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Leishmaniose

 

A leishmaniose cutânea é a forma da doença que afeta a pele, causa úlceras no rosto, nos braços e pernas, o que resulta em sérias deficiências físicas e problemas sociais. A leishmaniose mucocutânea, sempre derivada da forma cutânea, causa ulceração, seguida da destruição de membranas mucosas e do tecido do nariz, da boca e da garganta. Ela pode levar à morte por infecção secundária das vias respiratórias.

A leishmaniose cutânea e a mucocutânea se espalharam na América Latina desde a época dos Incas: as máscaras fúnebres sem nariz dão o testemunho da presença desta doença "que come a carne". O Peru é um dos países mais afetados por leishmaniose cutânea e mucocutânea. A Bolívia, o Brasil e o Peru contabilizam 90% de todos os casos mundiais. O número de pessoas infectadas aumentou consideravelmente desde o início dos anos 80, seguindo a migração sazonal de agricultores em grande escala.

A forma mais perigosa da doença, no entanto, é a leishmaniose visceral ou Calazar. Se não for tratado, o Calazar é fatal e os sintomas incluem febre, perda de peso e crescimento anormal do baço e do fígado. A maioria das pessoas dos países centrais nunca ouviu falar nesta doença, mas ela é comum no Brasil, na Índia, no Nepal e em partes da África Central, sendo conhecida por devastar populações de cidades inteiras. O Calazar é algumas vezes visto como uma infecção paralela em pacientes com HIV/aids.

As leishmanioses são causadas pelo Leishmania, um parasita microscópico transmitido pela picada de mosquitos. Cerca de trinta espécies de insetos podem transportar o parasita, transmitido a eles por animais domésticos ou silvestres infectados, como roedores e cachorros.

Leishmaniose visceral

Causa

Na Ásia e no leste da África, o Calazar se espalha entre as pessoas através da picada de um mosquito (Lutzomya ssp) que carrega o parasita, a Leishmania donovani. O parasita então se multiplica no corpo da vítima, invadindo o sistema imunológico. No entanto, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença. Elas costumam adoecer se a sua imunidade estiver enfraquecida por desnutrição ou por outra doença, como o HIV/aids.

Sintomas

É comum os infectados permanecerem assintomáticos e há evidências de que o número de infecções assintomáticas ultrapassa o de infecções sintomáticas.

Estima-se que apenas 30% dos casos são notificados, e que milhões de novas infecções a cada ano não são registradas.

É difícil diagnosticar o Calazar clinicamente porque os primeiros sintomas se parecem com os de outras doenças tropicais mais comuns, como a malária, incluindo aumento do abdômen, inchaço do baço e fígado, episódios de febre, diarréia, e anorexia. A forma atual mais confiável de diagnóstico nos países africanos é a aspiração do baço, porém este procedimento é invasivo e pouco adaptado a ambientes em áreas remotas sem estrutura médica permanente.

Distribuição

O Calazar persiste hoje em áreas muito pobres, remotas, e às vezes politicamente instáveis, para onde é muito difícil levar assistência médica. Os pacientes têm pouco acesso a medicamentos a preços acessíveis e a medidas preventivas. A doença é endêmica em 88 países, onde 350 milhões de pessoas estão sob risco de infecção. Quase todos os 500 mil novos casos anuais provenientes de epidemias recorrentes, ocorrem nas áreas rurais do continente indiano (Índia, Nepal, Bangladesh), Brasil, e Sudão.

Tratamentos atuais

Os medicamentos mais usados contra o Calazar são baseados em compostos antimoniais pentavalentes (estibogluconato de sódio e antimoniato de meglumina), e têm papel fundamental na terapia mundial há mais de 70 anos. No entanto, o tratamento é doloroso, os medicamentos são injetáveis e apresentam efeitos colaterais tóxicos, podendo ser fatais. Além disso, eles já não são eficazes em algumas partes da Índia.

Há alguns medicamentos alternativos, porém com uma série de restrições:

AmBisome®. A anfotericina B, apesar de injetável, não requer muito tempo de tratamento (máximo de 10 dias), recupera os pacientes dentro de algumas horas após a primeira dose, e apresenta poucos efeitos colaterais. A desvantagem é que há apenas um fabricante e é extremamente caro - o melhor preço atualmente oferecido varia entre US$1.500 - 2.400 por tratamento, muito além do alcance da maioria dos pacientes.

Miltefosina. Em meados dos anos 90, descobriu-se que este medicamento oncológico era eficaz contra o Calazar. É o primeiro medicamento de uso oral para tratar a doença, mas tem registro de uso apenas na Índia. A desvantagem é que o tratamento dura 4 semanas, e há restrições de uso em gestantes e crianças.

Paromomicina. A eficácia deste antigo antibiótico contra o Calazar foi descoberta acidentalmente em 1960. Mas o medicamento ficou parado no pipeline de pesquisa porque "não seria capaz de gerar muito dinheiro". Além disso, a sua formulação atual ainda não tem registro para uso em nenhum lugar do mundo. O TDR/OMS e o Institute of One World Health (IOWH) estão trabalhando para conseguir registrar o medicamento na Índia.

Prevenção

Uma das maneiras de controlar o Calazar é através da prevenção eficaz. Entretanto, os programas de controle de vetores têm sido quase sempre infrutíferos, insustentáveis ou simplesmente muito caros. Os programas atuais envolvem a pulverização de residências com inseticidas residuais e a exterminação de cães.

Algumas novas idéias parecem ser promissoras, como a utilização de véus mosquiteiros ou de coleiras para cães impregnados com inseticida.

Fonte: www.dndi.org.br

Leishmaniose

A Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por um parasita (protozoário) e transmitida ao homem por um mosquito flebótomo conhecido como "palha", "cangalhinha", "asa dura", "tatuquira", "birigüi", e outros nomes.

A Leishmaniose ataca também animais silvestres (roedores, raposas) e animais domésticos, (especialmente os cães), e pode se manifestar das seguintes formas:

Tegumentar ou Cutânea: caracterizada por lesões e feridas na pele que não cicatrizam

Visceral ou Calazar: caracterizada por lesões nos órgãos internos.

Observação

De acordo com o critério clinico humano (segundo o qual existem várias formas de Leishmaniose), a Leishmaniose canina é classificada como "Visceral", embora o termo "Leishmaniose Canina Geral" fosse mais apropriado, uma vez que envolve tecidos viscerais e cutâneos.

Os sintomas da Leishmaniose canina são

Emagrecimento
Queda dos pêlos
Feridas que não cicatrizam
Crescimento exagerado das unhas
Fraqueza

Aumento dos órgãos internos, como fígado e baço.

Em grande parte dos casos, o animal infectado permanece assintomático, ou seja, não apresenta nenhum sintoma da doença. Seu aspecto pode ser o de um cão sadio, e o mesmo pode estar contaminado.

O diagnóstico da doença é efetuado através de exame clinico (conjunto de sintomas e existência da doença na região), de exames de sangue ou de biópsia das lesões da pele.

No ser humano, se diagnosticada a tempo, a doença tem tratamento e cura.

No cão, o tratamento é viável (dependendo do estado geral do animal e do estágio em que se encontra a doença), embora não ocorra a cura do mesmo.

No Brasil, a maior parte dos casos de Leishsmaniose encontra-se nas regiões Norte e Nordeste, mas a doença ocorre ambém na região Sudeste e na região Centro-Oeste do país. Portanto, a única região do Brasil onde ainda não se registram casos de Leishmaniose, até o momento, é a Região Sul.

Tem sido adotado pelos Órgãos Públicos, como forma de interromper a propagação da doença, o sacrifício dos animais infectados, a fim de "quebrar" a cadeia de transmissão.

Contudo, apenas o sacrifício dos animais infectados, como única forma de erradicar a doença, não tem sido suficiente para deter a propagação da mesma, além de ser condiderada uma forma questionável de ação, tendo em vista que possuímos uma forte ligação emocional com nossos cães, e sermos obrigados a sacrificá-los não é nada fácil.

Não é nossa intenção apregoar o "não sacrifício" dos animais a qualquer custo, mas apenas questionamos a falibilidade comprovada desta que tem sido a ÚNICA forma de controle da doença adotada pelas autoridades públicas.

É importante ressaltar que o grande "vilão" na cadeia de transmissão da Leishmaniose é o MOSQUITO, que precisa ser combatido e eliminado!

Prevenção

Em se tratando de Leishmaniose, é preciso dizer que NENHUMA medida adotada na tetativa de prevenir a mesma consegue ser 100% eficaz, ou seja, haverá sempre o risco da transmissão e da conseqüente contaminação, enquanto existir o mosquito vetor.

Contudo, citamos a seguir algumas medidas que podem minimizar as chances de transmissão da doença para os cães, que são:

Manter os quintais sempre limpos, livres de folhas

Instalação de telas com buracos bem pequenos (o mosquito é bastante pequeno) nos canis onde o cão fica

Evitar expor o animal ao ataque do mosquito flebótomo, que age à noitinha e ao amanhecer

Uso de produtos veterinários existentes no mercado destinados a repelir mosquitos (coleiras, sprays, shampoos, etc) no animal

Plantar nos quintais ou em vasos (para quem vive em apartamento) a citronela, que é uma planta que possui poder de repelência

Detetização do ambiente (casa, canil, quintal) que deve ser feita com rigorosa cautela e por pessoal especializado

Os produtos disponíveis no mercado devem ser usados somente sob orientação do médico veterinário responsável pelo cão. Consulte-o para saber qual é o melhor produto a ser adotado para o seu animal.

Se você vive numa região de risco, procure adotar alguma forma de prevenção. Fique atento à saúde do cão, e caso haja suspeita de infecção, encaminhe-o imediatamente ao médico veterinário.

Você poderá encontrar inúmeros dados sobre Leishmaniose na Internet. Procure se informar!

Fonte: membros.aveiro-digital.net

Leishmaniose

A leishmaniose é uma doença infecciosa causada por um microorganismo (protozoário - leishmania), que é transmitida ao cão, a animais silvestres como roedores e também ao homem por um mosquito, o flebótomo, ao qual no Brasil - país detentor de um elevado número de casos - se deram vários nomes: “palha”, “asa dura”, cangalhinha”, etc. Este inseto é pequeno (2 a 3 mm) e tem uma coloração clara (cor de palha).

Sintomas da doença no cão

Queda de pêlo
Emagrecimento
Vómitos
Fraqueza geral
Apatia
Febre irregular
Feridas persistentes, que não cicatrizam (leishmaniose cutânea)
Dilatação do fígado ou do baço (leishmaniose visceral)
Aumento exagerado das unhas.

O grande problema desta doença é ser assintomática, isto é, os sinais surgirem quando a leishmaniose já atingiu um elevado grau de desenvolvimento. O cão pode ter um aspecto perfeitamente saudável e, no entanto, já estar infectado.

Por isso, estes sintomas surgem já numa fase terminal desta doença de progressão lenta.

Diagnóstico

O diagnóstico da leishmaniose é feito através de um exame clínico específico (despiste da doença), que se justifica apenas quando se verificam casos na zona.

Normalmente este despiste é feito uma vez por ano, no fim do verão.

Prevenção

Atualmente ainda não existe nenhum processo eficaz de prevenção da doença, embora tenham sido feitas tentativas no sentido de se criarem vacinas para o efeito.

No entanto, a utilização de certos artifícios como coleiras e outros produtos antiparasitantes, minimizam a propagação, embora não a evitem a 100%.

Normalmente estes artigos combatem simultâneamente as pulgas e as carraças, mas não deixe de consultar o veterinário sobre o produto mais indicado para este efeito.

Se vive numa zona de risco ou numa região onde existam charcos ou quaisquer outros meios propícios ao desenvolvimento de mosquitos, convém estar-se sempre muito atento ao estado de saúde do cão. Ao mínimo sintoma deve consultar-se o veterinário.

Embora se trate de uma espécie particular de inseto, há outra doença – a dirofilariose – que também é provocada por um mosquito, neste caso, a vulgar melga, se evidentemente estiver infectada.

A forma mais eficiente de irradicação da doença seria eliminar o mosquito agente transmissor da leishmaniose. No entanto, isso não é fácil e obrigaria a um esforço conjugado com as autoridades através de uma desinfecção do território através das pulverizações tradicionais com inseticidas.

Dado que esta espécie de mosquito se desenvolve em locais com matéria orgânica em decomposição, lixeiras, etc., será conveniente evitar esses locais. Ao contrário do que normalmente se divulga acerca deste inseto, este não prefere o fim da tarde e o princípio da manhã para sugar as suas vítimas, ou junto de zonas húmidas e locais com águas paradas, que são os locais onde vivem e se reproduzem outras espécies de mosquitos e não este.

Cura

No homem, quando a doença é diagnosticada a tempo, o tratamento e cura é possível. Aliás ela ocorre no homem especialmente em crianças, pessoas idosas, debilitadas ou indivíduoa imunossuprimidos.

No cão a doença é incurável, mas pode ser tratada se o estado geral de saúde do cão for aceitável e principalmente se a doença não tiver atingido um elevado grau de desenvolvimento. O cão, quando tratado a tempo, conserva uma boa qualidade de vida. O tratamento elimina os sintomas mas o animal continua portador. No entanto, depois de tratado, deixa de ser transmissor.

Houve um enorme extermínio de cães positivos, tido como única solução para a disseminação da doença, dado o cão efetivamente constituir um hospedeiro por excelência. No entanto, outros vertebrados como roedores podem igualmente servir como intermediários.

Ciclo da leishmaniose

A doença transmite-se através da picada de uma espécie de mosquito – o flebótomo. O mosquito, ao picar um ser infectado para se alimentar – que tanto pode ser o cão como um animal silvestre ou o próprio homem – absorve o parasita (agente causador da leishmaniose) que se desenvolverá atacando algumas células sanguíneas tornando-se infectante após cerca de sete dias. Ao fim deste tempo, quando o mosquito for picar outro vertebrado para se alimentar, vai deixar nele o parasita na sua corrente sanguínea, onde se reproduzirá e provocará a doença. E termina aqui o ciclo. O mosquito não passa de um hospedeiro intermediário que, ao picar este vertebrado doente servirá de veículo do parasita a outro ser (sadio) que vier a picar e assim sucessivamente.

Sem o mosquito não haverá o ciclo. Por isso, o contato de um cão contaminado com um sadio ou o simples contato do cão com o homem não constituem qualquer perigo de contágio da doença como frequentemente se pensa. O contágio cão-cão só poderia ocorrer se se usasse a mesma agulha de vacinação num infectado e noutro não infectado, por exemplo.

O período de incubação, isto é, desde a picada do mosquito até ao aparecimento dos primeiros sintomas da doença é muito variável e isso também dificulta o diagnóstico - de 10 a 25 dias, podendo chegar a um ano ou mais.

Pontos a considerar

Um cão só infecta novos mosquitos (e estes por sua vez infectarão novos cães) se estiver na fase ativa e visivel da doença, ou seja, na fase terminal, com chagas na pele, as quais estão infectadas com leishmanias.

O cão tratado com medicamentos é portador mas NÃO é infectante para os mosquitos! Pode ter uma vida normal sem qualquer sintoma e sem infectar novos mosquitos.

A doença em humanos é controlável e muito menos perigosa do que nos cães. As pessoas que desenvolvem as formas mais severas de leishmaniose visceral são nomalmente crianças ou pessoas imunodeprimidas, mas mesmo nessas existe cura.

Os cães estão menos protegidos contra a leishmania, daí que os sintomas sejam muito graves acabando sempre por sucumbir á doença mais tarde ou mais cedo.

Os grandes disseminadores da leishmania acabam por ser os animais selvagens, os roedores e muitos dos animais abandonados, pois estes não estão sujeitos a tratamento como os nossos cães e estão completamente á mercê dos mosquitos.

Até agora, a única forma de nos defendermos deste mosquito é evitar passeá-los em áreas sujas e contendo matéria orgânica em decomposição. Usar coleiras repelentes de mosquitos e pulverizar a área dos canis. Aplicar redes mosquiteiras nas janelas.

Se após um tratamento adequado se verificar que os sintomas persistem e o animal está condenado a um enorme sofrimento e a uma morte lenta, será preferível eutanaziá-lo. Isto poupa o animal do sofrimento e contribui para salvar outras vidas.

O despiste da leishmaniose em cães aparentemente saudáveis é o ideal, pois podem começar com o tratamento mais cedo e a sua esperança de vida aumenta considerávelmente.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas da leishmaniose?

A Leishmaniose é uma doença transmitida por um mosquito, que pica nas alturas do crepúsculo do dia, e que provoca sintomas variados nos cães. Desde lesões cutâneas, renais, oculares, coceiras, etc. O diagnóstico é realizado por punção da medula óssea e observação ao microscópio das Leishmanias.

A leishmaniose transmite-se ou não pela urina e fezes?

A leishmaniose transmite-se somente através da picada do mosquito Phlebotomus. Não se transmite por fezes, urina saliva ou outro liquido corporal.

Existe algum repelente de insetos eficaz contra o mosquito?

Existem vários mas nenhum é eficaz a 100%.Aconselhe-se com o seu veterinario sobre o Pulvex, o Advantage e o Scalibor, por exemplo. Aconselha-se que se efetue o exame de despsite da doença em Novembro.

Existem produtos extraídos da planta Citronela de Java, que são repelentes naturais com resultados muito satisfatórios.

O meu cão tem 5 meses. Poderá ter leishmaniose?

A única forma de saber será através de uma análise efetuada no seu veterinario.

Tenho um cachorrinho ao qual foi diagnosticada leishmaniose, apesar do tratamento continua a ficar sem pelo. É normal?

Se a manifestação da doença foi dermatológica é normal que a situação piore em vez de melhorar: os problemas de pele demoram sempre bastante tempo a recuperar.

É aconselhável cruzar uma cadela com Leishmaniose, embora medicada?

Não. Tendo em vista a sua condição, o estado geral da mesma e a possível evolução negativa das crias.

Existem vacinas contra a leishmaniose?

Não, ainda não existe vacina em nenhum país. Mas mesmo que houvesse uma vacina no Brasil, por exemplo, ela não seria eficaz na Europa, porque o elemento infectante é diferente. Presentemente existem várias equipas na Europa dedicadas ao estudo deste problema.

Qual é o período do ano mais favorável à picada do mosquito?

É nos meses de Julho, Agosto e Setembro

Fonte: whippetp.no.sapo.pt

Leishmaniose

Aspectos Epidemiológicos da Leishmaniose Visceral

A Leishmaniose Visceral é, primariamente, uma zoonose que afeta outros animais além do homem. Sua transmissão, inicialmente silvestre ou concentrada em pequenas localidades rurais, já está ocorrendo em centros urbanos de médio porte, em área domiciliar ou peri-domiciliar. É um crescente problema de saúde pública no país e em outras áreas do continente americano, sendo uma endemia em franca expansão geográfica. É também conhecida como Calazar, Esplenomegalia Tropical, Febre Dundun, dentre outras denominações menos conhecidas. É uma doença crônica sistêmica, caracterizada por febre de longa duração e outras manifestações, e, quando não tratada, evolui para óbito, em 1 ou 2 anos após o aparecimento da sintomatologia.

Agente Etiológico

No Brasil, é causada por um protozoário da família tripanosomatidae, gênero Leishmania, espécie Leishmania chagasi.

Seu ciclo evolutivo é caracterizado por apresentar duas formas: a amastigota, que é obrigatoriamente parasita intracelular em vertebrados, e a forma promastígota, que se desenvolve no tubo digestivo dos vetores invertebrados e em meios de culturas artificiais.

Reservatórios

No Brasil, os mais importantes reservatórios são o cão (Canis familiaris), e a raposa (Dusycion vetulus), que agem como mantenedores do ciclo da doença.

O homem também pode ser fonte de infecção, principalmente quando o Calazar incide sob a forma de epidemia.

Os cães infectados podem ou não desenvolver quadro clínico da doença, cujos sinais são: emagrecimento, eriçamento e queda de pêlos, nódulos ou ulcerações (mais freqüentes nos bordos das orelhas), hemorragias intestinais, paralisia de membros posteriores, ceratite com cegueira e caquexia. Pode evoluir para morte, nos casos mais graves. O reconhecimento das manifestações clínicas destes reservatórios é importante para adoção de medidas de controle da doença. Os canídeos apresentam intenso parasitismo cutâneo, o que permite uma fácil infecção do mosquito, e, por este fato, são os mais importantes elos na manutenção da cadeia epidemiológica

Modo de Transmissão

A Leishmaniose Visceral é uma antropozoonose transmitida pelo inseto hematófago flebótomo Lutzomia longipalpis, mosquito de pequeno tamanho, cor de palha, grandes asas pilosas dirigidas para trás e para cima, cabeça fletida para baixo, aspecto giboso do corpo e longos palpos maxilares. Seu habitat é o domicílio e o peridomicílio humano onde se alimenta de sangue do cão, do homem, de outros mamíferos e aves. As fêmeas têm hábitos antropofílicos, pois necessitam de sangue para desenvolvimento dos ovos. Durante a alimentação, introduzem no hóspede, através da saliva, um peptídeo que se considera um dos mais potentes vasodilatadores conhecidos. Após 8 a 20 dias do repasto, as leishmanias evoluem no tubo digestivo destes mosquitos, que estarão aptos a infectar outros indivíduos.

Período de Incubação

Varia de 10 dias a 24 meses, sendo em média 2 a 4 meses.

Período de Transmissibilidade

Não ocorre transmissão direta de pessoa a pessoa. O homem pode transmitir a doença através dos insetos transmissores, na condição conhecida como Leishmaniose dérmica pós-calazar. A principal transmissão se faz a partir dos reservatórios animais enquanto persistir o parasitismo na pele ou no sangue circulante.

Suscetibilidade e Imunidade

A suscetibilidade é universal, atingindo pessoas de todas as idades e sexo.

Entretanto, a incidência é maior em crianças. Existe resposta humoral detectada através de anticorpos circulantes. O Calazar é uma infecção intracelular, cujo parasitismo se faz presente nas células do sistema fagocitário mononuclear, com supressão específica da imunidade mediada por células, que permite a difusão e a multiplicação incontrolada do parasitismo. Só uma pequena parcela de indivíduos infectados desenvolve sintomatologia da doença. A infecção, que regride espontaneamente, é seguida de uma imunidade duradoura que requer a presença de antígenos, de onde se conclui que as leishmanias ou alguns de seus antígenos estão presentes no organismo infectado durante longo tempo de sua vida, depois da infecção inicial. Esta hipótese está apoiada no fato de que indivíduos imunossuprimidos (AIDS ou uso de drogas imunossupressoras) podem apresentar quadro de Calazar muito além do período habitual de incubação.

Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade

Nas Américas, a Leishmania chagasi é encontrada desde os Estados Unidos da América do Norte (só um foco canino) até o norte da Argentina.

Casos humanos Ocorrem desde o México até a Argentina. No Brasil, é uma doença endêmica, mas ocorrem surtos com alguma freqüência.

Está distribuída em 17 dos 27 estados da federação, atingindo quatro das 5 regiões brasileiras.

Sua maior incidência encontra-se no Nordeste com 92% do total de casos, seguido pela região Sudeste (4%), a região Norte (3%), e, finalmente, a região Centro-Oeste (1%). Doença, inicialmente de distribuição rural e em pequenos centros urbanos, encontra-se em franca expansão para focos urbanos no Brasil.

Assim, observou-se no início da década de 80 surto epidêmico em Teresina e, de lá para cá, já se diagnosticou casos autóctones em São Luís do Maranhão, Fortaleza, Natal, Aracaju, Belo Horizonte, Santarém e Corumbá.

Tem-se registrado em média cerca de 1.980 casos por ano. O coeficiente de incidência da doença tem alcançado 20,4 casos/100.000 habitantes em algumas localidades de estados nordestinos, como Piauí, Maranhão e Bahia. As taxas de letalidade, que vêm sendo anotadas, chegam a 10% em alguns locais.

Fonte: www.insecta.ufv.br

Leishmaniose

Leishmaniose Tegumentar Americana

É uma doença infecciosa, de evolução que tende a cronicidade, não contagiosa, causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania e transmitida por insetos hematófagos genericamente designados flebótomos. Trata-se de uma zoonose, pois tem como reservatórios animais silvestres ( tamanduá, paca, bicho-preguiça, gambá e algumas espécies de roedores), os quais são picados pelos flebotomíneos e o homem somente é infectado acidentalmente quando invade o ecossistema do protozoário, em atividades de extrativismo animal, vegetal ou mineral; quando da implantação de projetos agrícolas ou habitacionais em áreas recentemente desmatadas ou ainda militares ao participarem de operações em área de selva.

Na Região Amazônica é êndemica, com significativa incidência em todos os estados da região.

Atualmente encontram-se identificadas seis espécies do gênero Leishmania, implicadas no aparecimento da Leishmaniose Tegumentar Americana ou Cutâneo-mucosa, assim discriminadas: L. (Viannia) braziliensis; L. (Viannia) guyanensis; L. (Viannia) lainsoni; L. (Viannia) shawi; L. (Viannia) naiffi e L. (Leishmania) amazonensis.

É caracterizada pelo polimorfismo lesional, comprometendo a pele, comumente manifestando-se como uma lesão ulcerada, única ou múltipla, medindo entre 3 a 12 cm de diâmetro, com bordos elevados ,"em moldura de quadro", base granulosa e sangrante, frequentemente associada à infecção bacteriana secundária.

Dependendo da espécie de Leishmania e de fatores imunogenéticos do hospedeiro podem ocorrer lesões mucosas e cartilaginosas, que geralmente iniciam-se na mucosa nasal, surgindo coriza e sangramento nasal, evoluindo para perfuraçào do septo nasal, destruição da fossa nasal, mucosa, cartilagem e nos casos mais severos comprometendo assoalho da boca, língua, laringe, traquéia e brônquios, com mutilações graves, podendo afetar as funções vitais levando ao óbito.

O diagnóstico é clínico, baseado nas características das lesões cutâneas, principalmente da lesão ulcerada leishmaniótica e laboratorial através dos seguintes exames: Raspado da borda da úlcera, isolamento do parasita em cultura, isolamento do parasita em animais de laboratório ("hamster"), Intradermoreação de Montenegro, imunofluorescência indireta e exame anátomo-patológico da lesão.

No tratamento da Leishmaniose Cutâneo-Mucosa as drogas de primeira escolha continuam sendo os antimoniais pentavalentes, ou seja, meglumina antimoniato e stibogluconato de sódio. Em caso de insucesso com estas substâncias podemos utilizar outras drogas, tais como, Anfotericina B e Pentamidina. Todas as drogas empregadas são de administração injetável, com várias aplicações, dificultando a adesão dos pacientes. Pois fatores imunogenéticos podem retardar consideravelmente a cicatrização das lesões.

As condições eco-epidemiológicas da Amazônia não permitem a instituição de medidas profiláticas adequadas. Não existe vacina disponível para uso clínico.

Mário Rosas Filho

Fonte: www.exercito.gov.br

Leishmaniose

As leishmanioses são enfermidades provocadas por protozoários do gênero Leishmania, que de acordo com a espécie podem produzir manifestações cutâneas, mucocutâneas, cutâneas difusas e viscerais.

O parasito Leishmania pertence à Ordem Kinetoplastida e à Família Trypanosomatidae e é um protozoário pleomórfico, que se reproduz por divisão binária. O parasito afeta os macrófagos, que são um tipo de células brancas do sangue responsáveis por atacar e matar organismos estranhos ao corpo. Porém, ao ser fagocitado pelo macrófago, o parasito se multiplica continuamente, até que o macrófago se rompe e libera os parasitos no sangue. Eles serão novamente absorvidos por macrófagos e o processo se repetirá.

Durante o seu ciclo de vida, a Leishmania se instala em hospedeiros vertebrados e invertebrados, nos quais se apresenta em formas diferentes, de acordo com seu estágio de reprodução.

Os hospedeiros vertebrados das espécies envolvidas com as manifestações tegumentares são animais silvestres como roedores, gambá, tamanduá, tatu, canídeos, primatas e preguiça, animais domésticos como cães e eqüídeos, e o homem. Já as manifestações viscerais envolvem canídeos silvestres, cães domésticos e o homem.

Os hospedeiros invertebrados, também chamados de vetores, são popularmente conhecidos como mosquito-palha, biriguis e tatuquiras e consistem de várias espécies do gênero Lutozomys, que são pequenos mosquitos, com 1 a 3 mm de comprimento; somente as fêmeas se alimentam de sangue (os machos se alimentam de néctar das plantas).

A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, atinge quase duas mil pessoas por ano no Brasil, sendo 92% dos casos no Nordeste. A doença provoca os sinais clínicos de emagrecimento, alterações dermatológicas como dermatites seborréicas, piodermatites, necrose das pontas das orelhas, úlceras plantares, alopecia generalizada de mucosas, dores na região renal, diarréias ou sinais gastroenterológicos, ceratoconjuntivites, febre, anemia, falta de apetite, aumento do baço, queda de cabelo e sangramento na boca. O parasita causador do calazar é a Leishmania chagasi.

Ciclo de vida da Leishmania chagasi

1- Cão ou raposa naturalmente infectados

2-Ao picar o animal ou o homem infectado, o inseto (mosquito-palha) suga, juntamente com o sangue, o parasito (Leishmania chagasi) que causa a doença

3-4 No intestino do inseto, o parasito se multiplica

5-6 Ao picar o homem ou outro animal sadio, o flebótomo inocula o parasito

7 No homem, no cão ou na raposa, o parasito se multiplica principalmente no baço,
fígado e medula óssea, provocando a doença.

A partir do seqüenciamento do DNA da Leishmania chagasi, pretende-se chegar à descoberta de novas técnicas terapêuticas e de diagnóstico, vacinas e, principalmente, a novas drogas para o cão e para o homem.

O tratamento da leishmaniose varia de acordo com a forma da doença, mas é, na maioria das vezes, longo e árduo. As drogas utilizadas, como Pentostam and Glucantime, causam vários efeitos colaterais.

A partir da pesquisa do Genoma da Leshmania chagasi pode-se chegar a indicações de tratamento, diagnóstico e drogas para quase 99% das doenças transmitidas pelo parasita Leishmania. Além do calazar, existem outras formas de leishmaniose, como a leishmaniose tegumentar ou cutânea, 10 vezes mais comum que o calazar, mas que não chega a matar. A leishmaniose cutânea é causada pela Leishmania braziliensis, e transmitida também pelo Phlebotomus intermedius, conhecido como mosquito-palha. Seus sintomas são feridas com crostas que não cicatrizam. No Brasil as leishmanioses estão presentes na região Norte, Nordeste e Sudeste, e vêm apresentando franca expansão pelo país.

Em todo o mundo, registram-se, por ano, aproximadamente 2 milhões de novos casos de leishmaniose. Esta alta incidência da doença com lesões desfigurantes (tegumentares) e às vezes fatais (viscerais) levaram a Organização Mundial de Saúde a incluí-la entre as seis mais importantes endemias do mundo.

Fonte: biolab.cin.ufpe.br

Leishmaniose

Sob a denominação genérica de leishmaniose, a ciência médica descreve um grupo de doenças infecciosas causadas por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos ao homem por mosquitos do gênero Phlebotomus e que podem afetar as vísceras, as mucosas ou a pele. Distinguem-se, pois, a leishmaniose visceral, a mucocutânea e a cutânea.

Embora a doença seja fácilmente curável quando diagnosticada a tempo , a falta de tratamento pode levar à morte do paciente.

Causas

A leishmaniose se transmite ao ser humano por meio de mosquitos flebótomos infectados, cuja picada produz uma infecção do sangue e dos tecidos pelo parasito Leishmania, do qual existem várias espécies que podem afetar o ser humano:

Leishmania donovani, causa da leishmaniose visceral.

Leishmania tropica, que produz o chamado <<botão do Oriente>> ou leishmaniose cutânea.

Leishmania braziliensis, que causa a leishmaniose mucocutânea.

Sintomas

Também chamada calazar, a leishmaniose visceral afeta fundamentalmente o baço e o fígado e provoca mau funcionamento desses órgãos, com inflamação aguda, anemia, aumento da temperatura corporal e perda de peso. Se a doença evolui, a saúde do afetado se deteriora progressivamente e este pode ter erupções cutâneas e um declínio paulatino das funções renais. O conjunto de distúrbios provocados por esse tipo de leishmaniose pode levar o paciente à morte num período máximo de dois anos, caso não receba tratamento adequado.

As leishmaniose cutânea e mucocutânea apresentam sintomas similares. Tanto uma como outra são menos graves, embora não se possa desprezar sua importância. A principal manifestação de ambas consiste numa erupção na pele, com centro na picada, que aumenta de tamanho e se converte numa úlcera que progressivamente se transforma numa crosta e supura de forma contínua. Essa úlcera representa um perigo latente de nova infecção que produza febre e outros sintomas. A diferença essencial entre as leishmanioses cutâneas é que, como bem indica seu nome, na leishmaniose mucocutânea são afetadas e destruídas as membranas mucosas e estruturas afins.

A leishmaniose visceral ocorre principalmente na Ásia, na África e em algumas áreas da Rússia e da Europa mediterrânea. Também está presente em certas regiões do Chile, do México e nas Antilhas. A leishmaniose cutânea, por sua vez, manifesta-se em certos países da África, como Etiópia e Quênia, e algumas áreas da Ásia, da Europa mediterrânea, no sul da Russia e na bacia amazônica. Por último, as áreas selváticas da península de Yucatán e, em geral, toda a América Central e América do Sul são as áreas onde se apresenta maior incidência da leishmaniose mucocutânea.

Tratamento

O primeiro passo para combater a leishmaniose é evitar que o afetado sofra novas picadas, por isso recomenda-se a hospitalização. Também são de grande importância medidas como o repouso na cama e a correta nutrição dos doentes. Nos casos em há anemia, são muito úteis as transfusões sanguíneas. O tratamento farmacológico, em todos os tipos de leishmaniose, consiste na administração de compostos de antimônio, sempre sob estrito controle médico. Em qualquer dos casos é fundamental que o tratamento seja precoce.

Quando existem complicações bacterianas devem-se administrar antibióticos. Quanto à prevenção, não se conhece nenhuma vacina eficaz contra a leishmaniose, mas a eliminação dos cachorros doentes e as fumigações com pesticidas para combater os mosquitos que atuam como vetores contribuem para evitar a propagação da doença. Se tratada, a leishmaniose costuma ser curável, embora possam ocorrer recaídas contra as quais se deverá prevenido.

A Leishmaniose Tegumentar do Velho Mundo já recebeu inúmeras denominações, como botão-do-oriente, botão-de-delhi, botão-de-bagdá entre outras. Pode ser causada por Leishmania (Leishmania) tropica, L. (L.) major e L. (L.) aethiopica. Com aproximadamente 1,5 milhão de casos novos anuais, é encontrada principalmente no Oriente e suspeita-se que brasileiros que trabalharam naquela região tenham levado à introdução das espécies alopátricas diagnosticadas no Brasil.

A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), por sua vez, é uma doença infecciosa, não contagiosa, que não compromete órgãos internos, apresentando diferentes manifestações clínicas. Pode ser causada por várias espécies do gênero Leishmania, como a Leismania brazileiensis e transmitida por flebótomos diversos. É endêmica no México, em grande parte da América Central e em todos os países sul-americanos, com exceção do Chile. No Brasil, ocorrem cerca de 13.000 casos por ano, procedentes de todos os Estados, principalmente os da região norte, e mais freqüentemente de zonas rurais. Responsável por quase a totalidade dos casos na FMT/IMT-AM (10.000 casos em 11 anos), a Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) será o foco desta revisão.

A Leishmaniose Tegumentar Americana é endêmica na Amazônia desde longa data. Acredita-se mesmo que a sua existência venha desde a época das civilizações antigas. É comumente designada de "ferida brava" e constitui o segundo maior problema parasitária da Amazônia. É uma infecção que tende a ser mais regional e focal, devido estar intimamente relacionada com a quebra do meio ecológico.

Em todos os projetos de assentamento dirigido, implantados pelo governo nas regiões onde existem vetores do parasita, que são conhecidos como "mosquito palha" ou "catuqui" , a protozoose está presente. Normalmente aparecendo em surtos epidêmicos e de difícil controle devido a dificuldades do combate ao transmissor. Existe um número muito grande de espécies de flebotomíneos transmissores de leishmaniose como também grande número de espécies de Leishmaniose, principalmente dependendo da localidade da Amazônia.

Por exemplo: no Estado do Maranhão a espécie predominante é a Leishmania braziliensis, que pode acometer inclusive a mucosa. Já no norte do Estado do Amazonas é comum a leishmaniose causada pela Leishmania guyanensis.

Pelos estudos realizados na região nota-se que praticamente mais da metade da população (51,8%) já teve contato com o parasita (Fonseca et al., 1973). O aparecimento dos focos da doença tende a seguir os núcleos de colonização, as construções das estradas e grupamentos isolados, como a prática da garimpagem.

A leishmaniose é uma zoonose. Portanto, de difícil erradicação, porque apresenta reservatórios disseminados por toda a região, e também por estar seu vetor em toda a Amazônia. O gambá (Didelphys marsupialis) é um dos mais comuns reservatórios do parasita, assim como a preguiça-real (Choteopus didactylus) que é um animal muito comum na Amazônia.

A leishmaniose cutânea-mucosa é o tipo mais preocupante, uma vez que causa lesão deformante no hospedeiro. Atualmente o número de casos tem apresentado um considerável aumento da prevalência. Isolaram-se recentemente parasitas da mucosa de pacientes portadores de lesão muco-cutânea causadas por Leishmania guyanensis, do que não se tinha conhecimento até o ano passado (Naiff et al., 1988).

Quanto à leishmaniose visceral (Kalazar), ela é pouco frequente e alguns casos esporádicos têm sido verificados na zona rural da Amazônia.

Não existindo vacina preventiva para a leishmaniose, a profilaxia está única e exclusivamente ligada à prevenção do contato com o transmissor. A quase totalidade dos casos pode ser tratada com drogas disponíveis no mercado. No entanto, há relatos de parasitas resistentes às drogas convencionais, o que poderá ser problema sério para o futuro.

Leishmania sp.

As Leishmanias são causadoras de um espectro de doenças cutâneas e viscerais, transmitidas por pernilongos. No Brasil, a Leishmaniose ocorre comumente no Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Há mais de 12 milhões de infectados em todo o mundo.

Devido ao grande número de espécies, as Leishmania foram dividas em complexos que agrupam várias espécies; no Brasil, dois complexos importantes são: Leishmania donovanii (L. chagasi) e L. brasiliensis. O primeiro, relacionado com a leishmaniose visceral ou calazar e o segundo, relacionado com a leishmaniose tegumentar.

A fêmea do mosquito do gênero Lutzomya (1) é o hospedeiro invertebrado. Durante a hematofagia no homem, no cão ou no cavalo, as amastigotas (2) (4 mm) são sugadas e deslocam-se para o intestino do mosquito, transformando-se em promastigotas (3) (14 a 20 mm); posteriormente, esses invadem as porções anteriores do estômago e do proventrículo, sendo depois inoculados pelo mosquito em um hospedeiro vertebrado; os promastigotas, no homem, são fagocitados por macrófagos teciduais e transformam-se em amastigotas, fazendo ciclos de multiplicação no hospedeiro vertebrado. O tempo entre a inoculação e o nódulo inicial de multiplicação é de 3 a 4 dias; os sinais do Calazar (leishmaniose visceral) aparecem em 4 a 6 meses e nas formas cutâneas ulcerosas em 3 a 4 semanas.

Na infecção, ocorrem hiperplasia e hipertrofia de macrófagos, infiltração de linfócitos e plasmócitos; nas formas cutâneas (Leishmaniose cutânea, muco-cutânea, cutâneo-difusa), ocorre úlcera, necrose e paraceratose; nas formas viscerais (Calazar) ocorre febre intermitente, adenites, esplenomegalia, fibrose das cápsulas hepática e esplênica, infarto, anemia, úlceras nas mucosas digestivas. O diagnóstico laboratorial é feito por isolamento em culturas, biópsia hepática e esplênica e provas imunológicas (intradermorreação- prova de Montenegro, imunofluorescência e hemoaglutinação).

A doença pode ser controlada pelo combate aos flebotomíneos, eliminação dos cães e hospedeiros selvagens infectados e tratamento dos doentes.

Gênero Leishmania

Protozoário da classe Mastigophora que é transmitido para o vertebrado pela picada de um inseto vetor.

Há duas espécies de importância: Leishmania donovani (agente da Leishmaniose visceral) e Leishmania braziliensis. (Agente da Leishmaniose cutânea)

Espécies

I- Leishmania donovani

Causa no homem uma doença chamada leishmaniose visceral ou calazar.

Hospedeiro definitivo: homem e cães

Vetores: Mosquito palha, inseto pertencente aos gêneros Phlebotomum e Lutzomya

Local: Os protozoários se multiplicam no interior de macrófagos, que acabam sendo destruídos, causando a liberação dos parasitas, que acabam por invadir macrófagos vizinhos.

Características morfológicas

Estruturas arredondadas pequenas e aglomeradas
Núcleo central
Ausência de flagelo
Encontrada nos vertebrados
Encontrada no inseto vetor
Corpo alongado
Flagelo livre na extremidade anterior do corpo

Ciclo biológico

Na picada o vetor se infecta com a forma amastigota e essas se transformam em promastigotas, que ao se multiplicarem podem até obstruir o canal alimentar do inseto. Esse ao inocular saliva no hospedeiro definitivo manda aquele "bolo" de formas promastigotas que penetram nas células retículo endoteliais e se transformam em amastigotas, que se multiplicam e ganham a corrente sangüínea e vão ao baço ou fígado.

Importância em Medicina Veterinária

Provoca uma doença chamada leishmaniose visceral ou calazar, onde as formas promastigotas se proliferam nos macrófagos e os destroem. Em casos avançados pode atingir o tubo digestivo causando diarréia, abdome distendido e a mortalidade alcança 70 a 90% nos casos não tratados. É uma zoonose e os cães são excelente reservatório de Leishmania para o homem. Há uma teoria de que os cães não gastam as unhas pelo fato de estar fraco.

Profilaxia

A L. donovani é um parasito exclusivo do Sistema Fagocitário Mononuclear (antigo Sist. Ret. Endotelial), principalmente das células localizadas no baço, fígado e medula óssea. No citoplasma das células os parasitas multiplicam-se, distendendo as células até sua ruptura. Os parasitas liberados são fagocitados por novas células reticulares e este ciclo continua indefinidamente.

Conseqüências: Aumento dos órgão ricos em células do SFM (hepato e esplenomegalia). A medula óssea sofre atrofia uma vez que as células reticulares aí situadas são desviadas , pelo parasitismo , para a função macrofágica.. Quadro hematológico com pancitopenia, mais especialmente leucopenia e anemia por tendência hemorrágica devido a baixa de plaquetas.

Patogenia

A infecção estabelece-se pela inoculação de promastigotas através da picada de flebotomíneos. Os parasitas ficam incubados (em média de 2 semanas a 2 meses)nas células histiocitárias da pele onde se multiplicam, sob a forma de amastigotas., aparece então a lesão inicial.

Ciclo biológico

Na picada o vetor se infecta com a forma amastigota e essas se transformam em promastigotas, que ao se multiplicarem podem até obstruir o canal alimentar do inseto. Esse ao inocular saliva no HD manda aquele “bolo” de formas promastigotas que penetram nas céls retículo endoteliais e se transformam em amastigotas, que se multiplicam e ficam ali mesmo na pele do hospedeiro.

Importância em Medicina Veterinária:

Leva a sérias lesões cutâneas, principalmente no focinhos dos cães e na região nasal dos homens, podendo invadir as mucosas produzindo erosão nos tecidos cartilaginosos. É a chamada leishmaniose cutânea ou úlcera de Bauru. Também é uma zoonose e os cães são um ótimo reservatório para o homem.

Profilaxia

Eliminar cães infectados e combater os vetores. Se prevenir contra insetos principalmente nos bosques úmidos.

Essas duas leishmaniose tem como vetor o mosquito palha, inseto pertencente aos gêneros Phlebotomus e Lutzomia .

Fonte: www.vestibular1.com.br

Leishmaniose

A Leishmaniose Visceral é uma zoonose que tem merecido cada dia mais atenção.

Ela pode afetar o homem e também animais, como o cachorro.

Trata-se de uma doença crônica que pode evoluir e levar à morte. É a forma mais grave das Leishmanioses. Além de ser de difícil controle, já deixou de ser uma doença da área rural e vem se expandindo rapidamente para os centros urbanos.

A Leishmaniose Visceral é uma doença provocada por um protozoário flagelado, do gênero Leishmania, e pode acometer: o homem e animais vertebrados, mamíferos, a exemplo de: animais silvestres (como o gambá e a raposa) e principalmente os cães.

A Leishmaniose é transmitida pela picada de um vetor fêmea da espécie lutsomiia longipalpis, e é conhecida por mosquito palha ou birigüi.

Este inseto costuma picar do final da tarde até a madrugada. E tem o hábito de viver no peri-domicílio, ou seja, vive mais em volta da casa. Somente a fêmea do mosquito pica, pois precisa se alimentar de sangue para o desenvolvimento dos ovos.

Tanto no organismo do homem, quanto do animal, uma vez infectado, o que acontece é que o protozoário penetra numa célula, cria mecanismos de sobrevivência e começa a se multiplicar.

Vale reforçar: NÃO OCORRE A TRANSMISSÃO DA DOENÇA

De uma pessoa para outra

De um animal para uma pessoa

Nem diretamente entre animais

Quando da ocorrência de um caso de Leishmaniose Visceral é preciso informar, de imediato, ao órgão público de saúde.

E como a Leishmaniose Visceral envolve três elementos:

INSETO
CÃO
HOMEM

O combate à doença deve necessariamente contemplar a adoção de medidas preventivas e cuidados para cada parte envolvida nesse processo.

Uma vez infectado, o cão torna-se um importante reservatório da doença e assim pode ser fonte para novas contaminações.

Não há uma regra rígida que determine o tempo de incubação. Ou seja, quanto tempo depois de infectado que a doença se manifesta.

No HOMEM, em média, pode levar de 2 a 4 meses. Ainda que possa variar de 10 dias a 2 anos.

E no CACHORRO, este período costuma variar de 3 a 7, 10 meses, mas a doença pode levar até anos para se manifestar.

SINTOMAS NO HOMEM

Alguns outros sintomas que podem ocorrer na pessoa com Leishmaniose Visceral:

Tosse seca
Emagrecimento
Diarréia
Sangramento na boca e no intestino (em casos mais graves)

DIAGNÓSTICO NO HOMEM

O diagnóstico, quanto mais precoce, melhor. Em geral, o diagnóstico clínico, deve ser confirmado por exames laboratoriais.

TRATAMENTO NO HOMEM

O tratamento no Brasil é usando os antimoniais, que têm que ser administrados com cuidado.

De um modo geral eles são administrados com o paciente internado - se ele tiver reação a esse medicamento, se não tiver, ele pode ser feito no ambulatório, mas com supervisão dentro do hospital para se houver qualquer alteração, poder se tomar providências urgentes.

Mas, se por um lado, uma pessoa com Leishmaniose Visceral pode ser tratada e curada; o mesmo não ocorre com os animais.

SINTOMAS NO ANIMAL

Fraqueza
Queda de pêlos
Vômitos
Diarréias
Sinais na pele (principalmente na região das orelhas e face)
Crescimento das unhas
Cães tristonhos e com musculatura diminuída
Emagrecimento

Buscar um profissional adequado é muito importante. Embora pareça sadio, o seu cão pode estar doente.

O médico veterinário é capaz de avaliar o caso, e fazer os exames necessários para o diagnóstico da Leishmaniose Visceral Canina.

DIAGNÓSTICO NO ANIMAL

O diagnóstico da doença é feito por exames sorológicos e pesquisas do parasita na pele ou na medula óssea.

Diagnosticada a doença, ao contrário do que ocorre no caso humano em que o tratamento pode curar, no caso do animal, há ainda uma longa trajetória...

de acordo com a recomendação do serviço público, assim que seja identificado que ele esteja contaminado se recomenda que seja sacrificado.

Mas muitas discussões e pesquisas têm sido realizadas na busca de melhorar a assistência ao cão... e ao combate da Leishmaniose Visceral Canina

Algumas medidas de proteção individual podem ser adotadas:

Uso de mosquiteiro na hora de dormir
Adoção de coleira repelente para o cão e cuidados de higiene com o animal e com o ambiente em que ele vive
Mantenha a casa e o quintal limpos
Embale o lixo corretamente
Evite deixar restos de madeira e folhas que podem acumular umidade e favorecer a criação do inseto
Não deixe juntar lixo em terreno baldio perto de sua casa

O combate à Leishmaniose Visceral, que pode atingir o homem e o cão, requer o empenho de todos.

E é fundamental que tenhamos consciência da posse responsável: não podemos abandonar animais na rua.

De nossa atitude depende a saúde e a qualidade de vida do animal.

Fonte: www.saudebrasilnet.com.br

Leishmaniose

Leishmaniose Tegumentar ou Ùlcera-de-bauru

É uma doença infecciosa causada por um protozoário, a Leishmania braziliensis, transmitida pela picada das fêmeas de mosquitos flebotomídeos, principalmente do gênero Lutzomya, conhecidas popularmente como "birigüi", "mosquito-palha", "corcudinha", etc.

Geralmente, a doença não leva o paciente à morte, mas causa lesões cutâneas e nasofaríngeas deformantes e dolorosas, dificultando a própria alimentação e diminuindo a capacidade para o trabalho.

É primariamente uma zoonose, própria de roedores silvestres, podendo ser transmitida ao homem, hospedeiro acidental.

Ciclo Evolutivo

A Leishmania braziliensis apresenta-se sob forma aflagelada (leishmânia ou amastigota) nos tecidos parasitados do homem e dos demais mamíferos susceptíveis ou na forma flagelada (leptômona ou promastigota) no tubo digestivo do inseto vetor.

A fêmea do mosquito transmissor adquire o parasita causador da doença ao sugar o sangue do doente ou de mamíferos portadores. Ingere as formas amastigotas (leishmânias) que, dentro do seu intestino, transformam-se em promastigotas (leptômonas) e se reproduzem intensamente por cissiparidade.

Posteriormente, as formas promastigotas invadem as glândulas salivares e são inoculadas no homem ou em outro mamífero hospedeiro, juntamente com a saliva, no momento da sucção do sangue pelo inseto vetor.

Nos tecidos dos animais assim infectados, transformam-se novamente em amastigotas (leishmânias), onde exercem seu parasitismo e reprodução.

Sintoms

Os primeiros sintomas surgem após um período que varia de 10 dias a 3 meses.

A penetração dos parasitas determina uma lesão cutânea na região da picada, que se caracteriza por uma ferida de aspecto pápulo-eritematoso ou furunculóide ou pápulo-ulcerado, que fecha muito vagarosamente.

Podem aparecer dezenas de feridas que deixam cicatrizes muito marcantes no rosto, braços e pernas.

Depois de anos, se não tratada a doença, há comprometimento da mucosa oronasal e faringeana, e o nariz e a boca podem ficar desfigurados ou destruídos. A deformação do nariz origina o que é conhecido como "nariz-de-tapir" ou "focinho-de-anta".

Profilaxia e Tratamento

No combate à leishmaniose tegumentar ou "úlcera-de-bauru", recomenda-se o uso de telagem nas habitações, mosquiteiros e repelentes que afastam os mosquitos; construção de casas longe das orlas das matas, pois o vôo dos mosquitos tem curto alcance; uso de inseticidas para exterminar os vetores; os animais doentes ou suspeitos devem ser levados a um centro de controle de zoonoses ou, em última condição, eliminados. As tentativas para obter-se imunidade duradoura pela vacinação preventiva são promissoras.

O tratamento é feito com tártaro emético e antimoniato de N-metilglucamina (menos tóxico e mais ativo), por via intramuscular ou endovenosa. Para um tratamento eficiente, é sempre recomendável procurar os centros médicos, o mais cedo possível.

Leishmaniose Visceral ou Calazar ou Febre Dum-Dum

O que é Leishmaniose Visceral?

É uma protozzose pela Leishmaniose donovani, que é transmitida pelos mesmos mosquitos vetores da leishmaniose tegumentar, ou seja, do gênero Lutzomya (antigamente, Phlebotomus).

Provoca febre, ascite (barriga d'água), hepatomegalia (grande fígado), esplenomegalia (aumento do baço), emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias.

É muito mais grave que a leishmaniose tegumentar, mas felizmente é muito mais rara, na proporção de 1 para 20 casos notificados em nosso país. As medidas profiláticas são as mesmas da leishmaniose tegumentar.

Fonte: www.ludusportal.com.br

Leishmaniose

Calazar ou Febre Dum-Dum

É uma protozzose pela Leishmaniose donovani, que é transmitida pelos mesmos mosquitos vetores da leishmaniose tegumentar, ou seja, do gênero Lutzomya (antigamente, Phlebotomus).

Provoca febre, ascite (barriga d'água), hepatomegalia (grande fígado), esplenomegalia (aumento do baço), emagrecimento, complicações cardíacas e circulatórias.

É muito mais grave que a leishmaniose tegumentar, mais felizmente é muito mais rara, na proporção de 1 para 20 casos notificados em nosso país.

As medidas profiláticas são as mesmas da leishmaniose tegumentar.

Fonte: geocities.com

Leishmaniose

A leishmaniose é uma doença provocada por um protozoário (Leishmania spp), o qual é transmitido através da picada de um mosquito (Lutzomyia spp).

Dependendo da espécie envolvida, provoca dois quadros distintos: a leishmaniose tegumentar (leishmaniose tegumentar americana, úlcera de Bauru, nariz de tapir, botão do oriente, ferida brava) e a leishmaniose visceral (leishmaniose visceral americana, calazar, esplenomegalia tropical, febre Dundun).

A doença originariamente estava restritra ao ambiente silvestre ou em pequenas localidades rurais. Todavia, as transformações ocorridas no meio ambiente, como desmatamento, expansão das áreas urbanas e condições precárias de habitação e saneamento, estão causando uma incidência crescente desta enfermidade em centros urbanos de médio porte, em área domiciliar ou peri-domiciliar. É um crescente problema de saúde pública no país e em outras áreas do continente americano, sendo uma endemia em franca expansão geográfica.

Em 1993, a Organização Mundial da Saúde definiu a leishmaniose como a segunda doença causada por protozoário de importância em saúde pública, superada apenas pela malária.

No Brasil, no perído de 1987 a 1996, foram notificados cerca 280 mil casos da forma tegumentar da doença. A forma visceral está mais concentrada no Nordeste brasileiro (92% dos casos), mas ocorre em quase todo território nacional.

No Estado de São Paulo, a forma visceral era conhecida apenas através de casos importados, aqui diagnosticados. Porém, em 1998, no município de Araçatuba, região oeste do Estado, foram detectados cães com suspeita da doença. Este fato, associado à presença do inseto transmissor no município (detectada em 1997), desencadeou uma investigação epidemiológica que levou à confirmação dos casos autóctones da doença na área urbana de Araçatuba e, posteriormente, também em outros municípios. Até o momento a enzootia canina já foi registrada em 23 municípios da região.

Etiologia

Existem quatro espécies causadoras da doença: Leishmania chagasi, Leishmania braziliensis, Leishmania amazonensis e Leishmania guyanensis.

A L. chagasi é o agente causador da forma visceral da leishmaniose e as demais provocam a forma tegumentar.

A L. chagasi e a L. braziliensis ocorrem em todo território, mas as demais estão restritas à região amazônica.

Epidemiologia

Fonte de infecção: Na forma visceral, os principais reservatórios são o cão e a raposa. Na forma tegumentar, além desses animais, podem ser reservatórios diversas espécies de mamíferos, como roedores, eqüideos, marsupiais, preguiças e tamanduás.

Via de eliminação: sangue.

Via de transmissão: indireta, através da picada do inseto (vetor) Lutzomyia spp, popularmente conhecido por mosquito palha, birigui ou cangalhinha. É um flebotomídeo pequeno, coberto de pêlos e de coloração clara (cor de palha ou castanho claro).

A forma visceral é transmitida pela Lutzomyia longipalpis (há relatos também no Brasil da Lu. cruzi). Já a forma tegumentar é transmitida por diversas espécies, tal como Lu. flaviscutellata, Lu. reducta, Lu. olmeca, Lu. anduzei, Lu. whitmani, Lu. umbratilis, Lu. intermedia e Lu. migonei.

O vetor vive, preferencialmente, ao nível do solo, próximos a vegetação em raízes e/ou troncos de árvores, podendo ser encontrados em tocas de animais. Gostam de lugares com pouca luz, úmidos, sem vento e que tenham alimento por perto. Para seu desenvolvimento requerem temperaturas entre 20 e 30ºC, umidade superiores a 80% e matéria orgânica.

Ambos os sexos necessitam de carboidratos, que são extraídos da seiva de plantas como fonte energética. As fêmeas, entretanto, precisam ingerir sangue para o desenvolvimento dos ovos. Elas costumam picar a partir do por do sol até a madrugada.

A longevidade do inseto é de 20 dias e o tempo do desenvolvimento do ovo ao adulto é de aproximadamente 30 dias, a temperaturas médias de 20ºC

Porta de entrada: pele.

Susceptíveis: homem, cão e outros mamíferos. Não ocorre transmissão direta de humano para humano. A principal transmissão se faz a partir dos reservatórios animais, enquanto persistir o parasitismo na pele ou no sangue circulante.

Patogenia

O período de incubação é de 2 a 4 meses, mas pode variar muito (10 dias a 24 meses).

Na forma visceral, as manifestações clínicas refletem o equilíbrio entre a multiplicação dos parasitos nas células do sistema fagocítico-mononuclear, a resposta imunitária do indivíduo e as alterações degenerativas resultantes desse processo. As células parasitadas mostram forte tendência a invadir baço, fígado e medula óssea.

Na forma tegumentar, há o aparecimento de pequena lesão eritemato-papulosa no local da picada do vetor, onde há multiplicação do protozoário.

Posteriormente há formação de um nódulo que dá origem a uma úlcera, formando a úlcera leishmaniótica clássica, de formato arrendondado, com bordas elevadas e infiltradas. A lesão inicial pode ser única ou múltipla, dependendo do número de picadas infectantes.

Sintomas

Forma visceral

Muitas vezes, o agente provoca um quadro assintomático, ou com sintomatologia bastante inespecífica, como febre, anemia, emagrecimento e prostração. Em cães pode haver eriçamento e queda de pêlos e ulcerações rasas em orelhas, articulações, focinho, e cauda. Com o agravamento do quadro surge o aumento dos linfonodos, onicogrifose (unhas crescidas), ceratoconjuntivite, coriza, diarréia, hemorragia intestinal, vômitos e edema das patas. Na fase terminal o cão apresenta-se com caquexia podendo ocorrer a paresia das patas posteriores.

No homem, pode ocorrer a forma aguda disentérica, caracterizada por febre alta, tosse e diarréia acentuada. Podem haver alterações hematológicas e hepatoesplenomegalia discreta, podendo o fígado estar normal e o baço não ultrapassar 5 cm. Geralmente, tem menos de 2 meses de história. Na forma clássica , ocorre hepatoesplenomegalia, sintomas gastrointestinais, sonolência, mal estar, progressivo emagrecimento, anemia e manifestações hemorrágicas. Estes casos geralmente não respondem prontamente ao tratamento habitual e o óbito é freqüente como conseqüência de complicações.

Forma tegumentar

As lesões de pele podem caracterizar a forma localizada (única ou múltipla), a forma disseminada (lesões muito numerosas em várias áreas do corpo) e a forma difusa. Na maioria das vezes a doença apresenta-se como uma lesão ulcerada única. Nas formas localizada e disseminada, a lesão ulcerada franca é a mais comum e se caracteriza por úlcera com bordas elevadas, em moldura. As formas localizada e disseminada costumam responder bem à terapêutica tradicional. Na forma difusa, rara, as lesões são papulosas ou nodulares, deformantes e muito graves. Evolui mal por não responder adequadamente à terapêutica.

Podem ocorrer lesões mucosas, na maioria das vezes secundária às lesões cutâneas, surgindo geralmente meses ou anos após a resolução das lesões de pele. Às vezes, porém, não se identifica a porta de entrada supondo-se que as lesões sejam originadas de infecção subclínica. São mais freqüentemente acometidas as cavidades nasais, seguidas da faringe, laringe e cavidade oral.

Diagnóstico

1) Sintomas e evidências epidemiológicas
2) Diagnóstico Laboratorial

Direto

Exame direto de biópsia de baço, aspirado de medula, sangue (forma visceral), raspado da lesão, biópsia da lesão (forma tegumentar).
Cultura de tecidos.

Indireto

Pesquisa de anticorpos (ELISA e Imunoflorescência Indireta)
Reação intradérmica de Montenegro (forma tegumentar apenas)

Tratamento

Drogas utilizadas: antimoniais pentavalentes (Glucantime), Anfotericina B.

No cão, as tentativas de tratamento fracassam, ou então, há apenas melhora do estado geral e dos sintomas, mas o parasitismo permanece, continuando o animal a ser uma fonte de infecção. Além disso, o tratamento de cães pode induzir resistência dos parasitas. Portanto, os medicamentos utilizados para tratamento humano não devem ser usados no tratamento canino, a fim de evitar o desenvolvimento de cepas resistentes, o que dificultaria ainda mais o tratamento da doença no homem.

Controle

FORMA VISCERAL

1) Eliminação dos reservatórios

A eliminação dos cães errantes e domésticos infectados é uma importante medida de prevenção da leishmaniose visceral. Os cães domésticos têm sido eliminados após o diagnóstico em larga escala, nas áreas endêmicas, através de técnicas sorológicas (ELISA e Imunofluorescência). Essa media, porém, vem sendo revista e atualmente preconiza-se o sacrifício apenas dos animais doentes.

Coleta de material de cães para envio ao Instituto Adolfo Lutz (IAL) para realizar sorologia: através de punção da ponta da orelha com lanceta, impregna-se papel filtro padronizado, com amostra de sangue de no mínimo 3 cm de diâmetro, distribuído uniformemente frente e verso. Enviar à temperatura ambiente no prazo de 1 semana ou refrigerado no prazo de 1 mês. Essa técnica vem sendo abandonada, sendo substituída pela sorologia convencional, a partir de soro extraído do sangue.

2) Luta antivetorial

A borrifação com inseticidas químicos deverá ser efetuada em todas as casas com casos humanos ou caninos autóctones. A periodicidade recomendada para aplicação do inseticida é de 6 em 6 meses, por um período mínimo de 2 anos. Tem-se observado, em algumas áreas, que se diminui a densidade de flebótomos como um efeito lateral da luta contra os insetos transmissores da malária.

3) Tratamento de humanos

O tratamento se constitui em um fator importante na queda da letalidade da doença e, conseqüentemente, é um importante item na luta contra este tipo de leishmaniose. Secundariamente, pode haver também um efeito controlador de possíveis fontes humanas de infecção.

4) Educação em Saúde

De acordo com o conhecimento dos aspectos culturais, sociais, educacionais, das condições econômicas e da percepção de saúde de cada comunidade, ações educativas devem ser desenvolvidas no sentido de que as comunidades atingidas aprendam a se proteger e participem ativamente das ações de controle do Calazar.

FORMA TEGUMENTAR

Pelo fato de ser uma zoonose primitiva das florestas, a leishmaniose visceral resiste a qualquer medida preventiva aplicável as doenças transmitidas por vetores. Na maior parte das áreas endêmicas, onde se observa o padrão clássico de transmissão, quase nada pode ser feito no momento em relação a profilaxia da doença, dada a impossibilidade de se atuar sobre a fonte de infecção silvestre.

Portanto, algumas medidas devem ser adotadas, tais como:

1) Medidas clínicas, diagnóstico precoce e tratamento

Toda a pessoa que apresentar ferida de difícil cicatrização deverá procurar o Centro de Saúde ou Unidade Básica de Saúde, para a realização do exame específico e, se for o caso, iniciar o tratamento;

2) Medidas de proteção individual

São meios mecânicos através do uso de mosquiteiros simples, telas finas em portas e janelas, uso de repelentes e evitar a freqüência em horário noturno, a partir das 20:00 horas; meios mecânicos através do uso de mosquiteiros simples ou impregnados com inseticida específico (em fase de experiência), telas finas em portas e janelas, uso de repelentes, uso de camisas de manga comprida, calças compridas, meias e sapatos (de difícil adoção nas regiões de clima quente e úmido). Em áreas de risco, para assentamento de populações humanas, tem sido sugerida uma faixa de segurança de 200 a 300 metros entre as residências e a floresta. Entretanto, uma faixa dessa natureza teria que ser muito bem planejada para evitar erosão e outros problemas decorrentes do desequilíbrio ambiental, no caso de desmatamento.

3) Medidas educativas

As atividades de educação em saúde devem estar inseridas em todos os serviços que desenvolvem as ações de controle de leishmaniose tegumentar, requerendo o envolvimento efetivo das equipes multiprofissionais e multiinstitucionais com vistas ao trabalho articulado nas diferentes unidades de prestação de serviço.

4) Medidas de combate ao vetor (controle químico)

As medidas de controle químico com inseticidas de ação residual só serão empregadas quando for constatada que a transmissão se deu no ambiente domiciliar e tenha sido detectado 2 ou mais casos na área de foco, no período de 6 meses, da notificação do primeiro caso. Para tanto são utilizados inseticidas da classe dos piretróides (deltametrina).

Fonte: www.technovet.com.br

Leishmaniose

Medidas de Controle da Leishmaniose Tegumentar

Medidas de Atuação na Cadeia de Transmissão: em virtude das características epidemiológicas peculiares da LTA, as estratégias de controle devem ser flexíveis e distintas, adequadas a cada região ou foco particular. A diversidade de agentes, de reservatórios, de vetores, de situações epidemiológicas, aliada ao conhecimento ainda insuficiente sobre vários desses aspectos, evidencia a complexidade do controle.

Para a seleção de estratégias adequadas a cada região geográfica deverá ser considerada a análise epidemiológica dos dados referentes a:

Notificação dos casos humanos quanto à forma clínica, sexo, idade, ocupação e procedência ;
Estudos entomológicos para definir as espécies vetoras, sua dispersão, graus de antropofilia e exofilia, infecção natural;
Estudos parasitológicos para definir a espécie do agente etiológico circulante no foco; e
Estudos ecológicos para determinação dos reservatórios animais envolvidos.

As ações resultantes dessa análise têm como objetivo:

diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos humanos cuja competência é da rede básica de saúde, através do atendimento à demanda passiva, notificações e busca ativa em áreas de maior morbidade ou onde o acesso da população à rede é dificultado por diversos fatores; e

redução do contato homem-vetor através de aplicação do inseticida, medidas de proteção individual e controle de reservatórios.

Aplicação do Inseticida

O emprego de inseticidas contra os flebótomos é praticável em situações de transmissão peridomiciliar, domiciliar caracterizada por notificação de 1 ou mais casos autóctones em crianças menores de 4 anos residentes em áreas urbanas e periurbanas e em certas áreas rurais onde haja concentração populacional exposta. Nas áreas florestais este método é impraticável. A formulação do inseticida a ser utilizada e a época mais adequada para sua aplicação deverão ser orientadas pelos estudos entomológicos, considerando, ainda, fatores biológicos, ambientais e climáticos.

Medidas de Proteção Individual

Meios mecânicos através do uso de mosquiteiros simples ou impregnados com inseticida específico (em fase de experiência), telas finas em portas e janelas, uso de repelentes, uso de camisas de manga comprida, calças compridas, meias e sapatos (de difícil adoção nas regiões de clima quente e úmido). Em áreas de risco, para assentamento de populações humanas, tem sido sugerida uma faixa de segurança de 200 a 300 metros entre as residências e a floresta. Entretanto, uma faixa dessa natureza teria que ser muito bem planejada para evitar erosão e outros problemas decorrentes do desequilíbrio ambiental, no caso de desmatamento.

Controle de Reservatórios

Há necessidade de realização de estudos para melhor evidenciação dos papéis dos reservatórios no ambiente peri e intra domiciliar. A identificação dos prováveis reservatórios, quando domésticos (cães e eqüinos), é necessária para sua eliminação ou manutenção dos mesmos em lugares limpos e afastados das habitações humanas. Não se orienta o combate aos reservatórios silvestres conhecidos.

Medidas Educativas

As atividades de educação em saúde devem estar inseridas em todos os serviços que desenvolvem as ações de controle da LTA, requerendo o envolvimento efetivo das equipes multiprofissionais e multi-institucionais com vistas ao trabalho articulado nas diferentes unidades de prestação de serviços.

Medidas Administrativas

As ações de controle da Leishmaniose Tegumentar devem ser alvo de uma programação contínua que tenha como objetivo:

O diagnóstico do doente, através do atendimento de demanda, fornecimento de insumos para diagnóstico complementar, investigação de focos e recebimento de notificações;
Orientação terapêutica padronizada, com o fornecimento de medicação e acompanhamento do doente, e
A investigação epidemiológica dos focos e adoção de medidas profiláticas pertinentes.

No momento atual, o gerenciamento das atividades de controle da LTA mencionadas deve considerar:

Definição de responsabilidade das instituições de saúde nos diferentes níveis

As ações de controle dirigidas ao doente são desenvolvidas pela rede básica de saúde do SUS, que deve ir incorporando, progressivamente, as atividades relacionadas a vetores, reservatórios e busca ativa de casos. A Coordenação Nacional de Dermatologia Sanitária é responsável pela coordenação das ações do Programa de Controle da Leishmaniose Tegumentar, tendo em vista que as principais atividades são diagnóstico, tratamento, vigilância epidemiológica e promoção em saúde. Como o controle da doença envolve outras áreas afins, realiza-se uma articulação com a Coordenação de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores, Coordenação Nacional de Controle de Zoonoses e Acidentes por Animais Peçonhentos na implementação das ações do Programa.

A Fundação Nacional de Saúde - FNS vem-se responsabilizando por todas as atividades de vigilância epidemiológica não só de leishmaniose visceral, como também da leishmaniose tegumentar, em todos os níveis. Entretanto, o processo de descentralização, em andamento no Sistema Único de Saúde (SUS), impõe a revisão das atribuições de cada instituição, com vistas a uma atuação conjunta e hierarquizada. As Secretarias de Saúde Estaduais e Municipais devem assumir suas funções de vigilância epidemiológica dos agravos prevalentes, assim como coordenar, planejar e programar as ações de assistência aos portadores de leishmanioses.

Insumos

A aquisição e distribuição de insumos diagnósticos e terapêuticos devem ser descentralizadas para estados e municípios de acordo com as novas diretrizes do SUS.

Vacina

Com relação à utilização da vacina para LTA, quer para imunoprofilaxia, quer para imunoterapia, em virtude dos resultados apresentados até o momento não serem conclusivos, sua utilização no território nacional fica condicionada à demonstração da eficácia pelas pesquisas em andamento

LEISHMANIOSE VISCERAL

Medidas de Controle

As medidas de controle da leishmaniose visceral visam a eliminação dos cães infectados, a redução da população de flebótomos, diagnóstico e tratamento precoce dos casos, objetivando diminuir a letalidade da doença, e educação em saúde.

Eliminação dos reservatórios

A eliminação dos cães errantes e domésticos infectados é uma importante medida de prevenção da leishmaniose visceral. Os cães domésticos têm sido eliminados após o diagnóstico em larga escala, nas áreas endêmicas, através de técnicas sorológicas (ELISA e Imunofluorescência). Os errantes e aqueles clinicamente suspeitos podem ser eliminados sem realização prévia de sorologia.

Luta antivetorial

A borrifação com inseticidas químicos deverá ser efetuada em todas as casas com casos humanos ou caninos autóctones. A periodicidade recomendada para aplicação do inseticida é de 6 em 6 meses, por um período mínimo de 2 anos. Tem-se observado, em algumas áreas, que se diminui a densidade de flebótomos como um efeito lateral da luta contra os insetos transmissores da malária.

Tratamento

O tratamento se constitui em um fator importante na queda da letalidade da doença e, conseqüentemente, é um importante item na luta contra este tipo de leishmaniose. Secundariamente, pode haver também um efeito controlador de possíveis fontes humanas de infecção.

Educação em Saúde

De acordo com o conhecimento dos aspectos culturais, sociais, educacionais, das condições econômicas e da percepção de saúde de cada comunidade, ações educativas devem ser desenvolvidas no sentido de que as comunidades atingidas aprendam a se proteger e participem ativamente das ações de controle do Calazar.

Fonte: saude.gov.br

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