Doença de Chagas (Página 6)
Doença de Chagas


OSWALDO CRUZ

Carlos Chagas
Carlos Chagas

A Doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um parasita chamado Trypanosoma cruzi, homenagem do seu descobridor, o cientista brasileiro Carlos Chagas, ao, também, cientista brasileiro, Oswaldo Cruz.

Os insetos chamados de triatomas (os populares barbeiros ou chupões, como são conhecidos no interior do Brasil) são hematófagos, isto é, alimentam-se de sangue. Ao alimentaremse do sangue de mamíferos silvestres ou domésticos contaminados (reservatórios do agente da doença) ou mesmo de humanos contaminados, ingerem os parasitas que, no tubo digestivo do barbeiro, passam por transformações evolutivas que resultam em formas infectantes as quais são eliminadas nas fezes do inseto, próximo ao ponto da picada (ao sugarem o sangue dos humanos). O ato de coçar o local da picada espalha as fezes, promovendo a contaminação através da lesão resultante da picada.

Outras formas de contágio são a transmissão vertical em gestantes contaminadas, transfusões sanguíneas, acidentes com instrumentos de punção ou em laboratórios por profissionais da saúde, sendo estas duas últimas bem mais raras.

A doença possui uma fase aguda e outra crônica. No local da picada pelo “vetor” (agente que transmite a doença, no caso, o barbeiro), a área torna-se vermelha e endurecida, constituindo o chamado chagoma, nome dado à lesão causada pelo Trypanosoma. Quando esta lesão ocorre próxima aos olhos, leva o nome de sinal de “Romaña”. O chagoma acompanha-se, em geral, de íngua próxima à região.

Após um período variável de incubação (período sem sintomas, de não menos que uma semana), ocorre febre, ínguas por todo o corpo, inchaço do fígado e do baço e uma vermelhidão no corpo semelhante a uma alergia e que dura pouco tempo. Nessa fase, nos casos mais graves, pode ocorrer inflamação do coração (miocardite) com alterações do eletrocardiograma e número de batimentos por minuto aumentado

Ainda nos casos mais graves, pode ocorrer sintomas de inflamação das camadas de proteção do cérebro (meningite) e inflamação do cérebro (encefalite). Os casos fatais são raros e, quando ocorrem, são consequêntes à miocardite, meningite ou encefalite. Mesmo sem tratamento, os sintomas desaparecem após algumas semanas ou meses. A pessoa contaminada pode permanecer muitos anos (ou mesmo o resto da vida) sem sintomas, permanecendo apenas com testes laboratoriais positivos. A detecção do parasita no sangue, ao contrário da fase aguda, torna-se agora bem mais difícil. A presença de anticorpos contra o parasita em níveis elevados, denota infecção em atividade.

Na fase crônica, as manifestações da doença, em geral se concentram no coração (miocardite chagásica), no esôfago (megaesôfago) e no intestino grosso (megacolon), traduzidas por arritmias, dificuldades de deglutição, regurgitação, pneumonia por aspiração, constipação crônica e dor abdominal.

Mais recentemente, a associação de Doença da Chagas com AIDS ou outros estados de imunossupressão tem mostrado formas de reagudização grave que se desconhecia até então, como o desenvolvimento de quadros neurológicos relacionados à inflamação das meninges, camadas que revestem o cérebro.

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Como se faz o diagnóstico?

Sempre suspeitar da doença diante de um indivíduo que esteve em zona endêmica e apresenta sintomas compatíveis. O diagnóstico é feito por testes de detecção de anticorpos ao Trypanosoma no sangue (mais comum), ou pela detecção do próprio parasita no sangue, nas fases agudas.

Como se trata?

A medicação utilizada no nosso meio é o benzonidazole, que é muito tóxico, sobretudo pelo tempo de tratamento, que pode durar de três a quatro meses. Seu uso é de comprovado benefício na fase aguda. Na fase crônica, o tratamento é dirigido às manifestações crônicas da doença. A diminuição da capacidade de trabalho do coração é tratada como na insuficência desse órgão por outras causas, podendo, em alguns casos, ser necessário o transplante.

NOTA

A forma de contaminação ocorrida recentemente no litoral do estado de Santa Catarina, por ingestão de caldo-de-cana contaminado com fezes de barbeiro ou pelo próprio inseto, foi uma forma pouco comum, embora possível, de contágio.

Prevenção

Os princípios da prevenção da Doença de Chagas baseiam-se, fundamentalmente, em medidas de controle do barbeiro, dificultando e/ou impedindo a sua proliferação nas residências e em seus arredores.

São medidas de controle:

manter a casa limpa, varrer o chão, limpar atrás dos móveis e dos quadros, expor ao sol os colchões e cobertores, locais onde os barbeiros costumam se esconder;

retirar ninhos de pássaros dos beirais das casas;

impedir a permanência de animais e aves dentro da casa (o seu sangue serve de alimento para os barbeiros);

construir galinheiros, paiol, tulha, chiqueiro e depósito afastados das casas e mantê-los limpos;

divulgar para os amigos e parentes as medidas preventivas;

encaminhar os insetos suspeitos de serem barbeiros para o serviço de saúde mais próximo.

A gravidade da doença aliada às suas consequências individuais e sociais e também a dificuldade de tratamento fazem da prevenção ação fundamental. A doença ocorre, principalmente, sobre as áreas mais pobres, áreas rurais, onde persistem condições de desnutrição, analfabetismo e falta de higiene, entre outros. Deve-se promover uma melhoria da habitação, rebocando as paredes e deixando-as livres de fendas, afastando, desta forma, a possibilidade de procriação do inseto. A utilização de inseticidas de ação residual prolongada, com baixa toxicidade para homem e animais domésticos, deve ser empregada para a eliminação do barbeiro. Aplicar inseticidas não significa que o barbeiro não aparecerá novamente. A participação de cada um é fundamental, informando as secretarias de saúde (ou seus representantes mais próximos) quanto forem encontrados insetos suspeitos.

As pessoas que saibam ser chagásicas, ou que procedem de áreas onde os índices da doença são muito altos, não devem doar sangue sem comunicar esses fatos ao médico.

Fonte: dsau.dgp.eb.mil.br

Doença de Chagas

DOENÇA DE CHAGAS OU TRIPANOSSOMÍASE AMERICANA

Histórico

a doença foi descoberta em 1909, pelo pesquisador brasileiro Carlos Chagas, quando este se encarregava de combater a malária no norte de Minas Gerais.

Localização

A doença se encontra distribuída pelo continente americano, desde o sul dos Estados Unidos até o sul da Argentina e Chile.

Características

Doença causada por um protozoário chamado Trypanosoma cruzi. Esse protozoário geralmente é transmitido ao homem por insetos -os triatomíneos- que são popularmente conhecidos como barbeiros. Os barbeiros são encontrados com freqüência em casas de taipa (construções de pau-a-pique barreadas) nas zonas rurais.

Transmissão

Os triatomíneos (ou barbeiros) se alimentam do sangue de alguns animais vertebrados, inclusive do homem. Esses insetos costumam defecar durante ou depois da alimentação. Se o inseto possuir o Trypanosoma cruzi em seu intestino, ao defecar ele irá eliminar o protozoário nas suas fezes. Quando a pessoa coça o local da picada, as fezes com o protozoário entram em contato com a ferida e o Trypanosoma cruzi pode então atingir as células do nosso corpo e o sangue.

Outras formas de transmissão: o Trypanosoma cruzi pode ser transmitido por transfusão sangüínea, caso a pessoa receba sangue contaminado com o protozoário. Cabe aos bancos de sangue a realização de exames rigorosos em todas as amostras de sangue que recebem. A transmissão por via oral também pode acontecer quando a pessoa ingere alimentos contaminados com fezes do barbeiro ou alimentos que foram moídos com os insetos, com a cana, por exemplo. Há ainda a transmissão congênita, ou seja, de mãe para filho.

Sintomas

A doença apresenta uma fase aguda, com lesões localizadas, e outra crônica, que produz quadros clínicos variados e incuráveis e pode durar anos. A fase aguda caracteriza-se por febre, sensação de fraqueza, aumento do fígado e do baço. Na fase crônica ocorrem problemas cardíacos, como palpitações e aumento do volume do coração, alterações no sistema digestório, como aumento do esôfago e alterações no sistema nervoso.

Prevenção

Não existe vacina para doença de chagas. A principal forma de prevenção é o combate aos triatomíneos (barbeiros) e melhoria das habitações, substituindo as casas de pau-a-pique por moradias onde os barbeiros não encontrem condições para se implantar.

CICLO DE VIDA DO TRYPANOSOMA CRUZI

O Trypanosoma cruzi apresenta diferentes formas ao longo do seu ciclo de vida, tais como:

Epimastigotas

Formas que se reproduzem no intestino do barbeiro e não são infectantes para o homem

Tripomastigotas metacíclicos

Encontrados na porção posterior do intestino (reto) do babeiro. São eliminados junto com as fezes e são infectantes para o homem

Amastigotas

Formas encontradas dentro das células de pessoas infectadas

Tripomastigotas sanguíneos

Encontrados no sangue de pessoas infectadas

Entendendo o ciclo de vida do Trypanosoma cruzi...

Trypanosoma cruzi
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Formas epimastigotas do Trypanosoma cruzi se multiplicam no intestino do barbeiro e, ao atingirem a porção posterior do intestino do inseto, se transformam em tripomastigotas metacíclicos, formas infectantes que são eliminadas junto com as fezes do barbeiro. Os tripomastigotas metacíclicos penetram então nas células do hospedeiro vertebrado (como o homem, por exemplo) e no interior das células se transformam em amastigotas, que se dividem muitas vezes. Os amastigotas voltam a se transformar em tripomastigotas e as células repletas de protozoários se rompem, liberando tripomastigotas na corrente sanguínea (tripomastigotas sanguíneos). Se o barbeiro picar uma pessoa infectada, pode ingerir tripomastigotas sanguíneos, que chegam então ao intestino do barbeiro e se transformam em epimastigotas, fechando assim o ciclo.


Trypanosoma cruzi
Formas epimastigota do Trypanosoma cruzi (formas encontradas no intestino do barbeiro), corados com Giemsa e observados ao microscópio ótico. Foto cedida por Tecia M. U. Carvalho.

Trypanosoma cruzi
Formas tripomastigota do Trypanosoma cruzi (setas) em meio à hemácias. Essas formas são encontradas no sangue de pessoas infectadas. Coloração por Giemsa e observação por microscopia ótica. Foto cedida por Tecia M. U. Carvalho.

Fonte: cienciaviva.org.br