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Filariose

A Filariose Linfática também conhecida por elefantíase, por causar aumentos e deformidades no corpo humano, com espessamento da pele, particularmente em membros inferiores apresentando muita semelhança com a pata de um elefante.

Filariose é um termo aplicado para infecções nos seres humanos e em animais por certos nematóides (vermes de corpo redondos) pertencentes a super família Filarioidea.

Existem 8 filárias que infectam o homem. Muitos vetores (chamados também de hospedeiros intermediários) estão implicados na transmissão das filarioses para os homens (chamado também de hospedeiro definitivo) e entre eles estão o Aedes, o Anopheles, o Culex e a Mansonia.

Por definição, a Filariose Linfática (FL) é uma infecção transmitida por mosquitos e existe hoje, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 83 países com clima tropical e sub-tropical. Cerca de 120 milhões de indivíduos têm a infecção.

A infecção, na maioria das vezes, é detectada pela presença da microfilária através do exame de sangue obtido de sangue capilar (retirado geralmente do quarto dedo da mão). Esses pequenos vermes só podem ser vistos ao microscópio. Pode ocorrer em indivíduos de todas as idades, porém a prevalência da infecção é mais alta entre os indivíduos do sexo masculino e na população de 20 a 40 anos de idade.

A infecção ocorre especialmente em indivíduos de baixo nível sócio-econômico, sendo bastante conhecido o fato de ter distribuições focais, predominando em áreas de maior pobreza e urbanização inadequada, podendo o número de pessoas infectadas variar bastante dentro de um mesmo município e até de um mesmo bairro. 

A bancroftose afeta, pelo menos, cerca de 100 milhões de pessoas, distribuídas em cerca de 83 países dos diferentes continentes. A doença de Bancroft é um duro encargo social e econômico inerente aos trópicos e subtrópicos da Ásia, da África, do Pacífico Ocidental e de certas regiões das Américas. Embora a distribuição da doença pareça global, aproximadamente um terço dos indivíduos infectados reside na Índia, outro terço na África e o restante se encontra, predominantemente, na região ocidental do Pacífico e no sudeste da Ásia. As Américas representam 0,3% da prevalência global e o país de maior número de casos é o Haiti, seguido pela Republica Dominicana, das Guianas e do Brasil. Em nosso país, são considerados focos de transmissão ativa o Grande Recife, em Pernambuco e a cidade de Maceió, em Alagoas. Belém do Pará, que na década de 50 era a área de maior prevalência, hoje é considerada um foco em extinção.

OS PARASITOS QUE CAUSAM A FILARIOSE LINFÁTICA

O nome Filariose Linfática é derivado do fato de os parasitos adultos se localizarem nos vasos linfáticos e linfonodos. Eles são chamados de Wuchereria bancrofti (causando a filariose bancroftiana, bancroftose ou doença de Bancroft), de Brugia malayi e de Brugia timori (causando as filarioses brugianas).

São vermes de corpo longo e arredondado e os adultos têm sexos distintos (macho e fêmea). A fêmea engravida e dá origem a milhares de pequenos vermes chamados de microfilárias que migram para a circulação sanguínea, nunca mais voltando ao sistema linfático. Os vermes adultos, entretanto, permanecem a vida toda dentro do sistema linfático até morrerem, seja pelo tratamento antifilarial , seja por morte espontânea. Caso a microfilária não seja sugada pelo mosquito, ela morre sem, aparentemente, causar nenhum dano ao ser humano,  em um período de 6 a 24 meses.

UM POUCO DA HISTÓRIA DA BANCROFTOSE

Acredita-se que a filariose linfática é uma das doenças mais antigas da humanidade. A estátua de um Faraó, criada há 4000 anos, mostra de forma clara a doença. É mencionada em textos médicos antigos da China, Índia e Pérsia. O Museu Nacional do Japão possui ilustrações em madeira feitas há cerca de 1200 anos mostrando pessoas desfiguradas pela doença.

Acredita-se que a filariose bancroftiana seja originária da Polinésia, de onde migrou para a China e posteriormente para outros países da Ásia e África. Sua introdução nas Américas provavelmente ocorreu com a vinda dos escravos africanos.

A primeira descrição da filariose credita-se ao médico francês Jean-Nicolas Demarquay em 1863 que, trabalhando em Paris, identificou microfilárias em líquido quilocélico de um paciente procedente de Havana, Cuba.  Pouco depois, em 1866, o médico alemão Otto Wucherer, trabalhando na Bahia, acidentalmente encontrou microfilárias na urina hematoquilosa de um paciente. O médico inglês radicado na Austrália, Joseph Bancroft retirou, em 1876, quatro vermes adultos vivos da bolsa escrotal de um paciente e, no ano seguinte, os enviou para o parasitologista inglês Cobbold  que denominou a espécie com o nome de Filaria bancrofti . Neste mesmo ano, o brasileiro Silva Araújo  denominou o verme adulto de Wuchereria bancrofti em homenagem a Wucherer e Bancroft, que descreveram as microfilárias e os vermes adultos, respectivamente.

Conheciam-se os parasitos, mas não se sabia como eles eram transmitidos ao homem.

Foi aí que uma figura importante começou a investigar como isso acontecia: Sir Patrick Manson, que em 1878, comprovou a hipótese levantada por Bancroft de que um mosquito era o transmissor da doença. Ele persuadiu seu jardineiro chinês, sabidamente microfilarêmico (com microfilárias em seu sangue), a dormir numa casa cheia de mosquitos . No dia seguinte, coletou os insetos cheios de sangue e identificou as microfilárias ao examinar os mosquitos.

Coube ao inglês George Low, em 1900 na Inglaterra, confirmar que a transmissão da infecção era feita realmente pelo mosquito. Ele observou que as microfilárias cresciam no interior do mosquito e se transformavam em outra larva que ele chamou de infectante (ou também conhecida por L 3 ). Essas larvas se localizavam na prosbócide do mosquito. Essas larvas escapavam do mosquito no momento da picada e, por movimentos ativos, penetravam na solução de continuidade da pele deixada pela picada do inseto. Foi Low também quem identificou o gênero Culex como sendo o mosquito transmissor da infecção bancroftiana.

Uma outra coisa que intrigava muito os pesquisadores era o estranho comportamento das microfilárias de Wuchereria bancrofti: elas eram identificadas no sangue somente no período da noite. Foi também o Dr. Manson que fez as observações a respeito desse fato, o que chamou de “periodicidade noturna das microfilárias”.

Até hoje permanece o mistério porque as microfilárias circulam no sangue durante a noite e ficam retidas no pulmão durante o dia, sem aparentemente causar nenhum mal ao portador. Acredita-se que esse mistério pode ser causado pelo mosquito que transmite a infecção, pois o Culex , tem hábitos de só picar a noite.

Pensa-se que o mosquito libere alguma substância ao picar os indivíduos à noite e isso atrairia as microfilárias para o sangue periférico. É importante lembrar aqui que existem regiões do mundo onde as microfilárias são chamadas de sub periódicas, pois podem ser encontradas no sangue também no período do dia. É ocaso da Wuchereia bancrofti variedade pacifica (uma prima da Wuchereria bancrofti ). Ela existe em uma grande ilha no continente Australiano, chamada Papua Nova Guiné.  Nessa região o vetor principal é o Anopheles.

Gerusa Dreyer

Denise Mattos

Fonte: www.amaurycoutinho.org.br

Filariose

1. INTRODUÇÃO

Na ordem Filariidea há uma grande quantidade de espécies parasitando o homem.

São todos vermes finos e delicados, que parasitam o sistema circulatório, linfático, tecido subcutâneo, cavidade peritoneal ou mesentério.

Das espécies que parasitam humanos apenas uma é originaria das Américas, a Mansonella ozzardi, e os outros são originários da áfrica e da Ásia.

Existem nove espécies de filarídios, mas apenas três são encontradas no Brasil parasitando humanos: Onchocerca volvulus (Leuckart, 1893), Mansonella ozzardi (Manson, 1897) e Wuchereria bancrofti (Cobbold, 1877).

O filarídio W. bancrofti causa a filariose linfática na sua forma sintomática mais avançada e tem grande importância em saúde publica, pois é endêmica em várias regiões tropicais como o Brasil, sendo estimada em um bilhão a população que vive em áreas com risco de contrair a infecção e em cento e vinte milhões o numero de infectados. Destes, noventa por cento são portadores de W. bancrofti. Este trabalho voltado mais especificamente para essa espécie de filarídio, tem o objetivo de explanar todos os seus aspectos particulares como a sua morfologia, biologia, patogenia, incluindo aspectos de distribuição geográfica, assim como seu diagnóstico, tratamento e medidas profiláticas.

2. CONSIDERACOES GERAIS

2.1. O PARASITO

Wuchereria bancrofti é helminto da classe Nematoda, da Família Onchocercidae, do Gênero Wuchereri. Causa a Filariose linfática.

Apresenta como único hospedeiro definitivo o homem.

Os vermes adultos (filárias) apresentam sexos distintos e habitam o sistema linfático (vasos de transporte e linfonodos), produzindo embriões (microfilárias) que se desenvolvem em mosquitos hematófagos, principalmente do gênero Culex, que funcionam como hospedeiro intermediário. No vetor, as microfilárias sofrem 3 mudas e se transformam em larvas infectantes ou L3.

2.1.1. MORFOLOGIA

Macho:

Tem o corpo delgado e branco leitoso. Mede de 3,5 a 4 cm de comprimento e o,1mm de diâmetro. Extremidade anterior afilada e posterior enrolada ventralmente.(Ver figura 1).

Fêmea:

Possui o corpo delgado e branco leitoso. Mede de 7 a 10cm de comprimento e 0,3mm de diâmetro. Tem órgãos genitais duplos, com exceção da órgão genital feminino, que é única e se exterioriza em vulva localizada próximo á extremidade anterior. (Ver figura 1).

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Figura 1: Vermes adultos

Microfilária:

São as formas que se movimentam ativamente dentro da corrente sanguínea do hospedeiro intermediário (homem) quando liberadas pelas fêmeas grávidas. São também chamadas de embrião.

Apresentam uma bainha flexível, medem de 250 a 300 micrômetros. A bainha cuticular lisa é apoiada sobre numerosas células subreticulares (que vão formar os músculos e a hipoderme do helminto adulto) e células somáticas (que vão formar órgãos e tubo digestivo). (Ver figura 2).

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Figura 2: Microfilária

Larvas:

Encontradas no vetor. No primeiro estádio (L1) mede em torno de 300 micrômetros e é originada da transformação de microfilária.

Depois se diferencia em L2, duas a três vezes maior, que sofre nova mudança dando origem a L3 que mede de 1,4 a 2,0mm. (Ver figura 3).

2.1.2. BIOLOGIA

Hábitat: Geralmente os vermes adultos de ambos os sexos se apresentam juntos nos vasos e gânglios linfáticos.

Vivem em media de quatro a oito anos e se instalam normalmente em varias regiões do corpo humano como: Cavidade peritoneal, pélvica (pernas e escroto), mamas, braços e no cordão espermático.

Quando as fêmeas, dos ductos linfáticos, estão grávidas liberam microfilária que saem dos ductos e ganham a corrente sanguínea.

Na maioria das regiões as microfilárias desse parasito possuem periodicidade noturna no sangue periférico do hospedeiro: durante o dia estas se encontram em capilares profundos como os dos pulmões e durante a noite ganham a corrente periférica alcançando o pico de microfilaremia, em torno de meia-noite e que coincide normalmente com o período de hematofagismo do vetor (Culex quinquefasciatus). Não se tem explicação científica sobre essa periodicidade e a hematofagia do vetor, existem apenas hipóteses.

Ciclo Biológico:

É um ciclo heteroxênico. A fêmea do Culex quinquefasciatus quando exerce o hematofagismo em pessoas que estão parasitadas, ingere microfilárias que depois de poucas horas, no estômago do mosquito, perdem as bainhas e atravessam a sua parede, caem na cavidade geral e migram para o tórax, onde se alojam nos músculos torácicos e transforma-se em uma larva salsichóide ou L1. Seis a dez dias após o repasto sanguíneo ocorre à primeira muda originando a L2.

De dez 10a quinze dias depois vai ocorrer um crescimento acentuado e a L2 vai sofrer uma mudança e transformar-se na larva infectante para o hospedeiro intermediário (L3). Esta com aproximadamente 2mm migra para a probóscida do mosquito mais especificamente para lábio.

Quando o vetor volta a fazer novo repasto, as larvas L3 escapam do seu lábio e penetram no hospedeiro definitivo (homem) pela solução de continuidade causada pelo mosquito e migram para os vasos linfáticos, onde se tornam vermes adultos. Depois de sete a oito meses as fêmeas grávidas produzem microfilárias, que migram dos ductos linfáticos para a corrente sanguínea ficando alojadas nos capilares profundos de várias regiões e em torno da meia noite têm preferência pela corrente sanguínea periférica. (Ver figura 3).

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Figura 3: Ciclo Biológico

Mecanismo de Transmissão:

A transmissão é feita exclusivamente pela picada do Culex quinquefasciatus fêmea e entrada das larvas (L3) pela área lesada da pele por esse mosquito.

Acredita-se que o estímulo necessário para a saída da larva da probóscida do vetor seja o calor corporal e que a alta umidade e o suor permita a progressão e a penetração dessas larvas. Não há a possibilidade de se transmitir de pessoa a pessoa, pois o ciclo se faz de homem infectado com microfilaremia picado por inseto transmissor, que transmitirá a outro indivíduo após maturação das microfilárias no vetor que ocorre entre 12 a 14 dias do repasto sangüíneo. A microfilaremia pode persistir, aproximadamente, de 5 a 10 anos (Ver figura 4).

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Figura 4: Culex quinquefasciatus

 2.1.3. PATOGENIA

Há a importância de distinguir-se os casos de infecção (presença de microfilárias e vermes se sintomatologia aparente) dos casos de doença.

Os pacientes com manifestações clinicas discretas ou assintomáticos podem apresentar alta microfilaremia, e os pacientes com elefantíase ou outras manifestações crônicas geralmente não apresentam ou a quantidade de microfilárias no sangue periférico está reduzida. Quando ocorre infecções fúngicas ou bacterianas há um agravamento da elefantíase.

Manifestações clinicas como as imunoinflamatórias se devem às microfilárias ou aos vermes adultos, sendo que as alterações provocadas por estes últimos são mais conhecidas, tendo um progresso longo que pode causar desde uma estase linfática até um estado crônico de elefantíase (Ver figura 5).

Essas lesões podem ocorrer devido a dus ações desse parasita:

Ação Mecânica:

A presença de vermes adultos na corrente linfática pode ocasionar obstrução gerando distúrbios como: Estase linfática com linfangiectasia (dilatação dos vasos linfáticos) e derramamento linfático ou linforragia (quando ocorrido nos tecidos causa edema linfático, característico da filariose linfática). Pode ocorre nas pernas, na cavidade abdominal (ascite linfática), na túnica escrotal (linfocele), no tórax (linfotórax) e nas vias urinarias (linfúria/quilúria). (Ver figura 5).

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Figura 5: Elefantíase

Ação Irritativa:

A presença dos vermes adultos nos vasos linfáticos, a excreção de produtos de seu metabolismo e sua degeneração após a morte provocam reações 13 inflamatórias. Em conseqüência teremos linfangite (inflamação dos vasos linfáticos) e linfadenite (inflamação e hipertrofia dos gânglios linfáticos). Geralmente aparecem reações alérgicas como urticárias e edemas extrafocais. Além dessas ações, fenômenos imunológicos, especialmente os alérgicos, induzem à patogenia.

Um exemplo característico é a eosinofilia pulmonar tropical (EPT), no qual o paciente apresenta uma hiper-resposta imunológica a antígenos filariais, ocasionando abscessos eosinofílicos com microfilárias e posteriormente aparecimento de fibrose intersticial crônica pulmonar. A elefantíase ocorre geralmente em pacientes com mais de dez anos de parasitose. Ela é caracterizada por um processo de inflamação e fibrose crônica do órgão atingido, com hipertrofia do tecido conjuntivo, dilatação dos vasos linfáticos e edema linfático.

Com a progressão da doença, há esclerose da derme e hipertrofia da epiderme, dando uma aparência típica de elefante: aumento exacerbado do órgão, queratinização e rugosidade da pele.

Geralmente a seqüência de eventos da elefantíase é a seguinte: linfangite, linfadenite, linfangiectasia, linforragia, linfedema (edema dos vasos linfáticos), esclerose da derme, hipertrofia da epiderme e aumento do volume do órgão (principalmente pernas, mamas ou escroto). (Ver figura 6).

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Figura 6: Elefantíase crônica
(Pedro a imagem primeira é da imagem 6e a debaixo é de figura 5)

EPIDEMIOLOGIA

A filariose linfática atraiu a atenção das autoridades sanitárias do Brasil e internacionalmente devido à sua grande expansão. Essa expansão é uma conseqüência do crescimento urbano descontrolado e da falta de um planejamento adequado no desenvolvimento de projetos hidrográficos associados à degradação das condições sanitárias em que vive a maioria das populações das áreas endêmicas.

Esses fatores têm contribuído para aumentar o número de criadouros do vetor, favorecendo assim uma maior transmissão local. Dessa forma, surgem novos casos de infecção humana, aumentando o risco de se adquirir a infecção filarial. A doença é endêmica em várias regiões tropicais, englobando as Américas, Leste do Mediterrâneo, Sudeste Asiático, África e Ilhas do Pacífico, com cerca de 72,8 milhões de indivíduos portadores de filariose linfática bancroftiana em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1992. Esta prevalência parece estar subestimada e o número real pode estar em cerca de cem milhões de pessoas infectadas, sendo que parte significativa delas já exibe sinais de doença aguda e/ou crônica .

No Brasil a filariose linfática por W. bancrofti foi provavelmente introduzida pelo tráfico de escravos. Em inquéritos hemoscópicos no período de 1950 a 1956 foi encontrada filariose bancroftiana autóctone, ou seja, adquirida na própria região, em Manaus(AM), Belém(PA), Recife(PE), Maceió(AL), Salvador(BA), Castro Alves(BA), Florianópolis(SC), Barra da Laguna(SC), Porto Alegre(RS) e São Luís(MA).

Atualmente somente três áreas são consideradas, pelo Ministério da Saúde, com transmissão ativa em nosso país: a Região Metropolitana de Recife (PE), englobando as cidades de Recife, Olinda e Jaboatão, as cidades de Maceió (AL) e Belém (PA), sendo esta última considerada o local de maior prevalência no início da década de 50. Em Maceió, na década de 50, foi realizado inquérito epidemiológico sendo encontrada uma positividade de microfilarêmicos de 0,3% entre a população examinada. Em 1990, objetivando avaliar a prevalência de microfilarêmicos por W. bancrofti na cidade de Maceió, foi realizado pelo Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães / FIOCRUZ (Recife/PE) em conjunto com Universidade Federal de Alagoas e SUCAM/AL, um inquérito epidemiológico no 59º Batalhão de Infantaria Motorizada. Entre 731 soldados examinados foram encontrados 2 microfilarêmicos, que eram autóctones de Maceió, com microfilaremia muito alta para área onde a transmissibilidade estaria sob controle. A partir deste trabalho foi iniciado um amplo inquérito hemoscópico através de amostragem em municípios pertencentes a diferentes áreas fisiográficas do Estado de Alagoas (Litoral, Zona da Mata, Agreste e Sertão).

Em Maceió encontrou-se percentagem de positividade de 0,7% em escolares do primeiro e segundo graus, onde 84% dos casos estão concentrados em apenas três bairros centrais e limítrofes, Jacintinho, Pitanguinha e Feitosa, com prevalências de microfilarêmicos variando de 1,2 a 5,7%, indicando distribuição focal da parasitose na capital alagoana . Em outras nove cidades de Alagoas localizadas em regiões fisiográficas distintas, a realização de levantamento epidemiológico em parcela significativa da população não constatou a presença de nenhum indivíduo microfilarêmico.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de filariose bancroftiana pode ser difícil, basicamente porque os quadros clínicos determinados pela W. bancrofti podem ter outras causas etiológicas e a demonstração da presença do parasito (microfilária) não prova ser ele o agente causal, visto que na maioria das vezes ele não exerce efeito patogênico. Os dados clínicos e epidemiológicos são os responsáveis pelo questionamento de possível infecção do paciente em áreas endêmicas.

O diagnóstico confirma-se por exames parasitológicos ou testes de imunidade, podendo-se utilizar outros meios de diagnóstico, tais como: exame radiológico, linfangiografia e, mais recentemente, ultra-sonografia. É sinal indireto a comprovação de eosinofilia.

Diagnóstico Parasitológico (direto):

Pesquisa de microfilárias:

O diagnóstico parasitológico é realizado com métodos que visam a detecção da mf no sangue periférico. Para melhorar a sensibilidade do método há necessidade do conhecimento da existência da periodicidade de microfilaremia local. Entre as técnicas utilizadas rotineiramente a mais difundida é a gota espessa, usando-se sangue de capilar periférico, geralmente em volumes de 20, 40 ou 60 microlitros. É o método de escolha para inquéritos hemoscópicos e diagnóstico individual.

As técnicas de concentração utilizam maiores volumes de sangue de origem venosa (geralmente de 1 a 5 ml), o que aumenta muito sua sensibilidade, devendo as mesmas serem utilizadas em laboratórios de patologia clínica. Nos centro de pesquisas tem-se utilizado a técnica de filtração sangüínea em membrana de policarbonato “Nucleopore”, por permitir o exame de mais de 10ml de sangue, o que a torna mais eficaz para o diagnóstico.

A microfilária também pode ser encontrada na urina em 2 situações: nos indivíduos microfilarêmicos antes e durante o tratamento com antifilarial (associada ou não a hematúria) e nos portadores de quilúria. Qualquer que seja a técnica empregada, a pesquisa de mf deve ser feita de acordo com o horário de maior concentração do embrião no sangue periférico do hospedeiro.

Pesquisa de vermes adultos:

Esta pode ser feita através de biópsias de linfonodos ou, mais recentemente através de ultra-sonografia.

Imunodiagnóstico:

O imunodiagnóstico enfrenta problemas para a sua caracterização, como: Dificuldade de estabelecer critérios de positividade, pois os conhecimentos atuais não permitem a distinção da resposta imunológica entre indivíduos infectados e aqueles não infectados, que por residirem em área endêmica estão expostos a larvas infectantes tornando-se sensibilizados; Imunossupressão específica em pacientes com microfilaremia patente; Existência de grande número de reações cruzadas com soros de indivíduos infectados com outras parasitoses; Escassez de material para pesquisa proveniente de parasitos que infectam o homem, principalmente quando se trata de verme adulto; Informações mínimas sobre o comportamento da resposta humoral durante a infecção natural bem como quando é realizado tratamento específico.

Contudo, esforços vêm sendo desenvolvidos na busca de novas provas de diagnóstico: ensaios para detecção de antígenos (Ag) somáticos e de superfície (incluindo Ag em circulação no hospedeiro), imunocomplexos, ou tentativas de detecção de Ag com anticorpos monoclonais específicos.

Linfocintilografia:

Tem sido desenvolvida com albumina ou dextran marcados radioativamente. Estudos preliminares têm demonstrado a presença de linfáticos anormais em microfilarêmicos assintomáticos, sem nenhuma evidência de edema. Esta técnica poderá ser usada em indivíduos infectados mais assintomáticos para determinar se eles têm morfologia e função linfática anormal, e como estas alterações poderão se modificar, especialmente após terapêutica específica.

Ultra-sonografia:

Foi introduzida mais recentemente, como método de diagnóstico, permitindo a visualização dos linfáticos dilatados da área escrotal de indivíduos com microfilaremia, assintomáticos, assim como de movimentos de vermes adultos de W. bancroft.

Outros exames laboratoriais

Pesquisa de linfócitos na urina:

Deve ser solicitada quando há suspeita de quilúria, sendo que proteinúria de 24 horas também deve acompanhar, pois tem implicações na conduta terapêutica.

Eosinofilia:

A contagem absoluta de eosinófilos deve ser feita, principalmente nos casos que cursam com sintomatologia pulmonar. A eosinofilia periférica pode não ser importante nas demais formas clínicas da doença, já que a infestação concomitante com outros helmintos tem sido demonstrada em várias regiões. Deve-se realizar o tratamento anti-helmíntico prévio antes da avaliação deste parâmetro nos pacientes com filariose bancroftiana.

A produção de eosinófilos é dependente de células T, porque sua proliferação e maturação estão sob o controle de três citoquinas derivadas de células T: Interleucina 3 (IL3), Interleucina 19 5 (IL5) e fator estimulador de colônia granulócito-monócito (CSF-GM), dos quais a IL5 é a mais importante.

Níveis elevados de IL5 são encontrados em doença parasitária. O mecanismo da eosinofilia parece ser similar ao de doença alérgica, com resposta tipo “T Helper 2” ao Ag helmíntico, resultando em produção aumentada de IL5. Os eosinófilos têm habilidade de matar larvas opsonizadas de parasitas, secretando produtos como proteína básica maior, proteínas catiônicas e peroxidases que danificam tecidos e larvas de parasitas. Adicionalmente, já foi observado que ocorre exacerbação da eosinofilia durante a terapia antifilarial nos indivíduos microfilarêmicos, provavelmente devido à liberação de antígenos circulantes causada pela morte das mf, voltando ao nível basal cerca de 6 meses após o tratamento.

Neutrofilia:

Também ocorre na filaríase linfática, de forma moderada, tendendo a aumentar nos surtos febris, reduzindo-se a porcentagem de eosinófilos.

2.1.6. TRATAMENTO

O tratamento da filariose bancroftiana é feito tendo três objetivos: Reduzir ou prevenir a morbidade; corrigir as alterações provenientes do parasitismo (edema, hidrocele, elefantíase) e impedir a transmissão a novos hospedeiros.

A droga de escolha é a Dietilcarbamazina (DEC), com vários esquemas preconizados: 6 mg/kg/dia, VO, com periodicidade semestral ou anual; 6 mg/kg/dia, VO, por 12 dias; 6 mg/kg/dia, VO, por 2 a 4 semanas.

Outra droga que também é usada é a Ivermectina (IVM), na dose de 200microgramas/kg, 1 vez ao ano, VO.

Além disso, tem-se utilizado a associação da IVM + DEC nas doses: IVM, 200 microgramas/kg + DEC, 6mg/Kg, VO, 1 vez ao ano, ou IVM, 200 microgramas/kg + DEC 6mg/kg. Doses únicas de IVM são aparentemente iguais em eficácia, segurança e tolerância, quando comparadas com doses únicas de DEC. O regime em combinação aparenta ser melhor do que ambas as drogas usadas isoladamente, para obtenção a longo prazo a redução da densidade e da prevalência da microfilaremia. O período exato desses vários tratamentos não tem sido estabelecido, porém estima-se que se deve administrar dose única por 5 a 10 anos. Observar que a DEC não pode ser administrada em áreas onde coexiste oncocercose ou loíase. Felizmente, não se tem coexistência geográfica dessas filarioses no Brasil.

Para facilitar a relação peso/dose IVM observar: Ivermectina, dose única, VO, obedecendo a escala de peso corporal (15 a 24 kg 1/2 comprimido; 25 a 35 kg - 1 comprimido; 36 a 50 kg - 1 1/2 comprimido; 51 a 65kg - 2 comprimidos; 65 a 79kg - 2 1/2 comprimidos; = 80 kg – 200 microgramas/kg).

2.1.7 PROFILAXIA

As medidas de controle que devem ser adotadas são:

Redução da densidade populacional do vetor:

Através de biocidas; bolinhas de isopor, método esse limitado a criadouros específicos urbanos (latrinas e fossas); mosquiteiros ou cortinas impregnadas com inseticidas para limitar o contato entre o vetor e o homem; borrifação intradomiciliar com inseticidas de efeito residual ou malathion e os piretróides (dirigida contra as formas adultas do Culex); tentar exterminar as larvas através de larvicidas químicos como organofosforados, carbamatos e piretróides ou larvidas biológicos como as bactérias Bacillus sphaericus ou B. thuringienses que são mais indicadas;

Educação em Saúde:

Informar, às comunidades das áreas afetadas, sobre a doença e as medidas que podem ser adotadas para sua redução/eliminação; identificação dos criadouros potenciais no domicílio e peridomicílio, estimulando a sua redução pela própria comunidade;

Tratamento em massa:

Para as populações humanas que residem nos focos, de acordo com os esquemas preconizados no tópico de tratamento citado acima.

3. CONSIDERACOES FINAIS

Desse modo, observamos que o estudo do parasito W. bancrofti, visando sempre as manifestações clínicas apresentadas, suas particularidades, mecanismos de ação, assim como, a sua distribuição geográfica, diagnóstico e tratamento, é fundamental e de extrema relevância, pois há uma grande necessidade de conhecimento a respeito do mesmo pelo acadêmico da área de saúde devido a sua grande valia na prática de estágios, como também na sua futura vida profissional pelo fato desse parasito ter grande importância na saúde pública porque tem um alto índice de endemicidade nas regiões tropicais como o Brasil , colaborando, assim, para a sua qualificação e capacitação.

PEDRO NUNES DE OLIVEIRA JUNIOR

4. REFERÊNCIAS

1. NEVES, David Pereira. Parasitologia Humana. 10ª edição. São Paulo: Editora Atheneu, 2000.
2. REY, Luís. Parasitologia. 3ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.
3.REVISTA BRASILEIRA DE PATOLOGIA TROPICAL. Helmintos Filárias. Disponível em: <http://www.nomemarketing.com.br/parasitologia/cd/revista/ HFI_Helmintos_Filarias.htm> Acesso em: 24 Mai. 2006.

Fonte: www.scribd.com

Filariose

INTRODUÇÃO

Filariose linfática causada pela Wuchereria bancrofti é uma doença negligenciada, de caráter debilitante, que acomete cerca de 120 milhões de pessoas em todo mundo (FONTES et al., 2005). Essa enfermidade vem ocupando, há onze anos, o 2o lugar no ranking mundial das doenças incapacitantes (WHO, 1995).

No Brasil, estima-se em três milhões a população que vive em áreas com risco de contrair a parasitose e em 49 milhões o número de infectados. Esses indivíduos residem, em sua maioria, em áreas urbanas dos estados de Alagoas (Maceió) e Pernambuco (Região Metropolitana do Recife – RMR). (MEDEIROS et al., 2004).

O grave impacto sócio-econômico provocado pela bancroftose, em sua fase avançada, tem sido estudado por diversos pesquisadores, nas mais variadas localidades do mundo, onde a doença é endêmica (BABU & NAYAK, 2003).

Em trabalhos realizados na Índia, por Ramaiah et al., (2000) avaliou-se que a média dos custos anuais com o tratamento de casos crônicos foi calculada em cerca de R$ 52 milhões. Dreyer et al., (2005) relataram, ainda, que o forte estigma atribuído a essas pessoas, juntamente com a inaptidão física, faz com que estes se tornem excluídos das oportunidades de emprego.

Toda a problemática acima exposta encontra-se intimamente relacionada com a patogenia e manifestações clínicas que acompanham essa subestimada doença.

Como em sua fase avançada a bancroftose não possui tratamento eficaz na redução de seus sinais, é importante que os infectados sejam diagnosticados o mais precocemente possível.

Diante disto, o presente trabalho visa fornecer informaçõesrelevantes acerca das técnicas disponíveis para o diagnóstico da Filariose Linfática, contribuindo assim para otimização dos laboratórios de análises clínicas e conseqüente minimização do impacto da bancroftose.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico clínico da bancroftose é particularmente difícil. Por possuir baixa sensibilidade e especificidade, necessita de uma confirmação laboratorial. No entanto, em área endêmicas, a história clínica de febre recorrente associada com adenolinfangite, é um forte indicativo de infecção (FONTES, 1998).

Diagnóstico da filariose linfática causada pela W. bancrofti pode ser realizado por diferentes técnicas parasitológicas, imunológicas, moleculares e por imagem.

DIAGNÓSTICOS PARASITOLÓGICOS

Há várias décadas, a única prova conclusiva e comprobatória da infecção filarial tem sido o encontro de microfilárias no sangue periférico ou nos líquidos biológicos (urina, líquido hidrocélico, quilocélico ou sinovial) (ROCHA, 2004).

A pesquisa parasitológica pode ser realizada através de técnicas como a gota espessa de sangue, concentração de Knott e filtração de sangue em membrana de policarbonato, nas quais a coleta sangüínea deve ocorrer entre 23 - 01 h (DREYER et al., 1996).

Essas duas últimas são técnicas de concentração, que trabalham com um volume maior de sangue, aumentando sua sensibilidade em relação à gota espessa. Porém, em decorrência da dificuldade de execução e também de visualização das microfilárias, as técnicas quantitativas de Knott e filtração em membrana de policarbonato não são utilizadas na rotina e em inquéritos epidemiológicos. No entanto, são bastante utilizadas no diagnóstico de casos individuais e no controle pós-tratamento (HINRICHSEN et al., 2005).

Gota espessa

De acordo com OMS, o diagnóstico parasitológico se baseia na pesquisa de microfilárias no sangue periférico, colhido em horário compatível com a periodicidade do parasito na região. Entre as técnicas disponíveis, a mais utilizada em inquéritos epidemiológicos é a gota espessa de sangue (20 a 100 ?L), colhido por punção capilar digital.

Em seguida, a amostra é fixada, corada (eosina-Giemsa) e analisada em microscopia óptica. Essa técnica é particularmente importante para o diagnóstico específico em áreas onde ocorrem infecções mistas, pois a gota espessa possibilita a visualização da bainha, fato que difere a microfilária de W. bancrofti de outro filarídeos sanguíneos (SILVA et al., 2004).

A técnica da gota espessa apresenta um baixo custo em comparação com outras mais avançadas, como a filtração de sangue em membrana de policarbonato, o ensaio imunoenzimático e o ICT card. No entanto, sua baixa sensibilidade impede a utilização em situações em que os parasitados se mostram com baixa microfilaremia ou amicrofilarêmicos (SILVA et al., 2004).

Concentração de Knott

A técnica descrita por Knott em 1939 foi o primeiro método a utilizar a concentração de sangue no diagnóstico filarial. Apesar de ser uma técnica descrita há mais de 60 anos, Melrose, em 2002, constatou que nos dias atuais, este método ainda permanece em uso em diversas áreas endêmica do mundo.

A técnica permite a utilização de 1 ml de sangue venoso diluído em 9 ml de formalina a 2 %. O sistema é submetido à agitação vigorosa, centrifugado a 2000 rpm/10 min, tendo o sobrenadante removido e o sedimento lavado com formalina a 2%. Repete-se o procedimento até limpidez do sobrenadante, sendo este descartado e o sedimento distribuído em lâminas. O material é fixado, corado e analisado sob microscopia óptica.

Filtração em membrana de policarbonato

Descrita por Bell, a técnica de filtração de sangue em membrana de policarbonato foi introduzida em 1967. De custo elevado em relação aos métodos parasitológicos anteriormente descritos, baseia-se na passagem de sangue venoso através de uma membrana (Milipore ou Nuclepore) de diâmetro de 13 a 25 mm e poros de 5 ou 3 ?m. Essa técnica, assim como a de Knott, permite a identificação de indivíduos com baixíssimas parasitemias (quantidade de microfilárias não-detectáveis pela técnica de gota espessa) (ROCHA, 2004).

DIAGNÓSTICO IMUNOLÓGICO

O diagnóstico parasitológico da doença é particularmente difícil em pacientes que apresentam sintomas inflamatórios e se encontram na fase crônica, ou que apresentam quadro pulmonar (eosinofilia pulmonar tropical), situações nas quais as microfilárias estão normalmente ausentes do sangue periférico (SILVA et al., 2004). Por essa razão avaliações imunológicas e de biologia molecular têm sido desenvolvidas e aperfeiçoadas.

Pesquisa de antígeno

Técnicas mais avançadas, que se baseiam na pesquisa de antígenos filarial circulantes, através de anticorpos monoclonais, como o ensaio imunoenzimático (Og4C3-ELISA) e o teste de imunocromatografia rápida (ICT card test-AD12), mostraram sensibilidade e especificidade superior aos métodos parasitológicos (ROCHA, 2004).

Trabalhos desenvolvidos em Maceió por Silva et al. (2004) relataram uma sensibilidade 4,5 vezes maior do ICT card test, quando em comparação com o método parasitológico da gota espessa de sangue (IC 95% 1,3 – 16,9). Em outro estudo, realizado na Região Metropolitana do Recife, por Rocha et al. (1996), avaliando a sensibilidade do Og4C3 frente a grupo de indivíduos amicrofilarêmicos e microfilarêmicos, portadores de vermes adultos detectados pela ultra-sonografia, verificaram que a sensibilidade variou 70 a 100%, respectivamente.

Um fator limitante na utilização desses testes é o custo elevado para obtenção dos Kits, o que restringe sua aplicação em serviços de saúde, onde a demanda é elevada. No entanto, por serem os mais promissores, servem de incentivo para que novos trabalhos sejam desenvolvidos no sentido de se pesquisar novos anticorpos.

O teste de Og4C3 foi o primeiro a tornar-se disponível comercialmente sob a forma de kit utilizando a técnica do ensaio imunoenzimático (Trop-Ag W. bancrofti ELISA kit, manufactured by JCU Tropical Biotechnology Pty. LTDA, Townsville, Queensland, Austrália) (TropBio 1996). Segundo More & Copeman (1990), o Og4C3 é um anticorpo IgM, produzido contra antígenos de O. gibsoni, um parasito bovino. Este anticorpo é também capaz de reconhecer antígenos circulantes que porventura se encontrem no soro ou plasma de indivíduos infectados pela W. bancrofti (ROCHA, 2004). A sensibilidade desse teste, de acordo com os achados de Lammie et al. (1994) é de 100 % quando se tem a filtração de sangue em membrana de policarbonato como padrão ouro. Porém, uma redução na sensibilidade foi evidenciada por Rocha et al., em 1996, quando estudavam indivíduos que possuíam menos de 1 microfilária/ml de sangue ou eram amicrofilarêmicos.

Apesar do avanço que foi a descoberta do Og4C3 para o diagnóstico da filariose linfática, a dificuldade de realização da técnica, bem como o custo, mostravam a necessidade de criação de métodos alternativos, mais práticos e de menor custo. Diante disso, o AD12, outro AcMo, foi sintetizado e disponibilizado sobre a forma de uma imunocromatografia rápida, permitindo o diagnóstico rápido da infecção.

Viabilizado sob forma de cartão, o diagnóstico que utiliza o AD12, imunoglobulina pertencente à classe das IgG, como captador de antígenos filariais circulantes, foi desenvolvido pela ICT Diagnostic (Balgowlah, New South Wales, Austrália). Atualmente, conhecido como BINAX (ICT “card test”), esse teste, segundo Weil et al. (1997), é capaz de reconhecer antígenos filariais de 200 KD. É um teste de imunodiagnóstico in vitro para detecção de antígenos de W. bancrofti em sangue total, plasma, soro e líquido célico.

Baseia-se em uma interação que ocorre entre anticorpos monoclonal e policlonal, na presença de antígeno filarial circulante, que é revelada através de reação colorimétrica (WEIL et al., 1997). O AD12 parece ter como propriedade a capacidade de reconhecer a presença de antígenos do parasito adulto, independente da presença ou ausência de microfilárias (ROCHA, 2004).

Ambos os testes, Og4C3 e AD12, podem ser realizados nos períodos diurno e noturno, fato que demonstra um grande avanço no diagnóstico da bancroftose.

No entanto, o não conhecimento da cinética da antigenemia, após um tratamento antifilarial bem-sucedido, é um fator que necessita ser elucidado para que se possa melhorar o desempenho dos testes. Por esse motivo não devem ser utilizados como critério de cura (DREYER et al., 2005).

Pesquisa de anticorpo

O uso de anticorpos como marcador de doença/infecção não devem ser feito na rotina/pesquisa, devido às evidências de que, mesmo se utilizando a pesquisa de isótopo IgG4, não é possível distinguir o quadro de eosinofilia pulmonar tropical de outras síndromes (EPT-like) produzidas por outros helmintos intestinais (HINRICHSEN et al., 2005).

Vários testes para detectar a resposta imune do tipo humoral utilizando a intradermoreação, disponível há mais de sessenta anos (FAIRLEY, 1937), bem como os testes sorológicos que vêm sendo utilizados ao longo dos últimos vinte anos, têm produzido interpretações conflitantes no diagnóstico laboratorial da bancroftose (AMBROISE-THOMAS, 1974, VOLLER & SAVIGNY, 1981, DREYER et al., 1991, ROCHA, 1995). Possivelmente, isto é devido à baixa especificidade que estes testes apresentam (ROCHA, 2000) ou, ainda, em decorrência da utilização de extratos brutos dos parasitos homólogos (por exemplo, a imunofluorescência [IMF] para W. bancrofti) ou heterólogos (imunoenzimáticos [ELISA] com vermes adultos de B. malayi). Isso provoca geralmente reações cruzadas com outras infecções, fazendo com que a especificidade do teste seja prejudicada (ROCHA, 1995).

Algumas reações cruzadas são observadas também nas pesquisas que envolvem anticorpos policlonais contra W.bancrofti, a utilização de antígenos purificados certamente elevaria o grau de segurança dos testes que buscam identificar anticorpos específicos. (RAMZY et al., 1995).

Outro teste sorológico para filariose linfática, baseado na pesquisa de anticorpos pelo antígeno recombinante filarial Bm14, foi desenvolvido podendo ser realizado a qualquer hora do dia (CHANDRASHEKAR et al., 1994). Este antígeno foi selecionado de uma biblioteca de expressão de cDNA de B. Malayi, denominado gene sxp-1, sendo reconhecido no soro de pacientes com filariose linfática mas não em pacientes com infecção por helmintos não filariais.

Estudos preliminares com soro de pacientes da Índia indicaram que o ELISA baseado na detecção de anticorpos IgG4 para Bm14 parece apresentar uma alta sensibilidade para o diagnóstico de pacientes com filariose por brugia ou bancroftiana com infecção ativa ou em endêmicos normais (CHANDRASHEKAR et al., 1994).

Dissanayake et al., (1994) sugerem que um antígeno recombinante originário de uma biblioteca de cDNA de MF de B. malayi parece só estar presente nos indivíduos verdadeiramente infectados com W. bancrofti ou B. malayi.

Esse teste é capaz de distinguir indivíduos com infecção ativa daqueles com infecção passada ou indivíduos que foram simplesmente expostos às larvas infectantes, sem se tornarem infectados. Verificaram também que não existe correlação entre a carga parasitária e a positividade do teste, demonstrando que a resposta de anticorpos ao produto do gene sxp-1 não é estágio específico e a sua positividade indica a presença de vermes adultos jovens ou maduros com ou sem microfilaremia.

DIAGNÓSTICO MOLECULAR

Nos últimos anos, a biologia molecular, também, obteve avanços e trouxe uma contribuição impar, não apenas para o diagnóstico da filariose bancroftiana, como também de outras patologias. A utilização das ferramentas de biologia molecular nos estudos da filariose teve início a partir do ano de 1980, quando muitos pesquisadores deram ênfase e desenvolveu-se o procedimento de isolar e caracterizar seqüências de DNA filarial espécie-especificas. Um dos principais objetivos foi introduzir uma nova metodologia que pudesse substituir a dissecção manual de milhares de mosquitos na avaliação do impacto dos programas de controle nas áreas endêmicas através da monitorização da infecção vetorial (ROCHA, 2004).

A Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) é uma metodologia que vem sendo padronizada e que tem se mostrado promissora, principalmente no tocante a análise dos exemplares de mosquitos (ROCHA, 2002). Como forma de diagnóstico, a PCR foi inicialmente utilizada para a análise de amostras de sangue coletadas em período noturno, mostrando-se satisfatória. No entanto, sua utilização em pacientes amicrofilarêmicos foi questionada, levando a necessidade de novos estudos. Em 2000, Dissanayake et al., desenvolvendo estudos comparativos entre os métodos parasitológicos, Og4C3-ELISA, ultra-sonografia e PCR, constatou que a PCR não é capaz de detectar DNA em indivíduos amicrofilarêmicos, antígeno-positivo e nem em amicrofilarêmicos portadores de vermes adultos (DREYER et al., 2005). Na atualidade, além da necessidade de padronização adequada, perante as diversas formas clínicas, da disponibilidade dos primers das famílias repetitivas para os diferentes estágios de desenvolvimento do parasito, o custo elevado é um dos fatores que distanciam a PCR de sua utilização na rotina laboratorial diagnóstica.

O desenvolvimento de análises enfocando o genoma filarial tem proporcionado um grande avanço no estudo do diagnóstico molecular da bancroftose como genes candidatos à produção de vacinas (RAGHAVAN et al., 1991).

Em 2002, uma revisão realizada por Rocha et al. chamam atenção para as vantagens da utilização da ferramenta molecular no diagnóstico da bancroftose frente aos mais diversos fluidos biológicos. O desenvolvimento da pesquisa de DNA no diagnóstico molecular da filariose linfática, em amostras biológicas, tem aberto novas perspectivas no diagnóstico laboratorial.

O diagnóstico da bancroftose, baseado em técnicas de biologia molecular, não está sendo ainda utilizado em larga escala, por não ter sido validado.

Alguns pesquisadores estão desenvolvendo e criando alternativas para o diagnóstico molecular da W. bancrofti com a modificação e aperfeiçoamento da técnica de PCR. Assim, Thanomsub et al. (2000) utilizaram a técnica de PCR-RFLP aplicada ao diagnóstico diferenciando espécies de filariais nos seres humano sendo um ensaio simples e de resultado preciso. Chansiri & Phantana (2002) realizaram um estudo onde a técnica de PCR foi muito sensível na habilidade de detectar a presença de 10 pg de DNA do parasito. A PCR pode detectar as larvas infectantes (L3) no mosquito Culex quinquefasciatus. Hassan et al. (2005) compararam a sensibilidade da técnica de PCR-ELISA em sangue noturno, onde obteve 100%, com as técnicas de filtração em membrana e de pesquisa de antígenos circulantes, identificando a capacidade da técnica em detectar as infecções filariais.

Mishra et al. (2005) desenvolveram um método de PCR em uma única etapa onde foram realizadas a detecção combinada dos parasitos filariais humanos, Brugia malayi e Wuchereria bancrofti mesmo em níveis baixos da infecção. Rao et al., (2006) desenvolveram e avaliou ensaios com PCR em tempo real para detectar a Wuchereria bancrofti e também comparou a PCR em tempo real com a PCR convencional (C-PCR) para detectar o DNA de W. bancrofti em amostras de mosquitos coletadas em áreas endêmicas no Egito e em Papua Nova Guiné. Embora os dois métodos tivessem a sensibilidade comparável para detectar o DNA filarial em amostras de referência, a PCR em tempo real foi mais sensível do que C-PCR na prática com amostras do campo. Ou tras vantagens de PCR em tempo real incluem sua capacidade de elevada especificidade e risco diminuído da reação cruzada entre amostras do teste do DNA de W. bancrofti no sangue humano e nos mosquitos.

DIAGNÓSTICO POR IMAGEM

A ultra-sonografia foi primeiramente descrita, para pesquisa de W. bancrofti, em 1994, quando Amaral et al. em estudos desenvolvidos no Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães evidenciaram vermes adultos em vasos linfáticos intraescrotais do cordão espermático. Este método permite detectar e monitorar vermes adultos vivos e dilatação linfática em pacientes com filariose bancroftiana. Quando desenvolvida de forma correta, essa técnica possibilita o diagnóstico precoce da infecção e contribui para um controle de cura mais eficiente, podendo medir diretamente a ação da droga sobre o parasito (SILVA et al., 2004).

CONCLUSÃO

O diagnóstico laboratorial da filariose bancroftiana apresentou um significativo avanço ao longo de pouco mais de um século. Enfermidade que possuiu por muito tempo a gota espessa de sangue como exclusiva forma de detecção de parasitados, atualmente conta com inúmeras técnicas parasitológicas, imunológicas, moleculares e também de diagnóstico por imagem. O desenvolvimento destes métodos ampliou a sensibilidade de detecção dos indivíduos infectados pela Wuchereria bancrofti, auxiliando tanto no tratamento de pacientes assintomáticos, como na erradicação da doença.

A técnica que se baseia na pesquisa de anticorpos anti-Wuchereria bancrofti (Bm14), bem como a análise molecular através da PCR, são bastante promissoras em inquéritos epidemiológicos, uma vez que padronizadas permitirão avaliar áreas endêmicas onde a população recebeu tratamento em massa e também no controle da infecção de vetores. Concluiu-se, ainda, que embora a técnica quantitativa de filtração em membrana de policarbonato seja preconizada pela OMS como controle de cura, cada método deve ser utilizado em situações especificas e a associação de mais de uma técnica permite um diagnóstico mais preciso, conferindo assim uma maior fidedignidade ao resultado.

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Fonte: www.sbac.org.br

Filariose

A filariose é uma parasitose de grande importância em saúde pública e endêmica de países tropicais.

Os helmintos causadores dessa doença necessitam, durante o seu ciclo, de um hospedeiro intermediário invertebrado, antes de invadir os sistemas circulatório e linfático do seu hospedeiro definitivo, um vertebrado que pode ser o Homem.

A transmissão é dada pela picada de um inseto contaminado que deposita as larvas infectantes, chamadas de filarias, na pele lesada das pessoas.

Essas larvas instalam-se nos vasos e gânglios linfáticos podendo causar a obstrução dos mesmos.

Por esse motivo, as vítimas da filariose apresentam regiões do corpo, principalmente as extremidades, inchadas, o que explica o nome vulgar da doença ser elefantíase.

Na reprodução do parasita adulto, dentro do vertebrado, a fêmea elimina microfilárias que caem na circulação sanguínea.

Quando o mosquito se alimenta do sangue da pessoa parasitada, ingere dessas microfilárias que irão se desenvolver em larvas infectantes nos seus tecidos.

Quando esse inseto vetor vai se alimentar do sangue de uma pessoa transmite a doença, fechando o ciclo.

Fonte: www.ibb.unesp.br

Filariose

A Filariose é a doença causada pelos parasitas nematódes Wuchereria bancrofti, Brugia malayi e Brugia timori, que se alojam nos vasos linfáticos causando linfedema. Esta doença é também conhecida como elefantíase, devido ao aspecto de perna de elefante do paciente com esta doença.

Tem como transmissor os mosquitos dos gêneros Culex, Anopheles, Mansonia ou Aedes, presentes nas regiões tropicais e subtropicais. Quando o nematódeo obstrui o vaso linfático o edema é irreversível, daí a importância da prevenção com mosquiteiros e repelentes, além de evitar o acúmulo de águas paradas em pneus velhos, latas, potes e outros.

EPIDEMIOLOGIA

Afeta 120 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS. Só afecta o ser humano (outras espécies afetam animais).

1. O Wuchereria bancrofti existe na África, Ásia tropical, Caraíbas e na América do Sul incluindo Brasil. É transmitido pelos mosquitos Culex, Anopheles e Aedes.

2. O Brugia malayi está limitado ao Subcontinente Indiano e a algumas regiões da Ásia oriental. O transmissor é o mosquito Anopheles, Culex ou Mansonia.

3. O Brugia timori existe em Timor-Leste e Ocidental, do qual provém o seu nome, e na Indonésia. Transmitido pelos Anopheles

O parasita só se desenvolve em condições húmidas com tempreaturas altas, portanto todos os casos na Europa e EUA são importados de individuos provenientes de regiões tropicais.

PROGRESSÃO E SINTOMAS

O período de incubação pode ser de um mês ou vários meses. A maioria dos casos é assintomática, contudo à produão de microfilárias e o individuo dissemina a infecção pelos mosquitos que o picam.

Os episódios de disseminação de microfilárias (geralmente à noite quando estão ativos os mosquitos, mas por vezes também de dia) pelos vasos sanguineos podem levar a reacções do sistema imunitário, como prurido, febre, mal estar, tosse, asma, fatiga, exantemas, adenopatias (inchaço dos gânglios linfáticos) e com inchaços nos membros, escroto ou mamas. Por vezes causa inflamação dos testículos (orquite).

A longo prazo apresença de vários pares de adultos nos vasos linfáticos, com fibrosação e obstrução dos vasos (formando nódulos palpáveis) pode levar a acumulações de linfa a montante das obstruções, com dilatação de vasos linfáticos alternativos e espessamento da pele. Esta condição, dez a quinze anos depois, manifesta-se como aumento de volume grotesco das regiões afetadas, principalmente pernas e escroto, devido à retenção de linfa. Os vasos linfáticos alargados pela linfa retida por vezes rebentam, complicando a drenagem da linfa ainda mais. Por vezes as pernas tornam-se grossas dando um aspecto semelhante a patas de elefante, descrito como elefantíase.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O diagnóstico é pela observação microscópica de microfilárias em amostras de sangue. Caso a espécie seja nocturna é necessário recolher sangue de noite, de outro modo não serão encontradas. A ecografia permite detectar as formas adultas. A serologia por ELISA também é útil.

São usados antiparasiticos como mebendazole. É importante tratar as infecções secundárias.

Fonte: www.saberweb.com.br

Filariose

Infestação causada pelo nematelminto Wuchereria bancrofti.

Etiologia

Transmitida pela picada de mosquitos Culex sp ou Anopheles sp, possibilitando a penetração das microfilárias pela pele. Essas larvas ganham a via linfática, onde se desenvolvem em vermes adultos, obstruindo seu fluxo. À noite as fêmeas liberam microfilárias no sangue. A embriogênese das microfilárias parece ser depen­dente da infecção das fêmeas de W. bancrofti pela endobactéria Wolbachia.

Acomete principalmente regiões intertropicais. No Brasil, algumas regiões do Norte e Nordeste.

Clínica

Geralmente assintomática.

Sinais inespecíficos de invasão: prurido, erupções cutâneas, edemas fugazes, tensão em território de drenagem linfática.
Manifestações linfáticas agudas:
crises de linfangite com febre, edema inflamatório e doloroso ao redor de cordões linfáticos, adenite regional e artralgias. Pode também acometer genitália masculina e mama. Em caso de acometimento de gânglio profundo, pode haver dor torácica ou abdominal.
Manifestações linfáticas crônicas:
hidrocele, varicocele linfática, elefantíase de genitália, linfedema e elefantíase de membros, adenomegalia inguinal, quilúria.
Outras manifestações:
nódulos filarianos (granulomatosos) em tecido subcutâneo, seios, testículo, pulmões; reação de hipersensibilidade pulmonar, com tosse, febre, crises de broncoespasmo e infiltrado pulmo­nar difuso (pulmão eosinofílico filariano), podendo complicar com fibrose pulmonar; hepatoesplenomegalia; adenopatia; mono­artrite de joelhos; endomiocardiofibrose; uveíte anterior.

Diagnóstico

Exames de imagem: a obstrução linfática pode ser avaliada por linfografia pediosa bilateral por cintilografia linfática com albumina ou dextran marcados, ou por ultra-sonografia (principalmente de escroto).

Exames laboratoriais: detecção direta das microfilárias no sangue entre 22:00 e 4:00, ou após estímulo com dietilcarbamazepina 100 mg (30 minutos-2 horas), por técnica de gota espessa; sorologia (ELISA e radioimu­noensaio); reação em cadeia por polimerase; eosinofilia e aumento de IgE, principalmen­te no pulmão eosinofílico filariano; pesquisa de microfilárias em coleções linfáticas.

Tratamento

Etiológico

Dietilcarbamazepina 6 mg/kg em dose única.

Dietilcarbamazepina 50 mg no 1o dia, 50 mg 8/8 horas no 2º dia, 100 mg 8/8 horas no 3o dia, 2 mg/kg/dose 8/8 horas do 4º ao 14º dia.

Ivermectina 400 mcg/kg em dose única.

Recomenda-se associar um dos tratamentos acima com doxicilina 100-200 mg/dia para eliminar a bactéria Wolbachia, esterilizando as fêmeas W. bancrofti.

Elefantíase

Eventualmente são necessárias intervenções cirúrgicas vasculares, ginecológicas ou urológicas.

Fonte: www.consultormedico.com

Filariose

A filariose é causada por vermes conhecidos popularmente como filárias. A espécie mais comum no Brasil é a de nome científico Wulchereria bancrofti.

A filariose é muito comum em países tropicais, ou seja, com clima quente e úmido a maior parte do ano. Isso inclui o Brasil e América Central e Latina, a China, o Sudeste asiático e a África.

As filárias têm o corpo fino e alongado. Elas são transmitidas para o homem através da picada de um inseto, o mosquito do gênero Culex.

Esse mosquito é considerado um hospedeiro intermediário, enquanto o homem é o hospedeiro definitivo.

Quando esses mosquitos picam uma pessoa, as larvas das filárias caem direto no sangue humano e se instalam nos vasos e gânglios linfáticos.

Depois de três meses, as larvas já estão adultas e começam a se reproduzir, criando novas larvas.

Uma curiosidade dessa doença é o fato de que os vermes adultos ficam instalados no sistema linfático, enquanto suas larvas circulam pelo corpo inteiro através do sangue.

Nos canais linfáticos, as filárias causam diversas feridas e inflamações. Com o tempo ocorre a hipertrofia da região afetada, ou seja, o local fica muito maior do que o normal.

Essa doença é conhecida popularmente como elefantíase, pois deixa as pessoas doentes com algumas partes do corpo muito maiores do que o normal, geralmente as pernas, o escroto (nos homens) e as mamas (nas mulheres).

Para se evitar contrair a filariose deve-se combater os insetos, mantendo sempre sua casa e os locais de convívio muito bem limpos.

Fonte: www.protelas.hpgvip.ig.com.br

Filariose

FILARIOSE LINFÁTICA

Causadora da elefantíase, a filariose linfática coloca em risco um bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 120 milhões sofrem da doença, sendo que mais de 40 milhões se encontram gravemente incapacitados ou apresentam deformações. Dos infectados, um terço vive na Índia, um terço na África e o restante na Ásia, Pacífico Ocidental e Américas.

Endêmica em mais de 80 países, a filariose é uma doença crônica com importante potencial de seqüelas, adquirida geralmente na infância.

É causa importante de infecções crônicas e agudas, podendo provocar incapacidade. Além de onerar o sistema de saúde, seus portadores enfrentam não só as limitações provocadas pela doença, mas também o preconceito social.

No Brasil, a filariose permanecia de forma endêmica em apenas três capitais: Belém, Manaus e Recife.

Nas duas primeiras cidades, houve uma significativa redução da transmissão. Em Recife, cidade com o maior número de casos do país, o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, unidade da Fiocruz é referência nacional para o controle da filariose, vem desenvolvendo um mapeamento das áreas de risco para a doença.

Filariose
Filária adulta

Agente responsável

A filariose é causada por um helminto (verme) longo e delgado, a filaria Wuchereria bancrofti, único agente na África e nas Américas. Os outros agentes patogênicos são a Brugia malayi (na China, Sudeste Asiático, Indonésia, Filipinas e sul da Índia) e a Brugia timori (na ilha de Timor).

Transmissão

No Brasil, a filariose é transmitida apenas pela picada da fêmea do mosquito Culex quinquefasciatus. Outros transmissores da Wuchereria bancrofti são algumas espécies de Anopheles. Os vetores da Brugia malayi e da Brugia timori são mosquitos do gênero Mansonia.

A doença

O período de incubação da filariose é de 9 a 12 meses. Metade dos indivíduos infectados em zonas endêmicas desenvolvem a forma assintomática da doença, embora apresentem microfilárias no sangue e sejam portadores sãos.

Os primeiros sintomas costumam ser processos inflamatórios (desencadeados pela morte do verme adulto) localizados nos vasos linfáticos (linfangite), com febre, calafrio, dor de cabeça, náusea, sensibilidade dolorosa e vermelhidão ao longo do vaso linfático - em diferentes regiões independentes de sua localização: escroto, cordão espermático, mama, membros inferiores, etc. São freqüentes os casos com ataques repetidos de linfangite, linfadenite (inflamação dos nódulos linfáticos) e lesões genitais.

A evolução da filariose é lenta. Seus sinais e sintomas são decorrentes principalmente da dilatação (ectasia) do vaso linfático muitas vezes complicada por infecções secundárias.De 10% a 15% dos casos de filariose vão apresentar elefantíase, após 10 a 15 anos de infecção.

Na elefantíase, há fibrose (endurecimento e espessamento) e hipertrofia (inchaço exagerado) das áreas com edemas linfáticos, provocando deformações.

Geralmente, ela se localiza em uma ou ambas as pernas, ou nos órgãos genitais externos (raras vezes nas mamas).

A filariose não é causa direta da elefantíase. Diversos outros fatores, como a falta de higiene nos membros afetados pelas lesões, ocasionam a proliferação de bactérias e a infecção aguda. Pesquisadores constataram que a simples e prática limpeza com água e sabão de áreas afetadas, como pernas e região escrotal, pode prevenir a elefantíase.

Tratamento

A droga de escolha para o combate à filariose é a dietilcarbamazina. Em países em que a doença coexiste com a oncocercose, usa-se a ivermectina. Em casos específicos de resistência ao tratamento clínico com medicamentos, há indicação de retirada cirúrgica do verme adulto.

Prevenção e Controle

Tratamento dos infectados para eliminar a microfilária do sangue, interrompendo a transmissão (A Organização Mundial da Saúde recomenda o tratamento de massa para populações em risco, pela administração de uma dose anual de dietilcarbamazina, em áreas de alta prevalência)

Tratamento dos doentes

Promoção, através de educação comunitária, de técnicas simples de higiene para pacientes que apresentam linfoedema, evitando infecções bacterianas e o desenvolvimento de formas mais graves da moléstia

Combate ao inseto transmissor.

HISTÓRIA

A descoberta de Patrick Manson de que mosquitos transmitiam a filariose representa o nascimento da Entomologia Médica e o marco mais importante da Medicina Tropical. Suas observações sobre o ciclo de vida e as características clínicas da doença, bem como a demonstração da periodicidade noturna das microfilárias, resultaram em uma explosão do interesse pelas doenças transmitidas por insetos e colaboraram para a descoberta por Ross do vetor da malária.

Primeiros registros

Sinais físicos característicos da filariose foram citados em documentos remontando à Grécia e à Roma Antiga, mas como estes sintomas podem resultar de outras causas, não podem atribuí-los com certeza à doença. Mas, em locais onde ainda hoje há abundância de vetores e condições climáticas favoráveis, como no Egito e na África, registros sobre elefantíase com certeza devem-se à filariose.

Um século antes de Cristo, Lucretius Caius afirmava que viver perto do Nilo era a causa dos numerosos casos de elefantíase. A estátua do faraó Mentuhotep, de cerca de 2000 a.C., mostra o inchaço característico das pernas. E a hidrocele é retratada em esculturas africanas Nok, de cerca de 500 d.C.

Ao visitar Goa no final do século XVI, o explorador holandês John Hugen Linschoten (1563-1611) afirmou que os descendentes daqueles que mataram São Tomé foram "amaldiçoados por Deus, por isso nasceram com uma de suas pernas e um pé, do joelho para baixo, grossos como as pernas de um elefante."

A descoberta da microfilária

O primeiro registro de microfilária em seres humanos foi feito por Demarquay, em 1863, no fluido leitoso da hidrocele de um paciente cubano que operara em Paris. Em 1866, Otto Wucherer descobriu microfilárias na urina de seus pacientes com hematúria (presença de sangue na urina) e quilúria (presença de quilo - líquido linfático - na urina) na Bahia.

Em 1872, Timothy Lewis, trabalhando em Calcutá, Índia, confirmou as observações de Wucherer e detectou microfilárias também no sangue, estabelecendo sua relação com a elefantíase. Pouco depois, Patrick Manson, em Amoy, na China, estabeleceu uma correlação clara entre a presença de microfilárias no sangue e as principais complicações da filariose.

O verme adulto

Em 1877, Joseph Bancroft descobriu um verme ao examinar o fluido de um paciente com um abcesso no braço, uma complicação rara da doença. Enviou este material para o mais influente helmintologista médico, Stephen Cobbold, que o chamou de Filaria bancrofti em uma nota para a revista Lancet. Em seguida, Bancroft detectou mais vermes em uma hidrocele.

No mesmo ano, Silva Lima e dos Santos publicaram seus relatos de suas descobertas de vermes adultos.

Em 1880, Manson encontrou vermes adultos em tecidos removidos cirurgicamente. Foi somente em 1921 que o nome Wuchereria bancrofti foi aceito.

Outras espécies

Em 1927, Lichtenstein observou que as microfilárias da filariose em partes da Indonésia eram diferentes da W. bancrofti. Enviou os espécimes para Brug, na Holanda, que as descreveu. Em 1940, Rao e Mapleston encontraram na Índia microfilárias e vermes adultos da espécie descrita por Brug. Em 1960, devido às diferenças entre os parasitos, Buckley propôs a criação de um novo gênero, Brugia. Novas espécies de Brugia foram encontradas em animais em várias partes do mundo, inclusive uma infectando homem, B. timori, responsável pela filariose na ilha de Timor.

A transmissão pelo mosquito

Após examinar microfilárias no sangue, Manson interessou-se em saber o que acontecia com um animal que se alimentava daquele fluido, o mosquito. Fez picar seu jardineiro, Hinlo, por estes insetos durante vários dias, coletou-os nos cinco dias seguintes e encontrou, no estômago, "um animal simples, sem estrutura, que após passar por uma série de metamorfoses altamente interessantes, aumenta muito de tamanho, possuindo um canal alimentar e sendo adaptado para a vida independente."

Era a primeira vez que se estabelecia a relação entre um mosquito e uma doença. Manson demorou a reconhecer que a transmissão se dava pela picada do inseto, não por ingestão do parasito, só se convencendo em 1900 de que as larvas eram inoculadas no momento da picada.

Fonte: www.invivo.fiocruz.br

Filariose

A filariose, ou filaríase, é causada por vermes que parasitam os vasos linfáticos do homem.

No caso brasileiro, ela é ocasionada por helmintos da espécie Wuchereria bancrofti.

A infecção ocorre quando mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus, que ao picarem o homem transmitem larvas da W. bancrofti.

O que é?

Doença parasitária crônica causada por vermes nematóides (as filárias).

Qual o microrganismo envolvido?

O parasita responsável pela doença humana é o nematóide Wuchereria bancrofti, sendo vetor o mosquito Culex quiquefasciatus (pernilongo ou muriçoca).

Quais os sintomas?

Na fase aguda podem aparecer fenômenos inflamatórios, entre eles inflamação dos vasos linfáticos e linfadenites, além de sintomas gerais, como febre, dor de cabeça, mal estar, entre outros.

Mais tarde, por um período que pode levar meses ou anos, os pacientes podem apresentar inchaço de membros, e/ou mamas no caso das mulheres, e inchaço por retenção de líquido nos testículos no caso dos homens.

Doenças infecciosas da pele são freqüentes e presença de gordura na urina são outras possíveis manifestações. Pode ainda haver a evolução para formas graves e incapacitantes de elefantíase (aumento excessivo do tamanho de membros).

Como se transmite?

O ser humano é a fonte primária de infecção; o parasita é transmitido de pessoa a pessoa por meio da picada do mosquito Culex quinquefasciatus (pernilongo).

Como tratar?

O tratamento é feito com medicamentos, de acordo com as manifestações clínicas resultantes da infecção pelos vermes adultos e depende do tipo e grau de lesão que estes vermes provocaram e suas conseqüências clínicas.

Como se prevenir?

Evitar a exposição prolongada aos mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus nos locais onde ainda ocorre a transmissão. No Brasil, estes locais estão restritos a bairros periféricos dos municípios de Recife, Olinda, Jaboatão e Paulista, todos da Região Metropolitana de Recife.

Fonte: bvsms.saude.gov.br

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