Hipotireoidismo é um distúrbio que cursa com a falta de hormônio da tireóide (“tireóide preguiçosa”). O hipotireoidismo é a doença mais comum da tireóide. Ocorre mais freqüentemente em mulheres que em homens, é mais comum em pessoas de mais idade, e pode ter uma característica familial (atingir vários membros de uma mesma família).
O hipotireoidismo pode ter vários sintomas, visto que os hormônios da tireóide são importantes para regular o funcionamento de praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Quando os níveis de hormônios tireoidianos (T3 e T4) se tornam anormalmente baixos por algum motivo, todos os processos do corpo se tornam mais lentos. Por isso, os sintomas do hipotireoidismo incluem:
cansaço excessivo;
desânimo, ou até mesmo depressão;
raciocínio lento;
fala arrastada;
sensação de frio excessivo;
ganho de peso (geralmente, em torno de 3 a 5 Kg);
pele seca e cabelos finos e quebradiços;
inchaço nas pernas ou ao redor dos olhos;
pouca sudorese;
intestino preso e digestão lenta;
irregularidade das menstruações (às vezes, sangramento
excessivo);
infertilidade;
batimento lento do coração (menos que 60 batimentos por minuto);
aumento do colesterol.
Esses sintomas não são exclusivos do hipotireoidismo. Ou seja, vários outros problemas de saúde podem causar sintomas bastante semelhantes aos do hipotireoidismo. Por isso, algumas vezes os sintomas são atribuídos a outras doenças que podem apresentar algumas manifestações semelhantes, tais como: anemia, depressão e deficiência de vitaminas, e o diagnóstico de hipotireoidismo pode ser feito anos após o início das queixas do paciente. Felizmente, hoje em dia os médicos conhecem melhor as características do hipotireoidismo e fazem o diagnóstico mais precocemente.
Nos adultos, a causa mais comum de hipotireoidismo é um distúrbio chamado tireoidite de Hashimoto, ou simplesmente doença de Hashimoto. Nessa doença, o sistema de defesa do organismo (sistema imunológico) ataca a glândula tireóide e causa dano a essa glândula, comprometendo a sua capacidade de produzir hormônios tireoidianos. Por isso, a doença de Hashimoto faz parte de um grupo de doenças chamadas auto-imunes.
O hipotireoidismo pode ser causado também por tratamentos médicos que reduzem a capacidade da tireóide produzir hormônio, como, por exemplo: o uso de iodo radioativo (para tratamento de hipertireoidismo, que é o oposto do hipotireoidismo) ou a cirurgia, com retirada parcial ou total da tireóide (para tratamento de outros problemas nessa glândula). Leia mais sobre hipertireoidismo clicando aqui.
Outra causa de hipotireoidismo, bastante rara, é a presença de alguma doença da hipófise, levando à redução da produção do TSH, o hormônio que estimula o funcionamento da tireóide. Algumas medicações também podem levar à redução da produção ou da ação dos hormônios tireoidianos e, portanto, provocar hipotireoidismo (por exemplo: amiodarona, xaropes para tosse contendo iodo, carbonato de lítio).
Há casos, ainda, em que a tireóide não se desenvolve adequadamente e a criança apresenta deficiência de hormônios tireoidianos desde o nascimento; é o chamado hipotireoidismo congênito, que geralmente é diagnosticado já no berçário através do teste do pezinho.
Em adultos, o hipotireoidismo (se não for tratado corretamente) leva a uma significativa redução da sua performance física e mental, além de poder causar elevação dos níveis de colesterol, que aumentam as chances de algum problema cardíaco. Além disso, o hipotireoidismo severo, sem tratamento, pode evoluir ao longo do tempo até uma situação dramática e com grande risco de vida, o chamado coma mixedematoso, que se apresenta como redução da temperatura corporal, perda de consciência e mau funcionamento do coração.
O diagnóstico de hipotireoidismo é especialmente importante quando é feito durante a gestação, pois a falta de hormônios tireoidianos pode afetar profundamente o desenvolvimento do bebê, provocando retardo mental e atraso do crescimento. No entanto, esses problemas para o bebê são prevenidos pelo tratamento precoce da mãe com a reposição de hormônio tireoidiano.
Geralmente o diagnóstico é confirmado através de um simples exame de sangue. Os exames que ajudam no diagnóstico do hipotireoidismo são: a dosagem de TSH (que é um hormônio produzido pela hipófise, e que estimula o funcionamento da tireóide), e a dosagem de hormônios tireoidianos (T4 e T3).
Classicamente, o diagnóstico de hipotireoidismo é feito quando o paciente apresenta TSH aumentado e T4 baixo no sangue. Entretanto, em casos muito leves de hipotireoidismo, ou quando este está apenas no início, pode-se encontrar TSH aumentado com T4 normal. Ou seja, o nível de TSH aumenta antes que o nível de T4 caia abaixo do normal. Essa situação, em que o TSH está elevado com T4 normal, é chamada de hipotireodismo subclínico. Entre os dois exames de sangue, o TSH é o mais importante, já que o T4 pode variar mais de um dia para o outro ou de uma coleta para a outra; por isso o médico vai prestar mais atenção ao TSH do que ao T4 para fazer o diagnóstico de hipotireoidismo.
TSH e T4 normais
TSH alto e T4 normal
TSH alto e T4 baixo
Outro exame que pode trazer alguma informação é a dosagem de anticorpos contra a tireóide, que geralmente estão aumentados quando a causa de hipotireodismo é a doença de Hashimoto. Os anticorpos que podem ser dosados em laboratório são o anti-tireoperoxidase (ou anti-TPO) e o anti-tireoglobulina (ou anti-TG).
O hipotireoidismo é a falta de hormônio tireoidiano. Portanto, o tratamento é feito com a reposição desse hormônio, na forma de comprimidos tomados por via oral. A medicação de escolha é a levotiroxina, que é uma forma farmacológica do hormônio T4. Depois do início da medicação, o paciente comumente leva cerca de 2 semanas para sentir uma melhora importante dos sintomas do hipotireoidismo (podendo ser um pouco mais em casos mais graves).
A levotiroxina deve ser tomada todos os dias, pela manhã, para reproduzir
o funcionamento normal da tireóide. Um cuidado importante é
tomá-la em jejum (no mínimo 30 minutos antes do café
da manhã), porque a ingesta de alimentos junto com a medicação
diminui muito a sua absorção pelo intestino e, portanto, a sua
eficácia
.
Existem várias marcas de levotiroxina no mercado brasileiro, e todas
são igualmente efetivas. No entanto, pode haver pequenas diferenças
de ação entre uma marca e outra. Por isso, quando uma pessoa
começou a usar uma marca de levotiroxina, deve preferencialmente continuar
com a mesma marca (a não ser que o médico resolva trocar a medicação
por algum motivo). Outro cuidado importante com a levotiroxina é que
ela não deve ser manipulada, porque os comprimidos contêm quantidades
muito pequenas do hormônio tireoidiano e nem sempre as farmácias
de manipulação conseguem colocar a quantia exata do hormônio
dentro das cápsulas.
Na maioria das vezes, as pessoas que têm hipotireoidismo precisam fazer o tratamento com levotiroxina para o resto da vida, mas em alguns casos a tireóide volta a funcionar normalmente depois de alguns meses. Se, por algum motivo, a medicação precisar ser trocada, é importante checar os níveis de TSH com exames de sangue após a troca do remédio, para garantir que a dose está sendo adequada.
Existem comprimidos de levotiroxina com várias doses diferentes, disponíveis nas farmácias (25, 50, 75, 88, 100, 112, 125, 150, 175 e 200mcg). O ajuste da dose da medicação é feito com base nas dosagens de TSH, o qual deve ser mantido dentro dos valores normais se possível. Se as doses de levotiroxina estiverem muito baixas para as necessidades do paciente, este pode não sentir melhora dos sintomas do hipotireoidismo ou voltar a apresentá-los. Se as doses estiverem muito altas, o paciente pode desenvolver hipertireoidismo (excesso de hormônio tireoidiano), que leva, a longo prazo, a enfraquecimento dos ossos, funcionamento anormal do coração e arritmias cardíacas, entre outros problemas.
A necessidade de levotiroxina pode flutuar ao longo do tempo, dependendo de fatores como: outras doenças, gravidez, menopausa e uso de outras medicações. Por essa razão, é recomendável que o paciente com hipotireoidismo seja acompanhado regularmente por um médico, com exames de TSH e ajuste da dose da medicação se necessária.
Pessoas com hipotireoidismo precisam fazer o tratamento correto, com o uso diário de levotiroxina na dose mais adequada para sua situação. Se estiverem usando a medicação regularmente, e dessa forma mantendo os níveis de TSH dentro dos valores normais, elas podem ter uma vida saudável, feliz e completamente normal.
No entanto, se o hipotireoidismo não for tratado corretamente, ele pode se tornar um problema sério de saúde, comprometer a capacidade da pessoa realizar suas tarefas e até mesmo representar um risco de vida em casos extremos.
Nem todas as pessoas precisam fazer exames de sangue para avaliar se a tireóide está funcionando corretamente. O médico é quem determina se alguém precisa ou não fazer uma dosagem de TSH, mas existem algumas situações em que é necessária essa avaliação, como, por exemplo:
sintomas sugestivos de hipotireoidismo ou hipertireoidismo;
outras pessoas na família com doenças da tireóide;
gravidez.
Alguns especialistas recomendam ainda que todas as mulheres com mais de 60 anos deveriam fazer pelo menos um exame de TSH, mesmo na ausência de sintomas, visto que o hipotireoidismo é muito comum nesse tipo de população, mas este ainda é um assunto controverso.
Fonte: www.portalendocrino.com.br

A glândula tireóide, com cerca de 20 a 30g, situa-se na parte da frente do pescoço, junto à traquéia. Pode ser sentida, se apalparmos, ao engolir, a parte inferior do pescoço, logo abaixo da saliência do osso, conhecida como "pomo de Adão". O iodo ingerido através dos alimentos é ativamente captado pela tireóide, que retém 90% do total corpóreo. Ela produz dois hormônios, a tireoxina (T4) e a L-triidotireonina (T3), responsáveis pelo processo de crescimento e metabolismo do corpo. Se a produção é insuficiente, a conversão dos alimentos em energia e a manutenção da temperatura corpórea são afetados e toda a atividade vital torna-se lenta e inadequada. Diz-se, então, que há hipotireoidismo.
É necessário conhecer os sintomas do funcionamento insuficiente da tireóide, porque alguns se confundem com os da anemia ou da depressão, como sensação de cansaço constante, fraqueza, sono, olheiras, falta de apetite. Além destes, juntos ou não, costumam aparecer:
Apatia e lentidão de movimentos, devido à fraqueza muscular.
Fala arrastada, com voz grave e rouca.
Língua grossa.
Constipação intestinal e gases.
Ganho de peso.
Batimento cardíaco lento.
Pele seca e fria.
Sensibilidade aumentada ao frio.
Queda de cabelos.
Bócio.
Pessoas idosas, muitas vezes, atribuem fadiga, constipação intestinal, fraqueza muscular, pele seca, sensação de frio, à velhice e deixam de procurar o médico e relatar o que sentem.
Além de ouvir as queixas do paciente e sua história clínica, ao realizar o exame físico completo, o médico verificará o estado da pele, dos cabelos e, pela apalpação, o tamanho da tireóide. Pedirá, então, exames de sangue, que revelarão os níveis dos hormônios (T3 eT4). No caso de alterações, solicitará exames laboratoriais para verificação de TSH e de anticorpos tireoideanos. Se houver sintomas relacionados a problemas do coração, será necessário eletrocardiograma e, possivelmente, outros exames cardíacos.
O tratamento varia de acordo com a gravidade de cada caso e seu objetivo é a reposição dos hormônios da tireóide. Esta reposição é feita por meio de medicamentos, iniciando-se com dosagem baixa, aumentando-se gradativamente, até atingir o nível adequado para o estado clínico e freqüência cardíaca do paciente.
O hipotireoidismo congênito, adquirido no período fetal, por deficiência de hormônios da mãe, pode atingir o recém-nascido. Deve-se observar se o bebê apresenta choro rouco, falta de apetite, insônia, resfriados, que são os sintomas mais comuns. É importante consultar o pediatra, assim que aparecerem esses sinais, para evitar problemas futuros, como baixa estatura, pele ressecada, cabelos quebradiços, formação dentária tardia, desenvolvimento mental deficiente.
O hipotireoidismo juvenil aparece antes da puberdade, e é responsável por sérios distúrbios do crescimento e desenvolvimento, devido ao papel dos hormônios da tireóide nesses processos. Se o problema for detectado precocemente e houver tratamento adequado, as alterações mentais serão reversíveis.
O chamado "cretinismo" é uma doença grave, conseqüência da falta do hormônio tireoidiano para o feto, que provoca perturbações do desenvolvimento físico e deficiência mental irreversível. É pouco observado na zona urbana, onde existe acesso a tratamento médico, mas comum na zona rural das regiões mais pobres do país. O cretino, já nos primeiros meses de vida, apresenta sonolência, falta de apetite e alterações respiratórias. Com o tempo, surge o atraso do desenvolvimento psico-motor. Como a estrutura óssea é prejudicada, há dificuldade de crescimento e ele tende a transformar-se em anão. O tratamento médico deve ser iniciado o mais cedo possível. Com a administração do hormônio da tireóide, há melhora do quadro físico, porém o mental, na maior parte das vezes, é irreversível.
"Bócio" é a palavra usada para designar o aumento da tireóide, o qual pode ser global ou localizado, dependendo da doença causada por defeito na síntese hormonal da tireóide. Foi comum, no passado, e afetava, principalmente mulheres de certas regiões do Brasil pobres em iodo.
Fonte: www.lincx.com.br
O hipotireoidismo é um quadro clínico caracterizado por uma diminuição na produção de hormônios tireoidiano pela tiróide, seja por uma alteração da própria glândula ou por uma diminuição em sua estimulação por outros hormônios produzidos no sistema nervoso central.
É uma doença que se apresenta com relativa freqüência, principalmente nas mulheres. Quando suas manifestações são leves, ela pode aparecer e ficar muito tempo sem ser detectada.
Quando o hipotireoidismo começa na própria glândula tireoidiana é denominado "primário" e aquele que resulta da estimulação insuficiente dessa glândula denomina-se "secundário".
O quadro clínico nos adultos, também chamado mixedema, tende a começar insidiosamente e é muito pouco perceptível. As pessoas com esse problema sentem frio até mesmo em pleno verão; sempre se cobrem mais do normal nesta época do ano. Cansaço e diminuição do apetite são freqüentes. Em geral não ocorrem grandes modificações no peso, mas este pode aumentar devido à retenção de líquidos. A voz se torna rouca e áspera. Observa-se na pele uma inchação característica, sobretudo no rosto, na nuca e na parte externa das mãos e dos pés. Ademais, a pele tende a ficar muito seca, endurecida, escamosa e pálida ou amarelada. O cabelo, as pestanas, as sobrancelhas e os pêlos corporais se tornam secos, grossos, frágeis e tendem a cair. As unhas também se tornam quebradiças e crescem lentamente.
O aumento do tamanho da língua, a palidez e inchação das gengivas, e a constipação são freqüentes.
Os pacientes sofrem perda de memória e apresentam outras manifestações de deterioração mental, com uma mudança gradativa da personalidade. Alguns sofrem de depressão.
O hipotireoidismo no recém-nascido tende a se manifestar através da dificuldade para respirar e icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas por aumento na bilirrubina). Ficam sonolentos, inchados, desinteressados pela alimentação, com um choro rouco e constipação. Caso não seja detectado e tratado corretamente, o hipotireoidismo pode provocar, além das características já descritas, graves alterações no crescimento e no desenvolvimento. As conseqüências mais sérias se produzem no sistema nervoso, com tremores, falta de coordenação motora e alterações mentais que causam retardamento do desenvolvimento mental. Uma vez estabelecido esse quadro denomina-se cretinismo. Quando o hipotireoidismo começa entre os 6 meses e os 2 anos de idade, também podem aparecer alterações mentais, caso não haja diagnóstico e tratamento imediato. Mas se o quadro se iniciar depois dos 2 anos, é mais raro ocorrer um déficit mental permanente.
O tratamento consiste na administração ininterrupta de hormônios tireoidianos. Como na maioria dos casos a diminuição da função da glândula tireoidiana é definitiva, é imprescindível manter o tratamento durante a vida toda.
Embora existam muitos medicamentos para a terapia hormonal, a levotiroxina é o de escolha para o início da mesma.
O tratamento inicial deve ser realizado com precaução nos casos graves de evolução prolongada, em pessoas de idade avançada, hipertensas, com arritmias e/ou insuficiência cardíaca
Fonte: www.homeandhealthbrasil.com
O Hipotireoidismo Congênito (HC), é a causa mais comum de retardo mental evitável, decorrente da ausência ou deficiência da secreção do hormônio tireoidiano.
Há cerca de 30 anos vários programas de triagem para o HC vêm-se desenvolvendo no mundo e, com isto, tornou-se possível realizar diagnóstico e tratamento precoces da doença, evitando sua consequência principal que é o retardo mental. A prevalência do HC em vários países está em torno de 1 para 4.000 recém-nascidos (RN) triados.
O Hipotireoidismo Congênito pode ser primário, secundário ou terciário. Os dois últimos são também denominados de HC central e são provocados por lesões congênitas na hipófise ou no hipotálamo, respectivamente. Estas formas são muito raras, aproximadamente 1:100 000 RN vivos, portanto não serão tratadas com detalhes neste texto. O HC primário é causado por anormalidade na formação ou na função da glândula tireóide e pode ser permanente ou transitório. As formas permanentes são as mais importantes, por serem mais freqüentes e pelo fato de necessitarem de tratamento por toda vida.
As formas permanentes são responsáveis por cerca de 85% dos casos de HC. São causadas por anormalidades na formação da glândula, as disgenesias tireoidianas, que são esporádicas, portanto tem possibilidade quase nula de ocorrer em irmãos. Dentro destas disgenesias, podem ocorrer: local normal, as ectopias; uma migração normal, mas com desenvolvimento incompleto, as hipoplasias ou ausência completa da tireóide, as agenesias.

Outra causa importante do HC primário permanente são os defeitos de síntese hormonal, decorrente de deficiências enzimáticas parciais ou total. Estas anomalias, em contraste com as disgenesias, são de transmissão autossômica recessiva, portanto podem ocorrer em 25% dos filhos do casal. Este fato é importante, porque deve-se fazer o aconselhamento genético aos pais mostrando a possibilidade de novos casos na família e a importância redobrada do diagnóstico logo ao nascimento.
- Defeitos na formação da glândula - Disgenesias tireoidianas:
agenesias; hipoplasias; ectópias (85%)
- Defeito de síntese hormonal (dishormonogene) (15%)
As formas transitórias são menos freqüentes no HC primário e podem ser provocadas principalmente pela insuficiência ou excesso de iodo materno, fetal ou no RN. Também podem ser causadas pela passagem transplacentária de drogas antitireoidianas ou de auto-anticorpos maternos. Apresenta-se às vezes com bócio. Podem ser de curta duração, mas normalmente necessita de tratamento que tem sido até os três anos.

Fonte: www.medicina.ufmg.br
"O mal tinha sua origem fundamentada em superstições. Engolir grãos ainda verdes de café, considerados saborosos, poderia ocasionar à uma mulher o aparecimento do papo. Logo, era chamada de "Maria Papuda". Capítulos à frente na história da medicina, hoje, sabe-se que o papo (ou bócio) nada mais é do que o crescimento acentuado da glândula tireóide - ocorrência comum no hipotireoidismo".
ssAtualmente, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento do hipotireoidismo são bem definidos. O distúrbio acomete 1% a 3% da população em geral e é considerado uma das queixas mais freqüentes nos consultórios de endocrinologia.
A tireóide é uma glândula situada na parte da frente do pescoço, abaixo do chamado "pomo de Adão". Tem formas comparadas à de escudo ou de borboleta, sendo facilmente palpável.
É responsável pela produção dos hormônios tireoideanos T3 (triodotironina) e T4 (levotiroxina). Essas substâncias são transportadas pelo sangue para todas as partes do corpo, regulando o metabolismo.
"Entre outras coisas, o metabolismo refere-se à maneira pela qual o organismo queima calorias, gorduras, açúcares e atua no trabalho muscular. Os hormônios tireoideanos também afetam vários órgãos do corpo de maneiras específicas", explica a endocrinologista Ivana Maria Netto Victória, coordenadora do Serviço de Endocrinologia do Hospital Biocor de Belo Horizonte.
Outro hormônio produzido pela tireóide é a calcitonina, que possui a função de regular o cálcio no corpo.
É caracterizado pela diminuição ou pela baixa produção dos hormônios T3 (triodotironina) e T4 (levotiroxina). Afeta cerca de 1% a 3% da população geral, sendo problema médico comum. É mais freqüente entre as mulheres, em uma proporção de 4 para 1 em relação aos homens.
A faixa etária de maior incidência é de 40 a 60 anos. Pesquisas estimam a existência de aproximadamente 5 milhões de brasileiros com hipotireoidismo. "A grande maioria não foi ainda diagnosticada", alerta a médica Ivana Victória.
As causas mais comuns do hipotireoidismo são a inflamação crônica da tireóide (chamada tireoidite ou doença de Hashimoto), as manifestações pós-cirúrgicas (retirada parcial ou total da glândula) e as de decorrência de tratamentos prévios de glândula hiperativa.
A doença de Hashimoto tem traços genéticos e caracteriza-se pela produção exagerada de anticorpos pelo sistema imunológico que agridem a própria glândula. É uma doença auto-imune que provoca a diminuição da capacidade funcional da glândula.
Uma causa comum em décadas passadas, mas rara nos dias de hoje, é deficiência de iodo no organismo (necessário para a produção dos hormônios tireoideanos). Os produtores de sal são obrigados, por lei, a adicionar iodo ao produto industrializado. "É uma maneira barata e simples de repor o iodo e evitar o hipotireoidismo devido à sua deficiência", comenta a médica.
O hipotireoidismo pode também ser congênito (ocorrer em recém-nascidos). A prevalência é de 1 para cada 4 mil nascidos-vivos. A disfunção pode ser detectada precocemente, através do "Teste do Pezinho". Se não identificada até o terceiro mês de vida, pode levar ao retardo do desenvolvimento físico e mental dos bebês.
A criança com "cretinismo" (como é chamado o mal) apresenta dificuldades para sugar o leite materno e tem a pele amarelada.
Um grande número de pessoas apresenta sintomas "vagos" de cansaço e desânimo. Muitos acabam atribuindo esses sinais, de forma errônea, ao avanço da idade. Os sinais e sintomas mais comuns do hipotireoidismo são: fadiga, desânimo, movimentos lentos, discreto aumento de peso ou dificuldade para perdê-lo, sonolência diurna, intolerância ao frio, memória fraca, irregularidade menstrual (e em casos mais graves até infertilidade), dores, cãibras musculares, cabelos e pele secos, queda de cabelos, unhas fracas, prisão de ventre, depressão, irritabilidade, rosto e mãos inchados.
"O número e a intensidade dos sintomas variam conforme a duração e o grau da deficiência hormonal da tireóide. Algumas pessoas com hipotireoidismo podem não apresentar sintomas evidentes. Nesses casos, o diagnóstico dever ser realizado através de exames laboratoriais de rotina", explica. O aumento da tireóide (bócio ou papo) pode ser observado e detectado durante o exame clínico ou mesmo através da queixa do paciente de um "colarinho apertado".
CORAÇÃO: Diminuição dos batimentos cardíacos.
CÉREBRO: Dificuldade de concentração e depressão.
APARELHO DIGESTIVO: Constipação intestinal (prisão de ventre).
MÚSCULOS: Fraqueza, dor e fadiga.
RINS: Retenção de líquidos, levando à edema das pálpebras, principalmente pela manhã.
FÍGADO: Diminuição do metabolismo do colesterol com aumento dos seus níveis sangüíneos.
ÓRGÃOS REPRODUTIVOS: Alterações menstruais, abortos naturais e infertilidade.
PELE E CABELO: Queda de cabelos, ressecamento da pele.
OUTROS SINTOMAS: Apatia, reflexos lentos, discreto ganho de peso ou dificuldade de perdê-lo e dores articulares.
O hipotireoidismo pode ser facilmente diagnosticado por meio de um exame de sangue e é tratável. O teste identifica se há níveis baixos do hormônio T4 e níveis elevados do hormônio TSH. Essas dosagens podem ser complementadas com a determinação dos anticorpos contra a tireóide (anti-TPO e anti-tireoglobulina), o que identifica a ocorrência da doença de Hashimoto.
O tratamento do hipotireoidismo consiste na reposição oral de hormônio específico (Levotiroxina-T4), uma vez ao dia, preferencialmente pela manhã em jejum. Esse medicamento repõe o hormônio que a glândula deixou de secretar. A dosagem deve ser individualizada. "É importante que o paciente receba a quantidade certa de hormônio", reforça a Dra. Ivana Victória.
Pesquisas recentes indicam que um excesso de hormônios tireoideanos pode causar perda excessiva de cálcio nos ossos, com risco aumentado para a osteoporose. "Sobretudo em pacientes com doenças cardíacas, a dosagem certa é extremamente importante. Mesmo uma dose pouco excessiva nesses pacientes pode aumentar o risco de arritmias ou piora de angina", alerta.
Mulheres que engravidam durante o tratamento podem ficar tranqüilas, já que o medicamento reproduz com precisão o hormônio secretado naturalmente pela própria glândula, quando não há disfunção. "É importante, consultar seu médico, já que a dosagem do T4 pode necessitar de ajuste durante a gravidez", orienta.
Fonte: www.doutorbusca.com.br