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Vacinação

 

 

Vacina - Uma Técnica Milenar

Ao perceberem que os sobreviventes de um ataque de varíola não voltavam a sofrer da doença, muitos povos tentaram provocar a moléstia numa forma mais branda.

Os primeiros registros desta prática, que recebeu o nome de variolização, remontam aos chineses.

Era conhecida entre diversos povos da África e da Ásia, como egípcios, persas, indianos, circassianos, georgianos, árabes. Na Turquia, no início do séc. XVIII, duas inoculadoras de origem grega ficaram famosas - uma delas, a Tessaliana, chegou a imunizar cerca de 40 mil pessoas.

As técnicas diferiam: algodão, com pó de crostas ou pus inserido no nariz; vestir roupas íntimas de doentes; inscrustar crostas em arranhões; picar a pele com agulhas contaminadas; fazer um corte na pele e colocar um fio de linha infectado, ou uma gota de pus.

Embora a variolização pareça ter sido praticada em algumas regiões da França, na Escócia, no País de Gales e na Itália, atribui-se sua introdução na Europa a Lady Mary Wortley Montagu, mulher do embaixador britânico na Turquia, que fez inocular seus filhos. De Londres, a prática se espalhou pelo continente, popularizada pela adesão da aristocracia. Foram imunizados Luis XVI, na França, as filhas da princesa de Gales, na Inglaterra, e Catarina II, na Rússia.

A variolização logo chegou às Américas. Jesuítas inocularam índios no Brasil e Thomas Boylston imunizou 243 pessoas durante uma epidemia em Boston, em 1721. Na mesma cidade, em 1764, um novo surto de varíola levou à criação de dois hospitais particulares para inoculação. John Adams, mais tarde presidente dos Estados Unidos, submeteu-se ao tratamento. Este era prolongado - três a quatro semanas de internação e de duas a três em convalescença.

Desde sua introdução na Europa, a variolização sempre enfrentou uma oposição ferrenha, que se agravou com a comprovação de que cerca de 2% dos inoculados morriam e muitos desenvolviam formas graves da doença. Com isso, em muitos locais, a prática foi suspensa.

Edward Jenner, um médico inglês, observou que um número expressivo de pessoas mostrava-se imune à varíola. Todas eram ordenhadoras e tinham se contaminado com cowpox, uma doença do gado semelhante à varíola, pela formação de pústulas, mas que não causava a morte dos animais. Após uma série de experiências, constatou que estes indivíduos mantinham-se refratários à varíola, mesmo quando inoculados com o vírus.

Em 14 de maio de 1796, Jenner inoculou James Phipps, um menino de oito anos, com o pus retirado de uma pústula de Sarah Nemes, uma ordenhadora que sofria de cowpox. O garoto contraiu uma infecção extremamente benigna e, dez dias depois, estava recuperado. Meses depois, Jenner inoculava Phipps com pus varioloso. O menino não adoeceu. Era a descoberta da vacina.

A partir de então, Jenner começou a imunizar crianças, com material retirado diretamente das pústulas dos animais e passado, braço a braço. Em 1798, divulgava sua descoberta no trabalho Um inquérito sobre as causas e os efeitos da Vacina da Varíola.

Jenner enfrentou sérias resistências. A classe médica demonstrava ceticismo. Os variolizadores fizeram ferrenha oposição.

Grupos religiosos alertavam para o risco da degeneração da raça humana pela contaminação com material bovino: a vacalização ou minotaurização, como foi chamado.

Mas, em pouco tempo, a vacina conquistou a Inglaterra. Em 1799, era criado o primeiro instituto vacínico em Londres e, em 1802, sob os auspícios da família real, fundava-se a Sociedade Real Jenneriana para a Extinção da Varíola.

A descoberta de Jenner logo espalhou-se pelo mundo.

A partir de 1800, a Marinha britânica começou a adotar a vacinação.

Napoleão Bonaparte introduziu-a em seus exércitos e fez imunizar seu filho. Nas Américas, chegou pelas mãos do médico Benjamin Waterhouse, de Harvard, popularizando-se, a partir de 1801, quando o Presidente Thomas Jefferson foi vacinado.

O imunizante chegou a Portugal, em 1799, dentro de um pequeno frasco. D. Pedro, futuro imperador do Brasil, e seu irmão foram inoculados. Em 1804, o Marquês de Barbacena trouxe a vacina para o Brasil, transportando-a pelo Atlântico, por seus escravos, que iam passando a infecção vacinal, um para o outro, braço a braço, durante a viagem.

A oposição à vacina jamais cessou. Camponesas francesas recusavam-se a imunizar seus filhos na esperança de que a varíola lhes trouxesse tal degradação física, que os tornasse inaptos para o serviço militar e, portanto, para a guerra. Vacinadores eram obrigados a pagar para conseguir voluntários que se deixassem inocular, conservando o vírus vacinal.

Para muitos, a imunização causava repulsa porque o fluido vacinal era conservado em jovens confiados à caridade pública, muitos portadores de doenças venéreas e outras moléstias. Foram registrados casos de sífilis associados à vacina.

Mas nada contribuiu tanto para a resistência à vacinação quanto as epidemias de varíola na década de 1820, quando um grande número de imunizados adoeceu.

Descobriu-se, então, que a proteção não era eterna. Era preciso revacinar-se.

Além disso, a conservação da linfa braço a braço não só adulterava o fluido vacinal, como, com o tempo, fazia com que este perdesse sua potência.

A solução foi retornar ao vírus original: o da cowpox ou varíola das vacas.

Apesar de toda a oposição, a vacinação aos poucos foi se generalizando, mesmo que sob a pressão governamental. Ela se tornou obrigatória na Baviera em 1807, na Dinamarca em 1810, na Suécia em 1814, em vários estados germânicos em 1818, na Prússia em 1835 e, finalmente, na Inglaterra em 1853.

Pasteur Revoluciona a Ciência

A 6 de julho de 1885, chegava ao laboratório de Louis Pasteur um menino alsaciano de nove anos, Joseph Meister, que havia sido mordido por um cão raivoso.

Pasteur, que vinha desenvolvendo pesquisas na atenuação do vírus da raiva, injetou na criança material proveniente de medula de um coelho infectado. Ao todo, foram 13 inoculações, cada uma com material mais virulento. Meister não chegou a contrair a doença.

A 26 de outubro, o cientista francês comunicava à Academia de Ciências a descoberta do imunizante contra a raiva, que chamou de vacina em homenagem a Jenner.

Louis Pasteur já era famoso quando salvou Meister. Desenvolvera pesquisas sobre fermentação, elaborando um método para conservação da cerveja, a pasteurização. Formulou a teoria da origem microbiana das doenças. Comprovou que o carbúnculo era causado por um microorganismo e descobriu o estafilococo. Desenvolveu imunizantes contra a cólera das galinhas e o carbúnculo do gado.

Ao contrário da descoberta de Jenner, puramente empírica, as vacinas de Pasteur foram as primeiras obtidas de forma científica. Fundador da moderna microbiologia e da medicina experimental, Pasteur revolucionou a ciência, ao desenvolver um produto, produzido à vontade, por um método que podia ser generalizado.

A Descoberta das Toxinas

Em 1888, Emile Roux e Alexander Yersin descobriram que o bacilo da difteria produzia uma toxina poderosa, responsável pelos sintomas da doença. Em 1891, Emil Behring injetava doses subletais desta toxina, provocando o aparecimento de moléculas antitóxicas, capazes de proteger contra a infecção e de ser transferidas para outros animais, imunizando-os. Ao aplicar este produto num caso agudo de difteria, deu início à soroterapia, logo empregada também no tétano.

Por esta descoberta, Behring recebeu o primeiro Prêmio Nobel de Medicina.

Foram Loewenstein e Glenny que provaram, em 1904, que toxinas poderiam ser inativadas por substâncias químicas, no caso formol, mantendo seu potencial imunizante, mas sem causar infecção.

Essa descoberta levou ao desenvolvimento dos primeiros toxóides: diftérico e tetânico. Sauer, Kendrick e Eldering desenvolveram o primeiro imunizante contra coqueluche.

Em 1949, os toxóides tetânico e diftérico e o imunizante contra a coqueluche foram reunidos numa única vacina: tríplice ou DPT - a primeira no mundo a imunizar contra mais de um microorganismo.

BCG e a Tuberculose

Em 1909, Albert Calmette e Camille Guerin, do Instituto Pasteur, comunicavam à Academia de Ciências Francesa o desenvolvimento de um bacilo de virulência atenuada, proveniente de sucessivas culturas em bile de boi, com capacidade imunizante contra a tuberculose. Era o BCG que, após uma série de testes, passou a ser regularmente utilizado como vacina. Primeiro imunizante bacteriano atenuado, o BCG foi introduzido no Brasil em 1925 e é atualmente aplicado em crianças recém-nascidas.

A Vacina Contra Varíola

Os problemas decorrentes da linfa humana levaram à difusão da vacina antivariólica de origem animal, aperfeiçoada a partir das descobertas da microbiologia.

Conseguia-se a vacínia (vírus vacinal) raspando-se a pele de vitelos com cowpox. O produto obtido era, então, filtrado, para evitar a contaminação por outros agentes patogênicos.

Ao contrário do que pensavam Jenner e Pasteur, a vacínia - Poxvírus officinale - é um mutante obtido no laboratório, pela passagem seriada do vírus da varíola de vaca em pele de vitelo ou de coelho.

Foram realizadas várias tentativas de cultura do vírus vacínico fora do vitelo, mas a produção da vacina contra a varíola só sofreu uma grande modificação com a introdução da técnica de cultivo de vírus em embrião de pinto. Mais tarde, ela passou a ser liofilizada, isto é, ter sua umidade retirada, transformando-se numa pastilha e sendo reconstituída no momento da aplicação. Este processo dá maior estabilidade à vacina.

No Brasil, a vacina cultivada em ovo embrionado foi implantada pelo então Instituto Oswaldo Cruz, que já dominava esta tecnologia, usada na produção do imunizante contra a febre amarela.

Foram diversas as técnicas de vacinação contra a varíola: escarificação (incisão na pele), pressão múltipla (esfregar uma agulha paralelamente à pele), punção múltipla (várias picadinhas com uma agulha), broca (rodar um tubo capilar cortado com a vacina sobre a pele), injeção intradérmica e pistola.

Febre Amarela, um Imunizante Tropical

A descoberta de que a forma comum da febre amarela era a silvestre, e não a urbana, determinou novos rumos na profilaxia desta doença, deflagrando um grande esforço para o desenvolvimento de uma vacina.

Em 1936, Max Theiler e Henry Smith, da Fundação Rockefeller, chegaram à cepa 17D da febre amarela, vírus atenuado por passagens em cérebro de ratos e em embrião de pinto. No ano seguinte, a vacina foi testada pela primeira vez no Brasil. Em 1940, foi desenvolvido novo estudo de campo no sul de Minas Gerais, com a imunização de mais de cinco mil pessoas. A pesquisa deu subsídios para os últimos ajustes na forma final do imunizante.

A vacina contra a febre amarela é a primeira no mundo a usar o sistema de lotes-sementes, isto é, os lotes originais do vírus atenuado são submetidos a uma nova passagem em ovos embrionados, dando origem a lotes secundários que servirão de fonte para a produção do imunizante.

Desde o final da década de 30, a vacina contra a febre amarela vem sendo fabricada em Manguinhos. Hoje, a Fiocruz é responsável por 80% da produção mundial deste imunizante.

Popularidade da Vacina Contra Poliomielite

Nenhum imunizante contribuiu tanto para a popularização das vacinas como o antipoliomielite. Conhecida desde a Antiguidade, a doença passou a assumir importância como problema de saúde pública no final do século passado, ao irromper de forma epidêmica nos Estados Unidos e Europa.

O impacto causado pela visão de crianças paralíticas levou a população americana a uma mobilização sem precedentes nas Marchas do Dime, em que pessoas saíram às ruas em todo o país pedindo um dime (moeda de dez centavos) para a pesquisa de uma vacina contra a pólio. Bilhões de dólares foram arrecadados.

Em 1949, Jonas Salk desenvolveu uma vacina desenvolvida a partir de vírus inativados (mortos), que foi testada em 45 mil crianças nos Estados Unidos, em 1954. Foi o primeiro imunizante no mundo a ser produzido em cultura de tecidos (células de rim de macaco) e reunir mais de uma subespécie de vírus (poliovírus I, II e III).

No mesmo ano, Albert Sabin desenvolveu a vacina atenuada contra a pólio, a primeira a ser aplicada por via oral. Por mimetizar o mecanismo de infecção do vírus selvagem, com a excreção do microorganismo atenuado no ambiente, a vacina Sabin facilita a obtenção de altos níveis de imunidade coletiva.

Erradicação da Varíola

Quando em 1959, a Organização Mundial da Saúde lançou a campanha mundial para a erradicação da varíola, a transmissão da doença já estava extinta na Europa e na América do Norte. O programa, porém, não alcançou o êxito esperado, devido à insuficiência de vacinas, deficiências na sua produção e controle de qualidade e a falta de mecanismo adequados de conservação e distribuição do imunizante.

A partir de 1965, o programa foi reorganizado. A OMS investiu na produção de imunizantes em países endêmicos, estabeleceu normas para o controle de qualidade de vacinas, difundiu as técnicas de produção em ovos embrionados e da liofilização e de vacinação por pistola. Em 1967, a Campanha Mundial para a Erradicação da Varíola foi intensificada.

Neste ano, apenas dois países das Américas ainda registravam casos autóctones de varíola: a Argentina, com focos em cinco províncias, e o Brasil, onde a doença era endêmica.

Desde o ano anterior, o Governo brasileiro iniciara a fase de ataque de sua campanha contra a varíola, com vacinação em massa, cobrindo 88% da população brasileira, organização de uma rede de vigilância epidemiológica e criação, na Fiocruz, de um laboratório de referência para apoiar o programa de erradicação.

Em 1970, o Brasil era o único país do continente americano a registrar casos de varíola. No ano seguinte, descobriu-se um foco no Rio de Janeiro, no subúrbio de Olaria, com 20 casos. O último, detectado em 19 de abril, foi também o derradeiro caso nas Américas.

Dois anos depois, após intensa vigilância sem que nenhum novo caso tenha sido registrado, a OMS declara a varíola erradicada do continente americano.

Apesar da intensa mobilização e do esforço internacional, a campanha de erradicação varíola enfrentou algumas resistências. Nas ex-colônias da África, muitas ainda com memórias recentes das guerras de libertação, a marca deixada pela vacina antivariólica simbolizava submissão porque era associada aos antigos colonizadores. Nos países muçulmanos, onde as mulheres eram segregadas, a moral rígida colocava uma série de obstáculos à vacinação .

Mas foi a Índia que obrigou as equipes de saúde a exercerem toda a sua criatividade. Num país em que Shitala Mata era adorada como deusa da varíola minor, que enviava a seus fiéis como uma benção, era um verdadeiro sacrilégio recusar essa graça, fazendo-se vacinar. E o que era pior - a substância vacinal era tirada das vacas sagradas.

Mas a imaginação dos vacinadores encontrou a solução: a vacina era feita de varíola e quem se imunizasse estava se contaminando com a doença e, portanto, sendo abençoado pela deusa. A partir de 24 de maio de 1975, a Índia já não mais registrava casos de varíola.

O nomadismo africano e a instabilidade política de algumas regiões também prejudicaram campanha. Em 18 países, os vacinadores vivenciaram 23 mudanças de regime num período de apenas sete anos. Mas o programa foi superando todos os obstáculos.

Foi na Etiópia e na Somália que se travou a última batalha contra a varíola. Neste mesmo ano, a OMS detectava o último surto de varíola no mundo. era no interior da Somália, para onde a doença tinha sido levada por nômades etíopes.

Estes países apresentavam condições bastante adversas: pobreza, maioria da população residindo em locais montanhosos e de difícil acesso, resistência à imunização, presença de nômades e seqüestro de conselheiros da OMS.

Em 1976, a Etiópia libertava-se da varíola. No ano seguinte, descobria-se o último foco da doença. Foram 39 casos - o primeiro a 30 de agosto e o derradeiro - Ali Maow Maali, a 26 de outubro.

O vírus da varíola passava a existir apenas em laboratórios da OMS. Em julho de 1978, Janet Parker, uma fotógrafa científica, que trabalhava na Universidade de Birmingham, contaminou-se acidentalmente com o vírus e morreu a 11 de setembro. Poucos dias depois, Dr. Bedson, que se considerava responsável pelo ocorrido, se suicidava.

Em maio de 1980, a OMS declarava a varíola erradicada do mundo.

PNI – Programa Nacional de Imunizações

Em decorrência do sucesso da campanha de erradicação da varíola, a Organização Pan-Americana de Saúde propôs, em 1972, um plano mais ambicioso: reduzir o número de casos de doenças evitáveis por vacinação em todo o continente. Dois anos depois, a OMS encampava esta meta e criava o Programa Ampliado de Imunizações (PAI).

Para organizar seus esforços no setor, o Brasil institucionalizou o Programa Nacional de Imunizações e o sistema nacional de vigilância epidemiológica e logo conseguia ampliar sua cobertura vacinal de 20% para 40%. Mas isso não era suficiente. Em 1980, o país optou pela estratégia de campanhas, criando os dias nacionais de vacinação contra poliomielite e obtendo uma drástica redução na incidência desta doença (de 1290 casos para 125). O sucesso fez com que diversos países da América passassem a copiar esta iniciativa.

Paralelamente, o país optava por estimular a produção nacional de imunizantes, reaparelhando os laboratórios estatais. Era preciso ainda garantir a qualidade das vacinas utilizadas nos programas oficiais. Em 1981, criou-se, na Fiocruz, o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde. A importância de sua implantação foi logo comprovada com a descoberta de uma partida de imunizantes iugoslavos contra a poliomielite contaminados por fungos.

Em apoio à luta para controlar a pólio, a Fiocruz implantou o Centro Internacional de Referência em Enterovírus, com a função de coordenar uma rede de laboratórios de diagnóstico, examinar e confirmar cada caso da doença. Coube ao Centro detectar que um surto de pólio no Nordeste devia-se ao subtipo III do poliovírus. A descoberta fez com que o Brasil desenvolvesse uma nova formulação para a vacina, com o aumento da quantidade deste subtipo, que a partir de 1989, passa a ser recomendada pela OPAS.

A imunização de todas as crianças no mesmo dia impôs ao país uma série de desafios, como a implantação de uma estrutura de distribuição, armazenamento e conservação das vacinas e a organização de um sistema confiável de registros. Foi necessário ainda investir no treinamento de pessoal.

O sucesso das campanhas de imunização deveu-se ainda à participação dos meios de comunicação de massa, mobilizando a população. De todos os pontos do país, em canoas, bicicletas, carroças e tratores, pessoas dirigiam-se aos cerca de 90 mil postos de vacinação, fixos e volantes. Para cada dia nacional de vacinação contra a pólio, era distribuir cerca de 36 milhões de doses de imunizante para atender a aproximadamente 20 milhões de crianças.

Em 1985, a OPAS lançava a campanha para acabar com a transmissão da poliomielite das Américas. Em 1988, a OMS encampou a iniciativa, adotando a meta de erradicação mundial da pólio até o ano 2000. Em 1989, foi registrado o último caso da doença no Brasil.

No ano seguinte, o país decidiu aproveitar a mobilização dos dias nacionais de vacinação para imunizar também as crianças contra o sarampo, a difteria, o tétano e a coqueluche, conseguindo índices de 90% de cobertura vacinal. Neste mesmo ano, a OPAS organizou campanhas de bloqueio em todos os países, onde o vírus ainda circulava. Em 1981, era registrado o último caso de poliomielite por vírus selvagem no continente americano em Junin, no Peru.

Em 1994, a Comissão Internacional para Certificação da Erradicação da Poliomielite declarava interrompida a transmissão do poliovírus selvagem nas Américas. Foi a primeira região do mundo a conseguir este feito.

Meningite, uma Epidemia sob Censura

Em 1974, uma epidemia de meningite meningocócica assolou o país. Despreparado para enfrentar o crescente número de casos, o regime militar censurou qualquer menção à doença nos meios de comunicação. Enquanto a moléstia se restringia às áreas mais carentes, a proibição funcionou, mas quando os óbitos começaram a ocorrer nos bairros nobres do Rio e São Paulo, a notícia vazou e a pressão da opinião pública se fez sentir.

O Governo promoveu, então, uma campanha nacional de vacinação contra a meningite com imunizantes importados.

Procurando se preparar para novos surtos da doença, em 1976 o Brasil implantou em Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz, um centro de produção de vacinas contra meningite meningocócica A e C.

A vacina contra meningite meningocócica foi a primeira brasileira em polissacarídeos. Esta tecnologia produz menos efeitos colaterais, porque utiliza apenas pedaços do microorganismo, ao invés da bactéria inteira. Seu domínio possibilitou ao país a capacitação em modernos métodos de fermentação e purificação, aplicáveis a outros imunizantes bacterianos.

Como resultado de um programa para capacitação nacional em imunobiológicos, a Fiocruz lançava em 1982 o primeiro lote da vacina brasileira contra o sarampo, fruto de acordo de cooperação técnica com o Governo japonês.

A nacionalização deste imunizante revolucionou a produção de vacinas no país. A automatização dos equipamentos possibilitou a fabricação em escala industrial, reduziu os riscos de contaminação no processamento final e forçou a modernização no setor de insumos.

Foi a primeira vacina humana brasileira, utilizando a tecnologia de cultura de tecidos, aplicável a outros imunizantes virais e que possibilita a obtenção de produtos mais puros, com menores efeitos colaterais, bem como de grandes quantidades do concentrado viral.

Fonte: www.bio.fiocruz.br

Vacinação

Objetivo da Vacinação

Mesmo tendo sofrido muitas dificuldades ao longo de sua história, a vacina, certamente vem ocupando um lugar de destaque incontestável entre os instrumentos de saúde pública colocados à disposição de governos e autoridades sanitárias, sendo considerada, por muitos, responsável por salvar inúmeras vidas e evitar a propagação de uma série de doenças que, em sua ausência, teriam varrido o planeta da mesma forma que as pestes assolaram a Europa tempos atrás.

As vacinas são atualmente o meio mais eficaz e seguro de proteção contrainúmeras doenças. Mesmo quando a imunidade não é total, a pessoa que está vacinada tem maior capacidade de resistência na eventualidade da doença surgir.

Além da proteção pessoal, a vacinação traz também benefícios para toda a comunidade, pois quando a maior parte de uma população está vacinada interrompe-se a transmissão de doenças.

A vacinação é sem dúvida uma das quatro ações básicas em saúde mais importante para melhoria da saúde pública.

Com exceção do Saneamento Básico, nenhum outro avanço, nem mesmo os antibióticos, apresentaram o mesmo impacto na redução da mortalidade e no crescimento da população mundial.

De fato, a redução de doenças através da imunização representa um dos grandes avanços médicos do século XX. A varíola foi erradicada, e doenças tais como poliomielite, sarampo e difteria são na atualidade extremamente raras em muitos países desenvolvidos.

Portanto, o calendário vacinal tem como objetivo principal servir de orientação para a primeira imunização ou atualização das vacinas daqueles que, durante a infância, não foram corretamente protegidos, nem contraíram, de forma inequívoca, doenças que poderiam ser prevenidas, como sarampo, catapora, hepatite A e B, etc.

Fonte: www.vacivida.com.br

Vacinação

As vacinas tornam as pessoas resistentes à infecções e infestações de doenças por que mantêm o seu sistema imunológico (sistema natural de defesa) alerta.

As vacinas utilizam os mesmos agentes causadores das doenças, só que mais fracos, o que leva o organismo a reagir, produzindo anticorpos eficientes em combater tais doenças.

Desta forma, se um dia a pessoa vacinada vier a entrar em contato com aqueles vírus ou bactérias, seu corpo os reconhecerá e estará pronto para atacá-los, evitando contaminação.

Além de proteger a vida e a saúde da pessoa imunizada, a vacinação protege também toda a sociedade pois impede a propagação de epidemias, erradicando graves doenças.

O calendário de vacinação é bastante intenso para crianças de até 6 anos, que são imunizadas contra uma série de doenças, mas esta forma de proteção também se estende aos adultos e idosos:

Vacinação de crianças
Vacinação de adultos

Todas as vacinas necessárias para a proteção de crianças e adultos estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde.

Atenção

Caso você tenha perdido a dose de uma das vacinas não há necessidade de recomeçar a série inteira de imunização, mas é preciso procurar se imunizar o quanto antes.

Pessoas que não sabem se foram ou não imunizadas contra determinadas doenças são consideradas vulneráveis e por isso devem ser vacinadas.

Crianças e adultos com febre de até 38ºC, diarréia, tratamento antibiótico, doentes ou desnutridas podem tomar vacina.

Fonte: nev.incubadora.fapesp.br

Vacinação

As práticas de vacinação de pacientes adultos e idosos, embora impactantes na redução de complicações infecciosas, são ainda pouco difundidas nesta população.

Qual é o mecanismo de ação das vacinas?

As vacinas agem estimulando as defesas orgânicas a produzirem mecanismos antiinfecciosos altamente eficientes no combate a desafios antigênicos específicos, como por exemplo, os vírus e as bactérias, impedindo ou amenizando o aparecimento de sintomas e sinais clínicos de várias doenças infecciosas. A efetividade das vacinas varia conforme diversos fatores, entre eles, a capacidade do estímulo antigênico de ativar o sistema imunológico e o estado de saúde do indivíduo vacinado. De forma geral, as vacinas atualmente disponíveis alcançam excelentes resultados, conforme comprovado por diversos estudos de vigilância epidemiológica.

Quais são os indivíduos nesta faixa etária que mais se beneficiam da vacinação?

Embora grande parte dos indivíduos adultos e idosos benef iciem-se dos diversos esquemas vacinais atualmente disponíveis, aqueles com idade superior a 65 anos ou os portadores de co-morbidades, como os diabéticos, os cardiopatas e os usuários de drogas imunossupressoras, por serem mais predispostos a infecções graves, são o alvo preferencial para a vacinação. Não obstante, outras populações são igualmente importantes, como os indivíduos que viajam para determinadas regiões de risco ou aqueles que trabalham em locais de maior dispersão de microorganismos, como creches, asilos e enfermarias pediátricas.

Existem contra indicações para a vacinação destes indivíduos?

Qualquer condição referente ao paciente que aumente o risco de uma reação adversa grave a determinada vacina é considerada contra-indicação para a administração da mesma.

Estas contra-indicações poderão ser permanentes, como reações anafiláticas a algum dos componentes das vacinas, ou transitórias, como a gravidez e estados de imunodeficiências, em especial, quando se utilizam preparações contendo vírus enfraquecidos. Entre os quadros de deficiência imunológica, destacam-se alguns tumores, como a leucemia e o linfoma, a quimioterapia anti- neoplásica, o uso crônico de corticóides, a AIDS e imunodeficiências congênitas.

Quais são as principais vacinas indicadas para os adultos e idosos?

Além do esquema básico de vacinação proposto para as crianças, os adultos e idosos beneficiam-se especialmente das vacinas contra a gripe (anual) e a pneumonia (a cada cinco anos), pois estas, além de reduzirem a freqüência das infecções, poderão minimizar os sintomas clínicos naqueles que por ventura desenvolverem a doença. Conforme já mencionado, os indivíduos idosos e os portadores de co-morbidades são os que mais beneficiamse da vacinação.

Enfatiza-se a importância da imunização contra a rubéola para mulheres em fase de procriação que não tiveram previamente esta infecção, contra as hepatites A e B, e contra a febre amarela para aqueles que viajarão para regiões endêmicas. Recentemente foram disponibilizadas as vacinas contra o herpes zoster, recomendada para idosos, e contra o HPV, recomendada para jovens com até 26 anos de idade.

A vacinação contra a gripe e a pneumonia poderão provocar doença?

Não, visto que os componentes destas vacinas são apenas fragmentos dos agentes infecciosos, portanto, sem condições biológicas de provocarem replicação, invasão tecidual e doença clínica. Não obstante, essas vacinas poderão provocar leves efeitos colaterais, como febre baixa e dores no corpo, os quais cedem rapidamente e não devem ser confundidos com infecção.

Existe vacina contra o vírus da dengue?

Não, pois a grande variabilidade genética deste vírus tem dificultado o desenvolvimento de vacinas efetivas. Portanto, a melhor maneira de se prevenir esta infecção é o controle do mosquito transmissor, em especial, evitando-se o acúmulo peri-domiciliar de reservatórios de água.

Quem deveria se vacinar contra a febre amarela?

De forma geral, a vacinação contra a febre amarela estará indicada para os indivíduos que viajam para zonas de risco, como as regiões centrooeste e norte, especialmente áreas rurais. Entretanto, pelo dinamismo epidemiológico desta arbovirose, recomenda-se atualizações referentes às áreas de risco no site do ministério da saúde (www.saúde.gov.br).

Ressalta-se, que por se tratar de vacina de vírus vivo atenuado, a mesma não está indicada para gestantes e imunocomprometidos.

Quando indicada, a revacinação deverá ser realizada a intervalos de 10 anos.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns das vacinas?

As vacinas atualmente disponíveis são bastantes seguras, raramente provocando manifestações clínicas severas. Não obstante, febre baixa, mialgia e indisposição poderão ocorrer, sugerindo-se, nestes casos, evitar atividades físicas extenuantes, hidratação adequada, além de analgésicos e anti-térmicos.

Obviamente, caso tais medidas não sejam suficientes, o paciente deverá procurar orientação médica especializada.

Estevão Urbano

Fonte: www.biocor.com.br

Vacinação

VACINA BCG

A BCG ou Bacilo de Calmette e Guérin é a única vacina contra a tuberculose utilizada para imunizar crianças e adultos e aplicada sob a forma de injeção intradérmica. Criada em 1921, é produzida a partir de cepas (uma espécie de microorganismo) do Mycobacterium bovis, sendo indicada, preferencialmente, para crianças de 0 a 4 anos de idade e adultos que não foram imunizados.

Com cerca de 2,5 milhões de mortes e 9 milhões de novos casos ao ano, a tuberculose, juntamente com a AIDS/HIV, é responsável pelo maior número de vítimas de doenças infecciosas em todo o mundo. A tuberculose pode ser transmitida através de tosse, espirro e fala.

Ao ser expelido no ambiente, o bacilo da doença pode permanecer em suspensão por horas, facilitando a contaminação. Uma única respiração de um único germe expelido é suficiente para contaminar uma pessoa, embora uma transmissão bem sucedida exige, pelo menos, 200 a 300 horas de convívio para a população em geral e menos tempo para as pessoas que apresentam deficiências imunológicas.

O Ministério da Saúde adota a vacinação com BCG como uma das medidas de proteção contra a transmissão da tuberculose na medida em que estimula as defesas do organismo contra o bacilo, além de controle e erradicação da doença.

Desde 1976, a vacina é obrigatória para os menores de 1 ano de idade, devendo ser aplicada nos recém-nascidos ainda na maternidade, que tenham peso igual ou superior a 2 Kg.

Fonte: www.ufg.br

Vacinação

TRÍPLICE

Em 1888, Emile Roux e Alexander Yersin descobriram que o bacilo da difteria produzia uma toxina poderosa, responsável pelos sintomas da doença.

Em 1891, Emil Behring injetava doses subletais desta toxina, provocando o aparecimento de moléculas antitóxicas (anatoxinas), capazes de proteger contra a infecção e de ser transferidas para outros animais, imunizando-os. Ao aplicar este produto num caso agudo de difteria, deu início à soroterapia que logo empregou também no tétano, junto com Shisaburo Kitasato. Por esta descoberta, Behring recebeu o primeiro Prêmio Nobel de Medicina.

Em 1897, Paul Erhlich desenvolveu métodos para a padronização das toxinas. E. Loewenstein e Alexander Glenny provaram, em 1904, que toxinas poderiam ser inativadas por substâncias químicas, no caso formol, mantendo seu potencial imunizante, mas sem causar infecção.

Essa descoberta levou ao desenvolvimento dos primeiros toxóides: diftérico e tetânico. Coube a Gaston Ramon desenvolver uma vacina antitetânica, a partir do toxóide tetânico.

Louis Sauer, Pearl Kendrick e Grace Eldering desenvolveram os primeiros imunizantes contra coqueluche (pertussis). Em 1942, Kendrick descobriu que sua vacina funcionava melhor na presença dos toxóides diftérico e tetânico, já que os três componentes agiam como adjuvantes entre si. Combinou-os então para formar a vacina DPT ou tríplice bacteriana – a primeira a imunizar contra mais de um microorganismo.

BCG

Em 1909, Albert Calmette e Camille Guerin, do Instituto Pasteur, comunicavam Academia de Ciências Francesa o desenvolvimento de um bacilo de virulência atenuada, proveniente de sucessivas culturas em bile de boi, com capacidade imunizante contra a tuberculose. Era o BCG, que, após uma série de testes, passou a ser regularmente utilizado como vacina. Primeiro imunizante bacteriano atenuado, o BCG foi introduzido no Brasil em 1925 e é atualmente aplicado em crianças recém-nascidas.

IMUNIZANTE TROPICAL

EM 1936, MAX THEILER E HENRY SMITH, da Fundação Rockefeller, chegaram à cepa 17D da febre amarela, vírus atenuado por passagens em cérebro de ratos e em embrião de pinto. No ano seguinte, a vacina foi testada pela primeira vez no Brasil. Em 1940, foi desenvolvido estudo de campo no sul de Minas Gerais, com a imunização de mais de 5 mil pessoas. A pesquisa deu subsídios para os últimos ajustes na forma final do imunizante.

A vacina contra a febre amarela é a primeira no mundo a usar o sistema de lotes-sementes, isto é, os lotes originais do vírus atenuado são submetidos a uma nova passagem em ovos embrionados, dando origem a lotes secundários que servirão de fonte para a produção do imunizante. Desde o final da década de 30, a vacina contra a febre amarela vem sendo fabricada em Manguinhos. Hoje, a Fiocruz é a maior produtora mundial deste imunizante.

VACÍNIA

Os problemas decorrentes da linfa humana levaram à difusão da vacina antivariólica de origem animal, aperfeiçoada a partir das descobertas da microbiologia.

Conseguia-se a vacínia (vírus vacinal), raspando-se a pele de vitelos com cowpox (varíola de vaca). O produto obtido era, então, filtrado, para evitar a contaminação por outros agentes patogênicos. A vacínia – Poxvirus officinale – é um mutante obtido no laboratório pela passagem seriada do vírus da varíola de vaca em pele de vitelo ou de coelho.

Vacinação
Extração da linfa variólica da barriga do vitelo.
Acervo Casa de Oswaldo Cruz.

Foram realizadas várias tentativas de cultura do vírus vacínico fora do vitelo, mas a produção da vacina contra a varíola só sofreu uma grande modificação com a introdução da técnica de cultivo de vírus em embrião de pinto. Mais tarde, ela passou a ser liofilizada, isto é, ter sua umidade retirada, transformando-se numa pastilha e sendo reconstituída no momento da aplicação. Este processo deu maior estabilidade à vacina. No Brasil, a vacina cultivada em ovo embrionado foi implantada pelo então Instituto Oswaldo Cruz, que já dominava essa tecnologia, usada na produção do imunizante contra a febre amarela.

Foram diversas as técnicas de vacinação contra a varíola: escarificação (incisão na pele), pressão múltipla (esfregar uma agulha paralelamente pele), punção múltipla (várias picadinhas com uma agulha), broca (rodar um tubo capilar cortado com a vacina sobre a pele), injeção intradérmica e pistola.

NOVOS AVANÇOS

NENHUM IMUNIZANTE CONTRIBUIU TANTO para a popularização das vacinas como o contra a poliomielite. Conhecida desde a Antiguidade, a doença passou a assumir importância como problema de saúde pública no final do século passado, ao irromper de forma epidêmica nos Estados Unidos e na Europa. O impacto causado pela visão de crianças paralíticas levou a população americana a uma mobilização sem precedentes nas Marchas do Dime, em que pessoas saíram às ruas, em todo o país, pedindo um dime (moeda de 10 centavos) para a pesquisa de uma vacina contra a pólio. Bilhões de dólares foram arrecadados.

Em 1949, Jonas Salk desenvolveu uma vacina a partir de vírus inativados (mortos), que foi testada em 45 mil crianças nos Estados Unidos, em 1954. Foi o primeiro imunizante no mundo a ser produzido em cultura de tecidos (células de rim de macaco) e reunir mais de uma subespécie de vírus (poliovírus I, II e III).

No mesmo ano, Albert Sabin desenvolveu a vacina atenuada contra a pólio, a primeira a ser aplicada por via oral. Por mimetizar o mecanismo de infecção do vírus selvagem, com a excreção do microorganismo atenuado no ambiente, a vacina Sabin facilita a obtenção de altos níveis de imunidade coletiva.

HEPATITE B

O desenvolvimento da tecnologia do DNA recombinante abriu caminho para uma nova geração de imunizantes. O primeiro a ser comercializado foi a vacina contra hepatite B.

O primeiro passo é a seleção de um pedaço do genoma do vírus, capaz de estimular o sistema de defesa do organismo, mas não de infectar e causar a doença.

Utilizando ferramentas da engenharia genética, esta seqüência é inserida num microorganismo não patogênico para o homem (no caso, o fungo Saccharomyces cerrevisae ou a bactéria Escherichia coli). Assim, o micróbio vetor passa a expressar (produzir) uma proteína do vírus da hepatite B, provocando a formação de anticorpos.

Vacinação
Albert Sabin. Acervo
Casa de Oswaldo Cruz.

Fonte: ccs.saude.gov.br

Vacinação

Desde pequenos ouvimos falar de vacinação. A maioria de nós já passou por ela, ou então levou os filhos e animais de estimação para vacinar. Talvez não sejam nossas lembranças mais agradáveis.

Qual a importância de se tomar vacina?

A resposta nos parece imediata: para não ficar doente. Por exemplo, as crianças tomam vacina contra o sarampo, o tétano, a paralisia infantil; os animais são vacinados principalmente contra a raiva.

Mas qual a relação entre a vacina e a prevenção de doenças?

Para responder a essa pergunta, devemos conhecer um pouco sobre o funcionamento de nosso sistema imunológico.

Vamos imaginar uma guerra. Há os soldados, que estão sempre prontos para a defesa, caso o exército inimigo ataque. Há também os estrategistas, que enviam espiões para detetar os pontos fracos dos inimigos, montando, então, um plano de ataque mais eficiente.

O inimigo é qualquer elemento estranho que penetre no corpo, seja ele um microrganismo - como vírus, bactérias, protozoários -, partículas de poeira, substâncias químicas etc.

A esse invasor chamamos antígeno geno. Nosso sistema imunológico funciona como um exército em guerra, pois existem tipos de células que agem como os soldados, atacando de qualquer maneira ao primeiro sinal do invasor, e outras que, como os estrategistas, reconhecem o inimigo e preparam as melhores armas para destruí-lo. Esses tipos de células são chamadas de glóbulos brancos e estão presentes no sangue, podendo migrar para as partes do corpo onde sejam necessárias.

Os glóbulos brancos fazem parte do sangue e percorrem todo o corpo pelos vasos sangüíneos, descritos na aula anterior. Mas eles também podem sair dos vasos sangüíneos, alcançando outros tecidos, onde sejam necessários.

Vamos, então, apresentar o exército de glóbulos brancos e suas funções nessa guerra.

Veja a figura a seguir:

Vacinação

Há glóbulos brancos que são nossos soldados. Eles envolvem o inimigo e tentam destruí-lo, como vemos na figura abaixo. Esse processo é denominado fagocitose fagocitose. Por isso, chamaremos essas células de fagocitárias rias.

Vacinação
O PROCESSO DA FAGOCITOSE

O invasor pode ter as mais variadas formas, o que muitas vezes dificulta a fagocitose. Esse é um ataque de emergência, e nem sempre é possível deter o inimigo.

Mesmo assim, esse ataque é fundamental para deixar os invasores ocupados até chegarem os reforços.

Os glóbulos brancos e as bactérias mortas em batalha, junto com outros resíduos, formam aquele líquido amarelado chamado pus pus, que freq üentemente aparece nas feridas.

A outra parte do exército é formada pelos estrategistas, também conhecidos como linfócitos citos, que são divididos em T e B. O linfócito T é o que dispara o alarme quando aparece um corpo estranho. Tem também a função de ser o espião que reconhece a forma e a constituição do elemento estranho, enviando uma mensagem química para o linfócito B. Esse linfócito B. produz os anticorpos anticorpos, assim que recebe as informações do linfócito T.

Os anticorpos são as armas adequadas para destruir o inimigo, pois são proteínas específicas, que reagirão com o invasor, facilitando sua destruição.

Vamos ver se entendemos o funcionamento dessa batalha

Vacinação

Na ilustração acima, os inimigos, ou antígenos (com a letra A no peito), podem ser bactérias que causam doenças, produzindo toxinas ou lesando células. Os soldados (CF) são as células fagocitárias que tentarão englobar e destruir as bactérias.

Os estrategistas são os linfócitos: o linfócito T (LT) perceberá a presença do inimigo, avisando a todos, além de reconhecê-lo e enviar uma mensagem ao linfócito B (LB) para que produza as armas. As armas são os anticorpos (AC) que reagirão com o antígeno, facilitando sua degradação.

VOCÊ SABIA?

O vírus da Aids ataca os linfócitos T, impedindo a ativação do sistema imunológico.

Desse modo, desestrutura toda a defesa do organismo, permitindo que muitas doenças se instalem.

Vacinação

RECONHECIMENTO DE ANTÍGENOS E PRODUÇÃO DE ANTICORPOS

Mas, se temos um sistema imunológico que nos protege de todos os invasores, por que ficamos doentes? Do mesmo jeito que ocorre numa guerra, ganhamos algumas batalhas e perdemos outras.

Até os linfócitos reconhecerem os antígenos e prepararem os anticorpos para destruí-los, os exércitos inimigos já avançaram, provocando os sintomas da doença.

Muitas vezes, o ataque dos inimigos é tão rápido que pode levar a pessoa à morte, antes que o sistema imunológico tenha tempo de defendê-la.

Toxina é uma substância prejudicial ao organismo, produzida por determinados agentes causadores de doenças.

Um exemplo é o tétano, causado por uma bactéria produtora de uma toxina que provoca rigidez muscular. Essa rigidez pode levar à morte por asfixia, devido à paralisação da musculatura respiratória. A ação da toxina é tão rápida que o sistema imunológico não consegue reagir a tempo. Mas, se tivermos tomado a vacina antes de contrair a doença, a presença da bactéria não causará danos ao nosso corpo. Voltando à questão proposta no início do texto, como a vacina age na prevenção de doenças?

A vacina equivale à prisão de um pequeno batalhão do inimigo, antes da guerra. Com isso, podemos saber como são os inimigos e preparar as armas com antecedência. Por exemplo, no caso do tétano, a vacina é uma dose da toxina, enfraquecida para que não nos cause mal, mas ainda suficiente para que os linfócitos produzam os anticorpos, ou seja, as armas. Nesse caso, se o exército inimigo atacar, não terá nenhuma possibilidade contra nosso organismo, pois estaremos prevenidos.

Dizemos, então, que estamos imunes à doença. Mas e se suspeitarmos que já estamos com tétano?

Nesse caso, não adianta tomar vacina, e se recomenda o uso do soro antitetânico (muitas vezes chamado erroneamente de vacina). Esse soro possui anticorpos - as armas - já prontos para o combate imediato. Outro exemplo desse tipo de soro é o antiofídico, aplicado quando alguém é picado por uma cobra.

A vacina é uma medida preventiva preventiva, enquanto o soro é uma medida curativa curativa.

As vacinas demoram muitos anos para serem desenvolvidas e custam caro. Geralmente, investe-se em doenças que podem matar (tétano, meningite, sarampo) ou deixar deficiências (paralisia infantil). Existem também doenças, como a gripe, cujo agente causador sofre modificações constantes. Nesse caso, é inútil fabricar uma vacina, pois quando a aplicação for feita o microrganismo já terá mudado de forma e as armas fabricadas (anticorpos) talvez não tenham mais efeito. Outras doenças, como o câncer ou certas doenças do coração, não são causadas por agentes infecciosos.

Existe um calendário de vacinações, ou seja, idades recomendadas para se tomar vacinas. Algumas vacinas garantem a imunização com apenas uma dose. Outras requerem a repetição da dose. Ou seja, o calendário de vacinações é preparado para garantir a imunização

Erradicar quer dizer fazer desaparecer, eliminar

No Brasil, as campanhas de vacinação têm ajudado a diminuir a ocorrência de muitas doenças, como o sarampo, o tétano, e a paralisia infantil, e até a erradicar outras, como a paralisia infantil, da qual há muitosanos não se registra nenhum caso.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Vacinação

As vacinas salvam mais vidas do que qualquer outro tratamento médico.

As vacinas são o meio mais eficaz e seguro de proteção contra certas doenças. Mesmo quando a imunidade não é total, quem está vacinado tem maior capacidade de resistência na eventualidade da doença surgir.

Não basta vacinar-se uma vez para ficar devidamente protegido. Em geral, é preciso receber várias doses da mesma vacina para que esta seja eficaz. Outras vezes é também necessário fazer doses de reforço, nalguns casos ao longo de toda a vida.

A vacinação, além da proteção pessoal, traz também benefícios para toda a comunidade, pois quando a maior parte da população está vacinada interrompe-se a transmissão da doença.

Qualquer pessoa pode vacinar-se?

Na generalidade sim, mas há situações que exigem precauções e, em certos casos, podem até existir contra-indicações em relação a certas vacinas.

Antes de fazer qualquer vacina deve consultar o seu médico assistente, sobretudo em caso de:

Doença grave
Gravidez
Tratamento com corticosteróides
Tratamento com radiações

As vacinas têm efeitos secundários?

Apesar de seguras, as vacinas podem provocar algumas reações adversas, mas estas são normalmente de curta duração. As mais frequentes são inchaço, dor e vermelhidão no local da injeção, febre e mal-estar geral.

Procure informar-se junto do seu médico ou do profissional de enfermagem na altura em que está a fazer a vacina ou, ainda, se tiver alguma reação intensa ou inesperada.

Quando devo vacinar-me?

A melhor forma de ficar protegido contra determinadas doenças é cumprir o calendário de vacinação recomendado pelo Programa Nacional de Vacinação (PNV). As crianças são as principais destinatárias, mas também abrange os adultos.

Onde posso vacinar-me?

Nos centros de saúde, hospitais e outros serviços de saúde devidamente autorizados.

O que é preciso para me vacinar?

Basta dirigir-se ao centro de saúde da sua área de residência e levar consigo o Boletim de Vacinas. Se por qualquer motivo (férias prolongadas, por exemplo) não puder recorrer ao seu centro de saúde, dirija-se aquele que está mais próximo do local onde estiver. Não deixe de se vacinar.

Quanto custam as vacinas?

As vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV) são gratuitas.

Quando devo vacinar os meus filhos?

As crianças devem ser vacinadas assim que nascem (recém-nascidos). Se o calendário for cumprido, pouco depois dos 6 meses de idade já estarão protegidas contra sete doenças de infância e aos 15 meses contra dez doenças.

Se a criança não iniciou a vacinação durante o primeiro ano de vida, dirija-se o mais cedo possível a um centro de saúde. Nunca é tarde demais para se vacinar a si e aos seus filhos e existem dois calendários recomendados para a vacinação nestes casos.

Existem outras vacinas para além das que constam do PNV?

Sim. Consulte o seu médico assistente para uma avaliação da situação clínica e da necessidade efetiva de vacinação extra.

A vacina contra a gripe, por exemplo, é frequentemente recomendada para as pessoas que integram grupos da população mais vulneráveis ou de maior risco, como os idosos ou os portadores de doenças debilitantes. Há também doenças contra as quais deve proteger-se se for viajar para determinados países e regiões do mundo.

Que outras vacinas posso tomar?

Vacina da gripe: É recomendada para pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos dos pulmões, do coração, rins ou fígado, e às pessoas que sofram de diabetes ou outras doenças que causem resistência às infecções. É uma vacina comparticipada e deve ser administrada no início do Outono.
Vacinas Menjugate, Meningitec e Neisvac:
Estas vacinas visam a prevenção das infecções pelo Meningococo C, em particular a Meningite meningocócica, a estirpe com maior prevalência em Portugal. Deverão ser aplicadas aos 2, 4 e 6 meses e, após os 12 meses, uma dose única.
Vacina Prevenar:
Esta vacina visa a prevenção da doença invasiva (bacteriémia, septicémia, pneumonia bacteriémica), em particular, e meningite provocada pelo streptococus pneumoniae. Deverão ser aplicadas aos 3, 5 e 7 meses de idade e, após os 12 meses, duas doses com dois meses de intervalo.
Vacina contra a febre amarela:
Se for viajar para países da África Central e América do Sul, deverá vacinar-se contra a febre amarela, pelo menos 10 dias antes de partir. Conheça os países que exigem esta vacina na área de Saúde em Viagem.

Fonte: www.portaldasaude.pt

Vacinação

A Vacinação é o meio mais seguro e por vezes, o único que permite resistir a infecções.

A criação das vacinas e dos programas Nacionais de Vacinação permitiu que houvesse uma grande redução do número de pessoas com infecções graves e da mortalidade que elas causavam.

O que é?

É um medicamento constituído por frações de bactérias ou vírus ou pelas próprias bactérias ou vírus inativados ou mortos. Administra-se em injeção ou pela boca.

Como atuam?

Uma vez aplicadas, os vírus, bactérias ou as suas frações, provocam reações no organismo que levam à formação de defesas (anticorpos) específicas, contra a infecção pelas mesmas bactérias ou vírus.

Qual o benefício?

O maior, é o fato de impedir que a pessoa se infecte. Pode haver ocasiões em que a defesa não é total, mas se a infecção surgir, é muito ligeira.

Outro benefício importante é o bloqueio da disseminação da doença ou a sua erradicação, quando grandes massas populacionais estão vacinadas, evitando-se contaminação entre as pessoas.

O que é o Programa Nacional de Vacinação (PNV.)?

É o esquema de vacinação proposto para toda a população, em que as diferentes vacinas e doses são distribuídas ao longo dos anos, desde o recém-nascido.

É criado pelo Ministério da Saúde
É gratuito.
Destina-se a toda a população
Incluí todos os tipos de vacinas indispensáveis
Pode variar com o País
Segue as orientações da Organização Mundial de Saúde

Na maioria das vacinas são necessárias várias doses para que haja defesa eficaz. As doses das diferentes vacinas são dadas ao longo da infância para a eficácia ser máxima.

A vacina da gripe não faz parte do PNV. No entanto, recomenda-se para as pessoas em risco, como idosos, debilitados, cardíacos, diabéticos, doentes pulmonares. A vacina varia todos os anos pelo que é necessário vacinar todos os anos.

A vacina contra a meningite estreptocócica não faz parte do PNV.

A vacinação pode ser feita em qualquer ocasião?

Não se deve vacinar se tiver:

Febre, infecções, doenças ativas da pele, cancro, se estiver a tomar corticosteróides ou a fazer radiações, etc.
Se não se sentir perfeitamente bem ou se tiver uma doença crónica ou aguda, deve consultar o médico antes de vacinar.
As grávidas também não pode ser vacinadas com todas as vacinas. Algumas vacinas podem provocar infecção no feto e malformações.

As vacinas e as viagens

A Organização Mundial de Saúde recomenda as vacinas a tomar conforme o país, algumas das quais são obrigatórias como para a febre amarela.

Fonte: farmaceutico.planetaclix.pt

Vacinação

A descoberta da vacina em 1796, por um humilde médico do interior da Inglaterra, chamado Edward Jenner, constituiu um dos maiores avanços da Medicina.

Naquela época, a varíola era uma doença aterrorizante, responsável por epidemias que dizimavam populações inteiras, com altas cifras de mortalidade, e cujas lesões, quando localizadas na face, desfiguravam as pessoas. Jenner observou que pessoas que ordenhavam vacas não pegavam a varíola, desde que tivessem contraído a varíola bovina (produzia bolhas nas tetas das vacas). Teve então a idéia de retirar material de uma dessas bolhas e, no dia 14 de maio de 1796, inoculou-o em seu próprio filho, James Phillips.

Algumas semanas mais tarde, inoculou-o novamente, agora com o próprio vírus da varíola, e nada aconteceu. James estava imune à varíola. Nesse dia, nasceu à palavra vacina - em latim "o que diz respeito à vaca", que veio modificar profundamente os destinos da humanidade, por possibilitar a prevenção de inúmeras doenças infecciosas. Desde 1977 a varíola já não existe no mais no mundo.

Quatro doenças graves - varíola, difteria, tétano e poliomielite hoje são quase inexistentes, graças à vacinação.

Jenner abriu o caminho para a descoberta das vacinas, o que muito tem contribuído para diminuir as doenças e as mortes causadas por agentes infecciosos.

O tétano, a difteria, a coqueluche, o sarampo, a caxumba, a rubéola, vários tipos de meningites e de pneumonias, a febre amarela, a febre tifóide, as diarréias por rotavírus, a cólera, a raiva, as hepatites A e B, a gripe, a varicela podem ser prevenidas pelas vacinas.

As mais importantes são recomendadas pelo Ministério da Saúde e aplicadas nos postos de saúde, gratuitamente. Por isso, não há razão para deixar de vacinar as crianças. Vacinas contra varicela, hepatite A, pneumonia e meningite podem ser encontradas em clínicas particulares.

1. Calendário de Vacinação Infantil com as vacinas recomendadas:

Idade Vacinas
Ao Nascer BCG
Hepatite B (1ª dose)
1 mês Hepatite B (2ª dose)
2 meses DPT ou DT
Pólio
Haemophylus
4 meses DPT ou DT
Pólio
Haemophylus
6 meses DPT ou DT
Pólio
Haemophylus
Hepatite B (3ª dose)
9 meses Sarampo
Febre amarela**
12 meses Varicela
Hepatite A (1ª dose)
15 meses DPT ou DT
Pólio
Haemophylus
MMR
18 meses Hepatite A (2ª dose)
5 a 6 anos DPT ou DT
Pólio

BCG - Vacina contra tuberculose
Pólio -
vacina contra a paralisia infantil
DPT -
Vacina tríplice contra a difteria, coqueluche e tétano
MMR -
Vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR)
Hepatite B -
Vacina contra hepatite B
Hepatite A –
Vacina contra a Hepatite A
dT -
Vacina dupla tipo adulto, contra a difteria e tétano.(Deve ser tomada como reforço a cada 10 anos, por toda a vida.)
Hemophilus -
Contra a Meningite Hemophilus (Hib)

2. A difteria

A difteria era o terror dos pediatras. Começava como se fosse uma amigdalite, quase sem febre. Enganava aos pais e aos pediatras mal-avisados. Em um ou dois dias, aquela "membrana" branca se alastrava por todo a faringe e invadia a laringe, sufocando a criança. Em poucos dias, não tratada, a criança tinha uma morte horrível, por asfixia.Com a administração precoce de soro-antidiftérico, boa parte das crianças voltava a poder respirar. Pareciam estar bem. Voltavam a brincar e, no meio de uma corridinha, algumas caiam fulminadas, mortas, vítimas de miocardite diftérica. Outras apresentavam problemas neurológicos, como paralisias que, quando atingiam o véu do paladar, ocasionavam engasgos violentos que dificultavam ou impediam a deglutição. A vacina veio acabar com esse pesadelo.

Hoje, graças à vacinação obrigatória, são raros os casos de difteria.

3. O tétano

Dez a quinze dias após um ferimento, uma pessoa pode não mais conseguir abrir a boca, mastigar e engolir, pois os maxilares se tornam rígidos, sinal de alarme denominado trismo. A contração dos músculos faciais pode dar a impressão de que a pessoa está sorrindo - o chamado sorriso sardônico. Esses sinais levam a suspeita de tétano e recomenda-se a internação imediata da pessoa. O tétano neonatal, ocasionado por infecção no coto umbilical dos recém-nascidos, devido à "curativos" contaminados, eram freqüentes e quase sempre fatais.

Com a vacinação sistemática o tétano passou a ser uma doença rara e, com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, curável. A forma neonatal, embora ainda persista em regiões pouco desenvolvidas, tende a desaparecer com a vacinação sistemática das gestantes.

4. BCG - Previne a Tuberculose

A Tuberculose é causada pelo Mycobacterium tuberculosis e é transmitida pelo ar. As crianças pequenas têm maior risco de desenvolver a doença, pois sua resistência é menor.Geralmente a tuberculose afeta os pulmões, mas pode disseminar-se para outros órgãos como rins (tuberculose renal), meningite tuberculose, etc. Os sintomas da tuberculose pulmonar são tosse crônica, cansaço, escarro com sangue, febre, emagrecimento entre outros sintomas.A vacinação com BCG protege contra a infecção tuberculosa e suas conseqüências, sobretudo nas crianças, protegendo-as de suas manifestações mais graves como a meningoencefalite e tuberculose renal.

5. Hepatite B

A Hepatite B é uma doença do fígado causada por um vírus.

Embora a Hepatite B possa ser muito grave e mesmo fatal, muitas pessoas infectadas pelo vírus Hepatite B não apresentam sintomas. Outras podem apresentar uma variedade de sintomas semelhantes ao da gripe, incluindo fadiga, febre baixa, dores musculares e articulares, dor abdominal e diarréia, e algumas pessoas desenvolvem icterícia (coloração amarela dos olhos e pele). Há ainda o risco de se tornar uma doença crônica e o paciente, mesmo sem sintomas, corre o risco de desenvolver doenças como a cirrose ou o câncer de fígado.

A transmissão ocorre através de sangue ou outros fluídos infectados, ocorrendo à transmissão pela boca, olhos, algum corte na pele ou até mesmo por contato sexual.

6. DPT - Previne a Coqueluche, a Difteria e o Tétano

Coqueluche

Doença altamente contagiosa, transmitida através das vias respiratórias.

Os sintomas são tosse, grande produção de muco, fadiga e falta de apetite, sendo que os sintomas evoluem gradualmente, como a tosse, chegando a dificultar a respiração.

A doença pode evoluir com complicações como pneumonia, convulsões e morte.

Difteria

Doença contagiosa, também transmitida por vias respiratórias.

A característica dessa doença é a formação de uma placa membranosa espessa na garganta, que pode provocar problemas respiratórios, insuficiência cardíaca e até mesmo a morte.

Tétano

A doença é causada por um microorganismo, que ao penetrar na pele através de um corte ou ferida, pode causar a contratura dolorosa dos músculos, geralmente de todo o corpo, podendo levar à rigidez da mandíbula, garganta e músculos respiratórios, dificultando assim a respiração, o que é um grande agravante.

7. Pólio (Sabin/Salk) - Previne a Poliomielite

A Poliomielite é transmitida por via oral/fecal, e é causada por um enterovírus.

A doença pode afetar o paciente de duas maneiras:

De forma não paralítica, com sintomas leves e semelhantes aos da gripe, deixando o paciente imunizado;

E de forma paralítica, na qual o vírus invade o sistema nervoso central, provocando a paralisia.

Há hoje, dois tipos de vacinas contra a poliomelite:

Sabin: vacina de vírus vivos (via oral).
Salk: vacina de vírus inativados (via intramuscular).

8. Haemophylus (Haemophylus Influenzae - Hib)

A doença é transmitida por vias respiratórias ou por contato direto, através de secreções.

O Haemophylus Influenzae é encontrado na faringe e a doença evolui quando a bactéria migra da nasofaringite para a corrente sanguínea e por todo o organismo.

A doença pode provocar infecções invasivas, como a meningite e a pneumonia ou infecções menos graves, como otite e sinusite.

9. Hepatite A

É uma doença contagiosa, e que está diretamente relacionada aos hábitos de higiene, como por exemplo, a má manipulação dos alimentos, que pode causar a contaminação do mesmo e se ingerido, causa à transmissão da doença ao indivíduo.

A Hepatite é uma doença aguda do fígado, causada dentre outros agentes, pelo vírus da Hepatite A. Após a infecção, pode haver a evolução da doença sem sintomas, ou se manifestar com diarréia, vômitos, enjôo, febre, urina escura e pele amarela.

A gravidade da doença aumenta com a idade, podendo ser até letal em maiores de 40 anos.

10. Sarampo

A doença é transmitida através das vias respiratórias, causada por um vírus e extremamente contagiosa.

Os sintomas começam com febre, coriza, tosse, irritação nos olhos e mal estar. Na evolução da doença, os sintomas aumentam e começam aparecer manchas vermelhas na pele de todo o corpo, e após alguns dias, ocorre à descamação da mesma.

Podem ocorrer complicações, como pneumonia, encefalite, etc.

11. Varicela (Catapora)

A Varicela (ou catapora) é transmitida pelo contato físico entre uma pessoa com a doença e outra sadia, e por isso é considerada uma doença de fácil transmissão.

A doença apresenta sintomas, como cansaço, febre, perda de apetite e erupção cutânea começando pelo tronco e se espalhando rapidamente pelo rosto, braços e pernas.

É uma doença considerada benigna, mas pode evoluir com complicações, como infecção cutânea, edema cerebral, perda de coordenação muscular, pneumonia, infecção de ouvido, Herpes Zooster (cobreiro) e Síndrome de Reye.

12. MMR (Tríplice viral) - Previne a Caxumba, o Sarampo e a Rubéola

Caxumba

É transmitida pelo contato direto com a pessoa infectada, ou pela sua saliva.

A doença afeta as glândulas salivares, e tem como sintomas a febre, mal estar, dor de ouvido, inchaço e sensibilidade nas glândulas salivares. Pode haver evolução da doença, com inflamação nos testículos (em meninos) e nos ovários (nas meninas).

Sarampo

A doença é transmitida através das vias respiratórias, causada por um vírus e extremamente contagiosa. Os sintomas começam com febre, coriza, tosse, irritação nos olhos e mal estar. Na evolução da doença, os sintomas aumentam e começam aparecer manchas vermelhas na pele de todo o corpo, e após alguns dias, ocorre à descamação da mesma. Podem ocorrer complicações, como pneumonia, encefalite, etc.

Rubéola

É uma doença viral que tem como sintomas a febre, em seguida o aparecimento de manchas vermelhas na pele de todo o corpo e o surgimento de gânglios na região do pescoço e ouvido. Inicialmente é considerada uma doença benigna, mas pode agravar-se em mulheres que estejam grávidas e sejam infectadas, principalmente nos primeiros 3 meses de gravidez, causando sérias conseqüências no feto. O bebê infectado (Rubéola congênita), pode apresentar surdez, microcefalia, meningoencefalite, atraso mental, cardiopatias, etc. Por isto é importante que mulheres em idade reprodutiva estejam imunizadas para esta doença.

Fonte: www2.inf.furb.br

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