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Raiva

 

 

Doença infecciosa aguda e fatal, causada por um vírus que se alastra pelo sistema nervoso central e se multiplica nas glândulas de saliva, dali sendo eliminado.

Como se adquire?

O contágio se dá pela saliva do animal que está com a infecção, principalmente pela mordida, mas pode ocorrer por arranhadura ou lambedura.

Os animais que podem ser contaminados são o cachorro, gato, morcego, raposa, coiote, gato-do-mato, jaritacaca, guaxinim e macaco.

O tempo médio até o surgimento dos sinais de doença são de cerca de 45 dias no homem e de até dois meses nos animais.

O que se sente?

Após a mordida ou arranhão do animal contaminado surge um quadro de febre, dor de cabeça, mal-estar, dor de garganta, falta de apetite, enjôos, irritação, ansiedade, mudanças de comportamento.

O local próximo da mordida pode ficar sensível ou anestesiado. Com a progressão da doença, surgem quadros de ansiedade, febre alta, delírios, contrações musculares e podem surgir convulsões.

Ocorre um espasmo dos músculos da garganta, fazendo com que o paciente fique salivando muito e não consiga engolir nem água.

A consciência do paciente se mantém até a instalação do quadro de coma e morte.

O período de evolução do quadro varia de cinco a sete dias.

Como se faz o diagnóstico?

Exames de sangue específicos e amostras de saliva confirmam a suspeita clínica.

Como se trata?

A mortalidade da doença é de 100%.

A hospitalização deve ser o mais confortável para o paciente, devendo-se tomar todos os cuidados possíveis para manter seu conforto.

Como se previne?

É uma doença que se encontra em todos os países sendo que, em alguns locais, não existe contaminação nas cidades (ciclo urbano) mas, sim, em animais silvestres.

Todos os animais de sangue quente são sensíveis à infecção pelo vírus da raiva.

A prevenção mais importante é feita através da vacinação dos animais domésticos.

Quando os indivíduos são expostos ao vírus, a prevenção se faz por vacinação e aplicação de soro anti-rábico após avaliação de equipe médica.

Fonte: www.geocities.com.br

Raiva

A raiva é uma doença provocada por vírus caracterizada por sintomatologia nervosa que acomete animais e seres humanos.

Transmitida pelo cão, gato, rato, bovino, eqüino, suíno, macaco, morcego e animais silvestres, através da mordedura ou lambedura da mucosa ou pele lesionada por animais raivosos.

Os animais silvestres são reservatório primário para a raiva na maior parte do mundo, mas os animais domésticos de estimação são as principais fontes de transmissão da raiva para os seres humanos.

SINTOMAS NOS ANIMAIS

A raiva pode apresentar vários sinais clínicos, tornando-se difícil diferenciar de outras síndromes nervosas aguda progressivas. Os sinais podem incluir alterações de comportamento, de depressão, demência ou agressão, dilatação da pupila, fotofobia (medo do claro), incordenação muscular, mordidas no ar, salivação excessiva, dificuldade para engolir devido a paralisia da mandíbula, déficit múltiplos de nervos cranianos, ataxia e peresia dos membros posteriores progredindo para paralisia.

Neste estágio o animal pára de comer e beber. O estágio paralítico pode durar de um a dois dias, seguido de morte por parada respiratória. O período de incubação, à partir da mordida até o início dos sinais clínicos, é variável podendo ser de duas semanas a seis meses. Mas a partir do momento que sejam vistos os sinais neurológicos, a doença é rapidamente progressiva, com a morte acorrendo dentro de sete dias, na maioria dos animais.

Mordidas na face, cabeça e pescoço resultam em períodos de incubação mais curto.

SINTOMAS NOS HUMANOS

O homem recebe o vírus da raiva através do contato com a saliva do animal enfermo. Isto quer dizer que, para ser inoculado, não precisa necessariamente ser mordido - basta que um corte, ferida, arranhão profundo ou queimadura em sua pele entrem em contato com a saliva do raivoso.

Independente da forma de penetração o vírus dirige-se sempre para o sistema nervoso central. O tempo de incubação, porém, varia com a natureza do vírus, o local da inoculação e a quantidade inoculada. se o ponto de contágio tiver sido a cabeça, o pescoço ou os membros superiores, o período de incubação será mais breve, porque o vírus atingiráa região predileta com maior rigidez. A partir daí, o vírus migra para os tecidos, mas sobretudo para as glândulas salivares, de onde é excretado juntamente com a saliva.

Tanto no homem como nos animais, quando os sintomas da moléstia se manifestam já não há mais cura possível - a morte é certa. Assim, todo tratamento tem que ser feito durante o período de incubação, quando o paciente não apresenta sintomas e não manifesta queixas.

No homem, o primeiro sintoma é uma febre pouco intensa (38 graus centígrados) acompanhada de dor de cabeça e depressão nervosa. Em seguida, a temperatura torna-se mais elevada, atingindo 40 a 42 graus. Logo a vítima começa a ficar inquieta e agitada, sofre espasmos dolorosos na laringe e faringe e passa a respirar e engolir com dificuldade. Os espasmos estendem-se depois aos músculos do tronco e das extremidades dos membros, de forma intermitente e acompanhados de tremores generalizados, taquicardia, parada de respiração.

Qualquer tipo de excitação pode provocá-los (luminosa, sonora, aérea, etc.). O homem, ao contrário do cão, torna-se hidrófobo (sofre espasmos violentos quando vê ou tenta beber água). Freqüentemente experimenta ataques de terror e depressão nervosa, apresentando tendência à vociferação,à gritaria e à agressividade, com acessos de fúria, alucinações visuais e auditivas, baba e delírio.

Esse período de extrema axcitação dura cerca de três dias, vindo a seguir a fase de paralisia, mais rápida e menos comum nos homens do que nos animais. É então que se nota paralisia flácida da face, da língua, dos músculos da deglutição, dos oculares e das extremidades dos membros. Mais tarde, a condição pode atingir todo o corpo.

Às vezes, a moléstia pode manifestar evolução diferente: surge com a paralisia progressiva das extremidades e logo se generaliza. Mas, seja qual for o tipo, a raiva sempre apresenta uma evolução fatal para o paciente.

PROFILAXIA

O controle e profilaxia visa vacinar os animais de estimação a partir de 3 meses de idade e depois anualmente; capturar cães de rua; controlar os transmissores (morcegos), evitando, porém, contato direto com o mesmo.

Caso seja detectada a presença de morcegos em alguma região deve-se: procurar iluminar áreas externas nas residências; colocar telas nos vãos, janelas e buracos e fechar ou vedar porões, pisos falsos e cômodos pouco utilizados que permitam o alojamento de colônias.

O animal com suspeita de raiva deve ser isolado e ficar em observação ou sofrer eutanásia para ser realizado um exame do cérebro e tronco cerebral em busca do vírus.

Se houve exposição humana ou animal de um outro animal com sintomas clínicos sugestivos de raiva, deverá ocorrer inoculação em camundongos para verificar a presença do vírus, isto quando o exame cerebral der negativo.

COMO TRATAR UM CÃO OU GATO QUE MORDEU UM SER HUMANO?

Esses animais (cães e gatos) que morderam seres humanos e apresentaram sintomatologia nervosa devem sofrer eutanásia e seus cérebros examinados para verificar a presença do vírus da raiva.

Já cães e gatos sadios de dono conhecido, devem ser confinados por dez dias de observação após a mordida, em busca de sintomas de raiva (para verificar se a pessoa foi exposta à raiva). Caso o resultadodê positivo com a presença do vírus da raiva, deverá ser iniciada a imunização o mais rápido possível, pois não há período de espera seguro.

E QUANTO A CÃO E GATO EXPOSTOS À RAIVA, O QUE FAZER?

Caso este cão e gato estejam atualmente imunizados (tomaram vacina contra a raiva) e foram mordidos por um animal comprovadamente raivoso ou mordidos por animais silvestres numa área onde há casos de raiva, devem ser revacinados e observados durante 90 dias.

Entretanto os animais não vacinados devem sofrer eutanásia ou se o dono não quiser devem ficar confinados a um estrito isolamento durante 6 meses, no quinto mês este cão deve ser vacinado,e se estiver sadio no final do sexto mês poderá voltar ao seu dono.

Fonte: www.zoonoses.agrarias.vfpr.br

Raiva

A raiva é uma doença infecciosa que atinge todos os mamíferos, inclusive o homem. É transmitida quando o vírus presente na saliva do animal infectado penetra no organismo da pessoa sadia, geralmente por meio de mordida, arranhão ou lambida em região lesionada.

É uma das doenças mais graves de que se tem conhecimento.

Sua mortalidade é de quase 100%. Nenhuma outra doença infecciosa tem taxa de mortalidade tão elevada.

Apesar da vacina, ainda morrem anualmente aproximadamente 70.000 pessoas em todo mundo.

Os primeiros sintomas da doença nos animais estão associados a mudanças de comportamento — medo sem motivo aparente, inquietação, agressividade e hiperatividade ou melancolia, além de sonolência exagerada.

No segundo estágio, destacam-se os sintomas relacionados à paralisia da laringe e da faringe — salivação abundante e queixo caído.

Os animais que apresentam essas características devem ser isolados e atendidos por funcionários do Centro de Controle de Zoonoses ou da Secretaria de Saúde.

A pessoa que é atacada por qualquer animal com sintomas de raiva deve lavar o local da ferida imediatamente com água e sabão, e procurar um profissional de saúde para a indicação de profilaxia anti-rábica.

Morcego Hematófago (Desmodus rotundus), transmissor da Raiva

Evite entrar em contato com qualquer morcego, principalmente se ele estiver caído no chão, principalmente durante o dia, ele pode estar com Raiva.
Saguis também podem transmitir a Raiva, evite criá-los em cativeiro, não dê comida, não brinque com eles, mantenha-se afastado deste animal silvestre.
Todos os cães e gatos devem ser vacinados contra a Raiva anualmente, a 1º dose deve ser dada no terceiro mês de vida.

Osvaldo Pereira de Sousa Filho

Fonte: www.aprece.org.br

Raiva

“A morte desta criança parecendo ser tão inevitável, então eu decidi, embebido em profunda ansiedade, testar em Joseph Meister o método que eu já considerava exitoso em cães... Fiz, portanto, treze inoculações e prolonguei o tratamento para dez dias... Nos últimos dias, eu havia inoculado em Joseph Meister o vírus mais virulento da raiva... Três meses e três semanas se passaram depois do acidente e o seu estado de saúde não deixava nada a desejar”.
Louis Pasteur (1885)

INTRODUÇÃO

A raiva é uma doença sempre letal. Uma vez manifestados os primeiros sintomas, o tratamento limita-se, até o presente, a diminuir o sofrimento do paciente.

Portanto, o melhor remédio disponível para se evitar mortes por essa doença é a profilaxia, desde que se obedeçam a critérios racionais.

Tal tratamento, quando mal indicado, desperdiça recursos, além de expor o paciente aos riscos da anafilaxia.

Torna-se fundamental uma criteriosa análise das circunstâncias do acidente, seja por arranhadura, lambedura ou mordedura de animais susceptíveis. A anamnese do animal agressor é imprescindível para que a decisão a ser tomada seja correta e segura.

CARACTERIZAÇÃO DO ACIDENTE

ESPÉCIES ANIMAIS DE RISCO:

Alto risco: morcegos, cães, gatos e macacos silvestres;
Médio risco:
macacos em cativeiro, bovinos, eqüinos, caprinos, suínos e ovinos;
Baixo risco:
ratos, cobaios, hamsters, coelhos e outros roedores urbanos.

CIRCUNSTÂNCIA DA AGRESSÃO

Agressão provocada: animal sadio que reage em defesa própria, seja de seu território, alimento ou da prole;

Agressão não-provocada: animal que agride sem fator estimulante bem definido, sugerindo importante alteração de comportamento, o que torna necessária a intervenção profilática da vítima, na ausência da impossibilidade do diagnóstico laboratorial.

ASPECTOS SANITÁRIOS E HÁBITOS DE VIDA DO ANIMAL AGRESSOR

Domiciliado: valorizar cuidados habituais e vacinação regular;
Não-domiciliado ou silvestre:
vive solto em ruas, reservas ou matas, inclusive impossibilitando sua observação clínica.

ÁREA GEOGRÁFICA

Área de raiva não-controlada: áreas onde as ações de profilaxia não são eficientes, inclusive limitando-se apenas a campanhas de vacinação em cães e gatos. Não há serviços de observação ou diagnóstico laboratorial dos animais agressores;
Área de raiva controlada:
áreas onde há ações de profilaxia em termos de campanhas de vacinação (anual), observação e diagnóstico laboratorial, além de outras medidas de vigilância e controle.

Em se tratando de animais domiciliados, deve-se observar alterações de comportamento numa vigilância de 10 dias após o acidente, com relação aos hábitos alimentares, ingesta de água, agressividade ou passividade. Pode ser feita pelo proprietário ou pelas autoridades (no domicílio ou em canil público).

No caso de o animal permanecer no domicílio, o proprietário deve ser auxiliado pelos agentes de saúde e/ou veterinário.

No caso de alterações importantes de comportamento ou morte do animal durante o período de observação, o diagnóstico laboratorial é imprescindível. O cérebro do animal morto será submetido à imunofluorescência para o diagnóstico de raiva.

CARACTERIZAÇÃO DA FERIDA

O vírus da raiva não penetra o corpo pela pele íntegra. Feridas abertas, lacerantes, perfurantes e escoriações são essenciais para que ele seja introduzido no organismo. Considerar também as lambeduras e deposição de saliva em mucosas (que são permeáveis ao vírus).

As agressões podem resultar em ferimentos superficiais ou profundos, únicos ou múltiplos. Feridas únicas ou múltiplas em cabeça (crânio e/ou face), mãos e pés são graves (pela maior quantidade de terminações nervosas nessas áreas). Feridas múltiplas e/ou extensas também são graves (por aumentarem a probabilidade de exposição do tecido nervoso).

PROFILAXIA

Pacientes vítimas de tais agressões deverão receber o primeiro atendimento em qualquer unidade de saúde e encaminhados ao CEPRA (Centro de Profilaxia da Raiva Humana), sito à Rua Emílio Moreira, 510 (esquina com a Rua Silva Ramos), Praça 14, Manaus (AM), de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

No primeiro atendimento, devem ser tomados os seguintes cuidados: Lavagem abundante com água, sabão ou detergentes imediatamente. Quando possível, devem ser utilizadas substâncias anti-sépticas (povidine), pois, além de eliminar impurezas, inativam o vírus;

Profilaxia para tétano

Após triagem, os pacientes serão vacinados o mais precocemente possível no CEPRA e os casos com indicação de soroterapia anti-rábica serão transferidos para o Pronto Atendimento da FMT/IMT-AM.

Esta soroterapia só está indicada até o sétimo dia após o acidente. Por se tratar de soro heterológo, sua administração deve ser sempre feita em ambiente hospitalar, pelos riscos de reações adversas.

O tempo de observação pós-soroterapia no Pronto-Atendimento é de, no mínimo, 12 horas, e está contra-indicada a antibioticoprofilaxia.

As suturas devem ser evitadas, pois podem facilitar a inoculação mais profunda do vírus.

Nos casos de lesões extensas, profundas e com importante comprometimento estético, com necessidade de sutura, procede-se à infiltração perilesional com soro anti-rábico (até metade da dose total).

MODELO DE PRESCRIÇÃO PARA SORO HETERÓLOGO

1) Dieta oral zero até segunda ordem (ou após término da soroterapia)
2)
Instalar acesso venoso com cateter em Y
3)
Hidrocortisona 500 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
4)
Cimetidina 300 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
5)
Prometazina 50 mg (ou 0,5 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
6)
Soro anti-rábico 40 UI/kg (máximo de 3.000 UI) IM em múltiplos músculos
7)
Deixar bandeja de traqueostomia e material de urgência beira do leito
8)
Sinais vitais a cada 10 minutos

Observação: Não utilizar os deltóides

Caso o volume do SAR seja superior a 10ml., Poderá ser administrado em dois ou tres locais em cada glúteo ou vasto lateral da coxa.

Antônio Magela Tavares

LEITURA SUGERIDA

1. RUPPRECHT, C. E.; HANLON, C. A.; HEMACHUDHA, T. Rabies re-examined. Lancet Infect Dis, v. 2, n. 6, p.327-43, 2002.
2. RAI CHOWDHURI, A. N.; BHATIA, R.; ICHHPUJANI, R. L. Immunoprophylaxis against rabies. J Commun Dis, v. 16, n. 1, p.43-8, 1984.
3. JACKSON, A. C. Update on rabies. Curr Opin Neurol, v. 15, n. 3, p.327-31, 2002.
4. PASTORET, P. P. Rabies. Virus Res, v. 82, n. 1-2, p.61-4, 2002.
5. PLOTKIN, S. A. Rabies. Clin Infect Dis, v. 30, n. 1, p.4-12, 2000.

Fonte: www.fmt.am.gov.br

Raiva

A raiva é uma doença que acomete mamíferos, e que pode ser transmitida aos homens, sendo portanto, uma zoonose.

É causada por um vírus mortal, tanto para os homens quanto para os animais.

Em alguns países desenvolvidos, a raiva humana está erradicada e a raiva nos animais domésticos está controlada, mas ainda é efetuada vigilância epidemiológica em função dos animais silvestres.

No Brasil, a raiva humana ainda faz vítimas. Mesmo no Estado de São Paulo existem regiões com epizootia (epidemia entre animais), devendo haver, principalmente por parte dos municípios, um melhor desempenho nas atividades de controle da raiva animal.

Descrição da raiva:

É uma zoonose causada por vírus
Envolve o sistema nervoso central, levando ao óbito após curta evolução da doença
Todos os animais mamíferos são suscetíveis à doença
A imunidade pode ser adquirida através da vacinação.

Modos de transmissão

A transmissão ocorre quando o vírus da raiva existente na saliva do animal infectado penetra no organismo, através da pele ou mucosas, por mordedura, arranhadura ou lambedura, mesmo não existindo necessariamente agressão.
No Brasil, o principal animal que transmite a raiva ao homem é o cão.
O morcego hematófago é um importante transmissor da raiva, pois pode infectar bovinos, eqüinos e morcegos de outras espécies. Todos estes animais podem transmitir a raiva para o homem.
Forma mais comum: contato com saliva de animais doentes, através de mordeduras, arranhões ou lambeduras em pele lesada ou mucosa.
Na literatura só há referências de transmissão inter-humana através do transplante de córnea.
A fonte de infecção é o animal infectado pelo vírus da raiva. Em espaços urbanos, o principal transmissor é o cão, seguido do gato. Em espaços rurais é o morcego.
Animais silvestres são os reservatórios naturais do vírus, propiciando a contaminação de animais domésticos.

Sinais indicativos da raiva

Variam conforme a espécie. Quando a doença acomete animais carnívoros, com maior freqüência eles se tornam agressivos (raiva furiosa) e, quando ocorre em animais herbívoros, sua manifestação é a de uma paralisia (raiva paralítica).

No entanto, em todos animais costumam ocorrer os seguintes sintomas:

Dificuldade para engolir
Salivação abundante
Mudança de comportamento
Mudança de hábitos alimentares
Mudança de hábitos
Paralisia das patas traseiras

Nos cães, o latido torna-se diferente do normal, parecendo um "uivo rouco", e os morcegos, com a mudança de hábito, podem ser encontrados durante o dia, em hora e locais não habituais.

Quadro clínico - raiva furiosa (canina e felina)

Fase inicial: alterações de comportamento, agitação, anorexia.
Em 1 a 3 dias, os sintomas acentuam-se. O animal torna-se mais agressivo, atacando o próprio dono. Apresenta incoordenação motora, paralisia dos músculos da deglutição e da mandíbula (salivação e dificuldade de deglutição). Pode caminhar grandes distâncias. O latido bitonal é um sinal importante.
A duração da doença é de 1 a 11 dias. O animal morre por convulsões e paralisia.

Quadro clínico - raiva paralítica (bovina)

Inicialmente, sintomatologia inespecífica, inapetência, lacrimejamento, isolamento do rebanho e andar cambaleante.
Posteriormente, há incoordenação e contrações de musculatura do pescoço, levando a uma dificuldade de deglutição (impressão de engasgo).
Apresentam também perversão do apetite.
Com o agravamento do quadro de paralisia, o animal mostra o sinal de pedalagem.
Duração da doença: 2 a 5 dias, podendo chegar a 10.

Quadro clínico - raiva humana

No início, os sintomas são característicos: transformação de caráter, inquietude, perturbação do sono, sonhos tenebrosos.
Em seguida, instalam-se alterações na sensibilidade, queimação, formigamento e dor no local da mordedura. Essas alterações duram 2 a 4 dias.
Posteriormente, instala-se um quadro de alucinações, acompanhado de febre.
Inicia-se o período de estado da doença, por 2 a 3 dias, com aerofobia e hidrofobia, de intensidades variáveis.
Instalam-se crises convulsivas periódicas. O desconforto nesta fase é terrível.

Agente etiológico

Vírus rábico
Família: Rhabdoviridae
gênero: Lyssavirus
RNA Vírus

Sorotipos

1- Clássica
2- Lagos Bat
3- Mokola
4- Duvenhagen
5- EBL1
6- EBL2
7- ABL

A partícula viral, em forma de bala baciliforme, é termolábil. Sobrevive a:

4 horas a 40 ºC
35 segundos a 60 ºC
24 horas na saliva
É estável por vários dias a 4 ºC

O vírus é inativado por:

pH<4 e pH>10
Agentes oxidantes
Solventes orgânicos
Detergentes
Enzimas proteolíticas
Raio X
Radiação ultravioleta

Fonte: www.pasteur.saude.sp.gov.br

Raiva

A Raiva é uma doença altamente contagiosa, incurável e, conseqüentemente, fatal.

Causada pelo vírus Rhabdoviridae, pode ser transmitida por vários animais como cavalos, morcegos, etc. mas as maiores fontes de transmissão da doença aos homens são os animais domésticos.

A transmissão se dá pelo contato com a saliva (mordida ou lambedura) de animais que já estejam contaminados.

Para que os humanos sejam contaminados, não há a necessidade de que sejam mordidos ou lambidos por animais raivosos. Para isso, basta que algum tipo de ferida já existente entre em contato com a saliva do animal doente.

Os animais contaminados pela doença apresentam alguns sintomas característicos como salivação além do normal, alterações de comportamento, paralisia dos músculos faciais, aversão à claridade, etc.

O tratamento da doença deve ser realizado enquanto o doente (homem ou animal) ainda não apresentar os sintomas, pois assim que os sintomas se manifestam não existem mais chances de cura.

Assim, sempre que houver contato (tanto de humanos quanto de animais) com um animal sabidamente raivoso, desconhecido ou que não tenha sido devidamente vacinado contra a doença, é preciso que o animal ‘agressor’ permaneça em observação durante dez dias.

Durante esse período, caso o animal não apresente nenhum dos sintomas da Raiva, a vítima (homem ou animal) não precisará recorrer a nenhum tipo de tratamento e o animal com a suspeita da doença (‘agressor’) poderá ser liberado.

Caso contrário, ou seja, caso o animal ‘agressor’ venha a morrer ou não tenha sido capturado e colocado em observação após o contato, é importante que a vítima procure atendimento o mais rapidamente possível para que a doença possa ser diagnosticada e, se confirmada, neutralizada, inclusive com o auxílio de vacinas específicas, sempre sob a orientação de um médico (para pacientes humanos) ou de um veterinário (caso a vítima seja outro animal).

Por trata-se de uma doença fatal onde o tratamento de cães raivosos é absolutamente ineficaz, a melhor maneira de evitar a doença é a vacinação dos animais, que deve ser feita a partir do 3º mês de vida com reforços anuais, tanto da vacina anti-rábica quanto da vacina múltipla, sempre sob a supervisão de um veterinário.

A vacinação é o único meio de prevenção da Raiva pois, caso um animal sadio que não tenha sido vacinado entre em contato ou seja atacado por um animal doente, a doença progredirá rapidamente e poderá matar o animal em até dez dias.

Fonte: www.fasprotecaoanimal.org.br

Raiva

A raiva é uma infecção viral do tecido cerebral que causa irritação e inflamação deste e da espinhal medula.

O vírus da raiva está presente na saliva dos animais infectados. Um animal com raiva transmite a infecção a outros animais ou aos humanos ao morder-lhes ou, por vezes, ao lambê-los. A partir do ponto de inoculação inicial o vírus desloca-se através dos nervos até à espinal medula e ao cérebro, onde se multiplica. Em seguida, desce pelos nervos para as glândulas salivares, onde se instala.

Diferentes animais podem transmitir a raiva aos humanos. Embora a fonte habitual de infecção dos humanos sejam os cães, também os gatos, os morcegos, os texugos, as doninhas, as raposas e outros animais podem ser responsáveis pelo contágio. Não é frequente os ratos, as ratazanas e outros mamíferos pequenos transmitirem a raiva, em parte porque a mordedura de outro animal lhes é habitualmente mortal. Nos países desenvolvidos, a vacinação eliminou, em grande medida, a raiva nos cães. Contudo, continua a ser bastante frequente na maioria dos países da América Latina, África e Ásia, onde os animais de estimação nem sempre estão vacinados contra a referida doença. Os animais infectados podem ter uma raiva furiosa ou muda. Na raiva furiosa, o animal está agitado e apresenta um comportamento anormal; posteriormente fica paralisado e morre. Na raiva muda, é a paralisia localizada ou generalizada que predomina desde o início.

Atualmente, nos países desenvolvidos, a maior parte dos casos de raiva humana costumam ser causados por mordeduras de animais selvagens infectados. Os referidos animais podem ter um comportamento furioso, mas o mais provável é que apresentem alterações de comportamento menos óbvias. Os de hábitos nocturnos (morcegos, doninhas, texugos e raposas) infectados com raiva podem sair durante o dia e não demonstrar o medo habitual perante os humanos.

Apesar de ser extremamente raro, a raiva pode ser contraída respirando ar infectado. Foi descrito o desenvolvimento de dois casos entre exploradores que respiraram o ar de uma caverna infestada de morcegos.

Sintomas

A sintomatologia costuma começar entre 30 e 50 dias depois do contágio, mas o período de incubação varia desde 10 dias a mais de um ano. O dito período costuma ser mais curto nas vítimas de dentadas na cabeça e nas extremidades ou naqueles que sofrem muitas mordeduras.

Em 20 % dos casos, a raiva inicia-se com a paralisia das pernas, que se vai estendendo ao resto do corpo. Contudo, a doença costuma começar com um curto período de depressão mental, inquietação, sensação de mal-estar e febre. A inquietação converte-se numa agitação descontrolada e o doente produz grande quantidade de saliva. Os espasmos musculares da garganta e da área vocal costumam ser terrivelmente dolorosos. Estes espasmos são causados pela irritabilidade da área cerebral responsável pelas ações de engolir e respirar. Uma brisa ligeira ou a simples tentativa de beber água podem induzir os referidos espasmos. Em consequência, uma pessoa que sofre de raiva não pode beber e, por esse motivo, a doença costuma receber o nome de hidrofobia (medo da água).

Diagnóstico

Quando alguém é mordido por um animal doente ou selvagem, a maior preocupação deve ser a possibilidade de que ele tivesse raiva. Para determinar se se trata de um animal raivoso é habitualmente necessário efetuar um exame de uma amostra de tecido cerebral. Para isso, o animal deve ser capturado e observado. Na realidade, deverá ser sacrificado para se lhe examinar o cérebro. Entretanto, se um cão ou um gato sem sintomas morder uma pessoa, pode ser confinado e examinado por um veterinário durante 10 dias. Se, ao fim deste tempo, o animal continuar saudável, pode chegar-se à conclusão de que não tinha raiva no momento da mordedura.

Se um indivíduo que foi mordido por um animal desenvolver sintomas de inflamação cerebral progressiva (encefalite), é provável que a causa seja raiva. Não serve de nada fazer um exame para detectar o vírus antes de aparecerem sintomas. Uma biopsia cutânea, segundo a qual se colhe uma amostra de pele (geralmente do pescoço) para a examinar ao microscópio, pode revelar a presença do vírus.

Prevenção e tratamento

Para prevenir a raiva devem tomar-se certas medidas antes da exposição ao vírus ou então imediatamente após a mesma. Por exemplo, pode aplicar-se uma vacina a quem tem um elevado risco de ser exposto ao vírus. Entre esses indivíduos encontram-se os veterinários, os técnicos de laboratório que manipulam animais potencialmente infectados, os que vivem ou permanecem mais de 30 dias em países em vias de desenvolvimento em que a raiva canina seja muito frequente e os que se dedicam a explorar cavernas com morcegos. A vacinação oferece um certo grau de protecção a quase toda a gente durante o resto da vida. Contudo, os níveis de anticorpos descem com o passar do tempo; assim, as pessoas com um risco elevado de continuar expostas deverão receber uma dose de reforço todos os dois anos.

Os indivíduos que tenham sido mordidos por um animal raivoso raramente desenvolvem a doença se forem de imediato tomadas medidas preventivas. Os mordidos por coelhos e roedores (incluindo esquilos, ardas, ratazanas e ratos) não precisam de tratamento ulterior, a menos que exista uma forte suspeita de raiva; estes animais raramente estão infectados. Já aqueles que tenham sido mordidos por animais selvagens como as doninhas, os texugos, as raposas e os morcegos necessitam de tratamento, a não ser que o animal possa ser capturado e se demonstre que não tem raiva.

A melhor medida de prevenção é tratar de imediato a ferida causada pela mordedura de um animal. A zona contaminada é cuidadosamente desinfectada. As feridas profundas são lavadas com água e sabão. Uma vez limpas as feridas, as pessoas que não tenham sido previamente imunizadas com a vacina contra a raiva recebem uma injecção de imunoglobulina contra esta, aplicando metade da dose na área da mordedura. Também lhes é injetada a vacina contra a raiva no mesmo dia da exposição ao vírus e após 3, 7, 14 e 28 dias. A dor e a inflamação da zona da injecção costumam ser pouco importantes. É raro verificarem-se reações alérgicas graves durante a série de cinco injecções; menos de 1 % dos vacinados desenvolvem febre depois de a terem recebido.

Em alguém mordido que já tenha sido anteriormente vacinado, o risco de contrair a raiva é baixo, mas mesmo assim é fundamental limpar a ferida de imediato e aplicar duas doses da vacina (nos dias 0 e 2).

Antes de se poder contar com a terapêutica que existe na atualidade, a pessoa que sofria de raiva morria ao fim de 3 a 10 dias depois de se manifestarem os sintomas. A maioria morria em virtude de uma obstrução nas vias respiratórias (asfixia), convulsões, esgotamento ou paralisia generalizada. Apesar de no passado se considerar que a morte por raiva era inevitável, alguns sobreviviam. Nesses casos a sobrevivência pode ser atribuída aos cuidados intensivos para controlar os sintomas que afetavam os pulmões, o coração e o cérebro. Uma vez que os sintomas tenham aparecido, já nenhuma vacina nem imunoglobulina contra a raiva parece terem qualquer efeito.

Fonte: www.manualmerck.net

Raiva

Cuidado: cachorro louco

Você sabia que agosto é conhecido como o mês do cachorro louco? Dizem que, nesse mês, é comum os cães pegarem uma doença terrível, a raiva, que deixa vários animais, inclusive gatos, cavalos, bois, morcegos e até gente, doidinhos da silva! É verdade que não existe comprovação científica, mas alguns veterinários acreditam que a raiva realmente possa se espalhar mais facilmente nesse período por causa da maior quantidade de cadelas no cio. Na disputa pelo “amor” das cadelas, os cães acabam brigando, aumentando, assim, as chances de transmissão da doença.

Mas não pense que a raiva é transmitida somente nesse mês. Ela pode acontecer em qualquer época do ano. Por isso, os seus animais devem estar sempre com a vacina em dia. Aproveite a campanha de vacinação de cães e gatos, que acontece todo ano. Procure saber quando ela ocorre no seu município. Normalmente é entre os meses de agosto e setembro. A vacina é gratuita, portanto não deixe de levar o seu animalzinho! Para ficar imune à raiva, ele precisa ser vacinado anualmente.

Raiva: uma doença fatal

A raiva é uma doença infecciosa, aguda e mortal, transmitida entre mamíferos, inclusive ao homem, geralmente por mordida, arranhão ou lambida de um animal infectado. Ela é causada por vírus pertencentes à família Rhabdoviridae (do grego rhábdos, “vara”, “bastão”), do gênero Lyssavirus (em grego, Lyssa, “loucura”).

Esses vírus estão presentes na saliva dos doentes e podem penetrar no organismo pela mucosa, como a da parte interna da boca, ou pela pele, através de corte ou ferida.

Tanto no homem quanto nos animais, a raiva é fatal em todos os casos – depois que surgem os sinais da doença, não há mais como reverter o quadro e a morte é certa. Daí a importância de vacinar, anualmente, os animais domésticos a partir de 45 dias de vida. A vacinação humana como medida preventiva só é indicada em caso de profissões de alto-risco, como veterinários, porque, além de a vacina ser muito cara, existe o risco de efeitos colaterais.

Phyllis Romijn, médica-veterinária da Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde do Estado do Rio de Janeiro, orienta que as pessoas também “respeitem o espaço dos animais”, ou seja, não se aproximem demais, principalmente, de cães e gatos desconhecidos e mamíferos silvestres, que podem transmitir a doença.

Mas se uma pessoa é mordida ou entra em contato com algum animal suspeito de raiva, ela deve procurar imediatamente um posto de saúde. Dependendo do caso, o médico poderá indicar a aplicação de vacina e anticorpos antirraiva. “Evitar que a doença se instale é a única forma de não ser acometido pela enfermidade”, explica Romjin, que é especialista em raiva.

A boa notícia é que não é mais preciso tomar aquela quantidade enorme de injeções na barriga, como acontecia antigamente: “As medidas preventivas já evoluíram bastante”, acrescenta.

Eliminada em alguns países desenvolvidos, a raiva ainda faz vítimas no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que o número de casos de raiva humana, no país, tem aumentado nos últimos anos. Em 1980, tinham sido notificados 173 casos e, desde então, o índice vinha caindo, até baixar em 2001 para apenas dez. Em 2005, no entanto, o número subiu para 44.

Atualmente, surtos de raiva na América Latina também tem preocupado autoridades e a população em geral. Somente em Santa Cruz, na Bolívia, foram identificados mais de 500 focos da doença desde o início de 2006.

Há pouco tempo, um menininho boliviano morreu de raiva, depois de ser mordido pelo seu próprio cachorro. Ao invés de observar o comportamento do animal, a família deu o cão.

Passado um certo período, ele apresentou os sintomas mais tristes da doença: atacou e mordeu o pescoço de um coleguinha numa brincadeira. O amigo, porém, foi vacinado e se salvou.

Principais transmissores

O cão e o gato são os principais transmissores da raiva para o homem nos ambientes urbanos. Mas todos os mamíferos, inclusive os silvestres, podem contrair a raiva, sendo, portanto, potenciais transmissores da doença.

“Muitas pessoas de áreas rurais brincam ou até mesmo abrigam animais silvestres em sua casa, o que é proibido por lei, sem saber dos riscos que correm de contrair a enfermidade”, alerta a veterinária Romijn. “Na região nordeste do Brasil, tem-se o hábito de adotar saguis como animais domésticos, e já houve vários casos de pessoas que adquiriram a doença desses animais”, completa a especialista. Macacos, micos, gambás, raposas e roedores silvestres são outros exemplos de animais selvagens que podem transmitir a doença.

O morcego vampiro ou hematófago (que se alimenta de sangue) da espécie Desmodus rotundus é também um importante transmissor da raiva, infectando bois, cavalos, morcegos de demais espécies, outros animais e até mesmo pessoas. Romijn explica que desequilíbrios ecológicos provocados pelo homem, com a redução do número de predadores naturais, como cobras, corujas e gaviões, somados ao aumento da disponibilidade de abrigo e alimento, têm levado ao crescimento das populações de morcegos. “A consequência é que tem crescido o número de ataques”, explica.

Mas não vai, agora, achar que os morcegos vampiros são como os dos filmes de terror, procurando a sua próxima vítima humana. Por outro lado, também é verdade que, se você entrar em grutas ou dormir com a janela aberta ou ao ar livre, em locais onde é sabida a existência de muitos morcegos, as chances de você ser atacado aumentam bastante.

Esses mamíferos voadores possuem dentes muito afiados e, na maior parte das vezes, a vítima nem percebe que foi mordida. O corte costuma sangrar por mais de 12 horas porque na saliva deles existe uma substância anticoagulante, que não deixa o ferimento cicatrizar com facilidade.

Caso você seja mordido por um morcego, lave o ferimento com água e sabão e procure imediatamente atendimento médico em um hospital ou posto de saúde. A mesma coisa você deve fazer se for agredido por um mamífero silvestre ou doméstico desconhecido ou que não esteja com as vacinas em dia.

Se o animal estiver com sinais da raiva, ele terá de ser morto por um veterinário e sua cabeça enviada para diagnóstico laboratorial. Se for o seu próprio animal de estimação, será necessário deixá-lo por observação durante dez dias, em local isolado, para ter certeza de que ele não está raivoso. Mas em todo caso, não deixe de ir ao médico. Só ele pode dar as orientações necessárias.

Lembre-se: a raiva é fatal!

Fonte: www.invivo.fiocruz.br

Raiva

A raiva é um virus que afeta o homem além dos animais. Embora erradicada em Portugal a sua vacinação é obrigatória.

O periodo de incubação anterior aos sinais clinicos é muito variável..Ataca rápidamente o sistema nervoso do animal.

É uma doença infecciosa de evolução aguda, causada por um vírus, quase sempre mortal, que se manifesta entre os animais por transtornos do conhecimento, aumento da excitabilidade nervosa e sintomas paralíticos. Transmite-se entre os animais, quase sempre atraves da mordedura ou contaminação de ferimentos por saliva de animais doentes do mal. O vírus está contido em alta concentração na saliva, e demais excreções e secreções dos animais acometidos da doença, além de também no sangue.

São susceptíveis de contrai-la os animais mamíferos em geral, porém mais de 80% dos casos assinalados pela literatura médica são carnívoros, e em especial o cão doméstico. Interessante assinalar-se que o sintoma da fobia à água somente ocorre no homem quando acometido da moléstia, portanto o termo hidrofobia deve ser reservado exclusivamente ao homo sapiens.

Foram os pesquisadores franceses, Louis Pasteur, Roux e Chanberlain, o primeiro químico, os dois seguintes médicos, auxiliados ainda pelo veterinário também francês Thuilier, que após exaustivas experiências, conseguiram o primeiro método eficiente para seu combate, através da vacinação pelos mesmos idealizada, e evidenciaram seu caracter infecto-contagioso, além de sua etiologia virica.

A doença pode também acometer os animais herbívoros, como o boi, o cavalo, a ovelha, a cabra, sendo que nos ruminantes como os bovinos, os sintomas são predominantemente paralíticos.

A raiva quando declarada em um animal, assim como no homem não tem cura, culminando sempre com a morte, após período breve de evolução e sintomatologia que impressiona sobremaneira.

Para evitar-se a doença, ou seja, como medida profilática, a vacinação dos animais susceptíveis, principalmente de cães e gatos, é a medida básica

No caso do homem, somente é indicada a vacinação como medida terapêutica, em caso do mesmo haver sido exposto à mordedura ou contato com animais suspeitos de raiva, ou tenha se contaminado acidentalmente, e nestes casos, a urgência da vacinação é de suma importância, assim como número de doses da vacina proporcional gravidade do caso, o que o médico assistente deve julgar e prescrever, segundo o caso em si.

Países como Portugal praticamente conseguiram erradicar de seus territórios o mal, a traves de campanhas de vacinação em massa dos animais susceptíveis de se contaminarem.

O diagnóstico da doença é inicialmente feito pelos sintomas manifestados pelos animais que adoecem quando contaminados pelo vírus; Inicialmente apresentam esses animais alteração de seu comportamento, procurando locais escuros para se abrigarem, já que existe a chamada fotofobia, o que é sua causa determinante;

Deixam de se alimentar e beber água e mesmo de atenderem ao chamado quando instados pelos donos. Com o evoluir da doença que é extremamente rápido, quando se trata de animais das espécies carnívoras, como cães, quase sempre ocorre em seguida a chamada fase prodrómica, em que esses animais fogem de casa passando a vagarem pelas ruas, quando então passam a ser perseguidos por outros cães vadios, os quais são mordidos pelo animal com raiva, que assim agem como meio de defesa, e a través dessa mordida contaminam novos cães de rua, dando continuidade a doença.

Em seguida evolui a doença para a chamada fase paralítica, em que não podendo mais se locomoverem podem tanto morrerem atropelados por automóveis nas ruas, ou mesmo sucumbirem em decúbito pelo próprio evoluir da doença. Ocorrendo a chamada paralisia do maxilar, sintoma quase sempre presente, não conseguindo fecharem a boca passam a babar copiosamente, o que chama a atenção do observador atento sendo mesmo sintoma da raiva guardado na memória popular.

O latido do cão com raiva torna-se característico, sendo emitido num duplo tom o que permite o diagnóstico da doença pelo simples ouvir desse latido.

Quem teve oportunidade de ouvi-lo uma única vez não o esquecerá jamais.

É a saliva o principal veículo de transmissão da doença, já que nela o vírus encontra-se concentrado, porém outras secreções como a urina, fezes e até o sangue são também contagiantes para outros animais ou pessoas.

Existem vacinas anti-rábicas apropriadas para cada espécie animal, e das mais variadas técnicas de fabricação, desde a antiga vacina Pasteuriana, preparada pela dessecação de medulas de animais inoculados com o vírus, até as mais modernas obtidas por técnicas especiais, quando o vírus é cultivado em meios vivos, como ovos embrionados de galinha, neste caso denominadas vacinas avinizadas, e até em cultivos de células de rim de porco ou de hamster.

O vírus encontrado quando isolado de um animal doente, é denominado de vírus de rua, e é altamente infectante (virulento); Já aquele cultivado em laboratório, e inativado em sua patogenicidade e virulência, por sucessivas passagens em meios de cultura próprios, e por repiques diretos no meio em que é cultivado, é denominado vírus fixo. É este último o utilizado no preparo de vacinas, pelo fato de perder sua virulência e patogenicidade, conservando não obstante sua capacidade antigênica, qualidade esta última que é a visada na vacina, por ser a responsável pelo estímulo formador de anticorpos pelo organismo no qual for inoculada.

Dependentemente da técnica empregada no preparo dessa vacina anti-rábica, poderá a mesma dar imunidade por um ou dois anos, aos animais em que venha a ser inoculada. Existem vacinas para serem aplicadas em cães, assim como em gatos, bovinos ou eqüinos e outros animais susceptíveis, devendo por essa circunstância serem procuradas e selecionadas de acordo com a espécie animal a ser imunizada.

Como advertência final devo frisar não ser a Raiva doença curavel quando já declarada, assim os meios profiláticos existentes de vacinação, são apenas preventivos e não curativos.

Mesmo o homem quando mordido por um cão suspeito de estar com raiva, essa vacinação subsequente deve ser efetuada o mais rapidamente possível, a fim de possibilitar que o organismo humano fabrique sob o estímulo da vacina os anticorpos necessários a deterem a propagação do vírus em sentido ao cérebro, e antes que isto tenha tempo de ocorrer, já que essa propagação do vírus é em sentido centrípeto para o cérebro e lenta porque efetuada pelos nervos da região que se deu a mordida, ou foi lesada por esse traumatismo.

Fonte: www.hospvetprincipal.pt

Raiva

A raiva é uma zoonose (doença transmitida de animais para o homem) causada por um vírus. É uma das doenças mais graves de que se tem conhecimento. Sua mortalidade é de quase 100%. Nenhuma outra doença infecciosa tem taxa de mortalidade tão elevada. Apesar da vacina, ainda morrem anualmente aproximadamente 70.000 pessoas em todo mundo.

O vírus da raiva é transmitido por mordidas e arranhaduras de mamíferos contaminados. Na maioria dos casos a transmissão ocorre através de cães e gatos.

Porém, vários outros mamíferos podem transmitir a doença, entre eles:

Furão (ferrets)
Raposas
Coiotes
Guaxinins
Gambás
Morcegos

Roedores como esquilos, ratos, coelhos e hamsters não são transmissores usuais de raiva. São raríssimos os casos humanos transmitidos por algum deles.

Animais não mamíferos como lagartos, peixes e pássaros NÃO transmitem raiva.

O vírus da raiva tem tropismo pelo sistema nervoso central, alojando-se frequentemente no cérebro após viajar pelos nervos periféricos.

Sintomas da raiva humana

A encefalite, inflamação do encéfalo, é o resultado final da instalação e multiplicação do vírus no sistema nervoso central.

Os sintomas da raiva são todos decorrentes deste acometimento:

Confusão
Desorientação
Agressividade
Alucinações
Dificuldade de deglutir
Paralisia motora
Espasmos
Salivação excessiva

Uma vez iniciados os sintomas neurológicos, o paciente evolui para o óbito em 99,99% dos casos. Até o momento (Setembro de 2009) só há relato de 3 casos onde o paciente sobreviveu (um deles no Brasil). Esses três casos são fruto de um novo esquema de tratamento descrito pela primeira vez em 2005 que inclui um antiviral, um anestésico e um ansiolítico. Porém , apesar da cura, as sequelas são grandes.

A evolução da raiva pode ser dividida em 4 partes:

1.) Incubação - O vírus se propaga pelos nervos periféricos lentamente. Desde a mordida até o aparecimento dos sintomas neurológicos costuma haver um intervalo de 1 a 3 meses.
2.) Pródromos -
São os sintomas não específicos que ocorrem antes da encefalite. Em geral é constituído por dor de cabeça, mal-estar, febre baixa, dor de garganta e vômitos. Pode haver também dormência, dor e comichão no local da mordida ou arranhadura.
3.) Encefalite -
É o quadro de inflamação do sistema nervoso central já descrito anteriormente.
4.) Coma e óbito
- Ocorrem em média 2 semanas após o início dos sintomas.

Tratamento da raiva

Se por um lado praticamente 100% dos pacientes morrem após o início dos sintomas, por outro, há vacina e tratamento profilático com imunoglobulinas (anticorpos) em caso de exposição ao vírus.

Em caso de mordida por mamífero, deve-se lavar bem a ferida com água e sabão e se encaminhar para uma unidade de saúde.

Se o animal for doméstico é importante obter a caderneta de vacinação do mesmo atestando sua imunização contra a raiva. Nestes animais o período de incubação é de no máximo 10 dias. Este é o período em que o animal deve ser observado. Se após 10 dias o ele se mantiver saudável, não há risco de se contrair raiva.

Se o animal for selvagem como um morcego, é importante capturá-lo para que ele possa ser analisado. Se não se puder capturar o animal, o tratamento deve ser feito partindo do princípio que este tenha raiva. O mesmo vale para cães e gatos de rua que consigam fugir.

Mordidas na cabeça e no pescoço são as mais graves por estarem próximas do cérebro. Neste caso o tempo de viagem do vírus até o encéfalo é bem mais curto do que por exemplo, mordidas nas pernas.

Fazer carinho ou receber lambidas de animais em locais de pele intacta não transmitem raiva. Porém, aquele velho hábito de oferecer feridas para cães lamberem, além de facilitar a infecção bacteriana, pode também transmitir raiva, um vez que o vírus se encontra na saliva do animal.

A profilaxia pós-exposição (após mordidas por animais suspeitos) deve ser iniciada o mais rápido possível. Existem vários esquemas que envolvem vacinas e imunoglobulinas. Dependendo da gravidade da lesão, o esquema pode incluir até 10 dias seguidos de vacinações diárias mais o administração de imunoglobulina.

É importante também vacinar contra o tétano, caso a última vacinação tenha mais de 10 anos

Além da raiva e do tétano, mordidas de animais podem infeccionar e o tratamento com antibióticos pode ser necessário.

Morcegos - Um caso a parte

Morcegos são animais comumente infectados pela raiva. Nos EUA nos últimos 15 anos, mais de 90% dos casos de raiva foram causados por mordidas de morcego.

O grande problema é que a mordida pode passar despercebida, principalmente enquanto a vítima dorme. Por isso, é indicado tratamento para todos aqueles que acordam e encontram um morcego em seu quarto, mesmo não havendo sinais de mordida ou arranhadura.

Como a raiva é muito letal, na dúvida, deve-se sempre assumir que a mordida aconteceu.

O mais importante é entender a gravidade da raiva. Não se deve nunca negligenciar uma mordida ou arranhadura por animais. Não se baseie apenas na aparência do animal para definir se este tem o não raiva. Uma vez mordido, deve-se encaminhar ao posto de saúde para receber as orientações.

Fonte: www.mdsaude.com

Raiva

INTRODUÇÃO

A Raiva é uma enfermidade infecto-contagiosa aguda, uma das mais graves zoonoses, e o seu agente etiológico é um RNA-vírus da família Rhabdoviridae do Gênero Lyssavirus (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

O vírus da Raiva não atravessa a pele intacta, mas pode ser adquirido pelo contato através de mucosas íntegras. Em condições normais, desempenham o papel principal no contágio, a mordedura de um animal em outro ou de um animal no homem (BEER, 1999).

O vírus penetra com a saliva nos tecidos lesionados por mordeduras. Nos linfonodos espinhais ocorre a sua primeira multiplicação. Segue emigração centrípeta em direção ao encéfalo e depois de uma segunda fase de multiplicação, é produzida a difusão do vírus em direção centrífuga para a periferia por meio de vias nervosas chegando aos órgãos (BEER, 1999).

Fundamentalmente, há três tipos de Raiva nos animais domésticos:

Raiva furiosa
Raiva paralítica e a
Raiva muda ou atípica (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Para assegurar a suspeita clínica de Raiva devemos recorrer, necessariamente, ao diagnóstico de laboratório.

No animal sacrificado ou morto podem ser realizados os exames histológicos do Sistema Nervoso Central, provas sorológicas e a identificação do vírus (BEER, 1999).

Para o diagnóstico da Raiva deve ser enviada a cabeça do animal suspeito, o encéfalo inteiro ou fragmentos do tecido cerebral de ambos os hemisférios (córtex, cerebelo e o hipocampo) (TAKAOKA, 2006).

O tratamento da Raiva clinicamente presente parece inútil. Devido ao perigo de infecção para outros animais e para o homem, os animais doentes de Raiva devem ser sacrificados (BEER, 1999).

No homem, o período de incubação varia de duas a dez semanas, sendo a média de 45 dias, porém há relatos na literatura mencionando um período comprometimento do Sistema Nervoso Central, caracterizados inicialmente por ansiedade, inquietude, desorientação, alucinações, comportamento bizarro e até convulsões. As crises convulsivas podem ser desencadeadas por estímulos táteis, auditivos ou visuais (TAKAOKA, 2006).

Segundo Schneider (1990), o controle de uma doença corresponde ao conjunto de medidas que se adota visando diminuir ou acabar com a ocorrência da mesma em uma região e isso inclui a vacinação dos cães e gatos anualmente. Na ocorrência de animais suspeitos deve-se informar o centro de zoonoses e o proprietário deve isolar o animal suspeito. Em caso de mordedura deve-se lavar imediatamente com água e sabão, procurando imediatamente um serviço médico.

Não brincar e nem deixar o seu animal em contato com errantes.

Segundo Katz (1994), a campanha de vacinação deve ser bem planejada com a procedência da quantidade de animais, de doses, de equipes, de postos e de materiais que serão utilizados. Essas equipes devem ser previamente treinadas e a campanha devidamente informada à população.

A vacina contra a Raiva canina e felina, utilizada por órgãos públicos, é a vacina modificada do tipo Fuenzalida & Palácios, preferencialmente aplicada na via subcutânea e conservada em temperatura de 4ºC a 8ºC (TAKAOKA, 2006).

DESENVOLVIMENTO

1 – Raiva Canina

Enfermidade infecto-contagiosa aguda, caracterizada principalmente por sinais nervosos ora representados por agressividade, ora por paresia e paralisia (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

2 – História

O período histórico da Raiva é longo, pois desde Aristóteles já era considerada como enfermidade contagiosa e devido à mordedura de cães, era temida e conhecida como uma doença letal (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Zinke (1804) pela primeira vez demonstrou a infecciosidade da saliva, inoculando-a em cães sadios, nos quais reproduziu a doença. Magendie e Breschet (1813) demonstraram que a Raiva humana e do cão eram uma só enfermidade, inoculando a saliva humana em cães (BEER, 1999).

Pasteur proporcionou um enorme progresso, que alcançou seu ponto culminante com a primeira vacinação de um ser humano em 1885 (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

O diagnóstico da doença surgiu com estudos histopatológicos de Negri, com o descobrimento das inclusões patognomônicas nas células ganglionares (BEER, 1999).

A Raiva está disseminada em todo mundo e somente a Austrália e a Oceania em união a outras numerosas ilhas isoladas, estão livres da doença (BEER, 1999).

3 – Etiologia

O agente etiológico da Raiva é um RNA-vírus da família Rhabdoviridae, Gênero Lyssavirus, com simetria helicóide, dispondo seu ácido nucléico no interior de envelope, que se assemelha a um projétil de um revólver, medindo cerca de 180 x 70nm (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

O vírus é constituído de duas membranas de diferentes densidades.

O conteúdo protéico da membrana exterior, dotada de espículos, origina a sensibilidade frente aos solventes orgânicos (BEER, 1999).

O gênero Lyssavírus é bastante grande, porém apenas seis espécies pertencem ao grupo do vírus da raiva. Sem dúvida, o vírus da raiva é o mais importante para os mamíferos domésticos e o homem (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

4 – Epidemiologia

A incidência da Raiva Humana nos Estados Unidos é muito baixa, sendo que existem alguns Estados que são classificados como livres da Doença (BIRCHARD,1998).

Não há diferença de sensibilidade entre os sexos, e a idade só tem relativa importância quanto à infecção. As taxas de morbidade aumentam no período da primavera e verão, porque nessa época as cadelas apresentam cio havendo disputas, brigas e mordidas mútuas (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Os transmissores da Raiva são os próprios animais doentes e os portadores inaparentes. Comumente na Raiva urbana o grande responsável pela transmissão da enfermidade é o cão com a Raiva furiosa, que antes de morrer morde numerosos outros animais (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

O vírus da Raiva não atravessa a pele intacta, mas é possível o contágio por meio das mucosas íntegras. Em condições normais, desempenham o papel principal no contágio, a mordedura de um animal a outro, ou de um animal ao homem (BEER, 1999).

Nos caninos, o vírus pode estar presente na saliva até dias antes de manifestar os sintomas, portanto, pode contribuir de forma importante para que subsista a cadeia infecciosa dentro da população animal (BEER, 1999).

As arranhaduras também têm potencial de contaminação, devido à salivação intensa dos animais doentes, que muitas vezes contaminam suas patas.

O contato indireto não é considerado veículo de transmissão, mas há pouca discussão a este respeito na literatura.

Outras formas de contágio, embora raras, são: transplante de córnea, via inalatória, via transplacentária e aleitamento materno (TAKAOKA, 2006).

O vírus rábico é inativado por diversos agentes físicos e químicos, tais como: radiação ultravioleta, detergente, agente oxidante, álcool, compostos iodados, enzimas proteolíticas e raio X. É sensível aos ácidos com pH<4 e às bases com pH>10. É inativado pelo calor, sobrevive 35 segundos a 60°C, 4 horas a 40°C e vários dias a 4°C (BIRCHARD, 1998).

5 – Patogenia

A contaminação de feridas ou discretas soluções de continuidade da pele por material que contenha o vírus rábico, como saliva infectante,sangue, urina e fezes de animal raivoso, pode levar à progressão da doença de igual forma que a mordida (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

O vírus penetra com a saliva nos tecidos lesionados por mordeduras. Nos gânglios espinhais ocorre a primeira multiplicação do vírus.

Segue emigração centrípeta em direção ao encéfalo, e onde, depois de uma segunda fase de multiplicação, é produzida a difusão do vírus em direção centrífuga para a periferia pelas vias nervosas. A generalização do vírus é produzida através das células de Schwann dos nervos periféricos, na qual não parece participar o cilindro-eixo. Depois desta fase, pode ser demonstrada a presença do vírus da Raiva em todos os órgãos (BEER, 1999).

Por via axoplasmática ou perineal, o vírus pode fazer a rota centrífuga atingindo as glândulas salivares, pulmões, coração, língua, vesícula biliar, rins, bexiga, músculos e até junções mioneurais ou placas motoras (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

As lesões do tecido nervoso, causadas pelo vírus, são concentradas na medula espinhal, tronco encefálico e rinencéfalo, provocando a alteração das células ganglionares, especialmente do hipocampo, levando manifestações clínicas de perda das funções vegetativas e motoras, assim como um quadro psicossensorial patológico (BEER, 1999).

A morte, que é regra na Raiva dos mamíferos domésticos, sobrevêm devido as lesões nervosas, e consequentemente, perda das funções vitais, como as que controlam o coração e a respiração (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

6 – Sinais Clínicos

O período de incubação, que depende da quantidade de vírus inoculado e da localização do ponto de inoculação, oscila entre 2 a 8 semanas, apesar de serem conhecidos períodos mais curtos e mais longos (BEER, 1999).

O animal demonstra alterações sutis de comportamento, anorexia, esconde-se, parece desatento e, por vezes, nem atende ao próprio dono. Ocorre nessa fase um ligeiro aumento de temperatura, dilatação de pupilas e reflexos corneanos lentos (FUNASA, 2002).

Furiosa: angústia, inquietude, excitação, tendência à agressão (morde objetos, outros animais e o próprio dono), alterações do latido (latido rouco), dificuldade de deglutição, sialorréia, tendência a fugir de casa, excitação das vias genitourinárias, irritação no local da agressão, incoordenação motora, crise convulsiva, paralisia, coma e morte (FUNASA, 2002).

Muda ou paralítica: fase de excitação ausente, inaparente ou curta, busca de lugares escondidos ao abrigo da luz (fotofobia), sintomas predominantes paralíticos, que se iniciam pelos músculos da cabeça e pescoço, paralisia dos membros posteriores, estendendo-se por todo o corpo do animal, dificuldade de deglutição, sialorréia, coma e morte. Deve-se considerar que os sinais e sintomas das diferentes apresentações não seguem, necessariamente, sequências obrigatórias ou apresentam-se em sua totalidade. O curso da doença dura em média dez dias e o animal pode estar eliminando vírus na saliva desde o 5°dia antes de apresentar os primeiros sintomas. Em consequência das características da doença, o animal raivoso é facilmente atropelado em vias públicas, o que exige muito cuidado ao prestar socorro a um animal (FUNASA, 2002).

7 – Diagnóstico

Nas áreas endêmicas, deve-se suspeitar de raiva em qualquer cão com sinais comportamentais ou nervosos inexplicados. O animal deve ficar confinado, ser observado e relatado de acordo com os regulamentos locais (DUNN, 2001) No Estado de São Paulo, embora haja regiões de Raiva controlada, lamentavelmente ainda existem regiões endêmicas e epidêmicas, consideradas na sua maioria "regiões silenciosas". Dessas, nada se sabe, por falta de encaminhamento de amostras para o laboratório de Vigilância Epidemiológica (TAKAOKA, 2006).

Todo mamífero que apresente sintomas neurológicos característicos da Raiva deve ser submetido ao diagnóstico laboratorial, para a confirmação da doença e para que sejam adotadas medidas de controle (TAKAOKA, 2006).

No caso de amostras da espécie canina, principal espécie transmissora da Raiva Humana, a Vigilância Epidemiológica preconiza o envio anual sistemático de 0,2% da população canina estimada, para realização de diagnóstico laboratorial, independente da situação epidemiológica da região.

Municípios com menos de 20.000 habitantes devem encaminhar pelo menos 12 amostras ao ano (TAKAOKA, 2006).

Segundo Takaoka (2006) o encaminhamento de amostras para o diagnóstico da Raiva é importante por dois aspectos:

1) Para a análise da situação epidemiológica da região e detectar-se vírus circulante.
2)
Para a determinação ou não do tratamento profilático s pessoas expostas, a Norma Técnica de Profilaxia da Raiva em Humanos dispensa o tratamento mediante o resultado negativo do diagnóstico laboratorial por Imunofluorescência Direta, principalmente quando o animal agressor for cão ou gato.

O diagnóstico fortemente sugestivo ou suspeito de Raiva pelos sinais e sintomas, nas formas de Raiva Furiosa e Paralítica, combinados ao curso agudo, com progressão contínua da doença e morte em 5 – 10 dias (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Para assegurar a suspeita clínica devemos.recorrer necessariamente ao diagnóstico de laboratório. No animal vivo pode ser realizado o exame de córnea ou teste da pele da cabeça. No animal sacrificado ou morto podem ser realizados os exames histológicos do SNC, provas sorológicas e a identificação do vírus (BEER, 1999).

Pesquisa citológica de inclusões de Negri: são feitas em impressões ou esfregaços de pequenos fragmentos de circulação do hipocampo, giros cerebrais, cerebelares e bulbo, corados pelo método de Seller, Faraco ou outros (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Isolamento do Vírus: feito por inoculação de material nervoso do animal suspeito por via intracerebral, em camundongos. Os camundongos são observados por até um mês; se aparecerem camundongos paralíticos ou mortos (comum na primeira ou segunda semana) então são feitas preparações citológicas do seu cérebro e são procuradas as inclusões de Negri (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Pesquisa imunofluorescente do antígeno rábico: é o método de maior sensibilidade para o diagnóstico. O vírus pode estar morto, ou inativo, mas o conjugado (imunessoro + fluoresceína) o demonstra especificamente. O método rotineiro é feito com isotiocianato de fluoresceína, mas há indicações de que às vezes, a Rodamina – B, que é outro corante, revela o vírus conjugado que a fluoresceína não revelou (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Tendo-se em consideração os métodos rotineiros de diagnóstico e os fatos mais corriqueiros que podem levar a falhas de demonstração do vírus em caso de raiva, os especialistas costumam utilizar concomitantemente os três métodos, com os quais praticamente a raiva é diagnosticada e demonstrada em 100% dos casos (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

8 – Material para Diagnóstico

O material para diagnóstico deve ser acondicionado em saco plástico duplo, vedado hermeticamente, identificado de forma clara e legível, não permitindo que a identificação se apague em contato com água ou gelo (TAKAOKA, 2006).

A amostra, devidamente embalada e identificada, deve ser colocada em caixa de isopor, com gelo suficiente para que chegue bem conservada ao seu destino. A caixa deve ser rotulada, bem fechada, evitando vazamentos que possam contaminar quem a transporte (TAKAOKA, 2006).

Juntamente com o material, deve ser enviada ficha epidemiológica completa, com o nome e endereço do solicitante, indicação da espécie animal, possíveis contatos com o homem e outros animais; se houve observação do animal doente e qual o período; se o animal foi sacrificado ou morreu naturalmente, etc (TAKAOKA, 2006).

O clínico deve enviar o material para um diagnóstico especializado.

Deve colher fragmentos de cerca de 1cm da circunvolução do hipocampo ou corno de Ammon, giro cerebral, córtex cerebelar e bulbo, em duas coleções, uma com gelo e a outra com formol a 10% e levar no máximo em 48 horas para o laboratório (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

Para o diagnóstico da Raiva deve ser enviado a cabeça do animal suspeito, o encéfalo inteiro ou fragmentos do tecido cerebral de ambos os hemisférios (córtex, cerebelo e o hipocampo) (TAKAOKA, 2006).

Segundo Takaoka (2006) o modo de conservação dependerá do tempo (estimado) decorrido entre a remessa ao laboratório e o processamento da amostra.

Assim:

1) Até 24 horas: manter o material refrigerado.
2)
Mais de 24 horas para chegar ao laboratório: congelado.
3)
Na falta de condições adequadas de refrigeração: conservar em solução salina com glicerina a 50%.

A qualidade do resultado laboratorial dependerá do estado de conservação da amostra enviada. Materiais autolisados interferem nas técnicas laboratoriais, muitas vezes tornando impossível a realização das provas (TAKAOKA, 2006).

9 – Diagnóstico Diferencial

Devem ser levados em consideração todos os processos inflamatórios do Sistema Nervoso Central; como a doença de Aujesky, a doença de Borna, a Toxoplasmose, a Listeriose, a fase nervosa da Cinomose, transtornos metabólicos, bucofaringoesofágica, parasitismo intenso e intoxicação (BEER, 1999).

Encefalopatia Hepática, corpos estranhos na região bucofaringoesofágica, parasitismo intenso e intoxicação (BEER, 1999).

10 – Tratamento

Uma vez instalada a doença não há tratamento específico e a letalidade é de 100%. O tratamento paliativo visa minimizar o sofrimento do paciente (TAKAOKA, 2006).

O tratamento da Raiva clinicamente presente parece inútil. Devido ao perigo de infecção para outros animais e para o homem os animais doentes de Raiva costumam ser sacrificados (BEER, 1999).

Existe um tratamento anti-rábico que é exclusivamente imunoterápico e não tem nenhum valor quando há a doença; esse tratamento destina-se à animais de grande estima ou de valor econômico sendo que o procedimento de escolha é aplicar 0,5ml/kg de soro hiperimune e no dia seguinte iniciar uma série de três doses simples da vacina Fuenzalida, intercaladas de um a dois dias. Este tipo de tratamento não é realizado no Brasil (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

11 – Prognóstico

O prognóstico é desfavorável e o clínico deve considerar como 100% letal em animais que apresentem sintomas. (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

12 – Raiva Humana

A raiva é uma das mais graves zoonoses e desde antes da época das pesquisas de Pasteur, já se sabia que era transmissível e que era mortal (CORRÊA & CORRÊA, 1992).

No homem, o período de incubação varia de 2 a 10 semanas, em média 45 dias. Porém, há relatos na literatura mencionando um período de incubação de até 6 anos. Depende da quantidade de vírus inoculado, da proximidade do Sistema Nervoso Central e da gravidade da lesão. Em animais silvestres este período é bastante variável, não havendo definição clara para a grande maioria deles (TAKAOKA, 2006).

A doença começa com um período prodrômico de sintomas inespecíficos, caracterizados por febre, cefaléia, mal-estar, anorexia, náusea e dor de garganta. Na maioria dos casos há alteração de sensibilidade no local da mordedura, como formigamento, queimação, adormecimento, prurido e/ou dor local. Esse período varia de dois a quatro dias (TAKAOKA, 2006).

Posteriormente, instalam-se sintomas de comprometimento do Sistema Nervoso Central, caracterizados inicialmente por ansiedade, inquietude, desorientação, alucinações, comportamento bizarro e até convulsões. As crises convulsivas podem ser desencadeadas por estímulos táteis, auditivos ou visuais.

Em cerca de 50% dos casos costuma haver espasmos de faringe e laringe após beber ou mesmo desencadeados pela simples visão da água ou vento no rosto.

No homem, são raros os surtos de agressividade, com tendência de atacar ou de morder, característicos da Raiva furiosa nos animais. Outros sintomas acompanhantes são hipersalivação, fasciculação muscular e hiperventilação.

Esse período dura de quatro a dez dias (TAKAOKA, 2006).

Na fase final, instala-se um quadro de paralisia progressiva ascendente e coma no final da evolução (TAKAOKA, 2006).

A Raiva transmissível no homem produz vários milhares de mortos ao ano. Nos casos de mordeduras graves, está indicado o tratamento combinado de soro e vacina, com um plano complexo de aplicação (BEER, 1999).

Transmissão através do morcego:

Como todos os mamíferos, alguns morcegos contraem raiva. Com exceção dos morcegos mesmo raivosos, não costumam morder. Quando mordem, é por autodefesa, quando se tenta pegá-los. Qualquer morcego ou outro animal silvestre que se deixe capturar deve ser suspeito de estar doente, de modo que só um especialista deve pegá-lo, sob condições apropriadas (SABIO, 2006).

A ameaça de raiva praticamente não existe para as pessoas que vacinam seus animais domésticos, como cachorros e gatos, e evitam lidar com animais que não conhecem. (SABIO, 2006).

Quando se consideram os morcegos hematófagos, o risco de transmissão de raiva é maior. Animais de criação, especialmente o gado, na zona rural brasileira sofrem séria ameaça, em função dos ataques de morcegos vampiros (Desmodus rotundus). Também existem casos de ataques a seres humanos, alguns até feitos repetidas vezes sem que a vítima se dê conta, pois tem seu sangue sugado pelo morcego durante o sono. (SABIO, 2006).

Ao ter conhecimento da presença de morcegos na região, previna-se iluminando áreas externas às residências; colocando telas em janelas e aberturas; fechando passagens para porões, forros, sótãos ou outros cômodos pouco utilizados, onde morcegos possam se alojar. (SABIO, 2006).

Se existem morcegos alojados, isole o cômodo, se possível. Contate o Centro responsável pelo controle de zoonoses da região e solicite vistoria técnica do local e das imediações. (SABIO, 2006).

Em casos onde se tem conhecimento ou se suspeita que houve contato de pessoas com morcegos, consulte um médico ou o órgão oficial de controle da raiva. (SABIO, 2006).

Na América do Norte já foram registrados dez mortes em razão de mordedura por morcegos doentes durante sua manipulação, e duas mortes no Texas através de transmissão por aerossol em uma caverna pouco ventilada e densamente povoada por morcegos (SCHNEIDER, 1995).

13 – Fatores de Risco

Segundo Tilley (2003) existem fatores de risco como:

Exposição a animais selvagens, principalmente raposas, guaxinins, morcegos e gambás
Ausência de vacinação adequada contra raiva
Ferimento de mordida ou arranhões de cães, gatos ou animais selvagens não vacinados
Exposição a aerossóis em cavernas de morcegos
Animais imunocomprometidos.

14 – Controle e Prevenção da Raiva na cidade

Segundo Schneider (1990), o controle de uma doença corresponde ao conjunto de medidas que se adota visando a diminuir ou acabar com a ocorrência da mesma em uma região. Com relação à Raiva, as medidas de prevenção são também parte das medidas de controle.

Para que as medidas de controle sejam eficientes, é necessário que a população apóie as ações das autoridades de saúde. Para que isso ocorra, essa população deve estar consciente sobre a importância da Raiva e sobre as medidas que são adotadas para evitá-las. Como a Raiva é uma doença incurável, que culmina em uma morte lenta e com grande sofrimento, geralmente a população aceita muito bem as orientações que são dadas no sentido de preveni-la. No entanto, é preciso que se lembre que, ainda hoje, muitos seres humanos perdem a vida de forma trágica por negligenciarem os cuidados mínimos.

Nos paises desenvolvidos a Raiva se encontra presente , a vacinação é frequentemente compulsória. Devem-se administrar as vacinas inativadas com 3 a 4 meses de idade, com reforço após 1 ano de idade e depois disso, anual ou trienalmente, conforme o recomendado( DUNN, 2001).

15 - Campanhas Anuais de Vacinação Contra a Raiva

O objetivo das campanhas de vacinação é o de estabelecer, em curto espaço de tempo, uma barreira imunológica capaz de interromper a transmissão da raiva na população canina de uma comunidade e o comprometimento das populações felina e humana (TAKAOKA, 2006).

A Campanha Anual de Vacinação Contra a Raiva Canina deve ser entendida como uma atividade de emergência para áreas endêmicas ou epidêmicas e, portanto, envolver todos e quaisquer animais, independentemente de idade e de condições gerais de saúde (TAKAOKA, 2006).

O fator de importância a ser estabelecido é a barreira imunológica na população canina, dificultando a disseminação do vírus rábico (TAKAOKA, 2006).

A Campanha Anual de Vacinação Contra a Raiva Canina é uma das ações do Programa de Controle da Raiva.

Por intermédio dela, se procura obter um grande número de animais vacinados, num mesmo e breve espaço de tempo, sendo dispensável adequadamente planejada e conduzida. Trata-se de uma atividade que envolve uma população animal. (TAKAOKA, 2006).

A experiência de diversos municípios tem demonstrado que, quando a campanha se desenvolve mais de uma vez ao ano, a administração de mais uma dose de vacina, caracteriza uma revacinação, em animais já vacinados na campanha anterior, pois são os mesmos proprietários que procuram os postos de vacinação. A cobertura não se estende a animais não vacinados ou a novos animais integrados à população canina. (TAKAOKA, 2006).

Aqueles animais que não forem vacinados por ocasião das campanhas, devido a diferentes causas - como ausência dos proprietários nos dias de va-cinação nas proximidades de suas residências, idade inadequada para a primo-vacinação, ou pelo fato de os animais terem nascido após o desenvolvimento dos trabalhos em sua área de permanência, ou estarem doentes, submetidos a tratamento com imunossupressores - devem ser vacinados em postos fixos municipais, clínicas particulares ou outros serviços de confiança dos proprietários, ou vacinados por ocasião da vacinação de repasse, recomendada para o período de um ano entre duas campanhas. O contingente populacional que representa, geralmente, não justifica o comprometimento dos diferentes serviços municipais numa segunda campanha, devido ao pequeno acréscimo que resultaria na cobertura populacional. (TAKAOKA, 2006).

As recomendações da área clínica da Medicina Veterinária, diferentemente das campanhas de órgãos públicos, preconizam a vacinação contra a raiva de cães e gatos a partir dos 4 meses de idade. (TAKAOKA, 2006).

As duas orientações não se contrapõem. Apenas, ocorre que nas campanhas, a população, objeto do trabalho, encontra-se sob alto risco de infecção rábica. Ainda que pequeno contingente de cães e/ou gatos jovens seja estimulado imunologicamente e as respostas sorológicas possam ser baixas, constata-se uma diminuição no número de susceptíveis. (TAKAOKA, 2006).

No caso de animais vacinados em clínicas, o controle por parte dos proprietários diminui o risco de exposição ao vírus rábico, oferecendo segurança para vaciná-los individualmente, sendo possível adotar indicações particularizadas, de acordo com a orientação e a decisão de cada profissional. (TAKAOKA, 2006).

A meta a ser atingida pela vacinação de cães no sistema de campanhas, preconizada no 8º Informe de Peritos em Raiva da OMS, é de, no mínimo, 75% da população canina estimada. (TAKAOKA, 2006).

A Comissão de Coordenação do Programa de Controle da Raiva, do Estado de São Paulo, considerando que as ações do Programa são desenvolvidas parcialmente na maioria dos municípios, sendo dado maior ênfase às campanhas anuais de vacinação, recomenda que a meta de vacinação canina seja de, no mínimo, 80%. (TAKAOKA, 2006).

Merece especial atenção a estimativa da população canina, a fim de que os valores obtidos se aproximem realmente da meta proposta. Ao analisar uma série histórica de resultados das campanhas de vacinação contra a raiva, as coberturas vacinais que se mantenham, constantemente, acima de 80 a 100% sugerem uma subestimativa da população canina, precisando de correção, segundo taxas de crescimento detectadas em estudos específicos (TAKAOKA, 2006).

Os municípios considerados em condição epidemiológica de controle devem avaliar seus parâmetros e metas a atingir, a fim de preservar tal característica epidemiológica (TAKAOKA, 2006).

Os métodos de trabalho usualmente recomendados para as campanhas são:

Instalação de postos em locais pré-determinados e em dias sucessivos
Vacinação casa-a-casa

Eles podem ser implementados isoladamente ou associados, a critério do coordenador da atividade, conforme as condições geográficas, climáticas e/ou epidemiológicas locais. (TAKAOKA, 2006).

16- Efeito adversos de uma vacinação

As reações adversas às vacinas caninas são incomuns. A maior parte delas é leve e transitória, mas podem surgir raramente problemas de risco de vida. Existe reações que envolvem mecanismos imunológico, que são reações de hipersensibilidade e as complicações sem base imunológica. (DUNN, 2001).

Legislação

Decreto numero 314/2003 de 17 de dezembro A Raiva, a equinococose/hidatidose, a leishmaniose e a leptospirose são zoonoses de risco que podem ser transmitidas ao ser humano pelos carnívoros domésticos ( CARLONE, 2005) O Decreto-Lei n.º 91/2001, de 23 de Março, e respectiva regulamentação, que revogaram o Decreto-Lei n.º 317/85, de 2 de Agosto, adoptando embora o regime instituído por aquele diploma relativamente ao registo e licenciamento dos canídeos nas juntas de freguesia, veio ainda permitir o alargamento do âmbito de ação do Programa Nacional de Luta e Vigilância Epidemiológica da Animal também a outras zoonoses ( CARLONE,2005).

LEI N° 13.067, de 17 de outubro de 2000

Dispõe sobre a obrigatoriedade da prevenção e do combate raiva, febre aftosa, brucelose, anemia infecciosa eqüina e das demais doenças de notificação obrigatória e de outras providencias.(SAMPAIO, 2005).

CONCLUSÃO

A raiva é uma doença infecto-contagiosa causada por um RNA-vírus. Os cães doentes ou portadores inaparentes transmitem para outros animais e para o homem através da mordedura, o vírus, que está na saliva penetra na lesão atingindo o encéfalo e, em seguida, os outros órgãos.

Esses animais infectados vão apresentar alterações comportamentais e neurológicas como: ficar furioso, latido bitonal, sialorréia, paralisia e morte.

O melhor método de prevenção são as campanhas de vacinação, que utilizam a vacina Fuenzalida & Palácios visando estabelecer proteção imunológica em toda a população animal urbana, impedindo a transmissão da raiva entre estes animais e o homem. Essas campanhas devem ser bem planejadas de acordo com a população de cães e gatos que se encontra na cidade e devem ser coordenadas por um médico veterinário.

Eduardo Lachi Fumagalli

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEER, J; Doenças Infecciosas em Animais Domésticos, 1ª ed, São Paulo, 1999, cap. 10, p. 168-78.
BIRCHARD, S. J; SHERDING, R. G; Manual Saunders: Clínica de Pequenos Animais, 6ª ed, São Paulo, 1998, cap. 11, p.139-40.
CORRÊA, W. M; CORRÊA, C. N. M; Outras rickettsioses. Enfermidades Infecciosas dos Mamíferos Domésticos. 2ª ed, Rio de Janeiro, 1992, cap.48, p.477-83.
DUNN,J.K; Tratado de Medicina de Pequenos Animais , 1ªed, São Paulo, 2001, p.929-30.
KATZ, G; PINTO,H. B; GALIMBERTTI M. Z; Manual de Vacinação Animal –Canina e Felina. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre
Vranjac”, São Paulo, 1994, p.1-16.
TILLEY,L.P;SMITH,F.W.K.; Consulta Veterinária em 5 minutos , 2ªed, São Paulo, 2003, p.1146.
SCHNEIDER, M. C; ALMEIDA, G. A; SOUZA, L. M; Controle da raiva no Brasil de 1980 a 1990. In: Revista Saúde Pública, vol. 30, 1990, p.196-
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SCHNEIDER, M. C; SANTOS, B.C; Algumas Consideraciones Sobre La Rabia Humana Transmitida por Murcielago. 1ª ed, 1995, cap. 37, p.354- 62
TAKAOKA,N.;Raiva,Disponível em: <http://www.pasteur.saude.sp.gov.br/menu.htm> Acesso em: 2 de setembro de 2006.
SABIO,M; disponível em: <http://www.geocites.com.br. Acesso em 15 de novembro de 2006.
FUNASA disponível em: <http://www.campinas.sp.gov.br/saude/doenças/raiva/raiva.htm. Acesso em 15 de novembro de 2006.
SAMPAIO disponível em: <http:www.cpuc.org.pt/lei/portugal/DL-314_2003.html Acesso 18 de novembro de 2006.
CARLONE disponível em: <http:www.seagri.ce.gov.br/lei_13067.htm. Acesso 18 de novembro de 2006.

Fonte: www.qualittas.com.br

Raiva

O que é a raiva?

A raiva é uma doença infecciosa aguda que acomete homens e animais, sendo causada por um vírus que se multiplica pelos nervos periféricos até o sistema nervoso central.

A raiva não tem cura?

Trata-se de um sério problema de saúde pública no Brasil e no mundo todo, pois expõe grande número de pessoas e animais ao risco da contaminação, tendo elevado custo de controle ou erradicação.

A forma mais comum de transmissão é o contato direto da saliva contendo o vírus rábico com mucosas ou pele machucada através de lambidas ou mordidas.

A transmissão também pode ocorrer por arranhões, pois a salivação intensa dos animais doentes contamina as patas. Em áreas urbanas, a principal fonte de infecção é o cachorro (quase 85% dos casos), seguido do gato. Em áreas rurais, além de cachorros e gatos, morcegos, macacos, bovinos, eqüinos, suínos, caprinos e ovinos também podem ser acometidos de raiva.

No Brasil, o cachorro é a principal fonte de infecção para o homem. Depois de mordido por outro animal raivoso, o cachorro pode levar algumas semanas para desenvolver doença, mas após o aparecimento dos sintomas a evolução é rápida, variando de 1 a 11 dias, onde o animal morre por convulsões e paralisia.

Há duas formas de raiva canina: a furiosa caracteriza-se por inquietação, tendência ao ataque, anorexia pela dificuldade de deglutição e latido bitonal, e a forma muda, com ausência de inquietação e ataque, com tendência a se esconder em locais escuros.

Ambas as formas levam à paralisia e à morte.

Cachorros e gatos contaminados já podem transmitir a raiva alguns dias antes do aparecimento dos sintomas e durante todo o período da doença.

Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico da raiva é feito por exame clínico e do histórico do animal ou homem com antecedente de mordida ou outros tipos de exposição.

Cachorros e gatos suspeitos de contato com animais acometidos de raiva devem ser isolados e submetidos a quarentena para avaliação dos sintomas.

As autoridades sanitárias devem ser imediatamente notificadas. No caso de o animal morrer, deve-se levá-lo ao veterinário para exames histopatológicos.

A vacinação anual de cachorros e gatos é fundamental para o controle da raiva no meio urbano e rural. Somente a vacinação pode proteger os animais e indiretamente o homem contra essa enfermidade mortal.

Existem também as vacinas humanas, indicadas para pessoas com alto risco de exposição ao vírus da raiva.

Fonte: www.merial.com.br

Raiva

A raiva ou hidrofobia é encefalite infecciosa que acomete praticamente todos os mamíferos: carnívoros - canídeos (cão, lobo, raposa, hiena,chacal, etc.), felídeos(gato), mustelídeos (skunk), quirópteros (morcegos), roedores (rato, esquilos), ruminantes (boi, veado), monogástricos (cavalo), primatas (sagui, homem).

O homem é um hospedeiro acidental na cadeia infecciosa, como o são, até certo ponto, os animais domésticos (cão e gato); o grande reservátorio natural é representado por animais silvestres.

Nem todo o cão mordido por animal raivoso adquire Raiva: apenas cerca de 35%, segundo Hutyra e Marek. Quanto ao risco de infecção humana, é estimado em 35-50% quando o cão excreta vírus na saliva e em apenas perto de 15% quando o vírus é detectado no cérebro, mas não na saliva.

RAIVA HUMANA

A raiva humana se manifesta após um período de incubação usualmente compreendido entre 20 e 60 dias, com sintomas prodrômicos mal definidos:

Febre moderada
Cefaléia
Insônia
Ansiedade e distúrbios sensoriais, sobretudo ao nível da mordedura.

Em 24-48 horas, aparece a sintomatologia típica que, na raiva furiosa, assume decurso dramático, caminhando inexoravelmente para a morte em 2-6 dias: excitação cerebbral, com crises de delírio e de agressividade, espasmos musculares dolorosos, convulsões, paralisias, hiperpirexia (41-42 C) e asfixia terminal.

Na denominada paralítica, são pouco intensos os fenômenos espasmódicos e predomina a paralisia, que pode ser ascendente (tipo Landry) ou descendente.

RAIVA CANINA

No cão, a doença se inicia após uma incubação de 3-6 semanas.O que mais chama a atenção no período prodrômico é o comportamento anormal do animal, que se torna arredio, desobediente ao próprio dono e come pouco, ingerindo materiais indigestos, como pedaços de madeira, palha, etc.

Duas formas clínicas são observadas: a raiva furiosa e a raiva muda ou paralítica.

Na forma furiosa, o cão apresenta sintomas de excitação, late repetidamente com voz rouca e fanhosa, investe contra tudo e contra todos, mordendo com fúria.

Apresentando-se ao cão raivoso uma vara, o animal toma-a com violência e morde-a: sinal que se atribui importância diagnóstica. A morte sobrevém em 4-7 dias, com paralisias e convulsões.

Contrariamente à crença popular, o cão raivoso não apresenta hidrofobia e procura beber até o fim, mesmo quando, em consequência de paralisia dos músculos da faringe, a deglutição se torna impossível e a saliva escoa sob a forma de baba.

Na raiva muda, como o nome indica, faltam ou são apenas mitigados os sintomas de excitação: o que domina o quadro são as paralisias, sobretudo do trem posterior e dos maxilares, estas últimas dando a impressão de que o animal tem um osso atravessado na garganta.

RAIVA BOVINA

Nos bovinos, a raiva assume sobretudo a forma paralítica, sendo extremamente rara ou acidental a contaminação direta do homem. Extensas epizootias de raiva bovina e equina têm sido observadas no México, América Central e América do Sul, inclusive no Brasil.

O primeiro surto epizoótico de raiva bovina no Brasil foi diagnosticado em 1911 por Carini, em material enviado de Santa Catarina ao Instituto Pasteur de São Paulo. A epizootia atingiu ao máximo no período de 1914-1918, quando foi paticurlamente estudada por Haupt e Renaag. Posteriormente, foram assinalados importantes surtos epidêmicos, não somente em outros estados brasileiros, como em diferentes países das Américas. De acordo com informes compendiados pela Organização Pan-Americana da Saúde, entre 1960 e 1966, foram notificados nas Américas cerca de 2.725.000 casos de raiva bovina (1.300.000 no Brasil e 1.000.000 no México), representando um prejuízo econômico estimado em aproximadamente 47.500.000 dólares.

A raiva bovina é transmitida por morcegos hematófagos, que sugam o gado preferivelmente noite. Este fato, já suspeitado por Carini e por Haupt e Rehaag ao estudarem o surto epizoótico de Santa Catarina, foi definidamente comprovado em 1935 por pesquisas realizadas, independentemente, no Brasil (Torres e Queiroz Lima) e em Trinidad (Pawan).

Os morcegos incriminados são da família "Desmodontidae", facilmente distinguíveis das espécies frugívoras, insetívoras, onívoras ou ictiófagas, pelos caracteres seguintes: ausência de cauda, membrana interfemoral rudimentar, pêlo cinza ou marrom, orelhas largas e curtas, polegares longos e, especialmente, incisivos grandes em forma de alfanje, com bordas extremamente cortantes.Os morcegos hematofágos (espécies "Desmodus rotundus"', "Diphylla ecaudata" e "Diaemus youngi") atuam não só como transmissores, mas também como reservatórios do vírus.

O morcego é também transmissor comprovado da raiva do homem, produzindo geralmente um quadro grave de paralisia ascendente do tipo Landry. Foi assinalada também a transmissão ao homem por morcegos não-hematófagos, que facilmente se infetam nas lutas frequentes que entretêm com morcegos desmodontídeos. Ao que parece, a transmissão humana não se opera somente pela mordedura dos morcegos, mas, até com maior frequência, por intermédio de aerossóis.

A INFECÇÃO EXPERIMENTAL

NO CÃO

Embora já em 1813 Gruner e Salm houvesem transmitido experimentalmente a raiva ao cão pela inoculação subcutânea de saliva virulenta, cabe a Pasteur, Chamberland, Roux e Thuillier(1881) terem estabelecido técnica regular para a reprodução experimental da doença no cão, mediante a injeção intracerebral de suspensão de cérebro de animal raivoso. A doença se desenvolve após incubação de 1-2 semanas, com sintomatologia idêntica à observada na infecção natural.

NO COELHO

No coelho desenvolve-se sempre a forma paralíca da doença, após incubação de 15-20 dias. Fazendo, porém, passagens sucessivas, de cérebro a cérebro de coelho, verificaram Pasteur e seus colaboradores que aquele período de incubação se ia encurtando, de tal maneira que, ao cabo de 20-25 passagens, reduzia-se a 6-8 dias apenas. Daí por diante, as passagens não tinham mais efeito sobre o tempo de incubação.

Pasteur denominou o material original proveniente do cão raivoso - vírus das ruas, e o material modificado pelas passagens seriadas no cérebro do coelho - vírus fixo.

Notemos desde já que o vírus produz no cão sempre a forma paralítica e, por se ter adaptado estritamente ao tecido nervoso, é geralmente incapaz de infetar por via subcutânea.

  Vírus das ruas Vírus fixo
1. Incubação após injeção intracerebral no coelho 14 dias 7 dias
2. Infecção por via subcutânea

+

-
3. Corpúsculos de Negri ++ +
4. Infecção experimental do cão Raiva furiosa ou paralítica Raiva paralítica

Como adiante veremos, Pasteur se aproveitou das mencionadas características do vírus fixo, a incubação mais curta e a incapacidade de infetar por via subcutânea, a fim de usá-lo como vacina preventiva da raiva após a mordedura.

NA COBAIA

Inoculada por via cerebral com material rico em vírus das ruas, desenvolve a cobaia, após incubação de 8-12 dias, um quadro típico de raiva furiosa, com excitação, agressividade e, mais tarde, paralisia.

NO CAMUNDONGO

O camundongo é extremamente sefsíveP ao värus da raiva: 8-14 dias após a injeção intracerebral, mostra aintomas de excitação(ou, por vezes, de apatia), tremores, paralisia das patas posteriores, paralisias generalizadas, prostação e morte ao cabo de 9-12 dias.

O VÍRUS DA RAIVA

MORFOLOGIA

O vírus da raiva é visto ao micróscopio eletrônico sob a forma de bastonetes cilindrogiivais (em formas de obus), de cerca de 180 x 80 nm; pertence à família "Rhabdoviridae", gênero "Lyssavirus" que inclui também o gênero "Vesiculovirus".

De grande interesse para o diagnóstico da raiva é a verificaçào histopatológica feita em 1903 por Negri, relativa à existência de inclusões citoplásmicas nas células nervosas, particularmente ao nível do corno de Ammon e dos núcleos pticos da base do cérebro. Tais inclusões, ditas corpúsculos de Negri, apresentam-se como massas de forma e tamanho variáveis(desde 0,25 até 30 m; mais comumente, de 3-20 m), que se coram em vermelho-violáceo pelo método de Sellers e exibem estrutura finamente granulosa. Ao microscópio eletrônico, os corpúsculos de Negri se mostram constituídos por virions dispersos ou agregados, no seio de uma substância fundamental granulosa. A presença dos corpúsculos virais na inclusão pode também ser evidenciada à microscópia óptica, seja por métodos adequados de coloração, seja por imunofluorescência.

Como já mencionado anteriormente, os corpúsculos de Negri só se desenvolvem tipicamente após a infecção pelo vírus das ruas. Na infecção pelo vírus fixo, de incubação abreviada, não há tempo suficiente para o desenvolvimento da matriz de origem celular, constituindo-se corpúsculos de inclusão geralmente pequenos.

CULTURA

O vírus da raiva se multiplica em vários tipos de culturas celulares, particularmente em células de embrião de pinto, células renais de hamster e células de linhagem contínua, com BHK21, clone 13(Baby Hamster kidney), EpO(astrocitoma de camundongo) ou células diplóides humanas(Wi 38). As células infectadas não exibem efeito citopático, porém o vírus pode ser evidenciado à microscopia eletrônica sob a forma de partículas tubulares dispersas no citoplasma ou formando aglomerados. A imunofluorescência revela paralelamente a presença de antígeno viral.

O vírus rábico é também cultivável no ovo, por inoculação no cérebro do embrião ou no saco vitelino. Por passagens sucessivas no ovo, Koprowski e Cox obtiveram cepas atenuadas(Flury LEP e HEP), que têm sido usadas com sucesso, sobretudo para a imunização de cães e bovinos.

RESISTÊNCIA

O vírus rábiao é idativado pelo calor (60 C, 5 min), pelos antissépticos (álcalis, bicloreto de mércurio, fenol, formol,etc.), pelos raios U.V., pelo éter e pelo desoxicolato de sódio. A dessecação lenta mata-o, embora preservando a sua capacidade imunogênica.

O mesmo acontece com o tratamento por doses adequadas de fenol, raios U.V. ou b - propiolactona. Tira-se proveito deste fato para o preparo de vacinas inativadas.

O vírus conserva-se muito bem em glicerina a 50% na geladeira a 4 C, no freezer a 70 C e em estado liofilizado.

PROPRIEDADES ANTIGÊNICAS

O vírus rábico possui dois antígenos principais: um antígeno interno (nucleoproteína), grupo-especifíco e um antígeno externo (glicoproteína).

Os anticorpos que correspondem à nucleoproteína podem ser detectados por fixação de complemento, imunofluorescência, gel-recipitação, reações imunoenzimáticas, etc., e podem servir à identificação do vírus, porém não parece que tenham ação protetora. A glicoproteína, ao invés, é responsável pela formação de anticorpos neutralizantes. O vírus não possui hemaglutinina.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

O diagnóstico de laboratório da raiva é feito:

a) pela pesquisa de corpúsculos de Negri no cérebro;
b) pelo isolamento do vírus do cérbro ou da saliva;
c) por outras técnicas de exame direto;
d) pelo diagnóstico sorológico.

Os corpúsculos de Negri são pesquisados em esfregaços obtidos por impressão do corno de Ammon e corados pelos métodos de Sellers, Mann e outros.

A imunofluorescência direta com soro hiperimune preparado em equídeos ou no hamster é também de grande valor para a identificação dos corpúsculos de Negri. Em qualquer caso, em se tratando do cão, deve-se ter em mente que as inclusões só aparecem com o evoluir da doença, razão pela qual não se deve sacrificar precocemente o animal mordedor, mas sim observá-lo e só matá-lo para a retirada do cérebro e pesquisa dos corpúsculos típicos quando aparecerem sintomas que levem à suspeita de raiva.

Além da pesquisa de corpúsculos de Negri, o exame direto compreende ainda a utilização da microscopia eletrônica e atécnica de imunofluorescência. Tal pesquisa pode ser feita no homem ou no animal vivo, em biópsias cutâneas, raspados da mucosa lingual ou em impressões da córnea. Embora de sensibilidade limitada, o exame direto, como mencionado acima, pode ser particularmente útil em certas situações.

Nos casos em que é negativa a pesquisa dos corpúsculos de Negri, deve-se tentar o isolamento do vírus mediante a inoculação intracerebral em camondongos infantis (de 2-3 semanas). O material inoculado será o cérbro, glândula submaxilar ou saliva, cumprindo descontaminar previamente o inóculo mediante tratamento com penicilina e estreptomicina. Após uma incubação de 6-21 dias, dependente da quantidade de vírus inoculada, os camondongos desenvolvem paralisia flácida das pernas e morrem, revelando os esfregaços de cérebro a presença de corpúsculos de Negri.

A cultura do vírus em tecido não foi ainda suficientemente explorada para fim diagnóstico, porém representa uma via promissora de investigação, pois poderá ensejar resultados conclusivos em período mais curto. Quanto às provas sorológicas, são de p[ouco valor diagnóstico, porém constituem recppsos precioso para a detecção de anticorpos em indivíduos vacinados.

A prova de soro-neutralização, por sua espeficidade,é a que mais se recomenda. Se outros testes forem utilizados, cumpre atentar para a possível coexistência de anticorpos dirigidos contra constituintes tissulares e empregar, na prova diagnóstica, antígeno purificado, obtido preferentemente de tecido que não dê reação cruzada com o que serviu para o preparo da vacina.

PATOGENIA

A patogenia da raiva não está ainda totalmente esclarecida. É certo, entretanto, que a porta de entrada principal é a via transcutânea e que o vírus, presente em alto título nas glândulas salivares do animal raivoso, persiste durante tempo relatilalente longo no local da mordedura.

Em virtude de seu acentuado neutropismo, o vírus rábico, embora seja capaz de multiplicar-se em células não nervosas, parece não utilizar, em condições naturais, a via hematogênica para a sua disseminação. Ao invés, progride ao longo dos filetes nervosos (axônio e bainhas envolventes), em direção centrípeta e, ao chegar ao corpo celular, replica-se no pericárdio, istoé, no citoplasma neuronal perinuclear.

A penetração do virion no axônio tem lugar provavelmente ao nível dos nódulos de Ranvier e das incisuras de Schmidt-Lantermann e a propagação interneuronal através das arborizações dendríticas. Do sistema nervoso central, o vírus, utilizando a mesma via axônio-neurilema, passa aos neurônios periféricos e assim atinge as glândulas salivares, órgãos internos, músculos, pele, mucosa nasal, córnea, etc.

EPIDEMIOLOGIA

Há duas formas epidemiológicas da raiva:

a) a raiva urban, propagada principalmente pelo cão e pelo gato
b) a raiva silvestre, cujos reservatórios e transmissores são carnívoros e selvagens.

Os carnívoros envolvidos na cadeia infecciosa variam conforme a fauna autóctone, porém se filiam sobretudo aos felídeos, cnídeos e mustelídeos.

Na Europa, o papel epidemiológico mais importante cabe aos canídeos selvagens(raposa, lobo,chacal) e ao texugo, mustelídeo do gênero "Meles". Nos Estados Unidos, os canídeos silvestres são de grande importância epidemiológica nos Estados do Norte e do Leste, porém no Oeste (Califórnia) atribui-se maior importância aos mustelídeos dos gêneros "Mephitis" (shunks) e "Mustela" (weasels). Na América Central e nas Índias Ocidentais, o mangusto do gênero "Herpestes"é um importante transmissor. Já nos referimos anteriormente ao papel dos morcegos (quioópteros), sobretudo os vampiros, transmissores frequentes da raiva bovina na América Latina, desde o Norte do México até o Norte da Argentina.

De um modo geral, pode-se dizer que, nos países onde se conseguiu controlar a raiva canina, os Estados Unidos e alguns países europeus, o problema epidemiológico se deslocou para a raiva silvestre. Onde tal ainda não ocorreu, o cão é a espécie para a qual devem ser polarizadas as medidas profiláticas.

PROFILAXIA

A profilaxia da raiva repousa essencialmente em medidas restritivas com relação aos transmissores e na vacinação preventiva.

Na prevenção da raiva urbana é imperativa a captura e o controle do cão errante, paralelamente à vacinação em massa da população canina. Os indivíduos mordidos serão "tratados profilaticamente" pela injeção de vacina, de acordo com esquema intensivo adiante descrito.

A profilaxia da raiva bovina, de grande importância pelos enormes prejuízos que acarreta à pecuária, é feita pela vacinação em massa do gado nos focos enzoóticos, complementada, quando possível, por medidas de combate ao morcego transmissor (aplicação tópica de clorofacinona, agente tóxico anticoagulante).

TIPOS DE VACINA

A vacina original de Pasteur era preparada com medulas de coelhos infectados com o vírus fixo e submetidas à ação dessecadora do hidróxido de potássio durante 1 a 14 dias, de maneira a obter uma atenuação progressiva.

Os Institutos encarregados da vacinação anti-rábica mantinham estoques de medulas atenuadas, conservadas em glicerina, que eram emulsionadas em salina fenicada no momento do uso.

Das numerosas modificações propostas às vacinas preparasas com tecido nervoso, devem ser especialmente mencionadas as seguintes:

1. A vacina do tipo Fermi-Semple: preparada com cérebro de coelho inoculado com vírus fixo e atenuada com fenol. Na vacina Semple, de uso ainda frequente nos Estados Unidos, a concentração final da substância nervosa é de 2% e a de fenol 0,5% ou, preferivelmente 0,25%.
2. A vacina do tipo Palacios-Fuenzalida:
preparada com cérebro de camondongos de 2-3 dias (suspensão a 1,5%), infectados com vírus fixo (cepa Pasteur), recolhidos por aspiração após quatro dias e inativados com raios ultravioleta ou com B - propiolactona.

Além destas, que são vacinas mortas, utilizam-se ainda, sobretudo para a vacinação de animais, vacinas preparadas com vírus vivos atenuados, com os vírus Flury, de baixa e alta passagem (LEP e HEP), oobtidos por inoculação repetida no ovo embrionado e o vírus ERA, atenuado por passagens sucessivas em células renais de hamster a células renais de porco.

A tabela 1 resume as características principais dos diferentes tipos de vacina anti-rábica utilizados presentemente em medicina humana e em veterinária.

Dados sobre vacinas anti-rábicas

Autor (es) Ano Tecido Estado do Vírus Uso Fator encefalitogênico
Pasteur 1885 Medula de coelho vírus fixo morto ou atenuado humano +
Fermi 1908 Cérebro de coelho vírus fixo morto humano +
Semple 1911 Cérebro de coelho vírus fixo morto humano +
Koprowski e Cox 1948 Embrião de galinha vírus fixo, Flury LEP e HEP cão, boi -
Palácios e Fuenzalida 1955 Cérebro de camundongo lactente vírus morto humano, cão +, -
Peck 1957 embrião de pato vírus morto humano -
Albelseth 1964 Células renais de porco vírus vivo, ERA cão, boi -
Wiktor e Koprowski 1965 Células diplódes humanas (Wi-38) vírus vivo, Flury HEP experimental -

PROVAS DE CONTROLE DA VACINA

A vacina anti-rábica deve ser submetida a provas rigorosas de controle, não somente quanto à sua inocuidade (ausência de vírus residual nas vacinas mortas, verificação do grau de virulência das vacinas vivas), como também com relação sua eficácia.

Esta última verificação é feita por testes de proteção em camundongo, dos quais o mais utilizado é o teste de Habel.

Camondongos de 4-5 semanas (11-14 g) são vacinados mediante a injeção intraperitoneal de 6 doses adequadas de vacina, com 2 dias de intervalo; 14 dias após a última injeção, os animais vacinados, ao mesmo tempo que um lote controle não-vacinado, são injetados, pela via intracerebral, com uma dose apropriada de um vírus de prova estândar. Os animais são observados durante 14 dias e as doses correspondentes mortalidade de 50% são determinadas, no(s) grupo(s) e no grupo controle, pelo método de Reed e Muench. A relação entre os dois valores representa o poder protetor da vacina.

SORO ANTI-RÁBICO

O soro anti-rábico passou a ser utilizado na imunoprevenção da raiva após importante observação feita em 1955 por Baltazard e Bahmanyar no Irã, em indivíduos com mordeduras graves, inclusive na cabeça, por um lobo raivoso.

Os 27 indivíduos mordidos foram divididos em três grupos de casos semelhantes. Os 9 indivíduos de cada grupo receberam tratamento estândar com vacina, porém os do grupo L não receberam soro, ao passo que os dos grupos II e III receberam, respectivamente, 1 ou 2 doses de soro juntamente com a primeira dose de vacina. Houve 4 mortes no grupo, mas o seu custo elevado tem impedido o seu uso rotineiro.

VACINAÇÃO DOS CÃES

A vacinação preventiva do cão, medida essencial à profilaxia da raiva urbana, pode ser feita com vacinas mortas (glicerofenicadas ou do tipo Fuenzalida), porém dá-se preferência às vacinas vivas (HEP, LEP, ERA) pelo fato de conferirem imunidade por período mais longo (2 e até 3 anos, ao invés de 6 meses), de modo a dispensar revacinações anuais.

Somente cães acima de 3 meses devem ser vacinados, pois animais de menor idade se imunizam mal e podem infectar-se com vacinas vivas, sobretudo quando se usa o vírus LEP.

A vacina mais comumente utilizada no cão é a vacina HEP, em dose única, pela via intramuscular (duração da imunidade: 2 anos).

No gato usar-se-á também a vacina HEP, porém em dose igual à metade da dose imunizante para o cão: 1 ml, ao invés de 2 ml.

IMUNOPREVENÇÃO DA RAIVA HUMANA

Na imunoprevenção da raiva humana, cumpre considerar:

a) a vacinação profilática pré-exposição;
b) a imunização preventiva pós-exposição.

VACINAÇÃO PROFILÁTICA

Reservada apenas a certos grupos profissionais expostos ao risco de contágio,como veterinários, trabalhadores de canis, laçadores de cães, pessoal de laboratório em que se manipule o vírus rábico, etc. É feita no Brasil com 3 doses de vacina do tipo Palacios- Fuenzalidas, a intervalos de 7 dias, mais 1 dose de reforço 3o dias após a terceira dose.

Convém dosar os anticorpos neutralizantes no soro dos vacinados, a fim de comprovar se houve resposta imune satisfatória.

IMUNIZAÇÃO PÓS-EXPOSIÇÃO

A imunoprevenção da raiva humana após a mordedura foi instituída em 1885 por Pasteur com base num esquema intensivo capaz de estabelecer uma competição entre o vírus fixo contido na vacina e o vírus de rua a que o indivíduo fora exposto. Consistia em 14-21 injeções administradas em dias consecutivos de vacinas preparadas a partir da medula de coelho com graus decrescentes de atenuação. Posteriormente foi este esquema substituído pelo uso de vacinas fenicadas do tipo Fermi-semple e hoje utiliza-se no Brasil exclusivamente a vacina de Palacios-Fuenzalida, associada ao soro anti-rábico nos casos graves. A série imunizante completa, de acordo com a norma adotada em 1981 pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, compreende 7 doses de vacina administrativas em dias consecutivos, seguidas de 3 doses de reforço aos 10, 20 e 30 dias. após a sétima dose.

ORIENTAÇÃO DO TRATAMENTO ANTI-RÁBICO

A tabela 2 resume a orientação do tratamento anti-rábico adotada oficialmente pelo Estado de São Paulo. Esta orientação acompanha de perto as recomendaçÕes feitas em 1966 por um Grupo de Peritos da Organização Mundial da Saúde, exceto no que se refere à administração de soro no caso de mordeduras graves, que é postergada até o quinto dia quando o animal agressor for clinicamente sadio. Esta conduta resulta numa redução considerável do número de injeções de soro e tem a vantagem de evitar a incômoda doença sérica que ocorre com frequência nos pacientes injetados com volumes elevados (2o ml ou mais) de soro heterólogo, como são requeridos para a imunoprevenção da raiva. Usando-se, porém, gamaglobulina homóloga tais reações praticamente não ocorrem e, nestas circunstâncias, parece-nos preferível o esquema OMS, que preconiza a administração do soro já no primeiro dia de tratamento.

ACIDENTES PÓS-VACINAIS

A vacinação anti-rábica pós exposição, em virtude das injeções repetidas que exige, pode conduzir a um estado de hipersensibilidade à substância nervosa contida na vacina e determinar o aparecimento de sintomas neurológicos.

Com as vacinas do tipo Semple estes acidentes ocorreriam na proporção de cerca de 1:9000 e envolviam o sistema nervoso central, conduzindo ao desenvolvimento de uma encefalite auto-alérgica experimental. A vacina de Palacios-Fuenzalida, preparada com cérebro de camondongos de 2-3 dias, que ainda não contém o fator encefólitogênico, produz tais acidentes com frequência cerca de 3 vezes menor e com envolvimento, sobretudo, do sistema nervoso periférico (síndrome de Guillain-Barré).

Ocasionalmente, observaram-se acidentes com vacinas "mortas"que ainda continham vírus fixo vivo, como aconteceu em Fortaleza (Ceará), em 1962, onde morreram 18 de 60 pessoas inoculadas com uma vacina do tipo Semple insuficientemente inativada.

Reações locais (empastamento doloroso, prurido, eritema) são observados com relativa frequência no decurso do tratamento anti-rábico, porém raramente obrigam a sua interrupção.

EFICÁCIA DA IMUNOPREVENÇÃO

A eficácia do tratamento anti-rábico é atestada pela baixa incidência da doença nos indivíduos tratados.

Embora não possa haver comparação rigorosa com um grupo controle não vacinado, há dados indicadores da eficácia da vacinação, os decorrentes de um estudo que inclui 734 pessoas mordidas por cães comprovadamente raivoso: de 581 indivíduos que se submeteram ao tratamento completo, apenas 8 morreram de raiva, ao passo que de 153 que recusaram o tratamento, 50% veio a sucumbir à infecção.

Orientação para o tratamento preventivo da raiva humana

Natureza da exposição / Condição do animal agressor Clinicamente sadio -Clinicamente raivoso
-Animal selvagem
-Animal que não pode ser submetido a observação
Lambedura em ferimentos da pele, arranhaduras e mordeduras superficiais no tronco, membros superiores e inferiores Observar o animal durante 10 dias: se ele permanecer sadio, encerrar o caso.

Se o animal adoecer ou morrer ou desaparecer durante esse período de observação,aplicar o tratamento: uma dose diária da vacina até completar sete, mais três doses de reforço, sendo a primeira no décimo dia, a segunda no vigésimo dia e a terceira no trigésimo dia após a sétima aplicação.

Iniciar o tratamento com uma dose diária da vacina até completar sete, mais três doses de reforço, sendo a primeira no décimo dia, a segunda no vigésimo dia e a terceira no trigésimo dia após a sétima aplicação.
Mordeduras na cabeça, pescoço e polpas digitais. Mordeduras múltiplas, profundas ou dilacerantes, em qualquer região do corpo. Lambeduras nas mucosas Iniciar o tratamento com uma dose diária da vacina até completar cinco.

Se o animal estiver sadio no quarto dia, interromper o tratamento e continuar a observação até o décimo dia. Permanecendo sadio,encerrar o caso. Se o animal adoecer ou morrer ou desaparecer durante o período de observação, aplicar o soro e completar a vacinação para dez doses mais três de reforço, sendo a primeira no décimo dia,a segunda no vigésimo dia e a terceira no trigésimo dia após a décima aplicação.

Iniciar o tratamento com uma dose de soro e ao mesmo tempo aplicar uma dose diária de vacina até completar dez doses mais três de reforço, sendo a primeira no décimo dia,a segunda no vigésimo dia e a terceira no trigésimo dia após a décima aplicação.
Contato indireto (sem lesão) Não tratar Não tratar

Fonte: www.homeopatiaveterinaria.com.br

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