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Enxaqueca

 

Enxaqueca ou Migrânea

A enxaqueca ou migrânea é uma dor de cabeça, em geral latejante e unilateral associada em náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, barulho e odores, alterações do sono e depressão.As crises de dor são recorrentes e tendem a ser menos intensas à medida que o paciente fica mais velho.

Tipos

As Enxaquecas são classificadas de acordo com os sintomas que produzem.

As mais comuns são a Enxaqueca sem Aura e a Enxaqueca com Aura. Tipos mais raros são a Enxaqueca basilar. Enxaqueca Oftalmoplégica, Aura visual sem Enxaqueca e Estado Enxaquecoso.

Incidência e Prevalência

A Enxaqueca aflige 24 milhões de pessoas nos Estados unidos da América, podendo ocorrer em qualquer idade, mas geralmente se iniciando nas idades entre 10 e 20 anos e reduzindo a frequencia após os 50. Algumas pessoas sofrem várias crises por mês enquanto outras tem poucas dores de cabeça na sua vida.

A incidência na população feminina pode atingir 18 a 20%. Cerca de 75% dos sofredores de Enxaqueca são mulheres.

Causas

A causa da Enxaqueca é desconhecida.

A condição aparentemente resulta de uma série de reações disfuncionais do sistema nervoso central causadas por mudanças no corpo ou no ambiente.

Há geralmente uma história familiar, sugerindo que a Enxaqueca tenha um fator hereditário.

O paciente mostra uma sensibilidade exagerada a fatores desencadeamtes que produzem inflamação nos vasos sanguineos e nervos ao redor do cérebro, causando a dor.

Os principais fatores desencadeantes da Enxaqueca são:

Álcool (principalmente vinho tinto).
Mudanças ambientais e climáticas.
Alimentos contendo cafeína (café, coca-cola), feniletilamina (chocolate), tiramina (queijos, vinhos), glutamato monossódico (comida chinesa) e nitratos (comida enlatada, hot-dog).
Luminosidade.
Alterações hormonais da mulher (menstruação por exemplo).
Jejum.
Perda ou excesso de sono.
Excesso de medicações analgésicas.
Perfumes e odores fortes.
Estresse e ansiedade.

Sinais e Sintomas

A dor da Enxaqueca é geralmente descrita como latejante ou pulsátil e é intensificada pelas atividades físicas rotineiras, tosse, esforço e abaixar a cabeça.

A Cefaléia costuma ser intensa interferindo com as atividades do dia a dia e pode despertar a pessoa a noite. A crise é debilitante e os pacientes ficam prostrados e esgotados mesmo após a cefaléia ter melhorado. A dor atinge a sua maior intensidade em 1 a 2 horas e gradualmente melhora, mas pode persistir por 24 horas ou mais.

A Enxaqueca costuma se acompanhar de náuseas, vômitos, sensibilidade luz (fotofobia) e sensibilidade aos sons (fonofobia). Mãos, pés podem ficar frios e suados e os odores não usuais ficam intoleráveis.

A Enxaqueca com aura é caracterizada por um fenômeno neurológico (aura) que é percebido por 10 a 30 minutos antes do início da dor de cabeça. Na maioria das vezes é descrita como alterações da visão, como luzes brilhantes ao redor dos objetos ou na periferia do campo visual (chamados escotomas cintilantes), linhas em "zig-zag", imagens onduladas ou pontos escuros. Outros sofrem perda visual temporária. Auras não visuais incluem fraqueza motora, alterações de fala, tonturas, vertigens e formigamentos ou dormência (parestesias) da face, língua e extremidades.

A Enxaqueca sem aura é mais comum e pode ser uni ou bilateral. Cansaço ou alterações do humor podem ser sentidos um dia antes do início da cefaléia.

Na Enxaqueca basilar aparecem sintomas de disfunção no tronco cerebral como vertigens, visão dupla, fala enrolada e incoordenação motora. É mais observada em pacientes jovens.

Aura enxaquecosa sem cefaléia caracteriza-se pela presença das alterações aurais sem o aparecimento de dor de cabeça. Geralmente ocorres em pacientes mais idosos que tiveram Enxaqueca com aura no passado.

A Enxaqueca oftalmoplégica começa com dor no olho e vômitos. A medida que a dor piora aparecem queda da pálpebra (ptose), e paralisia dos movimentos oculares; isso pode persistir por dias ou semanas.

O estado Enxaquecoso é uma complicação em que cefaléia intensa persiste sem melhora por 72 horas ou mais. Pode requerer hospitalização.

Diagnóstico

O diagnóstico da Enxaqueca é baseado na história clínica, análise dos sintomas e exames físico e neurológico.

Exames subsidiários como tomografia computadorizada e Ressonânsea magnética do crânio, Eletroencefalograma e Liquor cefalorraquiano só necessitarão ser executados apenas se houver fortes suspeitas de cefaléia secundária.

Tratamento

O médico deverá avaliar cada caso de Enxaqueca para decidir o tratamento apropriado. Os objetivos são reduzir o número e a intensidade das crises (tratamento profilático) e aliviar e encurtar a duração da dor (tratamento abortivo).

O tratamento profilático deve ser prescrito para pacientes que tenham dores frequentes (três ou mais crises por mês) ou que não respondam ao tratamento abortivo. Deve ser receitado um tipo de medicamento, mas pode ser necessária uma combinação de drogas. Muitos desses medicamentos tem efeitos adversos e quando a cefaléia for controlada devem ser descontinuados, mas geralmente o tempo mínimo de tratamento profilático é de seis meses.

As seguintes drogas podem ser utilizadas:

Betabloqueadores (propranolol, atenolol, metroprolol): são medicações de excelência; produzem queda da frequencia cardíacae da pressão arterial; não devem ser prescritos para pessoas com asma e devem ser usados com cautela em diabéticos. Os efeitos advérsos incluem hipotensão, indisposição gastrintestinal, bradicardia, disfunção sexual; não devem ser usados na lactação.
Anticonvulsivantes (topiramato, ácido valproico, gabapentina) podem ser usados para prevenir a Enxaqueca. Os efeitos adversos são náusea, desconforto gastrintestinal, sedação, toxidade hepática e tremores.
Bloqueadores de canais de cálcio (verapamil, flunarizina, amlodipina) inibem a dilatação arterial e bloqueiam a liberação de serotonina. O verapamil não deve ser usado em pacientes com insuficiência cardíaca ou bloqueio cardíaco. Os efeitos colaterais incluem constipação, rubor, hipotensão, "rash" cutâneo e nauseas.
Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina) bloqueiam a reabsorção da serotonina e são muito eficientes, embora o efeito possa demorar 2 a 3 semanas para ser excelente. Os efeitos adversos são prisão de ventre, boca seca, hipotensão, taquicardia, retenção urinária, disfunção sexual e ganho de peso.
Antidepressivos inibidores seletivos da captação da serotonina (como fluoxetina, paroxetina, sertralina) são melhor tolerados que os antidepressivos tricíclicos mas não são tão eficientes. Seus efeitos colaterais são náusea, insônia, disfunção sexual e perda de apetite.
Metisergida é uma droga muito eficaz mas só deve ser utilizada em quadros rebeldes, porque seu uso prolongado, por mais de 6 meses, pode causar fibrose retroperitional e de outras serosas. Além disso, não deve ser usada em pacientes como doença coronariana.
Outras drogas profilátricas utilizadas são:
pizotifeno, riboflavina (Vitamina B2) piridoxina (vitamina B6), magnésio, tanacetum parthenium, clinidina e ciproheptadina.

Em relação ao tratamento abortivo as seguintes medidas devem ser tomadas:

Dores de cabeça leves podem ser aliviadas apenas com repouso ou sono, em um quarto escuro e silencioso; aplicação de gelo na cabeça ou compressão da artéria temporal do lado da dor também podem provocar alívio temporário.
Muitas Enxaquecas podem melhoras apenas com uso de analgésicos comuns como aspirina, ibuprofeno, dipirona, paracetamol. Devem ser tomados logo após o início da crise, sendo mais eficazes em cefaléias infrequentes. em cefaléias muito frequentes seu uso comum (mais de 4 doses por semana) deve ser evitado (com as drogas profiláticas), pois podem induzir o aparecimento de cefaléias rebote e de cefaléia crõnica diária. Os efeitos adversos da aspirina e do ibuprofeno são principalmente azia, dor epigástrica e sangramento digestivo.
Triptanos são as drogas mais modernas e bem toleradas para alívio da dor da Enxaqueca. Temos o sumatriptano, zolmitriptano, rizatriptano e naratriptano todos disponíveis por via oral. o sumatriptano tem uma apresentação injetável subcutânea e intranasal; o zolmitriptano e o rizatriptano tem apresentações para dissolver na língua. Os efeitos adversos dos triptanos incluem tontura, snolência, rubor, náusea e formigamentos.
Ergotamínicos podem ser usados isoladamente ou associados e analgésicos e à cafeína. Os efeitos colaterais são náuseas, tontura e hipertensão arterial; não devem ser prescritos em pacientes com doença cardíaca, hepática, renal e vascular periférica.

Prevenção

Além das medicações profiláticas a Enxaqueca pode ser previnida evitando os desencadeantes e com manuseio do estresse. Os pacientes devem indentificar os seus fatores desencadeantes para que possam evita-los ou manipula-los.

Os principais desencadeantes da Enxaqueca são a atividade física, fatores emocionais (estresse, ansiedade, depressão), fatores ambientais (mudança de tempo, altitude), alimentos (chocolate p/ ex.) e bebidas (ácool, vinho, café), analgésicos em abuso, fadiga e redução ou excesso de sono.

Tratamentos Alternativos

Técnicas de prevenção do estresse como "biofeedback", hipnose, terapia cognitivo-comportamental, meditação, ioga, exercícios podem ajudar na prevenção da Exaqueca.

Alguns médicos preconizam uma triagem com eliminação de alimentos e ingredientes da dieta para se testar desencadeantes tais como: leite bovino, trigo, chocolate, ovo, laranja, ácido benzóico, queijos, tomate, aspartame, tartarazina (corante alimentar), nitritos (alimentos enlatados) e centeio.

A acupuntura e tratamentos fisioterápicos, como massagens e TENS, podem ser de valida, principalmente quando há componente tensional associado.

Fonte: www.centrodedor.com.br

Enxaqueca

A enxaqueca manifesta-se com uma dor latejante, de média ou forte intensidade, que pode atingir apenas uma parte do crânio, mas que pode estar localizada na nuca ou ser difusa, com duração variável entre poucas horas e três dias. Pode ainda ser antecedida de sintomas visíveis, chamados aura (visão enevoada, aparecimento de relâmpagos de luzes coloridas) e acompanhada de náuseas, vômitos, intolerância à luz (fotofobia) e aos sons (fonofobia). As cefaléias de tipo "enxaqueca" pioram quase sempre com a atividade física, ainda que ligeira, como por exemplo caminhar.

No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, 30 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca e necessitam de tratamento. Destas, 44% não recorrem ao auxílio médico.

Epidemiologistas norte-americanos compararam a qualidade de vida de portadores de enxaqueca com a de pessoas que sofriam de outras doenças crônicas, e chegaram à conclusão que ela provoca tanto prejuízo à qualidade de vida quanto diabetes, artrites e outras doenças debilitantes e incapacitantes. Só perdeu no "ranking" de qualidade de vida para doenças como AIDS em fase ativa e câncer em fase avançada.

Caracterização

A enxaqueca pode ocorrer em qualquer idade, mas, usualmente, começa entre 10 e 30 anos; é mais freqüente em mulheres (18%) do que homens (6%). Não é raro ocorrer remissão espontânea depois dos 50 anos de idade.

A enxaqueca pode ser classificada de dois modos:

Enxaqueca sem aura: Quem sofre desta doença tem normalmente cefaléias (dor de cabeça) que duram de 4 a 72 horas, acompanhadas de náuseas e de um aumento da fotosensibilidade e/ou da fonosensibilidade, que podem recorrer (na prática, ter "recaídas") algumas horas após o fim do efeito do fármaco.
Enxaqueca com aura:
Também conhecida por enxaqueca "clássica", é antecedida por um distúrbio neurológico, caracterizado por alterações dos campos visuais, como o aparecimento perante os olhos de relâmpagos de luzes coloridas e embaçamento da vista.

Por vezes, o campo visual pode estreitar-se, dando a sensação de se estar a olhar por um óculo. Além disso, podem estar presentes perturbações neurológicas, como formigamento ou entorpecimento das mãos e dos pés. Geralmente, os sintomas desenvolvem-se gradualmente num período de 5 a 20 minutos, não durando normalmente mais de 60 minutos. Na hora que antecede o aparecimento dos sintomas neurológicos da aura, surgem freqüentemente cefaléias, náuseas, fotofobia.

Fisiopatologia

O mecanismo da origem da cefaléia (dor de cabeça) possui características desconhecidas. Atualmente, considera-se a cefaléia uma verdadeira doença do sistema nervoso, ou seja, uma série de comunicações erradas entre grupos de neurônios (as células do cérebro), que determinam contrações e dilatações dolorosas dos vasos sanguíneos da cabeça. De fato, na origem da dor estão implicados os vasos sanguíneos que se encontram no exterior do cérebro. Estes vasos, no momento da crise, dilatam-se e estreitam-se, estimulando as terminações nervosas na zona (em especial o nervo trigêmeo) e libertando substâncias que provocam dor.

Causas

Não se sabe ainda, a verdadeira e principal causa desencadeante da enxaqueca.

Considera-se o estresse, as emoções, as tensões, as alterações climáticas, as oscilações hormonais características do ciclo menstrual fatores que acentuam e favorecem o aparecimento da cefaléia, atingindo pessoas que já são predispostas.

Predisposição física

O indivíduo que sofre de enxaqueca é uma pessoa mais sensível ao estímulo e que se adapta mal às mudanças do ritmo de vida e das condições do ambiente (luz-sombra, vigília-sono, variações metereológicas, etc). Cientificamente, tal hipersensibilidade está condicionada, provavelmente, ao mau funcionamento do mecanismo que regula as sensações dolorosas ao nível do cérebro.

O papel da serotonina

A ciência moderna demonstrou que a serotonina, um neurotransmissor, cuja função é transmitir os impulsos nervosos de uma célula para outra do cérebro, pode desencadear determinadas respostas nas células cerebrais, que podem ter um efeito nas crises de enxaqueca.

Esta consideração teve início quando se descobriu que a quantidade de serotonina na urina de um doente aumentava freqüentemente durante uma crise. Em seguida, notou-se que no momento em que se verificava um aumento dos níveis de serotonina na urina, o seu nível no sangue diminuía. Estas e outras observações levaram à formulação da teoria de que as cefaléias poderiam estar associadas a uma diminuição da quantidade de serotonina que chega ao cérebro.

A enxaqueca menstrual

Nas mulheres, o aparecimento da enxaqueca depende muito da regulação dos níveis hormonais. O mal-estar está associado ao ciclo menstrual (normalmente entre dois dias antes a dois dias depois do 28º dia) coincidindo também, em alguns casos, com a ovulação. O motivo reside na brusca diminuição do nível de estrogênio que se registra antes do fluxo menstrual e que impede a libertação das endorfinas, uma substância produzida pelo cérebro e que funciona como analgésico, favorecendo a produção de prostaglandina, a substância envolvida na manifestação da dor. Em contrapartida, a dor desaparece quando os hormônios estabilizam. Isto sucede quer na pós-menopausa (quando o nível de estrogênio diminui), quer na gravidez, quando o nível de estrogênio, que é elevado, se mantém constante durante diversos meses.

Contraceptivos orais

Também os contraceptivos orais podem ter diversos efeitos sobre a enxaqueca; geralmente, se uma mulher já sofre desta perturbação é provável que piore com a pílula. No entanto, em alguns casos, a administração do contraceptivo melhora os sintomas nas mulheres que sofrem de enxaqueca. Algumas mulheres queixam-se de acentuação das cefaléias nos dias da suspensão da pílula, nos quais se verifica uma brusca diminuição do nível de estrogênio.

A hipótese do magnésio

Na gênese da enxaqueca parece também estar envolvida uma carência em magnésio. Segundo estudos recentes, a falta neste elemento ao nível do cérebro pode contribuir para aumentar o limiar de excitabilidade dos estímulos, assim como pode explicar a vasoconstrição que precede a vasodilatação dolorosa. Com base nestes dados estão a fazer-se algumas investigações dirigidas ao estudo de uma terapêutica à base de magnésio para diminuir as crises.

Óxido nítrico

Finalmente, a vasodilatação que se verifica durante a crise de enxaqueca pode ser provocada por um excesso de óxido nítrico, um gás que se derrama no interior dos vasos cerebrais, provocando a sua dilatação e que está também envolvido em numerosas funções do organismo (entre as quais a regulação do tônus muscular que circunda cada artéria). No caso da cefaléia, esta formação de gás leva à compressão dos nervos cranianos, provocando a dor.

Outros fatores desencadeantes:

Psicológicos (emoções, stress, depressão, tensão, ansiedade)
Endógenos (insônias, sono profundo, sono prolongado, fadiga física, hipertensão arterial, febre, problemas hormonais)
Alimentares (alimentos e bebidas, principalmente o chocolate, cítricos, lacticínios, álcool, chá, café, trigo, vinho, bebidas alcoólicas, embutidos, conservantes, frutos do mar…)
Farmacológicos (estrógenos, vasodilatadores, contraceptivos orais…)
Ambientais:
exposição ao sol e ao frio, variações climáticas, cheiros ativos, ruídos, luzes fortes, altitudes…)
Tabaco
Traumatismos
Atividade física intensa

Diagnóstico

O diagnóstico da enxaqueca é realizado mediante a uma consulta médica. A terapêutica das cefaléias é uma das mais difíceis de prescrever. Compete ao médico recolher o maior número de informação possível sobre a história familiar, a freqüência e duração das crises, a localização da dor e as suas características, a presença de outros eventuais sintomas que antecedam ou estejam associados às crises. O médico deve ainda examinar o doente do ponto de vista geral e neurológico e, se suspeitar que as cefaléias podem ocultar outras perturbações, requisitar exames específicos.

Teste auxiliar no diagnóstico da enxaqueca:

A dor de cabeça é mais intensa em apenas um lado da cabeça?
Tem característica latejante?
Aumenta com a atividade física?
É recorrente em crises que duram entre 4 a 72 horas?
Quando você sente a dor, sente aversão a luz e ao som?
Sente crises de náuseas e vômitos?

Duas ou mais respostas SIM indicam possibilidade real de se sofrer de enxaqueca.

Enxaqueca e Alimentação

Diversos alimentos podem provocar Enxaqueca.

De modo que deve-se evitar os seguintes alimentos:

Queijos (exceto queijo fresco)
Chocolate
Café em excesso
Qualquer tipo de álcool; qualquer alimento fermentado
Alimentos contendo aspartame (que é um adoçante artificial)
Alimentos contendo glutamato monossódico (que serve para enriquecer o sabor, sendo muito usado na cozinha chinesa, e que leva gente predisposta a ter uma Enxaqueca denominada "síndrome do restaurante chinês")
Frutas cítricas, embutidos.

Toda comida em conserva deve, em geral, ser evitada pelos portadores de Enxaqueca.

Outro fator desencadeante da Enxaqueca é a hipoglicemia (baixa do açúcar no sangue). Portanto indivíduos predispostos não devem permanecer longos períodos em jejum.

Esses procedimentos não cessam com a Enxaqueca, apenas podem tornar as crises menos freqüentes. A Enxaqueca é um erro bioquímico do funcionamento do cérebro, levando a uma predisposição à dor de cabeça mediante uma enorme diversidade de estímulos - um deles, a alimentação.

De quatro vítimas da Enxaqueca, uma associa o início da dor a comidas e bebidas específicas. Não existe uma lista fechada de alimentos que levam às crises, já que se trata de uma questão de sensibilidade individual. Porém, algumas comidas e bebidas, costumam ser mais freqüentemente relatadas pelos pacientes.

ASPARTAME Por quê? Por quê? Depois que o aspartame é eliminado pelo organismo, as veias e as artérias do cérebro se dilatam, fenômeno relacionado ao início da enxaqueca. Além disso, há evidências de que o aspartame aja diretamente nos centros cerebrais associados à dor.
CHOCOLATE Por quê? O grande inimigo das vítimas de enxaqueca é o chocolate preto. Ele é rico em beta-feniletilamina, uma substância vasoconstritora.Em resposta essa vaconstrição, o organismo promove a dilatação dos vasos sanguíneos, o que deflagra a crise. A dor tende a aparecer entre 3 e 27 horas depois da ingestão de chocolate.
EMBUTIDOS    (salsicha, lingüiça  e salame, entre outros) Por quê? A cor avermelhada desses alimentos é obtida por intermédio de um composto chamado nitrito de sódio. Meia hora depois do consumo de uma lingüiça, por exemplo, o nitrito de sódio ativa o sistema nervoso central, que reage a essa ativação com a dilatação dos vasos sanguíneos cerebrais.
FRUTAS CÍTRICAS (Especialmente laranja, limão e abacaxi) Por quê? Uma substância encontrada em grandes quantidades nessas frutas, a octopamina, promove a contração dos vasos cerebrais, levando-os, em seguida, a dilatar-se. Esse processo pode resultar em dor.
QUEIJOS  ENVELHECIDOS    (camembert, brie, roquefort e mussarela,      entre outros) Por quê? A tiramina, composto encontrado em grandes quantidades nos queijos envelhecidos, provoca a contração dos vasos sanguíneos. Passado o efeito da substância, as veias e as artérias se dilatam.E a vasoconstrição é um dos fenômenos que se relacionam à enxaqueca.
VINHO TINTO Por quê? Os compostos encontrados na casca da uva vermelha são um santo remédio para o coração. Chamados flavanóides, além de evitar o depósito de gordura na parede das artérias coronárias, eles são um potente vasodilatador. É o que faz dessas substâncias um veneno para os enxaquecosos. De todos os vinhos tintos, os feitos com a uva carbernet sauvignon são os que mais contêm flavonóides.

Profilaxia

Recomenda-se um tratamento não farmacológico baseado na eliminação dos fatores desencadeantes. No caso de dor precipitada por estresse emocional por conflito psicológico, investigar circunstâncias familiares e sociais. Lembrando que, como toda doença crônica, a enxaqueca envolve inicialmente uma boa relação médico-paciente.

Principais medidas a serem tomadas:

Interromper contraceptivos
Eliminar alimentos e medicamentos que efetivamente provocam crises dolorosas
Evitar longos períodos entre as refeições
Dormir regularmente
Controlar distúrbios psicológicos como raiva, hostilidade, depressão, ansiedade e compulsões.

Tratamento

Existem dois tipos convencionais de tratamento: o sintomático e o preventivo.

O tratamento sintomático, como a própria palavra diz, trata o sintoma: ou seja, quando o indivíduo apresenta dor, faz-se tratamento sintomático para que ele desapareça, tomando-se remédios que tiram a dor.

O tratamento clínico preventivo visa corrigir o distúrbio bioquímico mencionado, através de remédios que atuam na “raiz” fazendo com que o cérebro passe a produzir e utilizar a quantidade correta das substâncias químicas destinadas a manter o indivíduo isento de enxaqueca. Um acompanhamento psicológico e nutricional também é eficaz no tratamento.

Fonte: www.pfizer.pt

Enxaqueca

A enxaqueca é uma doença muito mais comum do que se imagina. Estudos mostram que chega a afetar cerca de 20% das mulheres e 5 a 10% da população masculina.

Trata-se de uma doença crônica de alto custo pessoal, social e econômico. Entretanto, é freqüentemente tratada como uma simples dor de cabeça, não chegando a receber os medicamentos específicos, mais eficazes, já disponíveis no país.

A Sociedade Brasileira de Cefaléia preparou este material com o objetivo de facilitar o reconhecimento da doença, levando eventuais pacientes a procurar assistência médica para confirmação do diagnóstico. Além disso, para indivíduos sabidamente enxaquecosos, são apresentadas informações que podem ajudar a diminuir a freqüência das crises e o convívio com a doença.

O que é enxaqueca?

Enxaqueca é uma doença neurovascular que se caracteriza por crises repetidas de dor de cabeça que podem ocorrer com uma freqüência bastante variável: enquanto alguns pacientes apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês.

Uma crise típica de enxaqueca é reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, piora com qualquer atividade física e está freqüentemente associada náusea, vômitos e desconforto com a exposição à luz e sons altos, podendo durar até 72 h. Um conjunto de sintomas neurológicos, conhecido pelo nome de aura, costuma acompanhar o quadro de dor. Portanto, não se trata de uma simples dor de cabeça.

Como reconhecer a enxaqueca?

Nem sempre o paciente apresenta todos os sintomas típicos de enxaqueca. Entretanto, o médico é capaz de reconhecer a enxaqueca pelo quadro clínico. De qualquer forma, a avaliação médica é fundamental para excluir outras causas de dor de cabeça antes de dar início ao tratamento.

O que é aura?

Aura é o nome que se dá ao conjunto de sintomas neurológicos que, nas crises de enxaqueca, se apresentam geralmente um pouco antes da dor de cabeça. A aura visual é a mais comum. Pode se apresentar como flashes de luz, como falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague. Outros sintomas neurológicos são mais raros.

O que são fatores desencadeantes?

São estímulos capazes de determinar o surgimento de uma crise de enxaqueca nos indivíduos predispostos.

Para cada paciente os fatores desencadeantes variam, mas entre eles podemos destacar:

Estresse
Sono prolongado
Jejum
Traumas cranianos
Ingestão de certos alimentos como chocolate, laranja, comidas gordurosas e lácteas
Privação da cafeína, nos indivíduos que consomem grandes quantidades de café durante a semana e não repetem a ingestão durante o fim de semana
Uso de medicamentos vasodilatadores
Exposição a ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas
Mudanças súbitas da pressão atmosférica, como as experimentadas nos vôos em grandes altitudes
Alterações climáticas
Exercícios intensos
Queda dos níveis hormonais que ocorre antes da menstruação.

É possível evitar as crises?

Sim. A identificação de possíveis fatores desencadeantes das crises é fundamental para obter um melhor controle da doença.

Além disso, os pacientes podem tomar alguns cuidados:

Distribuir adequadamente a carga de trabalho, evitando acúmulo no escritório e o estresse de levar trabalho para casa
Evitar estender o sono além do horário usual de acordar
Evitar fadiga excessiva
Fazer as refeições em horários regulares e não “pular” refeições
Eliminar os alimentos identificados como desencadeantes das crises
Reduzir a ingestão de café e chá
Evitar o uso de analgésicos sem supervisão médica
Evitar exposição a luzes, ruídos e cheiros fortes
Não se exercitar em dias muito quentes.

Como são tratadas as crises?

As crises podem ser classificadas conforme o grau de comprometimento das atividades cotidianas experimentado pelo paciente:

Leves: não interferem com as atividades.
Moderadas:
interferem com as atividades.
Graves:
incapacitam o paciente para suas atividades.

As crises leves muitas vezes se resolvem com medidas simples como sono ou repouso. Já as crises moderadas e graves devem receber tratamento medicamentoso, orientado por um médico.

O que são comorbidades ou condições coexistentes?

A enxaqueca pode coexistir com outros problemas de saúde. Como é uma doença muito freqüente, algumas dessas associações decorrem de simples coincidência. Por outro lado, algumas condições associam-se à enxaqueca mais freqüentemente do que seria de se esperar pelo simples acaso, configurando o que se denomina comorbidade.

A depressão, por exemplo, é comórbida com a enxaqueca.

Alguns pesquisadores acreditam que alterações na química cerebral, incluindo importantes neurotransmissores como a serotonina, poderiam ser o fator comum entre a enxaqueca e as comorbidades.

Por que diagnosticar comorbidades?

Conhecer e diagnosticar a presença da enxaqueca e de condições coexistentes são passos importantes para o sucesso do tratamento da enxaqueca.

Para os sofredores de enxaqueca é importante:

Reconhecer que há duas ou mais condições.
Aceitar a necessidade de tratamento dessas condições.
Trabalhar com o médico procurando desenvolver a melhor estratégia de tratamento que se ajuste com seu estilo de vida.
Entender que tratar mais de uma condição simultaneamente é complexo e requer maior atenção do médico, mais tempo e cuidado.

Fonte: www.sbce.med.br

Enxaqueca

Dor de cabeça forte e latejante, que aparece quando as artérias do crânio se dilatam. As crises podem durar de três horas a três dias.

Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de enxaqueca. É um mal que atinge entre 10% e 15% da população adulta. Embora os homens sejam vítimas comuns, as mulheres lideram o ranking dos principais atingidos representam 60% dos casos. As primeiras manifestações de doença aparecem na adolescência - até os 20 anos de idade.

A enxaqueca se apresenta de duas formas. A primeira, conhecida como clássica, tem aviso prévio. A vítima, que conhece bem os sintomas que antecedem a dor, se prepara para ter um dia dificil.

A segunda forma é a mais comum. Os sintomas aparerecem sem aviso e prejudicam a produtividade da pessoa enquanto durar a crise.

Sintomas

Normalmente, o sintoma comum a todos que sofrem enxaqueca é a forte dor de cabeça. Mas também é freqüente a pessoa sentir náuseas, vomitar, ter vertigens e delírios. Quando a enxaqueca se apresenta em sua fase crônica, os objetos ficam desfocados e, muitas vezes, como distorção de suas formas e tamanhos.

Em cerca de 10% dos caso, a crise de enxaqueca é precedida por uma série de sintomas.

Entre eles: visão de luzes, cores brilhantes, movimento de objetos, redução do campo visual, mancha cega (como se tivesse algo impedindo a visão completa), sensação de adormecimento por todo o corpo e percepção aparente de barulhos e cheiros.

A intolerância à luz e aos sons é um sintoma muito comum entre as vítimas de enxaqueca. Além da falta de apetite ou, o contrário, o aparecimento de um súbito desejo de ingerir determinados alimentos.

Tem mais: a enxaqueca pode dar muita sede, sonolência, depressão nervosa, irritação, bocejos repetidos, dificuldade de memória e tensão.

Causas

Muitas vezes a primeira crise de enxaqueca aparece na adolescência por causa da alteração hormonal do organismo. Quando as mulheres estão perto de menstruar, é comum virem dores muito fortes de cabeça.

O consumo muito forte de cafeína (cafés fortes e certos tipos de chá) e o fumo constante podem ser fatores que desencadeiam crises de enxaqueca. O exercício físico durante a crise não alivia a situação.

O barulho exagerado não só piora a dor de cabeça como também a provoca. Ficar durante muito tempo exposto a sons muito altos (como em shows) pode facilitar o aparecimento da dor.

Muitos alimentos e bebidas podem provocar uma crise de enxaqueca.

Entre eles: chocolates, vinho tinto, carne vermelha, creme de leite e queijos (exceto os frescos), amendoim, feijão, nozes, azeitonas.

Entre as causas mais aceitas da enxaqueca, está a alteração dos níveis de serotonina, uma substância produzida pelo próprio organismo que provoca a dilatação dos vasos do cérebro.

Prevenção

Uma boa dica é registrar a hora, a data e os estímulos que desencadeiam a dor (como cheiros, luzes, sons, bebidas e alimentos). Também vale manter um esquema regular de horário para as refeições. Se o tempo entre uma refeição e outra for muito longo, a enxaqueca pode manifestar-se. O jejum ou a alimentação excessiva podem provocar as crises. Evitar sobrecarga de atividades.

Não tomar anticoncepcionais orais, que comprovadamente desencadeiam a dor. Praticar exercício aeróbicos, como natação e caminhadas, é importante para evitar as dores, mas não para aliviá-las na hora da crise aguda. Os remédios que existem no mercado são eficazes para prevenir a dor. Mas ainda está em estudos o medicamento capaz de aliviar uma crise de enxaqueca no momento em que ela se manifesta.

Fonte: www.santalucia.com.br

Enxaqueca

A dor de cabeça é uma das queixas mais freqüentes na prática médica do dia-a-dia e constitui um importante problema de saúde pública no mundo inteiro.

Estima-se que mais da metade da população apresenta algum tipo de cefaléia em alguma fase da vida. Esse tipo de queixa constitui uma das causas mais freqüentes de absenteísmo, de sorte que seu impacto socioeconômico é muito grande.

Nas últimas décadas houve avanços significativos no estudo das cefaléias, principalmente no que tange a sua sistematização, aos mecanismos fisiopatológicos, fatores etiológicos e à abordagem terapêutica. No presente, mais de 150 tipos diferentes de cefaléia são reconhecidos e o capítulo do diagnóstico diferencial dessa queixa é um dos mais ricos da medicina.

As cefaléias podem ser desdobradas em primárias e secundárias, sendo a enxaqueca ( ou migrânea) uma das cefaléias primárias mais freqüentes.

Conceito

A enxaqueca é uma forma de cefaléia crônica primária que pode ser definida como uma reação neurovascular anormal que ocorre num organismo geneticamente vulnerável e que se exterioriza, clinicamente, por episódios recorrentes de cefaléia e manifestações associadas que geralmente dependem de fatores desencadeantes.

Essa definição, embora incompleta, tem o mérito de incorporar dois fatores fundamentais da enxaqueca: o endógeno(genético) e o exógeno(ambiental).

Quando ocorre a conjugação desses fatores pode exteriorizar-se a crise enxaquecosa.

Embora a enxaqueca seja um quadro crítico, em certos pacientes ela pode ser mais abrangente configurando o chamado episódio enxaquecoso que evolui em cinco fases: sintomas premonitórios, aura, fase álgica(cefaléia e manifestações associadas), resolução da fase álgica e quadro pós-crítico ou de recuperação. A crise simplesmente resuma-se à aura, à fase álgica e à fase de resolução.

O caráter genético da enxaqueca é inquestionável embora em muitos casos seja ainda impreciso.

O histórico familiar da enxaqueca muitas vezes constitui um pré-requisito para o diagnóstico. A freqüência do quadro enxaquecoso em algumas famílias sugere uma transmissão do tipo dominante.

A freqüência da enxaqueca em gêmeos idênticos é maior do que em gêmeos fraternos. Algumas formas de enxaqueca, como a enxaqueca hemiplégica familiar (EHF), têm alguns aspectos genéticos já bem definidos. Em 50% a 60% das famílias estão envolvidos um gene denominado CACNA 1 A ( alfa 1 A subunidade P/Q de um canal de cálcio voltagem dependente) mapeado no cromossomo 19.

Em algumas doenças, como a MELAS e o CADASIL, nas quais o quadro enxaquecoso pode estar associado, padrões genéticos bem definidos já estão descritos.

Algumas formas de enxaqueca não têm um padrão genético estabelecido e podem obedecer a mecanismos multifatoriais e dependem de uma heterogeneidade genética.

Os fatores exógenos ou ambientais podem atuar como desencadeantes da crise.

Eles são diversificados e entre os principais podem ser mencionados: distúrbios emocionais (ansiedade, depressão , irritabilidade...), modificações do ciclo vigília-sono ( excesso ou privação de sono), ingestão de determinados alimentos (chocolate, queijos maturados, produtos defumados, uso de glutamato monossódico, como tempero, presença d conservantes químicos em certos alimentos), ingestão de bebidas alcoólicas ( principalmente vinho tinto), jejum prolongado, modificações hormonais ( menstruação, uso de anticoncepcionais, reposição hormonal), exposição a odores fortes e penetrantes(perfumes, gasolina, creolina...), exposição a estímulos luminosos intensos e/ou intermitentes, exercícios físicos intensos ou prática esportiva, viagens aéreas longas, altitudes elevadas, movimentos de aceleração da cabeça e outros tantos. A importância de alguns desses fatores pode ser superestimada pelo paciente, razão pela qual eles devem ser avaliados com muita prudência e juízo crítico.

Idade, sexo e freqüência

A enxaqueca costuma ter início na infância, adolescência ou nos primórdios da idade adulta, embora possa ocorrer em períodos mais tardios da vida. O pico de prevalência é atingido entre os 30 e 45 anos. No período pré-pubertário há ligeira predominância nos meninos, entretanto, após esse período, há nítida predominância no sexo feminino. A enxaqueca é altamente prevalente e estima-se que atinja 12% da população, sendo mais freqüente na mulher na razão de 3:1.

Formas clínicas

A International Headache Society (IHS) reconhece vários subtipos de enxaqueca (Tabela 1), sendo os dois principais a enxaqueca sem aura e a enxaqueca com aura.

Enxaqueca sem aura
Enxaqueca com aura
Enxaqueca com aura típica
Enxaqueca com aura prolongada
Enxaqueca hemiplégica familiar
Enxaqueca basilar
Enxaqueca com aura sem cefaléia
Enxaqueca com aura de instalação aguda
Enxaqueca oftalmoplégica
Enxaqueca retiniana
Síndromes periódicas da infância Vertigem paroxística benigna da infância
Hemiplegia alternante da infância
Complicações da enxaqueca Estado enxaquecoso
Infarto enxaquecoso
Desordem enxaquecosa não
Não preenchendo os critérios anteriores

Quadro clínico

A enxaqueca sem aura é a mais freqüente na prática clínica e representa aproximadamente 70% das formas apresentadas. Pode ser definida como cefaléia idiopática, recorrente, manifestando-se por crises com duração de 4 a 72 horas. Do ponto de vista clínico, a dor costuma apresentar, localização unilateral, qualidade pulsátil, intensidade variável (fraca, moderada, forte, muito forte), sendo exacerbada pelas atividades físicas de rotina e costumam fazer parte da crise náusea e/ou vômitos, fotofobia e fonofobia. Os critérios para a caracterização da crise enxaquecosa exigem a presença de pelo menos uma das manifestações associadas (náusea, vômito, fotofobia, fonofobia). O diagnóstico de enxaqueca exige que o paciente tenha no mínimo, cinco crises que preencham os critérios considerados.

A enxaqueca com aura é menos freqüente e representa aproximadamente de20% a 30% das formas clínicas de enxaqueca. Essa forma é caracterizada pela presença de aura- exterioriza-se por manifestações neurológicas reversíveis que sinalizam comprometimento do córtex cerebral ou do tronco encefálico. A aura costuma durar de 5 a 20 minutos, mas pode chegar a uma hora. A crise enxaquecosa tem início com a aura (precedida ou não por uma fase prodrômica) e sucedida ou interpenetrada pela fase álgica, que se instala nos minutos subseqüentes, geralmente de 15 a 20 minutos após o início da aura. A aura pode ser visual (a mais freqüente), sensitiva, motora ou ser traduzida por distúrbios de linguagem. Com certa freqüência as auras são mistas.

Para se firmar o diagnóstico de enxaqueca com aura é preciso que o paciente apresente, pelo menos, duas crises que preencham esses critérios.

Habitualmente, a fase álgica desse tipo de enxaqueca é mais curta: 4 a 6 horas, podendo, entretanto, ser prolongada e atingir 72 horas. Alguns enxaquecosos podem apresentar as duas formas clínicas.

Diagnóstico

O diagnóstico da enxaqueca é clínico, não havendo marcadores biológicos para confirmá-lo. Mesmo outros exames complementares (registros gráficos, exames de imagem ou angiografia cerebral) não contribuem para firmar o diagnóstico, sendo, entretanto, úteis para o descarte de patologias estruturais que provocam cefaléia semelhante a enxaqueca.A avaliação de um paciente com cefaléia depende fundamentalmente de uma história cuidadosa e de exame clínico pormenorizado portanto é imprescindível a Anamnese , que é uma palavra derivada do grego e significa nova lembrança.

Descrita assim por Alvan Feinstein : “ A Anamnese , o procedimento mais sofisticado da medicina é uma técnica de investigação extraordinária , em pouquíssimas outras formas de pesquisa científica o objeto observado fala.”

O diagnóstico diferencial da enxaqueca deve ser feito com outras cefaléias primárias: cefaléia tipo tensional episódica, cefaléia em salvas, hemicrania contínua ,etc.

Particularmente na enxaqueca com aura deve ser considerado o diagnóstico diferencial com manifestações epilépticas e com os ataques isquêmicos transitórios.

Tratamento

O tratamento desse tipo de cefaléia deve ser personalizado: isso significa que devemos tratar o enxaquecoso e não a enxaqueca. O manejo terapêutico desse doente requer uma abordagem abrangente, levando em conta seu perfil psicológico, seus hábitos de vida, a presença de fatores desencadeantes, o tipo de crise e a sua freqüência, duração e intensidade. É importante considerar no tratamento as medidas gerais e as medidas farmacológicas. Deve-se explicar ao paciente, em termos acessíveis, o que é a enxaqueca e o que pode ser feita par tratá-la. Evitar fatores desencadeantes, desde que detectados, é muito importante no êxito do tratamento.

O tratamento farmacológico do enxaquecoso deve ser feito sempre por médico, entretanto, somente 60% dos pacientes procuram auxílio especializado e muitos apelam para a automedicação ou aceitam a recomendação do balconista da farmácia ou de um vizinho ou de um colega de trabalho, também sofredor do mesmo mal.

Os riscos desse comportamento são óbvios: efeitos adversos das drogas, cefaléia crônica diária pelo uso regular de analgésicos e anão realização do tratamento profilático.

O tratamento farmacológico pode ser desdobrado em sintomático (tratamento da crise) e profilático.

O automanejo das crises, fracas ou moderadas é possível por meio de certos procedimentos, entretanto, nas fortes ou muito fortes, prolongadas ou de recorrência muito freqüente, o tratamento farmacológico de impõe.

Os recursos farmacológicos incluem medicamentos não-específicos (analgésicos comuns, analgésicos narcóticos, antiinflamatórios não-esteroidais), medicamentos específicos (derivados ergóticos) e medicamentos específicos e seletivos ( triptanos). Com exceção dos triptanos, aos demais medicamentos devem se associar drogas adjuvantes ( metoclopramida, domperidona, cafeína), com o objetivo de combater a náusea e o vômito e de melhorar a absorção gástrica.

O tratamento crítico da enxaqueca requer algumas orientações que devem ser repassadas ao paciente. O uso de analgésico deve ser feito no início da crise, comumente associado a drogas gastrocinéticas e antieméticas. Se sintomas como náusea e/ou vômito são de instalação precoce nas crises, devemos evitar as drogas de apresentação oral e utilizar formas alternativas de apresentação ( supositório, spray nasal , ampolas, comprimidos sublinguais ou disco liofilizado).

Nas formas fracas e moderadas dá-se preferência a analgésicos comuns (ácidos acetilsalicílico, paracetamol, dipirona), aos antiinflamatórios não-esteroidais (naproxeno sódico, ibuprofeno, diclofenaco...)e ao isometepteno. Os analgésicos narcóticos (codeína, derivados da morfina) devem ser evitados, mas poderão ser utilizados na gestante enxaquecosa e como medicação de resgate. Nas crises fortes ou muito fortes, ou quando o pico de dor é rapidamente alcançado, deve-se lançar mão de drogas mais potentes no combate à dor ( derivados ergóticos, triptanos). Deve-se sempre respeitar as contra-indicações aos medicamentos antienxaquecosos.

O tratamento profilático deve ser feito tendo em mira vários objetivos: aliviar o paciente do sofrimento e com isso melhorar a sua qualidade de vida; evitar a sua incapacidade temporária (física e intelectiva) e evitar o uso prolongado e, às vezes, abusivo de analgésicos, que além de efeitos adversos (potencialmente perigosos) podem induzir um quadro de cefaléia crônica diária.

Os critérios fundamentais para a instituição do tratamento profilático são de três ordens: freqüência, intensidade e duração das crises. A conduta preconizada para iniciar esse tipo de tratamento é a ocorrência de, pelo menos, uma a duas crises/mês, entretanto, crises de longa duração ( dois a três dias) e de grande intensidade podem justificar um tratamento de manutenção, mesmo com crises mais espaçadas.

As drogas profiláticas de primeira escolha são os bloqueadores de canal de cálcio, os betabloqueadores e os antidepressivos tricíclicos; também são eficazes o maleato de metisergida, o pizotifeno e o divalproato de sódio e o Topiramato. Das cinco classes dos bloqueadores de canal de cálcio, o único comprovadamente eficaz é a flunarizina e dos bloqueadores beta- adrenérgicos, o mais eficaz é o propranolol.

Os inibidores de MAO são também eficazes, mas, em virtude de seus efeitos colaterais e interações medicamentosas e/ou alimentares, são pouco usados. Outras drogas são de baixa eficácia ou de eficácia duvidosa (verapamil, fluoxetina, ciproeptadina, gabapentina, etc.). O toxina botulínica vem sendo avaliada no tratamento profilático da enxaqueca.

O tratamento profilático deve ser feito, na medida do possível, em regime de monoterapia e excepcionalmente com drogas associadas. A estratégia é tratar o paciente de modo intermitente, com períodos de “cura” de 6 a 12 meses ou mais.

Alerta

As informações contidas neste site não substituem o aconselhamento médico. Sempre procure seu médico antes de iniciar qualquer tratamento ou quando tiver qualquer dúvida acerca de uma condição clínica. Nenhuma das informações disponibilizadas por este serviço tem a finalidade da realização de diagnósticos ou orientação de tratamentos.

Fonte: www.cente.med.br

Enxaqueca

O que é?

A enxaqueca, também chamada migrânia, é uma entidade clínica que acompanha o homem, através dos registros médicos históricos, há pelo menos dois mil anos, e acomete cerca de 5% da população mundial. Cefaléia do tipo pulsátil, com variação de intensidade, duração de poucas horas até cerca de dois dias, configura uma manifestação periódica, geralmente unilateral, ou seja, comprometendo um lado da cabeça, e pode ser acompanhada de outros sintomas como náusea, vômitos, tonturas, alterações visuais entre outras. Costuma aparecer na infância, adolescência ou no adulto jovem, e evolui na maioria dos casos com diminuição de sua expressão sintomática com o avanço da idade.

A enxaqueca tem uma apresentação uniforme?

A enxaqueca não se apresenta de modo uniforme, mas bastante variável, tanto em relação à intensidade e localização da dor, quanto ao conjunto geral dos sintomas. Cerca de um quinto dos pacientes com enxaqueca, tem o que denominamos "aura"; um cortejo sintomático que pode incluir alterações visuais, tonturas, vertigens, hipersensibilidade ao som, luz, odores, sabores, náuseas, vômitos, entre outras. Estes usualmente aparecem na primeira hora antes da crise dolorosa, ou concomitante a mesma. Em alguns casos, estes sintomas podem suplantar em importância a própria dor, cabendo então a denominação de equivalente enxaquecoso. Outros sintomas como sensação de fadiga, indisposição, irritabilidade, alterações de humor, diminuição da concentração, para destacar alguns, podem aparecer com maior antecedência, de horas ou dias, nos indivíduos que apresentam aura, bem como nos que não a têm. Mesmo em um único indivíduo com enxaqueca, os sintomas não obrigatoriamente se repetem da mesma forma em todas as crises.

Qual o mecanismo fisiopatológico da crise de enxaqueca?

Não é de conhecimento exato. Várias teorias permearam a literatura médica ao longo do tempo. Em nossos dias, a hipótese vascular, mais aceita, repousa sobre uma contratura, com diminuição do calibre das artérias (vasoconstricção), levando a uma diminuição do fluxo sanguíneo encefálico (oligoemia), na primeira fase, onde pode acontecer a aura. Segue-se a esta, uma fase de relaxamento, com o aumento do calibre (vasodilatação), e consequente aumento do fluxo sanguíneo encefálico, fase dolorosa. Uma alteração primária da vasculatura, ou uma desordem do metabolismo, que participa da regulação dos calibre dos vasos, podem estar por trás deste fenômeno.

Quais os fatores predisponentes e precipitantes?

Como mais importante fator predisponente, podemos citar a presença de outras pessoas com enxaqueca na família; relação positiva em cerca de 60 a 80% dos casos. Em relação ao gênero, as mulheres são acometidas cerca de três vezes mais do que os homens. Vários são os fatores precipitantes das crises de enxaqueca, e distintos de caso para caso. Nas mulheres, sabidamente os fatores hormonais são importantes, sendo precipitadas as crises nos períodos mentruais e no climatério. Fatores psíquicos como stress e ansiedade, também se alinham ao grupo. Alterações do sono, tanto a privação quanto o excesso, fatores alimentares, desde o jejum prolongado até alguns tipos de alimentos específicos, como os queijos, chocolates, frios, para citar alguns, além de alterações ambientais, como exemplo alterações barométricas bruscas, entre outros, são fatores que podem precipitar uma crise de enxaqueca.

Como se faz o diagnóstico da enxaqueca?

O diagnóstico da enxaqueca deve sempre ser concebido por um médico, através de uma história clínica detalhada, e um exame físico aprofundado. Este é um diagnóstico fundamentalmente clínico. Algumas vezes, no entanto, se faz necessária a realização de exames complementares. Estes servem para investigar outras alterações clínicas, que podem, em determinado momento, mimetizar a enxaqueca, como por exemplo distúrbios tireoideanos, da pressão arterial, alterações anatômicas dos vasos cerebrais, entre outras. Não há exame de rotina, laboratorial ou de imagem, que configure alteração confirmatória característica do diagnóstico da enxaqueca.

Existe tratamento para a enxaqueca?

A enxaqueca após diagnosticada, pode ter dois tipos de abordagem terapêutica. Há um tratamento para a crise dolorosa, ou seja, o momento da ocorrência dos sintomas; e outro profilático, ou seja, para evitar que o paciente venha a desenvolver uma crise dolorosa. O primeiro deve sempre ser realizado, e de modo mais precoce possível, ao que chamamos abortamento da crise dolorosa. Sabemos, pela conhecimento da fisiopatologia, que quanto mais tardia a medicação, mais dificilmente se consegue uma reversão rápida e suave dos sintomas. Já o tratamento profilático, estará indicado, na dependência da intensidade e da frequência das crises. O tratamento tem como pedra fundamental, a redução ou melhor, a abolição das crises. Evitando desta forma o desconforto e o banimento das atividades cotidianas, seja no trabalho, estudo ou lazer, fenômeno muito freqüente entre os indivíduos com enxaqueca. Também aqui, vários são os recursos disponíveis. Um aspecto complementar, e fundamental ao tratamento, é a individualização do paciente. Ou seja, conhecer com detalhe o indivíduo e o seu problema, em todos os seus aspectos, pois cada pessoa com enxaqueca tem as suas particularidades. Desta forma se escolhe o tratamento profilático de melhor perfil, o momento mais adequado da administração do medicamento na crise, bem como, em relação aos fatores precipitantes, uma orientação justa sobre o que fazer e o que evitar.

Fonte: www.similia.com.br

Enxaqueca

20 mitos sobre a enxaqueca

1- Analgésicos resolvem o problema

Esse é um dos erros mais comuns --e perigosos-- em relação à enxaqueca. Freqüentemente, os pacientes se automedicam com esses remédios, tomando doses progressivamente mais altas.

O problema é que o abuso de analgésicos contribui para cronificar as dores. Além disso, nem sempre eles dão conta de acabar com uma crise de enxaqueca. Existem medicamentos específicos para o problema que, apesar de também agravarem as crises quando em excesso, são mais eficazes.

A Sociedade Brasileira de Cefaléia recomenda o uso de, no máximo, dois comprimidos por semana (dez por mês) de qualquer remédio para cortar a dor de cabeça. Menos de três meses seguidos de abuso já são suficientes para cronificar as dores.

2- Enxaqueca é sinônimo de dor de cabeça

A Sociedade Internacional de Cefaléia reconhece mais de 150 modalidades de dor de cabeça (também conhecida como cefaléia).

A enxaqueca, ou migrânea, é uma delas. Nesse caso, a dor costuma ser latejante e, em 60% das pessoas, localizar-se em só um dos lados do crânio. Muitas vezes, vem acompanhada por náuseas, vômitos e sensibilidade a luz, ruídos e cheiros fortes.

Em geral, a crise dura de quatro a 72 horas, quando não tratada. Há ainda crises de enxaqueca sem dor de cabeça, quando o paciente tem apenas a aura (veja no próximo item).

3- Quem tem enxaqueca enxerga pontos brilhantes e luzes

Apenas um em cada cinco pacientes com enxaqueca apresenta a aura, fenômeno neurológico que faz com que a pessoa enxergue manchas e luzes, fique com os dedos ou os lábios dormentes ou com alterações na fala e nos movimentos, entre outros sintomas. Ela aparece minutos ou poucas horas antes das crises e costuma durar menos de uma hora.

Mesmo sem apresentar aura, algumas pessoas conseguem perceber que terão crise com uma antecedência de até 24 horas. Bocejos constantes, dificuldade ou brilhantismo de raciocínio e grande necessidade de comer doces são alguns sinais.

4- É preciso fazer exames para diagnosticar

Solicitados freqüentemente a pacientes com suspeita de enxaqueca, exames como tomografia, raio-X e ressonância magnética não detectam o problema.

Eles apenas servem para afastar a possibilidade de outras doenças, como tumores. Na maior parte das vezes, não são necessários. O diagnóstico da enxaqueca é clínico, feito no consultório a partir do histórico do paciente e de testes neurológicos.

Apenas exames mais sofisticados, como o pet scan, permitem observar os lugares no cérebro que são ativados na hora da crise de dor, mas são usados somente em pesquisas científicas.

5- É uma doença inofensiva

Apesar de ser considerada uma doença benigna, que raramente gera complicações sérias, a enxaqueca compromete muito a vida do paciente.

Além de ficarem menos produtivos e de faltarem ao trabalho e a eventos sociais na hora das crises, muitos sofredores de enxaqueca acabam perdendo oportunidades sociais e profissionais por receio de que a dor apareça.

As complicações graves da enxaqueca são raras, mas podem ocorrer. Mulheres que têm aura muito prolongada correm mais risco de ter o chamado infarto migranoso, principalmente se forem fumantes e usarem pílula anticoncepcional.

6- Quem tem enxaqueca não pode comer chocolate, queijo e vinho

Só um quarto dos portadores de enxaqueca tem crises relacionadas a alimentos. Estresse e ansiedade são gatilhos bem mais comuns. No caso de haver relação com a dieta, os culpados variam entre os pacientes e podem causar crises apenas em alguns momentos. Frituras, chocolate, queijos amarelos, embutidos, vinho tinto e cerveja são algumas das comidas e bebidas que mais influenciam.

Assim como o abuso de analgésicos, a cafeína presente em alimentos como café e refrigerantes de cola pode cronificar a enxaqueca. Estudos recomendam o limite de 250 mg de cafeína por dia (o equivalente a três xícaras de café).

Jejum prolongado, sol forte, odores pronunciados e mudanças de temperatura e de umidade do ar também são gatilhos comuns. Vilão para muitas outras doenças, o cigarro, nesse caso, não influi. Nas mulheres, é muito freqüente que as dores venham associadas ao período menstrual (antes, durante ou logo depois). Também há crises que não são desencadeadas por nenhum gatilho.

7- Comer muita fruta faz bem

Nem sempre. Certas frutas, como as cítricas (laranja, limão, abacaxi) e a banana (principalmente a banana d'água), têm substâncias que desencadeiam crises de enxaqueca em algumas pessoas.

8- Problemas de vista causam enxaqueca

Quase todo mundo que começa a ter dores de cabeça desconfia de que precisa usar óculos ou trocar a lente porque o grau aumentou. Outro grande mito, segundo os especialistas. Miopia, hipermetropia e presbiopia não são causas de dor de cabeça. Só astigmatismos muito graves em crianças causam cefaléia, e mesmo assim não é enxaqueca.

9- Sinusite causa enxaqueca

Essa confusão é muito freqüente. Na verdade, as sinusites crônicas não causam dor de cabeça. As agudas sim, mas não têm característica de enxaqueca. Como a própria enxaqueca pode causar congestão nasal, a confusão aumenta. Um estudo americano mostrou que 90% das pessoas que se autodiagnosticavam como tendo dores de cabeça decorrentes de sinusite na verdade tinham enxaqueca.

10- Problemas na ATM causa enxaqueca

As disfunções na ATM (articulação temporomandibular) podem ser causa de dor, geralmente localizada na região da própria articulação e relacionada ao uso (comer algo duro, falar muito, bocejar). Eventualmente, causa dor de cabeça, mas sem característica de enxaqueca.

11- É uma doença de adulto

Entre 4% e 8% das crianças têm enxaqueca. A doença é uma grande causa de faltas à escola, e as queixas são confundidas por muitos pais com golpes para não ir à aula. As dores podem começar por volta dos cinco anos de idade e, em aproximadamente 40% dos casos, acabam espontaneamente na puberdade.

As crises de dor nessa etapa da vida duram menos (de 30 minutos a duas horas) e podem ser aliviadas com tratamento específico. Apesar de, na fase adulta, a enxaqueca afetar três vezes mais as mulheres, na infância ela é ligeiramente mais freqüente nos meninos.

12- Tem a ver com o fígado e com o estômago

Como muita gente tem náusea e vômitos nas crises de enxaqueca, é comum que associem o problema ao estômago e ao fígado. Na verdade, esses incômodos ocorrem como parte do próprio processo químico da dor, que faz com que o estômago se dilate e fique paralisado, causando sensação de indigestão e enjôo.

Mesmo o fato de certos alimentos desencadearem episódios de enxaqueca em
algumas pessoas não tem a ver com a digestão. Na verdade, eles possuem certas substâncias (como tiramina e nitritos) que agem diretamente no cérebro de que sofre de enxaqueca.

13- Atividades físicas ajudam

Nem sempre. A prática de atividades físicas, principalmente aeróbicas, costuma diminuir a freqüência das crises. Mas há pacientes que apresentam um tipo de enxaqueca cujas dores são desencadeadas com a prática de atividades físicas. Alem disso, na hora da crise, os exercícios físicos costumam piorar brutalmente a dor.

14- Passa com a menopausa

Para muitas pacientes, a chegada da menopausa traz alívio. Mas, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, apenas 30% das mulheres apresentam melhora significativa nessa fase. Isso ocorre principalmente com aquelas que têm enxaqueca perto do período menstrual.

15- Há alimentos que ajudam a melhorar a enxaqueca

Muito se fala em dietas que ajudam a melhorar a enxaqueca, mas, segundo os especialistas consultados, elas não têm fundamento científico. O magnésio (encontrado em alimentos verdes frescos e frutos do mar) e um aminoácido chamado triptofano (presente em verduras frescas e no feijão) até podem ajudar, mas, nas quantidades presentes na comida, têm importância limitada. Quando as dores são desencadeadas por certos alimentos, evitá-los ajuda a diminuir as crises.

16- Não tem tratamento

Ainda não há cura, mas hoje existem tratamentos que diminuem muito ou até acabam com as crises. Além dos medicamentos que são tomados na hora da dor, quem tem mais de três crises por mês ou sente dor muito forte, ainda que de vez em quando, pode ter de passar por tratamento preventivo com remédios.

Apesar de não serem suficientes para barrar as crises em todas as pessoas, fitoterápicos à base de "feverfew" (ou Tanacetum parthenium) --uma planta parecida com a camomila-- tiveram sua eficácia preventiva provada em pesquisas.

Pouco conhecido no Brasil, o biofeedback, método que usa um aparelho com eletrodos que são ligados a diferentes partes do corpo, também é eficiente contra a enxaqueca. Por meio de exercícios, o paciente aprende a controlar reações fisiológicas que mudam com a dor, aliviando-a.

Na crise de enxaqueca, por exemplo, a irrigação sangüínea periférica diminui, deixando os dedos das mãos e dos pés mais frios. Os pacientes aprendem a identificar esse sinal e a controlá-lo, fazendo com que o sangue, indiretamente, flua melhor no cérebro, o que traz alívio.

Uma pesquisa feita recentemente na USP (Universidade de São Paulo) comparou a eficácia do método em dois grupos de 30 pacientes de enxaqueca cada um.

Enquanto um tomou remédios preventivos, o outro fez dez sessões de biofeedback. A melhora relatada pelos dois grupos foi semelhante. Em relação à intensidade da dor, quem usou o método disse que diminuiu, em média, 30%, enquanto no primeiro grupo a redução foi de 11%.

A toxina botulínica também está sendo testada como uma opção para quem não reage a outros tratamentos, mas o custo-benefício ainda é discutido.

17- Tem que tomar remédio por toda a vida

Apesar de a enxaqueca ser uma doença crônica, como a hipertensão arterial e o diabetes, a medicação preventiva costuma ser retirada após oito a 12 meses de uso se o paciente estiver bem. Se as crises voltarem, pode ser necessário tomar os remédios por mais um período.

18- Acunpuntura resolve o problema

Os estudos são controversos. Enquanto alguns mostram bons resultados, outros não provam a eficácia para essa doença. Oficialmente, o poder terapêutico da acupuntura para enxaqueca não está confirmado no meio científico, mas o que médicos e pacientes relatam é que, na prática, muitas pessoas se beneficiam do método.

Além de acabar com a dor --muitas vezes de forma imediata-- na hora das crises, a técnica é muito usada para preveni-las, seja isoladamente ou em conjunto com medicamentos. Antes de se submeter às agulhas, é importante ter um diagnóstico preciso do problema, afastando outras causas mais graves.

19- Dormir muito ajuda a melhorar

Em muitas pessoas, a privação de sono desencadeia dores de cabeça. Mas dormir mais do que se está acostumado também é um gatilho para as crises. Um caso relativamente comum é a chamada "enxaqueca de fim de semana", na qual o paciente só sente dores no sábado e no domingo --quase sempre porque dorme muito mais tempo do que o habitual. O segredo, portanto, é ter um ritmo de sono regulado.

20- Tomar remédio logo antes de comer um alimento que provoca crise resolve

Pode até aliviar a dor no momento. Mas é um procedimento de risco que não deve ser feito rotineiramente, já que induz ao abuso de medicamentos, contribuindo para a cronificação da dor. Os médicos só recomendam em ocasiões muito específicas, como antes de uma prova de vestibular ou de um casamento.

Fonte: www.abcdbrasil.com.br

Enxaqueca

Uma das causas de absenteísmo no sexo feminino, devido à repercussão que esta afecção, provoca na vida da mulher. Principalmente para o lado do aparelho digestivo, com náuseas e vômitos. E para o neurológico com quadro de fotofobia.

Isto sem falar na repercussão para o lado no eixo hipotalamo ovario hipófise, quando esta no período menstrual.

Tem incidência em 60% das mulheres incide mais ma faixa etária dos 20 a 50 anos,mas acometer tambem na fase de adolescência, estatísticas mostram a incidencia de 5 mulheres acometidas para 1 homem.

As crises repercutem no cotidiano da mulher haja vista que pode acometer por um período de 4 a 72 horas.

Preferencialmente se instala com quadro de cefaléia unilateral.

Os alimentos contribuem para o desencadeamento das crises como por exemplo, vinhos, queijos, chocolates doces, bebidas a base de cola, alimentos cuja composição entram os nitritos e nitratos glutamatos etc.

Os estudiosos da cefaléia, classificam a enxaqueca como cefaléia de origem primária.

Admite-se que tenha um componente familiar, e estudiosos afirmam que existe alterações a nível do cromossomo 16.

Alem dos fatores acima citados, as crises de enxaqueca estão associadas as seguintes fatores:

Estress
Esforço físico
Jejum
Atividade sexual
Orgasmo
Menstruação
Ressaca.
Anticoncepcionais

Fatores hormonais:

Estrógenos
Reposição hormonal

Importância dos exames:

Nenhum exame serve para diagnostico de enxaqueca o diagnóstico é clinico. Diante de uma queixa de cefaléia é necessário saber sua origem.

Mas quando o profissional atraves de uma anamnese, enrequecida em detalhes, com os sintomas referidos pela paciente suspeitar que por traz da enxaqueca existe uma patologia associada que desencadeias as crises os exames são solicitados, pois muitas patologias neurológicas simulam um quadro de enxaqueca. tais como:

Aumento da pressão intracraniana: geralmente ocorre pela manhã alivia quando o paciente está na posição vertical Infeccões das meninges, o paciente apresenta rigidez de nuca, e sintomas meningorradiculares. hemorragias tumores do cérebro e da hipófise sinusites.

Enxaqueca na Gestante

Deve –se evitar medicamentos nas gestantes, sabe-se que as crises de enxaqueca tendem a melhorar com a evolução da gravidez. Os riscos benefícios devem ser avaliados a literatura cita o acetominofeno para o tratamento da crise, mas a conduta terapêutica quem decide é o(a) profissional assistente.

Tratamento

A critério do profissional médico.

Bibliografia

Obstetrícia Básica- Bussamara Neme
Medicina de Urgência- Otto Miller.
Medicina Interna Básica- Cecil.
Revista Brasileira de Medicina Vol. 56 e 58
Propedêutica Neurológica- Sanvito

Fonte: www.portaldeginecologia.com.br

Enxaqueca

O que são enxaquecas ?

Enxaquecas são crises de dor de cabeça de intensidade moderada / grave , geralmente unilaterais , latejantes e habitualmente acompanhadas de nçuseas, vômitos, intolerância à claridade , barulho e cheiro. Apresentam uma prevalencia de 16% nas mulheres e de 6 % dos homens . São mais frequentes nas mulheres, tendo seu inêcio na puberdade e se extendem habitualmente por toda vida fértil.

Podem apresentar grande melhora durante as gestações e após a menopausa. As crises tem frequência variçvel, duram por horas ou até dias, podendo alcançar num percentual razoçvel de pacientes uma frequência diçria ou quase que diçria

Alguns pacientes antes das crises apresentam alterações visuais ( visão embassada, luzes coloridas ou até perda parcial da visão ). Estas alterações geralmente precedem as crises e duram por cerca de 30 minutos .

As crises podem ou não ter fatores desencadeantes tais como : dormir muito, dormir pouco , dormir fora de hora , determinados alimentos , cheiros fortes , ciclo menstrual, exposição ao sol, esforço fisico e bebida alcólica e stress emocional , dentre outros. Estes fatores devem ser particularizado para cada paciente .

Porque elas ocorrem ?

Acredita-se hoje que as crises tenham seu inêcio em çreas especêficas do encéfalo (tronco cerebral) . Iniciado este processo (espontaneamente ou por fatores externos) hç envolvimento de vias nervosas e de algumas substâncias quêmicas (neurotransmissores) que quando liberadas provocam dor, configurando então uma crise com todo seu cortejo de sintomas.

Muito provavelmente as enxaquecas tenham componentes genéticos de transmissão, pois não é raro encontrarmos famêlias com vçrias pessoas afetadas. A enxaqueca não é uma doença estrutural do encéfalo (por esta razão toda a investigação laboratorial e de neuro-imagem é normal ), mas sim uma doença disfuncional .

Como elas são diagnosticadas ?

A partir de 1988 a international headache society ( ihs) publicou critérios diagnósticos para a enxaqueca .

Este fato é de suma importância, uma vez que serç importante se diferenciar uma enxaqueca (cefaléia doença) de outras formas de dor de cabeça que sejam sintomas de outras doenças, como aquelas dores de cabeça que acompanham as meningites, os sangramentos cerebrais, os tumores cerebrais ou até mesmo sinusites agudas (cefaléia sintoma). A pessoa mais indicada para realização do diagnóstico correto é o médico.

Por ser ela uma doença funcional, a história clênica é a parte mais importante da consulta clênica para o diagnóstico correto.

Como se trata ?

Existem duas formas de tratamnto da enxaqueca .

O tratamento da crise e o tratamento preventivo.

No tratamento agudo são utilizados desde analgésicos comuns, até drogas mais potentes como os anti-inflamatórios e a utilização de medicamentos mais especêficos como as ergotaminas e mais recentemente um grupo de drogas chamadas triptanos . O tratamento deverç ser sempre individualizado de acordo com a intensidade da dor , sua duração e a invalidez que ela provoca nestas pessoas. Deve-se sempre respeitar as contra- indicações destes medicamentos .

O tratamento preventivo consiste na utilização de drogas que impedem que o paciente tenha crises .

São medicamentos de uso diçrio, prescritos por um determinado perêodo de tempo. É importante salientar que cerca de 60% dos pacientes que se submetem a tratamento profilçtico apresentam melhora clênica. Ocorre diminuição da frequência, da intensidade e da duração das crises. Além do fato que os episódios dolorosos que ocorrem na vigência do tratamento serem geralmente de menor intensidade e mais rapidamente resolvidas .

Toda esta explicação se prende ao fato que uma parcela não desprezêvel de pacientes, em virtude de suas crises frequentes, acabam fazendo uso abusivo de medicação analgésica, perpetuando suas crises e impedindo que elas desapareçam por completo. Estes medicamentos tomados em demasia também podem ser responsçveis a médio prazo por efeitos colaterais graves nos sistemas renal e hepçtico.

Qualidade de vida ?

As enxaquecas são uma das causas mais importantes na diminuição da qualidade de vidas das pessoas . Elas afastam as pessoas do convêvio social, profissional e até familiar. Sabe-se hoje que os portadores de enxaqueca faltam cerca de 12 dias a mais por ano que os não portadores desta doença, com implicações de custo social para as fontas pagadoras.

Fonte: www.mentalhelp.com

Enxaqueca

Muitas pessoas sofrem de tipos diferentes de cefaléias. É importante consultar seu médico para determinar que tipo de cefaléia você tem e se realmente sofre ou não de enxaqueca.

Tipos

Enxaqueca sem Aura

A enxaqueca é freqüentemente caracterizada por alguns dos seguintes sintomas:

Cefaléia unilateral
Dor pulsátil ou latejante
Crises intensas com dor moderada a intensa que podem prejudicar as atividades diárias
Piora com atividade física rotineira

E pelo menos um dos seguintes:

Náusea e/ou vômito
Sensibilidade à luz e ao som

Lembre-se de que a enxaqueca ocorre em episódios distintos e que os pacientes com enxaqueca ficam assintomáticos entre as crises.

Enxaqueca com Aura

Essa é a enxaqueca que atende os critérios acima mais aura. Aura é definida como manifestações do sistema nervoso (geralmente visuais) que precedem uma enxaqueca e são geralmente seguidas pela cefaléia dentro de uma hora. Essas podem incluir distúrbios visuais, como luzes piscando, manchas brilhantes, visão borrada ou manchas cegas. A aura pode também envolver sintomas auditivos, sensitivos ou motores.
Conheça os diferentes estágios da enxaqueca.

Cefaléia em salvas

A cefaléia em salvas é um tipo muito doloroso de cefaléia. Nas crises, a intensidade da dor é muito intensa.

A cefaléia em salvas tem esse nome porque ocorre em salvas - uma série que dura semanas ou meses. As crises podem ocorrer várias vezes em 24 horas sendo mais comuns durante a noite. Os pacientes com cefaléia em salvas podem ter períodos de remissão que duram meses e até anos.

A idade de início é tipicamente entre 20 a 40 anos. Embora a causa seja desconhecida, a maioria dos pacientes é do sexo masculino.

Aqui estão alguns sintomas típicos da cefaléia em salvas:

Dor unilateral intensa

Dor que dura de 15 minutos a 3 horas por crise
Dor geralmente em torno do olho e/ou região temporal que pode se irradiar para outras regiões da cabeça
Pálpebras inchadas, olhos lacrimejantes, sudorese facial e congestão nasal

Cefaléia tensional

A forma mais comum de cefaléia é a cefaléia tensional, que ocorre em 69% das pessoas.

Os pacientes com cefaléia tensional podem apresentar dor com as seguintes características:

É geralmente localizada nos dois lados da cabeça
Dura de minutos a dias
É de intensidade leve a moderada
Pode se manifestar como uma sensação de aperto ou pressão
Não piora com a atividade física rotineira

Desencadeantes

Se você tem enxaqueca, você pode conversar com seu médico para identificar os fatores desencadeantes. A realização de um diário com tudo o que aconteceu durante o dia pode ser útil.

Os desencadeantes de enxaqueca podem ser diferentes para cada pessoa. Pode haver um fator que provoque enxaqueca em um paciente ou pode existir uma combinação de fatores.

Alguns incluem:

Ambiente/Comportamento

O ambiente ou o comportamento podem contribuir para a enxaqueca. Pense sobre sua rotina diária e veja se há algum fator que possa ser identificado.

Essa lista de possíveis desencadeantes ambientais pode ajudá-lo(a):

Luz forte
Ruídos altos
Alterações climáticas
Alterações de comportamento (p.ex., dormir demais ou de menos, jejum, alteração na dieta)

Estresse

O estresse, em algumas pessoas, pode facilitar a enxaqueca. Seu estilo de vida pode estar contribuindo para sua enxaqueca.

Alimentos

Desencadeantes de enxaqueca são exclusivos para cada indivíduo, mas a lista a seguir contém alimentos comumente conhecidos que podem contribuir para o início da enxaqueca:

Chocolate
Queijo
Cafeína
Frutas cítricas
Bebidas alcólicas
Glutamato monossódico, uma substância que acentua o sabor dos alimentos

Estágios da crise

Se você já teve enxaqueca, sabe que é mais do que uma simples cefaléia. Um paciente pode passar por até cinco estágios distintos, embora nem todos apresentem todos os estágios:

Os sintomas desses cinco estágios são apresentados abaixo:

Pródromo (sinais de alerta)

Pode ocorrer várias horas ou dias antes da crise.

A pessoa pode apresentar alterações do:

Humor
Comportamento
Nível de energia
Apetite

Sintomas do pródromo podem alertar alguns pacientes de que a cefaléia está próxima.

Aura

Geralmente se desenvolve em 5 a 20 minutos e dura menos de uma hora
A pessoa pode apresentar distúrbios visuais, auditivos, sensitivos ou motores. Cefaléia, náusea e/ou sensibilidade à luz podem também aparecer nessa fase.

A cefaléia geralmente ocorre diretamente após os sintomas de aura ou após um intervalo sem sintomas de menos de uma hora.

Fase de Cefaléia

Pode durar de 4 a 72 horas.

A pessoa pode apresentar:

Cefaléia unilateral
Dor pulsátil ou latejante
Dor agravada pela atividade física rotineira
Sensibilidade à luz ou ao barulho
Náusea e/ou vômito

Resolução

A cefaléia pode demorar de 4 a 72 horas para cessar.

Término

Ocorre após a fase de cefaléia em muitas pessoas e pode durar de horas a dias

A pessoa pode apresentar:

Exaustão
Fraqueza
Inquietação
Letargia
Exaltação (em alguns casos)

Sofrendo de Enxaqueca

A enxaqueca pode ter um efeito negativo sobre a qualidade de vida. É extremamente difícil comportar-se normalmente sob dor intensa. Muitas pessoas perdem dias de trabalho ou na escola em decorrência dos sintomas. Freqüentemente os pacientes que sofrem de enxaqueca faltam a atividades familiares ou cancelam atividades sociais por causa de uma crise de enxaqueca.

A enxaqueca é subdiagnosticada em todo o mundo, porque se estima que apenas uma minoria de pacientes consulta médicos para diagnóstico e tratamento.

Aqui estão alguns fatos sobre pacientes com enxaqueca:

Prevalência

A enxaqueca é subdiagnosticada em todo o mundo, porque se estima que apenas uma minoria de pacientes consulta médicos para diagnóstico e tratamento.

Aqui estão alguns fatos sobre pacientes com enxaqueca:

A enxaqueca afeta aproximadamente 6% dos homens e 15 a 18% das mulheres.
A enxaqueca é uma condição que acarreta grande número de restrições.
As pessoas com maior probabilidade de ter enxaqueca são mulheres de 25 a 55 anos de idade.

Enxaqueca em Crianças

Muitas crianças e adolescentes sofrem de enxaqueca.

Alguns sintomas da enxaqueca em crianças são diferentes daqueles dos adultos:

A dor freqüentemente é bilateral (também pode ser unilateral).
A crise pode durar de 30 minutos a 48 horas.
As crianças geralmente se irritam mais com a luz ou os sons do que os adultos.
Se uma criança se queixa de cefaléias intensas recorrentes, os pais devem consultar um médico. O médico obterá o histórico dos pais e da criança para fazer o diagnóstico correto.

O efeito da enxaqueca na vida das pessoas

A enxaqueca pode afetar todos os aspectos vida, incluindo:

Trabalho
Atividades sociais e vida familiar

Por isso é importante que os pacientes encontrem formas para enfrentar a cefaléia.

Trabalho

Estudos mostraram que existe uma forte correlação entre enxaqueca e limitação do desempenho no trabalho.

Se você sofre de enxaqueca, isso pode fazer com que você perca dias de trabalho, para repousar em casa durante a crise. Suportar a luz, o barulho e a dor na presença de outras pessoas pode ser uma experiência muito desagradável.

Estima-se que os custos médicos diretos da enxaqueca, que são devidos principalmente ao atendimento médico da enxaqueca, sejam pequenos em comparação com os custos indiretos, provocados pelos dias de trabalho perdidos pela redução de produtividade.

Atividades Sociais e Vida Familiar

A enxaqueca pode influenciar as relações familiares e também as pessoais. Se você sofre de enxaqueca, a dor e a debilitação causadas por uma crise, ou a preocupação sobre uma possível crise podem fazer com que você adie ou cancele atividades sociais.

A enxaqueca pode também limitar a sua participação na vida familiar.

Diagnóstico/Consulta

O primeiro passo de seu médico será obter um histórico completo da cefaléia.

Isso pode incluir idade à época da primeira crise, a possível existência de um padrão de cefaléia, natureza e localização da dor e desencadeantes. Você pode ser orientado a manter um diário sobre acontecimentos de sua vida para determinar sintomas pré-enxaqueca que são específicos para você. Depois do histórico, o médico pode realizar um exame físico cuidadoso e avaliação neurológica.

Você pode precisar de exames diagnósticos. Com base nessas avaliações e exames, seu médico pode fazer um diagnóstico e recomendar o tratamento adequado, se necessário.

Lidando com a enxaqueca

Sempre siga a orientação do seu médico se você tem um diagnóstico de cefaléia. Você e seu médico podem estabelecer objetivos realistas para tratar sua cefaléia de forma que você possa atuar produtivamente no trabalho e em casa.

Para evitar a crise de enxaqueca, você pode tentar evitar os fatores desencadeantes.

Amigos e a família irão compreender melhor suas cefaléias se você explicar o que está acontecendo e de que tipo de apoio você precisa para que eles possam ajudar a oferecer o ambiente que você precisa durante a crise.

História da Enxaqueca

A enxaqueca foi descrita há séculos. Como nos tempos antigos, estamos ainda hoje procurando as causas e a solução para a enxaqueca.

Aqui estão alguns passos importantes na história da enxaqueca:

Século I D.C.: Aretaeus, ou Aretaios, o Capadócio, classificou a dor de cabeça em cefalalgia, cefaléia e enxaqueca. Nossas classificações modernas de cefaléia se baseiam nessas raízes.
Século II D.C.:
Galeno de Pergamon usou o termo "hemicrânia", do qual a palavra "enxaqueca" é derivada. Ele pensou que existisse uma conexão entre o estômago e o cérebro por causa da náusea e dos vômitos que freqüentemente acompanham uma crise.
Século X D.C.:
Para o alívio da enxaqueca, o médico nascido na Espanha, Abulcasis, também conhecido como Abu'I Quasim, sugeriu a aplicação de ferro quente na cabeça ou inserção de alho em uma incisão feita na têmpora.
Século XII D.C.:
Abess Hildegard de Bingen relatou as visões que podem ser uma descrição inicial dos pródromos da enxaqueca.
Idade Média e Renascimento:
Os seguidores de Galeno diziam ser a enxaqueca provocada pela bile amarela agressiva.
Início do Século XVII:
Charles le Pois descreveu sintomas premonitórios e enxaqueca com aura pela primeira vez.
1712:
Biblioteca Anatomica, Medic, Chirurgica, publicada em Londres, caracterizou cinco tipos principais de cefaléias, incluindo a "Megrim", que pode ser reconhecida como a enxaqueca clássica.
1780:
Tissot sugeriu que a enxaqueca se origina no estômago devido a um estado de irritação que se irradia para os nervos supra-orbitários e desencadeia a crise. Sua lista de sintomas precedendo ou acompanhando um episódio inclui náusea e vômito.
1883:
No relatório inicial na literatura médica do uso do ergot para tratamento de enxaquecas, A. Eulenburg (Alemanha) usou injeções de extrato do ergot e ergotinina em cinco casos de cefaléia principalmente relacionadas à "forma vasoespástica de hemicrânia".
1938:
Graham e Wolf publicaram seu artigo defendendo tartarato de ergotamina para alívio da enxaqueca e iniciaram a pesquisa moderna sobre enxaqueca.
Século XX:
No século XX teve início uma abordagem mais científica para o estudo da enxaqueca, com estudos controlados de drogas e pesquisa geral sistemática sobre enxaqueca. A procura da causa ainda continua, mas muitas medidas úteis foram descobertas durante esse período

Fonte: www.msd-brazil.com

Enxaqueca

O que é enxaqueca?

Os pacientes com enxaqueca receberam de alguém da família os genes para ter este tipo de doença. Embora em apenas um tipo mais raro de enxaqueca, chamada de hemiplégica familiar, tenha sido evidenciado o cromossomo 19 como responsável por sua transmissão de um parente para outro, aceita-se hoje que os demais tipos de enxaqueca, inclusive os mais comuns como a enxaqueca sem aura, também sejam herdados através de genes.

Como reconhecer a enxaqueca?

As crises da enxaqueca apresentam-se como :

Dor pulsátil ou latejante (podendo ser em pressão ou aperto) nas regiões da fronte e têmpora;
A dor se apresenta mais de um lado da cabeça (em 40% dos pacientes é dos dois lados);
A intensidade é moderada a severa ou severa;
Geralmente incapacita o paciente para as suas atividades normais;
Piora com esforços ou atividades físicas e se inicia leve e progressiva;
Duram em média de 4 a 72 horas quando não são tratadas ou o são de forma ineficaz e geralmente terminam de forma gradual.

São associadas a pelo menos dois dos sintomas abaixo:

Enjôo ou vomitos
Intolerância à claridade ou à ruídos ( foto e fonofobia)

Após as crises, algumas pessoas sentem-se ótimas e outras como se um "trator" tivesse passado por suas cabeças, inclusive com dolorimento intenso no couro cabeludo.

Sinais de alerta

Há pessoas que sentem que vão ter uma crise de enxaqueca antes da dor aparecer, através de "avisos" que o organismo pode fornecer.

Por vezes, estes avisos se iniciam inespecíficos um dia ou algumas horas antes, com sensações do tipo:

Desconforto na cabeça
Bocejos frequentes
Irritabilidade
Perda da capacidade de concentração ou raciocínio
Diarréia
Desejo exagerada por algum tipo de alimento ou aversão total
Desconforto abdominal
Palidez (muito frequente em crianças)

Esses sinais chamam-se de PRÓDROMOS e não estão presentes em todos os sofredores de enxaqueca, ou estão presentes antes de alguns episódios, mas não de todos, em um mesmo paciente.

Quando os sinais são mais intensos, antecedendo a crise em menos de 2 horas apresentando-se como dormência ou diminuição da força muscular em um lado ou parte do corpo, observação de pontos ou raios luminosos ou brilhantes, perda total ou parcial de uma parte do campo de visão, os chamamos de AURA.

Como ocorre a enxaqueca

Quais os fatores que deflagram ou iniciam uma crise de enxaqueca?

Muitos são os fatores externos ou internos de agressão que podem iniciar uma crise de dor em quem tem enxaqueca. No entanto, vamos listar abaixo os fatores mais frequentes relacionados ao início de um processo doloroso.

Alimentos e Bebidas

Queijos amarelos envelhecidos (contêm tiramina)
Frutas cítricas (principalmente laranja, limão, abacaxi e pêssego)
Banana - principalmente banana d'água (alguns pacientes)
Lingüiças
Salsichas e alimentos de coloração avermelhada em conserva (nitritos e nitratos usados como conservantes)
Frituras e gorduras
Chocolates (contém feniletilamina e cafeína)
Café, chá e refrigerantes a base de cola
Aspartame (adoçante artificial)
Glutamato monossódico (molho usado geralmente em pratos da cozinha oriental)
Vinhos (principalmente o tinto, que possui radicais fenólicos, já que a tiramina também existe no vinho branco e não é a única responsável)
Cervejas e chope
Aguardentes e uísque.

Habitos de alimentação e sono

Mais de 5 horas seguidas sem se alimentar
Dormir mais ou menos do que o habitual, para aquele determinado paciente.

Variações bruscas de temperatura e umidade do ar

Principalmente a entrada em ambientes frios estando antes em ambiente quente e vice-versa, e a ingestão de líquidos gelados com o organismo aquecido ou suando muito.

Fatores emocionais e estresse

Como não existe vida sem estresse, principalmente nas grandes cidades, é comum observarmos que muitas pessoas que sofrem de enxaqueca entram em crise logo após períodos de estresse ou excitação. Fases de depressão ainda não foram caracterizadas como responsáveis pelo início de uma crise, embora a incidência de depressão nos sofredores de enxaqueca tenha sido considerada estatisticamente maior do que na população normal .

Menstruação e fatores hormonais

É muito comum observarmos mulheres portadoras de enxaqueca apresentarem dor nas fases pré, durante ou após a menstruação. Há mulheres que só apresentam crises de enxaqueca na época menstrual (14 % das mulheres com enxaqueca). Parece que a queda sangüínea normal, que ocorre em uma fração do estrogênio, nesta época do ciclo menstrual, é a maior responsável por esta significativa incidência. Entretanto, há muitas portadoras de enxaqueca que pioram de suas crises a partir do momento que iniciam o uso de anticoncepcionais orais. Também é observado que na menopausa, muitas mulheres melhoram espontaneamente e voltam a piorar quando iniciam a reposição hormonal estrogênica.

Observações

Há ainda fatores deflagradores específicos e individuais para vários pacientes, que não são considerados comuns ou freqüentes. Soubemos, por exemplo, de uma paciente que entrava em crise todas as vezes que fazia esclerose de microvarizes com alguma daquelas substâncias saponáceas utilizadas habitualmente.

Tratamentos

O tratamento da migrânea deve sempre ser calcado em quatro pilares. A orientação e educação do paciente, com o afastamento dos fatores que deflagram as crises, o tratamento preventivo, o tratamento agudo ou das crises propriamente ditas e o tratamento não medicamentoso ou acessório.

Tratamento Preventivo

O primeiro e mais importante é o tratamento preventivo, isto é, voltado para prevenir a ocorrência de crises e visando diminuir ou eliminar a sua freqüência, intensidade e duração. Este tratamento é feito com drogas não analgésicastomadas em caráter diário e regular.

Critério para o tratamento preventivo:

Manifestar mais de duas crises intensas por mês.
Independente da freqüência, as crises são tão intensas e incapacitantes que justificam o uso de medicação diária.
Quando a pessoa não tolera, ou não responde aos medicamentos usados no tratamento das crises.
Vários medicamentos são usados para o tratamento preventivo e praticamente todos eles são originariamente prescritos para outras doenças.

Como exemplos destes medicamentos temos:

Os betabloqueadores (propranolol, atenolol, metoprolol, timolol e nadolol).
Antidepressivos tricíclicos e inibidores da enzima monoamino oxidase (amitriptilina, nortriptilina, doxepina, imipramina e tranilcipromina e L-Deprenil).
Os novos antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina, paroxetina, venlafaxina e nefazodona).
antagonistas dos canais de cálcio (flunarizina e verapamil, diltiazem, nimodipina, nicardipin).
Alguns anticonvulsivantes (divalproex sodium, lamotrigina, gabapentina,Topiramato).
Antagonistas da serotonina (ergotamina, dihidroergotamina, metisergida, pizotifeno e ciproheptadina).
Antinflamatórios não esteroidais (ácido acetil salicílico, derivados da indometacina, derivados do ácido mefenâmico e tolfenâmico, diclofenaco, piroxicam, naproxeno, sulindac, ketorolac e os chamados inibidores seletivos da COX-2 como o rofecoxib e o celecoxib). Estes são usados para o tratamento preventivo de curto prazo como por exemplo a enxaqueca menstrual.

E finalmente, uma miscelânea de substâncias que a cada dia cresce mais em número e que vem revelando drogas eficazes e bem toleradas como a vitamina B2 (riboflaviana), vitamina B6 (piridoxina), magnésio, feverfew e toxina botulínica purificada do tipo A como talvez a mais nova arma contra a enxaqueca ( em estudo).

Todas estas substâncias podem causar efeitos colaterais e têm contra-indicações, portanto é imperativo que se procure um médico especializado que poderá avaliar o seu caso específico e tratá-lo de forma adequada.

O tratamento preventivo pode levar até 4-6 semanas para começar a funcionar e deve ser capaz de promover redução no número e intensidade das crises de enxaqueca. Quando as crises se manifestam por sua vez, é fundamental que o paciente as trate de forma rápida e eficiente.

Tratamento Eficaz

Para a realização de um tratamento eficaz e com aderência do paciente, é fundamental que sejam fornecidas orientações claras sobre as causas e os possíveis mecanismos da dor, assim como o fato de que a mesma pode ser deflagrada por fatores variados e comuns na vida de qualquer pessoa. A simples prescrição de medicamentos preventivos sem que o paciente entenda o porquê da ocorrência de cefaléias tão desconfortáveis e incapacitantes é sinônimo de insucesso e peregrinações por diversos profissionais.

O tratamento farmacológico da enxaqueca divide-se em preventivo e agudo. O tratamento preventivo visa fundamentalmente modular, no próprio cérebro, os mecanismos químicos envolvidos na dor de cabeça. Não se deseja obter a cura da enxaqueca, que é uma doença genética, e portanto atualmente sem cura, mas sim diminuir ou eliminar suas manifestações, entre as quais as crises de dor de cabeça. Mais recentemente, um novo conceito de que a migrânea é uma doença progressiva e que os pacientes devem ser tratados preventivamente mesmo com baixa freqüência de crises vem ganhando mais respaldo na comunidade científica.

Dentre as várias classes de drogas usadas, so anticonvulsivantes neuromoduladores são os de maior eficácia e melhor estudados na atualidade. Os dois mais usados e com eficácia comprovada são do topiramato e o divalproato de sódio.

Tratamento das Crises

O objetivo do tratamento das crises é impedir que as mesmas se tornem incapacitantes e duradouras pois isto pode acarretar prejuízo importante das atividades rotineiras por até 72 horas, e sofrimento para o paciente.

Na última década, com o advento de uma nova classe de substâncias denominadas triptanos, a eficácia do tratamento das crises tornou-se incontestável e o retorno às atividades rotineiras e a produtividade normal em menos de 2-3 horas, revelou-se um fato marcante e inédito. Os triptanos disponíveis no mercado Brasileiro são o sumatriptano, zolmitriptano, naratriptano e rizatriptano. É importante que o médico esteja atualizado quanto a farmacologia destas drogas para optar por uma ou outra em função do tipo de paciente e do perfil de suas crises.

O maior problema com o uso dessas novas drogas é a recorrência ou retorno da dor após se ter melhorado e antes de 24 horas. Quando isto ocorre em um dado paciente, utiliza-se a associação com antinflamatórios não esteroidais do tipo ácido tolfenâmico ou rofecoxib. Esta associação pode aumentar a eficácia do triptano e diminuir a recorrência da dor, mas como com qualquer droga para o tratamento das crises, não deve ser usada mais de duas vezes por semana sob pena de transformar a dor em progressivamente mais frequente, até tornar-se diária.

Tratamento não medicamentoso

O terceiro pilar do tratamento das enxaquecas são as terapias não medicamentosas que incluem exercícios regulares, relaxamento, biofeedback e outras técnicas acessórias. Estes tratamentos, alguns dos quais comprovadamente eficazes como o biofeedback , podem ser muito úteis e reduzir a freqüência de crises.

Biofeedback

Conhecida como uma técnica de condicionamento operante, é apresentada nas modalidades eletromiográfica e térmica. O biofeedback é realizado com o auxílio de monitores eletrônicos da função que se deseja controlar. Na clínica, o paciente aprende com a ajuda do equipamento e em sessões semanais, a exercer controle sobre o grau de contração muscular dos músculos do segmento cefálico (fronte, cabeça, pescoço e face) no caso da modalidade eletromiográfica e sobre a temperatura da palma da mão no caso da modalidade térmica. Os efeitos benéficos são indiscutíveis principalmente em crianças e em pacientes altamente motivados e assíduos no treinamento. Estudos r ealizados na Itália, demonstram que após uma sessão de biofeedback, decrescem no sangue os níveis de noradrenalina e cortisol além de comprovadamente reduzirem-se os graus de contração muscular, medidos em microvolts, dos músculos monitorados.

Educação do Paciente

Finalmente a abstinência relativa dos fatores que deflagram as crises e a educação do paciente quanto a origem, mecanismos envolvidos e fundamentos do tratamento são fundamentais para compor o tratamento que se bem orientado e prescrito, pode reduzir as crises de enxaqueca em até 90-100%.

Enxaqueca na criança

Criança tem enxaqueca?

Sim. Estima-se que 4 a 8% das crianças tenham enxaqueca. Muitas começam aos 5 anos de idade e há pais que asseguram que mesmo antes, seus filhos já se queixavam de dor de cabeça.

De fato, a enxaqueca pode se iniciar entre os 5 e os 40 anos de idade e 40% daqueles que iniciam a sua dor antes dos 10 anos podem entrar em remissão (fim da dor) espontânea durante a puberdade. Os meninos apresentam uma ligeira predominância sobre as meninas no tocante a prevalência da enxaqueca e isto será revertido após a puberdade, quando começam a ser produzidos os hormônios sexuais e o estrogênio, que sofre oscilações normais durante o mês no sangue das meninas.

Como saber se a criança está com dor de cabeça?

É problemático muitas vezes, saber se realmente a criança tem dor de cabeça, enxaqueca ou se está simplesmente imitando algum parente próximo que sofra de dor de cabeça. No entanto, se a criança começa a evitar fazer o que gosta por causa de dor de cabeça e não apenas aquilo que lhe é desagradável,é hora de pensarmos na veracidade das queixas. Se tiver algum parente de primeiro grau com enxaqueca que com ela convive, aí então é bem provável que esse seja o seu problema em função da transmissão hereditária desta doença.

Como reconhecer a enxaqueca na criança?

A apresentação clínica dos ataques de enxaqueca é um pouco diferente nas crianças.

Apresenta-se, geralmente, da seguinte forma:

Dor mais em peso ou pressão.
Localização na fronte dos dois lados.
Intensidade moderada (portanto geralmente inferior a dos adultos).
Duração inferior a 4 horas é o mais freqüente.
Os sintomas associados de enjôo, vômitos e intolerância à luz, ruídos e odores fortes também são comuns.

Diferenças de apresentação clínica das crises de enxaqueca em crianças e adultos

  Crianças Adultos
Localização
da
dor
Fronte Fronte
e
têmpora
Qualidade
da
dor
Peso Pressão
ou latejamento
Inten
sidade
da
dor
Moderada Moderada a forte ou forte
Duração
da
dor*
menor ou igual a 1 hora a várias horas 4 a 72 oras
Enjôo Comum Comum
Vômitos Incomum Comum
Intolerância
à
claridade
Comum Comum
Intolerância
à
ruídos
Incomum Comum

Fatores deflagradores de enxaqueca em criança

Nas crianças, a influência alimentar nas crises de enxaqueca é mais marcante do que nos adultos e não raro as próprias crianças aprendem a evitar determinados alimentos. Isso talvez se deva não apenas ao hábito moderno de ingerir freqüentemente comidas do tipo junk food ou fast food tais como sanduíches com queijo cheddar e molhos, cachorro quente, batata frita, brigadeiros, doces e confeitos ricos em corantes artificiais e refrigerantes do tipo cola como também a ausência relativa, na vida das crianças, da maioria dos outros fatores deflagradores das crises nos adultos como menstruação, estresse do dia a dia, ambientes com ar viciado ou repleto de fumaça e maus hábitos de sono. Entretanto, nem sempre uma determinada criança com migrânea irá sempre apresentar crises quando da ingestão de um certo alimento. Isso pode ocorrer em uma ocasião e não em outra, obrigando os pais a uma observação mais atenta em conjunto com seus filhos queixosos.

Alimentos de ingestão comum em crianças que podem deflagrar crises de enxaqueca

Alimento Substância envolvida
Sanduíches Queijo amarelo - tiramina
Cachorro quente Salsicha - corantes vermelhos nitritos/nitratos
Doces do tipo brigadeiro Chocolate - feniletilamina e cafeína
Confeitos coloridos Derivados da anilina
Frituras Batatas fritas - frituras
Sorvetes diversos Chocolate - feniletilamina e cafeína
Iogurtes Derivados do leite e espessantes
Refrigerantes tipo cola Cafeína
Frutas cítricas Laranja, limão - l'octopamina

Tratamento preventivo de enxaqueca em criança

Tratar enxaqueca em criança é sempre um dilema. Dar ou não remédios? Dúvida frequente em função das possíveis complicações e efeitos colaterais das medicações usadas.

O que norteia a utilização de medicamentos preventivos para o tratamento da enxaqueca em criança são parâmetros como:

Periodicidade dos episódios dolorosos.
Intensidade da dor.
Grau de incapacidade funcional que acarretam.
A resposta da criança ao tratamento das crises e
Possibilidade de existência de outras doenças que porventura a criança tenha.

Crianças que apresentem uma ou no máximo duas crises de enxaqueca por semana mas que não são prejudicadas por elas, não devem utilizar medicamentos em caráter diário para preveni-las. Se no entanto, esta mesma frequência de uma ou duas vezes por semana se traduz em crises incapacitantes, que obrigam ao uso de analgésicos muitas vezes em doses altas, e afastam a criança de suas atividades por várias horas ou mesmo durante todo o dia, devem ser prevenidas com o tratamento.

Embora saibamos que todo e qualquer medicamento tem as suas contra-indicações e efeitos colaterais, o médico consciente, que avaliou bem o caso, saberá escolher as substâncias que podem ser usadas sem prejuízo para a criança.

Tratamento das crises de enxaqueca em crianças

O tratamento das crises em crianças também difere do tratamento de adultos. Enquanto as crises infantis são mais leves e geralmente de duração inferior, as dos adultos tendem a ser mais dramáticas e incapacitantes. Por isso, não raro as crianças não utilizam remédios para combatê-las aprendendo a buscar elas próprias, o repouso ou o ato de dormir, que frequentemente trazem alívio. Muitas vezes, água fria na face e cabeça representam grandes aliados à melhora da dor. Em outras ocasiões entretanto, é necessário o uso de medicamentos para as crises que também diferem dos usados em adultos.

É muito importante que a criança seja avaliada por um médico e se possível um neurologista, para eliminar as causas mais graves da dor de cabeça. Discordamos da solicitação de vários exames complementares tais como eletroencefalogramas, tomografias computadorizadas e outros na ausência de dados e alterações no exame físico e neurológico completos.É muito comum a prescrição de antiepilépticos a crianças que apresentaram "achados" de anormalidade em eletroencefalogramas solicitados na vigência exclusiva da dor de cabeça

Enxaqueca na mulher

Antes da adolescência a incidência de enxaqueca é similar entre homens e mulheres, mas após a puberdade um numero maior de mulheres passam a apresentar enxaqueca em relação aos homens.

Essa proporção é de 6 mulheres para cada homem. E parte dessa maior incidência nas mulheres se deve ao fator hormonal, em particular o hormonio estrogênio.

Estudos indicam que 65% das mulheres apresentam crises de enxaqueca mais intensas e de maior duração durante a época menstrual.

A enxaqueca na gravidez

A enxaqueca pode se iniciar na gravidez. Muitas mulheres passam a apresentar crises de enxaqueca no primeiro trimestre da gravidez ou imediatamente após o término da mesma. Entretanto, quase 70% das mulheres com enxaqueca melhoram, isto é, apresentam decréscimo da frequência e intensidade das crises, durante o segundo e terceiro trimestres desta fase de suas vidas.

Durante a gravidez, tratar crises de enxaqueca ou fazer a sua prevenção medicamentosa é sempre um problema. Embora haja medicamentos considerados "seguros" na gravidez, os estudos com eles são baseados em análises passadas de mulheres grávidas que os tomaram até de forma casual. Isso representa que as conclusões observadas não são totalmente confiáveis e até orientação segura em contrário, remédios de quaisquer tipos não devem ser usados durante a gravidez principalmente no primeiro trimestre. Para aquelas mulheres que apresentam crises durante a gravidez recomenda-se repouso recostado no leito, compressas geladas na cabeça e técnicas de relaxamento.Se as crises são frequentes o tratamento preventivo deve ser aventado mas sempre com estrita orientação de médico consciente e que leve em conta os riscos e a necessidade do uso da medicação.

Enxaqueca na menstruação

A enxaqueca pode apresentar-se apenas na fase pré-menstrual ou durante a menstruação. Muitas mulheres têm enxaqueca durante todo o mês mas pioram nesta fase. Outras têm dor apenas neste período do mês. É comum haver crises intensas, refratárias aos medicamentos usados habitualmente e "indo e vindo" ao longo de vários dias. Deve-se tratar as crises de forma objetiva e eficaz, para que não perdurem por várias horas ou dias, e prevení-las com o uso de drogas tomadas ao longo de todo o mês ou apenas nas fases pré e durante a menstruação (naquelas que revelem dor restrita a esse período).

Muito se tem especulado a respeito do uso de pílulas anticoncepcionais e piora da dor menstrual. Isto realmente se observa com frequência. Pacientes que iniciam crises de enxaqueca após começar o uso de anovulatórios tendem a piorar da dor quando suspendem a ingestão da pílula no fim da cartela. Esta piora deve-se a queda mais acentuada de fração do hormônio estrogênio que fisiologicamente tem o seu nível sanguíneo diminuído com a proximidade da menstruação. Em certas ocasiões recomenda-se inclusive a suspensão do uso do anticoncepcional nos casos de piora acentuada da dor. Em outros, que demandam a sua utilização, recomenda-se o uso contínuo da pílula sem a interrupção no fim do ciclo menstrual para evitar a queda do nível estrogênico.

Enxaqueca na menopausa

A mulher melhora da enxaqueca após a menopausa. Este conceito popular domina o imaginário de médicos e pacientes. Devido à queda da produção de estrogênio e consequentemente da variação de seu nível sanguíneo durante o mês, após a menopausa muitas mulheres com enxaqueca realmente melhoram da frequência da dor. Homens após andropausa também tendem a melhorar e não raro a enxaqueca desaparece nesta fase da vida. É importante ressaltar no entanto que embora muitas pacientes melhorem no pós menopausa, outras mantem-se com o seu padrão doloroso e outras ainda apresentam exacerbação do quadro álgico.

Há estudos que indicam que :

62% das pessoas melhoram da dor de cabeça com a menopausa;
20% mantem as características da dor inalteradas e
18% relatam a piora da dor.

Enxaqueca na terapia de reposição hormonal

Mulheres em uso de reposição hormonal podem apresentar importante piora da enxaqueca.

É comum a observação de pacientes que evoluíam muito bem em seus tratamentos para a dor de cabeça e ao iniciarem terapia de reposição hormonal, revelaram piora das crises. Isso se deve a oscilação do nível sanguíneo do estrogênio quando a reposição é interrompida ao término de cada ciclo. Frequentemente cria sofrimento e obriga a mulher a aventar a suspensão do uso de hormônios. Nesses casos é importante o diálogo entre o neurologista responsável pelo tratamento da enxaqueca e o ginecologista que conduz a terapia hormonal para que ajustes sejam feitos nos tratamentos de forma a alcançar o equilibrio da melhora obtida anteriormente.

Enxaqueca na mulher

Antes da adolescência a incidência de enxaqueca é similar entre homens e mulheres, mas após a puberdade um numero maior de mulheres passam a apresentar enxaqueca em relação aos homens.

Essa proporção é de 6 mulheres para cada homem. E parte dessa maior incidência nas mulheres se deve ao fator hormonal, em particular o hormonio estrogênio.

Estudos indicam que 65% das mulheres apresentam crises de enxaqueca mais intensas e de maior duração durante a época menstrual.

A enxaqueca na gravidez

A enxaqueca pode se iniciar na gravidez. Muitas mulheres passam a apresentar crises de enxaqueca no primeiro trimestre da gravidez ou imediatamente após o término da mesma. Entretanto, quase 70% das mulheres com enxaqueca melhoram, isto é, apresentam decréscimo da frequência e intensidade das crises, durante o segundo e terceiro trimestres desta fase de suas vidas.

Durante a gravidez, tratar crises de enxaqueca ou fazer a sua prevenção medicamentosa é sempre um problema. Embora haja medicamentos considerados "seguros" na gravidez, os estudos com eles são baseados em análises passadas de mulheres grávidas que os tomaram até de forma casual. Isso representa que as conclusões observadas não são totalmente confiáveis e até orientação segura em contrário, remédios de quaisquer tipos não devem ser usados durante a gravidez principalmente no primeiro trimestre. Para aquelas mulheres que apresentam crises durante a gravidez recomenda-se repouso recostado no leito, compressas geladas na cabeça e técnicas de relaxamento.Se as crises são frequentes o tratamento preventivo deve ser aventado mas sempre com estrita orientação de médico consciente e que leve em conta os riscos e a necessidade do uso da medicação.

Há estudos que indicam que :

62% das pessoas melhoram da dor de cabeça com a menopausa;
20% mantem as características da dor inalteradas e
18% relatam a piora da dor.

Dietas para a enxaqueca

Alguns alimentos possuem substâncias que podem deflagrar crises de enxaqueca, principalmente aqueles compostos por substâncias que atuam diretamente sobre vasos sangüíneos:

Tiramina (e.g., queijo envelhecido, carnes)
Feniletilamina
Nitritos (e.g., cachorro-quente)
Glutamato monossódico
Álcool

A dieta representada abaixo é recomendada para portadores de enxaqueca por eliminar substâncias que podem deflagrar ataques ou crises deste tipo de dor de cabeça. Seguir à risca esta dieta pode não eliminar a ocorrência de crises mas em muitos pacientes irá promover uma diminuição da freqüência dos episódios dolorosos.

Bebidas

Permitidas

Evitadas

Café descafeinado e refrigerantes não-cola.
Fontes de cafeína limitadas em até 2 xícaras por dia
Fontes de cafeína (café, chá, refrigerantes tipo cola) em dose maior que 2 xícaras por dia.
Chocolate / cacau.
Bebidas alcoólicas e aspartame.

 

Carne, Ave e Peixe

Permitidas

Evitadas

Fresca ou congelada: galinha, peru, carne de vaca, peixe, cordeiro, porco.
Ovos como substitutos de carne (limite de 3 ovos por semana)
Carnes processadas, enlatadas, defumadas.
Presunto enlatado, arenque salgado, peixe seco e salgado, fígado de galinha, salsicha fermentada, salame, pepperoni.
Amendoim e derivados, molho de soja

 

Leite e Derivados

Permitidas

Evitadas

Leite homogeneizado a 2% ou desnatado
Queijo americano, cottage, ricota, cremoso, velveta
Iogurte (limite de ½ copo)
Manteiga, coalhada, achocolatado
Queijos envelhecidos: camembert, suíço, roquefort, cheddar, gouda, muzzarela, permesão, provolone
Algumas dicas
O que fazer quando estou em crise de enxaqueca?

Esteja sempre preparado! Os sofredores de enxaqueca devem ter sua medicação para as crises sempre à mão.
Em caso de dor intensa, procure um local fresco e escuro para recostar, não deite.
Coloque gelo sobre as áreas dolorosas.
Tome o medicamento para crise recomendado pelo seu médico, mas nunca mais de duas vezes por semana.
Beba muita água e coma moderadamente.
Descanse.

Quando procurar o médico?

Quando as crises de enxaqueca estão comprometendo a realização de suas atividades normais;
Se você toma analgésicos para a dor de cabeça duas ou mais vezes por semana;
Se os medicamentos que você está tomando não estão aliviando sua dor;
Quando houver qualquer modificação no comportamento padrão de sua dor;
Se houver reações aos medicamentos;
Se engravidar durante o tratamento;
Se a sua dor de cabeça é uma novidade, iniciando-se rapidamente e de forma intensa é fundamental a visita a um neurologista para afastar as causas mais graves.

NÃO SE ESQUEÇA: toda dor de cabeça tem uma causa! Só um médico pode avaliá-a corretamente, excluindo as causas mais sérias e ameaçadoras.

Consulta médica: como proceder?

O diagnóstico correto da enxaqueca requer uma história minuciosa da dor do paciente além de um exame neurológico criterioso, portanto procure um médico que possa dispor de bastante tempo para a primeira consulta.

Mantenha um relatório diário com informações sobre a sua dor, isso ajudará muito o seu médico.

Durante a consulta médica, é muito importante estabelecer uma conversa honesta e aberta com o médico, pois algumas características que aparentemente não estão relacionadas com a dor podem ajudar no diagnóstico.

Visitas regulares ao médico são importantes para ajustes necessários nas doses e medicações utilizadas.

Informe ao médico todo tipo de medicamento que está fazendo uso.

Como evitar as crises?

Mudanças no estilo de vida contribuem para o controle das crises de enxaqueca. Por exemplo, hábitos regulares para as refeições e sono;

Mudanças na dieta diminuindo ou até mesmo eliminando certos alimentos que deflagram a dor;

Evitar a ingestão de bebidas fermentadas como por exemplo o vinho tinto;
Não se expor demasiadamente ao sol e à claridade;

Evitar o uso excessivo de perfume ou a permanência em locais recém-pintados ou onde se estejam utilizando solventes químicos;

Dietas ricas em magnésio e em um aminoácido chamado triptofano são úteis. O magnésio encontra-se em alimentos verdes frescos, frutos do mar e nozes e o triptofano é encontrado em alimentos como verduras frescas, feijão e outros cereais integrais.

MITOS E VERDADES

Jejum é um dos mais frequentes desencadeadores de enxaqueca, juntamente com o stress. Bebidas alcoólicas todas causam cefaléia, porém os vinhos tintos são mais prováveis de provocar a dor devido ao seu conteúdo de taninos. A relação álcool – enxaqueca é dose dependente, se a bebida for consumida em grande quantidade as chances são maiores da conhecida “ressaca”. Admite-se que um consumo de mais de 200 mg de cafeína por dia torna um indivíduo mais susceptível para ter crises de enxaqueca, isto significa o uso de três cafés expressos por dia, ou cerca de cinco xícaras de café coado, ou cinco latas de cocacola. Além disso o uso de cafeína após as 18 hs desestrutura o ritmo normal de sono, o que também pode causar enxaqueca. Uma outra síndrome é a cefaléia da retirada da cafeína, que acontece quando no final de semana a tomada de café em grandes quantidades durante a semana é parada.

Uma lista grande de outros alimentos provocadores de cefaléia existem, como adoçantes, leite, queijos fortes, frutas cítricas, nozes, banana, feijão, doces, salsicha, condimentos, pimenta, mas não há evidência científica que dietas ou mesmo que a busca ativa de desencadeantes quando eles não são relatados pelo paciente resulte em algum benefício clínico.

Por último vamos comentar sobre os produtos nutricionais que podem ser usados na prevenção da enxaqueca. Recentemente alguns estudos controlados com placebo mostram que a RIBOFLAVINA, a vitamina B2, em altas doses é significativamente eficaz na profilaxia da enxaqueca. Da mesma forma, o Magnésio e a Coenzima Q 10 também se mostraram eficazes. O mecanismo pelo qual estes produtos agem na enxaqueca é incerto mas é possível que ocorra estabilização de membrana celular e melhora da função mitocondrial. Outra substância que age favoravelmente na enxaqueca é a MELATONINA. Estudos mostram que seus níveis estão diminuídos na enxaqueca e que sua suplementação é eficaz na prevenção da enxaqueca.

Fonte: www.saudeprev.com.br

Enxaqueca

Introdução

Enxaqueca é um tipo de cefaléia caracterizada por crises recorrentes que podem acompanhar-se de náusea, vômito, foto e fonofobia1 .É usualmente unilateral e pulsátil, de intensidade variável, sendo agravada por atividade física rotineira. Em média, o número de crises é de 1,5 por mês, e a duração varia de duas a 48 horas2.

Sua prevalência é de 5-25% em mulheres e 2-10% em homens.

Predomina em pessoas com idade variando entre 35 e 45 anos.

Após 45-50 anos, o predomínio em mulheres tende a cair3. Ocorre em 3 a 10% das crianças, afetando igualmente ambos os gêneros antes da puberdade, mas com predomínio em meninas após essa fase.

São fatores de risco: predisposição familiar, estresse, ingestão de álcool, falta de alimentação e sono, mudança climática, odores e perfumes, menstruação e exercício. Cerca de 50% das crianças terão remissão espontânea após a puberdade4,5. Esse distúrbio tem marcadas repercussões econômicas para o indivíduo e a sociedade, devido a faltas na escola e no trabalho, redução de eficiência no emprego, procura de serviços médicos e setores de emergência6,7.

A história natural da enxaqueca compreende três estados - com aura (distúrbios neurológicos prodrômicos), sem aura e aura sem enxaqueca - que podem ocorrer em qualquer momento. Em coorte de base populacional8, 64% dos pacientes apresentaram enxaqueca sem aura, 18% com aura e 13% com e sem aura. Os restantes 5% apresentaram aura sem cefaléia.

O episódio de enxaqueca é autolimitado e raramente resulta em complicações neurológicas permanentes. Enxaqueca recorrente crônica (crises em 15 ou mais dias do mês, por mais de três meses, na ausência de abuso de medicamentos) pode causar incapacitação por dor e afetar a execução de atividades diárias e a qualidade de vida.

Quando uma crise intensa se prolonga por mais de 72 horas, com repercussões físicas e emocionais, diz-se que o paciente está em estado enxaquecoso (ou migranoso), o qual é freqüentemente causado por abuso de medicamentos, associado à cefaléia de rebote. O padrão de crise é sempre o mesmo para cada indivíduo, variando apenas em intensidade. O espaçamento entre crises é variável.

A etiologia da enxaqueca é ainda controversa. Propõe-se que seja resposta do cérebro e de seus vasos sangüíneos a algum gatilho freqüentemente externo9. A ativação de nociceptores meníngeos e vasculares, associada a modificações na modulação central da dor, provavelmente é a responsável pela cefaléia7.

O manejo da enxaqueca pode ser agudo (tratamento na vigência da crise) ou prolongado (nos períodos intercrises), sendo, então, considerado profilático, pois visa impedir a repetição dos episódios.

Em crianças, justifica-se profilaxia quando a enxaqueca interfere com a vida escolar10.

Tratamento e profilaxia incluem medidas não-medicamentosas e medicamentosas.

Medidas não-medicamentosas

Em 25% dos casos, a identificação e a possível remoção de condicionantes eliminam ou minimizam a necessidade de medicamentos. Em mulheres com enxaqueca clássica, sobretudo nas fumantes, devem-se evitar contraceptivos orais, pois aumentam a freqüência e a intensidade das crises11.

Na crise de enxaqueca, repouso em quarto escuro e silencioso é por vezes suficiente para abortar a dor. Em pacientes com dor leve e sintomas iniciais, compararam-se acupuntura, sumatriptano e placebo no abortamento da crise completa, o que ocorreu em 35%, 36% e 18%, respectivamente. O risco relativo de ter crise completa foi de 0,79 (IC95%: 0,64-0,99) para acupuntura versus placebo, de 0,78 (IC95%: 0,62-0,98) para sumatriptano versus placebo e de 1,03 (IC95%: 0,64-1,68) para acupuntura versus sumatriptano. Em pacientes que, apesar do tratamento, não obtiveram alívio de dor, um segundo estudo de intervenção foi tentado, cujo desfecho era redução em pelo menos 50% da dor em duas horas. O segundo tratamento com acupuntura atingiu o objetivo em 13% dos pacientes, enquanto a segunda injeção de sumatriptano o fez em 55% dos pacientes e sumatriptano em substituição a placebo melhorou a dor em 80% dos pacientes12.

Para profilaxia, recomendam-se sono e alimentação regulares, exercícios físicos e não ingestão de alimentos desencadeantes, como vinho tinto e outras bebidas alcoólicas, chocolate, queijo, embutidos, alimentos ricos em glutamato de sódio e nitritos13-16.

Outras medidas incluem hipnoterapia, biofeedback, homeopatia, acupuntura, estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS), ajustes oclusais, manipulação cervical, técnicas de relaxamento e abordagens psicológicas e cognitivo-comportamentais, com resultados variáveis17,18.

Estudo aberto e randomizado19 avaliou a eficácia de acupuntura, TENS e laserterapia em 60 mulheres, durante quatro meses, na ausência de profilaxia medicamentosa, mostrando redução na freqüência de crises por mês com as três intervenções. Os estudos disponíveis ainda são limitados, dificultando o estabelecimento de recomendações a respeito do uso de terapias não-convencionais.

Medidas medicamentosas

Tratamento sintomático das crises

Vários medicamentos, isoladamente ou em combinação, são usados para controle sintomático das crises (ver quadro a seguir).

Há poucos ensaios clínicos com tamanho e desenho adequados para comparar a eficácia relativa das opções disponíveis. Outro problema é a falta de consenso sobre o desfecho a ser avaliado. A ausência sustentada de dor parece ser o objetivo terapêutico mais apropriado. Com base nos dados existentes, vários grupos farmacológicos mostram-se eficazes20. Os resultados são melhores se o tratamento é iniciado precocemente, quando, então, menores doses dos medicamentos são suficientes.

Alcalóides do ergot: ergotamina, diidroergotamina
Triptanos:
sumatriptano, zolmitriptano, naratriptano, rizatriptano, eletriptano, almotriptano, frovatriptano
Analgésicos não-opióides e AINE:
ácido acetilsalicílico, paracetamol, ibuprofeno, naproxeno, ácido tolfenâmico
Combinação de analgésicos opióides e não-opióides:
codeína + paracetamol
Antieméticos:
metoclopramida

A American Academy of Family Physicians e o American College of Physicians of American Society of Internal Medicine21 propõem analgésicos não-opióides e AINE (ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, naproxeno, ácido tolfenâmico, associação de ácido acetilsalicílico, paracetamol e cafeína) como terapia de primeira linha. Agentes específicos para enxaqueca - diidroergotamina (intranasal), sumatriptano (oral ou subcutâneo), zolmitriptano, naratriptano, eletriptano, rizatriptano (orais) - são indicados para pacientes que não respondem a AINE ou têm crises graves. Ainda se recomendam antieméticos para vômitos e náuseas, considerados sintomas incapacitantes na crise de enxaqueca.

Comparação entre analgésicos não-opióides e antiinflamatórios não-esteróides, com e sem antieméticos ou cafeína, alcalóides do ergot e triptanos.

AINE são agentes de primeira linha para tratamento de crises leves a moderadas de enxaqueca ou crises graves a eles responsivas no passado. Evidências mais consistentes existem para ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, naproxeno sódico, ácido tolfenâmico, diclofenaco e sua associação a cafeína, medicamentos que se mostraram superiores a placebo. Atribui-se à cafeína a propriedade de aumentar a velocidade de início de efeito de ácido acetilsalicílico, paracetamol, ibuprofeno e ergotamina.

Nas crises leves e moderadas de enxaqueca, ácido acetilsalicílico supera o placebo22,23. Sua associação à metoclopramida provou ser tão eficaz quanto a terapia com ergóticos24 e triptanos25,26 no alívio da dor em duas horas. Paracetamol também pode ser utilizado, tendo eficácia bem demonstrada, tanto isoladamente27 quanto em associação com ácido acetilsalicílico e cafeína.28 Para alívio de dor em duas horas, paracetamol na dose de 1000 mg foi mais eficaz do que placebo (NNT‡=7,8; IC95%: 4,8-21,0). Em dose de 650 mg, mostrou-se ineficaz29. Não se observou diferença significativa entre ácido acetilsalicílico (1000 mg) e a associação de paracetamol e codeína (400 mg + 25 mg) no tratamento da crise, embora ambos tenham sido mais eficazes que placebo. Ensaio clínico randomizado e controlado por placebo30, envolvendo 1.357 pacientes com enxaqueca não-incapacitante, mostrou que a associação de paracetamol, ácido acetilsalicílico e cafeína (250 mg + 250 mg + 65 mg) aliviou significativamente a dor em relação ao placebo (NNT=3,8).

Em presença de náuseas, metoclopramida (agente antiemético e pró-cinético) pode ser combinada a analgésicos não-opióides para acelerar a absorção destes últimos. Entretanto, não é recomendada rotineiramente em adultos e não deve ser administrada a pacientes mais jovens, pois pode causar distonia. Ondansetrona e congêneres, em monoterapia, não demonstraram eficácia em enxaqueca.

Revisão31 avaliou a eficácia da associação oral de ácido acetilsalicílico (650 a 900 mg) e metoclopramida (10 mg) em comparação a placebo, sumatriptano ou diidroergotamina. A associação apresentou efeitos comparáveis aos de sumatriptano por via oral e superiores aos de diidroergotamina. Em ensaio clínico aberto randomizado32, a probabilidade de sucesso terapêutico com a associação de ácido acetilsalicílico e metoclopramida diminuiu à medida que a gravidade da incapacitação relacionada à cefaléia aumentou. Entre pacientes mais incapacitados, apenas 26% tiveram suas crises controladas adequadamente com essa combinação.

Em ensaio clínico piloto, randomizado, duplo-cego, cruzado (n=16), a associação de metoclopramida (10 mg) e sumatriptano (50 mg) foi comparada a sumatriptano mais placebo em pacientes com crises moderadas a graves não responsivas a triptanos. A associação aliviou ou fez cessar dor, em duas horas, em 44% das 16 crises, em comparação a 31% com sumatriptano isolado. As taxas de recidiva não diferiram significativamente entre as intervenções33.

Revisão sistemática34 de sete ensaios clínicos controlados por placebo encontrou limitadas evidências de melhora da dor com administração oral de ergotamina, isoladamente (1 a 6 mg) ou em associação a cafeína (100 mg). Ergotamina e seus derivados foram menos eficazes que sumatriptano. Não houve diferença entre uso isolado de ergotamina e em associação a metoclopramida sobre intensidade da cefaléia ou necessidade de medicamento adicional.

Paralelamente, a incidência de efeitos adversos foi alta, em comparação com placebo, AINE e sumatriptano. Diidroergotamina pode ser útil em pacientes com crises de maior duração ou alta taxa de recorrência com uso de triptanos. As principais vantagens de ergotamina e diidroergotamina são baixo custo e grande experiência de uso. Complexa farmacologia, farmacocinética desfavorável, efeitos vasoconstritores generalizados e sustentados e alta freqüência de abuso e cefaléias de rebote constituem as principais desvantagens desses fármacos2.

Atualmente, há extensa investigação sobre os efeitos de triptanos em crises de enxaqueca. Metanálise35 e revisões sistemáticas 36, 37 confirmaram a eficácia de sumatriptano oral, intranasal e subcutâneo no tratamento de crise única de enxaqueca em adultos. Ausência de dor em duas horas ocorreu com doses orais de 25 mg (NNT= 7,5; IC95%: 2,7-142,0) e de 100 mg (NNT= 5,1; IC95%: 3,9-7,1). A maior dose determinou mais efeitos adversos, com NND§ de 7,1 (IC95%:5,0- 11,1). Em análise de ensaios clínicos que o compararam a outros triptanos, o perfil de eficácia e de efeitos adversos foi geralmente similar. Ensaios clínicos adicionais30 mostraram superioridade de sumatriptano. Com uso subcutâneo de 6 mg houve o maior ganho terapêutico em uma hora. No entanto, a cefaléia pode recorrer em até 46% dos pacientes em 24 horas, provavelmente devido à menor duração de efeito. Outras limitações são necessidade de o paciente se auto-injetar, maiores incidência e intensidade de efeitos adversos, maior custo e restrições de emprego em presença de doenças cardiovasculares.

No tratamento agudo de crises de enxaqueca associadas a período menstrual, zolmitriptano oral aliviou a dor mais precocemente. Em 2 horas, houve alívio em 48% dos episódios tratados com o fármaco em comparação a 27% dos tratados com placebo (P < 0,0001), porém os efeitos adversos ocorreram em 16% versus 9% dos indivíduos, respectivamente38. Zolmitriptano foi comparado à associação de ácido acetilsalicílico e metoclopramida no tratamento da crise enxaquecosa. Não houve diferença estatisticamente significativa (OR = 1,06; IC95%: 0,77-1,47; P = 0,72) entre o zolmitriptano e a associação quanto ao desfecho primário - alívio de dor 2 horas após a administração. Uma análise post hoc mostrou que mais pacientes em uso de zolmitriptano apresentaram ausência de dor 2 horas após a primeira dose dada em três crises comparativamente aos que receberam a associação (OR = 2,19; IC95%: 1,23-4,03; P = 0,007). Ambos os tratamentos reduziram náusea, vômito, fono e fotofobia associados à enxaqueca e foram bem tolerados25.

Metanálise39 de dez ensaios clínicos evidenciou a eficácia de naratriptano em crises moderadas a graves em comparação a placebo, sendo o efeito proporcional à dose. Para o desfecho ausência de dor em quatro horas, naratriptano (2,5 mg) foi superado por rizatriptano (10 mg) e sumatriptano (100 mg). Propiciou alívio de dor comparável ao de zolmitriptano (2,5 mg). Porém apresentou menos efeitos adversos que os demais representantes, com incidência similar à do placebo.

Ensaio clínico multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo40 evidenciou a eficácia de eletriptano para os desfechos alívio da dor em duas horas (NNT = 2,5 para a dose de 40 mg) e ausência de dor em duas horas (NNT = 4,4). O efeito foi proporcional às doses de 20 e 40 mg, mas não à de 80 mg. Teve início rápido com a dose de 40 mg (NNT = 20 em 0,5 hora; NNT = 5,3 em 1 hora). O perfil de efeitos adversos com a menor dose foi comparável ao do placebo.

Comparado a zolmitriptano (2,5 mg), só evidenciou maior resposta analgésica com dose de 80 mg41. Em ensaio clínico randomizado e duplo-cego42, eletriptano mostrou maior ausência de dor em duas horas em relação a naratriptano (35% vs. 18%; P < 0,001), menor uso de medicamentos de resgate (15% vs. 27%; P < 0,01) e resposta mais sustentada em 24 horas (38% vs. 27%; P < 0,05). Em estudo de análise de custo-efetividade entre eletriptano (40 e 80 mg) e sumatriptano (50 e 100 mg) para alívio de dor em duas horas, o tratamento com eletriptano resultou em menor custo por crise eficazmente tratada43.

Revisão do Clinical Evidence4 não encontrou ensaios clínicos que evidenciassem efeitos de paracetamol, codeína, AINE, triptanos por vias oral ou nasal e antieméticos na enxaqueca de crianças e adolescentes. Os poucos ensaios clínicos existentes não têm qualidade metodológica adequada. Nessa condição, há sugestão da utilidade de paracetamol, ibuprofeno e sumatriptano (intranasal)44.

Tratamento sintomático em emergências

Crises de enxaqueca graves, prolongadas e não-responsivas à automedicação são tratadas em serviços clínicos ou de emergência com diidroergotamina (via intravenosa ou intramuscular) ou sumatriptano (via subcutânea). Se houver insucesso terapêutico, utilizam-se metoclopramida (10 mg, por via intravenosa)45, proclorperazina (10 mg, por via intravenosa) ou clorpromazina (3 injeções intravenosas de 0,1 mg/kg, uma a cada 15 minutos).

Raramente há necessidade de hospitalização em estados enxaquecosos. Neles se emprega diidroergotamina intravenosa, por três a quatro dias, suspendem-se todos os outros fármacos e administram-se líquidos intravenosos, especialmente se houver desidratação associada46.

Profilaxia da enxaqueca

Na profilaxia, a eficácia dos medicamentos é avaliada por diminuição de duração e intensidade das crises e seu espaçamento num período de dois a três meses.

Apenas para alguns fármacos há evidências consistentes sobre eficácia na prevenção de enxaqueca.

São usados antidepressivos tricíclicos, em doses inferiores às antidepressivas, com menor latência para o início de efeito analgésico. Em metanálise47 de trinta e oito ensaios clínicos randomizados, paralelos ou cruzados, controlados por placebo ou outro tratamento ativo, que avaliou eficácia de antidepressivos tricíclicos, antagonistas de serotonina e inibidores seletivos da recaptação de serotonina na profilaxia de enxaquecas ou cefaléia tensional, o tratamento com antidepressivos tricíclicos apresentou chance duas vezes maior de melhorar a dor (NNT = 3). Ensaio randomizado, duplo-cego e cruzado48 comparou amitriptilina a propranolol na profilaxia de enxaqueca, concluindo que a primeira reduziu significativamente gravidade, freqüência e duração das crises, enquanto o segundo diminuiu apenas a gravidade das mesmas.

Em revisão sistemática de 19 ensaios clínicos49, inibidores seletivos de recaptação de serotonina mostraram resultados inconsistentes na profilaxia de enxaqueca.

Anticonvulsivantes (carbamazepina, clonazepam, valproato de sódio e topiramato) apresentam-se moderadamente eficazes, porém seu uso é limitado por reações adversas e interações medicamentosas.

Revisão sistemática29 que incluiu três ensaios clínicos controlados por placebo (n=350) avaliou especificamente a eficácia preventiva de ácido valpróico.

Observou-se redução de 50% no número de crises ou de dias com enxaqueca em aproximadamente metade dos pacientes. O NNT foi de 3,5 (IC95%: 2,6-5,3). A incidência de efeitos adversos foi significativamente maior com o anticonvulsivante, sendo mais comuns náuseas, tontura e sonolência. Em ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo50, topiramato (100 e 200 mg/dia), administrado por 18 semanas, reduziu a freqüência média mensal de crises, já no primeiro mês de profilaxia (P<0,05). As taxas de resposta para o desfecho "mínimo de 50% de redução na freqüência mensal de crise" foram de 39% (com 50 mg/ dia; P =0,01), 49% (com 100 mg/dia; P<0,001) e 47% (com 200 mg/ dia; P<.001) em comparação ao placebo (23%). Parestesias, fadiga, náuseas e diarréia foram as principais causas de suspensão do tratamento com topiramato.

Bloqueadores beta-adrenérgicos (propranolol, metoprolol, atenolol, nadolol e timolol) têm-se mostrado eficazes em numerosos ensaios clínicos51, sendo considerados tratamento de primeira linha, especialmente em pacientes com enxaqueca associada a estresse.

Apresentam boa tolerabilidade. O tratamento costuma durar seis meses e o efeito benéfico se prolonga por mais tempo.

Bloqueadores de canais de cálcio (nimodipino, diltiazem, nifedipino, verapamil e nicardipino) mostram efeito inexpressivo e variável em relatos de casos e pequenos ensaios52. Em geral, há redução da freqüência de crises, mas a repercussão sobre sua intensidade é pequena. Podem decorrer semanas a meses antes de o benefício ser notado, o que reduz a adesão.

Ensaios clínicos com agonistas alfa2-adrenérgicos (clonidina e guanfacina) sugerem mínima eficácia, não havendo evidências conclusivas51.

Terapia hormonal na fase pré-menstrual com dose relativamente alta de estradiol (1,5 mg/dia, sob forma de gel), associado ou não a progestógeno, tem valor limitado. Evidências apontam para ausência de benefício nas mulheres cuja enxaqueca não se relaciona a ciclo menstrual51.

Em ensaio clínico controlado por placebo52, avaliou-se o efeito de 400 mg de vitamina B2 (riboflavina) por três meses. Houve redução significativa de freqüência de crises e número de dias de cefaléia, com NNT de 2,3. Não houve relato de efeitos adversos graves.

Para profilaxia de enxaquecas em crianças, o manejo do estresse é provavelmente benéfico. Não se conhece a eficácia de medidas medicamentosas nessa situação5.

Os resultados dos estudos contemporâneos, abaixo resumidos, fundamentam as decisões a serem tomadas em relação a tratamento agudo e profilaxia de enxaqueca.

Evidências contemporâneas sobre manejo medicamentoso de enxaqueca

Para tratamento sintomático da crise de enxaqueca, vários medicamentos, isoladamente ou em combinação, mostramse eficazes.
O controle da crise é melhor se o tratamento é iniciado precocemente.
Analgésicos não-opióides e antiinflamatórios não-esteróides são agentes de primeira escolha para tratamento de crises leves a moderadas de enxaqueca ou crises graves que responderam a AINE no passado (recomendação de especialistas).
Paracetamol isoladamente mostra-se menos eficaz que ácido acetilsalicílico isoladamente ou ácido acetilsalicílico associado a metoclopramida no tratamento de crises.
Associação de ácido acetilsalicílico e metoclopramida tem eficácia comparável à de sumatriptano oral e superior à de diidroergotamina em crises leves e moderadas de enxaqueca.
Emprego de ergotamina fica restrito a pacientes selecionados, com enxaqueca moderada ou grave nãoresponsiva a analgésicos comuns.
Triptanos são apropriados para tratamento de enxaqueca moderada e grave em pacientes sem contra-indicações (grau A de recomendação).
Têm efeitos similares entre si.
Medicamentos profiláticos têm eficácia indefinida ou apenas moderada, acrescida de substanciais efeitos adversos.

Lenita Wannmacher

Maria Beatriz Cardoso Ferreira

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Fonte: bvsms.saude.gov.br

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