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Febre Amarela

 

Desde 1942, não é registrado nenhum caso de febre amarela urbana. Nos últimos dias, entretanto, houve registro da contaminação de algumas pessoas pela febre amarela silvestre.

São pessoas, não vacinadas, que estiveram em áreas de floresta ou de mata de regiões consideradas de risco.

Nas últimas semanas, autoridades estaduais, municipais e federal tiveram que acionar os órgãos de vigilância em saúde devido ao aumento do número de mortes de macacos em matas próximos de cidades.

A preocupação é com o possível aumento do vírus circulante da doença nas florestas ou cerrado. Junto com estados e municípios, o Ministério da Saúde adotou todas as estratégias para evitar a ocorrência de surto na população humana. Dentre elas, a intensificação da vacinação das pessoas que irão entrar em contato com áreas de matas, florestas ou cerrado nas áreas de risco.

A fim de auxiliar no entendimento da doença e assim evitar os riscos de contaminação, seguem abaixo alguns esclarecimentos à respeito da febre amarela.

O que é

É uma doença infecciosa causada por um tipo de vírus chamado flavivírus, cujo reservatório natural são os primatas não-humanos (ex.: macacos) que habitam as florestas tropicais.

Existem dois tipos de febre amarela: a silvestre, transmitida pela picada do mosquito Haemagogus , e a urbana transmitida pela picada do Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e que foi reintroduzido no Brasil na década de 1970. Embora os vetores sejam diferentes, o vírus e a evolução da doença são absolutamente iguais. Esta doença não é transmitida de uma pessoa para a outra. Esta ocorre quando o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco) infectados, normalmente em regiões de floresta e cerrado, e depois pica uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina.

A forma urbana já foi erradicada. O último caso de que se tem notícia ocorreu em 1942, no Acre, mas pode acontecer novo surto se a pessoa infectada pela forma silvestre da doença retornar para áreas de cidades onde exista o mosquito da dengue que prolifera nas cercanias das residências e ataca durante o dia.

Sintomas

Os principais sintomas da febre amarela - febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte, cansaço, calafrios, vômito e diarréia aparecem, em geral, de três a seis dias após a picada (período de incubação). Aproximadamente metade dos casos da doença evolui bem. Alguns podem apresentar, além dos já citados, sintomas graves como icterícia, hemorragias, comprometimento dos rins (anúria), fígado (hepatite e coma hepático), pulmão e problemas cardíacos que podem levar à morte. Uma vez recuperado, o paciente não apresenta seqüelas.

Diagnóstico

Como os sintomas da febre amarela são bastante parecidos com os da dengue e da malária, o diagnóstico preciso é indispensável e deve ser confirmado por exames laboratoriais específicos, a fim de evitar o risco de epidemia em áreas urbanas, onde o vírus pode ser transmitido pelo mosquito da dengue.

Tratamento

Doente com febre amarela precisa de suporte hospitalar para evitar que o quadro evolua com maior gravidade. Não existem medicamentos específicos para combater a doença. O tratamento consiste, basicamente,  em hidratação e uso de antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico. Casos mais graves podem requerer diálise e transfusão de sangue.

Vacinação

Existe vacina eficaz contra a febre amarela, que deve ser renovada a cada dez anos. Nas áreas de risco, a vacinação deve ser feita a partir dos seis meses de vida. De maneira geral, a partir dos nove meses, a vacina deveria ser recomendada para as demais pessoas, uma vez que existe a possibilidade de novos surtos da doença caso uma pessoa infectada pela febre amarela silvestre retorne para regiões mais povoadas onde exista o mosquito Aedes aegypti. A vacinação é recomendada, especialmente, aos viajantes que se dirigem para localidades, como zonas de florestas e cerrados, e deve ser tomada dez dias antes da viagem para que o organismo possa produzir os anticorpos necessários. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

E como avaliar quem tem ou não baixa imunidade? O que acontece se uma pessoa com baixa imunidade tomar a vacina?

Imunidade é quando a pessoa cuja defesa do organismo está em baixa. Mas geralmente as pessoas têm diagnostico por parte dos médicos que a acompanham.

São aquelas pessoas que estão em tratamento de câncer, por exemplo, que estão tomando drogas imunosupressoras como corticóides com dosagens elevadas, algumas situações de portadores de HIV em que estejam com imunosupressão.

Recomendações

Use, sempre que possível, calças e camisas que cubram a maior parte do corpo
Aplique repelente sistematicamente. Não se esqueça de passá-lo também na nuca e nas orelhas. Repita a aplicação a cada quatro horas, ou a cada duas horas se tiver transpirado muito
Não se esqueça de reaplicar o repelente toda a vez que molhar o corpo ou entrar na água
Use mosqueteiro, quando for dormir nas áreas de risco
Procure informar-se sobre os lugares para os quais vai viajar e consulte um médico ou os núcleos de atendimento ao viajante para esclarecimentos sobre cuidados preventivos.

Erradicar o mosquito transmissor da febre amarela é impossível, mas combater o mosquito da dengue nas cidades é uma medida de extrema importância para evitar surtos de febre amarela nas áreas urbanas. Não se descuide das normas básicas de prevenção.

Fonte: www.rgnutri.com.br

Febre Amarela

A febre amarela é uma virose que ocorre na forma silvestre em grande parte do Brasil, incluindo parte de Minas Gerais, sendo o homem acometido acidentalmente quando penetra na floresta.

Fala-se em febre amarela urbana quando o homem é reservatório do vírus e fonte para infecção do vetor (mosquito antropofílico) mantendo dessa forma o ciclo da virose. Portanto para a urbanização da febre amarela faz-se necessária a presença de vetores antropofílicos, como o Aedes aegypti, vivendo no domicílio ou peridomicílio do homem urbano, e a ocorrência da virose silvestre.

Epidemias de febre amarela urbana relacionam-se a fatores sociais e climáticos, iniciando-se com a introdução de indivíduo virêmico em comunidade humana susceptível, residindo em locais infestados pelo vetor, em períodos de temperatura e umidade elevadas. O último relato da febre amarela urbana no Brasil ocorreu no Acre em 1942.

A febre amarela se apresenta clinicamente de forma variável desde um quadro febril inespecífico até quadros graves com mortalidade que chega a 60%.

A prevenção e o controle da febre amarela se baseiam:

1- na erradicação ou controle do vetor, através do uso de inseticidas e monitorização dos índices de infestação domiciliar pelo Aedes aegypti;
2- na aplicação da vacina da febre amarela.

A vacina feita com vírus atenuado é segura e altamente eficaz, sendo que mais de 95% das pessoas imunizadas desenvolvem títulos protetores de anticorpos após dez dias da vacinação.

A vacina é utilizada por via subcutânea, em dose única de 0,5 ml e é bem tolerada. Menos de 10% dos indivíduos vacinados apresentarão reações adversas leves como mialgia, febre e cefaléia.

A encefalite é rara (1/17.000.000, dados americanos) e está geralmente associada a crianças menores de um ano de idade. Não foi notificado nenhum caso no Brasil até o momento.

Doses de reforço são recomendadas a cada dez anos para residentes em áreas de risco ou para pessoas que se deslocam para elas (caminhoneiros,motoristas, etc).

A vacinação no Brasil tem sido recomendada rotineiramente para a população residente em áreas enzoóticas e epizoóticas do vírus como as Regiões Norte e Centro-oeste, Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas Gerais, e a todas as pessoas não vacinadas que estiverem se deslocando para estas áreas de risco.

Belo Horizonte apresenta, atualmente, condições de risco para a introdução da febre amarela, já que o vírus tem sido encontrado em animais silvestres que circulam próximo à cidade, e o vetor Aedes aegypti continua presente nos domicílios e peridomicílios. Neste caso, a vacina está indicada para proteger os indivíduos e proporcionar uma imunidade coletiva que se constitua numa barreira à propagação geográfica da infecção.

Está portanto, indicada a vacinação anti-amarílica para os moradores de Belo Horizonte com idade superior a seis meses e não imunizados.

A vacina está contra-indicada em menores de seis meses de idade, em pessoas com doenças febris agudas, debilitadas ou com hipersensibilidade ao ovo de galinha.

Deve ser evitada em indivíduos imunodeficientes pelo uso de drogas imunossupressoras ou por doença como a AIDS.

Não é recomendada em gestantes. Deve ser observado intervalo mínimo de quinze dias entre a administração da vacina anti-amarílica e outras vacinas de vírus vivos atenuados.

Gláucia M. Q. Andrade

Heliane Brant Freire

 Referências bibliográficas

1- American Academy of Pediatrics. Arboviruses. In: Peter G., ed. 1997 Red Book: Report of the Committe on Infectious Diseases. 24th ed. Elk Grove Village, IL: American Academy of Pediatrics; 1997: 137-141.
2-
Fonseca B.A.L., Figueiredo L.T.M. Febre amarela. In: Veronesi R. & FocacciaR. Tratado de Infectologia. Editora Atheneu, São Paulo, 1996.
3-
Recomendações sobre vacina de febre amarela publicado e distribuído pela Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, 1998.

Fonte: www.medicina.ufmg.br

Febre Amarela

Mas a lesão mais notável do fígado era a alteração de sua cor. Essa alteração consistia de palidez, assumindo o fígado às vezes cor de manteiga fresca, às vezes cor de palha e às vezes cor de café-com-leite”. Pierre-Charles-Alexandre Louis (1839)

INTRODUÇÃO

A febre amarela é uma doença febril aguda, causada por um arbovírus do gênero Flavivirus e transmitida por mosquitos (Haemagogus spp., Sabethes spp. e Aedes ssp). Apresenta-se sob dois ciclos epidemiológicos distintos, a febre amarela silvestre e a febre amarela urbana (erradicada no Brasil desde 1942).

A febre amarela silvestre tem comportamento endêmico no continente africano e na América Latina. Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e Brasil são os principais países endêmicos nas Américas.

No Brasil, existem três padrões de distribuição da doença, representados pela zona endêmica (regiões norte e centro-oeste), zona indene (regiões nordeste, sudeste e sul) e zona de transição (faixa que se estende de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul).

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

A infecção pelo vírus amarílico determina, no homem, desde quadro inaparente e pouco sintomático (cerca de 90% dos casos) até formas fulminantes.

O quadro típico da doença se caracteriza por uma evolução bifásica, com um período de infecção, período de remissão e período de intoxicação. O período de infecção dura cerca de três dias, com início súbito e sintomas gerais como febre, calafrios, cefaléia, mialgia generalizada, prostração, náuseas e vômitos.

O período de remissão caracteriza-se pelo declínio da temperatura e diminuição dos sintomas, provocando uma sensação de melhora no paciente. Dura poucas horas ou, no máximo, um ou dois dias.

O período de intoxicação, que ocorre em cerca de 15 a 25% dos pacientes infectados com expressão clínica, caracteriza-se pela predominância dos sintomas de insuficiência hepato-renal, representados por dor abdominal intensa, icterícia, hematêmese, melena e outras manifestações hemorrágicas (petéquias, equimoses, hematomas, epistaxe, gengivorragia, hemorragia conjuntival, hemoptise ou hemoperitônio), oligúria e anúria, acompanhados de albuminúria e prostração intensa.

O pulso se torna relativamente mais lento, apesar da temperatura elevada (sinal de Faget). Pode haver progressão para o comprometimento do sistema nervoso central devido a encefalopatia hepática e uremia, com agitação psicomotora, obnubilação, torpor e coma.

As formas leve e moderada são de difícil diagnóstico diferencial com outras doenças febris.

A convalescença costuma ser rápida e a recuperação completa, podendo raramente arrastar-se por mais de duas semanas com astenia persistente. Complicações tardias podem ocorrer como resultado de infecção bacteriana secundária e necrose tubular aguda. Aproximadamente 20 a 50% dos pacientes com síndrome hepato-renal evoluem para o óbito, que costuma ocorrer ao final da primeira semana de doença e, dificilmente após o décimo dia de evolução. Nos casos de doença fulminante, a morte pode ocorrer nas primeiras 72 horas de evolução, geralmente como resultado de coagulação intravascular disseminada.

Deve-se considerar como suspeito todo paciente que apresentar quadro febril agudo (duração máxima de 10 dias), acompanhado de icterícia e pelo menos um dos seguintes sinais e sintomas: sinal de Faget (dissociação pulso-temperatura); manifestações hemorrágicas; dor abdominal persistente; albuminúria e oligúria.

Além disso, o paciente desconhece ou nega história de vacinação para febre amarela ou foi vacinado há mais de 10 anos.

O paciente com suspeita de febre amarela poderá, portanto, apresentar-se com uma das seguintes síndromes:

Síndrome febril indiferenciada aguda (pouco comum em pacientes hospitalizados)
Síndrome febril ictérica aguda
Síndrome febril hemorrágica aguda
Síndrome febril íctero-hemorrágica aguda.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

À admissão, devem ser solicitados: hemograma, glicemia, TGO, TGP, fosfatase alcalina, ã GT, uréia, creatinina, bilirrubina total e frações, albumina, EAS.

Solicitar hemocultura nos casos em que se suspeita de infecção bacteriana associada.

Em relação aos exames inespecíficos, algumas peculiaridades podem ser observadas:

No início da doença, o hemograma pode evidenciar leucocitose discreta com neutrofilia e desvio à esquerda; a partir do quarto dia de evolução, observa-se leucopenia progressiva com linfocitose; há forte tendência à hemoconcentração, porém, na vigência de grandes sangramentos, este dado perde o valor; a contagem de plaquetas encontra-se geralmente diminuída.

À bioquímica do sangue, a principal marca da febre amarela é o aumento expressivo das enzimas hepáticas, freqüentemente ultrapassando valores superiores a 5.000 U/l, acompanhado de hiperbilirrubinemia com predomínio da fração direta. A agressão renal se traduz por níveis de uréia e creatinina bastante aumentados, acompanhada de proteinúria e hematúria.

Nos casos mais graves pode-se observar aumento do TAP, TTPA e TC, bem como diminuição dos fatores de coagulação de síntese hepática (II, V, VII, IX e X). Nos casos de CIVD, observa-se ainda a diminuição do fator XII e fibrinogênio.

Os métodos laboratoriais atualmente empregados para diagnóstico de febre amarela, na Gerência de Virologia (Núcleo de Arbovirologia), são o MAC-ELISA, o ELISA de inibição e a inibição da hemaglutinação. Em caso de óbito, amostras de fígado e tecido cerebral podem ser testadas por PCR e imunohistoquímica.

TRATAMENTO

Os pacientes com suspeita clínica de febre amarela devem, obrigatoriamente, ser atendidos em caráter de urgência no Pronto-Atendimento da FMT/IMT-AM e internados para investigação. Todos os pacientes que procedem de áreas malarígenas (periferia e área rural de Manaus, demais municípios e Estados da Amazônia Brasileira) devem ser inicialmente testados para malária através do exame de gota espessa (pesquisa de plasmódio).

Uma vez que inexiste tratamento específico para a febre amarela, as medidas de suporte são o único recurso disponível.

ESTABILIDADE HEMODINÂMICA

A febre amarela representa o exemplo mais característico de febre hemorrágica viral, com sinais de sepse, falência de múltiplos órgãos e choque. A manutenção da volemia do paciente enfermo, garantindo o melhor nível de perfusão tecidual possível, é a base da terapêutica de suporte.

Ao contrário da febre hemorrágica do dengue, o paciente não responde tão prontamente à ressuscitação volêmica, de modo que, neste caso, deve-se tomar ainda mais cuidado para que não haja sobrecarga hídrica. Os cuidados de terapia intensiva são fundamentais para o manejo adequado de líquidos e o acesso venoso profundo está indicado mesmo em pacientes com marcada plaquetopenia.

A reposição de fluidos deve ser feita sempre com soluções cristalóides (SF 0,9% ou Ringer lactato). O uso precoce de drogas vasoativas, associado à oferta de líquidos, também pode ser útil para a reversão do estado de choque.

FUNÇÃO RENAL

A avaliação oportuna da função renal, bem como a indicação precoce dos métodos dialíticos, representa a segunda medida de suporte mais importante para o paciente com suspeita de febre amarela. É do conhecimento geral que o estado de uremia, por si só, contribui para o agravamento e perpetuação dos fenômenos hemorrágicos e da encefalopatia. Não raramente, pacientes que sobrevivem ao quadro grave desta enfermidade permanecem ainda várias semanas em diálise até alcançarem a completa recuperação.

FUNÇÃO HEPÁTICA

O fígado é, sem dúvida, o órgão mais atingido pelo vírus amarílico, sofrendo necrose maciça dos hepatócitos e comprometimento da produção dos fatores de coagulação. Desta forma, além do suporte hemodinâmico citado anteriormente, a reposição dos fatores de coagulação é também fundamental para a recuperação do doente.

O plasma fresco congelado é a melhor opção de reposição e deve ser iniciado tão logo se faça a suspeição clínica. Alguns manuais indicam o início da hemotransfusão somente após as primeiras manifestações hemorrágicas, o que tem se mostrado menos eficaz do que o início precoce.

Assim, diante da suspeita clínico-epidemiológica de febre amarela, deve-se iniciar a transfusão de plasma fresco congelado (1 U IV 6/6h). Dependendo da magnitude da hemorragia, deve-se indicar ainda a transfusão de concentrado de hemácias. A transfusão de concentrado de plaquetas tem se mostrado menos benéfica que as anteriores, devido ao consumo rápido destes elementos, principalmente diante da suspeita de CIVD.

MEDIDAS GERAIS

A ocorrência de casos suspeitos de febre amarela requer imediata notificação e investigação. O aparecimento de um primeiro caso pode preceder um surto, o que impõe a adoção imediata de medidas de controle.

Por ser uma doença de notificação compulsória internacional, todo caso suspeito deve ser prontamente comunicado ao Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da FMT/IMT-AM e também à Gerência de Virologia (Núcleo de Arbovirologia):

Manter aporte calórico por via parenteral enquanto houver alteração de consciência e/ou hemorragia digestiva;
Manter sonda nasogástrica para descompressão gástrica e monitoração de sangramentos;
Manter, se possível, infusão contínua de anti-ácidos para proteção da mucosa gástrica;
Administrar oxigênio úmido sob máscara sempre que necessário;
Corrigir possível distúrbio ácido-básico concomitante;
Tratar possíveis infecções bacterianas secundárias;
Instituir precocemente o tratamento de encefalopatia hepática (seguir recomendação do Capítulo de Hepatite viral);
Em caso de óbito, insistir para a realização de necropsia. Não sendo possível, deve-se proceder à viscerotomia (com qualquer agulha calibrosa disponível) para estudo histopatológico.

Maria Paula Gomes Mourão

Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda

 LEITURA SUGERIDA

1. MONATH, T.P. Yellow fever: an update. Lancet Infect Dis v.1, p.11-20, 2001.
2. FUNASA. CENEPI. Guia de Vigilância Epidemiológica. 2002. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/pub/GVE.htm. Acesso em: 05 jan 2003.
3. FUNASA. Manual de vigilância epidemiológica de febre amarela. 1999. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/pub.htm. Acesso em: 05 jan 2003.
4. VASCONCELOS, P.F.C. et al. Serious adverse events associated with yellow fever 17DD vaccine in Brazil: report of two cases. Lancet, v. 7, n. 9276, p.91-7, 2001.

Fonte: www.fmt.am.gov.br

Febre Amarela

Causa

A febre amarela é causada por um vírus da família Flaviviridae.

Classificação

A febre amarela pode ser classificada em urbana e silvestre. Na febre amarela urbana, o reservatório natural é o homem. Na febre amarela silvestre, o reservatório natural é o macaco. As duas podem causar doença no homem.

Epidemiologia

No Brasil, a febre amarela ocorre nas regiões norte e centro-oeste.

Não há registros de muitos casos por ano, mas a mortalidade das pessoas infectadas é muito alta: de 50 a 100%, dependendo do ano.

Sinais e sintomas

No início da doença, por volta de cinco dias após a picada do mosquito, a pessoa apresenta, cerca de três dias, dor de cabeça, dores pelo corpo, enjôos, vômitos e desânimo, o que pode ser confundido com outras viroses, como um resfriado forte.

Após esse período, os sintomas aliviam, o que dá a sensação de que a pessoa está melhorando.

Após mais um ou dois dias começam a aparecer os sintomas mais graves como icterícia (cor amarelada na pele e nos olhos), vômitos, urina e fezes com sangue, além de sangramentos no nariz e na boca, febre alta e forte sensação de mal-estar.

Algumas pessoas apresentam apenas os sinais de um resfriado forte, dificultando o diagnóstico.

Quanto tempo leva até aparecer a doença?

Após a picada, a pessoa leva de três a seis dias para apresentar o início da doença. Se a pessoa esteve em área endêmica e começar a apresentar os sintomas descritos anteriormente, deve procurar um médico imediatamente.

É transmissível?

A febre amarela é transmitida através da picada de mosquitos.

No caso da forma urbana, o vetor é o Aedes aegypti.

Na forma silvestre, o vetor é do gênero Haemagogus. O mosquito pica a pessoa ou o macaco infectado e depois transmite a doença para as demais pessoas que picar.

É importante que todos os casos suspeitos ou diagnosticados desta doença sejam relatados ao Ministério da Saúde, para a adoção de medidas que objetivam evitar que ela se espalhe para outras regiões do País.

Como evitar?

A melhor forma de evitar a febre amarela é a vacinação.

Todas as pessoas que pretendem viajar para as áreas onde existe a doença e aquelas que vivem nessas regiões devem fazer a vacina a partir dos seis meses de idade. Basta uma dose e reforços a cada dez anos para que a pessoa tenha proteção de quase 100%.

Além disso, é importante a conscientização da população para evitar a formação de reservatórios com água parada como em pneus, vasos de plantas, piscinas sem cuidados e lixo.

Fonte: www.medicinal.com.br

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa, causada pelo vírus amarílico.

A doença ataca o fígado e os rins e pode levar à morte.

Existem dois tipos diferentes de febre amarela: a urbana e a silvestre.

A principal diferença é que nas cidades, o transmissor da doença é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue.

Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente esses primatas.

Esses mosquitos vivem também nas vegetações à beira dos rios.

Primeiro picam o macaco doente e depois, o homem.

É importante ressaltar que a febre amarela silvestre só ocorre em humanos ocasionalmente.

São os macacos os principais hospedeiros. Os mosquitos transmissores só picam homens que invadem o habitat dos macacos.

A maior incidência da doença acontece nos meses de janeiro a abril, período das chuvas. Nessa época, há um aumento da quantidade do mosquito transmissor e maior atividade agrícola, que leva ao deslocamento de um número maior de pessoas às áreas com risco de transmissão.

Após ser picado pelo mosquito, a pessoa contaminada começa a apresentar uma série de sintomas: febre alta (podendo chegar a 40 ou 41 graus centígrados), fortes dores de cabeça, vômitos, problemas no fígado e hemorragias.

O nome da doença está relacionado à cor a qual a pele da pessoa fica após contrair a doença. O doente fica com ictirícia, pois ocorre o derramamento da bilirrubina em diversos tecidos do corpo. Quando espalha-se pela corrente sanguínea, a pessoa fica com uma cor amarelada na pele e também nos olhos.

Esta doença infecciosa pode permanecer no corpo da pessoa doente por aproximadamente duas semanas. Em alguns casos, a pessoa pode morrer, em função do agravamento da doença e dos danos provocados pelo vírus no corpo e nos órgãos.

A vacina contra a febre amarela foi descoberta, no início do século XX, pelo médico e sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz e pode ser aplicada a partir dos 9 meses sendo válida por 10 anos.

A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

Fonte: www.ssgrama.sp.gov.br

Febre Amarela

O que é?

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África.

Qual o microrganismo envolvido?

O Arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae.

Quais os sintomas?

Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

Como se transmite?

A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa não existe.

Como tratar?

Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.

Como se prevenir?

A única forma de evitar a Febre Amarela Silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem para áreas nacionais de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos), e para as áreas internacionais. Para a viagens internacionais para diversos destino é necessário o registro da vacina contra Febre Amarela no Certificado Internacional de Vacinação.

Fonte: www.anvisa.gov.br

Febre Amarela

1. O que é FEBRE AMARELA?

Doença infecciosa febril aguda, causada pelo vírus da febre amarela, arbovírus pertencente ao gênero Flavivirus, família Flaviviridae, transmitida por vetores, que possui dois ciclos epidemiológicos distintos: silvestre e urbano. Embora os vetores sejam diferentes, o vírus e a evolução da doença são absolutamente iguais.

Reveste-se da maior importância epidemiológica, por sua gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas urbanas.

2. Qual a diferença entre febre amarela silvestre e a febre amarela urbana?

Ambas são semelhantes dos pontos de vista etiológico, fisiopatológico, imunológico e clínico, as diferenças entre elas dizem respeito à localização geográfica, espécie vetorial e tipo de hospedeiro.

Febre amarela silvestre:

Esta forma epidemiológica da doença ocorre pela picada do mosquito (dos gêneros Haemagogus e Sabethes) infectado com o vírus amarílico, na pessoa sadia que adentra o habitat natural dos macacos, ou seja, na mata. É uma série que ameaça às populações rurais e um risco permanente para a introdução do vírus nas grandes cidades e pequenas localidades infestadas pelo Aedes aegypti.

Febre amarela urbana:

Esta forma epidemiológica da doença ocorre pela picada do mosquito do gênero Aedes, que tem o habitat urbano, infectado com o vírus amarílico. A transmissão ocorre através da pessoa que retorna da mata infectada pelo vírus amarílico e é picada na cidade pelo Aedes aegypti que irá infectar este mosquito, que será o transmissor urbano.

3. Como ocorre a transmissão da febre amarela?

A febre amarela não é transmitida de uma pessoa para a outra. A transmissão do vírus ocorre quando o mosquito pica uma pessoa ou primata (macaco) infectado, normalmente em regiões de floresta e cerrado, e depois pica uma pessoa saudável que não tenha tomado a vacina.

4. Depois de quanto tempo a pessoa que é picada pelo mosquito infectado com o vírus da febre amarela fica doente?

De três a seis dias após a picada do mosquito infectado, período em que o homem pode infectar os mosquitos transmissores.

5. Quais são os principais sintomas da febre amarela?

Os principais sintomas da febre amarela são: febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte, cansaço, calafrios. O vômito e diarréia aparecem, em geral, de três a seis dias após a picada (período de incubação). Aproximadamente metade dos casos da doença evolui bem. Os outros 15% podem apresentar, além dos já citados, sintomas graves como icterícia, hemorragias, comprometimento dos rins (anúria), fígado (hepatite e coma hepático), pulmão e problemas cardíacos que podem levar à morte. Uma vez recuperado, o paciente não apresenta seqüelas.

O quadro clínico típico é caracterizado por manifestações de insuficiência hepática e renal, tendo em geral apresentação bifásica, com um período inicial prodrômico (infecção) e um toxêmico, que surge após uma aparente remissão e, em muitos casos, evolui para óbito em aproximadamente uma semana.

Período de infecção – dura cerca de três dias, tem início súbito e sintomas gerais como febre, calafrios, cefalalgia, lombalgia, mialgias generalizadas, prostração, náuseas e vômitos.
Remissão –
caracteriza-se pelo declínio da temperatura e diminuição dos sintomas, provocando uma sensação de melhora no paciente. Dura poucas horas, no máximo de um a dois dias.
Período toxêmico –
reaparece com a febre, a diarréia e os vômitos com aspecto de borra de café. Caracteriza-se pela instalação de quadro de insuficiência hepato-renal representado por icterícia, oligúria, anúria e albuminúria, acompanhado de manifestações hemorrágicas (gengivorragias, epistaxes, otorragias, hematêmese, melena, hematúria, sangramentos em locais de punção venosa) e prostração intensa, além de comprometimento do sensório, com obnubilação mental e torpor, com evolução para o coma e morte. O pulso torna-se mais lento, apesar da temperatura elevada. Essa dissociação pulso-temperatura é conhecida como sinal de Faget.

6. Existem outras doenças que podem ser confundidas com a FEBRE AMARELA?

As formas leve e moderada da febre amarela são de difícil diagnóstico diferencial, pois podem ser confundidas com outras doenças infecciosas que atingem os sistemas respiratório, digestivo e urinário. As formas graves, com quadro clínico clássico ou fulminante, devem ser diferenciadas de malária por Plasmodium falciparum, leptospirose, além de formas fulminantes de hepatites. Devem ser lembradas, ainda, as febres hemorrágicas de etiologia viral, como dengue hemorrágico e septicemias.

7. Como é feito o Diagnóstico laboratorial?

O diagnóstico pode realizado por isolamento do vírus amarílico e detecção de antígeno em amostras de sangue ou tecido e por sorologia. Também podem ser realizados exames de histopatologia em tecidos pos morten.

8. Como é o tratamento para a febre amarela?

Não existe tratamento específico. É apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sangüíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa unidade de terapia intensiva (UTI), o que reduz as complicações e a letalidade.

9. Como proceder nos casos suspeitos de febre amarela?

Ocorrência de suspeita de febre amarela deve ser notificada imediatamente e investigada o mais rapidamente possível, pois se trata de uma doença grave e de notificação compulsória internacional - todos os casos suspeitos devem ser informados às autoridades sanitárias, já que um caso pode sinalizar o início de um surto, o que pede medidas de ação imediata de controle.

10. Como se prevenir da Febre amarela?

A única forma de evitar a Febre Amarela é a vacinação contra a doença. A vacina é altamente eficaz.(confere imunidade em 95% a 99% dos vacinados) e está disponível gratuitamente nos postos de saúde em qualquer época do ano.

11. Qual a via de administração e a dosagem da vacina contra febre amarela?

A vacina contra febre amarela é administrada por via subcutânea, na dosagem de 0,5 ml.

12. Quem deve receber a vacina?

Toda pessoa nunca vacinada ou vacinada há mais de 10 anos. A idade recomendada para iniciar a vacinação contra febre amarela é aos nove meses de idade, porém em situação de surto, intensificação de vacinação e vacinação de bloqueio por ocorrência de epizootias com ou sem confirmação laboratorial, e ou ocorrência de casos confirmados ou suspeitos da doença em humanos, a idade mínima para vacinação é a partir dos seis meses de idade, independente da vacinação ser feita em área urbana ou rural.

13. Se eu tomei a vacina há menos de dez anos e tenho a confirmação através do meu cartão de vacinas, eu preciso tomá-la neste momento de epizootia?

Não. A não ser que você não tenha o cartão de vacinas.

14. Todas as pessoas podem tomar a vacina contra a febre amarela?

Não.

A vacina contra febre amarela é contra-indicada nas seguintes situações:

Em crianças com menos de 6 meses de idade

Imunodepressão transitória ou permanente, induzida por doenças (neoplasias, AIDS e infecção pelo HIV com comprometimento da imunidade) ou pelo tratamento (drogas imunossupressoras acima de 2mg/kg/dia por mais de 2 semanas, radioterapia etc.); em regiões de médio e alto risco para febre amarela, devem ter sua vacinação avaliada, levando-se em conta sua contagem de CD4 e carga viral. (Recomendação do Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação, Ministério da Saúde, 2007).

Reações anafiláticas relacionadas a ovo de galinha e seus derivados ou a outras substâncias presentes na vacina (ver composição) constituem contra-indicação para a vacina contra febre amarela.

Em algumas situações deve-se ter precaução ao administrar a vacina:

Nos casos de doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença.

Indivíduos soropositivos para HIV, em regiões de médio e alto risco para Febre Amarela, devem ter sua vacinação avaliada levando-se em conta sua contagem de CD4.

15. A gestante pode tomar a vacina contra febre amarela?

Apesar da falta de qualquer evidência para incriminar a vacinação durante a gravidez, a utilização de qualquer medicamento, e neste caso uma vacina de vírus vivos atenuados, implica em um risco teórico e por isso não há uma recomendação livre de vacinação de gestantes contra febre amarela. Assim, a Organização Mundial da Saúde - OMS, o Center for Desease Control and Prevention – CDC-P (Atlanta – EUA), o Departamento de Saúde do Reino Unido e o Programa Nacional de Imunizações do Brasil recomendam evitar a vacinação de gestantes contra febre amarela pela possibilidade deste risco teórico.

A recomendação de vacinar gestantes contra febre amarela existe quando a situação epidemiológica torna o risco da doença elevado. Desse modo, há que se avaliar a relação de risco e benefício de sua aplicação, reservando-a para situações especiais onde a exposição da gestante ao vírus amarílico é inevitável e ou em casos de emergência epidemiológica, quando o risco de infecção natural é maior que o risco teórico de eventos adversos do vírus vacinal, independente da idade gestacional.

16. E a mãe que está amamentando pode vacinar contra febre amarela?

Não há relato na literatura de eventos adversos ocorridos por transmissão do vírus vacinal da mãe para o bebê, através do leite materno. Portanto, as mulheres lactantes devem ser vacinadas, nas regiões com transmissão ativa do vírus amarílico.

17. A vacina contra febre amarela pode ser administrada no mesmo dia, com outras vacinas do esquema de vacinação?

Sim. Desde que feitas em regiões anatômicas diferentes.

18. Após o recebimento da vacina o paciente pode ingerir bebida alcoólica?

Não há nada registrado que contra indique a ingestão de bebida alcoólica após a vacinação contra febre amarela.

19. Qual a duração da proteção conferida pela vacina contra a febre amarela?

A vacina contra febre amarela confere boa proteção por dez anos (confere imunidade em 95% a 99% dos vacinados) daí a necessidade das revacinações a cada dez anos.

20. A vacina contra febre amarela pode provocar eventos adversos (reações)?

Sim. Dor no local de aplicação, febre, dor de cabeça (cefaléia), dores musculares (mialgia), nos primeiros dias após a vacinação durando de 1 a 3 dias na maior parte dos casos. Casos graves são raramente relatados. Na ocorrência de eventos adversos, procurar os postos de vacinação para que seja feita a notificação, investigação e encaminhamentos dos mesmos.

21. Qual a exigência sanitária para as pessoas viajarem para outros países?

Para viajantes internacionais, vindo ou indo para áreas infectadas, a vacinação contra febre amarela é a única exigência sanitária, conforme publicação regular da Organização Mundial da Saúde/OMS. Alguns países da América do Sul e da África exigem o Certificado Internacional de Vacinação-CIV, de cor amarela.

Apenas o portador poderá solicitar a substituição do cartão, comparecendo ao posto de troca munido do:

Cartão nacional de vacinas, com o registro da data da vacinação, número do lote da vacina e assinatura do vacinador,
Documento oficial com fotografia: Carteira de Identidade, Passaporte ou Cédula Profissional (tipo OAB, CREA, CRF, CRM etc. e para menores de idade é necessária a apresentação da Certidão de Nascimento.

Fonte: www.sgc.goias.gov.br

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa, causada pelo vírus amarílico.

A doença ataca o fígado e os rins e pode levar à morte.

Existem dois tipos diferentes de febre amarela: a urbana e a silvestre.

A principal diferença é que nas cidades, o transmissor da doença é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue.

Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente esses primatas.

Esses mosquitos vivem também nas vegetações à beira dos rios. Primeiro picam o macaco doente e depois, o homem. “É importante ressaltar que a febre amarela silvestre só ocorre em humanos ocasionalmente. São os macacos os principais hospedeiros”, destaca Expedito Luna. “Os mosquitos transmissores só picam homens que invadem o habitat dos macacos”, acrescenta.

O último caso de febre amarela urbana registrado no Brasil foi em 1942, no Acre. Já a forma silvestre da doença provoca surtos localizados anualmente. As principais áreas onde ocorrem são na Bacia Amazônica, incluindo as grandes planícies da Colômbia e regiões orientais do Peru e da Bolívia, e na parte setentrional da América do Sul.

A maior incidência da doença acontece nos meses de janeiro a abril, período das chuvas. Nessa época, há um aumento da quantidade do mosquito transmissor e maior atividade agrícola, que leva ao deslocamento de um número maior de pessoas às áreas com risco de transmissão.

Uma das ações do Ministério da Saúde para o controle da doença no país é a exigência do Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela para todos os turistas vindos da Bolívia, Peru, Venezuela, Guiana Francesa e África. Nos últimos três anos, mais de 60 milhões de pessoas foram vacinadas no Brasil.

Nas regiões endêmicas, a vacina contra febre amarela é aplicada de forma rotineira.

Origem

A origem do vírus causador da febre amarela ainda é desconhecida. Acredita-se que a doença veio da África Ocidental e das Antilhas. Em 1700, a febre amarela já estava na Europa, mas foi na Península Ibérica que se deu a primeira epidemia da doença, provocando 10 mil mortes, em 1714. No ano de 1804, 20 mil pessoas foram vítimas da febre amarela em Cartagena.

A primeira manifestação da doença no Brasil foi em 1685, em Pernambuco. Grandes campanhas de prevenção foram realizadas a partir da descoberta do agente transmissor da doença e houve o controle da epidemia, mas ainda há o risco de retorno da febre amarela nas áreas urbanas. É que na década de 80, com a reintrodução do mosquito Aedes aegypti no Brasil, voltou a possibilidade de aparecimento de casos da doença nas áreas urbanas, a exemplo da dengue.

Prevenção

Além das campanhas de vacinação, é necessário informar a população sobre a ocorrência da doença e como evitá-la. O risco da reintrodução da febre amarela urbana pode ser reduzido com o controle do Aedes aegypti. O mosquito transmissor prolifera em qualquer local onde se acumule água limpa parada, como caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro e vasos de plantas.

Dos ovos surgem as larvas, que, depois de algum tempo na água, vão formar novos mosquitos adultos.

O combate ao mosquito deve ser feito de duas maneiras: eliminando os mosquitos adultos e, principalmente, acabando com os criadouros de larvas.

A grande maioria das pessoas escolhe o verão para curtir as férias. Mas para tudo correr bem é preciso se programar. Escolher o lugar, hospedagem, roteiro, passagens, arrumar as malas e, não menos importante, se vacinar contra doenças que podem estragar esse momento tão esperado. Uma delas é a febre amarela.

A vacina está disponível nos postos de saúde de todo o Brasil e nos postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) presentes em todos os aeroportos do País. Os portos e eeroportos mantêm permanentemente postos de vacinação.

Recomenda-se que todas as pessoas, especialmente turistas, com destino às regiões consideradas áreas endêmicas da febre amarela tomem a vacina. As regiões Norte e Centro-Oeste, o estado do Maranhão e oeste dos estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são os locais de maior risco de se contrair a doença. O ideal é se vacinar com dez dias de antecedência para que o organismo tenha tempo de produzir anticorpos.

Qualquer pessoa pode se vacinar. A dose não apresenta contra-indicações e deve ser tomada a partir dos seis meses de vida nos locais de risco e dos nove meses em áreas indenes. A recomendação é que todos os que estão planejando passar suas férias nas regiões endêmicas da febre amarela procurem os postos de vacinação.

Fonte: www.sespa.pa.gov.br

Febre Amarela

Doença infecciosa para a qual já existe uma vacina disponível, a febre amarela ainda hoje atinge populações na América e na África.

Causada por um gênero de vírus conhecido como flavivírus, a enfermidade apresenta duas formas de expressão, a urbana e a silvestre.

No Brasil, a forma urbana encontra-se erradicada desde 1942. No entanto, a febre amarela silvestre não é erradicável, já que possui uma circulação natural entre primatas das florestas tropicais.

A doença é geralmente adquirida quando uma pessoa não vacinada é picada pelo mosquito transmissor em áreas silvestres, como regiões de cerrado e florestas.

Por isso, vacinação é uma importante aliada no seu combate.

De acordo com dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), aproximadamente 60 milhões de pessoas já estavam vacinadas no Brasil em 2001. Nesse ano, o país registrou 41 casos da doença (31 ocorridos em um surto ocorrido em Minas Gerais) e 22 mortes.

A transmissão da enfermidade não é feita diretamente de uma pessoa para outra. Para isso, é necessário que o mosquito pique uma pessoa infectada e, após o vírus ter se multiplicado (nove a 12 dias), pique um indivíduo que ainda não teve a doença e não tenha sido vacinado.

O vírus e a evolução clínica da doença são idênticos para os casos de febre amarela urbana e de febre amarela silvestre, diferenciando-se apenas o transmissor da doença.

A febre amarela silvestre ocorre, principalmente, por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus.

Uma vez infectado em área silvestre, a pessoa pode, ao retornar, servir como fonte de infecção para o Aedes aegypti (também vetor do dengue), principal transmissor da febre amarela urbana.

O Aedes aegypti prolifera-se nas proximidades de habitações em recipientes que acumulam água limpa e parada, como vasos de plantas, pneus velhos, cisternas etc.

Os sintomas da febre amarela, em geral, aparecem entre o terceiro e o sexto dia após a picada do mosquito. As primeiras manifestações são febre alta, mal estar, dor de cabeça, dor muscular, cansaço e calafrios. Podem, ainda, surgir náuseas, vômitos e diarréia. Após três ou quatro dias, a maioria dos doentes (85%) recupera-se completamente e fica permanentemente imunizado contra a doença.

Cerca de 15% dos doentes infectados com febre amarela apresentam sintomas graves, que podem levar à morte em 50% dos casos.

Além da febre, a pessoa pode apresentar dores abdominais, diarréia e vômitos. Surgem icterícia (olhos amarelados, semelhante à hepatite), manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos no nariz e gengivas) e ocorre o funcionamento inadequado de órgãos vitais como fígado e rins.

Como conseqüência, pode haver diminuição do volume urinário até a anúria total (ausência de urina na bexiga) e o coma. As pessoas que sobrevivem recuperam-se totalmente.

Não existe tratamento específico para febre amarela, sendo ele apenas sintomático.

A vacina é uma grande aliada para se evitar a ocorrência da doença.

O indivíduo deve tomar a primeira dose a partir dos 12 meses de idade e receber um reforço a cada dez anos. Nas áreas de maior risco, como a Amazônia, a vacinação pode ser iniciada a partir dos seis meses.

A substância não produz efeitos colaterais, mas algumas pessoas manifestam dor local, febre, dor muscular e dor de cabeça por um ou dois dias.

A vacina encontra-se disponível nas unidades de saúde das áreas endêmicas e nos serviços de portos, aeroportos e fronteiras de todos os estados.

O Brasil exige o Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela, para a concessão de vistos consulares e entrada, de viajantes provenientes de alguns países da África, da América Central e do Sul.

Fonte: www.fiocruz.br

Febre Amarela

Doença infecciosa aguda, não contagiosa, causada pelo Vírus da Febre Amarela, geralmente causa sintomas leves (gripais), podendo levar a casos graves, com a morte do paciente.

Quais as características da doença?

É uma zoonose, quer dizer, uma doença de animais silvestres (macacos, coati, etc), o ser humano é infectado acidentalmente quando entra na selva.

Os sintomas surgem entre 3 a 6 dias após a pessoa ter sido infectada.

Como é transmitida?

Através da picada do mosquito Aedes Aegypti.

Quais os sintomas iniciais?

Febre Alta
Dor de cabeça forte
Dores musculares em todo o corpo
Falta de apetite
Náuseas e vômitos
Dor nas costas

O que fazer para evitar a Febre Amarela?

Tomar a Vacina Anti-Amarílica
Dormir sempre dentro do mosquiteiro da rede de selva
Usar gandola com as mangas desenroladas em áreas de selva
Usar sempre repelente de insetos na selva.

Fonte: www.exercito.gov.br

Febre Amarela

Histórico

A origem do vírus causador da febre amarela foi motivo de discussão e polêmica durante muito tempo, porém estudos recentes utilizando novas técnicas de biologia molecular comprovaram sua origem africana. O primeiro relato de epidemia de uma doença semelhante à febre amarela é de um manuscrito maia de 1648 em Yucatan, México.

Na Europa, a febre amarela já havia se manifestado antes dos anos 1700, mas foi em 1730, na Península Ibérica, que se deu a primeira epidemia, causando a morte de 2.200 pessoas. Nos séculos XVIII e XIX os Estados Unidos foram acometidos repetidas vezes por epidemias devastadoras, para onde a doença era levada através de navios procedentes das índias Ocidentais e do Caribe.

No Brasil, a febre amarela apareceu pela primeira vez em Pernambuco, no ano de 1685, onde permaneceu durante 10 anos. A cidade de Salvador também foi atingida, onde causou cerca de 900 mortes durante os seis anos em que ali esteve. A realização de grandes campanhas de prevenção possibilitou o controle das epidemias, mantendo um período de silêncio epidemiológico por cerca de 150 anos no País.

A febre amarela apresenta dois ciclos epidemiológicos de acordo com o local de ocorrência e o a espécie de vetor (mosquito transmissor): urbano e silvestre. A última ocorrência de febre amarela urbana no Brasil, foi em 1942, no Acre. Hoje, ainda se teme a presença da febre amarela em áreas urbanas, especialmente depois do final da década de 70, quando o mosquito Aedes aegypti retornou ao Brasil.

O ciclo silvestre só foi identificado em 1932 e desde então surtos localizados acontecem nas áreas classificadas como áreas de risco: indene (estados do Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Distrito Federal e Maranhão) e de transição (parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

No período de 1980 a 2004, foram confirmados 662 casos de febre amarela silvestre, com ocorrência de 339 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 51% no período.

O que é a Febre Amarela?

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África.

Qual o microrganismo envolvido?

O vírus RNA. Arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae.

Quais os sintomas?

Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

Como se transmite?

A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa não existe.

Como tratar?

Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.

Como se prevenir?

A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos).

Perguntas e Respostas

1 - Pode haver problema se a pessoa tomar a vacina e logo depois ingerir álcool ?

Não. Não há problema de associação de álcool com a vacina.

2 - Quem toma a vacina pode tomar qualquer tipo de medicamento depois. E se tomar remédio controlado? Tem alguma restrição. E os remédios que contem ácido acetilsalicílico , tipo as e aspirina?

Não há nenhum problema de interação medicamentosa entre a vacina e outros medicamentos, qualquer que seja o medicamento.

3 - É preciso evitar fazer movimentos bruscos com o braço depois da vacinação?

Não deve haver nenhuma preocupação com movimentação brusca após a vacinação.

4 - Uma pessoa sabe que há oito anos ela tomou algumas vacinas, mas não se lembra se entre elas está a de febre amarela. Ela pode se vacinar novamente?

Na dúvida, a recomendação é para se vacinar.

5 - Que tipo de reação a vacina pode provocar? Dor de cabeça, mal estar, ou outras?

Pode haver reações no local da injeção, com febre e mal estar. Mas esses efeitos são raros.

6 - A partir de quantos meses um bebê pode se vacinar?

O bebê pode ser vacinado a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área em que há morte de macacos com suspeita de febre amarela e na área em que há casos de febre amarela silvestre. Mas fora dessas situações, o calendário de vacinações indica a partir de nove meses de idade.

7 - A doença se chama febre amarela por que quem a contrai fica obrigatoriamente com icterícia?

A icterícia é uma coloração amarelada que aparece na pele e nos olhos, que é uma característica da doença. Mas temos que lembrar que existem formas muito leves da doença que não chegam a formar a icterícia. Já a febre sim, essa acontece em todas as situações .

8 - A vacina não pode ser tomada por pessoas com baixa imunidade. Isso quer dizer que quem esteve doente há pouco tempo não pode tomar?

A vacina não é recomendável para pessoas que estão com baixa imunidade. Para quem esteve doente, depende de avaliação médica.

9 - E como avaliar quem tem ou não baixa imunidade? O que acontece se uma pessoa com baixa imunidade tomar a vacina?

Imunidade é quando a pessoa cuja defesa do organismo está em baixa. Mas geralmente as pessoas têm diagnostico por parte dos médicos que a acompanham. São aquelas pessoas que estão em tratamento de câncer, por exemplo, que estão tomando drogas imunosupressoras como corticóides com dosagens elevadas, algumas situações de portadores de HIV em que estejam com imunosupressão.

10 - Gestante pode tomar a vacina?

Não, há contra indicação para a vacinação em gestante.

11 - Quem está tentando engravidar pode tomar a vacina?

Não sendo indicada a vacina para gestantes, quem está tentando engravidar já pode estar grávida e, assim, não pode tomar a vacina nesse período.

12 - Existe alguma relação entre o retorno da febre amarela com o aquecimento global? O aumento de temperatura e uma maior freqüência de chuvas não podem acelerar o processo de reprodução do mosquito e provocar epizootias?

Nesse momento, não se pode culpar o aquecimento global pelo que está acontecendo no Brasil. Mas, quando há aumento de temperatura, aumenta consequentemente a quantidade de chuvas e isso tem influência no aumento da população dos mosquitos , que são os vetores da doença.

13 - Existe algum cuidado específico que uma pessoa imunizada há menos de 10 dias precisa tomar para não se contaminar?

Não. A vacina assegura 100%% de imunização, após o décimo dia de aplicação. E essa proteção dura 10 anos.

14 - Retornando de um município em estado de alerta, a pessoa deve ficar atenta a quais sintomas?

Se ela não está vacinada é preciso verificar se aparece febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor abdominal. Nessa situação, procurar um serviço de saúde.

15 - Em quanto tempo sai o resultado de um exame para a identificação do vírus no sangue?

Esse exame é muito especifico e complexo, leva no mínimo 15 dias por conta da técnica que é usada para o isolamento do vírus. Mas tem um outro exame que é a sorologia, e esse é rápido, ficando pronto em 48 horas.

16 - A doença passa de pessoa para pessoa?

Não. Não existe transmissão de pessoa a pessoa. A doença é sempre transmitida pelo mosquito contaminado.

17 - Faltando dois meses para vencer a vacina, a pessoa deve tomá-la novamente? A imunização é 100% garantida no período de 10 anos ou a eficácia da vacina diminui na medida em que o tempo vai passando?

A vacina tem cobertura total de 10 anos. Mas não há problema em repetir a vacina caso faltem dois meses para vencer os 10 anos.

18 - Existe a necessidade de algum jejum (de comida ou mesmo bebida alcoólica) para tomar a vacina?

Não há qualquer recomendação nesse sentido.

19 - A vacina provoca reações adversas?

Sim, qualquer medicamento pode provocar reações adversas. A vacina pode provocar dor de cabeça, febre e mal estar em algumas pessoas.

20 - Se a pessoa perdeu o cartão de vacinação, ela pode ir ao posto se vacinar?

Sim.

21 - Os hospitais também estão vacinando?

Depende da organização dos serviços em cada município e em cada cidade. Em alguns hospitais há salas de vacinas. Mas geralmente as salas de vacinas estão nas unidades básicas de saúde da família.

22 - Há algum tipo de doença (hipertensão, diabetes, ou outra) que restringe a vacinação?

Nessas condições citadas não existem contra-indicações para a vacinação.

23 - Além do Aedes aegypti, outro mosquito transmite a febre amarela? Ele também se reproduz da mesma forma que o da dengue, ou seja, em água parada? Como podemos prevenir a reprodução do mosquito?

O aedes aegypti é o transmissor da febre amarela nas cidades. Mas a febre amarela que temos hoje no Brasil é a de transmissão silvestre, transmitidas pelos vetores silvestres chamados haemagogus e sabethes. Prevenir esse mosquito é impossível porque faz parte da natureza e são seres silvestres. A reprodução desses mosquitos está mais ligada ao ambiente silvestre.

24 - Qual é a chance, em porcentagem, de uma pessoa contaminada morrer?

A chance é muito elevada se a gente considerar as formas graves da doença, que pode chegar até 100%. Mas se a gente considerar que a febre amarela tem varias formas de apresentação clinica, esse índice se reduz, essa letalidade se reduz a uns 10%. Nos últimos 10 anos, a letalidade foi de 46%.

25 - O que devem fazer as pessoas que não podem se vacinar (grávidas, alergia a ovo etc)?

Procurar orientação médica. Em caso de não ter como evitar a permanência em áreas silvestres, a pessoa deve reforçar o uso de repelentes.

26 - Nesta época do ano, muitos brasilienses ainda estão viajando e ainda não retornaram para o trabalho e para o início do ano letivo em Brasília. Dado o período de imunização ser de dez dias após a vacinação, estas pessoas devem se vacinar nas cidades em que se encontram, antes de voltarem a Brasília? É fácil conseguir a vacina em outros estados?

Se estiverem em área silvestre consideradas de risco,devem tomar a vacina e as precauções necessárias para evitar a doença.

27 - Como fica a situação das famílias que estão viajando com bebês que têm entre seis meses e um ano? Nacionalmente, é recomendada a vacinação contra febre amarela a partir de um ano de idade. Mas, no DF, este limite foi antecipado para seis meses. Os bebês que tem entre seis meses e um ano e estão viajando poderão ser vacinados fora do DF?

Depende da região em que essa criança se encontra. Se ela está em região em que a indicação é a vacinação a partir de seis meses, como em Goiás e DF, então ela deve vacinar a partir dos seis meses de idade.

28 - Recém-nascidos também podem tomar a vacina de febre amarela?

Não, Apenas a partir dos seis meses de idade nas áreas de risco e onde há indicação de antecipar a idade vacinal.

29 - Pessoas que farão viagens internacionais e não tomaram vacina antecipadamente podem ser impedidas de viajar por não estar em dia com a vacina?

Sim. Se o país para o qual ele se dirige exige a vacinação. Nem todos exigem essa vacinação. A publicação é feita anualmente na pagina da OMS e também na Anvisa. Nem todos os países exigem, mas se você não está com a vacina em dia, você corre o risco de voltar sim.

30 - Como se caracteriza uma epidemia de febre amarela? Quantas pessoas com a doença precisam ser identificadas?

A epidemia não se restringe a uma área. Considera-se epidemia quando a doença atinge uma grande parte de municípios, de um estado, outras áreas territoriais e às vezes até de outros estados.

Viajantes

Se você vai viajar para alguma área que tenha risco de transmissão para Febre Amarela, você pode fazer uma viagem tranqüila. Saiba que existe vacina contra febre amarela e ela deve ser aplicada dez dias antes de sua viagem, se você nunca foi vacinado.

Onde se corre risco de pegar febre amarela?

No Brasil, os locais de risco são as regiões de matas e rios das seguintes regiões: todos os Estados da Região Norte e Centro-Oeste, bem como parte da Região Nordeste (Estado do Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste e extremo-sul da Bahia), Região Sudeste (Estado de Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo) e Região Sul (oeste dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

As pessoas que moram nestas regiões, ou aqueles que irão viajar para estes locais devem tomar a vacina, caso ainda não tenham feito ou o fizeram há mais de dez anos.

Onde tomar a vacina?

O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a vacina em postos de saúde de todos os municípios do país. Esta vacina é muito segura e protege durante 10 anos. Para as pessoas que já foram vacinadas há mais de 10 anos, basta tomar uma dose de reforço e seguir viagem, não sendo necessário esperar 10 dias para garantir sua proteção.

As pessoas vacinadas em Unidades do SUS recebem um comprovante de vacinação que é válido em todo território nacional: é o Cartão Nacional de Vacinação, de cor branca. O comprovante da vacina deve fazer parte de sua bagagem. 

Para viajantes internacionais, vindo ou indo para áreas infectadas, a vacinação contra febre amarela é a única exigência sanitária, conforme publicação regular da Organização Mundial da Saúde/OMS.

Alguns países da América do Sul e da África exigem o Certificado Internacional de Vacinação-CIV, de cor amarela. Para efetuar a troca do cartão de vacinação, deve-se procurar um dos Postos da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em qualquer um dos portos, aeroportos, passagens de fronteiras ou Sedes da Coordenação em todo o território nacional.

Apenas o portador poderá solicitar a substituição do cartão, comparecendo ao posto de troca munido de documento oficial com fotografia: Carteira de Identidade, Passaporte ou Cédula Profissional (tipo OAB, CREA, CRF, CRM etc). Para menores de idade é necessária a apresentação da Certidão de Nascimento.

Uma pessoa com febre amarela apresenta nos primeiros dias sintomas parecidos com os de uma gripe. Entretanto, esta é uma doença grave que pode complicar e levar à morte. Os sintomas mais comuns são febre alta e calafrios, mal-estar, vômito, dores no corpo, pele e olhos amarelados, sangramentos, fezes cor de "borra de café" e diminuição da urina.

Na identificação de alguns desses sintomas, procure um médico da unidade de saúde mais próxima e o informe se você viajou, nos últimos 15 dias, para áreas de matas, beiras de rios em qualquer uma das áreas descritas acima.

Se você observar macacos mortos ou doentes próximo ao local onde esteve, comunique à autoridade de saúde mais próxima, pois isso pode indicar que a doença está presente, com risco para as pessoas não vacinadas.

Não há tratamento específico contra a febre amarela, mas a mesma orientação utilizada para dengue deve ser seguida, ou seja, não utilizar medicamentos à base de salicilatos (AAS e Aspirina), já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. Somente o médico é capaz de diagnosticar e tratar corretamente a doença

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Febre Amarela

O que é?

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África.

Qual o microrganismo envolvido?

O vírus RNA. Arbovírus do gênero Flavivirus.

Quais os sintomas?

Febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

Como se transmite?

A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa não existe.

Como tratar?

Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado.

Como se prevenir?

A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Tem validade por 10 anos.

Djanir Brião

Fonte: www6.ufrgs.br

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados por um flavivirus e ocorre na América Central, na América do Sul e na África.

No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas silvestres e rurais de regiões como Norte e Centro-Oeste, além de parte do Sudeste, Nordeste e Sul.

Ou seja, o indivíduo entra em regiões onde exista o mosquito Aedes aegypti ou Aedes albopictus e, conseqüentemente, sofre a possibilidade de ser picado por algum desses mosquitos já afetado pelo vírus, que possivelmente fora contraído pela picada em um ser já portador, como a espécie de bugio ou outros tipos de macacos, e, em seguida, o mosquito pica a pessoa que ainda não teve a doença e, portanto, não adquiriu defesas naturais para combater o vírus.

A febre amarela urbana é considerada erradicada no Brasil desde 1942, o que significa que grandes centros urbanos não correm o risco de propagação em massa do vírus.

Recentemente o vírus da febre amarela vem ganhando destaque na mídia brasileira, visto que vários casos vêm sendo catalogados na região Centro-Oeste, sobretudo, causando a preocupação da população em geral e providências das autoridades responsáveis pelo combate ao vírus Vírus da febre amarela - Pertence à família dos flavivirus, e o seu genoma é de RNA simples de sentido positivo (pode ser usado diretamente como um RNA para a síntese proteica).

Produz cerca de 10 proteínas, sendo 7 constituintes do seu capsídeo, e é envolvido por envelope bílipidico. Multiplica-se no citoplasma e os virions descendentes invaginam para o retículo endoplasmático da célula-hóspede, a partir do qual são depois exocitados. Tem cerca de 50 nanómetros de diâmetro.

Muitos danos são causados pelos complexos de anticorpos produzidos. O grande número de vírus pode produzir massas de anticorpos ligados a inúmeros vírus e uns aos outros que danificam o endotélio dos vasos, levando a hemorragias.

Os vírus infectam principalmente os macrófagos, que são células de defesa do nosso corpo.

Aedes aegypti

O Aedes aegypti transmite o vírus da febre amarela de 9 a 12 dias após ter picado uma pessoa infectada. Em áreas de fronteiras agrícolas, existe a possibilidade de adaptação do transmissor silvestre para o novo habitat.

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus proliferam-se nas casas, apartamentos, etc. A fêmea do mosquito põe seus ovos em qualquer recipiente que contenha água limpa, como caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas. As bromélias, que acumulam água na parte central, chamada de aquário, são um dos principais criadouros nas áreas urbanas.

Os ovos ficam aderidos e sobrevivem mesmo que o recipiente fique seco. Apenas a substituição da água, mesmo feita com freqüência, é ineficiente. Dos ovos surgem as larvas, que depois de algum tempo na água, vão formar novos mosquitos adultos.

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus transmitem também a dengue. Ambos picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que tem atividade noturna.

Um inseticida altamente eficiente contra este mosquito é o DDT. No entanto seu uso é controlado já que pode causar câncer.

Aedes (Stegomyia) aegypti (aedes do grego "odioso" e ægypti do latim "do Egipto") é a nomenclatura taxonômica para o mosquito que é popularmente conhecido como mosquito da dengue, é uma espécie de mosquito da família Culicidae proveniente de África, atualmente distribuído por quase todo o mundo, com ocorrência nas regiões tropicais e subtropicais, sendo dependente da concentração humana no local para se estabelecer.

O mosquito está bem adaptado a zonas urbanas, mais precisamente ao domicilio humano onde consegue reproduzir-se e pôr os seus ovos em pequenas quantidades de água limpa, isto é, pobres em matéria orgânica em decomposição e sais, o que as concede características ácidas, que preferivelmente estejam sombreados e no peridomicílio. É considerado vetor de doenças graves como o dengue e a febre amarela e por isso mesmo o controle das suas populações é considerado assunto de saúde pública.

O Aedes aegypti é um mosquito que se encontra ativo e pica durante o dia, ao contrário do Anopheles, vetor da malária, que tem atividade crepuscular tendo como vítima preferencial o homem. O seu controle é difícil, por ser muito versátil na escolha dos criadouros onde deposita seus ovos, que são extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses até que a chegada de água propicia a incubação. Uma vez imersos, os ovos desenvolvem-se rapidamente em larvas, que dão origem às pupas, das quais surge o adulto. Como em quase todos os outros mosquitos, somente as fêmeas sugam sangue; os machos sugam apenas substâncias vegetais e açucaradas.

Por se adaptar bem a vários recipientes, a expansão deste mosquito a partir do seu habitat original foi rápida. O Aedes aegypti foi introduzido na América do Sul através de barcos provenientes de África, nas Américas se admite que sua primeira colonização sobre o novo mundo ocorreu através dos navios negreiros no período período colonial junto com os escravos.

Houve casos em que os barcos ficaram com a tripulação tão reduzida que passaram a vagar pelos mares, constituindo os "navios-fantasmas". No Brasil o Aedes aegypti foi erradicado na década de 1950, entretanto na décadas de 60 e 70 ele voltou a colonizar esse país, vindo dos países vizinhos que não haviam conseguido promover a sua total erradicação.

O Aedes aegypti está presente nas regiões tropicais de África e da América do Sul, chegando à Ilha da Madeira, em Portugal e ao estado da Flórida nos Estados Unidos da América. Nesta zona, o Aedes aegypti tem vindo a declinar, graças à competição com outra espécie do mesmo gênero, o Aedes albopictus.

Este fato, porém, não trouxe boas notícias, uma vez que o A. albopictus é também um vetor do dengue, bem como de vários tipos de encefalite equina.

O Aedes aegypti parece ser sensível a repelentes baseados no composto N,N-dietilmetatoluamida.

A febre amarela que temos hoje no Brasil é a de transmissão silvestre, transmitidas pelos vetores silvestres chamados haemagogus e sabethes. Prevenir esses mosquitos é impossível porque são seres silvestres.

Já o mosquito Aedes aegypti é o transmissor da febre amarela nas cidades.

O risco da reintrodução da febre amarela urbana pode ser reduzido com o controle do Aedes aegypti.

O mosquito transmissor prolifera em qualquer local onde se acumule água limpa parada, como caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro e vasos de plantas.

Ciclo do Mosquito

O ciclo do Aedes aegypti é composto por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. As larvas se desenvolvem em água parada, limpa ou suja. Na fase do acasalamento, em que as fêmeas precisam de sangue para garantir o desenvolvimento dos ovos, ocorre a transmissão da doença.

O seu controle é difícil, por ser muito versátil na escolha dos criadouros onde deposita seus ovos, que são extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses até que a chegada de água propicia a incubação.

Uma vez imersos, os ovos desenvolvem-se rapidamente em larvas, que dão origem às pupas, das quais surge o adulto. A melhor forma de se evitar a febre amarela (além da vacinação) e a dengue, é combatendo o mosquito adulto e os focos de ovos e larvas, e elimindano locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença.

Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.

Epidemiologia

Existe endemicamente na África, Ásia tropical, Caraíbas e América do Sul. A enfermidade não se transmite diretamente de uma pessoa para outra. Em área silvestre, a transmissão da febre amarela é feita por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus em geral. Por ser virótica, pode ser transmitida por outros tipos de insetos que se alimentam de sangue. A infecção pode ocorrer também através de mosquitos que picam macacos e em seguida humanos.

Existe também transmissão transovariana no próprio mosquito. A infecção humana ocorre no indivíduo que entra em áreas de cerrado ou de florestas e é picado pelo mosquito contaminado.

A propagação para áreas urbanas ocorre porque a pessoa contaminada é fonte de infecção para o mosquito desde imediatamente picada, portanto antes de surgirem os sintomas, até o quinto dia da infecção (reforçando, sem sintomas), esta retorna para a cidade serve como fonte de infecção para o Aëdes aegypti, que então pode iniciar o ciclo de transmissão da febre amarela em área urbana.

Outro reservatório da infecção são os macacos.

Zonas endêmicas no Brasil

Área de endêmica da febre amarela na América do Sul (2005)

As localidades infestadas pelo Aëdes aegypti, cerca de 3600 municípios brasileiros, têm risco potencial da febre amarela. Em Boa Vista no Estado de Roraima e em Cuiabá, no estado do Mato Grosso existe focos endêmicos nas áreas urbanas.

A maior quantidade de casos de transmissão da febre amarela no Brasil, ocorre em regiões de cerrado. Porém, em todas as regiões (zonas rurais, regiões de cerrado, florestas) existem áreas endêmicas de transmissão das infecções. Estas principalmente ocasionadas pelos mosquitos do gênero Haemagogus, e pela manutenção do ciclo dos vírus através da infecção de macacos e da transmissão transovariana no próprio mosquito.

Onde existe a possibilidade de febre amarela, existe para malária e também para a dengue e outros.

No Brasil, os casos vêm diminuindo desde 2003, contudo, em 2008, houve um aumento sensível de casos no início do ano. Em janeiro de 2009 o governo do Rio Grande do Sul confirmou a primeira morte por Febre Amarela desde 1966. O óbito ocorreu no município de Santo Ângelo. Outras cidades entraram em estado de alerta contra a doença.

Progressão e sintomas

Virus da febre amarela. O período de incubação é de três a sete dias após a picada. Dissemina-se pelo sangue (virémia). Os sintomas iniciais são inespecíficos como febre, cansaço, mal-estar e dores de cabeça e musculares (principalmente no abdômem). Náuseas, vômitos e diarreia também surgem por vezes.

Alguns indivíduos são assimptomáticos. Mais tarde e após a descida da febre, em 15% dos infectados, podem surgir sintomas mais graves, como novamente febre alta, diarreia de mau cheiro, convulsões e delírio, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com danos e enfartes em vários orgãos, que são potencialmente mortais. As hemorragias manifestam-se como sangramento do nariz e gengivas e equimoses (manchas azuis ou verdes de sangue coagulado na pele).

Ocorre frequentemente também hepatite e por vezes choque mortal devido às hemorragias abundantes para cavidades internas do corpo. Há ainda hepatite grave com degeneração aguda do figado, provocando aumento da bilirrubina sanguinea e surgimento de icterícia (cor amarelada da pele, visível particularmente na conjunctiva, a parte branca dos olhos, e que é indicativa de problemas hepáticos). A cor amarelada que produz em casos avançados deu-lhe obviamente o nome.

Podem ocorrer ainda hemorragias gastrointestinais que comumente se manifestam como evacuação de fezes negras (melena) e vómito negro de sangue digerido (hematêmese). A insuficiência renal com anúria (déficit da produção de urina) e a insuficiência hepática são complicações não raras. A mortalidade da febre amarela em epidemias de novas estirpes de vírus pode subir até aos 50%, mas na maioria dos casos ocasionais é muito menor, apenas 5%.

Diagnóstico

O diagnóstico é PCR, inoculação de soro sanguineo em culturas celulares; ou pela sorologia.

Os sintomas iniciais da febre amarela, dengue, malária e leptospirose são os mesmos.

Portanto, é necessário a realização de exames laboratoriais para a diferenciação. A confirmação do diagnóstico de febre amarela não exclui a possibilidade de malária. Da mesma forma que a febre amarela, o dengue e a malária também podem se tornar graves quando o indivíduo aparenta melhora.

Tratamento

A febre amarela é tratada sintomaticamente, ou seja, são administrados líquidos e transfusões de sangue ou apenas plaquetas caso sejam necessárias. A diálise poderá ser necessária caso haja insuficiência renal.

Os AINE como o ácido acetilsalicílico (aspirina) são desaconselhados, porque aumentam o risco de hemorragias, já que têm atividade antiplaquetar.

Prevenção

A prevenção da febre amarela se dá através do combate ao mosquito e de vacinação.

Combate ao mosquito

Algumas medidas de combate ao mosquito são:

Substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor.
Utilizar água tratada com cloro (40 gotas de água sanitária a 2,5% para cada litro) para regar plantas.
 Desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água.
Não deixar pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva.
Manter sempre tapadas as caixas de água, cisternas, barris e filtros.
Colocar o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados ou latões com tampa.

Como se prevenir?

A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença.
Além das campanhas de vacinação, é necessário informar a população sobre a ocorrência da doença e como evitá-la.

Os mosquitos e a febre amarela

A febre amarela que temos hoje no Brasil é a de transmissão silvestre, transmitidas pelos vetores silvestres chamados haemagogus e sabethes. Prevenir esse mosquito é impossível porque faz parte da natureza e são seres silvestres. A reprodução desses mosquitos está mais ligada ao ambiente silvestre. Já o mosquito aedes aegypti é o transmissor da febre amarela nas cidades. Por isso, para evitar a transmissão de dengue e febre amarela, devemos combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença.

A Vacina

A vacina é gratuita e deve estar disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos.  A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.

A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos). Vacinação - Pessoas que residem ou viajam para zonas endêmicas de febre amarela devem ser vacinadas. A vacina, com 95% de eficácia, tem validade de 10 anos. A pessoa não deve tomá-la novamente enquanto a validade permanecer. A vacina é composta de vírus atenuado. A vacina contra a febre amarela só passa a fazer efeito 10 dias após sua aplicação.

História

A febre amarela afetou os espanhóis quando se estabeleceram nas Caraíbas, como em Cuba e na ilha de Santo Domingo e noutras regiões da América, matando muitos. Colombo terá sido obrigado a mudar a sua capital na ilha de Santo Domingo porque o local inicial tinha grande número de mosquitos transmissores que infectaram com a doença e mataram uma proporção considerável dos colonos.

Durante a revolução dos escravos na então colónia francesa de Santo Domingo, nos primeiros anos do século XIX, Napoleão Bonaparte enviou 40.000 tropas para assegurar a posse da colónia à França. As tropas no entanto foram dizimadas por uma epidemia de febre amarela e a revolução triunfou, fundando o Haiti.

A perda de tantos soldados fez Napoleão desistir dos seus sonhos coloniais na América do Norte.

A primeira tentativa de construção do Canal do Panamá, pelos franceses no século XIX, fracassaram devido às epidemias de febre amarela. A segunda tentantiva, pelos EUA, só resultou graças às novas técnicas de erradicação de mosquitos e à vacina recentemente desenvolvida.

A referência à febre amarela no Brasil data de 1685 com a ocorrência de surto em Olinda, Recife e interior de Pernambuco. Um ano depois atinge a população de Salvador, segundo o historiador Odair Franco. A febre amarela foi reintroduzida em 1849, (primeira grande epidemia ocorrida na capital do Império, Rio de Janeiro) - História da febre amarela no Brasil por Jaime Larry Benchimol, Casa de Oswaldo Cruz, fevereiro de 1894, quando um navio americano chegou a Salvador, procedente de New Orleans e Havana, infectando os portos e se espalhando por todo o litoral brasileiro.

Em 1895, um navio italiano (Lombardia) é acometido de febre amarela ao visitar o Rio de Janeiro – onde quase não existia esgoto e a infra-estrutura sanitária era extremamente precária – desde o recolhimento do lixo ao abastecimento de água até o comércio de alimentos nas ruas, sem nenhuma condição de higiene e a população em geral vivia em cortiços: a entrada de um deles era decorada com cabeças de suíno, surgindo daí a expressão “cabeça de porco”. O Brasil "turístico" era, então, considerado perigoso por conta das enfermidades infecciosas. As agências de viagem na Europa operavam direto para Buenos Aires, sem escala, privando o Brasil do transporte marítimo e da exportação do café.

Uma intrincada rede de acontecimentos afeta o país, a partir desse cenário: a cafeicultura era prejudicada – a mão-de-obra era emigrante e vulnerável à febre amarela; não havia como pagar a dívida externa – sobretudo contraída com bancos ingleses.

Uma grande epidemia de febre amarela matou mais de 3% da população da cidade brasileira de Campinas no verão do ano de 1889

Fonte: www.oarquivo.com.br

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