
Barbeiro (vetor da doença de chagas) que acabou
de se alimentar com sangue humano
Descrita em 1909 por Carlos Chagas, a Doença de Chagas também é conhecida como tripanossomíase por Trypanosoma cruzi ou tripanossomíase americana (terminologia adotada pela Nomeclatura Internacional de Doenças, NID). Diz-se tripanossomíase qualquer enfermidade causada por protozoários flagelados do gênero Trypanosoma, que parasitam o sangue e os tecidos de vertebrados. O Trypanosoma geralmente é transmitido de um hospedeiro a outro por insetos – no caso humano, o principal vetor é um percevejo popularmente conhecido como barbeiro ou chupão (insetos das espécies Triatoma infestans, Rhodnius prolixus e Panstrongylus megistus).
O Trypanosoma é transmitido no ato de alimentação do vetor. Assim que o barbeiro termina de se alimentar, ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima. A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão de sangue ou durante a gravidez, de mãe para filho.
Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo vetor e 30 a 40 dias para as infecções por transfusão sanguínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas aparecem mais tarde, na vida adulta. A fase grave é caracterizada por febre de intensidade variável, mal-estar, inflamação dos gânglios linfáticos e inchaço do fígado e do baço. Podendo ocorrer e persistir durante até 8 semanas uma reação inflamatória no local da penetração do parasito (inchação), conhecida como chagoma. O edema inflamatório unilateral das pálpebras (sinal de Romaña), ocorre em 10 a 20% dos casos. As manifestações fatais, ou que podem constituir uma ameaça à vida, incluem inflamação do miocárdio (músculo presente no coração) e inflamações que comprometem a meninge e o cérebro. A fase crônica sintomática decorre com maior frequência de lesões cardíacas, com aumento do volume do coração, arritmias cardíacas, e comprometimento do trato digestivo, com inchação do esôfago e do estômago.
A enfermidade é diagnosticada por exame de sangue. Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la ainda se dá por meio da prevenção e do controle, combatendo sistemáticamente os vetores, mediante o emprego de inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações de maneira a torná-las pouco próprias à proliferação dos triatomíneos, eliminação dos animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados.
Fonte: www.fiocruz.br
A Doença de Chagas foi descrita por Carlos Chagas em 1909 . A doença atinge cerca de 18 milhões de pessoas no mundo , sendo 6 milhões , no Brasil. A doença pode cursar com comprometimento cardíaco , a chamada cardiopatia chagásica crônica.
A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um protozoário , sendo transmitida de um hospedeiro a outro por insetos, no caso dos seres humano, a doença é transmitido pelo inseto conhecido como barbeiro.A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas e campos da América, desde a Patagônia até o sul dos Estados Unidos. Esses animais ( tatus, gambáse roedores) convivem com os barbeiros silvestres e, através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi. Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos, e queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos. A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos. Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais cerca de 6 milhões em nosso país.O Trypanossoma cruzi é transmitido no ato da alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de se alimentar ele defeca , eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima. A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sangüínea ou durante a gravidez, de mãe para filho.
Normalmente o quadro clínico da infecção surge de 5 a 14 dias após a transmissão pelo barbeiro e 30 a 40 dias para infecções por transfusão sangüínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas, aparecem mais tarde , na vida adulta. Mais ou menos de 4 a 6 dias após o contato com o barbeiro , pode surgir uma inflamação no local da entrada do parasito. Quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele, o olho pode ficar inchado, sinal característico da doença , mas pouco freqüente. Quando ocorre na pele dos braços, pernas ou rosto, a lesão inicial pode se assemelhar a um furúnculo ou a uma mancha avermelhada quase sempre dolorosa. Essas lesões iniciais freqüentemente são acompanhadas de "ínguas" nas regiões próximas do local de contaminação. A febre é um dos sintomas mais freqüentes nessa fase da doença e, as vezes o único. Trata-se de febre baixa e contínua, geralmente durando semanas. Alguns dias após a penetração do parasito vai surgindo um mal-estar, falta de apetite, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do tamanho do baço e fígado, inchaço da face e de todo o corpo, indicando a disseminação da doença para todo o corpo. Trata-se da fase aguda da doença. Esse quadro é mais comum entre as crianças (1 a 5 anos). Em pessoas mais velhas, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e fase inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma gripe ou mal-estar.A fase aguda tende a desaparecer espontaneamente. Porém em certos casos graves, sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte devido a um ataque intenso do parasito aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como coração e o sistema nervoso central.
Passada a fase aguda, as manifestações da doença vão depender de muitos fatores, dentre os quais a capacidade de defesa do organismo e a intensidade agressora do Trypanossoma cruzi. Muitos pacientes podem passar um longo período , ou mesmo a vida toda , sem apresentar nenhuma manifestação da doença , embora sejam portadores da doença, chamada de forma latente. Em outros casos, entretanto, a doença progride e, passada a fase inicial, pode comprometer muitos órgãos, principalmente o coração e o aparelho digestivo. O coração é o órgão mais lesado. O coração aos poucos vai se dilatando e crescendo ( miocardiopatia dilatada chagásica ) , atingindo dimensões enormes. A capacidade de contração do coração costuma se deteriorar com aprogressão da cardiopatia chagásica crônica. São comuns nessa fase avançada, sintomas de insuficiência cardíaca congestiva , como : inchaço nas pernas ( edema ) , fadiga , palpitações e falta de ar ( dispnéia ) . Não são raras, infelizmente, as morte súbitas e inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios ( por arrtmias cardíacas complexas ).Os batimentos cardíacos podem se tornar lentos ( bloqueios atrioventriculares ). Felizmente , a maior parte dos pacientes não chega a desenvolver formas graves da doença no coração e poderão ter uma vida praticamente normal. Os comprometimentos digestivos se traduzem geralmente pelo aumento do calibre do esôfago ou porções finais do intestino ( megaesôfago e megacólon chagásicos ). Essas alterações podem determinar dificuldade progressiva para deglutir ( disfagia ) e constipação intestinal prolongada.O
Através dos sintomas acima descritos e história de contato com o barbeiro ( a chamada epidemiologia positiva para a doença de Chagas ) , podemos suspeitar da doença de Chagas. Entretanto, para se ter certeza, exames especiais são necessários. Na fase aguda deve-se procurar o Trypanossoma cruzi no sangue e na fase tardia da doença são necessários outros métodos, as reações sorológicas, já que a quantidade de Trypanossomas no sangue é muito pequena nessa fase. Há vários tipos dessas reações, sendo as mais usadas a imunofluorescência para a doença de Chagas e a reação de Guerreiro Machado. O diagnósticoda cardiopatia chagásica crônica pode ser feitos analisando-se , além do exame clínico , os exames complementares , como o eletrocardiograma , a radiografia do tórax e o ecocardiograma.
Alguns elementos do quadro clínico dos pacientes portadores de cardiopatia chagásica crônica , são indicativois de maior risco: insuficiência cardíaca e classe funcional III ou IV ( falta de ar aos mínimos esforços ou ao repouso ), cardiomegalia ( aumento da área cardíaca ) , anormalidades da contração do coração no ecocardiograma , taquicardia ventricular não-sustentada no Holter , complexos QRS de baixa voltagem no eletrocardiograma e sexo masculino. Cada ítem confere uma pontuação: 5 , 5 , 5 , 3 , 3 , 2 e 2 , respectivamente. Pacientes de baixo risco ( 0 a 6 pontos ) , médio risco ( 7 a 11 pontos ) e alto risco ( 12 a 20 pontos ), apresentam uma mortalidade em 10 anos de 10% , 44% e 84% , respectivamente.
Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la , se dá por meio da prevenção e do controle, combatendo sistematicamente os vetores, mediante o emprego de inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações para evitar a proliferação dos barbeiros, eliminação dos animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados. Na fase aguda da doença , uma droga chamada de benzonidazol, poderá combater de forma eficaz a doença. Essa mesma medicação poderá ser útil na fase crônica do doença , no entanto, estudos maiores são necessários para conclusões mais precisas a esse respeito. O tratamento da cardiopatia chagásica crônica volta-se ao combate dos sintomas da insuficiência cardíaca , arritmias cardíacas , prevenção da morte súbita e da formação de coágulo dentro do coração. Para tal , dispomos de medicamentos ( inibidores da enzima de conversão , betabloqueadores , diuréticos , anticoagulantes , antiarrítmicos , como aamiodarona e , outros ) , marcapasso artificial e desfibrilador automático implantável. Em alguns casos , poderá ser indicado um transplante cardíaco.
Dr. Tufi Dippe Jr.
Fonte: www.portaldocoracao.uol.com.br