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Malária

 

A malária é uma doença que acomete o homem desde a pré-história. Originada provavelmente no Continente Africano, que é entendido como o "Berço da Humanidade", acompanhou a saga migratória do ser humano pelas regiões do Mediterrâneo, Mesopotâmia, Índia, e Sudeste Asiático. A chegada da doença ao Novo Mundo ainda hoje é motivo de especulações, já que não se dispõe de informações confiáveis. É possível discutir hipóteses tais como viagens transpacíficas em tempos remotos, bem como viagens de colonizadores espanhóis e portugueses a partir do século XVI.

Apesar de a associação com a malária ser incerta, existem referências a febres sazonais e intermitentes em textos religiosos e médicos bastante antigos, entre os assírios, chineses e indianos, que relacionavam a doença à punição de deuses e presença de maus espíritos. No século V a.C., na Grécia, Hipócrates foi o primeiro médico a descartar a superstição e relacionar a doença às estações do ano ou aos locais freqüentados pelos doentes.

Também foi o primeiro a descrever detalhadamente o quadro clínico da malária e algumas de suas complicações. Depois dele, no século II d.C., diversos médicos gregos e romanos deixaram várias referências sobre a doença, que ocorria em epidemias cíclicas na Grécia, Itália e diversas partes da Europa, onde era conhecida como "Febre Romana".

Durante quase 1500 anos pouco foi acrescentado ao conhecimento sobre a doença e seu tratamento. Somente no século XVII ocorreu a observação por padres jesuítas da utilização, por populações indígenas da América do Sul, da casca de uma árvore nativa para o tratamento de alguns tipos de febre. Seu uso se espalhou rapidamente pela Europa e passou a ser conhecido como "pó dos jesuítas" e a árvore de onde era extraído recebeu o nome de Cinchona em 1735. Seu princípio ativo, o quinino, foi isolado em 1820.

No século XVIII a doença recebeu o nome italiano de "mal aire", que significa mau ar ou ar insalubre, já que à época acreditava-se que era causada pelas emanações e miasmas provenientes dos pântanos.

Somente no final do século XIX, quando bacteriologistas e patologistas estavam descobrindo as causas de diversas doenças infecciosas, com a observação de alterações mórbidas em órgãos e tecidos, bem como notando o papel de insetos na transmissão de algumas doenças, é que o conhecimento sobre a malária passou por um período de importantes descobertas.

Em 1880, o médico do exército francês Charles Alphonse Laveran, trabalhando na Argélia, foi o primeiro a observar e descrever parasitas da malária no interior de glóbulos vermelhos humanos. Em 1897, o médico britânico Ronald Ross, trabalhando na Índia, tornou possível a elucidação do modo de transmissão, a encontrar formas do parasita da malária no interior de um mosquito que havia se alimentado em um portador da doença. O quadro completo do ciclo de desenvolvimento do parasita da malária no homem e na fêmea do mosquito Anopheles foi obtido posteriormente graças aos pesquisadores italianos Amico Bignami, Giuseppe Bastianelli e Batista Grassi, em estudos realizados entre 1898 e 1899.

Durante a primeira metade do século XX muitas pesquisas eram dedicadas ao controle da malária, especialmente no sentido de reduzir ou eliminar a presença de criadouros do inseto transmissor, o que se mostrou bastante eficiente em algumas situações. Exemplo maior, foi a eliminação da infestação pelo Anopheles gambiae, mosquito de origem africana e talvez o melhor vetor da doença no mundo, que no final da década de 1930 invadiu a região nordeste do Brasil.

Independentemente de quaisquer dificuldades que o inseto possa ter encontrado para se adaptar ao novo ambiente, sem duvida o que se mostrou decisivo na sua eliminação foi o árduo trabalho de todos os envolvidos na brilhante ação, lançando mão de todos os conhecimentos e recursos existentes à época.

Em outra direção, as dificuldades no fornecimento do quinino durante a Primeira Guerra Mundial estimularam pesquisadores alemães para a obtenção de antimaláricos sintéticos, culminando com o desenvolvimento da pamaquina (1924), mepacrina (1930) e cloroquina (1934).

Paralelamente, eram desenvolvidos estudos para a síntese de substâncias com ação inseticida, que apresentaram seu ápice em 1942, com a obtenção por Paul Muller do composto dicloro-difenil-tricloroetano (D.D.T.), que apresentava grande atividade inseticida, grande poder residual e baixo custo.

Com base nos conhecimentos adquiridos sobre o inseto transmissor, que apresentava atividade no interior dos domicílios, sendo que após o repasto sangüíneo repousava por horas nas paredes internas das casas, nas características do DDT, que poderia ser aplicado nas paredes, e na existência de drogas efetivas para o tratamento, muitos foram levados a crer na possibilidade de a doença ser erradicada, pela eliminação do parasita e não necessariamente do mosquito.

Tendo sido este conceito adotado na Assembléia Mundial de Saúde em 1955, a Organização Mundial da Saúde lançou em 1957 as bases para a Campanha Mundial de Erradicação da Malária, que incluía uma fase preparatória, com a identificação de todas as áreas malarígenas e seus imóveis em condições de receber a aplicação do inseticida, seguida de uma fase de ataque, com a borrifação semestral de DDT nos imóveis, tratamento de todos os moradores com sintomas, coleta de amostras de sangue para confirmação laboratorial e aplicação de medidas de controle de criadouros dos mosquitos (drenagem, aplicação de larvicidas, etc...). Nesta fase era obrigatória a observação do princípio de cobertura total.

A terceira, ou de consolidação, tinha lugar após 3 ou 4 anos, desde que não mais fossem detectados casos autóctones ou a região apresentasse incidência muito baixa (menor que 0,1casos/1000 habitantes).

Também era necessário que a possibilidade de reativação de focos de transmissão fosse mantida níveis extremamente baixos.

A última fase, ou de manutenção, tinha início quando, após a completa cessação de uso de inseticidas por no mínimo três anos consecutivos, não havia evidências de transmissão natural da malária e a vigilância, visando manter a erradicação, passaria para os serviços gerais de saúde.

Como conseqüência, por volta de 1970, os programas de erradicação haviam livrado do risco da doença cerca de 53% da população residente em áreas malarígenas, evitando milhões de mortes e contribuindo para o desenvolvimento sócio-econômico de grandes áreas, especialmente na Ásia, sul e sudeste da Europa e nas Américas.

Entretanto, devido à redução das atividades de controle, crises econômicas, aumento dos custos dos inseticidas, surgimento de resistência dos anofelinos aos inseticidas e dos parasitas aos antimaláricos, a situação se deteriorou na década de 1980 e, exceção feita à Europa e América do Norte, ocorreu o aumento progressivo no número de casos na maioria dos países.

Isto levou à revisão da estratégia global de erradicação e à decisão de adotar atividades de controle integradas a programas nacionais de longo termo, visando reduzir os níveis de transmissão, contando com a participação da comunidade, para alcançar êxito nas atividades que dela dependessem.

Desta forma, aliando-se medidas de controle do vetor, acesso ao diagnóstico laboratorial e tratamento eficaz e imediato, tornou-se possível ao menos obter redução significativa da morbidade e, especialmente, da mortalidade por malária. Porém, ainda hoje a doença se faz presente em cerca de 100 países, especialmente na África, Ásia e Américas Central e do Sul.

ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS

Magnitude e Distribuição Geográfica: A malária está presente nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. O maior foco de transmissão é a África Sub-Sahariana onde ocorrem 90% dos casos no mundo. A malária é endêmica 53 países na África (incluindo 8 países ao sul), em 21 países nas Américas, 4 países na Europa e 14 na região leste do Mediterrâneo, e no sudeste Asiático. A cada ano ocorrem, ocorrem 300 a 500 milhões de casos, com cerca de 1 milhão de óbitos. Estes óbitos ocorrem na África, em áreas remotas com difícil acesso aos serviços de saúde. Dos 25 a 30 milhões de pessoas que viajam para áreas endêmicas, entre 10 a 30 mil contraem malária.

Fonte: www.famene-malaria.com

Malária

A palavra malária vem do século 18 italiano mala que significa "ruim" e aria que significa "ar". Provavelmente, o termo foi usado pela primeira vez pelo Dr. Francisco Torti, Itália, quando as pessoas pensavam que a doença foi causada por falta de ar em áreas pantanosas.

Não foi até 1880 que os cientistas descobriram que a malária é uma doença parasítica que é transmitida pelo mosquito Anopheles. O mosquito infecta o host com um parasita unicelular chamado Plasmodium. Até o final do século 18, os cientistas descobriram que a malária é transmitida de pessoa para pessoa através da picada da fêmea do mosquito, que precisa de sangue para os seus ovos.

Aproximadamente 40% do total da população mundial está em risco de infecção por malária. Durante o século 20, a doença foi eliminado de forma eficaz na maioria dos países não-tropicais.

A malária é uma doença que se transfere aos humanos mediante um vetor (veículo ou agente que transmite uma infecção).

A fêmea do mosquito Anófeles é o vetor mais comum da malária. Se caracteriza por sintomas repetitivos; principalmente febre, arrepios e suores e é comum nos países tropicais.

No princípio não há sintomas.

Depois do contágio, os diminutos parasitas do plasmódio circulam pelo sangue e se dirigem ao fígado onde se reproduzem. A intervalos, regressam ao sangue causando os sintomas característicos da doença.

O primeiro ataque costuma ocorrer de 10 a 35 dias depois do contágio e vai precedido por um dia de dor de cabeça, fadiga, dores musculares e febre baixa.

O paciente se sente como no início de uma gripe.

Os ataques costumam durar um dia e se repetem aos poucos dias, as vezes com vómitos. Sem tratamento, o baço pode inflamar, se desenvolver anemia e até estado de coma. Esta doença sem tratamento costuma ceder depois de 10 ou 30 dias, mas pode resurgir com intervalos variáveis ao longo de toda a vida.

O agente infeccioso pode ser qualquer uma das quatro espécies do parasita chamado plasmódio.

O parasita chega ao vetor quando o mosquito pica a uma pessoa infectada. Depois, o parasita se transfere a outra pessoa mediante a picada de um novo mosquito. Com menos freqüência, o plasmodio pode transferir-se pelo sangue, já seja mediante uma transfusão de sangue infectado ou por compartilhar uma agulha contaminada.

Para cada espécie do plasmódio é utilizado medicamento ou associações de medicamentos específicos em dosagens adequada à situação particular de cada doente. Se o tratamento se inicia cedo, a cloroquina costuma curar dois dos quatro tipos de malária em poucos dias.

No entanto, alguns tipos de plasmódio se tornaram resistentes à cloroquina. Nesses casos se costuma receitar uma combinação de fármacos que se tomam durante um longo período de tempo, apesar dos efeitos secundários.

As pessoas gravemente enfermas devem ser hospitalizadas e se deve administrar medicinas por via intravenosa. Se a doença continua se tentam novas terapias.

Tipos

Existem cinco tipos de malária:

Plasmodium vivax (P. vivax) - forma mais branda da doença, geralmente não é fatal. No entanto, as pessoas infectadas ainda precisam de tratamento, porque o progresso não tratada pode causar uma série de problemas de saúde. Este tipo tem a mais ampla distribuição geográfica mundial. Cerca de 60% das infecções na Índia são devido a P. vivax. Este parasita tem uma fase de fígado e pode permanecer no corpo durante anos sem causar doença. Se o paciente não for tratado, o estágio de fígado pode reativar e causar recaídas - ataques de malária - depois de meses, ou mesmo anos, sem sintomas.

Plasmodium malariae (P. malariae) - forma mais branda da doença, geralmente não é fatal. No entanto, o ser humano infectado ainda necessita de tratamento, porque nenhum tratamento também pode levar a uma série de problemas de saúde. Este tipo de parasita tem sido conhecida a ficar no sangue de algumas pessoas por várias décadas.

Plasmodium ovale (P. ovale) - forma mais branda da doença, geralmente não é fatal. No entanto, o ser humano infectado ainda precisa ser tratado, pois pode evoluir e causar uma série de problemas de saúde. Este parasita tem uma fase de fígado e pode permanecer no corpo durante anos sem causar doença. Sem tratamento, existe um risco de que a fase de re-hepática ativa e causar recidivas após longos períodos sem sintomas.

Plasmodium falciparum (P. faliparum) - a forma mais grave da doença. É mais comum na África, especialmente na África sub-saariana. Os dados atuais indicam que os casos estão sendo relatados em áreas do mundo onde este tipo foi pensado para ter sido erradicada.

Plasmodium knowlesi (P. knowlesi) - causador da malária em macacos, mas também pode infectar seres humanos.

Fonte: www.ciberamerica.org

Malária

1. Introdução

A malária é uma doença infecciosa, não contagiosa, de evolução crônica, com manifestações episódicas de caráter agudo, que acomete milhões de pessoas nas zonas tropicais e sub-tropicais.

2. Etiologia e Vetor

Filo: Apicomplexa
Classe:
Sporozoea
Ordem:
Haemosporida
Família:
Plasmodiidae
Gêneros:
Plasmodium
Espécies: P. falciparum, P vivax e P. malariae
Classe
: Sporozoea
Família:
Plasmodiidae
Espécies:
P. falciparum, P vivax e P. malariae

As infecções do homem e dos mamíferos são transmitidas por mosquitos do gênero Anopheles, e as das aves por Culicíneos.

3. Biologia

Os plasmódios possuem várias formas evolutivas no hospedeiro intermediário (homem) e no hospedeiro definitivo (mosquito). No homem tem formas escondidas no fígado, dentro dos hepatócitos, que são o criptozoíta, criptoesquizonte e criptomerócito. Ainda no hospedeiro intermediário, dentro de suas hemácias, tem as formas trofozoíta, esquizonte, merócito e gametócito. No hospedeiro definitivo há a formação de gametas pelos gametócitos e ocorre a reprodução.

4. Epidemiologia

A transmissão pelo mosquito do gênero Anopheles é a maior forma de transmissão da malária.

Ela também pode ser transmitida pelo sangue e hemoderivados, uso de agulhas e seringas contaminadas e através da placenta. Hoje em dia a malária limita-se geralmente aos trópicos e regiões subtropicais. A maior parte dos casos são no continente africano, sendo que esses casos são na maioria por P. falciparum.

No Brasil, nos últimos 10 anos, tem-se registrado de 400 a 500 mil casos ao ano, sendo a maioria na Amazônia Legal (principalmente no Pará, Rondônia, e Amazonas), em primeiro lugar vem a infecção por P. vivax, depois por P. falciparum, e por último por P. malariae.

Alguns fatores também são importantes como a existência de condições favoráveis ao vetor e ao parasita (existência de criadouros, a temperatura, umidade), o tipo de ocupação profissional, projetos de colonização e urbanização, a imunidade adquirida ( quantidades repetidas diminuem a parasitemia e gametocitemia) e etc.

5. Imunologia

Imunidade natural: indivíduos com hemácias anormais (pouca duração, formas diferentes ou alteradas de hemoglobina), talassemia, anemia falciforme, ausência de antígenos de superfície de hemácias.

Imunidade adquirida: ativa, devido ao número de contaminações pelo indivíduo, e passiva quando a mulher grávida passa anticorpos para o filho.

6. Patologia

A malária é uma doença multissistêmica, acometendo diversos órgãos, particularmente cérebro, rins, pulmões, fígado e baço.

Cérebro

Encéfalo congesto, com edema proeminente em cerca de 36% dos casos, hemorragias petequiais em 80% dos casos, cor cinza-azulada devido impregnação pelo pigmento malárico (hemozoína).

Rins

Alterações tubulares (necrose tubular aguda), glomerulonefrite, lesões glomerulares proliferativas devido depósitos de imunocomplexos constituindo a síndrome nefrótica que compromete principalmente crianças.

Pulmões

Edema pulmonar com complicação grave e freqüentemente fatal. Nestes casos, pode-se observar a presença de edema intersticial e alveolar e congestão vascular.

Baço

Moderado aumento de volume, de consistência amolecida e sujeito a ruptura. Cor variável do vermelho-escuro ao negro (dependendo do grau de congestão e de hemozoína). Nas formas crônicas ocorre a fibrose, e a periesplenite sendo que o baço pode aderir-se à órgãos vizinhos, ao diafragma e à parede abdominal.

Medula óssea

Na fase aguda mostra-se hiperemiada, com hiperplasia das células reticuloendoteliais. Na fase crônica mostra hipercelular com hiperplasia de ambas as séries mielóide e eritróide.

Trato gastrointestinal

Mucosa dos intestinos edematosa e congesta. Ocasional necrose do epitélio.

7. Quadro clínico

O acesso palúdico clássico é caracterizado por tremores e sensação de frio e dura de alguns minutos a uma hora.
Vasoconstrição periférica dando o aspecto de palidez e cianose.
Temperatura alta (41° a 42°) durante duas ou oito horas.
Sudorese profunda e sensação de fadiga na fase de defervescência.
O período de ocorrência entre os acessos varia em função da espécie.. De uma maneira geral as infecções por P. falciparum e por P. vivax ocorrem a cada 48 horas, por P. malariae a cada 72 horas.
Dor lombar, mialgias, vômitos, cefaléia, artralgia e diarréia são fenômenos freqüentes relacionados aos acessos palúdicos.
Ao exame físico:
baço palpável com freqüente esplenomegalia.

Critérios de gravidade da malária por P. falciparum: coma profundo devido malária cerebral, anemia severa, insuficiência renal, edema agudo de pulmão ou síndrome de angústia respiratória do adulto, hipoglicemia, sangramento espontâneo pelas mucosas orais, nasais e gastrointestinais, choque ou colapso circulatório, convulsões generalizadas repetidas, acidemia, hemoglobinúria.

8. Diagnóstico

Coleta de sangue por punção digital e confecção de gota espessa.

Esfregaço para identificar a espécie de parasita.

PCR

Diagnóstico diferencial

Arboviroses: A malária pode ser confundida com a febre Oropouche, vírus de Mayaro e febre amarela não complicada. O quadro de mialgia, artralgia, exantema colaboram para essa confusão. Deve-se verificar o status vacinal e fazer exames laboratoriais para o diagnóstico correto.
Leptospirose hepatorrenal:
o quadro febril, fortes dores musculares (principalmente na panturrilha), hiperemia e injeção conjuntival, icterícia intensa, elevação na bilirrubina e dos níveis de creatinina sérica aponta para um diagnóstico mais provável de lepstospirose, sendo confundida com malária com manifestações hemorrágicas.
Hepatites virais:
As hepatites do tipo B são confundidas devido manifestações íctero-hemorrágicas. Febre mais branda, a elevação de aminotransferases, aumento de bilirrubina e evolução para insuficiência hepática sugerem a participação do vírus na etiologia.
Meningites e meningoencefalites:
confundem-se com malária cerebral. Fazer punção do LCR.

9. Tratamento

P. vivax: cloroquina no 1º dia, 10mg/kg, VO . No 2º e 3º dia, 7,5 mg/kg, VO. Primaquina 0,25 mg/kg durante 14 dias, VO.

P. falciparum não complicada:

1 – Quinino: 30 mg/kg/dia, VO, duas ou quatro vezes.
2 – Mefloquina:
dose única 16,5 mg/kg, VO.
3 – Artesunato:
1,6 mg/kg, 2 vezes ao dia durante seis dias, VO>

P. falciparum complicada:

1 – Quinino: 25 mg/kg de 8/8 horas, em solução glicosada, IV.
2 – Mefloquina:
20 mg/kg, em água, em sonda nasogástrica.
3 – Artemeter:
2,6 mg/kg no primeiro dia e 1,3 mg/kg no segundo e terceiro dia, IM.
4 – Artesunato:
1,2 mg/kg diluída em solução glicosada a 5%, EV, na hora zero, hora 4, hora 24 e hora 48.

10. Profilaxia

1. Proteção individual com o uso de roupas protetoras, de substâncias repelentes, telagem nas portas e janelas, uso de mosquiteiros impregnados ou não com inseticidas.
2.
Luta contra os vetores com o uso de inseticidas químicos, agentes biológicos e o manejo do meio ambiente.
3.
Manutenção das áreas já livres da transmissão natural.

11. Casos Especiais

1. Malária em gestantes:

Desenvolvem as formas graves da doença.
Alta ocorrência de trabalho de parto prematuro.
Hipoglicemia acentuada e freqüente.
Uso de Cloroquina acompanhada de Proguanil. Mefloquina somente a partir do quarto mês de gestação.

2. Malária em crianças:

São tratadas com esquemas iguais aos dos adultos, exceto a utilização de tetraciclinas, pois comprometem a osteogênese.
Forma não grave da doença: utilizar sulfato de quinino, isoladamente, na dose de 10 mg/kg/dose a cada oito horas no período de 10 dias.

Clarisse Sousa

BIBLIOGRAFIA

VERONESI, Tratado de Infectologia, volume 2, São Paulo, Editora Atheneu, pág. 1234 – 1263.
FARHAT, Calil Kairalla, Infectologia Pediátrica, Segunda edição, São Paulo, Editora Atheneu, 1998, pág. 563 – 593.
PESSOA, Parasitologia Médica, Sexta edição, Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan, 1963, pág. 157 – 177.
JAWETZ, Microbiologia Médica, vigésima edição, Rio de Janeiro, Editora Guanabara koogan, 1998, pág. 455-459.
SCHECHTER, Mauro, Doenças Infecciosas: conduta diagnóstica e terapêutica. Segunda edição, Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan, 1988, pág. 193-195, 200.

Fonte: www.medstudents.com.br

Malária

A malária é um sério problema de saúde mundial. Anualmente, são infectados 200 milhões de pessoas e 2 milhões morrem da doença. Apesar do aumento do número de terapias e métodos de controle, continuamos longe de controlar a doença. A chave para a redução da taxa de mortalidade é um diagnóstico rápido e uma terapia eficaz.

Apesar da microscopia ser considerada o padrão-ouro para o diagnóstico e monitoramento do tratamento da malária, essa técnica exige pessoal treinado e experimentado no exame de distensões sanguineas. Novas técnicas científicas estão sendo empregadas para desenvolver diagnósticos simples, eficazes, capazes de serem realizados fora do laboratório. Espera-se que a utilização desses testes venha a possibilitar diagnósticos rápidos nas comunidades locais, assegurando o tratamento imediato e eficaz para prevenir a disseminação da doença.

A malária infecta mais de 200 milhões de pessoas no mundo, dos quais morrem 2 milhões. Um diagnóstico rápido e o tratamento precoce dos casos clínicos é essencial para a redução da taxa de mortalidade por malária. O monitoramento da eficácia do tratamento antimalárico é igualmente decisivo. Isso exige controle da eliminação dos parasitas para que se possa detectar precocemente qualquer recrudescimento da doença devido às variedades resistentes aos medicamentos, iniciando-se um tratamento igualmente precoce com vistas a prevenir complicações e deter a propagação da doença. O atraso no diagnóstico e a demora no tratamento são os motivos por que se associa essa elevadíssima taxa de mortalidade à malária do P.falciparum[1].

O problema é ainda mais agravado pela redução da sensibilidade às drogas pelo parasita da malária, particularmente o P.falciparum, e pelo aumento na transmissão da malária em algumas regiões do mundo, enquanto escasseiam as medidas para controle do vetor e sua resistência aos pesticidas. Atualmente, o P.falciparum é virtualmente intratável pela cloroquina na maior parte do mundo.

Muitas variedades do P. vivax também são resistentes à droga. O quinino é a droga preferida para o tratamento da malária resistente a cloroquina, mas a toxicidade da mesma e o não seguimento da prescrição médica[2] são problemas que persistem. Novas drogas antimalária (e.g. Artenusate, Malarone, Mefloquine) são caras e nem sempre eficazes. Já existe alguma resistência a essas novas drogas.

Diagnóstico da malária no laboratório

A administração eficaz de um caso de malária exige o diagnóstico imediato, seguido do tratamento precoce apropriado. O tratamento com drogas deve ser monitorado para assegurar a detecção precoce de quaisquer falhas no tratamento que possam resultar em complicações e na propagação continuada de variedades resistentes às drogas. Deve-se então escolher um tratamento alternativo. É mundialmente aceita a necessidade de diagnosticar melhor a malária.

O teste ideal para o diagnóstico da malária deve ser simples, rápido, de fácil interpretação, sensível (capaz de detectar níveis bastante baixos de parasitemia, e.g. numa população imune em áreas endêmicas, em infecções subpatentes e recrudescentes), e específico, particularmente quanto ao P. falciparum. O teste deve ser adequado para uso em espécimes frescos ou preservados (desidratados ou congelados), e possivelmente formatado para uso em equipamentos automáticos de análises clínicas. Também deve ser possível a obtenção de resultados quantitativos (parasitemia) para o monitoramento do tratamento por drogas. Qualquer teste disponível deve ser de baixo custo para uso em áreas endêmicas onde a doença prevalece.

Microscopia de distensão sanguínea

Historicamente, a pedra fundamental para o diagnóstico da malária tem sido a microscopia de distensões sanguíneas espessas e finas. Essa técnica continua sendo o método mais econômico e, independente do progresso que se está alcançando com métodos não-microscópicos para o diagnóstico da malária, a microscopia continuará sendo por muitos anos uma importante técnica diagnóstica.

O diagnóstico microscópico é um procedimento sensível, de custo reduzido, que pode fornecer informações valiosas ao médico atendente, tanto para fins terapêuticos como para o acompanhamento clínico. O treinamento de um microscopista no reconhecimento e identificação de espécies de parasitas da malária, assim como para contribuir com informações capazes de influenciar o modo de aplicação e a droga a ser ministrada, é uma tarefa muito exigente, que requer empenho, paciência e habilidade. A microscopia não deve ser desprezada ainda que outros métodos não-microscópicos estejam disponíveis.

Distensão sanguínea ‘espessa’ (gota espessa)

A distensão sanguínea espessa proporciona uma camada de 3 a 5ml de sangue numa área de 1 cm2. É corada com corante não fixado de Fields ou Giemsa (Romanowsky). Uma distensão espessa é 15 a 20 vezes mais sensível do que a distensão sanguínea fina equivalente e responde pela sensibilidade da técnica microscópica. Nas mãos de um microscopista experiente, uma densidade de parasitas da ordem de 5 a 50 parasitas/ml (0,001%-0,0001% parasitemia) pode ser detectada. No entanto, pela experiência da UKNEQAS [United Kingdom National External Quality Assessment/Avaliação Nacional da Qualidade Externa no Reino Unido] para Parasitologia, um nível de 50 a 500 parasitas/ml (0.01-0.001%) é mais realista para a maioria dos laboratórios.

O exame de 200 campos de distensão sanguínea espessa é o método padrão, e o seu uso pode acelerar a rapidez no diagnóstico e melhorar a sensibilidade de detecção do parasita em várias casas decimais, em comparação com distensões sanguíneas finas. A microscopia que utiliza distensões sanguíneas espessas pode ser empregada para diagnóstico e triagem de estágios de gametas. Adicionalmente, a maior sensibilidade da distensão sanguínea espessa permite detectar quaisquer indícios iniciais de alterações na morfologia parasitária ou a falha em erradicar o parasita após uma terapia adequada, o que pode sugerir uma possível resistência à droga ou o recrudescimento da infecção.

Distensão sanguínea ‘fina’

As distensões sanguíneas finas produzem uma monocamada de eritrócitos na lâmina e são coradas com corante Giemsa após a fixação. A distensão fina possui elevada especificidade e o reconhecimento preciso do estágio do parasita da malária, permitindo determinar sua espécie. Relatar o número de hemácias (RBCs) parasitadas pelo P. falciparum (parasitemia) é uma outra ferramenta que permite ao médico decidir sobre a severidade potencial da infecção, particularmente em pacientes não-imunes, e influencia a escolha da droga e a via de administração. O exame correto de uma distensão sanguínea fina que tenha sido corado leva pelo menos 20 minutos. O reconhecimento e relato dos estágios mais tardios do trofozoíto do P. falciparum podem fornecer indicadores valiosos para o clínico sobre um possível envolvimento cerebral.

Os trofozoítos tardios do P.falciparum contém cromatina expandida e um citoplasma mais espesso que é freqüentemente vacuolado. Inclusões de hemácias (fenda de Maurer [Maurer’s cleft]) também são visíveis. Adicionalmente, um pequeno aglomerado de pigmento marrom dourado de hemozoína é encontrado em posição oposta ao único ponto de cromatina do núcleo. Os estágios esquizontes do P.falciparum são identificáveis pela divisão da cromatina em diversas partes e uma massa única e grande de pigmento hemozoína. As hemácias parasitadas são muitas vezes ‘desemoglobinizadas’. O exame diário de distensões sanguíneas finas para a verificação de parasitemia fornece valiosa indicação de terapia bem sucedida ou de possível fracasso na terapia medicamentosa.

Parasitas inviáveis podem permanecer em circulação junto com parasitas viáveis e poderiam, portanto, estar presentes numa parasitemia. Tem sido relatada a diferenciação por fluorocromos entre parasitas viáveis e inviáveis com Rhodamine 123. O laranja acridina e o Benzociocarboxipurina são dois fluorocrômos que têm afinidade com a cromatina do núcleo do parasita, e têm sido empregados nos procedimentos de coloração de parasitas da malária com uso de uma fonte de luz UV. Eles constituem um método microscópico sensível para a detecção de parasitas da malária, mas carecem da capacidade de especificar. O controle da qualidade de todos os corantes e procedimentos de coloração é boa prática de laboratório.

Testes baseados em antígenos

Toda técnica empregada no diagnóstico da malária deve atender a determinados critérios técnicos e igualar, ou exceder, o desempenho do método atualmente aprovado (O Padrão-Ouro). Deve ser sensível, precisa e fácil, exigindo pouco treinamento do operador e da capacidade de interpretar. Para substituir um procedimento aprovado por um método novo, é necessário que este forneça aos médicos resultados igualmente aceitáveis.

Os Testes de Diagnóstico Rápido (TDRs) que fazem uso do princípio da imunocromatografia estão se tornando uma alternativa viável para o exame microscópico de distensões sanguíneas finas/espessas.

Os testes atuais disponíveis para malária empregam antígenos de três parasitas detectáveis distintos: Histidine Rich Protein 2 é um antígeno do P. falciparum encontrado em abundância. Também são usados o lactato dehidrogenase e a aldolase parasita-específicos. Um terceiro componente é usado no BINAX ‘NOW’ ICT, mas ainda não foi divulgado.

O que podem fazer os TDRs atuais?

Os atuais TDRs podem ser utilizados. com sensibilidades variáveis, para detectar o P.falciparum isolado ou o P.falciparumcom ‘outros’ antígenos da espécie Plasmodium. Todos dão um resultado em prazo compatível (20 minutos) e não há correlação direta entre a densidade visual da linha de captura e a parasitemia calculada a partir da distensão sanguínea fina.

Os TDRs que usam o HRP2[3] para o reconhecimento do P falciparum não distinguem entre antígenos de parasitas viáveis e inviáveis em circulação. Contudo, os TDRs que medem a atividade enzimática do parasita indicam a presença de parasitas viáveis exclusivamente.

PCR – uma alternativa válida para o diagnóstico da malária?

Foram desenvolvidos numerosos ensaios baseados em PCR (Polymerase Chain Reaction/Reação em cadeia de polimerase) para o diagnóstico da malária. Vários estudos demonstram que a PCR tem sensibilidade e especificidade maiores do que a distensão sanguínea fina. A técnica é muito útil quando há necessidade de examinar com precisão um grande número de amostras como, por exemplo, em diversos estudos epidemiológicos; em experiências clínicas, terapêuticas e de imunização; na triagem de doadores de sangue e na detecção de vetores assintomáticos em áreas endêmicas. A PCR é também uma ferramenta muito útil no diagnóstico de infecções mistas, no monitoramento da resposta do paciente a drogas antimalária, e na caracterização de genótipos.

Numerosos alvos de DNA têm sido empregados em ensaios baseados em PCR. A pequena subunidade de gene (SSU) rRNA, com seus sítios gene-específicos e espécie-específicos, tem sido empregada na diferenciação de espécies plasmodiais de PCR (Snounou et al 1996). Também têm sido investigadas as regiões espécie-específicas do gene da proteína ‘circumsporozoíta’.

A PCR também está se tornando uma ferramenta cada vez mais importante no monitoramento do tratamento medicamentoso. Os métodos que dependem de testes de suscetibilidade in vitro são de emprego limitado porque exigem equipamentos e perícias consideráveis, e com freqüência produzem resultados inconsistentes. Nem todos os parasitas podem ser adaptados à cultura in vitro, e os métodos microscópicos não são suficientemente sensíveis para detectar níveis muitos baixos de parasitemias resultantes de tratamentos curativos ou subterapêuticos (parasitemias subpatentes ou infecções recrudescentes).

Automatização usando pigmento Hemozoína

O pigmento hemozoína é produzido pelo parasita da malária ao digerir a hemoglobina do eritrócito. O seu uso como possível alvo para diagnóstico com o emprego de gráficos de dispersão produzidos por analisadores de contagem sanguínea tem sido discutido, (Parasitology Today, vol. 16, 2000). A possível presença contínua do pigmento hemozoína nos monócitos por períodos consideráveis após a cura originam diagnósticos falso-positivos, em particular nas áreas endêmicas. Contudo, esta será uma área interessante para desenvolvimento futuro.

Conclusão

A distensão sanguínea corada ainda é de uso extensivo e prático no diagnóstico de rotina da malária e atualmente não pode ser superado como o padrão-ouro para diagnóstico.

Contudo, alguns TDRs podem proporcionar a sensibilidade e a especificidade necessárias para substituir a microscopia, assim que tiverem sido vencidos os problemas de estabilidade e custo. Espera-se que, eventualmente, todo centro de saúde possa diagnosticar a malária, ensejando o diagnóstico e o início de tratamento eficaz precoces. Isso terá um papel vital na redução do número de óbitos por esta doença.

Anthony Moody

David Manser

Notas

NT - Esta é a grafia correta, e não P.falciparium, como aparece algumas vezes no original.
[2] NT - Nesta frase “complacência” é uma das possíveis traduções do termo “compliance”, que também pode ser traduzido como ‘ submissão; condescendência; tendência a ceder diante de outros; consentimento, aquiescência” - todos estes igualmente incoerentes com o resto da frase.
[3] NT - Não foi encontrado o significado ou a tradução deste termo.

Fonte: www.pncq.org.br

Malária

O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno da malária são medidas efetivas na prevenção de formas graves e complicadas da doença, as quais muitas evoluem para óbito.

O diagnóstico precoce pode ser feito pelo exame clínico, através de sinais e sintomas da doença que o médico é capaz de reconhecer. Igualmente, o exame microscópico do sangue do doente permite identificar os parasitas que produzem a malária.

Entretanto, nem sempre está presente o médico, assim como não existem laboratórios em muitas áreas rurais distantes, no interior da Amazônia, onde a terçã maligna, produzida pelo Plasmodium falciparum, é sempre grave e se complica quando o tratamento não é administrado oportunamente. Em tais condições, o pessoal de saúde constitui recurso valioso para o imediato reconhecimento de pacientes com malária, particularmente dos casos com sinais e sintomas de gravidade, para administrar-lhes tratamento e evitar agravamento ainda maior que possa conduzir ao óbito.

Caso os recursos disponíveis não sejam suficientes ou adequados para um atendimento apropriado, o pessoal de saúde deverá encaminhar o doente para outro lugar com maiores recursos, depois de iniciar o tratamento.

O propósito deste manual é fornecer conhecimentos e orientação técnica para que esse pessoal de saúde possa reconhecer, clinicamente, casos de malária, identificar neles sinais e sintomas de gravidade e administrar o tratamento sem esperar o resultado dos exames parasitoscópicos.

Considerando-se que a malária é uma das endemias mais freqüentes na Região Amazônica e que deve ser combatida de forma integrada, com a participação de todas as unidades do SUS e da sociedade, a FUNASA está contribuindo para aumentar a capacidade de diagnosticar e tratar doentes de malária, objetivando-se evitar óbitos,diminuir a freqüência de casos e reduzir as perdas econômicas e sociais produzidas pela malária. Como resultado, poderão se alcançar melhores condições de saúde e de bem-estar das populações atendidas.

A MALÁRIA COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

A malária é um dos mais importantes problemas de saúde em todo o mundo, estimando-se que surjam, a cada ano, 100 milhões de casos novos da doença.

Em 1994, no Brasil, foram registrados em torno de meio milhão de casos, provenientes, em sua quase totalidade, da região Amazônica. Como se trata de uma doença que debilita, enfraquece e incapacita as pessoas para o trabalho e que pode levar à morte, pode-se imaginar o sofrimento humano que gera e as perdas que causa para o pais.

A luta contra a malária no Brasil se desenvolve, de forma organizada, há mais de 50 anos, tendo envolvido muitos recursos e o trabalho de muitas pessoas. A experiência acumulada ao longo desses anos revela que a forma como vem se dando a ocupação de novos espaços pelo homem, particularmente na região Amazônica, tem muita influência sobre os fatores que favorecem a disseminação da malária e mostra que as antigas estratégias já não são tão eficazes para combatê-la.

A compreensão da doença, dos fatores que favorecem sua transmissão e da história do combate à malária no Brasil são importantes para que os profissionais de saúde reconheçam os desafios que se apresentam hoje para o controle da enfermidade e como podem enfrentá-los, ativa e criativamente.

A DOENÇA MALÁRIA

A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasita plasmódio e transmitida de pessoa a pessoa pela picada do mosquito anofelino que se infectou ao sugar o sangue de um doente.

Malária
As pessoas também podem se infectar por transfusão de sangue de doadores portadores de plasmódios

O AGENTE TRANSMISSOR DA MALÁRIA

O mosquito anofelino, transmissor da malária, é conhecido pelo nome de mosquito prego, pela forma peculiar com que pousa.

Malária
Agente transmissor da Malária

As fêmeas põem seus ovos em águas paradas ou com pequena correnteza, e geralmente relativamente limpas sombreadas.

Ainda nesses criadouros, os ovos dão origem a larvas, que se transformam em pupas e em seguida, em mosquitos adultos.

Nesta fase, os mosquitos abandonam a água e a alimentação e procuram um lugar de abrigo até o momento do acasalamento.

Os mosquitos machos alimentam-se de sucos de vegetais e néctar de flores e as fêmeas de sangue, necessário ao amadurecimento dos ovos .

Deste modo, somente as fêmeas transmitem a malária.

Malária
Agente causador e seus ciclos de desenvolvimento

Ciclo Evolutivo: ovo-larva-pupa-mosquito adulto

Os anofelinos costumam ter preferência por lugares abrigados como casas, acampamentos, etc., onde costumam picar no período que vai do anoitecer ao amanhecer. Mas podem também picar ao relento e, depois de se alimentarem, voltar aos lugares onde costumam abrigar-se.

O conhecimento dos hábitos do agente transmissor orienta as medidas de extinção e tratamento de criadouros e de proteção dos indivíduos que podem interferir diretamente na transmissão da malária.

O AGENTE CAUSADOR E SEUS CICLOS DE DESENVOLVIMENTO

Em nosso país, há três espécies de plasmódio que causam a malária:

Plasmodium vivax
Plasmodium falciparum
Plasmodium malariae.

Depois de o plasmódio penetrar no corpo humano através da picada do mosquito, o parasita vai se diferenciar e se multiplicar no organismo do homem em um ciclo que se desenvolve, em uma primeira etapa, nas células do fígado e, em uma etapa seguinte, dentro dos glóbulos vermelhos do sangue.

Nas infecções por P.falciparum, não fica nenhum reservatório de parasitas nas células do fígado, depois de completada a primeira etapa. Nas infecções por P. vivax e P. malariae, uma parte dos parasitas permanece "dormindo" nas células hepáticas por períodos de duração variável, enquanto a outra se desenvolve dentro das hemácias. Ao "acordar", posteriormente, os parasitas armazenados no fígado vão desencadear novos ataques da doença.

Tanto no organismo do homem quanto no organismo do mosquito, o plasmódio se desenvolve passando por várias formas, as quais recebem nomes diferentes. Os gametócitos, forma desenvolvida no interior dos glóbulos vermelhos do sangue, são o único elemento capaz de evoluir no organismo do mosquito. Por isso se diz que os gametócitos são a forma infectante para o mosquito.

A fêmea do anofelino se infecta quando se alimenta e suga o sangue com gametócitos de um doente com malária. Os gametócitos evoluem no organismo do mosquito e convertem-se em esporozoitos que se localizam nas glândulas salivares do mosquito.

Posteriormente, o mosquito infectado, para facilitar a sucção do sangue durante o processo de alimentação, injeta saliva com esporozoitos e, desta forma, transmite a infecção. Os esporozoitos são, assim, a forma infectante para o homem.

Cada vez que o mosquito se alimenta, o processo se repete e assim a transmissão continua.

Como se desenvolve um caso de malária

Como regra geral, todas as pessoas são suscetíveis à infecção malárica. As infecções sucessivas podem desenvolver no homem um certo grau de imunidade que o torna mais resistente aos efeitos da novas infecções. Esse fato pode ocorrer em populações que vivem em regiões altamente endêmicas, onde as repetidas infecções podem originar um abrandamento dos sintomas clínicos da doença.

Os sintomas da malária não aparecem de imediato. O período compreendido entre a picada do mosquito e o aparecimento dos primeiros sinais e sintomas é chamado de período de incubação, e sua duração depende da espécie de plasmódio.

Passado o período de incubação, os sintomas mais freqüentes são dor de cabeça e dor no corpo, seguidos de calafrios alternados com febre e sudorese abundante, decorrentes da presença de plasmódios no sangue. Como esse quadro clínico é comum para as três espécies de plasmódio, só o exame do sangue permite diferenciar a espécie parasitária.

A febre característica da malária surge sob a forma de acessos febris. A periodicidade do acesso varia segundo a espécie de plasmódio causadora da infecção.

Quando a malária é causada pelo P. vivax ou pelo P. falciparum, o acesso se repete, mais freqüentemente, com um intervalo de um dia (febre terçã).

Quando a infecção é causada pelo P. malariae, o intervalo entre os acessos costuma ser de 2 dias (febre quartã). Nem sempre esses padrões se repetem, havendo casos, por exemplo, em que a febre é diária.

À medida que os acessos de febre vão se repetindo, a pessoa vai ficando anêmica, porque os plasmódios vão destruindo os glóbulos vermelhos do sangue. Com a evolução da doença, o baço e o fígado podem aumentar de tamanho.

Os sinais e sintomas apresentados pelo doente são importantes para o diagnóstico clínico da malária. Os dados sobre a procedência do doente e a história de situações anteriores semelhantes também colaboram para o diagnóstico clínico. Quando não há possibilidade de confirmação imediata pelo exame de sangue, é o diagnóstico clínico que orienta a decisão de iniciar o tratamento.

O tratamento da malária tem como objetivo principal eliminar os plasmódios do sangue que são os que produzem o ataque clínico de todas as malárias (falciparum, vivax e malariae) e os que são responsáveis pelas complicações da malária causada pelo P. falciparum.

Nos tratamentos das infecções por P. vivax e por P. malariae, é necessário também eliminar os plasmódios que permanecem no fígado, para evitar as recaídas da doença após a cura clínica.

O Plasmodium falciparum produz a malária mais grave e perigosa e é, por isso, chamada de febre terçã maligna. O quadro clínico é mais variado e complicado, com sintomas e sinais que mostram o comprometimento progressivo de outros rgãos do corpo humano, como os rins e o sistema nervoso. O tratamento precoce é a forma mais importante de evitar as complicações e as mortes causa­das pela infecção pelo P. falciparum. Se o tratamento não for correto, suficiente e completo, podem remanescer na circulação sangüínea parasitas que, posteriormente, produzirão recidivas e novos ataques clínicos.

Alguns tipos de Plasmodium falciparum, resistentes a medicamentos antimaláricos, não são totalmente eliminados do sangue pelo tratamento e podem ser responsáveis por novas manifestações clínicas.

O conhecimento dos ciclos de desenvolvimento do plasmódio no homem e no mosquito e o entendimento de como se desenvolve a doença são fundamentais para compreender as bases do tratamento da malária e a importância da detecção precoce dos casos e da administração adequada e imediata dos medicamentos, para o controle da doença. O tratamento oportuno e correto, além de evitar o sofrimento humano pela eliminação dos sintomas clínicos, previne a morte e contribui para bloquear a transmissão da doença.

Fonte: www.geocities.com

Malária

É uma doença infecciosa, febril, parasitária aguda, transmitida pela fêmea do mosquito Anópheles. Tem a febre como característica principal, sendo que os acessos febris têm intervalos de 24 a 72 horas.

A malária humana mais grave é a do tipo Plasmodium falciparum, que pode evoluir até a morte, se não for diagnosticada a tempo.

Nem toda a pessoa picada pelo mosquito transmissor contrai a doença, o organismo humano possui uma resistência natural para destruir os parasitas, essa defesa espontânea é chamada de “estado de premunição”.

Os órgãos mais atingidos pela malária são: o fígado e o baço.

A principal causa de óbitos dos que contraem a malária ainda é relacionada entre o início dos sintomas e o diagnóstico, e a conseqüente instituição de tratamento específico.

A malária também é conhecida dependendo da região pelos seguintes nomes:

Maleita
Febre dos pântanos
Febre das selvas
Impaludismo.

A malária também é conhecida por maleita, impaludismo, febre dos pântanos, febre das selvas e outros nomes dependendo da região sendo uma doença típica de regiões onde existam florestas ou selvas.

Agente etiológico

Mosquito da família dos Anófeles, que injeta os esporozoítos do gênero Plasmodium, pela saliva ao picar o homem:

Plasmodium malariae: febre quartã
Plasmodium falciparum:
terçã maligna
Plasmodium vivax:
terçã benigna
Plasmodium ovale:
malarie ovale.

Observação: No Brasil existem apenas os três primeiros, sendo o Plasmodium vivax o mais comum.

Transmissão

Direta: através da picada da fêmea do mosquito infectado.
Indireta:
através de objetos contaminados pelo sangue, ou por transfusão de sangue de um doador contaminado.utilização compartilhada de seringas por usuários de drogas por via endovenosa,lesões por agulhas.

Observação: No Brasil a transmissão da malária está restrita mais à Região Norte, ao estado do Maranhão e Mato Grosso.

Profilaxia

Controle eficaz dos doadores de sangue
Usar mosquiteiros impregnados com permetrina, telas nas janelas e portas em regiões endêmicas
Utilizar se possível calça comprida, bota, meia, e camisa de manga comprida
Cuidados básicos de higiene
Usar inseticida em aerossol nos locais onde for dormir
Uso de repelentes contra mosquitos
Educação sanitária às comunidades em região endêmicas
Campanhas de prevenção através dos meios de comunicação
Se for viajar para regiões em que ocorra a Malária, se informar nos postos de saúde, aeroportos, rodoviárias, portos, sobre as medidas de proteção contra a doença

Fonte: www.tropaseniorcarcara.hpg.com.br

Malária

Malária é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada por Plasmodium.

Qual o microrganismo envolvido?

Protozoários do gênero Plasmodium.

No Brasil, três espécies estão associadas malária em seres humanos: P. vivax, P. falciparum e P. malariae.

Quais os sintomas?

Os sintomas mais comuns são:

Calafrios
Febre alta (no início contínua e depois com freqüência de três em três dias)
Dores de cabeça e musculares
Taquicardia
Aumento do baço
Delírios.

No caso de infecção por P. falciparum, também existe uma chance em dez de se desenvolver o que se chama de malária cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos letais da doença.

Além dos sintomas correntes, aparece ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma.

Como se transmite?

O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente através da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada por Plasmodium ou, mais raramente, por outro tipo de meio que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como o compartilhamento de seringas (consumidores de drogas), transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto, na gravidez.

Como tratar?

A decisão de como tratar o paciente com malária deve estar de acordo com o Manual de Terapêutica da Malária, editado pelo Ministério da Saúde, e ser orientada pelos seguintes aspectos:

Espécie de plasmódio – dependendo da espécie de plasmódio o paciente vai receber um tipo de tratamento.
Gravidade da doença –
pela necessidade de drogas injetáveis de ação mais rápida sobre os parasitos, visando reduzir a letalidade.

Como se prevenir?

Medidas de prevenção individual: uso de mosquiteiros impregnados ou não com inseticidas, roupas que protejam pernas e braços, telas em portas e janelas, uso de repelentes.

Medidas de prevenção coletiva: drenagem, pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, aterro, limpeza das margens dos criadouros, modificação do fluxo da água, controle da vegetação aquática, melhoramento da moradia e das condições de trabalho, uso racional da terra..

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Malária

A malária, também conhecida por paludismo, impaludismo ou febre palustre, é uma doença causada por protozoários do gênero Plasmodium.

Quatro espécies de plasmódios podem infectar o homem: Plasmodium falciparum (P. falciparum) que causa a forma mais grave da doença, Plasmodium vivax (P. vivax), predominante no Brasil, Plasmodium ovale (P. ovale), que ocorre apenas no continente Africano e Plasmodium malariae (P. malariae).

Localização: A malária está presente em mais de 100 países. No Brasil é encontrada principalmente na região da Amazônia legal. 

Transmissão

O plasmódio é geralmente transmitido ao homem pela picada de mosquitos do gênero Anopheles (também conhecidos como “mosquito prego”). Somente a fêmea do Anopheles se alimenta de sangue, por isso, só ela pode transmitir a malária ao picar a pessoa para se alimentar.

As fêmeas infectadas possuem centenas ou até milhares de plasmódios em suas glândulas salivares. Cada vez que elas picam uma pessoa, muitos desses protozoários entram em contato com os vasos sanguíneos da pele.

A malária também pode ser transmitida por transfusão sanguínea e de mãe para filho (transmissão congênita).

Sintomas

As manifestações iniciais são acessos febris, que podem ser regulares ou não, mal estar, dores de cabeça e pelo corpo, cansaço e calafrios. A doença pode evoluir para quadros mais graves como anemia, icterícia (pele amarelada), comprometimento de órgãos vitais (rins, pulmões e cérebro), convulsões, coma e morte do paciente.  

Prevenção

As principais formas de prevenção são o uso de inseticidas, que matam os insetos adultos, a eliminação dos criadouros de mosquitos mediante aterros, drenagens, limpeza e desobstrução das margens de rios e canais e a substituição da irrigação com canais a céu aberto por sistemas que utilizem tubos fechados, já que os mosquitos se criam em coleções de água como represas, lagos, lagoas, rios, valas, alagadiços temporários, etc.

Como proteção individual recomenda-se o uso de repelentes, telas nas janelas, mosquiteiro ao redor da cama e que se evite viajar para áreas onde há alta incidência da doença.

Não existe vacina disponível para malária. Atualmente, uma vacina para a doença vem sendo testada em Moçambique e os testes iniciais vêm mostrando bons resultados. 

Tratamento

Existem medicamentos para tratamento da malária (como cloroquina, quinina, mefloquina entre outros), e a doença pode ser tratada com sucesso se for detectada precocemente.

Fonte: www.cienciaviva.org.br

Malária

O que é malária?

A malária é uma doença infecciosa, causada por parasitas protozoários, transmitida por mosquitos. Malária espalha-se em regiões tropicais e subtropicais, como partes das Américas, Ásia e África. Cada ano há entre 1 e 3 milhões de mortes decorrentes de malária, sendo a maioria de crianças na África Subsaariana.

Malária é uma das doenças mais comuns e um grande problema de saúde pública em vários países. A doença é causada por parasitas protozoários do gênero Plasmodium. Os parasitas da malária são transmitidos por mosquitos fêmeas do gênero Anofeles.

Sintomas

Os parasitas da malária multiplicam-se dentro das células sanguíneas vermelha. Sintomas da malária incluem febre, calafrio, dor nas articulações, vômito, anemia, hemoglobinúria e convulsões. O sintoma clássico da malária é ocorrência cíclica de frio súbito seguido por tremores de calafrio e então febre e sudorese que duram de 4 a 6 horas, ocorrendo a cada 2 dias nas infecções pelos protozoários P. vivax e P. ovale, e a cada 3 dias pelo P. malariae. Infecção de malária pelo protozoário P. falciparum pode ocasionar febre recorrente a cada 36-48 horas ou febre menos pronunciada e quase contínua. Por razões ainda pouco compreendidas, crianças com malária freqüentemente exibem postura anormal, a qual pode estar relacionada a dano cerebral. Malária pode causar problemas cognitivos, principalmente em crianças.

Sintomas de malária severa

Malária severa é quase sempre causada por infecção pelo protozoário P. falciparum e geralmente aparece 6-14 dias depois do contágio. Consequências da malária severa incluem coma e morte caso não seja tratada, sendo que crianças pequenas e mulheres grávidas são especialmente vulneráveis. Podem ocorrer dor de cabeça forte, baço inchado, isquemia cerebral, fígado inchado, hipoglicemia, e hemoglobinúria com insuficiência renal. Malária severa pode evoluir muito rapidamente e causar morte em horas ou dias. Em casos mais graves da doença, as taxas de fatalidade podem exceder 20%, até com cuidados e tratamentos intensivos. A longo prazo, problemas de desenvolvimento tem sido documentados em crianças que sofreram episódio de malária severa.

Malária crônica

Malária crônica pode ser decorrente de infecção pelos protozoários P. vivax e P. ovale, mas não do P. falciparum. Na malária crônica a doença pode reincidir meses ou anos depois da exposição devido à presença latente de parasitas no fígado. Desta forma, pode ser enganador considerar a pessoa curada ao observar o desaparecimento de parasitas na corrente sanguínea.

Causas

A malária é causada por parasitas protozoários do gênero Plasmodium (phylum Apicomplexa). Em humanos a malária é causada pelos protozoários P. falciparum, P. malariae, P. ovale, P. vivax e P. knowlesi. Destes, o P. falciparum é a causa mais comum da infecção, e responsável por em torno de 80% dos casos de malária e 90% das mortes decorrentes da doença.

Transmissão da malária

Os hospedeiros e vetores de transmissão da malária são as fêmeas dos mosquitos do gênero Anofeles. Mosquitos jovens ingerem primeiro a malária ao se alimentar de um humano contaminado. Uma vez que o mosquito é infectado ele torna-se vetor da malária e pode contaminar outros humanos. Apenas a fêmea do mosquito alimenta-se de sangue, desta forma os machos não transmitem malária. As fêmeas do mosquito do gênero Anofeles preferem se alimentar de noite. Elas geralmente começam a procurar alimentação ao anoitecer e continuam pela noite adentro. Os parasitas da malária também podem se transmitidos por transfusão de sangue, embora isso seja raro.

Tratamento

Infecção ativa de malária pelo P. falciparum é uma emergência médica que requer hospitalização. Já as infecções por P. vivax, P. ovale ou P. malariae podem geralmente ser tratadas sem internação. O tratamento da malária envolve medidas de suporte assim como medicamentos contra a malária. Com tratamento apropriado a pessoa pode esperar recuperação total da doença.

Prevenção e controle

Os métodos usados para prevenir a dispersão da malária ou proteger as pessoas em áreas endêmicas incluem: erradicação do mosquito, drogas profiláticas, e prevenção de picadas de mosquitos. A transmissão da malária pode ser reduzida prevenindo-se as picadas de mosquito com repelentes e redes contra mosquitos, assim como controlando a proliferação dos mosquitos com inseticidas e drenagem de água parada onde eles depositam seus ovos.

Vacina

Vacinas contra malária estão em desenvolvimento, porém ainda não está disponível nenhuma vacina completamente eficiente.

Fonte: www.universitario.com.br

Malária

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, hoje em dia, a malária é de longe a doença tropical e parasitária que mais causa problemas sociais e econômicos no mundo e só é superada em número de mortes pela AIDS.

Também conhecida como paludismo, a malária é considerada problema de saúde pública em mais de 90 países, onde cerca de 2,4 bilhões de pessoas (40% da população mundial) convivem com os risco de contágio. Anualmente, sobretudo no continente africano, entre 500 e 300 milhões são infectados, dos quais cerca de um milhão morrem em conseqüência da doença. No Brasil, principalmente na região amazônica a malária registra por volta de 500 mil casos por ano - no entanto, aqui a letalidade da moléstia é baixa e não chega a 0,1% do número total de enfermos.

Malária
O Anopheles darlingi, principal vetor da malária no Brasil

A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium e cada uma de suas espécies determina aspectos clínicos diferentes para a enfermidade.

No caso brasileiro, destacam-se três espécies do parasita: o P. falciparum, o P. vivax e o P. malarie. O protozoário é transmitido ao homem pelo sangue, geralmente por mosquitos do gênero Anopheles ou, mais raramente, por outro tipo de meio que coloque o sangue de uma pessoa infectada em contato com o de outra sadia, como o compartilhamento de seringas (consumidores de drogas), transfusão de sangue ou até mesmo de mãe para feto, na gravidez. Apesar da malária poder infectar animais como aves e répteis, o tipo humano não ocorre em outras espécies (mesmo ainda sem comprovação, há a suspeita de que certos tipos de malária possam ser transmitidos, sempre via mosquito, de macacos para humanos).

Em comum, todas as espécies de Plasmodium atacam células do fígado e glóbulos vermelhos (hemácias), que são destruídos ao serem utilizados para reprodução do protozoário. Quando o mosquito pica o homem, introduz em sua corrente sangüínea, por meio de sua saliva, uma forma ativa do Plasmodium, denominada esporozoíta e que faz parte de uma de suas fases evolutivas. Uma vez no sangue, os esporozoítas rumam para o fígado, onde penetram as células hepáticas para se multiplicarem, dando origem a outra fase evolutiva chamada merozoíta. Uma parte dos merozoítas permanece no fígado e continua a se reproduzir em suas células, a outra cai novamente na corrente sangüínea e adentra as hemácias para seguir com o processo reprodutivo. As hemácias parasitadas também são destruídas e originam ora outros merozoítas, ora gametócitos, células precursoras dos gametas do parasita e que são tanto femininas quanto masculinas.

O mosquito Anopheles torna-se vetor da malária a partir do momento que ingere gametócitos (femininos e masculinos) de um indivíduo infectado. Dentro do mosquito, os gametócitos tornam-se gametas e fecundam-se, originando o zigoto, que atravessa a parede do estômago do inseto e transforma-se em oocisto, tipo de célula-ovo. Após algum tempo, o oocisto se rompe e libera novos esporozoítos, que migram para as glândulas salivares do mosquito estando assim prontos para infectar um novo indivíduo.

Dos três tipos de Plasmodium existentes no Brasil, o mais agressivo é o P. falciparum, que multiplica-se mais rapidamente e, conseqüentemente, invade e destroi mais hemácias que as outras espécies, causando, assim, um quadro de anemia mais imediato. Além disso, os glóbulos vermelhos parasitados pelo P. falciparum sofrem alterações em sua estrutura que os tornam mais adesivos entre si e às paredes dos vasos sangüíneos, causando pequenos coágulos que podem gerar problemas cardíacos como tromboses e embolias.

Geralmente, após a picada do mosquito transmissor, o P. falciparum permanece incubado no corpo do indivíduo infectado por 12 dias. A seguir, surge um quadro clínico variável, que inclui calafrios, febre alta (no início contínua e depois com freqüência de três em três dias), dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios. No caso de infecção por P. falciparum, também existe uma chance em dez de se desenvolver o que se chama de malária cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos letais da doença. Além dos sintomas correntes, aparece ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões e vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma. Por vezes, o quadro da malária cerebral lembra a meningite, o tétano, a expilepsia, o alcoolismo dentre outras enfermidades neurológicas.

Ao contrário do P. falciparum, o P. vivax causa um tipo de malária mais branda, raramente mortal, no entanto mais complicada de ser tratada. Isso acontece porque o P. vivax se aloja por mais tempo no fígado, dificultando a medicação. Mais longa que no caso do P. falciparum, a incubação dura de 10 a 20 dias, mas o P. vivax não costuma ser tão agressivo - enquanto o P. falciparum ataca entre 2% e 25% do total de hemácias quando está na corrente sangüínea, o P. vivax na atinge mais que 1%. De início, os sintomas incluem mal-estar, dores de cabeça e febre ligeira que com o tempo podem evoluir para febre entre 39 e 40oC, que se repete de dois em dois dias com presença de suor intenso e dores musculares.

O outro causador da malária chama-se P. malariae e possui quadro clínico bem semelhante ao da malária causada pelo P. vivax, apenas apresentando febre sempre baixa e com surgimento de três em três dias. A malária por P. malariae também tem recaídas a longo prazo, podendo resurgir mesmo 30 ou 40 anos mais tarde.

A Organização Mundial de Saúde considera a malária a doença tropical mais importante. Além de ser responsável por grande quantidade de mortes, ela também é hoje a enfermidade que mais gera problemas sócio-econômicos. A malária é causada por protozoários do gênro Plasmodium e é transmitida de homem para homem por mosquitos do gênero Anopheles. Para saber mais sobre malária, visite o Glossário de doenças.

O vetor

Três espécies do mosquito transmissor da malária:

Malária
Anopheles albitarsis

Malária
Anopheles darlingi (principal vetor da doença no Brasil)

Fonte: www.fiocruz.br

Malária

Aspectos Clínicos e Epidemiológicos da Malária

Doença infecciosa febril aguda, causada por parasito unicelular, caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios, suores, e cefaléia, que ocorrem em padrões cíclicos, a depender da espécie do parasito infectante.

Os ataques paroxísticos característicos da doença ocorrem em quatro estágios sucessivos:

Primeiro é caracterizado por frio intenso, acompanhado de calafrios e tremores;

Segundo, por calor, febre alta, face hiperêmica, taquipnéia, seguida de suores e apirexia, com duração total de 6 a 12 horas. Outras manifestações são náusea, vômitos, astenia, fadiga, diarréia, tosse, artralgia e dor abdominal, que podem ser acompanhadas de palidez, icterícia e hepatoesplenomegalia. As formas brandas são causadas pelo P. malarie e P. vivax e apresentam febre, calafrios e suores em dias alternados ou a cada três dias. A forma clínica mais grave é causada pelo P. falciparum; seu quadro clínico pode evoluir para distúrbios da coagulação sangüínea, choque, insuficiência renal ou hepática, encefalopatia aguda, edema pulmonar, que levam à óbito 10% dos casos.

Esplenomegalia tropical: Entidade nosológica que ocorrem em áreas endêmicas de malária onde há uma resposta imunológica exacerbada do hospedeiro a antígenos do parasita.

Sinonímia: Paludismo, impaludismo, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes populares, como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.

Agente etimológico: No Brasil, três espécies de Plasmodium causam malária: P. malariae, P. vivax e P. falciparum

Reservatório: O homem é o único reservatório importante. Alguns espécies de macacos podem albergar o parasita, porém a transmissão natural é rara.

Vetores: Insetos da ordem dos dípteros, família Culicidade, gênero Anopheles.

Modo de transmissão

Os esporozoitas, formas infectante do parasito, são inoculados no homem sadio através da saliva da fêmea anofelina infectante.

Esses mosquitos, ao se alimentarem em indivíduos infectados, ingerem as formas sexuadas do parasito- gametócitos- que se reproduzem no interior do hospedeiro invertebrado, durante 8 a 35 dias, eliminando esporozoitas, durante a picada. A transmissão também ocorre através de transfusões sangüíneas, compartilhamento de seringas, contaminação de soluções de continuidade da pele e, mais raramente, por via congênita.

Período de incubação: Em média, de 7 a 14 dias para o P. falciparum, de 8 a 14 dias para o P. vivax e de 7 a 30 dias para o P. malariae.

Período de transmissibilidade: O homem infecta o mosquito enquanto houver gametócitos no sangue. Quando não tratado, o homem poderá ser fonte de infecção durante mais de 3 anos, na malária por P. malariea, de 1 a 3 anos, na malária por P. vivax, e menos de 1 ano, na malária por P. falciparum.

Complicações

Malária cerebral, com edema, convulsões, delírio, coma, anemia hemolítica, edema pulmonar agudo, insuficiência renal aguda, hepatopatia aguda, distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico, hipoglicemia, insuficiência adrenal, disritmias cardíacas e alterações gastrointestinais, como diarréia e hemorragia. As formas graves estão relacionadas à parasitemia elevada, acima de 2% das hemácias parasitadas, podendo atingir até 30% dos eritrócitos.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico é realizado na presença de sintomas sugestivos de malária, como febre intermitente acompanhada dos demais sintomas característicos: anemia hipocrômica, com hematócrito elevado no início do período febril, esplenomegalia dolorosa, quadro clínico associado à história epidemiológica de residência ou procedência de áreas endêmica, e a resposta rápida ao uso de antimaláricos podem fechar o diagnóstico.

O diagnóstico laboratorial específico é realizado mediante demonstração de parasito, através do método da gota espessa, QBC (qualititative buffy coat) e de imunodiagnóstico, como a imunofluorescência indireta (IFI), imunoabsorção enzimática (ELISA), aglutinação, precipitação e radiodiagnóstico. Na prática diária, utiliza-se, preferencialmente, o método da gotas espessa. Dentre os métodos de imunodiagnóstico, o IFI e o ELISA são mais fatíveis operacionalmente. Outro método desenvolvido é a captura de antígeno através anticorpos monoclonais que, apesar de baixo custo e fácil realização, é de auxílio apenas para malária por P. falcirum, não fornecendo resultados quantitativos, o que pode levar a resultados falsos positivos.

Diagnóstico diferencial

Febre tifóide, febre amarela, hepatite infecciosa, calazar, esquistossomose mansônica, leptospirose. Em criança, pesquisar outras doenças do trato respiratório, urinário e digestivo. Outras doenças febris, como infeção urinária, tuberculose miliar, salmoneloses septicêmicas, endordite bacteriana, que cursam com esplenomegalia ou anemia ou hepatomegalia, devem ser descartadas.

Tratamento

Infeção por P. vivax.- tratamento radical com cloroquina base 25mg/kg (dose máxima total 1.500 mg), administrado durante 3 dias: 1o dia, 4 comprimido; 2o e 3o dias, 3 comprimidos (cada comprimido tem 150mg). Acrescentar também primaquina, na dose de 0,25mg/kg, durante 14 dias.

Infecção por P. malariae: mesmo esquema anterior, sem a primaquina.

Infecções por P .falciparum multirresistentes confirmados: podem ser seguidos outros esquemas de tratamento, como: 30mg/kg de sulfato de quinina, diariamente, durante três dias, associados a uma dose diária de 4mg/kg de peso de doxiciclina, diariamente, durante 5 dias.

Divididas em 2 doses administradas de 12/12 horas, associadas à primaquina 0,75mg/kg, em dose única no 6º dia. A doxiciclina não deve ser administrada a menores de 8 anos, gestantes e pacientes alérgicos e tetraciclinas. O uso da primaquina está contra-indicado em gestantes.

Sulfato de quinina, 30mg/kg, diariamente, durante 7 dias, associado, no 8º dia de tratamento, à primaquina 0,75mg/kg, em dose única

Mefloquina, 15mg/kg, em dose única, particularmente indicada para pacientes que não melhoraram com os esquemas anteriores, podendo ser empregada em pacientes com P. falciparum que habitam fora da área endêmica. Atualmente têm sido utilizados derivados da artemisinina no tratamento de malária, nas suas diversas formas.

Essa droga possui como características a rapidez de ação, ausência de efeitos colaterais, sendo de importância como alternativa ao tratamento de malária por P. falciparum resistente ao quinino e à mefloquina.

Além do tratamento específico, devem ser instituídas medidas terapêuticas dirigidas ás diversas alterações, no curso clínico da malária, como correção dos distúrbios hidro-eletrolíticos, tratamento de distúrbios hemorrágicos, transfusões sangüíneas, quando indicadas, antitérmicos, entre outras. Em gestantes, a melhor opção é a clindamicina, associada ou não à quinina. Devendo-se observar a glicemia, evitar infusão rápida de líquidos que podem provocar edema agudo de pulmão e introduzir salbutamol oral para evitar contrações uterinas.

Características Epidemiológicas - Estima-se que mais de 40 % da população mundial está exposta ao risco de adquirir malária. A área endêmica da malária no Brasil, possui aproximadamente 6,9 milhões de km, correspondendo a 81% do território nacional, com 61 milhões de habitantes, sendo 19 milhões na Amazônia legal.

A população mais exposta ao risco de contrair a infecção corresponde a 6 milhões de habitantes, na Amazônia Legal, e a menor de 1 milhão, no restante do pais. A transmissão nessa área está relacionada ´a abertura de novas fronteiras, ao crescimento econômico desordenado e, principalmente, exploração de minérios. Cerca de 99,5% dos exames parasitológico positivos para malária são de indivíduos originários da Amazônia Legal, sendo em torno de 41% das infecções dessa área causadas por P. falciparum.

Vigilância Epidemiológica

Objetivos

Manter vigilância epidemiológica para impedir a reintrodução da endemia nas regiões não-malarígenas, através do diagnóstico, tratamento dos casos e eliminação de novos focos. Na região amazônica, as ações são voltadas para o acompanhamento dos dados dos exames laboratoriais de rotina e tratamento precoce dos casos.

Notificação

Doença de notificação compulsória em todo o país, exceto na região amazônica devido ao elevado número de casos. Na área extra- amazônica, além de ser de notificação compulsória, é de investigação obrigatória.

Definição de caso

a) Suspeito: todo indivíduo procedente de área de transmissão malárica, ou com história de transfusão sangüínea, que apresenta quadro febril, especialmente se acompanhado por outros sintomas sugestivos.

b) Confirmado: todo caso suspeito que apresenta parasitas no sangue. Nas regiões extra-amazônica, sem transmissão de malária, os casos confirmados devem ser classificados, através da investigação epidemiológica, em autóctones ou importados.

Medidas de controle

As medidas de controle são baseadas no diagnóstico imediato e tratamento oportuno dos casos, aplicação de medidas anti-vetoriais seletivas, pronta detecção de epidemias para contê-las e reavaliação periódica da situação epidemiológica da malária no pais. As atividades antimaláricos devem estar adaptadas às condições epidemiológica locais e seus objetivos devem ser tecnicamente viáveis e financeiramente sustentáveis. Antes de selecioná-los, é preciso compreender fatores como a incidência e a prevalência da doença, a mortalidade e os grupos de risco locais.

Sempre que possível, devem ser coletadas informações sobre os hábitos e reprodução dos mosquitos locais, espécies prevalecentes, sua densidade e infectividade, as condições ecológicas e sazonais, e a resposta do mosquito e do parasito aos inseticidas em medicamento, respectivamente. As ações de controle da malária estão concentradas nas áreas de "alto risco", levando em conta dois elementos fundamentais - a descentralização e o controle integrado.

As demais áreas são consideradas em vigilância epidemiológica com intervenções anti-focais, sempre que houver necessidade.

No combate aos vetores, o programa de malária utiliza diferentes produtos químicos, como: organofosforados. Os fosforados são utilizados em nebulizações especiais (ULY "fogging") e restantes em borrifações intra-domiciliares.

Atividade de saneamento ambiental poderão ser empregados caso haja justificativa e indicação precisa, visando a eliminação de criadouros de anofelinos ( drenagem, retificação de cursos d’água, pequenos aterros).

Fonte: www.hemonline.com.br

Malária

A Malária é uma doença infecciosa febril aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, o qual é transmitido por mosquitos vetores do gênero Anopheles. De fato, constitui um grave problema de saúde pública, em virtude de sua elevada incidência em algumas áreas e impacto na população, inclusive do ponto de vista socioeconômico, influenciando significativamente o potencial de desenvolvimento de vários países.

Em geral, incide principalmente nas regiões tropicais e subtropicais do planeta, com destaque para o continente africano, o Sudeste Asiático e a Região Amazônica da América do Sul. Em especial, o continente africano é a região mais afetada, sobretudo, ao sul do Deserto do Saara, onde ocorrem 80% do total de casos e óbitos pela doença no mundo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS).

No Brasil, três espécies de protozoário Plasmódio estão associadas à Malária em seres humanos: Plasmodium falciparum, Plasmodim vivax e Plasmodium malariae. De acordo com o perfil epidemiológico no Brasil, a doença incide predominantemente na região conhecida por “Amazônia Legal”, que compreende os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Esta região responde por 99,5% dos casos em território nacional, prevalecendo às infecções por Plasmodim vivax e Plasmodium falciparum, sobretudo, nas populações que vivem em precárias condições de moradia e trabalho. Outra espécie de agente etiológico, o Plasmodium ovale tem transmissão restrita a determinadas regiões do continente africano.

Na Malária, o período de incubação, que compreende o intervalo de tempo desde o momento em que o agente etiológico (Plasmódio) se instala no organismo do hospedeiro até o início dos sinais e sintomas, pode variar de acordo com o tipo de agente causador.

Em geral, o período de incubação: no Plasmodium falciparum é de 8 a 12 dias; no Plasmodium vivax de 13 a 17 dias; e no Plasmodium malariae de 18 a 30 dias.

Os sinais e sintomas típicos são caracterizados por febre alta, acompanhada de calafrios, sudorese intensa e cefaleia, que se manifestam em intervalos regulares, alternando períodos de remissão e sensação de melhora, o qual varia conforme a espécie de Plasmódio. Vale destacar que náuseas, vômitos, fadiga e falta de apetite podem estar presentes mesmo alguns dias antes da fase aguda da doença.

Nos quadros graves e com complicações, podem estar presentes: hiperpirexia (temperatura maior que 41°C), convulsão, vômitos repetidos, palidez, insuficiência respiratória, anemia severa, hemorragias, hipotensão grave, rebaixamento no nível de consciência, delírio e coma, muitas vezes fatal.

O Ministério da Saúde (MS), mediante a “Política Nacional de Tratamento da Malária”, orienta a terapêutica e disponibiliza gratuitamente os medicamentos antimaláricos utilizados em todo território nacional, em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora diversos estudos voltados para a criação de uma vacina estejam sendo desenvolvidos, ainda não se dispõe de um produto reconhecidamente eficaz para prevenção da doença. As dificuldades de criação de uma vacina são decorrentes da complexidade do próprio ciclo biológico do parasito, onde o mesmo assume formas morfológicas diversas no organismo hospedeiro.

Em 2003, o MS lançou o “Programa Nacional de Controle da Malária (PNCM)”, cujos objetivos foram: melhorar e ampliar o atendimento aos portadores de Malária; reduzir a morbimortalidade pela doença na região da Amazônia Legal; diminuir o número de ocorrências das formas graves, o número de internações e óbitos; evitar o surgimento de epidemias localizadas, minimizar a transmissão em áreas urbanas; e manter a doença ausente em locais considerados indenes.

Portanto, trata-se de uma doença de notificação compulsória de grande relevância nacional, devendo ser notifica às autoridades de saúde, tanto nas áreas endêmicas, quanto nas áreas não endêmicas. Acionar os serviços de vigilância epidemiológica e entomológica é fundamental para que sejam desencadeadas as ações de combate, controle e prevenção de novos casos da doença. Frente a isto, a identificação da área onde se deu a transmissão é imprescindível para nortear as medidas de controle.

Fonte: cievsrio.wordpress.com

Malária

Malária é uma doença transmitidas por mosquitos para seres humanos, quando um mosquito infectado pica uma pessoa. Geralmente causa febre alta, calafrios e dores de cabeça e pelo corpo. Após entrar na circulação o parasita viaja até o fígado e a pessoa não fica doente até o parasita da malária sair do fígado. Este parasita pode ficar no fígado por um período prolongado, mas na forma mais grave de malaria, o parasita geralmente sai do fígado dentro de suas semanas após a picada do mosquito.

Porque a malaria é importante?

Não existe vacina para protégé-lo contra a malaria. Além disso, malaria costuma causar uma doença muito grave e MORTE. A pessoa infectada pode morrer dentro de 12 horas do início dos sintomas. Por isso é importante fazer tudo o que você puder para previnir a doença, o que inclui evitar a picada do mosquito e tomar medicamentos preventivos durante a viagem e por um período após seu retorno.

Se eu já peguei malaria antes eu fico imune?

As pessoas ficam parcialmente imunes (protegidas) contra malaria se ela já apresentou a doença várias vezes no passado. Entretanto, a imunidade (proteção) desaparece rapidamente, geralmente dentro de um ou dois anos após o último episódio. Portanto, você NÃO ESTÁ PROTEGIDO contra a malaria, mesmo se você já apresentou vários episódios de malária no passado.

Como posso evitar a picada dos mosquitos?

Há várias coisas que você pode fazer para previnir a picada dos mosquitos e outros insetos. Estas medidas não te protegerão somente contra malária, mas também contra outras doenças graves como febre amarela, encefalite japonesa e Dengue. O mosquito transmissor da malária geralmente pica do entardecer até o amanhecer, mas os mosquitos que picam durante o dia podem trazer outras doenças, portanto é melhor evitá-los também.

Algumas medidas simples que ajudam a evitar a picada dos mosquitos

Vista roupas protetoras (Manga longa e calças).
O ar-condicionado, bem como janelas fechadas ou com telas podem diminuir o número de picadas por mosquitos.
Use um mosquiteiro ao redor da cama durante a noite sempre que possível. Dê preferência para mosquiteiros preparados quimicamente (Mosquiteiro impregnados com repelentes). . Você pode comprar mosquiteiriso que já foram tratados previamente ou você pode tratá-los com permetrina. Existem mosquiteiros que, apesar de mais caros, podem ser usados em ambientes externos e são mais convenientes.
É fundamental o uso de repelentes adequados.
O melhor repelente deve conter DEET (N,N diethyl metatoluamide).
È importante usar produtos com concentração de 25-50% DEET. Eles estão disponíveis em diversas farmácias, lojas de conveniência e super mercados.
Como existem diferentes marcas, verifique no verso do frasco em Ingredientes” para assegurar-se se o produto contém DEET e para verificar se apresenta a concentração adequada.
Existem produtos com concentração inferior a 25% porém na forma de liberação lenta e que também funcionam bem.
Lembre-se de reaplicar o produto a cada 4 a 6 horas e principalmente a noite, antes de dormir.
È um produto relativamente seguro em crianças e gestantes, mas você deve tomar cuidado para evitar o contato com os olhos ou com a boca. Portanto, atenção para não deixar nas mãos ou próximo aos olhos de crianças pequenas.
Para maior proteção você deve tratar suas roupas com permetrina e usar DEET na pele.

A permetrina, mesma substãncia usada em mosquiteiros, é um produto seguro quando usado adequadamente e pode ter ação por semanas. Em alguns país a permetrina está disponível em lojas especializadas. A melhor forma de preparer suas roupas e comprar a solução pronta e diluir conforme orientações para lavar suas roupas. Se você tiver dúvida, consulte seu médico ou enfermeira, como fazer.

Existem outros tipos de repelentes disponíveis, mas a maioria não protege tão eficientemente quanto DEET, ou sua segurança não está bem estabelecida.

Posso usar DEET na pele e Permetrina nas roupas de meus filhos?

Sim. DEET é seguro para crianças. Não aplicar mais frequentemente do que indicado no frasco. Em crianças pequenas, não passe próximo aos olhos ou nas mãos, pois eles podem levar a boca. Mosquiteiros tratados com inseticidas são muito adequados para uso com crianças.

Que medicamentos devo levar?

Existem diversos tipos de medicamentos e você deve discutir com seu médico ou enfermeira qual a melhor escolha para você e seus filhos. Se você for viajar para uma área com malaria é muito importante que você e seus filhos tomem a medicação conforme prescrito.

Lembre-se de que você deve tomar conforme prescrito, o que significa muitas vezes, continuar tomando por um mês após sair da área de risco. Não saia do consultório do seu médico ou enfermeira com dúvidas.

Fonte: www.tropical.umn.edu

Malária

MALÁRIA, MALEITA, PALUDISMO

A malária sempre foi, desde a Antigüidade, um dos principais flagelos da humanidade. Atualmente, pelo menos 300 milhões de pessoas contraem malária por ano em todo o mundo. Destas, cerca de 1,5 a 2 milhões morrem. Quase 3 mil crianças morrem por dia de malária na África. Os custos diretos e indiretos da malária para a África são da ordem de US$2 bilhões por ano. A doença mata, anualmente, duas vezes mais que a AIDS e muito mais que qualquer outra doença infecciosa.

A malária está presente, também, em mais de 90 países, embora com prevalência diferente. Os mais comprometidos são Índia, Brasil (cerca de 300 mil casos/ano), Afeganistão e países asiáticos, incluindo a China.

A malária é tipicamente uma doença do mundo subdesenvolvido. Já desapareceu da Europa e da América do Norte, onde vicejou até a metade do século XX. Na última década, apenas cerca de 400 casos anuais de malária foram registrados no Canadá, e 900 nos Estados Unidos. Porém, a grande maioria destes casos eram importados; apenas uma dezena se originando no próprio país, a maioria resultante de transfusões de sangue.

Todo esse sofrimento a humanidade deve a dois inimigos que se aliaram há milênios para seviciar a espécie humana: um protozoário e um mosquito.

A DOENÇA E SUA TRANSMISSÃO

Também chamada de maleita, impaludismo, paludismo e febre terçã ou quartã, a malária apresenta sintomatologia típica, quase inconfundível (1). Manifesta-se por episódios de calafrios seguidos de febre alta que duram de 3 a 4 horas. Esses episódios são, em geral, acompanhados de profundo mal-estar, náuseas, cefaléias e dores articulares. Passada a crise, o paciente pode retomar sua vida habitual. Mas, depois de um ou dois dias, o quadro calafrio/febre retorna e se repete por semanas até que o paciente, não tratado, sare espontaneamente ou morra em meio a complicações renais, pulmonares e coma cerebral. Tratado a tempo, só excepcionalmente morre-se de malária.

O intervalo entre os episódios, a gravidade da doença e seu grau de mortalidade, dependem de muitos fatores, mas, principalmente, da espécie de parasita causador da malária. Existe um espectro enorme de formas clínicas de malária, umas mais graves, outras mais brandas e outras até sem sintomas. Quando sintomática, a característica principal da maleita é a sua notória intermitência.

A malária é causada por protozoários, que se multiplicam nos glóbulos vermelhos do sangue do homem.

As espécies causadoras da malária humana são quatro: Plasmodium vivax, P. falciparum, P. malariae e P. ovale. O falciparum é responsável por uma forma muito grave de malária, outrora chamada de terçã maligna. Das mortes anuais devidas à malária, mais de 95% são causadas pelo falciparum. O vivax causa uma doença mais branda, a terçã benigna, que, no entanto, tem o inconveniente de retornar após ter sido aparentemente curada. Isso, porque nas células do fígado do homem infectado podem permanecer algumas formas em hibernação (1).

Poções contra a malária são conhecidas na China há 30 séculos. O princípio ativo dessas poções, a artemisinina, é hoje usada como droga importante no tratamento da malária. Os incas, no século XVI, e depois deles o mundo todo, já usavam o extrato da casca da quina para o tratamento da malária. O quinino é o princípio ativo da quina de uso contemporâneo. Vários medicamentos foram sintetizados, ao longo dos anos, pela indústria farmacêutica. Cada um tem uma indicação preferencial segundo o tipo de plasmódio, idade do paciente, gravidade da doença, gestação, entre outros fatores. Mas todos contribuem para que o tratamento atual da malária seja fácil e eficaz. Com tratamento adequado e em tempo hábil, ninguém deveria morrer hoje de malária.

O homem é o único hospedeiro em natureza das espécies de plasmódio, que são transmitidas de homem a homem pela picada de mosquitos hematófagos (pernilongos, carapanãs) que albergam as formas infectantes do plasmódio em suas glândulas salivares.

A ocorrência de malária está intimamente associada à presença e proliferação de mosquitos do gênero Anopheles. São muitíssimas as espécies de Anopheles, cada uma com suas preferências evolutivas e alimentares. Todas elas põem seus ovos em coleções d'água, mas algumas preferem águas paradas, outras preferem águas limpas de fluxo lento, ou sujas, ou de fluxo rápido. Algumas exigem muito calor, muitas gostam de temperaturas amenas. As fêmeas alimentam-se sempre de sangue e podem ser permissivas ou exigentes quanto ao fornecedor desse sangue, picando todo tipo de animal ou um tipo de animal apenas. Os machos alimentam-se de fluídos de plantas e flores e, portanto, não transmitem a malária.

Cada região do mundo tem sua fauna específica de Anopheles e a epidemiologia da malária depende da composição dessa fauna. Existem mais de 350 espécies de Anopheles em todo o mundo, a maioria permitindo a proliferação de plasmódios em seu organismo, em laboratório, mas apenas cerca de 30 a 50 são capazes de transmitir, em natureza, os plasmódios humanos. No Brasil, os mosquitos transmissores da malária nas regiões costeiras, e particularmente na Mata Atlântica, eram o A. cruzi, o A. bellator e o A. aquasalis. Hoje, estes mosquitos têm importância epidemiológica apenas potencial. Mas, por todo o interior do país, incluídas as capitais, a principal espécie transmissora sempre foi o Anopheles darlingi, que hoje, ausente das áreas urbanizadas brasileiras, está restrito à Amazônia.

A MALÁRIA NA HISTÓRIA E NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

A característica intermitente da febre malárica permitiu identificar sua presença em escritos chineses e egípcios de 3 mil anos a.C. Nos escritos médicos do Brasil é possível identificá-la já no século XVI e, daí por diante, em toda a história médica brasileira (2,3,4), embora não existam, até o século XIX, registros quantitativos sobre sua prevalência.

Estima-se que no início do século XX, em todo o mundo, a incidência e a mortalidade por malária fossem, em percentagem, cerca de 10 vezes maior que a atual.

Mesmo quando não fosse letal, a malária, como dizia Sir Patrick Manson em 1900 (5), tornava o homem "inapto para o trabalho e para os prazeres da vida" .

Em 1900, a maior parte (>80%) da superfície terrestre era afligida pela malária, que só poupava as regiões polares e sub-polares. Nem os países mais avançados da Europa estavam a salvo. Os países mediterrâneos, mormente a Itália, eram os principais centros malarígenos do continente europeu. Nas primeiras décadas do século. XX, em parte como conseqüência da 1ª Grande Guerra, que privou de recursos as colônias inglesas e francesas, a situação da malária no mundo deteriorou. Basta ver o número de mortes por malária na própria Inglaterra entre os anos 1887 e 1922.

A partir de 1917, é nítida a reversão da tendência de queda gradual que vinha sendo uma constante na Inglaterra: 1887, 193 casos; 1905, 79 casos; 1915, 65 casos; 1917, 126 casos; 1919, 268 casos. Sem chegar s dimensões da malária na Índia, China, e Oriente Média, a situação foi de calamidade também no resto da Europa, sendo particularmente grave na Grécia, Itália, Iugoslávia, Bulgária, România, Polônia e Rússia.

A situação da Grécia serve de exemplo: em 1923, a malária foi a terceira causa mortis de toda a Grécia, perdendo apenas para as diarréias infantis e a tuberculose. Até os Estados Unidos reportavam altos índices de malária, em torno de 600 mil casos por ano entre 1930 e 1940.

A MALÁRIA NO BRASIL

No Brasil, no fim do século XIX, a malária estava presente em todo o território nacional, particularmente na costa litorânea, poupando apenas alguns segmentos dos estados sulinos. A Amazônia e todo o planalto central viviam imersos na maleita, como mostra Martins Costa (2) em mapa datado de 1885. No entanto, apesar das estimativas indicarem 6 milhões de casos de malária por ano no início do século XX no Brasil, a situação da malária era estável, sem notórios surtos epidêmicos.

Porém, no fim do século XIX, explodiu uma grande epidemia na Amazônia. A borracha tornara-se matéria-prima preciosa e as perspectivas de extração do látex e de riqueza imediata, embora não fáceis, levaram para a Amazônia legiões de nordestinos flagelados por terrível seca em suas terras. Dessa migração maciça nasceram a cultura do extrativismo seringalista, a miscigenação de indígenas e nordestinos, dando origem aos amazônidas do século XX, e a primeira grande epidemia amazônica de malária.

Ainda em função da borracha, o Brasil se comprometeu a construir uma estrada de ferro que desse vazão ao látex boliviano: a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Para evitar o trecho encachoeirado do rio Madeira, a estrada ligaria Santo Antonio (hoje parte de Porto Velho) a Guajará-Mirim no rio Mamoré. Mais de uma empresa e várias levas de trabalhadores, muitos do Caribe, tentaram, do fim do século XIX ao início do XX, construir a ferrovia do diabo (6,7). Acabaram vencendo, mas milhares sucumbiram à malária. Foi a segunda grande epidemia amazônica de malária, de horrível memória, testemunhada por Oswaldo Cruz e Carlos Chagas (8,9).

Fora dessas explosões epidêmicas, a malária no Brasil seguia um curso sem intempéries no século XX. Ela ainda estava presente nas grandes capitais, mas sem grandes surtos epidêmicos. Fajardo em 1904 (10) proclamava que "na cidade do Rio de Janeiro não há impaludismo...". No entanto, suas próprias observações contradiziam essa assertiva ao confirmar microscopicamente casos de malária oriundos de várias partes do Rio de Janeiro como Ilha do Governador e até da Praça da República, no centro carioca. Apesar de seu esforço semântico para distinguir "casos de paludismo" de "endemia palustre", a realidade é que os casos de malária do Rio eram autóctones e, portanto, a doença estava presente sim na capital da República no início do século XX. Como estava também presente na capital e na província de São Paulo, particularmente em Santos, Campinas e nos vales dos rios Piracicaba e Tietê. Em verdade, a malária estava presente em todas as capitais brasileiras, sendo endêmica em todo o país. Só após a 2ª Grande Guerra a malária abandonará as capitais brasileiras e se refugiará na Amazônia.

Porém, antes que isso acontecesse, duas grandes epidemias explodiram no Brasil.

Uma foi uma réplica das epidemias amazônicas anteriores. Com a ocupação dos seringais da Ásia tropical pelos japoneses, a borracha ameaçava faltar para os aliados em guerra. Os seringais da Amazônia renasceram e, com eles, a malária. Nova leva de migrantes nordestinos constituiu o "Exército da Borracha".

Morreram mais combatentes nesse front, vítimas da malária, que no front da guerra contra o nazi-fascismo.

A outra foi uma epidemia absolutamente inesperada e, até então, única no mundo, que teve o adicional papel de influenciar todo o programa da OMS para o controle da malária. Vale a pena recontar essa história que traz consigo alguns ensinamentos fundamentais sobre o controle da malária.

Tudo começa no fim da década de 30, em Natal (11,12).

Destroyers franceses que faziam, a cada 4 dias, a rota postal França-Natal, via Dakar, provavelmente trouxeram para cá o terrível transmissor da malária na África, até então ausente do país: o Anopheles gambiae. Esse mosquito tem hábitos muito parecidos com o atual vetor da dengue no Brasil.

Ambos criam-se em pequenas coleções de água, como poças e vasos, pneus e cacimbas etc. São domésticos e antropofílicos. Vorazes, picam a qualquer hora do dia. Prolíficos, invadem e colonizam qualquer ambiente.

O Anopheles gambiae ocupou imediatamente as imediações da estrada de ferro e os canais próximos à foz do Potengi e, daí, foi subindo Natal adentro para, em poucos meses, ocupar um território de 6 mil km2. Em 1928, antes da invasão, haviam ocorrido 28 mortes por malária em Natal. Esse número aumentou 12 vezes em 1932. Em um único bairro (Alecrim), 10 mil pessoas adquiriram malária dentre uma população de 12 mil indivíduos. Ação vigorosa dos serviços de saúde do Estado eliminaram o gambiae de Natal e controlaram a malária.

Só que o gambiae não desapareceu, apenas retirou-se, subiu os rios Apodí e Assú, atravessou a chapada do Apodí e infiltrou-se também pelas margens do Jaguaribe no Ceará. Nessas regiões foi ganhando terreno, proliferando e se expandindo em silêncio. Até que, em 1938, começam a surgir alguns casos de malária. Progressivamente, a malária foi ganhando caráter explosivo. A população do Ceará era praticamente virgem com relação à malária, isto é, tinha imunidade nula contra a doença. Foi uma calamidade pública. Alguns números esclarecem mais que descrições. Para uma população de 250 mil habitantes, o Rio Grande do Norte registrou, em apenas seis meses de 1938, cerca de 50 mil casos de malária. Em vários povoados rurais e ribeirinhos, o número de casos rondou a casa dos 80 a 90% da população. A mortalidade foi altíssima, mais de 10% dos pacientes, sem imunidade e já debilitados pela fome, morreram por falta de tratamento. Dizem as crônicas e jornais da época que todas as famílias do vale do Jaguaribe vestiram luto em 1939.

Getúlio Vargas, com a ajuda da Fundação Rockfeller, resolveu enfrentar a epidemia. Juntos, investiram US$ 350 mil em um exército de médicos e técnicos, muitos deles já experimentados no combate ao mosquito transmissor da febre amarela. A luta contra o gambiae foi formidável. Não sobrou um único criadouro na região que não fosse revirado e aspergido com larvicida. Até vasos de cemitério e potes com água benta receberam sua dose de larvicida. Infelizmente, não havia ainda o DDT, mas todas as casas foram fumigadas com piretro. De qualquer forma, a vitória foi esmagadora e, em 1940, o Anopheles gambiae viria a ser completamente erradicado do Brasil. Esse foi o maior sucesso, em nível mundial, de erradicação de uma espécie nociva de uma dada região.

Logo após a guerra, os recém-produzidos e poderosíssimos inseticidas de ação residual (DDT), juntamente com medidas de saneamento ambiental, levaram à drástica redução da malária da maior parte da Europa e de muitos países menos desenvolvidos, o Brasil aí incluído. A euforia foi enorme.

Foi tão grande que levou a OMS a criar o programa de erradicação da malária, sustentado em 3 pilares: combate ao mosquito por meio do DDT, melhoria das condições sanitárias gerais e tratamento dos pacientes. O projeto era bom, mas na prática não funcionou como se esperava.

A idéia da erradicação encontrou suporte no sucesso nordestino, mas ignorou alguns fatos básicos desse sucesso. Primeiro, o mosquito transmissor no Brasil era alienígena, não tinha raízes no país e mal conseguira se estabelecer em um segmento limitado e agreste do território, e não o melhor possível para sua proliferação. Portanto, estava extremamente vulnerável. Segundo, seu controle exigiu dispêndios acima das disponibilidades de muitos países do mundo ( US$ 350 mil era muito dinheiro em 1938). Finalmente, a campanha antimalária exigiu determinação política incomum e a mobilização de técnicos e médicos até hoje sem similar no país.

Como conseqüência, a malária não foi erradicada da Terra e, em algumas regiões (como na África), nem foi tocada. Em outras, regrediu por algum tempo, mas voltou com o vigor de antes. Porém, naquelas regiões já dotadas de facilidades sanitárias, com disponibilidade de medicamentos e serviços médicos, e onde os serviços especiais de combate à malária se mostraram eficientes, a malária foi consideravelmente reduzida. Dessa forma, praticamente desapareceu do mundo desenvolvido nos anos 50.

No Brasil, sob o comando inicial de Mário Pinotti e conduzida pelo recém-criado Serviço de Combate à Malária, sucessor do Serviço de Combate à Febre Amarela, a campanha contra a doença atingiu o objetivo de controlar, mas não de erradicá-la. A malária sumiu das cidades e se refugiou em um paiol de pólvora na Amazônia, onde permanece intocada. Os 6 milhões de casos do início do século, viraram apenas 50 mil em 1970.

Notável sucesso para o país, mas por que o sucesso não se estendeu à Amazônia?

Pela conspiração de vários fatores em conjunto. Em primeiro lugar, o combate ao Anopheles darlingi é impraticável. Seria preciso borrifar com DDT toda a floresta, uma vez que esse mosquito é silvestre, promíscuo, picando o homem e outros animais tanto fora como dentro do domicílio. Pelas mesmas razões, dedetizar apenas as casas é inútil. Telar as casas nem pensar, porque mosquitos entram pelos vãos das tábuas deixadas intencionalmente distantes umas das outras para fins de ventilação.

O uso de mosquiteiros não faz sentido porque implica em que o homem permaneça sob ele do pôr-do-sol ao amanhecer. Repelentes podem ser bom para turistas, não para quem tivesse que usá-los dia e noite. Em medidas de saneamento básico, destinadas a eliminar criadouros de mosquitos, nem pensar. Florestas tropicais são por constituição e natureza criadouros de mosquitos.

Destruí-los seria destruir a floresta.

Resta o tratamento de pacientes, que, apesar de todas as dificuldades logísticas decorrentes da imensidão amazônica, é a única capaz de controlar a progressão da malária. O tratamento da malária é eficaz. As drogas são fornecidas e administradas população por agentes dos serviços de saúde.O tratamento dos pacientes, além de curá-los, serve para limitar o alastramento da malária. Logicamente, o tratamento se destina a indivíduos com sintomas de malária. Todavia, recentemente descobriu-se que, em regiões remotas da Amazônia, existe um número muito grande de indivíduos, talvez a maioria, que são assintomáticos, isto é, são portadores do parasita mas não desenvolvem a doença (13,14). Esses indivíduos são nativos da Amazônia e certamente contraem infecções maláricas desde a infância. Com o tempo, e após repetidas infecções, desenvolvem um certo grau de imunidade.

Quando reinfectados, têm uma forma branda da doença, sem sintomas. Por serem assintomáticos, não são detectados pelo serviços de saúde e, portanto, não são tratados. Porém, embora sem sintomas, carregam o parasita em seu sangue e são capazes de infectar mosquitos. Dessa forma, servem de fonte de infecção para novos indivíduos, funcionando como reservatórios da doença.

A existência de reservatórios assintomáticos esclarece muitos aspectos da epidemiologia da malária amazônica. Em condições normais, a malária é endêmica na Amazônia. Com relação ao resto do país, a sua prevalência é alta (entre 15 a 20 casos por mil habitantes). Apesar da prevalência alta, a malária é, de certa forma, estável na Amazônia, embora apresente variações regionais, sendo baixa sua prevalência nas capitais e altíssima nas zonas de colonização recente.

Indivíduos não imunes correm alto risco de contrair malária ao adentrarem a Amazônia. Se esses indivíduos forem em grande número, podem explodir epidemias. Foi assim nos episódios da borracha e na construção da Madeira-Mamoré. Foi assim recentemente, a partir dos anos 70, com a descontrolada migração de paranaenses e gaúchos em busca de terras doadas pelo INCRA em Rondônia.

Sem imunidade e sem a "cultura da malária", esses bravos imigrantes foram vítimas da maior epidemia de malária da história da Amazônia. Em duas décadas, a prevalência da malária em Rondônia passou de cerca de 20 casos por mil habitantes para 100 casos por mil habitantes. No pico da epidemia, Rondônia chegou a ter 300 mil casos de malária por ano para uma população de apenas um milhão de habitantes(15-19). A mortalidade foi também alta.

Com o tempo, os migrantes foram ficando parcialmente imunes, enquanto seus núcleos de assentamento ganhavam melhorias sanitárias e progressiva urbanização. A malária estabilizou-se de novo em Rondônia, o front migrando agora para Roraima, onde a história mais ou menos se repete.

E se repetirá sempre que grandes levas de migrantes se dirigirem à Amazônia, até que criemos mecanismos de controle que contemplem as peculiaridades da epidemiologia da malária amazônica.Não será tarefa fácil.

Erney Plessmann Camargo

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Fonte: cienciaecultura.bvs.br

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