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Giardíase

Giardíase
Giardia

A Giardia lamblia é mais freqüentemente transmitida por meio de água ou alimentos contaminados, ou por via fecal-oral. Os surtos têm seus picos no final do verão.

A Giardia lamblia ocorre em todo o mundo e é mais prevalente em áreas com tratamento deficiente de água e condições sanitárias precárias. A soroprevalência em países em desenvolvimento varia de 20 a 30 porcento. A maioria das pessoas contaminadas é assintomática.

Uma taxa de soroprevalência tão alta quanto 35 porcento tem sido relatada em crianças. Apesar de muitas dessas crianças serem assintomáticas, elas podem transmitir a infecção para os membros da família.

O período usual de incubação para giardíase sintomática é de uma a duas semanas, porém, pode variar de um a 45 dias. Entretanto, até 60 porcento das pessoas expostas à infecção permanecem assintomáticas. Pacientes que desenvolvem sintomas usualmente têm diarréia de odor fétido, com fezes não-sanguinolentas.

Outros sintomas comuns incluem flatulência, cólicas abdominais, timpanismo, anorexia, náusea, perda de peso. Algumas vezes, ocorre febre na instalação da infecção. A má absorção é comum e é a causa da perda substancial de peso que pode ocorrer. De maneira diferente daquela que ocorre com outras formas de diarréia infecciosa, os pacientes com giardíase usualmente serão sintomáticos por uma ou duas semanas, antes de procurar por ajuda médica.

A doença pode se resolver espontaneamente, porém, os sintomas podem persistir por semanas e, algumas vezes, por meses. A infecção crônica ocorre a despeito da presença de uma resposta imuno mediada por anticorpo. As razões para isto não são claras; entretanto, os anticorpos de fato parecem fornecer proteção contra a infecção recentemente adquirida ou reinfecção.

O diagnóstico de giardíase é usualmente confirmado pela presença de cistos ou, menos freqüentemente, tropozoítos em amostras de fezes coradas com tricomo ou hematoxilina férrica. A sensibilidade desse teste pode ser melhorada pela repetição do exame das fezes em uma ou duas amostras adicionais. Os antígenos de Giardia podem ser detectados em amostras de fezes, usando-se anticorpos monoclonais ou ensaio de fluorescência direta. Esses testes devem ser considerados se os exames de rotina das fezes não fornecerem o diagnóstico.

Em pacientes com sintomas persistentes, um teste de cordão pode ser útil. Nesse teste, o paciente ingere uma cápsula na extremidade de um cordão que migra para o jejuno, onde os tropozoítos aderem. O cordão é retirado após quatro horas ou mais e pode ser examinado com relação a tropozoítos. Alguns médicos preferem efetuar uma esofagogastroduodenoscopia com aspiração e biópsia duodenal. Esse método ajuda na detecção de outras doenças que podem causar sintomas similares, tais como linfoma, doença de Whipple, criptosporidiose, isosporíase ou doença de Crohn.

Diversos tratamentos eficazes estão disponíveis atualmente para pacientes com giardíase sintomática.

A prevenção de infecção por Giardia lamblia deve ser direcionada no sentido de evitar água contaminada. Lavagem vigorosa das mãos e descarte adequado de fraldas usadas devem ser praticados em instalações de cuidado diário. Eclosões de giardíase têm sido usualmente associadas à água de superfície contaminada ou poços rasos.

O método mais eficaz de tornar os cistos de Giardia não viáveis é ferver a água. Cloronização não é eficaz.

Fonte: www.uniclinica.com.br

Giardíase

A giardíase é uma parasitose intestinal mais freqüente em crianças do que em adultos e que tem como agente etiológico a Giardia lamblia.

Este protozoário flagelado tem incidência mais alta em climas temperados.

Ao gênero Giardia pertence o primeiro protozoário intestinal humano a ser conhecido. Sua descrição e atribuída a Leeuwenhoek que notou 'animalúnculos móveis' em suas próprias fezes.

SINTOMAS

A giardíase se manifesta por azia e náusea que diminuem de intensidade quando ocorre ingestão de alimentos, ocorrem cólicas seguidas de diarréia, perda de apetite, irritabilidade. Raramente observa-se muco ou sangue nas fezes do indivíduo com giardíase que no entanto possuem odor fétido, são do tipo explosiva e acompanhadas de gases. Em alguns casos o estado agudo da doença pode durar meses levando à má absorção de várias substâncias inclusive vitaminas como as lipossolúveis, por exemplo.

CONTAMINAÇÃO

Ocorre quando os cistos maduros são ingeridos pelo indivíduo. Os cistos podem ser encontrados na água (mesmo que clorada ), alimentos contaminados e em alguns casos a transmissão pode se dar por meio de mãos contaminadas.

PROFILAXIA

Basicamente, para se evitar a giardíase deve-se tomar as mesmas medidas profiláticas usadas contra a amebíase, já que as formas de contaminação são praticamente as mesmas.

Portanto deve-se:

Só ingerir alimentos bem lavados e/ou cozidos;

Lavar as mãos antes das refeições e após o uso de sanitários;

Construção de fossas e redes de esgotos;

Só beber água filtrada e/ou fervida;

Tratar as pessoas doentes.

Fonte: professor-edmo.tripod.com

Giardíase

Definição

Infestação causada pelo protozoário Giardia lamblia.

Etiologia

Transmitida através de ingestão de cistos presentes em águas contaminadas ou transmissão inter-humana fecal-oral, em condições de baixo nível de higiene, ou através de sexo oral-anal. Raramente ocorre transmissão via alimentar.

Presente no mundo todo, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. Devido à resistência dos cistos de giárdia à baixa temperatura e a cloro, a infecção pode ocorrer em diversas regiões do mundo, com diferentes formas de exposição. Surtos podem ocorrer quando há contaminação de reservatórios ou em filtros de água.

Clínica

Varia desde assintomática a quadros de diarréia fulminante. Quando sintomática, geralmente ocorre após período de incubação de 5 a 6 dias (raramente 1 a 3 semanas).

Principais sintomas na forma aguda: diarréia, dor abdominal, flatu­lência, arrotos, náusea e vômitos. Comumen­te, os sintomas gastrintestinais altos são mais exuberantes. A manifestação aguda geralmente tem duração maior que uma semana, porém a diarréia pode ser autolimitada.

Na forma crô­nica, a diarréia pode estar ausente ou ser de leve intensidade, com proeminência de sinto­mas gastrintestinais altos associada à perda de peso.

Pode manifestar-se continuamente ou ser intermitente e pode persistir por muitos anos. Sintomas de febre, sangue ou muco nas fezes e outras manifestações de colite geralmente estão ausentes. As complicações são síndromes de má absorção, desnutrição e retardo de crescimento em crianças.

Manifestações extra-intestinais: urticária, uveíte anterior e artrites.

Diagnóstico

Pesquisa direta: protoparasitológico de fezes com identificação de cistos ou trofozoítos. Devido à eliminação intermitente do proto­zoário, os exames podem ser negativos, mo­tivo pelo qual é recomendada mais de uma amostra de fezes. Pode-se realizar pesquisa direta em fluidos duodenais ou biópsia de intestino delgado.

Detecção de antígeno nas fezes: sensibilidade e especificidade similares a métodos diretos.

Tratamento

Metronidazol 250-750 mg 8/8 horas por 5 dias.

Quinacrina 100 mg 8/8 horas por 5 dias.

Tinidazol 2 g (50 mg/kg) VO dose única.

Secnidazol 2 g (30 mg/kg) VO dose única.

Albendazol 400 mg VO/dia por 5 dias.

Furazolidone 6 mg/kg VO/dia divididos em 4 doses por 7 a 10 dias.

Em casos recidivantes é necessário avaliar riscos de reinfecção, principalmente fontes intradomiciliares. Em casos refratários, deve-se investigar hipogamaglobulinemia; tratamento com metronidazol 750 mg 8/8 horas por 21 dias (associado ou não com quinacrina) tem sido eficaz.

Fonte: www.consultormedico.com

Giardíase

Outro protozoário parasita do ser humano, o maior responsável por casos de diarréia em crianças, que pode até mesmo provocar retardo no desenvolvimento, é a Giardia lamblia, causadora da giardíase. Diferente das amebas, essa espécie se locomove por meio de estruturas especializadas em forma de chicote, os flagelos.

A ingestão dos cistos da Giardia lamblia ocorre principalmente quando se consome água sem tratamento ou tratada somente com cloro, substância que não mata o cisto; alimentos e mãos contaminados com o cisto. A contaminação dos alimentos pode ocorrer principalmente quando eles são lavados com água contaminada ou quando são manipulados por pessoas que tenham as mãos contaminadas com cistos, os quais podem também ser transportados por baratas e moscas.

Locais muito propícios à disseminação da doença são aqueles onde há aglomeração humana, como creches e orfanatos, que favorece o contato direto entre as pessoas. Falta de hábitos de higiene é outro aspecto que facilita a propagação dos cisto.

No Brasil, a prevalência de infecção da giardíase é de 4% a 30%, valores que ficam entre 20% e 60% entre crianças de creches cuja idade varia de um a quatro anos.

Diferente de Entamoeba histolytica , o desencistamento de Giardia lamblia acontece no estômago, devido ao ácido ali existente. Surge então o trofozoíto que colonizará o intestino delgado, onde ele se reproduzirá dando origem a outros trofozoítos , que finalmente sofrerão encistamento e serão eliminados para o exterior do corpo junto com as fezes.

Os indivíduos sintomáticos apresentam quadros de diarréias agudas ou persistentes, o que acarreta perda de peso, dores abdominais e fezes aquosas, as quais raramente apresentam muco ou sangue. Assim como a amebíase, a giardíase , também apresenta indivíduos assintomáticos, que têm importante papel como fonte de infecção.

Fonte: www.ibb.unesp.br

Giardíase

O que é a giardíase?

A giardíase é uma doença causada por um parasita chamado Giardia Lamblia, que utiliza o homem como seu hospedeiro. A Giardia pode invadir a mucosa intestinal, provocando uma atrofia das vilosidades intestinais e alterando a absorção normal dos nutrientes no intestino.

A giardíase é frequente?

A giardíase é relativamente frequente, sendo a principal causa de má absorção causada por um parasita.

Como se transmite a giardíase?

"A Giardia entra no organismo do homem por via digestiva, sob a forma de quistos presentes na água e nos legumes, ou através das mãos sujas em contacto com a boca.

Os quistos ao chegarem ao duodeno (porção inicial do intestino) libertam as Giardias que se reproduzem por cissiparidade (cada parasita subdivide-se em dois novos parasitas) e se desenvolvem à custa dos alimentos ingeridos pelo hospedeiro.

As Giardias têm a possibilidade de se transformarem de novo em quistosque são eliminados através das fezes, podendo sobreviver longo tempo no exterior sob esta forma. Na sua forma não quística a Giardia só consegue sobreviver no seu habitat natural, a porção proximal do intestino."

Como se manifesta a giardíase?

"Os sintomas da infestação por Giardia são os vómitos, diarreia, esteatorreia (fezes ricas em gordura, volumosas, de cor clara e brilhante, pastosas e mal cheirosas).

Quando a infestação não é tratada a diarreia pode persistir e causar atrofia das vilosidades do intestino, causando alteração da absorção dos nutrientes com anemia e desnutrição.

Em alguns casos, antes do aparecimento da diarreia, a Giardia provoca perda de apetite, cólicas abdominais e gases.

As crianças são particularmente sensíveis à presença de Giardia no intestino, apresentando dores abdominais, irritabilidade e diarreia líquida com perda de peso."

Como se faz o diagnóstico de giardíase?

"A demonstração da infestação por Giardia pode fazer-se através da pesquisa de quistos de Giardia nas fezes, embora seja um método falível porque há períodos em que não são eliminados quistos o que origina resultados negativos enganadores.

Assim, quando se suspeita da doença deve fazer-se um exame da fezes para pesquisa de quistos de Giardia em três colheitas sucessivas, com repetição do exame dez dias depois do primeiro se este for negativo.

Há outros exames mais agressivos mas mais fidedignos, que podem ser utilizados quando o quadro clínico o justifica, como a aspiração de conteúdo do intestino ou a biopsia da mucosa intestinal para pesquisa de Giardia."

Como se trata a giardíase?

"O medicamento utilizado para tratamento da Giardíase é o Metronidazol, administrado durante sete dias na dose adequada à idade do doente.

Embora se utilize também no tratamento das crianças, tem o inconveniente de só existir na forma de comprimidos, o que dificulta a sua administração nos mais pequenos. Depois de calcular a dose adequada em função do peso da criança, o comprimido tem de ser fraccionado e dissimulado numa pequena quantidade de alimento que mascare o seu sabor."

Ana Ferrão

Fonte: www.medicoassistente.com

Giardíase

A Giardíase é uma infecção causada pelo protozoário Giárdia lamblia, que pode se apresentar tanto na forma de cisto quanto na forma de trofozoíto.

Esta infecção pode ocorrer tanto em adultos quanto em crianças, podendo, na maior parte das vezes, apresentar-se de forma assintomática. Quando apresenta sintomas, estes geralmente são diarréia e dor na região abdominal.

Quando a infecção por este protozoário se torna crônica, ela geralmente apresenta sintomas como fezes amolecidas e gordurosas, distenção abdominal, flatulência e anorexia (que pode gerar perda de peso e anemia).

Sua forma de infecção se dá pelo contado direto ou indireto com as fezes de pessoas infectadas. Na sua forma de contagio direto a mão é o principal veículo, pois transporta e favorece a ingestão de cistos existentes nos dejetos infectados. A contaminação indireta ocorre através da ingestão de água e alimentos contaminados.

Uma vez dentro de seu hospedeiro, este parasita passa por um período de incubação que pode durar de uma a quatro semanas. Após este período, ele pode agir tanto na forma assintomática (que é a mais comum) quanto na sintomática. A complicação mais comum causada pela Giardíase é a Síndrome da má absorção.

O melhor meio de se evitar esta infecção é a adoção de medidas preventivas como a ingestão somente de água filtrada, saneamento básico, lavar bem as mãos após utilizar o banheiro, lavar em água corrente e higienizar frutas, legumes e verduras.

Fonte: www.labsc.com.br

Giardíase

Doença diarréica causada por um protozoário Giardia intestinalis (mais conhecido como Giardia lamblia); nas infecções sintomáticas apresenta um quadro de diarréia crônica, esteatorréia, cólicas abdominais, sensação de distensão, podendo levar a perda de peso e desidratação. Pode haver má absorção de gordura e de vitaminas lipossolúveis. Normalmente não há invasão extraintestinal, porém, às vezes, os trofozoítos migram pelos condutos biliares ou pancreáticos e ocasionam inflamações. Algumas infecções são assintomáticas.

Agente etiológico

Giardia intestinalis, protozoário flagelado, foi inicialmente chamado de Cercomonas intestinalis por Lambl em 1859 e renomeado Giardia lamblia por Stiles, em 1915, em memória do Professor A. Giard, de Paris e Dr. F. Lambl, de Praga. Muitos consideram Giardia intestinalis, o nome correto para esse protozoário.

Ciclo de vida

A infecção ocorre pela ingestão de cistos em água ou alimentos contaminados. No intestino delgado, os trofozoítos sofrem divisão binária e chegam à luz do intestino, onde ficam livres ou aderidos à mucosa intestinal, por mecanismo de sucção. A formação do cisto ocorre quando o parasita transita o cólon, e neste estágio os cistos são encontrados nas fezes (forma infectante). No ambiente podem sobreviver meses na água fria, através de sua espessa camada.

Ocorrência

As giardíases possuem distribuição mundial. A infecção acomete mais crianças do que adultos. A prevalência é maior em áreas com saneamento básico deficiente e em instituições de crianças que não possuem controle de seus esfíncteres.

Nos Estados Unidos, a transmissão de Giardia lamblia através da água é mais freqüente em comunidades montanhosas e de pessoas que obtém água de fontes sem tratamento de filtração adequado. A giardíase prevalece em alguns países temperados e também nos países tropicais, e há infecções freqüentes de grupos de turistas, que consomem água tratada inadequadamente.

Reservatório

Os seres humanos atuam como importante reservatório da doença e, possivelmente, animais selvagens e domésticos podem atuar como reservatórios da giardíase. Os cistos presentes nas fezes dos seres humanos são mais infectantes do que os provenientes dos animais.

Período de incubação

Depois de um período de incubação que varia de 5 a 25 dias, com uma média de 7 a 10 dias, podem aparecer infecções sintomáticas típicas.

Modo de transmissão

A transmissão de Giardia lamblia de pessoa a pessoa ocorre por transferência dos cistos presentes nas fezes de um indivíduo infectado, através do mecanismo mão-boca. É provável que as pessoas infectadas porém assintomáticas (situação muito comum), são mais importantes na transmissão do agente do que aquelas pessoas que apresentam diarréia (infecção sintomática). A transmissão ocorre quando há a ingestão de água contaminada com fezes contendo o cisto, e com menor freqüência, por alimentos contaminados pelas fezes.

As concentrações de cloro utilizadas para o tratamento da água não matam os cistos da Giardia, especialmente se a água for fria; água não filtrada proveniente de córregos e rios expostos a contaminação por fezes dos seres humanos e dos animais constitui uma fonte de infecção comum.

A Giardia não é transmitida através do sangue. Pode ser transmitida também através da colocação de algo na boca que entrou em contato com fezes contaminada; da ingestão de água contaminada por Giardia; agua de piscinas, lagos, rios, fontes, banheiras, reservatórios de água que possam estar contaminado por fezes de animais e/ou seres humanos infectados ou através da ingestão de alimentos mal cozidos contaminado por Giardia.

Susceptibilidade e resistência

A taxa de portadores assintomáticos é alta e a infecção costuma ser de curso limitado. Não existem fatores específicos do hospedeiro que influenciam na resistência.

Conduta médica e diagnóstico

A giardíase é diagnosticada pela identificação dos cistos ou trofozoítos nas fezes; o médico deve repetir o exame pelo menos três vezes antes de fechar o diagnóstico, através de exames diretos e processos de concentração. A identificação de trofozoítos no liquido duodenal e na mucosa através da biopsia do intestino delgado pode ser um importante método diagnóstico. É muito importante que seja feito o diagnóstico diferencial com outros patógenos que podem causar um quadro semelhante.

A suspeita de casos de Giardia e outras diarréias devem ser notificadas à vigilância epidemiológica local, regional ou central, para que a investigação epidemiológica seja desencadeada na busca dos fatores causadores e medidas de controle sejam tomadas. O serviço de saúde deve registrar o quadro clínico do paciente e sua história de ingestão de água e alimentos suspeitos nas últimas semanas, bem como, solicitar os exames laboratoriais necessários para os casos suspeitos.

Tratamento

O tratamento deve ser feito com metronidazol ou tinidazol. Apesar da doença infectar todas as pessoas, crianças e mulheres grávidas podem ser mais susceptíveis a desidratação causada pela diarréia, portanto, deve-se administrar fluiodoterapia se necessário. Furazolidona é também utilizada no tratamento de amebíases.

Medidas de controle notificação de surtos

A ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas (medidas educativas, verificação das condições de saneamento básico e rastreamento de alimentos). Orientações poderão ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 0800-55-5466.

Medidas preventivas

A infecção é prevenida evitando-se ingerir água ou alimentos que possam estar contaminados com as fezes; educação sanitária desempenha um importante papel na prevenção da doença; a água proveniente de abastecimentos públicos localizados em áreas de risco devem ser filtradas; etc..

Medidas em epidemias

A investigação epidemiológica dos casos é necessária ser feita em grupos, uma região ou instituição, para saber precisamente a fonte de infecção e o modo de transmissão; com o intuito de identificar e eliminar o veículo comum de transmissão. O controle da transmissão de pessoa-a-pessoa requer higiene rígida pessoal e disposição sanitária das fezes.

Fonte: www.cve.saude.sp.gov.br

Giardíase

INTRODUÇÃO

A Giardia é um protozoário flagelado binucleado, presente no trato intestinal dos humanos e de vários animais mamíferos no mundo inteiro.13,2 Estudos em cães revelam uma prevalência de 10% a 20% em animais bem tratados.1,7 As maiores prevalências são encontradas nos animais jovens, principalmente até um ano de idade, encontrando-se de 26 a 50% de animais parasitados; e em canis, onde o parasita pode ser encontrado em até 100% dos animais.1,7 Por outro lado, em gatos a prevalência é menor, variando entre 1,4 a 11%.1,13

Apesar da alta prevalência, nem todos os animais apresentam a doença clínica.1 Mesmo assim, a Giardia tem importância epidemiológica por causar uma doença séria (quando presente), além de possuir um elevado potencial zoonótico.1

EPIDEMIOLOGIA

Todos os mamíferos são susceptíveis à infecção por Giardia. A contaminação ocorre por via oro-fecal, ou seja, através da ingestão de cistos eliminados nas fezes dos animais, presentes no meio ambiente, na água, nos alimentos; ou ainda de cistos aderidos à pelagem dos animais.

Uma vez contaminado, o animal elimina os cistos nas fezes, após um período de pré-patência de 1 a 2 semanas. Todo animal infectado pela Giardia, apresentando ou não os sinais clínicos, eliminará os cistos, configurando um foco importante de contaminação.

A contaminação de fontes de água por cistos constitui um dos principais fatores para a manutenção da doença. Com efeito, os cistos são extremamente resistentes em água fria, podendo contaminar todos os animais susceptíveis, inclusive o homem. Acredita-se que a taxa de contagio em humanos esteja diretamente ligada à taxa de contaminação das fontes de água.8 Paralelamente, observa-se que a contaminação da água, é inversamente proporcional a qualidade sanitária do local ou seja, quanto menores forem as condições sanitárias, maiores são as taxas de incidência de Giardíase.9,10

CICLO DE VIDA

O parasita possui duas formas principais, a forma trofozoíta e a forma cística. O trofozoíto é móvel e pouco resistente no meio ambiente, sendo ele o responsável pela enfermidade nos hospedeiros.6 O cisto é imóvel e resistente no meio ambiente, constituindo a forma latente do parasita. A forma cística pode sobreviver por vários meses no meio ambiente úmido e frio, no entanto, ela é pouco resistente em locais com baixa umidade e temperaturas elevadas.1

Giardíase
Esquema 1: Ciclo da Giardia

O ciclo da Giardia é direto, e relativamente simples (conforme ilustrado no esquema 1). O animal se infecta ao ingerir o cisto, que poderá estar presente em alimentos ou em água contaminada. Ao atingiram o estômago e o duodeno, os cistos são rompidos pela ação das enzimas gástricas e pancreáticas. Cada cisto libera dois trofozoítos que irão colonizar o Intestino Delgado do hospedeiro. Sob condições apropriadas estes trofozoítos são novamente transformados em cistos.

Cada um destes novos cistos poderá romper-se no próprio hospedeiro liberando dois novos trofozoítos, ou então ser eliminado nas fezes, após um período de pré-patência de 1 a 2 semanas. Uma vez no meio ambiente, os cistos podem ser novamente ingeridos pelo hospedeiro, completando o ciclo.6

PATOGENIA E ACHADOS CLÍNICOS

A patogenia da Giardíase ainda não está completamente estabelecida.13 Na maioria dos casos, os animais adultos são portadores assintomáticos, favorecendo a eliminação de cistos no meio ambiente, podendo contaminar outros animais e o homem.

Quando ocorre a doença clínica, o principal sintoma observado é a diarréia, que pode ser aguda, auto-limitante ou crônica.13 Isto ocorre em conseqüência da fixação dos trofozoítos na bordadura em escova dos vilos da mucosa intestinal.1 Neste caso, verifica-se uma lesão das estruturas dos vilos e microvilos, reduzindo a área de absorção em até 50%.10 Sobrevem então uma diminuição da digestão e da absorção de diversos nutrientes, incluindo dissacarídeos, gorduras e vitaminas.1,6 Logo, a diarréia observada nas infecções por Giardia terá as mesmas características de uma diarréia por má absorção, estando as fezes amolecidas, pálidas (esteatorréicas) e com odor forte. O animal pode apresentar também flatulência e vômito.1,13

Ademais, devido à diarréia, o animal perderá peso e apresentar-se-á debilitado. No entanto, raramente teremos febre e outros sinais sistêmicos associados, assim como diarréias extremamente aquosas ou hemorrágicas devido apenas à Giardia.6

Animais parasitados pela Giardia podem apresentar infecção simultânea por outros agentes enteropatogênicos como: coccídeas (Toxoplasma gondii, Isospora spp. , etc), bactérias (Salmonella, Enterobacter, E. coli), helmintos e/ou cestódeos. Nestes casos, o quadro clínico pode apresentar-se agravado, perdendo as características de uma infecção exclusivamente por Giardia11.

FATORES RELACIONADOS À GIARDÍASE CLÍNICA

Geralmente observa-se maior ocorrência da Giardíase clínica nos animais jovens, sendo que a maioria dos casos ocorre em animais com menos de um ano de idade.13 Este aspecto sugere que existe uma certa imunidade adquirida após a primo infecção.6 No entanto, esta imunidade não impede o animal de se re-infectar, e consequentemente, liberar os cistos nas fezes.13

Paralelamente, observa-se que ninhadas provenientes de fêmeas sabidamente parasitadas podem apresentar a Giardíase clínica. Por conseguinte, exclui-se a proteção contra a Giardia através da imunidade passiva.2

Estima-se que para contaminar-se um animal deva ingerir uma dose infectante superior a 10 cistos, sendo que o equilíbrio parasito-hospedeiro varia segundo a virulência do parasita, e do estado nutricional e imunológico do hospedeiro4.

DIAGNÓSTICO

Os métodos de diagnóstico da Giardíase são relativamente simples e baratos. No entanto, o êxito deste exame depende da visualização de estruturas específicas do agente, e logo da experiência do profissional.11

O diagnóstico pode ser realizado através de um exame direto das fezes ou pelo método de flutuação em sulfato de zinco.

O exame direto de fezes consiste em diluir as fezes frescas em solução fisiológica, e observar os trofozoítos em preparação lâmina/lamínula no microscópio óptico com objetiva de 40x. Os trofozoítos geralmente são reconhecidos por terem motilidade rápida e superfície ventral côncava. Os cistos poderão estar presentes, mas sua identificação é difícil por este método.13

Caso não se evidencie os trofozoítos no exame direto das fezes, deve-se sempre realizar a procura de cistos pela técnica de flutuação em sulfato de zinco (quadro 1). Haja vista o período de pré-patência de 1 a 2 semanas, deverão ser realizados 3 exames seqüenciais intervalados de uma semana cada, para confirmar o diagnóstico negativo de Giardíase. Para realizar esta técnica são necessárias fezes frescas ou resfriadas, evitando-se congelar a amostra.13

MÉTODO DA FLUTUAÇÃO EM SULFATO DE ZINCO
1. Misturar aproximadamente 2 gramas de fezes com 15mL de solução de sulfato de zinco a 33% (33 g de sulfato de zinco em 100mL de água destilada, gravidade específica 1,18).
2. Filtrar a solução.
3. Colocar o filtrado num tubo de centrífuga de 15mL (preferível usar tubos de plástico)
4. Colocar o tubo na centrífuga.
5. Centrifugar a 1 500 rpm por 3 a 5 minutos.
6. Retirar 1 a 2 gotas da superfície e colocar em lâmina/lamínula. Visualizar em microscópio óptico.
Nos casos de esteatorréia, é interessante realizar a sedimentação com éter: Misturar a amostra com água, filtrar, e colocar em um tubo de centrífuga com 2 a 3 mL de éter. Após a centrifugação, retirar o sobrenadante. Ressuspender o pellet, e analisar uma gota em lâmina/lamínula.

Quadro 1: Método da flutuação em sulfato de zinco.13

TRATAMENTO

Existem várias drogas que já foram testadas para o tratamento da giardíase, entre elas estão o Metronidazol, a Quinacrina, o Albendazol, o Fenbendazol e a Furazolidona . Dentre estas, o Metronidazol é a droga mais utilizada nos Estados Unidos para o tratamento da Giardíase.

O Metronidazol possui além de sua atividade como antiprotozoário, uma atividade como antibacteriano, atacando bactérias anaeróbias como Clostridium spp., Fusobacterium spp., Peptococcus spp. e Bacteroides spp. 3,13. A droga apresenta in vitro propriedades anti-inflamatórias e afeta a motilidade de neutrofilos, assim como alguns aspectos da imunidade celular. Acredita-se que estes fatos sejam parcialmente responsáveis pela melhora do quadro clínico, em especial, nos quadros de enterocolite.5

Raramente observa-se efeitos colaterais devido ao uso do Metronidazol, no entanto alguns animais poderão apresentar vômitos e diarréia. Por possuir efeito teratogênico, esta droga não deve ser utilizada em fêmeas prenhes.1 Em cães, as doses recomendadas são de 25mg/Kg via oral, duas vezes ao dia por 5 dias; e 12,5 a 25mg/Kg via oral, duas vezes ao dia por 5 dias, em gatos.13 O Metronidazol é igualmente vantajoso nos casos onde os tratamentos anteriores não funcionaram. Nestes casos, recomenda-se utilizar doses maiores de Metronidazol, por um período de tempo maior (50mg/Kg, V.O., BID, por 10 dias).6

Como foi mencionado anteriormente, a diarréia pode ser causada por infecções simultâneas por diferentes agentes enteropatogênicos. Deste modo torna-se interessante a associação de drogas ampliando o espectro de ação, como por exemplo a associação de Metronidazol com a Sulfadimetoxina. Com efeito, enquanto o Metronidazol atua preferencialmente contra Giardia, a Sulfadimetoxina age contra outros protozoários e bactérias patogênicas do trato gastrintestinal.3 Deste modo, a associação Metronidazol/Sulfadimetoxina representa um valioso instrumento terapêutico para o clínico.

O tratamento deve ser restabelecido caso não ocorra resolução dos sintomas. Existe a grande probabilidade do animal persistir eliminando os cistos nas fezes, mesmo após tratamento.

Algumas drogas utilizadas no tratamento da Giardíase e suas respectivas posologias estão resumidas no quadro 2.

Droga Hospedeiro Dosagem Duração do Tratamento
Metronidazole Cães 25 mg/Kg BID 5 dias
   Gatos 12,5 a 25mg/Kg BID 5 dias
Fenbendazole Cães 50mg/Kg/dia 3 dias
Albendazole Cães/ Gatos 25mg/Kg BID 2 dias
Furazolidona Gatos 4 mg/Kg BID 5 a 10 dias
Quinacrina Cães/ Gatos 6,6 mg/Kg BID 5 dias

Quadro 2: Principais drogas utilizadas no tratamento da Giardíase (adaptado de BARR et al., 1994).

CONTROLE

Em virtude da dificuldade em se tratar a Giardíase, juntamente com a grande quantidade de animais portadores assintomáticos mesmo após o tratamento, o controle torna-se importante para diminuir o estabelecimento de novos casos, especialmente em canis e gatis.

O controle efetivo baseia-se em três pontos principais: desinfecção do meio ambiente, desinfecção dos animais e prevenção da reinfecção.

Previamente à descontaminação do ambiente deve-se retirar toda a matéria orgânica do local. Água fervente ou uma solução de amônia quaternária (deixando agir por 30 a 40 minutos) poderão ser utilizadas na desinfecção do local. Como a Giardia é pouco resistente em locais secos, o ambiente deverá estar completamente seco antes da reintrodução dos animais. Ambientes com grande exposição à luz solar podem favorecer o controle da doença.1

Os animais devem ser banhados antes de voltar ao local. Isto implica em lavar o animal com xampu, visando a remoção dos cistos aderidos à pelagem. Após enxaguar, deve-se aplicar uma solução de amônia quaternária sobre o pelame, especialmente na região perianal. Após 3 a 5 minutos deve-se remover a solução de amônia quaternária com enxágües repetidos para evitar irritação da pele e mucosas. Anteriormente à reintrodução dos animais no ambiente desinfetado, eles deverão estar completamente secos, e recomenda-se tratá-los contra a Giardia.1

Para evitar-se novas infecções deve-se evitar a reintrodução do parasito. Para tanto, todos os novos animais deverão ser mantidos separados, tratados para a Giardia e limpos antes de serem introduzidos na criação. Um pedilúvio com uma solução de amônia quaternária deverá ser colocado na entrada do estabelecimento. Deve-se também verificar e assegurar a qualidade da água utilizada no local.

Em canis com alta incidência de Giardia , é recomendado a realização sistemática de exames parasitológicos antes, durante, e após qualquer tratamento.

GIARDÍASE E SAÚDE PÚBLICA

O potencial zoonótico da Giardia spp. ainda não é certo. Porém, existem fortes evidências que o homem possa contaminar os animais e vice versa. Paralelamente, espécies de Giardia spp. obtidas de fezes humanas e de animais mostraram-se indistinguíveis.12 Por outro lado, observa-se que regiões com alta prevalência de Giardíase em cães, também possuem altas taxas da doença no homem.10

No entanto, conclusões definitivas não podem ser feitas devido a falta de informação sobre o assunto. Portanto, parece ser importante, enquanto houver esta suspeita, tratar os animais e educar os proprietários, em especial as crianças, para as boas práticas de higiene.11

REFERÊNCIAS

(1) BARR, S.C.; BOWMAN, D.D. Giardiasis in Dogs and Cats. Compend. Contin. Educ. Pract. Vet., 16(5): 603-14.
(2) DUBEY, J.P. Intestinal protozoa Infections. Small Animal Practice, 23(1): 37-55, 1993.
(3) FERREIRA, A.J.P; DELL´PORTO, A. Agentes antiprotozoários, In: SPINOSA, H.S; GÓRNIAK, S.L.; BERNADI, M.M. Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária, Guanabara Koogan, 2a ed: 467-79, 1999.
(4) FICHER, M. Giardia in Dogs, In: Vet on Line, http://www.priory.com/vet.htm
(5) GROMAN, R. Metronidazole Compendium, December:.1104-7, 2000
(6) KIRKPATRICK, C.E. Giardiasis. Small Animal Practice, 17(6): 1377-87, 1987.
(7) LALLO, M.A., Ocorência de Giardia sp em cães na grande São Paulo. (Resumo) APINCO, Goiás, 1994
(8) LEVESQUE, B.; ROCHETTE, L.; LEVALLOIS. P.; BARTHE, C.; GAUVIN, D.; CHEVALIER, P. Study of the incidence of giardiasis in Quebec (Canada) and association with drinking water source and quality. Rev. Epidemiol. Sante Publique, 47(5): 403-10, 1999.
(9) LUWWIG, K.M.; FREI, F.; ALVARES FILHO, F.; RIBEIRO-PAES, J.P. Correlation between sanitation conditions and intestinal parasitosis in the population of Assis, State of São Paulo. Rev. Soc Bras. Med. Trop., 32(5): 547-55, 1999.
(10) MELONI, B.P.; THOPSON, R.C.; HOPKINS,R.M.; REYNOLDSON, J.A.; GRACEY, M. The prevalence of Giardia and other intestinal parasites in children, dogs and cats from aboriginal communities in the Kimberley. Med. J. Aust., 158(3): 157-9, 1993.
(11) OLSON, M.; THOMSON, A.; TWEDT, D.; LEID, M.; ZISLIN,A.; SCHANTZ, P. Update: GIARDIA Roundable Discussion Proceedings, Fort Dodge Animal Health, 1999.
(12) SOGAYAR, M.I.L; CORRÊA, F.M.A Giardia in dogs in Botucatu, São Paulo state, Brazil:
A comparative study of canine and human species. Rev. Ciênc. Bioméd., 5: 69-73, 1984.
(13) ZAJAC, A.M. Giardiasis. Compend. Contin. Educ. Pract. Vet., 14(5): 604-11, 1992.

Fonte: www.cepav.com.br

Giardíase

O que é giárdia?

Giárdia é um germe (parasita) que causa uma doença infecciosa (denominada "giardíase") que afeta o estômago e os intestinos. A giárdia é uma causa comum de diarréia nos Estados Unidos.

Quais são os sintomas da giardíase?

Os sintomas mais comuns são diarréia, fezes moles e com cheiro forte, dor de barriga, sensação de distensão, aumento de gás, fraqueza, perda de apetite e perda de peso. Os sintomas da giardíase costumam aparecer de sete a dez dias (mas às vezes até quatro semanas) após os germes serem ingeridos. Os sintomas podem ir e voltar durante semanas em uma pessoa que não for tratada.

Todas as pessoas infectadas com giárdia adoecem?

Não. Algumas pessoas infectadas com o parasita podem apresentar apenas sintomas leves, e algumas não apresentam sintoma algum.

Como a giardíase é transmitida?

Para causar infecção, os parasitas precisam ser ingeridos. Pode-se pegar uma infecção por giárdia quando se ingere alimento ou água contaminada com o germe.

Os parasitas multiplicam-se no intestino delgado e são expelidos na defecação. Geralmente a giardíase é transmitida quando as pessoas não lavam as mãos com água e sabão após ir ao banheiro ou trocar fraldas. Quem tem os germes nas mãos pode se infectar ao comer, fumar ou levar a mão à boca. Estas pessoas também podem passar os germes para qualquer objeto que tocarem, até mesmo para alimentos, que, por sua vez, poderão transmitir a doença para outras pessoas.

A giárdia é transmitida principalmente de pessoa a pessoa, como, por exemplo, em creches (day care) e instituições ondea higiene possa ser precária devido à idade (bebês ou idosos) ou incapacidade. A giardíase também pode ser transmitida desta forma em um ambiente doméstico.

A giardíase pode ser transmitida por animais?

Sim. A giárdia pode ser encontrada nas fezes de muitos animais, tais como roedores, cães, gatos, gado e animais silvestres. Animais que vivem próximo a corpos de água, tais como castores e ratos almiscarados (umtipo de ratazana) podem estar infectados com giárdia. Quando as fezes destes animais contaminam a água, as pessoas podem adoecer se ingerirem ou nadarem naquelas águas.

Como posso ter certeza que tenho giardíase?

O médico, enfermeira ou centro de saúde deve enviar uma amostra de suas fezes para o laboratório.

O laboratório examinará a amostra com microscópio para verificar a presença de giárdia. Os germes costumamser difíceis de ver, de modo que pode ser necessário examinar várias amostras de fezes da mesma pessoa. Este é o modo mais comum de descobrir se uma pessoa tem giardíase. A giárdia também pode ser diagnosticada através de exame de laboratório feito em amostra de fluido ou biópsia do intestino delgado.

Qual é o tratamento para giardíase?

Existem vários medicamentos usados para tratar a infecção por giárdia. Estes medicamentos só podem ser obtidos mediante receita médica. Outros tratamentos para diarréia, como ingestão de mais fluidos, tambémpodem ser recomendados pelo médico.

Como é possível evitar a giardíase?

A giardíase pode ser evitada através da prática de boa higiene e precaução antes de tomar água de origem desconhecida.

Algumas orientações gerais

Lave sempre as mãos muito bem com água e sabão antes de comer, antes de preparar alimentos, após ir ao banheiro, após trocar fraldas e após lidar com animais de estimação.

Não beba água não-tratada originada de corpos de água de superfície, tal como lago, lagoa ou riacho. Ainda que a água pareça limpa, ela pode conter giárdia, que não pode ser vista sem um microscópio. Se a única água disponível for não-tratada, ela deve ser fervida por um minuto antes de beber.

Se estiver cuidando de uma pessoa com giardíase, esfregue bem as mãos com água e sabão emabundância após ter contato com as fezes daquela pessoa (por exemplo, após trocar fraldas). Descarte imediatamente e com cuidado todo material que tenha sido contaminado com as fezes, e sempre lave as mão após este tipo de contato.

Se a origem da água potável for um poço ou um tanque de água de superfície particular, não permita que pessoas ou animais defequem perto da água. Procure o departamento de saúde para obter orientação sobre como manter o seu suprimento de água seguro. Além disso, alguns filtros de água podem ajudar a eliminar giárdia de águas contaminadas.

Existem normas de saúde para pessoas com giardíase?

Sim. Como a giardíase é uma doença que pode facilmente ser transmitida para outras pessoas, os profissionais da saúde são obrigados por lei a relatar os casos de giardíase à secretaria local da saúde. Para proteger a população, os funcionários que trabalham no ramo alimentício e que contraírem a giardíase são obrigados a se afastar do trabalho até que a diarréia desapareça, e até que o exame de laboratório realizado em uma amostra de fezes demonstre que a giárdia desapareceu das fezes.

Funcionários de empresas do ramo alimentício que estiverem com diarréia e que moram com alguém infectado com giardíase tambémdeverão comprovar que suas fezes não apresentam giárdia. O ramo alimentício inclui restaurantes, lanchonetes, cozinhas hospitalares, supermercados e fábricas de processamento de laticínios ou de alimentos. Esta regra aplica-se também a funcionários de escolas, programas domiciliares, creches (day care) e clínicas que fornecem alimentação, tratamento bucal e remédios a clientes.

Fonte: www.mass.gov

Giardíase

Agente etiológico: Giardia lamblia, protozoário flagelado que existe sob as formas de cisto e trofozoíto. A primeira é a forma infectante.

Reservatório: O homem e alguns animais domésticos ou selvagens, como cães, gatos, castores.

Modo de transmissão: Direta, pela contaminação das mãos e conseqüente ingestão de cistos existentes em dejetos de pessoa infectada; ou indireta, através de ingestão de água ou alimento contaminado.

Período de incubação: De 1 a 4 semanas, com média de 7 a 10 dias.

Período de transmissibilidade: Enquanto persistir a infecção.

Complicações: Síndrome de má absorção.

Aspectos Clínicos

Descrição

Infecção por protozoários que atinge, principalmente, a porção superior do intestino delgado. A infecção sintomática pode apresentar-se através de diarréia, acompanhada de dor abdominal. Esse quadro pode ser de natureza crônica, caracterizado por dejeções amolecidas, com aspecto gorduroso, acompanhadas de fadiga, anorexia, flatulência e distensão abdominal. Anorexia, associada com má absorção, pode ocasionar perda de peso e anemia. Não há invasão intestinal.

Sinonímia: Enterite por giárdia.

Características epidemiológicas

É doença de distribuição universal. Epidemias podem ocorrer, principalmente, em instituições fechadas que atendam crianças, sendo os grupos etários mais acometidos menores de 5 anos e adultos entre 25 e 39 anos.

Vigilância Epidemiológica

Objetivos - Diagnosticar e tratar os casos para impedir a transmissão direta ou indireta da infecção a outros indivíduos.

Notificação - Não é doença de notificação compulsória.

Medidas de Controle

Específicas: em creches ou orfanatos deverão ser construídas adequadas instalações sanitárias e enfatizada a necessidade de medidas de higiene pessoal. Educação sanitária, em particular desenvolvimento de hábitos de higiene - lavar as mãos, após uso do banheiro.

Gerais: Filtração da água potável. Saneamento básico.

Isolamento: pessoas com giardíase devem ser afastadas do cuidado de crianças. Com pacientes internados, devem ser adotadas precauções entéricas através de medidas de desinfecção concorrente para fezes e material contaminado e controle de cura, que é feito com o exame parasitológico de fezes, negativo no 7 o , 14 o e 21 o dias após o término do tratamento.

Fonte: www.ibps.com.br

Giardíase

Giardíase
Trofozoíto

Giardíase
Quisto

A giardíase é uma parasitose intestinal, também denominada giardose ou lamblíase, causada pelo protozoário flagelado Giardia lamblia, que se apresenta sob duas formas: a de trofozoíto, com dois núcleos e oito flagelos, que vive no intestino delgado humano, e a de cisto, ovóide contendo de 2 a 4 nucleos e um eixo central denominado axonema, eliminado aos milhões com as fezes, contaminando a água e os alimentos. É cosmopolita, sendo uma doença características das regiões tropicais e subtropicais. Giardia lamblia é o enteroparasita com maior número de cistos encontrados em águas de córregos usados na irrigação de hortaliças.

Ciclo Evolutivo

O homem ingere alimentos ou água contaminados com os cistos. As moscas e baratas têm papel importante, a exemplo do que ocorre na amebíase e em outras doenças.

Os cistos percorrem a porção inicial do tubo digestivo, sem serem atacados pelo suco gástrico. Só no intestino delgado, ocorre o desencistamento, liberando novos trofozoítos que se fixam na mucosa intestinal, determinando o ínicio da parasitose. Ainda que as giárdias careçam de capacidade para invadir os tecidos, como acontece com as amebas, são capazes de desenvolver uma manifestação patogênica. Como são em grande número, podem chegar a cobrir amplas áreas da mucosa, interferindo nas funções de absorção de nutrientes orgânicos. O hospedeiro eliminará com as fezes novos cistos que irão diseminar-se.

Sintomas

O período de incubação varia entre uma (ou menos) e 4 semanas.

A sintomatologia costuma ocorrer em 50% ou mais dos parasitados, associando-se provavelmente a fatores, como alteração da flora intestinal a óbito.

Na maioria dos casos, costuma ser leve ou moderada, raramente levando a óbito.

O sintoma mais comum é a diarréia, com muco e não sanguinolenta; desconforto abdominal, cólica, flatulência, náuseas e vômitos. Pode ocorrer dor no epigástrio (acima do estômago), simulando úlcera péptica. Esta protozoose é mais freqüente em crianças com menos de dez anos de idade, principalmente no grupo ao redor do cinco anos ou menos.

Diagnóstico

Realizado através da pesquisa de cistos em fezes formadas, ou de trofozoítos em fezes diarréicas.

Profilaxia eTratamento

A prevenção consiste na educação sanitária, higiene individual, proteção dos alimentos, tratamento da água, combate aos insetos vetores mecânicos, como moscas, etc.

O tratamento dos doentes consiste no uso de nitroimidazóis (ormidazol).

Fonte: pessoal.educacional.com.br

Giardíase

Giardia lamblia / GIARDÍASE

1. Agente etiológico - Giardia lamblia, protozoário flagelado, foi inicialmente chamado de Cercomonas intestinalis por Lambl em 1859 e renomeado Giardia lamblia por Stiles, em 1915, em memória do Professor A. Giard, de Paris e Dr. F. Lambl, de Praga.

2. Apresenta duas formas: Trofozoíto e Cisto

Trofozoíto: Formato de pêra com simetria bilateral. Face dorsal lisa e convexa. Face ventral côncava com uma estrutura semelhante a uma ventosa (disco ventral, adesivo ou suctorial), apresenta os corpos medianos (logo abaixo da suctorial), dois núcleos e quatro pares de flagelos que se originam dos corpos basais.

Cisto: É oval e apresenta as mesmas estruturas mas de forma desorganizada

2. Descrição da doença - doença diarréica causada por um protozoário Giardia lamblia); nas infecções sintomáticas apresenta um quadro de diarréia crônica, esteatorréia, cólicas abdominais, sensação de distensão, podendo levar a perda de peso e desidratação. Pode haver má absorção de gordura e de vitaminas lipossolúveis. Normalmente não há invasão extraintestinal, porém, às vezes, os trofozoítos migram pelos condutos biliares ou pancreáticos e ocasionam inflamações. Algumas infecções são assintomáticas.

Ciclo de vida

Os cistos (1) de G. lamblia, de 12 mm, são ingeridos pelo homem via água ou alimentos contaminados, a ação das enzimas digestivas provoca o desencistamento, dando origem aos trofozoítos(2), de 10 a 20 mm, que multiplicam-se no intestino delgado por divisão binária e chegam à luz do intestino onde podem ficar livres na luz intestinal ou se fixarem na parede do duodeno. No ceco, formam-se novamente os cistos, que são eliminados nas fezes.

O tempo entre a ingestão dos cistos e o aparecimento dos sintomas de giardose é de uma a três semanas. A infecção intestinal se manifesta por febre, náuseas, diarréia secretora, flatulência, dor, distensão abdominal, podendo ocorrer disenteria, durante uma semana, decorrentes de irritabilidade, atrofia de vilosidades intestinais, secreção de muco, alteração da flora microbiana intestinal saprófita. O diagnóstico é feito por visualização direta dos cistos ou trofozoítos nas fezes e por ensaio imuno-enzimático.

No ambiente podem sobreviver meses na água fria, através de sua espessa camada.

Giardíase
Figura 1) Giardia lamblia – dois cistos em fezes

Giardíase

Giardíase
Figuras 2) Giardia lamblia – trofozoítos corados por técnicas diferentes

3. Ocorrência - as giardíases possuem distribuição mundial. A infecção acomete mais crianças do que adultos. A prevalência é maior em áreas com saneamento básico deficiente e em instituições de crianças que não possuem controle de seus esfíncteres. Nos Estados Unidos, a transmissão de Giardia lamblia através da água é mais freqüente em comunidades montanhosas e em pessoas que obtém água de fontes sem tratamento de filtração adequado. A giardíase prevalece em alguns países temperados e também nos países tropicais, e há infecções freqüentes de grupos de turistas, que consomem água tratada inadequadamente.

4. Reservatório - os seres humanos atuam como importante reservatório da doença e, possivelmente, animais selvagens e domésticos podem atuar como reservatórios da giardíase. Os cistos presentes nas fezes dos seres humanos são mais infectantes do que os provenientes dos animais.

5. Período de incubação - depois de um período de incubação que varia de 5 a 25 dias, com uma média de 7 a 10 dias, podem aparecer infecções sintomáticas típicas.

6. Modo de transmissão - a transmissão de Giardia lamblia de pessoa a pessoa ocorre por transferência dos cistos presentes nas fezes de um indivíduo infectado, através do mecanismo mão-boca. É provável que as pessoas infectadas porém assintomáticas (situação muito comum), são mais importantes na transmissão do agente do que aquelas pessoas que apresentam diarréia (infecção sintomática). A transmissão ocorre quando há a ingestão de água contaminada com fezes contendo o cisto, e com menor freqüência, por alimentos contaminados pelas fezes.

As concentrações de cloro utilizadas para o tratamento da água não matam os cistos da Giardia, especialmente se a água for fria; água não filtrada proveniente de córregos e rios expostos a contaminação por fezes dos seres humanos e dos animais constitui uma fonte de infecção comum. A Giardia não é transmitida através do sangue. Pode ser transmitida também através da colocação de algo na boca que entrou em contato com fezes contaminada; da ingestão de água contaminada por Giardia; agua de piscinas, lagos, rios, fontes, banheiras, reservatórios de água que possam estar contaminado por fezes de animais e/ou seres humanos infectados ou através da ingestão de alimentos mal cozidos contaminado por Giardia.

7. Susceptibilidade e resistência – a taxa de portadores assintomáticos é alta e a infecção costuma ser de curso limitado. Não existem fatores específicos do hospedeiro que influenciam na resistência.

8. Medidas de controle

1) notificação de surtos - a ocorrência de surtos (2 ou mais casos) requer a notificação imediata às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central, para que se desencadeie a investigação das fontes comuns e o controle da transmissão através de medidas preventivas (medidas educativas, verificação das condições de saneamento básico e rastreamento de alimentos).

2) medidas preventivas – a infecção é prevenida evitando-se ingerir água ou alimentos que possam estar contaminados com as fezes; educação sanitária desempenha um importante papel na prevenção da doença; a água proveniente de abastecimentos públicos localizados em áreas de risco devem ser filtradas; etc..

3) medidas em epidemias – a investigação epidemiológica dos casos é necessária ser feita em grupos, uma região ou instituição, para saber precisamente a fonte de infecção e o modo de transmissão; com o intuito de identificar e eliminar o veículo comum de transmissão. O controle da transmissão de pessoa-a-pessoa requer higiene rígida pessoal e disposição sanitária das fezes.

9. Conduta médica e diagnóstico - a giardíase é diagnosticada pela identificação dos cistos ou trofozoítos nas fezes; o médico deve repetir o exame pelo menos três vezes antes de fechar o diagnóstico, através de exames diretos e processos de concentração. A identificação de trofozoítos no liquido duodenal e na mucosa através da biopsia do intestino delgado pode ser um importante método diagnóstico.

É muito importante que seja feito o diagnóstico diferencial com outros patógenos que podem causar um quadro semelhante. A suspeita de casos de Giardia e outras diarréias devem ser notificadas à vigilância epidemiológica local, regional ou central, para que a investigação epidemiológica seja desencadeada na busca dos fatores causadores e medidas de controle sejam tomadas. O serviço de saúde deve registrar o quadro clínico do paciente e sua história de ingestão de água e alimentos suspeitos nas últimas semanas, bem como, solicitar os exames laboratoriais necessários para os casos suspeitos.

10. Tratamento - o tratamento deve ser feito com metronidazol ou tinidazol. Apesar da doença infectar todas as pessoas, crianças e mulheres grávidas podem ser mais susceptíveis a desidratação causada pela diarréia, portanto, deve-se administrar fluiodoterapia se necessário. Furazolidona é também utilizada no tratamento de amebíases.

Fonte: www.fag.edu.br

Giardíase

A giardíase é uma infecção do intestino delgado causada pela Giardia lamblia, um parasita unicelular.

A giardíase ocorre em todo o mundo e é especialmente frequente entre as crianças e nos locais onde as condições sanitárias são deficientes. Em alguns países desenvolvidos, a giardíase é uma das infecções parasitárias intestinais mais comuns. É mais frequente entre os homossexuais masculinos e naqueles que tenham viajado para países em vias de desenvolvimento. Também é mais habitual entre as pessoas que têm um baixo conteúdo de ácido no estômago, naquelas em que este órgão foi extraído cirurgicamente, nss que sofrem de pancreatite crónica e nas pessoas cujo sistema imunitário é deficiente.

O parasita transmite-se de uma pessoa para outra através de quistos que se eliminam pelas fezes. A transmissão pode verificar-se directamente entre crianças ou parceiros sexuais, ou ainda de forma indirecta, através de alimentos ou água contaminados.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas, que costumam ser ligeiros, incluem náuseas intermitentes, eructações, uma maior quantidade de gases (flatulência), queixas abdominais, fezes volumosas e com mau cheiro e diarreia. Se a afecção é grave, é possível que o doente não consiga absorver dos alimentos os nutrientes mais importantes e, como resultado, perde muito peso. Desconhece-se o motivo pelo qual a giardíase interfere na absorção de nutrientes.

Giardia lamblia: parasita intestinal

Os sintomas orientam o médico para o diagnóstico. Este é confirmado através das análises laboratoriais que revelam a presença do parasita nas fezes ou nas secreções do duodeno. Dado que as pessoas que estiveram infectadas durante muito tempo tendem a excretar os parasitas com intervalos imprevisíveis, pode ser necessário efectuar exames em série das fezes.

Tratamento

A quinacrina por via oral é muito eficaz contra a giardíase. Contudo, pode causar mal-estar gastrointestinal e, em ocasiões raríssimas, pode induzir um comportamento extremamente anormal (psicose tóxica). O metronidazol também é eficaz e tem menos efeitos colaterais, mas em alguns países não está aprovado como tratamento da giardíase. A furazolidona é menos eficaz do que a quinacrina ou o metronidazol, mas, como se apresenta sob forma líquida, pode ser administrado às crianças. As mulheres grávidas podem ser tratadas com paromomicina, porém só se os sintomas forem graves.

Os indivíduos que vivem com um doente afectado ou que tenham mantido contacto sexual com a referida pessoa deverão consultar um médico para efectuar uma análise e, se for necessário, iniciar um tratamento.

Fonte: www.manualmerck.net

Giardíase

Introdução

As infecções intestinais causadas por protozoários estão entre as mais comuns a nível mundial, pois se distribuem em todas as regiões tropicais e temperadas do planeta. Os parasitas intestinais dos animais de estimação, além de serem responsáveis diretamente por danos à saúde de seus hospedeiros habituais podem, ocasionalmente, infectar o homem, sendo também neste, capazes de acarretar doença. A giardíase é a moléstia protozoal entérica clinicamente mais importante em cães e gatos.

Giárdia – Aspectos gerais

Giardia sp é um protozoário entérico que afeta humanos, animais domésticos e silvestres. As espécies de giárdia isoladas de mamíferos apresentam aspectos morfológicos e propriedades antigênicas, genéticas e bioquímicas similares. Existem evidências de que Giardia lamblia não apresenta especificidade quanto ao hospedeiro e pode parasitar seres humanos, assim como uma variedade de outros animais, sendo considerada uma importante zoonose.

Características do Parasito

O ciclo de vida consiste em dois estágios: trofozoítos e cistos viáveis. O cisto viável ingerido é a forma infectante sendo capaz de sobreviver em ambiente externo adequado por longos períodos. Os trofozoítos, formas que causam a doença, apenas aderem ao epitélio do enterócito, não apresentando capacidade invasora ou destrutiva direta. Os cistos podem ser ingeridos através da água e de alimentos contaminados, mas a transmissão direta pela via fecal-oral também é possível, especialmente em áreas em que os animais se encontram aglomerados como em canis e gatis. Mesmo o contato do homem com as fezes ou fômites (terra, alimentos, água) favorece a transmissão feco-oral. As amostras fecais de cães e gatos podem contribuir também para a contaminação da água.

Transmissão

De cada cisto são produzidos dois trofozoítos filhos, os quais vivem nas vilosidades intestinais, interferindo na absorção normal dos nutrientes colonizando o duodeno e jejuno. Os trofozoítos fixam-se na mucosa, e em condições adversas se encistam novamente e são excretados pelas fezes. Estabelecem-se na parte inferior do intestino delgado no gato, e em todo o intestino delgado do cão. Os cistos tetranucleados são eliminados no meio ambiente pelas fezes e podem sobreviver durante longos períodos de tempo.

Sinais clínicos

Em sua maioria, as infecções por giárdia em cães e gatos provavelmente não estão associadas a sinais clínicos, embora as infecções sintomáticas sejam comuns em animais jovens, e assintomáticos em animais adultos. Em animais jovens pode causar diarréia intermitente com comprometimento da digestão e absorção de alimentos, acarretando desidratação, perda de peso e morte em alguns casos. O período de incubação da giardíase intestinal é de 1 a 3 semanas (Geralmente 9 a 15 dias após o paciente ingerir cistos de giárdia). A duração do período de incubação está relacionada com o tamanho do inóculo.

A infecção pode iniciar após a ingestão de um só cisto. A fase aguda dura 3 ou 4 dias. Os transtornos digestivos característicos são de início brusco semelhante a uma gastroenterite aguda com anorexia, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia aquosa e sem febre ou pode ser de começo progressivo, sendo esta a forma mais freqüente. A giardíase sintomática tem sido associada com grande número de bactérias aeróbicas e anaeróbicas no intestino delgado proximal. O sobrecrescimento bacteriano pode causar modificação da arquitetura mucosa semelhante a da giardíase. A infecção assintomática é a forma mais comum, principalmente nas áreas onde o parasita é endêmico.

Técnicas de diagnóstico

Em Medicina Veterinária, o exame das fezes tem demonstrado ser ainda o meio mais prático e eficiente de diagnóstico da giardíase. O método tradicional de diagnóstico é a pesquisa de cistos e trofozóitos, sendo que as fezes, após a coleta, devem ser examinadas imediatamente a fresco, coradas pelo iodo.

O exame seriado das fezes é necessário e aumenta a sensibilidade do método. A excreção de cistos é variável a cada dia, sendo por isso importante que fezes coletadas em dias diferentes sejam examinadas. Para detectar trofozóitos, é preciso examinar fezes aquosas logo após a sua eliminação. Uma das maneiras de diagnosticar as parasitoreses de localização gastrointestinal e glândulas anexas são mediante a aplicação de técnicas coproparasitolófgicas de enriquecimento (de sedimentação e flutuação), que permitem concentrar os cistos em menor volume de material fecal, determinar sua presença e identificá-lo corretamente. É possível preparar o material a partir de fezes frescas ou material fecal conservado em MIF, SAF ou formol.

Os métodos de concentração permitem que os cistos de protozoários não passem inadvertidos quandos estão presentes em escasso número. Em relação ao número de colheitas, quanto maior o seu número maior a chance de se obter amostras positivas. São preferíveis as amostras sem formol às formoladas e no caso dos exames seriados é necessário incluir pelo menos uma amostra a fresco. Na literatura, o método do sulfato de zinco é considerado o mais viável, pela sensibilidade e baixo custo, para o diagnóstico mais eficaz para a giardíase.

Outras técnicas laboratoriais para diagnóstico

Apesas de existir uma tendência nos últimos anos à aplicação de técnicas de imunodiagnóstico, como a detecção de antígenos em fezes por meio de um imunoensaio enzimático, estas são mais aplicáveis na investigação e não na prática diária de diagnóstico nos laboratórios clínicos, pois a relação custo-benefício não justifica seu emprego.

Além do mais, as técnicas de diagnóstico coproparasitológico são as mais utilizadas em programas de controle do parasitismo intestinal por seu baixo custo, simplicidade e sensibilidade. É possível a detecção dos antígenos da Giardia Lamblia em espécimes fecais, utilizando-se o ensaio imunoenzimático (ELISA). A detecção de anticorpos anti-giárdica no soro tem pouca contribuição para o diagnóstico. Detecção de antígenos fecais por PCR em fezes também poderá ser realizado, mas é uma técnica de custo mais elevado, embora seu valor vem se tornando cada vez mais acessível.

Tratamento

Metronidazol é o medicamento mais freqüentemente utilizado no tratamento de cães e gatos com giardíase, sendo relativamente seguro e efetivo, mas não deve ser utilizado em animais gestantes. Nenhum medicamento é 100% eficaz. A imediata remoção das fezes do ambiente de cães e gatos infectados e confinados em locais aglomerados, a limpeza com desinfetantes contendo Lysol ou água sanitária diluída, e a não utilização das áreas geralmente utilizadas pelos animais até que estejam completamente secas, são outras medidas que podem ser tomadas, para a inibição da transmissão dos cistos de giárdia.

Conclusão

Giárdia é um dos parasitos intestinais mais comum em seres humanos e animais, especialmente prevalente em cães e gatos jovens ou que residem em locais com aglomeração. Estudos comprovam que não há prevalência entre machos ou fêmeas. Embora exista potencial zoonótico, estudos epidemiológicos não indicam que a posse de um animal de companhia seja fator de risco significativo para a giardíase em humanos. A infecção poderá ser sintomática ou assintomática.

A forma assintomática é a mais comum, principalmente nas áreas onde o parasita é endêmico. Metronidazol é o medicamento mais freqüentemente utilizado no tratamento de cães e gatos com giardíase. É importante conscientizar a população sobre medidas profiláticas para controle desta parasitose a fim de amenizarmos os índices de infecção que vêm crescendo a cada dia. Higiene pessoal e cuidados com o manuseio de alimentos e com a água, tratamento de animais parasitados, vermifugação periódica, acompanhamento de um médico veterinário com realização de exames parasitológicos regularmente são alguns dos fatores que contribuem para o controle desta doença.

O Vet Análises utiliza em sua rotina laboratorial o método de diagnóstico considerado mais eficaz para a giardíase, a técnica de centrífugo-flutuação em solução de sulfato de zinco a 33% (Faust), além do exame direto das fezes frescas, permitindo a fácil identificação deste parasito, o que favorece a alta incidência de resultados positivos.

Marcella Esch Zupo

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Fonte: www.vetanalises.com.br

Giardíase

Doença intestinal do homem provocada pelo parasita giárdia, que se aloja no intestino delgado, atingindo às vezes a vesícula biliar.

Em sua fase aguda, o doente pode apresentar os seguintes sintomas: alterações intestinais, diarreia frequente, dores abdominais, falta de apetite, emagrecimento e uma ocasional inflamação da vesícula.

Pode-se fazer o diagnóstico da giardíase mediante tubagem duodenal para recolher o suco duodenal e a bílis. O diagnóstico de laboratório é feito pelo exame de fezes, no qual podem ser encontradas formas vegetativas da giárdia. O tratamento é realizado à base de substâncias chamadas nitrofuranos e quinoleínas. Para prevenir a enfermidade, são necessárias medidas básicas de saneamento. O nome científico do protozoário é Giardia lamblia ou Giardia intestinalis.

Giardia

A Giardia é um parasito que se apresenta em duas formas: cisto e trofozoíto. Ambas formas podem ser eliminadas nas fezes, sendo que nas fezes diarréicas são encontrados trofozoítos, e nas formadas são encontrados cistos. O cisto constitui a forma infectante. Os cistos ou trofozoítos são ingeridos pelo homem através da água ou de alimentos contaminados, e a ação das enzimas digestivas provoca o desencistamento, dando origem aos trofozoítos, que podem ficar livres na luz intestinal ou se fixarem na parede duodenal pelo disco suctorial. Se o protozoário aderir à mucosa intestinal, a absorção de nutrientes fica comprometida, principalmente de gorduras e de vitaminas lipossolúveis.

O parasito se multiplica por divisão binária no intestino delgado, sendo que a gravidade da doença é proporcional ao número de parasitos. Os trofozoítos vivem no duodeno e nas primeiras porções do jejuno, e a atividade dos flagelos lhes confere rápido e irregular deslocamento. Quando vai ocorrer o encistamento, o trofozoíto reduz o seu metabolismo e o seu tamanho, fica globoso, perde o disco suctorial e os flagelos e secreta uma parede cística ao seu redor. Dentro do cisto o núcleo se duplica, por isso quando o homem ingere um cisto, infecta-se com dois trofozoítos.

Prevenção

O intervalo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas de giardíase costuma ser de duas semanas, mas pode durar vários meses.

As manifestações clínicas variam, mas aqueles que são observados mais freqüentemente são: evacuações líquidas ou pastosas, número aumentado de evacuações, mal estar, cólicas abdominais e perda de peso. Além das formas agudas, a giardíase pode evoluir para formas subagudas ou crônicas. O diagnóstico é feito por visualização de cistos ou trofozoítos nas fezes, sendo que para a detecção da parasitíase devem ser feitas três coletas de fezes com intervalo de dois a três dias, pois na fase aguda a eliminação de cistos é menor e o resultado pode ser falso negativo.

A prevenção se faz pela higiene pessoal e dos alimentos, pelo saneamento básico e pela fervura ou filtração da água, pois ela é o principal veículo da Giardia (sua cloração não inativa os cistos).

Fonte: www.klick.com.br

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