
Toxoplasmose congênita: calcificações cerebrais
A toxoplasmose é uma protozoonose causada por protozoário, Toxoplasma gondii, que acomete inúmeros vertebrados, inclusive o homem. É uma infecção muito difundida no Brasil e no mundo, porém a prevalência e incidência, em diferentes regiões, sofrem forte influência das características locais, como fatores ambientais, alimentares, culturais, idade, entre outros.

Na toxoplasmose adquirida, a infecção ocorre após o nascimento.
Em pacientes imunocompetentes, a infecção é geralmente assintomática e auto-limitada, quando sintomática apresenta-se com sinais e sintomas inespecíficos, durando de semanas a meses. A sintomatologia mais freqüente é linfoadenopatia (especialmente cervical), febre, mal estar, sudorese noturna, mialgias, hepatoesplenomegalia.
Em paciente imunocomprometido (transplantados, portadores de infecções virais e neoplasias) podem ocorrer complicações mais sérias, como o quadro de neurotoxoplasmose, e levar a morte.
Desta forma, a confirmação diagnóstica, a investigação clínica e a condução terapêutica apropriadas são medidas fundamentais para reduzir complicações futuras especialmente em regiões de maior endemicidade.

Toxoplasmose congenita: cicatriz extensa de retinocoroidite macular
A toxoplasmose congênita pode ocorrer quando a gestante adquire pela primeira vez a protozoose - fase aguda da infecção.
Fatores como a idade gestacional, a imunidade materna, a virulência da cepa, entre outros podem determinar a severidade das lesões no feto.
O parasita atinge o concepto, por via transplacentária, e se dissemina.
Ocorre a invasão pelo parasita em vários órgãos, mas prevalecem as lesões no sistema nervoso e na retina, podendo levar à morte fetal, abortamento e má formação congênita.
As crianças que nascem a termo podem vir a apresentar anomalias e alterações no desenvolvimento físico e mental, esses sintomas clínicos podem ser observados ao nascer ou mais tarde, eventualmente, na idade escolar com déficit visual ou de aprendizado.

Toxoplasmose congênita: calcificações cerebrais
Na toxoplasmose ocular, a retinocoroidite esta freqüentemente associada e pode causar danos progressivos à visão. Esta complicação pode ser associada à forma adquirida ou congênita da desta zoonose.
Este microrganismo pode apresentar vários mecanismos de transmissão ao homem:
Os animais, domésticos e selvagens, são considerados como fonte alimentar de infecção de T. gondii para humanos, quando associados ao hábito de ingerir carne crua ou mal cozida, porém os felídeos, hospedeiros definitivos, têm importância na manutenção do ciclo.
T. gondii é um protozoário heteroxênico facultativo e intracelular obrigatório, que acometer várias espécies de vertebrados (mamíferos e aves), incluindo o homem.
Este parasita possui três formas estruturais durante o ciclo evolutivo:
1) Taquizoítas (tachys = rápido): forma que apresenta rápida multiplicação, responsável pela fase aguda da infecção;

Taquizoítos em macrófago de MO de camundongo: 2 formas em roseta (Giemsa)Dubey J. In: Mandell GL, Bennett JE & Dolin R. Principles and Practice of Infectious Diseases 2005. Elsevier. Philadelphia)
2) Bradizoítas (bradys = lento): encontrado no interior de cistos teciduais, multiplica-se lentamente, responsável pela forma crônica da infecção;

Cisto em Bx muscular.Mansur E. In: Mandell GL, Bennett JE & Dolin R. Principles and Practice of Infectious Diseases 2005. Elsevier. Philadelphia)
3) Oocistos: produzidos no epitélio intestinal dos felídeos.

Oocisto. Dubey J In: Mandell GL, Bennett JE & Dolin R. Principles and Practice of Infectious Diseases 2005. Elsevier. Philadelphia)
Animais de sangue quente (aves e mamíferos), incluindo o homem. Nestes animais ocorre apenas o processo de reprodução assexuada ou extra-intestinal do parasita, com a formação de cisto tecidual, na fase crônica da infecção, principalmente em tecido nervoso, retina, musculatura cardíaca e esquelética.
Nos felídeos pode ocorrer tanto a reprodução assexuada como a sexuada ou entérica (com a diferenciação do parasita e a formação dos oocistos imaturos, que são eliminados com as fezes).

Felinos: hospedeiros definitivos do T.gondii
Os hospedeiros definitivos, os felídeos, se contaminam caçando animais infectados (ratos, outros roedores e aves infectados com o Toxoplasma gondii). No epitélio intestinal dos felídeos são formados os oocistos imaturos, que ao serem eliminados com as fezes, contaminam o ambiente e, depois de alguns dias, se tornam infectantes. Em locais de clima favorável estes oocistos podem ficar viáveis, e infectar novos animais, por mais de um ano. A
disseminação dos oocistos, na água e no solo, pode ocasionar uma alta taxa de prevalência da infecção em animais herbívoros.
Com a contaminação do solo e da água as pessoas e os animais podem se infectar de diversas formas, ao ingerir acidentalmente o oocisto, principalmente as crianças que brincam com a terra e os trabalhadores rurais.
Os animais ao serem infectados passam a ser fonte de contaminação, apenas, para as pessoas que têm hábito de ingerirem carne crua ou mal cozida e para animais que caçam.

1) Lave bem as mãos antes de mexer com os alimentos;

2) Não coma carne crua ou mal cozida;
3) Ao mexer com a terra ou caixa de areia lave bem as mãos ou use luvas;
4) Só beba água filtrada ou fervida;
5) Frutas, verduras e legumes crus devem ser bem lavados.
Observação:
A Toxoplasmose tem cura. O fato de apresentar exame positivo para toxoplasmose não significa que você esta com a doença. Na maioria das vezes, indica a presença de anticorpos.


Observação:
Os gatos domésticos se infectam caçando pequenos animais infectados, como ratos e aves.
Desta maneira, os gatos que não vão as ruas para caçar, e que comem apenas ração industrializada NÃO oferecem perigo.
Mas, alguns cuidados como limpar sempre a caixa de areia, lavar bem as mãos antes de manusear o alimento e não dar carne crua ou mal cozida para os gatos são medidas importantes.
Fonte: www.ipec.fiocruz.br