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Shigelose

 

A shigelose é uma infecção bacteriana aguda pleomórfica causada pelo gênero Shigella que resulta em colite, afetando principalmente o sigmóide e o reto.

“Disenteria bacilar” é sinônimo de shigelose. A doença, caracterizada por diarréia, disenteria, febre, dor abdominal e tenesmo, geralmente se limita a alguns dias.

O tratamento imediato com drogas antimicrobianas acelera o processo de recuperação do paciente. Pode existir as formas assintomáticas ou sub-clínicas, ou formas graves e tóxicas. O reservatório do agente é no trato gatrointestinal do homem, água e alimentos contaminados.

ETILOGIA

A Shigella é um bacilo gram-negativo imóvel que pertence a família Enterobacteria.

Quatro espécies de Shigella são reconhecidas com base em propriedades antigênicas e bioquímicas:

Shigella dysenteriae (grupo A).
Shigella. flexneri (grupo B).
Shigella. boydii (grupo C).
Shigella sonnei (grupo D)

Entre essas espécies existem animais de 40 sorotipos, designado pelo nome da espécie, seguido de um número arábico.

A S. dysenteriae 1 é chamada de “bacilo de Shiga”, provocando epidemias com índice de mortalidade mais alto do que o de outros sorotipos e pode causar pandemias catastróficas. Com exceção da S. flexneri 6, elas não fermentam lactose.

Os sorotipos são determinados pela cadeia lateral polissacarídica O do lipopolissacarídeo (endotoxina) na parede celular.

A endotoxina é detectável no sangue de pacientes gravemente doentes e pode ser responsável pela complicação da síndrome hemolítico-urêmica. Para ser virulenta, a Shigella precisa invadir as células epiteliais, como foi testado em laboratório pela ceratoconjuntivite em porquinhos-da-índia (teste Sereny) ou pela invasão celular HeLa.

A invasão bacteriana das células é determinada geneticamente por três regiões cromossômicas e um plasmídio 140-Md.

A toxina de Shiga é produzida pela S.dysenteriae 1 e em quantidade menores por outros sorotipos. Ela inibe a síntese protéica e possui atividade enterotóxica em modelos animais, mas seu papel na doença no homem é incerto.

Muitas outras toxinas foram descritas para diferentes espécies de Shigella (por exemplo, ShET1 e ShET2, enterotoxinas responsáveis por diarréia aquosa em algumas infecções por Shigella).

INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA

Nos Estado Unidos, houve mais de 14.000 casos relatados em 1996, com a seguinte distribuição das espécies: 73% S. sonnei, 19% S.flexneri, 2% S. boydii e 1% S. dysenteriae. Além disso, a incidência de shigelose vem aumentando. Por exemplo, ela cresceu de 5,4 para mais de 10 casos por 100.000 nos Estados Unidos de 1960 a 1988. A maior parte dos casos ocorreu em crianças pequenas, mulheres em idade fértil e minorias de baixa renda; e uma grande proporção ocorreu em grupos de pessoas internadas em casas para doentes mentais ou em creches.

No âmbito mundial, a maioria dos casos de shigelose ocorre em crianças de países em desenvolvimento, onde a S. flexneri é a espécie predominante. Em 1994, uma epidemia em refugiados ruandeses provocou cerca de 30000 mortes. O Institute of Medicine calcula que 250 milhões de casos de shigelose ocorram anualmente, com 650.000 mortes em todo mundo.

EPIDEMIOLOGIA

A espécie S.sonnei constitui a causa mais comum de shigelose no mundo industrial, enquanto a S.flexneri é a mais comum nos países subdesenvolvidos.

A shigelose é transmitida pela via oral-fecal. Grandes aglomerações populacionais, baixos padrões de higiene pessoal, abastecimento de água precário e sistema de esgoto inadequado aumentam o risco de infecção.

A transmissão, na maior parte das vezes, dá-se no contato interpessoal próximo, através de mãos contaminadas.

Durante a doença clínica e por até seis semanas após a recuperação, bactérias são excretadas nas fezes.

Apesar de os organismos serem sensíveis ao ressecamento, eles eventualmente são veículos de transmissão. Hospitais-dia, quartéis militares e abrigos para moradores de rua são locais de alto risco para a shigelose.

Crianças de 1 a 4 anos de idade apresentam maiores risco de desenvolver a doença.

Habitantes de instituições de custódia, como casa para crianças com deficiência mental, são os que correm mais risco.

A disseminação intrafamiliar normalmente ocorre quando o caso inicial dá-se em uma criança em idade pré-escolar.

Em adultos jovens, a incidência é mais alta em mulheres do que em homens, o que provavelmente reflete o contato mais próximo da mulher com a criança.

A população de homossexuais do sexo masculino nos Estados Unidos constitui um grupo de alto risco para a shigelose, correspondendo a uma das causa da “síndrome intestinal gay”.

Humanos e primatas mais elevados são os únicos reservatórios naturais da shigelose conhecidos. A transmissão apresenta padrões sazonais variáveis em regiões diferentes. Nos Estado Unidos, o pico de incidência acontece no final do verão e começo do outono.

PATOGÊNESE E PATOLOGIA

Como os microrganismos são relativamente resistentes ao ácido, a Shigella passa a barreira gástrica de forma mais imediata do que outros patógenos entéricos.

Em estudos com voluntários, a ingestão de poucos bacilos, como de 10 a 200, regularmente inicia a doença em 25% dos adultos saudáveis.

Estes números contrastam acentuadamente com a quantidade muito maior de bacilos tifóide e da cólera necessária para produzir a doença em indivíduos normais.

Durante o período de incubação (normalmente de 12 a 72 horas), as bactérias atravessam o intestino delgado, penetram as células epiteliais do cólon e se multiplicam intracelularmente, geralmente atravessando a superfície basolateral das células epiteliais do intestino. Segue uma resposta inflamatória aguda na mucosa do cólon, acompanhada por sintomas prodrômicos.

Células epiteliais contendo bactérias são lisadas, resultando em ulcerações superficiais e excreção de Shigella nas fezes. A morte da célula resulta do bloqueio da respiração celular. A mucosa é friável e coberta por uma camada de leucócitos polimorfonucleares. Amostras de biópsia apresentam úlceras e abscessos de cripta. Inicialmente, a inflamação fica confinada ao reto e ao sigmóide, mas, decorrendo cerca de 4 dias, a doença pode avançar e atingir o cólon proximal e, eventualmente, até o íleo terminal; um tipo de colite pseudomembranosa pode se desenvolver. Os níveis de citocinas pró-inflamatórias são elevados nas fezes e no plasma e refletem a gravidade da doença. O prejuízo à absorção de água e eletrólitos pelo cólon inflamado resulta em diarréia.

Apesar da doença nos cólons ser superficial, ocasionalmente ocorre bacteremia, especialmente em infecções da S.dysenteriae 1.

A suscetibilidade dos microorganismos à bacteriólise sérica mediada pelo sistema complemento pode explicar a baixa freqüência de bacteremia e de infecção disseminada.

A perfuração do cólon é uma complicação rara durante o megacólon tóxico.

Crianças com colite grave provocada pela S.dysenteriae 1 tendem a desenvolver a síndrome hemolítico-urêmica.

Nesta complicação, trombos de fibrina que são depositados nos glomérulos renais, provocando necrose cortical e fragmentação das hemácias.

EVOLUÇÃO DAS SÍNDROMES CLÍNICAS NA SHIGELOSE

Estágio
Tempo de

aparecimento a partir

do início da doença

Sintomas e sinais
Patologia
Pódromo
Primeiros
Febre, calafrios, mialgias, anorexia, náuseas e vômitos
Nenhuma ou colite precoce
Diarréia inespecífica
0 - 3 dias
Cólicas, fezes pastosas,

diarréia aquosa

Colite do reto e sigmóide

com ulceração superficial,

leucócitos fecais

Disenteria
1 – 8 dias
Evacuação freqüente de sangue e muco,

tenesmo, prolapso retal,

dor à palpação abdominal

Colite estendendo-se eventualmente

até o cólon proximal, abscessos de cripta,

inflamação na lâmina própria

Complicações
3 – 10 dias
Desidratação, convulsões,

septicemia, reação leucemóide,

síndrome hemolítico-urêmica,

obstrução intestinal, peritonite

Colite grava, ileíte terminal,

endotoxemia, coagulação intravascular,

megacólon tóxico, perfuração colônica

Síndromes pós-disentéricas
1 -3 semanas
Artrite, síndrome de Reiter
Inflamação reativa no

haplótipo HLA-B27

 

MANIFESTAÇÔES CLÍNICAS

A maior parte dos pacientes com shigelose abre o quadro com pódromos inespecíficos. A temperatura varia e crianças podem ter convulsões febris.

Os sintomas intestinais iniciais logo aparecem como cólica, fezes pastosas e diarréia aquosa, que geralmente precedem o surgimento de disenteria em um ou mais dias. A eliminação fecal média é de cerca de 600g/dia em adultos.

A disenteria é constituída por restos alimentares, pequenos coágulos de sangue vermelho-vivo e muco nas fezes, que são pouco volumosas.

A freqüência de evacuações chega a ser de 20 a 40 vezes por dia, com dor retal lancinante tenesmo durante a defecação. Alguns pacientes desenvolvem prolapso retal durante grandes esforços. A quantidade de sangue nas fezes varia bastante, mas normalmente é pequena em função de as ulcerações colônicas serem superficiais.

Muitas vezes, há forte dor à palpação do abdome, na fossa ilíaca esquerda, acima do cólon sigmóide; a dor pode também se generalizar.

A febre normalmente diminui depois de alguns dias de disenteria, de modo que a diarréia sanguinolenta afebril pode apresentar-se como um quadro clínico possível. Depois de 1 a 2 semanas de doença não tratada, ocorre melhora espontânea na maioria dos pacientes. Alguns pacientes com doença branda desenvolvem somente diarréia aquosa sem disenteria.

Entre as possíveis complicações está a desidratação, que pode ser fatal, especialmente em crianças e idosos.

A septicemia por Shigella acontece principalmente em crianças desnutridas com infecção por S. dysenteriae 1.

Há relatos raros de meningite, artrite e osteomielite devido a esse microrganismo. Eventualmente desenvolve-se uma reação leucemóide ou uma síndrome hemolítico-urêmica em crianças, após o início do tratamento antibiótico e quando a disenteria já apresenta melhora.

As manifestações neurológicas podem ser notáveis e incluir delírio, convulsões (em um relato recente, 10% das crianças hospitalizadas apresentavam essa manifestação), e rigidez de nuca.

As síndromes pós-disentéricas mais importantes são a artrite e a tríade de Reiter com artrite, uretrite e conjuntivite. Esses são fenômenos não-supurativos que ocorrem na ausência de organismos viáveis de Shigella de 1 a 3 semanas da solução da disenteria.

DIAGNÓSTICO

Deve-se pensar em shigelose em todo paciente com início agudo de febre e diarréia. O exame das fezes é essencial. O sangue e o pus são macroscopicamente visíveis na disenteria bacilar grave; mesmo nas formas mais leves da doença, o exame microscópico das fezes revela, com freqüência, numerosos leucócitos e eritrócitos. O exame fecal dos leucócitos deve ser efetuado com uma porção de fezes líquidas, contendo de preferência muco.

Coloca-se uma gota de fezes sobre uma lâmina de microscópio, sendo essa gota misturada minuciosamente com duas gotas de azul de metileno e recoberta com lamínula. A presença de numerosos leucócitos PMN ajuda a distinguir a shigelose das síndromes diarréicas causadas por vírus e bactérias enterotoxigênicas.

O exame fecal dos leucócitos não é útil para diferenciar shigelose das doenças diarréicas causadas por outros patógenos entéricos invasivos.

A disenteria amebiana é excluída pela ausência de trofozoítas no exame microscópico das fezes frescas sob lamínula. Portanto o diagnóstico diferencial deve ser feito com gastroenterites virais e salmonelose.

A retossigmoidoscopia revela eritema difuso com uma camada mucopurulenta e áreas friáveis de mucosa com úlceras superficiais de 3 a 7 mm de diâmetro.

O diagnóstico definitivo depende do isolamento das shigelas em meios de cultura seletivos. Um swab retal, um swab de úlcera colônica obtido por exame retossigmoidoscópico ou uma amostra de fezes recém-eliminadas devem ser inoculados imediatamente em placas de cultura ou no meio de transporte.

Como as taxas de isolamento das shigelas a partir de fezes recém-eliminadas dos pacientes com shigelose podem ser baixas (apenas 67%), recomenda-se a coleta de material para cultura durante três dias sucessivos.Os meios de cultura apropriados são o sangue, desoxicolato e ágar Salmonela-Shigella. As colônias selecionadas devem ser diagnosticadas por aglutinação com anti-soro polivalentes para a Shigella.

O diagnóstico bacteriológico definitivo torna-se fundamental para distinguir os casos mais graves e prolongados da shigelose da colite ulcerativa, com a qual podem ser confundidos tanto clinicamente quanto na retossigmoidoscopia.

Os pacientes com shigelose são submetidos à colectomia devido a um diagnóstico incorreto de colite ulcerativa. A obtenção de uma cultura positiva deve evitar esse infortúnio.

TRATAMENTO

Quando a terapia antimicrobiana apropriada é administrada precocemente, diminui a duração dos sintomas em 50%, bem como a eliminação, excreção das Shigellas.

Devido à grande resistência antimicrobiana mediada pelos plasmídeos em infecções causadas pela Shigella, a vigilância quanto à suscetibilidade aos fármacos numa determinada área endêmica é importante.

Para adultos, quando se desconhece a suscetibilidade da cepa: Ciprofloxacina 500mg V.O. 2x/dia durante cinco dias, ou 1 g em dose única constitui o tratamento indicado quando a suscetibilidade da cepa é desconhecida.

Para crianças: TMP-SMX, ampicilina ou azitromicina, de acordo com a suscetibilidade do patógeno numa determinada localização.

As perdas de líquido devido à diarréia devem ser tratados com hidratação e reposição de eletrólitos por via IV ou oral com volume adequado.

Não se deve prescrever agentes que diminuam a motilidade intestinal. Difenoxilato e elixir paregórico podem exacerbar os sintomas por retardar a eliminação intestinal do microorganismo.

Não há evidências convincentes de que as preparações com pectina ou bismuto sejam úteis.

PROGNÓSTICO

A taxa de mortalidade de Shigelose não tratada depende da cepa infecciosa e varia de 10-30% em determinados surtos causados pelo S. dysenteriae 1, a menos de 1% nas infecções pelo S. sonnei.

Mesmo na infecção provocada pela S. dysenteriae, as taxas de mortalidade deverão aproximar-se de zero se a reposição apropriada de líquidos e a terapia antimicrobiana forem iniciados precocemente.

Em cerca de 2% dos pacientes, ocorrem artrite ou Síndrome de Reiter algumas semanas ou meses após a recuperação da shigelose.

As complicações neurológicas (convulsão, meningismo, encefalopatias, letargia, alucinações, cefaléia, confusão mental, etc.) constituem as manifestações extra-intestinais mais freqüentes da shigelose, ocorrendo mais em crianças que em adultos.

Pode existir outras complicações, tais como, sepse, peritonite secundária à perfuração intestinal, insuficiência renal aguda, síndrome hemolítica urêmica, hemorragia digestiva, pneumonia, conjuntivite, uveíte, prolapso retal, osteomielite.

PREVENÇÃO

Os indivíduos contaminados devem ser excluídos de todas as fases de manuseio do alimento até a obtenção de culturas negativas a partir de três amostras sucessivas de fezes colhidas após o término da terapia antimicrobiana. Nos surtos é obrigatório o isolamento precoce e estrito dos indivíduos.

A quimioprofilaxia antimicrobiana específica não é satisfatória.

Medidas de controle importantes:

Lavagem das mãos com água e sabão para manuseio de alimentos, assim como quando há manuseio de fraldas.

Destino adequado de lixo e dejetos.

Educação para população em áreas de elevada incidência.

Locais de uso coletivo, tais como colégios, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas.

Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento entérico, além de reforçadas as orientações às manipuladoras de alimentos e às mães.

Considerando a importância das causas alimentares na diarréia das crianças menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do tempo de aleitamento materno, prática essa que confere elevada proteção a esse grupo populacional;

Boa higiene e evitar alimentos e água contaminados.

O relato de caso para as autoridades sanitárias deve ser obrigatório.

Vacinas não estão disponíveis até o momento, porém existe em fase de teste uma vacina com extrato atenuado de LPS de S.sonnei conjugada a Pseudomonas aeruginosa, cujos testes têm obtidos excelentes resultados.

Fonte: www.medstudents.com.br

Shigelose

"A Shigella é um bacilo Gram negativo freqüentemente associado a episódios de disenteria febril em nosso meio. As shigeloses acometem principalmente crianças e são mais comuns durante o verão. O diagnóstico baseia-se na coprocultura e o tratamento deve ser feito com medidas de suporte e antibioticoterapia."

A shigelose é uma infecção bacteriana aguda do trato gastrintestinal, usualmente limitada a alguns dias, caracterizada por diarréia com muco, pus e sangue, associada a dor abdominal, tenesmo e febre.

A Shigella é um bacilo Gram negativo, imóvel e não encapsulado, pertencente à família Enterobacteriaceae.

Atualmente, são reconhecidas quatro espécies de Shigella, divididas em quatro grupos com base na similaridade sorológica e nas propriedades antigênicas e bioquímicas: Grupo A (S. dysenteriae), Grupo B (S. flexneri), Grupo C (S. boydii) e Grupo D (S. sonnei).

Entre esses grupos são conhecidos mais de 40 sorotipos, cada um designado pelo nome da espécie seguido de um número. A Shigella flexneri 2 é o sorotipo mais encontrado nos pacientes de paises subdesenvolvidos; já a Shigella dysenteriae 1 é conhecida como o Bacilo de Shiga e produz a forma mais grave de diarréia, que pode evoluir para sepse e coagulação intravascular disseminada.

A infecção por Shigella é uma doença universal que ocorre principalmente no verão, especialmente em crianças de seis meses a cinco anos de idade. A transmissão ocorre por via fecal-oral - a ingestão de volumes tão pequenos com apenas 200 bactérias viáveis pode produzir a doença. Grandes aglomerações de pessoas, baixos padrões de higiene pessoal e infra-estrutura inadequada de água e esgoto contribuem para aumentar o risco de infecção e surtos epidêmicos.

O ambiente natural da Shigella é o cólon humano. Durante a doença e por um período de até seis semanas após a recuperação, os microrganismos podem ser excretados pelas fezes. O tratamento correto diminui o tempo de eliminação das bactérias. Alguns indivíduos, dependendo do inoculo e do seu sistema imune, podem se tornar portadores e eliminadores prolongados da bactéria.

As Shigella são relativamente resistentes ao ácido e, por isso, atravessam a barreira gástrica e cruzam o intestino delgado com maior facilidade que outras bactérias.

Após um período de incubação de aproximadamente 24 a 72 horas, elas atingem o intestino grosso e penetram nas células epiteliais multiplicando-se em seu interior, provocando uma resposta inflamatória na mucosa.

As células epiteliais são então lisadas, resultando em ulcerações superficiais com liberação das Shigella nas fezes. A mucosa torna-se friável e apresenta uma camada de polimorfonucleares na sua superfície.

A princípio, a inflamação restringe-se ao cólon sigmóide e reto, mas pode acometer o cólon proximal com o evoluir da doença. A diarréia decorre da dificuldade em absorver a água e os eletrólitos que passam pelo cólon inflamado.

Quadro Clínico

A shigelose pode evoluir como uma infecção assintomática, como uma diarréia leve ou como uma disenteria grave acompanhada de febre, toxemia e convulsões febris. A S. sonnei associa-se a quadros clínicos mais leves, enquanto que a S. flexneri e a S. dysenteriae estão relacionadas com quadros mais graves.

Classicamente a doença se inicia após 24 a 72 horas de contaminação, com um pródromo inespecífico composto de febre, anorexia, calafrios, mialgias, náuseas e ate vômitos. Concomitantemente - ou após alguns dias -, instala-se um quadro de diarréia inespecífica composta por fezes pastosas, cólicas abdominais e diarréia aquosa.

Esse quadro habitualmente precede a instalação da disenteria, que se caracteriza por eliminação freqüente de sangue e muco nas fezes conseqüente à lesão da mucosa colônica. As evacuações podem atingir uma freqüência de 20-40 episódios por dia, com dor retal intensa e tenesmo incontrolável, muitas vezes levando ao prolapso retal durante o esforço.

Nessa fase também há dor à palpação abdominal, principalmente na projeção do cólon sigmóide (fossa ilíaca esquerda). Após uma ou duas semanas de tratamento, a doença tende a ceder espontaneamente na maioria dos pacientes.

A doença também pode levar a complicações decorrentes da desidratação intensa. Além disso, septicemia (principalmente pela S. dysenteriae 1 em crianças desnutridas), reação leucemóide, síndrome hemolítico-urêmica, íleo paralítico e peritonite são outras complicações possíveis.

A shigelose crônica, decorrente de tratamento inadequado, é rara mas pode ocorrer. Nela, o paciente apresenta surtos de diarréia, dispepsia, fraqueza e quadros de disenteria ocasionais. Os pacientes que possuem o antígeno de histocompatibilidade HLA B27 podem desenvolver Síndrome de Reiter (artrite, uretrite e conjuntivite) após exposição à Shigella.

Diagnóstico

Deve-se levantar suspeita de shigelose em qualquer caso de diarréia com muco, pus e sangue associada a febre. O diagnóstico diferencial deve ser feito com outros microrganismos, tais como Campylobacter jejuni, Salmonella enteritidis, Yersinia enterocolitica e Clostridium difficile. O Vibrio parahemolyticus e a Entamoeba histolytica também devem ser descartadas.

O diagnóstico de certeza é dado pelo achado e isolamento da Shigella sp em cultura de fezes frescas. As culturas tornam-se positivas 24 horas após o início dos sintomas e são positivas em 90% dos casos, principalmente quando obtidas nos três primeiros dias da doença. Os meios seletivos utilizados são o Salmonella-Shigella-ágar ou o Desoxicolato-citrato-ágar. O exame a fresco das fezes recém eliminadas coradas pelo azul de metileno ou pelo método de Giemsa pode auxiliar o diagnóstico, excluindo outras causas de disenteria.

No hemograma evidencia-se a anemia devido ao sangramento e algum grau de leucocitose. Ocasionalmente, como já foi dito, podemos ter uma reação leucemóide, com a leucometria chegando a 50.000 células por milímetro cúbico. A hemocultura raramente é positiva e os testes sorológicos não são utilizados como rotina.

Tratamento

O principal objetivo do tratamento da shigelose é manter o equilíbrio hidroeletrolítico do paciente. A hidratação oral é o método de escolha e deve ser instituído o quanto antes. A via parenteral só deve ser utilizada em caso de vômitos intensos e desidratação grave, quando a hidratação oral não foi efetiva.

Outro ponto importante na terapêutica é o aporte calórico. A dieta não deve ser suspensa - muito menos o leite materno. Em casos de vômitos intensos, a dieta pode ser momentaneamente interrompida e reintroduzida tão logo o paciente tolere.

Inibidores da motilidade intestinal (p.ex.: loperamida, difenoxilato e elixir paregórico) estão contra-indicados: a inibição da motilidade intestinal aumenta o tempo disponível para proliferação do agente infeccioso.

Dados clínicos mostram que o tratamento antimicrobiano da Shiguelose diminui a duração da febre e da diarréia em 50%, sendo que a excreção de bacilos diminui numa percentagem ainda maior, fato de vital importância epidemiológica. Por outro lado, vários trabalhos vêm relatando a crescente resistência da Shigella aos antimicrobianos mais utilizados, o que implica a necessidade imperiosa de coprocultura e antibiograma para guiar a terapia. Quando não se conhece o padrão de sensibilidade, a medicação de escolha e o Sulfametoxazol- Trimetoprim.

Norfloxacina ou ciprofloxacina podem ser utilizadas em adultos portadores de shigelose e provenientes de áreas com elevada resistência a trimetoprima, ou naqueles que se considera conveniente o tratamento empírico contra o Campylobacter. Em crianças, as quinolonas estão contra-indicadas pelo comprometimento das cartilagens de crescimento. Ceftriaxona e outras cefalosporinas de terceira geração administradas por via parenteral podem ser opção em casos de vômitos intensos.

Indivíduos excretores de Shigella devem ser afastados do manuseio de alimentos até a obtenção de culturas negativas a partir de três amostras sucessivas de fezes colhidas após o termino da antibioticoterapia. A medida de controle mais importante consiste na higiene pessoal (lavagem de mãos com sabão) daqueles que manuseiam alimentos ou trocam fraldas.

Conclusão

A Shigella é um bacilo Gram negativo pertencente à família Enterobacteriaceae e responsável por um quadro infeccioso agudo caracterizado por diarréia mucopiossanguinolenta, dor abdominal, tenesmo retal e febre.

As shigeloses são mais comuns no verão, principalmente em crianças na faixa de seis meses a cinco anos de idade.

O quadro clássico é autolimitado, iniciando com um episódio súbito de febre associado a dor abdominal e diarréia inicialmente aquosa, mas que evolui para disenteria. O objetivo do tratamento é evitar a desidratação e a desnutrição, empregando reidratação oral e permitindo dieta livre.

A antibioticoterapia deve ser feita com base em antibiograma e coprocultura, sendo essencial para a diminuição do tempo de doença e de eliminação de bacilos.

Fonte: www.espacorealmedico.com.br

Shigelose

Nomes populares: Disenteria bacilar clássica.

O que é

Infecção bacteriana com formas celulares variadas de uma mesma espécie (expressão clínica pleomórfica), podendo se manifestar através de formas assintomáticas ou subclínicas, ou formas graves e tóxicas.

Transmissão

Agentes causadores (patógeno e vetores): Bactérias gram negativas do gênero Shigella, constituídas por quatro espécies S. dysenteriae (grupo A), S. flexneri (grupo B), S. boydii (grupo C) e S. sonnei (grupo D).

A infecção é adquirida pela ingestão de água contaminada ou de alimentos preparados com água contaminada. Também está demonstrado que as Shigelas podem ser transmitidas por contato pessoal.

Diagnóstico

Clínico (principais sintomas)

Nas formas graves, a shigelose é doença aguda toxêmica, caracterizada por febre, diarreia aquosa, que pode ser volumosa e com dor abdominal. A dor abdominal tem característica de cólica difusa, geralmente precedendo a diarreia, que se constitui no sintoma mais frequente, presente em cerca de 90% dos casos. De 1 a 3 dias após, as fezes se tornam mucossanguinolentas, a febre diminui e aumenta o número de evacuações, geralmente de pequeno volume e frequentes, com urgência fecal e tenesmo (colite exsudativa).

Além da febre alta, outras manifestações podem estar presentes, tais como: anorexia, náuseas, vômitos, cefaleia, calafrios, estados totêmicos, convulsões e sinais meningíticos. Ao exame físico, pode-se observar hipertermia, desidratação, hipotensão, dor à palpação abdominal e ruídos hidroaéreos exacerbados.

Nas formas leves ou moderadas, a shigelose pode se manifestar apenas por diarreia aquosa, sem aparecimento de fezes disentéricas. O período de incubação varia de 12 a 48 horas.

Laboratorial (exames realizados)

É clínico, epidemiológico e laboratorial. Esse último é feito pela semeadura das fezes do paciente em meios de cultura, como Mac Conckey e SS, com posterior identificação das colônias suspeitas por meio de provas bioquímicas e sorológicas, destacando-se a excelência dos métodos imunoenzimáticos e o PCR para realização de exame radiológico (RX)

Tratamento

Semelhante ao indicado para todos os tipos de diarreias. Reidratação oral (SRO), que simplificou o tratamento, pois sabe-se que o esquema de tratamento adequado independe do diagnóstico etiológico, já que o objetivo da terapêutica é reidratar ou evitar a desidratação. Esse esquema não é rígido, administrando-se líquidos e o SRO de acordo com as perdas. Se houver sinais de desidratação, administrar o SRO de acordo com a sede do paciente. Inicialmente, a criança deve receber de 50 a 100ml/Kg, no período de 4 a 6 horas; as crianças amamentadas devem continuar recebendo leite materno, junto com SRO.

Se o paciente vomitar, deve-se reduzir o volume e aumentar a frequência da administração; manter o paciente na unidade de saúde até a reidratação; o uso de sonda nasogástrica-SNG é indicado apenas em casos de perda de peso após as 2 primeiras horas de tratamento oral e em face a vômitos persistentes, distensão abdominal com ruídos hidroaéreos presentes ou dificuldade de ingestão. Nesses casos, administrar 20 a 30ml/Kg/hora de SRO. Só indica-se hidratação parenteral em alteração da consciência, vômitos persistentes (mesmo com uso de sonda nasogástrica) e íleo paralítico.

Nos casos graves são indicados antimicrobianos

Prevenção

Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar são algumas das formas de prevenção, bem como ações voltadas a educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência.

Locais de uso coletivo, tais como colégios, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas.

Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento entérico, além de reforçadas as orientações às manipuladoras de alimentos e às mães.

Considerando a importância das causas alimentares na diarreia das crianças menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do tempo de aleitamento materno, prática essa que confere elevada proteção a esse grupo populacional.

Fonte: www.sbinfecto.org.br

Shigelose

Agente infeccioso: Shigella spp., Grupos A, B, C, e D – S. dysenteriae, S. flexneri, S. boydii e S. sonnei

Descrição clínica: Início súbito de diarreia (por vezes com sangue, muco e pús) acompanhada de febre e cólicas

Período de incubação: 1-7 dias

Reservatório: Homem doente ou portador

Via de transmissão: Fecal-oral direta ou indireta (exemplo: alimentos contaminados não submetidos a cozedura)

Período de transmissão

Até 2 coproculturas negativas, colhidas com um intervalo mínimo de 24 horas, e 48 horas após a cessação de antibioterapia
Geralmente até 4 semanas após início da doença
É muito raro ser portador durante meses
Controle do doente ou portador

Rehidratação

Antibioterapia: tetraciclinas, ampicilina, cotrimoxazol
Proibição de manipulação dos alimentos e afastamento do cuidado íntimo das crianças ou doentes, quando portadores

Controlo dos contatos

Reforçar as precauções de higiene (ex.: lavagem das mãos antes das refeições e após as dejecções, cozedura dos alimentos, etc.)

No caso de instituições, quando os contatos são funcionários, manipuladores de alimentos, ou cuidam de crianças ou doentes, devem ser afastados/proibidos destas atividades até à obtenção de 2 coproculturas negativas

Fonte: saudepublica.web.pt

Shigelose

Agente etiológico: Bactérias gram negativas do gênero Shigella, constituídas por quatro espécies S. dysenteriae (grupo A), S. flexneri (grupo B) S. boydii (grupo C) e S. sonnei (grupo D).

Reservatório: Trato gastrointestinal do homem, água e alimentos contaminados.

Modo de transmissão

A infecção é adquirida pela ingestão de água contaminada ou de alimentos preparados com água contaminada. Também está demonstrado que as Shigelas podem ser transmitidas por contato pessoal.

Período de incubação: Variam de 12 a 48 horas.

Aspectos Clínicos

Descrição

Infecção bacteriana de expressão clínica pleomórfica, podendo se manifestar através de formas assintomáticas ou sub-clínicas, ou formas graves e tóxicas.

Nas formas graves, a shigelose é doença aguda toxêmica, caracterizada por febre, diarréia aquosa, que pode ser volumosa e com dor abdominal.

A dor abdominal tem característica de cólica difusa, geralmente precedendo a diarréia, que se constitui no sintoma mais freqüente, presente em cerca de 90% dos casos.

De 1 a 3 dias após, as fezes se tornam mucossangüinolentas, a febre diminui e aumenta o número de evacuações, geralmente de pequeno volume e freqüentes, com urgência fecal e tenesmo (colite exsudativa).

Além da febre alta, outras manifestações podem estar presentes, tais como: anorexia, náuseas, vômitos, cefaléia, calafrios, estados totêmicos, convulsões e sinais meningíticos.

Ao exame físico, pode-se observar hipertermia, desidratação, hipotensão, dor à palpação abdominal e ruídos hidroaéreos exacerbados.

Nas formas leves ou moderadas, a shigelose pode se manifestar apenas por diarréia aquosa, sem aparecimento de fezes disentéricas.

Complicações

As complicações neurológicas (convulsão, meningismo, encefalopatias, letargia, alucinações, cefaléia, confusão mental, etc.) constituem as manifestações extra-intestinais mais freqüentes da shigelose, ocorrendo mais em crianças que em adultos.

Outras complicações: sepse, peritonite secundária à perfuração intestinal, SRA, SHU e hemorragia digestiva, pneumonia, conjuntivite, uveíte, prolapso retal, osteomielite, artrite séptica e S. de Reiter.

Tratamento

Semelhante ao indicado para todos os tipos de diarréias. Reidratação oral (SRO), que simplificou o tratamento, pois sabe-se que o esquema de tratamento adequado independe do diagnóstico etiológico, já que o objetivo da terapêutica é reidratar ou evitar a desidratação.

Esse esquema não é rígido, administrando-se líquidos e o SRO de acordo com as perdas; manter o paciente na unidade de saúde até a reidratação; o uso de sonda nasogástrica-SNG é indicado apenas em casos de perda de peso após as 2 primeiras horas de tratamento oral e em face a vômitos persistentes, distensão abdominal com ruídos hidroaéreos presentes ou dificuldade de ingestão; Só indica-se hidratação parenteral em alteração da consciência, vômitos persistentes (mesmo com uso de sonda nasogástrica) e íleo paralítico.

Características epidemiológicas

A freqüência das infecções por Shigella aumenta com a idade da criança. No Brasil, a prevalência dessa bactéria é de 8 a 10% em crianças com menos de um ano de idade e de 15 a 18% em crianças com mais de 2 anos.

Os índices de prevalência nos adultos são semelhantes aos encontrados em crianças com mais de dois anos.

Vigilância Epidemiológica

Objetivo

É uma das doenças diarréicas agudas, cujo objetivo da vigilância epidemiológica é o de monitorar a incidência, visando intervenções em surtos e a manutenção de atividades de educação em saúde com o propósito de diminuir sua freqüência e letalidade.

Notificação

Não é doença de notificação compulsória. Entretanto, como explicitado no capítulo das doenças diarréicas agudas, tem-se instituído o monitoramento das diarréias através de sistemas de notificações sentinelas.

Definição de caso

Indivíduo que apresentar fezes cuja consistência revele aumento do conteúdo líquido (pastosas, aquosas, que podem ser mucossangüinolentas), com aumento do número de dejeções diárias e duração inferior a 2 semanas.

A confirmação é feita através de culturas agente.

Medidas de Controle

Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar.

Educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência.

Locais de uso coletivo, tais como colégios, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas.

Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento entérico, além de reforçadas as orientações às manipuladoras de alimentos e às mães.

Considerando a importância das causas alimentares na diarréia das crianças menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do tempo de aleitamento materno, prática essa que confere elevada proteção a esse grupo populacional.

Fonte: www.pgr.mpf.gov.br

Shigelose

Shigella é um germe que causa uma doença intestinal infecciosa (chamada “shigelose” ou “disenteria”).

Essadoença pode ser tratada, e a maioria das pessoas melhora rapidamente.

A diarréia intensa pode causar desidratação, um quadro perigoso para crianças pequenas, pessoas idosas e doentes crônicos. Em raros casos, o germe pode causar problemas em outras partes do corpo.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais comuns são diarréia, febre, náuseas, vômitos, cólicas abdominais e necessidade de fazer forçapara evacuar.

As fezes podem conter sangue, muco ou pus. Embora seja raro, crianças pequenas acometidas peladoença podem ter convulsões.

Os sintomas podem demorar até uma semana para surgir, mas na maior parte das vezes começam de dois a quatro dias após a ingestão dos germes; geralmente os sintomas duram vários dias, mas podem permanecer por semanas.

Todas as pessoas infectadas ficam doentes?

Não. Algumas só apresentam sintomas brandos e outras nem sequer adoecem. Mas elas ainda eliminam os germes pelas fezes e, se não tiverem cuidado, poderão contaminar outras pessoas.

Como a Shigella é transmitida?

Para causar infecção, os germes precisam ser ingeridos.

Geralmente eles são transmitidos quando as pessoas não lavam as mãos com água e sabão após ir ao banheiro ou trocar fraldas.

Quem tem os germes nas mãos pode se infectar ao comer, fumar ou levar a mão à boca. Pode também passar os germes para qualquer pessoa ou objeto que tocar, até mesmo para alimentos que, se não forem bem cozidos, poderão transmitir a doença.

Em raros casos, os germes Shigella também podem ser transmitidos em lagos e em piscinas com quantidade insuficiente de cloro.

Quando alguém com diarréia banha-se ou nada na piscina ou no lago, os germes podemsobreviver na água e infectar outras pessoas que engolirem esta água ou apenas molharem os lábios com a água.

A Shigella pode ser transmitida por animais?

Não.

Animais domésticos comuns, animais de fazenda e animais silvestres não transmitem esses germes; apenas seres humanos e macacos podem transmiti-los.

Como posso ter certeza que tenho Shigella?

Seu médico, enfermeiro ou centro de saúde precisa enviar uma amostra das suas fezes ou de um swab retal (material coletado por via retal da porção final do intestino) a um laboratório.

O laboratório então faz uma cultura dos germes e realiza testes para verificar se há Shigella na amostra.

Leva alguns dias para os germes crescerem na cultura em número suficiente para que o laboratório possa executar os testes.

Como a doença é tratada?

A shigelose é tratada com antibióticos.

Se você acha que pode estar com essa doença, procure seu médico ou centro de saúde o mais rápido possível.

Pessoas com diarréias ou vômitos precisam ingerir bastante líquido.

Como você pode evitar a shigelose?

As duas coisas mais importantes a lembrar são que a Shigella só pode causar doença se você ingeri-la e que sabão mata o germe.

Siga as dicas a seguir; se você fizer delas um hábito, poderá evitar a shigelose – bem como outras doenças:

Lave sempre muito bem as mãos com água e sabão antes de comer ou tocar nos alimentos e depois de ir aobanheiro ou trocar fraldas.
Se estiver cuidando de alguém com diarréia, esfregue as mãos com bastante água e sabão depois de limpar o banheiro, ajudar a pessoa a usar o banheiro ou após trocar fraldas, roupas ou lençóis sujos.
Não compartilhe alimentos, bebidas, talheres nem canudinhos.
Caso seu filho freqüente uma creche (day care) e esteja com diarréia, avise os funcionários da creche paraque possam tomar todos os cuidados necessários para que os germes não sejam transmitidos a outras crianças.
Não deixe ninguém com diarréia usar uma piscina ou nadar num lago enquanto estiver doente. Sejaextremamente cuidadoso com crianças pequenas, mesmo que elas usem fraldas. Se você ou seu filho tiver diarréia persistente (com ou sem febre), ou se a diarréia for muito forte, telefone para seu médico ou para o centro de saúde e peça aconselhamento.

Existem normas de saúde para pessoas com shigelose?

Sim.

Como a shigelose é uma doença que pode ser facilmente transmitida para outras pessoas, os profissionais da saúde são obrigados por lei a relatar os casos da doença à secretaria local da saúde. Para proteger a população, os funcionários de empresas do ramo alimentício que contraírem shigelose devemficar afastados do trabalho até que não tenham mais diarréia e os exames de laboratório realizados com duas amostras diferentes de fezes comprovem a ausência de Shigella.

Funcionários de empresas do ramoalimentício que estiverem com diarréia e que moram com alguém infectado com shigelose também deverão comprovar que suas fezes não apresentam Shigella. Empresas do ramo alimentício incluem restaurantes, lanchonetes, cozinhas hospitalares, supermercados, fábricas de laticínios e de processamento de alimentos. Essa lei também se aplica a funcionários de escolas, programas domiciliares, creches (day care) e clínicas que fornecem alimentação, tratamento bucal ou administram medicamentos a clientes ou pacientes.

Fonte: www.mass.gov

Shigelose

O que é Shigella?

É um gênero de microrganismos em forma de bastão, Gram-negativo, não formador de esporos.

O gênero contém quatro espécies: S. flexneri, S. sonnei, S. dysenteriae tipo1 e S. boydii.

Todas causam uma doença humana denominada shigelose. A predominância de cada espécie depende da região geográfica. Assim, nos Estados Unidos predomina a S. sonnei, enquanto no Brasil predomina a espécie S. dysenteriae.

O que é shigelose?

Shigelose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Shigella.

Pessoas infectadas tem diarréia, febre e cólicas estomacais que se iniciam um dia ou dois após o contato com a bactéria.

A diarréia é, frequentemente, sanguinolenta. Os principais afetados são crianças com menos de dois anos de idade e os idosos.

Quais são os sintomas da shigelose?

Os sintomas predominantes são diarréia, febre e cólicas estomacais. As fezes têm sangue e muco. A infecção dura de 5 a 7 dias, mas em crianças e idosos, a doença pode ser grave, requerendo hospitalização. Algumas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas podem transmitir a shigelose.

Como as shigeloses são diagnosticadas?

A diarréia sanguinolenta pode ser causada por diversos microrganismos diferentes e o tratamento depende do agente causador.

Os médicos diagnosticam o agente causador através de exame das fezes da pessoa doente.

O diagnóstico da shigelose requer procedimentos laboratoriais especiais, por isso o médico deve especificar no pedido de exame que esse microrganismo também deve ser investigado.

Como as shigeloses são tratadas?

As shigeloses devem ser tratadas com antibióticos. Pessoas com infecções brandas recuperam-se mesmo sem tratamento com antibióticos.

Como se adquire uma shigelose?

A forma mais comum de transmissão da shigelose é através do contato com pessoas infectadas. O microrganismo encontra-se nas fezes das pessoas quando elas estão doentes e mesmo depois de curadas, por até duas semanas.

A transmissão ocorre quando os hábitos de higiene são inadequados.

A infecção pode ocorrer também através da ingestão de alimentos contaminados, que podem ter aparência e odor normais.

Os alimentos contaminam-se através da manipulação em condições higiênicas insatisfatórias, do uso de água contaminada e através de insetos.

Beber ou nadar em água contaminada também pode causar shigelose.

Há conseqüências a longo prazo?

As pessoas com diarréia recuperam-se completamente, embora possa levar vários meses até que o funcionamento do intestino fique normal. Entretanto, os doentes infectados por Shigella flexneri podem apresentar a síndrome de Reiter, caracterizada por dores nas juntas, irritação nos olhos e dor ao urinar. Esses sintomas podem durar meses, podendo se transformar em artrite crônica de difícil tratamento. A Shigella dysenteriae tipo1 pode causar a síndrome urêmica hemolítica.

Como as shigeloses são prevenidas?

Não há vacina para prevenir a shigelose.

A transmissão de um indivíduo para outro pode ser prevenida pela lavagem constante das mãos com sabão.

O cuidado deve ser intensificado quando se tratar de crianças que ainda usam fraldas.

Sempre que possível, deve-se evitar o contato de crianças infectadas com crianças não infectadas. Pessoas que cuidam de crianças infectadas devem lavar bem as mãos após a troca de fraldas.

Adultos com shigelose não devem manipular alimentos ou água. Cuidados básicos de higiene e tratamento adequado da água de consumo são as medidas que previnem a shigelose.

Fonte: www.sfdk.com.br

Shigelose

SHIGELLOSE, SHIGELOSE, SHIGUELOSE, XIGUELOSE

O agente etiológico da disenteria bacilar foi descoberto em 1898 pelo bacteriologista japonês Kiyoshi Shiga, que o denominou Bacillus dysenteriae. Três anos depois, Chester propôs o nome de Bacillus shigae, em homenagem ao seu descobridor.

Finalmente, em 1919, Castellani e Chalmers propuseram a criação de um novo gênero, que recebeu o nome de Shigella, compreendendo quatro subgrupos: S. enteriae, S. flexneri, S. boydii e S. sonnei.[1]

 A infecção produzida por qualquer das espécies integrantes do gênero Shigella passou a ser chamada de shigellosis em inglês; shigellosen, em alemão; shigellose, em francês; shigellosi, em italiano, e shigelosis, em espanhol.

Em português, esta palavra tem sido escrita de diferentes maneiras: shigellose, shigelose, shiguelose, xiguelose. Em todas elas o sufixo ose permanece invariável, divergindo a grafia no tocante ao radical.

Shigellose mantém o duplo l de Shigella, enquanto shigelose utiliza um único l conforme o português moderno. Na forma shiguelose o radical se encontra alterado pela introdução da vogal u, intercalada com a finalidade de caracterizar o som velar da letra g. Xiguelose é produto de um foneticismo exagerado, que considera o dígrafo sh impróprio à língua portuguesa.

Qual das formas devemos preferir?

 A ortografia simplificada, em uso no Brasil desde 1943, permite até certo ponto uma escrita fonética, suprimindo consoantes dobradas, substituindo o y por i e eliminando os grupos consonantais ph, th, rh. Não vai ao exagero, entretanto, de descaracterizar graficamente as palavras como querem alguns reformistas radicais.

As palavras existem como sons na linguagem falada, porém, na linguagem escrita, existem principalmente como imagens visuais. É importante que se não incorra no erro de querer modificar, consoante a fonética, todas as palavras de origem estrangeira, quando se trata de linguagem técnica. O problema se assemelha ao dos topônimos e antropônimos.

No caso em tela, é importante a manutenção do radical Shig, que nos traz à memória, imediatamente, o nome do genial pesquisador japonês Shiga. Na forma Xiguelose este radical acha-se totalmente desfigurado.

 Assim, a forma mais próxima da nomenclatura internacional e que atende as peculiaridades da língua portuguesa é shiguelose, com um único l e a introdução da vogal u para a caracterização do som velar de g.

Joffre M de Rezende

Referência bibliográfica 

1.  Buchanan, R.E., Gibbons, N.E. Bergey’s Manual of Determinative Bacteriology, 8.ed., Baltimore, The Williams & Wilkins, 1975  
Publicado no livro Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004..  

Fonte: usuarios.cultura.com.br

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