Doença infecto-contagiosa causada por um dos três tipos do Influenzavirus. Transmitida pelas vias aéreas, a gripe causa quadro clínico variável, normalmente caracterizado por febre intensa, dor de cabeça e de garganta, coriza, cansaço, inflamação das mucosas e das vias respiratórias, tosse, dores musculares e sensação ou tremores de frio. Em geral, a doença pode durar de três a sete dias e o tratamento é sintomático, variando de caso a caso.

Foto de um Influenzavirus, vírus tipo RNA (composto por ácido ribonucléico) da família Orthomyxoviridae e que compreende três espécies, o Influenzavirus A, B e C. É responsável pela gripe humana e em outros animais. Uma vez no corpo, esses vírus atacam e destroem glândulas da mucosa e epitélios ciliados que, no ato da respiração, protegem o sistema respiratório de partículas estranhas presentes no ar.
Duas imagens de hemácias (glóbulos vermelhos). Em ambas, as hemácias semelhantes a um ouriço-do-mar estão infectadas com o Influenzavirus, somente na foto inferior a hemácia de forma arrendondada aparenta estar saudável.


Dores pelo corpo e de cabeça, garganta inflamada, tosse, febre, coriza... Será gripe? Ou será um resfriado? Embora apresentem sintomas extremamente parecidos, essas são duas doenças diferentes.
O resfriado é uma infecção branda e costuma ser causado por vírus pertencentes à família Rhinovírus, que conta com mais de 100 tipos. Já a gripe – também conhecida como influenza – pode afetar seriamente o organismo graças à ação dos vírus conhecidos como influenza A (FLU A), influenza B (FLU B) e influenza C (FLU C).
Embora as duas doenças possam levar a complicações como, por exemplo, inflamações no ouvido, bronquites e pneumonia, a gripe gera maior preocupação entre pesquisadores e profissionais de saúde devido ao alto poder de transmissão e mutação de seus agentes infecciosos. Isto é, os vírus causadores da gripe conseguem assumir novas formas e se espalhar rapidamente entre as pessoas resultando em epidemias da doença.
A transmissão da gripe entre humanos se dá por meio de gotas de saliva e outras secreções das vias aéreas. Embora seja mais comum a transmissão de pessoa a pessoa, também é possível adoecer a partir do contato com objetos contaminados, como, por exemplo, talheres, lenços e teclados de computador, já que os vírus da gripe se mantém viáveis – com plena capacidade para entrar em um organismo e aí se reproduzir – no ambiente por cerca de uma hora.
Os vírus influenza são vírus envelopados. Isso quer dizer que, além da membrana celular que envolve e protege seu material genético, esses vírus têm uma camada de material extra, um envelope feito de gordura. Na superfície desse envelope encontram-se duas proteínas: a hemaglutinina e a neuraminidase. Cada uma dessas proteínas apresenta várias configurações diferentes e suas múltiplas combinações dão origem aos subtipos ou variantes virais.
Dos três vírus causadores da gripe, o FLU A é aquele com o maior número de combinações dos diversos sorotipos – as configurações – de hemaglutinina e neuraminidase. Por causa de sua grande capacidade de mudar de forma, isto é, sofrer mutações, o FLU A está associado às epidemias de gripe mais devastadoras da história, as chamadas pandemias.
Quando você lê nos jornais, por exemplo, sobre uma infecção causada pelo vírus H5N1, está lendo sobre uma variante do FLU A que tem em sua superfície o sorotipo cinco da proteína hemaglutinina e o sorotipo um da neuraminidase. Os cientistas conhecem, ao todo, 16 sorotipos de hemaglutinina e nove de neuraminidase.
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a gripe. Mas é muito difícil produzir um imunizante contra um vírus com grande capacidade de mutação. Você pode pensar na vacina como uma pequena armadilha: ao mudar de forma, o vírus consegue escapar ao seu encaixe e não é mais capturado.
Então uma pessoa pode ficar doente mesmo tendo se vacinado? No caso da gripe, pode. Ainda assim a vacinação é importante pois, além de proteger contra os tipos e variantes mais comuns, confere imunidade relativa em relação a algumas das novas formas assumidas pelos vírus.
São dois os meios pelos quais os vírus mudam de forma. O chamado rearranjo gênico (antigenic shift, em inglês) acontece somente com o FLU A: por esse processo, material genético de uma variante animal e de uma humana se misturam, habilitando a variante, até então só capaz de infectar animais, para afetar também seres humanos. Já o desvio gênico (antigenic drift, em inglês) acontece nos três tipos de vírus causadores da gripe: um erro durante a multiplicação do vírus dentro das células resulta na alteração de algum de seus aminoácidos – cadeias de moléculas que formam as proteínas. Embora seja possível, não é comum que as alterações provocadas por meio do desvio gênico levem o vírus a cruzar a barreira entre as espécies. Ao contrário das alterações provocadas pelo rearranjo gênico, as alterações surgidas a partir do desvio gênico costumam ser pequenas.
Imunidade relativa é justamente a resistência que o organismo desenvolve aos vírus que mudaram de forma por meio do desvio gênico. Ou seja, mesmo não ficando totalmente presos na armadilha, os vírus mutantes têm seus movimentos limitados pela vacina. O resultado? Quando surge, a infecção é sempre mais leve do que seria caso a vacina não tivesse sido tomada.
Buscando aumentar a eficácia das vacinas contra gripe, os pesquisadores também as atualizam todos os anos. Hoje em dia, as vacinas incluem as variantes H1N1 e H3N2 do FLU A e o FLU B – atuais vírus em circulação no mundo.
No Brasil, anualmente é organizada uma campanha nacional de vacinação contra gripe voltada especialmente para maiores de 60 anos. Sabe por que os idosos são o público alvo dessas campanhas? Porque são eles os que têm mais facilidade para desenvolver complicações associadas à gripe: o sistema de defesa do organismo perde sua vitalidade conforme envelhecemos, ficando mais fraco para combater as infecções.
Pessoas com doenças crônicas do coração, do pulmão, dos rins e portadores de HIV/Aids também devem tomar a vacina, pois apresentam o sistema imunológico fragilizado e uma gripe pode piorar seu estado de saúde. Crianças de até dois anos também, já que as defesas do organismo ainda não estão completamente formadas nessa idade.
Em períodos de epidemia, alguns cuidados simples como evitar aglomerações e isolar os doentes também ajudam a prevenir o contágio e a conter o surto de gripe.
Para o tratamento dos doentes existem dois grupos de remédios: os bloqueadores de canal e os inibidores de neuraminidase.
Quando um vírus entra no nosso organismo, as células do sistema imunológico o comem para evitar que cause algum dano à nossa saúde. Para comer o vírus, as células de defesa o englobam numa estrutura chamada lisossomo ou vacúolo digestivo. Só que, ao tentar digeri-lo, acabam por permitir que seu material genético alcance o interior celular e, uma vez que isto tenha acontecido, a célula passa a ser comandada pelo vírus, funcionando como uma fábrica de novas unidades.
Os bloqueadores de canal agem justamente no momento em que o vírus está preso no lisossomo, impedindo que este se desfaça liberando o genoma viral e dê início à infecção.
Os inibidores de neuraminidase funcionam, ao contrário, no final do processo. Uma vez que a célula tenha se transformado numa pequena fábrica de vírus, os inibidores impedem que ela libere as novas unidades. Ou seja, os inibidores de neuraminidase impedem que o vírus se espalhe pelo nosso organismo. Os inibidores são remédios mais modernos que os bloqueadores de canal e não provocam tanto o aparecimento de vírus resistentes.
Além dos bloqueadores de canal e dos inibidores de neuraminidase, remédios que aliviam os sintomas da gripe como, por exemplo, analgésicos para as dores do corpo e de cabeça, também podem ser prescritos pelo médico para o tratamento dos doentes.
Fonte: www.fiocruz.br
A gripe (influenza) é uma doença infecciosa aguda causada pelo vírus influenza, transmissível de uma pessoa para outra por via respiratória. A gripe ocorre em todos os países do mundo e, há pelo menos 400 anos, o vírus influenza vem causando epidemias a cada 2-3 anos e, eventualmente, pandemias (epidemias que afetam um grande número de países). As pessoas idosas e as portadoras de doenças crônicas que desenvolvem gripe têm maior risco de complicações como a pneumonia bacteriana, o que pode tornar necessário a internação hospitalar.A vacina contra a gripe reduz o risco de adoecimento causado pelo vírus influenza e, em razão disto, o de complicações bacterianas.
O virus influenza é facilmente transmitido de uma pessoa para outra através de gotículas eliminadas através da tosse ou do espirro. A penetração do vírus no organismo ocorre através da mucosa do nariz ou da garganta e a aglomeração de pessoas em ambientes fechados facilita a disseminação da gripe.
O risco de transmissão da gripe existe em todos os países do mundo. Condições como aglomeração de pessoas em ambientes fechados, principalmente durante o inverno, facilitam a disseminação do vírus influenza. Em razão disto, as viagens para grandes centros populacionais durante o inverno aumentam o risco de aquisição da doença.
O vírus influenza, pertence à família Orthomyxoviridae e é classificado de acordo com o material genético em três tipos diferentes (A, B e C). Os vírus influenza A são capazes de infectar diversas espécies de animais (pássaros, galinhas, patos, porcos, cavalos, baleias etc). Os vírus influenza B e C, basicamente, infectam seres humanos. Os vírus influenza A e B são capazes de causar epidemias. O vírus influenza C não tem potencial epidêmico e, em geral, causa doença de menor gravidade.
O vírus influenza A é classificado em subtipos, que são determinados por glicoproteínas (hemaglutininas e neuraminidases) presentes na sua superfície. Pelo menos 15 hemaglutininas (H1 a H15) e 9 neuraminidases (N1 a N9) já foram descritas. A infecção de seres humanos a partir de vírus influenza A originados de aves ou de outros animais é pouco comum. Em seres humanos, geralmente, a infecção ocorre pelos subtipos contendo as hemaglutininas H1, h4 ou h4 e as neuraminidases N1 ou N2 (atualmente estão circulando o H1N1, H1N2 e o h4N2). O vírus influenza B não é dividido em subtipos e, basicamente, é capaz de infectar apenas seres humanos.
A infecção pelos vírus influenza resulta em uma produção de anticorpos capazes de eliminar o agente infeccioso, porém um mesmo indivíduo pode ter vários episódios de gripe ao longo da vida. Isto ocorre porque os vírus influenza A e, em menor grau, o influenza B sofrem, constantemente, pequenas alterações em sua composição antigênica. Em razão disto, em uma nova infecção, os vírus influenza não são reconhecidos, pelo menos completamente, pelo sistema imune. Além disto, o vírus influenza A pode, eventualmente, sofrer alterações drásticas em sua composição antigênica e produzir um novo subtipo com alto potencial patogênico, para a qual as populações humanas não teriam nenhuma imunidade prévia. Estas grandes alterações antigênicas podem ocorrer quando estão presentes condições favoráveis, que envolvem o contato entre seres humanos, aves domésticas (influenza aviária ou "gripe do frango") e porcos (influenza suina), possibilitando infecções simultâneas (co-infecção) e a troca de material genético entre subtipos do vírus influenza A de origem humana e animal.
A introdução de um vírus influenza modificado em uma região onde os indivíduos sejam susceptíveis pode desencadear uma epidemia, principalmente se as condições forem favoráveis. Em paises de clima temperado, o ambiente frio e seco durante o inverno favorece a sobrevivência e a disseminação do vírus, razão pela qual as epidemias ocorrem, geralmente, nesta estação. Durante uma epidemia, cerca de 5 a 15% da população é infectada, resultando em aproximadamente 3 a 5 milhões de casos graves por ano no mundo com 250 a 500 mil mortes, principalmente entre idosos e portadores de doenças crônicas.
No século 20 ocorreram três pandemias, todas causadas pelo
vírus influenza A. A primeira ocorreu em 1918-19 pelo subtipo H1N1
(gripe espanhola), a segunda em 1957-58 pelo h4N2 (gripe asiática)
e a última em 1968-69 pelo h4N2 (gripe Hong-Kong). A gripe espanhola,
a mais devastadora, causou a morte de um número de pessoas estimado
entre 20 e 40 milhões.
Medidas de proteção
A vacina contra a gripe mais comumente utilizada é a injetável, que é elaborada a partir de vírus influenza cultivados em ovos de galinha. A vacina tem componentes de vários subtipos do vírus influenza, inativados e fracionados. Além disto, existem na sua composição pequenas quantidades de timerosal (Mertiolate®) e de neomicina (um antibiótico). A vacina, por ser produzida com vírus inativados, pode ser administrada com segurança em pessoas com deficiência do sistema imunológico e, se administrada em gestantes, não representa risco para o feto.
A vacina contra a gripe pode ser bastante útil para os idosos e para as pessoas de qualquer idade com doenças de base (pulmonares, cardíacas, hematológicas e imunodeficiências). A vacina, contudo, não protege contra o vírus influenza C. Além disto, não atua contra outros vírus respiratórios (adenovírus, rinovirus, vírus parainfluenza) que, principalmente durante o inverno, podem causar doença semelhante à gripe, embora de menor gravidade. Também não protege contra o resfriado comum (rinovírus, coronavírus). Nos casos em que estiver indicada, a vacina contra gripe deve ser utilizada anualmente para incluir as últimas alterações antigênicas ocorridas com o vírus influenza.
As manifestações clínicas da gripe aparecem entre 1 e 7 dias após a infecção (período de incubação médio de 2 dias). As manifestações da gripe têm início súbito com febre, dor no corpo, dor de cabeça e tosse seca e, evolutivamente, dor ocular e coriza. A doença, em geral, tem duração de 2 a 3 dias. A ocorrência de pneumonia bacteriana, uma complicação comum da gripe que é mais freqüente em crianças até um ano, idosos e indivíduos com doenças pré-existentes (pulmonares, cardíacas, renais, hematológicas e deficiências imunológicas), pode tornar necessária a internação hospitalar. O resfriado comum, comumente confundido com a gripe, em geral produz coriza intensa e não é acompanhado de febre ou causa febre baixa.
Existem quatro drogas liberadas para o tratamento da gripe (amantadina, rimantadina, zanamivir e oseltamivir). Apenas as duas últimas drogas têm ação contra os dois tipos de vírus que habitualmente causam a doença em seres humanos (influenza A e B). A eficácia destas medicações, que têm alto custo, depende do início precoce do tratamento (até o segundo dia das manifestações).
Os antitérmicos e analgésicos podem ser utilizados para controlar as manifestações, principalmente a febre e a dor, porém são destituídos de ação contra o vírus da gripe. A utilização de medicamentos que contenham em sua formulação o ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Doril®, Melhoral® etc) não é permitida em crianças com gripe, pela possibilidade de Síndrome de Reye. Esta síndrome, rara e de alta letalidade, está associada ao uso do ácido acetil-salicílico durante infecções virais em crianças e é caracterizada por comprometimento hepático e neurológico.
As complicações bacterianas, quando ocorrem, devem ser tratadas com antibióticos apropriados. O Staphylococcus aureus, uma das principais causas de infecção secundária na gripe, deve ser sempre incluido entre as causas prováveis da pneumonia bacteriana, até que se demonstre (Gram de escarro, hemoculturas) com segurança o agente etiológico.
Fonte: www.cives.ufrj.br