Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Tétano  Voltar

Tétano

O Tétano é uma doença infecciosa causada pela bactéria Clostridium tetani (bacilo de Nicolaier) e transmitida pelo contato de ferimentos superficiais ou profundos com terra, ferrugem ou fezes, onde vive a bactéria.

Ao se instalar na lesão, o microrganismo começa a produzir uma toxina que atinge as terminações dos nervos, migrando até a medula e desorganizando os impulsos nervosos.

Com isso, deixa os músculos em contração permanente. O ferimento do cordão umbilical dos recém-nascidos é uma das portas de entrada da bactéria. Nesse caso, a doença é chamada de tétano umbilical ou neonatal.

Tétano
Clostridium tetani

Sintomas

Os primeiros sintomas costumam aparecer de sete a dez dias após a contaminação e seguem uma ordem determinada.

Inicialmente, ocorre o tétano local, a rigidez dos músculos na região do ferimento.

Em seguida, surgem contrações permanentes e convulsões.

Também podem ocorrer dor nas costas e nos membros e rigidez na nuca e na parede abdominal.

Os sintomas costumam intensificar-se com estímulos luminosos, manuseio do ferimento, secreção e tosse. A doença pode levar à morte do doente por asfixia.

Prevenção e tratamento

A prevenção é feita com a vacina tríplice, que deve ser reforçada até a idade adulta.

Quando uma pessoa é ferida, deve limpar o local com água e sabão e, se existirem corpos estranhos, fazer limpeza cirúrgica.

Em seguida, é preciso tomar soro antitetânico e antibiótico e permanecer em observação.

Para combater as dores e a rigidez dos músculos, são usados sedativos e medicamentos músculo-relaxadores. É falsa a idéia de que ao ferver os objetos se mata a bactéria do tétano, já que ela sobrevive a alta temperatura.

Fonte: www.superzap.com

Tétano

O tétano é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa, mas muitas vezes fatal, pois só no Brasil mata mais de mil pessoas por ano.

O bacilo causador é o Clostridium Tetani ou bacilo tetânico ou bacilo de Nicolaier, em homenagem ao médico alemão que o descobriu em 1885.

Estes bacilos podem formar esporos, tornando-se arredondados e podendo sobreviver em condições adversas. Tais esporos sobrevivem no intestino humano e no de outros animais, sem prejudicar-lhes o organismo, porém suas evacuações levam com os dejetos os esporos tetânicos para o solo, contaminando-o, o que explica a maior incidência de tétano na zona rural ou onde não há destino adequado aos dejetos.

TRANSMISSÃO

Os esporos permanecem nos locais, contaminando também os objetos que as pessoas manuseiam, ou outros que se encontram em toda parte: pregos, arames farpados, facas, tesouras, espinhos, cacos de vidro, etc. Assim, quando alguém se fere, os esporos penetram junto com a sujeira dos objetos contundentes, indo alojar-se sob a pele e, portanto, livre de contato com o ar. Nestas condições, os esporos liberam os bacilos que se reproduzem e passam a produzir toxinas que invadem o sangue e, posteriormente, o sistema nervoso central que controla os movimentos musculares. O resultado são as contrações tetânicas, características desta doença, como, por exemplo, no rosto, o “riso sardônico”.

O esporo é resistente e permite que a célula bacteriana ou bacilo sobreviva, quer no intestino humano quer no meio externo, como foi citado anteriormente. Já o bacilo, sem a proteção do esporo, é muito sensível e não muito resistente, morrendo logo. É uma bactéria anaeróbia; um sopro de ar fresco sobre uma ferida superficial é suficiente para matá-lo. Podemos observar também o seu desaparecimento quando passamos água oxigenada (H2O2) sobre o local ferido, o que é um ótimo costume, pois enzimas presentes no local do ferimento liberam O2 da água oxigenada, suficiente para matar os bacilos tetânicos que ali se encontram.

SINTOMAS

Os sintomas se manifestam normalmente entre 5 e 10 dias devido às toxinas liberadas pelos bacilos tetânicos. Inicialmente, caracteriza-se por irritabilidade, cefaléia, febre e dificuldade de deglutição. Além de a contratura provocar deformações fisionômicas no rosto, o “riso sardônico”, a rigidez muscular, ao chegar à nuca, projeta a cabeça para trás; no abdômen, provoca o que se chama de “abdômen-tábua”; na língua e na faringe, torna quase impossível o paciente engolir até mesmo água. Muitas vezes o espasmo gótico pode ser causa de asfixia. Se o processo não puder ser controlado, a pessoa poderá morrer asfixiada.

PROFILAXIA E TRATAMENTO

Vacinação das crianças, a partir dos 2 ou 3 meses de idade, em geral associada à vacinação contra coqueluche e difteria (vacina tríplice). Devem ser feitas, no mínimo, três doses com intervalos de 30 a 60 dias. A dose de reforço ou revacinação deve ser repetida a cada 10 anos. Caso a criança tenha tido a vacinação completa, com cinco doses, não é necessário revaciná-la antes dos 14 anos.

Uma pessoa com algum ferimento que possa levar ao tétano, se não foi devidamente vacinada na infância ou se já foi vacinada a mais de 10 anos, pode e deve receber a vacina. Conforme o caso, pode haver também a necessidade de administração de soro antitetânico ou imunoglobulina antitetânica humana. Portanto, recomenda-se levar a pessoa a um posto de saúde para orientação. Outra recomendação importante é lavar os ferimentos com água e sabão, complementar a limpeza com água oxigenada 10 volumes e usar anti-séptico tópico, como, por exemplo, tintura de iodo. Importante é não usar pós-cicatrizantes em feridas recentes.

Fonte: underpop.free.fr

Tétano

O tétano é uma infecção aguda e grave, causada pela toxina do bacilo tetânico (Clostridium tetani), que entra no organismo através de ferimentos ou lesões de pele e não é transmitido de um indivíduo para o outro.

O tétano decorrente de acidentes se manifesta por aumento da tensão muscular geral. Quando os músculos do pescoço são atingidos, há dificuldade de deglutição. No caso de contratura muscular generalizada e rigidez muscular progressiva, são atingidos os músculos reto-abdominais e os do diafragma, o que leva à insuficiência respiratória. O doente pode sofrer de crises de contraturas, geralmente desencadeadas por estímulos luminosos, sonoros ou manipulação da pessoa, podendo levar à morte.

Já o tétano neonatal é decorrente da contaminação do cordão umbilical em recém-nascido (criança com até 28 dias de vida). Neste caso, o sistema nervoso é afetado e o tétano provoca fortes dores, fazendo com que a criança tenha contrações, chore bastante e sinta dificuldade para mamar.

Transmissão

Ocorre pela introdução dos esporos da bactéria em ferimentos externos, geralmente perfurantes, contaminados com terra, poeira, fezes de animais ou humanas.

Isso porque o bacilo se encontra no intestino dos animais, especialmente do cavalo e do homem (sem causar doença) e os esporos podem estar presentes tanto em solos contaminados por fezes ou com esterco, como na pele ou na poeira das ruas, por exemplo.

Queimaduras e tecidos necrosados também são uma porta de entrada, o que favorece o desenvolvimento da bactéria.

Não apenas pregos e cercas enferrujados podem provocar a doença: a bactéria do tétano pode ser encontrada nos mais diversos ambientes.

Já a transmissão do tétano neonatal, também chamado de “mal de sete dias”, ocorre pela contaminação do coto umbilical por esporos do bacilo tetânico, que podem estar presentes em instrumentos sujos utilizados para cortar o cordão umbilical ou em substâncias pouco higiênicas usadas para cobrir o coto.

Prevenção

O tétano não é contagioso, porém, mesmo aqueles que já contraíram a doença, não adquirem anticorpos para evitá-lo novamente.

A vacinação é a única forma de proteção.

Para uma imunização adequada, em caso de ferimento, é preciso ter tomado três doses de toxóide tetânico (presente em todas as seguintes vacinas: DTP, DT e dT), tendo sido a última dose há menos de dez anos.

A manutenção de níveis adequados de cobertura vacinal é recomendada para toda a população e não somente para os considerados grupos de risco:

Crianças

Pessoas da terceira idade

Pessoas portadoras de úlceras de perna crônicas

Trabalhadores como agricultores

Operários da construção civil

Pessoas com mal perfurante plantar decorrente de Hansen.

Com relação ao tétano neonatal, a prevenção deve ser feita a partir da vacinação de todas as mulheres em idade fértil (entre 12 e 49 anos), com três doses da vacina.

Antes do parto, a mulher deverá ter tomado pelo menos duas doses da vacina e, caso sua última dose tenha sido há mais de cinco anos, ela deverá tomar um reforço.

Além disso, é importante a melhoria da atenção ao pré-natal e ao parto, que deve ser prestada por pessoal capacitado em vacinação e procedimentos higiênicos adequados.

O esquema básico de vacinação na infância é feito com três doses da vacina combinada contra DTP e Hib aos dois, quatro e seis meses.

O primeiro reforço é feito com a DTP aos 15 meses e o outro entre quatro e seis anos de idade. O cuidado com a ferida inclui uma limpeza imediata e completa, especialmente nas feridas incisas profundas, porque o pó e o tecido morto favorecem o crescimento das bactérias Clostridium tetani.

Ao contrário do que muita gente pensa, o tétano não é transmitido apenas por pontas de pregos enferrujados. Muito mais presente no ambiente do que se imagina, a bactéria Clostridium tetani, agente causadora da moléstia, não sobrevive na presença de oxigênio e por isso mesmo encontra-se sob a forma esporulada em locais como terra, areia, espinhos de plantas, fezes, agulhas de injeções não esterelizadas, poeira de rua, apenas aguardando uma ferida aberta que lhe dê a oportunidade de se manifestar.

Uma vez no organismo humano, a Clostridium germina, assume uma forma vegetativa e passa a produzir uma poderosa toxina chamada tetanospasmina que ataca o sistema nervoso central, causando rigidez muscular em diversas regiões do corpo. Entre os principais sintomas observa-se o trismo (alteração nervosa que impossibilita a abertura da boca), riso sardônico (produzido por espasmos dos músculos faciais), dores nas costas, rigidez abdominal e da nuca, espasmos e convulsões. O quadro pode ser tornar complicado e causar parada respiratória ou cardíaca.

O tratamento inclui, principalmente, sedativos, músculo-relaxadores, antibióticos e o soro antitetânico, sendo a primeira semana capital para se evitar a morte do doente. A partir de então, restará administrar os medicamentos e aguardar a recuperação orgânica dos tecidos comprometidos, sobretudo o nervoso. Estatísticas apontam que as maiores vítimas de tétano são crianças de até 14 anos.

Apesar do tratamento do tétano ser complicado, evitá-lo é extremamente fácil. Crianças de até cinco anos devem tomar a vacina tríplice, mas todos, sem exceção, devem ser vacinados com o toxóide tetânico com reforço a cada dez anos. A vacina pode ser adquirida em qualquer posto de saúde público. Caso ocorra algum tipo de ferimento, recomenda-se a lavagem imediata do local com água e sabão e a aplicação de água oxigenada, já que a Clostridium tetani não resiste ao contato com o oxigênio.

Fonte: www.fiocruz.br

Tétano

O tétano é uma doença imunoprevenível, grave e potencialmente fatal, geralmente adquirida por contaminação de ferimentos (mesmo pequenos).

1. Quem precisa ser vacinado contra o tétano?

Todos. A bacteria causadora do tétano, o Clostridium tetani, existe como esporo (forma de resistência) no ambiente (solo, esterco, superfície de objetos). Como não é possível eliminar os esporos da bactéria causadora do tétano do ambiente, para evitar a doença é essencial que todas as pessoas sejam adequadamente vacinadas.

2. O risco de tétano existe em qualquer tipo de ferimento?

Existe. Embora o risco de desenvolvimento de tétano seja maior em pessoas não vacinadas com feridas sujas, mal cuidadas ou com corpos estranhos (terra, café, madeira, metais), pode ocorrer tétano até mesmo sem um ferimento aparente (10% a 20% dos casos). Isto torna a vacinação essencial, independente da ocorrência de ferimentos.

3. Que vacinas existem contra o tétano?

As mais comumente utilizadas são:

Em crianças

DPT e DPaT (proteção contra difteria, coqueluche e tétano)

DT (proteção contra difteria e tétano)

Em adultos

dT (proteção contra difteria e tétano)

ATT (proteção contra o tétano)

4 . É melhor ser vacinado com a ATT, que é exclusiva contra o tétano, ou com a dT (contra tétano e difteria)?

Com a dT. A vacina dupla (dT), composta pelo toxóide tetânico e pelo diftérico, é tão segura e eficaz quanto a vacina antitetânica isolada (ATT). A difteria, assim como o tétano, é uma doença grave que pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e que pode ser facilmente evitada com o uso da vacina. Desta forma, o ideal é que tanto o esquema básico, quanto os reforços sejam feitos com dT, mesmo quando administrados em Serviços de Emergência.

5. Qual a composição das vacinas contra o tétano?

Todas as vacinas antitetânicas, além dos componentes contra as outras doenças, são produzidas a partir da toxina tetânica inativada que atua como antígeno que estimula a produção de anticorpos. Além disso contém timerosal (Mertiolate®) como estabilizador, hidróxido de alumínio como adjuvante vacinal.

6. Por que se ouve falar tanto em "alergia à injeção antitetânica"?

Estas reações devem-se geralmente ao soro antitetânico e não à vacina. O soro antitetânico é, geralmente, produzido a partir de cavalos e administrado também por via intramuscular, de forma semelhante à vacina. O soro é utilizado em pessoas não vacinadas ou que não têm certeza de terem recebido a vacina antitetânica.

As reações ao soro são muito mais comuns e estão associadas a presença de proteínas de origem animal (cavalo) existentes em sua composição. Quem tem a vacinação completa e com reforços em dia não precisa receber o soro antitetânico, o que diminui os riscos de reação.

7. A vacina contra tétano e difteria (dT) pode causar reações?

Pode, como qualquer outra vacina, mas as reações são habitualmente brandas, quando ocorrem. As mais comuns (dor, vermelhidão e induração) são relacionadas ao local de aplicação da vacina, que é intramuscular. Eventualmente, pode ocorrer febre nas primeiras 72 horas após vacinação. Reações alérgicas graves (anafilaxia) são raras.

8. A vacinação contra tétano e difteria é igual para crianças e adultos?

Não. O esquema básico de vacinação na infância começa no primeiro ano de vida. É feito com três doses de DPT (vacina contra tétano, difteria e coqueluche, adequada para crianças), aos dois, quatro e seis meses, seguindo-se de um reforço aos 15 meses e outro aos dez anos de idade. A partir daí, a cada dez anos, deve ser feito um reforço com dT (vacina contra tétano e difteria, adequada para adultos), para assegurar proteção adequada.

Os adultos que nunca foram vacinados contra tétano (grande parte da população adulta nunca foi, ou desconhece que tenha sido vacinada) deve receber três doses da vacina dupla de adulto (dT) para proteção contra o tétano e a difteria, respeitando-se o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Depois de completada a série de três doses, é necessario apenas uma dose de reforço a cada dez anos, para manter a proteção adequada.

Crianças ou adultos que iniciaram a vacinação, e interromperam em qualquer época, devem completar as doses até a terceira, independente do tempo decorrido.

A partir daí, o reforço deve ser feito a cada dez anos.

9. Quem está sem o reforço da antitetânica há mais de 10 anos, mas tem vacinação completa, precisa repetir as três doses?

Não. Basta um reforço, uma vez que apenas uma dose é capaz de recuperar a imunidade completamente. O reforço com dT deve ser administrado a cada dez anos para evitar que, em algum momento, o indivíduo não esteja adequadamente protegido. Entretanto, se o tempo transcorrido for superior, não é necessário repetir as três doses da vacina.

10. As gestantes podem ser vacinadas?

Podem e devem. As gestantes que nunca foram vacinadas, além de estarem desprotegidas não passam anticorpos para o filho, o que acarreta risco de tétano neonatal para o bebê. A vacinação é feita como a de qualquer adulto, com a vacina dT (três doses), que pode ser administrada com segurança durante a gravidez. Ë recomendável que, de acordo com o tempo disponível, se possível a terceira (ou pelo menos a segunda dose) seja administrada até duas semanas da data prevista do parto, visando a passagem de elevados títulos de anticorpos para o concepto. Deve-se programar a 3a dose para as mulheres que fizeram apenas duas doses durante a gestação (seis a doze meses após a 2a dose).

11. Existe alguma situação na qual é necessário antecipar o reforço contra o tétano?

Sim. Em duas situações, e apenas quando a última dose foi a mais de cinco anos. A primeira, refere-se aos indivíduos com ferimentos de alto risco para o tétano.

A segunda, às gestantes, que devem receber um reforço no sétimo mês de gestação, para garantir proteção adequada para o bebê contra o risco de tétano neonatal.

A antecipação do reforço sem indicação precisa, além de ser tecnicamente desnecessária aumenta o risco de efeitos adversos.

12. Para evitar o tétano basta estar vacinado?

Não. A vacinação completa reduz muito o risco de tétano, mas é necessário lavar o ferimento com água e sabão, e procurar retirar corpos estranhos (terra, fragmentos de madeira). Caso a pessoa não esteja vacinada adequadamente, pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, apenas na sua falta, soro antitetânico). Para as pessoas não vacinadas, é importante completar a vacinação antitetânica iniciada nos Hospitais de Emergência, até a terceira dose (com intervalo mínimo de um mês), nos Centros Municipais de Saúde.

O Cartão de Vacinação é um documento de comprovação de imunidade, sendo responsabilidade das Unidades de Saúde emití-lo ou atualizá-lo por ocasião da administração de qualquer vacina. Deve ser guardado junto com os documentos de identificação pessoal. É importante que seja apresentado nos atendimentos médicos de rotina e fundamental que esteja disponível nos casos de acidentes.

Fonte: www.arquivomedico.hpg.ig.com.br

Tétano

O tétano pode ser uma doença fatal, como na maioria dos casos, no Brasil morrem cerca de mil pessoas por ano, isso poderia ser evitado com uma simples vacina como prevenção.

O tétano é causado por uma bactéria conhecida no meio acadêmico como Clostridium tetani, este germe tem cerca de 3 à 5 micra de comprimento, sua morfologia se assemelha a um palito de fósforo, mas nem sempre se apresenta assim, para aumentar sua capacidade de sobrevivência, este micróbio assume a forma de esporo.

O esporo tetânico geralmente vive no intestino do homem e de outros animais, sem lhes causar danos.

As dejeções os espalham por toda parte, o que explica a maior incidência de tétano nas zonas rurais. Os esporos podem ser levados pelo vento, água ou mesmo através dos pés de animais como aves, roedores, gado e outros, portanto podemos encontrar este agente infeccioso em qualquer lugar, não apenas sobre metais enferrujados como diz a crendice popular.

Já o bacilo é bem mais sensível, Só podem sobreviver fora do contato com o oxigênio, o que o classifica como um micróbio anaeróbio, basta apenas um sopro de ar para mata-lo. Dificilmente este tipo de micróbio se desenvolve em ferimentos superficiais em virtude da alta exposição ao oxigênio, porém, em ferimentos profundo, longe do contato com o oxigênio o esporo pode se desabrochar em bacilo e proliferar. As toxinas produzida por este micróbio apresenta alto grau de toxidade para o sistema nervoso central que regula o movimento muscular.

Quando o bacilo tetânico atinge o sistema nervoso desencadeia alta sensibilidade, a luz e o barulho, em contato com esses efeitos o infectado sofre espasmos musculares de proporções que podem leva-lo a morte.

SINTOMAS

Este tipo de infestação provoca vários sintomas:

No rosto, a contratura provoca deformações de fisionomia, especialmente o característico - riso sardônico . A rigidez ao chegar à nuca, projeta a cabeça para trás; no abdome, nivela a musculatura, caracterizando-se o chamado Abdome-tábua ; na língua e na faringe, torna praticamente impossível ao paciente engolir até mesmo água.

Todos estes sintomas podem ir muito além e matar o indivíduo por asfixia, devido ao espasmo muscular do sistema respiratório.

PREVENÇÃO

A prevenção contra o tétano esta justamente na vacinação, não existe nenhum outro tipo conhecido. A vacina antitetânica é obtida da própria toxina tetânica, atenuada em sua virulência por processos artificiais.

TRATAMENTO

Para combater o tétano, só há um remédio: o soro antitetânico, que, contudo, possui limitações.

1- Uma delas, é que o bacilo não tenha atingido o sistema nervoso.

2- Que o paciente não seja alérgico ao soro antitetânico, pois pode ter consequências fatais.

Fora isso, o tratamento possui apenas formas paliativas - sedativos, relaxantes musculares, drogas contra a dor e antibióticos.

NOTA:

A toxina tetânica ataca, sobretudo, a ponte de Varólio e os cornos anteriores da medula espinhal (pontilhado vermelho).

Na medula atinge as células cujos prolongamentos inervam os músculos de movimentação voluntária.

Fonte: www.consulteme.com.br

Tétano

Tétano é uma doença infecciosa, causada pela ação da exotoxina do Clostridium tetani sobre as células motoras do sistema nervoso.

Caracteriza-se pela hipertonia da musculatura estriada, generalizada ou não.

Patogenia

Condições para que se instale o tétano no homem:

Existência de solução de continuidade no revestimento cutâneo mucoso e/ou uma víscera

Penetração no organismo de esporos tetânicos

Ausência ou insuficiência de luminosidade

A toxina tetânica fixada nas células nervosas bloqueia a transmissão dos impulsos inibidores dos neurônios, produzindo prolongados espasmos musculares, tanto dos grupos flexores como dos extensores com predominância dos flexores. No tétano avançado irão predominar as contraturas de flexão.

Etiologia

O Clostridium tetani ou bacilo de Nicolaier (1885), é gram-positivo, estritamente anaeróbio, resistente à ebulição durante 8 minutos, à dessecação, à luz e aos anti-sépticos. Conserva sua vitalidade durante anos ao abrigo da luz.

O bacilo tetânico sobrevive à temperatura de 37ºC, podendo sobreviver a variação entre 14 e 43ºC.

Diagnóstico Diferencial

O Tétano pode ser confundido com afecções da boca que se fazem acompanhar de trismo, como abcesso dentário, amigdalite e outros.

Deve também ser diferenciado do envenenamento pela estriquinina, das meningites, hidrofobia, histeria e outros.

Diagnósticos Clínicos

1) Forma Generalizada - hipertonia muscular generalizada responsável por sinais característicos das doenças: trismo, riso dardônico, opistótono, rigidez abdominal, convulsões e espasmos musculares.

Estes são extensos e generalizados espontâneos ou desencadeados por estímulos diversos.

A forma generalizada é classificada em três grupos: leve, moderada e grave, baseada no tempo de progressão.

Grupo I - Leve: o período de incubação é maior que 14 dias e o de progressão superior a 6 dias. Os sintomas são discretos, boa resposta aos sedativos.

Grupo II - Grave: o período de incubação ocorre entre 10 e 14 dias e o de progressão de 3 e 6 dias. Os sintomas são intensos, rigidez generalizada. Inexistem os sinais de insuficiência respiratória. Febre e sudorese são discretas. A resposta aos miorelaxantes e sedativos controla os sintomas de modo satisfatório.

Grupo III - Gravíssimo: o período de incubação é menor que 10 dias e o de progressão inferior a 3 horas. Os sintomas bastante intensificados causam, com freqüência, aspiração de salivas ou do conteúdo gástrico para as vias aéreas durante as crises de apnéia. Respostas aos sedativos e miorelaxantes é inadequada, tornando necessário o emprego de métodos terapêuticos mais complexos como curarização, traqueostomia e ventilação artificial prolongado.

2) Forma Localizada - manifesta-se por hipertonia e espasmos musculares limitados quase que exclusivamente aos grupos musculares inervados pelas vias neurais que transportam a toxina da região do ferimento. A forma cefálica, entretanto, pode levar o paciente ao óbito por insuficiência respiratória conseqüência de espasmos da glote ou laringe.

Tratamento

Não existem meios de se fazer o tratamento etiológico, pois processos de detoxicação ou neutralizar a toxina que se encontra fixada nos tecidos ainda são desconhecidos. Desse modo o tratamento é, essencialmente sintomático.

Objetivos do tratamento:

1) Remoção de toxinas:

Tratamento do foco suspeito empregando-se antibióticos

A ferida é amplamente aberta e desbridada com o objetivo de retirar corpos estranhos

2) Neutralização da toxina ainda não combinada nos líquidos orgânicos ou na ferida.

3) Controle dos sistemas e manutenção das funções vitais:

O tratamento é individual e a evolução do tétano é bastante imprevisível e a resposta terapêutica muito variável.

4) Evitar complicações:

Sedação e relaxamento muscular. (Diazepan ou derivados)

5) Promover a reabilitação e prevenir as recidivas:

Medidas gerais: ambiente silencioso e confortável; estabelecer plano de observação e de cuidados de enfermagem para evitar os estímulos.

A observação constante permite ajustar aos tipos de medicamento e respectivas doses às necessidades individuais de sedação e relaxamento.

Complicações e Prognóstico

Fraturas de vértebras e costelas, deformidades torácicas, infecção bacteriana, complicações pulmonares por gram (-), insuficiência renal, acidose Láctea, choque séptico, o que poderão ensombrecer o prognóstico.

Profilaxia

Imunização ativa (com toxóide tetânica ou dT)

Imunização passiva (com soros antitetânicos, homólogos ou heterólogos)

Educação sanitária, principalmente na prevenção do tétano umbilical (neonatal)

As gestantes devem receber três doses de toxóides, sendo a terceira no último trimestre da gravidez. Nas gerações subseqüentes bastaria a aplicação de uma dose de reforço.

Assistência de Enfermagem no Tétano:

Manter jejum absoluto e não instalar SNG nas primeiras 48 horas de internação
Fazer sondagem vesical permanente se o paciente não conseguir urinar espontaneamente
Suprimir qualquer tipo de estímulo
Realizar as atividades durante o período máximo de sedação do paciente
Repor perdas de líquido liberados durante a exaustão física
Manter o paciente em quarto especial onde possa evitar estímulos de qualquer espécie
Manter vigilância rigorosa para controle da freqüência das contraturas
Manter punção venosa para casos de emergências
Caso seja tétano neonatal, proteger o olho com gazes umedecidas em soro fisiológico para evitar lesão de córnea

Fonte: www.aguaviva.mus.br

Tétano

O tétano é uma doença grave causada pela toxina produzida por uma bactéria, o Clos-tridium tetani.

Essa bactéria é encontrada no ambiente (solo, esterco, superfície de obje-tos) sob uma forma extremamente resistente, o esporo.

Quando contamina ferimentos, sob condições favoráveis (presença de tecidos mortos, corpos estranhos e sujeira), tor-na-se capaz de produzir a toxina, que atua em terminais nervosos, induzindo fortes con-trações musculares.

Quais os sinais e sintomas?

As primeiras manifestações, geralmente dificuldade de abrir a boca (trismo) e de engo-lir, surgem alguns dias após a inoculação dos esporos do Clostridium tetani nos feri-mentos e estão associadas ao acometimento dos músculos pescoço.

Na maioria dos casos, ocorre progressão para contraturas musculares generalizadas, que podem colocar em risco a vida do indivíduo quando comprometem a musculatura respiratória.

Como tratar?

Independentemente do esquema vacinal estar completo ou não, a limpeza do ferimento com água e sabão, e a retirada corpos estranhos (terra, fragmentos de madeira) é essen-cial, até para evitar infecção secundária com outras bactérias. Se o indivíduo não estiver com o esquema completo, dependendo do tipo de ferimento, pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, apenas na sua falta, soro antitetânico).

Para as pessoas não vacinadas, é importante completar a vacinação antitetânica no posto de saúde mais próximo da sua residência.

Como se prevenir?

O tétano é uma doença imunoprevenível. Como não é possível eliminar os esporos do Clostridium tetani do ambiente, para evitar a doença é essencial que todas as pessoas estejam adequadamente vacinadas.Grande parte da população adulta nunca recebeu, ou desconhece que tenha recebido, a vacina contra o tétano e precisa, portanto, receber o esquema vacinal completo.

Em adultos, o esquema vacinal completo é feito com três doses da dT (vacina dupla, própria para adultos), que confere proteção contra o tétano e a difteria.

O esquema pa-drão de vacinação (indicado para os maiores de sete anos) preconiza um intervalo de um a dois meses entre a primeira e a segunda dose e de seis a doze meses entre a segun-da e a terceira dose, no intuito de assegurar elevados títulos de anticorpos protetores por tempo mais prolongado.

Admite-se, entretanto, que a vacinação possa ser feita com in-tervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Para os que iniciaram o esquema e interrom-peram em qualquer época, basta completar até a terceira dose, independente do tempo decorrido desde a última aplicação.

A dT pode ser administrada com segurança em gestantes e constitui importante medida de prevenção do tétano neonatal. Cabe ressaltar que, para assegurar proteção permanente, além da série básica, é necessária a aplicação de uma dose de reforço a cada dez anos, uma vez que a proteção contra o tétano fica reduzida com o passar do tempo.

Situação do Tétano no Mundo e no Brasil

Como podemos observar acima, o tétano tem distribuição no mundo todo, portanto a recomenda-se a atualização da situação vacinal contra tétano para todos os viajantes.

Fonte: www.anvisa.gov.br

Tétano

O tétano é uma doença grave causada pela toxina produzida por uma bactéria, o Clostridium tetani.

Essa bactéria é encontrada no ambiente (solo, esterco, superfície de objetos) sob uma forma extremamente resistente, o esporo. Quando contamina ferimentos, sob condições favoráveis (presença de tecidos mortos, corpos estranhos e sujeira), torna-se capaz de produzir a toxina, que atua em terminais nervosos, induzindo fortes contrações musculares.

As primeiras manifestações, geralmente dificuldade de abrir a boca (trismo) e de engolir, surgem alguns dias após a inoculação dos esporos do Clostridium tetani nos ferimentos e estão associadas ao acometimento dos músculos pescoço. Na maioria dos casos, ocorre progressão para contraturas musculares generalizadas, que podem colocar em risco a vida do indivíduo quando comprometem a musculatura respiratória.

Profilaxia

O tétano é uma doença imunoprevenível.

Como não é possível eliminar os esporos do Clostridium tetani do ambiente, para evitar a doença é essencial que todas as pessoas estejam adequadamente vacinadas.Grande parte da população adulta nunca recebeu, ou desconhece que tenha recebido, a vacina contra o tétano e precisa, portanto, receber o esquema vacinal completo.

Em adultos, o esquema vacinal completo é feito com três doses da dT (vacina dupla, própria para adultos), que confere proteção contra o tétano e a difteria.

O esquema padrão de vacinação (indicado para os maiores de sete anos) preconiza um intervalo de um a dois meses entre a primeira e a segunda dose e de seis a doze meses entre a segunda e a terceira dose, no intuito de assegurar elevados títulos de anticorpos protetores por tempo mais prolongado.

Admite-se, entretanto, que a vacinação possa ser feita com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Para os que iniciaram o esquema e interromperam em qualquer época, basta completar até a terceira dose, independente do tempo decorrido desde a última aplicação.

A dT pode ser administrada com segurança em gestantes e constitui importante medida de prevenção do tétano neonatal. Cabe ressaltar que, para assegurar proteção permanente, além da série básica, é necessária a aplicação de uma dose de reforço a cada dez anos, uma vez que a proteção contra o tétano fica reduzida com o passar do tempo.

Independentemente do esquema vacinal estar completo ou não, a limpeza do ferimento com água e sabão, e a retirada corpos estranhos (terra, fragmentos de madeira) é essencial, até para evitar infecção secundária com outras bactérias. Se o indivíduo não estiver com o esquema completo, dependendo do tipo de ferimento, pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, apenas na sua falta, soro antitetânico).

Para as pessoas não vacinadas, é importante completar a vacinação antitetânica iniciada nos Hospitais de Emergência até a terceira dose (com intervalo mínimo de um mês), nos Centros Municipais de Saúde.

O Cartão de Vacinação é um documento de comprovação de imunidade, sendo responsabilidade das Unidades de Saúde emití-lo ou atualizá-lo por ocasião da administração de qualquer vacina. Deve ser guardado junto com documentos de identificação pessoal. É importante que seja apresentado nos atendimentos médicos de rotina e fundamental que esteja disponível nos casos de acidentes.

Fonte: www.cives.ufrj.br

Tétano

O tétano (trismo) é uma doença causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani.

Os espasmos dos músculos dos maxilares recebem o nome de trismo. Se bem que seja cada vez menos frequente nos países desenvolvidos, o tétano afeta indivíduos de muitas partes do mundo, em especial os que vivem nos países em vias de desenvolvimento.

Os esporos do Clostridium tetani podem viver durante anos na terra e nas fezes dos animais. Uma vez que as bactérias do tétano penetram no organismo de uma pessoa, pode verificar-se uma infecção em feridas contaminadas, tanto superficiais como profundas. As pessoas com queimaduras ou feridas cirúrgicas, bem como aquelas que se injetam com drogas, correm um risco elevado de contrair o tétano. Depois do parto pode ocorrer uma infecção do útero da mulher e do cordão umbilical do recém--nascido (tétano neonatal).

Enquanto crescem, as bactérias do tétano produzem uma toxina. É essa toxina, e não as bactérias, a causa dos sintomas da infecção.

Sintomas

Os sintomas costumam aparecer entre 5 e 10 dias após a contaminação, mas por vezes surgem mesmo já aos 2 dias ou então tão tarde como aos 50. O sintoma mais frequente é a rigidez dos maxilares. Outros sintomas incluem inquietação, dificuldade em engolir, irritabilidade, dor de cabeça, febre, dor de garganta, arrepios, espasmos musculares e rigidez da nuca, braços e pernas. À medida que a doença avança, o doente pode ter dificuldade em abrir a boca (trismo). Os espasmos dos músculos da face levam a uma expressão facial com um sorriso fixo e as sobrancelhas levantadas. A rigidez ou os espasmos nos músculos abdominais, do pescoço e das costas podem ocasionar uma postura característica, na qual a cabeça e os calcanhares se desloquem para trás e o corpo esteja curvado para a frente. O espasmo dos esfincteres musculares pode causar obstipação e retenção de urina.

Certos incómodos menores, como o ruído, uma corrente de ar ou o fato de a cama se mexer, podem desencadear espasmos musculares dolorosos e sudação profusa. Durante os espasmos em todo o corpo, o doente não consegue gritar, nem sequer falar, devido à rigidez dos músculos do tórax e ao espasmo da garganta. Esta situação impede também de respirar com normalidade e, como consequência, o indivíduo não recebe oxigénio suficiente e pode morrer por asfixia.

Em regra não costuma haver febre. A respiração e os batimentos cardíacos aceleram-se e os reflexos podem estar exagerados.

O tétano pode ainda limitar-se a um grupo de músculos em torno da ferida. Os espasmos próximos dela podem durar semanas.

Diagnóstico e prognóstico

O médico suspeita da presença de tétano quando uma pessoa que se feriu apresenta rigidez muscular ou um espasmo. Apesar de as bactérias Clostridium tetani se poderem, por vezes, cultivar a partir de uma amostra tirada da ferida, os resultados negativos não excluem o diagnóstico.

O tétano tem um índice de mortalidade global de 50 %. O desenlace fatal é mais provável entre os muito jovens e os indivíduos de idade avançada, bem como entre as pessoas que se injetam com drogas. É de mau prognóstico o agravamento rápido da sintomatologia ou o atraso no tratamento.

Prevenção e tratamento

Prevenir o tétano através de uma vacina é muito melhor do que tratá-lo uma vez que se tenha manifestado. Nas crianças pequenas, a vacina contra o tétano faz parte da série que inclui as vacinas contra a difteria e a tosse convulsa. Os adultos devem receber reforços da vacina antitetânica cada 5 ou 10 anos.

Uma pessoa que sofra um ferimento e tenha recebido uma dose de reforço nos últimos 5 anos não necessitará de voltar a vacinar-se. Contudo, se não recebeu essa dose nos últimos 5 anos, deverá receber uma o mais cedo possível após o ferimento. A pessoa que nunca tenha sido vacinada ou que nunca tenha recebido a série completa de vacinas deverá receber uma injecção de imunoglobulina antitetânica e a primeira das três doses de vacina mensais.

O cuidado com a ferida inclui uma limpeza completa e imediata, especialmente nas feridas incisas profundas, dado que o pó e o tecido morto favorecem o crescimento das bactérias Clostridium tetani. Podem administrar-se antibióticos como penicilina ou tetaciclina, mas isso nunca poderá substituir a remoção cirúrgica do tecido lesado.

A imunoglobulina antitetânica é administrada para neutralizar a toxina. Os antibióticos como a penicilina e a tetraciclina têm a função de evitar uma maior produção de toxina. Além disso, utilizam-se outros fármacos para sedar o doente, controlar possíveis convulsões e relaxar a musculatura.

O doente costuma ser hospitalizado num quarto sossegado. Os pacientes com infecções desde moderadas a graves devem receber ventilação mecânica. A alimentação é feita por via endovenosa ou através de uma sonda introduzida pelo nariz, chegando até ao estômago. É habitualmente necessário efetuar uma algaliação da bexiga urinária e uma evacuação do reto para eliminar os produtos residuais do organismo. O doente deve ser submetido a alterações posturais frequentes na cama e é obrigado a tossir para evitar uma possível pneumonia. Para reduzir a dor administra-se codeína. Podem também administrar-se outros fármacos para controlar a tensão arterial e o ritmo cardíaco.

Como a infecção do tétano não imuniza o organismo contra infecções subsequentes, logo que o paciente recupere deverá receber a série integral de vacinas.

Fonte: www.manualmerck.net

Tétano

“O capitão de um grande navio esmagou o dedo indicador de sua mão direita com a âncora. Sete dias depois apareceu uma secreção fétida, depois problemas com a língua, queixava-se de que não podia falar adequadamente. Foi diagnosticado tétano. Suas mandíbulas ficaram presas, os dentes travados e depois os sintomas se estenderam para o pescoço. No terceiro dia apareceram opistótonos acompanhados de sudorese. Seis dias após o diagnóstico ele morreu”. Hipócrates (460-375 A.C.)

O tétano é uma doença infecciosa não-contagiosa, causada por um bacilo que produz uma exotoxina (Tétanospasmina).

A toxina tem acentuado neurotropismo e produz espasmos tônicos dos músculos voluntários.

O agente etiológico é o Clostridium tetani, um bacilo Gram-positivo longo, fino e anaeróbio.

É importante conhecer as definições de período de incubação (pode variar de um dia a três ou mais semanas, e compreende o período que vai do momento da exposição ao agente infeccioso até o surgimento dos primeiros sintomas) e período de progressão (tempo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a primeira contratura), já que quanto menor o período de incubação e o período de progressão (menos de 48 horas), no caso do tétano, mais grave poderá ser a doença.

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

TÉTANO LOCALIZADO

O início dos sintomas ocorre com mialgia por contrações involuntárias dos grupos musculares próximos ao ferimento, podendo ficar restrito a um determinado membro.

TÉTANO CEFÁLICO

Ocorre devido a ferimentos em couro cabeludo, face, cavidade oral e orelha, levando a paralisia facial ipsilateral à lesão, trismo, disfagia e comprometimento dos pares cranianos III, IV, IX, X, XII.

TÉTANO GENERALIZADO

Caracterizado pelo trismo, devido à contração dos masseteres e músculos da mímica facial, ocasionando o riso sardônico. Outros grupos musculares são acometidos, como os retos abdominais e a musculatura paravertebral, podendo ocasionar opistótono (característico das crianças). Com a evolução da doença, os demais músculos do organismo são acometidos progressivamente.

As contraturas musculares vêm logo a seguir e, dependendo de sua intensidade e freqüência, o tétano poderá ser de menor ou maior gravidade, piorando aos estímulos auditivos, visuais e táteis. Dependendo de sua intensidade, esses espasmos podem evoluir até para fraturas de vértebras ou parada respiratória. O paciente tetânico, a despeito de sua gravidade, permanece sempre lúcido. A febre, quando presente, indica mau prognóstico ou infecção secundária. Entre as manifestações de hiperatividade simpática, temos: taquicardia, hipertensão arterial lábil, sudorese profusa, vasoconstrição periférica, arritmias cardíacas e até hipotensão arterial.

TÉTANO NEONATAL

É causado pela aplicação de substâncias contaminadas na ferida do coto umbilical. O período de incubação é de aproximadamente sete dias e tem como característica principal o opistótono. No início, a criança pode apresentar apenas dificuldade para se alimentar. Geralmente ocorre em filhos de mães não-vacinadas ou inadequadamente vacinadas no pré-natal. É importante o diagnóstico diferencial com meningite e sepse do período neonatal, já que os quadros infecciosos graves neste período podem cursar com opistótono.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

O diagnóstico do tétano é essencialmente clínico.
Rotineiramente devem ser solicitados quando da internação: hemograma, bioquímica do sangue (TGO, TGP, uréia e creatinina), radiografia de tórax e EAS.
O leucograma é normal ou com discreta leucocitose. Pode haver anemia devido à hemólise causada pela toxina Tétanolisina ou pelos medicamentos.
Normalmente o líquor é normal, motivo pelo qual não é colhido de rotina, exceto em casos do diagnóstico diferencial com meningite.

TRATAMENTO

DEBRIDAMENTO DO FOCO

Deve ser amplo, profundo e rigorosamente diário, visando bloquear a produção de toxina no local da ferida, através da limpeza do ferimento com peróxido de hidrogênio (água oxigenada) ou permanganato de potássio. A finalidade é retirar as condições de anaerobiose, removendo todo o tecido desvitalizado e possível corpo estranho (pedaço de madeira, osso ou metal). A cicatrização deve se dar por segunda intenção e a sutura está proscrita. Eventualmente, novos debridamentos podem ser necessários. No caso de tétano neonatal, o curativo do coto umbilical deve ser feito com água oxigenada ou permanganato de potássio.

SORO ANTI-TETÂNICO

Utiliza-se o soro anti-tetânico (SAT), para a neutralização da toxina circulante, na dosagem de 20.000 UI IV (independente do peso do paciente ou da gravidade do caso).

MODELO DE PRESCRIÇÃO PARA SORO HETERÓLOGO

1) Dieta oral zero até segunda ordem (ou após término da soroterapia)
2)
Instalar acesso venoso com cateter em Y
3)
Hidrocortisona 500 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
4)
Cimetidina 300 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
5)
Prometazina 50 mg (ou 0,5 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
6)
Soro anti-tetânico 20.000 UI IV
7)
Deixar bandeja de traqueostomia e material de urgência à beira do leito
8)
Sinais vitais a cada 10 minutos Quando disponível, deve-se dar preferência ao uso da gamaglobulina anti-tetânica humana (soro homólogo), 3.000-6.000 UI IV.

VACINA ANTI-TETÂNICA

O toxóide tetânico deve ser aplicado em três doses para a imunização plena do paciente, sendo a primeira dose (1 ampola IM) aplicada na admissão do paciente ao hospital e as demais doses com 30 e 60 dias, respectivamente.

TRATAMENTO ANTIMICROBIANO

Recomenda-se a penicilina G cristalina (150.000 a 200.000 UI/kg/dia IV), 4/4 horas, por 10 a 14 dias. Em caso de alergia à penicilina, podemos optar pelo metronidazol (30 mg/kg/dia IV), 8/8 horas, por 10 dias.

TRATAMENTO DAS CONTRATURAS

Podemos lançar mãos de drogas sedativas para manter o paciente sedado, podendo ser usados até curarizantes nos casos mais graves.

DROGA APRESENTAÇÃO DOSE INTERVALO COMENTÁRIOS
Diazepam (IV ou VR) 1 amp. = 10mg 10mg (0,25-0,5mg/kg) Máximo de 1mg/kg/dia) 6/6h até 1/1h (conforme a necessidade) Droga de primeira escolha; não diluir a medicação. Usar doses menores em idosos, pelo risco de coma
Clorpromazina (IM ou IV) 1 amp. = 25mg 25-50mg (1mg/kg) 6/6h ou 4/4h Droga sempre associada do diazepam, quando esta droga, em altas doses, não puder controlar as contraturas
Cloridrato de pancurônio (IV) 1 amp. = 4mg 4mg (0,04 a 0,2mg/kg) 4/4h até 1/1h (conforme a necessidade) Utilizamos quando não se controlam as contraturas com outras medicações; o paciente deve ser entubado ou traqueostomizado e colocado em ventilação mecânica, não esquecer de associar droga sedativa. Não deve ser usado em gestantes

TRATAMENTO DA HIPERATIVIDADE SIMPÁTICA

Utilizam-se beta-bloqueadores, como o propranolol ou atenolol, nas taquicardias acima de 140 bpm (a dose deve ser avaliada de acordo com a resposta do paciente, com o devido cuidado no uso em idosos).

CUIDADOS GERAIS

1. O paciente deverá sempre ser transferido para o Isolamento, em quarto fechado, escuro e silencioso, a fim de se prevenir as contraturas desencadeadas por estímulos luminosos ou sonoros (lembrar sempre de confortar o paciente, que geralmente está muito ansioso); a remoção para a UTI está indicada nos casos de impossibilidade de controle das contraturas ou comprometimento da ventilação
2.
O paciente deve estar em constante vigilância pela enfermagem
3.
Oxigenioterapia por máscara facial e controle diário da gasometria arterial estão indicados nos pacientes com distúrbio ventilatório
4.
Inicialmente o paciente deve estar em dieta oral zero e, posteriomente, poderá receber dieta líquida oral, sob supervisão da enfermagem, ou através de sonda nasogástrica, caso o paciente esteja entubado
5.
Hidratação venosa e suporte calórico adequado estão indicados, preferencialmente através de dissecção venosa, a fim de se corrigir distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido- básicos
6
. Utilizar medicação anti-ácida para prevenção das úlceras gástricas de estresse
7.
Aspirar as secreções das vias aéreas superiores (ou do tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia) sempre que necessário, já que as complicações pulmonares infecciosas são muito freqüentes, consistindo em importante causa de mortalidade nesses pacientes
8.
Deve-se considerar a traqueostomia precoce nos pacientes com contraturas incontroláveis ou acúmulo de secreção no tubo endotraqueal, já que permite higiene mais eficaz
9.
O uso prolongado de sondas vesicais de demora predispõe à infecção de trato urinário, motivo pelo qual deve-se evitar ao máximo este procedimento

1. Está indicada a profilaxia de embolia pulmonar com heparina (5.000 UI SC 12/12h) ou enoxaparina (30 mg SC 12/12h) para pacientes idosos ou que estejam em ventilação mecânica na UTI;

2. A infecção secundária deverá ser tratada com antibioticoterapia de amplo espectro, contudo, deverá ser avaliada individualmente para cada caso;

3. Sugere-se alta hospitalar quando o paciente estiver deambulando, se alimentando, sem contraturas, curado de suas complicações infecciosas e com pelo menos sete dias de antibiótico;

4. Lembrar que o tétano neonatal é considerado de alta gravidade, devendo sempre que possível ser manejado em UTI.

LEITURA SUGERIDA

1. BUNCH, T. J.; THALJI, M. K.; PELLIKKA, P. A., et al. Respiratory failure in tetanus: Case report and review of a 25-year experience. Chest, v. 122, n. 4, p.1488-92, 2002.
2. REDDY, V. G. Pharmacotherapy of tetanus - a review. Middle East J Anesthesiol, v. 16, n. 4, p.419-42, 2002.
3. COOK, T. M.; PROTHEROE, R. T.; HANDEL, J. M. Tetanus: A review of the literature. Br J Anaesth, v. 87, n. 3, p.477-87, 2001.
4. HSU, S. S.; GROLEAU, G. Tetanus in the emergency department: A current review. J Emerg Med, v. 20, n. 4, p.357-65, 2001.
5. ROQUES, B. P.; ANNE, C.; TURCAUD, S., et al. Mechanism of action of clostridial neurotoxins and rational inhibitor design. Biol Cell, v. 92, n. 6, p.445-7, 2000.
6. FARRAR, J. J.; YEN, L. M.; COOK, T., et al. Tetanus. J Neurol Neurosurg Psychiatry, v. 69, n. 3, p.292-301, 2000.

Fonte: www.fmt.am.gov.br

Tétano

O tétano é uma doença toxêmica, altamente fatal, causada por uma potente neurotoxina específica que é produzida pelo agente etiológico em tecidos necróticos , sob condições de anaerobiose.

Trata-se de uma doença que acomete todos os animais de sangue quente (homeotermos), inclusive o homem, e se caracteriza por rigidez muscular e morte por parada respiratória e convulsões. Pelo fato da doença na maior parte dos casos ser causada por contaminação de ferimentos da pele ou mucosas por terra, é chamada de doença telúrica, ou seja, originária da terra.

História

Conquanto o tétano e sua sintomatologia fossem conhecidas desde a antigüidade, sendo descrito por Hipócrates, sua causa continuou sendo um mistério até o século XIX.

As primeiras informações sobre a transmissão da doença foram feitas por Carle e Rattone, que, em 1884, a reproduziram em coelhos. Na ano seguinte, Nicoleir reproduziu e confirmou aquelas pesquisas e observou nas feridas o agente do tétano, observando ainda que o mesmo bacilo esporulado podia encontrar-se na terra.

Tizzoni e Catani, em 1889, conseguiram isolar o bacilo do tétano em cultivo puro. Faber, em 1980, demonstrou a existência da toxina tetânica. No ano de 1892, Behring e Kitasato descobriram um método de imunização eficaz, com o toxóide ou toxina envelhecida, o que foi aperfeiçoado por Ramom e Descombey, em 1925, que detoxicaram a toxina pela ação do formol, denominando-a anatoxina.

Etiologia

O agente etiológico causador do tétano, o Clostridium tetani , é uma bactéria Gram positiva, ciliada, formadora de esporos, encontrada no solo, fezes e trato intestinal de animais. Os esporos são resistentes a muitos tipos de desinfecção, inclusive o vapor fervente a 100º C por 30 a 60 minutos, mas pode ser destruído por calor de 115º C por 20 minutos. Ao sol pleno chega a resistir vivo por 12 dias e ao abrigo do sol permanece vivo e viável por muitos anos.

O esporo do C. tetani favorece muito o reconhecimento bacterioscópico do agente por ser terminal e deformante, dando ao bacilo esporulado a forma de um palito de fósforo.

Seus cílios, que estão presentes em toda sua superfície, só são visíveis na forma vegetativa.

Epidemiologia

O tétano é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa e que ainda se constitui em grave problema de saúde pública para alguns países subdesenvolvidos.

Todas as espécies de animais de interesse zootécnico são sensíveis, mas ocorre variação de susceptibilidade, sendo os eqüinos os mais suscetíveis e os bovinos os menos sensíveis. Em geral, a ocorrência de C. tetani no solo e a incidência de tétano no homem e nos eqüinos é maior nos locais mais quentes dos vários continentes.

O tétano tem distribuição mundial, sendo mais comum em áreas de cultivo intensivo. Ocorre em animais pecuários, especialmente em casos esporádicos, individuais, apesar de surtos poderem ocorrer em bovinos, suínos e cordeiros jovens. A letalidade em bovinos jovens é superior a 80%, mas a taxa de recuperação é alta em bovinos adultos. Em eqüinos a letalidade varia muito entre áreas, sendo que em algumas, quase todos os animais morrem de forma aguda, enquanto que em outras, a taxa de letalidade está em torno de 50%.

Feridas penetrantes dos cascos são portas de entrada comuns em eqüinos. A penetração pelas vias genitais durante o parto é também uma porta de entrada comum em bovinos. Uma alta incidência de tétano ocorre em suínos jovens após a castração e em ovinos após a castração, tosa amputação da cauda e vacinação.

Quando ocorrem surtos de tétano em bovinos, é possível que a toxina seja produzida no intestino ou ingerida pré-formada no alimento. A ingestão de alimentos fibrosos, grosseiros, antes destes surtos é um achado comum e sugere que a porta de entrada da infecção possa ocorrer pelas feridas na boca.

No Rio Grande do Sul, observou-se um surto em bovinos jovens que estavam em restava de arroz, evidenciando-se que a infecção tenha ocorrido, provavelmente, por via digestiva, em conseqüência de traumatismos causados por palha de arroz. Em São Paulo e Minas gerais os surtos de tétano em bovinos de até três anos de idade, têm ocorrido após vacinações, coincidindo com a época da seca, de modo que a poeira pode ter sido o meio de contaminação.

Durante surtos de tétano o C. tetani pode ser isolado das fezes de grande percentagem de bovinos, indicando que em alguns casos, a doença pode ser causada por auto-infecção, a partir da proliferação de C. tetani no trato gastrointestinal.

A morbidade é pequena, mas , sem nenhum tratamento, a letalidade é muito alta, próxima a 100%.

PATOGENIA E PATOLOGIA

O C. tetani pode instalar-se em qualquer ferida ou solução de continuidade contaminada por terra e multiplicar-se no local, sob condições favoráveis de anaerobiose, produzindo toxinas difusíveis que irão determinar toda patologia e clínica da doença, pois o germe não tem nenhuma capacidade invasora e não sai do foco da infecção. Isto pode ocorrer imediatamente após a introdução se o traumatismo for suficientemente grave, ou pode demorar alguns meses até que um traumatismo subsequente no local provoque lesão tissular. A lesão original pode estar completamente cicatrizada por essa ocasião.

Os casos naturais surgem após vulneroinfecções, principalmente se forem profundas, perfurantes, favorecendo a anaerobiose, e em feridas purulentas, pois os germes piogênicos consomem o oxigênio.

Devido as características descritas, o tétano é uma doença classificada apenas como infecciosa, porém não contagiosa, uma vez que não é transmitida de animal para animal, ou destes para o homem, não constituindo risco de contágio.

As toxinas produzidas são a Tétanolisina e a Tétanopasmina. A Tétanolisina é uma hemolisina que promove a disseminação da infecção ao ampliar e manter a quantidade de necrose tecidual local e é responsável pela lise dos glóbulos sanguíneos do animal acometido. A Tétanopasmina é uma potente neurotoxina que é responsável pelos espasmos musculares que ocorrem no organismo doente.

A Tétanopasmina atinge o sistema nervoso central passando pelos troncos nervosos periféricos e não pela passagem da corrente sangüínea pela barreira cérebro-espinhal. Ela tem como receptores, aos quais se liga indissoluvelmente, os gangliosídeos do tecido nervoso e que age por depressão da inibição nervosa pós-sináptica, baixando o limiar de excitação.

Os locais de ação da toxina são o sistema nervoso central encefálico e medular, e as junções mioneurais, provocando aumento de sensibilidade, irritabilidade central e contrações espasmódicas ou tetânicas da musculatura.

Quando o C. tetani produz a Tétanopasmina, ela se difunde por via retrógrada pelos neurônios motores e alcança a medula e o encéfalo. Entretanto a principal ação da Tétanopasmina localiza-se na célula de Renschaw ou neurônio internuncial, que está localizada na porção medial da coluna anterior, inibindo a liberação de glicina por esta célula. Os impulsos nervosos provenientes da célula de Renschaw inibem os neurônios motores.

Quando o neurônio motor está em ação, há contração muscular. Para que ocorra a descontração a célula de Renschaw libera glicina, um neurotransmissor que promove a descontração muscular. Se a Tétanopasmina impede a liberação da glicina a contração comandada pelo neurônio motor permanece, e assim se estabelece a espasticidade muscular verificada no tétano. A Tétanopasmina também pode afetar as terminações simpáticas, causando aumento de seus sinais, como hipertensão, taquicardia, vasoconstrição periférica, arritmia cardíaca e aumento das aminas simpaticomiméticas na corrente circulatória.

Em casos fatais quase sempre há um período transitório de melhora por algumas horas, antes de um espasmo tetânico grave e final, durante o qual a respiração fica suprimida.

O prognóstico da doença depende de vários fatores, entre os quais a intensidade do quadro mórbido, do período de incubação e da espécie animal.

A morte ocorre entre 5 e 15 dias após os primeiros sintomas devendo-se a acidose, falta de alimentação e água, nos animais que resistem, à paralisia respiratória.

Não são observadas lesões causadas pelas toxinas, mas há potencialização central dos estímulos sensoriais normais, de forma a produzir os sinais clínicos característicos da doença.

SINAIS CLÍNICOS

Na maioria dos animais susceptíveis os sintomas ocorrem entre 2 semanas e um mês após a inoculação bacteriana. O período de incubação do tétano é variável e depende das dimensões do ferimento, grau de anaerobiose, número de bactérias inoculadas e título de antitoxina do hospedeiro. Os casos de ovinos e cordeiros ocorrem 3 a 10 dias após a tosa ou remoção da cauda. O quadro clínico é similar àquele de todas as espécies animais.

Os primeiros sintomas em alguns animais podem ser vaga rigidez e claudicação, postura de extensão da cabeça, postura de cavalo de pau, orelhas e lábios retraídos em direção a nuca, cauda levantada, saliva espumosa acumulando-se na comissura labial, estrabismo ventrolateral, pupilas fixas e dilatadas e normalmente morrem durante convulsão terminal.

Um aumento generalizado da rigidez muscular é observado e se acompanha por tremor muscular. Há trismo com restrição dos movimentos mandibulares e prolapso da terceira pálpebra, além da rigidez dos membros posteriores que causa um andar errante e instável. O prolapso da terceira pálpebra fica exagerado pelo levantar do focinho ou abaixar a face.. Os sinais adicionais incluem uma expressão anciosa e alerta, crispada pela ereção das orelhas, retração das pálpebras e dilatação das narinas, e por respostas exageradas aos estímulos normais.

A mastigação logo fica prejudicada pela tetania dos músculos masseteres e a saliva pode escorrer. Se a comida ou a bebida forem ingeridas, tentativas de engolir são seguidas de regurgitação pelo nariz. A constipação é usual e a urina fica retida, em parte pela incapacidade de assumir a posição normal para urinar.

Os músculos enrijecidos da cara dão ao eqüino doente um ar de riso sardônico, com os lábios estáticos e sem movimentação, contrariamente ao estado desses animais quando sadios, que têm os lábios sempre com bastante movimentação.

À medida que a doença progride, a tetania muscular aumenta. As contrações musculares desiguais podem ocasionar o desenvolvimento de uma curvatura da coluna e desvio lateral da cauda. A marcha é dificultada e o animal fica propenso a cair. A queda ocorre com os membros ainda no estado de tetania e o animal pode se autotraumatizar. O opistótono é acentuado, os membros posteriores estão paralisados em abdução, com as pernas traseiras estendidas para trás e as dianteiras para frente. As convulsões ocorrem e , inicialmente, são estimuladas pelo som ou toque, mas logo ocorrem espontaneamente.

Apesar de o tétano ser uma doença fatal, um longo período de incubação costuma estar associada a uma síndrome moderada, de evolução prolongada e com prognóstico favorável. Em casos fatais, quase sempre há um período transitório de melhora por algumas horas, antes de um espasmo tetânico grave, final, durante o qual a respiração fica suprimida. Os casos moderados podem se recuperar lentamente, com o desaparecimento gradual da rigidez por um período de semanas e até mesmo de meses.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é principalmente clínico e raramente o tétano se confunde com outros estados tetânicos. Os espasmos musculares, o prolapso da terceira pálpebra e uma história recente de lesão acidental ou cirurgia são achados característicos.

Se houver ferida visível, pode-se confirmar o diagnóstico clínico colhendo material profundo da mesma e fazendo esfregaço, que corará pelo método de Gram ou Giemsa, encontrando o bacilo Gram positivo, muitas vezes esporulado caracteristicamente como palito de fósforo. Pode ser feito ainda isolamento do C. tetani , porém, fundamentalmente, o diagnóstico é fundamentalmente clínico, pelos sintomas e evolução.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Apesar dos sintomas clínicos característicos, nos estágios iniciais o tétano pode ser confundido com outras doenças que apresentam estados tetaniformes como a acetonemia ou tetania pós-parto das vacas, em que há tremor muscular quase contínuo e evolução rápida, mas não há exacerbação de reflexos como no tétano, nem desvio de cauda, nem espasmos musculares prolongados ao toque ou ruído súbito.

As cadelas também podem apresentar tetania pós-parto que se diferencia porque há ataques ou episódios convulsivos entre os quais o animal anda, abre a boca e não apresenta hiperexcitabilidade.

A intoxicação estricnínica é tetaniforme, mas os animais apresentam ataques em que os espasmos musculares se desenvolvem em ondas sincrônicas da cabeça para o fim do corpo, enquanto no tétano o episódio tetânico se estabelece em toda a musculatura ao mesmo tempo.

A tetania hipocalcêmica (eclâmpsia) das éguas também lembra o tétano, mas restringe-se as éguas latantes e responde aos tratamentos com sais de cálcio. A meningite cérebro-espinhal provoca rigidez, em particular do pescoço, e hiperestesia ao toque, mas o efeito geral é mais de depressão e imobilidade que de excitação e hiperexcitabilidade ao som e ao movimento.

A polioencefalomalácea também pode lembrar o tétano em bovinos, especialmente quando os animais estão em decúbito, mas o tônus aumentado na musculatura das pernas não chega a ser tão rígido.

PROGNÓSTICO

O prognóstico é sempre reservado, sendo menos sombrio quando entre um acidente traumático ou cirurgia e o estado patente, a incubação foi de um mês ou mais.

É bastante mau quando a incubação foi de menos de 15 dias e quando o estado já se estabeleceu claramente há mais de cinco dias, ou nos casos de incubação e evolução lenta há mis de 10 dias.

CONTROLE E PROFILAXIA

O tétano é uma doença imunoprevenível. Muitos casos podem ser evitados com a desinfecção adequada dos instrumentos e da pele durante a castração, corte de cauda e tosa.

Para a profilaxia a longo prazo, a imunidade passiva pode ser obtida com a injeção da antitoxina. Nas fazendas em que a evidência de tétano seja alta, a antitoxina geralmente é administrada por ocasião do corte de cauda e a dose de 200UI demonstrou ser eficiente. A imunidade é transitória, só persistindo por 10 a 14 dias.

Nas áreas enzoóticas, todos os animais suscetíveis devem ser imunizados ativamente com “toxóide”, uma toxina precipitada pelo alumínio e tratada pela formalina.

Uma injeção confere proteção em 10 a 14 dias, persistindo por um ano, e a revacinação em 12 meses confere uma sólida imunidade por toda a vida. Um programa mais intensivo de 2 vacinações com seis a oito semanas de intervalo seguidas por vacinação anual de reforço é preferido.

Apesar da conhecida eficiência da vacinação, os animais que sofrem lesões subseqüentemente em geral recebem uma injeção de antitoxina para assegurar proteção completa. A antitoxina não interfere na produção de anticorpos pelo toxóide, de forma que pode ser administrada ao mesmo tempo, fornecendo a antitoxina imunidade passiva a curto prazo até que um estado de imunidade ativa seja atingido. O método também é recomendado após qualquer cirurgia em eqüinos. Os dois materiais não devem ser misturados na mesma seringa, mas administrados com seringas separadas em lados opostos do pescoço.

TRATAMENTO

Os princípios mais importantes no tratamento do tétano são eliminar a bactéria causadora, neutralizar toxinas residuais, relaxar a tetania muscular para evitar a asfixia e manter o relaxamento até que a toxina seja eliminada ou destruída. Deve-se fazer a drenagem e limpeza do ferimento para eliminar o microorganismo (oxigenação), concomitantemente, fazer infiltração de penicilina G em torno da ferida e penicilina G potássica (22.000 UI/Kg) 3-4 vezes ao dia, ou penicilina G procaína intramuscular duas vezes ao dia.

O relaxamento da tetania muscular pode ser propiciado pela sedação e manutenção do paciente em local tranqüilo e obscuro. A terapia medicamentosa que pode reduzir os espasmos musculares consiste de clorpromazina (0,4 mg/kg de peso vivo), promazina (0,5-1mg/kg) ou acetilpromazina 0,05-0,1 mg/kg), duas vezes ao dia, durante 8-10 dias, até que os sinais graves desapareçam.

Fonte: www.cca.ufes.br

Tétano

Tétano e Vacinação Anti-tetânica

Tétano

O tétano é uma doença aguda cujo agente etiológico é o Clostridium tetani, um bastonete gram-positivo anaeróbio com forma de baqueta de tambor, produtor de esporos, que podem persistir no solo durante meses ou anos (1)(2).

É uma doença com distribuição mundial, mais frequente em regiões rurais, onde há maior contato com excrementos de animais, e em países onde a vacinação é realizada de uma forma inadequada (1).

Os bacilos do tétano têm como reservatório o intestino de animais, nomeadamente do homem, não provocando doença quando se encontram neste meio; são ubíquos no meio ambiente. Podem ainda encontrar-se no solo ou em fómites contaminadas com fezes humanas ou de outros animais (1).

É transmitido por inoculação dos esporos de Clostridium tetani na pele, através de lesões (picadas, queimaduras, pequenas lesões imperceptíveis), drogas injetáveis ou após realização de procedimentos cirúrgicos, que incluem circuncisão e técnicas de abortamento realizados sem condições de higiene adequadas. Os esporos germinam em ferimentos com baixo potencial oxidação-redução (por exemplo tecidos desvitalizados ou corpos estranhos) e produzem uma toxina que se fixa aos neurónios motores periféricos e se propaga por transporte intraneuronal retrógrado. O Clostridium tetani produz duas toxinas, a tetanolisina (uma hemolisina oxigénio-lábil) e a tetanospasmina (uma neurotoxina termolábil) (2).

A tetanolisina é inibida pelo oxigénio e pelo colesterol sérico, desconhecendo-se o seu significado clínico (2).

A tetanospasmina é sintetizada durante a fase estacionária de crescimento, é libertada quando a célula é lisada, sendo responsável pelas manifestações clínicas do tétano. A tetanospasmina ao bloquear a libertação de neurotransmissores em sinapses inibitórias, causa uma desregulação da atividade sináptica excitatória (paralisia espástica). A ligação da toxina é irreversível e a recuperação depende da formação de novas terminações axonais. A rigidez resulta de uma taxa acrescida de descarga em repouso dos neurónios motores-a, devido ao bloqueio da libertação de neurotransmissores inibidores (glicina e ácido gama-aminobutírico) em terminações pré-sinápticas (3).

Tem um período de incubação compreendido entre 3 e 21 dias, podendo variar de 1 dia a vários meses, dependendo do carácter, extensão e localização da lesão, sendo em média de 10 dias; a maioria dos casos ocorre dentro de 14 dias. Períodos de incubação mais curtos estão associados a maior contaminação da lesão, maior severidade da doença e a pior prognóstico (1).

É uma doença em que não há transmissibilidade de pessoa a pessoa, sendo apenas transmitida por contato direto com o agente etiológico.

Como sintomatologia associada à doença salientam-se as contracções musculares muito dolorosas, que se iniciam a nível do músculo masseter, músculos cervicais e depois a nível dos músculos do tórax e abdómen. Um dos sinais mais sugestivos de tétano, em crianças e adultos, é a rigidez abdominal, no entanto, a rigidez muscular pode estar confinada ao local da lesão. Podem ocorrer espasmos musculares generalizados induzidos por estímulos sensoriais; os sinais típicos de tétano são a posição de opistótonos e o “riso sardónico” (trismus).

Como complicações, os doentes com tétano podem apresentar fraturas, compromisso da ventilação, hipertensão lábil, taquicardia, arritmias e paragem cardíaca súbita.

A mortalidade é muito elevada (10-80%); é mais acentuada em crianças e idosos, e varia inversamente ao período de incubação (1).

O diagnóstico é principalmente clínico. Laboratorialmente pode identificar-se um aumento das concentrações de enzimas musculares. A detecção microscópica ou o isolamento de Clostridium tetani é útil, mas frequentemente não tem êxito. Apenas 30% dos doentes com tétano apresenta culturas positivas, visto que a doença pode ser causada por um número relativamente pequeno de microorganismos e as bactérias, de crescimento lento, são rapidamente destruídas quando expostas a ar. A produção de toxina por um microorganismo isolado pode ser confirmada pelo teste de neutralização de antitoxina realizada em animais de laboratório (2).

O tratamento é realizado em meio hospitalar em unidades de cuidados intensivos. Inicialmente deve proceder-se à limpeza e desbridamento da lesão, excepto nos casos de tétano neonatal em que o desbridamento do cordão umbilical não está indicado. Depois vacina-se, monitoriza-se e aplicam-se medidas de suporte para manutenção da permeabilidade da via aérea (se necessário com traqueostomia ou intubação nasotraqueal e respiração assistida mecanicamente). Deve administrar-se metronidazol (500mg de 6/6 h) para eliminar células vegetativas, que são fontes adicionais de toxina. A penicilina, a clindamicina e a eritromicina são alternativas terapêuticas. Em seguida, procede-se à administração intramuscular de 3000-6000 unidades de imunoglobulina humana anti-tetânica, para neutralizar a toxina não fixada. É necessário controlar os espasmos musculares com benzodiazepinas, e pode ser necessário proceder-se a paralisia terapêutica com bloqueadores neuro-musculares. Contudo, após a suspensão destes fármacos, pode ocorrer paralisia prolongada (3).

A recuperação é geralmente completa, mas prolonga-se por 4-6 semanas. Pode ser necessário suporte prolongado da ventilação. A hipertonia muscular e os pequenos espasmos poderem durar meses. Com a intervenção adequada a letalidade é inferior a 10%. É importante imunizar doentes em recuperação, pois a doença natural não induz imunidade (3).

A susceptibilidade é generalizada. A imunização ativa é induzida pelo toxóide tetânico, e persiste pelo menos durante dez anos após a vacinação completa. A imunização passiva é feita com a administração de imunoglobulina humana anti-tetânica ou com antitoxina tetânica. As crianças filhas de mães imunizadas de forma ativa adquirem imunidade passiva que as protege face ao tétano neonatal (1).

Do ponto de vista clínico, pode classificar-se o tétano em tétano localizado e tétano generalizado. O tétano é localizado quando a sintomatologia permanece limitada à musculatura no local da infecção primária; no entanto, este fato não significa que se esteja perante uma forma menos grave da doença, pois o que inicialmente se encontra localizado pode, em pouco tempo, tornar-se generalizado. O tétano cefálico é uma variante de tétano localizado, em que a cabeça é o local primário da infecção; ao contrário do prognóstico dos pacientes com tétano localizado em outras regiões anatómicas, o prognóstico destes doentes é mau.

No tétano generalizado a sintomatologia é disseminada. O tétano neonatal é um tipo específico de tétano generalizado que ocorre no recém-nascido. Está geralmente associado a uma infecção do coto umbilical, que progride para infecção generalizada. Ocorre em países em que os cuidados maternos são limitados e a vacinação anti-tetânica é inadequada ou inexistente. A maioria dos casos registados refere-se a filhos de mulheres não vacinadas e a partos ocorridos fora do ambiente hospitalar. O período de incubação é de 3-28 dias, em média 6 dias. A doença é detectada em recém-nascidos que mamam e choram bem durante os primeiros dias de vida e que após alguns dias apresentam dificuldade e incapacidade em se alimentar (trismus). Estas crianças apresentam rigidez generalizada, espasmos musculares, convulsões e opistótonos. Pode ocorrer atraso mental (5-20% dos casos). A mortalidade é superior a 80% (1).

O tétano não neonatal e o tétano neonatal são Doenças de Declaração Obrigatória.

Vacinação anti-tetânica

A vacinação anti-tetânica é a medida preventiva mais eficiente contra o tétano, e a vacinação de todos os adultos é um dos principais objetivos do Programa Nacional de Vacinação (PNV).

As vacinas que integram o PNV foram aprovadas tendo em atenção a sua qualidade, eficácia e segurança. No entanto, há que relembrar que estas características dependem também da forma como as vacinas são transportadas, conservadas e administradas. A maior parte das vacinas do PNV, e respectivos solventes, devem ser conservados a uma temperatura entre 2ºC e 8ºC, não devendo ser congelados; estas condições ser mantidas ao longo de toda a rede de frio (armazenamento, transporte e vacinação) (4).

Segundo o PNV, os indivíduos devem ser vacinados contra o tétano aos 2, 4, 6 e 18 meses de idade, aos 5-6 anos e 10-13 anos e, posteriormente, de 10 em 10 anos durante toda a vida (4).

A vacinação anti-tetânica é realizada recorrendo a uma vacina trivalente contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTPa), a qual só pode ser administrada até aos 6 anos de idade, inclusivé. É uma vacina combinada trivalente, contendo toxóide diftérico adsorvido (D), toxóide tetânico adsorvido (T), e subunidades de Bordetella pertussis (Pa). Tem como contra-indicações a reacção anafilática a uma dose anterior, a algum constituinte da DTPa, ou a outras vacinas contendo um ou mais destes antigénios. Deve estar-se especialmente atento em casos de alterações neurológicas que predisponham ao aparecimento de convulsões ou deterioração neurológica, nomeadamente encefalopatia evolutiva (precaução para o componente pertussis), e em casos de doença aguda grave, com ou sem febre. A dose a administrar é de 0,5 ml, por via intramuscular. Em crianças com idade inferior a 12 meses, deve ser administrada no músculo vasto externo, na face externa da região antero-lateral da coxa esquerda. Em indivíduos com mais de 12 meses deve ser administrada na face externa da região antero-lateral do terço superior do braço esquerdo (4).

A vacinação anti-tetânica pode ser efetuada com a vacina tetravalente contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa e a doença invasiva por Haemophilus influenzae b (DTPaHib), em que à DTPa se associam oligossacáridos ou polissacárido capsulares de Haemophilus influenza b, conjugados com uma proteína bacteriana (Hib). Pode também ser realizada com a vacina tetravalente contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa e a poliomielite (DTPaVIP), onde à DTPa se associam vírus de poliomielite (tipos 1, 2 e 3), inteiros e inativados (VIP). Pode ainda ser realizada com a vacina pentavalente contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a doença invasiva por Haemophilus influenza b e a poliomielite (DTPaHibVIP) (4).

No adulto, independentemente do seu estado vacinal anterior, a vacina a utilizar é a vacina combinada contra o tétano e a difteria (Td), em que o componente diftérico está reduzido. Aos adultos que nunca foram vacinados contra o tétano, deve administrar-se 3 doses de Td, com um intervalo de 4-6 semanas entre a primeira e a segunda doses, e de 6-12 meses entre a segunda e a terceira doses. As mulheres em idade fértil que nunca tenham sido vacinadas contra o tétano, devem efetuar dois reforços, o primeiro 1-5 anos após a 3ª dose, e o segundo 1-10 anos após a 4ª dose. Após a primovacinação, todos os adultos devem continuar o esquema recomendado, com reforços de Td durante toda a vida (de 10 em 10 anos) (4).

As reacções adversas mais frequentes são as locais como dor, eritema, rubor e edema no local da injecção, que ocorrem 1-3 dias após a administração da vacina. Pode formar-se um nódulo duro e doloroso no local da injecção, que persiste por várias semanas. Está descrita a ocorrência de reacções sistémicas como cefaleias, sudorese, arrepios, febre, sensação de vertigem, astenia, hipotensão, mialgias e artralgias. Estas reacções são mais frequentes em indivíduos que fizeram doses de reforço muito frequentes (4).

A decisão de vacinar durante a gravidez, assim como o número de doses a administrar, deve basear-se no número total de doses de toxóide tetânico recebidas pela mulher antes de engravidar. A vacina a utilizar é a Td. É desejável que uma mulher não vacinada na infância/adolescência seja vacinada com um mínimo de 5 doses de toxóide tetânico durante a idade fértil. As mulheres com uma história vacinal desconhecida, com nenhuma, uma ou duas doses de toxóide tetânico, devem seguir o esquema seguinte. A primeira dose deve ser administrada logo no primeiro contato durante a gravidez (preferencialmente no 2º trimestre da gravidez). A segunda dose deve ser administrada, pelo menos, 4 semanas depois da primeira e, idealmente, até 2 semanas antes do parto. Recomenda-se ainda a administração de uma terceira dose, 6-12 meses depois da segunda dose. As mulheres com história vacinal desconhecida e as que não tenham nenhuma dose de vacina contra o tétano antes da gravidez, devem ainda receber dois reforços, o primeiro 1 a 5 anos depois da 3ª dose e o segundo 1 a 10 anos depois da 4ª dose (4).

A vacinação anti-tetânica pós-ferimento está dependente do estado vacinal do indivíduo e do tipo de lesão. Devem considerar-se potencialmente tetanogénicas todas as feridas ou queimaduras sem tratamento cirúrgico nas primeiras 6 horas, todas as que tenham sido realizadas por objetos punctiformes (pregos, espinhos, dentadas), com tecido desvitalizado, contaminadas com solo ou estrume, e aquelas que apresentam evidência clínica de infecção (3).

A ferida infectada deve ser limpa com anti-séptico, eliminando-se corpos estranhos e tecido necrótico, uma vez que estes facilitam o desenvolvimento de Clostridium tetani e a libertação de toxinas. A administração de imunoglobulina humana anti-tetânica (IHT) deverá ser feita antes da limpeza da ferida, uma vez que esta operação poderá libertar uma quantidade significativa de toxina tetânica.

Os indivíduos que apresentem feridas pequenas e não conspurcadas, se possuírem registo de, pelo menos, 3 doses de vacina contra o tétano, a última das quais administrada há menos de 10 anos, consideram-se protegidos contra o tétano (4).

Para todos os outros tipos de ferimentos potencialmente tetanogénicos, apenas os indivíduos com registo de pelo menos 3 doses de vacina contra o tétano, a última das quais administrada há menos de 5 anos, se consideram protegidos (4).

Consoante o tipo de ferimento, os indivíduos que não cumpram as condições acima referidas, devem ser vacinados com uma dose de vacina contra o tétano, DTPa ou Td, dependendo da sua idade, aquando do tratamento da ferida (4).

A qualquer pessoa que tenha o esquema no PNV em atraso, deve ser administrada uma dose de DTPa ou Td, de acordo com a idade, independentemente do número de doses que tiver recebido (4).

Indivíduos com alterações imunitárias, com feridas potencialmente tetanogénicas, devem receber uma dose de vacina e também uma dose de imunoglobulina anti-tetânica, independentemente do seu estado vacinal. Na administração devem ser usadas seringas diferentes e serem aplicadas em locais anatómicos diferentes (4).

Se após tratamento e vacinação, o número total de doses da vacina for desconhecido ou insuficiente, o ferido deve ser aconselhado a deslocar-se posteriormente (um mês depois) ao seu centro de saúde para completar o esquema vacinal (4).

Indivíduos que tiveram tétano devem ser vacinados, uma vez que a doença natural não confere imunidade.

Na prevenção do tétano neonatal, deve ser administrada a imunoglobulina humana anti-tetânica (IHT) e ser considerada a antibioterapia (penicilina) como tratamento de outras infecções. Neste caso, a primeira dose da vacina contra o tétano deve ser antecipada para as 4-6 semanas de vida, sendo a vacina a utilizar a DTPa (4).

Os esquemas de vacinação recomendados não são rígidos, devendo adaptar-se às circunstâncias locais, epidemiológicas ou de outra natureza e, ainda, a especificidades individuais, se razões de ordem clínica ou outras o justificarem (4).

No caso do tétano, em que a protecção é individual, apenas uma cobertura vacinal de 100% evita o aparecimento de novos casos (4).

Referências bibliográficas

1. Heymann, David L, ed. Control of communicable diseases manual. 18th ed. Washington: American Public Health Association; 2006.
2. Murray PR, Rosenthal KS, Kobayashi GS, et al. Microbiologia médica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan SA; 2000.
3. Braunwald E, Fauci AS, Hauser SL, et al. Harrison manual de medicina. 16ª ed. Madrid: MacGraw-Hill Interamericana de Espanha; 2006.
4. Direcção-Geral da Saúde. Divisão de Doenças Transmissíveis. Programa nacional de vacinação 2006. Lisboa: Direcção-Geral da Saúde; 2005.

Fonte: www.saudepublica.web.pt

Tétano

O Tétano é uma doença infecciosa grave, não contagiosa, causada por toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani.

Sob a forma de esporos, essa bactéria é encontrada nas fezes de animais e humanos, na terra, nas plantas, em objetos e pode contaminar as pessoas que tenham lesões na pele (feridas, arranhaduras, cortes, mordidas de animais,etc.)pelas quais possam penetrar.

Sintomas

A toxina produzida pela bactéria ataca principalmente o sistema nervoso central. São sintomas do tétano rigidez muscular em todo o corpo, mas principalmente no pescoço, dificuldade para abrir a boca (trismo) e engolir, riso sardônico produzido por espasmos dos músculos da face. A contratura muscular pode atingir os músculos respiratórios e pôr em risco a vida da pessoa.

Diagnóstico: É feito clinicamente, ou seja, de acordo com os sintomas e lesões de pele pelas quais a bactéria possa ter entrado no organismo do paciente.

Tratamento: Antibióticos, relaxantes musculares, sedativos, imunoglobulina antitetânica e, na falta dela, soro antitetânico são usados para o tratamento da doença.

Vacinação: Crianças até cinco anos devem receber a vacina tríplice contra tétano e, a partir dessa idade a vacina dupla (contra difteria e tétano) que também é recomendada para os adultos e pode ser obtida em qualquer posto de saúde. Uma dose de reforço deve ser tomada a cada dez anos para garantir a proteção contra a doença.

Recomendações

Tétano é uma doença que pode ser evitada desde que alguns cuidados sejam observados:

Limpe cuidadosamente com água e sabão todos os ferimentos para evitar a penetração da bactéria

Não pense que apenas pregos e cercas enferrujados podem provocar a doença. A bactéria do tétano pode ser encontrada nos ais diversos ambientes

Mantenha o esquema de vacinação em dia. Muitos adultos jamais tomaram a vacina dupla contra tétano e difteria e, mesmo os que já tomaram, costumam esquecer-se das doses de reforço

Saiba que o tétano é uma doença grave, às vezes, fatal, se a pessoa não for atendida prontamente num hospital. Não hesite diante de sintomas que possam sugerir que ela tem a doença.

Fonte: www.drauziovarella.com.br

Tétano

O tétano é uma doença transmissível, não-contagiosa, que apresenta duas formas de ocorrência: acidental e neonatal.

A primeira forma geralmente acomete pessoas que entram em contato com o bacilo tetânico ao manusearem o solo ou através de ferimentos ou lesões ocorridas por materiais contaminados, em ferimentos na pele ou mucosa.

O tétano neonatal é causado pela contaminação durante a secção do cordão umbilical pelo uso de instrumentos cortantes ou material de hemostasia inadequadamente esterilizados ou não esterilizados, pelo uso de substâncias contaminadas no coto umbilical como teia de aranha, pó de café, fumo, esterco.

A doença reduziu de 2.226 casos em 1982 para menos de 600 desde 2002.

Nos últimos quatro anos tem sido evidenciado que mais de 70% dos casos estão na faixa etária abaixo de 60 anos de idade e cerca de 20 a 30% na faixa etária de 60 anos e mais.

As mortes pelo tétano acidental também acompanham a tendência declinante, das 713 ocorrências anuais registradas em 1982, para menos de 300 desde 1998.

No mesmo período ocorreu uma redução no número de casos de tétano neonatal de 584 em 1982 para 15 em 2003. Considerando que esta enfermidade apresenta uma letalidade média de 70%, esta redução tem um impacto importante na mortalidade infantil neonatal.

O tétano acidental pode ser evitado pelo uso da vacina DPT na infância e com a vacina dupla adulto (dT) em adultos, além dos reforços a cada dez anos para quem já tem o esquema completo.

Outra medida importantes é a adoção de procedimentos adequados de limpeza e desinfecção de ferimentos ou lesão suspeita para tétano, nas unidades de saúde.

A manutenção do esquema de vacinação preconizado atualizado é de extrema importância, porque a vacina apresenta uma eficácia de quase 100%.

A conscientização da população sobre algumas medidas de prevenção contra o tétano também é um fator que tem contribuído na redução dos casos.

Esta conscientização deve ser extendida ao ambiente de trabalho para algumas categorias profissionais de maior exposição a ferimentos e contato com material contaminado.

O tétano neonatal pode ser evitado principalmente por meio da vacinação das gestantes durante o pré-natal, iniciando com o recebimento precoce do esquema vacinal preconizado.

Desde 2003, visando assegurar uma maior proteção das futuras gestantes, vem sendo adotada no país a vacinação das mulheres em idade fertil, priorizando-se os estados com maior ocorrência de casos de tétano neonatal.

Segue-se da importância do parto asséptico ou limpo e o tratamento correto do coto umbilical. Esses fatores são básicos para que o tétano neonatal seja eliminado em todo o território nacional.

Fonte: www.saude.gov.br

Tétano

Tétano neonatal

O tétano neonatal (TNN) é uma doença infecciosa aguda, grave, não-transmissível e imunoprevenível. Acomete o recém-nascido com maior freqüência na primeira semana de vida (60%) e nos primeiros quinze dias (90%). Os casos de TNN, em geral, estão associados a problemas de acesso a serviços de saúde de qualidade. Portanto, a ocorrência de um caso de TNN deve ser tomada como um evento sentinela para a imediata correção dos problemas relacionados ao funcionamento dos serviços de saúde.

Sinonímia: Mal de 7 dias, tétano umbilical.

Agente etiológico: Clostridium tetani, bacilo gram-positivo, anaeróbico e esporulado produtor de várias toxinas, sendo a tetanopasmina a responsável pelo quadro de contratura muscular.

Reservatório: O bacilo é encontrado no trato intestinal dos animais, especialmente do homem e do cavalo. Os esporos encontram-se no solo contaminado por fezes, na pele e poeira, entre outros.

Modo de transmissão: Por contaminação, durante a secção do cordão umbilical ou dos cuidados inadequados do coto umbilical e/ou quando se utilizam substâncias e instrumentos contaminados com esporos e/ou a própria falta de higiene nos cuidados do recém-nascido.

Período de incubação

Aproximadamente 7 dias, podendo ser entre os primeiros 2 a 28 dias de vida.

Período de transmissibilidade - Não é doença contagiosa. Portanto, não é transmitida de pessoa a pessoa.

Complicações

Disfunção respiratória, infecções secundárias, disautonomia, taquicardia, crise de hipertensão arterial, parada cardíaca, miocardite tóxica, embolia pulmonar, hemorragias, fraturas de vértebras, dentre outras.

Diagnóstico

Eminentemente clínico-epidemiológico, não depende de confirmação laboratorial.

Diagnóstico diferencial

Septicemia, meningites, hipoparatireoidismo, hipocalcemia, hipoglicemia, alcalose, intoxicação por estricnina, encefalite, peritonites, distúrbios metabólicos transitórios, lesão intracraniana secundária ao parto.

Tratamento

Manter o paciente sob vigilância; sedar antes de qualquer procedimento (uso de sedativos e miorrelaxantes de ação central ou periférica); medidas gerais que incluem manutenção de vias aéreas permeáveis (entubar para facilitar a aspiração de secreções), hidratação, redução de qualquer tipo de estímulo externo, alimentação por sonda e analgésicos; uso de anti-histamínico prévio à administração do soro antitetânico (SAT), 10.000 a 20.000UI, IV, diluídos em soro glicosado a 5%, em gotejamento por duas a 4 horas, ou imunoglobulina humana antitetânica (Ighat), 500 a 1.000UI, dose única, somente via IM (devido a existência de conservante).

Antibioticoterapia: no caso de infecção do coto umbilical, a escolha é a Penicilina cristalina, 200.000UI/kg/dia, IV, 6/6 horas, por 10 dias.

Características epidemiológicas

O tétano neonatal é uma doença praticamente eliminada nas regiões de adequado desenvolvimento econômico e social, mas ainda permanece como importante problema de saúde pública nas regiões mais pobres do mundo. A letalidade média no Brasil encontra-se em torno de 70%.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivos: Monitorar a situação epidemiológica, detectar casos e contribuir para a identificação dos principais fatores de risco associados à doença, produzir e disseminar informações epidemiológicas.

Notificação: Doença de notificação compulsória e investigação obrigatória.

Definição de caso

Suspeito

Todo recém-nascido que nasceu bem, sugou normalmente nas primeiras horas e entre o 2º e o 28º dia de vida apresentou dificuldade em mamar, independente do estado vacinal da mãe, do local e das condições do parto. São também considerados suspeitos todos os óbitos nessa mesma faixa etária de crianças que apresentavam essas mesmas características, com diagnóstico indefinido ou ignorado;

Confirmado

Todo recém-nascido que nasceu bem, sugou bem nas primeiras horas e a partir do 2º ao 28º dia de vida apresentou dificuldade, evoluindo para deixar de mamar e apresenta dois ou mais dos seguintes sinais/sintomas: trismo, contratura dos músculos da mímica facial, olhos cerrados, pele da fronte pregueada, lábios contraídos, hiperflexão dos membros superiores junto ao tórax, hiperextensão dos membros inferiores e crises de contraturas musculares, com inflamação ou não do coto umbilical.

TÉTANO NEONATAL - DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS

Descartado

Todo caso suspeito que após a investigação epidemiológica não preencha os critérios de confirmação de caso.

Busca ativa

Sistematicamente, deve ser realizada a busca ativa, particularmente nas áreas consideradas de risco, silenciosas, onde há rumores, onde a notificação é inconsistente e irregular ou as que não tenham notificado casos. Atividades de busca ativa devem incluir revisão de prontuários de hospitais e clínicas, registros de igrejas, cemitérios e cartórios, conversas com pediatras, ginecologistas, obstetras, enfermeiros, parteiras e líderes comunitários.

Conduta frente a um caso

Encaminhar a mãe para vacinação; divulgar a ocorrência do caso aos gestores, aos profissionais de saúde (avaliar as falhas que favoreceram a ocorrência da doença e corrigi-las) e líderes comunitários e envolvê-los na vigilância e ações de prevenção permanente da doença; promover a vacinação adequada das mulheres em idade fértil (MIF); cadastrar e treinar as parteiras tradicionais atuantes e fazer busca ativa de possíveis outros casos, investigando todos os óbitos ocorridos em menores de 28 dias de vida, sem diagnóstico definido.

MEDIDAS DE CONTROLE

A vacinação de 100% das mulheres em idade fértil (gestantes e não-gestantes); melhoria da cobertura e da qualidade do pré-natal e da atenção ao parto e puerpério; cadastramento e capacitação das parteiras curiosas tradicionais atuantes em locais de difícil acesso, visando eliminar a ocorrência dessa doença; tratamento adequado do coto umbilical com álcool a 70%.

Fonte: www.charqueadas.rs.gov.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal