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Leptospirose

É uma doença infecto-contagiosa de ocorrência mundial, causada por uma bactéria chamada Leptospira.

Existem na natureza mais de 100 tipos dessa bactéria, sendo que alguns tipos são benignos, mas outros podem produzir doenças mais graves aos animais e ao homem.

Os principais focos de infecção são os ratos e camundongos que, através de sua urina infectada, contaminam a água, o solo e os alimentos.

A transmissão desse microorganismo pode ocorrer através da penetração da bactéria pela pele lesada, mucosas, ou pela ingestão e contato com a água e alimentos contaminados. Os cães e animais silvestres também podem contrair a doença, com sérios riscos de transmiti-la a outros animais e ao homem. Os gatos muito raramente são acometidos.

O período de incubação (que vai da entrada da bactéria até o início dos sintomas) pode variar de 7 a 15 dias.

Os principais sintomas nos animais são: febre alta, falta de apetite, vômitos, diarréia (muitas vezes com sangue) e icterícia (amarelamento - foto).

No homem, os principais sintomas são: febre alta, mal estar, dores de cabeça, dores musculares, calafrios, náuseas e urina escura. Na maioria dos casos, os principais órgãos atingidos são o fígado e os rins, causando sérios danos aos mesmos e podendo levar até à morte.

As melhores formas de prevenção contra a leptospirose consistem em:

1 - vacinar anualmente os animais susceptíveis à doença, e semestralmente os animais que vivem nas áreas de maior risco.

2 - evitar a ingestão e o contato com água contaminada, águas paradas de enchentes, terrenos encharcados, lagoas, córregos e alimentos contaminados por essas águas.

3 - evitar o contato com a urina de animais contaminados.

4 - evitar a presença de roedores no convívio humano e no ambiente dos animais.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, através de exames laboratoriais ou sinais clínicos, maiores serão as chances de cura.

Fonte: www.aunimal.hpg.ig.com.br

Leptospirose

O que é?

É uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Leptospira presente na urina de ratos e outros animais, transmitida ao homem principalmente nas enchentes. Bovinos, suínos e cães também podem adoecer e transmitir a leptospirose ao homem.

Quais os sintomas?

Os mais freqüentes são parecidos com os de outras doenças, como a gripe e a dengue.

Os principais são: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas (batata-da-perna), podendo também ocorrer vômitos, diarréia e tosse.

Nas formas mais graves geralmente aparece icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos) e há a necessidade de cuidados especiais em caráter de internação hospitalar. O doente pode apresentar também hemorragias, meningite, insuficiência renal, hepática e respiratória, que podem levar à morte.

Como se transmite?

Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água das chuvas ou lama contaminadas poderá se infectar. As leptospiras presentes na água penetram no corpo humano pela pele, principalmente se houver algum arranhão ou ferimento.

O contato com água ou lama de esgoto, lagoas ou rios contaminados e terrenos baldios com a presença de ratos também podem facilitar a transmissão da leptospirose.

As pessoas que correm mais perigo são aquelas que vivem à beira de córregos e em locais onde haja ratos contaminados, lixo e também, aquelas que trabalham na coleta de lixo, em esgotos, plantações de cana-de-açúcar, de arroz, etc.

Também é possível contrair a doença por ingestão de alimentos contaminados ou pelo contato direto da boca em latas de refrigerantes e cervejas. Lembre-se que com enorme freqüência as latas ficam estocadas em armazéns infestados por roedores que podem urinar e contaminá-las.

A mordida de ratos também pode transmitir a leptospirose, pois os ratos têm o hábito de lamber a genitália e assim poderia inocular a bactéria ao morder uma pessoa. A rede de esgoto precária, a falta de drenagem de águas pluviais, a coleta de lixo inadequada e as conseqüentes inundações são condições favoráveis para o aparecimento de epidemias. Assim, a doença atinge em maior número pessoas de baixo nível sócio-econômico, que vivem nas periferias das grandes cidades.

Como tratar?

O tratamento é baseado no uso de medicamentos e outras medidas de suporte, orientado sempre por um médico, de acordo com os sintomas apresentados. Os casos leves podem ser tratados em ambulatório, mas os casos graves precisam ser internados. A automedicação não é indicada, pois pode agravar a doença.

Como se prevenir?

Para o controle da leptospirose, são necessárias medidas ligadas ao meio ambiente, tais como obras de saneamento básico (abastecimento de água, lixo e esgoto), melhorias nas habitações humanas e o combate aos ratos.

Deve-se evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas ou outros ambientes que possam estar contaminados pela urina dos ratos. Pessoas que trabalham na limpeza de lamas, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (se isto não for possível, usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés).

O hipoclorito de sódio a 2,5% (água sanitária) mata as leptospiras e deverá ser utilizado para desinfetar reservatórios de água (um litro de água sanitária para cada 1000 litros de água do reservatório), locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada (um copo de água sanitária em um balde de 20 litros de água). Durante a limpeza e desinfecção de locais onde houve inundação recente, deve-se também proteger pés e mãos do contato com a água ou lama contaminadas.

Dentre as medidas de combate aos ratos, deve-se destacar o acondicionamento e destino adequado do lixo e o armazenamento apropriado de alimentos. A desinfecção de caixas d´água e sua completa vedação são medidas preventivas que devem ser tomadas periodicamente. As medidas de desratização consistem na eliminação direta dos roedores através do uso de raticidas e devem ser realizadas por equipes técnicas devidamente capacitadas.

A pessoa que apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo, alguns dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto, deve procurar imediatamente o Centro de Saúde mais próximo. A leptospirose é uma doença curável, para a qual o diagnóstico e o tratamento precoces são a melhor solução.

Mitos e verdades

Existe o risco da pessoa pegar leptospirose bebendo cerveja ou refrigerantes em latinhas?

Apesar da transmissão ocorrer principalmente pela penetração da Leptospira através da pele ou mucosas, já foi descrita pela ingestão de água ou alimentos contaminados com a urina de ratos, apesar de muito raramente. Geralmente, ao ser ingerida, a bactéria morre ao entrar em contato com o suco gástrico. A possibilidade do contágio ao beber em latinhas contaminadas com a urina de ratos é possível, principalmente se houver ferida na boca, passando a bactéria diretamente para a circulação sanguínea. Por isso é recomendado que se lave bem com água limpa e sabão qualquer latinha, garrafa ou vasilhame antes de ser levado à boca, para correr o risco de contaminação.

A leptospirose passa de uma pessoa para outra?

Não, a leptospirose não é considerada uma doença contagiosa. Não há relatos comprovados de transmissão de uma pessoa a outra, sendo transmitida entre os animais e dos animais para o homem, pelo contato da urina do animal com a pele e mucosas do homem. Apenas os ratos transmitem a leptospirose? Os ratos são os principais, mas cachorros e outros mamíferos também podem eliminar pela urina a leptospira e contaminar a água, solo e alimentos.

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Leptospirose

INTRODUÇÃO

A leptospirose é uma doença febril aguda causada por bactérias do gênero Leptospira, de caráter sistêmico, que acomete o homem e os animais. Sua ocorrência é favorecida pelas condições ambientais vigentes nas regiões de clima tropical e subtropical, onde a elevada temperatura e os períodos do ano com altos índices pluviométricos favorecem o aparecimento de surtos de caráter sazonal.

Os animais roedores desempenham o papel de reservatório da doença, pois albergam a Leptospira nos rins, eliminando-a no meio ambiente, contaminando água, solo e alimentos.

A infecção humana pela Leptospira resulta da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados. Em áreas urbanas, o contato com água e lama contaminada demonstra a importância do elo hídrico na transmissão da doença ao homem. Há outras modalidades menos importantes de transmissão, como a manipulação de tecidos animais e a ingestão de água e alimentos contaminados. A transmissão pessoa a pessoa é muito rara e de pouca importância prática. A penetração do microrganismo dá-se pela pele lesada ou mucosas da boca, narinas e olhos, podendo ocorrer através da pele íntegra, quando imersa em água por longo tempo. O período de incubação varia de um a vinte dias, sendo em média de sete a quatorze dias. A susceptibilidade no homem é geral, porém ocorre com maior freqüência em indivíduos do sexo masculino na faixa etária de 20 a 35 anos, por estarem mais expostos a situações de risco. A imunidade adquirida é sorotipo-específica, podendo incidir mais de uma vez no mesmo indivíduo, porém, por cepas (sorovares) diferentes. Tradicionalmente, algumas profissões são consideradas de alto risco, como trabalhadores de esgotos, lavouras, pecuária e garis. No Brasil, há nítida predominância de risco em pessoas que habitam ou trabalham em locais com más condições de saneamento e expostos à urina de animais, sobretudo a de ratos, que ao se instalarem e proliferarem, contaminam a água, o solo e os alimentos.

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

A doença apresenta-se de maneira polimórfica, com quadros leves, moderados e graves, podendo até levar ao óbito. Na prática, suspeita-se de leptospirose quando da apresentação sob a forma de síndrome febril ictérica, hemorrágica ou íctero-hemorrágica aguda.

Os quadros leves apresentam sinais e sintomas inespecíficos como febre, cefaléia e mialgias, e são freqüentemente confundidos com os de uma síndrome gripal. Uma história de exposição direta ou indireta a materiais passíveis de contaminação por Leptospira pode servir como alerta para a suspeita diagnóstica.

A apresentação da leptospirose geralmente é bifásica. A fase aguda ou septicêmica pode durar cerca de uma semana (4 a 7 dias) e se caracteriza por febre alta, de início abrupto, calafrios, cefaléia, mialgias, principalmente em panturrilhas, e podem ocorrer algumas queixas gastrintestinais. Segue um período de defervescência em lise, com duração de 1 a 2 dias, provocando uma sensação de melhora no paciente, mas que pode passar desapercebido. A seguir a febre recrudesce, mas raramente é tão alta quanto na fase aguda. É neste período, que pode durar de 4 a 30 dias (fase imune), que ocorre a produção de anticorpos, a diminuição da leptospiremia e a excreção de bactérias pela urina. Pode surgir meningite, meningoencefalite, pneumonia, fenômenos hemorrágicos, icterícia, insuficiência renal, hepática e respiratória, miocardite e outras, podendo levar o paciente ao óbito.

Clinicamente, portanto, a leptospirose apresenta-se sob duas formas:

FORMA ANICTÉRICA

Encontrada em 90% a 95% dos casos, de acordo com a literatura mundial. Pode surgir hepatomegalia, hemorragia digestiva e, mais raramente, esplenomegalia, epistaxe, dor torácica, tosse seca ou hemoptóicos. Distúrbios mentais como confusão, delírio, alucinações e sinais de irritação meníngea podem estar presentes.

As lesões cutâneas são pouco freqüentes, ainda que bastante variadas: exantema macular, maculopapular, eritematoso, urticariforme, petequial ou hemorrágico.

Em geral ocorre hiperemia das mucosas. Nesta situação o paciente pode restabelecer-se ou evoluir para a fase imune, com recrudescimento do quadro, com ou sem agravamento. Alguns pacientes apresentam alterações de volume e do sedimento urinário, porém a insuficiência renal aguda não é freqüente.

FORMA ICTÉRICA

A fase septicêmica pode apresentar sinais e sintomas mais intensos, destacando-se a mialgia, exacerbada nas panturrilhas, durante as duas primeiras semanas.

Evolui para doença ictérica grave com disfunção renal, fenômenos hemorrágicos, alterações hemodinâmicas, cardíacas, pulmonares e de consciência. A icterícia, de tonalidade alaranjada (icterícia rubínica), tem início entre o terceiro e sétimo dia da doença. Ao exame do abdome, com freqüência, há dor à palpação e hepatomegalia em até 70% dos casos. A maioria dos pacientes evolui com insuficiência renal e necrose tubular aguda, desidratação e alterações hemodinâmicas, podendo levar ao choque. Estas alterações podem ser agravadas por distúrbios metabólicos, em especial hipopotassemia e uremia. Os fenômenos hemorrágicos são freqüentes e podem traduzir-se por petéquias, equimoses e sangramento nos locais de venopunção ou hemorragias gastrintestinais, exteriorizadas por hematêmese, melena e/ou enterorragia. A leptospirose com icterícia e manifestação hemorrágica é também denominada de Doença de Weil e representa de 5 a 10% do total de casos. A taxa de letalidade varia de 5 a 20%. Nas formas mais graves, que evoluem com disfunção de múltiplos órgãos e sistemas e sepse, a letalidade pode chegar a 40%. Nessa segunda fase da doença, que dura em torno de duas semanas, o paciente apresenta regressão progressiva dos sintomas, evoluindo para cura em uma a três semanas. Atrofia muscular e anemia são manifestações freqüentemente observadas quando da alta do paciente.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Rotineiramente, devem ser solicitados, para o paciente com suspeita de leptospirose: hemograma, bioquímica do sangue (uréia, creatinina, FAL, bilirrubinas, TGO, TGO, CPK e eletrólitos), radiografia de tórax e eletrocardiograma. O líquor deve ser coletado apenas se houver indícios clínicos de meningite.

Alguns achados considerados inespecíficos são de relevância para o diagnóstico e acompanhamento clínico:

Anemia, leucocitose (com neutrofilia e desvio para a esquerda) e plaquetopenia;

Marcante síndrome colestática, caracterizada por elevação das bilirrubinas, (principalmente da fração direta, que pode ultrapassar 20U/l), FAL e ãGT;

Hipertransaminasemia não muito expressiva (não superior a 500 UI/l, estando a TGO usualmente mais elevada que a TGP);

TAP prolongado;

Potássio sérico normal ou abaixo do normal, mesmo na vigência de insuficiência renal aguda;

Uréia e creatinina elevadas;

Líquor com xantocromia (nos casos ictéricos) e pleocitose linfocitária;

CPK elevada, especialmente na primeira semana da doença;

Radiografia de tórax mostrando infiltrado intersticial difuso nas formas mais graves;

Gasometria arterial mostrando acidose metabólica e hipoxemia;

Arritmias variadas após a terceira semana da doença.

Os métodos indicados para o diagnóstico específico da leptospirose são os sorológicos. A técnica padronizada no Estado do Amazonas (LACEN) é o ELISA (para detecção de IgM), que se torna positivo a partir da segunda semana de doença. Recomenda-se a realização de pelo menos dois exames, um no início e outro a partir da quarta semana de doença. O teste poderá também ser realizado no líquor do paciente. Quando disponíveis, os testes de macro e microaglutinação podem ser realizados.

TRATAMENTO

O tratamento visa, de um lado, combater o agente causal (antibioticoterapia) e, contornar as principais complicações, principalmente o desequilíbrio hidroeletrolítico, a hemorragia, a insuficiência respiratória e renal agudas e as perturbações cardiovasculares. As medidas terapêuticas de suporte constituem os aspectos de maior relevância e devem ser iniciadas precocemente, na tentativa de evitar complicações da doença.

ANTIBIOTICOTERAPIA

Deve ser iniciada até o sétimo dia após o início dos sintomas. A droga de escolha é a penicilina G cristalina (6-12 milhões UI/dia, IV, 4/4h, 7 dias). Como alternativa, pode ser utilizada a ampicilina (4g/dia, VO ou IV, 6/6h) por igual período. Após o sétimo dia de doença, o paciente não deve receber antibióticos, pois já está na fase imunológica da doença, sem leptospiremia.

CUIDADOS GERAIS:

O paciente com a forma anictérica (raramente diagnosticada pelo médico) ou ictérica leve (sem comprometimento de outros órgãos) poderá ser manejado em nível ambulatorial. Quando houver insuficiência renal, comprometimento pulmonar, plaquetopenia grave (<50.000/mm3), má perfusão periférica, hemorragia, meningite ou arritmia cardíaca, o paciente deverá permanecer internado, com vistas à transferência para a UTI em caso de: insuficiência respiratória, sangramento abundante ou hipotensão

Manter aporte calórico por via parenteral se houver alteração de consciência e/ou hemorragia digestiva (adicionar glicose hipertônica 50% ao cristalóide infundido)

Manter reposição volêmica adequada com cristalóides em caso de desidratação ou síndrome do choque (para tanto, manter acesso venoso central)

Manter sonda nasogástrica para monitoramento de sangramento

Administrar oxigênio úmido sob máscara sempre que necessário e avaliar necessidade de suporte ventilatório nos casos mais graves

Corrigir possível distúrbio ácido-básico concomitante

Instituir controle hídrico rigoroso e avaliação diária da função renal para indicação precoce de diálise, quando necessário

Avaliar a magnitude dos fenômenos hemorrágicos e indicar transfusão de concentrado de hemácias apenas quando houver anemia grave e/ou comprometimento do estado hemodinâmico

A transfusão de concentrado de plaquetas só deverá ser feita em casos de plaquetopenia intensa (abaixo de 50.000/mm3) e sangramento abundante que comprometa a hemodinâmica

Fazer monitoramento constante dos sinais vitais.

REFERÊNCIAS

1. FUNASA. CENEPI. Guia de Vigilância Epidemiológica. 2002. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/pub/GVE.htm. Acesso em: 05 jan 2003.
2. VINETZ, J. M. Leptospirosis. Curr Opin Infect Dis, v. 14, n. 5, p.527-38, 2001.
3. CARVALHO, C. R.; BETHLEM, E. P. Pulmonary complications of leptospirosis. Clin Chest Med, v. 23, n. 2, p.469-78, 2002.
4. LEVETT, P. N. Leptospirosis. Clin Microbiol Rev, v. 14, n. 2, p.296-326, 2001.
5. GUIDUGLI, F.; CASTRO, A. A.; ATALLAH, A. N. Systematic reviews on leptospirosis. Rev Inst Med Trop São Paulo, v. 42, n. 1, p.47-9, 2000.
6. LOMAR, A. V.; DIAMENT, D.; TORRES, J. R. Leptospirosis in Latin America. Infect Dis Clin North Am, v. 14, n. 1, p.23-39, 2000.
7. ABDULKADER, R. C. Acute renal failure in leptospirosis. Ren Fail, v. 19, n. 2, p.191-8, 1997.
8. FARR, R. W. Leptospirosis. Clin Infect Dis, v. 21, n. 1, p.1-6, 1995.

Fonte: www.fmt.am.gov.br

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans. É uma zoonose (doença de animais) que ocorre no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Em seres humanos, ocorre em pessoas de todas as idades e em ambos os sexos. Na maioria (90%) dos casos de leptospirose a evolução é benigna

Durante os temporais e inundações, a bactéria leptospira, presente na urina do rato, se espalha nas águas, invade as casas e pode contaminar, através da pele, os que entram em contato com áreas infectadas.

TRANSMISSÃO

A leptospirose é primariamente uma zoonose. Acomete roedores e outros mamíferos silvestres e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos (cães, gatos) e outros de importância econômica (bois, cavalos, porcos, cabras, ovelhas). Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a L. interrogans junto com a urina.

O rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção humana, em razão de existir em grande número e da proximidade com seres humanos. A L. interrogans multiplica-se nos rins desses animais sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal. A L. interrogans eliminada junto com a urina de animais sobrevive no solo úmido ou na água, que tenham pH neutro ou alcalino. Não sobrevive em águas com alto teor salino.

A L. interrogans penetra através da pele e de mucosas (olhos, nariz, boca) ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita a penetração, que pode ocorrer também através da pele íntegra, quando a exposição é prolongada. Os seres humanos são infectados casual e transitoriamente, e não tem importância como transmissor da doença. A transmissão de uma pessoa para outra é muito pouco provável.

CONTAMINAÇÃO

A maioria das infecções ocorre através do contato com águas de enchentes contaminadas por urina de ratos.

A contaminação no homem se dá através da pele - principalmente quando existe alguma lesão ou de mucosas.. A longa permanência da pessoa na água favorece a penetração da bactéria pela pele limpa, sem ferimentos. Os locais, onde o contagio acontece, normal-mente são beiras de córregos, galerias de esgoto e terrenos baldios.

A infecção também pode ser adquirida através da ingestão de água e alimentos contaminados com urina de ratos ou por meio de contato com urina de animais de estimação (cães, gatos), mesmo quando esses são vacinados.

A DOENÇA

SINTOMAS

A leptospirose tem inicio súbito.

Os sintomas iniciais são: febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios, parecidos com os da gripe. Um sintoma capaz de diferenciar a leptospirose de outras doenças é a insuportável dor na panturrilha ( batata da perna) . Muitas vezes, o doente não agüenta ficar de pé. Dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia são freqüentes, podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem acentuadamente avermelhados (hiperemia conjuntival) em alguns casos, o doente pode ter.

Tratamento

O tratamento da pessoa com leptospirose é feito fundamentalmente com hidratação. Não deve ser utilizado medicamentes para dor ou para febre que contenham ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Melhoral® etc.), que podem aumentar o risco de sangramentos. Os antiinflamatórios (Voltaren®, Profenid® etc) também não devem ser utilizados pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas. Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia de doença, devem ser empregados antibióticos (doxiciclina, penicilinas), uma vez que reduzem as chances de evolução para a forma grave. As pessoas com leptospirose sem icterícia podem ser tratadas no domicílio. As que desenvolvem meningite ou icterícia devem ser internadas. As formas graves da doença necessitam de tratamento intensivo e medidas terapêuticas como diálise peritonial para tratamento da insuficiência renal.

Fonte: www.hgg.rj.gov.br

Leptospirose

A Leptospirose, ou Enfermidade de Weil, é uma doença provocada por uma bactéria, causando diferentes síndromes, sobretudo reprodutivas, urinárias e circulatórias, sendo transmitida principalmente através da urina de roedores infectados. A doença foi descrita em 1880, no Egito, e em 1917 no Brasil.

Atualmente a doença é de distribuição mundial, tendo maior prevalência em países tropicais e sub-tropicais.

Etiologia

A doença é provocada pela bactéria espiroqueta Leptospira interrogans. O agente é sensível à luz solar direta, aos desinfetantes comuns, à dessecação, às variações de pH e a temperaturas superiores a 40ºC. Todavia, pode sobreviver por vários dias em água (comprovadamente por até 180 dias) com pH neutro (7,2 a 7,4) e em solos com alta saturação de água, demonstrando sua preferência por locais úmidos. Sobrevivem também ao frio e mesmo ao congelamento - 100 dias a 20ºC negativos.

Apesar da doença ser causada por uma única espécie de bactéria, existem cerca de 200 sorotipos diferentes da Leptospira interrogans, conforme suas propriedades antigênicas. Tais sorotipos são atualmente agrupados em 20 sorogrupos. Tais variantes não possuem especificidade por determinados hospedeiros, mas possuem certas preferências. Por exemplo, o sorogrupo Icterohaemorrhagiae é o mais importante em termos de saúde pública, tendo com hospedeiro preferencial o rato de esgoto (Rattus norvegicus). Já o sorogrupo Pomona tem tropismo pelos suínos e o Hardjo, por bovinos.

Epidemiologia

Fonte de infecção

Diversas espécies animais podem atuar como FI, tal como roedores, carnívoros, marsupiais, quirópteros, lagomorfas e primatas bem como todos os animais domésticos (bovinos, suínos, cães, etc.). Todavia, em termos de zoonoses, os roedores desempenham um papel epidemiológico mais importante que os demais.

Via de eliminação

Urina é a principal via de eliminação. Sêmen e líquido vaginal também podem eliminar leptospiras.

Via de transmissão

Contato com água e/ou solo úmido contaminados com leptospiras provindas de animais infectados. Outras vias são a direta, por contato com a urina, sangue e tecidos ou outros órgãos de animais infectados, monta natural e IA. Alimentos contaminados são vias de transmissão, mas a via oral é considerada pouco eficiente pois são sensíveis ao pH gástrico.

Porta de entrada

Pele e tecidos lesados, seguida da mucosa genital, nasal, oral e conjuntival. Pode também penetrar por pele íntegra, desde que tenha ficado imersa em água por longo período (dilatação dos poros).

Susceptíveis

Mamíferos em geral (inclusive o homem).

Patogenia

Penetração do agente ocorre através de pele lesada e mucosas, podendo também penetrar por pele íntegra, desde que tenha ficado imersa em água por longo período (dilatação dos poros), sendo que o período de incubação é de 1 a 2 semanas. Uma vez no agente, ocorrem duas fases distintas:

Fase de leptospiremia

Fase de multiplicação do agente na corrente circulatória e em vários órgãos (fígado, baço e rins, principalmente). Ocorrem lesões mecânicas em pequenos vasos, causando hemorragias e trombos, que levam à infartes teciduais. A icterícia ocorre principalmente devido à lesão hepática, e não à destruição de hemácias. O rim começa a ter problemas de filtração. Há uremia e o animal apresenta hálito de amônia. Este é o quadro agudo da doença no homem e no cão. A duração desta fase é de aproximadamente 4 dias (raramente chega à 7 dias). Em outras espécies percebem-se somente problemas reprodutivos, porém tais problemas são contribuem para a baixa produtividade da pecuária nacional e mundial, causando diminuição da fertilidade e abortamentos.

Fase de leptospirúria

É a fase de imunidade é caracterizada pela formação crescente de anticorpos com estabelecimento das leptospiras em locais de difícil acesso aos mesmos.

Formam massas nos túbulos contornados renais, na câmara anterior do globo ocular, no sistema reprodutivo (vesícula seminal, próstata, glândula bulbo-uretral).

A leptospirúria pode ser intermitente e durar de meses a anos.

Sintomas

As manifestações clínicas da leptospirose e sua gravidade são extremamente variáveis. Em alguns animais não há infecção aparente, o que os tornam portadores sãos ou convalescentes, que eliminam as leptospiras pela urina por 38 dias no mínimo, podendo se manter como tal por anos.

Bovinos

Febre de 4 a 5 dias, anorexia, conjuntivite e diarréia. Diminuição brusca do leite (mastite atípica). Os sintomas mais notórios são o abortamento (1 a 3 semanas após início da infecção) e a hemoglobinúria. Pode apresentar retenção de placenta, nascimento de crias fracas e infertilidade como seqüela da infecção. Alta taxa de morbidade. Bezerros são mais susceptíveis.

Suínos

Abortamento (15 a 30 dias após infecção), nascimento de leitões fracos, icterícia, hemoglobinúria, convulsões e transtornos intestinais. É um reservatório muito importante de Pomona, com leptospirúria abundante e prolongada.

Eqüinos

Maioria das infecções são inaparentes. O que se observa é uma oftalmia periódica após ter passado a fase febril. Porém há descrições de casos de leptospirose com sintomas hepatonefríticos e cardiovasculares.

Cães e gatos

Em cães, a forma mais grave, a hemorrágica, se instala repentinamente com febre por 3 a 4 dias, seguida por rigidez e mialgias nos membros posteriores, hemorragias na cavidade bucal. Em etapa posterior pode haver gastroenterite hemorrágica, icterícia e nefrite aguda. A letalidade é estimada em 10%. Em gatos a enfermidade raramente ocorre.

Roedores

Estão perfeitamente adaptados às leptospiras e não manifestam sintomas ou lesões.

Diagnóstico

Diagnóstico direto (pesquisa das leptospiras)

É feito o exame histopatológico de fragmentos de órgãos corados pelo método de Lavaditi e a microscopia de extensões obtidas a partir de sangue, urina, sêmen ou conteúdo estomacal de fetos abortados, coradas pelo método Fontana-Tribondeau. Pode ser feito também o isolamento em meios de cultivo (meio de Fletcher), o exame direto em microscopia de campo escuro e o isolamento por inoculação experimental em animais de laboratório (hamster, cobaio jovem).

Diagnóstico indireto (sorologia)

Prova de soroaglutinação microscópica (SAM) – a reação de microaglutinação com antígenos vivos é a prova sorológica de escolha para a confirmação do diagnóstico de leptospirose. Enviar ao laboratório ao menos 1 mL de soro não hemolisado, de colheita recente, refrigerado ou congelado. O ideal é enviar ao menos 2 amostras, com intervalo de 2 a 4 semanas.

Observações importantes

Só é possível a detecção de IgM e IgG, sendo assim, para saber o sorotipo presente, deve-se proceder o isolamento (SAM é técnica sorogrupo específica e não sorotipo específica). Os anticorpos aparecem aos 7 dias da infecção e podem durar em média 6 a 7 anos e, provavelmente, por toda a vida do animal. O diagnóstico de leptospirose só poderá ser estabelecido após a conversão sorológica, com o aumento dos títulos aglutinantes entre duas coletas de soro obtidas com intervalo de 2 a 4 semanas. Título constante ou decrescente é considerado como consequência de uma infecção passada ou vacinação. Podem também ocorrer falsos negativos, quando o animal estiver em início de infecção. Provas negativas não livram o animal de serem portadores renais, podendo ou não produzirem anticorpos em maior concentração, detectável pela prova.

Tratamento

Dose única de 25 mg/kg de diidroestreptomicina, por via intramuscular. A estreptomicina é nefrotóxica, não devendo ser fornecida aos animais em quadros agudos de leptospirose (pequenos animais, bezerros) para estes, oferecer penicilina e outros, esperando que o animal saia desta fase aguda para utilizar a estreptomicina.

Controle

Na fonte de infecção: controle de roedores. Isolamento, diagnóstico e tratamento de animais doentes.

Na via de transmissão: destino adequado das excretas, limpeza e desinfecção química das instalações (uso de derivados fenólicos). Drenagem da água das pastagens, não utilizar sêmen suspeito .

Nos suceptíveis: as vacinas de contra a leptospirose são bacterinas (cultura morta) e por isso a sua imunidade é baixa e previnem contra a sintomatologia clínica.

Há relatos de animais que apresentam leptospirúria após a vacinação. O esquema da vacinação adotado vai depender da prevalência da doença na região. Em locais endêmicos, recomenda-se vacinação a cada 6 meses. Se não for o caso, uma vez por ano.

Fonte: www.mgar.com.br

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa aguda causada pela bactéria Leptospira interrogans, transmitida pela urina de ratos. Os surtos ocorrem, principalmente, na época de enchentes, quando a bactéria penetra no organismo através de pequenos ferimentos ou pelas mucosas do nariz ou da boca, provocando insuficiência renal e hepática. O Brasil apresentou 4.128 casos da doença em 2000, a maior parte deles no Estado de São Paulo, segundo dados divulgados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Não existe vacina para a enfermidade. Sua forma grave pode provocar icterícia, meningite e levar à morte.

A moléstia afeta especialmente os animais, como roedores e outros mamíferos silvestres. Os animais domésticos, como cães, gatos, bois e cavalos, também podem ser atingidos. Esses bichos, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos da bactéria e eliminá-la junto com a urina, às vezes por toda a vida. O rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção humana. A bactéria eliminada por ele penetra através da pele e das mucosas (olhos, nariz, boca) ou por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita essa penetração. O ser humano não é considerado um transmissor da doença, a contaminação de uma pessoa para outra é muito pouco provável.

No Brasil, a maior parte dos casos ocorre através do contato com águas contaminadas pela urina de ratos.

A rede de esgoto precária, a falta de drenagem de águas pluviais, a coleta de lixo inadequada e as conseqüentes inundações são condições favoráveis para o aparecimento de epidemias. Assim, a doença atinge em maior número pessoas de baixo nível sócio-econômico, que vivem nas periferias das grandes cidades.

Outra causa freqüente de aquisição da moléstia é a falta de proteção adequada durante a limpeza de fossas domiciliares. Aconselha-se evitar o contato desnecessário com a água e com a lama durante as inundações.

Os sintomas da leptospirose aparecem entre dois e trinta dias após a infecção, sendo o período de incubação médio de dez dias. Febre alta, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios estão entre as manifestações da doença. Também são freqüentes dores abdominais, náuseas, vômitos e diarréia, podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem acentuadamente avermelhados. Alguns doentes podem apresentar tosse e faringite. Em alguns pacientes os sintomas podem ressurgir após dois ou três dias de aparente melhora. Nesse período, é comum aparecer manchas avermelhadas pelo corpo e pode ocorrer meningite.

A partir do terceiro dia de doença pode surgir icterícia (olhos amarelados) nos enfermos que apresentam casos mais graves (cerca de 10%). Nesse grupo, aparecem manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos em nariz, gengivas e pulmões) e o funcionamento inadequado dos rins, o que causa diminuição do volume urinário e, às vezes, anúria total (supressão da urina) . A evolução para a morte pode ocorrer em cerca de 10% das formas graves.

O tratamento de pessoas com leptospirose é feito principalmente com hidratação. Não devem ser utilizados medicamentes para dor ou para febre que contenham ácido acetil-salicílico, que podem aumentar o risco de sangramentos. Os antiinflamatórios também devem ser evitados. Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia de doença, devem ser empregados antibióticos, que reduzem as chances de evolução para a forma grave. As pessoas com leptospirose sem icterícia podem ser tratadas no domicílio. As que desenvolvem meningite ou icterícia devem ser internadas.

Fonte: www.fiocruz.br

Leptospirose

Durante os temporais e inundações, a bactéria leptospira, presente na urina do rato, se espalha nas águas, invade as casas e pode contaminar, através da pele, os que entram em contato com áreas infectadas.

O rato

Leptospirose

 

Considerado o principal transmissor da doença. Os roedores domésticos mais comuns, que levam a leptospirose ao homem, são o rato de telhado (ou de forro, o rattus rattus). A ratazana (aquela de praia ou de esgoto) e o camundongo (o mus musculus).

A bactéria

A bactéria leptospira está presente na urina do rato.

Contágio

A contaminação no homem se dá através da pele - principalmente quando existe alguma lesão ou de mucosas. A longa permanência da pessoa na água favorece a penetração da bactéria pela pele limpa, sem ferimentos. Os locais, onde o contagio acontece, normalmente são beiras de córregos, galerias de esgoto e terrenos baldios.

A doença

Muitas vezes, a leptospirose é confundida com doenças como gripe e, principalmente, hepatite.

Os sintomas são muito parecidos. Apenas um especialista saberá diagnosticar e tratar o problema.

A bactéria pode atingir:

Leptospirose
Rins (1)
Fígado (2)
Musculatura (3)

Controle

As medidas se baseiam no controle dos roedores e em medidas para melhorar o meio ambiente - habitação protegida das águas da chuvas, saneamento básico e cuidados especiais com o lixo, principal alimento do rato.

Tratar esgotos e galerias por onde passa a água das chuvas, saneamento básico e cuidados especiais com o lixo.

Tratar esgotos e galerias por onde passa a água da chuva também é essencial, pois evita as inundações e dessa forma não há como a urina do rato alcançar os homens.

Sintomas

A leptospirose tem inicio súbito. Os sintomas são parecidos com os da gripe. Dor de cabeça, dor muscular, febre alta, mal-estar.

Normalmente, quando curada, a doença não deixa seqüelas.

Um sintoma capaz de diferenciar a leptospirose de outras doenças é a insuportável dor na batata da perna. Muitas vezes, o doente não agüenta ficar de pé.

Em alguns casos, o doente pode ter icterícia (cor amarelada da pele). A leptospirose também provoca alterações no volume e na cor da urina, que muitas vezes fica mais escura.

Combate ao roedor

Desratização, com uso de raticida, depois de o rato já estar instalado no local. Esse processo é difícil e caro. Os raticidas são extremamente tóxicos - pois podem matar - e devem ser manuseados apenas por técnicos.

Manter limpos os utensílios e vasilhames de alimentação animal. Lavar sempre os objetos após as refeições do animal. Dessa forma, evita-se o acúmulo de lixo e instalação do rato.

Também para evitar a presença do roedor pela redondeza, deve-se manter gramados bem aparados. O mato alto é um bom abrigo para os ratos, portanto, oferece risco de infectar os moradores da região.

Manter o lixo bem tratado, evitar deixá-lo nas ruas. Além disso, os recipientes de lixo colocados alguns metros acima do solo podem evitar o contato com a água das inundações.

As caixas d'água, os ralos e os vasos sanitários devem estar sempre fechados, com tampas pesadas. Uma forma, para quem mora em regiões de muita chuva, de evitar a presença do rato contaminado.

Prevenção

Quando entrar em contato com regiões inundadas ou com lama, usar luvas e botas de borracha;

Evitar expor ferimentos às águas infectadas de inundações em áreas suscetíveis á bactéria

Ficar o menor tempo possível imerso nessas águas e impedir que as crianças nadem ou mergulhem nelas;

Desinfetar com cloro (hipoclorito de sódio) os objetos de casa que entraram em contato com a água ou com a lama.

Como desinfectar alimentos e objetos

O cloro mata a bactéria. Se não for possível armazenar os alimentos protegidos da água, o correto a se fazer é eliminá-los. Frutas em geral, carne, leite, verduras, legumes, arroz, feijão, café, manteiga etc devem ser inutilizados. Alimentos enlatados podem ser lavados, desde que não tenha havido contato da comida com a água.

Fonte: www.santalucia.com.br

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Leptospira interrogans. É uma zoonose (doença de animais) que ocorre no mundo inteiro, exceto nas regiões polares. Em seres humanos, ocorre em pessoas de todas as idades e em ambos os sexos. Na maioria (90%) dos casos de leptospirose a evolução é benigna.

Transmissão

A leptospirose é primariamente uma zoonose. Acomete roedores e outros mamíferos silvestres e é um problema veterinário relevante, atingindo animais domésticos (cães, gatos) e outros de importância econômica (bois, cavalos, porcos, cabras, ovelhas). Esses animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos e eliminar a L. interrogans junto com a urina.

O rato de esgoto (Rattus novergicus) é o principal responsável pela infecção humana, em razão de existir em grande número e da proximidade com seres humanos. A L. interrogans multiplica-se nos rins desses animais sem causar danos, e é eliminada pela urina, às vezes por toda a vida do animal. O homem é infectado casual e transitoriamente, e não tem importância como transmissor da doença. A transmissão de uma pessoa para outra é muito pouco provável.

A L. interrogans eliminada junto com a urina de animais sobrevive no solo úmido ou na água, que tenham pH neutro ou alcalino. Não sobrevive em águas com alto teor salino. A L. interrogans penetra através da pele e de mucosas (olhos, nariz, boca) ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. A presença de pequenos ferimentos na pele facilita a penetração, que pode ocorrer também através da pele íntegra, quando a exposição é prolongada.

Riscos

No Brasil, como em outros países em desenvolvimento, a maioria das infecções ocorre através do contato com águas de enchentes contaminadas por urina de ratos. Nesses países, a ineficácia ou inexistência de rede de esgoto e drenagem de águas pluviais, a coleta de lixo inadequada e as conseqüentes inundações são condições favoráveis à alta endemicidade e às epidemias. Atinge, portanto, principalmente a população de baixo nível sócio-econômico da periferia das grandes cidades, que é obrigada a viver em condições que tornam inevitável o contato com roedores e águas contaminadas. A infecção também pode ser adquirida através da ingestão de água e alimentos contaminados com urina de ratos ou por meio de contato com urina de animais de estimação (cães, gatos), mesmo quando esses são vacinados. A limpeza de fossas domiciliares, sem proteção adequada, é uma das causas mais freqüentes de aquisição da doença.

Existe risco ocupacional para as pessoas que têm contato com água e terrenos alagados (limpadores de fossas e bueiros, lavradores de plantações de arroz, trabalhadores de rede de esgoto, militares) ou com animais (veterinários, pessoas que manipulam carne). Em países mais desenvolvidos, com infra-estrutura de saneamento mais adequada, a população está menos exposta ao contágio. É mais comum que a infecção ocorra a partir de animais de estimação e em pessoas que se expõem a água contaminada, em razão de atividades recreativas ou profissionais.

Entre 1985 e 1997, foram notificados 35.403 casos de leptospirose, com 3.821 óbitos (letalidade média de 12,5%). Apenas os casos mais graves (ictéricos) são, geralmente, diagnosticados e, eventualmente, notificados. A leptospirose sem icterícia é, freqüentemente, confundida com outras doenças (dengue, gripe), ou não leva à procura de assistência médica. A notificação, portanto, representa apenas uma pequena parcela (provavelmente cerca de 10%) do número real de casos no Brasil.

Medidas de proteção individual

Recomenda-se ao viajante que adote as medidas de proteção contra doenças adquiridas através do contato com a água e da ingestão de água e alimentos.

O risco de adquirir leptospirose pode ser reduzido, através de algumas medidas:

Evitando-se o contato ou ingestão de água que possa estar contaminada com urina de animais.

Deve ser utilizada apenas água tratada (clorada) como bebida e para a higiene pessoal. Bebidas como água mineral, refrigerantes e cervejas não devem ser ingeridas diretamente de latas ou garrafas, sem que essas sejam lavadas adequadamente (risco de contaminação com urina de rato).

Deve ser utilizado um copo limpo ou canudo plástico. Em caso de inundações, deve ser evitada a exposição desnecessária em água ou lama. Pessoas que irão se expor ao contato com água e terrenos alagados devem utilizar roupas e calçados impermeáveis.

O uso generalizado de antibióticos profiláticos é ineficaz para evitar ou controlar epidemias de leptospirose. Além de ser tecnicamente inadequado, desvia inutilmente recursos humanos e financeiros.

A quimioprofilaxia está indicada apenas para indivíduos, como trabalhadores e militares em manobras, que irão se expor a risco em áreas de alta endemicidade por período relativamente curto.

A vacina não confere imunidade permanente e não está disponível para seres humanos no Brasil. Em alguns países é utilizada a vacinação contra sorotipos específicos em pessoas sob exposição ocupacional em áreas de alto risco. A vacina disponível para animais evita a doença, mas não impede a infecção nem a transmissão para seres humanos.

Recomendações para áreas com risco de transmissão

O acesso permanente à informação é essencial. É importante que a população seja esclarecida sobre as razões que determinam a ocorrência de leptospirose e o que deve ser feito para evitá-la

Deve ainda ter acesso fácil aos serviços de diagnóstico e tratamento

O risco de transmissão pode ser reduzido nos centros urbanos através da melhoria das condições de infra-estrutura básica (rede de esgoto, drenagem de águas pluviais, coleta adequada do lixo e eliminação dos roedores)

A limpeza e dragagem de córregos e rios são medidas fundamentais para reduzir a ocorrência de inundações

Equipamentos de proteção, como botas e luvas impermeáveis, devem ser oferecidos às pessoas com risco ocupacional

Quando ocorrem inundações, deve ser evitado contato desnecessário com a água e com a lama. Se a residência for inundada, deve-se desligar a rede de eletricidade para evitar acidentes

O mesmo cuidado deve ser observado após inundações, antes do início da limpeza domiciliar, que deve ser feita com o uso de calçados e luvas impermeáveis

Em geral, não é necessário o tratamento adicional da água distribuída através de rede, mesmo durante epidemias

Quando há suspeita de contaminação da rede de água, a companhia responsável pela distribuição deve ser notificada. Nessas circunstâncias, a água deve ser fervida ou tratada com cloro

O mesmos cuidados devem ser adotados quando a água é proveniente de poços

Devem ser observados os seguintes cuidados ao escolher um local para residir, informar-se sobre a freqüência de inundações

Evitar locais sujeitos a inundações frequentes. Em caso de utilização de água de poços ou coletada diretamente de rios ou lagoas, estabelecer (com supervisão técnica especializada) uma infra-estrutura domiciliar mínima que permita o tratamento (cloração) da água utilizada para consumo e preparo de alimentos

Seguir os cuidados de preparação higiênica de alimentos, incluindo o tratamento com água clorada

Os alimentos devem ser acondicionados em recipientes e locais à prova de ratos

Acondicionar o lixo domiciliar em sacos plásticos fechados ou latões com tampa. Se não houver serviço de coleta, deve ser escolhido um local adequado para o destino final do lixo que permita o aterramento ou a incineração periódica

O acúmulo de lixo e entulho em quintais e terrenos baldios leva à proliferação de ratos

O despejo de lixo em córregos ou rios facilita a ocorrência de inundações. Em caso de inundações, evitar a exposição desnecessária em água ou lama.

Descartar alimentos que entraram em contato direto com água de enchentes e não possam ser fervidos.

Utilizar luvas e calçados impermeáveis quando for inevitável, nas enchentes, a exposição à água ou à lama. Realizada a limpeza da residência após uma inundação feita a limpeza de fossas e bueiros.

Efetuada a remoção de fezes e urina de animais de estimação empregar hipoclorito de sódio (água sanitária) a 2-2,5%, segundo as recomendações do fabricante, para limpeza de locais onde são criados animais de estimação e residências, após uma inundação.
Manifestações

A maioria das pessoas infectadas pela Leptospira interrogans desenvolve sintomas discretos ou não apresenta manifestações da doença. As manifestações da leptospirose, quando ocorrem, em geral aparecem entre 2 e 30 dias após a infecção (período de incubação médio de dez dias).

As manifestações iniciais são febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dor de cabeça constante e acentuada, dor muscular intensa, cansaço e calafrios. Dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia são freqüentes, podendo levar à desidratação. É comum que os olhos fiquem acentuadamente avermelhados (hiperemia conjuntival) e alguns doentes podem apresentar tosse e faringite. Após dois ou três dias de aparente melhora, os sintomas podem ressurgir, ainda que menos intensamente. Nesta fase é comum o aparecimento manchas avermelhadas no corpo (exantema) e pode ocorrer meningite, que em geral tem boa evolução.

A maioria das pessoas melhora em quatro a sete dias. Em cerca de 10% dos pacientes, a partir do terceiro dia de doença surge icterícia (olhos amarelados), que caracteriza os casos mais graves. Esses casos são mais comuns (90%) em adultos jovens do sexo masculino, e raros em crianças. Aparecem manifestações hemorrágicas (equimoses, sangramentos em nariz, gengivas e pulmões) e pode ocorrer funcionamento inadequado dos rins, o que causa diminuição do volume urinário e, às vezes, anúria total. O doente pode ficar torporoso e em coma. A forma grave da leptospirose é denominada doença de Weil. A evolução para a morte pode ocorrer em cerca de 10% das formas graves. As manifestações iniciais da leptospirose são semelhantes às de outras doenças, como febre amarela, dengue, malária, hantavirose e hepatites.

A presunção do diagnóstico de leptospirose é feita com base na história de exposição ao risco (inundações, limpeza de bueiros e fossas, contato com animais de estimação) e na exclusão, através de exames laboratoriais, da possibilidade de outras doenças. Mesmo que tenham história de risco para leptospirose, pessoas que estiveram em uma área de transmissão de febre amarela e malária, e que apresentem febre, durante ou após a viagem, devem ter essas doenças investigadas. A leptospirose grave, que evolui com icterícia, diminuição do volume urinário e sangramentos é semelhante à forma grave da febre amarela. A diferenciação pode ser feita com facilidade através de exames laboratoriais. A icterícia é rara nos casos de dengue.

Nas hepatites, em geral, quando surge a icterícia a febre desaparece. É importante que a pessoa, quando apresentar-se febril após uma exposição de risco para leptospirose, procure um Serviço de Saúde rapidamente. Não se justifica a utilização generalizada de antibióticos para a população em períodos de epidemias. É mais racional diagnosticar e tratar precocemente os casos suspeitos.

A confirmação do diagnóstico de leptospirose não tem importância para o tratamento da pessoa doente, mas é fundamental para a adoção de medidas que reduzam o risco de ocorrência de uma epidemia em área urbana. Pode ser feita através de exames sorológicos (microaglutinação pareada, com uma amostra de sangue colhida logo no início da doença e outra duas semanas após), ou do isolamento da bactéria em cultura (que tem maior chance de ser feito durante a primeira semana de doença).

O tratamento da pessoa com leptospirose é feito fundamentalmente com hidratação. Não deve ser utilizado medicamentos para dor ou para febre que contenham ácido acetil-salicílico (AAS, Aspirina, Melhoral etc.), que podem aumentar o risco de sangramentos. Os antiinflamatórios (Voltaren, Profenid etc.) também não devem ser utilizados pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas.

Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia de doença, devem ser empregados antibióticos (doxiciclina, penicilinas), uma vez que reduzem as chances de evolução para a forma grave. As pessoas com leptospirose sem icterícia podem ser tratadas no domicílio. As que desenvolvem meningite ou icterícia devem ser internadas. As formas graves da doença necessitam de tratamento intensivo e medidas terapêuticas como diálise peritonial para tratamento da insuficiência renal.

Fonte: www.ceset.unicamp.br

Leptospirose

A Leptospirose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada leptospira. As leptospiras são bactérias eliminadas pela urina de ratos e outros animais, contaminando os esgotos, as tocas dos animais, o solo e alimentos.

Durante as chuvas fortes, os rios, córregos e a própria rede de esgoto

transbordam, aumentando assim a possibilidade de contaminação.

Como se pega leptospirose?

0 Homem adquire leptospirose, principalmente através da pele e mucosas ( boca, olhos, orifício retal, partes genitais), se uma pessoa tiver alguma ferida ou arranhão, ao entrar em contato com essas águas ou Lama nas enchentes, quando mexe nos esgotos ou quando entra em córregos e lagoas poluídas.

Como é a leptospirose?

Os primeiros sintomas são: fraqueza, dor no corpo e febre. A febre pode se elevar podendo ocorrer calafrios, vômitos, mal estar, dor na barriga das pernas(panturrilhas).

Pode haver aparecimento de cor amarelada (icterícia), hemorragias e diminuição ou ausência da produção de urina (insuficiência renal).

Se você teve contato com água suja, lama ou esgoto, procure o Posto de Saúde mais próximo e relate o ocorrido ao médico assim que aparecer o primeiro sinal de doença, pois o tratamento imediato pode evitar as complicações da doença.

COMO REDUZIR A DISSEMINAÇÃO DA LEPTOSPIROSE

Diminuindo a quantidade de ratos no ambiente:

a) Não jogar lixo em terrenos, córregos ou bueiros, colocando sempre em sacos plásticos ou recipientes fechados e longe do solo;

b) Evitar acúmulo de entulhos nos quintais,

c) Manter os terrenos baldios e margens de córregos limpos e desmatados;

d) As caixas d'água, ralos e outras instalações sanitárias devem estar sempre bem fechadas e com tampas pesadas de difícil remoção;

e) Eliminar o máximo possível de chances do rato se alojar, como buracos em paredes, rodapés, vãos de telhado etc.

Água limpa para consumo humano

Água pra consumo humano direto deve-se proceder a cloração:

Em águas de sistema público, quando não for verificado o teor de cloro na quantidade recomendada (maior ou igual 0,5mg/l) no ponto de consumo ( torneira, jarro, pote, tonel etc. )

Em águas provenientes de poços, cacimba, fonte, riacho, açude etc, onde a cloração será feita no local de armazenamento.

Em caso de água turva, antes da cloração, recomenda-se mantê-la em X repouso para decantação das artículas em suspensão, as quais irão depositar-se no fundo do recipiente, após este processo deve-se separar a parte superior, mais clara, em outro recipiente e filtrá-la. Outros produtos como pastilhas de cloro, poderão ser utilizados, mas recomenda-se observar as orientações contidas do rótulo do produto.

0 acondicionamento de água já tratada deve ser feito em recipientes higienizados, preferencialmente de boca estreita e com tampa, para evitar a contaminação posterior.

OBS: A ebulição (fervura) da água, durante 1 ou 2 minutos, constitui um método de desinfecção eficaz, mas não é acessível, na prática, às condições de maior parte da população. É um procedimento oneroso, a ser recomendado em situações de urgências e na falta de cloração.

LIMPANDO AS CAIXAS D'ÁGUA E CISTERNAS EM CASO DE CONTAMINAÇÃO

a) Não jogar lixo em terrenos, córregos ou bueiros, colocando sempre em sacos plásticos ou recipientes fechados e longe do solo;

b) Evitar acúmulo de entulhos nos quintais,

c) Manter os terrenos baldios e margens de córregos limpos e desmatados;

d) As caixas d'água, ralos e outras instalações sanitárias devem estar sempre bem fechadas e com tampas pesadas de difícil remoção;

e) Eliminar o máximo possível de chances do rato se alojar, como buracos em paredes, rodapés, vãos de telhado etc.

Fonte: www.saude.rj.gov.br

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa e potencialmente grave, causada por uma bactéria chamada Leptospira interrogans. Embora seja considerada uma zoonose, ou seja, uma doença de animais, essa infecção afeta também o homem, que se contamina, sobretudo, por meio do contato com a urina do rato.

Por isso mesmo, ocorre em todas as regiões do mundo, exceto nas polares, embora seja mais freqüente em países tropicais e subtropicais, particularmente em áreas com condições sanitárias precárias e com elevada infestação de ratos.

De 1980 a 2005, o Brasil teve pouco mais de 60 mil casos da doença em todo o território nacional, um terço dos quais no Sudeste.

Apesar de inspirar certo receio, a leptospirose cursa de maneira benigna na maioria dos casos. Em 10% dos infectados, porém, pode se manifestar em sua forma grave, denominada doença de Weil, com manifestações hemorrágicas severas e comprometimento da função renal.

Assim como acontece com a cólera e com a dengue, não dá para prever quando a leptospirose vai ser mais agressiva, mas há estratégias terapêuticas capazes de prevenir essa apresentação assim que a infecção se instala.

Por isso mesmo, é fundamental procurar um serviço médico diante do surgimento dos primeiros sinais clínicos, sobretudo após a exposição a situações de risco.

Causas e Sintomas

Existe a possibilidade de a leptospirose ser assintomática, mas, em geral, o processo infeccioso começa com febre alta, sensação de mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, olhos avermelhados, tosse, faringite e calafrios. Esses sinais podem ser acompanhados de dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia, com possibilidade de desidratação.

Depois de dois ou três dias de aparente melhora, o quadro às vezes ressurge com novas manifestações, como manchas avermelhadas na pele e meningite de boa evolução. É nesse período que também se apresenta a forma mais grave da doença, igualmente depois que a infecção parece ter cessado, com coloração amarelada na pele e nos olhos – a icterícia –, sangramentos no nariz, nas gengivas e nos pulmões, manchas escuras na pele, semelhantes a hematomas, torpor e redução - ou mesmo ausência - de volume urinário.

A causa da doença é a bactéria Leptospira interrogans, que está presente na urina de animais infectados, particularmente do rato, em cujos rins o microrganismo se multiplica sem provocar danos ao animal.

Ao ser expelido, esse agente sobrevive no solo úmido ou na água – menos na do mar – e penetra no organismo humano através da pele e das mucosas, assim como pela ingestão de água e de alimentos contaminados.

No Brasil e em outros países em desenvolvimento, a maioria das infecções ocorre pelo contato com a enxurrada ou com a lama das enchentes, que se misturam à urina dos ratos e, assim, espalham as bactérias.

Ocorre que a combinação de saneamento inadequado, crescimento desordenado das cidades, ineficiência do sistema de drenagem das águas das chuvas e coleta de lixo inadequada favorece tanto a proliferação dos roedores quanto as inundações. Independentemente de haver enchente, o contato com água ou lama de esgoto, de lagoas e rios contaminados e mesmo de terrenos baldios também constitui risco para a aquisição da leptospirose.

A doença igualmente pode ser transmitida pela urina de outros animais infectados, como cães, gatos, porcos, cavalos, bois, cabras e ovelhas. Logo, a leptospirose está associada a algumas atividades profissionais como tratadores de animais, trabalhadores de serviços de água e esgoto, lixeiros, plantadores de arroz, cortadores de cana-de-açúcar, entre outras.

Uma pessoa contaminada, contudo, não passa a infecção para outra. Os sintomas costumam aparecer de 3 a 24 dias após o contágio, com média de dez dias de incubação.

Exames e Diagnósticos

Uma vez que as manifestações iniciais da leptospirose se assemelham bastante às de outras doenças infecciosas, como a malária, a febre amarela, a dengue e mesmo a hepatite, a suspeita acaba sendo levantada com base na história do indivíduo.

A probabilidade de contaminação com leptospiras é grande em uma pessoa que teve sua casa inundada ou que limpou uma fossa ou um bueiro, por exemplo. De qualquer forma, se ela esteve ou vive em áreas de risco para a malária ou para a febre amarela, essas possibilidades precisam ser igualmente investigadas.

A confirmação da leptospirose, contudo, depende de exames laboratoriais específicos, tanto para pesquisar anticorpos contra a Leptospira interrogans no sangue da pessoa com a suspeita quanto para a investigação direta desse agente infeccioso em exame de cultura, no qual o material biológico coletado é posto em meios apropriados para o desenvolvimento da bactéria.

Tratamento e Prevenções

O portador de leptospirose deve ser tratado com hidratação, analgésicos e antitérmicos, exceto os que contenham ácido acetilsalicílico, como a Aspirina® e outros antiinflamatórios, uma vez que essa substância favorece as hemorragias. Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia da infecção, usam-se também antibióticos, que, apenas nessa fase, ajudam a prevenir o desenvolvimento da forma mais grave da doença.

Os infectados podem receber o tratamento em casa, desde que não haja sinais de icterícia nem de meningite. Nestas situações, há necessidade de internação para tratamento intensivo e monitorização da função dos rins, com a adoção de medidas específicas em caso de perda da capacidade renal, como a diálise peritoneal, um procedimento para a eliminação das toxinas do sangue quando o mecanismo natural de filtração fica comprometido.

A prevenção da leptospirose passa obrigatoriamente pela melhoria das condições de infra-estrutura básica, o que inclui rede de esgoto e de abastecimento de água tratada, drenagem de águas das chuvas, limpeza de córregos e rios, remoção adequada do lixo e eliminação de ratos. Essas medidas por si só já reduziriam as inundações e o número de roedores.

Enquanto isso não ocorre, a contaminação com a bactéria envolvida nessa infecção pode ser evitada com medidas individuais de proteção. Em caso de enchente, deve-se evitar o contato desnecessário com a água e com a lama. Do contrário, o uso de botas e luvas impermeáveis é indispensável. Depois de uma inundação, os locais que se encheram de água e lama precisam ser desinfetados com água sanitária, que consegue eliminar as leptospiras.

No dia-a-dia, por sua vez, é importante armazenar o lixo em sacos plásticos e em lixeira tampada e zelar por seu devido encaminhamento, de modo a evitar a proliferação de ratos. A limpeza de fossas e bueiros, igualmente, exige proteção adequada de mãos e pés, por serem fontes naturais de contaminação.

Quem tem animais de estimação também deve se proteger ao recolher fezes e urina dos bichos, além de usar água sanitária na limpeza das áreas que eles ocupam.

Em locais em que a procedência hídrica for duvidosa, recomenda-se estabelecer uma rotina de tratamento, idealmente com supervisão, pelo menos da água usada no preparo dos alimentos. Por fim, a limpeza de vegetais e frutas tem de ser criteriosa em qualquer lugar do planeta, incluindo sua imersão em água clorada.

Fonte: www.fleury.com.br

Leptospirose

Rato é um bicho perigoso, pois transmite muitas doenças, algumas delas fatais se não tratadas corretamente, como a leptospirose, a peste e o tifo murino.

Rato é sujeira

Para manter o rato longe de casa e longe da nossa cidade, siga estas instruções:

Não jogue lixo nas ruas ou nos terrenos baldios.
Guarde os alimentos bem protegidos.
Feche bem os sacos de lixo.
Conserve jardins e quintais livres de entulhos e de mato alto.
Mantenha tudo limpo, pois RATO ODEIA LIMPEZA. Uma das piores doenças transmitidas pelo rato é a leptospirose. Conheça mais, para poder evitá-la. LEPTOSPIROSE é a doença causada por bactérias que entram no corpo através da pele ou das partes internas da boca e dos olhos. Essas bactérias estão nas águas contaminadas pela urina do rato. Quando há enchente, o perigo é imediato.

Sintomas

Febre alta
Calafrios
Dor de cabeçaDor nos músculos, panturrilha (barriga da perna)
Vermelhidão nos olhos
Icterícia (pele amarela/alaranjada)

Fontes de infecção

Água contaminada
Alimentos e solo contaminado
Urina de ratos

Locais onde pode ocorrer a doença

Áreas sujeitas a enchentes
Locais próximos a terrenos baldios e depósitos de lixo
Locais próximos a córregos
Rios, lagoas e valetas contaminadas

Como a doença se transmite?

De um animal para o outro e deste para o homem. Dificilmente a leptospirose transmite-se de uma pessoa para outra.

Cuidados para prevenir a leptospirose:

Use água clorada ou fervida para beber, lavar alimentos e cultivar hortaliças.
Enterre ou queime o lixo. Se for para a coleta, feche bem em sacos plásticos.
Mantenha alimentos fora do alcance dos animais.
Além do rato, cão, gato e animais silvestres podem causar a doença.
Se você trabalha em local de risco (esgotos, lixos, lavouras) use botas e luvas.

Fonte: www.defesacivil.pr.gov.br

Leptospirose

A leptospirose é provavelmente uma das zoonoses de maior preocupação em todo mundo. Apresenta vasta distribuição geográfica, tendo sido evidenciada em mais da metade dos países, sendo particularmente prevalente nas Américas. Ocorre de forma endêmica na América Latina e no Caribe, com impacto na saúde pública e na economia agropecuária.

Acomete animais domésticos e silvestres e o homem como final da cadeia epidemiológica. Os animais silvestres, mamíferos (roedores, herbívoros, insetívoros, carnívoros), aves, répteis e anfíbios são portadores ou reservatórios de leptospiras para o homem e espécies domésticas.

O agente causal pertence ao gênero Leptospira que são bactérias espiraladas, longas, finas, ponteagudas e ativamente móveis.

A ocorrência de leptospirose está estreitamente vinculada aos fatores ambientais, que podem dar lugar a um foco de infecção, cuja amplitude está na dependência de condições favoráveis. Podem permanecer viáveis em água limpa por até 152 dias, mas não toleram alta salinidade, dessecação, pH ácido e a competição bacteriana em meios muito contaminados. Sem dúvida a água das chuvas é ideal para a sua sobrevivência.

Na zona urbana, principalmente em grandes cidades, durante a época das chuvas, as inundações se constituem no principal fator de risco para a ocorrência de surtos epidêmicos de leptospirose humana. Localidades com más condições de saneamento básico são as principalmente acometidas de surtos devido à presença de esgoto a céu aberto e lixões, proximidade com córregos, os quais propiciam o contato direto com as águas contaminadas com urina de roedores sinatrópicos (ratos e camundongos) e cães errantes.

A leptospirose humana pode se manifestar de forma leve ou moderada, também denominada anictérica, ou severa e fatal, forma ictérica. O período de incubação varia de 2 a 20 dias, sendo os sintomas iniciais semelhantes aos da gripe, que depois evoluem para alterações especificas.

Sintomas na leptospirose humana
Inespecíficos Específicos
febre 38-39° C icterícia
cansaço alterações cardiovasculares
indisposição dificuldade respiratória
calafrios distúrbios neurológicos
cefaléia disfunção renal
mialgias (dor na panturrilha)  
conjuntivas congestas  
náusea  
vômito (hemoptise)  
erupções cutâneas  

Alguns sintomas cedem em 3-4 dias, reaparecendo posteriormente com o agravamento do quadro clinico. A síndrome de Weil, causada pelos sorovares Icterohaemorrhagiae e Copenhageni, é a mais freqüente e mais grave manifestação desta enfermidade.

Os cães, como animais de companhia, podem ser responsáveis pela transmissão da leptospirose aos seres humanos, principalmente crianças. A leptospirose canina ocorre principalmente pelos sorovares Icterohaemorrhagiae, Copenhageni e Canicola, cujo curso pode variar de sub-clínico, agudo ou crônico. Várias são as manifestações clínicas, que podem incluir ou não a icterícia, dependendo do sorovar infectante. Na forma aguda pode causar a morte do animal por insuficiencia renal e hepática, aqueles que sobrevivem à infecção tornam-se portadores e excretores de leptospiras pela urina de forma assintomática, disseminando a doença para outros cães, outras espécies animais e o homem. Na zona rural, as características do habitat e a presença de animais silvestres assumem grande importância para as criações de animais de produção (bovinos, bubalinos, suínos, eqüinos, ovinos e caprinos). Nessas, a leptospirose se constitui em uma enfermidade reprodutiva responsável pela quebra na produção de leite e carne em função da infertilidade e do abortamento, ocorrendo mais freqüentemente pela infecção pelos sorovares Hardjo (Hardjobovis ou Hardjoprajitno), Pomona, Grippotyphosa e Icterohaemorrhagiae. No gado leiteiro, o aparecimento de mastite flácida com agalactia e pequena quantidade de sangue no leite também tem sido verificado. Nestes casos, ocorre a diminuição na produção do leite que dura de 2 a 10 dias (Sindrome da Queda do Leite ou Milk Drop Syndrome). O leite torna-se amarelado, com consistência de colostro, grumos grosseiros e elevada contagem de células somáticas.

Animais que sobrevivem apresentam retardo no crescimento e no ganho de peso, com significantes lesões renais, as quais condenam a carcaça no abate. Se o veterinário de inspeção estiver afeito às lesões poderá utilizar a informação para detectar o foco ou rebanho infectado. Nos suínos a leptospirose se manifesta como infertilidade, abortamentos, nascimento de animais fracos e inviáveis. Animais que se recuperam freqüentemente se tornam portadores renais e genitais da bactéria e também disseminam a enfermidade no plantel.

Nos ovinos e caprinos, a leptospirose aparece com sintomas principalmente reprodutivos, semelhantes aos bovinos. Na infecção aguda observam-se anorexia, dificuldade respiratória, anemia hemolítica, icterícia, urina de cor vermelha escuro e febre. Há certa evidência que também os ovinos sejam hospedeiros de manutenção do sorovar Hardjo. Entretanto, no Brasil, os sorovares mais freqüentemente observados no sorodiagnóstico nesta espécie são Icterohaemorrhagiae e Hebdomadis. Na espécie caprina, também o sorovar Icterohaemorrhagiae é mais detectado, seguido de Castellonis e Grippotyphosa.

O homem que lida diretamente com as criações pode ser infectado a partir do contato com animais doentes ou portadores e, portanto, a leptospirose humana como enfermidade ocupacional ocorre mais freqüentemente em veterinários, granjeiros e magarefes. Atualmente, o principal grupo de risco ocupacional no mundo é o que lida com rebanhos bovinos leiteiros e granjas produtoras de suínos. Alem destas categorias profissionais, os plantadores de cana-de-açúcar, os trabalhadores de arrozais, os mineiros, os lixeiros entre outras estão sob risco de exposição.

Existe ainda a possibilidade do homem se infectar em atividades recreativas e lazer, embora menos freqüente e puramente acidental, ao banhar-se em rios, riachos, lagos e mananciais que recebem dejetos de animais ou na prática de atividades esportivas em ambientes contaminados como em pescarias.

Diante dos primeiros sintomas, o médico deve ser sempre procurado lembrando de informar os antecedentes de contato com águas de enchentes e contato com animais, pois, a partir destas informações, juntamente com o quadro clínico e os exames laboratoriais, é que se estabelece o diagnóstico.

No caso de animais de produção ou de companhia, o médico veterinário deve ser chamado para estabelecer o diagnóstico, não somente pelos prejuízos no plantel, mas, sobretudo, por tratar-se de uma zoonose que implica no estabelecimento imediato de medidas de controle e de prevenção para que sejam minimizados os riscos de disseminação entre as pessoas de contato com estes animais.

Para se entender melhor a transmissão da leptospirose, é preciso que se conheça a sua epidemiologia.

As portas de entrada para as leptospiras invadirem o organismo dos hospedeiros vertebrados são pele e membranas mucosas: conjuntiva, nasofaríngea e genital.

Nas inundações, a imersão em águas contaminadas com leptospiras permite a penetração devido à eliminação de barreiras naturais protetoras da pele, mesmo íntegra.

A habilidade em sobreviver e multiplicar é o maior componente de virulência das leptospiras. Imediatamente após a penetração no hospedeiro, quer seja animal ou humano, elas se disseminam rapidamente por via linfática e sanguínea. Enquanto as leptospiras não patogênicas são rapidamente destruídas pela fagocitose reticulo-endotelial, as patogênicas escapam a fagocitose e rapidamente se multiplicam exponencialmente na corrente sanguínea atingindo os vários órgãos. Cerca de 5-7 dias após a infecção aparecem os primeiros sintomas. Com o aparecimento dos anticorpos (imunoglobulinas específicas) a multiplicação diminui ou cessa e o hospedeiro pode se recuperar ou vir a óbito, pelo efeito da intensa multiplicação ou mesmo pelas lesões decorrentes da infecção.

O tempo para o estabelecimento de lesões é função principalmente da virulência da estirpe e da dose infectante, e influenciado pela capacidade de resposta imune opsonizante do hospedeiro.

Nos animais que sobrevivem à infecção aguda, as leptospiras persistem em sítios imunologicamente protegidos como túbulos renais proximais, câmara anterior do olho e trato genital e tornam-se portadores renais ou genitais, e importantes fontes de infecção para novos susceptíveis.

Nos animais prenhes, após alcançarem a circulação sanguínea ou corrente linfática, atingem o útero e a placenta em qualquer estágio de gestação, alcançam o feto que morre por leptospirose sendo expulso cerca de 24 horas depois.

O conhecimento da severidade da infecção, da distribuição geográfica, dos fatores de risco envolvidos e das estirpes circulantes é de extrema importância para o estabelecimento da epidemiologia regional desta enfermidade e o aprimoramento de medidas preventivas.

Fonte: www.biologico.sp.gov.br

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa aguda, de caráter sistêmico, que acomete o homem e os animais, causada por microorganismos pertencentes ao gênero Leptospira. A distribuição geográfica da leptospirose é cosmopolita, no entanto a sua ocorrência é favorecida pelas condições ambientais vigentes nas regiões de clima tropical e subtropical, onde a elevada temperatura e os períodos do ano com altos índices pluviométricos favorecem o aparecimento de surtos epidêmicos de caráter sazonal. É uma zoonose de alta importância devido aos prejuízos que acarreta, não só em nível de saúde pública, face à alta incidência de casos humanos, como também econômicos, em virtude do alto custo hospitalar dos pacientes, da perda de dias de trabalho e das alterações na esfera reprodutiva dos animais infectados.

Agente Etiológico

O gênero Leptospira é um dos componentes da família dos Espiroquetídeos, onde estão reunidos os microrganismos com morfologia filamentosa, espiralados, visualizados apenas pela microscopia de campo escuro e de contraste de fase, com afinidade tintorial pelos corantes argênticos.

Nesse gênero aceita-se atualmente a existência de duas espécies: L.interrogans e L.biflexa, as quais reúnem, respectivamente, as estirpes patogênicas e aquelas saprófitas de vida livre, encontradas usualmente em água doce de superfície.A diferenciação em espécie apoia-se nas características de crescimento em meios de cultivo enriquecidos; no entanto, do ponto de vista taxonômico, as características antigênicas decorrentes de antígenos de parede, com natureza lipoproteica, possibilitam as diferenciações sorológicas que superam a cifra de 200 exemplares para a espécies L. interrogans, as quais com base em relações antigênicas são reagrupadas em sorogrupos.

Dentre os fatores ligados ao agente etiológico que favorecem a persistência dos focos de leptospirose, especial destaque deve ser dado ao elevado grau de variação antigênica; relativo grau de sobrevivência em nível ambiental em ausência de parasitismo (registros experimentais referem até 180 dias desde que haja alto nível de umidade, proteção contra os raios solares e valores de pH neutro ou levemente alcalino); ampla variedade de vertebrados suscetíveis, os quais podem hospedar o microorganismo.

Reservatório e Fonte de Infecção

Os roedores desempenham o papel de principais reservatórios da doença, pois albergam a leptospira nos rins, eliminando as vivas no meio ambiente e, contaminando água, solo e alimentos. Dentre os roedores domésticos (Rattus norvegicus, Rattus rattus e Mus musculus), grande importância deve se dispensar ao R. norvegicus, portador clássico da L. icterohaemorraghiae, a mais patogênica ao homem.

Modo de Transmissão

A infecção humana pela leptospira resulta da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados. Em áreas urbanas, o contato com águas e lama contaminados demonstram a importância do elo hídrico na transmissão da doença ao homem, pois a leptospira dela depende para sobreviver e alcançar o hospedeiro. Há outras modalidades menos importantes de transmissão como a manipulação de tecidos animais e a ingestão de água e alimentos contaminados. A transmissão de pessoa a pessoa é muito rara e de pouca importância prática. A penetração do microorganismo se dá pela pele lesada ou mucosas da boca, narinas e olhos, podendo ocorrer através da pele íntegra, quando imersa em água por longo tempo.

Período de Incubação: varia de um a vinte dias, sendo em média de sete a quatorze dias.

Período de Transmissibilidade: a infecção inter-humana é rara, sem importância prática.

Suscetibilidade e Imunidade

A suscetibilidade no homem é geral, porém ocorre com maior freqüência em indivíduos do sexo masculino na faixa etária de 20 a 35 anos, não devido a uma preferência do agente a estes indivíduos, mas por estarem mais expostos a situações de risco. A imunidade adquirida é sorotipo específica, podendo incidir mais de uma vez no mesmo indivíduo, porém, por sorovares diferentes. Tradicionalmente, algumas profissões são consideradas de alto risco, como trabalhadores em esgotos, algumas lavouras e pecuária, magarefes, garis e outras. No Brasil, há nítida predominância de risco em pessoas que habitam ou trabalham em locais com más condições de saneamento e expostos a urina de animais, sobretudo a de ratos, que se instalam e proliferam, contaminando, assim, água, solo e alimentos.

Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade

A leptospirose é uma doença de caráter sazonal, intimamente relacionada aos períodos chuvosos, quando há elevação dos índices pluviométricos e um conseqüente aumento na incidência de casos da doença. É uma doença endêmica, sendo comum o surgimento de casos isolados ou de pequenos grupos de casos, tornando-se epidêmica sob determinadas condições, tais como umidade e temperaturas elevadas e alta infestação de roedores contaminados.

A doença ocorre tanto em nível rural quanto urbano. Na segunda, adquire um caráter mais severo, devido à grande aglomeração urbana de baixa renda morando à beira de córregos, em locais desprovidos de saneamento básico, em condições inadequadas de higiene e habitação, coabitando com roedores, que aí encontram água, abrigo e alimento necessários à sua proliferação. A presença de água, lixo e roedores contaminados predispõe à ocorrência de casos humanos de leptospirose.

No Brasil, durante o período de 1985 a 1997, foram notificados 35.403 casos da doença, variando desde 1.594 casos anuais (mínimo) em 1987, a 5.576 em 1997 (máximo). Nesse mesmo período, houve 3.821 óbitos, variando desde 215 em 1993 (mínimo) a 404 óbitos em 1988 (máximo). A letalidade da doença nesse período variou de 6,5% em 1996, a 20,7% em 1987, numa média de 12,5%, dependendo entre outros fatores, do sorovar infectante, da gravidade, da forma clínica, da precocidade do diagnóstico, do tratamento e da faixa etária do paciente.

Aspectos Clínicos DA LEPTOSPIROSE

A infecção humana varia muito em gravidade, desde formas subclínicas até as formas graves ou fatais.

Qualquer sorovar pode causar a forma grave ou branda. A doença, na maioria dos casos, se inicia abruptamente com febre, mal-estar geral e cefaléia, descrevendo-se duas formas clínicas, anictérica e ictérica.

Forma Anictérica

Esta forma acomete 60% a 70% dos casos. A doença pode ser discreta, de inicío súbito com febre, cefaléia, dores musculares, anorexia, náuseas e vômitos.

Dura de um a vários dias, sendo freqüentemente rotulada de "síndrome gripal" ou "virose". Uma infecção mais grave pode ocorrer, apresentando-se classicamente como uma doença febril bifásica. A primeira fase, septicêmica ou leptospirêmica, inicia-se abruptamente, com febre elevada, calafrios, cefaléia intensa, prostração, mialgias que envolvem principalmente os músculos das panturrilhas, coxas, regiões paravertebrais e abdômen, resultando em palpação dolorosa, podendo às vezes simular um abdômen agudo cirúrgico. Anorexia, náuseas, vômito, obstipação ou diarréia, artralgias, hiperemia ou hemorragia conjuntival, fotofobia e dor ocular podem ocorrer. Podem surgir hepatomegalia, hemorragia digestiva e mais raramente esplenomegalia. Epistaxe, dor torácica, tosse seca ou com expectoração hemoptóica podem ser observadas.

Recentemente, têm sido relatados casos anictéricos que evoluem para importante sintomatologia respiratória, levando inclusive a quadros de insuficiência respiratória aguda e óbito. Distúrbios mentais como confusão, delírio, alucinações e sinais de irritação meníngea podem estar presentes.

As lesões cutâneas são variadas: exantemas musculares, máculo-papulares, eritematosos, urticariformes, petequiais ou hemorrágicos.

Em geral ocorre hiperemia de mucosas. A fase septicêmica dura de quatro a sete dias, havendo uma melhora acentuada dos sintomas ao seu término.Em seguida, o paciente pode restabelecer-se ou evoluir com recrudescimento de febre e sintomas gerais e instalação de um quadro de meningite, caracterizado por cefaléia intensa, vômitos e sinais de irritação meníngea, assemelhando-se clínica e liquoricamente às das meningites virais. Há manifestações respiratórias, cardíacas e oculares (uveítes). As manifestações clínicas da segunda fase, também chamada fase imune, iniciam-se geralmente na segunda semana da doença e desaparecem de uma a três semanas. Alguns pacientes apresentam alterações de volume e do sedimento urinário a partir da segunda semana de doença, porém é rara a insuficiência renal aguda na leptospirose anictérica.

Forma Ictérica

Nessa forma, a fase septicêmica evolui para uma doença ictérica grave, com disfunção renal, fenômenos hemorrágicos, alterações hemodinâmicas, cardíacas, pulmonares e de consciência, associadas a taxas de letalidade que variam de 5 a 20% nas diversas casuísticas. Na leptospirose ictérica, o curso bifásico é raro.

Os sintomas e sinais que precedem à icterícia são mais intensos e de maior duração do que os relatados na forma anictérica. Destaca-se a presença das mialgias, sobretudo nas panturrilhas, durante as duas semanas iniciais.

A icterícia tem seu início entre o terceiro e o sétimo dia da doença, apresentando uma tonalidade alaranjada (icterícia rubínica) bastante intensa e característica.

Na maioria dos casos, a palidez é mascarada pela icterícia. Ao exame do abdômen, com freqüência, há dor à palpação e hepatomegalia em 70% dos casos.

Insuficiência renal aguda e desidratação ocorrem na maioria dos pacientes. A oligúria é menos freqüente que a poliúria, mas está associada a um pior prognóstico. Uma característica importante da insuficiência renal na leptospirose é sua associação com alterações hemodinâmicas, geralmente desidratação intensa e hipotensão, que podem agravar o quadro e levar à necrose tubular aguda.

Choque circulatório e insuficiência cardíaca podem ser encontrados, porém são menos freqüentes que as alterações eletrocardiográficas como alterações do ritmo e da repolarização ventricular e bloqueios diversos. Essas alterações podem ser agravadas pelos distúrbios metabólicos, em especial hiperpotassemia e uremia.

Os fenômenos hemorrágicos são freqüentes e podem traduzir-se por petéquias, equimoses e sangramento nos locais de venopunção ou hemorragias gastro-intestinais exteriorizadas por hematêmese, melena ou enterorragias. O comprometimento pulmonar na leptospirose ictérica é freqüentemente manifestado clinicamente por tosse, dispnéia, e hemoptise, associados a alterações radiológicas diversas, que variam desde infiltrado intersticial focal até intersticial e alveolar difuso.

Recentemente têm sido observados em nosso meio, quadros respiratórios mais graves evoluindo para insuficiência respiratória aguda com hemorragia pulmonar maciça ou síndrome de angústia respiratória do adulto. Nessa segunda fase da doença, que dura em torno de duas semanas, o paciente apresenta regressão progressiva dos sintomas, evoluindo para cura em uma a três semanas. Atrofia muscular e anemia são manifestações freqüentemente observadas por ocasião da alta do paciente.

Diagnóstico Diferencial

As maiores dificuldades diagnósticas são representadas pelas formas anictéricas, as quais, embora correspondam à maioria dos casos da doença, em geral passam despercebidas e são rotuladas com outros diagnósticos, do ponto de vista clínico. Apesar de usualmente apresentarem evoluções benignas, podem também levar ao êxito letal.

Na dependência dos sintomas e sinais clínicos predominantes, tem sido sugerida a classificação dessas formas anictéricas em: tipo influenza, pulmonar (tosse e hemoptise), febril pura, hemorrágica, miálgica, meníngea, etc.

Verifica-se, assim, que as possibilidades de confusão diagnóstica são bem maiores que na forma ictérica da leptospirose. Nesse último caso, o número de possíveis diagnósticos diferenciais fica mais reduzido e, o que é mais importante, a presença de febre, mialgia e icterícia, mais facilmente, traz à mente do clínico tal suspeita diagnóstica.

Segundo o período evolutivo, têm sido considerados os seguintes diagnósticos diferenciais:

Fase séptica (anictérica)

"Viroses", dengue, influenza, Hantaan vírus, apendicite aguda, bacteremias e septicemias, colagenoses, colecistite aguda, febre tifóide, infecção de vias aéreas superiores e inferiores, malária, pielonefrite aguda, riquestsioses, toxoplasmose, meningites e outras.

Fase imune (ictérica)

Colangite, coledocolitíase, Doença de Lábrea, febre amarela, hepatite, malária, Síndrome de Zieve, síndrome hepatorrenal, esteatose aguda da gravidez, septicemias e outras. Nem sempre o médico relaciona o quadro clínico com a leptospirose, na fase séptica, pois as manifestações são geralmente inespecíficas comuns aos processos infecciosos em geral. O diagnóstico definitivo dependerá do encontro de leptospiras ou da presença de anticorpos específicos no soro, em amostras pareadas.

Tratamento

O tratamento visa, de um lado, a combater o agente causal (antibioticoterapia) e, de outro, a debelar as principais complicações, principalmente o desequilíbrio hidro-eletrolítico, as hemorragias, as insuficiências respiratórias e renal agudas e perturbações cardiovasculares, incluindo arritmias, insuficiência cardíaca, hipotensão e choque. As medidas terapêuticas de suporte constituem-se nos aspectos de maior relevância e devem ser iniciadas precocemente, na tentativa de evitar complicações da doença, principalmente as renais.

Diagnóstico Laboratorial DA LEPTOSPIROSE

Diagnóstico Específico

O método laboratorial de escolha depende da fase evolutiva em que se encontra o paciente. Na fase aguda, durante o período febril, as leptospiras podem ser visualizadas no sangue através de exame direto, de cultura de meios apropriados ou a partir de inoculação em animais de laboratório.

O exame direto é extremamente falho, devendo ser realizado por observador experiente. A cultura somente se positiva após algumas semanas, o que garante sempre diagnóstico retrospectivo; finalmente a inoculação, que é técnica muito trabalhosa, necessitando sempre de laboratórios altamente especializados. As leptospiras podem ser visualizadas diretamente na urina, cultivadas ou inoculadas após a segunda semana de doença. Pelas dificuldades em sua realização, estas técnicas também não são adotadas rotineiramente.

O exame do líquor e de tecidos musculares-esqueléticos, renais e hepático são raramente utilizados. Os métodos consagradamente eleitos para configuração diagnóstica da leptospirose são sorológicos. A técnica básica é a aglutinação das leptospiras vivas ou formolizadas pelo soro do homem ou de animais.

São de escolha as técnicas de aglutinação microscópica, que se positivam geralmente a partir da segunda semana de doença. Recomenda-se a realização de pelo menos dois exames, um no início e outro a partir da quarta semana de doença. Na impossibilidade de adoção desta técnica, opta-se pela macroaglutinação, de execução bem mais simples.

Exames Complementares

Entre os exames complementares considerados inespecíficos, mas de relevância para o diagnóstico e acompanhamento clínico, incluem-se os seguintes: hemograma completo, coagulograma, dosagem de transaminases (TGO e TGP), bilirrubinas, uréia, creatinina e eletrólitos, gasometria, elementos anormais e sedimentos (EAS), RX de tórax e eletrocadiograma (ECG).

Podem ocorrer alterações nos exames complementares tais como:

leucocitose, neutrofilia e desvio para a esquerda;

anemia hipocrômica a partir da 2ª semana;

aumento da velocidade de hemossedimentação;

plaquetopenia;

elevação das bilirrubinas, principalmente da fração direta, que pode ultrapassar a 20 mg/dl;

transaminases normais ou com aumentos que geralmente não ultrapassam a 500m /dl, estando a TGO usualmente mais elevada que a TGP;

fosfatase alcalina elevada;

atividade de protrombina diminuída ou tempo de protrombina aumentado;

potássio sérico normal ou abaixo do normal, mesmo na vigência de insuficiência renal aguda;

uréia e creatinina elevadas;

líquor com xantocromia (nos casos ictéricos) e pleocitose linfocitária são comuns na segunda semana da doença, mesmo na ausência de clínica evidente de envolvimento meníngeo;

CPK e fração MB poderão estar elevadas; e

gasometria arterial mostrando acidose metabólica e hipoxemia.

Leptospirose Animal

A leptospirose é uma zoonose na qual os animais são hospedeiros primários, essenciais para a persistência dos focos da infecção, e os seres humanos são hospedeiros acidentais, terminais, pouco eficientes na perpetuação da mesma. Esses fatos ressaltam a importância do direcionamento das ações preventivas para os animais vertebrados que se comportam como reservatórios de leptospiras. O impacto da leptospirose em termos da saúde pública reflete-se no alto custo do tratamento dos seres humanos acometidos com letalidade da ordem de 5% a 20%. No entanto, quanto à saúde animal, as conseqüências dessa infecção são particularmente da esfera econômica, tendo em vista o envolvimento de bovinos, eqüinos, suínos, caprinos e ovinos, espécies animais produtoras de alimentos nobres como a carne, o leite, e ainda de produtos de interesse industrial, tais como a lã e o couro. A leptospirose animal representa, portanto, um ponto de preocupação para os profissionais envolvidos com a saúde animal e saúde pública. A melhoria das ações de controle voltadas aos animais refletirá na diminuição do nível de contaminação ambiental e, conseqüentemente, na redução do número de casos humanos da doença.

Agente Etiológico

O agente etiológico da leptospirose animal é o mesmo da leptospirose humana. Cada sorovar tem o(s) seu(s) hospedeiro(s) preferencial(ais), porém uma espécie animal pode albergar um ou mais sorovares.

Aspectos Epidemiológicos da Leptospirose Animal

As leptospiras podem hospedar-se em diversos grupos de animais vertebrados; no entanto, os mamíferos são os que, na atualidade, apresentam maior significado epidemiológico. Inquéritos conduzidos em ecossistemas silvestres, não modificados pela ação humana, referem a presença da infecção em roedores, marsupiais, carnívoros e edentados. No entanto, em ecossistemas rurais e urbanos, o principal reservatório de leptospira é constituído pelos roedores sinantrópicos, entre os quais o Rattus norvegicus (ratazana ou rato de esgoto), que ocupa no mundo todo uma posição de destaque. Saliente-se que, neste grupo de animais, a relação hospedeiro-parasita revela uma condição de equilíbrio na qual os animais acometidos, usualmente, não exteriorizam nenhum sinal da infecção.

Modo de Transmissão

A penetração da leptospirose ocorre ativamente através de mucosas (ocular, digestiva, respiratória, genital), da pele escarificada e inclusive da pele íntegra, como ocorre quando da permanência por tempo prolongado em coleções de água contaminada. A eliminação da leptospira ocorre através da urina, de forma intermitente, podendo persistir por períodos de tempo de longa duração, variáveis com as espécies animais e a variante sorológica da leptospira envolvida; nos roedores, a presença de leptospira pode ser registrada permanentemente na urina. Devido à uretra constituir-se na via comum para eliminação de urina e sêmen, é possível que este último também venha a ser contaminado por leptospiras o que torna possível a transmissão venérea por leptospirose animal, tanto pela monta natural, como através da inseminação artificial.

Aspectos Clínicos

Dentre os animais de produção, explorados em ecossistemas rurais, as manifestações clínicas mais freqüentes atingem a esfera reprodutiva, incluindo o abortamento, usualmente no terço final da gestação. Em algumas oportunidades, as reprodutoras atingidas podem apresentar infertilidade ou mesmo esterilidade.

O nascimento de produtos a termo debilitados evoluem para o óbito nos primeiros dias de vida, é também outra manifestação da infecção. Alguns sinais em particular podem ser observados de acordo com a espécie animal e em determinadas faixas etárias.

Em suínos jovens, durante a fase de aleitamento, podem ocorrer quadros de encefalite por leptospiras, que se manifestam por incoordenação motora e acessos convulsivos com movimento de pedalamento. Em bezerros jovens, pode ser observado um quadro febril com icterícia e hemoglobinúria, o qual solicita o estabelecimento de um diagnóstico diferencial com a tristeza parasitária (infecção por hematozoários).

Em vacas adultas das raças com aptidão leiteira, pode haver a infecção da glândula mamária e o quadro clínico é o de uma mastite atípica, com sensível diminuição da secreção láctea, úbere flácido e o leite manchado por coágulos de sangue. Nos eqüinos as manifestações clínicas mais freqüentemente associadas à leptospirose são o comprometimento do globo ocular com o aparecimento de uma conjuntivite recidivante, que pode evoluir para a cegueira, caso não seja introduzido o tratamento adequado, abortamento esporádico e infertilidade. Dentre os animais de companhia mantidos nas áreas urbanas junto ao domicílio humano, a leptospirose pode acometer o cão doméstico, provocando quadros febris com sinais variáveis de hemorragias, icterícia e uremia com alto grau de letalidade e óbito decorrente das insuficiências hepática e renal.

As fontes de infecção animal podem ser sumarizadas em doentes, portadores convalescentes e os portadores sadios. Através dos animais portadores, ocorre a persistência dos focos de leptospirose, devido à longa duração desta condição (meses ou anos) e à ampla facilidade de deslocamento que pode ser oferecida a estes animais, uma vez que os mesmos não revelam nenhum sinal da infecção.

Diagnóstico

O diagnóstico da leptospirose animal deve apoiar-se na integração dos informes clínicos-epidemiológicos com os dos resultados dos exames laboratoriais. A confirmação definitiva da infecção assenta-se na demonstração da presença do microrganismo ou dos anticorpos específicos. A soroaglutinação microscópica é o procedimento laboratorial mais amplamente empregado para o diagnóstico etiológico da infecção animal. Outros métodos são dispendiosos, de resultado demorado, aplicando-se apenas a casos individuais e ou animais de alto valor estimativo ou econômico.

Vigilância Epidemiológica DA LEPTOSPIROSE

Os objetivos da vigilância epidemiológica da leptospirose são:

manter um conhecimento atualizado do comportamento da doença, obtendo assim um diagnóstico da situação epidemiológica;

selecionar, priorizar e orientar as medidas de controle adequadas a serem adotadas;

prever mudanças no comportamento epidemiológico da doença, face à adoção de medidas de controle.

Notificação

Todos os casos suspeitos devem ser notificados. É importante identificar todas as fontes de informação (hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios, serviço de notificação de óbito, escolas e a própria população), para coletar dados de casos e óbitos da doença, de forma ágil e contínua, levando-se em consideração as formas oligossintomáticas da doença.

Investigação Epidemiológica

A investigação epidemiológica deverá ser realizada de forma clara e objetiva, incluindo o preenchimento de uma ficha epidemiológica para cada caso suspeito, devendo compreender os seguintes aspectos:

investigação clínica e/ou laboratorial de todos os casos para confirmação diagnóstica

determinação da provável forma e local de contágio, sendo importante pesquisar

contato com água, solo ou alimentos que possam estar contaminados com a urina de roedores infectados; contato com animais que possam estar infectados; condições propícias à proliferação de roedores nos locais de trabalho ou moradia; atividades de lazer em áreas potencialmente contaminadas.

Deverá ser feito o mapeamento de todos os casos para se precisar a distribuição espacial e geográfica da doença (onde está ocorrendo), determinando-se, assim, áreas esparsas ou de aglomeração de casos humanos.

Definição de Caso

Suspeito

É toda pessoa que apresente sinais e sintomas sugestivos da doença como febre, mialgias (principalmente na panturrilha), vômitos, calafrios, alterações do volume urinário, conjuntivite, icterícia, fenômeno hemorrágico e/ou Síndrome de Weil (alterações hepáticas, renais e vasculares). Também é suspeito de leptospirose toda pessoa que apresente sinais e sintomas de processo infeccioso inespecífico, com antecedentes epidemiológicos, sugestivos.

Considera-se como antecedentes epidemiológicos:

exposição a enchentes ou outras coleções hídricas potencialmente contaminadas como córregos, fossas, lagos e rios;

exposição a esgoto, fossa ou manilhas de esgoto contaminadas com urina de roedores;

atividades que envolvam risco ocupacional como coleta de lixo, limpeza de córregos, trabalho em água ou esgoto, tratadores de animais, entre outras;

presença de animais infectados nos locais freqüentados pelo paciente.

Confirmado

Critério Laboratorial

Sempre que possível, todo caso suspeito será confirmado pelo laboratório.

A confirmação laboratorial segue as prioridades a seguir relacionadas:

isolamento da bactéria a partir do sangue, urina ou líquor;

microaglutinação com soro-conversão, sendo necessárias duas ou três amostras com intervalo de quinze dias, evidenciando aumento de títulos de quatro vezes ou mais;

quando não houver possibilidade de duas amostras, um título igual ou superior a 1:800 na microaglutinação confirma o diagnóstico. Títulos menores (entre 1:100 e 1:800) devem ser considerados de acordo com a situação epidemiológica local.

Critério Clínico-Epidemiológico

Todo caso suspeito com clara evidência de associação epidemiológica. Nos casos suspeitos que evoluírem para o óbito sem confirmação laboratorial, amostras de tecido poderão ser encaminhadas para exame imuno-histoquímico.

Análise dos Dados

A associação dos dados dos pacientes em gráficos e tabelas simples, como faixa etária, sexo, evolução do caso, forma de contágio, será útil na determinação do perfil epidemiológico dos indivíduos expostos e em quem está ocorrendo a doença. O uso do diagrama de controle compara a incidência atual da doença com a de anos anteriores e mostrará como ela se encontra no momento (se endêmica ou epidêmica), podendo também prever o seu comportamento e avaliar a eficácia das medidas de controle adotadas.

Deteccão de Áreas de Risco

As áreas de risco serão detectadas após o mapeamento dos locais de contágio de cada caso associados a:

áreas com aglomeração de casos observada no decorrer do tempo; fonte comum de contágio, se houver; fatores físicos/ambientais predisponentes à ocorrência de casos humanos (topografia, hidrografia da região, pontos críticos de enchente, temperatura, umidade, precipitações pluviométricas, pH do solo, aglomerações populacionais, condições de saneamento básico, disposição, coleta e destino do lixo); fatores sociais (condições de higiene e habitação da população, proteção ao trabalhador, hábitos e costumes da população); e uma alta infestação de roedores no local.

Medidas de Controle CONTRA LEPTOSPIROSE

Vários fatores interagem na ocorrência de um caso de leptospirose, portanto, as medidas de controle deverão ser direcionadas não só ao controle de roedores (medidas de anti-ratização e desratização), como também à melhoria das condições higiênico-sanitárias da população e alterações do meio ambiente.

Entre as principais medidas de controle da leptospirose destacam-se:

controle da população de roedores por meio de medidas de anti-ratização e desratização;

redução do risco de exposição de ferimentos às águas/lama de enchentes ou situação de risco;

medidas de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos a risco, através do uso de roupas especiais, luvas e botas;

uso de sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés representam alguma proteção, quando for possível usar luvas e botas;

limpeza e desinfecção com hipoclorito de sódio de áreas físicas domiciliares ou que não estejam contaminadas;

utilização de água filtrada, fervida ou clorada para ingestão;

vigilância sanitária dos alimentos, descartando os que entraram em contato com águas contaminadas;

armazenagem correta dos alimentos em locais livres de roedores;

armazenagem e destino adequado do lixo, principal fonte de alimento e abrigo do roedor;

eliminar entulho, materiais de construção ou objetos em desuso que possam oferecer abrigo a roedores;

desassoreamento, limpeza e canalização de córregos;

construção e manutenção permanente das galerias de águas pluviais e esgoto em áreas urbanas;

emprego de técnicas de drenagem de águas livres supostamente contaminadas;

ações permanentes de educação em saúde alertando sobre as formas de transmissão, medidas de prevenção, manifestações clínicas, tratamento e controle da doença;

em caso de suspeita clínica, procurar orientação médica, relatando a história epidemiológica nos vinte dias que antecederam os sintomas ;

a critério médico, poderá ou não ser indicado o uso de antibioticoterapia em casos de exposição de alto risco;

tratamento de animais doentes, com especial atenção para o uso de procedimentos terapêuticos que sustem a eliminação urinária de leptospiras;

vacinação de animais (caninos, bovinos e suínos) através do uso de bacterinas preparadas com as variantes sorológicas prevalentes na região;

higiene, remoção e destino adequado de excretas animais e desinfecção permanentes dos canis ou locais de criação de animais.

Fonte: dtr2001.saude.gov.br

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