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Hormonioterapia

Inicialmente utilizada no câncer de mama, a hormonioterapia foi sendo subseqüentemente aplicada a outros tumores que mostravam hormoniossensibilidade incontestável, como os carcinomas de endométrio e de próstata e os tumores tiroidianos iodocaptantes. A hormonioterapia raramente tem objetivo curativo quando usada isoladamente.

É usual sua associação, concomitante ou não, com:

Quimioterapia (câncer de mama e do sistema hemolinfopoético);

Cirurgia (câncer de endométrio);

Radioterapia (câncer de próstata).

A hormonioterapia pode ser indicada também para tratamento paliativo de metástases ósseas de tumores hormoniossensíveis, por exemplo. A supressão hormonal pode ser obtida por meio de procedimentos cirúrgicos ou com o emprego de radiações. Os medicamentos utilizados na hormonioterapia têm como ação a supressão ou o aumento dos níveis de hormônios circulantes.

Fonte: d18146183.bighost60.bighost.com.br

Hormonioterapia

 

A manipulação do sistema endócrino é um procedimento bem estabelecido para o tratamento de algumas neoplasias malignas hormoniossensíveis.

Inicialmente utilizada no câncer de mama, a hormonioterapia foi sendo subseqüentemente aplicada a outros tumores que mostravam hormoniossensibilidade incontestável, como os carcinomas de endométrio e de próstata e os tumores tiroidianos iodocaptantes.

Até há poucos anos, a hormonioterapia era baseada em critérios empíricos, resultando em esquemas terapêuticos de administração variável em dosagens e intervalos. Os critérios adotados, em caso de carcinoma mamário, eram o estado hormonal da paciente, indiretamente avaliado pela idade, e a distribuição predominante de metástases em ossos e partes moles.

Novos subsídios endocrinológicos para a hormonioterapia antiblástica foram trazidos pela determinação da dosagem de receptores celulares específicos para estrogênios e progesterona em amostras tumorais, pelo estabelecimento de clara relação entre positividade do receptor e resposta terapêutica e pelos avanços verificados no conhecimento das interações entre receptores hormonais e processos bioquímicos intracelulares. Este desenvolvimento da hormonioterapia aplicou-se principalmente aos casos de câncer de mama e de endométrio.


Tipos e indicações da hormonioterapia
Uma maneira de se classificar a hormonioterapia considera a sua finalidade, modo de aplicação, mecanismo de ação e método de execução, conforme relacionado abaixo:

Parâmetro Tipos
Finalidade Curativa - paliativa
Aplicação lsolada - combinada
Ação Aditiva - supressiva
Execução Medicamentosa - cirúrgica - actínica

 

A hormonioterapia raramente tem objetivo curativo quando usada isoladamente. É usual sua associação, concomitante ou não, com a quimioterapia (câncer de mama e do sistema hemolinfopoético), com a cirurgia (câncer de endométrio) e com a radioterapia (câncer de próstata). A hormonioterapia pode ser indicada para tratamento paliativo de metástases ósseas de tumores hormoniossensíveis, por exemplo.

A supressão hormonal pode ser obtida por meio de procedimentos cirúrgicos (ooforectomia, orquiectomia, adrenalectomia, hipofisectomia) e com o emprego de radiações (ooforectomia e hipofisectomia actínicas). Os medicamentos utilizados na hormonioterapia têm como ação ou a supressão ou o aumento dos níveis de hormônios circulantes.


Hormonioterapia ablativa: cirúrgica e actínica
A ooforectomia cirúrgica é preferível à actínica, pois a supressão causada pela última demora mais a ocorrer e, com o tempo, os ovários podem voltar a produzir hormônios. Apenas em casos de contra-indicação cirúrgica é que a ooforectomia actínica deve ser realizada. As indicações de ooforectomia são restritas às mulheres na pré-menopausa, com câncer avançado de mama (loco-regional ou com metástases ósseas), devendo ser baseadas, sempre que possível, nas dosagens positivas de receptores hormonais.

A orquiectomia deve ser considerada em homens com carcinoma de próstata e metástases ósseas, sem condições econômicas de manter a supressão hormonal pela aplicação mensal e diária de medicamentos.

A adrenalectomia é um procedimento de indicação limitada, devido à alta taxa de mortalidade pós-operatória. Pode ser indicada nos casos de metástases ósseas dolorosoas, rebeldes a outros tratamentos, em mulheres na pré-menopausa com carcinoma de mama e receptores hormonais positivos e com resposta analgésica à ooforectomia prévia. Este método está sendo substituído pelo de supressão medicamentosa. A hipofisectomia, seja cirúrgica ou actínica, só é indicada em mulheres com metástases ósseas dolorosas de câncer de mama rebeldes a outros métodos analgésicos, e com pouca expectativa de vida, sendo um método terapêutico de uso quase que totalmente abandonado.


Hormonioterapia medicamentosa
A hormonioterapia medicamentosa faz-se pela supressão ou adição de hormônios circulantes. Segue-se uma relação de medicamentos, com suas respectivas indicações:

Estrogênios e similares sintéticos - Indicados no tratamento do câncer ma-mário em mulheres na pós-menopausa e para tratamento do câncer avançado de próstata. Em homens, recomenda-se a irradiação prévia das mamas para evitar a ginecomastia dolorosa provocada pela estrogenioterapia. Eles têm sido substituídos cada vez mais por outros medicamentos com efeitos colaterais menos intensos.

Antiestrogênios - Indicados no tratamento do carcinoma mamário de mulheres e homens. Seu uso é preferível ao dos estrogênios porque os seus efeitos colaterais são menos intensos. Drogas antiestrogênicas como o clomifene, o nafoxidine e o danazol são pouco ativas em neoplasias malignas.

Progestágenos e similares sintéticos - A sua indicação mais formal é na terapêutica do adenocarcinoma de endométrio. São utilizados na hormonioterapia do câncer mamário, como alternativa para o uso dos antiestrogênios, seja em tratamento de primeira linha ou em caso de refratariedade aos estrogênios ou a seus antagonistas. Ocasionalmente, são indicados em metástases de carcinoma renal, com resultados controvertidos. É importante salientar que altas doses de progestágenos têm efeito antiestrogênico, antiandrogênico e anabolizante.

Corticosteróides - Podem ser utilizados como terapia de média duração (associados à quimioterapia de tumores de origem hemolinfopoética) ou de curta duração (metástases cerebrais e hepáticas, compressão da medula espinhal e hipercalcemia).

Inibidores supra-renais - Têm sua indicação no carcinoma irressecável ou residual da supra-renal. Representam uma terapêutica alternativa à adrenalectomia em carcinoma metástatico de mama e de próstata.

Androgênios - Têm sido cada vez menos utilizados no tratamento do câncer. Sua utilização é questionável, mesmo quando indicados para melhorar condições associadas ao câncer, tais como a mielodepressão e o catabolismo acentuado.

Antiandrogênios - Há medicamentos com propriedades antiandrogênicas, cuja ação se faz por antagonismo ao nível dos receptores hormonais, sendo, assim de atuação periférica. Eles estão sendo incluídos como alternativa terapêutica em caso de câncer de próstata, visto as complicações psicológicas, oriundas da orquiectomia, e as cardiovasculares, provocadas pela estrogenioterapia.

Inibidores da ação hipotalâmica e hipofisária - São medicamentos que atuam ou inibindo a liberação, pelo hipotálamo, do Hormônio Liberador do Hormônio Luteinizante (LHRH) ou inibindo a produção, pela hipófise, do Hormônio Luteinizante, através do uso de substâncias análogas ao LHRH. Todos resultam em efeito antiandrogênico, levando-os a ser uma alternativa terapêutica para a orquiectomia ou a estrogenioterapia, em câncer prostático.

Aqui vale salientar que a hormonioterapia combinada (orquiectomia + antiandrogênio ou análogo LHRH + anti-androgênio) tem sido cada vez mais indicada nos casos de câncer prostático avançado, já que apresenta resultados melhores do que quando os métodos terapêuticos são utilizados isoladamente. A esta combinação tem se denominado "bloqueio androgênico completo".

Hormônios tiroidianos - Têm indicação terapêutica nos tumores tiroidianos iodocaptantes, com o objetivo de suprimir o crescimento desses tumores. Têm também indicação de terapia aditiva, em caso de tiroidectomia total, com o objetivo de reestabelecer a atividade hormonal da glândula operada e manter o TSH em níveis normais

A apresentação farmacológica, a posologia e as vias de administração dos medicamentos variam de acordo com as indicações, a idade do paciente e os esquemas terapêuticos.

Os hormônios utilizados na terapêutica do câncer, assim como os quimio-terápicos antineoplásicos, atuam sistemicamente e exercem seus efeitos citotó-xicos tanto sobre as células tumorais como sobre as células normais.

Não se deve esquecer que a ação terapêutica se acompanha de efeitos colaterais indesejáveis - relação que deve ser bem avaliada quando do planejamento e da escolha do tratamento.

Fonte: www.inca.gov.br.

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