Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Cocaína  Voltar

Cocaína

Cocaína
Cocaína

Cocaína é uma droga extraída de uma planta conhecida como Erythroxylum Coca.

Pó branco, normalmente inalado (cheirado) ou diluído em água para ser injetado nas veias (administração intravenosa). Quase sempre vendida em pequenas quantidades, embrulhadas em pedaços de plástico ou papel alumínio, conhecidos como papelote.

Overdose

A overdose acontece por superdosagem da droga, ou seja, o usuário utiliza-se de uma dose maior do que a habitual ou adquire cocaína mais "pura" do que normalmente consome. Neste caso, apesar de fisicamente parecer a mesma quantidade, ele está utilizando várias vezes a quantidade pretendida.

AIDS consumindo cocaína

O risco de se adquirir AIDS ou hepatite é bastante alto entre os usuários de cocaína injetável, tornando-os um grupo de alto risco para estas doenças.

Fósforo queimado é uma droga?

Não existe nenhum tipo de dependência conhecida com relação a fósforo queimado, pelo menos até agora...

O que é lança-perfume ?

É uma combinação de éter,clorofórmio, cloreto de etila e uma essência perfumada.

Quais as conseqüências do uso do lança-perfume ?

Seu uso é sazonal; está associado ao período de carnaval: antigamente fazia parte das brincadeiras esguichar o produto nos outros foliões, causando uma sensação gostosa por seu perfume e pelo "friozinho" que produzia.

Mas, com o passar do tempo, este uso inocente do lança-perfume perdeu lugar para sua utilização como inalante: esguichado em lenços que as pessoas levavam ao nariz, produzia a sensação de torpor e euforia. Depois de muitas mortes por parada cardíaca dos usuários desta droga, sua fabricação e comercialização foi proibida.

O QUE É HEROÍNA?

A heroína (Diacetilmorfina) foi introduzida para fins medicinais, em 1898, após testes clínicos na Universidade de Berlim. Porém, foi sintetizada, em 1974, pelo químico Dreser. Esse tóxico é obtido da síntese da morfina. Nesse processo químico são substituídos dois átomos de hidrogênio, por dois núcleos de acetilo. Seu efeito é 10 vezes mais potente que os das morfinas, daí o seu nome HEROÍNA; do alemão "heroich", que significa "potente", "energético".

Da mesma forma que os opiáceos, a heroína determina dependência física e psíquica, isto é, a sua retirada vai determinar o "síndrome de abstinência". A droga é totalmente clandestina, não tendo nenhuma aplicação médica nos dias de hoje, pois os EUA proibiram sua importação. Fabricada em empregada desde 1925, no Brasil isto aconteceu a partir da regulamentação de 1938. A sua clandestinidade lhe dá um alto preço no comércio ilegal.

É usada pelas narinas, ou por meio de injeções.

ABSTINÊNCIA

As manifestações físicas provocadas pela falta da heroína são náuseas, vômitos, pupilas dilatadas, sensibilidade à luz, elevação da pressão sanguínea e da temperatura, dores em todo corpo, insônia, crises de choro, tremores, diarréia, enfim, todos os sintomas da falta da morfina podem ser indicados. A dependência física é grande, isto é, o corpo passa a necessitar da droga para o seu funcionamento celular normal.

ECSTASY

Na inglaterra, o ecstasy começou a ser usado há cerca de 10 anos e já provocou pelo menos 60 mortes. Uma pílula custa por volta de 25 a 30 dólares nos EUA. Os consumidores são jovens de classe média, profissionais e estudantes.

O ecstasy estimula a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pelas sensações de bem-estar. Se a princípio isso provoca euforia, com o tempo pode levar à depressão, pois o organismo passa a não produzir a substância sem grandes quantidades da droga.

EFEITOS FÍSICOS

De 20 à 60 minutos, após a ingestão da droga (de 75 a 100 miligramas) surgem os primeiros efeitos do ecstasy: aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, boca seca, náusea, sudorese, diminuição do apetite, atenção dispersa, elevação do humor e contratura da mandíbula. O auge dos sintomas acontece depois de 6 horas e permanece durante mais ou menos 12 horas. Alguns deles, como dores musculares, fadiga, e depressão, podem durar vários dias.

Fonte: www.vestigios.hpg.ig.com.br

Cocaína

A cocaína é o mais potente estimulante do Sistema Nervoso Central que se conhece.É extraída da da planta Erythoxylon coca, vegetal muito comum na região dos Andes principalmente Peru, Bolívia e Colômbia, e já era conhecido dos Índios da região que mascavam as folhas secas de coca por acosião dos rituais religiosos e festas coletivas.As folhas secas também serviam para disfarçar fadiga, a fome e sede.

CLASSIFICAÇÃO

Estimuladora:

Agem como estimulantes no Sistema Nervoso Central, iniciando-se os efeitos por euforia, bem-estar, disposição pronta, aumento de atividade e outros.
Provocam também excitação, irritabilidade e insônia.Após a fase estimulante geralmente surge a fase depressiva.
A cocaína é um fortíssimo estimulante do SNC e atinge rapidamente o cérebro, produzindo uma resposta intensa. Causa uma forte dependência psicológica: a pessoa usa e entra num estado de agitação denominado mania.

LUGAR PREDOMINANTE

Bolívia, Colômbia e América Central.
É uma droga ilícita, e também uma das mais usadas mundialmente.

COMO PERCEBER O USO NOCIVO

Os efeitos da cocaína variam de intensidade e duração, conforme a via de administração que o usuário utiliza.A cocaína é um pó branco estimulante que ativa o estado de alerta,reduz o sono.Acelera o pensamento, aumenta o humor e instinto sexual, durante a fase inicial de seu uso, tendendo algum tempo após sua diminuição, podendo chegar inclusive a frigidez completa.É desibinidora social, dando grande sensação de bem estar, onipotência e satisfação.

Seu uso mais freqüente é por cheiro.mas também pode ser usada por via oral, pode ser fumada e também injetada.

DANOS CAUSADOS AO CORPO

Os efeitos podem causar lesões do septo nasal, altera o ritmo cardíaco, provocando taquicardia e palpitações.Causa irritabilidade, agressividade e delírios.O seu uso pode levar a crises hipertensiva, arritmias e morte súbita, quando o usuário é portador de doenças cardíaca.Pelas suas propriedades eufóricas, induz o uso impulsivo com facilidade e leva a forte dependência.O uso crônico causa degeneração de músculos esqueléticos.

Quando aplicada na veia”O PICO”, produz efeitos mais rápidos mais intensos.Um dos grandes problemas dessa pratica são as infecções provocas pelo uso de seringas e agulhas contaminadas, caso da Hepatite e da AIDS e outras vinculada

O consumo de cocaína traz sérios danos ao organismo do usuário. Os problemas começam nas vias de entrada da droga, como a necrose (morte dos tecidos) da mucosa nasal ou das veias, dependendo da forma como é consumida. A quinina, uma substância que pode estar misturada à cocaína, pode levar à cegueira irreversível. Infecção sangüínea, pulmonar e coronária também estão na lista de conseqüências do uso contínuo da cocaína.

Os mais comuns são aceleração do ritmo cardíaco ou menos freqüentemente diminuição. Dilatação pupilar tornando mais difícil estar em ambientes claros.

Elevação da pressão sanguínea ou menos freqüentemente diminuição da pressão. Calafrios, náuseas e vômitos. Perda de peso conseqüente à perda de apetite.

Agitação psicomotora ou menos freqüentemente retardo psicomotor. Dores musculares, diminuição da capacidade respiratória e arritmias cardíacas.

A cocaína provoca por um lado aumento do consumo de oxigênio e por outro lado diminuição da capacidade de captação de oxigênio. Caso uma pessoa esteja, sem saber, no limite da capacidade de oxigenação no coração, estará correndo risco de precipitar um infarto.

O que é

A cocaína é uma droga sintetizada em laboratório e sua matéria prima é a folha de um arbusto denominado Erytroxylon coca. A fórmula química da cocaína é 2-beta-carbometoxi-3betabenzoxitropano e essa substância age na comunicação entre os neurônios prolongando a ação de uma outra substância chamada dopamina.

A cocaína pode ser consumida de várias formas mas o modo mais comum é "aspirando" a droga, que normalmente se apresenta sob forma de um pó.

Consumidores mais inconseqüentes chegam a injetar a droga diretamente na corrente sangüínea, o que eleva consideravelmente o risco de uma parada cardíaca irreversível, a chamada "overdose fatal".

Cocaína
Flor da planta de Coca - Eryhroxylon Coca

Efeitos

Os efeitos da cocaína no corpo do ser humano depende das características da droga que está sendo consumida já que, como em seu processo de refino são misturados diversos produtos como cimento, pó de vidro e talco, a droga perde em pureza ficando mais ou menos poderosa.

Euforia, excitação, sensação de onipotência, falta de apetite, insônia e aumento ilusório de energia são as primeiras sensações que o consumidor de cocaína tem.

Esse efeito inicial dura cerca de meia hora e logo a seguir vem uma forte depressão que leva o usuário a consumir nova dose da droga para renovar as sensações.

Meia hora depois da segunda dose, a depressão volta e o usuário busca uma terceira dose, que, com certeza, vai ser seguida por uma nova depressão e assim o consumidor entra em um perigoso ciclo que o transforma em um dependente químico da droga.

O consumo de cocaína traz sérios danos ao organismo do usuário. Os problemas começam nas vias de entrada da droga, como a necrose (morte dos tecidos) da mucosa nasal ou das veias, dependendo da forma como é consumida. A quinina, uma substância que pode estar misturada à cocaína, pode levar à cegueira irreversível. Infecção sangüínea, pulmonar e coronária também estão na lista de conseqüências do uso contínuo da cocaína.

TRATAMENTOS

A dependência de cocaína é um transtorno passível de tratamento, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Porém é certo que nenhum modelo de tratamento pode ser considerado eficaz para todos os pacientes. Indivíduos que desenvolvem dependência de cocaína possuem diferentes características e necessidades. Estudos apontam uma boa relação custo-benefício do tratamento; o resultado mais comum dos diversos tratamentos é a redução do consumo nos anos posteriores, bem como a diminuição das atividades ilegais e do comportamentos criminal do dependente

Qualquer modelo de tratamento para a dependência da cocaína deve incluir alguns aspectos básicos, fundamentais para a obtenção de resultados positivos. A abstinência deve ser não somente da cocaína, mas de todas as drogas de abuso, primeiro e principal objetivo do processo terapêutico. Tanto o álcool como outras drogas deflagram "fissuras", mesmo meses (ou anos) após a interrupção da cocaína; como citado acima, o consumo tem um efeito desinibitório sobre o consumo de outras drogas (reduz a capacidade de evitar o consumo), aumentando ainda a impulsividade do paciente.

O envolvimento familiar é fundamental. Outras medidas que costumam ser incluídas no processo são terapia individual e familiar, participação de grupos de auto-ajuda, busca de atividades alternativas ao consumo de substâncias psicoativas, cuidados médicos, nutricionais e dentários, análises toxicológicas, intervenção farmacológica prescrita por profissional afeito às características da dependência e tratamento em regime de internação (hospitalar e comunidades terapêuticas).

Quanto mais abrangente e completo o programa terapêutico, maior a chance de recuperação.

Histórico

Os primeiros indícios de utilização da folha de coca, matéria-prima da cocaína, são encontrados há mais de três mil anos, quando era mascada por povos que habitavam a região andina da América do Sul.

Cocaína
A planta que dá origem à cocaína

A folha de coca era utilizada por inibir a fome e estimular longas caminhadas na altitude. Os povos da época costumavam também usar o sumo da folha para aliviar a dor, aplicando-o em diferentes áreas do corpo. Em 1862, o químico Albert Niemann produziu, em laboratório, um pó branco a partir da folha de coca que foi denominado cloridrato de cocaína.

Esse produto passou a ser usado amplamente na sintetização de remédios utilizados no fim do século XIX como tônicos, supositórios e pastilhas expectorantes.

O cloridrato de cocaína chegou a ser utilizado até na produção de vinhos.

No início do século XX, a cocaína era livremente comercializada como um remédio comum, mas logo apareceram as primeiras mortes por causa do abuso do consumo da droga. Por conta das mortes, ela foi gradativamente sendo proibida em quase todo o mundo.

Por ser uma droga cara chegou a ser chamada de "caviar das drogas" e, na década de 80, difundiu-se muito na elite social americana, os "yuppies". Em meados da década de 90, o número de usuários alcançou a marca de 14 milhões de pessoas, que consumiam quase 500 toneladas da droga a cada ano.

Curiosidades

Um dos grandes problemas da cocaína é a adulteração pela qual o produto puro passa.

Como é comercializada por peso, diversas substâncias são acrescidas ao produto inicial e, normalmente, chegam ao consumidor final com apenas 30% de pureza.

Os mais variados produtos são misturados, como soda cáustica, solução de bateria de carro, água sanitária, cimento, pó de vidro, hormônio para engorda de gado e talco.

Fonte: geocities.ws

Cocaína

Cocaína
Também apelidada de "branca", "neve", "coca" ou "pó".

Obtida do processamento das folhas do arbusto da coca, Erythroxylon coca, uma planta nativa dos Andes bolivianos e peruanos.

Em 1860, o alcalóide cocaína foi isolado da planta. Em 1864, um oftalmologista austríaco, Carl Köller, iniciou seu uso médico como um anestésico local; a cocaína foi o primeiro anestésico local (que não induz anestesia geral, ou seja, não provoca o sono) eficaz a ser usado na Medicina. Foi usada principalmente em cirurgia do nariz, garganta e córnea, por ser um bom anestésico tópico (bastava espirrar uma solução sobre a mucosa que ela ficava amortecida) e por ser vasoconstritora (ou seja, provoca o estreitamento dos vasos sangüíneos, diminuindo o sangramento durante a cirurgia). No entanto, eram freqüentes complicações locais (por exemplo, morte da parte anestesiada) e gerais (o paciente ficava intoxicado pela cocaína que absorvia). Hoje em dia, ela foi substituída por anestésicos sintéticos mais eficazes e menos tóxicos, que não têm propriedades psicoativas.

A cocaína vendida no Brasil vem em papéis de pequena quantidade. É uma droga cara. A concentração de cocaína no pó varia muito, sendo que junto com a cocaína em si, várias impurezas e pós inertes (e nem sempre tão inertes...) vêm adicionados para "fazer volume".

Geralmente, a droga é aspirada ou inalada, sendo que absorção se dá para o sangue através da mucosa nasal. Ocasionalmente, a droga é diluída e injetada na veia, o que provoca um efeito imediato e instantâneo (o "pico").

A cocaína é um estimulante do SNC, ou seja, o seu efeito geral é de acelerar corpo e mente. Uma descrição simbólica do efeito da cocaína seria o de ligar um ventilador de 110 V em uma tomada de 220 V.

Segundo os usuários, a cocaína provoca uma sensação de euforia, excitação, um sentimento de bem-estar, uma sensação de poder, de aumento da capacidade mental e física (embora, durante experiências com voluntários, observou-se que ambas estão diminuídas pela intoxicação), de poder.

Freqüentemente usada como "afrodisíaco" (pelo menos, é o que se alega), a cocaína aumenta o desejo sexual, podendo distorcer o mesmo. Não obstante, a impotência sexual é freqüente.

A cocaína aumenta a agressividade do usuário, deixando-o "escamado", "pronto para a briga", com um fraco controle de impulsos homicidas e agressivos. Um dos problemas da cocaína é sua tendência a incitar o usuário a cometer crimes violentos e de cunho sexual durante a intoxicação. Além disso, como a droga é cara, é freqüente o envolvimento do dependente em furtos, prostituição ou estelionato para adquirir a droga.

Complicações psiquiátricas da intoxicação, como agitação, pânico, ansiedade, medo, confusão mental e desorientação, delírios paranóides, alucinações auditivas e visuais, são comuns.

Como a concentração e a pureza da cocaína vendida nas ruas varia, como a capacidade de suportar cocaína varia, e como um dependente ansioso pelo efeito e talvez sob efeito de álcool ou outras drogas não é a pessoa mais indicada para calcular doses, as overdoses são comuns, principalmente no uso intravenoso. As manifestações psiquiátricas são marcantes, bem como o aumento da pressão sangüínea, da freqüência cardíaca, e da temperatura corporal. Convulsões, arritmias cardíacas e parada respiratória são comuns. Até 3/4 dos casos de overdose não atendidos em regime de emergência resultam em óbito.

À medida que o efeito da cocaína passa, vem a "aterrissagem", ou "depressão rebote", ou "rebordosa": ansiedade, tristeza, irritabilidade, inquietude, fadiga (e, por vezes, sonolência), desânimo e sentimentos de solidão e desvalio substituem o "pique" da cocaína. A cocaína "cobra seu preço" pela "felicidade artificial" que proporcionou. O indivíduo é compelido a usar mais da droga, ou a usar outras drogas substitutas.

Com o uso crônico, são freqüentes complicações psiquiátricas: depressão grave com risco de suicídio e psicoses paranóides (o indivíduo delira, achando que todos lhe estão perseguindo e lhe querem mal) são os quadros mais comuns. O uso crônico também provoca atrofia cerebral por morte neuronal, resultando em diminuição crônica e progressiva da memória, do raciocínio, da atenção, da análise e da síntese.

Complicações físicas da intoxicação repetida são comuns, como alterações neurológicas (torpor, anestesias, formigamentos, tonturas, desmaios recorrentes, cefaléia persistente), digestivas (ulcerações, náuseas, vômitos, sangramento digestivo, diarréia) e cardiovasculares (arritmias cardíacas, hipertensão arterial, AVCs ("derrames")).

A perda de peso, a perda de apetite, alimentação irregular e algum grau de desnutrição total ou parcial são a regra, não a exceção.

O uso nasal crônico provoca corrimento nasal e obstrução por irritação da mucosa. Como a cocaína é anestésica, freqüentemente o doente não sentem dor durante o uso, mas qualquer dose de cocaína provoca irritação da mucosa do nariz. Como é vasoconstritora, cortando o fornecimento de sangue ao local, ulcerações nasais, perfuração do septo e destruição das cartilagens nasais não são infreqüentes.

O uso endovenoso está relacionado ao risco de infecções transmissíveis pelo sangue, principalmente o HIV e as hepatites B, C, e delta. Existem programas de distribuição gratuita de seringas descartáveis, mas o preço da seringa não é a causa maior do compartilhamento de seringas, e sim o temor de que a droga cara seja desperdiçada ao descartar a seringa.

Injetando freqüentemente uma droga em suas veias cuja esterilidade é questionável e usando uma técnica freqüentemente nada perfeita, o usuário tende a injetar microorganismos em seu tecido subcutâneo e em suas veias. Infecções, abcessos e ulcerações nos locais de injeção são freqüentes. Há sempre o risco de tromboflebite (o sangue dentro da veia coagula, havendo inflamação; as bactérias presentes infeccionam a veia); de trombose (o sangue dentro da veia coagula); de embolia (um êmbolo, por exemplo, um fragmento de sangue coagulado ou uma bolha de ar, se solta na corrente sangüínea, "encalhando" em algum lugar e provocando infarto, por exemplo, pulmonar).

Um risco de vida adicional é a endocardite infecciosa: as válvulas do coração capturarem algum microorganismo da corrente sangüínea, e infeccionarem; a condição é potencialmente ameaçadora à vida e de tratamento longo e difícil.

A cocaína provoca dependência física e psicológica rápida e profundamente. Diferente da maconha, "que precisa ser perseguida, cortejada e seduzida", a cocaína "persegue e seduz" o usuário. O tempo e o número de usos necessário para que se instale tolerância e dependência variam de pessoa a pessoa, mas tendem a não serem grandes.

A abstinência de cocaína provoca um série de reações psicológicas desagradáveis, em tudo semelhantes à "aterissagem", mas não chega a por a vida do doente em risco. Os sintomas atingem um máximo do 2° ao 4° dia, e esvanecem ao cabo de uma semana, embora depressão, irritabilidade e ansiedade possam persistir por algumas semanas.

A "fissura", ou desejo severo pela droga, diminui de freqüência e intensidade após o primeiro mês, mas pode reaparecer, mais amena, até meses depois. Existem medicamentos não indutores de dependência que podem ajudar o dependente nas primeiras semanas de abstinência. Períodos de depressão são uma constante no dependente em recuperação, principalmente durante os primeiros 6 meses de recuperação, mas são auto-limitados e devem ser encarados de forma positiva.

Se graves, algum antidepressivo escolhido por psiquiatra pode ser eficaz, desde que o paciente não esteja usando nenhuma droga, caso em que qualquer medicamento é ineficaz.

Fonte: anovavida.tripod.com

Cocaína

O que é

A cocaína é o principal alcalóide do Erythoxylon coca, seu cultivo ocorre há 5000 anos por nativos dos Andes (Hernández & Sánchez, 1998), atualmente a cocaína é cultivada na América do Sul, mas também em outras regiões, tais como o Ceilão, Java e Índia. O uso da cocá pelas civilizações andinas está relacionado à lenda de Manco Capac, filho do sol, que desceu sobre as águas do Lago Titicaca, para ensinar a agricultura, as artes e o prazer da coca aos homens. Em 1863 foi lançado na Europa o Vinho Mariani, que continha cocaína em sua fórmula.

A cocaína fez parte da fórmula da Coca-cola até 1903, quando foi substituída pela cafeína. A cocaína teve uso médico como anestésico local, principalmente em oftalmologia, como antídoto dos depressores do sistema nervoso central e no tratamento do alcoolismo e da morfinomania. Freud publicou um livro em 1884 onde abordava vários usos terapêuticos para a cocaína, mas após algum tempo percebeu o potencial desta substância causar dependência (Ferreira & Martini, 2001).

A cocaína obtida nas ruas é adulterada com várias substâncias para “render” mais, por exemplo, manitol, lactose, cafeína, anfetaminas, benzocaína, lidocaína e procaína. No geral, a taxa de pureza da cocaína encontrada não passa de 10%.

As vias de utilização são a oral, nasal e endovenosa.

Todo mundo usa...

Muitas vezes ouvimos principalmente dos usuários esta afirmação, no entanto, isto não é verdade, o problema é que talvez o usuário conheça muitas pessoas que usam. No entanto, segundo dados do II Levantamento Domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil (Carlini, Galduróz, Noto & Nappo, 2005), o uso na vida de cocaína foi de 2,9% entre os entrevistados, no último ano 0,7% dos sujeitos pesquisados usaram cocaína, no último mês 0,4% e o número de dependentes desta substância não foi significativo.

Como a cocaína funciona?

A cocaína atua inibindo a recaptação de norepinefrina, dopamina e serotonina na sinapse, desta forma aumentando o nível destes neurotransmissores.

A ação na norepinefrina é responsável pela taquicardia, midríase (dilatação das pupilas), aumento da temperatura, estado de alerta, diminuição do apetite, aumento da energia e vasoconstrição. A euforia e os efeitos psicológicos estão relacionados à ação na dopamina e serotonina e os efeitos anestésicos ao bloqueio dos canais de sódio.

O início do efeito varia conforme a via utilizada. Quando o uso é endovenoso, os efeitos iniciam em 30-45 segundos e sua duração é de 10-20 minutos.

Quando o uso é por aspiração, os efeitos iniciam entre 120 e 180 segundos e a duração dos efeitos é de 1h – 1,5h. O uso fumado apresenta os efeitos em 8 – 10 s e tem uma duração de 5 – 10 min.

O que ocorre na intoxicação por cocaína?

Euforia, sensação de bem-estar, aumento da auto-estima e da vontade sexual, hipervigilânica, midríase (dilatação das pupilas), aumento do peristaltismo, da pressão arterial, taquicardia, inquietação, anorexia (diminuição do apetite), irritabilidade, comportamento agressivo, aumento da ansiedade, pânico, sintomas paranóides, alucinações e delírios podem ocorrer.

Usar mais para ter o mesmo efeito...

A cocaína causa tolerância, isto é, a tendência do indivíduo é aumentar a dose da droga para obter efeitos mais intensos. Uma particularidade no caso da cocaína, é que os usuários ao mesmo tempo que desenvolvem tolerância para alguns efeitos da substância, ficam sensibilizados (ao contrário da tolerância) para outros. Os sintomas paranóides e a agressividade podem se manifestar mesmo com uma baixa dose da substância, enquanto para o sintomas que o sujeito “deseja” a dose tem que ser aumentada.

Abstinência

Os sintomas de abstinência da cocaína são: depressão, ansiedade, irritabilidade, ansiedade, confusão, insônia, diminuição da energia, hipersonia (aumento do sono), craving (fissura), aumento do apetite.

Complicações

A cocaína pode causar várias complicações, por exemplo: convulsões (que podem ocorrer dentro de alguns minutos até 12h após o uso), sintomas paranóides o usuário diz estar “espiado”, isto é, com a sensação de estar sendo seguido, observado, etc., os delírios e alucinações paranóides ocorrem em até 50% das pessoas que utilizam esta substância (Sadock & Sadock, 2007). Além das alucinações auditivas e visuais, podem ocorrer as alucinações táteis, quando a pessoa sente insetos caminhando sob a pele, lesões nasais (perfuração de septo), hipertermia (aumento da temperatura corporal), bruxismo, exacerbação de quadros de asma, isquemia do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e morte súbita. Após o uso endovenoso podem ocorrer endocardite, aumento da prevalência das infecções pelos vírus HIV, da hepatite C e hepatite B.

A cocaína aumenta a freqüência cardíaca, a pressão arterial e o vasoespasmo, ocasionando uma diminuição do aporte de oxigênio para o miocárdio (Reskalla & Klonner, 2007). Os eventos coronários podem ocorrer em alguns minutos ou dentro de poucos dias após o uso de cocaína, o maior risco é dentro da primeira hora, mas o risco não está relacionado com a dose e nem com a via de uso. Estudos apontam que o risco de infarto do miocárdio dentro da primeira hora de uso da cocaína é 24 vezes maior do que em pessoas que não usaram esta substância Mittleman M, Mintzer & Maclure (1999).

Há um risco elevado de trombose venosa profunda nos membros superiores, conhecida como Paget-von Schrötter Syndrome. Há também um maior risco de tromboflebites. Entre as complicações renais, a mais comum é a insuficiência renal aguda por rabdomiólise. No trato gastro-intestinal ocorrem isquemias intestinais e colites. As disfunções sexuais também estão entre as complicações desta substância, embora o efeito inicial da cocaína seja um aumento do interesse sexual e um aumento do prazer durante o sexo, o uso crônico pode levar a disfunções sexuais, como impotência e diminuição da libido (Sadock & Sadock, 2007). Há um aumento do risco de contaminação por Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) como Sífilis, Clamydia, Gonorréia e HIV. Outra complicação é a hipertermia, isto é, o aumento da temperatura corporal por aumento do metabolismo, vasoconstrição periférica e prejuízo na função do tálamo de regular a temperatura corporal.

A morte súbita em usuários de cocaína pode ocorrer por arritmias ou delírio excitado (agressividade, comportamento bizarro e hipertermia) (Wetli, Mash & Karch, 1996).

Uso durante a gestação

Durante a gestação, o uso de cocaína está relacionado com aborto, placenta prévia, descolamento prematuro de placenta e retardo de crescimento intra-uterino. O recém-nascido de uma mãe que usou cocaína durante a gestação pode apresentar irritabilidade, tremores, diminuição do apetite, hipo ou hipertonia, hiperreflexia, este quadro pode durar entre 8 e 10 semanas (Chiriboga, Brust, Bateman & Hauser, 1999).

Fissura

Craving (em português chamada fissura) é o desejo intenso de usar a substância, os estudos demonstraram que estímulos ou pistas associados ao uso de cocaína aumentam em usuários o metabolismo em algumas áreas do sistema límbico amígdala, giro para-hipocampal e o córtex pré-frontal dorsolateral (Sadock & Sadock, 2007).

Não tem remédio!

No momento não temos uma medicação que seja a “cura” da dependência de cocaína, no entanto alguns estudos apontam que o topiramato (Kampman, Pettinati & Lynch, 2004) mostrou ser útil na redução do uso de cocaína.

Além disto, uma vacina, cujo objetivo é reduzir a entrada de cocaína no SNC está em desenvolvimento. A cocaína é uma molécula muito pequena, e é conjugada com outras moléculas como KLH (Keyhole limpet hymacyaninl), o polietilenoglicol, o toxóide tetânico ou da difteria. Quando conjugada com o KLH houve uma diminuição de 80% dos níveis cerebrais da cocaína, isto é, menos cocaína “entra” no cérebro (Carrera, Ashley, Parsons, Wirschung & Koob, 1995).

O que fazer?

Leia o item Terapia Cognitivo Comportamental e o item Drogas, há nestes tópicos um breve relato do tipo de tratamento psicoterápico indicado nos casos de dependência desta substância.

Referência

Carlini EA, Galduróz JC, Noto A R, Nappo A S. II Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotrópicas no Brasil: estudo envolvendo as 108 maiores cidades do país. São Paulo. UNIFESP; 2005.
Carrera M, Ashley J, Parsons L, Wirschung P, Koob G. Supression of psychoative effects of cocaine by active immunization. Nature,378:727, 1995.
Chiriboga CA, Brust JC, Bateman D, Hauser WA. Dose-response effect of fetal cocaine exposure on newborn neurologic function. Pediatrics 1999; 103(1):79-85.
Ferreira, PE, Martini RK. Cocaína: lendas, história e abuso. Rev Bras Psiquiatr. 2001; 23(2): 96-9.
Hernández, L.; Sánchez, M.A. (1998). In: Lorenzo, P.; Ladero, J.M.; Leza, J.C.; Lizasoain, I. Drogodependencias. Editorial Medica panamericana. Madrid. p. 113- 122.
Kampman KM, Pettinati H, Lynch KG. A pilot trial of topiramate for the treatment of cocaine dependence. Drug Alchohol Depend, 75:233, 2004B
Mittleman M , Mintzer D, Maclure M, et al. Triggering of myocardial infarction by cocaine. Circulation 1999; 99:2737–41
Rezkalla SH, Kloner RA. Cocaine-Induced Acute Myocardial Infarction. Clinical Medicine & Research 2007. Volume 5, Number 3: 172-176
Sadock, BJ, Sadock,V.A. Cap.12 p. 412-506. In: Sadock, BJ, Sadock,V.A. Compêndio de Psiquiatria – Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica. ARTMED. Porto Alegre, 2007.
Wetli CV, Mash D, Karch SB. Cocaine-associated agitated delirium and the neuroleptic maligne syndrome. Am J Emerg Med 1996, 14(4):425-8.

Fonte: www.psicmed.com.br

Cocaína

A cocaína é um alcalóide extraído das folhas de uma planta chamada Eritroxilon coca, encontrada principalmente em países da América do Sul e Central.

Também é conhecida por vários outros nomes tais que: coca, pó-dourado, neve, senhora, branquinha, branca de neve, brilho, pó de vida, cheirosa, poeira de sonho, sonho.

A cocaína é um estimulante do sistema nervoso central, atingindo rapidamente o cérebro, produzindo uma resposta intensa, sendo muito procurada como droga de abuso.

HISTÓRICO

A cocaína não é uma droga nova. Na América do Sul, , há pelo menos 1.200 anos, folhas da coca já eram usadas pelos nativos, a fim de obterem maior vigor físico. Na civilização inca, seu uso era restrito a classes sociais elevadas, a sacerdotes, mensageiros, e guerreiros. Com a conquista da América pelos espanhóis, em 1536, a coca popularizou-se a ponto de ser considerada, inclusive, em decreto do rei Felipe II da Espanha, essencial ao bem-estar dos conquistados. Estas folhas acabaram sendo levadas pelos exploradores à Europa, naquele mesmo século.

Após séculos de uso intenso, a droga foi isolada e caracterizada por Albert Niemann em 1859; a popularização da cocaína no meio científico, entretanto, é atribuída a Freud e, mais especificamente, aos seus famosos escritos de 1884, em que suas propriedades de alívio da depressão e cura de dependência à morfina são ressaltadas

Embora postulada como "perigosa" pelo proprio Freud (após a morte de um amigo), a droga passa a fazer parte de vários elixires, medicamentos e bebidas como a Coca-Cola, inclusive.

O crescimento do uso da cocaína levou, em 1891, aos primeiros relatos sobre intoxicações, incluindo 13 mortes e levando à sua proibição pelo Harrison Act em 1914. Portanto, as mesmas restrições e penalidades imputadas à morfina são igualmente impostas à cocaína.

Em 1921, o Brasil iniciou a repressão ao uso da cocaína e demais drogas No ano de 1938, nova lei proibiu o plantio e exploração de plantas produtoras de coca.

Entre os anos 30 e 60 o seu uso diminuiu. Na década de 70, contudo, o uso da droga intensificou-se em grande parte pela noção infundada de ser segura, desprovida do efeito de dependência quando usada eventualmente.

PRODUÇÃO

As espécies de coca são originárias da América do Sul, mas seu cultivo passou a se dar também nos países andinos como: Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, além da Amazônia brasileira.

A cocaína é extraída das folhas da planta Eritroxilon coca em duas fases. Primeiramente, as folhas são prensadas com ácido sulfúrico, querosene ou gasolina, formando a pasta de coca, a qual, por sua vez, contém até 90% de sulfato de cocaína.

Em seguida, a pasta é tratada com ácido clorídrico, formando o cloridrato de cocaína: pó branco e cristalino.

Estima-se que 100 Kg de folhas secas dão origem a 100 g de pasta de coca e 800 g do respectivo cloridrato.

O "Crack" ou "Rock" é obtido a partir da mistura e aquecimento da pasta base de coca a da própria cocaína com bicarbonato de sódio, resultando no preparado sólido o qual é posteriormente quebrado a fim de serem fumados.

Existem outras preparações de cocaína, como: "iceberg" e "snort" - contendo benzocaína ou procaína - "cocaine snuff", "incense" - contendo cafeína - e "zoom" - contendo outros estimulantes.

Tanto o sal como a cocaína básica são adulterados pela mistura de várias substâncias, sendo, assim, a "droga de rua" composta.

Os adulterantes mais comuns da cocaína são: açucares, procaína, cafeína, pó de mármore, talco, anestésicos locais, e sais de baixo custo, como bicarbonato de sódio e sulfato de magnésio - sendo que os teores de cocaína podem variar entre 15 a 90%.

O crack apresenta bicarbonato como adulterante mais comum, e os teores de cocaína nesta forma variam de 35 a 99%, dependendo do processo de obtenção.

SUBSTÂNCIA ATIVA

A cocaína é uma benzoilmetilecgonina, sendo o principal alcalóide existente nas folhas de Eritroxilon coca e de outras espécies do mesmo gênero.

Apresenta-se em quantidades que variam de 0,5 % a 1,8 % do peso das folhas da planta.

As formas químicas utilizadas da droga são: cloridrato de cocaína e pasta-base.

MECANISMO DE AÇÃO

Estimula o Sistema Nervoso Central, porque proporciona maior concentração da substância neurotransmissora capaz de produzir tais estímulos.

UTILIZAÇÃO MÉDICA

Não existe uso médico para a cocaína.

Antes de surgirem os atuais anestésicos locais, foi usada para esse fim; mas, devido aos seus efeitos tóxicos, foi abandonada com o advento daqueles anestésicos

FORMAS DE CONSUMO

Nos países produtores da folha da coca, estas são usadas quando mascadas ou ingeridas em forma de chá.

Nos demais países, a cocaína é freqüentemente utilizada nas seguintes formas:

Ingestão oral

Intranasal (aspiração nasal, popularmente denominada como prática de "cafungar"): dispõe-se a cocaína em superfície lisa em fileiras com aproximadamente 10mg a 30 mg, sendo aspirados pela própria mucosa nasal. Esta prática é feita em intervalos de 20 a 30 minutos, tempo necessário à atuação dos efeitos relacionados à euforia

Respiratória: "crack" ou "pedra" na forma de base livre: inalação por aquecimento através de cachimbos especiais

Endovenosa: dissolvida em água e injetada.

A endovenosa e respiratória assemelham-se na velocidade de absorção, duração e intensidade dos efeitos. Nos últimos anos, operou-se uma mudança considerável no padrão de uso da droga.

TOLERÂNCIA, DEPENDÊNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA

Devido o uso abusivo da cocaína, desenvolve-se tolerância que consiste na diminuição dos efeitos eufóricos e fisiológicos - ainda que menor, se comparada a outros estimulantes, como os anfetamínicos, por exemplo.

Ocorre progressiva dependência física e química, acompanhadas da síndrome de abstinência, que vem a ser caracterizada por depressão, fadiga, irritabilidade, perda do desejo sexual ou impotência, tremores, doses musculares, distúrbios da fome, mudanças do EEG e dos padrões de sono.

EFEITOS GERAIS

A cocaína provoca febre devido ao aumento da produção de calor (por ação no SNC), além da diminuição das perdas desse calor (em função da vasoconstrição periférica). Finalmente, desmaios, suores frios, calafrios, vômitos e diarréia podem ser ocasionados pelo uso da droga.

EFEITOS SOBRE O SISTEMA RESPIRATÓRIO

A vasoconstrição torna a aspiração mais freqüente, resultando, por sua vez, em hiperemia reativa da mucosa nasal, acompanhada de rinite, lesões e, em alguns casos, perfusão do repto e "nariz de rato".

Os distúrbios respiratórios associam-se à via de administração da droga. A inalação da fumaça proveniente dos cachimbos de "crack" pode fazer com que os seios etmoidais sejam expostos a adulterantes - predispondo à sinusite. Além disso, a referida inalação pode ocasionar granulomas pulmonares, dispnéia (falta de ar), tosses, opacidades pulmonares (no RX) e rinorréia de líquido pleural.

Entre os riscos decorrentes do hábito de fumar cocaína incluem-se ainda a bronquiolite obstrutiva, as hemorragias e edemas pulmonares, as quais podem levar, por sua vez, a lesões de tecidos da superfície pulmonar, prejudicando a capacidade de trocas gasosas nos pulmões.

EFEITOS SOBRE O SISTEMA CARDIOVASCULAR.

Os efeitos da droga sobre o sistema cardiovascular independem da via de administração.

Em muitos casos o que se observa são: infarto agudo do miocárdio, arritmia e cardiomiopatias. Primeiro surge a badicardia, que evolui rapidamente para a taquicardia, fibrilação ventricular e, finalmente, parada cardíaca acompanhada de morte súbita. Além disso, ocorre hipertensão arterial e acidentes vasculares cerebrais.

EFEITOS SOBRE O SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Os efeitos imediatos da administração de cocaína manifestam-se, em geral, por um estado de euforia, bem-estar, desinibição, loquacidade, liberação critica, resistência ao trabalho,... até a perda de apetite, insônia, ansiedade e nervosismo. Fadiga e depressão também podem ocorrer após estados de estimulação muito intensa, inspirando nova administração.

Quanto a alterações da visão, observamos após o uso da droga: midríase (pupila muito aberta) e imobilidade da pupila.

Além desses efeitos, são comuns: anestesia, parestesia e até epilepsiacocaínica - acompanhada, por sua vez, da perda do conhecimento e convulsões semelhantes a crises epilépticas.

Pode ocorrer desorientação mental, comprometimento da memória imediata e disfunção cerebral, caracterizada pelo aparecimento de psicose tóxica - seguida de alucinações tácteis. Estas alucinações constituem-se de uma sensação de insetos estarem rastejando sobre a pele. Isso pode fazer com que o indivíduo venha a tentar livrar-se dos supostos parasitas, causando ulcerações na pele. Além das alucinações tácteis, as visuais e auditivas também são observadas.

Muitas vezes o comprometimento da percepção visual do usuário desta droga representa um sério perigo caso este esteja conduzindo qualquer veículo.

EFEITOS COMPORTAMENTAIS

Com o uso repetido da substância, outros efeitos imediatos vão surgindo, tais como: agressividade; perda gradativa do autocontrole, da força de vontade, do interesse pelo trabalho, alimentação e vestuário; alterações do humor, acompanhadas de idéias paranóides; agitação; irritabilidade; depressão e impotência. É registrado também o aparecimento de processo de distorção de personalidade, acompanhada de comportamento suicida ou homicida.

Há verdadeira obstinação para conseguir a droga de qualquer maneira, num estado de dependência química insuperável. Muitas vezes os usuários sequer têm consciência dos problemas advindos da relação com traficantes, ou da destruição de laços com familiares.

EFEITOS SOBRE A GRAVIDEZ

A cocaína pode atuar negativamente em qualquer período da gestação, podendo ocasionar: aborto espontâneo, prematuridade, desenvolvimento anormal, infarto e lesão cística cerebral. Alem disso, o recém-nascido pode apresentar comprometimento neurológico e ter manifestações comportamentais diferentes, como chorar de forma inconsolável.

Tem-se observado baixo rendimento escolar em crianças nascidas de mães dependentes da cocaína.

EFEITOS POTENCIALIZADOS

Os efeitos são potencializados quando a cocaína é administrada juntamente com a maconha, o tabaco ou o álcool, como é freqüentemente observado entre os dependentes de cocaína.

RISCOS DA COCAÍNA INJETÁVEL

A administração injetável da cocaína (parenteral) pode trazer problemas em função do solvente utilizado (liquido para dissolver a droga) e das seringas não esterelizadas. Estas seringas, quando utilizadas por várias pessoas, podem transmitir o vírus HIV, além de transmitir Hepatite, endocardite infecciosa e até pneumonia e infecções localizadas.

A falta de higiêne em relação ao local de administração da droga pode ocasionar feridas (ulcerações) e desencadear infecções graves em outros locais do organismo.

EPIDEMIOLOGIA

Pesquisas brasileiras revelaram que 1,8% eram usários de cocaína dentre 1823 alunos do 1º e 2º graus e 351 universitários entrevistados por Bucher & Totugui em 1986/87 em Brasília. A mesma substância era usada por 0,9% dos 1836 escolares de baixa renda entrevistados por Carlini-Cotrim & Carlini em 1987 em São Paulo.

Traçando-se paralelo comparativo com estudantes de Porto Alegre de 1º e 2º graus da rede estadual, constatou-se que a cocaína era usada por 2,4% dos entrevistados em 1992 e por 4,5% dos estudantes entrevistados em 1994.

Fonte: www.octopus.furg.br

Cocaína

Aspectos históricos e culturais

É um produto extraído da planta Erythroxylon coca, ou, como é popularmente conhecida, coca ou epadu.

Sendo uma planta tipicamente sul americana, é nativa dos Andes, onde mascar sua folhas, "coquear", é um habito tradicional que remonta vários séculos. Sua principal função é evitar a sede, a fome e o frio.Podemos encontrar, em algumas sociedades andinas, um valor cultural e mitológico ligado à coca.

Em certas sociedades, por exemplo, é aplicada a folha no recém-nascido para secagem do cordão umbilical - que depois é enterrado com as folhas, representando um talismã para o resto da vida do indivíduo. Em certas cerimônias funerais é usada, também, mediante certos rituais, como forma de apaziguar e tranqüilizar os espíritos.

O papel sócio-cultural da coca é importante em alguns países andinos. Dois exemplos são o Peru e a Bolívia, onde é consumida também sob a forma de chá, com propriedades medicinais que auxiliam principalmente problemas digestivos. Sua importância é tal que neste primeiro país existe até um órgão do governo encarregado de controlar a qualidade das folhas vendidas no comércio, o "Instituto Peruano da Coca".

Se em alguns países andinos a coca é um bem sócio-cultural, histórica e tradicionalmente importante, em outros países, como no Brasil, é vista como um "mal, algo a ser combatido e exterminado de qualquer maneira". A lei destes países procura taxar o seu uso como ilícito e a sociedade, em sua maioria, procura estigmatizar seus usuários como "desviantes" ou "marginais".

O uso mais comum nestes casos é sob a forma de sal - o cloridrato de cocaína. É consumida via nasal, ou seja, aspirada, "cheirada". Por ser uma droga cara, seu uso é dificultado a pessoas de baixa renda.

Se o "pó", como é popularmente conhecido o sal cloridrato de cocaína, é muito caro, favorecendo o seu uso pelas camadas mais altas da sociedade, o uso da coca tornou-se mais acessível à população de baixa renda com o advento do "crack".

Esta é uma forma de uso que surgiu nos Estados Unidos, entre a população negra, e que começou a se difundir no Brasil, principalmente na periferia das grandes cidades. No crack, a substância usada é a pasta básica de coca ("freebasing", em inglês).

A cocaína pode também ser injetada na corrente sangüínea. O "pico" como é conhecida esta forma de uso produz um efeito chamado de "rush" ou "baque".

Efeitos físicos e psíquicos

A cocaína provoca sensação de euforia e bem-estar, idéia de grandiosidade, irritabilidade e aumento da atenção a estímulos externos.

Com o aumento da dose: reações de pânico, sensação de estar sendo perseguido, às vezes alucinações auditivas e táteis (escutar vozes, sentir sensação de bichos andando pelo corpo). O quadro completo é chamado de "psicose cocaínica".
Intoxicação aguda:
em intoxicação com doses mais altas, quadro de síndrome cerebral orgânica (SCO), caracterizado por confusão e desorientação, podendo resultar em lesão cerebral.
Efeitos físicos:
aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca podendo provocar infarto e arritmias que causam morte súbita. Menciona-se ocorrências de convulsões generalizadas e aumento da temperatura capaz de induzir convulsões. Com a aplicação endovenosa corre-se o risco de contrair-se os vírus do hepatite e da AIDS.
Nomes populares:
pó, neve, brisola, bright, branquinha, pico, crack, coca, basuko, pedaço etc.

Fonte: www.imesc.sp.gov.br

Cocaína

A cocaína é uma substância natural, extraída das folhas de uma planta que ocorre exclusivamente na América do Sul: a Erythroxylon coca, conhecida como coca ou epadú, este último nome dado pelos índios brasileiros.

A cocaína pode chegar até o consumidor sob a forma de um sal, o cloridrato de cocaína, o "pó", "farinha", "neve" ou "branquinha" que é solúvel em água e, portanto, serve para ser aspirado ("cafungado") ou dissolvido em água para uso endovenoso ("pelos canos"); ou sob a forma de uma base, o crack que é pouco solúvel em água mas que se volatiliza quando aquecida e, portanto, é fumada em "cachimbos".Também sob a forma base, a merla (mela, mel ou melado) preparada de forma diferente do crack, também é fumada.

Enquanto o crack ganhou popularidade em São Paulo, Brasília foi a cidade vítima da merla. De fato, pesquisa recente mostra que mais de 50% dos usuários de drogas da nossa Capital Federal fazem uso de merla e apenas 2% de crack.Por apresentar um aspecto de "pedra" no caso do crack e "pasta" no caso da merla, não podendo ser transformado num pó fino, tanto o crack como a merla não podem ser aspirados como é o caso da cocaína pó ("farinha"), e por não serem solúveis em água também não podem ser injetados.

Por outro lado, para passar do estado sólido ao de vapor quando aquecido, o crack necessita de uma temperatura relativamente baixa (95° C) o mesmo ocorrendo com a merla, ao passo que o "pó" necessita de 195° C, por esse motivo que o crack e a merla podem ser fumados e o "pó" não. Há ainda a pasta de coca que é um produto grosseiro, obtido das primeiras fases de separação de cocaína das folhas da planta quando estas são tratadas com álcali, solvente orgânico como querosene ou gasolina e ácido sulfúrico.

Esta pasta contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros chamados "basukos". Antes de se conhecer e de se isolar cocaína da planta, esta era muito usada sob forma de chá. Ainda hoje este chá é bastante comum em certos países como Peru e Bolívia, sendo que neste primeiro é permitido por lei, havendo até um órgão do Governo o "Instituto Peruano da Coca" que controla a qualidade das folhas vendidas no comércio.

Este chá é até servido aos hóspedes nos hotéis. Acontece que sob a forma de chá, pouca cocaína é extraída das folhas; além do mais, ingere-se (toma-se pela boca) o tal chá, e pouca cocaína é absorvida pelos intestinos e ainda mais ela já começa a ser metabolizada pelo sangue e indo ao fígado é em boa medida destruída antes de chegar ao cérebro.

Em outras palavras quando a planta é ingerida sob a forma de chá, muito pouca cocaína chega ao cérebro.

Todo mundo comenta que vivemos hoje em dia uma epidemia de uso de cocaína, como se isto estivesse acontecendo pela primeira vez. Mesmo nos Estados Unidos onde sem dúvida houve uma explosão de uso nestes últimos anos, já houve fenômeno semelhante no passado. E no Brasil também há cerca de 60-70 anos utilizou-se aqui muita cocaína. Tanto que o jornal "O Estado de São Paulo" publicava esta notícia em 1914: "há hoje em nossa cidade muitos filhos de família cujo grande prazer é tomar cocaína e deixar-se arrastar até aos declives mais perigosos deste vício. Quando...atentam... é tarde demais para um recuo".

Efeitos no Cérebro

Tanto o crack como a merla também são cocaína, portanto todos os efeitos provocados pela cocaína também ocorrem com o crack e a merla. Porém, a via de uso dessas duas formas (via pulmonar, já que ambos são fumados) faz toda a diferença do crack e da merla com o "pó".

Assim que o crack e a merla são fumados alcançam o pulmão, que é um órgão intensivamente vascularizado e com grande superfície, levando a uma absorção instantânea. Através do pulmão, cai quase imediatamente na circulação cerebral chegando rapidamente ao cérebro.

Com isto, pela via pulmonar o crack e a merla "encurtam" o caminho para chegar no cérebro, aparecendo os efeitos da cocaína muito mais rápido do que outras vias. Em 10 a 15 segundos os primeiros efeitos já ocorrem, enquanto que os efeitos após cheirar o "pó" acontecem após 10 a 15 minutos e após a injeção, em 3 a 5 minutos.

Essa característica faz do crack uma droga "poderosa" do ponto de vista do usuário, já que o prazer acontece quase que instantaneamente após uma "pipada".

Porém a duração dos efeitos do crack é muito rápida. Em média duram em torno de 5 minutos, enquanto que após injetar ou cheirar, em torno de 20 e 45 minutos, respectivamente.

Essa pouca duração dos efeitos faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais freqüência que as outras vias (praticamente de 5 em 5 minutos) levando-o à dependência muito mais rapidamente que os usuários da cocaína por outras vias (nasal, endovenosa). Logo após a "pipada" o usuário sente uma sensação de grande prazer, intensa euforia e poder.

É tão agradável, que logo após o desaparecimento desse efeito (e isso ocorre muito rapidamente, em 5 min), ele volta a usar a droga, fazendo isso inúmeras vezes até acabar todo o estoque que possui ou o dinheiro para conseguí-lo.

A essa compulsão para utilizar a droga repetidamente, dá-se o nome popular de "fissura" que é uma vontade incontrolável de sentir os efeitos de "prazer" que a droga provoca. A "fissura" no caso do crack e merla é avassaladora, já que os efeitos da droga são muito rápidos e intensos. Além desse "prazer" indescritível, que muitos comparam a um orgasmo, o crack e a merla também provocam um estado de excitação, hiperatividade, insônia, perda de sensação do cansaço, falta de apetite.

Este último efeito é muito característico do usuário de crack e merla. Em menos de um mês ele perde muito peso (8 a 10 Kg) e num tempo um pouco maior de uso ele perde todas as noções básicas de higiene ficando com um aspecto deplorável. Por essas características os usuários de crack (craqueros) ou de merla são facilmente identificados. Após ao uso intenso e repetitivo o usuário experimenta sensações muito desagradáveis como cansaço e intensa depressão.

Efeitos tóxicos

A tendência do usuário é aumentar a dose de uso na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém essas quantidades maiores acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia (chamada entre eles de ² nóia ² ).

Esse efeito provoca um grande medo nos craqueros, que passam a vigiar o local onde estão usando a droga e passam a ter uma grande desconfiança uns dos outros o que acaba levando-os à situações extremas de agressividade. Eventualmente podem ter alucinações e delírios. A esse conjunto de sintomas dá-se o nome de "psicose cocaínica". Além desses sintomas descritos, o craquero e o usuário de merla perdem de forma muito marcante o interesse sexual.

Efeitos sobre outras partes do Corpo

Os efeitos são os mesmos provocados pela cocaína utilizada por outras vias. Assim, o crack e a merla podem produzir um aumento das pupilas (midríase), afetando a visão que fica prejudicada, a chamada "visão borrada". Ainda pode provocar dor no peito, contrações musculares, convulsões e até coma. Mas é sobre o sistema cardiovascular que os efeitos são mais intensos.

A pressão arterial pode elevar-se e o coração pode bater muito mais rapidamente (taquicardia). Em casos extremos chega a produzir uma parada do coração por fibrilação ventricular. A morte também pode ocorrer devido a diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração.

O uso crônico da cocaína pode levar a uma degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, chamada rabdomiólise.

Aspectos Gerais

Ao contrário do que acontece com as anfetaminas (cujos efeitos são em parte semelhantes aos da cocaína), as pessoas que abusam da cocaína não relatam a necessidade de aumentar a dose para sentir os mesmos efeitos, ou seja, a cocaína praticamente não induz tolerância.

E não deve mesmo ser considerado tolerância o uso compulsivo, repetido de muitas doses tomadas em um curto espaço de tempo: na realidade as pessoas que assim procedem estão fazendo isso porque querem sentir muitas vezes, repetidamente, o mesmo efeito muito prazeiroso, mas efêmero.

Não há também descrição convincente de uma síndrome de abstinência quando a pessoa para de tomar cocaína abruptamente: ela não sente dores pelo corpo, cólicas, náuseas, etc.

O que às vezes ocorre é que essa pessoa fica tomada de grande "fissura" deseja tomar de novo para sentir os efeitos agradáveis e não para diminuir ou abolir o sofrimento que ocorreria se realmente houvesse uma síndrome de abstinência.

Usuários de Drogas

No Brasil, a cocaína é a droga mais utilizada pelos usuários de drogas injetáveis (UDI). Muitas destas pessoas compartilham agulhas e seringas, e se expõe ao contágio de várias doenças, entre elas as hepatites, a malária, a dengue e a aids. Esta prática, inclusive, é hoje em dia o fator de risco mais importante para a transmissão do HIV.

Segundo dados do "Projeto Brasil", estudo epidemiológico realizado entre 1995 e 1996 com 701 UDI, envolvendo vários centros do país, e coordenado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Aids de Santos (IEPAS), as taxas de prevalência de infecção pelo HIV entre usuários de drogas injetáveis chega a 71% em Itajaí, 64% em Santos e 51% em Salvador.

O uso de drogas injetáveis está associado a cerca de 50% de todos os casos de aids nas regiões de São Paulo e Santa Catarina. No âmbito nacional, 21,3% dos casos de aids registrados até maio de 1997, refere-se a categoria de usuário de drogas injetáveis.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Cocaína

Um pouco da história da cocaína

A planta Erythroxylon Coca, comumente conhecida como coca, já era utilizada pelos índios da América do Sul, como pela elite Inca, por exemplo, há milhares de anos. Eles mascavam as folhas da planta, um hábito chamado “coquear”, e o faziam por motivos sociais, místicos, medicinais e religiosos.

Os índios atribuíam à planta propriedades mágicas e consideravam-na sagrada: acreditavam que com ela, entravam em contato com deuses e espíritos, que os protegiam. Utilizavam-na em rituais de nascimento, de iniciação e funerário, cerimônias religiosas, como anestésico local e seu chá para curar dores de estômago.

Quando os espanhóis chegaram ao continente sul-americano e se depararam com a planta até então desconhecida, condenaram não só o plantio, mas também o uso dela, considerado pela Igreja Católica como bruxaria e corruptor das populações nativas. O hábito, segundo os europeus, era o causador da morte de inúmeros índios e acabava com a saúde dos poucos que sobreviviam.

Porém, a coca mostrou-se aos europeus um excelente estimulante, que além de propiciar uma sensação de bem-estar, permitia aos índios executar trabalhos pesados sem sentir cansaço, fome e tampouco sede, exatamente o tipo de trabalhador necessário para extrair prata das minas.

Embora muito comum na América do Sul, a Europa só veio a conhecer a coca no começo do século XIX, quando foi levada para a Inglaterra pelo Jardim Botânico Real.

Na década de 1880, a coca passou a circular por toda Europa e América do Norte, sob a forma de chá . O cultivo e a produção eram feitos no Peru, onde havia um órgão do governo que controlava a coca licenciada para a exportação farmacêutica, a Empresa Nacional da Coca.

A fim de expandir os negócios, a Empresa Nacional da Coca fez uma campanha dos benefícios da coca, lançando uma bebida chamada “Inca Health Tea”, que logo se popularizou entre os norte-americanos. O chá de coca era tido como um “melhorador de humor” e então, na década de1880 começou a ser prescrito para dependentes de cocaína.

Em meados do século XIX, aparecia no mundo outra bebida que continha coca: era o vinho de coca. O seu criador, o empresário Angelo Mariani, desenvolveu o vinho de coca para uma atriz deprimida, que obteve resultados fantásticos. Mariani também escreveu um livro falando dos benefícios da coca, o que ajudou a torná-lo, junto com sua criação, famoso.

O vinho de coca, lançado em 1863, logo foi aprovado pela sociedade, que muito apreciou o tônico que “nutria, fortificava e refrescava a mente e o corpo”.

Assim, a bebida tornou-se popular não somente entre escritores e compositores, mas também entre a realeza e o clero: a Rainha Victória, William McKinley (o presidente dos Estados Unidos) e o Papa Pio X a elogiavam. O Papa Leão XIII chegou a conceder ao Vinho Mariani um selo oficial de aprovação e uma medalha de ouro ao seu criador.

Cocaína
Anúncio do Vinho Mariani, com seus benefícios

Já no final do século XIX, surge ainda outra bebida de coca, que existe até hoje, mas com sua fórmula original modificada: a Coca-Cola.

O seu criador era de Atlanta, um farmacêutico e apreciador da coca, John Pemberton. A fórmula original era um vinho, semelhante ao Vinho Mariani, que em 1886, teve sua venda proibida em Atlanta.

A Coca-Cola foi então modificada pela primeira vez: o vinho foi substituído por xarope de açúcar.

Como essas bebidas eram recomendadas para a cura de todos os males, inclusive para os dependentes de morfina, começaram a existir então dependentes de coca e dependentes de morfina e coca. Tendo em vista esta situação crítica, em 1904 os fabricantes decidiram tirar a cocaína da bebida. Porém, há controvérsia sobre a atual fórmula da Coca-Cola, pois muitos acreditam que ela ainda contém cocaína.

A substância ativa da planta Erythroxylon Coca foi isolada em 1859, por Albert Niemann e foi na década de 1880 que a cocaína pura começou a ser produzida e comercializada. Como anestésico, começou a ser muito prestigiada pela sua eficiência na oftalmologia, que havia tempos procurava um bom anestésico local para realizar cirurgias com os pacientes conscientes. Os sucessos obtidos logo corriam pelo mundo. Os militares começaram a tomar interesse pela cocaína e em 1883, Theodor Aschenbrandt, um médico alemão, testou a cocaína em alguns membros do exército bávaro e observou que sua resistência aumentava. Dessa maneira, crescia ainda mais a popularidade da cocaína.

O famoso neurologista Sigmund Freud era pago por empresas de remédios para estudar e divulgar os benefícios da cocaína e assim, em 1884 escreveu Über Coca, onde concluía seus estudos sobre a cocaína, onde dizia que ela podia ser usada como um estimulante mental, para tratar de problemas digestivos, para aumentar o apetite, como afrodisíaco, para tratar asma, como um anestésico local e para ajudar os dependentes de álcool e morfina a se livrarem do vício. A última reivindicação de Freud causou controvérsia e atualmente o seu uso não é mais recomendado, pois causa tanta dependência quanto a morfina.

Na década de 1880 foi descoberta a potência da cocaína quando injetada e essa forma de uso se popularizou. 

O primeiro cartel da cocaína, o Sindicato dos Fabricantes de Cocaína, foi formado em 1910, em Amsterdã, por grandes empresas de remédios.

Atualmente, a cocaína, mesmo que ilícita, faz parte da economia mundial e o que é produzido nos laboratórios clandestinos movimenta muito dinheiro pelo mundo todo.

Formas de consumo da cocaína

Existem quatro formas de consumo da cocaína: as folhas da planta, a pasta de coca, o cloridrato de cocaína e o crack.

A primeira forma é mascar as folhas da planta e esse hábito, chamado de “coquear”, serve como estimulante e não provoca danos à saúde.

A planta também é consumida em forma de chá, que é recomendado para quem apresenta problemas digestivos. Essas maneiras de utilizar a coca ainda existem no local onde se originaram, na América do Sul.

Em países como o Peru e a Bolívia, a coca ainda exerce um papel sócio-cultural importante: no Peru existe até um órgão do governo, o Instituto Peruano da Coca,  que controla a qualidade do chá que é vendido.

A segunda forma de uso, a pasta de coca, é o sulfato de cocaína, que é o estágio intermediário entre a planta de coca e o cloridrato de cocaína. Essa pasta é normalmente misturada com tabaco e fumada.

O cloridrato de cocaína é um sal, que é a pasta de coca refinada. É consumido via nasal, e, por ser uma droga relativamente cara, é mais consumida nas classes mais altas da sociedade.

Também pode ser usada via venal: depois de diluída em água, é injetada na corrente sangüínea. Essa forma de uso é conhecida como ‘pico’ e com ela corre-se o risco de contrair doenças como hepatite e AIDS.

A última maneira de consumir a coca, a pedra de crack, surgiu nos Estados Unidos, entre a população negra. É feito do que sobra na produção do cloridrato de cocaína, e por isso é muito forte e mais barato, sendo assim mais utilizado pelas camadas mais baixas da sociedade. Por não ser facilmente dissolvido em água, o crack não pode ser injetado ou aspirado, e por isso é fumado em pedras ou misturado com tabaco ou maconha.

Cocaína
Pedras de crack

Efeitos fisiológicos associados à cocaína

A cocaína permanece metade da vida no plasma. Ela dá a sensação de bem-estar e aumenta a atenção, pelo fato de aumentar a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Porém, em doses maiores, provoca irritabilidade, pânico, alucinações auditivas e táteis, confusão e desorientação, quadro conhecido como síndrome cerebral orgânica. Pode provocar convulsões e infarto, que pode levar à morte súbita.

Fonte: intra.vila.com.br

Cocaína

A Coca

Extração da Cocaína

Os laboratórios clandestinos empregam técnicas rudimentares: num buraco aberto no solo são colocados cerca de 150kg de folhas secas de coca; essas folhas são maceradas em querosene e depois colocadas em tanque e mergulhadas em ácido sulfúrico para acidar os seus alcalóides e formar seus sais, obtendo-se os sulfatos de cocaína, hygrina e outros que são substâncias solúveis na água; o líquido é removido e tratado com alguma substancia alcalina, como o carbonato de amônio, desta maneira se obtém a cocaína base, que é solúvel em dissolventes orgânicos e insolúveis na água.

Os dissolventes orgânicos empregados na obtenção da cocaína - os que precipitam de suas soluções e formam o pó branco - são voláteis e depois de algum tempo se evaporam e a cocaína fica sem odor característico desses dissolventes.

O processo tradicional de produção de cocaína usado pelos camponeses bolivianos é o seguinte:

500kg de folhas de coca são transformados em 2,5kg de pasta de coca
2,5kg de pasta de coca é extraído 1kg de sulfato base de cocaína
1kg de sulfato base é destilado e resulta em 1kg de hidroclorido de cocaína
1kg de sulfato base ou de hidroclorido recebe a adição de talco e outros produtos e resulta em 12kg de droga que é vendido ao consumidor comum.

Fonte: www.angelfire.com

Cocaína

O QUE É COCAÍNA?

A cocaína é um alcalóide (produto extraído das folhas de uma planta chamada Erythroxilon coca encontrada principalmente em países da América do Sul e Central). Também é conhecida como coca, pó dourado, neve ou "senhora".

A cocaína é um estimulante do Sistema Nervoso Central. Ela atinge rapidamente o cérebro, produz resposta intensa, o que a torna muito procurada como droga de abuso.

QUAIS OS TIPOS DE PREPARAÇÃO DE COCAÍNA?

Existem vários tipos de preparação de coca:

Folhas de coca: podem ser mascadas ou ingeridas; são de uso cultural pelos povos do Peru, Colômbia, Equador, etc..
Pasta de coca: é fumada com tabaco ou maconha sendo esta mistura conhecida como BASUCO. Além da cocaína, esta preparação contém solventes como ácido sulfúrico.
Pó de coca (cloridrato): pode ser cheirado ou injetado.
"crack" ou "rock" (base livre): é fumado e tem aparência de mineral. Quando aquecido faz barulhos, o que caracteriza o nome "crack".
Pode conter contaminantes cáusticos.

POR QUE É USADA COM FIM DE ABUSO?

Todos os efeitos produzidos pela cocaína variam em função da preparação, das doses, da forma de administração e da freqüência de uso. Se a pessoa está sozinha ou em grupos as manifestações produzidas pela droga ou sua intensidade pode diferir. Em pequenas doses ocasiona euforia, excitação e agitação. Em doses moderadas surgem sensação de competência (inteligência, capacidade de resolver problemas, autoconfiança) e habilidade. Em doses elevadas pode provocar alucinações. Após o término do efeito da dose a pessoa pode sentir-se deprimida (triste) e ficar tentada a usar outra dose para se animar.

QUAIS OS EFEITOS ASSOCIADOS AO USO DA COCAÍNA?

Já com doses baixas, a cocaína ocasiona alterações em todo o organismo como aumento da freqüência dos batimentos cardíacos (taquicardia) e aumento da pressão arterial (hipertensão). Com a utilização da doses moderadas podem aparecer vômitos, diarréia, excitação, confusão das idéias até ansiedade extrema. Estes efeitos podem durar de poucas horas até alguns dias. A utilização de doses elevadas podem ocasionar uma significativa hipertensão arterial, taquicardia, calafrios, transpiração excessiva, convulsões e morte (por efeitos sobre o coração e respiração) que caracterizam a intoxicação aguda, também conhecida como overdose.

Com o uso freqüente e contínuo (semanas ou meses) podem ocorrer alterações comportamentais como: agressividade, idéia de perseguição(paranóia), alucinações táteis (sensação de insetos caminhando sobre a pele), visuais e auditivas (ver e ouvir coisas) e delírios (desorientação, confusão, medo e ilusões).

Também pode ocorrer emagrecimento e perfuração dos septo nasal quando inalada.

QUAIS OS RISCOS DO USO DE COCAÍNA INJETÁVEL?

A administração injetável (parenteral) da cocaína pode trazer problemas em função do solvente utilizado (líquido par dissolver a droga) e das seringas não serem esterilizadas. Também pode acontecer da contaminação ocorrer pelo fato da mesma seringa ser utilizada por mais de uma pessoa. Transmissão de hepatite de endocardite infecciosa, AIDS e menos comumente pneumonia ou infecções localizadas são as doenças mais freqüentes. A falta de higiene no local da administração da droga pode ocasionar o aparecimento de feridas (ulcerações) e desencadear, mais tarde, uma infecção grave em outros locais do organismo.

QUAIS OS PROBLEMAS DO USO DA COCAÍNA NA GRAVIDEZ?

O uso continuado de cocaína durante a gravidez pode ser responsável pelo nascimento de bebês pequenos (retardo de crescimento intra-uterino), malformações (microcefalia) e abortos espontâneos. Além disso, após o nascimento, o bebê pode apresentar comprometimento neurológico e ter manifestações comportamentais diferentes (ex.: chorar de forma inconsolável).

A COCÁINA PRODUZ DEPENDÊNCIA?

Sim, quando o usuário utiliza a droga por diversos dias ou meses. No início a pessoa pode sentir necessidade do aumento da dose para produção do mesmo efeito (tolerância). Além disto, afasta-se da família, amigos e trabalho e pode passar a vender os seus objetos ou a roubar para manter o consumo da droga.

Quando a pessoa pára de usar ou reduz a quantidade utilizada pode sentir depressão (tristeza), irritabilidade, ansiedade, cansaço e insônia (não consegue dormir).

Por isso, existe uma forte tendência para a continuação do uso da droga.

EXISTE TRATAMENTO PARA O USUÁRIO DE COCAÍNA?

Sim. O usuário não deve sentir-se abandonado por amigos ou familiares. Ele deve ser incentivado a procurar ajuda em centros especializados onde o tratamento de desintoxicação e acompanhamento posterior poderão ser obtidos.

Fonte: psicoativas.ufcspa.edu.br

Cocaína

A cocaína deriva da folha do arbusto da coca (Erytbroxylon Coca), do qual existem variedades como a boliviana (huanaco), a colombiana (novagranatense) ou a peruana (trujilense). A planta possui 0,5% a 1% de cocaína e pode ser produtiva por períodos de 30 ou 40 anos, com cerca de 4 a 5 colheitas por ano.

Esta substância possui propriedades estimulantes e é comercializada sob a forma de um pó branco cristalino, inodor, de sabor amargo e insolúvel na água, assumindo os nomes de rua de coca, branca, branquinha, gulosa, júlia, neve ou snow. O pó é conseguido mediante um processo de transformação das folhas da coca em pasta de cocaína e esta em cloridrato.

Regra geral, a cocaína é consumida por inalação, mas pode também ser absorvida pelas mucosas (por exemplo, esfregando as gengivas). Para além disso, pode ainda ser injetada pura ou misturada com outras drogas. Não é adequada para fumar. A cocaína é, por vezes, adulterada com o objetivo de aumentar o seu volume ou de potenciar os efeitos. Nestes casos, é-lhe misturada lactose, medicamentos (como procaína, lidocaína e benzocaína), estimulantes (como anfetaminas e cafeína) ou outras substâncias.

Pertence ao grupo de substâncias simpático-miméticas indiretas: provoca um aumento de neurotransmissores na fenda sináptica e um elevado estímulo das vias de neurotransmissão, nas quais a dopamina e a noradrenalina estão implicadas. É um estimulante do Sistema Nervoso Central, agindo sobre ele com efeito similar ao das anfetaminas. Esta substância atua especialmente nas áreas motoras, produzindo agitação intensa. A nível terapêutico, é usada como analgésico.

Origem

A arqueologia mostrou-nos que a utilização da folha da coca é já muito antiga, tendo sido encontrados vestígios do seu consumo no Equador e no Peru datados de 2500 A.C.. A planta Erythroxylon Coca tem origem na América do Sul, nas regiões altas dos Andes. Foram os índios bolivianos Aymara, conquistados pelos Incas no século X, que começaram a utilizar a palavra “coca” que significa “planta”.

Nos séculos XII e XIII, a coca deu origem a inúmeros confrontos, até que os Incas, em 1315, conseguiram o seu monopólio. Para este povo, a coca era uma planta medicinal e sagrada, incluída, por isso, em rituais religiosos, profecias, casamentos, funerais e nos rituais de iniciações de jovens nobres (“haruaca”). No entanto, a sua utilização não era generalizada, sendo apenas acessível à elite Inca.

Com a descoberta da América, começam a surgir atitudes contraditórias face à coca. Se por um lado a Igreja proibe a sua mastigação, com o intuito de abolir um vício pagão, por outro, quando percebe os benefícios que poderia retirar da manutenção do seu consumo, permite que os índios trabalhassem sob o seu efeito.

Um édito de Filipe II de Espanha legaliza o uso da coca, generalizando-se o consumo a toda a população nativa. A coca chega mesmo a tornar-se um substituto da comida. Neste seguimento, multiplicam-se as referências ao consumo de coca por viajantes e cronistas, que lhe atribuem benefícios medicinais e estimulantes.

Apesar disso, os espanhóis não exploram comercialmente este produto, ao contrário do que aconteceu com o tabaco e o quinino.

Em 1580, Monardes descreve a planta da coca pela primeira vez. No entanto, esta continua a ser exclusiva da América do Sul. Só em 1750 é que são enviadas as primeiras plantas para a Europa pelo botânico Joseph Tussie.

Em 1858, Nieman e Wolter isolam o princípio ativo responsável pelos efeitos da planta, a cocaína, tendo o interesse por esta substância aumentado a partir desta altura. Foi inicialmente usada como medicamento para a astenia e diarreia num regimento alpino por Aschenbrant, um médico militar Baviero. Foi rapidamente comercializada em grande escala, passando a ser constituinte de vários produtos como o vinho tónico de Angelo Mariani (Vin Mariani), remédios caseiros ou mesmo da Coca-Cola (o que se verificou durante 17 anos). A cocaína passou a ser o remédio de eleição para quase todas as doenças. Personalidades como Sir Arthur Conan Doyle (criador do famoso detetive Sherlock Holmes), Júlio Verne, Thomas Edison, o Papa Leão XIII, Rei William III, Alexandre Dumas, R. L. Stevenson e por aí adiante, tornam-se seus convictos defensores.

Freud, após a ter experimentado e feito a revisão da literatura disponível sobre o assunto, contribui para provar a sua função de anestésico local, recomendando-a inclusivamente para problemas como a depressão, perturbações digestivas, asma, estimulante, afrodisíaco, etc. Á medida que se vão observando os efeitos negativos do consumo de cocaína e após a publicação sobre "heroinomania" de Louis Lewin, Freud (1885) reformula a sua posição e começa a trabalhar o conceito de toxicomania, publicando também os "apontamentos sobre a ânsia de cocaína".

Entre 1885 e 1890, a literatura médica apresenta mais de 400 relatos de perturbações físicas e psíquicas devido ao consumo desta subtância. Dado que muitos deles se referiam a pessoas a quem tinha sido administrada cocaína como antídoto para a morfinomania, as duas drogas (cocaína e morfina), apesar de possuírem efeitos muito diferentes, começam a ser confundidas e regulamentadas, a nível internacional, de igual forma.

O recurso à cocaína como anestésico local em cirurgia ocular e otorrinolaringológica generalizou-se, tendo sido, mais tarde, substituída por equivalentes mais seguros.

De uma forma mais acentuada nos anos 20, verificou-se nos países ocidentais uma grande surto no consumo de cocaína por aspiração nasal. Foram necessárias medidas de controlo internacionais e a Segunda Guerra Mundial para que a magnitude desta epidemia começasse a sofrer uma redução. Até aos anos 70, o consumo manteve-se bastante marginal, altura a partir da qual a cocaína começou a ser associada à imagem de êxito social (nos Estados Unidos). Tal fato, voltou a acentuar o consumo, que se generalizou às diferentes classes sociais e teve forte aceitação entre consumidores de outras drogas como a heroína, álcool ou anfetaminas, tornando-se num grave problema de saúde pública.

No nosso país, os anos 80 marcam o aparecimento da cocaína no mercado negro. Inicialmente uma droga de elite, rapidamente sofreu uma banalização e generalização do seu consumo.

Efeitos

A cocaína tem uma ação intensa mas breve (dura cerca de 30 minutos), sendo que os seus efeitos são semelhantes aos das anfetaminas. Quando consumida em doses moderadas, a cocaína pode provocar ausência de fadiga, sono e fome. Para além disso, o indivíduo poderá sentir exaltação, euforia, intenso bem-estar e maior segurança em si mesmo, nas suas competências e capacidades. Os consumidores de cocaína costumam ser conhecidos pelo seu comportamento egoísta, arrogante e prepotente.

Ocasionalmente poderá ter efeitos afrodisíacos, aumentando o desejo sexual e demorando a ejaculação. Contudo, pode também dificultar a ereção.

A nível físico, pode provocar aceleração do ritmo cardíaco, aumento da tensão arterial, aumento da temperatura corporal e da sudação, tremores ou convulsões.

As doses elevadas geralmente provocam insônia, agitação, ansiedade intensa, agressividade, visões e alucinações (as típicas são as tácteis, como a sensação de ter formigas, insetos ou cobras imaginárias debaixo da pele). Ao bem-estar inicial segue-se geralmente cansaço, apatia, irritabilidade e comportamento impulsivo.

Riscos

Os consumidores de cocaína podem sofrer, a longo prazo, de irritabilidade, crises de ansiedade e pânico, apatia sexual ou impotência, transtornos alimentares (bulimia e anorexia nervosa), diminuição da memória, da capacidade ou da concentração. Podem ainda experimentar a chamada "psicose da cocaína", similar à psicose esquizofrénica, com ideias delirantes de tipo persecutório e alucinações auditivas e/ou visuais. A nível neurológico podem sofrer-se várias alterações como cefaleias ou acidentes vasculares como o enfarte cerebral. São ainda possíveis as cardiopatias (arritmias) e problemas respiratórios (dispneia ou dificuldade para respirar, perfuração do tabique nasal).

Durante a gravidez, o consumo de cocaína pode ter consequências graves sobre o feto (aumento da mortalidade perinatal, aborto e alterações nervosas no recém nascido).

A quantidade necessária para provocar uma overdose é variável de pessoa para pessoa e depende bastante do grau de pureza da droga e da forma de administração (as probabilidades aumentam quando a substância é injetada na corrente sanguínea); a dose fatal encontra-se entre as 0,2 e 1,5 gramas de cocaína pura. As overdoses podem causar ataques cardíacos ou paragens respiratórias. Segundo dados do "NIDA", os internamentos de urgência por overdoses de cocaína fumada aumentaram entre 1987 e 1990 em mais de 700%.

Tolerância e Dependência

A tolerância inicial desenvolve-se rapidamente quando o consumo é contínuo. Após a fase inicial, a tolerância não parece acentuar-se.

De fato, os consumidores parecem experimentar o inverso: experienciam os efeitos da droga mais intensamente. Por vezes, a tolerância não é óbvia devido à mistura de cocaína com outras drogas.

A cocaína não produz dependência física, no entanto é a droga com o maior potencial de dependência psicológica (razão pela qual a chamam de “gulosa”). A curta duração dos seus efeitos, induz facilmente ao consumo compulsivo.

Síndrome de Abstinência

A dependência física é um estado adaptativo que se desenvolve por reajuste dos mecanismos homeostáticos, para permitir a função normal, apesar da presença contínua da droga. Quando a ingestão de cocaína é abruptamente interrompida num individuo fisicamente dependente, surge um síndrome de abstinência. Os sintomas de abstinência tendem a ser opostos aqueles observados durante a exposição à droga, sendo por isso, a abstinência de cocaína caracterizada por fadiga, sedação e depressão.

Os sintomas de abstinência são a principal evidência de dependência física. Como a tolerância, a dependência física é um resposta fisiológica normal à exposição repetida de uma droga e não necessariamente indica abuso ou dependência da droga. A abstinência também está associada à redução da função de recompensa cerebral. Assim, parece que a abstinência da droga pode atuar como um reforço negativo que contribui para o seu uso repetido.

Segundo o Manual sobre a Dependência às Drogas (OMS, 1975): a cocaína não provoca dependência física, e como consequência, não se observa um síndrome de abstinência característico. Contudo, após supressão brusca da droga, pode surgir depressão intensa e delírios, que podem persistir durante algum.

O síndrome de abstinência é atualmente definido pelo CID-10 (OMS,1992) como: um conjunto de sintomas, de agrupamento e gravidade variáveis, ocorrendo em abstinência absoluta ou relativa de uma substância, após uso repetido e usualmente prolongado, e/ou uso de altas doses daquela substância. O início e curso do estado de abstinência são limitados no tempo e relacionados com o tipo de substância e a dose utilizada imediatamente antes da abstinência. O estado de abstinência pode ser complicado por convulsões. Esta definição, permite a inclusão do síndrome de abstinência para todas as substâncias causadoras de algum tipo de dependência. Portanto, atualmente é possível falar em síndrome de abstinência da cocaína. No entanto, os sintomas observados não se comparam à magnitude dos produzidos por outras substâncias depressoras do sistema nervoso central (álcool, morfina, barbitúricos). Durante a abstinência do uso crônico da cocaína, os efeitos físicos são brandos e os psíquicos mais pronunciados, principalmente os relacionados ao estado de humor.

O fenômeno mais peculiar detectado no uso crônico de estimulantes é o craving (sintoma residual que aparece, eventualmente condicionado a lembranças do uso e seus efeitos psíquicos). O craving é um desejo súbito e intenso de utilizar uma substância, a memória de uma euforia estimulante, em contraste com o desprazer presente. Desta forma, a cocaína é uma das substâncias conhecidas com maior capacidade de reforçar novas experiências de uso.

Tratamento

O vício da cocaína é às vezes tratado com 2,5 mg/kg de desipramina, um anti-depressivo, sendo a dose reduzida aquando da administração conjunta com metadona.

Se o paciente está agitado deverá administrar-se benzodiazepinas. Se o indivíduo estiver com hipertermia deverá diminuir a sua atividade, tomar banho em água fria ou tépida. Os antipiréticos não são eficazes. O diazepam IV na dose de até 0,5 mg/Kg, administrado por um período de 8 horas é eficaz no controle de convulsões.

Os pacientes com hipotensão deverão receber fluidos intravenosos. A hipertensão e a taquicardia não requerem na maioria dos casos tratamento específico pois são normalmente transitórias.

As arritmias ventriculares podem ser tratadas com benzodiazepinas para diminuir a estimulação do sistema nervoso simpático e com bicarbonato de sódio ou lidocaina como agentes anti-arrítmicos. Podem ainda ser controladas com sucesso pela administração de 0,5 a 1,0 mg de propranolol IV.

A isquemia do miocárdio deve ser tratada com benzodiazepinas, aspirina e nitroglicerina sublingual. Os antagonistas beta-adrenérgicos não devem ser usados em pacientes com isquemia do miocárdio porque aumentam a vasoconstrição arterial e diminuem a circulação sanguínea.

A rabdomiólise requer hidratação, manitol como diurético, bicarbonato de sódio para alcalinizar a urina e hemodiálise se há falha do rim.

Psicoterapia individual e de grupo, terapia familiar e programas de assistência pessoal em grupo, frequentemente são úteis para induzir a remissão prolongada do uso da droga. No entanto, nenhuma medicação disponível é segura e altamente eficaz para a desintoxicação da cocaína ou manutenção da abstinência.

Inês Oliveira

Marta Neves

Fonte: www.ff.up.pt

Cocaína

Cocaína
Cocaína

Pó branco, normalmente inalado (cheirado) ou diluído em água para ser injetado nas veias (administração intravenosa). Quase sempre vendida em pequenas quantidades (aproximadamente 1 grama), embrulhada em pedaços de plástico ou papel alumínio, conhecidos como papelote. Em doses reduzidas ocorre euforia, excitação, inquietação, confusão, apreensão, ansiedade, sensação de competência e habilidade, diminuição da fome e da sede. O tempo de duração destes efeitos é de uma a duas horas.

A cocaína é um alcalóide, substância com propriedades de base, extraído de uma planta originária da América do Sul e Central conhecida como Erytroxylon coca. Conhecida há cerca de sete mil anos entre os povos dos Andes, seu uso estava ligado à religiosidade, servindo ainda para combater a fadiga e a sensação de fome. Com a chegada dos conquistadores espanhóis foi levada para a Europa, onde se propagou seu consumo. Estes mesmos conquistadores disseminaram o uso da coca entre os índios escravizados, com o intuito de fazer-lhes trabalhar mais e comer menos.

Masur e Carlini, em Drogas - Subsídios para uma discussão, assim referem-se a este período:

“O vinho de coca, uma preparação feita à base da planta, foi considerado durante muito tempo uma bebida reconstituinte e reconfortante, que dotava os apreciadores de novas energias. Foi um verdadeiro modismo, elegante mesmo, o uso desse vinho. As mais altas autoridades da Europa, príncipes e reis, primeiros-ministros, nobres, etc., eram os principais apreciadores. Houve até um papa que agraciou com uma medalha o principal fabricante desse vinho.”

“E das folhas da planta, o químico alemão A. Niemann conseguiu extrair a cocaína, sob forma pura. Agora o mundo dispunha não mais de um vinho ou chá (onde as quantidades de cocaína não eram grandes), mas de um pó branco, muito ativo. Novamente, a Europa se vê maravilhada com a descoberta. Um dos mais famosos adeptos da cocaína foi Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Este ilustre médico participou das experiências mostrando que a cocaína era um anestésico local (isto é, tira a dor das mucosas, o que permitiu pela primeira vez um grande progresso na cirurgia dos olhos, por exemplo). Freud foi mais além! Ingerindo ele próprio cocaína, sentiu-se tomado de tal energia e vitalidade que passou a difundir seu uso entusiasticamente; escreveu artigos científicos sobre a cocaína, dizendo num deles que somente após passar a tomar cocaína é que ‘se sentiu verdadeiramente um médico’. Chegou a dizer ainda que a cocaína iria permitir esvaziar os asilos e combater a dependência da morfina, que gera um grave quadro de abstinência. Freud desistiu de usar e recomendar cocaína quando um íntimo amigo seu, dependente de morfina, ao tentar curar-se dessa dependência, acabou por apresentar uma psicose cocaínica que se somou à síndrome de abstinência da morfina.”

“A cocaína chegou a ser usada como medicamento até o início deste século, para vários males. (...) Houve surtos (‘epidemias’) de uso não médico (abuso) de cocaína, no passado, que foram muito comentados na ocasião, não sendo o Brasil exceção à regra.”

Em 1914, a cocaína ficou sujeita às mesmas leis que a morfina e a heroína, sendo classificada em termos legais juntamente com os narcóticos. Mesmo a Coca-cola, que era tida como uma bebida estimulante porque possuía cocaína em sua fórmula, substituiu-a por outros ingredientes.

Paulo Roberto Laste, Cláudia Ramos Rhoden e Helena Maria Tannhauser Barros, em Critérios diagnósticos de intoxicação por drogas de abuso, assim discorrem sobre os vários tipos de preparação de cocaína:

a) Folhas de coca: podem ser mascadas ou ingeridas, nas quais é adicionado carbonato de cálcio, o que permite uma liberação sustentada e lenta da droga pela mucosa bucal. Os níveis sanguíneos atingidos e o risco de dependência são baixos. No chá de cocaína, prática comum no Peru, há pouca quantidade do alcalóide.
b) Pasta de coca:
é fumada em mistura com maconha e tabaco, também conhecida como “basuco” na Colômbia. É um extrato bruto da folha de coca, preparado pela adição de solventes orgânicos, como querosene, gasolina ou metanol, combinados com ácido sulfúrico. Contém 60 a 80% de sulfato de cocaína, acrescido de alcalóide de coca, ecgonina, ácido benzóico, metanol, querosene, compostos alcalinos, ácido sulfúrico e algumas impurezas.
c) Cloridrato de cocaína em pó:
é cheirado ou injetado. Obtido pelo tratamento da pasta de coca com ácido clorídrico (rendimento de 98%). No mercado ilícito aparece com 12 a 75% de impurezas, após adição de contaminantes, como açúcar, anestésicos locais, anfetaminas, cafeína.
d) Cocaína alcalóide:
também conhecido como “rock” ou “crack” é fumado. O cloridrato de cocaína é convertido em alcalóide pelo tratamento com álcali (amônia ou bicarbonato de sódio) e éter; o produto extraído chama-se base livre. Difere do cloridrato de cocaína por não ser prontamente solúvel na membrana da mucosa nasal ou no sangue. Mas, como possui baixo ponto de vaporização, pode ser fumada, sendo que 84% se mantém após a combustão.

Além de causar dependência, a cocaína afeta o sistema nervoso central, reduzindo a capacidade intelectual e o desempenho profissional, causando ainda paranóia e depressão. Seu uso contínuo perfura o septo nasal, causando hemorragia, dores de cabeça, problemas pulmonares e cardíacos. Em quantidades maiores, podem ocorrer tonturas, náuseas, vômitos e tremores. Em alguns casos podem acontecer convulsões, por causa do aumento da temperatura. A overdose acontece por superdosagem, ou seja, o usuário utiliza-se de uma dose maior do que a habitual ou adquire cocaína mais “pura” do que normalmente consome.

Neste último caso, apesar de fisicamente parecer a mesma quantidade, ele está utilizando várias vezes a quantidade pretendida. Na overdose, o usuário passa a ter taquicardia, que evolui para uma fibrilação ventricular e à morte.

Nos casos de superdosagem de cocaína, vale destacar para os profissionais da área os ensinamentos de Kaplan & Sadock, em Compêndio de Psiquiatria:

“Para uma superdosagem aguda de cocaína, o tratamento recomendado é a administração de oxigênio (sob pressão, se necessário) com a cabeça do paciente para baixo, na posição de Trendelenburg, relaxantes musculares, se necessários e, se houver convulsões, barbitúricos intravenosos de curta ação (25 a 50 mg de pentotal sódico) ou diazepam (5 a 10 mg). Para a ansiedade com hipertensão e taquicardia, 10 a 30 mg de diazepam intravenoso ou intramuscular podem constituir um procedimento útil. Uma alternativa para esta finalidade, que parece ser um antagonista específico dos efeitos simpatomiméticos da cocaína, é o bloqueador ?-adrenérgico propranolol (Inderal), 1 mg injetado intravenosamente a cada minuto, por até 8 minutos. Entretanto, o propranolol não deve ser considerado uma proteção contra doses letais de cocaína ou como tratamento para superdosagens graves.”

O risco de se adquirir AIDS ou hepatite é bastante alto entre os usuários de cocaína injetável, tornando-os um grupo de alto risco para estas doenças. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica - Divisão DST/AIDS de São Paulo em 1995 demonstrou que entre os casos notificados da doença naquela cidade, 32,12% dos que contraíram o vírus eram usuários de drogas, seguidos pelos homossexuais (23,06%), heterossexuais (17,43%), bissexuais (9,9%), de mãe para filho (2,79%), transfusão de sangue (1,78%), hemofílicos (0,72%) e não identificados (12,2%).O ritual deste uso da droga muitas vezes inclui o compartilhamento de seringas, já que cuidados com a saúde não são uma constante entre os usuários, aliado ainda ao medo de passar por uma revista em uma batida policial e ser encontrado com material descartável no bolso.

Pela lei de entorpecentes em vigor no país, distribuir seringa ao usuário de drogas injetáveis equivale a incentivar o consumo de tóxicos. Ainda assim, alguns médicos estão convencidos de que fornecer seringas é o modo mais eficaz de deter o avanço da AIDS.

Outra doença, até então rara, que têm aparecido muito nos últimos anos com o grande aumento do uso de cocaína entre dependentes com problemas nos músculos esqueléticos é a rabdomiólise, um processo irreversível de degeneração destes músculos.

Existem dúvidas se a cocaína desenvolve ou não tolerância no organismo, ou seja, se há ou não a necessidade de tomar doses cada vez maiores para que o usuário sinta os mesmos efeitos. Existem dúvidas ainda se a parada abrupta do uso continuado de cocaína leva a uma síndrome de abstinência, mas é certo que a fissura pela droga permanece durante algum tempo, variável de acordo com o paciente e o tempo de uso da droga. Além disto, observa-se neste primeiro período de abstinência muito sono, cansaço, aumento do apetite e depressão.

As misturas que se fazem nesta droga também são responsáveis por vários danos ao organismo de quem as consome. Além das já citadas (açúcar, anestésicos locais, anfetaminas e cafeína), podemos acrescentar pó de giz, talco, reidratantes para crianças, vapor de mercúrio (o pó branco que existe dentro das lâmpadas fluorescentes), vidro moído (para dar brilho ao pó), etc.

Alguns dos materiais que são utilizados no consumo da droga: pratos, espelhos, ou qualquer material com superfície dura e lisa (para colocar o pó, normalmente em carreiras); canudos de papel ou dinheiro, caneta esferográfica sem carga, ou qualquer outro tipo de tubo (utilizado para aspirar o pó, levando-o diretamente para dentro do nariz); giletes, cartões ou qualquer material duro e fino com formatos aproximados (para separar as carreiras);seringas; colheres com o cabo torto, sem cabo, pequenos copos ou qualquer outro tipo de material côncavo (para diluir a cocaína na água); cadarços, gravatas, cintos, etc. (com o objetivo de se fazer o torniquete para a aplicação intravenosa); entre outros.

Uma notícia promissora (e apenas isto, por enquanto) no combate aos problemas do consumo de cocaína veio do Instituto de Pesquisa Scripps, Califórnia, no final do ano passado. Utilizando ratos como cobaias, os cientistas deste Instituto desenvolveram uma substância que ao ser injetada no sangue, estimula o organismo a produzir anticorpos para combater a droga. A nova vacina impede o estado de euforia do usuário de cocaína ao combater as moléculas da droga quando elas ainda estão trafegando na corrente sanguínea. Os testes demonstraram que os níveis de cocaína encontrados no cérebro dos ratos imunizados eram 77% mais baixos que nos animais que não receberam a vacina.

“Os anticorpos agem como uma esponja, absorvendo a droga e impedindo que ela chegue ao cérebro”, afirma Kim Janda, um dos divulgadores da vacina em artigo da revista Nature. Como a sensação de euforia é menor, os cientistas acreditam que o usuário perderá o estímulo para continuar utilizando a droga.

A este respeito, o psiquiatra brasileiro Jorge Figueiredo explica que “a importância da vacina está no fato de tornar cada vez mais distante a lembrança eufórica dos efeitos psicoativos”. A solução do consumo desta droga ainda está longe. Não se sabe ainda os efeitos concretos que ela teria no tratamento dos dependentes, já que foi testada apenas em ratos de laboratório.

Mas uma vantagem destaca-a dos remédios hoje utilizados no tratamento de usuários da droga: ela não tem efeitos colaterais.

“Não devemos esquecer que a dependência de drogas é uma doença mental, para a qual não existem curas rápidas”, alerta o psiquiatra David Self, professor da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Por enquanto é apenas uma esperança. O que já é uma grande coisa.

Fonte: www.caralimpa.com.br

Cocaína

A cocaína é um alcalóide extraído da planta do gênero Erythroxylon, arbusto cultivado em regiões andinas e amazônicas. Ela pode exercer uma variedade de efeitos no cérebro. Os maiores efeitos agudos resultam de níveis aumentados de substâncias naturais circulantes no sangue, chamadas catecolaminas.

A cocaína sob a forma de cloridrato, é administrada por diferentes vias. Pode ser aspirada, sendo absorvida pela mucosa nasal.

A cocaína causa vasoconstrição de arteríolas nasais, levando a uma redução vascular o que limita a sua absorção. O uso crônico freqüentemente acarreta necrose e perfuração do septo nasal, como conseqüência da vasoconstrição prolongada. Injetada por via venosa induz efeito extremamente rápido, intenso e de curta duração. Mais recentemente, tem-se popularizado o uso por via pulmonar, sendo a droga inalada com dispositivo tipo cachimbo ou em cigarros.

Nesse caso, é empregado o crack, que é a base livre, preparada por alcalinização de cloridrato e extraindo-o com solvente não polares. Embora parte do alcalóide seja destruida pela temperatura alta, a cocaína é prontamente absorvida pelos pulmões, atingindo concentrações sanguíneas máximas em poucos minutos, e comparável com a administração venosa, porém por um tempo reduzido. A injeção venosa raramente é usada pela possibilidade de intoxicação por dose excessiva. Esta via é a mais responsável pelas alterações cardiovasculares e arritmias.

A meia-vida plasmática da cocaína é curta, de modo que os efeitos após uma dose única persiste apenas uma hora ou um pouco menos.

Em consequencia disto, a vivência de euforia pode ser repetida muitas vezes no decorrer de um dia ou uma noite.

A cocaína aumenta a dopamina e noradrenalina em doses normais e o aumento da serotonina só ocorre em altas doses, porque atua inibindo a recaptação para estes neurotransmissores. Em geral há um consenso neste mecanismo de ação, mas é controverso se a cocaína atua como um inibidor competitivo ou não competitivo no transporte desta proteína.

A capacidade da cocaína induzir alterações do humor depende da quantidade de dopamina e noradrenalina liberada no cerébro.

O efeito psicoestimulante varia na intensidade de moderado à tóxico com o aumento da dose.

Muitos dos efeitos descritos exibem tolerância, sendo que o efeito estimulante de suprimir o apetite desenvolve-se dentro de poucas semanas.

Após o uso contínuo pode desencadear-se estado de psicose tóxica, com alucinações visuais e auditivas, delírio, idéias paranóides e tendências suicidas.

A cocaina quando ingerida com álcool, leva a formação de um metabólito conjugado cocetileno, que tem propriedades psicoativa e uma meia-vida maior que a cocaína e o etanol ingeridos separadamente, seu acumulo leva rapidamente a um quadro de intoxicação.

Os efeitos cardiovasculares são complexos e são dose dependente.. O aumento da noradrenalina aumenta a resistência periferica total, levando a um aumento da pressão arterial. Esta vasoconstricção reduz a capacidade da perda de calor pela pele e contribui para uma hipertermia. Os efeitos anestésicos locais interferem com a condução miocardiaca levando a arritmias cardíacas e convulsões.

Como complicações do uso crônico desta droga temos a psicose paranóide e edndocardite bacteriana devido ao uso de seringas contaminadas.

As intoxicações por doses excessivas de cocaína em geral são rapidamente fatais como arritmias, depressão respiratória e convulsão

Os Efeitos da Cocaína no Cérebro

Cocaína

Corte cerebral pós-mortem de um adito em cocaína. A lesão mostrada refere-se a uma hemorragia cerebral massiva e está associada ao uso da cocaína

Cocaína
Axônio de um neurônio em contato com o dendrito de outro neurônio (a sinapse)

O elemento pós-sináptico mostra sua membrana, bem como os receptores, aos quais o neurotransmissor se liga e intermedia os seus efeitos.

Cocaína
Cérebro antes da ingestão de Cocaína

Cocaína
Cérebro após a ingestão de Cocaína

Sintetizada em 1859, a cocaína tem como origem a planta Erythroxylon coca, um arbusto nativo da Bolívia e do Peru (mas também cultivado em Java e Sri-Lanka), em cuja composição química se encontram os alcalóides Cocaína, Anamil e Truxillina (ou Cocamina).

As propriedades primárias da droga bloqueiam a condução de impulsos nas fibras nervosas, quando aplicada externamente, produzindo uma sensação de amortecimento e enregelamento. A droga também é vaso constritora, isto é, contrai os vasos sangüíneos inibindo hemorragias, além de funcionar como anestésico local, sendo este um dos seus usos na medicina.

Ingerida ou aspirada, a cocaína age sobre o sistema nervoso periférico, inibindo a reabsorção, pelos nervos, da norepinefrina (uma substância orgânica semelhante à adrenalina). Assim, ela potencializa os efeitos da estimulação dos nervos.

A cocaína é também um estimulante do sistema nervoso central, agindo sobre ele com efeito similar ao das anfetaminas.

A quantidade necessária para provocar uma overdose varia de uma pessoa para outra, e a dose fatal vai de 0,2 a 1,5 grama de cocaína pura.

A possibilidade de overdose, entretanto, é maior quando a droga é injetada diretamente na corrente sangüínea.

O efeito da cocaína pode levar a um aumento de excitabilidade, ansiedade, elevação da pressão sangüínea, náusea e até mesmo alucinações. Um relatório norte-americano afirma que uma característica peculiar da psicose paranóica, resultante do abuso de cocaína, é um tipo de alucinação na qual formigas, insetos ou cobras imaginárias parecem estar caminhando sobre ou sob a pele do cocainômano. Embora exista controvérsia, alguns afirmam que os únicos perigos médicos do uso da cocaína são as reações alérgicas fatais e a habilidade da droga em produzir forte dependência psicológica, mas não física. Por ser uma substância de efeito rápido e intenso, a cocaína estimula o usuário a utilizá-la seguidamente para fugir da profunda depressão que se segue após o seu efeito.

A Coca-Cola, um dos refrigerantes mais populares, foi originalmente uma beberagem feita com folhas de coca e vendida como um "extraordinário agente terapêutico para todos os males, desde a melancolia até a insônia". Complicações legais, todavia, fizeram com que a partir de 1906 o refrigerante passasse a utilizar em sua fórmula folhas de coca descocainadas (revista Planeta, julho,1986).

Os malefícios da cocaína

A cocaína é a droga que mais rapidamente devasta o usuário. Bastam alguns meses ou mesmo semanas para que ela cause um emagrecimento profundo, insônia, sangramento do nariz e corisa persistente, lesão da mucosa nasal e tecidos nasais, podendo inclusive causar perfuração do septo (12). Doses elevadas consumidas regularmente também causam palidez, suor frio, desmaios, convulsões e parada respiratória.

No cérebro, a cocaína afeta especialmente as áreas motoras, produzindo agitação intensa.

A ação da cocaína no corpo é poderosa porém breve, durando cerca de meia hora, já que a droga é rapidamente metabolizada pelo organismo.

Interagindo com os neurotransmissores, tornam imprecisas as mensagens entre os neurônios.

Função Normal da Dopamina no Cérebro

Sabe-se que neurotransmissores como a dopamina (mostrada em vermelho), noradrenalina e serotonina (esta última recentemente descoberta [10]) são catecolaminas sintetizadas por certas células nervosas que agem em regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, o prazer e a motivação. Depois de sintetizados, estes neurotransmissores são armazenados dentro de vesículas sinápticas (em verde). Quando chega um impulso elétrico no terminal nervoso, as vesículas se direcionam para a membrana do neurônio e liberam o conteúdo, por ex., da dopamina, na fenda sináptica.

A dopamina então atravessa essa fenda e se liga aos seus receptores específicos na membrana do próximo neurônio (neurônio pós-sináptico).

Uma série de reações occorre quando a dopamina ocupa receptores dopaminérgicos daquele neurônio: alguns íons entram e saem do neurônio e algumas enzinas são liberadas ou inibidas. Após a dopamina ter se ligado ao receptor pós-sináptico ela é recaptada novamente por sítios transportadores de dopamina localizados no primeiro neurônio (neurônio pré-sináptico).

A recaptura dos neurotransmissores é um mecanismo fundamental para manter a homeostase e capacitar os neurônios a reagir rapidamente a novas exigências, já que o trabalho do cérebro é constante.

A Entrada de Cocaína no Cérebro

Quando a cocaína entra no sistema de recompensa do cérebro, ela bloqueia os sítios transportadores dos neurotransmissores acima mencionados (dopamina, noradrenalina, serotonina), os quais têm a função de levar de volta estas substâncias que estavam agindo na sinapse. Desta maneira, ela possibilita a oferta de um excesso de neurotransmissores no espaço inter-sináptico à disposição dos receptores pós-sinápticos, fato biológico cuja correlação psicológica é uma sensação de magnificência, euforia, prazer, excitação sexual.

Por este motivo, denomina-se o consumo da cocaína "Sindrome de Popeye", numa analogia dessa droga com o espinafre do conhecido marinheiro das histórias em quadrinhos (11). Uma vez bloqueados estes sítios, a dopamina e outros neurotransmissores específicos não não são recaptados, ficando portanto, "soltos" no cérebro até que a cocaína saia.

Quando um novo impulso nervoso chega, mais neurotransmissor é liberado na sinapse, mas ele se acumula no cérebro por seus sítios recaptadores estarem bloqueados pela cocaína. Acredita-se que a presença anormalmente longa de dopamina no cérebro é que causa os efeitos de prazer associados com o uso da cocaína.

Quando imaginamos que ocorrem cerca de trilhões de trocas neuroquímicas por minuto, fica evidente que o preço pago por viver uma experiência de euforia é alto demais em relação às características que o indivíduo terá que encarar (11). O uso prolongado da cocaína pode fazer com que o cérebro se adpte a ela, de forma que ele começa a depender desta substânica para funcionar normalmente diminuindo os níveis de dopamina no neurônio. Se o indivíduo parar de usar cocaína, já não existe dopamina suficiente nas sinapses e então ele experimenta o oposto do prazer - fadiga, depressão e humor alterado.

Os Efeitos Euforizantes Causados Pelo Uso da Cocaína

Recentemente, cientistas investigaram os efeitos euforizantes da cocaína através de estudos de imagens cerebrais utilizando a tomografia PET (Positron Emission Tomography), um sofisticado método que permite visualizar a função dos neurônios através do seu metabolismo, usando substâncias radioativas. O trabalho foi publicado na revista Nature [1].

Eles descobriram que a cocaína ocupa ou bloqueia os "sítios transportadores de dopamina" nas células cerebrais (conforme dito acima, dopamina é uma substância sintetizada pelas células nervosas que age em certas regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, a motivação).

Os "sítios transportadores de dopamina" levam a dopamina de volta para dentro de certos neurônios, após ela ter dado uma "passeada" pelo cérebro promovendo seus efeitos. Se a cocaina ocupar o mecanismo de transporte da dopamina, esta substância fica "solta" no cérebro até que a cocaína saia, e é justamente a presença anormalmente longa dela no cérebro é que causa os efeitos eufóricos associados com o uso da cocaína. Clique aqui para ver as imagens do PET, comparando um paciente não-adito, como dois aditos à cocaína.

Tanto a dopamina como outras substâncias aumentadas no cérebro podem produzir vasoconstrição e causar lesões. Estas lesões podem incluir hemorragias agudas e infarto no cérebro (zona de morte celular, causada por falta de oxigênio), bem como necrose do miocárdio, podendo levar à morte súbita.

Grávidas que usam cocaína podem afetar seus fetos, levando-os ao nascimento com baixo peso ou risco de rompimento da placenta e até lesões irreversíveis do cérebro, causando deficiências mentais e físicas. Em muitos países, os "bebês da cocaína" são um sério problema de saúde pública, que está se agravando com a ampla disponibilidade do "crack".

Cocaína

Em vermelho, sítios transportadores de dopamina. O PET so mostra os sítios não ocupados pelas drogas

Porque a Cocaína Vicia ?

A dependência à cocaína depende de suas propriedades psicoestimulantes e ação anestésica local. A dopamina é considerada importante no sistema de recompensa do cérebro, e seu aumento pode ser responsável pelo grande potencial de dependência da cocaína .

Um estudo de PET, feito por cientistas da Johns Hopkins University e o National Institute on Drug Abuse (NIDA) nos EUA, descobriu que o vício pela cocaína está diretamente correlacionado a um aumento no cérebro dos receptores para substâncias opióides, como as endorfinas, que são naturais, e drogas de abuso, como a heroína e o ópio [2]. Quanto maior a intensidade do vício, maior esse número de receptores.

Quando os viciados em cocaína que foram testados na pesquisa ficavam um mês longe da droga, em alguns deles o número de receptores voltava ao normal, mas em outros continuava alto. Pode haver uma correlação entre esse fato e a susceptibilidade do drogadito voltar ao vício ou não.

Silvia Helena Cardoso

Renato M.E. Sabbatini

Referências

1. Nature, April 24, 1997
2. Nature Medicine, vol. 2, no. 11, November 1996

Fonte: www.cerebromente.org.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal