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Salmonelose

 

Náusea, vômitos, dores (terríveis) abdominais, diarréia, febre e dor de cabeça. Quem já teve uma intoxicação alimentar conhece bem estes sintomas.

Salmonelose:o principal agente causador desta moléstia: a Salmonella Enteritis!

Salmonelose
Salmonella Enteritis

Em 1985, 16.000 pessoas foram contaminadas com salmonella, em 6 diferentes estados norte americanos. Em comum, todas estas pessoas consumiam leite e derivados de uma determinada indústria de Chicago.

Esta foi a maior contaminação em massa, por salmonella, registrada pelo FDA. Os inspetores constataram que, no processo de embalagem do leite, havia uma contaminação do leite pasteurizado com o leite crú.

Em outra situação, 71 pessoas que comeram em uma rede de restaurantes de Maryland foram hospitalizadas: os ovos mexidos estavam contaminados.

A salmonella está presente em quase todos os alimentos: carne, ovos, leite, peixes, camarão, coco, maionese, bolos, sorvetes, gelatina, chocolate, entre outros.

Esta bactéria resiste ao frio (mesmo que o alimento tenha sido congelado, ainda há salmonella!), mas morre durante o cozimento. Os alimentos crús, portanto, são os maiores focos de contaminação por salmonella.

Bastam cerca de 30 células de salmonella para desencadear uma salmonellose. A doença persiste, em geral, por um período entre 2 e 4 dias. As possíveis complicações incluem a desidratação por perda excessiva de líquido e a infecção de outros órgãos, como os rins, pulmões e sistema linfático.

Salmonella

As salmonellas são bactérias membros da família Enterobacteriaceae, que são seres anaeróbicos, capazes de viver no trato intestinal. As salmonellas tem a habilidade de se ligarem a sítios receptores na superfície das células epiteliais ou, ainda, a habilidade de entrar na célula epitelial, e viver como um parasita intracelular.

Salmonelose
Salmonella Epitélio

A penetração e passagem da salmonella para as células epiteliais provoca um processo inflamatório do intestino; há evidências de que uma enterotoxina (substância tóxica para o trato intestinal) seja produzida, causando vômitos, diarréia, etc.

Como tratar?

Paciência. Este é o primeiro remédio... A pessoa doente é um agente contaminante - cuidados devem ser tomados, para se evitar o contágio. Na maioria dos casos, não é necessário nenhum medicamento. Em alguns casos mais sérios, os médicos podem receitar fármacos antidiarréia, antibióticos contra a infecção, e soro intravenoso, para remediar a desidratação.

O que fazer?

Permaneça na cama - exceto nas viagens ao banheiro! Em cerca de 3 dias, a diarréia, febre e outros sintomas irão desaparecer. Mesmo na cama, exercite os músculos das pernas, para evitar a formação de coágulos.

O que comer?

Nos primeiros dias é melhor não comer nada - apenas uma reposição eletrolítica, como, por exemplo, Gatorade. Se você tiver fome, evite ingerir gorduras ou proteínas - estas moléculas tem processo de digestão mais difícil, exigindo mais de seu já enfraquecido estômago. Dê preferência a fibras e carboidratos (que tal arroz com alface?).

Não se preocupe: poucas pessoas pensam em comida durante uma salmonellose...

Como previnir?

A principal arma contra a salmonella é a higiene. Carnes e ovos devem estar bem cozidos. Procure conhecer as práticas de higiene adotadas antes de comer em um determinado estabelecimento.

Fonte: www.qmc.ufsc.br

Salmonelose

O que é Salmonella?

Salmonella corresponde a um gênero de microrganismos em forma de bastão, Gram-negativo, não formador de esporos.

Causam doenças infecciosas no homem e nos animais e atualmente já são conhecidos mais de 2600 sorotipos de Salmonella.

As salmonelas causam três tipos de síndrome:

A febre tifóide, causada por Salmonella Typhi

As febres paratíficas, causadas por Salmonella Paratyphi A, B e C

As gastroenterites, ou salmoneloses, causadas por uma ampla variedade de sorotipos.

Os sorotipos Typhimurium e Enteritidis são os mais frequentemente envolvidos nos casos em humanos.

O que são as febres tifóide e paratifóide?

A febre tifóide caracteriza-se por febre, dor de cabeça, diarréia, dor abdominal, podendo produzir ainda danos respiratórios, hepáticos, esplênicos e/ou neurológicos. As febres paratíficas (A, B e C) são semelhantes à febre tifóide.

O que é a gastroenterite por Salmonella (ou salmonelose)?

Trata-se de uma doença infecciosa que se caracteriza por diarréia, febre e cólicas abdominais, que aparecem 12 a 72 horas após a infecção.

A doença dura de 4 a 7 dias, e a maioria das pessoas infectadas se recupera sem qualquer tratamento.

Entretanto, a diarréia pode ser muito grave em idosos, crianças e pessoas com o sistema imunológico comprometido, necessitando hospitalização.

Nesses pacientes a infecção por Salmonella pode atingir a corrente sanguínea e através do sangue atingir outros locais, causando a morte se não houver tratamento imediato com antibióticos.

Se o hospedeiro é uma criança no primeiro ano de vida, particularmente recém-nascido, podem ocorrer complicações sérias, como meningites.

No adulto, diversas doenças pré-existentes, como esquistossomose, anemia falciforme e malária, modificam o quadro clínico da salmonelose, podendo ocorrer bacteremia, febre de evolução prolongada, anemia e esplenomegalia.

Como se adquire a salmonelose?

Salmonella vive no trato intestinal de humanos e alguns animais, principalmente aves.

A transmissão ao homem se dá através de alimentos contaminados com fezes, principalmente os de origem animal, como carne bovina e de aves, leite e ovos, mas todos os tipos de alimentos, inclusive vegetais, podem estar contaminados.

O sorotipo Enteritidis é veiculado pelos ovos e seus derivados, pois esse sorotipo infecta os ovários de aves aparentemente sadias e contamina os ovos antes da casca ser formada. Os alimentos podem contaminar-se também através das mãos sujas de manipuladores que não adotam práticas de higiene adequadas após o uso do banheiro. Salmonella pode ser encontrada também nas fezes de animais domésticos, especialmente quando estão com diarréia, e as pessoas podem infectar-se se não lavarem as mãos após contacto com essas fezes.

Os répteis têm grande probabilidade de conter Salmonella e todos, principalmente crianças, devem sempre lavar bem as mãos após o contato com esses animais, mesmo que saudáveis.

É importante ressaltar que pessoas que tiveram infecção por Salmonella e se curaram podem eliminar o microrganismo pelas suas fezes mesmo quando não apresentam nenhum sintoma. Esses portadores assintomáticos transformam-se em perigosa fonte de contaminação da água e dos alimentos.

A salmonelose pode ter conseqüências?

As pessoas com diarréia recuperam-se completamente, embora possa levar vários meses até que o funcionamento do intestino fique normal.

Entretanto, uma parcela dos doentes pode apresentar a síndrome de Reiter, caracterizada por dores nas juntas, irritação nos olhos e dor ao urinar. Esses sintomas podem durar meses, podendo se transformar em artrite crônica de difícil tratamento.

O uso de antibióticos para tratar a salmonelose não interfere no desenvolvimento da síndrome de Reiter.

A salmonelose pode ser prevenida?

Não há vacina para prevenir a salmonelose.

Considerando que os alimentos de origem animal são a principal fonte de contaminação, é importante não consumir certos alimentos crus ou mal cozidos, como ovos, carne bovina e de aves.

Ovos crus podem fazer parte da composição de certos alimentos, como maioneses caseiras, sorvetes caseiros, molhos para salada, massas para bolo, etc.

Carne bovina e de aves, inclusive hambúrgueres, devem ser bem cozidos, não devendo apresentar coloração rosa no interior.

Leite não pasteurizado, inclusive derivados preparados com esse tipo de leite, não devem ser consumidos.

Hortaliças e vegetais devem ser muito bem lavados antes do consumo.

A contaminação cruzada de alimentos deve ser evitada.

Carnes cruas devem ser mantidas longe de produtos prontos para consumo.

Mãos, tábuas de cortar, balcões, facas e outros utensílios devem ser bem lavados antes e após o uso.

Pessoas com salmonelose jamais devem manipular alimentos ou água para beber.

Como as salmoneloses são diagnosticadas?

Muitos microrganismos diferentes podem causar diarréia, febre e cólicas abdominais, por isso a identificação correta do microrganismo causador depende de testes de laboratório para detectar sua presença nas fezes das pessoas doentes.

Esses testes nem sempre são realizados de forma rotineira, por isso é necessário que o médico especifique no pedido de exame que esse microrganismo deva ser investigado.

Uma vez identificado, são necessários testes complementares para detectar o tipo da Salmonella e também quais os antibióticos que devem ser usados no tratamento.

Como as salmoneloses podem ser tratadas?

As salmoneloses duram, em média, 5 a 7 dias, e necessitam de tratamento quando o doente tem desidratação severa ou quando a infecção é extra-intestinal.

Pessoas com diarréia grave precisam de reidratação, às vezes intravenosa.

De modo geral, as salmoneloses não devem ser tratadas com antibióticos, pois esse procedimento pode prolongar o período de excreção do microrganismo pelas fezes.

É importante destacar que algumas Salmonella já são resistentes a diversos antibióticos, principalmente porque essas drogas são adicionadas às rações para animais.

Fonte: www.sfdk.com.br

Salmonelose

O que é salmonela?

Salmonela é uma bactéria que pode provocar diversas doenças gastrintestinais graves. A quantidade de bactérias ingeridas determina se a doença vai ou não se manifestar.

A salmonela está sempre presente nos ovos?

Felizmente, é raro encontrar salmonela nos ovos. Se a galinha estiver contaminada e excretar a salmonela, os germes podem penetrar no ovo através da casca contaminada. Mesmo assim, pouquíssimas bactérias contaminarão o ovo propriamente dito. Quanto mais fresco o ovo, menores as chances de proliferação das bactérias.

Em temperaturas inferiores a seis graus centígrados, as bactérias dificilmente se multiplicam, mas em temperatura ambiente, elas se reproduzem rapidamente. Uma vez presentes, esses hóspedes indesejados sobrevivem intactos à refrigeração ou até ao congelamento. A única forma de destruí-los é submetê-los a temperaturas superiores a setenta graus centígrados.

Como se proteger da salmonela

Nunca guarde os ovos para depois. Compre sempre ovos frescos e consuma-os rapidamente.

Ao comprar ovos de galinha, guarde-os imediatamente na geladeira.

Em pratos que levam ovos crus (por exemplo, tiramisú, zabaglione), use apenas ovos muito frescos. Não guarde as sobras.

Cozinhe os ovos colocando-os diretamente na água fervendo e mantendo-os em fogo brando durante pelo menos cinco minutos.

Após a data preferencial de consumo, certifique-se de que os ovos foram muito bem cozidos antes de comê-los.

Ovos com a casca danificada devem ser muito bem cozidos e consumidos imediatamente.

Na geladeira, conserve os ovos sempre longe de saladas e vegetais.

Lave as mãos regularmente ao manusear alimentos.

Fonte: www.yellow-egg.com

Salmonelose

O que é a Salmonelose?

Salmonelose é um tipo de gastro (gastroenterite) causada pelo germe (bactéria) Salmonela.

A Salmonelose pode afetar qualquer pessoa, porém ela é mais comum em crianças com menos de 5 anos de idade e em jovens adultos.

Os sintomas são mais graves nos idosos e em pessoas com outros problemas de saúde.

Quais são os sintomas da Salmonelose?

Os sintomas mais comuns da Salmonelose sãodiarréia (que poderá conter sangue ou muco), febre, cãibras estomacais, náusea, vómitos edores de cabeça.

Depois de a bactéria ser ingerida pela boca, leva normalmente entre 12 a 36 horas para você ficar doente.

A doença normalmente dura alguns dias, mas a bactéria Salmonela poderá estar presente nas fezes por várias semanas ou mais.

Onde encontra-se a Salmonela?

A bacteria Salmonela é encontrada em seres humanos e em animais selvagens e de criação em quintas, fazendas, em animais de estimação ou em aves, particularmente nas galinhas.

Como é transmitida a Salmonelose?

A Salmonelose ocorre se a bactéria Salmonelose for ingerida pela boca, o que pode acontecer em qualquer das seguintes maneiras:

Cozimento Inadequado

A bactéria Salmonela está freqüentemente presente nas carnes cruas, particularmente nas carnes de aves. Se, ao ser preparada para o consumo humano, a carne não for cozida adequadamente, a bactéria poderá sobreviver einfectar quem comer a carne.

Inter-Contaminação

Inter-contaminação é a passagem da bactéria de algo que já esteja contaminado para algo que ainda não está.

A Salmonela pode ser transmitida se alimentos crus que estejam contaminadas com a bactéria contaminem alimentos prontos para comer.

Comidas cruas devem ser sempre tratadas comose estivessem contaminadas e portantomanuseadas e armazenadas separadamentedaquelas já cozidas ou prontas para comer.

Contaminação de Pessoa para Pessoa

Se uma pessoa com Salmonelose não lavar bem as mãos após ir à casa de banhos, as mãos contaminadas poderão espalhar a bactéria a superfícies e objetos que poderão ser tocados por outra pessoa. Mãos contaminadas também podem transmitir a bactéria a alimentos que serão comidos por outras pessoas.As mãos também podem contaminar-se com a bactéria ao trocar-se as fraudas de um bebê infectado.

Pessoas e animais podem portar a Salmonela em suas fezes sem apresentar nenhum sintoma e podem transmitir a doença para outros.

Animais de estimação ou de criação em quintas (fazendas) e a água potável contaminada também podem transmitir a bactéria Salmonela.

Eu penso que devo ter Salmonelose

O Que Devo Fazer?

Se tiver sintomas da infecção Salmonelose, aviseo seu médico imediatamente.

Posso Continuar a Trabalhar?

Pessoas que manuseiam alimentos, cuidam de crianças ou trabalhadores sanitários com Salmonelose não devem trabalhar até desaparecerem os sintomas.

Crianças não devem ir a creches, jardins dainfância ou escolas até desaparecerem ossintomas

O que posso fazer para não Contaminar minha Família?

É muito importante que pessoas com a Salmonelose ou gastroenterite não cozinhem ou manuseiem alimentos que serão comidos por outras pessoas e que ninguém use as suas toalhase esponjas.

O Que Posso Fazer Para Não Pegar a Salmonelose?

Lavar as mãos Cuidadosamente

Toda a gente deve lavar bem as mãos com sabão e água quente e corrente por pelo menos dez segundos:

Antes de cozinhar
Antes de manusear alimentos crus ou prontospara comer
Antes de comer
Depois de ir à casa de banhos ou trocarfraudas
Depois de fumar
Depois de usar um lenço de papel ou de pano
Depois de trabalhar no jardim
Depois de brincar com os animais deestimação.

Pessoas que manuseiam alimentos devem usar toalhas de papel descartáveis ou secador a arpara enxugar as mãos.

Armazenar e Manusear Alimentos com Cuidado

Não manuseie alimentos cozidos com osmesmos utensílios (tenazes, facas, tábuas)utilizados com alimentos crus, a menos que eles tenham sido lavados cuidadosamente após o uso.

Mantenha todas as superfícies e utensílios dacozinha limpos.

Descongele alimentos colocando-os nasprateleiras mais baixas do refrigerador ouusando um forno de micro-ondas.

Cozinhe bem todos os alimentos crus.

Coloque alimentos cozidos no refrige-radordentro de uma hora após o cozimento.

Refrigere alimentos crus abaixo dos alimentoscozidos ou prontos para comer para evitar ainter-contaminação.

Mantenha os alimentos abaixo dos 5°C ouacima dos 60°C para evitar o crescimento debactérias.

Lave cuidadosamente as verduras e legumescrus antes de comê-los.• Re-aqueça os alimentos até que eles atinjam a temperatura interna de pelo menos 60°C.

Proteja os alimentos contra insetos, roedores eoutros animais.

Observação para Usuários de Fornos de Micro-Ondas

Se utilizar um forno de micro-ondas, leia cuidadosamente as intruções do fabricante eobedeça o tempo de espera após o desligamento para se certificar que os alimentos estão completamente cozidos antes de comê-los.

Limpeza da Casa

Casas de banho e latrinas devem ser limpos freqüentemente para evitar a transmissão de bactérias. Tome cuidado especialmente comsuperfícies tais como o assento e a descarga dalatrina, torneiras e mesas de trocar fraudas.

Água Não Tratada

Água sem tratamento proveniente diretamentede lagos ou rios pode estar contaminada e deveser fervida antes do consumo.

Fonte: www.health.vic.gov.au

Salmonelose

SALMONELLA

Salmonella é um gênero de importância muito grande, envolvido em processos tóxicos e infecciosos.

Existe 2.200 tipos.

Tem predileção por hospedeiros, porém algumas espécies não apresentam predileção. Bastante virulenta. Altamente patogênica. Tem enorme facilidade de se relacionar com o organismo do animal. Afeta o sistema digestório.

O gênero Salmonella recebeu esse nome em homenagem ao bacteriologista veterinário D.E. Salmon. Salmon & Smith isolaram, em 1884, microrganismos posteriormente denominados Salmonella cholerae suis.

Gartner descobriu em 1888, a S. enteridis; Loefler em 1889, a S. typhi-murium.Todos são membros da família Enterobacteriaceae.

As salmonelas distribuem-se por todo o mundo.

A multiplicação do agente fora do organismo é facilitada pelas altas temperaturas e pelos materiais protéicos (por exemplo, águas residuais). Portanto, os pontos chaves dos contágios por salmonelas são as regiões tropicais e subtropicais, assim como os lugares com grande concentrações de animais e de pessoas.

Levantamentos epidemiológicos realizados em vários países situam as salmonelas entre os agentes patogênicos mais freqüentemente encontrados em surtos de toxinfecção de origem alimentar, tanto em países desenvolvidos, como em desenvolvimento e os produtos de laticínios são ainda um dos mais importantes veículos de transmissão de Salmonella spp.

No que diz respeito aos riscos a saúde temos que nos países em desenvolvimento, as diarréias agudas causadas por água ou alimentos contaminados, constituem a principal síndrome das febres tifóide, paratifóide e das salmoneloses, que têm sido responsáveis por elevada taxa de mortalidade e morbidade infantil.

Em seres humanos, a febre tifóide é a forma clássica de salmonelose, e permanece ainda hoje como um grande problema de saúde mundial. A apresentação mais branda da salmonelose em seres humanos é a intoxicação alimentar resultante da ingestão de alimentos contaminados. Em animais, as infecções são freqüentemente conhecidas como paratifóides. Então a salmonelose é uma doença bacteriana que afeta todas as espécies animais, mas, com maior freqüência, bovinos, eqüinos e suínos. É uma zoonose, e animais infectados servem de reservatório para a infecção em humanos.

As aves acometidas por salmonelas paratíficas podem desenvolver a doença clinicamente ou de forma assintomática, albergar esses agentes, tornando-se fonte em potencial de salmonelose para seres humanos.

Devido à expansão nos últimos anos, do mercado de animais exóticos como "pets", centenas de tartarugas são comercializadas em grandes centros como a cidade de São Paulo. Não existe, entretanto, até o momento, controle de sanidade destes animais quanto ao seu potencial zoonótico.

É importante salientar os prejuízos para a Saúde Pública, representados pela comercialização irresponsável destes répteis, colocando em risco a saúde de pessoas, principalmente as crianças, proprietários dos animais. Os répteis, em geral, são portadores assintomáticos de "Salmonella" spp, manifestando a doença somente em caso de queda de imunidade.

O estresse produzido através do transporte, colocação em novo ambiente, mudança alimentar ou de manejo, ou simples exposição em um "Pet Shop", pode levar à ativação do processo infeccioso latente, com conseqüente eliminação de "Salmonella" pelas fezes, constituindo assim um risco a saúde humana.

ETIOLOGIA

O gênero Salmonella contém centenas de serovares (espécies).

Considera-se principalmente:

Cavalos: S. typhimurium, S. newport, S. heildelberg, S. anatum, S. copenhagen, S. senftenberg, S. agona, S. abortus equi

Bovinos: S. dublin, S. typhimurium, S. anatum, S. newport, S. montevideo.

Ovinos e caprinos: S. abortus ovis, S. montevideo, S. typhimurium, S. dublin, S. arizonae

Suínos: S. cholerae suis, S. typhimurium, S. dublin, S. heidelberg

Cães e gatos: S. typhimurium, S. panama, S. anatum.

Aves domésticas: S. pullorum, S. gallinarum, S. typhimurium, S. agona, S. anatum

Roedores de laboratório: S. enteridis, S. typhimurium

Seres humanos: S. typhi, S. paratyphi-A, S. typhimurium, S. enteridis.

EPIDEMIOLOGIA

O contágio é produzido, fundamentalmente pela via oral, embora possam concorrer também as vias aerógena e conjuntival. Em determinadas espécies e tipos animais também são produzidas transmissões intra-uterinas ou transplacentária. Em criações de gado, o contágio verifica-se, freqüentemente, mediante animais infectados. As infecções numa criação podem ser mantidas durante anos.

Vários fatores de estresse (ex. superpopulação, transporte), manejo (ex. más condições sanitárias), estado imunológico ou nutricional e outras doenças intercorrentes influenciam no desenvolvimento da salmonelose.

A taxa de morbidade nos surtos de salmonelose geralmente é alta em suínos, ovinos e bezerros, algumas vezes alcançando 50% ou mais. Em todas as espécies a taxa de mortalidade pode chegar a 100% se o tratamento não for instituído.

A contaminação dos ovos por salmonela se dá, inicialmente e na maioria das vezes, através da casca.

Tempo e temperatura de armazenagem são fatores fundamentais para que as salmonelas passem da superfície da casca para as estruturas internas do ovo (Staldeman, 1986; Silva, 1995). A desinfecção e o resfriamento do ovo logo após a postura são procedimentos adotados em vários países como medidas para reduzir a contaminação e a multiplicação bacteriana (Hammack et al., 1993). Ovos podem também se contaminar via transovariana. Nesse caso, a contaminação está localizada na gema e os processos convencionais de desinfecção dos ovos não são eficientes.

A clara, em geral, apresenta-se com baixa contaminação por salmonelas pois ela contém elementos naturais que dificultam o desenvolvimento bacteriano, como a presença de enzimas antibacterianas (lisozima) e a deficiência em ferro, elemento essencial para a multiplicação bacteriana, p.ex.

Contudo, a manipulação da clara no preparo de determinados pratos pode romper esse equilíbrio e favorecer a multiplicação de salmonelas.

Os casos de toxinfecções alimentares causados por Salmonella aumentaram a partir da década de 80.

Rodrigue et al. (1990) atribuíram esse aumento ao consumo de ovos e subprodutos contaminados por Salmonella Enteritidis. Todavia, a presença de Salmonella em carcaças de frangos não pode ser ignorada.

PATOGENIA

A patogenia está, geralmente, associada a moléstias entéricas. A infecção é adquirida pela ingestão de material contaminado com fezes infectadas de animais clinicamente enfermos ou de animais portadores.

O estado do portador é particularmente importante na manutenção e transmissão da moléstia.

As bactérias aderem aos enterócitos por meio de fímbrias ou pili, e colonizam o intestino delgado. Em seguida os microrganismos penetram nos enterócitos, onde ocorrerá nova multiplicação antes que as bactérias cruzem a lâmina própria e continuem a proliferar, tanto em liberdade como no interior dos macrófagos.

Muitas infecções por Salmonella não progridem para outros locais; contudo, no caso de alguns dos sorovares mais patogênicos, especialmente em animais jovens, os microrganismos são transportados por macrófagos até os linfonodos mesentéricos. Nova multiplicação termina provocando a ocorrência de septicemia, nesse caso com a localização das bactérias em muitos órgãos e tecidos, como o baço, fígado, meninges, cérebro, e juntas.

Assim, a infecção pode variar desde uma leve enterite até a enterite grave e freqüentemente fatal acompanhada de septicemia.

A perda de liquido pela diarréia é importante para a evolução dos sinais clínicos e para o desfecho da infecção.

Aparentemente o mecanismo envolve tanto uma enterotoxina causadora de um aumento da secreção por enterócitos (como no caso do cólera) como a exsorção resultante do processo inflamatório. O aborto pode ocorrer durante a forma entérica ou septicêmica aguda de salmonelose, especialmente em bovinos e, ocasionalmente, na ausência de moléstia óbvia na vaca; contudo, além disso, certas espécies de Salmonella causam aborto na ausência de uma enterite óbvia. Esse é o caso com S. abortus ovis em ovinos e S. abortus equi em cavalos.

SINAIS CLÍNICOS, DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO

A doença é mais satisfatoriamente descrita como três síndromes, classificadas arbitrariamente, de acordo com a gravidade, como septicemia, enterite aguda e enterite crônica.

Septicemia: esta é a forma característica da doença em potros e bezerros recém-nascidos, como também em suínos jovens. Os animais acometidos apresentam depressão profunda, surdez, prostação, febre alta (40,5 a 42º C) e morte em 24 a 48 horas.

Enterite aguda: mais comum em animais adultos de todas as espécies. Há febre alta (40 a 41º C) com diarréia aquosa grave, algumas vezes disenteria e, em alguns casos, tenesmo. A febre pode desaparecer subitamente com o estabelecimento da diarréia. As fezes tem um odor pútrido e contêm muco, sangue às vezes, resto de fibrina, e pedaços da mucosa intestinal. Há completa anorexia, mas em alguns casos a sede aumenta. A freqüência do pulso é rápida, as mucosas apresentam-se congestas e os movimentos respiratórios rápidos e superficiais. As fêmeas prenhes comumente abortam. Em todas as espécies, se desenvolvem desidratação e toxemia graves e o animal perde a condição muito rapidamente, permanece em decúbito e morre em dois a cinco dias.

Enterite crônica: comum em suínos e ocorre ocasionalmente em bovinos e eqüinos adultos. Nos bezerros, há uma diarréia intermitente ou persistente, com eliminação ocasional de estrias de sangue, muco e restos de fibrina firmes, febre intermitente moderada (39º C) e perda de peso conduzindo a emaciação.

O diagnóstico de salmonelose apresenta considerável dificuldade nos animais vivos, em grande parte por causa da variedade de síndromes clínicas que podem ocorrer e das variações da patologia clínica.

A salmonelose pode ser suspeitada pelo quadro clínico, lesões macroscópicas e histopatologia.

No entanto, as lesões não são específicas e o isolamento ou identificação do agente etiológico associado às lesões é necessário para a confirmação do diagnóstico.

A suspeita de salmonelose é baseada, principalmente na presença de esplenomegalia, nos focos necróticos e granulomas que freqüentemente, são observados somente ao estudar os pulmões assim como as alterações inflamatórias da vesícula biliar. Também são significativas as petéquias no fígado e no córtex renal

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Deve ser incluído no diagnóstico diferencial a septicemia por Escherichia coli.

A diferenciação entre as duas necessita de exames bacteriológicos, mas a salmonelose tende a ocorrer em bezerros acima de 2-3 semanas de vida, enquanto a colibacilose é mais freqüente na primeira semana.

Deve ser realizado o diagnóstico diferencial com a yersiniose, que afeta principalmente búfalos mas pode ocorrer em bovinos, causando enterite aguda, fibrinosa ou hemorrágica.

O exame bacteriológico é a única forma de diferenciar as duas enfermidades. Coccidiose intestinal pode, também, assemelhar-se clinicamente à salmonelose bovina. Casos de enterite crônica podem lembrar paratuberculose, intoxicação por molibdênio ou ostertagiose. As lesões de necrópsia, no entanto, distinguem perfeitamente essas doenças de salmonelose.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

O melhor teste diagnóstico para os casos clínicos é a cultura de fezes, mas várias repetições podem ser necessárias.

Devido ao efeito diluente da diarréia, os microrganismos podem não estar presentes nas fezes por até duas semanas após o início da diarréia.

O cultivo de biópsia de reto aumenta as chances de isolamento. As amostras de fezes devem ser colocadas em solução tamponada de glicerina (meio de Teague e Clurman) e enviadas refrigeradas ao laboratório

PREVENÇÃO E CONTROLE

As salmoneloses são a expressão de condições higiênicas deficientes. Estas podem ser relacionadas com a estabulação e a alimentação ou também depender de uma destinação inadequada de excretas, assim como da presença de contaminadores, sobretudo moscas e ratos, mas também da introdução de animais jovens.

Como medidas higiênicas orientadoras são válidas as seguintes:

Compra de animais unicamente das criações livres de salmonelose, cumprindo a quarentena e com mudança de alimentação.
Se possível, adquirir os animais quando estiverem mais velhos, para dar uma oportunidade para o desenvolvimento de imunidade específica e inespecífica. Se estes animais puderem provir de rebanhos vacinados, é muito melhor.
Estabulação em separado das distintas espécies animais e divisão segundo grupos de idade.
Seleção contínua de animais doentes ou suspeitos e também de emagrecidos.
Estabulação isolada dos animais que tenham sobrevivido a salmonelose.
Administração de alimentos livres de salmonelas.
Eliminação constante de restos de alimentos fezes e urina.
Limpeza e desinfecção no período de serviço e estábulo ocupado
Combate efetivo aos contaminadores.
O fornecimento de água deve ser feito em bebedouros sem possibilidade de contaminação fecal.

Como medidas profiláticas específicas estão indicadas a imunização ativa e passiva que, apesar de não conferir nenhuma proteção absolutamente segura, reforçam as demais medidas adotadas.

Há dois tipos de vacina: uma bacterina morta e uma vacina viva atenuada.

Ambas podem ser usadas como vacinas pré-natais para fornecer imunidade passiva ao recém-nascido.

No Brasil existem apenas vacinas inativadas genericamente denominadas “vacinas contra o paratifo”. Preconiza-se como medida profilática vacinar as vacas prenhes oito e duas semanas antes do parto.

A vacinação é repetida no bezerro aos três e seis meses de idade.

TRATAMENTO

O tratamento de animais é controverso por duas razões básicas.

A primeira é que o tratamento só é eficaz no início da doença e a segunda é que o uso de antibióticos aumenta o período no qual o animal elimina a bactéria, prolongando assim o estado portador. O tratamento ainda assim é recomendado para animais de alto valor ou quando o número de doentes possa induzir prejuízos elevados.

O tratamento precoce com antibiótico de amplo espectro e sulfonamida é altamente eficiente na prevenção de mortes e no retorno dos animais às funções normais, o tratamento deve ser precoce, tendo em vista que a demora significa perda da integridade da mucosa intestinal a um ponto em que a recuperação não possa ocorrer.

Para o tratamento específico usa-se o cloranfenicol, ou uma combinação de trimetoprim e sulfadiazina, furazolidona, sulfametilfenazol e neomicina. A ampicilina e a amoxicilina também são recomendadas.

SITUAÇÃO ATUAL DA ENFERMIDADE NO BRASIL

Surtos de salmonelose são descritos esporadicamente no Brasil, mas é possível que a enfermidade seja subdiagnosticada e/ou sub-relatada. No Mato Grosso têm sido diagnosticados casos das formas septicêmica e da forma entérica. Os sorotipos isolados foram S. typhimurium dos casos septicêmicos e S. dublin, S. newport, S. give, S. saint-paul e S. rubis law dos casos da forma entérica. No Rio Grande do Sul, dois surtos foram descritos recentemente, incluindo as formas entérica aguda e crônica, e o sorotipo isolado foi S. dublin.

No Brasil, os surtos por Salmonella enteritidis no homem tem aumentado a partir de 1993 (Silva, 1995; Irino et al., 1996; Taunay et al., 1996; Lirio et al., 1998). Grande parte deles tem sido relacionada com o consumo de ovos ou pratos preparados com ovos (Spackman, 1989; Barrow, 1993; Noorhvizen & Frankena, 1994; Tauxe, 1997). No Brasil, Salmonella enteritidis foi detectada pela primeira vez em galinhas, em 1989, quando a cepa foi isolada de matrizes pesadas jovens que apresentavam sintomas clínicos e mortalidade por salmonelose (Ferreira et al., 1990).

Fonte: www.cca.ufes.br

Salmonelose

A evolução clínica das infecções causadas por Salmonella é habitualmente benigna e associada a uma remissão completa após o uso de antimicrobianos.

Contudo, graves manifestações extra-intestinais podem ocorrer e mais raramente resultar em choque séptico e disfunção orgânica múltipla.(1)

Neste cenário, as taxas de mortalidade são elevadas e há poucas terapias adjuvantes disponíveis para a utilização clínica.(1) Nós relatamos um caso de infecção por Salmonella sp complicada por choque séptico e disfunção orgânica múltipla que foi tratada com antimicrobianos, drotrecogina alfa e corticosteróides sistêmicos.

Caso clínico

Uma paciente de 74 anos deu entrada na emergência do Hospital Barra D’or em 10/03/06 com relato de dor abdominal, vômitos e diarréia. Quanto aos sinais vitais, apresentava pressão arterial de 70x50 mmHg e freqüência cardíaca de 88 bpm. Ao exame físico, apresentava-se desidratada, sonolenta e com dor abdominal difusa à palpação.

Na tomografia computadorizada de abdômen, foi observado espessamento de cólon ascendente e transverso (Figura 1). A paciente encontrava-se muito desidratada.

Os exames laboratoriais da emergência revelaram: hematócrito 47,3%, leucócitos 22.900 (0/0/3/3/15/68/7/4); creatinina = 1,8; u 52; K- 4,2; Na 141; gasometria arterial: ph 7,32; pco2 32; po2 106; HCO3 - 16; BE - 9; lactato-3,2.

Radiografia de tórax: infiltrado pulmonar bilateral. Foi iniciada a administração de ciprofloxacino e metronidazol e a reposição volêmica; houve significativa melhora inicial na hemodinâmica, mas a paciente posteriormente voltou a apresentar hipotensão.

A despeito das medidas, a paciente evoluiu em 48 horas com instabilidade hemodinâmica, insuficiência respiratória aguda (IRA) com injúria pulmonar e insuficiência renal com acidose metabólica importante.

Foram realizadas tomografias de abdômen e tórax (Figura 2), sendo evidenciado síndrome de angústia respiratória aguda (SARA) e melhora evolutiva do abdômen, não mostrando mais ao espessamento de cólon.

Três dias após a entrada no hospital, apresentava disfunção respiratória, cardiovascular, metabólica e renal já encontrando-se euvolêmica e em uso de hidrocortisona há 24 horas, sendo assim iniciada a administração de drotrecogina alfa ativada.

Nesse dia, houve a confirmação da coprocultura: Salmonella sp.

A isso se seguiu melhora metabólica e hemodinâmica significativas em 24 horas. As demais disfunções orgânicas demonstraram recuperação havendo interrupção da diálise em 16/03 e extubação em 20/03 (Figura 3). Parâmetros de inflamação sistêmica tiveram um curso favorável semelhante ao das disfunções orgânicas (Figura 4). Não houve sangramento ou qualquer intercorrência durante a infusão da drotrecogina alfa ativada.

A paciente teve alta da unidade de terapia intensiva no 14º dia com estabilidade clínica e boa capacidade funcional e alta hospitalar na semana seguinte. 

Discussão 

A salmonelose é uma causa rara de infecção grave, contudo, quando isso ocorre pode estar associado à mortalidade elevada em especial nos pacientes idosos e imunocomprometidos.(1)

Na literatura médica, são escassos os relatos de choque séptico e falência orgânica múltipla associados a salmonelose em pacientes imunocompetentes.(1,2,3) Recentemente, o papel da deficiência do receptor de interleucina-12 foi descrito demonstrando o papel da susceptibilidade individual como um fator essencial do hospedeiro para a ocorrência de infecções graves.(1)

A despeito do recente aumento no conhecimento da fisiopatologia das infecções por Salmonella, e das interações entre agentes infecciosos e hospedeiro, não há tratamentos específicos desenvolvidos para esta condição clínica.(1)

Na última década, diversos avanços ocorreram nas áreas de terapia e suporte avançado de vida resultando em redução na morbidade e na mortalidade de pacientes com sepse.(4)

A implementação de ventilação mecânica protetora, controle glicêmico intensivo e diálise diária são medidas de suporte hoje recomendadas para pacientes com infecções graves.(4)

Embora haja controvérsias sobre seu uso disseminado, diversas terapias tem sido recomendadas para pacientes selecionados com choque séptico e disfunção orgânica múltipla tais como uso de corticosteróides em doses baixas e o uso de drotrecogina alfa.(4) Estas terapias podem, em pacientes com choque séptico e disfunção orgânica múltipla, levar a reduções de mortalidade.(4)

Até o presente momento, este relato é pioneiro em demonstrar o uso do chamado “pacote de intervenções da sepse” (ou bundle da sepse) em um paciente com salmonelose grave. A rápida reversão das disfunções orgânicas confirmadas pelo escore SOFA(5) e uma redução rápida da resposta inflamatória sistêmica sinalizada pela queda dos níveis de proteína C reativa são observadas (Figuras 4 e 5).

Sem dúvida tais aspectos podem estar relacionados a uma evolução habitual em resposta a terapia antimicrobiana adequada e esta limitação é um problema intrínseco aos relatos de caso. Contudo, consideramos que nossa observação é original e mantém seu interesse a despeito destas limitações, sobretudo, se considerarmos a raridade do caso e ainda a boa recuperação clínica e funcional da paciente.

Glória A.R. Martins

Marcelo S. Santino

Juan C.R. Verdeal

Jorge I.F. Salluh

Referências bibliográficas 

1- Bhan MK, Bahl R, Bhatnagar S Typhoid and paratyphoid fever (2005) Lancet 366:749-62
2-Mofredj A, Bouffandeau B, Habki R, Baraka D Salmonella infection with multiorgan failure precipitated by trauma (2001) Intensive Care Med 27:950-1.
3-Barros C, Cid M, Castro M, Gonzalez D, Gomez A, Castro A Multi-organ failure in a patient with sepsis due to Salmonella precipitated by liver trauma (2000) Intensive Care Med 26:1709
4- Dellinger RP, Levy MM, Carlet JM, Bion J, Parker MM, Jaeschke R, Reinhart K, Angus DC, Brun-Buisson C, Beale R, Calandra T, Dhainaut JF, Gerlach H, Harvey M, Marini JJ, Marshall J, Ranieri M, Ramsay G, Sevransky J, Thompson BT, Townsend S, Vender JS, Zimmerman JL, Vincent JL. (2008) Surviving Sepsis Campaign: international guidelines for management of severe sepsis and septic shock: 2008.Intensive Care Med. 34(1):17-60
5- Ferreira FL, Bota DP, Bross A, Mélot C, Vincent JL. (2001) Serial evaluation of the SOFA score to predict outcome in critically ill patients. JAMA. 286(14):1754-8.

Fonte: www.medcenter.com

Salmonelose

POR QUE NÃO DEVEMOS COMER OVOS CRUS OU MAL COZIDOS?

A globalização da economia, a mobilização intensa das populações em viagens internacionais e fatores relacionados à própria criação de animais para consumo alimentar, propiciaram a partir dos anos 80, o surgimento e a disseminação em todo mundo de uma nova bactéria, relacionada a ovos e aves, a Salmonella Enteritidis.

O surgimento dessa bactéria vem impondo mudanças drásticas nos hábitos alimentares como forma de reduzir o risco de se adquirir a doença sendo necessária a criação de uma nova consciência sobre o “consumo de alimentos sem risco”.

QUEM É A Salmonella Enteritidis?

Salmonella é um grupo bacteriano que pode causar gastrenterites, encontrada, em geral, em alimentos de origem animal, como carnes, aves, ovos, leite e outros. Salmonella Enteritidis é um dos tipos mais comuns no mundo e é transmitido principalmente por ovos consumidos crus ou mal cozidos. O frango e outras aves, se consumidos mal cozidos, mal fritos ou mal assados também podem transmitir a bactéria.

O QUE CAUSA A Salmonella Enteritidis?

Uma pessoa que se infecta com a bactéria pode apresentar febre, cólicas abdominais e diarréia, de 12 a 72 horas após o consumo do alimento contaminado. A doença dura de 4 a 7 dias, e muitos doentes se recuperam sem a necessidade de tomar antibióticos. Entretanto, quando a diarréia é severa, hospitalização e uso de antibióticos podem ser necessários, além de hidratação venosa e outros cuidados.

 Crianças, gestantes, idosos e imunocomprometidos podem apresentar formas graves da doença, com infecção que pode passar do intestino para a corrente sanguínea ou para outros rgãos do corpo, podendo causar óbito se não tratada prontamente com antibióticos adequados.

Vários estudos mostram que essa bactéria, no mundo, tornou-se resistente a vários antibióticos: no Estado de São Paulo, o Instituto Adolfo Lutz detectou que 65% das cepas são resistentes a antibióticos, em geral a dois tipos de drogas, e algumas das cepas até sete antimicrobianos. Este problema está relacionado ao uso indiscriminado de antibióticos, e especialmente na criação das aves.

A Salmonella Enteritidis É UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA?

A associação entre Salmonelose e consumo de ovos crus ou mal cozidos é inquestionável e reconhecida em todo mundo como um importante problema de saúde pública, incluindo-se o Brasil.

Um estudo feito pelo Centro de Vigilância Epidemiológica – SES/SP com base em notificações de surtos e levantamento de diagnóstico laboratorial, no período de 1999 a 2007, mostra que grande parte dos surtos de diarréia causados por bactéria no Estado de São Paulo é devido à Salmonella spp, sendo que a S. Enteritidis representa 43,2% desses surtos. Em estudos laboratoriais, a partir de testes moleculares observou-se que mais de 70% das Salmonellas spp são Salmonella Enteritidis, mostrando que essa bactéria é a principal responsável pelos surtos bacterianos. 

Investigações epidemiológicas de surtos por SE, em casos que demandaram internação hospitalar mostram a importante gravidade dos casos e a ocorrência de óbitos.

A Salmonella Enteritidis é o principal sorotipo encontrado em surtos associados ao consumo de alimentos preparados à base de ovos crus ou mal cozidos: maioneses caseiras e ovos crus foram causa de 35% dos surtos; no total, 64% dos surtos por Salmonella foram causados por alimento contendo o ingrediente ovo cru ou mal cozido (sanduíches, bolos, doces, etc.). 34% dos surtos têm origem em restaurantes e outros estabelecimentos comerciais e 22% em residências.

A taxa de incidência é alta em crianças de 5 a 9 anos de idade (2,44 casos/100 mil hab.) e no grupo de 10 a 19 anos (2,15 casos/100 mil hab.).

O ovo é um importante alimento protéico que deve constar da dieta alimentar, porém os consumidores devem estar conscientes sobre os riscos de ingestão de ovos crus ou mal cozidos para reduzir a possibilidade de adoecimento.

COMO OS OVOS SE TORNAM CONTAMINADOS?

Estudos mostraram que a S. Enteritidis infecta o ovo não somente através da casca quebrada, mas também silenciosamente os ovários da galinha tornando seus ovos infectados antes mesmo de se formar a casca. 

A grande maioria dos tipos de Salmonella vive no trato de animais e pássaros e é transmitida por alimentos de origem animal. Estudos realizados nos Estados Unidos e Europa mostram que um em cada 20 mil ovos pode estar contaminado, e em algumas de suas regiões, um em cada 10 mil ovos, o que aumenta o risco de se adquirir a doença. Análises de ovos feitas em laboratórios de saúde pública no Brasil mostram que 1,6 ovos em cada 100 podem conter a bactéria, um risco 320 vezes maior.

Medidas rígidas de higiene são necessárias na criação de aves e produção de ovos para se evitar a disseminação da doença. Cuidados com os dejetos dos animais são fundamentais para impedir a contaminação do meio ambiente, das águas dos rios e das plantações de verduras e frutas. A bactéria pode se desenvolver nas células das verduras e frutas e os desinfentantes não atingem a parte interna dos vegetais.

COMO REDUZIR O RISCO DE ADQUIRIR A DOENÇA?

Os ovos são mais seguros quando armazenados em geladeira, pois se evita a multiplicação das bactérias. Não devem ser guardados na porta, pois podem quebrar-se facilmente e contaminar outros alimentos. A embalagem com os ovos ou o próprio suporte para ovos da geladeira podem ser armazenados em uma vasilha de plástico de modo a separar os ovos de outros alimentos guardados na geladeira.

 Os ovos devem ser consumidos sempre bem cozidos ou fritos e prontamente. O cozimento total dos ovos destrói as bactérias. Ovos com gema mole, mal cozidos ou mal fritos são de alto risco para se adquirir a doença. Não utilizar clara crua em coberturas de bolos, doces ou outros pratos que serão servidos sem cozimento prévio. Não utilizar gemas cruas no preparo de maioneses e outros alimentos que serão servidos sem cozimento prévio. Há várias alternativas de preparo dos alimentos com ovos para que sejam seguros.

Restaurantes e outros estabelecimentos comerciais devem utilizar ovos em pó ou líquido, pasteurizados em preparações sem cocção. A Portaria CVS/SES-SP No. 6/99, de 10 de março de 1999 proíbe a utilização de ovos crus em estabelecimentos comerciais no Estado de São Paulo.

REGRAS BÁSICAS PARA PREVENÇÃO E CONTROLE

Procure adquirir ovos de estabelecimentos comerciais que armazenam os ovos em prateleiras refrigeradas. Ajude a conscientizar os produtores e vendedores de ovos a refrigerar os ovos desde a produção até sua comercialização. A dona de casa já sabe que é preciso manter os ovos na geladeira. Como todo alimento perecível os ovos devem ser mantidos na geladeira.

 Descarte ovos quebrados ou sujos. Lave bem as mãos, utensílios e superfícies da pia, com água e sabão, depois do contato com ovos crus. Não contamine os outros alimentos com resíduos de ovos crus na pia, panelas, liquidificador, etc..

Coma os ovos bem cozidos (gema e claras duras/firmes). Sempre guarde na geladeira as sobras de alimentos feitos com ovos e procure consumi-las o mais prontamente possível. Evite comer pratos à base de ovos crus como determinados sorvetes artesanais ou caseiros, mousses, coberturas de bolo, maionese caseira, molhos, etc.. Alimentos comerciais devem ser preparados com ovos pasteurizados. Denuncie à Vigilância Sanitária de seu município os estabelecimentos comerciais (restaurantes, padarias, bufês, lanchonetes, comida de rua, etc.) que preparam pratos à base de ovos crus ou mal cozidos. Informe à Vigilância Sanitária os culinaristas que ainda passam receitas de alimentos a base de ovos crus que serão servidos sem cocção prévia.

O QUE É AINDA NECESSÁRIO PARA CONSCIENTIZAR AS PESSOAS SOBRE COMO CONSUMIR OVOS SEGUROS

Medidas educativas:

São várias as estratégias adotadas para conscientizar o consumidor sobre os cuidados com produtos de origem animal. Folhetos e cartilhas, ainda que muito úteis, não atingem largas parcelas da população e de maneira continuada.

A mídia pode desempenhar papel importante adotando o tema como necessidade de conscientização e divulgar os cuidados com os ovos de forma permanente.

Na TV ou imprensa escrita os culinaristas devem passar suas receitas com ovos destacando a necessidade de cuidados com os mesmos e fornecendo as alternativas para preparação segura de suas receitas. 

Fonte: www.cve.saude.sp.gov.b

Salmonelose

As salmonelas são bactérias Gram-negativas e constituem um gênero extremamente heterogêneo, composto por duas espécies, Salmonella bongori e S. enterica, essa última possuindo quase 2000 sorotipos.

Dentre os de maior importância para a saúde humana destacam-se Salmonella enterica sorotipo Typhi (S. typhi), que causa infecções sistêmicas e febre tifóide – doença endêmica em muitos países em desenvolvimento – e Salmonella enterica sorotipo Typhimurium (S. typhimurium), um dos agentes causadores das gastroenterites.

Salmonelose
Salmonella typhimurium - Bactéria do gênero Salmonella vista por microscopia eletrônica

Por ser um patógeno intracelular, S. enterica tem sido um dos organismos preferidos pelos microbiologistas moleculares para identificar e elucidar fatores de virulência bacterianos. Nos últimos anos, acumulam-se informações sobre os mecanismos de interação e patogenia da Salmonella com as células hospedeiras.

Esse conhecimento se deve principalmente à grande similaridade dessa bactéria com a Escherichia coli, permitindo a utilização de instrumentos e técnicas em genética já desenvolvidos e conhecidos.

Muitos trabalhos já comprovaram a habilidade de linhagens vivas atenuadas de Salmonella em induzir potente resposta imunológica, celular e humoral, após vacinação. Além disso, já foram estabelecidos alguns sistemas eficientes para a produção heteróloga de proteínas em Salmonella. Isto torna particularmente atrativo o uso dessas bactérias como sistemas de administração de antígenos de diversos patógenos como vírus, bactérias e parasitos, proporcionando uma base para o desenvolvimento de novas vacinas.

Fonte: www.icb.ufmg.br

Salmonelose

A salmonelose clínica por Salmonella cholerasuis é rara nos rebanhos tecnificados do Brasil.

Entretanto, os suínos se infectam com uma variedade de sorovares, que não causam a doença clínica, mas podem ser importantes fontes de contaminação para os produtos finais.

A prevalência destes sorovares nos suínos de abate é maior que 50% e as sorovares mais freqüentes são a typhimurium, Agona, Derbey, Bredney e Panamá. A S. typhimurium é a segunda mais importante nas infecções alimentares em humanos. Isto enfatiza a necessidade e importância de implementar programas de controle, tanto nas unidades produtoras como no transporte, abate e interior dos abatedouros. 

Importância

A demanda por alimentos seguros têm sido um processo crescente no mercado. A ausência de microrganismos patogênicos, principalmente aqueles causadores de zoonoses, nos produtos de origem animal é uma exigência de regulamentos nacionais e internacionais.

Entre esses microrganismos, a Salmonella tem sido uma preocupação, ao longo dos anos, na indústria de produtos avícolas e vem ganhando importância também na cadeia de produção de suínos.  

A partir da crescente ênfase na segurança de produtos cárneos que chegam ao consumidor, tem-se estimulado a identificação de meios para reduzir ou eliminar Salmonella sp. antes do abate, uma vez que a redução das taxas de infecção pré-abate resulta em aumento na segurança dos produtos suínos (FUNK et al., 2001).  

Além da sua importância em saúde pública e o impacto sobre o comércio, verifica-se que, embora não sendo importante causa de doença clínica nos rebanhos, a Salmonella pode levar a perdas econômicas também na granja.

Dados indicam que a Salmonella pode aumentar o custo de produção devido, principalmente, ao aumento do tempo até a venda e ao consumo excessivo de ração. Desta forma, grupos de suínos com uma soroprevalência tida de baixo risco têm sido apontados como de melhor eficiência de produção do que grupos de moderado ou alto risco epidemiológico (GORTON et al., 1999). 

Patogenia no Suíno

Em geral essa bactéria não causa manifestações clínicas em suínos, sendo poucos sorovares, como o Choleraesuis e o Typhimurium, os que constituem causa significativa de doença. Nos suínos, a forma clínica da doença pode se manifestar como uma septicemia aguda ou como uma enterocolite aguda ou crônica (SOBESTIANSKY et al., 1999).

No Rio Grande do Sul, existem registros de formas entéricas e septicêmicas (BARCELLOS et al., 1984), o que ocorre também em outras áreas do Brasil e do mundo.

Suínos que sobrevivem à septicemia aguda podem desenvolver sinais clínicos devido às lesões localizadas, como pneumonia, hepatite, enterocolite e, ocasionalmente, meningoencefalite.

Animais com enterocolite podem vir a desenvolver um definhamento crônico. Os suínos podem recuperar-se totalmente, mas alguns poderão permanecer como portadores e excretores intermitentes por meses (SCHWARTZ, 2000).

Por outro lado, são os sorovares que não causam doença clínica no suíno os que têm maior importância para a segurança alimentar, uma vez que o animal portador não apresenta sintomas, mas é uma fonte permanente de contaminação desde a granja até o processamento industrial.

Epidemiologia

Os sorovares de Salmonella sp. importantes para a segurança alimentar estão associados a um grande número de hospedeiros, tornando importante a disseminação da infecção entre diferentes espécies.

A introdução e subseqüente transmissão da infecção dentro do rebanho e entre rebanhos são os fatores mais importantes na cadeia epidemiológica de Salmonella em suínos (LO FO WONG et al., 2002).

Isto indica que o contato entre animais provenientes de diferentes granjas, desde o agrupamento dos animais até o abate e resfriamento de carcaças, é a chave para a introdução e disseminação de Salmonella na cadeia de produção, já que uma granja com uma alta prevalência de Salmonella pode ser fonte de contaminação para várias granjas no estágio seguinte (VAN DER GAAG et al., 2003). 

Introdução no Sistema de Produção

A introdução da Salmonela na cadeia de produção pode ocorrer em diferentes estágios. Nos estágios primários, as fontes de infecção podem ser animais pertencentes ao próprio grupo, animais de outros grupos da mesma granja ou fatores externos como a ração, pessoal ou vetores, como roedores. Durante o transporte, os caminhões contaminados e no abatedouro a contaminação cruzada, a partir de animais excretores, são pontos importantes de contaminação (VAN DER GAAG et al., 2003).

Muitos pesquisadores atribuem risco significativo de introdução de Salmonella através de alimentação (STÄRK et al., 2002), sendo a maior exposição dos animais através de ração contaminada. Dessa forma, tem sido demonstrada a relação entre sorovares encontrados em amostras de ração com aqueles recuperados de animais (FEDORKA-CRAY et al., 1997).

Embora ingredientes de origem vegetal também possam servir de fonte de contaminação para os alimentos (SCHWARTZ, 2000), a utilização de farinhas de origem animal é apontada como a principal fonte de introdução de Salmonella sp na ração. Pesquisas estimam que 15% a 30% de todas infecções no período de terminação podem ser atribuídas à (re)contaminação de ração (Figura 3). Desta forma, é importante considerar que a contaminação da ração nos silos ou comedouros pode ter um importante papel na propagação do ciclo de contaminação na granja (BERENDS et al., 1996).

Assim sendo, os esforços para manter a ração animal livre de contaminação por Salmonella requerem não somente o tratamento térmico, mas também proteção da ração final do contato com reservatórios como pássaros e roedores, materiais contaminados ou contaminação residual em caminhões (FEDORKA-CRAY et al., 1997). Roedores e outros animais presentes em propriedades, bem como a água e o ambiente constituem importantes fatores para a epidemiologia da infecção em suínos.

A introdução de animais constitui um grande risco para a introdução de Salmonela nas granjas. Letellier et al. (1999) encontraram 15,9% das fêmeas de reposição e 21,9% das unidades de terminação de leitoas positivas para Salmonela no Canadá. No Rio Grande do Sul, Silva et al. (2003) encontraram uma prevalência média de 32% de leitoas de reposição positivas.

Como reflexo, trabalhos apontam a prevalência de Salmonela em rebanhos de fêmeas suínas como sendo um fator de risco para a introdução de Salmonela em seus rebanhos de terminação (KRANKER & DAHL, 2001). Por outro lado, outros autores afirmam não ser freqüente a transmissão de Salmonela sp. das granjas de reprodução e multiplicação para as terminações, o que poderia ser explicado pelo papel de proteção do colostro.

Enquanto alguns estudos detectaram um pico de excreção de Salmonela na creche, apontando essa fase zootécnica como importante no ciclo de infecção do sistema de produção (KRANKER et al., 2002), outros identificaram a terminação como a fase de maior importância epidemiológica (SILVA et al., 2003).  

Disseminação da Infecção do Sistema de Produção

A alta taxa de recuperação de Salmonella do ambiente indica que esse pode contribuir para a persistência da infecção, uma vez que muitas granjas têm ciclos de contaminação com linhagens próprias de Salmonella sp. (BERENDS, et al., 1996). Embora não seja possível concluir que as amostras ambientais constituem as principais fontes de infecção dos suínos, não há dúvida de que elas podem estar envolvidas em subseqüente recontaminação, quando medidas apropriadas não forem tomadas (LETELLIER et al., 1999).

Assim sendo, considerando a capacidade da Salmonella sp. sobreviver e multiplicar-se fora de seus hospedeiros, o "Problema Salmonella" também é um "Problema de higiene" (BERENDS et al., 1996). Além disso, estudos recentes demonstram que, em condições experimentais, a Salmonella pode infectar suínos expostos ao ambiente contaminado por um período de apenas duas horas (HURD et al., 2001).

Desta forma as práticas de limpeza e desinfecção tornam-se cruciais na redução do risco de contaminação e/ou doença clínica dos animais. Também tem sido proposto que o sistema Todos Dentro - Todos Fora de produção de suínos contribui para a redução da prevalência de Salmonella. Contudo, práticas de manejo e o uso de detergentes e desinfetantes só é útil se feito adequadamente. Isto implica que procedimentos sem limpeza e desinfecção adequados podem não reduzir os níveis de contaminação de Salmonella abaixo de dose infectante mínima, mantendo um ciclo de infecção nos rebanhos (VAN DER WOLF et al., 2001).

Embora a Salmonella sp. possa sobreviver por longos períodos no ambiente, é aceito que os animais portadores são a maior fonte de infecção, tanto para outros animais como para humanos. Vários tipos de portadores têm sido identificados. Os portadores ativos excretam Salmonella sp. por meses ou anos. Os portadores passivos são os animais que ingerem Salmonella sp. e esta passa através do intestino, nas fezes, com pouca ou nenhuma invasão nos linfonodos mesentéricos. Já os portadores latentes são animais que têm Salmonella sp. em seus tecidos, mas geralmente não excretam o microrganismo nas fezes. Certos fatores de estresse podem promover a excreção de Salmonella sp. por animais portadores, bem como, levar à ativação ou reativação da infecção nesses animais.

A excreção ativa de Salmonella sp. pode ser originada pelo estresse que está associado a vários fatores como a superlotação das baias, a idade, a privação de alimentos e água, a administração de corticóides e o transporte dos animais. Tem-se ainda a mistura de lotes de várias propriedades, feito nas unidades de terminação, o que também propicia a disseminação da infecção.

A infecção de suínos por Salmonella pode ocorrer na granja, entretanto o transporte, a espera e o abate também serão momentos críticos para a contaminação dos lotes (SWANENBURG et al., 2001). A infecção durante o transporte para o frigorífico ocorre se não houver limpeza e desinfecção adequadas dos caminhões, ou quando existirem animais excretando Salmonella durante o transporte. Rostagno et al. (2002) demonstraram que 83,3% dos caminhões por eles amostrados eram Salmonella positivos.

A espera é um local onde suínos provenientes de diferentes granjas são reunidos, javendo maior oportunidade para animais livres de Salmonella sp. entrar em contato direto ou indireto com indivíduos portadores (VAN DER GAAG et al., 2003). Em estudos realizados no Brasil, até 100% das baias de espera de alguns frigoríficos foram classificadas como contaminadas com Salmonella (ROSTAGNO et al., 2002; SILVA et al, 2003).

Animais que já estão infectados antes de chegarem ao frigorífico são responsáveis pela contaminação das baias de espera e ser fonte de infecção para outros animais. Assim, para prevenir uma contaminação cruzada durante o transporte, a espera e o abate, lotes livres de Salmonella deveriam ser separados de animais provenientes de rebanhos infectados, ou rebanhos com status desconhecido (BERENDS et al., 1996).

Ao lado disso, animais portadores podem contaminar o ambiente, os equipamentos e as carcaças durante o processamento. A ocorrência de Salmonella sp. em linfonodos intactos da carcaça e no conteúdo intestinal foi relatada, demonstrando o risco em saúde pública do abate de animais portadores (ALVES et al., 1994; CASTAGNA et al., 2003).

Contudo, pode-se observar que na fase da evisceração até resfriamento pode ocorrer a inversão do status de contaminação das carcaças, dependendo das práticas adotadas no abatedouro.

Um suíno infectado pode tornar-se uma carcaça livre de Salmonella se a evisceração é conduzida cuidadosamente, sem contaminar a carcaça (VAN DER GAAG et al., 2003). Por outro lado, carcaças de suínos livres de Salmonella podem tornar-se positivas por causa de contaminação cruzada por bactérias presentes em outras carcaças ou nos equipamentos. 

Conclusão

A epidemiologia da infecção por Salmonella sp. em suínos é complexa, apresentando múltiplos fatores determinantes da transmissão do microrganismo.

Ao longo da cadeia de produção é possível observar a amplificação do problema, geralmente pela rápida transmissão da bactéria a animais não infectados, após o contato com ambientes e animais positivos para Salmonella. Sendo assim, a garantia de um produto livre de Salmonella passa por medidas de controle implementados na granja, no transporte, na espera pré-abate e na linha de processamento. Somente a ação integrada em todas as fases garantirá o sucesso dos programas de controle.

Fonte: www.abcs.org.br

Salmonelose

De todas as infecções causadas por bactérias, a Salmonelose tem uma das taxas de mortalidade mais elevadas.

Agente patogénico

Salmonella typhimurium variedade copenhagen, designada por "Salmonela dos pombos". Dadas as condições ideais, as bactérias podem permanecer infecciosas no exterior durante 1 ano, ou mais.

As salmonelas propagam-se por:

Inalação de poeiras que contenham o agente

Alimentação contaminada (insectos, ratos)

Comedouros ou bebedouros sujos

Acasalamento

Transmissão da fêmea ao ovo

Alimentação dos borrachos, ou contacto com pais infectados

Portadores crônicos: pombos de aparência saudável após infecção por salmonelas, mas evacuando germes a intervalos irregulares, colocando em risco toda a colónia.

Sintomas

Forma aguda (afecta especialmente os borrachos)

Enterite com fezes pulposas, mucosas e esverdeadas; quando infectados os órgão internos (fígado, rins, baço) verifica-se um crescimento mais lento, emagrecimento e (em casos isolados) a morte. Os embriões infectados morrem frequentemente quando ainda no ovo, ou durante os primeiros dias de vida.

Forma crônica (especialmente nos pombos adultos)

A inflamação provoca um espessamento das articulações, especialmente a do cotovelo; paralisia das asas e das patas, perturbações do equilíbrio e torção do pescoço.

Diagnóstico da doença

Exame bacteriológico das fezes e/ou amostras de órgãos. Procede-se a um antibiograma para determinar a medicação mais indicada.

Outras doenças semelhantes

Infecção pelo vírus da paramixo (paramixovirose), Ornitose, Coccidiose, Parasitose, forma orgânica da Tricomoníase.

Tratamento

Aquando do aparecimento dos sintomas descritos, deve iniciar-se imediatamente o tratamento com ampicillin-t. Em certos casos, quando se obtêm os resultados dos exames bacteriológicos e do antibiograma é necessário mudar o tratamento (por ex.: para furazolidon+).

Toda a colónia deve ser submetida ao tratamento, e não apenas as aves infectadas.

Separe as aves gravemente infectadas antes de iniciar o tratamento, pois é pouco provável que venham a curar-se.

Para avaliar a eficácia do tratamento devem analisar-se bacteriologicamente amostras de fezes 14 dias após a sua conclusão, repetindo a análise duas vezes a intervalos de 3 semanas.

Forma intestinal

Se as bactérias salmonela atingem o intestino penetram na parede intestinal e ocasionam forte inflamação. A actividade do intestino finca imediatamente perturbada.

A consequência directa é uma diarreia com evacuação típica: espessa, cercada de mucosidades, elementos não digeridos num charco sujo, duma cor que vai do castanho ao verde, mole e mal cheirosa.

Fonte: www.chevita.com

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