Diverculite
Diverculite

Diverticulite

A diverticulite é a inflamação ou a infecção de um ou de mais divertículos.

A diverticulite é menos frequente em pessoas com menos de 40 anos do que nas que têm mais de 40.

No entanto, pode ser grave em pessoas de qualquer idade. Os homens abaixo dos 50 anos com uma diverticulite necessitam de ser operados com uma frequência três vezes maior do que as mulheres. Quando a idade ultrapassa os 70 anos, então são as mulheres que necessitam de cirurgia três vezes mais do que os homens.

Sintomas e diagnóstico

Tipicamente, os sintomas iniciais são dor abdominal espontânea, dor à palpação (geralmente na parte baixa esquerda do abdómen) e febre.

Se o médico souber que se trata dum doente com divertículos, o diagnóstico de diverticulite pode basear-se quase por completo nos sintomas. As radiografias com um clister de bário para confirmar o diagnóstico ou para estudar o problema podem lesionar ou perfurar um intestino inflamado, pelo que estes testes normalmente são protelados algumas semanas.

A apendicite e o cancro do cólon ou do ovário muitas vezes são confundidos com uma diverticulite. Pode ser necessária uma tomografia axial computadorizada (TAC) ou uma ecografia para se ter a certeza de que o problema não é causado por uma apendicite ou por um abcesso. Para descartar o cancro, o médico pode utilizar a colonoscopia, sobretudo se existir hemorragia. Às vezes é preciso efectuar uma intervenção cirúrgica exploratória com o fim de confirmar o diagnóstico.

Complicações

A inflamação dos divertículos pode conduzir à formação de trajectos anormais (fístulas) entre o intestino grosso e outros órgãos. Em geral, as fístulas formam-se entre o cólon sigmóide e a bexiga. São mais frequentes nos homens do que nas mulheres, mas a histerectomia (extirpação cirúrgica do útero) aumenta o risco na mulher. Com este tipo de fístula, o conteúdo intestinal, incluindo as bactérias habituais, penetra na bexiga e provoca infecções das vias urinárias. Podem surgir outras fístulas entre o intestino grosso e outros órgãos, como o intestino delgado, o útero, a vagina, a parede abdominal ou até a coxa ou o peito.

Outras possíveis complicações da diverticulite são a inflamação das estruturas vizinhas, a extensão da inflamação à parede intestinal, a rotura do divertículo (perfuração), a hemorragia e a obstrução intestinal.

Tratamento

A diverticulite ligeira pode ser tratada com repouso em casa, dieta líquida e antibióticos orais. Os sintomas geralmente desaparecem com rapidez. Ao fim de poucos dias, começa-se uma dieta mole e baixa em fibras e a ingestão diária duma preparação à base de sementes de psílio. Depois dum mês, pode-se retomar uma dieta com alto teor em fibra.

As pessoas com sintomas mais graves (como a dor abdominal localizada, febre e outros sinais de infecção grave ou de complicações) normalmente são internadas num hospital. Se lhes forem administrados líquidos intravenosos e antibióticos, devem permanecer acamadas e não tomar nada por via oral até os sintomas desaparecerem.

Se o estado não melhorar, o doente pode precisar de cirurgia, sobretudo se a dor (espontânea ou à palpação) e a febre aumentarem. Só cerca de 20 % dos que sofrem de diverticulite são tratados cirurgicamente quando o quadro não melhora. Destes, cerca de 70 % têm dor e inflamação e o resto apresenta hemorragias, fístulas ou obstrução. Às vezes, apesar de não existir sinal de inflamação, infecção ou complicações, pode também ser recomendada a cirurgia porque o risco de surgir um problema que venha a exigi-la é elevado. Por outro lado, é mais simples e segura uma intervenção feita antes de o problema aparecer.

A cirurgia de urgência é necessária em pacientes hospitalizados por perfuração intestinal e peritonite. O cirurgião geralmente extirpa o segmento perfurado e cria uma abertura entre o intestino grosso e a superfície cutânea (colostomia). As extremidades livres do intestino são unidas numa operação posterior, durante a qual, além disso, se fecha a colostomia.

Quando surge uma hemorragia maciça, pode-se identificar a origem injectando uma substância de contraste nas artérias que irrigam o intestino grosso, ao mesmo tempo que se fazem radiografias (procedimento conhecido como angiografia). A injecção de vasopressina (um fármaco que contrai as artérias) pode controlar a hemorragia, mas pode ser perigosa, sobretudo nas pessoas mais velhas. Em alguns casos, a hemorragia torna a aparecer poucos dias depois, sendo então necessário um tratamento cirúrgico. A extirpação do sector intestinal afectado só é possível se a origem da hemorragia for conhecida. Caso contrário, extirpa-se uma grande parte do intestino (colectomia subtotal). Se a hemorragia estancar (ou diminuir significativamente) sem tratamento, a melhor forma de determinar a sua causa é por meio duma colonoscopia.

O tratamento duma fístula requer a extirpação cirúrgica da área do cólon onde a mesma começa e a anastomose (conexão) das extremidades do intestino seccionado.

Diverticulite - Figura Ilustrativa II

Diverticulite: razões para a cirurgia programada
Condição Razão
Dois ou mais ataques graves de diverticulite (ou um ataque grave em alguém com menos de 50 anos). Risco elevado de complicações graves.
Progressão rápida da doença. Risco elevado de complicações graves.
Massa abdominal persistente e dolorosa. Pode ser um cancro.
As radiografias mostram alterações sugestivas no segmento inferior do intestino grosso (cólon sigmóide). Pode ser um cancro.
Dor ao urinar (em homens ou em mulheres que tenham sofrido uma histerectomia). Pode ser um aviso duma perfuração iminente para a bexiga.
Dor abdominal súbita em pessoas que tomam corticóides O intestino grosso pode ter-se perfurado para a cavidade abdominal.

Fonte: www.manualmerck.net

diverticulite

Doenças Diverticular dos Cólons

Também chamada de moléstia diverticular ou diverticulose. Os divertículos são protrusões da mucosa através da parede colônica, em pontos de menor resistência (penetração de vasos sangüíneos nos espaços intertênias).

Incidência

Estima-se que 5 a 10% dos indivíduos com mais de 40 anos sejam portadores de doenças

diverticulares, 30% dos pacientes tendo mais de 60 anos e dois terços ultrapassando os 80 anos. Distribuem-se igualmente em ambos os sexos. É raro no Paquistão, China e África do Sul. Entretanto, pacientes da África do Sul que vivem na América do Norte apresentam a patologia com relativa freqüência.

Classificação

Classificada em moléstia diverticular hipotônica e moléstia diverticular hipertônica.

A. A moléstia diverticular hipotônica: ocorre em indivíduos acima dos 60 anos; os divertículos são difusos por todo o cólon, de colo largo e curto. As paredes do cólon mantêm sua estrutura anatômica com tendência à hipotonicidade.

B. A moléstia diverticular hipertônica: ocorre na faixa dos 40 aos 60 anos; os divertículos localizam-se preferencialmente no sigmóide, são fusiformes, pequenos, de colo longo e estreito. A parede sigmoidiana apresenta acentuada hipertrofia muscular, com crescente hipertonicidade intraluminar, traduzida clinicamente por dor no quadrante inferior esquerdo do abdome e, radiologicamente, pelo aspecto sanfonado.

Etiopatogenia

Aumento da pressão intracólica, ou seja, de dentro para fora. A constipação seria o fator primordial, o que explica o fato de os divertículos terem preferência pelo cólon esquerdo, onde as fezes são mais sólidas e o intestino, mais estreito. O esforço defecatório aumentaria a pressão intracólica.

Ocorreria em pacientes predispostos geneticamente o qual apresentaria uma parede colônica (muscular) com menor resistência, facilitando o aparecimento dos divertículos.

Os fatores emocionais e determinados alimentos acarretariam contrações musculares, aumentando a pressão intracólica. Não raro, os fatores emocionais desencadeiam uma crise de diverticulite em pacientes portadores de divertículos.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado pelo quadro clínico, endoscopia, radiologia, ultra-sonografia e tomografia computadorizada.

Quadro clínico

Os quadros dolorosos no baixo ventre em forma de cólica, sem febre ou alteração leucocitária, que melhoram quando o paciente consegue evacuar, não são devidos a processos inflamatórios (diverticulite), mas a fenômenos motores devidos à hipertrofia muscular, acompanhada de uma mucosa exuberante, que ocupa o espaço já diminuído de um órgão encurtado e deformado, contribuindo para o processo semi-oclusivo de resolução espontânea e recidivante.

Na moléstia diverticular hipertônica, a dor no baixo ventre à esquerda em forma de cólica é o sintoma mais freqüente, acompanhado quase sempre de mudança do hábito intestinal, com tendência à constipação ou quadros de semi-oclusão de resolução espontânea e recidivante. A febre aparece nos casos agudos de diverticulite e, principalmente, na vigência de perfuração com formação de abscessos pericólicos ou peritonite. Quando o cólon sigmóide é longo (dolicocólon), pode deslocar-se para a região abaixo do umbigo ou à direita; nessa circunstância, o diagnóstico com apendicite torna-se difícil. Podemos encontrar massa palpável na fossa ilíaca esquerda, simulando neoplasia, na diverticulite crônica devido à intensa fibrose ou pela presença de abscesso sigmoidiano. A hemorragia pode ocorrer e, nesses casos, é de pequena monta, sendo de diagnóstico diferencial obrigatório com neoplasia e hemorróidas internas.

Na moléstia diverticular hipotônica não raro é assintomática, apresentando comumente flatulência e discreta distensão abdominal. A hemorragia, porém, quando ocorre, é maciça, levando o paciente a um quadro de hipovolemia.

Colonoscopia
Colonoscopia

É fundamental para o diagnóstico diferencial, principalmente com a neoplasia. Melhor vistos na introdução onde observa-se os óstios e colos diverticulares.

Radiologia
Radiologia

O estudo radiológico dos cólons na moléstia diverticular hipotônica revela a presença de divertículos arredondados, de grande volume, disseminados por todo o cólon. Na moléstia diverticular hipertônica de localização sigmoideana, encontramos divertículos pequenos de aspecto fusiforme, sendo a parede do cólon de características alteradas, com aspecto de sanfonamento ou ziguezague.

Ultra-sonografia e tomografia computadorizada
São métodos valiosos para o diagnóstico de diverticulite aguda, principalmente no que concerne às suas complicações (obstruções, abscessos e fístulas).

Tratamento

Preferencialmente recorre-se ao tratamento clínico; quando cirúrgico, sempre que possível eletivo (paciente em perfeitas condições clínicas e com o cólon preparado). Em 20% das indicações cirúrgicas, atuamos em regime de urgência.

Clínico

É indicado na moléstia diverticular hipotônica sem complicações hemorrágicas graves incontroláveis. Consiste em dieta rica em resíduos, umectantes do bolo fecal e, nos pacientes tensos, associamos um ansiolítico, tipo lorazepan, a um bloqueador colinérgico, tipo propantelina. Nas hemorragias pequenas e médias, o tratamento pode ser ambulatorial, consistindo em repouso, dieta líquida ou branda sem resíduos e observação. Quando a hemorragia é grave com sinais de hipovolemia, premonitoriamente internamos o paciente, iniciamos reposição sangüínea. Noventa por cento dos casos cessam o sangramento, e 10% são levados à cirurgia. Toda hemorragia que necessita de mais de 2 l de sangue total em 48 horas é de difícil controle. Nas crises iniciais de diverticulite aguda, com quadro febril e cólicas, indicamos repouso, antiespasmódicos, bolsa de água morna no hipogástrio e antibioticoterapia. A sonda nasogástrica, acompanhada de reposição parenteral, está indicada em casos de vômitos e distensão abdominal.

Cirurgia

Diverticulite aguda que não responde ao tratamento clínico.

Obstrução intestinal.

Diverticulite crônica. Quando clínica e radiologicamente o paciente caminha para um quadro de possível obstrução.

Abscesso peridiverticular.

Fístulas.

Peritonite.

Hemorragia. Segmentar e em casos de dúvida a colectomia total.

Fonte: derival.santos.vilabol.uol.com.br

Diverticulite

Diverticulite é uma inflamação que se manifesta basicamente no intestino

Diverticulite é uma inflamação que se manifesta basicamente no intestino grosso, parte final do intestino que se distribui pelo abdômen formando uma espécie de U invertido (imagem 1). Responsável pela absorção de água, armazenamento e eliminação dos resíduos da digestão, o intestino grosso começa no íleo (porção final do intestino delgado) e é dividido nos seguintes segmentos: ceco (tem configuração semelhante ao fundo cego de um saco e onde se localiza o apêndice vermiforme), cólon ascendente (sobe até o fígado e forma um ângulo à direita chamado flexura hepática), cólon transverso (localiza-se na parte superior do abdômen e desce na altura do baço) e cólon descendente que desemboca no cólon sigmóide, reto e canal anal.

O intestino grosso é formado por diferentes camadas de tecido (imagem 2). Na superfície externa, existe uma camada translúcida, bem fininha, chamada serosa. Depois, vem a camada muscular formada por músculos lisos que comprimem e empurram o bolo alimentar para expulsá-lo através do ânus. A camada mais interna, representada em lilás na imagem, é constituída por uma mucosa cheia de glândulas e preparada para produzir muco, enzimas e anticorpos que vão defender esse órgão de substâncias estranhas e agentes agressores.

Diverticulite - Figura Ilustrativa

A mucosa é irrigada por vasos existentes na camada serosa e que atravessam a camada muscular. Isso cria um ponto de fragilidade no músculo e, em determinadas condições, a mucosa pode formar uma hérnia, semelhante a um dedo de luva invertido: é o divertículo. Nele pode penetrar e ficar retida pequena quantidade de fezes que recebe o nome de fecalito. Havendo condições favoráveis, bactérias também podem assestar-se nesse local.

A presença de numerosos divertículos no intestino recebe o nome de diverticulose. A diverticulite ocorre quando eles inflamam, podendo apresentar abscesso ou perfuração.

Fonte: drauziovarella.ig.com.br

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