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Poliomielite

 

Poliomielite, ou paralisia infantil, é uma infecção viral aguda causada por um dos três poliovírus existentes. A infecção se transmite através do contato com um portador da pólio ou então com fezes humanas. Crianças na primeira idade são mais susceptíveis à doença e também os principais agentes de transmissão, mas os adultos. também podem contrair pólio. O vírus penetra no corpo através da boca e percorre o corpo através do sistema sangüíneo. Se ele invadir o sistema nervoso central, ataca os neurônios motores e pode causar lesões que resultam em paralisia ( poliomielite paralítica ). Os braços e as pernas são mais freqüentemente afetados.

Na realidade todas as pessoas devem obrigatoriamente tomar contato com o vírus ou com anticorpos da pólio em alguma oportunidade, acionando o sistema imunológico do indivíduo, através dos linfócitos tipo B, sendo que os três tipos conhecidos do vírus não são mutáveis ( como o vírus HIV, por exemplo ) uma vez configurada a defesa imunológica ela permanecerá por toda a vida. A maioria dos casos de contato com os poliovírus não resultam em sintomas clínicos ou apenas em sintomas leves, como dor de cabeça, garganta dolorida e febre ligeira; a recuperação completa ocorre em 1 a 3 dias. Em casos de infecção grave ( quando o sistema nervoso central é invadido ), 50% dos pacientes também se recuperam completamente.

Do restante, cerca da metade sofrem paralisia leve e os outros sustentam seqüelas severas e permanentes, algumas vezes necessitando de aparelhos ortopédicos para se locomoverem. A doença pode ser fatal no caso de infecção bulbar, quando a paralisia se desenvolve nos músculos da garganta e pode causar dificuldade respiratória através do retorno dos conteúdos gástricos; cerca de 80% dos pacientes assim infectados, no entanto, podem se recuperar através de tratamento.

A poliomielite foi algumas vezes considerada uma doença dos países desenvolvidos, onde a higiene rigorosa reduziu a possibilidade de contato com o vírus durante a infância e por isso também reduziu a proteção proporcionada pelos anticorpos existentes no leite materno contra a doença, mas na realidade as taxas mundiais de ocorrência não demonstram esta seletividade. A Organização Mundial de Saúde ( OMS ) vem conduzindo um programa de vacinação contra a poliomielite e outras doenças infantis comuns. Nos Estados Unidos, a descoberta e desenvolvimento de uma vacina para os três tipos de poliovírus. Por Jonas Salk e Albert Sabin nos anos de 1950, proporcionou uma redução dramática da incidência da doença. Nos anos de 1980. Despertou-se a preocupação quando os sobreviventes de longo tempo da doença começaram a reportar vários sintomas de dores nas articulações e nos músculos e crescente perda da força muscular com aguda atrofia dos membros afetados.

PARALISIA INFANTIL

A Poliomielite, também chamada paralisia infantil, é uma doença grave causada por um micróbio que entra no corpo da pessoa sadia pela boca.

É uma doença que passa de uma pessoa para outra com muita facilidade. O Micróbio sai do corpo do doente principalmente pelas fezes, ou ainda quando o doente tosse, espirra ou fala.

A poliomielite começa como se fosse um resfriado. A pessoa tem febre, vomita e sente dores no corpo. Na maioria das vezes, a doença fica só nisso; não se agrava. Mas, Mesmo que o doente não piore, está espalhando o micróbio da doença.

Algumas vezes, o micróbio entra o corpo da pessoa, e a doença pode se agravar e aparecer a paralisia de uma perna ou de outras partes do corpo. Nesses casos, quando o doente não morre, fica paralítico ou defeituoso.

SÍNDROME PÓS-PÓLIO

Médicos americanos diagnosticaram, recentemente, em pacientes que sofreram poliomielite ou paralisia infantil na primeira infância, acompanhados até a idade adulta, um tipo de síndrome caracterizada pela perda gradual da capacidade do sistema nervoso central de recompor a energia despendida em atividades físicas, provavelmente devido à sobrecarga parar equilibrar a falta de neurônios destruídos na fase inicial da doença.

A Síndrome Pós-Pólio, como foi denominada, se desenvolve de 30 a 35 anos após a fase aguda, sendo que a recomendação dos médicos para os pacientes é o inverso do que prescreviam até agora, isto é, em vez de ginástica e exercícios forçados, aconselham repouso e descanso para poupar energia, assim o processo degenerativo será mais lento.

A Síndrome Pós-Pólio é, na verdade, um mecanismo de defesa do organismo, pois o esforço de portadores de seqüelas de pólio, para ter uma vida ativa é maior do que seria se não tivessem limitações físicas. Além disso, outros tipos de doenças, que não são associadas diretamente à pólio, como osteoporose, artrite reumatóide e mialgias, podem ser desenvolvidas a partir dessa idade, limitando ainda mais a atuação desses pacientes.

Os médicos salientaram, entretanto, que a Síndrome Pós-Pólio não interfere no processo mental que engloba o raciocínio, a memória e a inteligência do indivíduo, restringindo-se ao aspecto locomotor e na geração de energia, reduzindo a intensidade do impulso muscular à partir do sistema nervoso central. Outro aspecto positivo é de que não interfere também na libido.

Assim, aqueles que, com muito esforço, se reinseriram socialmente e superaram as limitações para alcançar independência, chegam a um estágio em que devem se dedicar preferencialmente a atividades intelectuais, que não requerem força bruta.

CASOS DE POLIOMIELITE NOTIFICADOS - BRASIL

Para quem acredita que a poliomielite está erradicada do Brasil, seguem transcrições de relatórios do Ministério da Saúde, através da Fundação Nacional de Saúde, compilados dos boletins epidemiológicos do SUS, com dados desde 1991 até 1996 apontando que houve aproximadamente 8546 casos notificados de poliomielite apenas no período abrangido nos relatórios a que tive acesso nesta pesquisa, isto é, durante os anos de 1991 e 1992 inteiros; janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, outubro, novembro e dezembro de 1993; abril, maio, junho, outubro, novembro e dezembro de 1994; abril a setembro de 1995 e igual período de 1996. Destes, cerca de 943 casos apenas em 1996, sendo que em 1991 e 1992 houve 588 e 1473 casos respectivamente, o que representava um aumento anual de 120 % naquele período. O auge (ou antiquasse) de casos de pólio foram os anos de 1993 e 1994 com 2218 e 2272 casos respectivamente, incorrendo o Ministério da Saúde em organizar campanhas emergenciais e depois sistemáticas de vacinação de todas as crianças na faixa etária de 0 a 5 anos. As regiões com maior incidências de casos de pólio são o SUDESTE e o NORDESTE, conforme pode ser visualizado nos gráfico a seguir, sendo São Paulo o estado mais atingido, seguido da Bahia. A porcentagem de incidência de pólio por região no Brasil se mantém proporcional através dos anos. Mato Grosso do Sul notificou 2 casos em 1996.

Fonte: www.geocities.com

Poliomielite

SINTOMAS

É uma doença aguda, causada por um vírus, de gravidade extremamente variável e, que pode ocorrer sob a forma de infecção inaparente ou apresentar manifestações clínicas, freqüentemente caracterizadas por febre, mal-estar, cefaléia, distúrbios gastrointestinais e rigidez de nuca, acompanhadas ou não de paralisias.

AGENTE CAUSADOR

É um vírus composto de cadeia simples de RNA, sem envoltório, esférico, de 24-30 nm de diâmetro, do gênero Enterovírus, da família Picornaviridae.

Ao gênero Enterovírus pertencem os grupos: Coxsakie (A com 24 sorotipos e B com 6 sorotipos), Echo (34 sorotipos) e Poliovírus (3 sorotipos).

Os três sorotipos do poliovírus, I, II e III, provocam paralisia, sendo que o tipo I é o isolado com maior freqüência nos casos com paralisia, seguido do tipo III.

O sorotipo II apresenta maior imunogenicidade, seguido pelos sorotipos I e III. A imunidade é específica para cada sorotipo.

Possui alta infectividade, ou seja, a capacidade de se alojar e multiplicar no hospedeiro é de 100%; possui baixa patogenidade 0,1 a 2,0% dos infectados desenvolvem a forma paralítica (1:50 a 1:1000), ou seja, tem baixa capacidade de induzir doença.

A patogenidade varia de acordo com:

1) o tipo de poliovírus (o tipo I é o mais patogênico, tipo II é o menos)
2) com as propriedades intrínsecas das diferentes cepas
3) com os fatores inerentes ao hospedeiro (mais alta em adolescentes e adultos).

A virulência do poliovírus depende da cepa e se correlaciona com o grau de duração da viremia. A letalidade da poliomielite varia entre 2 e 10%, mas pode ser bem mais elevada dependendo da forma clínica da doença. A poliomielite bulbar apresenta uma letalidade entre 20 e 60%, e a poliomielite espinhal com acometimento respiratório, entre 20 e 40%. Em imunodeficientes chega a 40%, com alta taxa de seqüela.

A resistência ao meio ambiente e a desinfetantes: O vírus resiste a variações de pH (3,8 a 8,5) e ao éter. É inativado pela fervura, pelos raios ultravioleta, pelo cloro (0,3 a 0,5 ppm) e na ausência de matéria orgânica. Conserva-se durante anos a – 70oC e durante semanas, na geladeira, a 4oC, principalmente em glicerina a 50%.

MODO DE TRANSMISSÃO

Pode ser direta de pessoa a pessoa, através secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas, 1 a 2 semanas após a infecção; ou de forma indireta através de objetos, alimentos, água etc., contaminados com fezes de doentes ou portadores, 1 a 6 semanas após a infecção.

DIAGNÓSTICO

A. na anamnese e exame devem ser observados os sinais e sintomas como febre, alterações gastrointestinais, rigidez de nuca, reflexos tendinosos que podem estar inicialmente hiperativos e, em seguida, rapidamente abolidos, com sensibilidade preservada; paresias ou paralisias assimétricas de instalação rápida, multifocal ou "salpicada", acometendo alguns grupos de músculos, com predileção pelos membros inferiores.

A doença é mais grave quando lesa os núcleos motores dos pares cranianos e outras zonas vitais da medula, relacionadas com a respiração e a circulação. A gravidade e a ocorrência de seqüelas depende da extensão da lesão do sistema nervoso, o que permite falar em graus de paralisias que vão desde aquela que não regride, passando por quadros intermediários, até a que pode regredir completamente. B. exames laboratoriais específicos - o diagnóstico laboratorial da poliomielite objetiva a confirmação do caso e também o conhecimento do tipo de poliovírus circulante.

A erradicação da circulação do poliovírus selvagem nas Américas tornou imprescindível a confirmação laboratorial dos casos suspeitos. Exames complementares como quimiocitológico do líquor, detecção de anticorpos da classe IgM, eletroneuromiografia podem ajudar no diagnóstico, dependendo do estágio da doença. C. o diagnóstico diferencial deve ser feito a partir de elementos clínicos e exames subsidiários visto que a doença pode ser confundida com várias condições clínicas ou síndromes de instalação aguda e comprometimento de motoneuronônios. O principal diagnóstico diferencial da poliomielite é a Síndrome de Guillan-Barré (SBG) ou polirradiculoneurite.

A neuropatia pós-diftérica é complicação tardia da infecção por C. difteriae e clinicamente semelhante à Síndrome de Guillan-Barré. Também a infecção por Campylobacter jejuni pode produzir um quadro de paralisia semelhante à Síndrome de Guillan-Barré. Há outras formas de comprometimento neurológico que devem ser diferenciadas, tais como as produzidas por infecção viral ou parasitária (S. mansoni), a paralisia de Bell, a síndrome de Hopkins, comprometimentos do plexo braquial ou crural (plexite), neuropatias periféricas por trauma ou compressão periférica dos nervos, quadros álgicos, etc.. D. o prognóstico é ruim quando há comprometimento bulbar, ocorrendo óbito na maioria dos casos.

TRATAMENTO

Não há tratamento específico mas, as medidas terapêuticas são importantes para redução das complicações e mortalidade. Cuidados gerais como repouso rigoroso nos primeiros dias, reduz a taxa de paralisias. Mudança de decúbito, tratamento sintomático da dor, da febre, da hipertensão arterial e de retenção urinária, uso de laxantes suaves e cuidados respiratórios são importantes para se evitar complicações. Cuidados ortopédicos e fisioterápicos devem ser instituídos oportunamente para evitar deformidades. A fisioterapia deve ser iniciada quando a dor ceder.

PREVENÇÃO

1. Vacinação

É a única arma de prevenção da doença e foi o instrumento que viabilizou a erradicação da poliomielite no continente americano.

Existem dois tipos de vacina disponíveis, ambas de alta eficácia: a vacina antipólio inativada e a de vírus vivos atenuados. Diferem quanto a via de administração e aos mecanismos de imunidade. O esquema de vacinação de rotina, preconizado pelo Programa Estadual de Imunização do Estado de S. Paulo(P.E.I.), consta de 3 doses básicas, no segundo, quarto e sexto mês de vida, um reforço seis a doze meses após a terceira dose e outro aos cinco ou seis anos de idade. A vacina utilizada é a vacina oral de vírus vivo atenuado (OPV), contendo os três sorotipos.

A vacinação de indivíduos imunodeprimidos deve ser feita com a vacina de vírus inativado (VIP). Complementando a vacinação de rotina, o Ministério da Saúde promove anualmente, desde 1980, dias nacionais de vacinação contra a poliomielite, vacinando as crianças menores de 5 anos, independente das doses anteriores, objetivando, além do aumento da cobertura, a disseminação do vírus vacinal na comunidade.

2. Notificação do caso

Devem ser notificados, imediatamente, ao serviço de Vigilância Epidemiológica da região onde o paciente foi atendido ou à Central de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde ( telefone 0800 55 54 66) todo casos de paralisia flácida aguda em menores de 15 anos e, em pessoa de qualquer idade, quando a suspeita diagnóstica for poliomielite.

3. Investigação epidemiológica

Investigação cuidadosa junto aos familiares com o objetivo de levantar dados da história, sinais e sintomas iniciais, antecedentes de vacinação e evolução do caso. Fundamental também são as informações referentes a contato com casos semelhantes e a viagens realizadas nos últimos 30 dias antes da deficiência motora. Investigar, entre os comunicantes e na região, a ocorrência de casos que sugiram tratar-se de infecção pelo poliovírus.

4. Vigilância e acompanhamento

A possibilidade de reintrodução do poliovírus selvagem, devido à ocorrência de casos em países com grande fluxo migratório com o Brasil, requer estreita vigilância tanto de casos suspeitos quanto de viajantes que visitem ou venham destas áreas.

A. em relação aos casos: No hospital, devem se tomar as precauções entéricas, na fase aguda da doença. Proceder à imunização do caso após a coleta de exames( lembrar que a imunidade é sorotipo específica). Deverá ser realizado exame neurológico na fase aguda da doença e 60 dias após e se nesta segunda avaliação persistir deficiência motora, nova revisão neurológica deverá ser feita aos 90 dias, para avaliação de sequelas. Para interromper a cadeia de transmissão da doença proceder à vacinação com VOP casa a casa (operação limpeza).

B. em relação a viajantes: indivíduos que provenientes de áreas onde estejam ocorrendo casos de poliomielite devem ser vacinados indiscriminadamente com a OPV e coletar amostra de fezes para isolamento viral. Para aqueles que se desloquem para essas áreas a vacinação deve ser seletiva, iniciando-se o esquema de vacinação para os não vacinados ou completando-o para os que não estejam com o esquema completo. Em pacientes imunodeprimidos deve-se usar a VIP.

5. preenchimento de ficha

Deverá ser preenchida, conforme preconiza o programa de Poliomielite.

DIAGNÓSTICO

O isolamento e identificação do agente etiológico deve ser feito nas fezes, o mais precocemente possível, preferencialmente nos primeiros 14 dias do início da deficiência motora, na fase aguda da doença, coletando-se uma amostra de fezes para pesquisa de poliovirus. Caso o paciente não evacue em 24 horas, proceder à coleta através de swab retal. As fezes devem ser conservadas entre +2º e +8ºC, até três dias, e após, em freezer à –20º ou –70ºC. O isolamento do vírus também pode ser feito do sangue, orofaringe e líquor, embora a possibilidade de isolamento seja menor, devido à circulação do vírus ser transitória.

Em caso de óbito, deve-se coletar partes do cérebro, medula e intestino para tentar isolar o vírus. Esses materiais devem ser transportados em solução salina tamponada, em condições de transporte idênticas às das fezes.

O diagnóstico sorológico pode ser feito coletando-se duas amostras de sangue, uma na fase aguda e outra na de convalescência; a elevação de 4 vezes ou mais do título de anticorpos neutralizantes ou fixadores de complemento demonstra a soroconversão.

O líquor também contribui para o diagnóstico diferencial na poliomielite paralítica. No entanto, pode ser normal no início da doença.

O anatomopatológico em material de necropsia, pode permitir a identificação de alterações anatomopatológicas sugestivas de Poliomielite.

Fonte: www.arquivomedico.hpg.ig.com.br

Poliomielite

Definição

Doença infecciosa, contagiosa aguda que ataca preferencialmente crianças. É causada por vírus pertencente ao grupo dos enterovírus (vírus intestinais), os vírus da pólio são neurotrópicos ( atingem células nervosas). Ë uma doença que causa deformidades principalmente no aparelho locomotor.

É uma doença polimorfa (variedade de sintomas) e de difícil diagnóstico precoce. Com a vacinação em massa a poliomielite no Brasil é considerada praticamente uma doença erradicada. Quando se tem a poliomielite não necessáriamente se adquire imunidade definitiva, pois existem 3 tipos de vírus, e o indivíduo que teve a doença foi imunizado apenas contra um só tipo de vírus.

Sinonímia

É uma doença também conhecida pelos seguintes nomes:

Moléstia de Heine-Medin.
Poliomielite anterior aguda.
Paralisia infantil.

Histórico

Jonas Edward Salk, microbiologista desenvolveu a primeira vacina com polivírus inativo contra a poliomielite. Albert Sabin microbiologista em 1960, introduziu a vacina oral a partir de vírus vivo contra a poliomielite, que é utilizada até hoje, substituindo a vacina intramuscular com polivírus inativo de Salk.

Agente etiológico

Existem 3 tipos sorológicos do poliovírus pertencente ao grupo dos picornavírus (ARN),conhecidos respectivamente pelos nomes de Brunhilde, Lansing e Leon ou Poliovírus I, II, III. É um vírus extremamente resistente ao meio ambiente, poluindo água e alimentos por períodos prolongados; não resistem a cloração, pasteurização, liofilização, água fervente e a substâncias oxidantes.

Fisiopatologia

O vírus da pólio penetra no organismo pela inalação ou pela boca, aloja-se temporariamente nos intestinos para reproduzir e se multiplicar por um período longo, depois alcança o sistema linfático e logo após a corrente sanguínea, para só então se fixar em outros pontos do organismo, sendo os mais freqüente: bulbo, cerebelo, cérebro, medula espinhal e outras estruturas do Sistema Nervoso Central. Conforme a localização do vírus no sistema nervoso as infecções se classificam em espinhais e bulbares, que podem causar paralisias no processo de deglutição, respiração e na locomoção.

O vírus atinge preferencialmente os neurônios da coluna cinzenta anterior da medula ou dos núcleos dos nervos cranianos situados no tronco cerebral. A viremia constitui fato básico para que a infecção atinja o sistema nervoso central. A maioria dos doentes tem a forma benigna não-paralítica e formas inaparentes da infecção, enquanto 1% a 2% é que evoluem para a forma paralítica. Quando ocorre a poliomielite os médicos não podem predizer qual forma da doença poderá se desenvolver.

Incidência

Em 90% a 95% a pólio apresenta-se sob a forma benigna.
No Brasil graças a vacinação infantil não há casos de pólio desde 1989.
A idade de maior incidência é de seis meses a 3 anos e em adultos com menos de 40 anos não vacinados a doença é mais grave, porque prevalece a forma paralisante.
Os meninos são mais suscetíveis à poliomielite em torno de 55% dos casos diagnosticados.
A idade em que é mais freqüente a doença é no primeiro ano de vida.
Nos países subdesenvolvidos que não tem sistema de vacinação a doença ainda causa muitas vítimas.
A doença ocorre mais freqüentemente no verão e outono.
50% dos músculos paralisados se recuperam com o tratamento fisioterápico adequado.
20% a 25% de porcentagem de morte ocorre na poliomielite bulbar.

Hospedeiro: O homem é o único hospedeiro natural do poliovírus.

Período de incubação: Em média entre 7 a 14 dias após o contágio, as vezes pode se estender até 35 dias.

Período de transmissibilidade: No final do período de incubação e na 1ª semana da fase aguda, enquanto o paciente ainda tem febre. O vírus também está presente nas fezes do paciente pelo menos 6 a 8 semanas depois do início da doença e em alguns casos durante vários meses.

Transmissão: O vírus é inalado através de material infectante, essa é a forma mais comum de contágio

Direta: através das secreções nasofaringeas (tosse, espirro ou saliva).
Indireta:
através das fezes do paciente que podem apresentar o vírus por vários meses após o início da doença;
Água e alimentos contaminados pelos vírus.

Formas clínicas

Poliomielite não paralítica.
Poliomielite frusta (de curta duração apresentando poucos sintomas).
Poliomielite paralítica espinhal.
Poliomielite bulbar (é a aforma mais grave da doença sendo a resposável por quase todas as mortes causadas pela doença).

Polioencefalite

Fatores que influenciam a gravidade da doença da forma paralítica
Predisposição genética ( a forma paralítica tende a se concentrar em membros de uma mesma família).
Amigdalectomia (acredita-se que aumenta a incidência do envolvimento bulbar).
Atividade física e trauma ( o exercicio vigoroso na fase pré-paralítica e traumas locais, como os provocados por injeçã, temimportância na localização e gravidade da doença.
Gestação (aumenta em cerca de três vezes a incidência da forma paralítica, provavelmente em consequência de fatores hormonais).

Sinais e sintoma

Na Poliomielite não-paralítica, frusta ou forma inaparente a doença é confundida com uma forte gripe que passa sem deixar seqüelas.

Na fase inicial do tipo paralítica espinhal, bulbar ou polioencefalite os sintomas são parecidos com uma gripe que desaparecem em alguns dias, mas que depois reaparecerem já com sintomas característicos da doença na forma paralítica ou em outros casos a paralisia aparece em questões de horas logo na fase inicial da doença, por exemplo: o paciente acorda pela manhã mas não consegue se levantar, ou não consegue ficar em pé.

Fase Aguda

Dores musculares principalmente na área dorsal
Mal-estar geral
Cefaléia
Febre
Rigidez da nuca e das costas
Tremor
Dor no pescoço
Mialgias
Vômitos
Torpor
Dor no peito
Irritabilidade
Perda de apetite
Dificuldade de locomoções bruscas, quando a criança acorda já não consegue se levantar da cama ou não consegue ficar em pé
Dificuldade de respiração
Dificuldade de deglutição
Espasmos musculares localizados
Fadiga muscular.

Logo após esse sintomas aparecem as paralisias

Paralisia dos músculos respiratórios (intercostais e/ou diafragma) é grave e deve ser diagnosticada precocemente, para que o paciente não entre em cianose. Os sinais como tosse fraca, o paciente não consegue tossir se for pedido, dificuldade para falar, choro de baixa intensidade, são sinais de comprometimento dos músculos respiratórios.

Paralisia dos músculos da deglutição
Paralisia facial
Paralisias oculares por lesões do motor ocular externo
Distúrbios vasomotores podem aparecer precocemente indicando paralisias com uma recuperação mais comprometedora e difícil
Paralisia dos membros superiores
Paralisia dos membros inferiores
Paralisia dos músculos do tronco, principalmente do dorso, podem causar futuramente desvios na coluna e deformações.

Obs: A paralisia pode ocorrer sem nenhum sinal clínico preexistente, podendo ocorrer após alguns dias ou logo no primeiro dia ou nas primeiras horas, mas gerlamente aparece depois de 2 a 3 dias já na fase aguda da doença. A paralisia do diafragma principalmente quando é bilateral e em associação com a paralisia da deglutição, é considerada uma das formas mais graves e freqüentemente leva ao óbito os pacientes que não receberam cuidados especiais ou que não tiveram um diagnóstico precoce.

Diagnóstico

Anamnese
Exame físico
Exame clínico
Exames laboratoriais
Exame do LCR (líquido cefalorraquidiano) através da punção lombar
Métodos sorológicos (pesquisa de anticorpos específicos contra o vírus)
Métodos virológicos (isolamento viral por inoculação em culturas celulares).
Diagnóstico diferencial (para não ser confundida com outras doenças com sintomas iniciais semelhantes)
Polirradiculoneurite ou Moléstia de Landry-Guillain-Barré.
Meningite causada por vírus Coxsackie e ECHO.
Meningites purulentas e tuberculosas.
Polineurite pós-diftérica.
Encefalite pós.vacinal ou pós-infecciosa.
Sindrome pós-convulsiva.
Tumores cerebrais e medulares.
Traumatismos.
Distúrbios hidroeletrolíticos (hipopotassemia).
Lues congênita (pseudoparalisia de Parrot).
Mielite transversa.
Paralisias histéricas.
Coréia de Sydenham com componente dominante de hipotonia (córeia mole)
Neurite traumática (pós-injeção intramuscular).

Tratamento

Objetivo do tratamento é evitar as graves complicações que virão no decurso da doença.

Específico: tratamento medicamentoso para a doença não existe, as medidas terapêuticas se voltam para suas complicações.

Sintomático: tratamento conforme os sintomas e as suas intercorrências sob indicação médica.

É uma doença que necessita hospitalização obrigatória, imediata e de isolamento para que não evolua até a poliomielite bulbar (comprometendo a parte do cérebro responsável pela respiração e função cardíaca), que é a forma mais grave e fatal da doença.

O isolamento deve durar pelo menos em média durante quatro a seis semanas.

Fase Aguda

Cuidados rigorosos de enfermagem principalmente nos primeiros dias da doença para tentar evitar os sinais de agravamento da doença
Cuidados especiais na postura dos membros atingidos (para evitar vícios posicionais), com o objetivo de evitar agravamento das deformidades
Cuidados de enfermagem para evitar o aparecimento de úlceras de decúbito devido a imobilidade ao leito
Repouso absoluto no leito
Nos casos de secreção abundante, essa deve ser removida para se evitar a ocorrência de atelectasias e infecções secundárias
Se houver paralisia respiratória deve ser utilizado aparelhos de respiração mecânica, traqueostomia ou outros recursos respiratórios para melhorar a insuficiência respiratória
Analgésicos e sedativos porque é uma doença que inflige muita dor ao paciente, sob prescrição médica
O paciente deve ser protegido contra o sofrimento físico e psíquico, já que é uma doença que causa dor principalmente nos espasmos musculares
Compressas quentes devem ser usadas para melhorar os espasmos dos músculos e para aliviar a dor
Dietoterapia específica
Repouso muscular colocando o paciente em posição fisiológica
Mobilização passiva dos músculos deve ser empregada logo no início da doença
Deve-se evitar nesse período as injeções intramusculares, pois podem contribuir para o desencadeamento de paralisias
Vigilância contínua por parte da equipe de enfermagem
Apoio psicológico por parte da equipe de enfermagem durante as etapas da doença é fundamental para o paciente.

Se não houver paralisia, não será necessário tratamento especial, mas se desenvolver no decurso da doença a paralisia, o paciente deverá ser submetido a tratamento ortopédico e de reabilitação durante a convalescença e continuar após a doença por 1 ou 2 anos dependendo da extensão da paralisia. O tratamento das paresias respiratórias está relacionada à extensão das mesmas.

O paciente deve ser removido pra UTI quando apresentar o seguinte quadro:

Dificuldade para tossir ou deglutir
Paralisia progressiva dos membros inferiores
Paralisia dos MMSS ou dificuldade para elevar a cabeça acima do plano do leito
Sinais de comprometimento cerebral.

Obs: Infelizmente há casos que a manutenção da vida do paciente fica condicionada ao emprego da respiração artificial definitivamente.

Fase de Recuperação

Reabilitação
Fisioterapia
Exercícios físicos para ajudar na coordenação e reeducação muscular
Uso de aparelhos ortopédicos
Exercícios respiratórios
Terapia ocupacional é indicada
Psicólogos para ajudar o paciente a enfrentar os seus limites é necessário.

Complicações

Paralisia dos membros inferiores.
Atrofia dos músculos dos membros.
Paralisia respiratória.
Encefalite.

Sequelas

Insuficiência respiratória.
Insuficiência renal.
Problemas de crescimento.
Danos neurológicos.
Deformações nos MMSSII, devido a limitação do movimento ou pelo desuso.
Profilaxia

Medidas Sanitárias

Notificação Compulsória e Imediata às Autoridades Sanitárias.
Vacinação Sabin ( poliovírus atenuado) a partir dos 2 meses de idade.
Vacinação Salk (poliovírus inativado).
Comunicantes suscetíveis devem ser vacinados e mantidos sob vigilância sanitária.
Comunicantes suscetíveis não devem receber injeções intramusculares ou ser amidalectomizados.
Saneamento básico eficiente.
Tratamento adequado dos dejetos humanos;
Tratamento da água para consumo.

Medidas Gerais

Higiene dos alimentos.
Insetos como as moscas devem ser combatidos pois podem transmitir o vírus.
Deve-se usar água potável ou fervida.
Não frequentar locais de alimentação suspeitos ou com péssimas condições de higiene;
Pessoas que viajam para países que ainda tem a poliomielite devem se vacinar com antecedência como medida profilática, caso não tenham sido vacinadas quando crianças.

Fonte: www.marciolois2.hpg.ig.com.br

Poliomielite

ASPECTOS CLÍNICOS

A poliomielite ou "paralisia infantil" é uma doença infecto-contagiosa aguda, cujas manifestações clínicas devidas à infecção pelo poliovírus são muito variáveis, indo desde infecções inaparentes (90 a 95%) até quadros de paralisia severa (1 a 1,6%), levando à morte.

Apenas as formas paralíticas possuem características típicas, que permitem sugerir o diagnóstico de poliomielite, quais sejam:

Instalação súbita da deficiência motora, acompanhada de febre
Assimetria, acometendo sobretudo a musculatura dos membros, com mais freqüência os inferiores
Flacidez muscular, com diminuição ou abolição de reflexos profundos na área paralisada
Sensibilidade conservada; e
Persistência de alguma paralisia residual (seqüela) após 60 dias do início da doença.

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial da poliomielite deve ser feito com polineurite pós-infecciosa e outras infecções que causam paralisia.

As mais freqüentes são: Síndrome de Guillain-Barré (SGB), mielite transversa, meningite viral , meningoencefalite e outros enterovírus (ECHO tipo 71 e coxsackie, especialmente do grupo A tipo 7). Os Laboratórios de Referência estão capacitados para realizar exames de fezes de todos os casos de Paralisias Agudas e Flácidas, com a finalidade de caracterizar o poliovírus e outros enterovírus, contribuindo portanto, para o diagnóstico diferencial.

Tratamento

Não há tratamento específico. Todos os casos devem ser hospitalizados, fazendo tratamento de suporte.

ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS

A poliomielite ou "paralisia infantil" é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro clássico de paralisia flácida de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e a evolução desta manifestação freqüentemente não ultrapassa três dias.

Acomete em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principais características: flacidez muscular, com sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido.

A doença foi de alta incidência no país em anos anteriores, deixando centenas de deficientes físicos por ano. Hoje, encontra-se ERRADICADA no Brasil em virtude das ações de imunização e vigilância epidemiológica, desenvolvidas desde 1980 até 1994, quando o país recebeu o "Certificado de Erradicação da Transmissão Autóctone* do Poliovírus Selvagem nas Américas".

A partir de então, o país assumiu o compromisso de manter altas coberturas vacinais, de forma homogênea e uma vigilância epidemiológica ativa, capaz de identificar imediatamente a reintrodução do poliovírus e adotar medidas de controle capazes de impedir a sua disseminação.

Agente Etiológico: os poliovírus pertencem ao gênero Enterovírus da família Picornaviridae e apresentam três sorotipos: I, II e III.

Reservatório: o homem.

Modo de Transmissão: a transmissão ocorre principalmente por contato direto pessoa a pessoa. A boca é a porta de entrada do poliovírus, fazendo-se a transmissão pelas vias fecal-oral ou oral-oral, esta última através de gotículas de muco do orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar). As más condições habitacionais, a higiene pessoal precária e o elevado número de crianças numa mesma habitação constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

Período de Incubação: o período de incubação é geralmente de 7 a 12 dias, podendo variar de 2 a 30 dias.

Período de Transmissibilidade

O período de transmissibilidade pode iniciar antes do surgimento das manifestações clínicas. Em indivíduos suscetíveis a eliminação do vírus se faz pelo orofaringe por um período de cerca de uma semana, e pelas fezes por cerca de seis semanas, enquanto que, nos indivíduos reinfectados, a eliminação do vírus se faz por períodos mais reduzidos.

Suscetibilidade e Imunidade

Todas as pessoas não imunizadas são suscetíveis de contrair a doença. A infecção natural ou a vacinação conferem imunidade duradoura ao tipo específico de poliovírus responsável pelo estímulo. Embora não desenvolvendo a doença, as pessoas imunes podem reinfectar-se e eliminar o poliovírus ainda que em menor quantidade e por um período menor de tempo.

Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade

Em países de clima temperado, verifica-se maior incidência no verão e princípio do outono.

Nos países de clima tropical, a distribuição dos casos é uniforme durante todo o ano. A transmissão é potencialmente mais intensa em áreas urbanas densamente povoadas, mas também ocorre em áreas rurais. O grupo mais atingido em áreas endêmicas é o de menores de cinco anos. No entanto, o aumento da idade predispõe ao aumento da proporção de casos com forma paralítica.

A partir de 1975, com a sistematização das ações de vigilância epidemiológica, foi possível conhecer as características da poliomielite no Brasil. Até 1980 , devido às baixas coberturas vacinais observadas naquele período, o país apresentava alta incidência da doença (média de 2.300 casos por ano). A partir de 1980, com a instituição dos dias nacionais de vacinação e a implementação de outras ações de controle, mudou o panorama da doença.

O número de casos confirmados caiu acentuadamente desde então, atingindo uma cifra de 45 casos notificados, em 1983. A mortalidade apresentava a mesma tendência, enquanto a letalidade média, no país, situava-se em torno de 14%. Em 1986, ocorreu uma epidemia de poliomielite por poliovírus tipo 3 na Região Nordeste, inicialmente atribuída à queda das coberturas vacinais.

As investigações revelaram que o principal fator determinante era a baixa imunogenicidade do componente tipo 3 da vacina oral contra a poliomielite, que era utilizada naquela época. O número de partículas virais do pólio tipo 3 vacinal foi aumentado, com conseqüente elevação da eficácia da vacina.

A partir daquele ano, com o compromisso de erradicar a transmissão autóctone do poliovírus selvagem no país, foram implementadas medidas que tornaram o sistema de vigilância epidemiológica mais sensível, permitindo desencadear medidas de controle mais eficazes. O último isolamento de poliovírus selvagem no país ocorreu em março de 1989.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Exames Específicos

Isolamento do Vírus: é feito a partir de amostras de fezes do caso ou de seus contatos. A coleta de amostras fecais com isolamento de vírus selvagem permite a confirmação diagnóstica. O método de hibridização molecular (DOT BLOT), que utiliza sondas sintéticas de DNA, permite reconhecer todos os enterovírus humanos ou apenas seqüências tipo específicas dos poliovírus, sejam de origem vacinal ou selvagem. Em 1991, foi introduzido, no Brasil o método de "Polymerase Chain Reaction (PCR)", que permite a amplificação da seqüência alvo do genoma viral em pelo menos cem mil vezes, em poucas horas, aumentando, consideravelmente, a sensibilidade do diagnóstico viral.

Os poliovírus, selvagem e vacinal, também podem ser isolados a partir de amostras de água de esgoto e as mesmas técnicas descritas acima podem ser utilizadas para a identificação do enterovírus detectado.

Sorologia: no Brasil, a sorologia deixou de ser utilizada, como apoio para o diagnóstico de poliomielite, a partir de maio de 1990. Essa decisão foi tomada devido à grande quantidade de vacina oral contra a poliomielite (VOP) administrada no país, que levou a maioria da população a apresentar altos títulos de anticorpos para os três tipos de poliovírus, mesmo na fase aguda da doença, dificultando a interpretação dos resultados.

Exames Inespecíficos

Líquor: o exame de líquor permite o diagnóstico diferencial com a Síndrome de Guillain-Barré e com as meningites que evoluem com deficiência motora. Na poliomielite, observa-se um discreto aumento do número de células, podendo haver um discreto aumento de proteínas. Na Síndrome de Guillain-Barré observa-se uma dissociação proteíno-citológica (aumento acentuado de proteínas) e nas meningites, um aumento do número de células, com alterações bioquímicas.

Eletromiografia

Os achados e o padrão eletromiográfico da poliomielite são comuns a um grupo de doenças, que afetam o neurônio motor inferior. No entanto, este exame pode contribuir para descartar a hipótese diagnóstica de poliomielite.

Anátomopatologia

O exame anátomo patológico do sistema nervoso não permite o diagnóstico de certeza, pois não há alterações patognomônicas. Entretanto, dada à predileção do parasitismo do poliovírus pelas células motoras do corno anterior da medula e de alguns núcleos motores dos nervos cranianos, as alterações histopatológicas podem ser extremamente sugestivas e permitem fechar o diagnóstico diante de um quadro clínico suspeito.

As alterações consistem em atividade inflamatória, peri-vasculite linfocitária, nódulos ou atividade microglial difusa e figuras de neuronofagia (neurônios sendo fagocitados por células da microglia). É preciso lembrar que estas alterações são comuns a quaisquer encefalomielites virais, mas como citado anteriormente, no caso da poliomielite predominam nitidamente no corno anterior da medula e no tronco cerebral.

Coleta, Conservação e Transporte de Amostras de Fezes

Coleta de Amostras de Fezes dos Casos

Devem ser coletadas duas amostras de fezes até quatorze dias após o início da deficiência motora, com intervalo mínimo de 24 horas entre elas.

As amostras de fezes constituem o material mais adequado para o isolamento do poliovírus. Embora os pacientes com poliomielite eliminem poliovírus durante semanas, os melhores resultados de isolamento são alcançados com amostras fecais coletadas na fase aguda da doença. A eliminação de poliovírus pelas fezes não é sempre contínua, por isso a coleta da 2ª amostra deve ser realizada, pelo menos, 24 horas após a 1ª amostra, este cuidado aumenta a probabilidade de isolamento do poliovírus selvagem.

Todo caso conhecido tardiamente deverá ter duas amostras de fezes coletadas até 60 dias após o início da deficiência motora.

O "swab" retal somente é recomendado naqueles casos de Paralisia Flácida Aguda (PFA) que foram a óbito antes da coleta adequada de fezes. Em crianças que apresentam obstipação intestinal, dificultando a coleta de amostras de fezes, pode-se utilizar supositório de glicerina.

Coleta de Amostras de Fezes de Contatos: não é mais necessário coletar amostra de fezes de contatos em todos os casos de PFA, devendo as mesmas só serem coletadas nas seguintes situações:

Contato de casos que não tiveram coleta adequada de amostras de fezes;

Contato de casos com forte suspeita diagnóstica de poliomielite, independente de ter havido coleta de fezes ou do tempo transcorrido entre o início da deficiência motora e conhecimento do caso; e

Contato de casos cuja clínica não é compatível com poliomielite, porém há suspeitas de reintrodução da circulação do poliovírus selvagem.

Observar que os contatos não são necessariamente intradomiciliares, embora, quando presentes, devam ser priorizados para coleta de amostras de fezes e que os mesmos não devem ter recebido vacina contra poliomielite (VOP) nos últimos 30 dias.

Conservação e transporte de amostras de fezes

Colocar cada amostra em um recipiente limpo e seco (de preferência nos coletores distribuídos para esse fim), e vedar bem. A quantidade de fezes recomendada deve equivaler ao tamanho de dois dedos polegares de adulto.

Os recipientes contendo amostras fecais devem ser conservados em freezer a -20°C, até o momento do envio. Na impossibilidade da utilização de freezer colocar em geladeira comum (4 a 8°C) por até no máximo 3 dias, não devendo jamais ser colocada em congelador comum.

O transporte deve ser feito em caixa térmica com gelo. Os recipientes das amostras devem estar acondicionados em saco plástico bem vedado, para que, em caso de descongelamento, não haja risco de molhar o material.

A caixa térmica deve conter uma quantidade de gelo capaz de resistir ao tempo que vai demorar para chegar ao laboratório, e deve ser fechada por fora, com fita adesiva.

Deve ser enviado ao laboratório, acompanhando as amostras de fezes, o "Formulário para envio de amostras de fezes ao laboratório", devidamente preenchido.

Coleta, conservação e transporte de material de autópsia: além da possibilidade de isolamento do poliovírus em material de autópsia, podem ser identificadas alterações sugestivas de poliomielite através do exame anatomopatológico.

Coleta: devem ser coletadas, para exame, amostras de:

Cérebro (bulbo, ponte, mesencéfalo e área motora do giro pré-central);
Medula espinhal (corno anterior das regiões cervical, toráxica e lombar); e
Intestino (Placas de Peyer).

Conservação

As amostras coletadas devem ser fracionadas e colocadas em frascos individuais, identificadas com o nome do caso, tipo de material e data de coleta, sendo conservadas de acordo com os exames a serem realizados.

Para Isolamento de Poliovírus

Colocar em frasco contendo solução salina tamponada: fragmentos de cérebro, medula e intestino (placas de Peyer). Conservar de forma idêntica à utilizada para o material fecal.

Para Exame Anatomopatológico

O ideal para exame anatomopatológico é que se envie o encéfalo e medula já fixados por pelo menos 2 semanas em formol a 10%. Na impossibilidade de enviar todo o material, fragmentos representativos de córtex cerebral, gânglios de base, tálamo, cerebelo, tronco cerebral e sobretudo medula espinhal, podem ser enviados, seja no formol, seja já incluídos em blocos de parafinas para preparação histológica. Em última análise, lâminas em branco ou já coradas pelo método HE (hematoxilina-eosina) podem ser enviadas.

Transporte

O material para isolamento de poliovírus deve ser acondicionado em caixa térmica, contendo gelo em quantidade suficiente para garantir sua adequada conservação, até a chegada ao laboratório.

MEDIDAS DE CONTROLE

Em virtude das características de transmissão do poliovírus, silenciosa e rápida, e da ocorrência de um grande número de infecções sem manifestações clínicas, a vigilância deve ser intensificada com a finalidade de detectar a ocorrência de outros casos de PFA. A manutenção dessa vigilância deve abranger, além do local de residência do doente, as localidades visitadas nos 30 dias anteriores ao início da paralisia, em caso de viagem, como também os locais de residência de possíveis visitas recebidas no mesmo período, onde pode estar a provável fonte de infecção.

Além da intensificação da vigilância, as medidas de controle compreendem: mini-inquérito, inquérito de cobertura vacinal, visita às unidades de saúde e contato com profissionais de saúde.

Vacinação

A única medida eficaz para manter erradicada a circulação do poliovírus selvagem nas Américas é a vacinação, portanto deverão ser mantidas a vacinação de rotina nos serviços de saúde, além das campanhas nacionais de vacinação.

Vacinação de Rotina

Compreende as atividades realizadas de forma contínua, através dos serviços permanentes de saúde e visa assegurar, o mais precocemente possível, a imunização das crianças nascidas, para evitar a formação de bolsões populacionais suscetíveis à doença.

Campanhas de Vacinação

As campanhas se constituem em ação complementar para a vacinação de rotina quando a rede de serviços de saúde for insuficiente para assegurar uma satisfatória cobertura de vacinação. É importante salientar que a vacina contra poliomielite oral, aplicada em campanhas, apresenta um mecanismo de ação peculiar. A vacinação em massa produz extensa disseminação do vírus vacinal, capaz de competir com a circulação do vírus selvagem, interrompendo abruptamente a cadeia de transmissão da doença. Em ambas as atividades, devem ser alcançadas coberturas vacinais altas (90%) e uniformes, nos municípios, até que se certifique que o mundo esteja livre da poliomielite.

Definição de Criança Adequadamente Vacinada

É aquela que recebeu três ou mais doses de vacina oral contra poliomielite, com um intervalo mínimo de 30 dias entre cada dose.

Indicadores de Qualidade da Vigilância Epidemiológica Pós-Certificação:

Permanecerão sendo utilizados quatro indicadores para avaliar a qualidade da vigilância epidemiológica das PFA, no período de pós-certificação:

Mínimo 80% das Unidades de Notificação Negativa implantadas devem notificar semanalmente;
Taxa de notificação de casos de PFA deve ser de, no mínimo, um caso por 100.000 habitantes menores de 15 anos;
Pelo menos 80% dos casos notificados devem ser investigados dentro das 48 horas posteriores à notificação;
Pelo menos 80% dos casos de PFA notificados devem ter duas amostras de fezes para cultivo de vírus, coletadas nas duas semanas seguintes ao início da deficiência motora.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Critérios para Inclusão de um Caso no Sistema de Vigilância Epidemiológica das PFA: deve ser investigado todo caso de deficiência motora flácida, de início súbito:

Em pessoas menores de 15 anos, independente da hipótese diagnóstica de poliomielite
Em pessoas de qualquer idade, que apresentam hipótese diagnóstica de poliomielite.

Observação

Os casos de paralisia ocular pura e paralisia facial periférica não devem ser investigados.
Investigação Epidemiológica: todo caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA) deve ser investigado até 48 horas após seu conhecimento.

Roteiro de Investigação

Caracterizar clinicamente o caso, para determinar sua inclusão no sistema de investigação
Colher duas amostras de fezes do caso, a fim de confirmar o diagnóstico e identificar a reintrodução do poliovírus selvagem na região
Obter informações detalhadas e uniformes para todos os casos, através do preenchimento da ficha de investigação epidemiológica de PFA, de modo a permitir a comparabilidade e análise dos dados
Visitar imediatamente o domicílio para complementar dados da ficha de investigação (história vacinal, fonte de infecção, etc.), buscar outros casos e, quando necessário, coletar as amostras de fezes de cinco contatos
Orientar medidas de controle
Realizar a revisita do caso para avaliação de seqüela, sessenta dias após o início da deficiência motora
Classificar o caso, conforme os critérios estabelecidos
Revisita: avaliar se há presença de seqüela após 60 dias do início da deficiência motora. Essa avaliação é importante para a classificação definitiva do caso

Classificação Final dos Casos

Poliomielite Confirmada: devem ser classificados nessa categoria todos os casos de PFA em que houve isolamento de poliovírus selvagem na(s) amostra(s) de fezes do caso ou de um de seus comunicantes, independentemente de haver ou não seqüela após 60 dias do início da deficiência motora.

Poliomielite Associada à Vacina

Casos de PFA em que há isolamento de vírus vacinal na(s) amostra(s) de fezes e presença de seqüela compatível com poliomielite, 60 dias após o início da deficiência motora. Para que um caso seja classificado como associado à vacina, as amostras de fezes não precisam ser oportunas (coleta nos primeiros quinze dias).

Não-Poliomielite

Casos de PFA com amostras de fezes adequados (duas amostras coletadas até quatorze dias do início da deficiência motora, com intervalo mínimo de 24 horas), nas quais não houve isolamento de poliovírus. Qualquer paciente que apresente seqüela após 60 dias do início da deficiência motora, que evolua para óbito ou de forma ignorada, deve ter suas amostras de fezes originais reexaminadas em outro laboratório da rede. Se os resultados forem negativos para poliovírus, o caso deve ser descartado.

Polio-Compatível

Casos de PFA que não tiveram coleta adequada de amostras de fezes e que apresentam seqüela aos 60 dias ou evoluíram para óbito ou de forma ignorada.

Fonte: dtr2001.saude.gov.br

Poliomielite

PARALISIA INFANTIL

A poliomielite, ou paralisia infantil, é uma doença infecto-contagiosa viral aguda. Ela atinge principalmente crianças de até 5 anos e pode se caracterizar por paralisia, principalmente dos membros inferiores. A pólio pode deixar seqüelas graves e, em alguns casos, levar à morte.

Como age?

A doença é transmitida pelo poliovírus, que entra pela boca. O vírus é carregado pelas fezes e pelas gotículas expelidas durante a fala, a tosse e o espirro da pessoa contaminada. Falta de higiene pessoal e de saneamento na moradia e concentração de muitas crianças na mesma casa favorecem a transmissão. O período de incubação (tempo que demora entre o contágio e o desenvolvimento da doença) é geralmente de 7 a 12 dias, podendo variar de 2 a 30 dias. A transmissão pode ocorrer durante o período de incubação.

Sintomas

São variáveis e, de 90 a 95% dos casos, a pólio não apresenta sintoma algum.

Nos casos em que há paralisia, ocorre: instalação súbita da deficiência motora, febre, paralisia, principalmente dos membros (com mais freqüência, os inferiores), flacidez muscular e diminuição ou ausência de reflexos profundos na área paralisada. A sensibilidade do local é mantida. Na maioria dos casos, os sintomas não ultrapassam três dias, mas pode haver seqüelas. Alguns dos casos, em que a paralisia é severa, são fatais.

Como evitar?

A prevenção é feita através da vacinação, que garante proteção contra a doença pela vida toda. A vacina, chamada Sabin, é aplicada oralmente. São três doses, tomadas com um intervalo de pelo menos 30 dias entre elas. A proteção começa após a terceira dose.

A quem recorrer?

Graças às campanhas de vacinação, a doença está erradicada no Brasil. O último caso foi registrado em 1989 - mas a vacinação é necessária porque a pólio ainda existe em outros países, e há risco de retorno da doença para o Brasil. Se houver suspeita de contágio, deve-se procurar um hospital que, através de exame de fezes, fará o diagnóstico da doença e seu suporte.

Fonte: saude.terra.com.br

Poliomielite

PARALISIA INFANTIL

A poliomielite é uma doença causada por um enterovírus, denominado poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3). É mais comum em crianças ("paralisia infantil"), mas também ocorre em adultos. A transmissão do poliovírus "selvagem" pode se dar de pessoa a pessoa através de contato fecal-oral, o que é crítico em situações onde as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças de baixa idade, ainda sem hábitos de higiene desenvolvidos, estão particularmente sob risco.

O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação fecal de água e alimentos.

A multiplicação inicial do poliovírus ocorre nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e, então, infecta o sistema nervoso, onde a sua multiplicação pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o que resulta em paralisia flácida.

Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença. Quando apresenta a doença, pode desenvolver paralisia flácida (permanente ou transitória) ou, eventualmente, evoluir para o óbito. A poliomielite não tem tratamento específico.

O modo de aquisição (porta de entrada) do poliovírus é oral (transmissão fecal-oral ou, raramente, oral-oral).

O período entre a infecção com o poliovírus e o início dos sintomas (incubação) varia de 3 a 35 dias.

Mais de 95% das infecções são assintomáticas ou têm poucos sintomas (subclínicas). A relação entre o número de casos sem sintomas e os que desenvolvem paralisia flácida é de cerca de 200:1.

As manifestações iniciais são parecidas com as de outras doenças virais. Podem ser semelhantes às infecções respiratórias (febre e dor de garganta, "gripe") ou gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação -"prisão de ventre"- ou, raramente, diarréia).

Menos de 2% das pessoas infectadas apresentam paralisia flácida. A paralisia geralmente começa entre 1 e 10 dias depois dos sintomas iniciais e progride por 2 a 3 dias.

Entre 1 e 2% das pessoas que desenvolvem sintomas apresentam meningite, sem desenvolver paralisia flácida.

Entre os casos que desenvolvem paralisia flácida, 2 a 5% das crianças e 15 a 30% dos adultos evoluem para o óbito.

Desenvolvendo ou não sintomas o indivíduo infectado elimina o poliovírus nas fezes, o qual pode ser transmitido para outras pessoas por via oral. A eliminação é mais intensa 7 a 10 dias antes do início dos sintomas, mas o poliovírus pode continuar a ser eliminado durante 3 a 6 semanas.

A transmissão do poliovírus ocorre mais freqüentemente a partir do indivíduo assintomático.

Situação da poliomielite no Brasil

O último caso de poliomielite paralítica no Continente Americano ocorreu no Perú em agosto de 1991. Em 1994, uma Comissão Internacional atestou a eliminação da transmissão do poliovírus selvagem no Continente, o primeiro a eliminar a poliomielite. No Brasil, o último caso de poliomielite com o vírus selvagem ocorreu em 1989, e o país recebeu o Certificado de Eliminação da Poliomielite em 12 de dezembro de 1994. A cobertura vacinal no Brasil atingiu 89% da população alvo em 1997 (Tabela), sendo feita aos 2, 4, 6 e 15 meses de idade. Além disso, no Brasil é realizada anualmente uma Campanha Nacional de Imunização, na qual são vacinadas crianças com até cinco anos, o que aumenta a cobertura contra a poliomielite.

A poliomielite ainda ocorre em várias partes do mundo (África, Subcontinente Indiano), e o movimento global de pessoas tem crescido vertiginosamente nos últimos anos. Existe, portanto, uma ameaça constante de reintrodução do poliovírus selvagem em países como o Brasil, de onde a doença já foi eliminada, o que torna mandatória a vigilância continuada dos casos de paralisia flácida e a manutenção dos programas de imunização para a poliomielite.

Recomendações para o viajante

A poliomielite pode ser evitada através de vacinação e medidas de prevenção contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos. Existem dois tipos de vacinas, a Sabin (oral, com vírus atenuado) e a Salk (injetável, com vírus inativado).

O Cives recomenda às pessoas com viagem programada para áreas de risco para poliomielite, que:

Atualizem seus esquemas vacinais contra poliomielite, independentemente da idade (criança ou adulto).
Adotem medidas de prevenção contra outras doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos (cólera, febre tifóide, hepatite A, hepatite E).
Atualizem a vacina contra febre amarela (validade de 10 anos) e outras doenças imunopreveníveis (como sarampo).
Utilizem medidas de proteção individual contra a malária (paludismo), doença endêmica no Continente Africano e Subcontinente Indiano, contra a qual não existem vacinas disponíveis.
Em países que estiveram ou ainda estão em guerra, não andem por áreas desabitadas ou evitadas pela população local, pelo risco acidentes com minas terrestres explosivas.

Fonte: www.cives.ufrj.br

Poliomielite

PARALISIA INFANTIL

A poliomielite é uma infecção viral muito contagiosa, por vezes mortal, que pode provocar fraqueza muscular permanente, paralisia e outros sintomas.

O poliovírus, um enterovírus, transmite-se ao engolir substâncias, como água, contaminadas por fezes infectadas. A infecção estende-se do intestino a todo o corpo, mas o cérebro e a espinal medula são os mais gravemente afectados.

Nos primórdios do século XX, grande parte dos recursos sanitários eram destinados às pessoas infectadas pela poliomielite. Hoje em dia, a maioria dos médicos nunca viu uma infecção nova de poliomielite. Nos países industrializados os surtos de poliomielite desapareceram quase por completo graças aos maciços programas de vacinação. Antes de existirem as vacinas, os surtos surgiam durante os meses de Verão e de Outono em zonas de clima temperado. Nos países em vias de desenvolvimento, o vírus pode propagar-se através da água contaminada por fezes humanas. As crianças com menos de 5 anos de idade são especialmente propensas a infectar-se desta forma.

Sintomas e diagnóstico

A poliomielite que afecta as crianças pequenas costuma ser ligeira. Os sintomas, que começam entre o 3.º e o 5.º dia depois da infecção, consistem numa sensação de mal-estar geral, febre ligeira, dor de cabeça, irritação da garganta e vómitos. A criança recupera normalmente em 24 a 72 horas.

A poliomielite grave é mais provável nas crianças mais velhas e nos adultos. Os sintomas, que normalmente surgem entre o 7.º e o 14.º dia depois da infecção, incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez do pescoço e das costas e dor muscular profunda. Em algumas zonas da pele aparecem sensações raras, como picadas e uma invulgar sensibilidade à dor. A doença pode estacionar ou até progredir e desenvolver-se debilidade ou paralisia em certos músculos, dependendo de que partes do cérebro e da espinal medula forem afectadas. A pessoa pode ter dificuldade em engolir e pode sufocar com saliva, alimentos ou líquidos. Ao engolir, por vezes os líquidos passam para o nariz. Finalmente, a voz pode tornar-se nasalada.

Pode ser diagnosticada a poliomielite a partir destes sintomas. O diagnóstico confirma-se ao identificar o poliovírus numa análise às fezes e ao detectar valores de anticorpos perante o vírus no sangue.

Sequelas de poliomielite

Observe-se a atrofia muscular no membro inferior esquerdo desta criança.

Poliomielite

Complicações

A complicação mais grave da poliomielite é a paralisia permanente. Embora a paralisia ocorra em menos de 1 em cada 100 casos, a debilidade permanente de um ou mais músculos é bastante frequente.

Por vezes, a parte do cérebro responsável pela respiração pode ser afectada e provocar debilidade ou paralisia nos músculos do peito. Durante as epidemias dos anos 1940 e 1950, esta complicação fez com que se generalizasse o uso do pulmão de aço, um incómodo dispositivo mecânico que facilitava a respiração. Hoje em dia, a morte por poliomielite é rara.

Algumas pessoas desenvolvem outras complicações vinte ou trinta anos depois de terem sofrido um ataque de poliomielite. Esta doença (síndroma de pós-poliomielite) consiste numa fraqueza muscular progressiva, que muitas vezes é causa de uma grave invalidez.

Prevenção e tratamento

A vacina da poliomielite está incluída nas imunizações sistemáticas das crianças. Existem dois tipos de vacinas, uma com poliovírus inactivado (vacina de Salk), que é administrada em forma de injecção, e outra com poliovírus vivos (vacina de Sabin), de administração oral. A vacina viva de administração oral concede maior imunidade e normalmente é a forma preferida de uso. No entanto, em casos muito raros, a vacina viva pode provocar poliomielite, sobretudo em pessoas que têm um sistema imunitário deficiente. Por conseguinte, a vacina viva não é administrada a estas pessoas ou às que tenham contacto permanente com elas, porque o vírus vivo elimina-se pelas fezes durante determinado tempo depois da vacinação.

Nos países industrializados não se recomenda vacinar pela primeira vez pessoas maiores de 18 anos, pois o risco de adquirir poliomielite nessas circunstâncias é extremamente baixo. Os adultos que nunca tenham sido imunizados e que vão viajar para uma zona onde a poliomielite ainda representa um problema sanitário deverão ser vacinados.

A poliomielite não se cura e os medicamentos antivirais não afectam o curso da doença. No entanto, se os músculos da respiração forem debilitados, pode ser utilizado um ventilador artificial para a respiração.

Fonte: www.manualmerck.net

Poliomielite

PARALISIA INFANTIL

A poliomielite também chamada de paralisia infantil, pólio ou ainda doença de Heine-Medin é uma infecção viral aguda causada por um dos três poliovírus existentes.

É uma doença contagiosa, que ataca o sistema neurológico afetando o corpo inteiro podendo causar paralisia dos movimentos musculares. É caracterizada clinicamente por paralisias resultantes do comprometimento do neurônio motor periférico, de tipo infeccioso, causadas por vírus específicos.

Introduzido no organismo por diferentes vias, o vírus é eliminado pelas fezes. Uma criança pode pegar poliomielite através do contato direto, isto é, tendo contato com outra criança infectada pela doença ou através do contato indireto, isto é, através da água, alimentos, picadas de insetos e etc. Presente no organismo o vírus se prolifera na submucosa do intestino ou faringe alcançando logo após a corrente circulatória espalhando-se por todo o organismo.

O período de incubação desta doença leva de 3 a 35 dias. Em geral a doença se manifesta próximo ao 10 dia após ter contraído o vírus.

A poliomielite em sua fase aguda onde já existe o comprometimento do sistema nervoso pode apresentar febre, dores de cabeça, dores de garganta, coriza, vômitos e às vezes rigidez de nuca.

Não existe tratamento específico para combater o vírus da poliomielite. Como a maioria dos casos evolui para a cura completa, é importante manter o bom estado geral do paciente.

A poliomielite é uma doença altamente contagiosa, portanto são necessárias medidas rigorosas de profilaxia. Sendo o vírus eliminado, sobretudo pelas fezes, deve-se, em caso de epidemias, evitar aglomerações de pessoas, comer vegetais crus e beber água que não seja tratada, deve-se também observar as medidas de higiene pessoal, reduzir ao mínimo as atividades físicas das crianças e usar seringas e agulhas descartáveis.

O vírus da poliomielite é um dos vírus mais resistentes sobrevivendo durante meses nas águas dos esgotos. A vacinação é o meio profilático mais eficiente contra esta doença, visto que desde 1960 quando começarão as campanhas de vacinação, a poliomielite deixou de ser uma das doenças causadoras de epidemias entre a população infantil. A vacina de prevenção para esta doença é a Sabin ou anti-pólio.

Referências Bibliográficas

Martins, F.S. V; Castiñeiras, T. M. P.P. Poliomielite.Centro de Informação em Saúde para Viajantes; Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil.
Metello, P. M. M. – Estudo sobre poliomielite. Http://www.geocities.com/HotSprings/Spa/3834/POLIOMIELITE.htm - Site acessado em 13 de dezembro de 2004 as 9:56 s.
Acosta, M. I.l; Aguilera Casco, M.; Rolón Arambulo, R. Aspectos epidemiológicos sobre la poliomielitis y su prevención por medio de las vacunas. Med. Actual; 2(1): 43-49, 2001.

Fonte: www.fiocruz.br

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