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Doenças Relacionadas com a Água

Usos da água e saúde

Dos muitos usos que a água pode ter, alguns estão mais intimamente relacionados com a saúde humana

a) água utilizada como bebida ou na preparação de alimentos

b) água utilizada no asseio corporal ou a que, por razões profissionais ou outras quaisquer, venha a ter contato direto com a pele ou mucosas do corpo humano: ex.: trabalhadores agrícolas em cultura por inundações, lavadeiras, atividades recreativas (lagos, piscinas, etc.)

c) água empregada na manutenção da higiene do ambiente e, em especial, dos locais, instalações e utensílios usados no manuseio, preparo e ingestão de alimentos (domicílio, restaurantes, bares, etc.,)

d) água utilizada na rega de hortaliças ou nos criadouros de moluscos – ostras, mariscos e mexilhões.

Em (a) e (b) há contato direto entre a água e o organismo humano; em (c) e (d) há principalmente contato direto.

Pessoas com doenças causadas, direta ou indiretamente, pela água de má qualidade e por falta de saneamento ocupam 80% dos leitos hospitalares, nos países em desenvolvimento (AZEVEDO NETO & BOTELHO, 1991:14).

A nocividade da água pode resultar de sua má qualidade. A quantidade insuficiente de água também pode causar problemas.

Em (a) e (d) influi a qualidade, e em (b) e (c), além da qualidade, é muito importante a quantidade disponível, que, em alguns casos é fator preponderante.

A relação entre qualidade da água e doenças, intuitivamente suspeitada ou admitida desde a mais remota antiguidade, só ficou provada cientificamente, a partir de meados do século passado (epidemia de cólera em Londres, 1854 – John Snow).

Reconhece-se que o fator quantidade tem tanta ou mais importância que a qualidade, na prevenção de algumas doenças. A escassez da água, dificultando a limpeza corporal e a do ambiente, permite a disseminação de enfermidades associadas à falta de higiene. Assim, a incidência de certas doenças diarréicas, do tipo shigelose, varia inversamente à quantidade de água disponível “per capita”, mesmo que essa água seja de qualidade muito boa. A tracoma, que ocorre em vastas áreas de zona rural brasileira, tem como uma das bases de sua profilaxia, o abastecimento d´água no domicílio, em quantidade para permitir o asseio corporal satisfatório.

Também algumas doenças cutâneas e infestações por ectoparasitos, como os piolhos, podem ser evitadas ou atenuadas onde existe conjugação de bons hábitos higiênicos e quantidades de água suficiente.

Água como veículo

O sistema de abastecimento de água de uma comunidade desde a captação, adução, tratamento, recalque e distribuição, inclusive reservação, bem como dos domicílios e edifícios em geral, deve ser bem projetado, construído, operado, mantido e conservado, para que a água não se torne veículo de transmissão de diversas doenças.

Essas doenças podem ser classificadas em dois grupos

Doenças de transmissão hídrica

Doenças de origem hídrica

As primeiras são aquelas em que a água atua como veículo propriamente dito, do agente infeccioso, como por exemplo, no caso da febre tifóide, da disenteria bacilar, etc.; as segundas são aquelas decorrentes de certas substâncias (denominadas contaminantes tóxicos pelo Prof. Lucas Nogueira Garcez) contidas na água em teor inadequado, e que dão origem a doenças como fluorose, metemoglobinemia, bócio e saturnismo; a água, neste por apresentar certas substâncias dissolvidas, em determinados teores, é responsável pelo aparecimento de doenças.

Doenças de transmissão hídrica

A água é um importante veículo de transmissão de doenças notadamente do aparelho intestinal. Os microorganismos patogênicos responsáveis por essas doenças atingem a água com os excretas de pessoas ou animais infectados, dando como conseqüências as denominadas “doenças de transmissão hídrica”.

Em geral, os microorganismos normalmente presentes na água podem

Ter seu “habitat” normal nas águas de superfície

Ter sido carreados pelas enxurradas

Provir de esgotos domésticos e outros resíduos orgânicos, que atingiram a água por diversos meios

Ter sido trazidos pelas chuvas na lavagem da atmosfera

Os microorganismos patogênicos não são de fácil identificação em laboratório.Utiliza-se assim os microorganismos do grupo coliforme. Neste grupo encontram-se os coliformes fecais, habitantes normais dos intestinos dos animais superiores e outros de vida livre, que são de identificação mais fácil; sua presença indica provável existência de excreta e, portanto, possibilidade de ocorrência de germes patogênicos de origem intestinal.

Emprega-se assim o chamado índice de coli para determinar o grau de contaminação de uma água. Oportuno assinalar que, em princípio, existe uma certa correlação entre o número de coliformes e doenças de transmissão hídrica; estudos epidemiológicos, com base na estatística, podem, inclusive, correlacionar o número de coliformes com o número de determinados microorganismos patogênicos. Oportuno também assinalar que a presença de coliformes nem sempre indica a obrigatoriedade de existência de agentes patogênicos e, portanto, de ocorrência de doenças. Assim, a presença de coliformes, em determinadas concentrações, deve ser encarada como um sinal de alerta indicando a possibilidade de haver uma poluição e/ou contaminação fecal, principalmente quando ocorrem variações bruscas do número de coliformes numa determinada água.

Relativamente aos microorganismos patogênicos, as doenças de transmissão hídrica podem ser ocasionadas por

Bactérias: febre tifóide, febres paratifóides, disenteria bacilar, cólera

Protozoários: amebíase ou disenteria amebiana

Vermes (helmintos) e larvas: esquistossomíase

Vírus: hepatite infecciosa e poliomielite

Doenças de origem hídrica

Os quatro tipos de contaminantes tóxicos podem ser nos sistemas públicos de abastecimento de água são

Contaminantes naturais de uma água que esteve em contato com formação minerais venenosas

Contaminantes naturais de uma água na qual se desenvolveram determinadas colônias de microorganismos venenosos

Contaminantes introduzidos na água em virtude de certas obras hidráulicas defeituosas (principalmente tubos metálicos) ou de práticas inadequadas no tratamento da água

Contaminantes introduzidos nos cursos d´água por certos dejetos industriais.

Os contaminantes de origem mineral incluem o flúor, o selênio, o arsênico e o boro, e, com exceção do flúor, raramente são encontrados em teores capazes de ocasionar danos.

Quanto ao flúor, teores maiores que 1 ppm são responsáveis pela fluorose dos dentes, e, por outro lado, ausência de fluoretos beneficia o aparecimento de cáries dentárias; o teor ótimo é em torno de 1 ppm.

Os contaminantes naturais ocasionados por colônias de microorganismos venenosos, como certos tipos de algas, dão à água aspecto repulsivo ao homem, que tem assim uma defesa natural através dos seus sentidos; não obstante, a mortalidade de gado que ingere esses contaminantes tem sido verificada.

Os contaminantes introduzidos pela corrosão de tubulações metálicas podem ocasionar distúrbios, principalmente em águas moles ou que contenham certo teor de bióxido de carbono (o que pode ocorrer por prática inadequada no tratamento da água).

Dos metais empregados nas tubulações, o único de toxidez comprovada (e cumulativa) é o chumbo, que pode ocasionar o envenenamento conhecido como saturnismo.

Cobre, zinco e ferro, mesmo em pequenas quantidades, dão à água gosto metálico característico e são responsáveis por certos distúrbios em determinadas operações industriais.

O tratamento químico da água para a coagulação, desinfecção e destruição de algas ou controle da corrosão pode ser uma fonte potencial de contaminação.

Todas as variedades de contaminantes tóxicos podem provir dos despejos líquidos industriais. Daí a importância sanitária do controle de despejos industriais.

Água e doenças

As doenças relacionadas com a água podem ser causadas por

Agentes microbianos

Agentes químicos

a) Doenças causadas por agentes microbianos

São doenças que apresentam caráter infeccioso ou parasitário.

Quanto ás vias de penetração no organismo pode-se adquirir doenças por

Via predominantemente oral

Via predominantemente cutânea-pele ou mucosa

Doenças adquiridas por via oral

Agrupando as doenças de via predominantemente oral, segundo a importância de água como veículo, tem-se

Cólera (bactéria: Vibrio Cholerae)

Febre tifóide (bactéria: SalmonelaTyphi)

Febres paratifóides (bactéria: Salmonela Paratyphi)

Hepatite infecciosa (vírus)

Gastroenterites (diarréias) infantis (p.ex.: bactéria: Escherichia Coli)

A veiculação dos agentes etiológicos destas moléstias através da água, é a mais freqüente e mais eficiente; para comprova-lo basta lembrar o declínio da incidência da febre tifóide e o desaparecimento da cólera em todos os países que adotaram práticas eficientes de purificação da água potável.

Num segundo grupo

Disenteria bacilar

Disenteria amebiana ou amebíase

Poliomielite

Podem ser incluídas como doenças de veiculação hídrica, mas não serem classificadas de parelha com o primeiro, ou seja, existem outros meios de difusão mais atuantes na maioria dos casos.

Num terceiro grupo

A importância da água como veículo seria menor.

É o caso das

Helmintoses

Tuberculoses

Assinale-se que embora a tuberculose comumente não seja considerada infecção transmissível, direta e indiretamente pela água, a possibilidade de existência de casos adquiridos por essa via não ser negada, o que se atribui à grande resistência do bacilo responsável pela doença, em certas condições ambientais.

Doenças adquiridas principalmente por via cutânea – pele e mucosa

Esquistossomose

Leptospirose

Outras doenças que se referem aos banhos em piscinas, praias, rios etc.: doenças nos olhos, ouvidos e vias áreas superiores (conjuntivites, otites, corizas, sinusites, etc.) têm sido atribuídas a banhos em piscinas, praias, etc., pela possibilidade das águas poderem estar contaminadas por bactérias ou vírus.

Assinale-se ainda que existem doenças, como a ancilostomíase e a ascaridíase, em cuja transmissão a água, eventualmente, pode também atuar como veículo de certos casos. A água é imprescindível, também, ao ciclo biológico de muitos vetores animados, responsáveis por graves doenças. Por exemplo, os mosquitos que transmitem a malária e a febre amarela, têm a fase larvária, obrigatoriamente, em meio aquático. Assim, doenças como malária, indiretamente, estão relacionadas com a água; neste caso, a água não atua como veículo, mas o mosquito transmissor se procria nas coleções de água, e portanto, ao se estudar a construção de um reservatório de acumulação e destinado ao abastecimento de água, deve-se investigar as espécies de mosquitos existentes na área de inundação e vizinhança, bem como aspectos epidemiológicos relacionados à malária.

b) Doenças causadas por agentes químicos

A água, através de seu ciclo hidrológico, está em permanente contato com os constituintes da atmosfera e da crosta terrestre, dissolvendo muitos elementos e carreando outros em suspensão. Além disso, o homem por suas múltiplas atividades, nela introduz substâncias das mais diversas naturezas. Assim, podemos distinguir poluentes naturais e artificiais.

Os poluentes naturais compreendem substâncias minerais e orgânicas, dissolvidas ou em suspensão e gases provenientes da atmosfera ou das transformações microbianas da matéria orgânica.

Os poluentes artificiais podem resultar

Das substâncias empregadas no tratamento da água: sulfato de alumínio, cal, etc.

Do uso crescente de pesticidas (herbicidas, carrapaticidas, inseticidas, raticidas, etc), largamente empregados no combate às pragas da agricultura e aos vetores de doenças humanas e de animais. Em sua grande maioria são compostos orgânicos sintéticos, que de um modo ou de outro, podem poluir as águas subterrâneas ou superficiais

Dos esgotos sanitários que, além de substâncias como detergentes, encerram matéria orgânica, cujas transformações por ação microbiana têm muita importância para o balanço de oxigênio dos cursos d´água, além de outras alterações de natureza química que aí podem promover

Da emissão das chaminés das fábricas, incineradores, etc. Algumas dessas substâncias acabam por se precipitar diretamente na água ou para ela são carregadas pelas chuvas, ou em decorrência do processo de incineração, por exemplo.

Os efeitos que os poluentes naturais ou artificiais podem ter sobre o organismo humano dependem da concentração da substância na água, da toxidez específica para o ser humano e da suscetibilidade individual, que é variável de pessoa a pessoa.

Praticamente, para todos os poluentes, existem concentrações inofensivas, que, aumentadas, podem começar a agir sobre o organismo e, se atingirem certo nível, os fenômenos tóxicos se acentuarão, sendo capazes de levar até à morte. Às vezes são agudos, mas, em outros casos, quando o tóxico é cumulativo, doses que, isoladamente seriam inofensivas, com o consumo continuado, podem acarretar doenças de eclosão tardia; é o caso do chumbo, causador do saturnismo. Como exemplos temos também os nitratos e o flúor, que, excedendo certos limites, podem causar, respectivamente, a metemoglobinemia e a fluorose. Nos poucos exemplos, ao contrário, os malefícios decorrem, não do excesso, mas da carência do elemento na água, e esta ação também se revela ao longo do prazo; é o caso do iodo que em quantidade inferior pode causar o bócio.

Medidas gerais de proteção

O perigo da transmissão de doenças infecciosas pela água, refere-se, na prática, às doenças infecciosas intestinais e a profilaxia gira em torno das seguintes medidas

Proteção dos mananciais, inclusive medidas de controle de poluição das águas;

Tratamento adequado da água, com operação continuamente satisfatória;

Sistema de distribuição da água bem projetado, construído, mantido e operado. Deve-se manter a água na rede com pressão adequada;

Controle permanente da qualidade bacteriológica e química da água da rede de distribuição, ou, preferivelmente, na torneira do consumidor;

Solução sanitária para o problema da coleta e da disposição dos esgotos e, em particular dos dejetos humanos, tendo sempre como uma das finalidades a proteção do abastecimento de água potável;

Observar, na zona rural, as medidas indicadas para a proteção dos poços, nascentes e mananciais de superfície, inclusive a construção de sistema mais aconselháveis para o destino satisfatório dos dejetos, evitando a poluição direta da superfície, do solo ou das coleções líquidas;

Melhoria da qualidade da água suprida às pequenas comunidades, auxiliando-as técnicas e financeiramente a utilizarem métodos simples e pouco dispendiosos de tratamento, inclusive desinfecção, quando necessário.

Assinale-se ainda que dados os diferentes modos de transmissão das doenças relacionadas à água e sua profilaxia, torna-se necessário que, a par dos serviços de abastecimento de água, outros também devam ser executados, tais como: acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e/ou disposição final de lixo; controle de artrópodes, notadamente moscas domésticas e das baratas; controle dos seus manipuladores. A execução destes diversos serviços de saneamento do meio, bem como os demais aspectos do saneamento dentro de um adequado programa onde os diversos problemas forem devidamente equacionados, face sua importância e os meios financeiros e humanos disponíveis, permitirá ao homem atingir o estado de saúde, no seu sentido amplo, usufruindo assim melhor a sua existência, elevando-se material e espiritualmente e, atingindo a sensação de verdadeiro bem estar geral.

É evidente que, concomitantemente com as medidas de saneamento do meio, torna-se necessário que as medidas relacionadas à nutrição, à educação sanitária, entre outras, devem também serem tomadas, visando à elevação do nível de saúde da comunidade.

Doenças de transmissão hídrica

a) Dengue

O dengue é uma doença infecciosa causada por um arbovírus (existem quatro tipos diferentes de vírus do dengue- 1, 2, 3 e 4), que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos. O dengue está se expandindo rapidamente, e espera-se que nos próximos anos a transmissão aumente por todas as áreas tropicais do mundo.

Transmissão

No Brasil, circulam os tipos 1, 2 e 3. O vírus 3 está presente desde dezembro de 2000 (foi isolado em janeiro de 2001, no Rio). O dengue pode ser transmitido por duas espécies de mosquitos (Aëdes aegypti e Aëdes albopictus), que picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que pica durante a noite.

Os transmissores de dengue, principalmente o Aëdes aegypti, proliferam-se dentro ou nas proximidades de habitações (casas, apartamentos, hotéis etc) em qualquer coleção de água limpa (caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas). As bromélias, que acumulam água na parte central (aquário), também podem servir como criadouros. A transmissão do dengue é mais comum em cidades. Também pode ocorrer em áreas rurais, mas é incomum em locais com altitudes superiores a 1200 metros.

O Aëdes aegypti, atualmente, está presente em cerca de 3600 municípios brasileiros. O único modo possível de evitar a introdução de um novo tipo do vírus do dengue é a eliminação dos transmissores. O Aëdes aegypti também pode transmitir a febre amarela.

Riscos

Cerca de dois bilhões de pessoas vivem em áreas onde é possível a transmissão de dengue. O número de casos é estimado entre 50 e 100 milhões por ano. No Continente Americano, em 1995 foram notificados 250 mil casos de dengue, e 7 mil da forma grave da doença.

As áreas de maior risco são: América Central, América do Sul (exceto Chile, Paraguai e Argentina), América do Norte (México), África, Austrália, Caribe (exceto Cuba e Ilhas Caymam), China, Ilhas do Pacífico, Índia, Sudeste Asiático e Taiwan. Nos Estados Unidos a ocorrência de dengue é incomum, porém em 1995 foram registrados casos de transmissão no Texas.

Medidas de proteção individual

Ainda não existem vacinas disponíveis contra o dengue, embora as pesquisas estejam em fase avançada. Uma pessoa não transmite dengue diretamente para outra, para que isto ocorra, é necessário que o mosquito pique uma pessoa infectada e, após o vírus ter multiplicado, pique uma pessoa que ainda não teve a doença.

A transmissão de dengue ocorre em áreas que também são de risco potencial para febre amarela (a vacina deve estar atualizada) e, geralmente, também para malária. Devem ser adotadas, portanto, medidas de proteção contra infecções transmitidas por insetos, que são as mesmas empregadas contra a febre amarela e a malária. É importante saber que, embora a transmissão dessas doenças possa ocorrer ao ar livre, o risco maior é no interior de habitações. Não existe comprovação da eficácia do uso de vitaminas do complexo B ou de pílulas de alho na profilaxia do dengue (ou de qualquer outra doença transmitida por vetores).

O viajante deve usar, sempre que possível, calças e camisas de manga comprida e repelentes contra insetos à base de DEET nas roupas e no corpo, sempre observando a concentração máxima para crianças (10%) e adultos (30%). Antes de adquirir um repelente, certifique-se da concentração de DEET no produto. Além disso, deve procurar hospedar-se em locais que disponham de ar-condicionado ou utilizar mosquiteiros impregnados com permetrina e inseticida em aerosol nos locais onde for dormir.

Pessoas que estiveram em uma área de risco para dengue e que apresentem febre, durante ou após a viagem, devem procurar um Serviço de Saúde para esclarecimento diagnóstico. As áreas de transmissão do dengue podem ser as mesmas da febre amarela ou da malária. Em todas as pessoas com suspeita de dengue que estiveram em áreas de transmissão dessas doenças, é importante que seja sempre afastado o diagnóstico de febre amarela e investigada a possibilidade de malária, doença para qual existe tratamento específico eficaz.

Recomendações para áreas de transmissão

O dengue é transmitido pela picada de mosquitos (mais comumente o Aëdes aegypti) que proliferam dentro ou nas proximidades de habitações. Esses mosquitos criam-se na água, obrigatoriamente. A fêmea do mosquito põe os ovos dentro de qualquer recipiente (caixas d'água, latas, pneus, cacos de vidro etc) que contenha água mais ou menos limpa, colando os ovos nas paredes dos recipientes, bem próximos da água. Os ovos ficam aderidos, e não morrem mesmo que o recipiente fique seco. Não adianta, portanto, apenas substituir a água, mesmo que isso seja feito com freqüência. Desses ovos surgem as larvas, que, depois de algum tempo vivendo na água, vão formar novos mosquitos adultos.

O combate ao mosquito deve ser feito de duas maneiras: eliminando os mosquitos adultos e, principalmente, acabando com os criadouros de larvas. Para isso é importante que recipientes que possam encher-se de água sejam descartados ou fiquem protegidos com tampas. Qualquer recipiente com água e sem tampa, inclusive as caixas d' água, podem ser criadouros dos mosquitos que transmitem o dengue.

Para reduzir a população do mosquito adulto, é feita a aplicação de inseticida através do "fumacê", que deve ser empregado apenas quando está ocorrendo epidemia. O "fumacê" não acaba com os criadouros e precisa ser sempre repetido, o que é indesejável, para matar os mosquitos que vão se formando. Por isso, é importante eliminar os criadouros do mosquito transmissor. Além do dengue, se estará também evitando que a febre amarela, que não ocorre nas cidades brasileiras desde 1942, volte a ser transmitida.

As medidas eficazes, em residências, escolas e locais de trabalho, são:

Substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor de água:

Utilizar água tratada com cloro (40 gotas de água sanitária a 2,5% para cada litro) para regar bromélias, duas vezes por semana.*

Desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água.

Não deixar pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva.

Manter sempre tampadas as caixas d'água, cisternas, barris e filtros.

Acondicionar o lixo em sacos plásticos fechados ou latões com tampa.

Manifestações

A infecção causada por qualquer um dos quatro tipos (1, 2, 3 e 4) do vírus do dengue produz as mesmas manifestações. A determinação do tipo do vírus do dengue que causou a infecção é irrelevante para o tratamento da pessoa doente. O dengue é uma doença que, na grande maioria dos casos (mais de 95%), causa desconforto e transtornos, mas não coloca em risco a vida das pessoas. As manifestações iniciais são febre alta, dor de cabeça, muita dor no corpo e, às vezes, vômitos. É freqüente que, 3 a 4 dias após o início da febre, ocorram manchas vermelhas na pele, parecidas com as do sarampo ou rubéola, e prurido ("coceira"). Também é comum que ocorram pequenos sangramentos (nariz, gengivas).

A maioria das pessoas, após quatro ou cinco dias, começa e melhorar e recupera-se por completo, gradativamente, em cerca de dez dias. Em alguns casos (a minoria), nos três primeiros dias depois que a febre começa a ceder, pode ocorrer diminuição acentuada da pressão sangüínea. Esta queda da pressão caracteriza a forma mais grave da doença, chamada de dengue "hemorrágico". Este nome pode fazer com que se pense que sempre ocorrem sangramentos, o que não é verdadeiro. A gravidade está relacionada, principalmente, à diminuição da pressão sangüínea, que deve ser tratada rapidamente, uma vez que pode levar ao óbito. O dengue grave pode acontecer mesmo em quem tem a doença pela primeira vez.

O doente se recupera, geralmente sem nenhum tipo de problema. Além disso, fica imunizado contra o tipo de vírus (1, 2, 3 ou 4) que causou a doença. No entanto, pode adoecer novamente com os outros tipos de vírus do dengue. Em outras palavras, se a infecção foi com o tipo 2, a pessoa pode ter novamente o dengue causado pelos vírus dos tipos 1, 3 ou 4. Em uma segunda infecção, o risco da forma grave é maior, mas não é obrigatório que aconteça.

As manifestações iniciais do dengue são as mesmas de diversas outras doenças (febre amarela, malária, leptospirose). Também não servem para indicar se o dengue vai ser mais grave. Por isto é importante sempre procurar rápido um Serviço de Saúde, para uma avaliação médica. A meningite meningocócica pode ser muito parecida com o dengue grave, mas a pessoa piora muito mais rapidamente (logo no primeiro ou segundo dia de doença). O dengue pode se tornar mais grave apenas quando a pessoa começa a melhorar, e o período mais perigoso vai até três dias depois que a febre desaparece.

O dengue não tem tratamento específico. Quando não há dúvida que a pessoa tem dengue, na maioria das vezes o médico pode recomendar que o tratamento seja feito em casa, basicamente com antitérmicos e com uma solução para reidratação oral (disponível nas Unidades de Saúde), que deve ser iniciada o mais rápido possível.

Alguns cuidados devem ser observados:

Não tomar remédios sem recomendação do médico. Todos os medicamentos podem ter efeitos colaterais e alguns que podem até agravar a doença.

Alguns medicamentos para dor e febre podem aumentar o risco de sangramento, como os que contém ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Melhoral® e outros). Outros podem ocasionar erupções na pele, semelhantes às causadas pelo dengue, como os que contém dipirona Novalgina®, Dipirona®, Dorflex® e outros). Os antiinflamatórios (Voltaren®, Profenid® etc) também, não devem ser utilizados como antitérmicos pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas.

O paracetamol (Dôrico®, Tylenol® etc), mais utilizado para tratar a dor e a febre no dengue, deve ser tomado rigorosamente nas doses e no intervalo prescritos pelo médico, uma vez que em doses muito altas pode causar lesão hepática.

Beber a maior quantidade possível de líquido. Não é necessária nenhuma dieta. Procure alimentar-se normalmente.

É absolutamente necessário estar atento para as manifestações que podem indicar gravidade, o que pode acontecer, geralmente, a partir do momento em que a febre começa a ceder:

Dor constante abaixo das costelas, do lado direito (fígado).

Suores frios por tempo prolongado, tonteiras ou desmaios ( pressão baixa).

Pele fria e pegajosa por tempo prolongado (pressão muito baixa).

Sangramentos que não param.

Fezes escuras como borra de café (sangramento intestinal).

Se qualquer uma destas manifestações aparecer, a pessoa deve ser levada imediatamente ao Serviço de Saúde mais próximo.

b) Amebíase

Amebíase é uma doença endêmica em grande parte do território brasileiro e, amplamente disseminada por todo o mundo.

Agente causador: é o protozoário Entamoeba histolytica, um típico exemplo de protozoário rizópoda, isto é, protozoa destituído de flagelos ou cílios.

Transmissão: Eliminados com as fezes pelas pessoas doentes, os cistos contaminam a água dos rios e, levados por esta ou pela poeira e pelas moscas, baratas e outros animais, também contaminam frutos, verduras e diversos alimentos, permitindo o alastramento dessa protozoose.

Ciclo: As amebas se desenvolvem ou proliferam notadamente no intestino grosso, embora possam ser encontradas também no intestino delgado.

Quadro clínico: diarréia.

Profilaxia:

Há medicação específica para essa doença. Mas a profilaxia depende também de:

Cuidados pessoais de higiene

Limpeza das mãos e dos alimentos

Saneamento básico nas regiões onde a pobreza e a promiscuidade facilitam a dispersão da endemia.

c) Ancilostomose ou amarelão

Agente causador: Ancylostoma duodenale e Necator americanus.

Transmissão: pela penetração de larvas dos vermes pela pele ou ingestão de ovos do parasita através de água e alimentos contaminados.

Ciclo: no intestino, a fêmea adulta põe ovos que são eliminados pelas fezes. No solo formam-se larvas que podem atravessar a pele humana. As larvas caem na circulação, chegam ao coração, pulmões, atravessam a parede dos alvéolos, sobem à árvore respiratória, chegam à faringe e são deglutidas chegando ao intestino e formam vermes adultos.

Quadro clínico: O verme se alimenta de sangue, há anemia, fraqueza, emagrecimento, desânimo, pele cor amarelada (amarelão). Pode surgir perversão do apetite como hábito de comer terra, dores abdominais, vômito, diarréia e às vezes disenteria.

Profilaxia

Higiene alimentar

Uso de calçado

Instalações sanitárias adequadas

Saneamento básico

Educação sanitária

Tratamento dos doentes

d) Ascaridiáse

Agente causador: Ascaris lumbricoide, conhecido como lombriga.

Transmissão: pela ingestão de água e alimentos contaminados com ovos da lombriga.

Ciclo: os ovos são ingeridos, chegam ao intestino do hospedeiro onde se abrem e liberam larvas que atravessam a parede intestinal, caem na circulação, passam para o fígado e pulmões. Nos pulmões atravessam os alvéolos, sobem pela árvore respiratória até chegar à faringe e são deglutidas. No intestino delgado transforma-se em vermes adultos.

Quadro clinico: quase não há problemas. Quando o número de vermes é grande, pode haver perigo de obstrução intestinal.

Profilaxia

Higiene alimentar

Instalações sanitárias adequadas

Educação sanitária

Tratamento dos doentes.

e) Cólera

Agente causador: vibrião colérico (vibrio cholerae), uma bactéria na forma de vírgula.

Transmissão: Ocorre pela ingestão de água e alimentos contaminados com a bactéria. As precárias condições de saneamento básico (abastecimento de água potável e sistemas de esgoto) são as principais causas de propagação do cólera.

Sintomas: diarréia intensa, desidratação, dor abdominal. Pode ocorrer morte.

Profilaxia:

Saneamento básico

Instalações sanitárias adequadas

Tratamento dos doentes

Educação sanitária

Higiene alimentar.

f) Enterobíase ou oxiurose

Agente causador: Enterobius vermiculares , um verme pequeno, branco.

Transmissão: Pela ingestão de ovos do verme em água e alimentos contaminados.

Ciclo: os vermes adultos fixam-se à parede intestinal. As fêmeas, na época da postura desprendem-se e vão à proximidades do orifício retal depor ovos que são eliminados no meio externo.

Sintoma principal: coceira retal, mas pode haver náuseas, vômitos, dores abdominais, diarréia e irritabilidade.

Profilaxia

Higiene pessoal e alimentar

Higiene da casa

Saneamento básico

Educação sanitária

Tratamento dos doentes

g) Esquistossomose

Agente causador: No Brasil, o agente causador da esquistossomose é o Schistosoma mansoni. Os vermes adultos vivem dentro de pequenas veias do intestino e do fígado do homem doente; alcançam até 12 mm de comprimento por 0,44 mm de diâmetro.

Ciclo: O hospedeiro intermediário é o caramujo do gênero Biomphalaria. É um molusco de água doce chamado planorbídeo - conhecido popularmente por caramujo. Os caramujos vivem na água doce de córregos, riachos, alagados, brejos, açudes, represas ou outros locais onde haja pouca correnteza. Os caramujos jovens alimentam-se de vegetais em decomposição e folhas verdes. Os caramujos põem ovos, dos quais, depois de alguns dias, nascem novos caramujos que crescem e se tornam adultos.

Ciclo intermediário

Desenvolve-se em duas fases: uma no interior do caramujo e outra no interior do homem. O homem, quando doente, elimina ovos do verme pelas fezes. Estes, em contato com a água, rompem-se e libertam o miracídio que é a larva ciliada, que nada ativamente, penetrando no caramujo. No caramujo, realiza-se um processo de desenvolvimento, que ao final de vinte a trinta dias atinge a última fase larvária que são as cercárias, iniciando a sua eliminação.

Estas nadam ativamente, podendo permanecer vivas por algumas horas, dependendo das condições ambientais e vão penetrar na pele de pessoas, iniciando a fase no homem. No homem, as cercárias alcançam a corrente sanguínea, passando pelos pulmões, coração até chegar no fígado. Este processo dura em torno de dez dias. No vigésimo sétimo dia já se encontram vermes acasalados e a postura de ovos pode começar no trigésimo dia. A partir do quadragésimo dia se encontram ovos nas fezes.

Transmissão

Depende da presença de portador humano, eliminando ovos do verme nas fezes, da existência de hospedeiro intermediário, que é o caramujo; e do contato do homem com a água contendo cercárias de S. mansoni.

Profilaxia

Higiene pessoal

Evitar beber ou tomar banho em água contaminada por caramujos

Saneamento básico

Educação sanitária

Tratamento dos doentes

h) Febre tifóide

Agente causador: Doença endêmica, estando sua presença relacionada com águas não tratada e contaminada com a bactéria Salmonella typhi.

Transmissão: pode acontecer de forma direta ou indireta. Na forma direta um indivíduo recebe a bactéria de um doente. A forma indireta está ligada a atividades em que uma pessoa sadia se infecta por objetos, água ou alimentos manipulados por portadores. As moscas domésticas também estão relacionadas com esse tipo de contágio.

Quadro clínico: febre alta, podendo levar à morte.

Profilaxia

Proteção, purificação e cloração da água

Ferver e pasteurizar leite

Boas condições de higiene

ombate às moscas

Saneamento básico

Notificação de casos à autoridade sanitária e isolar os doentes.

i) Giardíase

Agente causador: A giardíase é uma parasitose intestinal provocada pelo protozoário Giardia lamblia ou Giardia intestinalis. A giárdia é um protozoário flagelado, dotado de aspecto bem peculiar, lembrando, quando visto de frente, uma máscara.

Transmissão

A giárdia é transmitida por contágio direto, através da água e de alimentos contaminados. Instala-se no jejuno-íleo (intestino delgado) e, frequentemente, sobe pelo canal colédoco e vai se alojar na vesícula biliar, tornando o tratamento bem mais difícil. Apesar do caráter agudo com que se manifesta a doença, ela tem alta tendência à cronicidade. A incidência é acentuadamente maior em crianças, provavelmente porque entre estas são menores os cuidados higiênicos com as mãos, a água e os alimentos.

Profilaxia

Cuidados de higiene com a água, alimentos e mãos

Tratamento de água

Saneamento básico

j) Malária ou maleita

Agente causador: é uma doença infecciosa, causada por um protozoário do gênero Plasmodium.

As espécies de plasmódios que afetam o ser humano são: Plasmodium vivax, P. falciparum, P. malariae e P.ovale.

Transmissão

É transmitida de uma pessoa para outra, através da picada de um mosquito do gênero Anopheles ou por transfusão de sangue infectado com plasmódios. O transmissor é conhecido também como: pernilongo, mosquito prego, carapanã - a fêmea se alimenta de sangue para maturação dos ovos, enquanto que o macho, alimenta-se de seiva vegetal. O mosquito vive em águas de rios e córregos, lagoas, represas, açudes, alagados, pântanos e em Águas coletados em plantas bromeliceas.

Ciclo

No homem os plasmódios passam por uma evolução inicial nas células do fígado e posteriormente invadem os glóbulos vermelhos onde evoluem por períodos variáveis, provocando a partir daí os sintomas da doença.

Nos anófeles, evoluem inicialmente no estômago e posteriormente nas glândulas salivares sendo, no momento da picada, inoculados no ser humano. Os plasmódios se multiplicam por reprodução assexuada no organismo humano e por reprodução sexuada no anófeles.

Quadro clínico: febre intermitente, acompanhada de tremores.

Profilaxia:

Combate ao mosquito transmissor

Uso de telas em janelas e portas

Tratamento dos doentes.

Fonte: www.feg.unesp.br

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