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Doença Celíaca

 

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca é uma condição crônica que afeta principalmente o intestino delgado.

É uma intolerância permanente ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, centeio, cevada, aveia e malte.

Nos indivíduos afetados, a ingestão de glúten causa danos às pequenas protrusões, ou vilos, que revestem a parede do intestino delgado. Esta condição possui outros nomes, tais como espru celíaco e enteropatia glúten-sensível.

A doença celíaca é considerada uma desordem autoimune, na qual o organismo ataca a si mesmo.Os sintomas podem surgir em qualquer idade após o glúten ser introduzido na dieta.

Quais são os sintomas da doença celíaca?

Os sintomas intestinais incluem diarréia crônica ou prisão de ventre, inchaço e flatulência, irritabilidade, e pouco ganho de peso.

Os pacientes podem apresentar atraso de crescimento e da puberdade, anemia da carência de ferro, osteopenia ou osteoporose, exames anormais de fígado, e uma erupção na pele que faz coçar chamada dermatite herpetiforme.

A doença celíaca também pode não apresentar nenhum sintoma.

Como a doença celíaca é diagnosticada?

A doença celíaca pode levar anos para ser diagnosticada.

Os exames de sangue são muito utilizados na detecção da doença celíaca.

Os exames do anticorpo anti-transglutaminase e do anticorpo anti-endomísio são altamente precisos e confiáveis, mas insuficientes para um diagnóstico.

A doença celíaca deve ser confirmada encontrando-se certas mudanças nos vilos que revestem a parede do intestino delgado. Para ver essas mudanças, uma amostra de tecido do intestino delgado é colhida através de um procedimento chamado endoscopia com biópsia (Um instrumento flexível como uma sonda é inserido através da boca, passa pela garganta e pelo estômago, e chega ao intestino delgado para obter pequenas amostras de tecido).

Como é o tratamento da doença celíaca?

O tratamento consiste em evitar por toda a vida alimentos que contenham glúten (tais como pães,cereais, bolos, pizzas, e outros produtos alimentícios, ou aditivos, que contenham trigo, centeio, aveia e cevada). Medicamentos e outros produtos também podem conter glúten.

Assim que o glúten é removido da dieta, a cura costuma ser total. Apesar da dieta sem glúten parecer extremamente difícil a princípio, algumas famílias tem tido muito sucesso com ela. É possível substituir as farinhas proibidas por fécula de batata, farinha de milho, amido de milho, polvilho doce ou azedo, farinha ou creme de arroz, farinha de araruta ou fuba´. Nutricionistas e grupos de apoio podem ajudar as famílias a se ajustar a essa dieta radical. Mesmo assim, pode levar vários meses até que elas se acostumem com a dieta sem glúten.

O que você pode esperar do tratamento?

Os pacientes podem começar a apresentar melhora 1 ou 2 semanas após o início da dieta. A intolerância à lactose causada pelo dano intestinal também diminui.

Na maioria das pessoas, os sintomas desaparecem e a parede do intestino se recupera totalmente de 6 a 12 meses após o início da dieta sem glúten.

Nas crianças, o crescimento volta ao normal.

Visitas regulares a um nutricionista e a uma equipe de profissionais de saúde com experiência no tratamento da doença celíaca são importantes para ajudar a manter a dieta e monitorar possíveis complicações.

Apesar de algumas pessoas serem capazes de voltar a consumir glúten sem sintomas imediatos, elas não “superaram” a doença celíaca, e não estão “curadas”.

A dieta sem glúten deve ser seguida por toda a vida.

A doença celíaca é comum?

Estima-se que 1 em cada grupo de 100 a 200 pessoas nos EUA e na Europa tenha a doença celíaca ( no Brasil ainda não há um número oficial sobre a prevalência da DC, mas numa pesquisa publicada pela UNIFESP - 2005, em um estudo feito com adultos doadores de sangue, o resultado apresentou incidência de 1 celíaco para cada grupo de 214, moradores de São Paulo).

Quem corre o risco de contraí-la?

As pessoas com maior risco de contrair a doença celíaca são aquelas que têm diabete do tipo 1, doença autoimune da tiróide, síndrome de Turner, síndrome de Williams, ou parentes com a doença celíaca.

Você pode ter a doença celíaca mesmo sem fazer parte de um dos grupos de maior risco.

Fonte: FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DE CELÍACOS DO BRASIL

Doença Celíaca

A Doença Celíaca (DC) é um distúrbio autoimune desencadeado pela ingestão de glúten, uma proteína importante no trigo, ou de proteínas similares em outros grãos.

Pesquisas sobre as causas básicas indicam que o distúrbio se desenvolve quando uma pessoa exposta ao glúten tem também uma suscetibilidade genética para a DC e uma parede intestinal anormalmente permeável.

De modo surpreendente, essencialmente o mesmo trio -um gatilho ambiental, uma predisposição genética e um " intestino vulnerável" - parece ser também a base para outras doenças autoimunes. Essa descoberta aumenta as possibilidades de que novos tratamentos para a Doença Celíaca possam também melhorar outros distúrbios.

Meu voto para a revolução científica mais importante de todos os tempos iria para o Oriente Médio de l0 mil anos atrás, quan­do se notou pela primeira vez que novas plantas se originam de sementes caídas no chão a partir de ou­tras plantas - constatação que levou ao nascimento da agricultura. Antes dessa observação, as pessoas baseavam sua dieta em frutas, castanhas, tubérculos e eventuais carnes. Tinham de se deslocar para onde a comida estivesse, à mercê dos eventos, tornando impossíveis planejamentos de longo prazo.

Ao descobrir o segredo das sementes, rapida­mente aprenderam a cultivar vegetais em casa e, finalmente, a cruzar diferentes plantas gramíneas para criar grãos fundamentais como trigo, centeio e cevada, que eram nutritivos, versáteis, estocá­veis e valiosos para comercialização. Pela primei­ra vez, as pessoas tiveram a chance de abandonar a vida nomade e construir cidades. Não por coinci­dência, as primeiras áreas agrícolas também se tor­naram "berços de civilização".

Esse avanço, entretanto, cobrou um preço alto: o aparecimento de uma enfermidade agora conhecida como Doença Celíaca (DC), induzida pela ingestão de uma proteína do trigo chamada glúten, ou por proteínas similares no centeio e na cevada. O glúten e seus parentes não faziam parte antes da dieta huma­na.

Mas, uma vez que os grãos começaram a alimentar as crescentes comunidades estáveis, as proteínas passaram também a matar pessoas (frequentemente crianças), quando seus corpos reagiam de forma anormal a elas.

A ingestão repetida dessas proteínas resultou em indivíduos sensíveis e incapazes de absor­ver adequadamente nutrientes dos alimentos. Essas vítimas também sofreriam de dores abdominais recorrentes e diarreia, exibindo corpos definhados e barrigas inchadas de pessoas famélicas.

A nutrição deficiente e várias de outras complicações tornaram suas vidas relativamente curtas e sofridas. Se essas mortes fossem noticiadas na época, sua causa teria sido um mistério. Nos últimos 20 anos. entretanto, os cientistas vêm sistematizando o conhe­cimento detalhado da Doença Celíaca.

Agora sabem que é um distúrbio autoimune, onde o sistema imunológico ataca os tecidos do próprio organismo. E sabem que a doença surge não apenas do consumo do glúten e de seus congeneres, mas também de uma combina­ção de fatores que incluem genes predisponentes e anomalias na estrutura do intestino delgado.

Além disso, a Doença Celíaca proporciona um exemplo ilus­trativo do modo como uma tríade - um indutor ambiental, genes suscetíveis e uma anomalia intesti­nal - pode exercer um papel em muitos distúrbios autoimunes.

As pesquisas sobre Doença Celíaca têm então suge­rido novos tipos de tratamento não apenas para a doença em si, mas também para várias outras condições autoimunes, como diabetes tipo I, esclerose múltipla e artrite reumatoide.

Revelações Iniciais

Após o advento da agricultura, milhares de anos se passaram antes que casos de crianças aparentemente bem alimentadas, mas subnutridas, fossem docu­mentados.

A Doença Celíaca recebeu um nome no primeiro século d.C., quando Areateus da Capadó­cia, médico grego, relatou a primeira descrição científica, chamando-a koiliakos, a partir da palavra gre­ga para abdome, koelia. O médico britânico Samuel Gee é creditado como o moderno pai da Doença Celíaca.

Em palestra de 1887 ele a descreveu como "um tipo de indigestão crónica encontrada em pessoas de todas as idades, ainda que seja especialmente apta a afetar crianças entre l e 5 anos". Ele suspeitou corretamente que "erros da dieta possam ser talvez uma causa".

Mas a verdadeira natureza da doença escapou até de sua perspicácia, como ficava claro em sua prescrição dietética: alimentar essas crianças com fatias finas de pão e tostadas em ambos os lados.

A identificação do glúten como causa da doença ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando o pediatra holandês Willem-Karel Dicke relatou que o racionamento de pão na Holanda em razão da guer­ra provocou uma queda significativa nos índices de mortalidade entre as crianças afetadas pela Doença Celíaca - de mais de 35% a praticamente zero. Ele também rela­tou que, quando o trigo voltou a estar disponível após o conflito, os índices de mortalidade retornaram aos níveis prévios. Baseando-se no relato de Dicke, outros cientistas analisaram os diferentes componen­tes do trigo, descobrindo que a principal proteína naquele grão, o glúten, era a culpada.

Focando-se nos efeitos biológicos do glúten, os pesquisadores notaram que sua exposição repetida em pacientes com Doença Celíaca faz com que as vilosidades -estruturas do intestino delgado com formato de dedos - tornem-se cronicamente inflamadas e danificadas, incapazes de executar sua função normal: quebrar as moléculas dos alimentos e absorver os nutrientes, transportando-os através da parede intes­tinal em direção à corrente sanguínea para que alcan­cem todo o corpo.

Felizmente, se a doença é diagnos­ticada suficientemente cedo e o paciente orientado a seguir uma dieta sem glúten, a arquitetura do intesti­no delgado quase sempre volta ao normal, ou quase isso, e os sintomas gastrointestinais desaparecem. Em uma pessoa suscetível, o glúten causa essa inflamação e danos intestinais ao induzir a ativida-de de várias células do sistema imunológico. Essas células, por sua vez, danificam tecidos saudáveis na tentativa de destruir o que elas avaliam ser um agente infeccioso.

Uma Descoberta Diagnostica

Maiores detalhes dos mecanismos pêlos quais o glúten afeta a atividade imunológica ainda estão sendo estudados, mas uma revelação específica já provou sua utilidade no meio clínico: uma característica da resposta imune aberrante ao glúten é a produção de moléculas de anticorpos direcionadas a uma enzima chamada transglutaminase tecidual. Essa enzima vaza a partir de células danificadas em áreas inflamadas do intestino delgado e tenta auxi­liar no reparo do tecido circundante.

A descoberta de que esses anticorpos são comuns na DC adicionou uma nova ferramenta para diagnosticar o distúrbio e também permitiu à minha equipe e a outros pesquisadores avaliar a incidência da doença com uma nova abordagem -ao examinar pessoas com presença desses anticorpos no seu sangue. Antes disso, os médicos faziam apenas exames gerais e, por isso, o procedimento mais confiável de diagnosticar a doença era revisar os sintomas dos pacientes, confirmar a inflamação intestinal por uma biopsia do intestino e verificar que uma dieta sem glúten aliviaria os sintomas. (Procurar por anticorpos contra o glúten não define o diagnóstico, pois eles também podem aparecer em pessoas sem DC.).

Durante anos a Doença Celíaca foi considerada uma doença rara fora da Europa. Na América do Norte, por exemplo, os sintomas clássicos foram reconhecidos em menos de uma em cada l 0 mil pessoas. Em 2003 publicamos os resultados de nosso estudo - a maior análise de pessoas com DC já conduzida na Améri­ca do Norte, envolvendo mais de 13 mil pessoas. De modo aterrador, descobrimos que l em 133 indiví­duos aparentemente saudáveis era afetado, o que significa uma doença cerca de cem vezes mais comum do que se pensava. O trabalho de outros pesquisadores confirmou níveis similares em muitos países, em todos os continentes.

Como 99% dos casos escaparam à detecção por tanto tempo?

Os clássicos sinais externos - indiges­tão persistente e diarreia - aparecem apenas quando regiões grandes e críticas do intestino estão inflama­das. Se um pequeno segmento do intestino é disfuncional ou se a inflamação é leve, os sintomas podem ser menos dramáticos ou atípicos.

Também está claro que a Doença Celíaca frequentemente se manifesta por vários sintomas previamente despre­zados, que são provocados por distúrbios locais da absorção de nutrientes do intestino. Alteração da absorção de ferro, por exemplo, causa anemia, e a ingestão deficiente de folato pode levar a uma série de problemas neurológicos.

Ao subtrair do corpo nutrientes específicos, a Doença Celíaca pode então produzir sin­tomas como os da osteoporose, dores articulares, fadiga crônica, baixa estatura, lesões na pele, epilep­sia, demência, esquizofrenia e convulsões.

Porque a Doença Celíaca frequentemente se apresenta de um modo atípico, muitos casos ainda permanecem não diagnosticados.

Essa nova metodologia para reco­nhecer a doença em todas as suas formas e em está­gios precoces permite que o glúten seja removido da dieta antes que complicações mais sérias se desenvolvam.

Do Glúten à Disfunção Imunológica

A Doença Celíaca proporciona um modelo enormemente valioso para a compreensão dos distúrbios autoimunes, por ser o único exemplo em que a adição ou a remoção de um simples componente ambiental, o glúten, pode ligar ou desligar o processo da doença. (Embora fatores ambientais sejam suspeitos de exercer papéis em outras doenças autoimunes, nenhum foi positivamente identificado.)

Para ver como o glúten pode ter um efeito devastador em algumas pessoas, consideremos como o corpo responde a ele na maioria da população.

Naqueles sem Doença Celíaca, o corpo não reage.

O sistema imunológico normal entra em ação apenas quando detecta níveis significativos de proteínas estranhas no corpo, reagindo agressivamente porque os forasteiros podem sinalizar a chegada de microrganismos causadores de doenças, como bactérias ou vírus.

Um modo específico de encontrarmos proteínas mestranhas e outras substâncias é pela alimentação, e os soldados imunológicos se posicionam sob as células epiteliais que revestem o intestino (enterócitos), prontos para atacar e pedir reforços.

Uma razão pela qual nosso sistema imunológico não é estimulado por essa invasão de proteínas três vezes ao dia é que, antes que nossas defesas encontrem algo que poderia trazer problemas a elas, nosso sis­tema gastrointestinal geralmente quebra a maioria das proteínas ingeridas em aminoácidos padroni­zados - os blocos de construção a partir dos quais as proteínas são construídas.

O glúten, entretanto, tem uma estrutura peculiar: de modo incomum, é rico em aminoácidos glutami-na e prolina. Essa propriedade mantém parte da molécula impenetrável ao nosso sistema de despeda­çamento de proteínas, deixando pequenos fragmen­tos proteicos, ou peptídeos, intactos. Assim, em pes­soas saudáveis, a maioria desses peptídeos fica arma­zenada no trato gastrointestinal e é simplesmente excretada antes que o sistema imune sequer os note. E qualquer partícula de glúten que se esgueira atra­vés do epitélio gastrointestinal é geralmente muito pequena para suscitar uma resposta significativa de um sistema imune normal.

Os pacientes com Doença Celíaca, porém, herdaram uma série de genes que contribuem para uma sensibilida­de imunológica exacerbada ao glúten. Por exemplo, certas variações de genes codificadores de proteínas conhecidas como antígenos de histocompatibilidade leucocitária (HLAs) têm um papel.

Noventa e cinco por cento das pessoas com Doença Celíaca têm o gene HLA DQ2 ou o DQ8, enquanto apenas 30% a 40% da popu­lação geral têm uma das duas versões. Este e outros achados sugerem que o HLA DQ2 e o DQ8 não são a única causa da hiperatividade imunológica, mas que a doença, apesar disso, é virtualmente impossível de se estabelecer sem um deles. A razão pela qual esses genes são importantes fica óbvia por estudos da função das proteínas que eles especificam.

As proteínas HLA DQ2 e DQ8 são feitas por célu­las apresentadoras de antígenos. Essas sentinelas imunológicas atacam organismos e proteínas externos, despedaçam-nos, encaixam fragmentos protéicos selecionados em cavidades nas moléculas de HLA, e expõem os complexos HLA-proteína resultantes na superfície celular para reconhecimento por células do sistema imune chamadas linfócitos T-helper. As célu­las T que podem reconhecer e se ligar aos complexos expostos então chamam os reforços.

Em pacientes com D C, a transglutaminase tecidual liberada por células epiteliais intestinais se liga ao glúten não digerido e modifica os peptídeos de um modo que os capacita a se ligarem fortemente às pro­teínas DQ2 e DQ8. Consequentemente, quando as células apresentadoras de antígenos sob as células epiteliais intestinais expõem os complexos de trans­glutaminase tecidual e glúten, as células unem o glú­ten aos HLAs e os enviam para a superfície celular, onde eles ativam células T, induzindo-as a liberar citocinas e quimiocinas (substâncias químicas que estimulam a atividade imunológica tardia). Essas substâncias químicas e o aumento das defesas imu­nes seriam valiosos em face de um ataque de micro­organismos, mas nesse caso não são adequados e lesionam as células intestinais responsáveis pela absorção de nutrientes.

Os pacientes com DC também tendem a ter outras predisposições genéticas, como a propensão à superprodução do estimulante imunológico IL-15 e por abrigar células imunológicas hiperativas que preparam o sistema imune a atacar o intestino em resposta ao glúten.

Culpado por Associação

Que papel podem cumprir os anticorpos contra a transglutaminase tecidual nessa resposta patológica ao glúten? A resposta ainda está incompleta, mas os cientistas têm alguma ideia sobre o que poderia acontecer. Quando as células epiteliais intestinais secretam transglutaminase tecidual, as células B do sistema imune a ingerem - isoladas ou associadas ao glúten. Elas então secretam anticorpos direcionados à enzi­ma. Se os anticorpos se dirigem para a transgluta­minase tecidual depositada ou próxima às células epi­teliais intestinais, os anticorpos poderiam danificar as células diretamente ou provocar outros processos destrutivos.

Mas ninguém ainda sabe se eles, de fato, causam essa destruição.

Nos últimos nove anos meus colegas e eu apren­demos que a permeabilidade intestinal alterada tam­bém parece participar da DC e de outras doenças autoimunes.

Com certeza, um crescente grupo de evidências sugere que virtualmente o mesmo trio de fatores dá base à maioria das, e talvez a todas, as doenças autoimunes: uma substância ambiental apresentada ao organismo, uma tendência genética do sistema imune a reagir de modo exacerbado a essa substância e um intestino alteradamente permeável.

Encontrando o Ponto Fraco

E justo dizer que inicialmente foi recebida com certo ceticismo a teoria de que um intestino vulnerável contribui para a Doença Celíaca e doenças autoimunes em geral, em parte por causa da maneira como os cientistas analisam o intestino. Quando eu era estudan­te de medicina nos anos 70, o intestino delgado era descrito como um cano composto de uma única camada de células, comparadas a ladrilhos fixados com aplicações de um "cimento" impermeável, chamadas de complexos juncionais intercelulares. Pensava-se que as junções mantinham tudo, exceto as pequenas moléculas, distante dos componentes do sistema imune no tecido subjacente aos tubos. Esse modelo simples das junções como um rejunte inerte e impermeável não inspirava legiões de pes­quisadores a estudar sua estrutura, e eu estava entre os não entusiasmados.

Foi somente uma mudança de rumo inesperada, e um dos momentos mais desapontadores de minha carreira, que me levou ao estudo das junções. No final dos anos 80 eu estava trabalhando em uma vacina contra a cólera. Naquele tempo, acreditava-se que a toxina colérica seria a única causa da devastadora diarreia característica daquela infecção.

A descoberta da zonulina nos induziu a analisar a literatura médica para distúrbios humanos caracterizados pela permeabilidade intestinal aumenta­da. Foi então que observamos, para minha surpre­sa, que muitas doenças autoimunes - entre as quais a Doença Celíaca, diabetes tipo I, esclerose múltipla, artrite reumatoide e doenças inflamatórias intestinais - têm como denominador comum a permeabilidade intestinal aberrante. Em muitas dessas doenças, o aumento da permeabilidade é causado por níveis anormalmente elevados da zonulina. E, na Doença Celíaca, está claro agora que o próprio glúten estimula a secre­ção exagerada de zonulina (talvez por causa da composição genética do paciente).

Essa descoberta nos levou a propor que é a perme­abilidade intestinal, aumentada nos pacientes com Doença Celíaca, que permite ao glúten, o fator ambiental, esca­par do intestino e interagir livremente com elementos geneticamente sensibilizados do sistema imunológico. Esse mecanismo, por si, sugere que remover qual­quer fator da trindade causadora da alteração auto-imune - o gatilho ambiental, a reatividade imunológica elevada ou a permeabilidade intestinal - seria suficiente para interromper o processo da doença.

Terapias para Derrubar a Trindade

Como mencionei antes, e como essa teoria prevê, a remoção do glúten da dieta termina por sanar o dano intestinal. Infelizmente, manter uma dieta estri­tamente livre de glúten a longo prazo não é fácil.

O glúten é um item comum e, em muitos países, um ingrediente não citado na dieta humana. Além da aderência complicada, produtos sem glúten são menos disponíveis e mais caros que suas contrapartidas. Além disso, aderir perfeitamente durante anos a qualquer dieta para propósitos médicos é notoria­mente desafiador. Por essas razões, a terapia dietéti­ca é uma solução incompleta.

Consequentemente, consideraram-se várias estratégias terapêuticas alternativas que bloqueiem pelo menos um dos elementos do processo triplo. A Alvine Pharmaceuticals, em San Carlos, Califórnia, desenvolveu terapias orais proteico-enzimáticas que quebram completamente os peptídeos do glúten normalmente resistentes ao processo diges­tivo, e tem um agente em estudos clínicos. Outros pesquisadores consideram meios para inibir a transglutaminase tecidual, de modo que ela não modifique quimicamente os fragmentos de glúten, não digeridos na forma em que eles se ligam efetivamente às proteínas HLA DQ2 e DQ8.

Ninguém ainda sugeriu maneiras seguras e éti­cas de manipular os genes que tornam as pessoas suscetíveis à doença. Mas pesquisadores se ocupam em desenvolver terapias que possam desestimular alguns dos fatores geneticamente controlados que contribuem para a hipersensibilidade do sistema imune. Por exemplo, a empresa australiana Nex-pep está trabalhando em uma vacina que exporia o sistema imune a pequenas porções de glúten forte­mente imunogênicas, na premissa de que exposições pequenas e repetidas definitivamente induzi­riam o sistema imune a tolerar o glúten.

Visando combater o defeito da barreira intestinal, eu ajudei a fundar a Alba Therapeutics para explo­rar o potencial de um inibidor da zonulina chama­do Larazotide. (Atualmente, sou consultor científi­co e acionista da Alba, mas não participo mais da formulação de decisões da companhia.)

O Larazotide foi testado em dois estudos humanos para ava­liar sua segurança, tolerabilidade e sinais de eficácia em pacientes celíacos que comem glúten.

Esses foram estudos de padrão-ouro - testes aleatórios e controlados com placebo, nos quais nem os pesqui­sadores que prescrevem as drogas nem os pacientes sabem quem recebe a droga e quem recebe o place­bo, até que o estudo se encerre.

Juntos, os testes não registraram excesso de efei­tos colaterais em pacientes que receberam o Larazotide, em comparação aos que receberam o placebo.

E o mais importante: o primeiro e menor estudo demonstrou que o agente reduziu a disfunção da barreira intestinal induzida pelo glúten, a produção de moléculas inflamatórias e sintomas gastrointes­tinais em pacientes celíacos. E o segundo e maior estudo, relatado em uma palestra em abril, mos­trou que os pacientes com DC que receberam placebo produziram anticorpos contra a transglutaminase tecidual, mas o grupo tratado não o fez. Até onde sei, esse resultado marca a primeira vez que uma droga interrompeu um processo autoimune, interferindo especificamente em uma resposta imunológica contra uma molécula produzida pelo cor­po. Outras drogas que suprimem a atividade imunológica atuam menos especificamente. Recente­mente, a Alba recebeu aprovação da FDA para expandir os estudos do Larazotide para outros dis­túrbios autoimunes, incluindo diabetes tipo I e doença de Crohn.

Essas novas perspectivas terapêuticas não signi­ficam que os pacientes com DC podem abandonar as restrições alimentares a qualquer momento. A dieta poderia também ser usada de uma nova maneira. Sob a liderança de Cario Catassi, minha equipe na University of Maryland iniciou um estudo clínico de longa duração para testar se bebes em alto risco, não comendo nada que contenha glúten até depois de seu primeiro ano, podem ter atrasada a instalação da D C ou, melhor ainda, preveni-la inteiramente. "Alto risco", nesse caso, significa bebes com genes suscetíveis e seus familiares mais próximos com histórico do distúrbio.

Suspeitamos que a abordagem pudesse funcio­nar, porque o sistema imune amadurece dramaticamente nos primeiros 12 meses de vida e porque pesquisas com bebes suscetíveis mostraram que evitar o glúten durante essa fase desenvolve o sis­tema imune para tolerar o glúten nos anos seguin­tes, como fazem as pessoas saudáveis, em vez de serem hiperestimuladas por ele. Até agora, mais de 700 crianças geneticamente potencialmente suscetíveis participaram desse estudo, e conclu­sões preliminares sugerem que retardar o consu­mo de glúten reduz em quatro vezes a probabili­dade do desenvolvimento da Doença Celíaca.

Serão necessá­rias décadas, entretanto, até sabermos com certeza se essa estratégia pode impedir o próprio apareci­mento da doença.

Considerando a base aparentemente comum entre os distúrbios autoimunes em geral, pesquisado­res dessas condições estão ansiosos para verificar se algumas estratégias terapêuticas para a Doença Celíaca pode­riam também ser úteis para outras doenças autoimu­nes atualmente sem bons tratamentos disponíveis. E, com várias abordagens diferentes na estratégia de tratamento da DC, podemos esperar que essa doen­ça, atormentando a humanidade desde o início da civilização, vive seu último século na Terra.

FATOS RÁPIDOS

Cerca de 1 % da população global tem Doença Celíaca, embora a maioria não saiba disso.
Mais de 2 milhões de pessoas nos EUA são atingidas pela doença.
Alguns sintomas comuns em bebes e crianças são dores abdominais, inchaço, obstipa­ção, diarreia, perda de peso e vômitos.
Cerca de metade dos adultos com o distúrbio não sofrem de diarréia no diagnóstico.
Outros sinais que podem ocorrer em adultos são:
anemia, artrite, perda de massa óssea, depressão, fadiga, infertilidade, dores articulares, convulsões e entorpe­cimento nas mãos e pés.

ALESSIO FASANO

Fonte: SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL

Doença Celíaca

O que é?

É uma intolerância permanente, isto é, por toda a vida, ao glúten.

O glúten é uma proteína que está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

A doença celíaca ocorre em pessoas com tendência genética doença. Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre 1 e 3 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas adultas.

Quais são os sinais mais comuns da doença?

Podem variar de pessoa a pessoa, porém os mais comuns são:

Diarreia crônica (que dura mais do que 30 dias)
Prisão de ventre;
Anemia;
Falta de apetite;
Vômitos;
Emagrecimento;
Atraso no crescimento;
Humor alterado: irritabilidade ou desânimo;
Distensão abdominal (barriga inchada);
Dor abdominal;
Perda de peso ou pouco ganho de peso;
Osteoporose.

Como a doença celíaca é diagnosticada?

Os exames de sangue são muito utilizados na detecção da doença celíaca. Os exames do anticorpo anti-transglutaminase tecidular (AAT) e do anticorpo anti-endomísio (AAE) são altamente precisos e confiáveis, mas insuficientes para um diagnóstico. A doença celíaca deve ser confirmada encontrando-se certas mudanças nos vilos que revestem a parede do intestino delgado. Para ver essas mudanças, uma amostra de tecido do intestino delgado é colhida através de um procedimento chamado endoscopia com biópsia (Um instrumento flexível como uma sonda é inserido através da boca, passa pela garganta e pelo estômago, e chega ao intestino delgado para obter pequenas amostras de tecido).

Qual é o tratamento?

O único tratamento é uma alimentação sem glúten por toda a vida. A pessoa que tem a doença celíaca nunca poderá consumir alimentos que contenham trigo, aveia, centeio, cevada e malte ou os seus derivados (farinha de trigo, pão, farinha de rosca, macarrão, bolachas, biscoitos, bolos e outros). A doença celíaca pode levar à morte se não for tratada.

O que é dermatite herpetiforme?

É uma variante da doença celíaca, onde a pessoa apresenta pequenas feridas ou bolhas na pele que coçam ( são sempre simetricas, aparecendo principalmente nos ombros, nádegas, cotovelos e joelhos). Também exige uma alimentação sem glúten por toda a vida.

Quais são os alimentos permitidos para quem tem a doença celíaca?

Cereais: arroz, milho.
Farinhas: mandioca, arroz, milho, fubá, féculas.
Gorduras: óleos, margarinas.
Frutas:
todas, ao natural e sucos.
Laticínios:
leite, manteiga, queijos e derivados.
Hortaliças e leguminosas:
folhas, cenoura, tomate, vagem, feijão, soja, grão de bico, ervilha, lentilha, cará, inhame, batata, mandioca e outros).
Carnes e ovos:
aves, suínos, bovinos, caprinos, miúdos, peixes, frutos do mar.

Cuidados especiais:

Atenção ao rótulo de produtos industrializados em geral. A lei federal nº 10674 , de 2003, determina que todas as empresas que produzem alimentos precisam INFORMAR obrigatoriamente em seus rótulos se aquele produto “CONTÉM GLÚTEN” ou "NÃO CONTÉM GLÚTEN".

Atenção:

Qualquer quantidade de glúten, por mínima que seja, é prejudicial para ocelíaco;
Leia com atenção todos os rótulos ou embalagens de produtos industrializadose, em caso de dúvida, consulte o fabricante;
Não use óleos onde foram fritos empanados com farinha de trigo ou farinha de rosca (feita de pão torrado);
Não engrosse pudins, cremes ou molhos com farinha de trigo;
Tenha cuidado com temperos e amaciantes de carnes industrializados, pois muitos contém glúten;
Não utilize as farinhas proibidas para polvilhar assadeiras ou formas.

Importante:

Na escola, nunca separe a criança celíaca dos demais colegas na hora das refeições;
O celíaco pode e deve fazer os mesmos exercícios que seus colegas;
Existem celíacos que são diabéticos. Portanto, sua alimentação não deve conter glúten e nem açúcar;
Existem celíacos que têm intolerância lactose. Portanto, sua alimentação não deve conter glúten, nem leite de vaca e seus derivados.

Eveline Cunha Moura

Fonte: www.hc.fmb.unesp.br

Doença Celíaca

O que é?

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados, como massas, pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka e alguns doces, provocando dificuldade do organismo de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água.

Sintomas

Diarréia com perda de gordura nas fezes, vômito, perda de peso, inchaço nas pernas, anemias, alterações na pele, fraqueza das unhas, queda de pêlos, diminuição da fertilidade, alterações do ciclo menstrual e sinais de desnutrição.

Diagnóstico

A doença só pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue, pois os sintomas são muito variados e constantemente associados com outras doenças.

Normalmente se manifesta em crianças com até um ano de idade, quando começam a ingerir alimentos que contenham glúten ou seus derivados.

A demora no diagnóstico leva a deficiências no desenvolvimento da criança. Em alguns casos se manifesta somente na idade adulta, dependendo do grau de intolerância ao glúten, afetando homens e mulheres.

Tratamento

O principal tratamento é a dieta com total ausência de glúten; quando a proteína é excluída da alimentação os sintomas desaparecem.

A maior dificuldade para os pacientes é conviver com as restrições impostas pelos novos hábitos alimentares.

A doença celíaca não tem cura, por isso, a dieta deve ser seguida rigorosamente pele resto da vida. É importante que os celíacos fiquem atentos à possibilidade de desenvolver câncer de intestino e a ter problemas de infertilidade.

É obrigatório por lei federal (Lei nº 10.674, de 16/05/2003) que todos os alimentos industrializados informem em seus rótulos a presença ou não de glúten para resguardar o direito à saúde dos portadores de doença celíaca.

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Doença Celíaca

Breve Histórico da Doença

Há milhares de anos, os povos verificaram que era possível semear a terra e obter colheitas de cereais diversos, entre eles o trigo, conhecido na fabricação de um dos mais antigo dos alimentos, o pão. A partir daí, o seu rendimento era tal, que lhes permitiu viverem no mesmo local sem a necessidade de andarem constantemente à procura de alimentos. Uma conseqüência desta descoberta, foi a civilização, e outra foi o risco de se ter a Doença Celíaca.

No século II, um grego, Aretaeus da Capadócia descreveu doentes com um determinado tipo de diarréia, usando a palavra "Koiliakos" ( aqueles que sofrem do intestino ). Tudo leva a crer que já naquela época ele se referia àquela doença que em 1888, Samuel Gee, um médico pesquisador inglês descreveu em detalhes, achando que as farinhas poderiam ser as causadoras da moléstia. Gee designou-a por "afecção celíaca", aproveitando o termo grego, e, em seus escritos previa com grande intuição que "... controlar a alimentação é parte principal do tratamento ... a ingestão de farináceos deve ser reduzida ... e se o doente pode ser curado, há de sê-lo através da dieta ...".

A Guerra ajudou na descoberta

Durante a 2ª guerra mundial, o racionamento de alimentos imposto pela ocupação alemã, reduziu drasticamente o fornecimento de pão à população holandesa. Em 1950, o Prof. Dicke, pediatra holandês de Utrech, verificou que as crianças com "afecção celíaca" melhoraram da sua doença apesar da grave carência de alimentos. Associou então este fato, com o baixo consumo da dieta em cereais.

A Engenharia oficial e a ousadia

Charlotte Anderson, de Birmingham, demonstrou finalmente mais tarde por trabalhos de laboratório, que o trigo e o centeio continham a substância que provoca a doença: o Glúten. J.W.Paulley, médico inglês, observara entretanto num "celíaco operado", que a sua mucosa intestinal não tinha o aspecto habitual, e este fato extremamente importante e confirmado por outros pesquisadores, passaram a permitir um diagnóstico com bases mais seguras.

A importância desta descoberta aumentou, quando um oficial americano, Crosby, e um engenheiro, Kugler, desenvolveram um pequeno aparelho com o qual de podiam efetuar biopsias do intestino sem necessidade de operar o doente. Este aparelho, hoje com pequenas modificações, ainda é usado para se fazer o Diagnóstico da Afecção Celíaca, da Celiaquía, da Enteropatia sensível ao glúten, do sprue celíaco, sprue não tropical, entre outros nomes que recebeu, enquanto pesquisadores se convenciam de que se tratava da mesma doença.

A Doença Celíaca de hoje

Ainda pouco conhecida, seus sintomas podem se confundir com outros distúrbios.

Trata-se da Doença Celíaca, ou seja: A Intolerância permanente ao glúten.

A Doença Celíaca geralmente se manifesta na infância, entre o primeiro e terceiro ano de vida, podendo entretanto, surgir em qualquer idade, inclusive na adulta. O tratamento da doença consiste em uma dieta totalmente isenta de glúten.

Os portadores da doença não podem ingerir alimentos como: pães, bolos, bolachas, macarrão, coxinhas, quibes, pizzas, cervejas, whisky, vodka,etc, quando estes alimentos possuírem o glúten em sua composição ou processo de fabricação. Devido a exclusão total de alguns alimentos ricos em carbohidratos e fibras, a dieta do Celíaco habitualmente é composta em sua maior parte de gorduras (margarina, manteigas, óleos, etc) e proteínas (carne em geral) e em menor parte de carbohidratos (massas sem glúten, açúcares, etc).

Todo Celíaco que não transgride a doença, tende a ter um aumento do peso corporal, e desta forma deve ter uma dieta equilibrada. Para tanto, deve diminuir a ingestão de proteínas, moderar o consumo de gorduras e aumentar o consumo de frutas, sucos naturais, verduras e legumes, tornando sua alimentação mais adequada e saudável.

O que é o GLÚTEN ?

É a principal proteína presente no Trigo, Aveia, Centeio, Cevada, e no Malte (ssub-produto da cevada), cereais amplamente utilizados na composição de alimentos, medicamentos, bebidas industrializadas, assim como cosméticos e outros produtos não ingeríveis. Na verdade, o prejudicial e tóxico ao intestino do paciente intolerante ao glúten são "partes do glúten", que recebem nomes diferentes para cada cereal.

Vejamos :

No Trigo é a Gliadina, na Cevada é a Hordeína, na Aveia é a Avenina e no Centeio é a Secalina. O Malte, muito questionado, é um produto da fermentação da cevada, portanto apresenta também uma fração de glúten. Os produtos que contenham malte, xarope de malte ou extrato de malte não devem ser consumidos pelos Celíacos. O glúten não desaparece quando os alimentos são assados ou cozidos, e por isto uma dieta deve ser seguida à risca. O Glúten agride e danifica as vilosidades do intestino delgado e prejudica a absorção dos alimentos.

Veja a mucosa do intestino delgado com as vilosidades atrofiadas:

Doença Celíaca

Compare com a mucosa do intestino delgado com as vilosidades normais:

Doença Celíaca

Quais os sintomas mais comuns ?

O quadro clínico da doença se manifesta com e sem sintomas.

No primeiro caso, há duas formas:

A CLÁSSICA

É freqüente na faixa pediátrica, surgindo entre o primeiro e terceiro ano de vida, ao introduzirmos alimentação à base de papinha de pão, sopinhas de macarrão e bolachas, entre outros industrializados com cereais proibidos. Caracteriza-se pela diarréia crônica, desnutrição com déficit do crescimento, anemia ferropriva não curável, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal (barriga inchada), vômitos, dor abdominal, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição, glúteos atrofiados, pernas e braços finos, apatia, desnutrição aguda que podem levar o paciente à morte na falta de diagnóstico e tratamento.

NÃO CLÁSSICA

Apresenta manifestações monossintomáticas, e as alterações gastrintestinais não chamam tanto a atenção. Pode ser por exemplo, anemia resistente a ferroterapia, irritabilidade, fadiga, baixo ganho de peso e estatura, prisão de ventre, constipação intestinal crônica, manchas e alteração do esmalte dental, esterilidade e osteoporose antes da menopausa.

ASSINTOMATICA

E se não houver sintomas? Há ainda, a doença na forma assintomática. São realizados nestes casos, exames (marcadores sorológicos) em familiares de primeiro grau do celíaco, que têm mais chances de apresentar a doença (10%). Se não tratada a doença, podem surgir complicações como o câncer do intestino, anemia, osteoporose, abortos de repetição e esterilidade.

Dermatite Herpetiforme

Pode ser considerada uma variante da Doença Celíaca, onde o paciente apresenta lesões de pele pruriginosas apresentando também intolerância permanente ao glúten.

A Dermatite Herpetiforme , ou doença de Duhring-Brocq, é uma doença cutânea crônica e benigna que se caracteriza por uma sensação de queimadura intensa e coceira.

Crença : A Doença Celíaca e a Dermatite Herpetiforme não têm ligação uma com a outra.

Realidade : Os pacientes com Dermatite Herpetiforme podem apresentar sinais ou sintomas da Doença Celíaca ou não , mas podem apresentar uma biópsia intestinal positiva.

Uma dieta sem glúten pode ajudar a controlar a presença de erupções cutâneas presentes na Dermatite Herpetiforme.

Causas: Os fatores genéticos, o sistema imunológico e a sensibilidade ao glúten exercem um papel importante nesta doença. Porém a verdadeira causa ainda é desconhecida.

Incidência : A Dermatite Herpetiforme atinge tanto mulheres quanto homens, na proporção de uma pessoa em cada 100.000. Ela é mais comum em brancos do que em negros e rara na população japonesa. Ela inicia seu aparecimento com maior freqüência no fim das segundas e quartas décadas de vida.

Características: Cada nova lesão é avermelhada, saliente, mede habitualmente menos de um centímetro de diâmetro e contém uma vesícula ou bolha. Porém, se a lesão for coçada, uma crosta aparecerá na sua superfície. Além disso, a sensação de queimadura ou picada é diferente de uma coceira comum e pode ser sentida de 8 a 12 horas antes do aparecimento da lesão.

Regiões Afetadas: As regiões mais afetadas do corpo são os cotovelos, os joelhos, a nuca, o couro cabeludo, a parte superior das costas e as nádegas. O rosto e a borda dos cabelos podem também ser atingidos. O interior da boca é raramente afetado. As coceiras têm uma distribuição uniforme.

Diagnóstico: O diagnóstico é feito por biópsia de pele retirada próxima de uma lesão.

Anomalias Intestinais Associadas: A Biópsia do Intestino Delgado de um indivíduo portador da Dermatite Herpetiforme pode revelar alterações ou danos intestinais similares aos indivíduos atingidos pela Doença Celíaca (Enteropatia ao Glúten). Porém, estes danos e sintomas são geralmente menores nos portadores da Dermatite Herpetiforme que nos indivíduos portadores da Doença Celíaca. Os portadores de Dermatite Herpetiforme normalmente não apresentam distúrbios intestinais. Uma porcentagem porém, sofre de diarréias, "barriga d’agua", evacuação intensa ou câimbras intestinais. Caso os intestinos são fortemente atingidos, os indivíduos portadores da Dermatite Herpetiforme podem apresentar sinais de subnutrição.

Outros Sintomas Associados:

Encontra-se uma incidência cada vez maior de: Anemias perniciosas (deficiência em vitamina B12) , doenças ligadas à tireóide, e Linfomas intestinais.

Tratamento: Trata-se a doença com uso de medicamentos e de um regime alimentar.

Medicamentos:

Sulfonas. A resposta é espantosa. Em menos de 24 a 48 horas, a sensação de queimadura diminui e as coceiras começam a desaparecer. O objetivo é de administrar a menor dose possível suscetível de controlar as coceiras e sensações de queimadura. Este medicamento não faz nenhum efeito sobre as anomalias intestinais.

Regime Alimentar : Dieta isenta de glúten.

A eliminação da ingestão do trigo, centeio, cevada, aveia e seus derivados, resulta em :

Desaparecimento do ataque intestinal.
Melhora da condição cutânea.
Redução ou mesmo eliminação da necessidade de Sulfonas para controle das erupções cutâneas.
Diminuição do risco de câncer.

Porém, não há cura. Mais pesquisas serão necessárias antes de se poder responder a todas as questões sobre as causas da Dermatite Herpetiforme e do elo existente entre as anomalias cutâneas e intestinais.

Perguntas Freqüentes

O diagnóstico de DC não pode ser feito sem biópsia ?

Não. Como existem outras doenças que são parecidas com a DC, só a biópsia permite definir com exatidão se o individuo possui doença celíaca.

Para que servem os outros exames que os médicos pedem ?

Quando o paciente descobre que possui a DC, suas funções do intestino podem estar muito alteradas. Os exames que se fazem habitualmente permitem detectar estas alterações e as suas conseqüências.

Existem celíacos em todo o mundo ?

Sim, embora em maior quantidade numas regiões que em outras. Esta distribuição irregular pode ter a ver com fatores raciais e com os hábitos alimentares pois existem povos que não utilizam habitualmente os cereais com glúten na sua alimentação.

É verdade que existem "famílias de celíacos"?

Sim. Os fatores genéticos que condicionam a ocorrência da doença levam a informação que aproximadamente 10% dos familiares diretos de um celíaco possam ser celíacos. Isto quer dizer que numa família podem existir vários casos mas com sintomas de intensidade diferente. Para saber se seus familiares são celíacos.

A Doença Celíaca é uma doença hereditária?

Os fatores genéticos já referidos criam apenas uma "predisposição", um "bom ambiente", para o aparecimento da doença mas não determinam a doença celiaca como sendo uma doença hereditária.

O aparecimento da DC tem alguma coisa a ver com os problemas de gravidez e do parto?

Não. Algumas mães têm por vezes a tentação de se "acusarem" por terem feito isto ou aquilo (fumar, beber, manter atividades físicas violentas, etc.) durante a gravidez. Não há qualquer razão para esses receios pois não há relação com a doença celíaca. Mas é claro que não recomendamos nenhuma destas praticas durante a gravidez.

A amamentação tem alguma influência no aparecimento da doença?

Não. A amamentação é um "fator protetor" da saúde do bebe, mas não previne nem tampouco transmite a doença celíaca.

Um celíaco pode ter uma vida igual à das outras pessoas?

Sim, mas desde que cumpra a dieta. Um celíaco que cumpra a dieta é uma pessoa com as mesmas capacidades físicas e intelectuais que um não celíaco. Só se torna doente se não cumprir a dieta.

A doença celíaca afeta a vida sexual ?

Também aqui não há qualquer motivo para receios: desde que a dieta seja cumprida o celíaco pode ter uma vida sexual idêntica à de qualquer outra pessoa. Quando a restrição de glúten não é respeitada estão descritos quadros de baixa fertilidade, impotência, irregularidade nos períodos menstruais, etc.

O malte e o extrato de malte aparecem muitas vezes mencionados na composição de alguns produtos. O celíaco pode consumir algum destes produtos ?

Não. O malte e o extrato de malte são derivados da cevada. Por uma questão de segurança, o celíaco deve excluir de sua alimentação todos os produtos alimentares que contenham o malte ou extrato de malte.

O celíaco pode consumir cerveja e whisky ?

Não. O celíaco não pode consumir nem cerveja, nem whisky pois ambas contém cevada (que contém malte (que contém glúten)) em suas composições.

A dextrina-maltose ou maltodextrose é outra substância que aparece muitas vezes mencionada. Também faz mal?

Ao contrário do que o nome parece sugerir, esta substância pode ser utilizada sem riscos na alimentação do celíaco. Da mesma forma o xarope de glucose é considerado inofensivo, apesar de serivar dos cereais proibidos.

Como fazer quando somos convidados para uma festa de aniversario ?

Antes de ir a uma festa, converse com quem vai dar a festa antes, para saber o cardápio. Se for possível sugira que sejam servidos alimentos sem gluten. Se não der, alimente-se antes da festa, para que possa permanecer entre os amigos sem passar fome.

Tenho visto que alguns produtos sem glúten incluem o trigo sarraceno. Será seguro?

O trigo sarraceno não é de fato trigo, nem tão pouco um cereal. É 100% seguro para os celíacos, apesar do infeliz nome que tem. Da mesma forma existe outro pseudocereal de origem sul americana que não tem glúten. É a quinoa.

Na composição há por vezes palavras que deixam dúvidas. Como fazer então?

Como existem algumas empresas que ainda não seguem a lei 10.674, a regra de ouro do celíaco é: em caso de dúvida não consumir até conseguir o esclarecimento adequado. Mas pode dizer-se que os conservantes e os emulsionantes não têm geralmente qualquer risco enquanto que o amido ou os espessantes podem referir-se a substancias com glúten e que não devem portanto ser utilizadas.

A composição de uma determinada marca de produtos não é sempre a mesma?

Não e sofre por vezes alterações significativas sem que isso implique a sua modificação. Por isso o celíaco se deve habituar a consultar a composição dos produtos para ter a certeza de que tudo continua em ordem.

As hóstias distribuídas na Comunhão são feitas com farinha de trigo. Isto significa que um celíaco não pode comungar?

Uma vez que não é autorizada a fabricação de hóstias com outro tipo de farinha, o celíaco não deve de fato receber a Comunhão sob a espécie de pão. A igreja Católica autoriza contudo que estes doentes comunguem sob a espécie de vinho, bastando para isso expor o problema ao sacerdote que distribui a Comunhão. Peça ao seu médico ou nutricionista para elaborar um parecer ao responsável da Paróquia, no qual deve ser solicitada a realização da Comunhão através da ingestão de vinho.

O celíaco pode comer pão de queijo?

O celiaco pode comer pão de queijo desde que saiba a origem do mesmo. Não coma pão de queijo fabricado nas padarias comuns, pois mesmo não tendo glúten entre seus ingredientes, pode haver contaminação tanto na hora de preparar a massa quanto na hora de assar ou servir, já que todos ou outros alimentos preparados ali tem a farinha de trigo como base.

O celíaco pode tomar qualquer café?

Não. O pó de Café pode estar misturado com Cevada, para aumentar a quantidade na embalagem. Evite tomar café onde você não saiba a marca do produto. Procure os cafés que possuem o selo de pureza da ABIC.

O meu filho celíaco pode brincar com massinha de modelar?

Atenção com o que a criança brinca na escola: massinhas de modelar , receitas caseiras de tintas, aulas de culinária podem expô-la ao glúten. Converse com a Direção e a equipe pedagógica sobre a Doença Celíaca e peça ajuda para que a criança possa permanecer segura no ambiente escolar.

O celiaco pode trabalhar em uma fabrica de macarrão ou em uma padaria?

Não. Quando alguém manipular farinhas proibidas, o celíaco não deve estar próximo pois o pó da farinha de trigo se espalha e pode provocar lesões na pele de celíacos muito sensíveis ao glúten.

O celiaco pode comer o hambúrguer no MC Donalds?

Não. Muitas pessoas imaginam que o celíaco pode comer "somente a carne" do hambúrguer, mas desde o momento em que o hambúrguer é frito em conjunto com o pão a contaminação com o glúten já ocorreu.

Então quais outros alimentos podem estar contaminados?

O recheio da pizza, os legumes e carnes de uma sopa feita com macarrão que contém glúten, alimentos fritos em óleo que foi utilizado para fritar alimentos com gluten (batata frita, almondegas, bolinho de queijo), bolos sem gluten que foram assados ao mesmo tempo com bolos com gluten, entre outros.

Existe alguma lei que proteja a saúde do celíaco?

Sim. A lei 10.674 obriga os fabricantes a escrever se contém ou não contém glúten nas embalagens de todos os alimentos industrializados.

Infelizmente algumas fábricas desconhecem ou não se importam com o problema da contaminação e continuam vendendo seus produtos, sem uma devida análise da total inexistência de glúten.

Às vezes a contaminação pode acontecer durante a plantação e/ou colheita , na armazenagem, no transporte , no processo de fabricação e embalagem.

Um exemplo são os chocolates da fábrica suíça que domina o mercado em nosso país, pois todos seus produtos (com glúten e sem glúten ) são embalados nas mesmas máquinas e neste processo pode haver contaminação. Ao invés de separar o empacotamento para não haver contaminação, a Empresa optou por colocar a inscrição "Contém glúten" em todos eles.

O celiaco tem o direito de pedir uma refeição sem glúten nas viagens de avião?

Aqui no Brasil as empresas aéreas preparam um menu especial para os celíacos mas o mesmo deve ser solicitado no momento da compra da passagem.

Fonte: www.acelbra.org.br

Doença Celíaca

A Doença celíaca: Diagnóstico e principais manifestações

A doença celíaca, também denominada de enteropatia sensível ao glúten, é afecção auto-imune caracterizada principalmente por lesão da mucosa do intestino.

Nas doenças autoimunes existe alteração do nosso sistema de defesa em que o sistema imunológico produz anticorpos contra nossas próprias células e tecidos.

O fator desencadeante do processo autoimune é, na doença celíaca, o glúten, substância contida no trigo, centeio, cevada e aveia.

O diagnóstico da doença celíaca é baseado em positividade de testes sorológicos específicos e, principalmente na presença de lesões características na mucosa do intestino. Tanto as lesões da mucosa do intestino como as manifestações clínicas a elas associadas normalizam com a adoção de dieta completamente isenta de glúten.

Em sua forma clássica a doença celíaca manifesta-se através de sintomas de má-absorção dos alimentos, com conseqüente perda de peso progressiva, evacuações volumosas e amolecidas e, em crianças retardo do crescimento. Sabe-se atualmente, no entanto que a doença celíaca pode e freqüentemente se manifesta de forma atípica, principalmente nos adultos, podendo se exteriorizar através de cansaço excessivo, letargia, irritabilidade, anemia resistente ao tratamento, puberdade atrasada, sub-fertilidade ou infertilidade, osteoporose e artralgias.

Devido à grande variedade de sintomas, a doença celíaca é uma das doenças em que mais tempo transcorre entre o aparecimento das primeiras manifestações e o diagnóstico definitivo.

O diagnóstico baseia-se na positividade de testes sorológicos sendo os mais confiáveis o teste de anti-endomísio e o teste de anti-transglutaminase.

O diagnóstico sempre deverá ser confirmado pelo exame direto da mucosa do intestino o que é feito por meio de endoscopia digestiva e biopsia. Sendo o tratamento constituído por dieta de isenção, que deverá ser permanente, é imprecindível que o diagnostico seja firmado antes de se instituir a dieta apropriada, desde que a retirada do glúten irá alterar o resultado tanto dos teste sorológicos como do exame da mucosa do intestino.

Fonte: e-groups.unb.br

Doença Celíaca

“O único tratamento para a doença celíaca consiste em uma dieta isenta de glúten durante toda a vida”

O que é a doença celíaca?

A doença celíaca é uma enteropatia crônica causada por uma resposta imunológica, geneticamente determinada, contra uma proteína presente no trigo (a gliadina) e a proteínas similares presentes na cevada, centeio e aveia.

O que é o glúten?

O glúten é uma rede de proteínas formada pelas proteínas gliadina e glutenina quando a farinha de trigo é hidratada e manipulada. Confere elasticidade às massas.

Proteínas similares à gliadina, como a hordeína (presente na cevada), a secalina (presente no centeio) e a avenina (presente na aveia) também são capazes de provocar os sintomas da doença celíaca

A doença celíaca tem cura?

Não, entretanto, pode ser controlada pela adesão à dieta isenta de glúten por toda a vida.

O que acontece se o celíaco não aderir à dieta isenta de glúten?

A doença celíaca causa atrofia de células da mucosa do intestino delgado, diminuindo a área de absorção de nutrientes no intestino e, desta forma, acarreta prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas lipossolúveis (A,D,E,K), sais minerais e água. Como consequência, pode ocorrer uma típica síndrome de má absorção, caracterizada por perda de peso, desnutrição, distensão abdominal, diarréia, esteatorréia. A má-absorção de ferro pode causar anemia ferropriva e a má-absorção de ácido fólico e vitamina B12 pode dar origem a uma anemia megaloblástica. A má-absorção de cálcio e vitamina D pode causar osteopenia e osteoporose.

O que esperar do tratamento?

Após o início da dieta isenta de glúten, os sintomas podem apresentar melhora logo na primeira ou segunda semana. Na maioria das pessoas, os sintomas desaparecem e a parede do intestino se recupera totalmente de 6 a 12 meses após o início da dieta sem glúten.

Visitas regulares a um nutricionista e a uma equipe de profissionais de saúde com experiência no tratamento da doença celíaca são importantes para ajudar a manter a saúde

Quais são os sintomas da Doença Celíaca?

O celíaco pode apresentar apenas um sintoma, vários sintomas ou até nenhum sintoma.

Os sintomas mais comuns são: diarréia, esteatorréia, distensão abdominal, fadiga, desnutrição, perda acentuada de peso e dificuldade de crescimento em crianças.

Pode, também desenvolver doenças associadas como anemia, dermatite herpetiforme, Diabetes Mellitus, doenças auto-imune, intolerância à lactose, entre outras.

Como a Doença Celíaca é diagnosticada?

O diagnóstico da doença celíaca deve ser baseado: no exame clínico, no exame físico, na anamnese detalhada, na análise histopatológica do intestino delgado e dos marcadores séricos. É importante ressaltar que a presença de um quadro clínico sugestivo ou de sorologia positiva para doença celíaca não invalidam a obrigatoriedade da biópsia de intestino delgado.

Referências

FASANO, A.; ARAYA, M.; BHATNAGAR, S.; CAMERON, D.; CATASSI, C.; DIRKS, M.; MEARIN, M. L.; ORTIGOSA, L. & PHILLIPS, A. Federation of International Societies of Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition Consensus Report on Celiac Disease. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, 47(2): 214–219, 2008.
SHEWRY, P.R.; BEAUDOIN, F.; JENKINS, J.; GRIFFITHS-JONES, S. & MILLS, E.N.C. Plant protein families and their relationships to food allergy. Biochemical Society Transaction, 30(6): 906-909, 2002

Fonte: www.uff.br

Doença Celíaca

A Doença Celíaca também conhecida por Enteropatia do Glúten é causada pela ação agressiva do glúten, sobre a mucosa do Intestino Delgado.

O glúten uma proteína que se encontra na farinha de trigo, centeio, cevada e aveia.

O glúten representa 80% das proteínas do trigo e é composta por gliadina e glutenina. O milho e o arroz não possuem glúten.

Fatores genéticos, ambientais e imunológicos, predispõem a mucosa do intestino a alterar-se, a perder as vilosidades e a ficar plana, achatada, quando o glúten é ingerido, havendo recuperação logo que o glúten seja retirado da dieta.

A Doença Celíaca é frequente?

Pensava-se que a Doença Celíaca era pouco frequente. Hoje sabemos que por vezes os sintomas são muito ligeiros e a doença não é diagnosticada.

Calcula-se que estará afetado 1 em cada 300 indivíduos. Assim, no Algarve, haverá cerca de 150 pessoas com Doença Celíaca. Os dois sexos são igualmente atingidos.

Como se transmite a Doença Celíaca ?

A Doença Celíaca é uma doença hereditária mas, a forma de transmissão, é ainda desconhecida. A doença aparece em cerca de 10 % dos familiares em 1º grau, do doente.

Como se manifesta a Doença Celíaca?

A capacidade de absorção no Intestino Delgado está diminuída fato comum a muitas doenças que provocam má absorção. A diarreia (por vezes as fezes são volumosas, brilhantes e muito mal cheirosas devida ao conteúdo em gorduras - esteatorreia ) e a perda de peso são dois sintomas muito importantes. Mas hoje sabemos que nos adultos muitas vezes o sintomas são atípicos com diarreia esporádica, sem perda de peso,

Por vezes a diarreia alterna com prisão de ventre e os sintomas mais incomodativos são a dor e a distensão abdominal e os sintomas relacionados com perdas iónicas: perdas de cálcio que levam a dores ósseas e cãibras e perdas de magnésio e potássio que causam inchaço ( edema ) dos membros, tremores, formigueiros e diminuição da sensibilidade das mãos e dos pés, alterações do ciclo menstrual. A anemia por carência de ferro pode ser a maneira como a doença se manifesta.

Nas crianças, a diarreia, a perda de peso, vómitos, irritabilidade... podem aparecer logo que na dieta se introduzem alimentos com glúten. Mas, por vezes, os sintomas aparecem mais tarde ou só na idade adulta.

Cerca de 40% dos indivíduos com testes serológicos positivos nunca apresentam sintomas ou os sintomas são tão ligeiros que o diagnóstico nunca é pensado. Na maior parte dos adultos, passam mais de 10 anos, com sintomas, até que seja feito um diagnóstico correto.

Como se faz o diagnóstico ?

A anemia feropénica é uma manifestação frequente. Se a extensão da doença atingir as partes distais do intestino delgado pode aparecer anemia megaloblástica por má absorção da vitamina B12. A osteoporose o aumento do tempo de protrombina refletem alterações na absorção do cálcio, vitamina D e vitamina A.

O cálcio pode estar e a fosfatase alcalina elevada.

Mas os testes serológicos devem ser realizados sempre que há suspeita de Doença Celiaca: o anticorpo anti-endomisio e o anticorpo anti-tTG, qualquer deles tem uma sensibilidade e especificidade superior a 90%: Como estes anticorpos são da classe IgA e 3% dos doentes com Doença Celiaca têm deficiência de IgA deve fazer-se uma determinação da IgA.

Nos doentes com deficiência de IgA deve fazer-se o anticorpo IgG: tTg e endomisio. 6 a 12 meses depois de iniciar a dieta sem glúten os anticorpos não se detectam.

A biopsia do duodeno distal feita durante a Endoscopia Alta é útil para suspeitar o diagnóstico e o confirmar com retorno da mucosa à normalidade depois duma dieta sem glúten. Mas, se a biopsia é compatível com Doença Celiaca e são evidentes as melhoras com a dieta sem glúten e, há uma evidente diminuição dos anticorpos, não é indispensável fazer nova biopsia .

Tratamento

É essencial fazer uma dieta sem glúten.

Os suplementos de ferro, folato, cálcio e vitaminas: A, B12, D e E são necessários no inicio do tratamento mas deixam de o ser logo que se normalize a absorção.

Quando há uma boa resposta à dieta sem glúten o prognóstico da doença é bom. Se durante o tratamento a resposta for má ou houver emagrecimento ou dor abdominal deve procurar-se uma possível complicação que exija um tratamento diferente.

Fonte: www.gastroalgarve.com

Doença Celíaca

A doença celíaca (também conhecida como enteropatia glúten-induzida) é uma patologia autoimune que afeta o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos, precipitada pela ingestão de alimentos que contêm glúten. A doença causa atrofia das vilosidades da mucosa do intestino delgado, causando prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água.

Os sintomas podem incluir diarréia, dificuldades no desenvolvimento (em crianças) e fadiga, embora possam estar ausentes. Além disso, diversos sintomas associados em todos os sistemas do corpo humano já foram descritos.

A doença é muito comum, afetando aproximadamente 1% das populações indo-européias, embora seja significativamente não-diagnosticada, já que na maioria dos portadores ela causa sintomas mínimos ou ausentes.

Ocorre mais comumente em mulheres, na proporção de 2:1 e é mais comum em parentes de primeiro grau de portadores.Já foi também chamada de espru celíaco, espru não-tropical ou enteropatia glúten sensível, nomes que ainda aparecem em algumas referências sobre o assunto.

Sinais e sintomas

Os sintomas clássicos da doença celíaca incluem diarréia, perda de peso (ou falta de crescimento nas crianças) e fadiga, mas mesmo a doença celíaca sendo uma doença dos intestinos principalmente, os sintomas relacionados aos intestinos podem ser limitados ou até mesmo ausentes.

Alguns pacientes são diagnosticados com sintomas relacionados à absorção diminuída de nutrientes ou com vários outros sintomas que, embora estatisticamente relacionados, não possuem clara relação com o mal funcionamento dos intestinos.

Dada esta vasta gama de possíveis sintomas, a tríade clássica de sintomas não é mais uma obrigação para o diagnóstico.

As crianças entre os 9 e 24 meses tendem a apresentar sintomas intestinais e problemas de crescimento logo após a primeira exposição a produtos que contenham glúten.

Crianças mais velhas podem ter mais problemas relacionados à má-absorção e problemas psicosociais, enquanto adultos geralmente têm problemas de má-absorção. Muitos adultos com a doença mais sutil possuem somente fadiga ou anemia.

Gastrointestinais

A diarréia característica da doença celíaca é pálida, volumosa e mal-cheirosa.

Podem também estar presentes dor abdominal e cãibra, distensão abdominal (devido à produção fermentativa de gases intestinais) e ulcerações na boca.

Assim que os intestinos se tornam mais lesados, uma grau de intolerância lactose pode se desenvolver. Entretanto, a variedade de sintomas gastrointestinais que podem estar presentes em pacientes com doença celíaca é grande, e alguns podem ter um hábito intestinal normal ou mesmo terconstipação.

Freqüentemente os sintomas são atribuídos à síndrome do instestino irritável, somente sendo reconhecido posteriormente a doença celíaca. Uma pequena proporção dos pacientes com sintomas desta síndrome possuem a doença celíaca, logo um exame minucioso pode ser necessário.

A doença celíaca leva a um risco aumentado deadenocarcinoma e linfoma do intestino delgado, que pode diminuir aos padrões normais com a dieta adequada.

A doença quando presente por muito tempo pode levar a outras complicações, como a jejunite ulcerativa (formação ulcerativa do intestino delgado) e um estreitamento como resultado das cicatrizações.

Relacionados à má absorção

As mudanças no intestino o tornam menos capaz de absorver nutrientes, minerais e as vitaminas lipossolúveis A, D, E e K.

A dificuldade em absorver carboidratos e gorduras pode causar perda de peso (ou dificuldades de desenvolvimento nas crianças) e fadiga ou falta de energia.
Pode ser desenvolvida anemia de diversas formas:
a má-absorção de ferro pode causar anemia ferropriva e a má-absorção de ácido fólico e vitamina B12 pode dar origem a uma anemia megolablástica.
A má-absorção de cálcio e vitamina D (e o hiperparatireoidismo secundário compensatório) pode causar osteopenia (conteúdo mineral do osso diminuído) ou osteoporose (fraqueza óssea e risco de fraturas aumentado).
Uma pequena proporção (10%) possui coagulação anormal devido deficiência de vitamina k, e podem estar propensos a desenvolver sangramentos anormais.
A doença celíaca também é associada a um supercrescimento bacteriano do intestino delgado, o que pode piorar a má-absorção ou causar má-absorção após tratamento.

Diagnóstico

Diversos exames podem ser realizados para auxiliar o diagnóstico.

O nível dos sintomas pode determinar quais testes devem ser realizados, mas todos exames perdem sua utilidade se o paciente já estiver com uma dieta livre de glúten. As lesões intestinais começam a curar poucas semanas após o glúten ser removido da dieta e os níveis de anticorpos diminuem ao longo dos meses.

Para aqueles pacientes que já iniciaram por si próprios uma dieta livre de glúten, pode ser necessário realizar uma nova investigação ao se ingerir 10g de glúten (quatro fatias de pão) por dia 2 a 6 semanas antes de repetir os exames investigatórios.

Os pacientes que apresentam sintomas severos (como diarréia) mais precocemente podem ser examinados antes do período de 2 a 6 semanas.

Exames de sangue

A serologia através de um exame de sangue é útil tanto no diagnóstico de doença celíaca (alta sensibilidade de cerca de 98%, ou seja, o exame não detecta 2 em cada 100 casos) quanto em sua exclusão (alta especificidade de mais de 95%, ou seja, um resultado positivo no exame é muito propenso a confirmar uma doença celíaca do que outra condição).

Devido às maiores implicações do diagnóstico da doença celíaca, recomenda-se aos profissionais que após um resultado positivo no exame de sangue ainda seja realizada uma endoscopia complementar. Um resultado negativo no exame ainda pode fazer com que seja necessária uma biópsia, no caso da suspeita ser muito grande. A biópsia abrangeria os 2% restantes dos casos não-diagnosticados, assim como oferecer explicações alternativas para os sintomas. Dessa maneira, a endoscopia com biópsia ainda é considerada o padrão ouro no diagnóstico da doença celíaca.

Há exames sorológicos que auxiliam o diagnóstico,como o teste antiendomísio (IgA-EMA), que tem uma especificidade e sensibilidade próxima de 100%, e o teste ELISA que pode detectar a presença de anticorpos anti-transglutaminase (tTG), mas não são suficientes para diagnosticar a doença sozinhos. Nas pessoas com essa dfoença, a ingestão de glúten provoca danos à mucosa do intestino delgado, dificultando a digestão.

Endoscopia

O diagnóstico é realizado através de biópsia da mucosa intestinal na sequência de uma endoscopia digestiva, e/ou da resposta à dieta isenta de glúten.

Outros exames

Outros exames que podem ajudar no diagnóstico são exames de sangue para uma contagem sanguínea completa e medição dos níveis de eletrólitos, cálcio, função renal, enzimas do fígado, vitamina B12 e ácido fólico e ácido fólico. Os exames de coagulação (tempo de protombina e tempo de tromboplastina parcial ativada) podem ser úteis para identificar deficiência de vitamina k, o que torna os pacientes mais suscetíveis a sofrer hemorragias. Estes exames devem ser repetidos durante o acompanhamento da doença, assim como medição dos níveis de anticorpos anti-tTG titres.

Recomenda-se que os profissionais procurem em seus pacientes osteoporose através da técnica DEXA.

Fisiopatologia

Acredita-se que a doença celíaca seja causada pela ativação da resposta imune celular (células-T) e humoral (células-B) em resposta à exposição ao glúten em pessoa geneticamente susceptível. Apesar de ser freqüentemente chamada de alergia ao glúten, a doença celíaca não é causada por processo alérgico, mas autoimune.

A lesão característica da doença celíaca é a atrofia da mucosa do intestino delgado, levando ao prejuízo na absorção dos nutrientes, vitaminas, sais minerais e água.

As mudanças patológicas clássicas do intestino delgado são categorizadas através da "classificação Marsh":

Estágio Marsh 0: mucosa normal
Estágio Marsh 1: número aumentado de linfócitos intra-epiteliais, geralmente mais de 20 a cada 100 enterócitos
Estágio Marsh 2: proliferação das criptas de Lieberkuhn
Estágio Marsh 3: atrofia completa ou parcial das vilosidades
Estágio Marsh 4: hipoplasia da arquitetura do intestino delgado

As mudanças geralmente melhoram ou são revertidas após o glúten ser removido da dieta, devendo ser realizada diversas biópsias meses (4 a 6) após o início da exclusão do glúten.

Tratamento

Atualmente, o único tratamento efetivo é uma dieta estritamente sem glúten, por toda a vida. Noventa por cento dos pacientes que são tratados com a dieta livre de glúten apresentam melhora dos sintomas em 2 semanas.

Não existem medicamentos que previnam os danos, nem que previnam o corpo de atacar os intestinos quando o glúten estiver presente.

A aderência estrita à dieta permite que os intestinos se curem, com a regressão completa da lesão intestinal e resolução de todos os sintomas na maior parte dos casos. Dependendo de quão cedo a dieta começar, ela também pode eliminar o risco aumentado de osteoporose e de câncer intestinal.

O acompanhamento de um nutricionista é geralmente requisitado para garantir que o paciente esteja consciente de quais comidas possuem glúten, quais comidas são seguras e como ter uma dieta balanceada apesar das suas limitações. Em muitos países estão disponíveis produtos livres de glúten sob prescrição médica e podem ser reembolsados pelos planos de saúde. Cada vez mais fabricantes estão produzindo produtos livres de glúten, alguns dos quais possuem sabor e aparência quase indistinguíveis de seus originais.

A dieta pode ser incômoda. Enquanto as crianças pequenas podem obedecer a seus pais, os adolescentes podem desejar esconder seu problema ou se rebelar contra as restrições da dieta, podendo ter uma recaída. Muitos produtos contêm traços de glúten mesmo que sejam aparentemente livres de trigo. Os produtos livres de glúten são geralmente mais caros e difíceis de encontrar do que os alimentos que contêm trigo.

Mesmo com a dieta, a qualidade de vida relacionada à saúde pode ser diminuída nas pessoas com doença celíaca. Alguns possuem sintomas digestivos persistentes ou dermatites herpetiformes, úlceras na boca, osteoporose e fraturas. Podem estar presentes sintomas sugestivos de síndrome do intestino irritável, e existe uma taxa aumentada de ansiedade, fadiga, dispepsia e dor musculoesquelética.

Doença refratária

Uma pequena minoria dos pacientes sofrem de doença refratária, o que significa que eles não melhoram com uma dieta livre de glúten.

Isto pode acontecer porque a doença está presente há tanto tempo que os intestinos não são mais capazes de se curarem sozinhos com a dieta, ou porque o paciente não está aderindo à dieta, ou porque o paciente está consumindo comidas que são contaminadas com glúten. Se as causas alternativas forem eliminadas, esteróides imunossupressores (como a azatiopina) podem ser considerados neste cenário.

Condições associadas

A doença celíaca pode estar associada a outras condições:

câncer - há maior risco de linfoma não-Hodgkin, adenocarcinoma do intestino delgado e carcinoma de células escamosas esofágico ou orofaríngeo
osteoporose
Tedução na fertilidade
Outras doenças autoimunes - especialmente diabetes tipo 1, hepatite autoimune, tireoidopatia e síndrome de Sjögren
dermatite herpetiforme
Linfoma MALT

História

Doença Celíaca é conhecida desde o Século XI, mas foi só em 1888 que Samuel Gee, um pesquisador inglês, a descreveu em detalhes e achou que as farinhas poderiam ser as causadoras da moléstia.

Em 1950, Dicke, um pediatra holandês, observou que durante a guerra, quando o pão esteve escasso na Europa, diminuíram os casos de doença celíaca. Três anos depois ele conseguiu comprovar sua teoria, deixando claro o papel do glúten (contido no trigo, cevada, aveia e centeio) na provocação da doença.

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Fonte: www.publisaude.com.br

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