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Viroses

 

 

Como agem as viroses no organismo

Ondas de febre, dor de cabeça e mal-estar periodicamente tomam escolas, famílias e ambientes de trabalho. No momento, a maioria dos cariocas conhece alguém com estes sintomas. Alguns pensam que é gripe; outros dizem que é resfriado, e a surpresa vem quando o médico define como virose.

Muitos pacientes reagem com descrédito, mas o diagnóstico não poderia ser mais acertado. "Virose é qualquer infecção causada por vírus", esclarece o médico Antonio Sérgio da Fonseca, vice-diretor do Posto de Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz.

"Quando se trata do vírus da Aids, do sarampo ou da rubéola, por exemplo, o diagnóstico é imediato, mas existem numerosos vírus capazes de causar quadros de febre, mal-estar, dores no corpo e na cabeça", explica. "Nestes casos é usado o termo virose porque não importa identificar o vírus causador, já que não existem remédios que atuem sobre o vírus em si, mas apenas um tratamento padrão para amenizar seus sintomas. Sem contar que a sorologia do vírus pode demorar mais que a própria duração da doença".

As viroses mais comuns são causadas por adenovírus, que provocam conjuntivite, resfriados e problemas respiratórios em geral, e por enterovírus, responsáveis por problemas intestinais. As viroses respiratórias costumam ser confundidas com gripe, resfriado e pneumonia, mas existem algumas diferenças fundamentais.

"A gripe é provocada pelo vírus influenza, geralmente causa febre alta, dor de garganta, tosse, mal-estar, dores no corpo e na cabeça. O resfriado, na maioria das vezes, é uma virose, que repete com menor intensidade os sintomas da gripe. Enquanto a gripe e o resfriado atingem as vias aéreas superiores, que, de forma simplificada, englobam nariz e garganta, a pneumonia é uma inflamação dos pulmões causada por fungos, vírus ou pela bactéria Streptococcus pneumoniae", resume.

O médico explica que a pneumonia não é necessariamente uma evolução da gripe, mas que em pacientes idosos ou imunodeprimidos a doença pode facilitar o surgimento de infecções secundárias, como a pneumonia. Seus sintomas são tosse com secreção, febre alta, calafrios, respiração ofegante e dores no peito. As viroses respiratórias e a pneumonia são contraídas na convivência com pessoas infectadas, seja através de tosse e espirros ou do uso compartilhado de copos e talheres. A transmissão é mais fácil entre fumantes ativos e passivos.

As viroses costumam acabar no período de uma semana, mas Antonio Sérgio chama a atenção para uma possível confusão com as infecções de origem bacteriana, que têm sintomas similares mas demandam tratamento com antibióticos. "Convulsões, secreção amarelada, dor torácica, dificuldade para respirar ou o retorno da febre depois de ter regredido podem ser indicativos de infecção bacteriana", enumera. Ele alerta para os riscos do uso indiscriminado de antibióticos.

"Eles não surtem efeito em viroses e podem causar efeitos colaterais, como reações alérgicas", diz Antonio Sérgio. Além disso, prossegue o médico, o uso desnecessário de antibióticos altera a flora bacteriana normal do indivíduo, propiciando infecções. Para a saúde coletiva, representa o desenvolvimento de germes cada vez mais virulentos devido à resistência em relação aos remédios.

O médico também recomenda cautela no uso de antigripais, sobretudo entre idosos, porque podem aumentar a pressão arterial. "Para qualquer virose respiratória é recomendável manter o nariz limpo com soro fisiológico, usar antitérmico em caso de febre e beber muito líquido. Deve-se evitar esforço físico, mas permanecer deitado durante períodos prolongados pode acumular secreção no pulmão", aconselha.

Idosos vacinados

Desde a primeira campanha nacional de vacinação de idosos contra a gripe, em 1999, cerca de 51 mil internações decorrentes de complicações da doença foram evitadas, segundo estimativas do Ministério da Saúde. Neste ano, a campanha acontece entre os dias 17 e 30 de abril em todos os postos de vacinação do país e pretende atingir dez milhões de brasileiros acima dos 60 anos.

O médico Antonio Sérgio da Fonseca esclarece que em idosos e pacientes imunodeprimidos a gripe pode abrir caminho para infecções bacterianas como a pneumonia. Segundo o médico, não existe restrição de idade para receber a vacina e as únicas contra-indicações são para mulheres grávidas e pessoas alérgicas à proteína do ovo, a mercurocromo ou mertiolate, que são componentes da vacina. "O Programa Nacional de Imunização privilegia os idosos porque, além de serem mais vulneráveis ao contágio, neste grupo as manifestações da doença adquirem maior gravidade", explica.

A vacina leva duas semanas para surtir efeito e em 90% dos casos reduz o risco de contrair a doença. Segundo Antonio Sérgio, o temor de reações e a idéia de que a pessoa vacinada desenvolve a doença logo após a imunização não têm fundamento já que, apesar de serem capazes de desencadear a produção de anticorpos que imunizam contra a gripe, os vírus presentes na vacina estão mortos.

As pessoas imunizadas há menos de um ano também devem ser vacinadas. "O vírus influenza é altamente mutável e, para dar conta de seus novos subtipos, que surgem cada vez mais virulentos e contagiosos, a dose precisa ser renovada anualmente", esclarece. A vacina deste ano já protege contra o vírus Fujian, que causou pandemia nos Estados Unidos e chegou recentemente ao Brasil.

Ao longo da história, as epidemias de gripe atingiram milhões de pessoas, como a famosa gripe espanhola, responsável por 20 milhões de mortes em 1915. As últimas epidemias a atingir o Brasil foram a gripe asiática de 1957, que nada tem a ver com a recente Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), e a gripe de Hong Kong, de 1968. Juntas, elas mataram dois milhões de pessoas em todo o mundo. Esta semana a Organização Mundial de Saúde está reunida em Genebra para discutir o risco de uma epidemia mundial de gripe.

Raquel Aguiar

Fonte: www.fiocruz.br

Viroses

Doenças Causadas por Vírus

Vamos ver a seguir as principais viroses da espécie humana:

Gripe e resfriado comum

Embora causados por vírus diferentes, seus sintomas são semelhantes: coriza, obstrução nasal, tosse e espirro; a febre geralmente só aparece nos casos de gripe.

Ambas as doenças são transmitidas por gotículas eliminadas pelas vias respiratórias (fala, espirro, tosse, etc.). Recomenda-se apenas repouso, boa alimentação, ingestão de uma grande quantidade de líquidos e, se necessário, antitérmicos e descongestionantes. Se os sintomas persistirem por mais de uma semana é necessário consultar o médico.

Poliomielite

Na maioria das pessoas essa virose causa apenas febre e mal-estar, no entanto, em alguns indivíduos ela pode atacar o sistema nervoso, provocando paralisia. O vírus penetra através de alimentos contaminados ou por contato com a saliva do doente. Uma vez instalada a doença, não há um procedimento específico para curá-la, sendo feito apenas um tratamento fisioterápico nos casos em que ocorre paralisia (a doença é conhecida também como paralisia infantil, embora não ataque apenas crianças), visando melhorar a coordenação muscular. Assim sendo, para evitar tal doença é muito importante que os pais vacinem seus filhos na época recomendada pelo médico.

Febre Amarela

É causada por um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti (nas cidades) e do mosquito do gênero Haemagogus (no campo).

Provoca febre, vômito, dor no estômago e lesões no fígado, o que torna a pele amarelada (icterícia). O tratamento visa apenas a compensar a desidratação e a perda de sangue para dar tempo ao organismo de reagir, mas em alguns casos pode ocorrer morte por problemas cardíacos ou renais. A prevenção é feita pelo combate ao mosquito e pela vacinação, principalmente nas pessoas que vivem ou se dirigem para as regiões onde a doença se manifesta.

Raiva

Essa doença fatal ataca o sistema nervoso. A contração dos músculos responsáveis pela deglutição torna o ato de comer e beber muito doloroso — daí a hidrofobia (hidro = água; fobia = medo, obsessão), típica da doença. É transmitida por animais domésticos, principalmente o cão e o gato, sendo por isso obrigatória a vacinação e o recolhimento dos animais soltos na rua. Pode ser transmitida também por outros animais como ratos e morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue). Quando uma pessoa ê mordida por qualquer animal, deve-se lavar o local da ferida várias vezes com água e sabão e depois aplicar um desinfetante. O médico deve ser avisado e se houver risco de contrair o vírus, a vítima recebe soro e vacina antirábicos, que evitam a doença.

Hepatite Viral

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por parasitas.

A hepatite viral é provocada por cinco tipos de vírus diferentes: A, B, C, D e E.

Os sintomas das diversas formas são parecidos: icterícia (pele e olhos amarelados), febre, náuseas, vômitos, falta de apetite etc.

Transmitida por água e alimentos contaminados, a hepatite A normalmente regride sozinha com repouso e dieta adequada. A hepatite B é transmitida principalmente por sangue, derivados dele e relações sexuais. Embora na maioria dos casos a doença desapareça sem deixar conseqüências, 5% dos pacientes necessitam de hospitalização e 10% tornam-se doentes crônicos e podem desenvolver cirrose (lesões no fígado) e câncer de fígado. Para esta forma de hepatite (B) já existe uma vacina eficaz. A evolução das hepatites C e D é semelhante à da hepatite B (mas não há vacinas), enquanto o tipo E evolui de modo semelhante ao tipo A.

Herpes

O vírus produz pequenas vesículas cheias de líquido que quando arrebentam formam feridas nas mucosas ou na pele, com mais freqüência nos lábios (herpes simples) ou na região genital (herpes genital). Embora as feridas cicatrizem em poucos dias, o vírus permanece no organismo e pode provocar novas lesões. A transmissão se dá por contato direto com o portador. Há medicamentos que, embora não curem a doença, diminuem muito a freqüência e a intensidade dos sintomas.

Dengue

É transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, pequeno e de cor escura, que vive nas regiões urbanas e tem hábitos diurnos.

Alguns dias depois da picada (período de incubação), há febre alta com duração de quatro a sete dias, dores musculares e articulares (daí o nome popular de "quebra-ossos"), na cabeça e nos olhos—pode haver fotofobia (aversão à luz)—, inflamação na garganta e sangramento na boca e no nariz. Fora isso, há possibilidade de surgimento de manchas avermelhadas na pele semelhantes às do sarampo. Cerca de uma semana depois, essas manifestações começam a desaparecer aos poucos, mas em pessoas subnutridas e debilitadas a doença pode levar à morte.

A dengue não tem tratamento específico: o doente deve ficar de repouso, ingerir muito líquido e tomar medicamentos para dor e febre, indicados pelo médico.

A prevenção é a mesma que a contra a febre amarela: como o mosquito põe seus ovos em águas paradas e limpas, devemos conservar tampados caixas-d'água, poços e cisternas, trocando semanalmente a água de vasos de plantas e impedindo o acúmulo de objetos que retenham água, como pneus, latas, garrafas etc.

Quem já teve dengue—mesmo de uma forma assintomática (sem sintomas)—ou quem é portador de doença crônica, como a diabetes, a artrite reumatóide ou o lúpus, está sujeito a contrair a dengue hemorrágica, provocada por outro tipo de vírus. Ela começa do mesmo modo que a outra dengue, mas, quando termina a fase febril, os sintomas se agravam, com queda de pressão arterial, hemorragias da pele, intestino e gengivas, e aumento no tamanho do fígado. Neste caso, as pessoas devem permanecer em observação no hospital, uma vez que, se não houver assistência médica, a doença pode levar o paciente à morte em 10% dos casos.

Sarampo

Ataca principalmente crianças até dez anos de idade, provocando tosse, febre alta e manchas vermelhas no corpo. O doente fica curado naturalmente em poucos dias, mas, sobretudo em crianças subnutridas, podem ocorrer complicações, como a broncopneumonia, provocadas por bactérias e que exigem pronto atendimento médico. A transmissão se dá de um doente para outro por eliminação do vírus pelas vias respiratórias. A prevenção é feita pela vacina.

Rubéola

É também típica de crianças, produzindo sintomas semelhantes aos da gripe e manchas rosadas na pele, menores que as do sarampo. Tem evolução benigna, mas nas mulheres grávidas, o vírus pode passar através da placenta e provocar problemas no feto (surdez, doenças cardíacas etc). A prevenção é feita com a vacina.

Catapora (Varicela)

Ataca principalmente crianças, provocando febre, enjôo, vômitos e pequenas bolhas no corpo. O doente melhora sozinho em poucos dias, mas é necessário procurar o médico e manter a criança isolada. Não se deve coçar as bolhas, para evitar contaminação por bactérias.

Não há vacina específica e em alguns casos o vírus pode permanecer em estado latente e, mais tarde, no adulto, provocar bolhas na pele e febre alta: é o berpes-zoster ou "cobreiro".

Caxumba

Provoca inflamação da parótida, uma glândula salivar (daí o nome parotidite). A cura é espontânea, mas o doente deve ficar em repouso. Entretanto, principalmente nos adultos, ela pode trazer complicações para outros órgãos, como os testículos (neste caso, pode causar esterilidade).

Condiloma ou Verruga Genital

É causado pelo vírus HPV (papiloma vírus) que provoca lesões em forma de "verrugas" na vulva, órgão genital feminino e órgão genital masculino, sendo transmitido pelo ato sexual. A lesão deve ser retirada com bisturi elétrico ou produtos químicos. Mulheres que têm ou tiveram o vírus devem fazer exames ginecológicos periódicos, já que alguns subtipos do vírus têm relação com o câncer no colo do útero.

Aids

A Aids é um processo de destruição do sistema imunológico, que é um conjunto de células que defendem o corpo contra infecções e alguns tipos de câncer. Por isso, os doentes de Aids apresentam uma grande vulnerabilidade a infecções por germes chamados oportunistas, que para eles são fatais.

Vem daí o nome da doença: Aids é a sigla de "Acquired Immunodeficiency Syndrome" (Síndrome da imuno-deficiência adquirida), o que significa que esta deficiência imunológica não é herdada dos pais, mas adquirida pelo contato com o vírus (o termo síndrome indica um conjunto de sinais e sintomas de uma doença). O nome do vírus adotado oficialmente é HIV, iniciais de "human immunodeficiency virus" — o vírus da imunodeficiência humana.

Há dois tipos

O HIV-1, responsável pela quase totalidade dos casos, e o HIV-2, que é bem mais raro e produz uma forma um pouco menos agressiva da doença.

Sintomas

A maioria das pessoas não apresenta nenhum sintoma logo após ter sido contaminada pelo vírus (mas é importante saber que, mesmo sem sintomas, ela pode transmitir o vírus para outras pessoas). Duas a quatro semanas depois do contato com o vírus, é possível que ocorram febre, diarréia, cansaço, falta de ar, aumento dos gânglios linfáticos nas axilas, pescoço e virilha, manchas avermelhadas na pele, sapinho (candidíase) e uma série de sintomas que podem aparecer em outras doenças, como a mononucleose. Por isso, somente um diagnóstico médico é capaz de indicar se a pessoa tem realmente a doença. Uma ou duas semanas depois os sintomas desaparecem, mas o vírus continua a se reproduzir no corpo. Após um tempo variável, surgem as infecções oportunistas, acompanhadas por emagrecimento e fraqueza. Uma vez instalada a doença, ela é fatal.

Transmissão

O contágio ocorre principalmente através de esperma, sangue, leite materno e secreções vaginais, que entram em contato com o sangue de outra pessoa através de lesões na pele ou mucosas. Portanto, a infecção pode acontecer nas relações sexuais, transfusões, gravidez, parto, amamentação e uso de agulhas e outros instrumentos contaminados (bisturis, tesouras etc). Até a década de 1990, não foi registrado nenhum caso de contágio do vírus da Aids através de picadas de mosquito, apertos de mão, abraços, beijos sociais, tosse, espirro, uso de piscinas ou uso comum de roupas, toalhas, copos, talheres, privadas, serviços de lavanderia etc. Existem pessoas infectadas há mais de quinze anos que ainda não desenvolveram a doença. Não se sabe ainda por que; talvez elas sejam resistentes ao vírus da Aids.

Diagnóstico

Tanto os doentes quanto os portadores assintomáticos podem ser identificados através de testes em amostras de sangue. O mais usado é o Elisa. Mas como há a possibilidade de um resultado positivo falso, é necessário submeter a amostra duas vezes ao teste ou recorrer a um teste mais preciso, como o Western-Blot.

Tratamento

Ainda não existe cura para a Aids, mas medicamentos como o AZT, ddI, ddC, que inibem a enzima transcriptase reversa, e os chamados inibidores de proteases (outra enzima de vírus) prolongam a vida do paciente e melhoram suas condições de existência. Os doentes devem ter acompanhamento médico constante, de modo que as infecções possam ser prontamente identificadas (como a pneumonia, o herpes, a candidíase) e tratadas com antibióticos e outras medicações específicas. As vacinas contra a Aids estão em fase experimental, mas a capacidade que o vírus tem de sofrer mutações, produzindo novas linhagens de vírus imunes aos anticorpos contra as linhagens antigas, diminui a probabilidade de se conseguir uma vacina eficaz.

Prevenção

A melhor proteção contra a transmissão da Aids por via sexual é o uso do preservativo masculino ou camisinha. Para prevenir-se contra a transmissão por via endovenosa (pelo sangue) é necessário controlar os bancos de sangue e utilizar apenas seringas ou agulhas descartáveis.

Mulheres portadoras do vírus não devem ficar grávidas; e os instrumentos que possam ser contaminados pelo sangue de pessoas infectadas devem ser esterilizados.

Vírus e Câncer

O câncer aparece quando certos genes que controlam o crescimento e a divisão celular sofrem alguma alteração, que pode ser provocada por radiação, produtos químicos ou certos tipos de vírus, como o HTLV-1 (human T-cell lymphotrophic vírus type 1). Este vírus é similar ao da Aids e, em vez de destruir as células de defesa do organismo, como faz o vírus da Aids, faz com que elas se reproduzam descontroladamente, provocando leucemia. O vírus se transmite por transfusão sanguínea, contato sexual, seringas contaminadas e amamentação.

Os Vírus Emergentes

Febre alta, dores no corpo, vômito, diarréia e hemorragias generalizadas nos órgãos e na pele, que se rasga e se solta dos ossos, com o sangue saindo por todos os poros do corpo.

Em cerca de dez dias a pessoa morre: são os sintomas da febre hemorrágica causada pelo vírus Ebola. Esse vírus apareceram pela primeira vez em 1967, quando matou sete pessoas na cidade alemã de Marburgo. Voltou a aparecer em 1976, no Sudão e no Zaire (às margens do rio Ebola, de onde se origina o nome do vírus), matando centenas de pessoas e, novamente, no Zaire, em 1995, dizimando cerca de cem pessoas.

O vírus é transmitido de uma pessoa contaminada para outra pelo contato direto com sangue, suor, saliva e sêmen. Mata 90% das vítimas, destruindo seus vasos sanguíneos. Não há tratamento específico, mas se as vítimas forem isoladas e mantidas em condições higiênicas adequadas, a epidemia pode ser controlada. O Ebola faz parte de um grupo de vírus que circulam há muito tempo em animais que vivem em áreas não habitadas pelo homem ou em populações humanas isoladas (no caso do Ebola, o reservatório, isto é, o animal que abriga o vírus, parece ser uma espécie de macaco). Com a chegada do homem nesses ambientes, o vírus começa a se espalhar na população humana. Por isso, esses vírus são chamados de “Vírus emergentes”, já que saem ou emergem de seu habitat natural.

No Brasil encontramos: o Rocio, descoberto em 1975, na localidade de mesmo nome no sul do estado de São Paulo, que provoca hemorragias e lesões neurológicas; o hantavírus Juquitiba, identificado em 1993, em Juquitiba, São Paulo, causador de problemas respiratórios; o Sabiá, descoberto no condomínio Jardim Sabiá, no município paulista de Cotia, e que, como o Ebola, provoca febre hemorrágica.

Fonte: www.portalimpacto.com.br

Viroses

Virose: saiba o que é e como fazer para evitá-la

Seu filho está com febre, vômitos, diarréia ou o nariz escorrendo. Você, mamãe, espera dois dias e os sintomas não passam.

Leva o pequeno no médico para aliviar o seu "sofrimento" e escuta sempre a mesma coisa: é virose.

A pergunta que fica para você, mamãe, é a seguinte: você sabe o que é uma virose? Virose são doenças causadas por vírus que tem um ciclo determinado, com sintomas leves, sem conseqüências relevantes, e não há remédios eficazes para o seu combate.

Uma observação importante: esses "bichinhos" invisíveis adoram temperaturas baixas e locais com grande aglomeração de pessoas e pouca renovação do ar.

Aparelhos de ar-condicionados sujos também fazem a alegria dos vírus. Um simples espirro de uma pessoa com virose pode proliferar o vírus. Uma pessoa infectada por vírus espalha no ar inúmeras partículas de agentes virais.

Os antibióticos são medicamentos usados no combate de doenças causadas por bactérias e não colaboram em nada para a luta contra os vírus. A defesa do organismo tanto da criança como o do adulto é capaz de combater essas doenças sem a necessidade de remédio.

As viroses não são todas iguais. Tem os vírus que se alojam nas vias respiratórias, causando dor de garganta, coriza e tosse. Já há outros que preferem o sistema gastrointestinal, causando vômitos e diarréias.

Cuidado com a virose - Em alguns casos, essas viroses podem evoluir para doenças mais graves, como pneumonia ou meningite viral. Portanto, todas as viroses precisam de um acompanhamento médico.

E por que os médicos preferem dizer que é uma virose a realmente constatar qual o vírus está causando os sintomas na criança?

Simplesmente porque são muitos tipos de vírus que existem e o trabalho e dinheiro gasto para a definição do tipo de vírus não ajudaria em nada no combate da doença que provavelmente já teria se curado até que o vírus fosse identificado. Ou ainda porque o vírus tem uma mutação muito rápida e seria difícil especificar qual o tipo.

Como se tratar

As viroses normalmente têm sintomas parecidos e duram em média de sete a dez dias. O tratamento deve ser com antitérmicos para baixar a febre, hidratação, descanso e boa alimentação.

Caso os vômitos e diarréia sejam muito freqüentes, relate outra vez ao pediatra, pois poderá ser que seu filho precise tomar soro na veia. Contate novamente o seu médico se a febre for muito alta e não passar depois de três dias.

As crianças, principalmente as menores de três anos, são as mais susceptíveis para contrair essas viroses, pois ainda não estão com o seu sistema imunológico maduro.

As que vão para a escola também correm maiores riscos de contágio, já que os vírus são transmissíveis através das gotículas de saliva que saem da criança contaminada que tosse ou espirra. Assim, quando uma criança na escolinha está com virose não é difícil que todas tenham também.

O bom é sabermos que é entrando em contato com esses vírus que o sistema imunológico dos nossos filhos vai se fortalecendo e ficando cada vez mais voraz no combate a esses vírus.

Dicas

A amamentação exclusiva até o sexto mês de vida do bebê proporciona maior defesa contra as viroses.
Não esqueça de vacinar seu filho. Muitas das vacinas combatem alguns vírus que causam as viroses.
Evite que a criança fique por muito tempo em lugares fechados e com muitas pessoas, principalmente no inverno. Desligue os aparelhos de ar-condicionado três vezes ao dia. Higienização do aparelho também é fundamental.

Bruno Thadeu

Fonte: www.criancaemfoco.com.br

Viroses

O QUE É UM VIRUS?

Os vírus são células pequenos microrganismos, primitivos, que estão entre os menores e mais simples agentes infecciosos, que sobrevivem apenas como parasitas intracelulares estritos e não são retidos por membranas de filtros esterilizantes. Pelo fato de que são muito pequenos, não podem ser visualizados por um microscópio ótico comum, sendo necessário para isto, o emprego de um microscópio eletrônico. Como característica própria de sobrevivência, parasitam células, onde produzem um grande número de doenças, de gravidade variável, indo desde o resfriado comum até a gravidade de uma AIDS ou Febre Amarela.

COMO SE CARACTERIZAM OS VÍRUS?

1. Quanto ao tamanho: os vírus são menores que a maioria dos outros microrganismos, embora eles variem consideravelmente em tamanho, que pode ir de 10 nm a 300 nm. Para comparação, as bactérias possuem tamanho aproximadamente 100 vezes maior, ou seja, 1000 nm e os glóbulos vermelhos do sangue apresentam 7500 nm de diâmetro.
2. Características do Genoma:
o genoma dos vírus pode ser formado de DNA ou RNA, nunca ambos; como característica destes seres, contêm apenas um tipo de ácido nucléico.
3. Quanto ao seu Metabolismo:
os vírus não possuem atividade metabólica fora da célula hospedeira, devido ao fato de que não possuem pequenas organelas celulares como os ribossomos ou qualquer estrutura que atue na formação de proteínas, o que é essencial para a reprodução.

Devido a estas características, os vírus só são reproduzidos quando estão alojados dentro de células vivas, estabelecendo ocasionalmente uma grande interação entre as estruturas destes organismos. O ácido nucléico do vírus contém informações essenciais para induzir a célula hospedeira infectada a programar, de maneira que este passe a sintetizar várias estruturas moleculares próprias do vírus, que são necessárias à produção dos vírus reproduzidos. Portanto, quando estão fora da célula infectada, as partículas virais são metabolicamente inativas, não se reproduzindo. Estes agentes infecciosos podem parasitar células animais, células vegetais e também outros microrganismos. Eventualmente podem parasitar as células de outro ser vivo, sem produzir doença.

Os mecanismos de interações que ocorrem tanto a nível celular do hospedeiro do vírus quanto no organismo como um todo, permitem que o microrganismo sobreviva e se multiplique. Por outro lado, o organismo hospedeiro dispõe de mecanismos de defesa contra a infecção provocada pelo vírus, incluindo barreiras naturais e a ação do sistema imunológico. A nível celular, a capacidade do vírus de penetrar no corpo, por uma determinada via e infectar um tipo específico de célula, terá influencia sobre o tipo de doença associada. As propriedades físicas dos vírus são uma característica que os torna capazes ou não de infectar o organismo por uma determinada via de entrada no organismo, assim como a presença de receptores na superfície da célula parasitada, é necessária para que eles possam penetrar no interior da célula. Um vírus precisa ultrapassar todas as defesas do hospedeiro para produzir determinada doença, sendo que em alguns casos, a resposta imunológica do hospedeiro também contribui para a doença, causando danos ao organismo infectado.

COMO SE TRANSMITEM OS VÍRUS?

Os vírus sobrevivem na natureza somente quando eles são transmitidos de um hospedeiro para outro, da mesma espécie ou não. Para a manutenção do ciclo de transmissão requer a entrada do vírus no organismo, sua multiplicação, saída do organismo infectado através de secreções e conseqüente disseminação para outro hospedeiro.

A transmissão do vírus entre os seres infectados pode ocorrer das formas ditas vertical ou horizontal, que assim se definem:

Transmissão horizontal

Define-se como Transmissão Horizontal, quando ocorrendo no meio ambiente, através de contato:

Direto, através de um hospedeiro infectado para um hospedeiro susceptível de ser infectado pelo vírus.
Indireto, através de secreções, tosse, espirro, fezes.
Transmissão por veiculação alimentar ou hídrica.

Transmissão por outro ser vivo, denominado de vetor, que pode ser:

a) Através de Animal vertebrado (cães, gatos, etc.).

b) infecção transmitida de um animal para o homem, que pode ser através de:

Animal invertebrado: vetor biológico, que é um inseto, onde o vírus é se multiplica, como em mosquitos, pulgas, carrapatos ou vetor mecânico, que é o inseto vetor que só transporta o vírus, como as moscas.
Transmissão vertical:
é a transmissão que ocorre da mãe para o feto, durante a vida intra-uterina ou após esta, no período de amamentação, como ocorre na AIDS.

COMO OS VÍRUS SE DISSEMINAM NO ORGANISMO?

O vírus, após a transmissão, pode permanecer no local de entrada no organismo humano ou pode causar infecção generalizada.

Esta disseminação pode ocorrer por vários mecanismos, como:

1. Disseminação local pela superfície do local de contágio, onde muitos vírus são multiplicados nas células epiteliais no sítio de entrada, produzem uma infecção localizada ou disseminada no epitélio e são excretados diretamente para o ambiente. A infecção no hospedeiro se espalha por contigüidade nas células próximas, como o que acontece com os vírus que penetram por via intestinal e respiratória, que podem ser disseminados rapidamente pela superfície epitelial com o auxílio das secreções locais. O fato de a infecção ser restrita ao epitélio local não significa que a doença clínica não possa ter maior gravidade. O vírus pode comprometer grandes áreas de uma superfície, causando danos importantes.
2.
Disseminação linfática, onde, após penetrar pela superfície epitelial e atingir os tecidos subepiteliais, os vírus podem penetrar nos vasos linfáticos que formam uma rede abaixo da pele ou mucosa epitelial, levados até os linfonodos locais, onde o sistema de defesa pode extingui-los. Os vírus podem ser inativados e absorvidos e seus componentes protéicos, que são antígenos, serem reconhecidos como tal pelos linfócitos e pelos macrófagos, desencadeando uma possível resposta imune. Alguns vírus, contudo, são multiplicados nos macrófagos e linfócitos e outros podem passar direto pelos linfonodos e atingir a corrente sangüínea. Como macrófagos e linfócitos fazem parte dos componentes do sangue, a sua veiculação pela corrente sanguínea pode facultar a disseminação passiva do vírus pela circulação.
3.
Disseminação através do sangue, também denominada de viremia, o que é facilitado pelo fato de que sangue é o veículo mais rápido para disseminação dos vírus através do corpo. Atingindo a corrente sangüínea, geralmente através do sistema linfático, o vírus em pouco tempo pode se localizar em qualquer parte do corpo. A sua movimentação na circulação pode ser isolado no plasma ou podem estar aderido com leucócitos, plaquetas ou eritrócitos. Quando os vírus estão ligados a glóbulos brancos, podem permanecer mais tempo na circulação, já que a sua eliminação por anticorpos fica mais difícil.
4.
Disseminação através dos nervos periféricos é uma forma mais rara, porém importante de infecção do sistema nervoso central (SNC) e periférico, como o que se observa na raiva, poliomielite, varicela e herpes zoster.

QUAIS SÃO AS ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DA INFECÇÃO?

Período de incubação - o período compreendido entre o início da infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas. Período prodrômico - é o período da infecção em que o indivíduo apresenta sintomas clínicos gerais e inespecíficos da doença, que precedem as manifestações características. As manifestações prodrômicas geralmente são representadas por cefaléia, febre, mialgia, mal-estar geral, etc.

Período de infecciosidade: corresponde ao período durante o qual o paciente apresenta o quadro clínico típico da doença, com presença de transmissibilidade potencial.

A maioria das viroses é controlada pela resposta imunológica do organismo, sendo o vírus eliminado, com poucas manifestações clínicas. Porém, algumas viroses apresentam quadro prolongado, de difícil cura, com ativação muitas vezes tardia em relação ao contágio inicial, como no caso da AIDS. Nestes casos de infecções persistentes, o vírus é multiplicado continuamente, sem que a resposta imunológica do hospedeiro permita o seu controle.

QUAIS SÃO AS FORMAS DE APRESENTAÇÃO DA DOENÇA?

1. Infecção aguda, que ocorre de forma súbita, com características clínicas marcantes, geralmente em período delimitado, precedido por uma fase prodrômica, onde o paciente apresenta sinais genéricos como dores de cabeça, dores musculares, febre e mal-estar, quando o indivíduo já poderá estar eliminando o vírus e transmitindo a doença. Após a fase aguda, inicia-se a fase da convalescença, onde ocorre o desaparecimento dos sintomas e recuperação total.
2. Infecção persistente:
nestes casos, o vírus permanece durante longos períodos de tempo no organismo ou mesmo, durante toda a vida em alguns casos como na hepatite B ou herpes simples.

Estas modalidades de infecção podem se apresentar das seguintes maneiras:

Infecção latente: Onde a presença do vírus não pode ser demonstrada e a doença não está presente clinicamente, exceto quando ocorre uma reativação do agente infeccioso, gerando uma recorrência ou recrudescência da doença, como o que acontece no vírus do herpes simplex.
Infecção crônica:
É aquela em que o vírus infectante é sempre detectado e está sendo constantemente eliminado pelo indivíduo infectado. A doença pode estar clinicamente ausente ou presente, como o que acontece na hepatite B.
Infecção lenta:
Trata-se da forma de apresentação da doença em que a quantidade de vírus volta a aumentar progressivamente após um período muito longo de latência, fazendo quadros clínicos graves como no caso da AIDS.

COMO PODEM SER COMBATIDAS AS VIROSES?

Estas doenças usualmente não apresentam um tratamento curativo de resolutividade imediata; como tratamento específico, varias viroses podem ser beneficiadas com uso de drogas antivirais como o aciclovir, oseltamavir, zidovudina, ribavirina, etc., que podem ser utilizados desde em casos de gripe que é causada pelo vírus Influenza, até em coquetéis anti- AIDS.

Excepcionalmente, podem ser utilizados soros hiperimunes, que contém quantidade elevada de anticorpos, obtidos de animais infectados. Porém, a medida mais eficaz na ocorrência destas doenças, é a vacinação, quando existente, que é feita com a inoculação do próprio vírus, morto ou atenuado, o que permite a formação de anticorpos pelo sistema imunológico, antes que ocorra a penetração do vírus, de maneira que, diante de uma infecção, os mecanismos de defesa da pessoa já eliminem o vírus por ocasião de sua entrada no organismo.

Fonte: www.rafe.com.br

Viroses

Ondas de febre, dor de cabeça e mal-estar periodicamente tomam escolas, famílias e ambientes de trabalho. Alguns pensam que é gripe; outros dizem que é resfriado, e a surpresa vem quando o médico define como virose.

Muitos pacientes reagem com descrédito, mas o diagnóstico não poderia ser mais acertado. "Virose é qualquer infecção causada por vírus".

As viroses mais comuns são causadas por adenovírus, que provocam conjuntivite, resfriados e problemas respiratórios em geral, e por enterovírus, responsáveis por problemas intestinais. As viroses respiratórias costumam ser confundidas com gripe, resfriado e pneumonia, mas existem algumas diferenças fundamentais. A gripe é provocada pelo vírus influenza, geralmente causa febre alta, dor de garganta, tosse, mal-estar, dores no corpo e na cabeça. O resfriado, na maioria das vezes, é uma virose, que repete com menor intensidade os sintomas da gripe. Enquanto a gripe e o resfriado atingem as vias aéreas superiores, que, de forma simplificada, englobam nariz e garganta, a pneumonia é uma inflamação dos pulmões causada por fungos, vírus ou pela bactéria Streptococcus pneumoniae.

As viroses costumam acabar no período de uma semana, mas as infecções de origem bacteriana, que têm sintomas similares, demandam tratamento com antibióticos. Convulsões, secreção amarelada, dor torácica, dificuldade para respirar ou o retorno da febre depois de ter regredido podem ser indicativos de infecção bacteriana.

Cuidado com o uso indiscriminado de antibióticos: eles não surtem efeito em viroses e podem causar efeitos colaterais, como reações alérgicas, além disso, o uso desnecessário de antibióticos altera a flora bacteriana normal do indivíduo, propiciando infecções. Para a saúde coletiva, representa o desenvolvimento de germes cada vez mais virulentos devido à resistência em relação aos remédios.

Recomenda-se cautela no uso de antigripais, sobretudo entre idosos, porque podem aumentar a pressão arterial. Para qualquer virose respiratória é recomendável manter o nariz limpo com soro fisiológico, usar antitérmico em caso de febre e beber muito líquido. Deve-se evitar esforço físico, mas permanecer deitado durante períodos prolongados pode acumular secreção no pulmão.

Fonte: bvsms.saude.gov.br

Viroses

O que diferencia os vírus de todos os outros seres vivos é que eles são acelulares, ou seja, não possuem estrutura celular. Assim, não têm a complexa maquinaria bioquímica necessária para fazer funcionar seu programa genético e precisam de células que os hospedem. Todos os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios. Atuando como um "pirata" celular, um vírus invade uma célula e assume o comando, fazendo com que ela trabalhe quase que exclusivamente para produzir novos vírus. A infecção viral geralmente causa profundas alterações no metabolismo celular, podendo levar à morte das células infectadas. Vírus causam doenças em plantas e em animais, incluindo o homem.

Fora da célula hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital: não crescem, não degradam nem fabricam substâncias e não reagem a estímulos. No entanto, se houver células hospedeiras compatíveis à sua disposição, um único vírus é capaz de originar em cerca de 20 minutos, centenas de novos vírus.

Bacteriófago

É um vírus muito estudado, pode ser vírus de DNA ou de RNA. São formados apenas pelo núcleo capsídeo, ou seja, não existem formas envelopadas. Os mais estudados são os que infectam a bactéria intestinal Escherichia coli, conhecidos como Bacteriófago ou fagos T2 e T4. Estes são constituídos por uma cápsula protéica bastante complexa, que apresenta uma região denominada cabeça, com formato poligonal, onde se aloja o ácido nucléico, e uma região denominada cauda, com formato cilíndrico, contendo, em sua extremidade livre, fibras protéicas. Quando o bacteriófagos entra em contato com a bactéria, adere à parede celular por meio de certas proteínas presentes nas fibras de sua cauda. Na cauda estão também presentes enzimas que, ativada após o reconhecimento molecular, são capazes de digerir e perfurar a parede da célula bacteriana.

Varíola

Transmissão: gotículas de saliva, contato direto, objetos contaminados (copos, garfos etc).
Modo de infecção:
Ovírus penetra pelas mucosas das vias respiratórias, dissemina-se pela corrente circulatória e instala-se na pele e mucosas, causando as ulcerações da doença.
Sintomas:
As primeiras manifestações da varíola são febre, dor de cabeça, moleza, dores lombares, dor nas pernas e vômitos. Passada essa fase, começa a erupção cutânea, à primeira vista semelhante à da catapora. As erupções surgem na cabeça e vão descendo pelo resto do corpo; inicialmente, são manchas, em seguida transformam-se em vesículas de tamanho irregular e cheias de pus. Depois de secas, as vesículas ficam se cobertas por ima crosta que cai dentro de 10 dias, deixando cicatrizes profundas.
Controle (profilaxia):
Aplicação de vacina antivariólica a partir dos 8 meses de idade. Apesar de ainda constar como compulsória, a vacinação antivariólica já não é realizada com regularidade, pois a doença é considerada erradicada. Na eventualidade de surgir algum caso ou suspeita de contágio, há tempo para se fazer a vacina protetora.

Febre Amarela

Transmissão: Através da picada do mosquito Aedes aegypti, que se contamina ao picar um homem ou outro mamífero contaminado.
A febre amarela é uma enfermidade infeciosa e epidêmica produzida por um vírus filtrável e transmitida ao homem pelo mosquito Aedes aegypti.

Caracterizada por uma evolução em duas fases:

A primeira, congestiva.
A Segunda, ictérica e hemorrágica, separadas por uma fase de remissão.

Conhece-se perfeitamente como se transmite essa enfermidade, desde as pesquisas da Comissão Norte-americana que atuou em Cuba, presidida por Walter Reed, as quais demonstram o seguinte:

1) A fêmea do mosquito Aedes aegypti é a que transmite a febre amarela, se previamente houver sugado o sangue de um enfermo dessa febre durante os três primeiros dias da enfermidade.
2)
Depois de picar, necessita o mosquito de 12 dias até torna-se infetante. Fica depois infetante até morrer.

Modo de infecção: O vírus é introduzido juntamente com a saliva do mosquito; dissemina-se pelo corpo através do sangue e instala-se no fígado, baço, rins, medula óssea e gânglios linfáticos.
Controle (profilaxia):
Vacinação com linhagem de vírus atenuada (vírus vivos). Eliminação do mosquito Aedes, vetor da doença.

Sarampo

Transmissão: Gotículas de saliva. Doença infecciosa própria da infância, causada por um vírus transmitido por contato com o doente ou por objetos contaminados. No Brasil, os surtos de sarampo ocorrem principalmente de agosto a novembro. Ataca principalmente as crianças entre 6 meses e 6 anos de idade, embora também possa ser contraída por adultos. A pessoa que já teve sarampo fica imunizada, e a imunidade é transmitida pela mãe ao bebê até os 4 ou 6 meses de idade, principalmente se ele receber leite materno. O período de contágio vai de 5 dias antes até 5 dias depois do aparecimento da erupção característica. O período de incubação é, em média, de 10 dias, podendo variar de 9 a 14 dias.

Modo de infecção: O vírus penetra pela mucosa das vias respiratórias, cai na corrente sangüínea e se dissemina por diversas partes do corpo.
Sintomas:
Os primeiros sintomas do sarampo são semelhantes aos de uma gripe: durante 4 ou 5 dias, a criança tem febre alta, tosse, mal-estar e fica com os olhos vermelhos. O diagnóstico só é possível ao se encontrar na boca, na altura do segundo molar, uma série de manchinhas brancas (manchas de Koplik) e manchas vermelhas irregulares na abóboda palatina e na garganta (exantema).
Depois desses sintomas, as manchas vermelhas (exantemas) surgem atrás da orelha, espalhando-se em seguida pelo rosto, pescoço, tronco e membros. Com o aparecimento da erupção costumam se atenuar os sintomas anteriores, embora persistam a tose e a irritação dos olhos, que ficam muito sensível à luz. Durante toda a doença, há acentuada queda do apetite e mal-estar geral. As manchas começam a sumir 5 dias depois da primeira erupção, na ordem em que aparecem.
Controle (profilaxia):
Vacinação com vírus vivo de linhagem atenuada.

Poliomielite

Transmissão: "incerta ". Também conhecida como paralisia infantil, é uma doença infecciosa provocada por vírus. Ataca principalmente crianças entre 6 meses e 4 anos de idade. Trata-se de moléstia grave e altamente contagiosa. As epidemias costumam ocorrer no verão e no início do outono.
Sintomas: Os primeiros sinais da poliomielite são os comuns a todas as infecções:
prostração, febre e dor de cabeça. podem aparecer também vômitos, prisão de ventre ou diarréia leve, dores nas pernas e vermelhidão na garganta. O sintoma característico da doença, contudo, é a dificuldade da criança de colocar a testa no joelho ou de dobrar a cabeça a ponto de colocar o queixo no peito.
Modo de infecção:
Acredita-se que o vírus penetre pela boca e se multiplique primeiro na garganta e nos intestinos. Daí dissemina-se pelo corpo, através do sangue. Se atingir células nervosas ele as destrói, o que causa paralisia e atrofia da musculatura esquelética, geralmente das pernas.
Controle (profilaxia): Existe um meio absolutamente seguro de livrar as crianças da poliomielite:
a vacina Sabin, aplicada a partir dos 2 meses de idade. Em casos de epidemia, não há razão de preocupação se a criança já recebeu todas as doses da vacina ou se foi vacinada nos últimos 2 ou 3 meses. No entanto, se não recebeu todas as doses ou se recebeu a última dose há mais de 3 meses, deve receber logo uma dose de reforço. (vacina Salk = injeção) ou com vírus vivo atenuado (vacina Sabin = gotas).

Caxumba

Transmissão: Gotículas de saliva, contato direto, objetos contaminados (copos, garfos etc).
Sintomas:
O período de incubação habitual é de 17 a 21 dias, mais pode variar de 7 a 30 dias. Antes aparecem os sintomas característicos da enfermidade pode, às vezes, notar-se ligeira febre, inapetência e abatimento. O que permite diagnosticar a enfermidade, é a inchação e a dor que se produzem em uma e depois nas duas glândulas parótidas, situadas abaixo e também um pouco adiante e atrás das orelhas, o que da o aspecto característico. Ao examinar na face interna da bochecha o ponto em que desemboca o cretal de Stenon, que é o que leva a saliva, da parótida à boca, observa-se que essa saliência é avermelhada. A quantidade de saliva , da parótida pode estar diminuída ou aumentada. Às vezes a inflamação pode atingir outras glândulas salivares tais como submaxilares e sublinguais.
Modo de infecção:
O vírus ataca normalmente as glândulas salivares parótidas, podendo, entretanto, localizar-se nos testículos, ovários, pâncreas e cérebro.

Controle (profilaxia)

Vacinação: É mito a idéia de que a caxumba é mais perigosa para os meninos do que para as meninas. Ela realmente pode “descer”, como se diz, porém a probabilidade é igual para os dois sexos. É raro acontecer, mas ela pode dar origem a uma inflamação do testículo (orquite) ou dos ovários (ooforite).
“Quando isso ocorre, nos meninos, o testículo dói e pode aumentar de tamanho; as meninas sentem dor abdominal”, explica Ricardo Chaves. Essa inflamação, em raríssimas ocasiões e dependendo da intensidade, pode levar à esterilidade. “É muito incomum, mas quando isso acontece, só é descoberto quando a pessoa atinge a idade reprodutiva”, afirma o pediatra.

Raiva

Transmissão: Pela mordedura de animal infectado, geralmente o cão ou morcego.
Modo de infecção:
O vírus penetra pelo ferimento da mordedura juntamente com a saliva do cão. Atinge o sistema nervoso central, onde se multiplica, causando danos irreparáveis ao sistema nervoso.
Controle (profilaxia):
Tão logo seja mordida ou lambida por um animal infectado, a criança deve ser vacinada ou receber soro anti-rábico. Ainda em casa, a mãe pode tentar matar o vírus, lavando o local da mordida com sabão e álcool - mas em seguida deve levar ao médico. Vacinação dos cães, eliminação dos cães de rua, vacinação de pessoas mordidas por cães desconhecidos ou com suspeita de portar a doença.

Encefalites Virais

Transmissão: Picada de mosquitos e de carrapatos.
Modo de infecção:
O vírus é introduzido na corrente sangüínea pela picada do artrópodo portador. Atinge as células do cérebro,onde se reproduz.
Controle (profilaxia):
Combate aos artrópodos vetores. Não existem vacinas.

Rubéola

Transmissão: O contágio é feito pela respiração do ar contaminado por vírus, e se dá de 7 dias antes a 5 dias depois do aparecimento de manchas vermelhas na pele. O período de incubação da doença é de 16 a 18 dias.
Modo de infecção:
Inicia-se com fracas dores de cabeça, febre baixa, aumento das glândulas do pescoço, ocorrendo, em seguida, o exantema com manchas vermelhas por todo o corpo. Em geral é doença benigna da infância. Pode ser muito grave em gestantes nos primeiros meses.
Sintomas:
A forma mais leve de rubéola provoca erupções avermelhadas na pele, que desaparecem depois de 2 ou 3 dias, sem qualquer outro sintoma. Em outros casos, a erupção é mais intensa e precedida por febre, mal-estar, aumento dos gânglios localizados atrás das orelhas e na nuca e eventualmente tosse, sendo fácil confundir a doença com sarampo.
Controle (profilaxia):
A vacina contra rubéola oferece bom grau de proteção. As meninas devem recebê-la obrigatoriamente antes da adolescência, para evitar riscos numa futura gravidez.

Gripe

Transmissão: Transmitida por contato direto através do aparelho respiratório e com período de incubação de 36 a 48 horas, a gripe (ou influenza) é causada por vírus de vários tipos. Muitas vezes confundido com resfriado (cujo vírus causador é diferente), ela é pouco freqüente em crianças menores de cinco anos. Os efeitos, diferentes e mais intensos do que os do resfriado, costumam se manifestar por períodos que duram de 4 a 10 dias.
Modo de infecção:
O vírus ataca os tecidos das porções superiores do aparelho respiratório; raramente atinge os pulmões.
Controle (profilaxia):
Não existe remédio eficaz para a doença, a não ser algumas medidas que evitam complicações maiores e aliviam alguns dos efeitos. Os antibióticos são inócuos, mas os antitérmicos podem baixar a febre e os xaropes facilitam a tosse. Convém manter a criança no leito a fim de que não manifestem conseqüências como otite, sinusite e pneumonia, entre outras.

Hepatite Infecciosa

Transmissão: Contaminação de água e objetos por fezes de indivíduos contaminados. "Supõe-se" que moscas transportem o vírus de fezes contaminadas para alimentos, água e objetos.
Modo de infecção:
o vírus se multiplica no fígado, causando destruição de células hepáticas.
Controle (profilaxia):
Medidas de saneamento; fiscalização dos manipuladores de alimentos. A injeção de gamaglobulina, extraída de soro sangüíneo humano, pode conferir proteção temporária.

Herpes

Transmissão: Contato direto com herpéticos na fase de manifestação da doença.
Beijo:
É uma forma de contágio fácil, mesmo que a pessoa não tenha nenhuma ferida aparente, pode ser portadora do vírus, o que é suficiente para infectar o outro, mas não significa que a doença irá se manifestar.
Copo:
Beber água no mesmo copo de uma pessoa portadora do vírus também facilita o contágio. A pessoa também pode se contaminar apenas estando em um ambiente onde há alguém com o vírus.
Sol:
A radiação dos raios ultra-violeta (UVA e UVB) agem bloqueando a ação das células de defesa do organismo e reduzindo a proteção imunológica. Estresse, fadiga, cigarro, bebida alcólica em excesso e menstruação também baixam a resistência imunológica
Modo de infecção:
o tipo I, mais freqüente, desenvolve lesões na pele e na boca; o tipo II ou herpes genital é DST. Nos dois surgem pequenas bolhas, que se ulceram, havendo a seguir a cicatrização da pele, sem dar sinal da manifestação do vírus. Estes podem ficar latentes por muito tempo, até voltarem a se manifestar.
Controle (profilaxia):
Evitar contato direto com herpéticos em fase de manifestação da doença. Produtos capazes de abortar a manifestação herpética, quando ingeridos aos primeiros sinais de uma possível infecção.

Dengue

Transmissão: Picada do Aedes aegypti, durante o dia.
Modo de infecção:
Forma benigna e forma hemorrágica, a qual pode levar à morte. Dores de cabeça e nas juntas, fraqueza, falta de apetite, febre e pele manchada. Nunca se deve tomar medicamentos que contenham ácido acetilsalicílico.
Controle (profilaxia):
Não há, pois seria necessário evitar a picada dos mosquitos

Febre hemorrágica

Em função da inflamação dos vasos (por causa da instalação dos vírus no tecido que os envolve), há um consumo exagerado de plaquetas, pequenos soldados que trabalham contra as doenças. A falta de plaquetas interfere na homeostase do corpo - capacidade de controlar espontaneamente o fluxo de sangue. O organismo passa a apresentar uma forte tendência a ter hemorragias.

Pode ocorrer:

1 - Se a pessoa tem dengue pela segunda vez (outro tipo de vírus), pode contrair a hemorrágica.
2 -
Há quatro sorotipos diferentes de dengue. Um deles, o den2, é o mais intenso. Este tipo pode evoluir para a dengue hemorrágica.
3 -
Combinação da seqüência de doença, da força do vírus e da suscetibilidade da pessoa. Se for alguém com Aids, por exemplo, a doença oferece mais riscos.

Fonte: www.biomania.com.br

Viroses

A mídia e as viroses

Vírus: uma breve introdução

Introdução

Este breve trabalho tem como objetivo principal oferecer esclarecimentos simples aos alunos de ensino fundamental e médio sobre temas relacionados aos vírus e às viroses, visto que a grande maioria do material impresso disponível no mercado peca por trazer em seu contexto uma série de informações que, à luz dos novos conhecimentos da Biologia, mostram-se inadequados ou imprecisos.

Vírus

A palavra vírus é de origem latina e significa veneno.

Muito se tem discutido a respeito da questão: os vírus são ou não são seres vivos? Com base no que a Ciência já sabe a respeito do assunto, a resposta é um enfático não, eles não são seres vivos. O que de mais adequado se pode dizer é que os vírus são agregados moleculares de relativa simplicidade, se comparados com os seres vivos. Apresentam um único tipo de ácido nucléico (RNA ou DNA) associado a proteínas que podem ou não estar ligadas a glicolipídios.

Eles não nascem, não crescem, não se reproduzem e não morrem.

Não nascem – os elementos formadores de um vírus (ácido nucléico, proteínas e, em alguns casos, glicolipídios) são produzidos por células vivas e montados por processos enzimáticos delas. Assim, vírus não nascem, são montados.

Não crescem – como não possuem metabolismo, uma vez montados os vírus assim permanecerão indefinidamente.

Não se reproduzem – uma vez que o ácido nucléico viral esteja no interior de uma célula viva (por ter sido capturado por ela, não invadido, como crêem alguns), será processado normalmente por ela, independente de que informação contenha. Isso só não ocorrerá na hipótese de o repertório enzimático da célula em questão não ser suficientemente vasto para processar o que for solicitado.

Neste caso ela não produzirá novos elementos virais, o que prova que vírus não se reproduzem: eles são produzidos.

Não morrem – sendo os vírus agregados moleculares, não faz sentido falar em morte. Proteínas são desnaturadas, não mortas.

São tão pequenos (20 a 1000 Å) que podem ser facilmente endocitados, mesmo pelas menores células bacterianas que se conhecem, portanto são visíveis somente ao M.E.

A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é chamada de vírion. Cada tipo de vírus apresenta vírions de formatos próprios.

Estrutura viral

Os vírus são constituídos de ácido nucléico envolvido por uma cápsula de proteínas (denominada capsídio, formada por vários capsômeros) que podem ou não apresentar externamente um envoltório de glicolipídios (neste caso eles são chamados de vírus envelopados).

Esta descrição pode dar a falsa impressão de que todos os vírus são parecidos, porém, dentro desta mesma concepção estrutural a forma espacial de cada vírus pode ser extremamente variada, como veremos nos exemplos a seguir:

Viroses

Viroses

Viroses

Ecologia viral

Os vírus estão presentes na natureza em todos os ambientes, de forma que todas as células eucarióticas ou procarióticas podem ter contato com algum tipo de vírus.

Algumas células podem capturar vírus e endocitar (passar para dentro de seu organismo) partículas virais. Uma vez dentro da célula o material genético viral (ácido nucléico) pode ser lido ou não, tornando-se um interferente no processo fisiológico normal desta célula.

Se em cultura de células uma grande quantidade delas, ao ser infectada, se mostra competente para produzir componentes virais (acima de 105 células) diz-se que esta cultura é lítica (as células envolvidas serão lisadas). Abaixo desse valor a cultura é chamada de lisogênica (as células não são lisadas, mas são capazes de produzir lise em outras que entrem em contato com a cultura).

Obs.: Não é correto chamar de ciclo lítico e ciclo lisogênico porque não há dois ciclos distintos. Na verdade, o que varia é o número de células envolvidas na gênese viral.

Viroses

As viroses são a expressão dos fenômenos que estão ocorrendo em grupos específicos de células que, após o contato com determinado grupo de vírus, mostraram--se competentes na fabricação de componentes virais, tendo então iniciado a sua produção.

Os sinais e sintomas das viroses são bastante diversificados, levando-se em conta aspectos como: o tipo de vírus envolvido, estado geral de saúde do individuo e a presença ou não de bactérias oportunistas agravando o quadro clinico.

Tratamento

Não há procedimento específico para as viroses. Em geral, faz-se o combate aos sintomas presentes, como febre, dor de cabeça, mal estar, indisposição e falta de apetite.

Recentemente os laboratórios farmacêuticos têm conseguido produzir algumas drogas que interferem no mecanismo de fabricação de componentes virais, porém, muito longe de se atingir a eficácia necessária para conter este mal que corresponde a 2/3 de todas as doenças infecciosas conhecidas.

É importante salientar que a grande maioria das viroses evolui naturalmente para a cura.

Prevenção

A higiene para com a água, alimentos, objetos pessoais, o ambiente físico, o cuidado com o sangue e hemoderivados, o uso de seringas e perfuro-cortantes descartáveis, a adequação do número de pessoas ao tamanho dos ambientes, a manutenção de alimentação e sono adequados, aliados à pratica regular de exercícios físicos são as melhores medidas preventivas a serem adotadas.

Vacinação

Desde a sua criação no final do século XIX se tem alardeado que a apresentação de vírus atenuados é capaz de estimular o organismo a produzir anticorpos específicos. Nos dias atuais muitos cientistas, através de trabalhos sérios, têm demonstrado que esta não é a real situação.

Segundo estes trabalhos muitos indivíduos que utilizaram as vacinas desenvolveram as patologias e até mesmo outras doenças associadas.

A conclusão estarrecedora destes trabalhos é que a vacinação em massa ao longo de todos esses anos produziu a seleção de indivíduos que não possuíam células competentes para a fabricação de componentes virais. Os indivíduos com células competentes padeceram com a moléstia e foram eliminados (seleção ).

Faz-se necessário que os governos, os representantes da ciência e a sociedade civil discutam e reflitam sobre os resultados destes trabalhos e a partir disto que orientem de forma clara a população sobre os prós e os contras de cada tipo de vacina, cabendo à mesma a opção de fazer uso ou não.

Afinal, o que é virose?

Perguntou-se a uma criança de sete anos qual a diferença entre vírus e bactéria.

Sem pestanejar ela respondeu: Eu sei! Vírus dá é em computador e bactéria pega é em gente!

Em se tratando de uma criança a resposta foi apropriada para sua compreensão possível, mergulhada que está numa época da informática onde se fala para termos cuidado com os vírus, e isso e aquilo. O fato é que a informática, na ausência de um termo próprio, pegou emprestado um nome utilizado em medicina e passou a usá-lo em seus próprios domínios. A definição pegou de tal maneira, que passou a fazer parte do vocabulário da Informática, da mesma forma como é utilizado no cotidiano, em relação 'as doenças infecciosas.

Mas há um desconhecimento impressionante dos familiares a respeito desse assunto, qual seja, a dos vírus que atormentam os humanos com várias doenças.

Quando não se trata de falta de informações, é em conseqüência, no mínimo, dessa confusão de termos e usos indevidos por outras áreas do conhecimento além das ciências biológicas.

O termo virose virou banalidade, com conseqüências no dia-a-dia. Talvez pela alta incidência dessas patologias na população infantil. O fato é que há quase um desprezo, um descrédito, uma desconfiança no ar, quando se diz que a criança tem uma doença virótica. Uma virose. Dá mais status se ela tiver uma doença em cuja resolução se supõe que deveria ser usado antibiótico. Esse sim pau para toda obra no imaginário popular. Se estiver usando antibiótico, tudo bem. Se não, sei não...

As doenças virais são conhecidas desde o início do reconhecimento das doenças humanas, atribuindo-se a Hipócrates (o pai da medicina - que viveu antes de Cristo!) o relato da hepatite benigna. Somente no final do século dezenove e início do século vinte surgiu a identificação dos vírus, seguindo-se a descrição da primeira doença humana relacionada a vírus como agentes, a febre amarela.

Dentre as doenças infecciosas humanas mais antigas destacam-se a raiva e a poliomielite, enquanto entre as mais recentes encontramos a AIDS (relacionada à infecção por vírus da imunodeficiência humana - HIV) e as febres hemorrágicas (Ebola, Hantavírus). O vírus Influenza foi o responsável pela gripe espanhola, que matou mais de vinte milhões de pessoas!

Vírus são agentes infecciosos invisíveis a olho nu. São visualizados ao microscópio eletrônico. Têm uma composição menos complexa do que as bactérias.

Existem doenças graves provocadas pelos vírus, como existem doenças banais, benignas, sem nenhuma complicação para os seres humanos.

São exemplos de doenças viróticas na infância: resfriados comuns, gripes, bronquiolites, pneumonias viróticas, verrugas, molusco contagioso, paralisia infantil, caxumba, sarampo, rubéola. Hepatite. Mononucleose Infecciosa, exantema súbito e tantas outras.

O que se pode fazer para prevenir uma virose? Evitar contatos possíveis com pessoas ou animais sabidamente portadores de viroses, tais como pessoas gripadas ou com algumas das doenças citadas acima. Evitar nascimento de recém-nascidos prematuros (que fazem parte do grupo de risco para adquirir viroses) através de um bom pré-natal. Amamentação exclusiva com leite materno até os seis meses de idade (pois o leite materno, é o único alimento ideal para a criança).

Deve-se vacinar contra as doenças passíveis de serem provocadas por alguns vírus (é possível que o mundo volte a ter necessidade de vacinar-se contra a varíola, uma terrível doença provocada por um vírus, pela possibilidade de guerra biológica).Vacinar-se contra hepatites A e B (e em futuro próximo contra a hepatite C.). Evitar contato dos lactentes abaixo de seis meses de idade com pessoas gripadas, porque esse é um grupo de risco para adquirir doenças pulmonares graves, como a bronquiolite, doença provocada por vírus.

E uma vez tendo uma virose, o que fazer com a criança? Quais os medicamentos deverão ser dados ou evitados? Somente os médicos, e nenhum outro profissional, têm formação técnica para saber distinguir se uma criança é ou não portadora de uma virose e instituir o tratamento adequado. Portanto, deve-se levar a criança ao pediatra durante a vigência de uma doença supostamente virótica.

Um erro atual, com potencial de risco para as crianças, é a existência de uma pressão para se usar antibióticos. Pressão das indústrias farmacêuticas, com uma propaganda maciça em todos os meios de comunicação; pressão de familiares sobre os médicos, iludidos com a resolução milagrosa de qualquer doença febril na infância com o uso indevido desses medicamentos. De todos os lados. E daí abusa-se do uso desses antimicrobianos, indicados somente contra doenças bacterianas.

A ciência médica ainda não dispõe de medicamentos antiviróticos em sua prática diária. É possível que na próxima década, com o avanço da engenharia genética, seja possível ter acesso a essas novas drogas. Mas até o momento, não usar antibióticos de maneira descabida e mal indicada já é um bom começo.

Elpídio Targine Veras

Irimar Lino Ferreira

Rosângela Pereira dos Santos

Referências

Levine, A. J. Viruses. Scientific American Library. W. H. Freemann and Company. NY 1992.241p
Dimmock, N. J., Primrose, S.B. Introduction to Modern Virology.4th ed. Ed Blackkwell Science Ltd. 1995. 384p
http://members.tripod.com/themedpage/microbio-virologia.htm
www.gpaulbishop.com/. ../m__stanley.htm
www.taps.org.br/vacinas.htm

Fonte: www.ccmn.ufrj.br

Viroses

VIROSES EMERGENTES

As viroses emergentes preocupam as autoridades sanitárias de todo o mundo. Fruto de alterações no ecossistema e dos comportamentos econômicos, sociais e culturais do homem, estas viroses surgem como importante problema de saúde pública tanto nas zonas rurais como nas zonas urbanas. O exemplo mais clássico de uma virose emergente, já hoje consolidado na humanidade, é a infecção humana pelo vírus HIV(AIDS) que atualmente atinge praticamente todos os territórios. Entre as viroses emergentes as que guardam especial preocupação são aquelas associadas com as febres hemorrágicas dado o seu caráter comumente letal e a capacidade de disseminação.

A seguir são apresentadas duas viroses que causam febres hemorrágicas

Hantaviroses

Aspectos Epidemiológicos

Hantaviroses são enfermidades agudas que podem se apresentar sobre as formas de Febre Hemorrágica com Síndrone Renal (HFRS) e Síndrone Pulmonar por Hantavírus (HPS), sendo a segunda a única forma encontrada nas Américas. A enfermidade não é específica de nenhum grupo étnico, se comporta de forma estacional coincidindo com a presença e o maior número de roedores portadores do vírus.

São designados de hantavírus os agentes etiológicos do agravo que pentencem a família Buyanviridae (Quadro I).

Reservatórios

Os roedores, especialmente os silvestres, são os principais reservatórios dos Hantavírus e cada espécie parece ter tropismo por determinado tipo.

No roedor, a infecção pelo Hantavírus aparentemente não é letal e pode levá-lo ao estado de reservatório do vírus por toda a vida. Nesses animais, os Hantavírus são isolados principalmente nos pulmões e rins, apesar da presença de anticorpos séricos, sendo eliminados em grande quantidade na saliva, urina e fezes durante longo período, todavia, a duração e o período máximo de infectividade são desconhecidos.

Espécies de Hantavírus, enfermidades que causam, principais reservatórios e sua distribuição geográfica

ESPÉCIES ENFERMIDADE RESERVATÓRIO PRINCIPAL DISTRIBUIÇÃO DO VÍRUS DISTRIBUIÇÃO DO RESERVATÓRIO
Hantaan (HTN) FHSR* Apodemus agrarius China, Russia, Coreia Europa Central, ao sul de Tracia, e as montanhas Tien Shan. Do rio Amur através da Coréia até a China.
Tailândia (China) FHSR Apodemus flavicollis Balcãs Inglaterra e Gales, desde a Espanha, França e sul da Escandinávia, através da Rússia Européia até os Urais. Desde Itália aos Balcãs, Síria, Líbano e Israel.
Seul (SEQ) FHRS Rattus norvegicus Mundial Ao redor do Mundo
Puumala (PUU) FHSR Clethrionomys glareolus Europa, Rússia, Escandinávia Desde a França a Escandinávia até o Lago Baikal. Sul da Espanha, Itália, Balcãs, Turquia, até o Saara. Grã- Bretanha, Irlanda.
Sin Nombre (SN) SPH** Peromyscus maniculatus EUA, Canadá, México Desde o Alaska ao Canadá, parede continental do EUA, excluindo o sudoeste e leste da baixa Califórnia, Oaxaca no México.
New York (NY) SPH Peromyscus leucopus EUA Parte central do EUA, Alberta, Ontario, Quebec, Nova Escócia, Canadá. Do Caribe até a Península de Yucatán no México.
Black Creek Cretal (BCC) SPH Sigmodon hispidus EUA Nebraska, Virgínia, Península da Flórida, México, América Central (Panamá), Sul da América, (Norte da Colômbia e Venezuela).
Bayou (BAY) SPH Oligoryzomys palustris EUA Do Kansas ao Texas, New Jersey a Península da Flórida.
Andes (AND) SPH Oligoryzomys longicaudatus Calomys laucha Argentina Chile e Argentina até os 50o latitude sul.
Por Nombrarlo SPH Calomys laucha Paraguai Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil.
Rio Mamore (RIOM) Não reportado em humanos Oligoryzomys Microtis Bolívia Brasil, entre os rios Solimões e Amazonas, continuando nas terras baixas do Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Punchana (1) (2) Não reportado em humanos Oryzomys sp Perú Loretu, Perú
Caño Delgativo Não reportado em humanos Sigmodon alsoni Venezuela Venezuela

* FHSR: Febre hemorrágica com sindrome renal

** SPH: Sindrome pulmonar por hantavirus

Modos de Transmissão

A infecção humana ocorre mais freqüentemente pela inalação de aerossóis formados a partir de secreções e excreções dos reservatórios(roedores) de Hantavírus.

Outras formas de transmissão para a espécie humana foram também descritas:

a) ingestão de alimentos e água contaminados;
b)
percutânea, por meio de escoriações cutâneas e mordeduras de roedor;
c)
contato do vírus com mucosa, por exemplo, a conjuntival;
d)
acidentalmente, em trabalhadores e visitantes de biotérios e laboratórios.

Mais recentemente, há evidências da possibilidade de transmissão interhumana. Na Argentina, Cantoni e cols.(1997) verificaram durante um surto de hantavírus, na província de rio Negro, que os profissionais da área de saúde apresentaram risco maior do que o observado na população em geral.

A hipótese de transmissão pessoa a pessoa em casos de síndrome pulmonar por Hantavírus descritos por Cantoni et cols(1997) direcionam a revisão das medidas de precaução e biossegurança no atendimento destes pacientes e manuseio de espécimes biológicas.

Período de Incubação

O período de incubação da doença provocada por Hantavirus varia de 12 a 16 dias com uma variação de 05 a 42 dias.

Período de Transmissibilidade
Até o momento é desconhecido.
Susceptibilidade e Imunidade

Ao que parece, as pessoas sem dados sorológicos de infecção passada são uniformemente susceptíveis. Não existem relatos na literatura de reinfecção em humanos.

Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade

A Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS) tem a distribuição na Europa e Ásia onde na China ocorrem de 40.000 a 100.000 casos por ano. Na Coréia do Sul tem ocorrido uma média de 1.000 casos por ano. Possui uma letalidade variável com média de 5% na Ásia e um pouco maior nas Ilhas Balcãs.

A forma respiratória da doença (HPS) com grande letalidade, identificada em junho de 1993 na re,gião sudoeste dos Estados Unidos e, posteriormente, observada em outros 21 estados daquele país levou ao isolamento de outros Hantavírus como o Sin Nombre, Black Creek Cretal, Bayou e New York. Desta forma, a Síndrome Pulmonar por Hantavírus passou a ser reconhecida em outros países e possibilitou o isolamento de novas espécies.

No Brasil os 3 primeiros casos clínicos de Síndrome Pulmonar por Hantavírus foram identificados no Estado de São Paulo, no Município de Juquitiba, em 1993.

Outros sete casos foram registrados: um no Estado de Mato Grosso na cidade de Castelo dos Sonhos e outros seis no estado de São Paulo, nas cidades de Araraquara e Franca, ambos em 1996; um em Tupi Paulista e um em Nova Guataporanga, dois casos em Guariba, em 1998.

Aspectos Clínicos: Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS)
Descrição:
Febre, mialgias, dor abdominal, vômitos e cefaléia; seguidas de tosse produtiva, dispnéia, taquipnéia, taquicardia, hipertensão, hipoxemia arterial, acidose metabólica e edema pulmonar não cardiogênico. O paciente evolui para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
Diagnóstico Diferencial:
Septicemias, leptospirose, viroses respiratórias, pneumonias atípicas (Legionella, Mycoplasma, Clamydia), histoplasmose pulmonar e pneumocitose.
Complicações:
Insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.
Tratamento:
Desde o início do quadro respiratório, estão indicados medidas gerais de suporte clínico, inclusive com assistência em unidade de terapia intensiva nos casos mais graves.

Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS)

Descrição: febre, cefaléia, mialgia, dor abdominal, náuseas, vômitos, rubor facial, petéquias e hemorragia conjuntival, seguida de hipotensão, taquicardía, oligúria e hemorragias severas, evoluindo para um quadro de poliúria que antecipa o início da recuperação, na maioria dos casos.
Diagnóstico diferencial:
É importante, em nosso meio, lembrar de doenças que cursam com febre hemorrágica como malária grave, leptospirose, septicemia (Gram negativo), hepatite B, intoxicações exógenas, dengue hemorrágico e febre amarela.
Tratamento:
Na HFRS, as medidas de suporte e observação são fundamentais no tratamento dos paciente. Recomenda-se as seguintes medidas: isolamento dos pacientes com proteção de barreiras (avental, luvas e máscaras); evitar sobrecarga hídrica nos estágios iniciais, manter o aporte de fluidos adequado para repor perda na fase de poliúria, controle da hipotensão com expansores de volume e vasopressores nos casos graves, monitorização do estado hidroeletrolítico e ácido-básico e diálise peritoneal ou hemodiálise no tratamento da insuficiência renal.
Diagnóstico Laboratorial:
Para os dois tipos de Hantaviroses, o diagnóstico faz-se através de Imunofluorescência, Elisa e Soroneutralização. A confirmação se dá através de PCR e Imunohistoquímica de órgãos positivos.

Vigilância Epidemiológica da HPS

Os principais objetivos da Vigilância Epidemiológica da HPS são:

Manter um sistema sentinela que permita atuar no sistema de saúde, com informação sistematizada, ágil e nos locais adequados.
Conhecer os indicadores epidemiológicos e fatores de risco associados à doença, a fim de direcionar ações adequadas de controle, e
Estimular e direcionar ações de investigação epidemiológica visando um melhor conhecimento epidemiológico da doença e introduzir medidas de prevenção.

Notificação

Todos os casos suspeitos devem ser notificados.

Definição de caso de HPS

Caso suspeito: paciente previamente sadio com histórico de síndrome gripal: febre acima de 38°C, mialgias, calafrios, grande astenia, sede e cefaléia, acompanhados de sintomas e sinais de insuficiência respiratória aguda de etiologia não determinada ou edema pulmonar não cardiogênico, na primeira semana da doença. Na fase cardiopulmonar, os dados clínicos associados a achados laboratoriais, como leucocitose com desvio à esquerda, trombocitopenia, hematócrito elevado, infiltrados pulmonares intersticiais e aumento de desidrogenase láctica (DHL) podem levar à suspeita de HPS.
Caso confirmado:
paciente com as características clínica do suspeito e laboratório específico de confirmação por Elisa (IgM em soro ou soroconversão por IgG), ou PCR positivo ou Imunohistoquímica de órgãos positivo.

Busca de Casos

Passiva
Baseando-se na notificação dos casos, necessitando de capacitação prévia dos profissionais que atuam na ponta, principalmente em áreas rurais, para fins de diagnóstico precoce e manejo inicial adequado dos casos.

Ativa
Subsequente à notificação de casos, dar-se-à início à busca ativa de mais casos junto à população de risco, identificação de reservatórios, identificação do vírus causal e outros estudos que se fizerem necessários.

Investigação Epidemiológica

A investigação epidemiológica deverá ser realizada de forma clara e objetiva, incluindo o preenchimento de uma ficha epidemiológica para cada caso suspeito, devendo compreender os seguintes aspectos:

Investigação clínica e/ou laboratorial de todos os casos, para confirmação diagnóstica;

Determinação da provável forma e local de contágio, sendo importante pesquisar:

Os fatores de risco e o provável reservatório do vírus;

Condições propícias à proliferação de roedores nos locais de trabalho ou moradia;

Atividades em áreas potencialmente contaminadas.

Deverá ser feito o mapeamento de todos os casos para se precisar a distribuição espacial e geográfica da doença (onde está ocorrendo), determinando-se, assim, as áreas onde se procederão às ações de controle.

Conduta frente ao caso

O estudo dos reservatórios se dará a partir da notificação do caso em uma determinada área, com amostras de roedores para o estudo de seu potencial zoonótico.

Limpeza e desinfecção dos locais onde tenham sido diagnosticados casos de Hantavírus.

As ações de limpeza e desinfecção da casa do paciente deverão ser realizadas concomitantemente às atividades de captura e desratização dos locais de foco.

Será enviado ao local, uma equipe técnica operacional do Serviço de Controle de Zoonoses do Município afetado, formada por um técnico em epidemiologia e 1 a 3 agentes de saúde em controle de roedores treinados para melhor investigar e proceder as devidas ações.

A família do paciente deverá ser aconselhada a mudar-se temporariamente para que ocorram as ações necessárias à limpeza e desinfecção local.

A equipe técnica em controle de roedores procederá a inspeção técnica na busca de sinais de roedores e captura sistemática na casa e nos arredores, registrando na Ficha de Inspeção de Roedores utilizada par tal fim.

Além de efetuar a investigação epidemiológica do caso, o técnico associará a história clínica detalhada às informações obtidas da inspeção técnica de campo. Depois da captura em armadilhas, devem-se abrir as portas e janelas da casa por 30 minutos, antes de entrar. Realizar a limpeza do local e, se necessário, aplicar raticidas. Os moradores da região deverão ser informados quanto às atividades realizadas e sobre a importância de procederem ações de antiratização necessárias para se manter a área livre da presença de roedores.

Deve-se proceder a desinfecção local utilizando desinfetantes, usando luvas e botas de borracha, aventais, respirador com filtro. Deve-se, também, eliminar todas as fontes de alimento e água que possam estar contaminadas no interior da casa.

A equipe dará instruções para que se realize o desmatamento ao redor de 30m do local, assim que as atividades de captura de roedores já tenham sido finalizadas. Orientará também, sobre a plantação e cultivo de hortas e hortaliças com pelo menos 30 m de distância da casa.

A desratização deverá ser feita quando houver a confirmação do caso, por técnicos capacitados para tal, e deve-se, também, colocar raticidas em habitações que irão permanecer fechadas por longo período, evitando-se o crescimento de novas colônias de roedores no interior desses locais.

A equipe fornecerá orientações sobre todos os procedimentos de vedação das habitações do local, evitando-se o ingresso de roedores para o interior das mesmas. Essas medidas deverão ser periodicamente avaliadas pela equipe técnica responsável.

As áreas onde ocorreram captura de roedores, vem como desratizações e a limpeza das habitações devem ser inspecionadas e repassadas periodicamente por um período de dois anos, no mínimo.

Medidas de Controle

As medidas de prevenção e controle devem ser baseadas em manejo ambiental, através principalmente de práticas de higiene e medidas corretivas no meio ambiente, saneamento, melhorias de condições de vida e moradia, tornando as habitações e os campos de trabalhos impróprios à instalação e proliferação de roedores (antirratização) associados a desratizações focais, quando necessários.

Controle de Roedores

Mecânico

Medidas básicas de controle de roedores poderão se obtidas no "Manual de controle de Roedores" do Ministério da Saúde, porém é essencial:

Eliminar todos os resíduos que possam servir para construção de tocas e ninhos;
Evitar entulhos e objetos inúteis no interior e ao redor do domicílio através de limpeza diária;
Armazenar insumos agrícolas e outros objetos em galpões distantes pelo menos 30 metros dos domicílios sobre estrados de 40 cm de altura;
Armazenar produtos agrícolas (grãos, hortigranjeiros e frutas) em silos ou tulhas situadas a uma distância mínima de 30 metros do domicílio, sobre estrados com 40 cm de altura do piso. O silo ou tuia deverá estar suspenso e a uma altura de 40 cm do solo com escada removível e rateiras dispostas em cada suporte;
Os produtos armazenados no interior dos domicílios devem ser conservados em recipientes fechados a 40 cm do solo;
Vedar fendas e outras aberturas superiores a 5 cm para evitar ingressos acidentais de roedores no interior dos domicílios;
Remover diariamente as sobras dos alimentos de animais domésticos;
Lixos orgânicos e inorgânicos, caso não exista coleta regular, devem ser enterrados separadamente, respeitando-se uma distância mínima de 30 metros do domicílio;
O plantio deve sempre obedecer uma distância mínima de 30 metros do domicílio;
O armazenamento em estabelecimentos comerciais deve seguir as mesmas orientações para o armazenamento em domicílio e em silos de maior porte;
Em locais onde haja coleta de lixo rotineira, os lixos orgânicos e inorgânicos devem ser acondicionados em latões com tampa ou em sacos plásticos sobre suporte de aproximadamente 1,5 metros de altura do solo.

Controle Químico

Nas áreas rurais não recomendamos o controle químico de roedores, tendo em vista que as medidas de antirratização geralmente são suficientes. No âmbito urbano, entretanto, a desratização está indicada sempre que ocorrer alta infestação ou a presença de casos diagnosticados em humanos. Outras considerações devem respeitar a situação epidemiológica da região, conforme citado no Manual de Controle de Roedores do Ministério da Saúde.

Precauções com Roedores Silvestres e de Laboratórios

Até que se estabeleça com certeza as espécies de roedores hospedeiros de infecções por Hantavírus, todos os roedores silvestres devem ser manejados como fontes potenciais de infecção. Roedores de laboratórios inoculados ou expostos a sangue, componentes do sangue, tecidos e excretas de roedores silvestres devem ser considerados como potencialmente infectados por Hantavírus. Sejam animais silvestres ou de laboratório que estejam infectados com Hantavírus, há um risco claro de transmissão por aerossol de urina infectada, fezes ou saliva de roedores. Embora não se conheça a participação de ectoparasitas na cadeia de transmissão da doença, conseqüentemente os animais de laboratório que somente estejam expostos a ectoparasitas (pulgas, carrapatos) não necessitam ser tratados como potencialmente infectados por Hantavírus.

Medidas de desinfecção nos ambientes de residências potencialmente contaminadas.

Considerando-se que os roedores contaminam o ambiente com seus excretas, deve-se tomar precauções quanto a limpeza de ambientes potencialmente contaminados e quando na manipulação de roedores mortos.

Deve-se usar desinfetantes como o hipoclorito de sódio a 3%. Na habitações fechadas deve-se realizar a limpeza do piso com um pano umedecido em detergente ou desinfetante, o qual evitará a formação de aerossóis. Os móveis devem ser limpos com pano embebido em detergente ou desinfetante.

Os alimentos e outros materiais com evidências de contaminação devem ser eliminados em bolsa dupla plástica, mas previamente molhados com detergentes e finalmente enterrados a mais de 60 cm da superfície. Durante a manipulação de roedores mortos e objetos ou alimentos contaminados, deve-se utilizar luvas de borracha. Ao terminar o trabalho, deve-se lavá-las antes de retirá-las em uma solução desinfetante ou detergente, e após lavar as mãos com água e sabão.

Controle em grupos de risco

Os grupos de risco são constituídos por pessoas que por sua atividade estão expostas ao contato com roedores ou suas excreções, além dos laboratoristas e bioteristas, os que trabalham em esgoto, os agentes de saúde que atuam no controle de roedores, os portuários, trabalhadores agrícolas e pessoas que acampam ao ar livre.

Medidas de prevenção deverão ser consideradas

As habitações que tenham permanecido fechadas por muito tempo, deverão ser ventiladas por pelo menos uma hora. As pessoas que ingressarem em locais fechados, potencialmente contaminados com excretas de roedores, devem faze-lo com proteção respiratória com máscara ou equipamentos de pressão positiva, com filtros de alta eficiência.

Os acampamentos; tanto de trabalhadores como de recreação, deve ser realizados em lugares afastados de potenciais focos de contaminação de roedores, como ninhos, escombros, lixões, acúmulos de lenha, palha ou outros materiais. Nestes acampamentos deve-se manter a adequada proteção de alimentos contra roedores, assim como resíduos em recipientes fechados e finalmente enterrados a uma distância maior que 300m do acampamento. A água deve estar protegida em recipientes fechados e ser fervida ou clorada. Se o acampamento for por longo período, devem-se aplicar raticidas como medida complementar.

Todos os operadores que atuem na limpeza dos locais afetados devem ser devidamente treinados para desenvolver suas atividades de maneira segura.

Uma amostra de soro destes operadores deverá ser colhida antes do início das atividades e estocadas a -20ºC como medida de segurança para garantias trabalhistas.

Lembrar-se que pessoas freqüentemente expostas, seja pelo seu local de moradia como através da manipulação ou contato profissional com roedores, sofrem maior risco de exposição do que a população em geral, devido ao maior tempo e freqüência de exposição. Portanto, todas as medidas de prevenção e proteção individual deverão ser rigorosamente observadas nessas situações.

Fonte: dtr2001.saude.gov.br

Viroses

Cuidados com as viroses

Temperatura mais baixa, chuva, ambientes fechados. O inverno cria o cenário perfeito para a disseminação das viroses, doenças muito comuns nesta época do ano, quando atinge principalmente as crianças.

O que são viroses?

Virose é qualquer infecção causada por vírus. Os principais sintomas são ondas de febre, dor de cabeça e mal-estar, que podem acometer tanto adultos como crianças. Uns pensam que é gripe, outros dizem que é resfriado e muitos se surpreendem, reagindo com descrédito quando o médico define os sintomas como” virose”. Mas o diagnóstico não poderia ser mais acertado. As viroses mais comuns são causadas por adenovírus, que provocam conjuntivite, resfriados e problemas respiratórios em geral, e por enterovírus, responsáveis por problemas intestinais.

Por que há tanta incidência de viroses principalmente entre as crianças?

A incidência de viroses aumenta entre as crianças até dois anos de idade porque seu sistema imunológico ainda não está completamente desenvolvido. Há também outros vários fatores como condição sócio-econômica e nutricional, amamentação, imunizações, poluentes do ar, frio, confinamento, entre outros.

Há alguma época mais propícia à disseminação destas doenças?

As viroses são mais freqüentes no inverno e durante épocas de chuvas, pois há naturalmente um maior confinamento. As pessoas ficam mais em casa, com as janelas fechadas, ou passam mais tempo em ambientes fechados como shopping centers, por exemplo.

Deve-se procurar atendimento médico imediatamente ou esperar algum tempo para avaliar a doença?

Essa resposta varia conforme o estado geral da criança e os sintomas apresentados. Crianças menores ficam mais debilitadas que as crianças maiores e requerem cuidados médicos. Porém uma febre persistentemente alta, tosse, dor-de-cabeça, vômitos ou evacuações repetidas e de grande volume, necessitam uma avaliação médica mais precoce, independente da idade do paciente.

Qual o tratamento adequado?

Não há até o momento tratamento específico para agentes virais causadores dessas doenças. Deve-se seguir as orientações e a receita médica. Caso não haja melhora, o ideal é retornar ao pediatra para nova avaliação. Não se deve dar remédios à criança por conta própria porque isso pode piorar o quadro. Caso haja necessidade de antibióticos, eles devem ser prescritos apenas pelo médico, após avaliar a sua necessidade real de uso.

É necessário algum cuidado especial, caso o paciente apresente episódios freqüentes de viroses?

Os cuidados mais importantes seriam manter o cartão vacinal sempre atualizado e perguntar ao pediatra sobre novas vacinas e suas indicações. O pediatra é o profissional mais habilitado para fazer esses esclarecimentos individualmente, em cada caso.

Fonte: www.lacle.com.br

Viroses

Vírus são seres parasitas intracelulares obrigatórios que diferem de todos os outros seres vivos por serem acelulares. Por isso alguns autores costumam dizer que esse grupo está no limite entre o vivo e o não vivo

Os vírus importantes para o vestibular são os causadores de doenças nos seres humanos. Uma exceção importante é o Bacteriófago, que não causa doenças por parasitar apenas bactérias, mas é um tipo básico de vírus que deve ser conhecido.

Aqui vai uma lista das principais viroses que podem ser abordadas nas provas:

Catapora

É uma doença infecciosa causada pelo vírus Varicela-Zoster. Altamente contagiosa e geralmente benigna era uma das doenças mais comuns da infância antes do advento da vacina.

Uma vez adquirido o vírus, a pessoa fica imune por toda a vida, porém ele permanece no organismo e, futuramente, provocar uma doença conhecida como Herpes-Zoster, também conhecida por cobreiro.

Os primeiros sintomas são febre , mal-estar, inapetência, dor de cabeça, cansaço. De 24 a 48 horas mais tarde, surgem lesões de pele caracterizadas por manchas avermelhadas que dão lugar a pequenas bolhas ou vesículas cheias de líquido que posteriormente formarão crostas, e que provocarão muita coceira.

A vacinação é recomendada para crianças a partir de um ano, a adolescentes e adultos com baixa imunidade ou que passarão por tratamentos de quimioterapia e radioterapia.

Rubéola

É uma doença causada pelo Rubivirus, que pode ser assintomática. Pode causar febre e manchas vermelhas na pele. O cuidado maior com essa doença deve-se ao fato de o vírus atacar o feto de mulheres grávidas causando-lhes má formação.

A doença é contagiosa e pode-se adquiri-la pelas vias respiratórias em contato com pessoas doentes. O tratamento é baseado no simples controle dos sintomas, quando possível.

Sarampo

É uma doença perigosa (principalmente para crianças e idosos) causada pelo Morbillivirus. Mesmo sendo uma doença que não costuma trazer maiores problemas, ela continua sendo uma das principais causas de óbitos em países com acesso ineficiente à saúde.

Transmitida pelas vias respiratórias, começa com sintomas como febre alta e tosse rouca e persistente para depois aparecer erupções cutâneas. A prevenção é feita por vacinação.

Varíola

Foi considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1980 e era uma das mais devastadoras enfermidades que a humanidade presenciou.

Causada pelo Orthopoxvirus variolae, era transmissível pelas vias respiratórias e é caracterizada pelas típicas pústulas (pequenos aglomerados de pus na pele).

Poliomielite

Mais conhecida como Paralisia Infantil, foi considerada erradicada no Brasil em 1 994. O vírus pode ser transmitido pela saliva ou pela ingestão de água e/ou alimentos contaminados com fezes de pessoas portadoras. Causa paralisia muscular assimétrica principalmente nos membros inferiores.

Dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.

A dengue pode se apresentar

Clinicamente - de quatro formas diferentes formas: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue.

Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue.

Infecção Inaparente

A pessoa está infectada pelo vírus, mas não apresenta nenhum sintoma. A grande maioria das infecções da dengue não apresenta sintomas. Acredita-se que de cada dez pessoas infectadas apenas uma ou duas ficam doentes.

Dengue Clássica

A Dengue Clássica é uma forma mais leve da doença e semelhante à gripe. Geralmente, inicia de uma hora para outra e dura entre 5 a 7 dias. A pessoa infectada tem febre alta (39° a 40°C), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjôos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal (principalmente em crianças), entre outros sintomas.

Os sintomas da Dengue Clássica duram até uma semana. Após este período, a pessoa pode continuar sentindo cansaço e indisposição.

Dengue Hemorrágica

A Dengue Hemorrágica é uma doença grave e se caracteriza por alterações da coagulação sanguínea da pessoa infectada. Inicialmente se assemelha a Dengue Clássica, mas, após o terceiro ou quarto de evolução da doença, surgem hemorragias em virtude do sangramento de pequenos vasos na pelo e nos órgãos internos.

A Dengue Hemorrágica pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas.

Na Dengue Hemorrágica, assim que os sintomas de febre acabam a pressão arterial do doente cai, o que pode gerar tontura, queda e choque. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

Síndrome de Choque da Dengue

Esta é a mais séria apresentação da dengue e se caracteriza por uma grande queda ou ausência de pressão arterial. A pessoa acometida pela doença apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda de consciência.

Neste tipo de apresentação da doença, há registros de várias complicações, como alterações neurológicas, problemas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.

Entre as principais manifestações neurológicas, destacam-se: delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia, paralisias e sinais de meningite. Se a doença não for tratada com rapidez, pode levar à morte.

Febre Amarela

É a virose que ganhou espaço na mídia nos últimos dias graças a uma seqüencia de infecções e mortes que ocorreram por essa doença no Brasil. De acordo com a Folha Online foram 13 mortes até o dia 07/02/2008. Em 2007 a doença matou 5 pessoas.

É o mesmo tipo de vírus que o da dengue (flavivirus) e é transmitido pelo mesmo vetor (Aedes aegypti). Tem como reservatórios naturais os macacos.

Os sintomas iniciais são febre, dores de cabeça, náuseas e vômitos. O vírus causa uma lesão no fígado e pigmentos biliares são liberados no sangue deixando a pele amarelada. O tratamento é feito pelo controle dos sintomas. A melhor forma de prevenção é a vacinação e a eliminação dos mosquitos.

Fonte: www.drauziovarella.com.br

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