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Diarreia

A Diarreia pode ser definida como um aumento no número de evacuações ou uma diminuição na consistência das fezes. A severidade da Diarreia pode variar muito, sendo a freqüência das evacuações o seu maior indicador. A Diarreia aguda dura de alguns dias a semana, quando ela persiste por mais de duas semanas é chamada de Diarreia crônica e, nestes casos, geralmente reflete uma doença de base.

O problema da Diarreia são as perdas de água e eletrólitos (sais minerais) que ela ocasiona, trazendo o risco de desidratação, principalmente nas crianças pequenas. As crianças são muito mais sensíveis à Diarreia e apresentam um risco maior de desidratação quando comparadas aos adultos.

A coloração da Diarreia não tem influência sobre a gravidade, mas é importante ficar de olho para a presença de sangue ou muco (catarro) nas fezes.

Quando a criança fica sem se alimentar, apenas ingerindo líquidos por mais de dois dias, é possível que as fezes percam a coloração normal e fiquem esverdeadas.

A Diarreia costuma durar de alguns dias até uma semana, independentemente do tratamento. Nunca espere que a consistência das fezes retorne rapidamente ao normal.

A criança em aleitamento materno pode apresentar evacuação após cada mamada, mas a freqüência é variável. Geralmente as fezes de crianças muito pequenas podem ser esverdeadas. Para definir a Diarreia na criança em aleitamento leva-se em conta o seu hábito normal.

Quais são as causas de Diarreia?

A Diarreia geralmente é causada por uma infecção viral que atinge os intestinos. Pode ser causada também por bactérias (ou substâncias produzidas por bactérias e presentes em alimentos contaminados) e parasitas.

Ocasionalmente, algumas crianças podem apresentar alergia a algum tipo de alimento e a ingestão do mesmo pode levar a Diarreia.

Podemos listar as causas de Diarreia:

Infecciosa (vírus, bactéria ou parasita);

Intoxicação alimentar (ingestão de alimento contaminado);

Uso de alguns tipos específicos de antibióticos (como a associação de ácido clavulâmico e amoxacilina);

Sensibilidade a algum tipo específico de alimento.

Quais são os sintomas da Diarreia?

Além das alterações no hábito intestinal da criança (aumento do número de evacuações ou perda da consistência das fezes), o quadro de Diarreia pode ser acompanhado de:

Dor abdominal ou cólica abdominal

Vômito

Febre

O diagnóstico da Diarreia baseia-se na história clínica e, raramente é necessária a realização de algum exame laboratorial.

Como prevenir a Diarreia?

A Diarreia é uma doença contagiosa.

Para prevenção da Diarreia deve-se SEMPRE ter muita atenção nos cuidados de higiene da criança:

Lave sempre as mãos antes de cuidar das crianças, e, principalmente após trocar as fraldas e ir ao banheiro;

Lave sempre as mãos antes de manipular qualquer tipo de alimento;

Utilize sempre água filtrada ou fervida no preparo de alimentos;

Em crianças muito pequenas não se esqueça do cuidado de esterilizar mamadeiras e chupetas.

Estes cuidados devem ser redobrados quando alguém está da casa está com Diarreia para que outras pessoas não se contaminem.

Existe tratamento para a Diarreia?

O principal objetivo do tratamento da Diarreia é a PREVENÇÃO DA DESIDRATAÇÃO.

Logicamente, se a criança já estiver desidratada o tratamento inicial visa corrigir a hidratação, mas posteriormente a manutenção da hidratação, portanto a prevenção da desidratação volta a ser o objetivo principal.

A criança precisa beber quantidade suficiente de líquidos para repor a perda pela Diarreia.

Sempre que a criança apresentar algum sinal de desidratação procure o serviço médico imediatamente.

Os principais sinais de desidratação são:

Boca seca

Choro sem lágrimas

Diminuição da quantidade de urina (por exemplo: sem urinar por mais de 8 horas)

Urina mais concentrada (fica mais escura)

Em crianças menores: fontanela (moleira) deprimida

Irritabilidade

Perda de peso

Olhos encovados

Diminuição da elasticidade da pele.

Caso a criança não esteja desidratada, deve-se dar preferência para a utilização de uma solução de hidratação oral como o Pedialyte 45® (Cloreto de Sódio-Citrato de Potássio - Citrato de Sódio - Glicose), que contem além de água, os sais minerais perdidos na Diarreia. Na fase de prevenção da desidratação ou manutenção da hidratação da criança, alternar esta solução de hidratação com outros líquidos.

A criança com Diarreia têm sede, e esta sede deverá ser satisfeita, para prevenir a desidratação. Nunca faça nenhuma restrição de líquidos quando a criança está com Diarreia.

As soluções de reidratação - Pedialyte 45® (Cloreto de Sódio-Citrato de Potássio - Citrato de Sódio - Glicose) - devem ser oferecidas em pequena quantidade e grande freqüência, para manter a criança hidratada, sempre alternando com demais líquidos (água, chás, sucos). A oferta destas soluções de reidratação em pequenas alíquotas evita a irritação do estômago e, conseqüentemente, vômitos. Deve-se reforçar a oferta de líquidos principalmente após os episódios de evacuação líquida.

ATENÇÂO

As bebidas esportivas (Gatorade®, Marathon®, etc.) não apresentam quantidade suficiente de sódio na sua composição, e devem ser evitadas.

ESSAS BEBIDAS SÃO CONTRA-INDICADAS NA PREVENÇÃO DA DESIDRATAÇÃO POR DIARRÉIA.

EVITE, ainda, o uso de refrigerantes. Mesmo sem gás, a quantidade de açúcar dos refrigerantes é muito alta, e para serem eliminados eles necessitam de água. Sendo assim, ao invés de ajudar a reter água no organismo, essas bebidas podem aumentar a excreção de água.

ANTIBIÓTICOS

geralmente não está indicado o uso de antibióticos na Diarreia aguda, em pediatria. Alguns casos especiais, no entanto podem precisar de antibiótico. Consulte o seu médico para que ele analise o seu caso.

Cuidados com a dieta da criança com Diarreia.

Em primeiro lugar: NUNCA SUSPENDA O ALEITAMENTO MATERNO quando a criança estiver com Diarreia. Aumente a freqüência de aleitamento.

Apenas em casos extremos, quando a criança apresenta vômitos incontroláveis o aleitamento poderá ser retardado por algum tempo, até que a criança seja medicada adequadamente, mas sempre por orientação médica.

Da mesma forma, em crianças menores de um ano de idade, nunca suspenda o leite. Ao contrário, você pode tentar oferecer o leite de maneira mais freqüente, para aumentar a ingestão de líquidos. Não é necessária a diluição do leite em maior quantidade de água nos casos de Diarreia.

De uma maneira geral, não se deve suspender nenhum tipo de alimento nas crianças com Diarreia, uma vez que a aceitação da dieta já estará prejudicada e a desnutrição pode prolongar a Diarreia. Deve-se, entretanto, preferir alimentos como cereais (arroz), batatas, massas, bananas, maças, etc, que sabidamente têm digestão mais fácil. Evite alimentos gordurosos e muito temperados.

Nunca suspenda a alimentação de seu filho durante a Diarreia ou vômitos. Embora a alimentação até possa provocar o aumento do volume da Diarreia, o intestino poderá absorver alguns nutrientes. Isso previne a perda excessiva de peso e ajuda na recuperação mais rápida da infecção.

O que fazer se a criança está vomitando?

Da mesma forma que a Diarreia, os vômitos fazem parte do quadro infeccioso que pode ser causado por vírus ou bactérias.

Se a criança estiver vomitando, ofereça soluções de hidratação oral como o Pedialyte 45® (Cloreto de Sódio-Citrato de Potássio - Citrato de Sódio - Glicose) - em quantidades bem reduzidas, podendo utilizar uma colher de sobremesa.

Se os vômitos persistirem, avise o pediatra ou procure um serviço médico para que a criança seja avaliada.

O seu pediatra poderá indicara alguma medicação para cessar os vômitos.

Complicações da Diarreia

DESIDRATAÇÃO

A maior complicação dos quadros de Diarreia é a DESIDRATAÇÃO.

Por esta razão, o objetivo do tratamento da criança com Diarreia é a prevenção da desidratação.

Os principais sinais de desidratação são:

Boca seca
Choro sem lágrimas
Diminuição da quantidade de urina (por exemplo: sem urinar por mais de 8 horas)
Urina mais concentrada (fica mais escura)
Em crianças menores:
fontanela (moleira) deprimida
Irritabilidade
Perda de peso
Olhos encovados
Diminuição da elasticidade da pele

Geralmente a criança, nas fases iniciais de desidratação, costuma ter muita sede, e as crianças maiores podem ficar pedindo muita água.

ASSADURAS

Após vários episódios de Diarreia, a criança pode apresentar assadura ao redor do orifício retal ou em toda região das nádegas. Para evitar que isso aconteça, limpe sempre a região após cada episódio de Diarreia com água morna e sabão. Após a limpeza, utilize algum creme para assaduras.

VÔMITOS

É muito comum que os episódios de Diarreia venham acompanhados de vômitos. Nesses casos, a atenção com a hidratação da criança de vê ser redobrada.

Erros mais comuns

Para evitar a complicação mais temida da Diarreia evite os seguintes erros muito comuns
Uso de refrigerantes para evitar a desidratação
Uso de bebidas utilizadas nas práticas esportivas (EX. Gatorade®, Marathon® etc) como solução de reidratação
Uso somente de água para hidratar a criança com Diarreia (não contem sais minerais, perdidos na Diarreia)
Suspender a alimentação da criança e oferecer somente líquido (a criança vai precisar de calorias após um tempo)
Diluir o leite mais do que o indicado; Não espere que o uso de soluções de reidratação oral melhore a Diarreia, pois a função destas soluções é tratar ou prevenir a desidratação.

A Diarreia costuma ser autolimitada, e, até o momento não existe nenhuma mediação específica para o tratamento da Diarreia.

Quando procurar o médico?

Toda criança deve ser avaliada pelo pediatra quando apresentar quadro de vômitos e Diarreia persistentes.

De uma maneira geral maior atenção deve ser tomada, e o médico deve ser procurado imediatamente quando:

A criança é menor de seis meses de idade
Independente da idade, se apresentar febre acima de 38 oC
Apresentar sinais de desidratação
Está vomitando há mais de oito horas ou apresenta vômitos em jato
Apresenta fezes com sangue ou muco
Apresenta sangue nos vômitos
Não apresenta urina há mais de oito horas
Apresenta dificuldade para movimentar ou rigidez no pescoço
A criança está muito sonolenta ou agitada
Apresenta dor abdominal por mais de duas horas

Geralmente os casos de Diarreia e vômitos não necessitam de hospitalização, a não ser que o quadro de desidratação seja muito severo, e a criança necessite de hidratação através de soro endovenoso (soro de hidratação através de acesso venoso).

Fonte: www.dalsy.com.br

Diarreia

Diarreia aguda

A diarreia aguda pode ser inflamatória ( 90% das diarreia agudas ), causada bactérias ou por vírus, ou causada por toxinas de bactérias que ingerimos com os alimentos ou pode ser medicamentosa quando causada por medicamentos. A diarreia aguda é muitas vezes acompanhada de dor e distensão abdominal e por vezes de náuseas e vómitos. O Intestino Delgado está envolvido - enterite - e por vezes além do Intestino Delgado também está atingido o Estômago - gastroenterite.

A diarreia inflamatória causada por bactérias pode ser acompanhada de febre e as fezes saem misturadas com sangue ( disenteria ). A sigela, a salmonela, o campilobacter são as bactérias associadas a estas disenterias. O órgão envolvido nestes casos é o cólon - colite infecciosa.

A diarreia aguda é muito frequente e se entre nós é uma doença auto-limitada isto é, evolui para a cura ao fim de 4-5 dias, o mesmo não se passa nos povos do terceiro mundo onde a diarreia aguda é uma importante causa de morte sobretudo nas crianças.

Não haverá nenhum ser humano que, durante a sua vida, não experimente várias vezes a sensação desagradável de alguns dias com diarreia.

Como se trata a diarreia aguda ?

Mais de 90% das diarreias agudas são ligeiras e auto-limitadas em 2 - 5 dias ( curam sem necessidade de recorrer a nenhum medicamento ). As diarreias agudas, depois dos baptizados e dos casamentos, por contaminação dos alimentos, que atingem dezenas ou centenas de pessoas são uma constante dos noticiários da televisão. Dois ou três dias depois todos os convidados se encontram bem. A Salmonela é a bactéria causadora de muitas diarreias, geralmente associadas às ingestão de ovos, maionese, mariscos ou frango. A E. coli está relacionada com os hambúrgueres etc.

Se recorremos ao nosso médico ele não nos pede qualquer exame porque nada iria esclarecer em tempo útil e, recomenda-nos a ingestão de líquidos para evitar a desidratação. Beber líquidos para evitar a desidratação ( a água, o chá, a Coca-Cola sem gás etc.) é a base do tratamento da diarreia aguda, infelizmente, por vezes, desviamo-nos para medicamentos desnecessários e inúteis que a propaganda nos mete pelos olhos a dentro. A noção, ainda existente, de que beber líquidos vai aumentar a diarreia é falsa.

O nosso médico, se tivermos vómitos, ensina-nos a beber pequenas quantidades de líquido de cada vez, ou se achar conveniente receita-nos um anti-emético.

Se o número de dejecções for incomodativo o nosso médico aconselha-nos a tomar um opiáceo ( loperamida ) que não só diminui as contracções propulsoras do intestino como favorece a absorção de água e eletrólitos. Mas, cuidado, nas diarreias infecciosas o aumento do número de dejecções é um meio de defesa de que o organismo se serve para expulsar do intestino as toxinas, as bactérias e os vírus.

O nosso médico poderá recomendar-nos que, durante o período de diarreia, não bebamos leite por causa de deficiência de lactase e que façamos uma dieta sem resíduos enquanto a diarreia não parar.

O nosso médico não nos irá recomendar nenhum antibiótico.

Nos casos de diarreia profusa, e de toxémia com mau estado geral pode ser necessário o internamento hospitalar, para corrigir os desequilíbrios iónicos e para administração intra-venosa de líquidos. Em casos raros, muito raros, pode ser necessário recorrer a um antibiótico.

A Cólera é muito rara entre nós mas é endémica em várias regiões do globo, refiro-a porque é muito conhecida e temida. É uma infecção intestinal aguda provocada pela bactéria Vibrio cholerae que pode produzir ( apenas 2 subgrupos dos 190 ) uma toxina que provoca diarreia. A bactéria é transmitida pela água e alimentos e na maior parte dos casos é assintomática ( em mais de 90% das pessoas ) ou causa uma diarreia ligeira mas por vezes a diarreia é profusa e leva à morte em poucas horas. O tratamento consiste em repor a quantidade de água e eletrólitos perdidos o que, em alguns casos, felizmente raros, não se consegue.

Os antibióticos não se justificam na maior parte dos casos. Os antidiarreicos estão contra-indicados.

Em conclusão: na maior parte das diarreias agudas o importante é a ingestão de líquidos, para evitarmos a desidratação, raramente, muito raramente, o nosso médico terá necessidade de nos receitar algum medicamento. São muito utilizadas as leveduras quando se tem diarreia, são um dos medicamentos mais utilizados em Portugal mas, segundo o Prontuário Terapêutico "as leveduras não têm provas convincentes da sua eficácia terapêutica" e, muitas vezes, fazem esquecer a ingestão de líquidos.

E se a diarreia não cura numa semana ?

Se a diarreia se prolonga para além de 1 semana, ou se é uma diarreia com sangue, o nosso médico, pode recomendar-nos fazer exames às fezes para tentar isolar a bactéria em causa. Algumas bactérias como a Yersinia enterocolitica, o Campylobacter jejuni e parasitas como a Entamoeba histolytica são responsáveis por diarreias que se arrastam durante várias semanas duma maneira contínua ou intermitente e confundem o conceito de diarreia aguda/diarreia crônica. Nestes casos de diarreia com sangue ou que se prolonga para além duma semana, o nosso médico manda-nos também fazer um exame endoscópico, uma fibrossigmóidoscopia, para se certificar de que a causa da diarreia não é uma Colite Ulcerosa nem Colite Isquémica ou Colite Pseudomembranosa ou outra afecção e, se temos mais de 45 anos para ter a certeza de que a causa da diarreia não é um tumor do Reto ou do Cólon. Como no Algarve a Giardiase é uma parasitose frequente e é uma causa potencial de diarreia, o médico, pode optar, por fazer o tratamento, para erradicar a Giardia mesmo sem a pesquisar.

A diarreia aguda nas crianças coloca problemas específicos e cuidados especiais. A diarreia aguda é a principal causa de morte infantil nos países do terceiro mundo ( mais de 3.000.000 de mortes por ano) e, é responsável, por mais de 500 mortes por ano nos EUA.

DIARREIA CRÔNICA

Quando a diarreia se prolonga para além de 4 semanas chama-se diarreia crônica.

As causa são múltiplas mas as causas mais frequentes são duas doenças não orgânicas: o Síndrome de Intestino Irritável e a Diarreia Funcional.

Na Diarreia Funcional, a diarreia não é acompanhada pelos sintomas que caracterizam o Síndrome de Intestino Irritável.

Outras causas de diarreia crônica são as bactéria, os parasitas, a Doença Celiaca, a Colite Ulcerosa, a Doença de Crohn, a Colite Isquémica, a Colite Rádica, a Colite Pseudomembranosa, a Deficiência de Lactase, os Tumores Benignos e Malignos do intestino.

Por vezes a causa é medicamentosa: laxantes, hormonas da tiróide, digitálicos, procinéticos, anti-ácidos etc. etc.

As doenças endócrinas: diabetes, hipertiroidismo e outras mais raras causadas por tumores que segregam hormonas: VIPomas, tumor carcinóide, gastrinomas.

O nosso médico pode necessitar de nos pedir alguns exames para chegar a uma conclusão: exames endoscópicos, imagiológicos, ao sangue e, eventualmente, às fezes. Sobretudo se temos mais do que 45 - 50 anos o médico tem que fazer uma investigação que lhe permita ter a certeza de que não temos uma doença maligna.

Qual o tratamento da diarreia crônica ?

O tratamento da diarreia crônica é dirigido à causa da diarreia. A diarreia ( maior número de dejecções ou modificação na consistência ) que aparece depois dos 40 - 45 anos obriga a uma consulta médica quanto antes.

Enquanto se esclarece o diagnóstico o nosso médico poderá recomendar-nos o opiáceo ( Loperamida ) para nos aliviar do incómodo mas, há situações em que se deve ser cauteloso com este medicamento. A diarreia ligeira do Síndrome de Intestino Irritável e da Diarreia Funcional pode aliviar com a dieta rica em fibra que torna as fezes mais consistentes.

DIARREIA PARADOXAL

Nos doentes idosos, acamados, que usam medicamentos obstipantes, podem formar-se fecalomas ( massas compactas de fezes, por vezes muito duras) na ampola retal. Os fecalomas estimulam a secreção de muco na ampola retal que, arrasta pedaços do fecaloma para o exterior. A repetição deste fenómeno várias vezes por dia leva à confusão com a diarreia e à utilização de obstipantes que vão agravar a situação. O médico faz o diagnóstico destas situações com facilidade, pelo toque retal e, ensina-nos a esvaziar fecaloma da ampola retal, o que nem sempre é muito fácil.

DIARREIA DOS VIAJANTES

Quando uma pessoa viaja dum país para outro, sobretudo se a mudança implica grandes diferenças climáticas, sociais ou sanitárias é frequente aparecer diarreia nos 2 - 10 dias iniciais.

As causas da Diarreia dos Viajantes são múltiplas: bactérias, vírus, protozoários mas, parece que a bactéria Eschericia coli está implicada em mais de 80% dos casos.

A prevenção é a principal arma contra a diarreia dos viajantes:

Consumir bebidas engarrafadas ou enlatadas industrialmente. Refrigerantes, cervejas e vinhos são geralmente seguros.
Não beber água mineral, refrigerantes ou cerveja diretamente de latas ou garrafas, sem as lavar adequadamente. Utilizar palhinha de plástico ou copo limpo.
Café e chá preparados com água fervida e bebidos ainda quentes não constituem risco.
Comer alimentos cozidos ou fervidos, preparados na hora do consumo.

Utilizar água mineral gasosa engarrafada industrialmente, que em geral tem menor risco de transmissão de doenças. Quando isso não for possível, beber água clorada ou fervida. Existem comprimidos contendo diversas concentrações de cloro que podem ser adquiridos nas casas de desporto, nas farmácias e nos aeroportos. Observar atentamente as instruções dos fabricantes em relação à concentração adequada para diferentes volumes e finalidades de utilização da água .

Não consumir alimentos mal cozidos preparados à base de ovos (como maionese caseira), molhos, sobremesas tipo mousse, sumos, sorvetes e gelo.

Evitar o consumo de leite não pasteurizado e de bebidas não engarrafadas industrialmente.

Evitar legumes e frutas cruas que não possam ser descascados ou desinfectados no momento do consumo. Os legumes são facilmente contaminados e difíceis de serem lavados adequadamente.

Não consumir bebidas, sumos, sorvetes, gelo ou qualquer tipo alimento adquirido com vendedores ambulantes.

Utilizar água tratada (ou mineral) para escovar os dentes.

A prevenção com antibióticos, é eficaz, mas não deve ser rotineira por causa dos efeitos secundários dos antibióticos, das resistências bacterianas e da falsa segurança que podem proporcionar. Um comprimido por dia de Norfloxacina 400 mg ou ciprofloxacina 500 mg ou Trimetroprim-sulfametoxazol 160/800 mg são regimes eficazes mas, o ideal, é não tomar antibióticos.

Tratamento

A Diarreia do Viajantes é na maior parte dos casos uma situação auto-limitada que evolui para a cura em 2- 5 dias. Devem observar-se as normas defendidas no tratamento da diarreia aguda. Os antibióticos só estão indicados em casos esporádicos.

Se uma diarreia incomodativa aparece durante a viagem tomar Loperamida - 2 comprimidos inicialmente - e um comprimido depois de cada dejecção de fezes moles, até 6 comprimidos por dia. Uma dose única de Ciprofloxacina 750 mg cura a maior parte das diarreias dos viajantes. Se a diarreia for mais grave e com sangue devemos procurar assistência médica.

Fonte: www.gastroalgarve.com

Diarreia

Diarreia aguda

1. O que é a Diarreia Aguda?

É definida com a diminuição da consistência das fezes ("cocô mole ou com água"), juntamente com o aumento do numero de defecações (número de vezes que a pessoa vai ao banheiro).

2. Qual a duração da Diarreia Aguda?

Para que seja Aguda a Diarreia deve durar menos do que 14 dias.

3. O que causa Diarreia Aguda?

Vários micróbios (vírus, bactérias, protozoários, fungos e outros parasitas) podem causar, assim como comida "estragada" e alergias.

4. Quem pode ter Diarreia?

Todos podemos ter Diarreia aguda, mas existem alguns fatores que fazem com que algumas pessoas adoeçam mais freqüentemente.

5. Quais são estes fatores de risco?

Água contaminada, esgoto a céu aberto, criança que vem sendo mal alimentada (desnutrida). Quanto mais cedo a criança parar de mamar no peito da mãe, maior é a chance dela adoecer. Lavar bem os alimentos, cozinhar os alimentos, lavar as mãos antes de se alimentar, e todos os cuidados com higiene são importantes pra ajudar a evitar a Diarreia. Crianças que nascem com baixo peso (<2,5kg) também apresentam maior chance de ter Diarreia.

6. Existe tratamento para a Diarreia aguda?

Os vômitos e episódios de Diarreia determinam a perda de grande quantidade de água e sais minerais (eletrólitos) do nosso organismo. Esta perda gera o que chamamos de desidratação, que pode ser leve ou grave e até levar a morte. O principal tratamento para a Diarreia aguda é combater a desidratação. Caso ela não se apresente desidratada, o que se deve fazer é aumentar a ingestão de líquidos, oferecendo constantemente sucos, água, chás.

Nunca dê remédios para parar a Diarreia, pois ela é uma forma de defesa do organismo. Os remédios para vômitos só podem ser dados quando for prescrito pelo médico, pois a criança pode ficar com muito sono, atrapalhando a hidratação. Na verdade, na maioria das vezes os vômitos melhoram após a criança ser hidratada.

7. Como saber se uma criança está desidratada?

A criança, devido a características próprias desta faixa etária, tem maior tendência a desenvolver um quadro de desidratação e, por isto, devemos ficar mais atentos à Diarreia e vômitos na infância.

Existem vários sinais e sintomas que o médico utiliza para diagnosticar a desidratação. Em casa, você pode observar se a criança está irritada e intranqüila, se diminuiu a quantidade de urina, se seus olhos possuem lágrimas e estão brilhando, se existe saliva na boca e, até mesmo, se a criança apresenta-se com muita sede. Caso a criança se mostre muito quieta, sem manifestar desejo de beber líquidos, olhos muito fundos e secos e boca muito seca, pode ser que ela apresente um quadro grave de desidratação. Em qualquer a alteração percebida, deve-se procurar atendimento médico o mais rápido possível.

8. Como é o tratamento da desidratação?

O tratamento é realizado com o Soro Reidratante Oral. Este soro é utilizado na tentativa de repor a água e sais que a criança perdeu durante os episódios de vômito e Diarreia, diminuindo a desidratação e a chance da criança piorar. O soro reidratante pode ser preparado em casa, dissolvendo, em água limpa, envelopes que são distribuídos nos Centros de Saúde. Deve-se oferecer o soro em pequenas quantidades (como em colheradas ou copinhos) e freqüentemente até que a criança não apresente mais os sinais de desidratação. A partir daí, o soro pode ser oferecido apenas após a criança vomitar ou episódios de Diarreia, na quantidade de 50-150ml.

É importante também que o leite materno continue sendo oferecido, pois ele alimenta e ajuda o organismo da criança a se defender. Os outros alimentos devem ser oferecidos respeitando a vontade da criança.

9. É possível prevenir a Diarreia?

Tomando alguns cuidados, é possível evitar a Diarreia. É muito importante lavar bem as mãos antes das refeições e após usar o banheiro; lavar bem verduras, frutas e legumes em água limpa; tomar cuidado no preparo dos alimentos, evitando que se contaminem com mãos que não foram lavadas; manter os alimentos em geladeira para que se conservem melhor e protege-los de moscas e baratas; manter unhas curtas e não levar a mão ou objetos sujos à boca; evitar contato com esgoto ou águas contaminadas. De preferência, a casa deve ter esgoto e água encanada, e a água de beber deve ser fervida ou filtrada.

Fonte: www.medicina.ufmg.br

Diarreia

Todos tem Diarreia uma ou outra vez.

A Diarreia significa evacuações líquidas com aumento de número da freqüência normal. Sendo conteúdo principalmente de água.

Este volume ultrapassa a 200mldia (volume de perda considerado normal).

CAUSAS

Há muitas causas da Diarreia. Felizmente, esta mudança do ritmo intestinal é breve e auto limitada. Isto significa que normalmente de 3 a 5 dias cessam espontaneamente com ou sem medicação. Nestes casos o vírus é responsável pela infecção "ou mesmo algo que comi". Sempre que a Diarreia se prolongar por 2 ou 3 semanas, há necessidade obrigatoriamente de orientação médica.

Entre muitas causas conhecidas:

Alimento: certos alimentos podem causar Diarreia em muitas pessoas. Por exemplo: pimenta, leite e derivados, gorduras, etc. . A solução óbvia em todos esses casos é evitar estes alimentos.

Laxativos químicos

Muitas pessoas tornam-se dependentes de laxativos e tomam diariamente.

Estes estimulantes químicos são: leite de magnésio, cascara, fenolftaleína. É freqüente o magnésio ser tomado sob forma de antiácidos do estômago. Observe a formulação dos antiácidos. Sorbitol é um adoçante artificial que é usado em goma de mascar sem açúcar e preparados alimentar como a geléia e a gelatina. Sorbitol também é um laxativo.

Medicamentos

Se ocorrer modificação do intestino após tomar um medicamento, seu médico deve ser avisado em particular; antibióticos são conhecidos como a causa da Diarreia algumas vezes bastante severa. A Diarreia pode aparecer após 1 mês da tomada do antibiótico.

Infecção

Há mais de 400 tipos de bactérias que vivem normalmente e fazem parte da flora normal do cólon (intestino grosso). Há também muitos vírus e outros agentes infecciosos que são encontrados no intestino sem causar qualquer problema. Entretanto, alguns desses agentes infecciosos podem infeccionar o trato digestivo e causar Diarreia. Algumas infecções bacterianas como a Salmonela, são sérias e requerem cuidados médicos.

A contaminação pela Salmonela ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, principalmente carne de frango e ovo.

Há parasitas, como a Ameba e a Giárdia que atacam o intestino. A Giárdia pode ser encontrada em animais selvagens ou água contaminada. Pessoas infectadas com o vírus da AIDS, são acometidas freqüentemente por infecção intestinal, necessitando acompanhamento médico.

Infecção viral é provavelmente a causa mais comum das Diarreias e, felizmente curam espontaneamente.

Diarreia do viajante

A causa é uma bactéria chamada E. Colli. Ocorre mais onde os fatores sanitários não são adequados. Esta infecção pode ser prevenida, evitando-se a ingestão de alimentos dito frescos não cozidos e frutas. Frutas como a laranja, que tem uma proteção natural são seguras. Particularmente , a lavagem com água de torneira e uso de gelo, devem ser evitadas. Bebidas engarrafadas (água mineral, refrigerante) são as recomendadas.

Doenças

Há certas doenças que podem causar Diarreia crônica.

Estas incluem:

Colites ulcerativas

Doença de Crohn

Diverticuloses

Câncer de cólon

Todas são doenças sérias, que requerem cuidados e tratamento médico. Isto é a maior razão, porque a causa da Diarreia crônica deve ser sempre conhecida.

Stress e cólon irritável: o cólon irritável ocorre quando o intestino não se contraem de maneira rítmica.

A contração pode ser exagerada que provoca Diarreia ou pode ser vagarosa e resultar em intestino preso. É freqüente ocorrer alternância de intestino preso e Diarreia. Stress emocional freqüentemente agrava estes sintomas.

DIAGNÓSTICO

A causa e o tratamento da Diarreia pode ser muito simples, como a interrupção de antiácidos. Ou pode ser muito difícil. Exames de sangue e fezes podem ser necessários.

Em alguns casos, a colonoscopia é necessária para visualizar a parte interna do intestino. Os exames depende da intensidade e o tempo da queixa.

TRATAMENTO

A primeira medida a ser tomada num início de episódio de Diarreia é ajudar a minimizar os sintomas. Preferentemente tomar apenas líquidos pela boca e evitar alimentos sólidos e leite. Na maioria dos casos, a associação de um antidiarréico e antiespasmódico resolvem o problema. Para a Diarreia persistente, o tratamento dependerá da causa.

Felizmente a causa da Diarreia é quase sempre encontrada, e o tratamento é usualmente eficiente.

RESUMO

A Diarreia é um problema comum que geralmente não é sério. Se a Diarreia é muito severa ou persistente é necessário um diagnóstico específico.

Fonte: www.gastroweb.com.br

Diarreia

Nenhuma função orgânica é mais variável e sujeita a influências externas que a evacuação. Os hábitos intestinais normais variam consideravelmente de uma pessoa para outra, sendo modificados pela idade, por padrões dietéticos, sociais e culturais e por fatores fisiológicos individuais.

Numa civilização urbana, a freqüência normal de evacuações varia de 2 a 3/dia a 2 a 3/semana. Alterações na freqüência, volume ou consistência das fezes, ou sangue, muco, pus, ou material gorduroso excessivo (p. ex., óleo, gordura ou uma película) nas fezes podem indicar doença.

DIARRÉIA

É o aumento de volume, fluidez e freqüência das evacuações em relação ao padrão usual do indivíduo.

Etiologia e Fisiopatogia

Na sociedade ocidental, em adultos sadios o peso das fezes varia de 100 a 300g/dia dependendo da quantidade de material não absorvível da dieta (principalmente carboidratos). A Diarreia ocorre quando o peso das fezes é > 300g/dia, exceto em pessoas cujas dietas são ricas em fibras vegetais, quando tal peso pode ser normal. Como de 60 a 90% do peso das fezes é de água, a Diarreia é causada por excesso de água fecal. Categorizar Diarreia de acordo com a principal causa fisiopatológica de aumento do peso das fezes pode facilitar a investigação etiológica e a escolha do tratamento específico.

Diarreia Osmótica

Ocorre quando solutos hidrossolúveis, não absorvíveis estão presentes no intestino e retêm água. Isto ocorre com a lactose (deficiência de lactase) e com outras intolerâncias a açúcares e quando sais malabsorvidos (p. ex., o sulfato de magnésio e fosfato de sódio) são prescritos como laxantes salinos ou antiácidos.

A ingestão de grandes quantidades de hexitóis, sorbitol e manitol, usa dos como substitutos do açúcar em alimentos, doces e gomas de mascar dietéticos, causa Diarreia pela combinação da absorção lenta e com a motilidade rápida pelo intestino delgado (Diarreia por "comida-dietética" ou por "goma de mascar").

A gravidade dos sintomas é proporcional à quantidade consumida e ao peso corpóreo; a condição desaparece assim que pare a ingestão.

Diarreia secretora

Os intestinos delgado e grosso normalmente reabsorvem sais (especialmente cloreto de sódio) e água ingeridos ou que atingem o lume em conseqüência das secreções digestivas.

A Diarreia pode ocorrer quando os intestinos secretam mais do que absorvem eletrólitos e água.

As substâncias que induzem secreção incluem: toxinas bacterianas (p. ex., na cólera), viroses enteropatogênicas, ácidos biliares (p. ex., após ressecção ileal), gordura da dieta não absorvida na esteatorréia, catárticos da antraquinona, óleo de rícino, hormônios peptídios (p. ex., o peptídio intestinal vasoativo [PIV] produzido por tumor pancreático) e algumas drogas (p. ex., as prostaglandinas).

Malabsorção

Pode produzir Diarreia por qualquer dos mecanismos anteriores. Se o material não absorvido é abundante, hidrossolúvel e osmoticamente importante (isto é, de peso molecular baixo), o mecanismo pode ser osmótico.

Os lipídios não são apreciavelmente hidrossolúveis e não podem agir desta maneira; alguns (ácidos graxos, ácidos biliares) atuam como secretagogos para eletrólitos e água. Na malabsorção generalizada, como no espru não tropical, a malabsorção gordurosa (que causa secreção colônica) e a malabsorção de carboidratos (que causa Diarreia osmótica) podem coexistir.

Exsudativa

Muitas doenças da mucosa (p. ex., enterite regional, colite ulcerativa, TB, linfoma e carcinoma) causam uma "enteropatia exsudativa".

A inflamação, ulceração e tumefação da mucosa podem resultar em um extravasamento de plasma, proteínas séricas, sangue e muco, aumentando assim o bolo e fluidez fecal.

O envolvimento da mucosa retal pode causar urgência e aumentar a freqüência das evacuações em virtude da mucosa inflamada do reto ser mais sensível à distensão.

Trânsito intestinal alterado

O quimo deve ser exposto adequadamente à superfície absortiva do trato GI por quantidade suficiente de tempo, se estiver ocorrendo absorção normal.

Os fatores que diminuem o tempo de exposição incluem a ressecção do intestino delgado e grosso, ressecção gástrica, piloroplastia, vagotomia, "bypass" cirúrgico de segmentos intestinais e drogas (p. ex., antiácidos que contém magnésio e laxantes) ou agentes humorais (p. ex., prostaglandinas, serotonina) que aceleram o trânsito pela estimulação da musculatura lisa intestinal.

A malabsorção e a Diarreia também podem se desenvolver quando o tempo de trânsito do quimo através do intestino estiver prolongado e as bactérias fecais proliferarem no intestino delgado. Os fatores que aumentam o tempo de trânsito e permitem o crescimento bacteriano incluem segmentos estenosados, doença intestinal por esclerodermia e alças de exclusão criadas por cirurgia.

Complicações da Diarreia

Podem ocorrer perdas eletrolíticas (Na, K, Mg e Cl), perdas hídricas com conseqüente desidratação e colapso vascular. O colapso pode se desenvolver rapidamente em pacientes muito jovens, idosos, debilitados ou que têm Diarreia grave (p. ex., na cólera).

A acidose metabólica pode ocorrer devido à perda de HCO3 .

A concentração sérica de Na varia de acordo com a composição das perdas diarréicas em relação ao plasma.

A hipocalemia pode ocorrer em Diarreia grave ou crônica ou quando as fezes contêm muco excessivo (p. ex.: adenoma viloso,fazendo alcalose metabólica). Observa-se também, tetania devido à hipomagnesemia após Diarreia prolongada.

Diagnóstico

As características clínicas variam muito dependendo da causa, duração e gravidade da Diarreia, da área do intestino afetada e do estado geral do paciente. A história deve observar o tempo, local e outras circunstâncias do início; duração e gravidade; dor abdominal ou vômito associado; presença de sangramento franco ou oculto nas fezes; freqüência e duração das evacuações; evidência de esteatorréia (fezes gordurosas, oleosas ou engorduradas com odor fétido); alterações associadas do peso e apetite; uso de produtos dietéticos; e presença de tenesmo retal.

O exame macro e microscópico das fezes pode ser útil. A fluidez, volume e presença de sangue, pus, muco ou de gordura excessiva deve ser observada.

Geralmente, nas doenças do intestino delgado, as fezes são volumosas e gordurosas ou aquosas.

Na doença colônica, as evacuações são freqüentes, às vezes pequenas em volume e possivelmente acompanhadas por sangue, pus, muco e desconforto abdominal. Nas doenças da mucosa retal, o reto pode ser mais sensível à distensão e a Diarreia pode ser caracterizada por fezes freqüentes em pequenas quantidade.

A microscopia pode confirmar a presença de leucócitos (ulceração ou invasão bacteriana), gordura não absorvida, fibras de carne, ou infestação por parasitas (p. ex., amebíase, giardíase). O pH fecal, normalmente > 6,0, está diminuído por fermentação bacteriana de carboidratos e proteínas não absorvidos no cólon. A alcalinização das fezes mostra cor rósea da fenolftaleína, um laxativo comumente usado em excesso.

Evidências de colapso vascular, desidratação, depleção eletrolítica, ou anemia devem ser procuradas. Os exames abdominal, digital e visual, do reto devem ser feitos. A biópsia da mucosa retal e o "swab" retal para exame microscópico devem ser considerados para proctoscopia.

Tratamento

A Diarreia é comumente o único sintoma e o distúrbio de base deve ser especificamente tratado, mas o tratamento sintomático pode também ser necessário, se possível.

O tono intestinal pode ser aumentado pelo difenoxilato, 2,5 a 5mg em comprimidos ou líquido 3 ou 4 vezes/dia, por fosfato de codeína 15 a 30mg 2 ou 3 vezes/dia, pelo elixir paregórico (tintura canforada de ópio) 15mL a cada 4h ou por hidrocloridrato de loperamida 2 a 4mg 3 ou 4 vezes/dia.

O peristaltismo é diminuído pelos anticolinérgicos (p. ex., a tintura de beladona, atropina ou propantelina).

O volume é fornecido por um composto de psílio ou e metilcelulose; estes agentes, embora geralmente prescritos para a constipação, também diminuem a fluidez das fezes líquidas quando dados em pequenas doses.

Caulim, pectina e atapulgita ativada adsorvem líquido.

A Diarreia aguda intensa pode exigir a reposição hidreletrolítica urgente para corrigir a desidratação, o desequilíbrio eletrolítico e a acidose. O cloreto de sódio, o cloreto de potássio, a glicose e fluidos para combater a acidose (lactato, acetato ou bicarbonato de sódio) podem estar indicados. O equilíbrio hídrico e a estimativa da composição hídrica corpóreo devem ser monitorados cuidadosamente. O vômito ou sangramento GI associado podem exigir medidas adicionais.

Uma solução oral glicoeletrolítica poderá ser dada se a náusea e o vômito não forem graves.

Os líquidos contendo glicose (ou sacarose, como o açúcar comum), cloreto de sódio e bicarbonato de sódio são rapidamente absorvidos e facilmente preparados. Cinco mL (1 colher de chá) de sal comum, 5mL (1 colher de chá) de bicarbonato de sódio, 20mL (4 colheres de chá) de açúcar comum e uma essência são adicionados a 1L de água. Os líquidos parenterais são geralmente necessários para a Diarreia mais grave. Se a náusea ou o vômito estiverem presentes, a ingestão oral deve ser restringida.

Contudo, quando a água e os eletrólitos devem ser repostos em quantidades maciças (p. ex., na cólera epidêmica), os suplementos orais de eletrólitos e glicose são algumas vezes dados em adição à terapia EV mais convencional com soluções eletrolíticas (bicarbonatadas). As alterações dietéticas podem ser úteis.

Fonte: www.tudoresidenciamedica.hpg.ig.com.br

Diarreia

Diarreia significa mudança no hábito intestinal do indivíduo, que implica em aumento do peso das fezes, da quantidade da parte líqüida e da freqüência de evacuações. Geralmente, mais de uma dessas características estão presentes.

A Diarreia ocorre quando há excesso de fluido nas fezes, por anormalidades na secreção ou na absorção, e é classificada como mostramos a seguir:

1.1. Diarreia osmótica

Ocorre quando há grande quantidade de moléculas hidrossolúveis no lúmen intestinal, levando à retenção osmótica de água. Tem como causa mais freqüente o uso de laxativos e a má-absorção intestinal de carboidratos.

1.2. Diarreia secretória

A mucosa intestinal tem a capacidade de secretar fluidos isotônicos. Dentre os estímulos que provocam aumento da secreção estão vírus, enterotoxinas bacterianas, como Vibrio cholerae e Escherichia coli, neopolasias que produzem hormônios gastrointestinais (VIP), síndrome de Zollinger-Ellinson, ácidos graxos, de cadeia longa (esteatorréia), ácidos biliares (ressecção ileal) e catárticos, derivados da antraquinona.

1.3. Diarreia exsudativa

Exsudação de proteínas do soro, sangue, muco ou pus, a partir de áreas inflamadas, de doenças ulcerativas ou infiltrativas, aumenta o volume fecal e causa Diarreia. Nesse grupo, estão incluídas as doenças inflamatórias intestinais, neoplasias intestinais, a colite induzida por antibióticos e a parasitose (giardíase).

1.4. Diarreia motora

Para que haja absorção o conteúdo intestinal deve estar exposto a uma superfície absorvente adequada, por suficiente período de tempo. Também há necessidade de que esteja preparado para a absorção, ou seja, a digestão deve estar completada. Os mecanismos envolvidos na Diarreia motora são o trânsito acelerado, causando inadequada mistura do alimento com as enzimas digestivas, e o pouco contato com a superfície absortiva, por ressecção intestinal ou fístulas enteroentéricas.

É freqüente a existência de mais de um mecanismo envolvido no desencadeamento da Diarreia. É o caso da síndrome de má-absorção e, aí,onde a caracterização da presença de esteatorréia é fundamental para o diagnóstico.

Para que possamos diagnosticar a causa da Diarreia, e solicitar corretamente possíveis exames complementares, é necessário que algumas informações sejam obtidas do paciente, como a duração do sintoma, a associação com outras manifestações, a idade e o sexo. O padrão da Diarreia sugere a sua origem, podendo ser “alta”, causada por doença em intestino delgado, ou “baixa”, causada por doença no intestino grosso. Na Diarreia de origem “alta”, o volume evacuado em cada ocasião é grande, a freqüência é pequena, cessa com o jejum, tem restos alimentares digeríveis nas fezes, pode haver esteatorréia (gordura nas fezes) e distensão abdominal. Na Diarreia de origem “baixa”, o volume é pequeno, a freqüência é alta, diminui mas não cessa com o jejum, ocorre tenesmo, podendo haver eliminação de muco e desinteria. Não é raro que características de Diarreia “alta” e “baixa” estejam presentes no mesmo paciente.

A Diarreia pode ser manifestação de doença funcional, situação em que não é acompanhada de comprometimento sistêmico ou doença orgânica. São evidências de que a Diarreia tem causa orgânica a ocorrência durante a noite, a presença de sangue nas fezes, hipotrofia muscular, esteatorréia, a queixa de dor abdominal, emagrecimento, febre, adenomegalia, massas palpáveis no abdômen, sintomas carenciais, anemia e redução do subcutâneo. Causas de Diarreia estão apresentadas nas Tabelas I e II.

Na história do paciente com Diarreia, alguns itens devem ser esclarecidos(1):

a. As características do início da Diarreia. Ela pode ser congênita, ter início abrupto ou gradual.
b.
O padrão de Diarreia, contínua ou intermitente.
c.
Duração do sintoma.
d.
Fatores epidemiológicos, como viagens antes do início da Diarreia, possível exposição a alimento ou água contaminada e doenças em membros da família ou em pessoa da relação do paciente.
e.
Características das fezes: aquosas, sanguinolentas ou esteatorréia.
f.
Presença ou ausência de incontinência fecal.
g.
Presença ou ausência de dor abdominal e sua característica. Dor abdominal está freqüentemente presente na doença inflamatória, intestinal, síndrome do intestino irritável e isquemia mesentérica.
h.
Perda de peso, o que pode acontecer com qualquer doença que provoque Diarreia, uma vez que o paciente, geralmente, diminui a ingestão com a intenção de reduzir o sintoma. Entretanto, perda de peso acentuada pode indicar má-absorção, neoplasia ou isquemia.
i.
Fatores agravantes, como alimentação ou estresse.
j.
Fatores de melhora, como alterações na alimentação ou remédios.
k.
Resultados de exames já realizados.
l.
Fatores iatrogênicos. História pregressa de ingestão de medicações, radioterapia e operações deve ser esclarecida.
m.
Diarreia factícia, provocada pela ingestão de laxantes, deve ser considerada em todo paciente com o sintoma. Ela está, geralmente, associada a desordens na alimentação, ganhos secundários ou antecedentes de simulação de doença.
n.
Presença de doença sistêmica, como hipertireoidismo, diabetes melito, doenças do colágeno, doenças inflamatórias, neoplasias ou síndrome da imunodeficiência adquirida.

O exame físico deve ser completo, para conhecermos a repercussão da Diarreia, e pode sugerir o diagnóstico, o que isto não é freqüente. O mais importante, no exame físico, é caracterizar a desidratação e a desnutrição, se estiverem presentes. Outros dados importantes são eritemas, úlceras na boca, nódulos na tireóide, sibilos na ausculta pulmonar, artrite, ruídos cardíacos, hepatomegalia, massa abdominal, ascite, edemas e o exame anorretal.

Nas informações a serem obtidas do paciente com Diarreia, não podem ser esquecidas aquelas referentes à duração, o que define se é aguda ou crônica, o seu padrão, que orienta quanto à localização da causa, o comprometimento sistêmico associado à Diarreia, a presença de sangue nas fezes, que pode vir misturado com as mesmas, vir após a evacuação ou mesmo haver evacuação unicamente de sangue, a existência de esteatorréia, restos alimentares nas fezes, o hábito intestinal noturno e sintomas de comprometimento de outros órgãos, como dor articular e lesões cutâneas.

O exame físico deve ser aquele realizado na observação clínica, e atenção e o cuidado são indispensáveis. Merecem destaque os sinais de desidratação, má-absorção, doenças inflamatórias e outras, como esclerodermia, diabetes e hipertireoidismo.

Diarreia Aguda

GENERALIDADES

A cada ano, um grande número de pessoas, no mundo inteiro, apresenta, pelo menos, um episódio agudo de Diarreia. A maioria desses episódios causa desconforto tolerável e se resolve espontaneamente, em horas ou poucos dias, sem tratamento; quando a Diarreia é intensa, ou acompanhada de sangramento, dor abdominal, febre ou outros sintomas, a busca de atenção do médico é a regra. Este capítulo apresenta uma abordagem prática das Diarreias agudas.

Diarreia resulta de anormalidades funcionais do tubo digestivo,que produzam redução da absorção ou aumento da secreção de água e eletrólitos .

Secreção anormal

Diversos microorganismos (Vibrião da cólera, cepas de Escherichia coli, espécies de Salmonella, Campylobacter jejuni, etc) colonizam a luz intestinal e produzem toxinas capazes de ativar mecanismos de estímulo à secreção, existentes na mucosa intestinal (ativação da adenilatociclase ou da guanilatociclase, alterações das tight junctions intercelulares, liberação de serotonina pelas células enterocromafins do intestino). Nesses casos, há pouca ou nenhuma inflamação e é mínima a lesão direta ao epitélio intestinal, o qual é colocado em funcionamento inapropriado.

Absorção defeituosa e perda anormal

Ocorre, quando há dano ao epitélio intestinal. Esse dano pode ser limitado à membrana das microvilosidades do epitélio ou ser extenso, com a descamação do epitélio e formação de úlceras, como as que decorrem da intensa inflamação em resposta a microorganismos invasivos (espécies de Shigella, por exemplo). Muitas vezes, além de má-absorção, há exsudação de plasma, sangue e fluidos inflamatórios, que contribuem para a Diarreia.

Diarreia osmótica

Defeitos da absorção de nutrientes no intestino delgado, assim como ingestão de substância inabsorvíveis ( laxativos, fenformina ) resultam em resíduos de osmolaridade elevada na luz dos cólons, que impedem a absorção de água, ainda que o epitélio se encontre normal .

Motilidade anormal

Grandes volumes intraluminares, resultantes dos mecanismos antes expostos, estimulam, reflexamente, a motilidade intestinal, tornando o trânsito intestinal rápido, o que contribui para a Diarreia. Toxinas ou fármacos (eritromicina, por exemplo) que determinam a instalação de padrões de motilidade propulsivos têm o mesmo efeito.

Mecanismos combinados

Quando há inflamação na parede intestinal, tanto a secreção de eletrólitos e de muco, como a motilidade propulsiva, é estimulada por mecanismos que envolvem a ação direta, bem como a intermediada pelo sistema nervoso entérico de mediadores de inflamação sobre as glândulas e a musculatura lisa do intestino.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de Diarreia não apresenta, em geral, dificuldades: o próprio paciente o firma corretamente.

Ao médico caberá:

1. confirmar o diagnóstico, certificando-se de que a Diarreia relatada é real, e não apenas a passagem freqüente de fezes formadas;

2. avaliar a gravidade, com atenção para:

Volume das perdas
Estado de hidratação
Presença de febre
Presença de hematoquesia ( sangue nas fezes)
Presença e características de dor abdominal
Envolvimento simultâneo de outros órgãos ou sistemas

3. esclarecer se o comprometimento é de segmentos distais (evacuações são muito freqüentes, com sangue vivo, urgência ou tenesmo) ou proximais (evacuações em pequeno número, volumosas) do tubo digestivo

4. obter evidência sobre a etiopatogenia (infecciosa, por toxina pré-formada, iatrogênica, etc). A Tabela I apresenta causas comuns de Diarreia iatrogênica.

Fonte: www.fmrp.usp.br

Diarreia

Diarreia: o que é e como tratar

O que é Diarreia

A Diarreia é uma doença muito comum em crianças, e se caracteriza pelo aumento na freqüência das evacuações, fezes amolecidas ou aquosas, vômitos e febre. As causas mais importantes são as infecções do trato gastrintestinal por vírus e bactérias. Parasitas ou toxinas presentes em alimentos estragados também podem levar a doença.

Na maioria dos casos, a Diarreia não é grave e pode ser tratada em casa. Em crianças pequenas, com menos de seis meses, a doença pode se complicar quando evolui para a desidratação, o que é mais freqüente em bebês que não estão mamando ou são desnutridos.

Sintomas e diagnóstico

A Diarreia comum apresenta, em geral, apenas fezes soltas e aguadas. Pode estar associada a uma combinação de estresse, remédios e alimentos - excesso de gorduras, de cafeína, mudança do tipo de água ingerida ou mesmo ansiedade diante de acontecimentos importantes. A Diarreia infecciosa provoca, além desses sintomas, febre, perda de energia e de apetite. É causada por viroses e bactérias e, se não for logo tratada, pode demorar até uma semana para desaparecer.

Quando a Diarreia leva à desidratação, é importante observar os seguintes sinais:

Olhos fundos
Pele seca
Boca seca
Fralda seca por mais de três horas
Criança sem urinar por mais de seis horas
Fraqueza e choro fraco
Irritabilidade e indisposição.

O diagnóstico da Diarreia baseia-se na história clínica e, raramente, é necessário realizar algum exame laboratorial.

Tratamento e prevenção

A Diarreia não complicada é tratada basicamente com paciência, pois o próprio organismo se encarrega de curá-la em poucos dias. Nesse tempo, o mais importante é manter uma alimentação normal, dando preferência para alimentos que ajudem a “segurar” o intestino, e oferecer bastante líquido para prevenir a desidratação. É importante observar sinais de possíveis complicações e procurar atendimento médico, se necessário.

Até pouco tempo atrás, os médicos costumavam receitar antibióticos para tratar as Diarreias, o que raramente acontece hoje. O uso destes medicamentos apenas é considerado quando há sangramento.

É importante lembrar que a Diarreia é uma forma de o organismo eliminar toxinas ou bactérias que estão comprometendo o bom funcionamento. O problema é que, nesse processo, muitas vezes são eliminados também substâncias essenciais, como água e nutrientes. O objetivo do tratamento é repor o que foi perdido.

Medidas simples ajudam a prevenir a Diarreia. Em crianças pequenas é fundamental o aleitamento materno, pelo menos até o sexto mês de vida. Quando estiver na hora de oferecer outros alimentos, lave bem as mãos e use água filtrada ou fervida para lavar os alimentos e cozinhar. Acompanhar o crescimento e manter as vacinas em dia também são cuidados importantes que ajudam a criança a fortalecer as defesas do organismo – assim, fica mais fácil combater as infecções.

Fonte: www.nycomed.com.br

Diarreia

DIARRÉIA CRÔNICA

As Diarreias são causa importante de morbidade e mortalidade nos países em desenvolvimento. No Brasil, são a principal causa de mortalidade infantil e desnutrição protéico-calórica.

Estima-se que crianças pobres de países subdesenvolvidos tenham, em média, de 50 a 60 dias de Diarreia por ano, e que 10% destes episódios resultam em desidratação requerendo terapia. A maioria dos casos resulta de transmissão fecal-oral de patógenos devida, principalmente, a más condições muitos pequenos, os idosos e debilitados, e os imunocomprometidos. As Diarreias agudas não são porém, exclusividade deste grupos.

Indivíduos previamente sadios e imuno-competentes podem ser afetados, como é por exemplo, o caso dos viajantes.

Pouco se sabe sobre a incidência e prevalência de Diarreias crônicas, pois as causas e definições variam demasiadamente de um países para outro, e estudos epidemiológicos bem conduzidos ainda não foram realizados. No entanto, Diarreia é uma queixa comum e representa aproximadamente 30/40% das consultas de um gastroenterologista.

FORMAS CLÍNICAS

A Diarreia é uma descarga fecal anormal por vezes freqüentes ou líquidos que geralmente resulta de doença no intestino delgado e envolve perda freqüente e crescente de fluídos e eletrólitos.

As Diarreias são classificadas em agudas e crônicas, e têm diversas etiologias, sendo desde a comum até as incomuns e às vezes as raras.

As agudas são as Diarreias que duram entre 2/3 semanas, uma vez que as Diarreias agudas são resolvidas em até sete dias, como já foi dito, que as Diarreias têm diversa etiologias, a maioria delas é causada por microorganismos infecciosos ou toxinas. Sendo que clinicamente, Diarreias agudas, devem ser vistas e tratadas como sendo de origem infecciosa.

Diarreia crônicas são aquelas que persistem por pelo menos de 3/6 semanas, sendo que as Diarreias agudas podem vir a ser a causa de Diarreias crônicas.

O exemplo clássico é o da síndrome do cólon irritável pós-disentérico, quando os pacientes, após um episódio de Diarreia infecciosa, desenvolvem um quadro contraído de Diarreia crônica.

As infecções agudas podem, ser ainda o fator desencadeante de retocolite ulcerativa por exemplo.

A classificação das Diarreias são devidas a quatro mecanismos básicos, que são:

A) DIARRÉIA OSMÓTICAS

São aquelas que devido a presença de solutos osmoticamente ativos que retém água na luz intestinal. [Como por exemplo os carboidratos]. Quando o enfluente ileal escede a capacidade colônica de absorção, ocorre Diarreia que pode ser contínua ou intermitente, na dependência da capacidade de adaptação. As Diarreias osmóticas são caracterizadas pelo gap osmótico, ou seja, uma osmolaridade fecal de pelo menos 2% maior do que o calculado pela dosagem da concentração de eletrólitos fecais.

B) DIARRÉIAS SECRETÓRIAS

Neste caso a secreção ativa os íons e água pela mucosa intestinal é devida à ação de uma toxina ou de um peptídeo, e é medida por nuclosídeos cíclicos.

C) DIARRÉIAS MOTORAS

O protótipo desta é a síndrome do cólon irritável. Caracteristicamente as Diarreias motoras são de pequeno volume, há muito tenemesmo e urgência, o hábito intestinal, é irregular, não há evacuações noturnas, e há uma sensação de evacuação incompleta.

D) DIARRÉIAS POR LESÕES DOS ENTERÓCITOS

Neste caso, por mecanismos inflamatórios ou infecciosos, os enterócitos são lesados total ou parcialmente, levando a distúrbios do transporte iônico, da absorção de nutrientes e da motilidade intestinal.

Toda Diarreia que persiste por mais de três semanas, principalmente em indivíduos debilitados, desidratados, desnutridos, muito jovens ou muito idosos, merece investigação. Geralmente, nas Diarreias com substrato orgânico, os indivíduos tendem a acordar á noite para evacuar, o que não acontece nos distúrbios funcionais. Diarreias predominantemente matutinos sugerem síndrome do cólon irritável ou abuso do álcool.

ETIOLOGIA E DIAGNÓSTICO

A primeira etapa do diagnóstico depende da história do exame físico cautelosos, pois a história epidemiológica pode muitas vezes ser a chave do diagnóstico, é muito importante saber por onde o paciente andou, se por onde andou há ou não epidemias de Diarreia ou certas doenças diarréicas, como a cólera que são endêmicas, a maioria das Diarreias são causadas por vírus. Lactentes entre 6 a 24 meses são freqüentemente acometidos por rotovírus, que mais raramente causa doença em crianças maiores e adultos.

Vários agentes virais tem sido associados a gastroenterites e foram separados em 4 categorias:

a) Vírus semelhantes ao norwalk, um grupo que representa 1/3 das gastroenterites não bacterianas nos EUA.

b) Calcivírus

c) Astrovírus, agente mais comum na faixa pediátrica

d) Outros vírus redondos e pequenos menos definidos. Estes agentes tendem a ocorrer em epidemias, acometendo crianças em idade escolar adolescentes e adultos. Outros agentes virais incluindo enterovírus e principalmente echo vírus, adenovírus, coronavírus pestivírus também são fortemente relacionados às gastroenterites.

Cólera, giardise, criptosporidiase e rotovirose são transmitidas pela água, onde a giardise e a criptosporidiose podem, inclusive serem adquiridas em piscinas públicas. Surto diarréicos por vírus são comuns em crianças que freqüentam creches. Frangos podem carrear SALMONELLA e devido a capacidade de causar infecção ovariana em associada a casos de E. coli enteroemorrágicas alguns fatais, porém a transmissão através de outros alimentos como frutas, legumes e mesmo alimentos ácidos também é comum e possível.

Listeriose é uma forma rara de Diarreia causada pela ingestão de queijos contaminados. Animais também podem transmitir SALMONELLA.

Finalmente a história de contatos, inclusives sexuais é importante, pois praticamente todos os microorganismos citados podem ser transmitidos de pessoas para pessoas.

A Diarreia do viajante tem contágio fecuoral e pode ser causado por diferentes organismos, o período de incubação tendem a ser de 1 a 5 dias, e o início dos sintomas é expressivo, com Diarreia e dor abdominal, sendo mais grave nos idosos, crianças e debilitados. A maioria dos casos tem resolução espontânea em 48-96 horas e 5% dos casos evoluem para as formas crônicas de Diarreia.

Pacientes com Diarreia causadas por toxinas bacterianas (entoróxima ou toxina performada) tendem a apresentar sintomas poucas horas após a ingestão do alimento contaminado, tento náuseas, vômitos são freqüentes e precoces.

Geralmente os sintomas altos procedem a Diarreia que tende a se aquosa, dor abdominal de pouca intensidade, em cólicas difusas podem estar presentes. Faz-se necessário pesquisar o surgimento de quadro clínico semelhante em outras pessoas que ingeriram o mesmo alimento.

A Diarreia aquosa, que geralmente é devida a toxinas, também podem ser calçadas por organismos invasivos como rotovírus e pelos que colonizam a mucosa sem infectá-la, com acontece na giardiase, os que produzem as toxinas como a shigelose, a E. coli que é produtora de citotoxinas, a C. difíssile, causam muita inflamação intestinal, com dor abdominal intensa, febre alta que pode estar ausente na colite pseudomembranosa. A Diarreia aquosa geralmente pode ser rapidamente evoluída para sanguinolenta, que pode ou não ser causada pela salmonela, isso só depende do grau da inflamação.

Algumas Diarreias podem ser acompanhadas de outro sinais e sintomas sistêmicos indicativos do potencial gravidade do processo. Em doenças inflamatórias crônicas, anemia pode indicar tanto gravidade como cronicidade do processo.

No exame clínico, o fundamental é a pesquisa de desidratação e de distúrbios eletrolíticos, desnutrição, lesões cutâneas e mucosas e febre, o exame físico deve ser completo incluindo o exame da tireóide.

TRATAMENTO

O principal fator de morbidade e mortalidade nas Diarreias são os distúrbios hidro-eletrolíticos, pois a desidratação é problema grave e deve ser abordada como tal, ou seja, com reposição adicionais de potássio e bicarbonato em doses que devem ser individualizadas de acordo com cada caso.

Um grave erro em relação as Diarreias envolve a nutrição. Devido à crença arraigada de que o jejum é benéfico, muitos pacientes se desnutrem, em especial as crianças. Deve-se recomendar a amamentação materna, a ligeira diluição das fórmulas lácteas quando estas são utilizadas, e oferecer alimentos ricos em sódio e glicose e pobres em fibras de acordo com a aceitação da criança. Em geral as sopas são melhores assimiladas do que alimentos sólidos.

Os antediarréicos devem ser evitados sempre, os antieméticos podem ser utilizados para alívio sintomático, o uso de antibióticos nas Diarreias é controverso, no entanto, a evidências que sugerem que o suo precoce de antibióticos abrevia o quadro clínico, acelera a recuperação e reduz a morbidade.

Porém nos casos de: cólera, shigelose, colite pseudomembranosa, parasitoses e "Diarreia do viajante, o uso de antibióticos é justificável, onde nos casos de salmoneloses alguns grupos de indivíduos com maior risco de bateremia podem ser beneficiados com o tratamento com antibióticos.

Nas infecções por shigella e salmonelas não tifóides é importante obter um antibiograma do agente, pois os padrões de sensibilidade podem variar.

A droga classificamente utilizada e o sulfametazol (800 mg) - trimetropina (160 mg) duas vezes ao dia, que ainda é eficaz e deve ser a medicação de escolha em criança e mulheres grávidas.

O tratamento geralmente é recomendado por três dias, mais dose única nos caos mais leves tem sido proposta. O tratamento das Diarreias crônicas depende da etiologia, e avaliação do especialista em gastroentereologia em geral se faz necessário.

PROFILAXIA

A melhor profilaxia para a maioria dos casos de Diarreia é a erradicação da pobreza através do desenvolvimento, certamente um melhoramento de condição sócio-econômico, do saneamento básico, de tratamento de água e da higiene pessoal, o preparo adequado da alimentação, isso já seria um diminuição significativa na maioria dos casos.

Fonte: www.radiologico.nom.b

Diarreia

A Diarreia, ou fezes freqüentes e líquidas, é a forma do corpo se livrar de toxinas e sustâncias estranhas. A maioria dos casos de Diarreia simples não devem ser controlados muito rapidamente. Talvez seja mais saudável deixar que o corpo do seu filho se desintoxique, sem deixar de fornecer-lhe a quantidade adequada de líquidos.

Há muitos microorganismos que podem causar Diarreia, inclusive vírus, bactérias, fungos e protozoários. Seu filho pode contrair vírus, bactérias ou protozoários de outras crianças ou de água e alimentos contaminados.

A intoxicação alimentar provoca Diarreia rapidamente. Uma alergia ao leite ou sensibilidade alimentar, que pode aparecer com a introdução de novos alimentos, também pode causar Diarreia.

As causas menos comuns da Diarreia são reações a medicamentos, inflamação intestinal, hepatite, fibrose cística e pancreatite. Uma deformidade anatômica, como uma fístula, ou um defeito congênito, como a doença de Hirschsprung ou a síndrome do intestino curto, também podem causar Diarreia. Se a Diarreia do seu filho for decorrente de qualquer um desses problemas, ele precisará de cuidado médico.

A maioria dos casos de Diarreia simples é causada por vírus. Os vírus invadem o trato intestinal da criança, causando irritação e inflamação das paredes intestinais. Os vírus também induzem as células que revestem os intestinos a secretarem líquidos.

O aumento do volume de líquido, por sua vez, aumenta a peristalse, contrações "em ondas" dos intestinos. O resultado é cólica e fezes soltas, líquidas e freqüentes, características da Diarreia.

O vômito e a dor de barriga muitas vezes acompanham a Diarreia e as cólicas abdominais geralmente vêm e vão, ocorrendo muitas vezes antes da evacuação.

Dependendo da causa da Diarreia, pode haver ou não febre.

Quando a criança está com Diarreia, a desidratação é sempre uma preocupação séria, principalmente se a temperatura ambiente estiver elevada. Nos primeiros dois ou três meses de vida, a criança pode ficar desidratada rapidamente; portanto, se seu recém-nascido tiver Diarreia, ligue para seu médico.

Observe seu filho entre os episódios de Diarreia para ter uma idéia do seu estado. Se ele estiver alerta e não tiver cólica entre os episódios, pode partir tranqüilamente do princípio de que seu corpo tem a situação sob controle. Mas se seu filho parecer fraco e a cólica não desaparecer entre os episódios, ligue para seu médico.

TRATAMENTO CONVENCIONAL

Para evitar desidratação, fórmulas orais com eletrólitos são normalmente recomendadas para crianças com Diarreia.

A loperamida é o antidiarréico mais usado e atualmente pode ser comprado sem receita médica. Desacelera o movimento dos músculos intestinais.

Observação: Não dê loperamida ao seu filho se ele tiver febre superior a 38 graus ou sangue nas fezes. Essa droga não é recomendada para crianças com menos de doze anos.

O caolim-pectina, uma droga vendida sem receita médica faz com que substâncias nos intestinos se liguem ao excesso de água, conseqüentemente solidificando e secando as fezes diarréicas. Isso faz parecer que seu filho está tendo menos Diarreia e fezes mais consistentes; porém, na verdade, ainda está perdendo a mesma quantidade de água que perderia se não estivesse sendo tratado.

O quadro é diferente. Os medicamentos com caolim dão uma falsa idéia de tranqüilidade. Não devem ser usados sem indicação do seu médico.

Os antibióticos podem ser úteis, mas apenas se a Diarreia do seu filho foi causada por um parasita ou uma infecção bacteriana. Devem ser receitados apenas após um exame de fezes ou cultura que confirme a presença de parasitas ou bactérias.

Os antidiarréicos que contêm opiáceos não são recomendados para crianças. Como a loperamida, essas drogas desaceleram a ação intestinal e cessam a motilidade intestinal. Mas são drogas poderosas, que contêm narcóticos, e não são necessariamente seguras.

DIRETRIZES ALIMENTARES

Sua principal preocupação ao cuidar de uma criança com Diarreia é evitar a desidratação. Durante a fase aguda da Diarreia, quando as fezes são freqüentes e líquidas, garanta que seu filho esteja tomando bastante líquido. Dê-lhe goles pequenos e freqüentes de água. Para evitar o vômito, não lhe dê um copo grande de água de uma só vez.

A fim de que o intestino tenha um tempo para acomodar-se e curar-se, evite dar ao seu filho laticínios durante um episódio de Diarreia e nas duas semanas subseqüentes ao desaparecimento da Diarreia.

Se estiver amamentado seu filho, continue. O leite materno não ocasiona nem exacerba a Diarreia. Na verdade, uma dieta que compreenda apenas leite materno e água, muitas vezes, pode ajudar a resolvê-la. A lactante também pode tentar incluir na sua dieta um suplemento de Lactobacillus acidophilus ou bifidus ou tomar uma dose de Arsenicum album 200d.

As crianças geralmente não querem comer muito quando estão com Diarreia aguda. Ofereça líquidos claros, como caldo de galinha, suco de maçã diluído e chá de ervas. Evite encher o estômago do seu filho, para que seu estômago e seus intestinos tenham tempo para descansar e recuperar-se. Não espere que se recupere da noite para o dia.

Quando seu filho começar a se sentir melhor, ofereça-lhe uma dieta simples para que o trato digestivo possa processar e absorver os nutrientes com facilidade.

Escolha alimentos familiares, facilmente digeridos e absorvidos, como papa de arroz, banana, cereais secos, cream crackers, torrada, purê de batata (sem manteiga), legumes bem cozidos e grãos.

Elimine alimentos de difícil digestão. As proteínas devem ser evitadas durante cerca de 48 horas. As gorduras devem ser eliminadas da dieta durante qualquer enfermidade. São difíceis de digerir até mesmo quando o corpo está saudável, e o trato intestinal debilitado dificulta ainda mais a digestão. As gorduras não-digeridas contribuem à toxicidade do ambiente interno.

Elimine açúcares refinados, principalmente se a dieta do seu filho for de origem bacteriana. As bactérias se proliferam em presença de açúcar. O açúcar também aumenta a acidez do corpo. Um ambiente interno excessivamente ácido retarda a recuperação.

SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

Os Lactobacillus acidophilus e bifidus recuperam a flora intestinal saudável e são úteis para resolver a Diarreia. Dê à criança com Diarreia uma cápsula de lactobacilos, duas vezes ao dia, durante cinco dias.

TRATAMENTO FITOTERÁPICO

O pó de casca de olmo é curativo e reconfortante aos intestinos. O olmo quase não tem sabor. Transforme o pó em uma pasta, misturando-o a um pouco de água, suco de maçã ou purê de maçã.

Dê à criança entre três e seis anos 1 colher de chá, uma vez ao dia; à criança entre sete e doze anos, 1 colher de chá, duas a três vezes ao dia.

A hidraste ajuda a controlar a Diarreia causada por uma infecção bacteriana. Dê à criança entre três e seis anos 3 gotas, três vezes ao dia, durante dois dias. Dê à criança entre sete e doze anos 10 gotas, três vezes ao dia, durante dois dias.

Curing Pills, uma fórmula fitoterápica chinesa, ajuda a resolver uma série de problemas digestivos, inclusive Diarreia. A criança entre três e seis anos deve tomar ¼ do tubo ou 1/3 do tubo ou 1 conta-gotas, três vezes ao dia.

Um creme feito de raiz de kuzu e pasta de ameixa umeboshi é útil para acalmar problemas intestinais.

HOMEOPATIA

Com base na lista a seguir, selecione um remédio específico para os sintomas do seu filho. O remédio certo deve agir 48 horas. A menos que indicado de outra forma, dê ao seu filho uma dose, três ou quatro vezes ao dia, até que os sintomas cedam. Se seu filho não apresentar qualquer melhora em 48 horas, experimente outro remédio.

Se seu filho tiver Diarreia após ingerir muito açúcar, dê-lhe Argentum nitricum 9ch.

Arsenicum album 9ch ajuda a resolver a Diarreia relacionada a intoxicação alimentar, ansiedade ou estresse. Esse remédio é geralmente necessário durante um ou dois dias.

Se seu filho tiver Diarreia após ingerir laticínios, ou estiver na fase de dentição com Diarreia, dê-lhe Calcarea carbonica 9ch.

Se seu filho tiver gases abdominais e Diarreia após comer muita fruta, dê-lhe China 9ch.

Colocynthis 6ch é muito eficaz contra a cólica abdominal que muitas vezes acompanha a Diarreia.

Magnesia phosphorica 6ch ajuda a relaxar os intestinos e a minimizar a cólica.

Para qualquer tipo de dor abdominal, é excelente intercalar Colocynthis com Magnesia phosphorica. Talvez não seja necessário dar esses remédios durante mais de 24 horas.

Se seu filho tiver fezesesverdeadas, líquidas e mal-cheirosas, use Mercurius solubilis 9ch.

Se seu filho tiver tendência a apresentar Diarreia recorrente e desejar sal, dê-lhe Natrum muriaticum 9ch.

Se seu filho tiver Diarreia após ingerir comidas gordurosas, dê-lhe Pulsatilla 9ch.

Se nenhum dos remédios anteriores parecer adequado ao seu filho, um composto homeopático para Diarreia talvez seja útil.

RECOMENDAÇÕES GERAIS

Certifique-se de que seu filho esteja tomando a quantidade adequada de líquidos. Quando um corpo pequeno perde líquido com a rapidez que perde quando está com Diarreia, a desidratação é uma preocupação muito séria. Se estiver intranqüilo quanto à melhora do seu filho, não hesite em consultar seu médico.

Se seu filho tiver episódios repetidos de Diarreia, descanse o trato gastrointestinal ao máximo. Para evitar desidratação, dê-lhe goles pequenos e freqüentes de água, sopas ou sucos de frutas diluídos.

Faça uma água de arroz ou cevada. Ferva ½ xícara de arroz integral ou cevada em 1 litro de água mineral. Depois que o arroz ou a cevada estiver cozido, peneire e faça com que seu filho tome pequenos goles. Esse caldo nutritivo é amplamente usado no mundo todo.

Se seu filho estiver vomitando, além de ter Diarreia, até mesmo um pequeno gole de água pode causar uma outra indisposição. Se o vômito ocorrer após a criança beber água, espere uma hora e ofereça-lhe pequenas raspas de gelo. Se o reflexo de vômito não for acionado pelo gelo, após uma hora de calma, ofereça-lhe mais raspas de gelo ou pequenos goles de água.

Não ofereça ao seu filho comida até que ele demonstre estar pronto para comer. Se seu filho estivercom fome, dê-lhe apenas alimentos simples e facilmente digeridos.

Dê ao seu filho pasta de olmo ou creme de ameixa umeboshi e raiz de kuzu.

Dê ao seu filho um suplemento de Lactobacillus acidophilus ou bifidus.

Selecione e administre um remédio homeopático adequado.

PREVENÇÃO

Para evitar que bactérias e substâncias estranhas invadam o organismo do seu filho, ensine-o a lavar as mãos adequadamente após ir ao banheiro e antes de comer.

Procure eliminar qualquer alergia ou sensibilidade alimentar que possa causar a Diarreia. Dentre os alérgenos comuns encontram-se frutas cítricas, trigo, açúcar e laticínios.

Se seu filho tiver acessos repetidos de Diarreia, pode ter intolerância à lactose. A absorção da lactose, ou açúcar do leite, depende da presença da enzima lactase. A maioria dos bebês tem quantidades adequadas dessa enzima, mas as crianças mais velhas e os adultos muitas vezes não produzem o suficiente para processar a lactose.

Como resultado, sofrem de Diarreia, gases, leve dor de cabeça e indigestão. Cerca de 33 milhões de norte-americanos têm intolerância à lactose.

O tratamento mais eficaz para esse problema é limitar o consumo de leite e laticínios, bem como produtos alimentícios processados que contenham lactose.

QUANDO CONSULTAR O MÉDICO SOBRE A DIARRÉIA?

Nos recém-nascidos, a Diarreia é assinalada por um aumento nas fezes, fezes anormalmente soltas ou líquidas, fezes amareladas ou esverdeadas ou fezes com mau cheiro. Consulte sempre seu médico quando o recém-nascido tiver Diarreia.

Se seu filho tiver dor de barriga forte ou persistente com Diarreia ou apresentar sangue nas fezes, ligue para seu médico imediatamente.

Se seu filho tiver um caso de Diarreia que dure mais de 48 horas ou Diarreia intermitente que vem e vai em um período de duas semanas ou mais, consulte seu médico.

O vômito que acompanha os distúrbios gastrointestinais não deve durar mais de 24 horas. Ligue para seu médico se seu filho tiver Diarreia com vômito durante mais de 24 horas.

Fonte: www.saudeinformacoes.com.br

Diarreia

A Diarreia ocorre quando há um aumento da proporção de água contida nas fezes, o que aumenta o peso fecal diário eliminado para mais que 250 gramas (o normal seria não ultrapassar 200 gramas).O termo Diarreia aguda refere-se ao início súbito e à duração menor que três semanas deste sintoma. A grande maioria dos casos de Diarreia aguda terminam em menos de três a cinco dias.

A Diarreia se não controlada pode desidratar e debilitar o corpo rapidamente. Cuidados com a hidratação e alimentação são fundamentais para a manutenção da saúde frente à Diarreia.

Segue algumas orientações

Beba bastante líquido entre as refeições: água, água de arroz (descrita abaixo), água de coco, chás, sucos naturais coados e especialmente soro de re-hidratação oral.
Não deixe de comer, faça pequenas refeições de 2 em 2 horas.
Lave e cozinhe bem os alimentos. -Evite açúcar, doces e adoçantes artificiais.

Receita da Água de Arroz

1 colher de sopa de farinha de arroz (cheia).
200 ml de água.
½ colher de chá de açúcar (rasa).
1 colher de chá de óleo vegetal.

Dilua a colher de farinha de arroz em 100 ml de água, leve ao fogo, deixando ferver por 3-4 minutos. Deixe esfriar, acrescente o restante da água, o açúcar e o óleo. Misture bem até ficar homogêneo. Consuma ao longo do dia em pequenas porções.

Alimentos mais indicados

Dê preferência aos alimentos cozidos, evitando os alimentos crus e fibras.
Aumente o consumo de alimentos ricos em potássio (como a banana, batata e carnes brancas), pois nesses casos há grande perda desse mineral.Pão branco, torradas, bolachas (maisena, água e sal, de leite).
Arroz, macarrão com molho caseiro (tomate sem casca e sem sementes).
Batata, mandioquinha, cenoura, cará, inhame, mandioca, chuchu, abobrinha sem semente. Caldo de feijão ou lentilha.
Carnes magras em geral (bovina, peixe, frango sem pele), de preferência grelhadas, assadas ou cozidas.
Leite de soja, leite com lactose reduzida, iogurte natural desnatado, queijo branco ou ricota.
Frutas cruas ou cozidas sem casca (maçã, banana, pêra, goiaba sem semente). Sucos de frutas naturais (limão, maracujá, maçã, goiaba, acerola).
Gelatina, amido de milho (maisena), aveia e tapioca.

Procure evitar

Alimentos gordurosos e frituras: maionese, lingüiça, salsicha, toucinho, queijos amarelos, chocolate, sorvetes cremosos e creme de leite.
Alimentos industrializados: enlatados em geral, sucos artificiais, doces em geral e salgadinhos.
Alimentos formadores de gases: repolho, brócolis, couve flor, milho, pepino, pimentão, rabanete, nabo, salsão, cebola, alho porró, refrigerantes e cervejas.
Alimentos ricos em fibras insolúveis: cereais integrais, legumes e verduras cruas, frutas secas.
Leite integral ou desnatado.

Observação

Quando a Diarreia terminar e você começar a aceitar melhor os alimentos, aumente, aos poucos, as quantidades e introduza gradativamente (sem exageros), os alimentos antes evitados.

Fonte: Ministério da Saúde

Diarreia

A Diarreia é um aumento do volume, da aquosidade ou da freqüência das evacuações.Os indivíduos com Diarreia causada por um problema clínico significativo geralmente apresentam volumes excessivos de fezes, eliminando normalmente mais de meio quilo de fezes por dia. Aqueles que ingerem grandes quantidades de fibras vegetais podem produzir uma quantidade ainda maior, mas as fezes são bem formadas e não são aquosas. Freqüentemente, as fezes contêm 60 a 90% de água.

A Diarreia ocorre principalmente quando a porcentagem excede 90%. A Diarreia osmótica ocorre quando certas substâncias que não podem ser absorvidas para a corrente sangüínea permanecem no intestino.

Essas substâncias fazem com que quantidades excessivas de água permaneçam nas fezes, acarretando a Diarreia. Certos alimentos (como algumas frutas e feijões) e hexitóis, sorbitol e manitol (usados como substitutos do açúcar em alimentos, doces e gomas de mascar dietéticos) podem causar Diarreia osmótica. Além disso, a deficiência de lactase pode acarretar Diarreia osmótica.

A lactase é uma enzima normalmente encontrada no intestino delgado que converte o açúcar do leite (lactose) em glicose e galactose, de modo que estas possam ser absorvidas para o interior da corrente sangüínea.

Quando um indivíduo com deficiência de lactase consome leite ou produtos laticínios, a lactose não é convertida, . Quando a lactose acumulase no intestino, ela produz Diarreia osmótica. A gravidade do quadro depende da quantidade da substância osmótica consumida. A Diarreia cessa logo após a interrupção do consumo da substância, seja sob a forma líquida ou sólida.

A Diarreia secretora ocorre quando o intestino delgado e o grosso secretam sais (especialmente o cloreto de sódio) e água para o interior das fezes.

Determinadas toxinas (p.ex., toxina produzida no cólera e as toxinas produzidas em outras Diarreias infecciosas) podem causar esse tipo de secreção.

A Diarreia pode ser abundante, podendo ser eliminado mais de um litro por hora em casos de cólera. Outras substâncias que causam secreção de sal e água incluem certos laxantes (p.ex., o óleo de rícino) e os ácidos biliares (que podem acumularse após uma cirurgia de remoção de parte do intestino delgado). Certos tumores raros (p.ex., carcinóide, gastrinoma e vipoma) também causam Diarreia secretória. As síndromes de má absorção também causam Diarreia. Os indivíduos com essas síndromes não conseguem digerir os alimentos normalmente.

Na má absorção generalizada, as gorduras que permanecem no intestino grosso devido à má absorção podem causar Diarreia secretória. Os carboidratos podem causar Diarreia osmótica. A má absorção pode ser causada por condições como o espru não tropical, a insuficiência pancreática, a remoção cirúrgica de parte do intestino, o suprimento sangüíneo inadequado ao intestino delgado, a ausência ou a deficiência de determinadas enzimas no intestino delgado e doenças do fígado.

A Diarreia exsudativa ocorre quando o revestimento do intestino grosso tornase inflamado, ulcerado ou congesto e libera proteínas, sangue, muco e outros líquidos que aumentam o volume e o conteúdo líquido das fezes.

Este tipo de Diarreia pode ser causado por muitas doenças como, por exemplo, a colite ulcerativa, a doença de Crohn (enterite regional), a tuberculose, linfomas e cânceres. Quando o revestimento do reto é afetado, o indivíduo freqüentemente sente uma necessidade urgente de defecar e as evacuações são freqüentes porque o reto inflamado é mais sensível à distensão produzida pelas fezes.

O trânsito intestinal alterado pode causar Diarreia. Para que as fezes apresentem uma consistência normal, elas devem permanecer no intestino grosso durante um certo tempo. As fezes que deixam o intestino grosso muito rapidamente são aquosas e as que permanecem durante um tempo excessivo tornamse duras e secas.

Muitos distúrbios e tratamentos podem diminuir o tempo de permanência das fezes no intestino grosso. Os exemplos incluem a hiperatividade da tireóide (hipertireoidismo); a remoção cirúrgica de parte do intestino delgado, do intestino grosso ou do estômago, a secção do nervo vago para tratamento de úlceras; a derivação (bypass) cirúrgica de parte do intestino e medicamentos (p.ex., antiácidos e laxantes contendo magnésio, as prostaglandinas, a serotonina e mesmo a cafeína).

A hiperproliferação bacteriana (crescimento de bactérias intestinais normais em quantidades anormalmente elevadas ou o crescimento de bactérias normalmente não encontradas nos intestinos) pode causar Diarreia. As bactérias intestinais normais possuem um papel importante na digestão. Por essa razão, qualquer alteração destas pode provocar Diarreia.

Complicações

Além do desconforto, das situações embaraçosas e da interrupção das atividades quotidianas, a Diarreia grave pode levar à perda de água (desidratação) e de eletrólitos (p.ex., sódio, potássio, magnésio e cloreto). Quando a perda hídrica e eletrolítica é acentuada, pode ocorrer uma queda acentuada da pressão arterial a ponto de o indivíduo desmaiar (síncope), apresentar arritmias cardíacas (alterações do ritmo cardíaco) e outros distúrbios graves.

Os indivíduos muito jovens, muito idosos, debilitados e aqueles com Diarreia intensa apresentam um maior risco de complicações.

Também pode ocorrer perda de bicarbonato através das fezes, acarretando uma acidose metabólica, um tipo de desequilíbrio ácidobásico do sangue.

Alimentos e Medicamentos que Podem Causar Diarreia

Alimentos e Medicamentos Ingrediente Que Causa a Diarreia
Suco de maçã, suco de pêra, gomas de mascar sem açúcar, menta Hexitóis, sorbitol, manitol
Suco de maçã, suco de pêra, uvas, mel, tâmaras, nozes, figos, refrigerantes (sobretudo aqueles com sabores de frutas) Frutose
Açúcar refinado Sacarose
Leite, sorvetes, iogurte congelado, iogurte, queijos moles, chocolate Lactose
Antiácidos contendo magnésio contendo Magnésio
Café, chá, refrigerantes do tipo cola, remédios para cefaléia de venda livre Cafeína

Diagnóstico

Primeiramente, o médico tenta definir se o a Diarreia apresentou um início súbito e foi de curta duração ou se ela é persistente. Ele tenta determinar se a causa pode ser alterações da dieta, se o indivíduo apresenta outros sintomas (p.ex., febre, dor, erupção cutânea) e se ele teve contato com outras pessoas que apresentaram um quadro similar. Baseandose no relato do indivíduo e no resultado de exames de fezes, o médico e a equipe laboratorial determinam se as fezes são formadas ou aquosas, se elas apresentam um odor inusual e se elas contêm gordura, sangue ou materiais não digeridos. O volume de fezes durante um período de 24 horas também é determinado.

Quando a Diarreia persiste, uma amostra de fezes comumente deve ser examinada microscopicamente para se verificar a presença de células, muco, gordura e outras substâncias. Também pode ser realizada a pesquisa de sangue oculto nas fezes e de substâncias que podem causar Diarreia osmótica. Também pode ser realizada a pesquisa de microrganismos infecciosos (p.ex., certas bactérias, amebas e Giardia) nas fezes. Se o indivíduo estiver tomando laxantes, eles também podem ser detectados em uma amostra de fezes. Pode ser realizada uma sigmoidoscopia (exame do cólon sigmóide com o auxílio de um tubo de visualização de fibra óptica), que permite ao médico examinar o revestimento do orifício retal e do reto. Algumas vezes, é realizada uma biópsia (remoção de amostras de tecido do revestimento do reto para exame microscópico).

Tratamento

A Diarreia é um sintoma e o seu tratamento depende da causa. Para a maioria dos indivíduos com Diarreia, basta remover a causa (p.ex., goma de mascar dietética ou determinado medicamento) para suprimir a Diarreia e permitir que o organismo se recupere espontaneamente. Algumas vezes, a Diarreia crônica é curada pela eliminação do consumo de café ou de refrigerantes do tipo cola, que contêm cafeína.

Para ajudar a aliviar a Diarreia, o médico pode prescrever um medicamento como, por exemplo, o difenoxilato, a codeína, o elixir paregórico (tintura de ópio) ou a loperamida. Algumas vezes, mesmo um agente formador de volume utilizado no tratamento da constipação crônica (p.ex., psílio ou metilcelulose) ajuda a aliviar a Diarreia. O caolim, a pectina e a atapulgita ativada podem ajudar a tornar as fezes mais consistentes. Quando a Diarreia grave causa desidratação, pode ser necessária a hospitalização do indivíduo para submetêlo a reposição líquida e eletrolítica intravenosa. Desde que o indivíduo não esteja vomitando e não se sinta nauseado, a ingestão de líquidos contendo água, açúcares e sais balanceados pode ser muito eficaz.

Fonte: www.msd-brazil.com

Diarreia

Diarreia do viajante

O que é?

A Diarreia do viajante é o problema que chega a atingir 80% dos viajantes. É classificada como uma doença diarréica aguda que se caracteriza pela diminuição da consistência das fezes e/ou aumento no número de evacuações (acima de três evacuações). Deve-se levar em consideração o hábito intestinal de cada pessoa.

Pode ser acompanhada de vômitos, febre e dor abdominal e as fezes podem apresentar muco e sangue - disenteria. Em geral é auto-limitada, tende a curar espontaneamente, com duração de até 14 dias, e sua gravidade depende da presença e intensidade da desidratação. O paciente com Diarreia aguda deve procurar os serviços de saúde.

Como se dá a transmissão?

A transmissão da Diarreia se faz principalmente através da água e alimentos contaminados pelas mãos de doentes ou pessoas que, mesmo sem apresentarem a doença, estão eliminando microorganismos nas fezes e não têm bons hábitos de higiene. Ocorre pela via fecal-oral de forma direta (mãos contaminadas) ou indireta (alimentos, água e utensílios contaminados).

Recomendações ao Viajante/Medidas preventivas

Não fazer uso de auto-medicação (antibióticos e quimioterápicos), que deverá ser utilizada somente com a prescrição médica
Aumentar o consumo de água e outros líquidos, para evitar a desidratação
Não utilizar os refrigerantes para fins de reidratação (além de ineficazes podem piorar a Diarreia)
Aumentar a ingestão de alimentos líquidos como sopas, sucos, chás, soro caseiro
Utilizar água tratada/clorada (ver dosagem e tempo de contato de hipoclorito de sódio no quadro abaixo)
Dar o destino adequado às fezes e ao lixo;

Realizar a lavagem correta e freqüente das mãos com água e sabão:

Após cada evacuação
Após limpar uma criança que acaba de evacuar
Antes de preparar a comida
Antes de comer e antes de alimentar a criança
Lavar adequadamente os utensílios domésticos/cozinha;Manter os cuidados adequados no preparo, armazenamento e conservação dos alimentos
Observar as condições higiênicas dos locais de alimentação quando fizer refeição fora do domicílio.

Dosagem e tempo de contato do hipoclorito de sódio a 2,5% segundo o volume de água para consumo humano a ser tratado no domicílio:

Volume de água Hipoclorito de sódio a 2,5% Tempo de contato
   Dosagem / Medida prática   
1.000 litros 100 ml / 2 copinhos de café (descartáveis)
30 minutos
200 litros 15 ml / 1 colher de sopa 30 minutos
20 litros 2 ml / 1 colher de chá 30 minutos
1 litro 0,045 ml / 2 gotas 30 minutos

Regras da Organização Mundial de Saúde para a preparação higiênica dos alimentos:

1 - Escolher alimentos tratados por métodos higiênicos
2 - Cozinhar bem os alimentos
3 - Consumir os alimentos cozidos quando ainda quentes
4 - Guardar adequadamente os alimentos cozidos quando destinados ao consumo posterior
5 - Reaquecer bem, antes de consumir, os alimentos cozidos que tenham sido refrigerados ou congelados
6 - Evitar o contato entre os alimentos crus e os cozidos
7 - Lavar as mãos com freqüência
8 - Manter rigorosamente limpas todas as superfícies da cozinha
9 - Manter os alimentos fora do alcance de insetos, roedores e outros animais
10 - Utilizar água potável.

A segurança do alimento e da bebida depende principalmente dos padrões de higiene aplicados no seu preparo e manipulação. Em países com infra-estrutura e saneamento básico precários, o risco de se contrair Diarreia é maior.

Fonte: www.anvisa.gov.br

Diarreia

Tipos de Diarreias

As Diarreias dividem-se em agudas e crônicas. As Diarreias agudas têm um início súbito e evolução rápida que oscilam entre uma a duas semanas. Habitualmente estas Diarreias são benignas e auto-limitadas, isto é, não são precisos medicamentos para a sua resolução desaparecendo apenas com tratamento sintomático, ou seja, com medicamentos para a hidratação.

As Diarreias crônicas são persistentes e duram semanas ou meses, necessitando-se de exames complementares de diagnóstico para identificar rigorosamente a sua causa. As doenças inflamatórias intestinais, os tumores ou algumas infecções podem estar na sua origem.

CAUSAS E SINTOMAS

As causas mais freqüentes das Diarreias são as infecções (vírus, bactérias e protozoários), as intoxicações alimentares e os medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios, antiácidos e laxantes). Uma outra causa de Diarreia é a intolerância e alergia a determinados alimentos.

Os sintomas mais freqüentes relacionados com a doença diarréica costumam associar-se a febre, náuseas, vômitos, mal-estar e dores de estômago.

Os sintomas chaves para determinar a gravidade do quadro são: perda de peso superior a 4,5 quilogramas, a presença de sangue nas fezes, febre alta com mais de 38ºC, sintomas persistentes apesar de tratamento e desidratação acentuada.

CONSEQÜÊNCIAS DE UMA DIARRÉIA

Um dos principais efeitos da Diarreia é a desidratação, com perda de líquidos e de eletrólitos. Sendo particularmente perigosa em lactentes, crianças e idosos. Os sinais de desidratação são difíceis de avaliar, mas incluem sede, boca seca, debilidade, vertigem, escurecimento e diminuição do volume da urina.

MEDIDAS A TOMAR PERANTE UMA DIARRÉIA

Cuidados alimentares

Sendo a Diarreia um sintoma, o tratamento depende da sua origem. A maioria das pessoas com Diarreia só tem de evitar a sua origem. No entanto, o primeiro objetivo é prevenir ou tratar a desidratação e as deficiências nutricionais. Quando for possível, há que manter a ingestão de alimentos.

As dietas devem incluir a ingestão de muitos líquidos, de gorduras de fácil digestão, alimentos ricos em hidratos de carbono, tais como bananas, arroz, massa, batatas, sumo de maçã e tostas que proporcionam fibra solúvel e insolúvel sem irritação. Se a tosta estiver ligeiramente queimada o carvão pode ajudar a reter toxinas e eliminá-las do organismo. Devem suspender-se os produtos lácteos.

CUIDADOS FARMACOLÓGICOS

Para ajudar a aliviar o doente com Diarreia, o médico pode prescrever um fármaco regulador do rítmo intestinal, que é eficaz no alívio das cólicas abdominais e na perda de fluidos. No entanto, pode agravar os efeitos de uma invasão microbiana, por atraso na eliminação das bactérias e das toxinas pelas fezes. Por vezes, até um agente formador de volume que se utiliza para a prisão de ventre crônica, pode ajudar a aliviar a Diarreia.

Existem ainda os reguladores da flora intestinal a base de leveduras (Saccharomyces boulardii) e os produtos nutracêuticos a base de probióticos que pretendem repor a flora do trato gastrintestinal e manter o seu equilíbrio uma vez que é indispensável na manutenção da função intestinal.

PROBIÓTICOS

Os probióticos são microrganismos, não patogênicos, vivos, que quando administrados por via oral e em concentrações adequadas desenvolvem efeitos benéficos na resolução da Diarreia. Os microrganismos benéficos são os lactobacilos e as bifidobactérias nomeadamente os Lactobacillus acidophilus e os lactobacillus bifidus.

Os efeitos benéficos dos probióticos são múltiplos e incluem a modulação do equilíbrio da microflora intestinal devido às suas capacidades de adesão às células epiteliais da mucosa intestinal, inibindo o crescimento dos microrganismos patogênicos por competição dos receptores das células epiteliais e também de nutrientes. Os probióticos desenvolvem e potenciam as defesas não imunológicas do trato gastrintestinal e protegem o paciente dos microrganismos patogênicos através da modulação das defesas imunológicas.

PREVENÇÃO DA DIARRÉIA DO VIAJANTE

A higiene adequada e o manuseamento correto dos alimentos previnem a maioria dos casos. A Diarreia do viajante é uma perturbação característica por evacuações diarréicas, náuseas e vômitos que afetam com relativa freqüência as pessoas que viajam. Os viajantes devem freqüentar restaurantes com reputação de segurança e não deverão aceitar comida ou bebida oferecida por vendedores ambulantes. Todos os alimentos devem ser cozidos e todas as frutas descascadas. Os turistas deverão beber só bebidas engarrafadas ou preparadas com água que tenha sido fervida. Até os cubos de gelo deverão ser de água previamente fervida.

A vantagem que os antibióticos oferecem como prevenção é controversa, mas estes medicamentos podem ser recomendados para as pessoas especialmente propensas às conseqüências da Diarreia do viajante, como os imunosuprimidos. O tratamento inclui beber líquidos abundantes, ingerir uma dieta mole e tomar reguladores do ritmo e da flora intestinal. Mas o mais importante é sem dúvida prevenir a desidratação.

Catarina Baptista

Fonte: www.sitemedico.com.br

Diarreia

A Diarreia é um sintoma e não uma doença. Caracteriza-se pela ocorrência de evacuações líquidas e freqüentes (normalmente acima de 3x/dia), sendo acompanhada pela perda excessiva de líquidos e eletrólitos (sais minerais). A passagem do alimento através do trato digestório é rápida demais impedindo a digestão e absorção completa.

Vale lembrar que Diarreia e disenteria são diferentes, pois um refere-se apenas ao carater das fezes e o outro apresenta cólicas abdominais, com possível presença de sangue.

Se a Diarreia prolongar-se e tornar-se crônica, poderá ocorrer um grande número de deficiências nutricionais, desta maneira o profissional nutricionista oferece:

Dieta de líquidos e eletrólitos suficientes para repor as perdas
Apenas fibras solúveis deve ser utilizadas em casos de Diarreia, pois provocam o retardo do funcionamento intestinal. Os alimentos fontes são: maçã, pera, banana maçã, goiaba, e sucos de limão e qualquer uma das frutas relacionadas acima. Utilize pouco ou nada de açúcar, pois esse alimento fermenta no intestino e pode atrapalhar a recuperação.
Todo indivíduo deve hidratar- se durante o período que estiver com Diarreia. Essa hidratação pode ser feita através do soro caseiro, fórmulas comerciais de soro de reidratação oral ou isotônicos.
Os alimentos oferecidos no período de recuperação podem ser bolachas água e sal, torradas simples, canja de galinha, purê de batata, mingau de Maisena.
Outros alimentos permitidos: Batata sem casca, arroz, pão branco, sucos de frutas coado, carnes, frangos e peixes.

O que deve ser evitado:

Leite e derivados, pois a lactase presente nos eletrólitos encontra-se abaixo podendo haver intolerância do organismo, uma vez que esta enzima digere a lactose (proteína encontrada no leite e derivados);

Fibras insolúveis, presente nas cascas e cereais integrais, pois estas aceleram ainda mais o trânsito intestinal.

Trigo de qualquer espécie, doces, frutas, vegetais, pasta de amendoim, feijão, ervilhas, lentilha e outras sementes. A formação de gases também é indesejada nestes casos.

DIARRÉIA NA INFÂNCIA

Na infância as causas mais freqüentes de Diarreias são as contaminações dos alimentos e/ou reações alérgicas à determinado alimento. Nesta fase a perda excessiva de líquidos e eletrólitos pode ser fatal. A conduta nutricional neste caso é a imediata reposição de líquidos, seguido da introdução de arroz e purê de batata, reiniciando gradualmente a alimentação do dia a dia. A criança não pode ficar muito tempo sem o aporte completo de todas os macronutrientes e micronutrientes em sua dieta, pois encontra- se em fase de crescimento.

Fonte: www.rgnutri.com.br

Diarreia

A Diarreia é um efeito colateral muito comum durante a fase de tratamento e ocorre principalmente pela utilização de alguns quimioterápicos e radioterapia na região pélvica e abdominal. Durante a Diarreia o alimento passa rapidamente pelo intestino antes que ocorra a absorção em quantidade suficiente das vitaminas, sais minerais e água.

A Diarreia descontrolada pode levar à perda de peso, desidratação, diminuição do apetite e fraqueza.

Para que se controle a Diarreia, é necessário que você evite os alimentos que estimulam ainda mais o funcionamento do intestino.

O que fazer:

Coma pequenas porções em intervalos freqüentes.
Beba muito líquido de preferência em temperatura ambiente como: água, chá de ervas (camomila, hortelã, cidreira) água de coco e sucos de frutas.Evite alimentos e bebidas muito frias ou muito quentes.
Evite o consumo de alimentos laxativos como: verduras cruas ou cozidas, alimentos integrais, frutas como laranja, mamão, ameixa, abacate e frutas oleaginosas (nozes, castanha de caju, amêndoas).
Utilize como tempero para o preparo das refeições: alho, cebola, sal e óleo com moderação.
Prefira frutas como: maçã, pêra, banana prata ou banana maçã, melão, melancia, goiaba (sem casca e sem semente), beba sucos naturais de maçã com gotinhas de limão, limonada, caju ou maracujá.
Abuse da fibra solúvel (pectina) encontrada na maçã.
Evite leite e derivados até que a Diarreia esteja controlada.
Use e abuse de caldos de sopas ou consomés com pouca gordura, pois além de nutritivos melhoram a hidratação.
Experimente alimentos nutritivos e pobres em fibras como arroz branco, macarrão, fécula de arroz ou sêmola, maisena, pão branco, ovos (cozido, poché, mexido ou omelete simples), carnes magras, aves sem pele, peixe magro (de preferência tudo cozido, assado ou grelhado).
Evite os alimentos fritos e gordurosos.
Diminua o consumo de açúcar refinado e açúcar mascavo.
Evite o uso de mel, melado e rapadura.
Suplementos nutricionais podem piorar a Diarreia, evite usá-los até que a Diarreia esteja controlada.

Tipo de Alimento O que é permitido O que não é permitido
Bebidas água, chá de ervas (camomila, hortelã, cidreira), água de coco e sucos de frutas* , bebidas a base de soja   Bebida alcoólica, gaseificadas, ou que contenham cafeína como café e energéticos, caldo de cana, groselha, gemada
Pães, cereais e farinhas Pães de farinha branca refinada, biscoitos de água e sal, povilho, torradas, maisena, tapioca Pães, biscoitos e torradas de cereais integrais, granola, todas as farinhas feitas de cereais integrais, amanteigados, folhados, croissant, pão de queijo e pães doces com recheio
Queijo Cottage, ricota fresca, queijo branco light Todos os outros
Leite Leite com baixo teor de lactose se a Diarreia estiver controlada Todos os outros
Sobremesa Gelatina, frutas e purê de frutas*, sagu, picolé de frutas*, pudim de clara Chocolate, pudins, tortas, bolos, mousses, sorvete
Ovos Cozido, poché, mexido, omelete simples Cru e frito
Óleos, gorduras e molhos Azeite, óleo vegetal, margarina tudo em pequena quantidade Maionese, molhos prontos para salada, molho branco, creme de leite
Frutas e suco de frutas* Cozidas ou cruas sem casca e sem semente como: maçã, pêra, banana prata ou banana maçã, melão, melancia, goiaba, sucos naturais de maçã com gotinhas de limão, limonada, caju ou maracujá laranja, tangerina, mamão, ameixa, abacate, e oleaginosas (nozes, castanha, amêndoas), frutas secas (uva passa, tâmara, ameixa seca, etc.)  
Carnes, aves e peixe Carnes magras, aves sem pele, peixe magro Frios, embutidos, carnes gordurosas, defumadas, carne de porco
Batata, arroz e massas Batata cozida ou assada, purê sem leite, arroz branco, arroz com legumes, massas simples com molho natural Massa recheada, torta de massa podre, pastel, batata frita, arroz integral
Sopas e caldos Sopa de legume com carne ou frango, canja, creme de batata, mandioquinha, caldo de (carne, frango e peixe), pirão Sopas de leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, feijão branco e grão de bico), engrossadas com leite ou queijo, sopa com verdura
Legumes e verduras Legumes sem casca e sem semente Nenhuma verdura
Leguminosas Nenhuma Todos
Temperos Alho, cebola, pouco sal Condimentos fortes e picantes, caldos concentrados prontos
Diversos Preparações assadas, cozidas ou grelhadas Frituras em geral

Não descuide da sua hidratação

O problema da Diarreia durante o tratamento é a perda de água e eletrólitos (sais minerais) que ela ocasiona, trazendo o risco de desidratação. É importante beber quantidade suficiente de líquidos como água, chás, sucos, água de coco para repor as perdas pela Diarreia. Esses líquidos devem ser oferecidos em pequenas quantidades e grande freqüência, para manter-se hidratado. Se a Diarreia for persistente procure dar preferência à utilização de uma solução de hidratação oral como os reidratantes orais encontrados em farmácia ou soro caseiro, que contem além de água, os sais minerais perdidos na Diarreia. A oferta destas soluções de reidratação em pequenas quantidades evita a irritação do estômago e, conseqüentemente, vômitos. Deve-se reforçar a oferta de líquidos principalmente após os episódios de evacuação líquida. As bebidas esportivas não apresentam quantidade suficiente de sódio na sua composição, e devem ser evitadas. Essas bebidas são contra-indicadas na prevenção da desidratação por Diarreia. Evite, ainda, o uso de refrigerantes. Mesmo sem gás, a quantidade de açúcar dos refrigerantes é muito alta, e para serem eliminados eles necessitam de água. Sendo assim, ao invés de ajudar a reter água no organismo, essas bebidas podem aumentar a excreção de água. É muito comum que os episódios de Diarreia venham acompanhados de vômitos. Nesses casos, a atenção com a hidratação deve ser redobrada.

Fonte: www.nutrionco.com.br

Diarreia

Embora a diarreia seja uma experiência desagradável, é na verdade bastante comum - afetando os adultos, em média quatro vezes por ano. Caracteriza-se por aumento invulgar dos movimentos intestinais ou por dejecções mais líquidas que o normal, constituindo pois o oposto da obstipação.

Mas aquilo que acontece no seu organismo e que justifica este fenómeno desconfortável, é na verdade bastante simples.

Normalmente, os alimentos e os líquidos seguem uma via desde o estômago até ao intestino delgado, local onde os nutrientes e a água são absorvidos, e seguem então para o cólon onde os restos não digeridos podem ser armazenados e mais tarde, eliminados.

Algumas vezes, infecções, intoxicações, inflamações ou outras situações podem impedir o normal funcionamento do intestino delgado ou do cólon, bem como a taxa de absorção dos nutrientes e de água.

O movimento normalmente lento, em ondas, do trato intestinal pode tornar-se hiperativo, conduzindo os alimentos e líquidos demasiado rapidamente através do cólon. Isto tem como consequência o aparecimento de fezes aquosas - o que mais frequentemente é referido como diarreia..

O termo "diarreia" deriva da palavra grega "diarrhoia" o que significa "uma corrente".

Causas

A Diarreia tem várias causas e pode dividir-se em duas categorias - aguda (temporária) e crônica (ou persistente).

Diarreia Aguda

Também conhecida como temporária, este tipo de diarreia frequentemente desaparece espontaneamente em alguns dias e é na grande maioria das vezes causada por vírus, parasitas e bactérias.

Infecções virais

Muitos vírus podem causar diarreia, incluindo rotavirus, vírus Norwalk, citomegalovirus, vírus herpes simplex e hepatite viral.

Parasitas

Os parasitas podem entrar na corrente sanguínea através dos alimentos e da água e instalarem-se no aparelho digestivo. Entre os parasitas que provocam diarreia incluem-se a Giardia lamblia, a Entamoeba histolytica e o Cryptosporidium.

Infecções bacterianas

Diversos tipos de bactérias, adquiridas através de alimentos ou água contaminada, podem causar diarreia. Entre os habituais responsáveis incluem-se Campylobacter, Salmonella, Shigella e Escherichia coli.

Entre outras causas, podem referir-se:

Satisfação de apetites

Consumo excessivo de certos alimentos e álcool pode resultar em diarreia.

Menstruação

Muitas mulheres podem ter diarreia ligeira quer imediatamente antes quer durante a menstruação.

Situações de stress

O stress emocional pode, algumas vezes, causar diarreia. Normalmente a diarreia desaparece logo que a situação causadora de stress deixa de existir.

Diarreia Crônica

A diarreia crônica define-se como a diarreia com duração superior a 4 semanas (há quem considere 2 semanas) e embora possa surgir como consequência duma infecção, resulta normalmente de outras causas que levam à incapacidade do intestino delgado absorver nutrientes e líquidos.

As causas de diarreia crônica são múltiplas e incluem situações tão diversas como intolerância alimentar, doenças intestinais, reacções medicamentosas e doenças intestinais funcionais.

Intolerância ou alergia alimentar

Os derivados do milho ou do trigo são os responsáveis mais comuns. A intolerância à lactose é uma situação comum que afeta cerca de 20% das pessoas.

Reacções medicamentosas:

Tais como antibióticos, medicamentos anti-hipertensores e antiácidos contendo magnésio.

Doenças intestinais, tais como Doença Inflamatória Intestinal, Doença de Crohn e Colite Ulcerosa.

Doenças intestinais funcionais, tais como a síndrome do cólon irritável, nas quais os intestinos não funcionam de forma normal.

Em muitos casos, mesmo após uma investigação clínica completa, não se consegue determinar a causa da diarreia. De qualquer modo, desde que a diarreia desapareça espontaneamente, não é normalmente necessária uma pesquisa aprofundada.

Sintomas

Entre os sintomas mais comuns da diarreia, incluem-se fezes aquosas e soltas, que muitas vezes são acompanhadas de cólicas abdominais.

A diarreia de causa viral pode muitas vezes ser precedida de náuseas e vómitos. Podem também ocorrer outros sintomas, como dor abdominal, cólicas e sintomas tipo gripal como dores de cabeça, febre e dores musculares.

A diarreia causada por bactérias ou parasitas inclui muitas vezes febre alta (> 39º C) e fezes com sangue ou muco.

Quando deve consultar um médico?

A diarreia aguda (ou temporária) geralmente desaparece em alguns dias.

No entanto, se tiver algum dos sintomas seguintes deve consultar o seu médico:

Diarreia persistente que dura mais de uma semana
Desidratação sugerida por sintomas como boca seca, sede excessiva, fraqueza, tonturas ou sensação de cabeça leve
Febre persistentemente elevada (acima de 39º C) Fezes com sangue ou muco Dor retal ou abdominal intensa

O tratamento correto

Cuide de si próprio/a

Embora possa ser desagradável, a diarreia água (ou temporária) de causa infecciosa seguirá o seu curso natural durante alguns dias, procure o seu médico ou farmacêutico mas, entretanto, tome as seguintes medidas para prevenir a desidratação e para aliviar os seus sintomas:

Na fase iniciaI (aguda) da diarreia aguda, tente evitar alimentos com teor elevado em açúcar, álcool, frutas cruas, vegetais e alimentos ricos em fibras. Todos eles podem aumentar a frequência da diarreia. Se tiver diarreia e lhe apetecer alimentos sólidos tente comer uma "dieta branca" mole, incluindo alimentos como arroz e pão. Chama-se a esta dieta BRAT* (do inglês) - bananas, arroz, sumo de maçã e tostas.

A medida mais importante a tomar nesta altura é beber bastantes líquidos ou então soluções de re-hidratação oral disponíveis nas farmácias. Estas devem ser ingeridas em pequenas quantidades até cerca de 8 a 16 copos por dia (2 a 4 litros). Estes líquidos contêm hidratos de carbono e eletrólitos (sódio, potássio, cloreto e citrato ou bicarbonato). À medida que os seus sintomas melhoram, pode ir ingerindo água, sumos não açucarados ou sopas, como suplemento.

Tratamento Médico

A maioria da diarreia aguda (ou temporária) é ligeira e pode ser tratada de forma eficaz com reposição de líquidos e tratamento sintomático. Embora muitas pessoas pensem que são necessários antibióticos, na verdade só raramente isso acontece. Quando tiver dúvidas sobre a causa ou gravidade da diarreia confie na experiência e conselhos do seu médico, que terá a última palavra neste domínio.

Deverá consultar o seu médico imediatamente se tiver algum destes sintomas:

Diarreia persistente que dura mais de uma semana Desidratação sugerida por sintomas como boca seca, sede excessiva fraqueza, tonturas ou sensação de cabeça leve Febre persistentemente elevada (acima de 39º C) Fezes com sangue ou muco Dor retal ou abdominal intensa

"NÃO SERÁ PREFERÍVEL DEIXAR A DIARREIA SEGUIR O SEU CURSO NATURAL PARA ME VER LIVRE DOS MICRÓBIOS?"

Quando a diarreia ocorre, há quem pense que é a forma natural do organismo "se ver livre das toxinas" e que os antidiarreicos funcionariam como uma rolha que conservaria os agentes patogénicos no seu interior. Na verdade, esta ideia não corresponde à realidade. O tóxico de que as pessoas falam tem a ver na verdade com as bactérias que estão na base de algumas, mas não de todas, as causas de diarreia. Para muitas pessoas, a causa reside apenas no stress ou na ansiedade ou apenas numa alteração no clima, e não existe qualquer tóxico no corpo. Se as bactérias estão presentes, o corpo irá geralmente eliminá-las em cerca de um dia. Se os sintomas persistirem deve procurar a ajuda do seu médico ou farmacêutico.

Porque tenho diarreia quando estou de férias?

Diarreia

Higiene deficiente, água ou alimentos contaminados e alterações climáticas constituem fatores, que no seu conjunto, contribuem para tornar a diarreia do viajante uma situação extremamente comum. Pode ser desencadeada simplesmente por uma alteração na alimentação. Quando já gastou uma soma considerável nessa viagem importante, a última coisa que deseja é a perda de tempo e sofrimento que se associam à diarreia. O melhor é levar consigo um medicamento que seja eficaz quando for de férias.

Ter de fazer uma apresentação ou uma atuação em público é o que basta para que algumas pessoas tenham um surto de diarreia. Na verdade, é um problema já de reconhecimento generalizado. Se pensa que isso poderá estar na eminência de acontecer, o fato de dispor de antidiarreicos à mão e poder tomá-los na altura dos primeiros sinais da diarreia, pode dar-lhe toda a confiança para conseguir o melhor desempenho.

Recomendações sobre auto-medicação na diarreia aguda

A quem se destinam

Farmacêuticos ou ajudantes de farmácia clínicos gerais e enfermeiros/as agências de viagens

Estas recomendações devem ser usadas sempre que se preste aconselhamento sobre o tratamento da diarreia aguda no adulto, quer a pessoa se encontre na sua residência habitual, em viagem, ou no ato de compra de medicação para kits de viagem.

Critérios para auto-medicação

É opinião consensual que o tratamento da diarreia através de automedicação imediata, é seguro e eficaz nas seguintes circunstâncias:

Início súbito de aumento dos movimentos intestinais com fezes soltas ou aquosas, que atingem grau suficiente de forma a requererem tratamento.O impacto negativo desta situação na qualidade de vida é justificação mais do que suficiente para que se procure o alívio dos sintomas
Estar de boa saúde antes do início da diarreia. As pessoas com doenças sistémicas graves simultâneas, ou diarreia recorrente devido a doença intestinal crônica, os debilitados ou idosos (> 75 anos) devem ser referenciados a um médico para avaliação e tratamento.

Ausência de sinais ou sintomas de alarme

(1) disenteria, definida como febre elevada (acima de 38,5º C ) e/ou sangue nas fezes. A disenteria deve ser tratada sob supervisão médica
(2)
vómitos intensos que podem levar a desidratação rápida
(3)
desidratação evidente.

No caso de aconselhamento a pessoas que vão viajar, estes sintomas de alarme devem ser transmitidos ao indivíduo em risco para clarificar as opções de tratamento.

Opções para auto-medicação

O painel de especialistas que estabeleceu estas recomendações defende a utilização das seguintes opções, atualmente disponíveis para o controle, através de auto-medicação da diarreia aguda não-complicada (tal como acima definido):

Ingestão de fluidos

Mantenha uma ingestão adequada de líquidos, de acordo com a sua sede. Recomenda-se o uso de bebidas contendo glucose (tais como limonadas, sumos de frutas) ou de sopas, que têm muitos eletrólitos.

Soluções de re-hidratação oral

Embora as soluções de re-hidratação oral sejam essenciais na diarreia da criança, não são necessárias em adultos que não tenham outros problemas de saúde. Não há qualquer evidência de que as soluções de re-hidratação oral disponíveis possam aliviar ou encurtar a duração da diarreia.

Ingestão de alimentos

A ingestão de alimentos sólidos deve ser efetuada de acordo com o apetite. Não há evidência nos adultos que os alimentos sólidos impeçam ou retardem a recuperação. Podem ser recomendadas refeições ligeiras e pequenas. Devem ser evitados alimentos pesados, condimentados, gorduras e estimulantes - tal como a cafeína que também está presente nas bebidas de cola. Pode ser útil evitar alimentos contendo lactose (tal como o leite) no caso de episódios mais prolongados de diarreia aguda.

Medicamentos

Procure aconselhar-se junto do seu médico ou farmacêutico.

Intervenção médica

Os doentes devem procurar ajuda médica quando:

Não se verificar qualquer melhoria ao fim de 48 horas
Exacerbação dos sintomas ou agravamento da situação global
Surgimento de sintomas de alarme (vómitos intensos ou desidratação, febre persistente, distensão abdominal ou sangue vivo nas fezes).

Fonte: www.janssen-cilag.pt

Diarreia

A Diarreia é uma doença freqüente em crianças, caracterizada por um aumento de freqüência das evacuações, habitualmente mais de 3-4 por dia, ao mesmo tempo em que as fezes ficam amolecidas ou aquosas. Nas crianças, muitas vezes se acompanham de vômitos e febre.

Quais são as causas mais importantes?

As causas mais importantes são as infecções do trato gastrintestinal, predominando os vírus e bactérias. Outros agentes infecciosos, como parasitas, ou diferentes toxinas, contidas em microorganismos ou alimentos estragados, também podem causar Diarreia

A Diarreia é uma doença grave?

Na maioria dos casos a Diarreia não, podendo ser tratada no próprio domicilio da criança, com cuidados básicos e observação pela própria família. Em crianças pequenas, especialmente menores de 6 meses, a Diarreia pode ser mais grave quando aparece a sua principal complicação, a desidratação. Esta complicação é mais freqüente em crianças que não estão mamando e/ou são desnutridas.

Como se trata a Diarreia?

A Diarreia não complicada se trata basicamente com paciência, pois é uma doença auto-limitada, ou seja, o próprio organismo se encarrega da cura em poucos dias. Durante este período, o mais importante é manter a alimentação normal da criança e oferecer bastantes líquidos, de preferência o soro de reidratação oral, para prevenir a desidratação. Também devem ser observados sinais de alguma eventual complicação; nestes casos, procurar um pronto atendimento por profissional de saúde

Existem medidas de prevenção?

Varia medidas são efetivas para evitar as Diarreias. Nas crianças pequenas é fundamental o aleitamento materno exclusivo, até o sexto mês de vida. Quando for necessário oferecer outros alimentos, lavar bem as mãos, usar água filtrada e fervida, cozinhar bem estes alimentos. Acompanhar o crescimento da criança e manter as vacinas em dia, também são úteis para que as defesas da criança sejam efetivas no momento de controlar uma infecção.

O que é a desidratação?

A desidratação é a complicação mais freqüente da Diarreia, podendo também ser a mais grave. Significa falta de água no organismo. Ela ocorre quando os líquidos que a criança esta perdendo pela Diarreia ( e vômitos ), não são adequadamente repostos no tratamento oferecido. É uma situação que pode e deve ser evitada. Quando acontecer, deve ser prontamente tratada.

Como se reconhece a desidratação?

A criança fica com sede, podendo ser observado que ela procura beber líquidos com mais vontade. Os olhos da criança se modificam e parecem "fundos" . Muitas vezes a criança estará inquieta ou irritada. A pele vai ficando seca e pode observar-se uma prega cutânea ao beliscar a pele na região do abdome.

Como se trata a desidratação?

Nos casos de desidratação leve, o tratamento consiste em aumentar a ingestão de líquidos, especialmente o soro de reidratação oral, com a finalidade de que a criança recupere o seu estado normal, para depois manter este aporte aumentado de líquidos com fins preventivos. Caso não melhore desta forma, ou a situação de desidratação seja grave, a criança devera ser tratada em um hospital.

Como se usa o soro oral em casa?

O soro oral pode ser obtido nos serviços de saúde, ou ser preparado em casa conforme orientação dos profissionais de saúde. De um modo prático, recomenda-se oferecer 50 a 100 ml do soro após cada evacuação aquosa, nas crianças menores de 1 ano, e 100-200 ml nas crianças maiores.

Quando a criança deve ser levada para o hospital?

Se a criança não consegue beber os líquidos oferecidos, ou vomita toda vez que ingere os líquidos, ela poderá piorar rapidamente e deve ser levada ao hospital.

Outros sinais que devem alertar a família são: a criança começa a ficar quieta demais, sem reagir aos estímulos ambientais, dormindo em excesso, ou aparecerem os sinais de desidratação ( já descritos ) durante o tratamento

E necessário usar antibióticos?

Antigamente era prática comum usar antibióticos nas Diarreias, mas hoje, raramente é necessário. Apenas em algumas Diarreias em que as evacuações apresentam-se com sangue ( chamadas Diarreias disentéricas ), poderá ser considerado o uso de algum antibiótico, que sempre deve ser prescrito por um profissional de saúde

Que outros medicamentos podem ser usados na Diarreia?

Muitos medicamentos chamados "antidiarréicos" existem nas farmácias, mais nenhum deles deve ser utilizado, pois alem de não oferecerem vantagens, têm sérios efeitos colaterais que podem piorar a situação. É importante lembrar que a Diarreia é a forma que o organismo tem de eliminar as toxinas ou bactérias que estão agredindo o organismo, desse modo, trata-se de um mecanismo de defesa que não deve ser interferido. O problema é que o organismo elimina estas toxinas junto com elementos que são necessários para o nosso funcionamento, como água e nutrientes, entretanto, estes últimos podem ser repostos no tratamento descrito.

Fonte: www.imip.org.br

Diarreia

Denomina-se Diarreia quando o volume ou o número de evacuações aumenta. Também pode ocorrer diminuição na consistência das fezes, que ficam pastosas.

O intestino (dividido em grosso e delgado) funciona, normalmente, absorvendo e eliminando líquidos e substâncias. Quando sua função está alterada, há um desequilíbrio entre eliminação e absorção e a pessoa pode passar a apresentar Diarreia.

Quando ocorre

1) Ocorre quando os movimentos do intestino não estão normais. Essa possibilidade só pode ser pensada apenas quando todas as outras causas foram afastadas. A Diarreia do paciente diabético ou com doença da tireóide e a síndrome do intestino irritável são alguns exemplos.

2) Ocorre quando determinados agentes estimulam a secreção intestinal entre eles estão determinados laxantes, medicações, toxinas (metais pesados e toxinas produzidas por bactérias, por exemplo) e alergias intestinais.

3) Pode ocorrer quando existem inflamações que, normalmente, estão associadas a lesão da mucosa do intestino. Elas costumam afetar, principalmente, o intestino grosso. As infecções intestinais são a principal causa da Diarreia inflamatória. Outras possíveis causas são as doenças inflamatórias intestinais (como a doença de Crohn e retocolite ulcerativa), doenças do sistema imune, após radioterapia, etc.

4) Substâncias que estão no intestino, mas não podem ser absorvidas puxam água para dentro do interior do tubo digestivo. Este efeito é provocado, principalmente, por laxantes; antiácidos com magnésio; alimentos dietéticos e balas contendo sorbitol, manitol ou xilitol.

Como o médico avalia a Diarreia

A avaliação do paciente com Diarreia começa com duas questões básicas, que podem facilitar o diagnóstico do médico. É preciso saber a quanto tempo a Diarreia está presente e qual é o provável local da Diarreia (intestino delgado ou grosso). Respondendo a essas duas questões ele pode seguir na avaliação.

Na maioria dos casos, as Diarreias agudas, que duram de duas a três semanas, não são graves e não necessitam de intervenção médica. A Diarreia aguda pode ser causada por infecções, doenças inflamatórias ou reações a drogas. Nos adultos a principal causa são as doenças infecciosas. Normalmente, desaparecem apenas com o tratamento dos sintomas.

As Diarreias crônicas duram mais do que três semanas.

As fezes são aquosas e podem ser divididas em dois tipos: primeiro, as que melhoram quando a pessoa que está com ela faz jejum e têm, ainda, como causa, por exemplo, o uso excessivo de alimentos ou substâncias que agem como laxantes. Segundo, as que não respondem ao jejum como a Diarreia da síndrome do intestino irritável e do diabético. Quando as fezes apresentam muco ou sangue, o diagnóstico diferencial deve ser feito entre as doenças inflamatórias intestinais, tumores e certas infecções.

Os exames diagnósticos

As fezes dos pacientes acometidos pela Diarreia devem ser colhidas para a pesquisa de ovos e parasitas. Embora comum em nosso meio, verminoses não devem ser tratadas sem a confirmação laboratorial. Cultura das fezes, pesquisa de gordura, pesquisa de toxinas e outros testes nas fezes são solicitados pelo médico de acordo com a suspeita diagnóstica.

Tratamento

A reposição de líquidos é o primeiro ponto do tratamento das Diarreias. Soro caseiro e líquidos em geral são a melhor forma de promover reidratação oral. A hospitalização do paciente, especialmente no caso dos idosos, pode ser necessária em casos de vômitos intratáveis e desidratação grave.

A maioria das medicações dá alívio sintomático à Diarreia. Entretanto, agentes que diminuem os movimentos intestinais, popularmente usados em nosso meio, devem ser evitados, especialmente nas causas infecciosas. Os microrganismos precisam ser eliminados. Do contrário, podem levar à invasão do intestino com quadros graves de generalização da infecção.

O uso de antibióticos no tratamento das Diarreias é controverso. A grande maioria dos pacientes apresenta uma condição clínica estável e não necessita de antibióticos. Algumas infecções específicas, quando comprovadas, necessitam do tratamento adequado como, por exemplo, giardíase, amebíase e salmonelose.

De qualquer forma, só o médico poderá receitar qualquer medicamento para Diarreia de um paciente.

Diarreia

Em criança ou adulto suspenda a alimentação normal. O intestino precisa descansar seja qual for a causa da Diarreia.
Aguarde a melhora da consistência das fezes para reintroduzir alimentos.
Observe se o adulto ou a criança não está vomitando para poder começar a hidratar imediatamente pela via oral.
Use soluções reidratantes ou uma colher de sopa do soro caseiro (junte a um copo d’água, uma pitada de sal e uma colher de açúcar) de hora em hora.
Caso haja possibilidade, as soluções reidratantes disponíveis devem ser preferidas, principalmente para crianças. Além de terem os nutrientes na dose certa que precisa ser reposta, são apresentados em sabores diversos e adocicados que tornam mais fácil a aceitação por parte dos pequenos.
Force a ingestão de líquidos, principalmente água. Pode-se usar também Coca-cola light, mate com adoçante e água de coco verde. Não dê água de coco maduro.
Com o passar do tempo, se os episódios diarréicos cessarem ou diminuírem, comece com alimentos sólidos e outros líquidos.
Torradas puras ou com pouca margarina light; biscoito polvilho.
Maçã sem casca, banana, suco de caju com adoçante.
Arroz. Frango cozido (não use purê de batata).
Medicações antidiarréicas e/ou repositoras da flora intestinal devem ser usadas apenas quando receitadas pelo clínico ou pelo pediatra.

Se a Diarreia persistir procure o médico.

No caso de crianças ofereça logo o tratamento sintomático, mas faça sempre contato com o pediatra.

Fonte: www.altanapharma.com.br

Diarreia

Diarreia dos viajantes

A Diarreia é o principal problema de saúde durante viagens, afetando de 10 a 50% dos viajantes. O termo Diarreia dos viajantes define um grupo de doenças que é resultante da ingestão de água e alimentos contaminados por agentes infecciosos e que tem a Diarreia como manifestação principal. Em geral a Diarreia dos viajantes tem duração de dois a três dias, mas pode causar desconforto e impedir a realização de atividades importantes. Pode ainda evoluir com complicações como a desidratação, o que é mais comum em crianças pequenas, idosos e portadores de doenças crônicas. 

Transmissão

Os agentes infecciosos (bactérias, vírus, helmintos e protozoários) são a principal causa de Diarreia e intoxicações alimentares em viajantes. A maioria dos agentes infecciosos pode ser adquirida através de transmissão fecal-oral, resultante da contaminação da água e alimentos por dejetos, direta ou indiretamente. Nos alimentos, a contaminação pode ocorrer antes, durante ou após o preparo. O armazenamento incorreto de alimentos (ou insumos) em temperaturas inadequadas (entre 5 e 60 °C) por um período longo de tempo (horas) facilita a multiplicação dos agentes infecciosos.

A Diarreia dos viajantes, em geral, é uma infecção alimentar, ou seja, ocorre após a ingestão de água ou de alimentos contaminados por um agente infeccioso, que pode multiplicar-se no trato digestivo humano. O agente infeccioso pode causar Diarreia por ser invasivo (como a Salmonella spp.) ou, não sendo invasivo (como a Escherichia coli produtora de toxinas), por ser capaz de produzir enterotoxinas, após multiplicar-se no interior do organismo humano. As intoxicações alimentares resultam da ingestão de toxinas que causam vômitos (principalmente) e Diarreia e que são produzidas antes da ingestão dos alimentos (toxinas pré-formadas) por agentes infecciosos (como o Staphylococcus aureus). As intoxicações alimentares são eventos freqüentes também em países desenvolvidos e por terem mecanismos de transmissão e medidas de proteção semelhantes, são relacionadas à Diarreia dos viajantes.

A transmissão dos agentes infecciosos é resultante da ingestão de água ou de alimentos contaminados. A freqüência de cada agente infeccioso como causa de Diarreia dos viajantes e de intoxicações alimentares pode variar de acordo com países e regiões visitadas. As bactérias são a principal causa de Diarreia dos viajantes e, dependendo do local de destino, a Escherichia coli enterotoxigênica (produtora de toxinas – ETEC) pode ser responsável por 25-50% dos casos, seguida em freqüência por espécies de Shigella, Salmonella e Campylobacter. Os vírus (adenovírus, astrovírus, rotavírus e calicivirus) podem ser causa importante Diarreia em pessoas que viajam e surtos em navios causados por norovírus (um dos calicivirus) são relativamente comuns. Os parasitas intestinais (Giardia lamblia, Entamoeba histolytica, Cryptosporidium parvum e Cyclospora cayetanensis) geralmente são os responsáveis pelas Diarreias mais prolongadas, com duração superior 14 dias. As principais causas de intoxicações alimentares são as enterotoxinas produzidas por Staphylococcus aureus (toxina emética => vômitos) e Bacillus cereus (toxina emética e toxina diarréica), bactérias que podem contaminar os alimentos antes, durante ou depois da preparação. A influência do consumo de bebidas alcoólica, do stress e da mudança na dieta como causa de Diarreia ainda não está claramente definida e, provavelmente estes fatores são responsáveis por uma parcela dos casos leves que evoluem sem febre ou comprometimento significativo da saúde do viajante.

Riscos

O risco de Diarreia dos viajantes e de intoxicações alimentares existe em qualquer país do mundo e é consideravelmente maior durante o verão. A Diarreia dos viajantes acomete cerca de 10% (países desenvolvidos) a 50% (países em desenvolvimento) das pessoas que viajam. Ainda que, geralmente, seja de curta duração (dois a três dias), pode levar à total incapacidade de realizar atividades programadas. Considerando a freqüência da doença, a interrupção das atividades, em determinadas circunstâncias, pode causar enormes transtornos e, adicionalmente, ter impacto financeiro significativo. Para pessoas que viajam por motivo de trabalho, militares em missões e atletas em competição, a incapacidade de realizar adequadamente atividades programadas pode resultar em prejuízos significativos e potencialmente não reparáveis.

Os hábitos alimentares do viajante e da população local e a estação do ano (verão) são fatores de risco importantes. O consumo de alimentos preparados por vendedores ambulantes ou de alimentos crus (como frutos do mar) constituem fatores de risco elevado. A alimentação compartilhada, feita com outras pessoas em um mesmo recipiente, ou a ingestão de alimentos com o auxílio das mãos, comum em muitos países, aumenta o risco de aquisição de agentes infecciosos. O desenvolvimento das manifestações depende de fatores como tamanho do inóculo (quantidade de microorganismos ingeridos), virulência dos agentes infeciosos e mecanismos individuais de defesa. Para algumas bactérias, como a Escherichia coli enterotoxigênica, é necessária a ingestão de um grande número de microorganismos (106 microorganismos) para provocar Diarreia, o que ocorre com maior facilidade em regiões com infra-estrutura de saneamento básico precária. Para outras bactérias, como a Shigella, um pequeno inóculo (menos de 200 microorganismos) é capaz de desencadear Diarreia, o que pode resultar em aumento da incidência de contaminação dos alimentos e da água através de manipulação inadequada ou por insetos (moscas, baratas), mesmo em locais com saneamento básico adequado.

As pessoas com comprometimento dos mecanismos de defesa, como ocorre nos extremos de idade (idosos e crianças), quando existe diminuição da acidez gástrica, nos gastrectomizados, nas doenças crônicas intestinais e nas imunodeficiências, têm um risco maior de desenvolver Diarreia dos viajantes. Os viajantes que são portadores de insuficiência renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes insulino-dependente, ou doenças inflamatórias intestinais são particularmente susceptíveis à variação da quantidade de água e sais minerais no organismo, e estão sob risco de descompensar a doença de base em razão da Diarreia. Em viajantes, a Diarreia pode ser uma conseqüência de doenças infecciosas mais graves e potencialmente fatais, como as formas graves de cólera (que deve ser sempre investigada quando a Diarreia é profusa), a febre tifóide e a malária (ambas cursam com febre).

Medidas de proteção individual

O risco de Diarreia dos viajantes e de intoxicações alimentares pode ser significativamente reduzido através da adoção sistemática de medidas de proteção contra doenças transmitidas por água e alimentos. A seleção de alimentos seguros e o consumo de água tratada são essenciais, ainda que não sejam tarefas simples por envolverem mudanças individuais de percepção de riscos, atitudes e hábitos. Em geral, a aparência, o cheiro e o sabor dos alimentos não ficam alterados pela contaminação com os agentes infecciosos. Para reduzir os riscos, o viajante deve alimentar-se em locais que tenham condições higênicas adequadas e observar cuidados adicionais na seleção de alimentos. Os alimentos de maior risco são os mal cozidos ou crus, como as saladas, os frutos do mar, os preparados com ovos (como maionese, molhos, sobremesas tipo mousse), leite e derivados não pasteurizados (queijos, iogurtes, cremes), sucos, sorvetes e bebidas (batidas, caipirinhas) que contenham água não tratada ou gelo. O consumo de alimentos expostos (como em buffets) à temperatura ambiente por períodos prolongados (horas), implica em risco elevado de adoecimento. Em razão disto, deve ser preferido o consumo de alimentos bem cozidos ou fervidos, preparados na hora do consumo e servidos ainda quentes ("saindo fumaça"). No entanto, não devem ser consumidos alguns alimentos que são “preparados na hora” (como hambúrgueres e sanduíches) quando não houver segurança de que os produtos necessários foram armazenados em locais e temperaturas adequadas. Neste sentido, deve ser considerado que o aquecimento dos alimentos posterior à preparação pode inativar a toxina diarréica, porém não destrói as toxinas eméticas que causam as intoxicações alimentares. Em qualquer país do mundo, a alimentação com vendedores ambulantes deve ser evitada, por constituir um risco elevado para a aquisição de doenças.

Em uma área não possui infra-estrutura de saneamento básico adequada, a água para consumo deve ser tratada pelo próprio viajante. O tratamento químico da água a ser utilizada como bebida ou no preparo de alimentos pode ser feito com compostos halogenados (cloro ou iodo). O cloro e o iodo são capazes de eliminar a maioria dos agentes infecciosos e têm eficácia semelhante, quando utilizados nas concentrações e por períodos de tempo adequados. No entanto, os oocistos do Cryptosporidium parvum (que pode causar Diarreia em imunodeficientes) são resistentes a ambos. Além disto, deve ser considerado que o iodo ingerido com a água pode induzir o mau funcionamento tireóide, quando utilizado por longo período ou em indivíduos predispostos. Os compostos iodados estão absolutamente contra-indicados em gestantes e em pessoas portadoras de doenças tireoidianas. Os filtros portáteis podem ser úteis no tratamento da água para consumo e quando têm diâmetro dos poros entre 0,1 a 1 µm, removem a maioria bactérias, helmintos e protozoários, mas não eliminam os vírus de forma efetiva.

Em razão disto, o viajante deve utilizar filtros impregnados previamente com compostos halogenados ou, alternativamente, utilizar cloro (ou iodo) após a filtração.

É importante verificar as instruções do fabricante quanto ao número de vezes em que é possível a utilização segura do filtro.

O Cives não recomenda a utilização sistemática de antibióticos profiláticos para a Diarreia dos viajantes. Além do alto custo, os antibióticos podem causar efeitos adversos importantes, como fotosensibilidade (aumento da sensibilidade da pele ao sol), reações alérgicas, alteração da microbiota intestinal (colonização por bactérias resistentes, aumento do risco de febre tifóide), desenvolvimento de infecções fúngicas como candidose vaginal e risco de colite (inflamação do intestino) causada por Clostridium difficile. O Cives também não recomenda o uso, como rotina, do subsalicilato de bismuto, uma vez que a posologia (quatro doses por dia) é pouco conveniente e existe o risco de toxicidade associada ao salicilato. A utilidade do uso de probióticos (como o Lactobacillus) para a evitar a Diarreia dos viajantes não está claramente definida.

Não existem vacinas disponíveis contra todos os agentes infecciosos que causam a Diarreia dos viajantes. A E. coli enterotoxigênica (ETEC) pode produzir dois tipos de toxinas, isoladamente ou em associação. Uma das toxinas é sensível ao calor (toxina termolábil) e a outra é resistente (toxina termoestável). A vacina oral contra a cólera, que contém a subunidade B da toxina colérica recombinante, pode ter algum efeito protetor cruzado contra a Diarreia dos viajantes, exclusivamente quando esta é causada pela Escherichia coli produtora da toxina sensível ao calor, uma vez que a subunidade B e a toxina termolábil são semelhantes. O efeito protetor cruzado pode variar de lugar para lugar, de acordo com a freqüência da E. coli produdora de toxina termolábil como causa da Diarreia dos viajantes. Nestas circunstâncias, a eficácia da vacina oral contra a cólera, quando se considera todas as causas de Diarreia dos viajantes, é limitada.

Em razão disto, o Cives não recomenda a utilização desta vacina quando risco a ser considerado é exclusivamente a Diarreia dos viajantes, exceto em situações de risco individual elevado de aquisição da doença (como diminuição da acidez gástrica) ou em pessoas nas quais as conseqüências podem ser muito graves (como insuficiência renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes insulino-dependente, doenças inflamatórias intestinais).

Manifestações

A Diarreia do viajante se manifesta com aumento do número de evacuações (três ou mais episódios em 24 horas) associado ao amolecimento das fezes (líquidas ou pastosas). Em mais de 90% dos casos é de curta duração (dois a três dias) e, geralmente, é causada por bactérias. A Diarreia pode estar acompanhada de dor abdominal tipo cólica, naúseas, vômitos e, em alguns casos, de febre. A ocorrência de vômitos pode levar ao aumento da perda de líquidos e diminuir a capacidade do indivíduo de ingerir soluções orais para reidratação, contribuindo consideravelmente para a desidratação. A presença de febre, de sangue ou pus nas fezes pode ser indício de Diarreia invasiva e indica que o viajante deve ser avaliado por um médico o mais rápido possível. Em 5 a 10% dos casos, Diarreia do viajante pode persistir por mais de 14 dias e, em 1 a 3% por mais de quatro semanas. Além disto, em 4 a 10% da pessoas, a Diarreia dos viajantes pode desencadear a síndrome do cólon irritável, especialmente quando causada por bactérias invasivas que provocam colite inflamatória, como Campylobacter, Salmonella, Shigella e Escherichia coli O157. A síndrome do cólon irritável pós-infecciosa é caracterizada pela persistência, intermitente ou contínua, de alterações intestinais (Diarreia ou - menos freqüentemente – constipação e cólica abdominal) após um episódio de Diarreia infecciosa.

As intoxicações alimentares (causadas por toxinas pré-formadas), têm um período de incubação muito curto, que pode variar de trinta minutos a até oito horas.

As manifestações clínicas predominantes são os vômitos, mas algumas pessoas podem evoluir com Diarreia e, mais raramente, com febre. A aquisição da doença resulta do consumo de alimentos que antes, durante ou depois de preparados foram contaminados com bactérias (Staphylococcus aureus, Bacillus cereus) que podem multiplicar-se e produzir enterotoxinas que causam vômitos e Diarreia.

A maioria dos casos de cólera apresenta-se como uma Diarreia leve ou moderada, que é indistinguível clinicamente e tem o mesmo tratamento básico (hidratação oral) dos casos comuns de Diarreia do viajante. No entanto, em todos os casos que evoluem com Diarreia profusa, a possibilidade de cólera deve ser excluída, uma vez que em algumas pessoas (menos de 10%), a doença pode evoluir de forma mais grave, com início súbito de uma Diarreia aquosa profusa, geralmente sem muco, pus ou sangue e, com freqüência, acompanhada de vômitos, que rapidamente leva à desidratação e pode ser fatal. A febre tifóide, é uma doença de evolução relativamente lenta. A febre, que inicialmente é baixa, torna-se progressivamente mais alta e ocorre alteração do trânsito intestinal, manifestada por Diarreia ou constipação intestinal ("prisão de ventre"). A hipótese de malária deve ser sempre investigada todas as pessoas que tenham sido expostas ao risco de infecção - comumente viagem a uma área de transmissão - e apresente qualquer tipo de febre, associada ou não à Diarreia.

Tratamento

O tratamento básico da Diarreia do viajante e das intoxicações alimentares consiste em reidratação, que deve ser iniciada o mais precocemente possível. Em casos leves, a reidratação pode ser feita por via oral, preferentemente com uma solução reidratante contendo eletrólitos (sais) e glicose, em concentrações adequadas (sais de reidratação oral). A solução de reidratação oral deve ser preparada imediatamente antes do consumo e o conteúdo de um envelope deve ser dissolvido em um litro de água fervida, após o resfriamento. A solução não pode ser fervida depois de preparada, mas pode ser conservada em geladeira por até 24 horas. Pode ser ingerida de acordo com a aceitação, com freqüência e volume proporcionais à intensidade da Diarreia. Deve ser alternada com outros líquidos (água, chá, sopa). A alimentação deve ser reiniciada após três a quatro horas de aceitação adequada da reidratação oral e, nos lactentes, o aleitamento materno deve ser mantido desde o início. Em crianças, devem ser evitados os medicamentos contra vômitos, uma vez que podem ocasionar intoxicação, com diminuição do nível de consciência e movimentos involuntários, dificultando a ingestão da solução oral de reidratação. Além disso, esta medicação é geralmente desnecessária, uma vez que os vômitos tendem a cessar com o início da reidratação.

A utilizaçãode qualquer medicamento deve ser feita exclusivamente com orientação médica. O uso de medicamentos como antibióticos ou antiparasitários, após avaliação médica, pode estar indicado (ou não) em casos de Diarreia que evoluem com febre, presença de sangue ou pus e nas que se manifestam por um período de tempo prolongado. O emprego de antibióticos não está indicado nos casos de intoxicações alimentares, uma vez que não atuam contra as toxinas pré-formadas. O emprego de agentes que reduzem a motilidade intestinal (difenoxilato, loperamida) para tratamento sintomático da Diarreia do viajante não é recomendado e está associado à possibilidade do desenvolvimento de megacolon tóxico (dilatação aguda, total ou parcial do intestino grosso, potencialmente fatal). Medicamentos que atuam reduzindo a secreção de líquido da mucosa intestinal (como o subsalicilato de bismuto), tem início de ação lento, posologia pouco conveniente (quatro doses por dia), risco de toxicidade associada ao salicilato e, adicionalmente, pode interferir na absorção de antibióticos (como a doxiciclina). Os casos mais graves devem ser hospitalizados para hidratação venosa até a melhora das condições clínicas da pessoa e, tão logo quanto possível, a reidratação oral deve ser feita simultaneamente. Nas Diarreias mais acentuadas (nas quais a cólera devem ser excluída) ou mais prolongadas (duração maior que três dias), nas que evoluem com presença de sangue ou pus ou com febre (nas quais deve ser feito o diagnóstico diferencial com febre tifóide e malária) um Serviço de Saúde deve ser procurado o mais rápido possível.

Fernando SV Martins

Luciana GF Pedro

Terezinha Marta PP Castiñeiras

Fonte: www.cives.ufrj.br

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