiro mês do pós-parto e há, nesta fase, um risco maior de serem admitidas em hospital psiquiátrico do que em qualquer outro período ao longo da vida (Kendell, Chalmers et al. 1987). Embora alguns estudos não demonstrem taxas distintas de doenças afetivas no pós-parto e em mulheres não puérperas (Kumar and Robson 1984; O'Hara, Schlechte et al. 1991), a ocorrência de determinados transtornos no período puerperal está bem estabelecida. O que não está totalmente esclarecido é se estes transtornos seriam entidades clínicas distintas ou doenças já conhecidos com ocorrência no período puerperal (Robling, Paykel et al. 2000).

Delimitando o Período Pós-parto e a Depressão Puerperal

O Período pós-parto divide-se em Pós-parto imediato (1º. ao 10º. dia pós-parto), pós-parto tardio (10º ao 45º. dia) e pós-parto remoto (além do 45º. dia). No primeiro, predominam os fenômenos catabólicos e involutivos das estruturas hipertrofiadas e hiperplasiadas da prenhez, depois surge um período de transição onde as funções começam a ser influenciadas pela lactação, e por último o período remoto, com duração pouco delimitda.

Neste processo estão envolvidas as manifestações involutivas e de recuperação da genitália materna ocorridas após a gravidez. No entanto, considera-se que estas fases têm limites imprecisos e são cronologicamente variáveis (Rezende, 2003). De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA), o diagnóstico de Depressão Pós-parto requer um episódio depressivo maior iniciando nas primeiras quatro semanas após o parto. Portanto, casos que não podem ser claramente estabelecidos dentro deste período seriam excluídos. Uma vez que vários estudos têm demonstrado a ocorrência de depressão iniciando mesmo após esta fase, os pesquisadores consideram atualmente um período de tempo maior que o primeiro mês. Um autor sugere considerar apenas os casos que iniciam dentro de no máximo três semanas após o nascimento da criança (Brockington, Cernik et al. 1981).

Por outro lado, Arenstein considera que os transtornos mentais podem surgir dentro do período de seis meses após o parto (Arentsen 1968). Em outra pesquisa, alguns autores argumentam que se o critério de início é a admissão ou contato hospitalar, o ponto de corte mais apropriado seria o de 90 dias (Kendell, Chalmers et al. 1987). Em estudo posterior, os autores constataram que em aproximadamente 41% dos casos, a depressão se inicia dentro das primeiras 28 semanas (Wisner, Perel et al. 2004). Para muitas mulheres, a depressão remite em dois a três meses, porém os sintomas podem continuar pelo primeiro ou segundo ano pós-parto (Horowitz and Goodman 2004). Uma pesquisa salientou a importância de se identificar sintomas depressivos, particularmente durante os seis primeiros meses após o nascimento do bebê (Stowe, Hostetter et al. 2005).

Para assegurar a correta identificação dos casos, os autores tendem a considerar os limites da depressão pós-parto entre três e doze meses. (Kendell, Chalmers et al. 1987; Miller 2002).

Um estudo de meta-análise revelou que cerca de 5.0% dos casos iniciam após o terceiro mês pós-parto, e sugere que a definição de DPP deveria ser expandida para incluir mulheres com início tardio, ao longo do primeiro ano após a parto (Goodman 2004). Esta definição é a mesma considerada pela Marcé Society, importante organização internacional que se dedica ao estudo de transtornos mentais do período pós-parto (The Marcé Society, 2003).

Classificação dos Transtornos Psiquiátricos no Período Puerperal

A classificação e a natureza dos transtornos mentais que ocorrem no período puerperal ainda é motivo de controvérsia (Hays and Douglass 1984). Alguns autores consideram-nos como transtornos mentais já reconhecidos ocorrendo acidentalmente nesta época (Robling, Paykel et al. 2000). Relatos anteriores descrevem a DPP como uma ”depressão atípica”, ou uma forma moderada de depressão, resultando em uma ausência de sintomas neurovegetativos “clássicos” e ideação suicida (Stowe and Nemeroff 1995).

Para muitos autores, as alterações que ocorrem nesta fase geralmente se classificam em três tipos:

Maternity blue:

O Blues materno é uma condição comum, que afeta cerca de 30-75% das mães (O'Hara, Neunaber et al. 1984). Um estudo realizado demonstrou que os sintomas tendem a aumentar no segundo dia pós-parto até o sexto dia, quando começam a diminuir (Beck, Reynolds et al. 1992). Os sintomas incluem irritabilidade, labilidade do humor, ansiedade generalizada e alterações de sono e apetite. Este transtorno tem resolução em dias e não requer tratamento farmacológico, apenas apoio (Pitt 1973). Esta condição não parece estar relacionada com história psiquiátrica, estressores psicossociais, contexto cultural, lactação ou paridade (Hapgood, Elkind et al. 1988). Estes fatores, no entanto, podem influenciar o surgimento de Depressão pós-parto (Miller 2002). Cerca de 20% das mulheres que apresentam blues parecem estar mais predispostas a desenvolver um episódio de depressão maior no primeiro ano de pós-parto (O'Hara, Schlechte et al. 1991; Campbell, Poland et al. 1992).

Psicose Puerperal

A Psicose Puerperal é uma condição incomum, surge em cerca de 0,1 a 0,2% da parturientes, inicia-se dentro das quatro primeiras semanas após o parto e se constitui uma emergência médica. Há um grande risco para a mãe e seu bebê, em virtude das características psicóticas do quadro. O início dos sintomas é rápido e geralmente ocorre nas primeiras duas semanas após o parto. Os sintomas presentes incluem elação do humor ou depressão, comportamento desorganizado, humor lábil, delírios e alucinações ((Brockington, Cernik et al. 1981). Estudos prospectivos têm demonstrado que a maioria das mulheres com psicose puerperal apresentam posteriormente Transtorno Bipolar do Humor (Kumar and Robson 1984; Kumar 1994; Okano, Nomura et al. 1998; Robling, Paykel et al. 2000).

Os fatores de risco para psicose pós-parto são principalmente genéticos e biológicos, e as causas psicossociais e demográficas parecem ser secundárias (Brockington, Oates et al. 1990; Jones and Craddock 2001).

Devido à natureza dos sintomas psicóticos, as mães têm elevado risco de negligenciar seus filhos, ou mesmo de obedecer às alucinações e delírios deste transtorno (Attia, 1999). A psicose puerperal requer hospitalização para o tratamento (Nonacs and Cohen 1998). Apesar do prognóstico e evolução favoráveis, estas mulheres estão sob risco de desenvolver posteriormente um episódio não-puerperal de Transtorno Afetivo Bipolar (Schopf, Bryois et al. 1984).

Depressão Pós-Parto (DPP)

A Depressão Pós-Parto (DPP) é uma condição séria e comum que ocorre algumas semanas após o parto. Esta condição afeta seriamente a mãe, o bebê e a dinâmica familiar e a mãe torna-se incapaz de reconhecer e responder às exigências do seu filho, com prejuízo na relação mãe-bebê (Beck 1996). Se não há o reconhecimento precoce ou quando indevidamente tratada, a DPP causa conseqüências negativas para toda a família. (Horowitz and Goodman 2004). Para as mães, este transtorno pode predispor futuros episódios depressivos e para a criança, pode haver alterações cognitivas, comportamentais, emocionais ou interpessoais mesmo tardias (Robinson & Stewart, 2001).

Depressão Pós-parto: Aspectos clínicos e diagnóstico

Prevalência:

De todas as complicações psiquiátricas que ocorrem após o parto, a mais comum é a Depressão Pós-Parto.

Esta condição representa um importante problema de saúde pública.

A prevalência encontrada de DPP difere entre os diversos estudos. O método utilizado, o período de avaliação e a população envolvida podem apresentar diferentes taxas de prevalência. Outro fator relevante é o ponto de corte utilizado pelas diferentes escalas. Em relação à DPP, taxas tão distintas quanto 9,1%-38,2% de prevalência foram encontradas no primeiro semestre, e uma variação 8,1%-18% na prevalência de DPP no segundo semestre pós-parto (Goodman 2004).

Uma meta-análise realizada em 1996, incluindo 59 estudos e considerando uma população de mais de 12.000 indivíduos, encontrou uma taxa de DPP de 13% (O’Hara, 1996). Este estudo se baseou em sintomas que ocorriam depois da segunda semana pós-parto e considerou escalas validadas ou padronizadas para avaliar os quadros depressivos.

No entanto, quando se considera o período de prevalência ou o número de mulheres que experimentam sintomas depressivos em algum tempo durante os doze primeiros meses após o parto, este número se eleva consideravelmente. Taxas de 24% (Kumar and Robson 1984) a 27.3% (Matthey, Barnett et al. 2000) foram encontradas durante este período. Em uma meta-análise realizada avaliando-se a literatura referente à persistência dos sintomas ao longo do tempo, Goodman (2004) considera que, para algumas mulheres, a depressão pós-parto pode permanecer além do primeiro ano pós-parto, tornando-se prolongada ou crônica.

No Brasil, os estudos realizados encontraram taxas de 12% (Da-Silva, Moraes-Santos et al. 1998), 13.4% . Uma avaliação de prevalência de DPP e Depressão Menor em puérperas do Programa de Saúde da Família revelou uma alta taxa de 37,1%, justificada pelos autores pelo perfil de baixa renda das entrevistadas. Recentemente, um estudo envolvendo 113 mães avaliadas com o Inventário de Beck demonstrou uma prevalência de 15,9% das puérperas com sintomatologia depressiva (Faisal-Cury, Tedesco et al. 2004).

A maioria dos estudos envolve mulheres na faixa etária de 18 anos ou mais. Porém, pesquisas realizadas demonstram que a prevalência em mães adolescentes é bem maior. Troutman (Troutman and Cutrona 1990), avaliando mães com idade entre 14 e 18 anos, demonstrou uma taxa de aproximadamente 26% (n=128). Entretanto, nesta população podem existir fatores de riscos comuns à DPP e à gravidez na adolescência, possibilidade ainda não totalmente esclarecida.

Sintomatologia

Uma história detalhada e avaliações psicossociais podem auxiliar na identificação da DPP. Conhecer os fatores de risco e os sintomas pode detectar precocemente a DPP nas mulheres, estimulando a procura pelo tratamento. Por outro lado, é necessário avaliar os sintomas em relação à particularidade do período, uma vez que perda de peso e alterações em sono são sintomas comuns em mulheres no período pós-parto, nem sempre refletindo um quadro depressivo.

Fazer a correta distinção entre sintomas associados a uma depressão daqueles sintomas que ocorrem naturalmente no período pós-parto é um desafio. Isto é particularmente verdadeiro em relação aos sintomas somáticos, que são habitualmente encontrados nesta fase (Nonacs and Cohen 1998). Outros fatores que podem dificultar a identificação do quadro é a presença de fatores clínicos como anemia, disfunção tireoideana e diabetes (Pedersen, Stern et al. 1993).

Como considerado anteriormente, a Depressão pós-parto inicia-se dentro dos doze primeiros meses após o nascimento da criança. Para algumas mulheres, o blues materno pode permanecer e se tornar mais grave posteriormente. Em outras mulheres, os sintomas iniciais podem diminuir até relativo bem-estar com surgimento posterior de sintomas depressivos.

Sintomas de depressão pós-parto são semelhantes aos de uma depressão não relacionada com o puerpério, excetuando-se os aspectos relacionados com o parto ou o bebê (Wisner, Parry et al. 2002). Alguns estudos epidemiológicos e clínicos não consideram a sintomatologia significativamente diferente daquelas que ocorrem em outros períodos de vida das mulheres (Kumar and Robson 1984; O'Hara, Schlechte et al. 1991; Cox, Murray et al. 1993).

Os sintomas de DPP incluem medo, labilidade emocional, sentimentos de culpa, perda de apetite, alterações de sono, ou sensação de incapacidade de lidar satisfatoriamente com o bebê, dificuldades em memória e concentração, fadiga e irritabilidade. Algumas mulheres podem se preocupar excessivamente com a saúde dos seus bebês, ou se perceberem como más, inadequadas ou mães pouco amorosas (Robinson, Drotar et al. 2001).

Diagnóstico

Os sistemas classificatórios mais utilizados para os transtornos psiquiátricos são o Diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria (APA) e Manual Estatístico de Doenças Mentais (DSM-IV, 1994) e a Classificação Estatística Internacional de Doenças (CIX- 10).

Atualmente o diagnóstico de DPP é feito com base em sintomas de Depressão Maior que se iniciam nas primeiras quatro semanas após o parto (APA, 2004).

Não existe, portanto, uma classificação distinta deste transtorno, devendo ser diagnosticado como parte de Transtornos Afetivos ou de Humor nos sistemas anteriormente citados (DSM-IV e CID-X). O DSM-IV solicita ainda que seja especificado “com início no pós-parto” para diferenciar quadros depressivos e psicóticos que ocorrem dentro das primeiras quatro semanas após o parto. Na CID-X, similarmente, o episódio deve ser diagnosticado dentro de uma categoria principal, especificando a sua associação com o período puerperal (World Health Organization, 1993).

De acordo com os critérios diagnósticos psiquiátricos (APA, 2000), a principal característica da DPP é uma depressão que ocorre por pelo menos duas semanas durante a qual uma mulher tem humor depressivo ou perda de interesse ou prazer em atividades que eram antes prazerosas.

Outros sintomas depressivos devem estar presentes diariamente em número não inferior a quatro, como perda/ganho de peso, alteração em apetite, insônia ou hipersônia, agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia sentimento de culpa e diminuição na capacidade de pensar ou concentrar-se, recorrentes pensamentos de morte com sem planejamento suicida. Quando perda de prazer ou de interesse estão presentes, são exigidos apenas três sintomas adicionais para o diagnóstico. Alguns autores consideram o predomínio da ansiedade, agitação e pensamentos recorrentes como um Transtorno Obsessivo-Compulsivo pós-parto, e não como um subtipo de DPP (Sichel e Driscoll, 2000).

Em muitas mulheres, a DPP remite entre dois a três meses pós-parto (Beeghly, Weinberg et al. 2002). No entanto, a depressão pode continuar ao longo do primeiro ou segundo ano da criança (Josefsson, Berg et al. 2001). Um estudo realizado por Horowitz e Goodman (2004) demonstrou que cerca de um terço das mulheres que apresentaram sintomas de DPP no primeiro mês continuavam deprimidas até dois anos após o parto. Portanto, o curso da DPP pode evoluir até 24 meses após o nascimento da criança.

Os critérios diagnósticos do DSM-IV-R (2002) para Episódio Depressivo Maior são os seguintes:

A. No mínimo cinco dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento anterior, pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer:

1) Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo(por exemplo, sente-se triste ou vazio) ou observação feita por terceiros (por exemplo, chora muito).
2)
Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas as quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjetivo ou observação feita por terceiros).
3)
Perda ou ganho significativo de peso em estar em dieta (por exemplo, mais de 15% do peso corporal em um mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias.
4)
Insônia ou hipersônia quase todos os dias.
5)
Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não meramente situações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento).
6)
Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.
7)
Sentimento de inutilidade ou de culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias (não meramente auto-recriminação ou culpa por estar doente).
8)
Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita pelos outros).
9)
Pensamento de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

B. Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto.

C. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

D. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por exemplo, droga de abuso ou medicamento) ou de uma condição médica geral (por exemplo, hipotireoidismo).

E. Os sintomas não são mais bem explicados por Luto, ou seja, após perda de um ente querido, os sintomas persistem por mais e dois meses ou são caracterizados por acentuado prejuízo funcional, preocupação mórbida com desvalia, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor.

O sistema classificatório da Organização Mundial de Saúde (1993), a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10, considera a DPP uma Síndrome comportamental associada a um transtorno fisiológico ou fator físico, codificando-a como F53.0, sob a denominação “Transtornos mentais e de comportamento, leves, associados ao puerpério, não classificados em outros locais”. Esta classificação deve ser utilizada quando os sintomas tiveram início dentro das seis primeiras semanas após o parto, e quando aspectos clínicos adicionais estão presentes.

Instrumentos para avaliação da depressão pós-parto

Três formas principais formas são utilizadas na avaliação de depressão em puérperas: entrevistas clínicas, instrumentos de auto-avaliação e medidas padronizadas de depressão. Cada um destes procedimentos apresenta vantagens e desvantagens.

As entrevistas clínicas semi-estruturadas geram diagnósticos a partir da análise de sintomas psicopatológicos. É certo que este procedimento aumenta a confiabilidade (reliability) do diagnóstico, possibilitando inclusive a interpretação do quadro em termos de gravidade. No entanto, o custo e o tempo necessários para a entrevista podem impossibilitar a avaliação de grande número de indivíduos.

Medidas padronizadas de depressão como o Inventário de Depressão de Beck II (BDI) (ATBeck, 1996), o Strutural Classification International Diagnostic (SCID) ou Questionário de Saúde Geral (GHQ) detectam mulheres deprimidas, porém no período pós-parto pode ocorrer uma supervalorização dos sintomas.

O BDI II tem sido usado para determinar sintomas de DPP, entretanto as escalas utilizadas para identificar sintomas de depressão podem refletir valores pertinentes não à depressão em si, mas a problemas clínicos que são esperados nesta fase, causando uma elevação nos escores, e parecem avaliar melhor a gravidade dos sintomas do que possibilitar uma identificação inicial dos casos de DPP (Horowitz and Goodman 2005).

Em relação às escalas de auto-avaliação, estas vêm sendo utilizadas frequentemente na prática clínica e em pesquisas. A primeira delas foi um questionário de 19 itens, idealizado por Braverman e Roux, em 1978. Contudo, não há informações sobre a sua especificidade ou valor preditivo. Vários autores sugeriram outras escalas, porém com diferentes especificidades, valores preditivos ou sensibilidades (Webster, Pritchard et al. 2003). Recentemente, uma proposta de uma escala simples, o Brisbane Postnatal Predictive Index, para propósito de pesquisa, foi introduzida e se apresentou eficaz na identificação de DPP, revelando uma aplicação simples para detectar grupos de alto risco para depressão (Webster, Pritchard et al. 2003).

No Brasil, duas escalas para rastreamento de DPP foram validadas: O PDSS (Beck and Gable 2001), com especificidade de 95,2%, sensibilidade valor preditivo positivo de 75,0% e valor preditivo negativo de 99,0% foi traduzida e validada na nossa população por Cantilino (2002), demonstrando ser um instrumento de avaliação promissor. Esta escala constitui-se em uma escala de avaliação tipo Likert, ou seja, contém itens com níveis de intensidade. Mensura através de 35 itens os sintomas com graus variados de intensidade.

A Escala de Depressão Pós-parto de Edinburgh (EPDS) é um questionário com 10 itens e tem sido amplamente utilizado em variadas culturas, demonstrando ser um instrumento útil para detectar mulheres sob risco de apresentar depressão pós-parto. Idealizada por Cox, em 1987 (Cox, Holden et al. 1987), ela é de fácil aplicação e pode ser utilizada por profissionais de saúde de diversas áreas.

De todas as escalas, no entanto, a mais amplamente utilizada nos estudos é a escala Edinburgh Pos-natal Depression Scale (EPDS), instrumento desenvolvido na Grã-Bretanha em 1987(Cox, Holden et al. 1987). Desde então, vários países realizaram estudos a fim de estebelecer a sua validade (Des Rivieres-Pigeon, Seguin et al. 2000; Teissedre and Chabrol 2004; Adouard, Glangeaud-Freudenthal et al. 2005; Milgrom, Ericksen et al. 2005; Teng, Hsu et al. 2005). Esta escala é composta de 10 itens, com pontuações de 0 a 3, de acordo com a intensidade dos sintomas. Utiliza um ponto de corte de 12 a 13 pontos e cada resposta pode variar de 0 (zero) para ausência de sintomas a 3 (três), para maior gravidade e duração dos sintomas. Portanto, a pontuação pode ser encontrada de 0 a 30, de acordo com a gravidade do quadro. Em paises desenvolvidos, ela tem sido utilizada para pesquisas diagnósticas e epidemiológicas.

Em paises subdesenvolvidos, por sua simplicidade e possibilidade de ser utilizada por profissional não especializado em saúde mental, pode ser particularmente útil em locais com condições sociais adversas, facilitando a rápida identificação e intervenção em tais quadros (Almeida Filho, 1987). No Brasil, esta escala foi traduzida e validada por Santos, em um trabalho envolvendo mulheres entre as 6ª e 24ª semanas pós-parto. Foram investigadas 236 mulheres e 69 como subamostra em uma região do Distrito Federal. O ponto de corte com maior sensibilidade e especificidade foi de 10/11, no entanto, os autores demonstraram a eficácia do instrumento em discriminar casos de depressão pós-parto e encontraram que a pontuação de 11/12 como mais útil em se tratando de encaminhamento para avaliação por profissional de saúde mental por ter índice preditivo maior (Da-Silva, Moraes-Santos et al. 1998)

Depressão menor X Depressão maior: melhor ponto de corte do EPDS

Recentemente, diversos estudos tem sido realizados na tentativa de estabelecer a natureza da depressão que ocorre nas mulheres no período puerperal. De fato, alguns pesquisadores vem tentando identificar sintomas específicos, como sintomas obsessivo-compulsivos nestas mulheres, (Abramowitz, Schwartz et al. 2003; Brandes, Soares et al. 2004). Outros autores estudam características como as particularidades das mulheres que experimentam o primeiro episódio depressivo neste período (Cooper and Murray 1995). Estas considerações são importantes na medida em que fornecem mais conhecimentos acerca destes quadros. O ponto de corte em determinadas escalas pode adicionar conhecimentos principalmente em relação à gravidade dos quadros.

Em uma meta-análise recente onde um dos objetivos foi estabelecer a acurácia dos métodos de rastreamento, os autores avaliaram 109 trabalhos, e revelou que a maioria dos trabalhos considera um escore de 13 ou mais ao se avaliar a depressão maior. No entanto, muitos estudos foram realizados utilizando o escore acima de 8, revelando haver uma considerável quantidade de mulheres com níveis subclínicos de sintomas depressivos. Este achado possibilita fazer uma distinção entre mulheres com depressão com sintomas semelhantes à depressão maior e outras com sintomas mais amenos, mas ainda significativos (Gaynes, Gavin et al. 2005). Na população brasileira, um estudo foi realizado, sendo constatado que na nossa população, o ponto de corte de 12 foi considerado o mais adequado, com sensibilidade de 93,8% e especificidade de 84,6% (Cantilino, 2000).

Etiologia

Fatores genéticos

Os transtornos psiquiátricos são doenças de etiologia complexa, sendo importante considerar que têm múltiplas causas, com diversos fatores contribuindo para o surgimento de determinado transtorno. No caso da DPP, os fatores genéticos são importantes, porém mesmo que o indivíduo apresente uma predisposição genética, é provável que fatores biológicos ou psicossociais necessitem interagir para ocasionar a doença. Uma história familiar positiva para depressão tem sido relatada em estudos prospectivos, retrospectivos e de corte transversal como um fator que aumenta a probabilidade (O'Hara, Neunaber et al. 1984; O'Hara, Schlechte et al. 1991). Estudos têm demonstrado ainda que história pessoal de depressão também parece aumentar o risco de DPP (Gotlib, Whiffen et al. 1991; Graff, Dyck et al. 1991; O'Hara, Schlechte et al. 1991).

Fatores biológicos

Teorias hormonais tem tentado explicar a etiologia da DPP. Inicialmente foi proposto que o rápido declínio dos hormônios reprodutivos poderia ser a causa para a patologia afetiva no período pós-parto (Wisner, Parry et al. 2002). Os investigadores postularam que uma modificação abrupta dos níveis hormonais gonadais ou do cortisol ou ainda a influencia de tal modificação na atividade dos neurotransmissores, seria a base para o surgimento da DPP. Muitos hormônios, neurorreguladores e neuroransmissores tem sido estudados na DPP, incluindo estrógenos, progesterona, prolactina, norepinefrina, cortisol, cálcio e adenosina monofosfato cíclico. (Hopkins, Campbell et al. 1987).

Os níveis de progesterona e estrogênios caem rapidamente no período pós-parto, retornando aos níveis normais cerca de três dias após. No período pós-parto, seguindo o declínio do estrogênio, a prolactina, que manteve-se elevada durante a gestação, é bloqueada e o processo de lactação inicia-se. Os níveis plasmáticos de corticosteroides alcança um pico durante o parto, e logo em seguida reduz-se significativamente dentro das primeiras quatro horas após o parto. A função tireoideana retorna aos níveis pré-gravídicos cerca de quatro semanas após o parto. (Rezende,).

Os estudos envolvendo os vários sistemas neurotransmissores tem sido importantes, porém ainda inconclusivos (Llewellyn, Stowe et al. 1997). Apesar da causa para a DPP inicialmente ter sido considerada a redução dos níveis de progesterona ou estrógenos, não se encontrou ainda uma associação consistente (Harris 1994; Hendrick, Altshuler et al. 1998). Block et al (2000) sugeriram recentemente que as mulheres com DPP teriam uma maior sensibilidade aos hormônios reprodutivos, e as alterações hormonais que ocorrem neste período agiriam como um estímulo para tais sintomas. Comparando-se dois grupos de mulheres, com e sem passado de DPP, eles simularam este evento através da administração de um agonista do hormônio gonadotrófico por oito semanas, constatando-se que em algumas mulheres com passado de DPP, esta alteração foi a suficiente para induzir sintomas de alteração de humor.

Tem sido demonstradas alterações semelhantes á depressão primária, como redução do triptofano sérico no quinto ou sexto dia em mulheres com blues materno (Handley, Dunn et al. 1977), e nos seis meses posteriores em mulheres com DPP (Baker, Handley et al. 1981). Este achado é consistente com o papel do triptofano na síntese da serotonina, e na patofisiologia da depressão. No entanto, a administração de triptofano é ineficaz na prevenção de blues materno, sugerindo que não há alteração no seu mecanismo de captação (Harris, Lovett et al. 1994).

Parece haver um aumento da resposta do hormônio do crescimento (GH) à apomorfina no quarto dia do puerpério em mulheres em alto risco de desenvolver psicose pós-parto. Os níveis de GH podem ser utilizados para mensurar a resposta dos neurônios no hipotálamo ou outras áreas cerebrais, particularmente em relação à redução do estrógeno no período puerperal, e assim identificaria mulheres sob risco de desenvolver um episódio psicótico pós-parto.

A função tireoideana vem sendo investigada pela semelhança entre sintomas depressivos e de hipotireoidismo e a alta taxa observada de tireoidite auto-imune na depressão maior e no puerpério (Nemeroff, 1985- antithyroid). Em relação aos marcadores neuroendócrinos, na DPP poucos estudos têm sido avaliados. Dentre eles, constatou-se alterações no cortisol urinário e na supressão da dexametasona em mulheres nesta condição. Há evidências de que mulheres deprimidas apresentam níveis aumentados na excreção urinária de cortisol (O'Hara, Schlechte et al. 1991). No entanto, este achado é difícil de interpretar, uma vez que uma das conseqüências do parto é a ocorrência de hipercortisolemia. A demonstração de alteração no teste de supressão da dexametasona na DPP tem sido controversa (O'Hara, Zekoski et al. 1990), particularmente pela alta taxa de alteração neste teste na primeira semana de pós-parto, e porque outros fatores, como eventos estressantes ou mesmo a presença de elevação de cortisol podem interferir nestes resultados.

Conseqüências para o bebê

Reconhecidamente, a DPP influencia nos cuidados da mulher para com o seu filho: mães deprimidas tendem a perceber seu filho de uma forma mais negativa e considerar mais difíceis os cuidados necessários com o bebê (Newport, Hostetter et al. 2002). Em meta-análise realizada, incluindo 19 estudos, Beck (1995) correlacionou a DPP com dificuldades na interação mãe-bebê. Sendo assim, o comportamento afetivo demonstrado por estas mulheres é menor, elas são menos afetuosas e são mais ausentes na resposta às necessidades infantis do que mães sem sintomas depressivos (Beck 1995).

A duração da amamentação nestas mulheres também apresenta peculiaridades: puérperas com DPP têm maior chance de interromper precocemente a amamentação (Henderson, Evans et al. 2003) e múltiplos estudos relacionam DPP com comportamento materno menos afetivo e mais ausente, intrusivo ou hostil (Horowitz and Goodman 2005).

A depressão na maternidade prejudica também o desempenho cognitivo, emocional, e social da criança. Uma pesquisa realizada sobre o comportamento materno, do bebê e a interação mãe-bebê no terceiro mês e no décimo oitavo mês pós-parto em mães com DPP, demonstrou que dificuldades no comportamento são bastante comuns em crianças de mulheres com depressão, como a ocorrência de alteração na motricidade e forte irritabilidade em bebês durante o período neonatal. Dificuldades em sono, alimentação, comunicação e linguagem reduzidas parecem estar presentes com maior freqüência em filhos de mães com depressão (Righetti-Veltema, Conne-Perreard et al. 2002). Outras características de bebês de mães com DPP incluem alteração na aquisição de peso e maior número de episódios de diarréia (Rahman, Iqbal et al. 2004).

Tratamento

O tratamento da DPP envolve intervenções biológicas ou psicoterápicas ou aconselhamento.

Intervenções Biológicas

Farmacoterapia

Embora haja uma tendência a se utilizar psicofármacos neste período de forma menos intensa (ou seja, com dose e duração de tratamento) do que em outras fases (Jermain 1995; Nonacs and Cohen 1998), a medicação antidepressiva tem se mostrado uma importante ferramenta no tratamento da DPP. Em relação à eficácia, nenhum fármaco parece superior (Brockington 2004). Vários estudos têm sido realizados com diferentes antidepressivos para estabelecer o risco para o bebê durante a lactação, e a imaturidade da barreira hematoencefálica, desenvolvimento hepático e renal incompletos, e outras alterações fisiológicas do lactente nesta época são fatores importantes a serem considerados. No entanto, poucos efeitos adversos têm sido relatados, e, com exceção da nefazodona (Yapp, Ilett et al. 2000), doxepina (Matheson in Brockington) e fluoxetina (Wisner, Parry et al. 2002), estes agentes podem ser administrados com segurança.

FATORES DE RISCO

FATORES DE RISCO EM PSIQUIATRIA: CONSIDERAÇÕES GERAIS

Fatores de risco são condições biológicas e psicossociais que, quando presentes em determinados grupos da população, estão associadas a uma maior probabilidade de desenvolvimento de um determinado transtorno por parte desta população (Valença, 2005).
Fletcher (1996) considera fator de risco um conceito estatístico, definido como a associação entre algumas características do indivíduo, grupo ou ambiente, que aumenta a chance de se desenvolver um resultado adverso mensurável, ou seja, a probabilidade de ocorrência de uma condição particular relacionada ou não à doença.

Classificam-se os fatores de risco de acordo com a possibilidade de redução por métodos de intervenção, portanto modificáveis, ou não-modificáveis, quando as intervenções não são capazes do alterar a probabilidade desenvolvimento da doença. Os fatores de risco modificáveis podem ser objetos de programas de prevenção, reduzindo o número de indivíduos acometidos com determinado transtorno mental.

No caso da depressão pós-parto, um exemplo de fatores de risco que podem ser modificados são algumas dificuldades sócio-econômicas experimentadas pelas mulheres. Fatores de risco não-modificáveis podem ser úteis na avaliação de co-morbidades, recorrências etc. Por exemplo, considerar a ocorrência prévia de um episódio depressivo em mulheres no período pós-parto pode servir de alerta para a ocorrência da DPP, ou mesmo identificar uma possível co-morbidade, como ansiedade ou transtorno obsessivo-compulsivo.

Os fatores de risco devem ser realizados sistemática e regularmente. Apesar de alguns estudos estabelecerem um resultado generalizado, especificidades culturais e temporais podem identificar fatores diferentes para localidades distintas. As doenças psiquiátricas, por suas características etiológicas complexas, influenciadas por aspectos culturais, econômicos, sociais e biológicos, levam a uma variabilidade dos fatores de risco. Considerando-se que o parto cesariano é um fator de risco para a DPP, um país que adota uma campanha visando reduzir este procedimento pode modificar, durante o período da campanha, o número de mulheres depressivas no período pós-parto. Por outro lado, bastante peculiar é o fato de que dar à luz a um bebê do sexo feminino pode ser considerado um fator de risco em comunidades onde a valorização deste gênero é diferente, menor que do sexo masculino.

Estabelecer estudos de fatores de risco em cada comunidade ou país pode auxiliar os pesquisadores e profissionais de saúde a estabelecer melhores programas de prevenção e abordagem mais eficaz, valorizando o raciocínio clínico voltado a problemática de cada paciente.

Os estudos de meta-análise em fatores de risco permite aos autores investigar, de uma forma quantitativa, os resultados dos estudos em questão. Ele traduz em números a força da relação existente entre duas variáveis que foram obtidas em pelo menos dois estudos independentes. O efeito pode variar entre 0 (zero) , que indica ausência de relação entre as variáveis até acima de 1 (hum). Uma forma de medir tais números, ou relevância da relação é através do d de Cohen, com 0.2 indicando uma pequena relação, 0.4 uma relação moderada e 0.8 uma forte relação. Na literatura, o efeito entre os fatores de risco e o surgimento da DPP são da ordem de 0.2 a 0.5, sugerindo que, neste transtorno, os fatores de risco exercem um efeito pequeno ou moderado.

FATORES DE RISCO EM DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Estudos epidemiológicos e de fatores de risco podem diferenciar mulheres sob grande possibilidade de desenvolver DPP, estimulando e possibilitando medidas preventivas nestas populações.

Os fatores de risco em Depressão pós-parto podem ser divididos em fatores não biológicos e fatores hormonais. Um número importante de fatores de risco sócio-culturais tem sido proposto para a DPP, porém os resultados permanecem controversos em muitos casos. No entanto, algumas características influenciam de forma mais provável o surgimento da DPP. História de ansiedade ou depressão na gestação, história pessoal de depressão, apoio social inadequado, relação precária com o cônjuge, eventos de vida estressantes fortes estressores ambientais parecem ser consistentes fatores de risco. Por outro lado, baixo nível sócio-econômico e dificuldades no temperamento do bebê não parecem ser um fator de risco (Nielsen Forman, Videbech et al. 2000; Beck 2001).

Duas importantes meta-análises foram realizadas por O’Hara e Swain (1996) e Beck (2001). O primeiro autor estabeleceu que o principal propósito da meta-análise seria quantificar a relação existente entre a depressão pós-parto e uma variedade de fatores de risco não biológicos ou hormonais.

Ele reuniu 77 estudos, incluindo aproximadamente 12.200 mulheres das seguintes áreas: Europa, América do Norte, Ásia, Japão e Austrália.

Examinando os fatores de risco demonstrados nestes trabalhos, os autores indicaram como consistente fator de risco a depressão durante a gestação. Por outro lado, ansiedade pré-natal, história prévia de depressão, “neuroticismo”, fatores sociais como eventos de vida estressantes e precário suporte social tiveram um moderado efeito em predizer a depressão pós-natal. Uma pequena associação foi encontrada com fatores obstétricos e complicações no parto, relação marital e renda.

Em 2001, Beck avaliou 84 estudos provenientes de países asiáticos, europeus e americanos, chegando à conclusão de que fatores como presença de blues materno, gravidez não planejada ou desejada, estado civil ou sócio-econômico tem pequena importância como fator de risco, enquanto história prévia de depressão, ansiedade ou depressão pré-natal, estresse nos cuidados com o bebê, temperamento infantil, auto-estima, estressores ambientais, suporte social, ou relação com o cônjuge seriam fatores de risco moderados.

Recentemente, uma meta-análise que incluiu os estudos anteriores e avaliou pesquisas mais recentes, revelou que sob alto risco para desenvolver DPP estão mulheres que apresentam ansiedade ou depressão durante a gravidez, ou história prévia de depressão. Incluem também mulheres que recentemente experimentaram eventos estressantes, como perda de emprego, desemprego etc. e suporte social inadequado.

Fatores de risco moderado encontrados foram fatores psicológicos como neuroticismo e relação conjugal problemática. Fatores obstétricos tais como hiperêmese gravídica, complicações variadas no parto e nível sócio-econômico apresentam efeito pequeno, porém significativo. Por fim, esta meta-análise revelou que permanece obscuro o papel da gravidez não desejada ou planejada, trabalho de parto doloroso, complicações no parto, ou parto cesariano como fatores de risco. Estes pesquisadores encontraram ainda que alguns fatores não possam ser considerados como de risco, por exemplo, a idade materna (exceto adolescentes), nível educacional, paridade, e tipo de relação com o companheiro (Robertson, Grace et al. 2004). O sexo do bebê principalmente em se tratando do sexo feminino, parece ser um potencial fator de risco em paises como China e Índia em que ter um bebê do sexo feminino pode ser um fator cultural de desapontamento.

Fatores de risco em DPP: explicitando os fatores contribuintes

Fatores obstétricos

Complicações obstétricas: São dificuldades ocorridas no puerpério, como hiperêmese, pré-eclâmpsia, contrações uterinas prematuras, e problemas relacionados com o parto, como parto cesariano, instrumental, parto prematuro sangramento uterino. Embora postulado como um moderado fator de risco (OHara, 1996), alguns estudos não encontram relação estatisticamente significativa entre os fatores obstétricos e a DPP (Warner, Appleby et al. 1996; Josefsson, Angelsioo et al. 2002).

Parto cesariano: Um estudo realizado encontrou que o parto cesariano aumenta o risco de desenvolver DPP (Hannah, Adams et al. 1992) e outro revelou que este procedimento pode aumentar em cerca de seis vezes o risco de desenvolver DPP (Boyce and Todd 1992). No entanto, em estudos com números de mulheres maior, como os de meta-análise, ou outros estudos realizados,estas taxas não se confirmam. Vários estudos foram realizados e não foi encontrada associação entre o parto cesariano e o surgimento da DPP (Warner, Appleby et al. 1996; Nielsen Forman, Videbech et al. 2000; Johnstone, Boyce et al. 2001).

Parece, portanto, não haver relação entre o tipo de parto e o surgimento da DPP.

Gravidez não planejada/desejada: Apesar de não examinar o sentimento da mãe em relação ao feto, mas apenas as circunstâncias em que a gravidez ocorreu, dois estudos amplos relacionaram os efeitos da prenhez não planejada ou desejada . Beck (1996) encontrou, entre as duas variáveis, um efeito pequeno no surgimento da DPP. Outro estudo envolvendo uma amostra de mais de 2.000 mulheres, revelou um significativa relação entre gravidez não planejada/desejada na sexta semana do pós-parto (Warner, Appleby et al. 1996).

História Prévia de Depressão: Dentre os fatores examinados, um dos mais importantes e significativos fatores de risco foi a história anterior de depressão. Vários estudos tem revelado a forte associação com a DPP (Beck 2001; Johnstone, Boyce et al. 2001; Josefsson, Angelsioo et al. 2002).

Andréia Lígia Vieira Correia

Referências bibliográficas

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Fonte: www.cura.far.br

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