Gardnerella vaginalis
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VAGINOSE BACTERIANA

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa de infecção vaginal de maior prevalência em mulheres em idade reprodutiva e sexualmente ativas. Juntamente com a Candidíase e a Trichomoníase correspondem a 90% dos casos de infecções vaginais, sendo que a Vaginose Bacteriana ocorre em 35-50% dos casos, enquanto a Candidíase ocorre em 20-40% e a Trichomoníase em 10-30%.

A microbiota usual da vagina da mulher em idade reprodutiva é composta por Lactobacillus predominantemente (90%), sendo que muitos outros microrganismos podem ser cultivados da vagina de mulheres saudáveis: Staphylococcus coagulase negativa, Staphylococcus aureus, Streptococcus viridans, Streptococcus do grupo B, Enterococcus, Corinebacterias, Enterobactérias, Gardnerella vaginalis, Candida albicans, outras leveduras, Micoplasmas, Peptostreptococcus , Bacteróides, entre outros. A composição e a densidade populacional dos microrganismos pode variar de mulher para mulher e, numa mesma mulher, em diferentes condições fisiológicas, como nas diferentes fases do ciclo.

Nas mulheres em fase reprodutiva o estrógeno promove a maturação e diferenciação do epitélio vaginal em células superficiais maduras ricas em glicogênio. Este glicogênio é metabolizado em ácido láctico pelos Lactobacilos, conferindo um pH ácido à vagina ( menor que 4,5 ). O pH ácido e o Peróxido de Hidrogênio (H2O2), que também é produzido pelos Lactobacillus conferem a proteção natural da vagina, inibindo o crescimento de organismos como os anaeróbios.

Patogenia

A Vaginose Bacteriana é caracterizada como uma síndrome que resulta de um supercrescimento da flora anaeróbia obrigatória ou facultativa da vagina, acarretando mau cheiro, sem inflamação aparente.

Na Vaginose Bacteriana a fisiologia da vagina é alterada de maneira quantitativa e qualitativa. Os microrganismos anaeróbios isolados com maior frequência da secreção vaginal de mulheres portadoras de VB são: Gardnerella vaginalis, Bacteróides (Prevotellas), Mobilluncus , Peptostreptococcus e Porphyromonas.

A Gardnerella vaginalis é um bastonete Gram variável, pleomórfico, não capsulado, imóvel e anaeróbio facultativo. Cresce melhor em atmosfera de CO2 por 48 horas a 35 -37 ºC. É sensível ao Metronidazol e quando isolado de cultura pura como no caso de septicemia, deve-se usar ampicilina ou amoxacilina. Sua presença em altas concentrações na VB sugere um papel muito importante nesta síndrome, embora não seja o único agente etiológico.

Os Mobilluncus são bacilos curvos e móveis, anaeróbios estritos, que possuem dois morfotipos:

Bacteróides, Porphyromonas e cocos anaeróbios: todos estão aumentados na vaginose bacteriana.

O supercrescimento dos microrganismos associados com VB tem várias sequelas: a Gardnerella vaginalis produz ácidos orgânicos (principalmente ácido acético), necessários para a proliferação de anaeróbios. Estes se multiplicam e produzem aminopeptidases, que formarão aminas. As principais delas são: a putrecina, a cadaverina, a trimelamina. Estas aminas elevam o pH vaginal. Especialmente a putrecina e a cadaverina, em presença de pH elevado, rapidamente se volatilizam e ocasionam mal cheiro (cheiro de peixe), que é característico das VB. As aminas e os ácidos são citotóxicos, acarretando esfoliação das células epiteliais e por conseguinte corrimento vaginal com as características células indicadoras ou clue cells.

Anaeróbios vaginais são capazes de inibir a quimiotaxia das células brancas do sangue.

Não se conhece o motivo exato para o supercrescimento da flora anaeróbia, mas existem fatores que podem alterar o ecossistema vaginal como o uso de antibióticos de amplo espectro, alteração do pH vaginal que se segue à ejaculação ou duchas, traumas vaginais, estados em que há diminuição da produção de estrógeno, etc. Estas alterações podem levar à infecções pelos agentes que normalmente compõem a flora normal.

Transmissão

Os mecanismos de transmissão da VB não estão claros. Algumas evidências sugerem que como infecção do trato urinário, é resultado da colonização vaginal por organismos retais. Mesmo assim é uma rara causa de infecção do trato urinário

Outros sugerem transmissão sexual. Num recente estudo o número de parceiros sexuais estava diretamente ligado a ocorrência de VB. Cerca de 90% dos parceiros de mulheres com VB tem colonização uretral por Gardnerella vaginalis, mas não está associado com manifestações clínicas.

Na gravidez VB tem sido associada com parto prematuro, ruptura prematura de membranas e corioamnionite. Gardnerella é um isolado comum do sangue de mulheres com febre pós-parto e febre pós-aborto.

Sinais

São quatro os sinais clínicos da VB: presença de células indicadoras ou clue cell, pH maior que 4,5, odor característico de peixe e corrimento vaginal abundante, esbranquiçado, homogêneo e não aderente.

Estes critérios individualmente apresentam sensibilidade e especificidade variáveis, mas a presença de pelo menos três dos quatro critérios, separam as pacientes com a síndrome daquelas pacientes sadias.

Diagnóstico

Pode ser feito, entre outros, pelo método de coloração ao Gram, pelo Papanicolau ou pelo isolamento bacteriano.

O exame da secreção vaginal através do Gram é mais relevante para o diagnóstico de VB que o isolamento da Gardnerella vaginalis , porque esta bactéria é freqüentemente parte da flora endógena vaginal. O esfregaço corado ao Gram permite uma melhor avaliação da flora vaginal e sua preservação permite sua utilização em exames comparativos posteriores assim como a coloração pelo método de Papanicolau.

Fonte: www.crfmg.org.br

Gardnerella vaginalis

Conceito: A gardnerella é uma bactéria que faz parte da flora vaginal normal de 20 a 80% das mulheres sexualmente ativas. Quando, por um desequilíbrio dessa flora, ocorre um predomínio dessa bactéria (segundo alguns autores em associação com outros germes como bacteróides, mobiluncus, micoplasmas etc.), temos um quadro que se convencionou chamar de vaginose bacteriana.

Usa-se esse termo para diferenciá-lo da vaginite, na qual ocorre uma verdadeira infecção dos tecidos vaginais. Na vaginose, por outro lado, as lesões dos tecidos não existem ou são muito discretas, caracterizando-se apenas pelo rompimento do equilíbrio microbiano vaginal normal. A vaginose por gardnerella pode não apresentar manifestações clínicas (sinais ou sintomas). Quando ocorrem, estas manifestações caracterizam-se por um corrimento homogêneo amarelado ou acinzentado, com bolhas esparsas em sua superfície e com um odor ativo desagradável. O prurido (coceira) vaginal é citado por algumas pacientes mas não é comum. Após uma relação sexual, com a presença do esperma (de pH básico) no ambiente vaginal, costuma ocorrer a liberação de odor semelhante ao de peixe podre.

No homem pode ser causa de uretrite e, eventualmente, de balanite (inflamação do prepúcio e glande). A uretrite é geralmente assintomática e raramente necessita de tratamento. Quando presentes os sintomas restringem-se a um prurido (coceira) e um leve ardor (queimação) miccional. Raramente causa secreção (corrimento) uretral. No homem contaminado é que podemos falar efetivamente que se trata de uma DST.

Flora Microbina Normal : Nosso organismo, a partir do nascimento, entra em contacto com germes (bactérias, vírus, fungos etc.) os quais vão se localizando na pele e cavidades (boca, vagina, uretra, intestinos etc.) caracterizando o que se chama de Flora Microbiana Normal. Normal porque é inexorável e porque estabelece um equilíbrio harmônico com o nosso organismo. Existem condições em que este equilíbrio pode se desfazer (outras infecções, uso de antibióticos, `stress`, depressão, gravidez etc.) e determinar o predomínio de um ou mais de seus germes componentes, causando então o aparecimento de uma infecção.

Sinônimos: Vaginite inespecífica. Vaginose bacteriana.

Agente: Gardnerella vaginalis.

Complicações/Conseqüências: Infertilidade. Salpingite. Endometrite. Ruptura prematura de Membranas.

Transmissão: Geralmente primária na mulher. Sexual no homem .

Período de Incubação: 2 - 21 dias.

Fonte: www.saude.rs.gov.br

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